quinta-feira, 28 de abril de 2022

TEXTO: Jo 21.1-14(15-19)

TEMA: PEDRO, TU ME AMAS?

Após uma madrugada de desanimo, uma pescaria frustrada, pois os discípulos nada apanharam, Jesus, o Cristo ressuscitado, aparece aos seus seguidores. Seu objetivo é acolher aqueles que ainda estavam com medo por causa de Sua morte. Isto demostra o quando Jesus amava seus discípulos, principalmente, a Pedro. É justamente à beira daquele mar, no momento da refeição, Jesus mantém um diálogo pessoal com Pedro e pergunta-lhe: “Pedro, tu me amas?”

Jesus repetiu três vezes essa mesma pergunta. E Pedro respondeu três vezes: “Tu sabes que te amo!” Neste dialogo, Jesus define bem o tipo de amor que Pedro deveria sentir por Ele, pois no momento, o que Pedro sentia por Cristo era um amor de amigo, de companheiro. O que Jesus queria era um amor incondicional, que não mede sacrifícios para servir ao reino de Deus, que deveria provar com gestos, não apenas com palavras. Portanto, somente este amor daria a Pedro a capacidade de pastorear as ovelhas do Senhor, de cuidar da igreja de Cristo, pois se não tivesse este amor, a sua missão não seria completa.

Esta é uma pergunta que Jesus faz a todos os cristãos diariamente: “Tu me amas?” Mas será que amamos verdadeiramente a Deus? Amamos mais do que as outras coisas neste mundo? Qual o amor que você sente por Jesus, um amor de amigo, ou um amor incondicional? É muito fácil dizer que amamos a Deus, quando tudo está favorável, quando as circunstâncias estão tranquilas. No entanto, difícil é amar a Deus diante dos nossos sofrimentos, em situações de vida ou morte. Mas independente das circunstâncias, somos convidados a amar a Jesus. Não seja como Pedro, ame o Senhor Jesus com amor intenso, fervoroso, incondicional, de forma sacrificial. Lembre-se que devemos estar conscientes de que para servir ao Senhor é necessário amá-lo de coração.

                                                              I

Estimados irmãos! No texto anterior, Jesus teve um encontro com os discípulos, principalmente, com Tomé. Depois disso, tornou a manifestar-se novamente aos discípulos junto do mar de Tiberíades. Estavam naquele lugar, juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Nesta ocasião, Pedro teve a ideia de ir pescar. Os outros discípulos disseram: “Também vamos contigo.” (v.3a). Apesar da tristeza, diante das cenas que presenciaram durante a morte de Jesus, foram pescar, dando continuidade ao trabalho de pescadores. Eles passaram toda a noite pescando, mas não apanharam nada. (v.3b).

Os discípulos nada apanharam! É difícil de entender esta situação! Afinal, eram experientes. Conheciam as técnicas da pescaria. Mas mesmo possuindo profundo conhecimento sobre o assunto, regressaram cansados e frustrados, pois não pescaram nada naquela noite. Nada apanharam! Esgotaram suas forças no empenho daquele trabalho.  Que situação difícil vivenciaram os discípulos! Há momentos na vida de um pescador, que após um longo dia de trabalho, volta para casa sem pegar nenhum peixe. Voltar sem nenhum peixe, causa uma sensação de frustração, desanimo, cansaço, quando olhamos ao nosso redor e encontramos as nossas redes vazias. Não atingimos os resultados que pretendíamos, e nos sentimos impotentes, sem motivação e sem auto estima. Parece que tudo que fizemos, acabou sendo em vão. Na verdade, as nossas expectativas não foram alcançadas, e os nossos sonhos não aconteceram. E consequentemente, a ansiedade, o estresse e a impaciência aumentam, gerando um desconforto constante.

Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia. Os discípulos, porém, não reconheceram que era Jesus. Ele se aproxima daqueles homens, que ainda guardavam na memória os acontecimentos ocorridos em Jerusalém, e pede a eles algo para comer: “tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.” (v.5). No entanto, os discípulos não estavam desamparados, pois a ajuda estava ali, diante deles: “Então, lhes disse: “Lançai a rede à direita do barco e achareis.” (v.6). Talvez, cansados e sem saber o que fazer, rapidamente o obedecem. Não duvidaram da ordem de Jesus. Aceitam o desafio, demonstram confiança e obediência. São desafiados a pescar novamente, arriscar-se, enfrentar o medo, tempestades, altas ondas para pescar. O resultado foi surpreendente: “Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes,” (v.6). Foi um sinal maravilhoso, realizado por Jesus através de sua palavra.

Nem sempre as nossas redes estão repletas de peixes. Há momentos que temos de aprender a conviver com as fadigas e o cansaço. Vamos ter que pescar a noite toda e nada apanhar no mar da vida, mas o Senhor continuamente virá em nosso socorro. Virá ao nosso encontro, pois Ele se importa conosco. Ele intervém quando estamos perdidos. Sabe das nossas necessidades, e nos convida a lançarmos as nossas redes em meio ao cansaço e angustia que nos deparamos no dia a dia, diante da nossa vida que é coroada de dor e de fracassos. Ele nos convida a lançarmos as redes diante das constantes derrotas que vivenciamos. E aqueles que assim procedem são abençoados, pois confiam na Palavra do Senhor nas mais difíceis circunstâncias da vida. Como é maravilhoso saber que o Senhor tem a resposta aos nossos anseios mais profundos, ou seja, a tristeza, o desânimo, o desespero, agonia, sentimentos que enfraquecem a nossa alma. É maravilhoso saber que o Cristo Vivo e Ressuscitado, vem ao nosso encontro e nos convida a lançarmos as redes no mar.

Os discípulos foram abençoados com a presença de Jesus. Realmente, redera frutos o trabalho feito sob a palavra do Senhor. (vv.8,11). Mas imediatamente os discípulos perceberam que era Jesus: “Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor.” (v.7). Ele estava convencido, talvez, pelos milagres e a forma como Jesus estava agindo. E Pedro ao ouvir que era o Senhor, cingiu-se com a túnica e lançou-se ao mar com a vontade de reencontrar seu Senhor e demonstrar afeição por ele. Os outros discípulos apanharam o barco e foram para praia, para perto de Jesus onde ali viram umas brasas e, em cima, peixes e pão. (v.8). A passagem não diz de onde veio o peixe. Apesar de não ser especificado, é possível que fizesse parte da grande quantidade de peixes que os discípulos pescaram. Mas neste momento, Jesus pediu a eles que trouxessem também dos peixes que acabaram de pescar. (v.10). Ele motiva os discípulos a trazer uma parte, que venha somar com o que o Ressurreto havia preparado, pois Jesus queria que os discípulos desfrutassem de toda a alegria do seu trabalho.

 

Os discípulos sentiram-se felizes, alegres, respeitado na presença do Senhor, quando receberam o convite: “Vinde, comei.” (v.12a). Não fizeram qualquer pergunta. Ficaram num silêncio respeitoso diante daquele que estava convidando-os para jantar. (v.12b). Se naquele momento ainda havia certa vontade de perguntar quem és tu? agora, após o convite, esta pergunta perdeu seu sentido. Eles já sabiam quem era Jesus. Esta refeição especial com o Jesus ressuscitado teve um efeito profundo na vida nestes sete discípulos. Na verdade, o encontro foi um momento maravilhoso. Jesus procurou incentivá-los a respeito do seu trabalho futuro. Lembrá-los de que não deviam voltar à sua antiga vida de pescadores. Ele os tinha chamado para que fossem “pescadores de homens” (Lc 5.10) e para iniciar a igreja (Mt 16.19). Pedro, o líder entre eles, precisava estar preparado para as responsabilidades que em breve iria assumir. Ele iria liderar e apascentar o rebanho. não com alimento físico, mas com alimento espiritual.

                                                              II

Mas antes de serem “pescadores de homens”, Jesus aproveita o encontro com seus discípulos para encorajá-los e exortá-los sobre a missão que teriam que exercê-la, principalmente, Pedro. Ele é um dos discípulos mais citados nas Escrituras. Sempre esteve próximo ao Senhor. Foi ele quem andou nas águas com o Mestre. Foi ele quem não queria que Jesus se entregasse à morte. Foi ele quem cortou a orelha de Malco, lutando pelo seu Senhor. Enfim, foi ele quem prometeu, que se preciso for, morreria junto com Jesus! No entanto, Pedro era um homem de contrastes, passava de um extremo ao outro. Quando Jesus queria lavar seus pés no cenáculo, o imoderado discípulo exclamou: "Nunca me lavarás os pés." Jesus, porém, insistiu e Pedro disse: "Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça" (Jo 13.8-9). Na última noite que passaram juntos, ele disse a Jesus: "Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!" (Mc 14.29). Entretanto, dentro de poucas horas, ele não somente negou a Jesus, mas praguejou (Mc 14.71).

Este temperamento volátil, imprevisível, muitas vezes, deixou Pedro em dificuldades. Por isso, Jesus aproveita este momento para orientá-lo e prepará-lo diante da sua missão de “pescadores de homens”, e de certa forma, até para profetizar a maneira pela qual ele morreria.  Ele ainda precisava entender mais profundamente o significado da cruz como sinal de nossa redenção, salvação, vida, perdão, consolo que Cristo obteve por nós, e o significado de servir o reino de Deus. Na verdade, Pedro sempre teve dúvidas na decisão de seguir a Jesus. Sempre entendia de outra forma o seguir a Jesus. Por isso, precisava entender que seguir a Cristo seria árduo e traria sofrimento, tão horríveis como a morte na cruz. Mas estaria Pedro preparado para anunciar o Cristo ressuscitado neste momento? Será que amava a Jesus, como de fato afirmava?

Pedro tinha consciência de que o amor de Jesus era misericordioso e o sustentava na sua miséria. Ele amava, sim, a Cristo, mas não incondicionalmente. Por isso, Jesus resolve questioná-lo. Ele não queria deixar dúvidas no seu coração. Então, Jesus, pergunta a Pedro em três momentos: "Pedro, tu me amas?" A insistência de Jesus em perguntar: "Pedro, tu me amas?" não era para envergonhar o apóstolo, mas era para que ele compreendesse que o amor que Cristo queria era outro, não um simples amor. Por isso, toda fala do ressuscitado gira em torno do amor e da fidelidade. Isto significa que a repetição da pergunta por três vezes nos indica que o amor era o foco principal que Pedro deveria ter em seu trabalho como apóstolo. O amor que deveria provar com gestos, não apenas com palavras.

Mas sobre que amor, Jesus está falando a Pedro? É interessante notar que nas duas primeiras perguntas feitas a Pedro, Jesus utiliza o amor incondicional. É o amor sacrificial, amor sem reservas, amor que nos leva a nos entregarmos completamente a Jesus, o amor que devemos ter em nossos corações ao servirmos a Deus. Este deveria ser o procedimento de Pedro, que entendesse a importância de ter seu coração cheio desse amor, incondicional, que não mede sacrifícios para servir ao reino de Deus. Somente este amor daria a Pedro a capacidade de pastorear as ovelhas do Senhor, de cuidar da igreja de Cristo. Seria um grande desafio, pois sem o suporte do amor a Deus, não seria plenamente completado que Pedro deveria realizar.

Enquanto, Jesus falava para Pedro do amor incondicional, Pedro respondia que amava a Cristo através de um amor fraternal, um amor afetivo, o amor de pai e mãe, de filho e de filha (Mateus 10.37), um amor imperfeito, que necessita da graça de Deus para se tornar um amor incondicional. Mas ao perguntar a Pedro pela terceira vez: “Tu me amas? Pedro fica entristecido ao dizer: "Senhor tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo". Certamente, Pedro agiu desta forma, porque havia percebido que suas palavras ainda não correspondiam a realidade vivida. Ele descobre naquele instante que servia a Cristo, porém, sem muita intensidade, profundidade e compromisso. Por isso, demostrou humildade suficiente para reconhecer que Jesus sabia de tudo, que ele o amava, mas não o suficiente. E foi essa humildade, essa resposta corajosa que fez com que o Senhor Jesus mudasse a sua vida, através do amor e perdão de Jesus. Pedro foi transformado. Converteu-se, então, num seguidor obediente, perseverante e amoroso. Sua percepção de amor foi restaurada por Cristo.

Desprovido do orgulho, Pedro, agora, estava pronto para seguir a Cristo de uma nova maneira. Para ele significava um discipulado coerente, uma procura constante de Cristo, mesmo se isto exigisse o martírio. Agora, estava disposto a dar a sua vida por amor ao Reino de Deus, tal como o Senhor Jesus profetizou que seria “Pescador de homens”. Agora, deveria continuar com a obra de Cristo da maneira como Ele quer que seja realizada, não da maneira como Pedro queria realizá-la. Agora, passa a viver na dependência do Senhor, passa a viver uma nova vida, porque antes agia por si mesmo, pela sua razão: “Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.” (v.18). Que segurança estas palavras devem ter dado a Pedro.

Ao falar da importância do amor em I coríntios 13, Paulo nos ensina: “se não tiver amor, nada disso me aproveitará.” (1 Coríntios 13.1-3) Observe bem o que diz Paulo nestes versos. Ele está nos mostrando que ainda que fossemos capazes de realizar coisas impressionantes como falar a língua dos próprios anjos, ou profetizar, ou conhecer os mais profundos mistérios da humanidade, ou ainda distribuir fortunas, tudo isso seria vão se fosse feito sem amor. Sendo assim, tudo que realizamos no reino de Deus deve ser através do amor. Um músico faz seu trabalho com amor, um pastor realiza seu trabalho amor. Muitos cristãos trabalham na igreja e não se cansam de afirmar que amam a Deus, que fazem o trabalho com amor. Mas será que temos compromisso com Deus? É muito fácil dizer que amamos a Deus, quando tudo está favorável, quando as circunstâncias estão tranquilas. No entanto, difícil é amar a Deus diante dos nossos sofrimentos, em situações de vida ou morte. Mas independente das circunstâncias, somos convidados a amar a Jesus. Não seja como Pedro, ame o Senhor Jesus com amor intenso, fervoroso, incondicional, de forma sacrificial. Lembre-se que devemos estar conscientes de que para servir ao Senhor é necessário amá-lo de coração.

O que é maravilhoso   na vida de Pedro, é que Jesus aceita o seu amor imperfeito. Ele não olhou com olhar de condenação e julgamento para Pedro. Mas foi um olhar de amor e acolhimento, restaurando a sua autoestima. Incentivando a não desistir de seu ministério por causa de seu erro. Agora, Jesus renova o convida: “segue-me”. Mas também Jesus deixa claro que seguir o seu caminho, o seu amor, a sua entrega, iria custar a sua própria vida, que seria a crucificação.

Estimados irmãos! Ao encerrar esta mensagem deixo uma pergunta para reflexão: Qual o amor que você sente por Jesus, um amor de amigo, ou um amor incondicional?


terça-feira, 26 de abril de 2022

 

TEXTO: SL 30

TEMA: O SENHOR TRANSFORMA A NOSSA TRISTEZA EM ALEGRIA

O Salmo 30 é considerado um cântico de Ação de Graças. Ele é atribuído a Davi. Há vários salmos como este. Eles eram cantados no dia a dia das famílias de Israel, tanto nas reuniões domésticas, como nas públicas. Alguns eram cantados nas viagens para Jerusalém e no retorno para casa. Neste salmo, Davi agradece a Deus por algum livramento que alcançou. Ele havia passado por situações de perigo, tribulações, noites de escuridão, de medo e desespero em sua vida. Estava tão debilitado que a sua sensação é de que dormiria e não mais acordaria. Ele se sentiu triste e angustiado. Mas ele revela que, todas, às vezes, que clamou a Deus, foi atendido. Deus transformou a sua tristeza em alegria, não permitindo que a tristeza tomasse conta de sua vida, pois entendia que o “choro” dura só um tempo, depois alegria que vem pela manhã. Pelo fato de Deus ter atendido a sua oração Davi, não quer jamais se calar a respeito da bondade de Deus.

O cristão não está imune ao choro e a tristeza. Jesus disse que enfrentaríamos o choro e o lamento: “Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis”. (João 16.20). A tristeza existe. Ela faz parte da vida de todos nós. São sentimentos e problemas, como solidão, ansiedade, doença, dificuldades em família e desemprego, que nos causam frustração, medo e insegurança. São realidades que nos fazem chorar. Diante desta situação nos sentimos impotentes para encontrar uma solução eficaz, pois tudo parece dar errado. Somos sufocados pelos acontecimentos e das circunstâncias que vivemos. Não é fácil estar alegre. O cenário que se apresenta não é propício para alegria, diante dos tempos tão sombrios que estamos vivendo

Mas o Senhor transforma nossa tristeza em alegria. Assim, como ocorreu com Davi. Então podemos dizer: Como é bom ser alegre no Senhor! Esta alegria que invade a nossa vida e que resplandece em nosso rosto, é o resultado dos momentos maravilhosos que o Senhor nos proporciona no dia a dia. Estes efeitos são imensos. Deus nos guia nos protege e nos ama. Sendo assim, temos muitos motivos para nos alegrar. O Senhor está conosco todos os dias (Mt 28.20), por mais pesado que seja a cruz, que temos que carregar. Lembre-se: Quando a alegria deixar de existir em sua vida, quando faltar força, coragem, fraqueza no trabalho, na família, quando precisar de apoio para vencer os problemas, saiba que o bondoso Deus está atento às suas necessidades e se põe ao lado de você, pois seu interesse” e “cuidado” por nós duram a vida toda (v.5a).  

Estimados irmãos! Inicialmente, o salmista reconhece suas fragilidades e suas limitações, bem como sua vulnerabilidade diante das dificuldades da vida. Ele descreve a situação de sua saúde e fala que era alvo das zombarias de algumas pessoas, que ele chama de inimigos (v.1c). Em outras palavras, o autor do salmo estava à beira da morte. Apesar do salmista sentir a morte tão perto, não desiste da vida. Ele é fortalecido pela esperança de que o Senhor Deus o ouvirá. Sendo assim, ele clamou, e o Senhor lhe deu vida no lugar da morte, substituiu a doença por saúde e lhe tornou próspero. Ele mesmo afirma: “tu me livraste.” (v.1b). “tu me saraste” (v.2). E ainda: “da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.” (v.3b). Sua expectativa é, então, confirmada, e sua vida é poupada. Deus havia tirado sua alma da sepultura e o mantido vivo o salmista. Agora, quer exaltar ao Senhor. (v.1a). Ele quer salmodiar e dar graça ao seu santo nome. (v.4). Ele desafiou também o povo a dar graças, lembrando da santidade do Senhor.

No entanto, durante um determinado tempo, Davi experimentou a ira de Deus. Na hora da dor, ele achava que Deus estava irado. Mas entendeu que o Senhor não é um ser que preza a raiva. Ao invés de aplicar o juízo merecido, Deus ofereceu misericórdia ao salmista. Ele afirma: “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira.” (v.5). De fato, Deus não é maldoso, severo e repleto de ira, como muitos imaginam. Ao contrário os efeitos de seu favor são substanciais e duráveis: "seu favor dura a vida inteira". As lutas que enfrentamos neste mundo podem persistir durante a noite, mas a alegria virá pela manhã, pois Ele sempre está disposto a mostrar misericórdia e bondade. São pelas misericórdias de Deus que Ele nos perdoa, nos da nova chance de recomeçar e aprender com os erros do passado. A misericórdia jamais acaba não tem fim, ou seja, Deus está sempre disposto a dar uma nova chance, a começar de novo. Isto significa que a bondade divina é para toda a vida. O que Deus deseja é o arrependimento dos nossos pecados e voltarmos para ele, em adoração e submissão sincera.

Precisamos sempre lembrar que, somente aqueles que foram cobertos pelo sangue de Cristo, derramado na cruz, estão seguros de que a ira de Deus nunca cairá sobre eles. E por causa do seu sacrifício perfeito na cruz, hoje temos paz com Deus e desfrutamos do seu favor por toda a vida. Podemos estar seguros de que a ira de Deus dura apenas um pouco, e se transforma em alegria, isso porque a misericórdia de Deus é firme e duradoura. Esse princípio, inclusive, ecoa por toda a Escritura. Através do profeta Isaías, Deus disse ao seu povo: “Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor” (Isaías 5.7). O apóstolo Paulo afirma: "Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!" (Romanos 5.9).

Na segunda parte do versículo, Davi repete a mesma coisa figurativamente: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" (v.5). Davi, em sua oração, registra o choro e o lamento que tomou conta da sua vida em virtude da sua fragilidade e fraqueza humana. Ele diz que chorou a noite toda, revela que se sentiu abandonado por Deus e inseguro quanto ao futuro. Ele confiava em sua ajuda e quando adoeceu gravemente buscou a Deus, mas não recebeu resposta imediata. Parecia que Deus estava irado. Ele orou e lamentou a noite toda buscando a graça de Deus. Entendeu que o choro é realmente passageiro. Ele já faz parte da vida de cada ser humano. Choramos por diversas razões. Alguém chora quando perde um jogo de futebol, a namorada chora quando perde o namorado, as crianças choram quando estão doentes. Enfim, choramos quando perdemos um ente querido. Como é triste!  Mas, muitas vezes, o choro pode durar a noite todo em nossa vida, quando sentimos os momentos de angústia, medo, desesperança, dor tribulações, desespero, aflições. São momentos que nos entristece, e parece que todas coisas não   vão passar, não vão acabar. Neste momento, não há   ninguém que possa enxugar as   nossas lágrimas. Mas ao amanhecer, porém, vem a alegria, o regozijo, o consolo, a paz, a segurança interior.

Você está chorando! Lembre-se: você não está sozinho! Chore na presença do Senhor, sabendo que Ele está ao seu lado! O próprio Jesus afirma: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” (Mt 28.20). “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mt. 5.4). Deus falou para Jacó: “Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; pois não te deixarei até que haja cumprido aquilo de que te tenho falado”.(Gn 28.15).Deus falou Isaías “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10).Deus falou para Josué: “Não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1.9).João diz em Apocalipse 21.4: "Deus enxugará de seus olhos toda a lágrima. Não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, pois já as primeiras coisas são passadas”. O texto bíblico diz que a morte não existirá mais, e com ela também desaparecerão a tristeza, a dor e o choro. Não haverá mais nenhum motivo para chorar. Deus enxugará de nossos olhos toda lágrima para sempre! E no novo céu e na nova terra haverá paz, harmonia, alegria e pleno contentamento.

Davi, antes, pensava que vivia tranquilo e que a adversidade nunca poderia afetar à sua posição política e à riqueza. A vida era boa. Ele gozava de grande prosperidade, e sentia como se nada mudasse. Dependia de suas habilidades e bens, em vez do Senhor. Ele afirma: “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado". (v.6). Para ele nunca haveria nada que pudesse afligi-lo, como se tivesse, ele mesmo, poder para controlar tudo à sua volta e garantir, por seus próprios meios, o sucesso e a felicidade. Tamanha foi arrogância de Davi que ficou confuso e desorientado quanto os desafios que estavam presentes em sua vida. Ele evidencia tal verdade ao dizer resignado: “SENHOR, pelo teu favor, tu firmaste minha montanha.” (v.7a). A palavra “montanha” parece ser usada para denotar aquilo em que ele confiava como sua segurança ou força, pois a montanha, ou as rochas inacessíveis, constituíam um refúgio e segurança em tempo de perigo. (Salmos 18.1-2; Salmos 18.33; Salmo 27.5). 

Neste sentido, o salmista fala de si mesmo, se coloca numa posição onde não temia nenhum inimigo e se considerava totalmente seguro. Ele estava tão confiante, e pensou que sua “montanha” estava tão forte, tão segura. Mas o Senhor havia ocultado o seu rosto e o salmista passou a viver em pânico. (v.7). Esconder o rosto” é sinônimo nas Escrituras Sagradas de retirada de favor. (Salmo 13.1). Sendo assim, o salmista ficou perturbado. confuso, perplexo, agitado, apavorado. Sentiu um medo repentino, pois tudo em que confiava, tudo que pensava ser tão firme, foi subitamente destruído. Mas tendo percebido o pecado de seu orgulho, admitiu a graça e a provisão de Deus. Chegou à conclusão de que seus esforços não trariam senão desespero. Este é o nosso único recurso diante de nosso orgulho: devemos nos arrepender de nossa arrogância e rebelião, buscando a graça e a misericórdia de Deus. Fora Dele, nada somos.

Tendo percebido o seu erro, Davi clamou ao Senhor, fazendo-lhe súplicas. Sabiamente, Davi fez seu pedido ao Senhor, ao único que poderia lhe ajudar. Ele sabia que Deus era a fonte de sua bênção, sabedoria e força. Ele já não queria andar sozinho, mas buscou o Senhor em seu momento de necessidade. Por isso, clama ao Senhor: “Por ti, Senhor, clamei e implorei. Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? (vv.8,9). Em um esforço para apelar à abundante graça de Deus, Sendo assim, Davi ofereceu uma sugestão: Que proveito há em meu sangue. Isto é, que lucro ou vantagem haveria para ti se eu morresse? O que seria “ganho” com isso? O argumento que o salmista insiste é que ele poderia servir melhor a Deus com sua vida do que com sua morte. Se morresse, o impediria de prestar o serviço ao Senhor.

Diante desta situação, o salmista pede misericórdia ao Senhor, pois admite sua grande necessidade. Admite que havia pecado e foi incapaz de fazer provisão para suas muitas necessidades sozinho. Ele confessa a Deus que precisa de sua ajuda, ao afirmar: “Ouve, Senhor, e tem compaixão de mim! O Senhor, sê o meu ajudador”. (v.10). Como se ele afirmasse: Deus, eu não posso, mas você pode. Por favor, responda ao meu apelo e ajude na minha situação. Então, podemos afirmar que, agora, Davi vive momentos maravilhosos. Ele confessou seu pecado diante do Senhor, arrependeu-se de seu orgulho e reconheceu sua grande necessidade do Senhor. É exatamente, assim, que devemos nos aproximar do Senhor, quando respondemos ao Seu chamado pela salvação. Após a nossa conversão, há momentos em que teremos de nos apresentar diante do Senhor, como Davi, confessando nosso pecado e admitindo nossa necessidade de provisão e graça do Senhor.

Como é maravilhoso! Deus vem ao nosso encontro e se preocupa em nos consolar. Ele enxuga as nossas lágrimas. Permite expressar nossas incertezas. Por isso, precisamos olhar para o Senhor e levantar os olhos para o único que pode nos ajudar. Somos convidados a reconhecer as misericórdias do Senhor. Somos conclamados a continuar no mesmo espirito de oração e louvor, reconhecimento e súplica pelas misericórdias. Quem de nós não precisa de misericórdia, e não tem clamado por ela? Se nos sentimos desprezados, rejeitados, discriminados, olhemos para o Senhor e clamemos por misericórdia. Esperamos, pacientemente, pois Deus nos oferece o socorro.  Esse é o exemplo que devemos carregar sempre conosco: manter os olhos fixos na misericórdia do Senhor, pois só a misericórdia do Senhor nos garante paz em meio a tanto desprezo. Foi nesta confiança que o salmista, em meio à angústia, ele invocou ao Senhor. Ele creu que só havia uma escapatória diante de sua angústia: confiar na misericórdia do Senhor.

O estado de espírito do salmista está, agora, completamente transformado. Seu tempo de dor se transformara em uma época de alegria. O choro se transformou em danças de alegria (Salmo 30.11). As vestes de lamentação, comumente usadas em momentos de clamor e súplica, foram mudadas por veste alegres, de louvor, de gratidão. A alegria realmente veio de manhã para Davi. Por isso, depois de receber a atuação benéfica de Deus, o salmista testemunha (v.11): “tu transformaste o meu lamento em festejos; retirastes meu pano de saco e me vestistes de alegria”. Que transformação: o choro vira riso; as vestes de luto viram vestes de comemoração. Somente Deus pode causar tamanha mudança. Mas essa transformação tem um propósito. Se antes o nome do Senhor fora deixado em segundo plano, Deus quer que, agora, o salmista volte a ter primazia na vida.

Deus ouviu a oração do salmista. Ele pôs fim aos seus problemas. não morava mais na miséria e no desespero. O Senhor havia respondido à sua necessidade e seu espírito foi renovado. Ele fez com que suas tristezas fossem sucedidas pela alegria. Agora, ele se propõe a louvar continuamente ao seu Deus. Não há timidez que o impeça. Não há cansaço que lhe faça parar. Como prometeu, ele vai louvar ao Senhor para sempre: “para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor, Deus meu, graças te darei para sempre”. (v.12). Devemos estar dispostos a oferecer louvores imediatos e contínuos pelas bênçãos que recebemos.

Estimados irmãos! O Senhor vê o momento que vivemos, conhece tão bem a nossa vida, nosso coração, nossas lágrimas e angústias. Ele não permite que a tristeza tome conta da nossa vida, que a alegria do mundo se converta em sofrimento. Por isso. não se desespere! Não desanime! Não perca a fé! Deus nunca vai permitir que você seja provado mais do que pode suportar. Se você está se sentindo fraco ou desanimado, lembre-se das misericórdias do Senhor que duram para sempre e se renovam a cada amanhecer. Lembrem-se que o Senhor estende a sua graça e bondade para aqueles que confiam nele. Que o Senhor transforme a nossa tristeza em alegria. Amém!

quinta-feira, 21 de abril de 2022

 

TEXTO: JO 20.19.31

TEMA: PAZ SEJA CONVOSCO!

Estas foram as palavras que Jesus disse aos discípulos, que ainda estavam vivendo na insegurança e no medo. Sentimentos que tomaram conta da vida dos discípulos naquele domingo de Páscoa. Eles tinham visto tudo o que os judeus fizeram contra Jesus: preso, açoitado, julgado e condenado à morte. Sentiam que Seu líder, agora, estava morto. Certamente, eram também procurados e seu destino não seria diferente. Temiam represálias, uma vez que o sinédrio tinha poder e influência para perseguir os seguidores de Jesus e, por isso, eles estavam com medo dos judeus. Sendo assim, trancaram as portas da casa onde estavam. Refugiaram-se da ira, do ódio e perseguição dos fariseus, escribas e doutores da lei. Tristes e angustiados choravam a morte de seu Mestre. Discutiam entre si sobre a sua fuga no Getsêmani, o seu fracasso e sobre a incerteza de sua vida futura, sem a presença do Redentor.

No entanto, aquele momento se transforma em alegria, tranquilidade e paz. De repente, Jesus põe-se no meio deles com uma saudação inesperada e, ao mesmo tempo, redentora: “Paz seja convosco!” (v.19). A saudação de Jesus é significativa. Não se trata de uma saudação simplesmente. A paz se relaciona com a ressurreição. Ela expressa a reconciliação universal de Jesus com o mundo através da vitória sobre morte e pecado. Trata-se, portanto, da paz plena que Jesus concede aos seus discípulos. O Príncipe da paz veio trazer alegria. Ele vencera a morte e o pecado. Agora, havia de fato paz para os discípulos. Não havia mais razão para temer e duvidar, pois Jesus ressuscitou.

Estimados irmãos! Desde os primórdios até os dias contemporâneos, o homem sempre se preocupou em obter a paz, nas suas diversas formas. Mas em que consiste esta paz? O que as pessoas pensam sobre a paz? O que elas precisam para ter paz, num mundo onde existem tantas discórdias e desunião? Ter uma boa saúde? Proteção e segurança? Ter tranquilidade, respeito à liberdade entre os povos? Pensamos, muitas vezes, que estes são os requisitos para que realmente tenhamos paz. Na verdade, a paz que o mundo oferece, ela é falsa, enganosa, política. Ela é resultado de contratos, alianças e acordos de cessar-fogo, mas que nem sempre se consegue a paz. Sendo assim, conclui-se que as pessoas têm um falso conceito sobre a paz.

Precisamos compreender que a paz de Jesus é algo diferente da paz do mundo. Jesus Cristo nos concede uma paz interior que supera a paz que o mundo oferece, como ele próprio afirmou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá”, (Jo. 14.27). Aos discípulos, Ele disse: “Paz seja convosco!” Mas de que paz Jesus estava falando aos discípulos? Quando se coloca no meio deles com uma saudação inesperada e, ao mesmo tempo, redentora? Ora, aquela saudação, “Paz seja convosco!”, tem um significado profundo. A saudação de Jesus é significativa. Não se trata de um desejo ou saudação simplesmente. Em Cristo, porém, a paz adquire dimensões mais sublimes. O que Jesus conquistou na cruz para nós, vai muito além daquilo que o mundo poderia nos oferecer. Ele nos trouxe a paz de Deus, perdão dos pecados e vida eterna. Trata-se, portanto, da paz plena que Jesus concede aos seus discípulos. O Príncipe da paz veio trazer alegria. Ele vencera a morte e o pecado. É essa a paz que o mundo não pode dar!

O apóstolo Paulo também responde em que consiste esta paz: “Justificados, pois mediante a fé temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 5.1). A justificação é a forma que Deus usa por meio de Cristo para nos tornar livres da condenação que antes permanecia sobre nós. Ela ocorre por meio da fé na morte de Cristo em nosso lugar, pois não há outro caminho. O homem não é capaz de sozinho se reconciliar com Deus porque todos pecaram. E ninguém pode ser considerado justo por suas próprias obras perante Deus. Não há qualquer mérito ou justiça própria que o credencie a desfrutar da comunhão com nosso Criador. Dessa forma, a paz com Deus só pode ser restabelecida através da obra expiatória de Cristo na cruz. Foi o sacrifício de Cristo que trouxe a reconciliação com Deus. Na verdade, não conseguiríamos nunca chegar em paz diante de Deus sem esta obra tremenda do Senhor para nossa vida. Agora, justificados, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é paz que o mundo necessita. Esta paz só pode ser encontrada em Jesus, o Príncipe da paz. E Jesus tem o imenso prazer de dar a sua paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração” (Jo 14.27).

Não havia mais dúvidas sobre a ressurreição para os discípulos. Jesus mostra as provas para que não houvesse nenhuma dúvida: “E, dizendo isto, lhes mostrou as mãos e o lado.” (v.20a). Ele mostra-lhes as marcas mais profundas da sua paixão: mãos e pés perfurados pelos pregos e o lado perfurado pela lança. Mostra-lhes as marcas da injustiça, as marcas da dor, as marcas do flagelo com que passou nos seus últimos dias. Ao contemplarem os sinais da identidade do Cristo crucificado, a alegria estava de volta e o medo desaparece na vida daqueles discípulos: “Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor.” (v.20b). Resgataram a confiança de que poderiam enfrentar qualquer desafio e ser vencedores. Abraços e conversas tomam conta daquilo que até, então, era silêncio, medo e perplexidade. A partir daquele momento, passaram a confiar que, mesmo diante de provas e sofrimentos, a presença de Cristo produz paz, segurança e esperança. Agora, havia paz.

Semelhante aos discípulos nossa tendência é nos fechar, trancar nossas portas e tentar nos proteger. Mas o Senhor se aproxima e nos ajuda a enfrentar o medo, provações, problemas que nos causam preocupações. Ele diz: “Paz seja convosco!” São palavras consoladoras e cheias de esperança que todos precisamos. Hoje, encontramos tantas pessoas precisando de paz neste mundo. São pessoas com almas estressadas, sorrisos ausentes, angústia, medo e remorso. São famílias em conflito, solidão, tristeza, angústia precisando da verdadeira paz. O que fazer quando não há paz? Quando a paz aparece estar tão distante? Em Jesus, encontramos todas as respostas para os intermináveis e infinitos questionamentos da alma conturbada, do espírito irrequieto, da consciência traumatizada e da memória torturante. Somente em Jesus é que temos a esperança viva, de que o nosso sofrimento será coroado de paz. A fé em Jesus é o único remédio para um coração turbado. Ela triunfa nas crises. Por isso, o nosso consolo é olhar para a cruz de Cristo, quando nos falta a paz.

Jesus diz ainda algo mais profundo aos seus discípulos. Seriam habilitados para continuar com o ministério que Jesus começou. Ele diz, “assim como o Pai me enviou para pregar, ser perseguido, sofrer, oferecer perdão aos homens, Eu também vos envio.” (v.21). Senhor ordena que eles sejam seus embaixadores, para estabelecer seu reino neste mundo. Essa realidade tornou-se viva na vida dos discípulos pela ação do Espírito, quando Jesus, “assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. (v.22).  Se a grandeza da manifestação do Cristo ressuscitado aos discípulos, ainda não fosse suficiente para encoraja-los, então, o sopro do Espírito Santo, a ação do Espírito, completaria o que faltava. Portanto, os discípulos foram capacitados e dirigidos pelo Espírito Santo para pregar as Boas Novas a respeito de Jesus.

Os discípulos ao receberem o Espírito Santo, também foram enviados para perdoar pecados e retê-los das pessoas: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos.” (v.23). Na verdade, Jesus ensinou aos Seus discípulos, que ao receberem a autoridade de perdoar ou de não perdoar os pecados, deveriam realizar no nome de Cristo. Esse entendimento é fortemente apoiado pela observação do que os apóstolos fizeram logo após a ascensão de Jesus: “Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2.38). Essa é exatamente a mensagem ordenada por Cristo, o poder de apresentar às pessoas o perdão de Deus disponível pelo sacrifício de Cristo. Observe que Pedro não o perdoou os pecados das pessoas, mas levou as pessoas a se arrependerem diante de Deus e crerem no sacrifício feito pelo Senhor Jesus para a remissão dos pecados.

No entanto, Tomé, um dos discípulos, esteve ausente quando Jesus se manifestou. Mais tarde, os outros discípulos lhe contaram o que havia visto, ao receber o testemunho unânime dos seus colegas: “Vimos o Senhor”. (v.25a). Ele não quis acreditar, se manteve céptico: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.” (v.25b). A reação de Tomé era compreensível. Ele afinal, vira o Salvador pendurado na cruz. Estava morto e não poderia sair de sua sepultura. Por isso, queria ver para crer. Ao que tudo indica, Tomé endureceu o seu coração. Fechou-se em sua incredulidade. Enquanto todos os discípulos estavam alegres com a comunhão de Cristo, Tomé estava imerso em tristeza por causa da sua falta de fé. A reação de Tomé mostra o ceticismo natural do ser humano diante da inédita vitória sobre a morte: queria sinais concretos do ressurreto.

Ele teve esta oportunidade, de um testemunho mais claro e eloquente, conforme era o seu desejo. Para Tomé era precisava sentir as mãos de Jesus, tocar aquelas marcas, para acreditar que Jesus estava vivo, do que apenas palavras dos discípulos. Ele entendia que todos viram e creram, mas ele precisava tocar. Era uma necessidade dele. Sendo assim, oito dias mais tarde, Jesus novamente, em condições semelhantes, apareceu aos discípulos. Jesus, que Tomé tanto amava, que estivera sempre ao seu lado, estava na sua frente. Naquele momento, Jesus chamou Tomé ao arrependimento e o convida para ver mais de perto os seus ferimentos como prova da sua ressurreição: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”. (v.27).

Contudo, a incredulidade de Tomé não é tão diferente dos demais discípulos. Eles também duvidaram diante do sepulcro vazio (Jo 20.3; Lc 24.12). Não creram nos testemunhos das mulheres (Lc 24.10-11). E o que é mais grave ainda, não acreditaram nem mesmo quando O viram pessoalmente: pensaram que era o Seu espírito (Lc 24.41). Como é difícil entender a situação que viveram os discípulos. Eles andaram com Jesus. Contemplaram seus milagres e sinais, e ainda assim duvidaram. Agora, imaginem aqueles que nunca O viram! Na verdade, esta é a reação do ser humano diante das Escrituras. Como é difícil aceitar as Escrituras, assim, como ela se apresenta. Já no passado, como no presente, o homem sempre colou dúvida em torno da Palavra de Deus. As diversas teorias sobre a ressurreição nos causam tristezas. Mas por que duvidar de algo maravilhoso que Deus realizou? Por que duvidar da ressurreição?

Tomé estava perplexo. Agora, ele perde completamente sua postura arrogante. Deixa de lado o orgulho e a descrença. E não se limita a ter uma nova opinião sobre a ressurreição de Jesus. Sendo assim, ele reage. Toma uma decisão. Faz uma humilde confissão, uma das maiores declarações de fé. A sua resposta a Jesus, não foi uma exclamação, mas uma afirmação: Senhor meu e Deus meu!” (v.28). Jesus tinha sido o Mestre para Tomé o tempo todo, mas agora, acreditando em sua ressurreição, ele clama cheio de emoção, “Senhor meu e Deus meu!”, entendendo que Deus estava em Cristo. Portanto, aceita Jesus como quem ressuscitou, sendo ele “o Senhor” e “Deus”. Que confissão maravilhosa! Ele não vê somente o homem Jesus, que estava com os apóstolos e comia com eles, mas o seu Senhor e seu Deus. Ele se arrepende e entrega-se incondicionalmente a Jesus aceitando-o e tendo a oportunidade de sentir, ouvir e enxergar Jesus, o Salvador

Depois que Tomé fez a profissão de fé, Jesus anuncia um princípio fundamental para os todos os cristãos: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. (v.29). De fato, não vimos Cristo com nossos olhos, não contemplamos os poderosos feitos que ele realizou sobre a terra, tampouco enxergamos os sinais dos cravos ou as marcas da lança, e ainda assim nós cremos que Jesus ressurgiu dentre os mortos e nos garantiu vida eterna. Então, podemos dizer: somos felizes porque cremos que Jesus ressuscitou dentre os mortos, sem ver Jesus como os discípulos o viram.

Ao finalizar o texto, João identificou o motivo deste relato. Ele conclui: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (vv. 30,31). De fato, Cristo fez muitos “sinais” diante dos discípulos que não foram escritos neste livro. No entanto, aqueles  “sinais” que foram escritos, servem para que “Jesus, o Cristo, Filho de Deus” seja reconhecido e associado à esperança messiânica judaica. O objetivo do evangelho, portanto, não é escrever um “diário da vida de Jesus”, mas servir “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (v. 31). Todos os sinais neste evangelho apontam para Jesus como sendo o Cristo e o Filho de Deus, que veio dar vida a todos aqueles que creem. Nós, que cremos, somos encorajados a ler e reler o Evangelho de João para continuarmos na nossa fé.

Estimados irmãos! Abandonem a dúvida. Não há razão para a incerteza quanto à ressurreição de Jesus. As Escrituras mostram claramente. O próprio Jesus transmite a mensagem pascoal: Paz seja convosco! Mensagem que alegra os discípulos e a todos nós; que leva o incrédulo Tomé à fé verdadeira. Que o Senhor nos abençoe! Amém!

quarta-feira, 13 de abril de 2022

TEXTO: LC 24.1-12

TEMA: CRISTO RESSUSCITOU, ELE NÃO ESTÁ MAIS AQUI!

Hoje é Páscoa! Para o comércio é uma data de grandes negócios. Afinal, vivemos numa sociedade capitalista, materialista e consumista, em que as crianças esperam neste dia com ansiedade um presente de ovos de chocolate. As vitrinas das lojas e casas comerciais das cidades são ornamentadas de tal forma a chamar a atenção das pessoas. Além da troca de ovos de chocolate, as famílias se reúnem para celebrar um almoço, com direito a pratos especiais, mesas fartas, mensagens e músicas de Páscoa. Enfim, somos bombardeados com os comerciais de ovos de chocolate e coelhinhos, na TV, no rádio, em Outdoor’s espalhados por todas as cidades e supermercados. Este é o significado que o mundo tem dado para Páscoa.

Também para o cristianismo é uma data importante, porém, com outro significado. Diferente do que pensa o comércio, o verdadeiro significado da Páscoa não está nos chocolates, coelhos, ovos e festas, mas está no significado do sepulcro vazio para Jesus que ressuscitou. Ele não permaneceu no sepulcro. Garantiu o cumprimento de todas as suas promessas, pois ressuscitou como havia prometido. Ele provou de fato ser o Filho de Deus ao exercer poder sobre a vida e a morte, conquistando a vitória sobre o pecado e o diabo. Esta mensagem se concretiza nas palavras do anjo: “Cristo ressuscitou, ele não está mais aqui!”

O “Cristo ressuscitou, ele não está mais aqui,” é uma mensagem para as mulheres e os discípulos que estavam, confusos, tristes e duvidaram de muitas coisas. Agora, não precisavam mais andar tristes e preocupados. O sepulcro estava vazio. Cristo ressuscitou. Ele venceu a morte. Não havia mais incerteza, dúvida, desespero porque foram iluminados e agraciados pelo Evangelho. Sendo assim, esta notícia da ressurreição deveria impulsionar os discípulos a divulgar a mensagem da salvação. A mensagem do anjo também vale para nós.                                                    

Estimados irmãos! Jesus em várias ocasiões havia predito sua morte sobre a cruz. Mas, o que é mais significativo, é o fato que ele, de igual modo, predisse também a sua ressurreição: no terceiro dia ressuscitarei dentre os mortos. (Mc 10.34) E de fato, Ele ressuscitou! No entanto, alguma coisa precisava ser feita. As mulheres tomam uma decisão: preparam-se para embalsamar o corpo de Jesus. Era alta madrugada, no primeiro dia da semana, as mulheres já estavam a caminho do túmulo, e levaram aromas que haviam preparado para embalsamar. Era costume preparar o corpo para sepultura, colocando perfumes, ervas cheirosas para encobrir o hálito do morto, para deter ao menos o processo de decomposição.

Durante a caminhada, em seus corações, ainda pairavam todos os temores e incertezas dos acontecimentos da última semana. O fato de Cristo estar morto não lhes era bem aceito no coração, muito embora os fatos fossem evidentes. Elas foram à sepultura mais impulsionadas pelos seus sentimentos do que pela razão. Nem mesmo se preocuparam em pedir que alguém fosse junto para rolar a enorme pedra que havia sido colocado frente à sepultura, pois esta era a grande preocupação. O evangelista Marcos traz mais detalhes. Fala que as mulheres tinham esta preocupação, quando foram ao sepulcro: “Quem nos removerá pedra da entrada do túmulo?” (16.12). Quem removerá para nós? Esta era a pergunta que preocupava aquelas mulheres. Afinal, uma grande pedra foi colocada à frente do sepulcro. Ela foi selada, e guardas foram posicionados para proteger o túmulo.

Pedras são obstáculos que encontramos na nossa caminhada neste mundo. São pedras pequenas, grandes e enormes que, muitas vezes, não podemos removê-las. São as pedras da amargura, do orgulho, da falta do perdão, do ressentimento, da falta de humildade, do medo, da angustia. Estamos cientes que temos obstáculos e problemas sérios, e ansiedades e medos na nossa vida. Mas não podemos perder o ânimo ou a coragem, não importa o tamanho do problema que enfrentamos em nossas vidas. O que precisamos é olhar para frente e ver que a pedra foi removida. É preciso deixar que a vitória da ressurreição de Jesus, alcance nossos desânimos.

Entretanto, grande foi a admiração das mulheres quando, ao vislumbrar o túmulo, viram que ele estava aberto. Não podiam entender. Nem ao menos pensaram em ressurreição. De fato, a pedra estava removida. Quem será que removeu? Quem abriu o sepulcro? O fato é que a pedra foi removida. E isto levou as mulheres a entrarem no túmulo. No entanto, ao entrarem, não acharam o corpo de Jesus.  O corpo de Cristo não estava mais lá dentro. O túmulo estava vazio. As mulheres ficaram perplexas a este respeito. Mas justamente neste momento que “lhes apareceram dois varões com vestes resplandecentes.” (v.4). Marcos relata que havia um anjo, com aparência de um jovem vestido de branco, que falou às mulheres. (16.5).

A presença do anjo e a ausência do corpo de Cristo fizeram com que as mulheres se sentissem surpresas e cheias de medo. Podemos imaginar o estado de espírito em que estas mulheres se encontravam. Elas ficaram surpreendidas e atemorizadas. Além disso, o espanto e o assombro que as levou a fugir, confirmam que a ressurreição não estava nos planos delas e que a ideia a respeito excedia sua compreensão. Na verdade, não tinham esperança que Cristo estivesse vivo. Mesmo assim, o enviado de Deus (um anjo) se dirige a elas sem repreensões: “Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galileia, quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia.” (vv.5-7). Mateus afirma: “Ele não está aqui; ressuscitou como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.” (28.6).

A mensagem do anjo: “Ele não está aqui, mas ressuscitou.” é a própria mensagem da Páscoa. Jesus ressuscitou. Sua sepultura está vazia. Ele não permaneceu no túmulo!  Ele venceu a morto. Ele vive. Esta mensagem do anjo, que Cristo ressuscitou, não deveria ser escondida. As mulheres deveriam sair dali contar aos discípulos que Cristo estava vivo. Mesmo tremendo sob o impacto da notícia da ressurreição de Jesus, as mulheres no caminho de regresso, em busca dos discípulos, elas fizeram o que o anjo lhes havia dito: falaram aos discípulos que Cristo havia ressuscitado, principalmente para o discípulo Pedro. “Elas confirmaram estas coisas aos apóstolos”. (v.10).

Pedro e os demais discípulos estavam confusos e duvidavam de muitas coisas. “Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.” (v.11). No entanto, em meio a dúvida, Pedro precisava saber que Cristo havia ressuscitado. Ele ao ouvir esta notícia corre até o sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa,” (v.12a). Pedro ao deixar o tumulo, ficou “maravilhado do que havia acontecido.” (v.12b). Ele creu! Agora, feliz pela notícia de que Cristo vive, deveria ser preparado para a grande missão que Jesus tinha para ele e os demais discípulos. Jesus conferiu-lhes autoridade e poder para falarem sobre o Cristo ressuscitado. Eles obedeceram a Jesus e deram testemunho: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. (Atos 4.33). “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro”. (Atos 5.30).

A ressurreição de Jesus é fato da maior importância para nós. Ela é a garantia de nossa Salvação! É o cumprimento da Palavra de Deus. Ele deu provas evidentes de sua ressurreição, que atestam a Sua divindade: “É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.” (Lucas 9.22).Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galileia.” (Mateus 26.32). Diante desta certeza, a Ressurreição de Jesus é digna de ser exaltada, anunciada e glorificada. Paulo em Efésios 1.15 a 23: “...Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais. E ainda em I Co 15.12 a 17 fala sobre a doutrina da ressurreição:Ora, se está sendo pregado que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como alguns de vocês estão dizendo que não existe ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, nem Cristo ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil à fé que vocês têm..., mas se de fato os mortos não ressuscitam, ele também não ressuscitou a Cristo. Pois, se os mortos não ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados.”

Estimados irmãos! O fato de Cristo ter ressuscitado, confirma a esperança dos cristãos. A esperança dá garantia da nossa ressurreição, que nós também ressuscitaremos.  Esta notícia da ressurreição e a misericórdia de Deus devem impulsionar os cristãos a divulgar a mensagem da salvação. Não podemos silenciar diante de tão maravilhosa notícia. Cristo ressuscitou. Nós também viveremos. Viveremos eternamente com Deus no céu, pois Cristo, nosso Salvador, ressuscitou.

Cremos na ressurreição de Jesus! O túmulo vazio de Cristo é a garantia de nossa salvação! Adoramos ao Deus vivo, ressurreto, presente e eterno. Celebramos Sua ressurreição com louvor e adoração. Você crê na ressurreição de Jesus Cristo? Amém!

 

sexta-feira, 8 de abril de 2022

 

TEXTO: JR 31.32-34

TEMA: DEUS ESTABELECEU UMA NOVA ALIANÇA ATRAVÉS DE CRISTO

Alianças, concertos ou contratos estão presentes no âmbito militar, comercial, político e religioso. São coisas comuns entre os homens em todas as épocas e em diferentes sociedades. O casamento é um exemplo de aliança. Ele é considerado uma aliança, pois se utiliza uma aliança para simbolizar a união, um acordo de fidelidade e amor mútuo entre um casal. Assim, aliança é uma lembrança do pacto entre o marido e a esposa. Ambos assumem um compromisso. Cada parte, mesmo diferentes entre si, tem coisas a observar, cumprir ou realizar.

Mas quando analisamos aliança no sentido bíblico, estabelece uma relação com Deus e com seu povo. E olhando para o Antigo Testamento, podemos notar que Deus firmou diversas “alianças” com seu povo.  Fez aliança com Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, e muitos outros. Deus ao realizar estas alianças, sempre foi fiel às suas promessas, mas o povo, muitas vezes, foi infiel, quebrando a aliança, adorando ídolos, distanciando-se totalmente da vontade do Pai. Diante do desrespeito e da desobediência das alianças firmadas com seu povo, as consequências foram trágicas.

Apesar das sucessivas rebeliões e quebra das Suas sucessivas alianças, Deus desenvolve um projeto de uma nova aliança entre Deus e o seu povo. Uma aliança que se concretiza em Jesus. Ele veio ao mundo para renovar os corações dos homens, oferecendo-nos vida, perdão e salvação. E nós, cristãos, efetivamente, participamos desta nova aliança firmada por Deus. Através da fé no Salvador, que o Pai coloca em nossos corações, passamos a fazer parte do seu povo. Precisamos ter cuidado para não quebrar esta aliança que Deus fez conosco através de Cristo.

Estimados irmãos! O profeta Jeremias viveu numa vila perto de Jerusalém, por volta de 600 a.C. Ele foi chamado por Deus para ser profeta quando era ainda muito jovem, e trabalhou por cerca de 40 anos. Foi chamado de “profeta chorão”, porque sentiu como ninguém a infidelidade do povo de Deus, e isso o entristeceu muitíssimo. Ele presenciou o castigo que o povo de Deus sofreu por causa da sua infidelidade, e foi nesse contexto difícil que Deus lhe revelou a promessa da nova aliança.

No entanto, antes de o profeta proferir estas palavras sobre a nova aliança, Deus já havia firmado diversas alianças. Ao longo da história, identificamos muitas oportunidades em que Deus se mostrou para os homens e convidou-os para estabelecer com Ele uma aliança que demonstrasse os Seus propósitos em relação à sua criatura. Vejamos alguns exemplos:  Deus fez aliança com Adão e Eva no Éden. Deus deu para eles a terra, pleno domínio sobre os animais e fartura de alimento. Deus fez aliança com Noé. Estabeleceu uma aliança, declarando que não mais destruiria toda carne pelas águas do dilúvio e que não mais haveria dilúvio como juízo, para destruir a terra. Deus fez aliança com Abraão. Deus fez aliança com Isaque e Jacó, reiterando a promessa feita a Abraão.  Deus também fez aliança com Moisés, no monte Sinai. Era uma aliança significativa que tinha como objetivo convocar o povo para renovar e relembrar os termos do concerto com Abraão, Isaque e Jacó. E o povo concordou com a aliança quando disseram: "Tudo o que o SENHOR falou, faremos" (Êxodo 19.8).

Através das alianças realizadas, Deus se compromete ajudar, libertar e modo especial proteger o seu povo da escravidão e dos inimigos, e o povo promete obediência e lealdade ao seu Deus no cumprimento do decálogo e também no cumprimento das normas e recomendações prescritas na Torá. A única coisa que Deus espera de seu povo é que “guarde a aliança”. Ela é o símbolo do relacionamento de amor entre ambos. O salmista expressa a vontade de Deus “Se os teus filhos guardarem a minha aliança e o testemunho que Eu lhes ensinar, também os seus filhos se assentarão para sempre no teu trono. " (Sl 132.12). Esta era a condição implícita na promessa – de que eles deveriam guardar a lei de Deus, e servi-lo e obedecê-lo. Deus se alegra com seus filhos, com o seu povo que vive em aliança com Ele, que respeita essa aliança, que é fiel e que obedece aos princípios e exigências dessa aliança!

Mas o que acontece quando um acordo não é cumprido? Quando os acordos não são cumpridos, não há satisfação entre as partes envolvidas. Há tristeza e rompimento. Pode trazer punição para a parte que causou o rompimento. Citamos o exemplo do casamento. Quando um cônjuge trai a confiança do outro, ele destrói o casamento. Esta ruptura traz sérias consequências entre ambas as partes. Da mesma forma, quando um acordo comercial também é quebrado, isso traz implicações legais, batalhas judiciais para cobrar indenizações. Quando um amigo trai a confiança do outro, rompeu-se o acordo. Não somente a confiança, mas o fim da amizade.

Quando analisamos aliança no sentido bíblico, o povo de Israel quebrou essa aliança. Foi infiel ao SENHOR. Foi influenciado por povos pagãos. Cultuo outros deuses, caiu na idolatria e se prostituiu. Ao trair o SENHOR, distanciou-se totalmente da vontade do Pai. Não conseguiu manter-se fiel ao SENHOR. Jeremias apresenta como causas. É impressionante a descrição que o profeta faz: o desprezo pelas reuniões sagradas, prevaricações, pecados graves, imundícias, corrupção, principalmente, por parte dos líderes. Confiança em promessas e acordos humanos e políticos, ao invés de confiarem em Deus. Era uma situação horrível na vida do profeta. O povo quebrou com a sua desobediência e infidelidade a aliança de Deus. Não cumpriu com aliança. Como nós quebramos a aliança que Deus fez conosco? Quebramos quando não confiamos em Jesus Cristo, no que ele fez por nós e, então, passamos a confiar em nós mesmos, nas nossas obras, na nossa capacidade, nos nossos esforços. Da mesma forma, quando não vivemos de acordo com a vontade de Deus. Como nós nos mostramos infiéis a Deus, hoje? Esta é a triste realidade!

Jeremias atribuiu ao povo a culpa pela destruição que lhe sobreveio. Como o povo não se arrependeu de seus pecados e de suas iniquidades, veio sobre ele o juízo divino. Jerusalém é destruída, e o povo é levado ao exílio. Distante da Pátria, o povo chora. Mas Deus sempre prosseguiu na execução do Seu plano de salvação ao seu povo. Oferece novas oportunidades. E diante do sofrimento, surge uma mensagem do SENHOR para os exilados e remanescentes. Deus profetizou que firmaria uma nova aliança para o povo. Esta mensagem da nova aliança para o povo é consoladora. Sendo assim, o profeta apresenta o conceito exclusivo de uma nova aliança que Deus estabelecerá com seu povo. Mas qual é o significado da nova aliança e quando começaria? Qual é o conteúdo? Qual é a diferença? Qual é a semelhança?

O SENHOR apresenta esta nova aliança: "Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá” (v.31). Ele apresenta o tempo, o autor, nome desta aliança e os participantes desta “nova aliança”. Eis o procedimento: “O SENHOR firmará uma nova aliança.” Uma tradução literal seria: “fazer um pacto, cortar aliança,” pois o verbo no hebraico (כָּרַת) significa cortar, arrancar, eliminar, dividir. Este é um processo pelo qual Deus fez um concerto com Abraão. Ele é chamado de “cortar”. É uma expressão oriunda dos povos antigos. Entre estes povos   antigos no ato da compra de um terreno, casa, animais havia um contrato entre duas pessoas. Era uma prática dividir um animal em duas partes. Durante a cerimônia deveriam pronunciar um juramente confirmando o acordo. O sangue do animal sacrificado testemunhava o acordo. Assim era selada a aliança.

Portanto, a nova aliança estava próxima de se realizar. Novo tempo se aproximava: “Eis aí vêm dias”. Não é mais tempo de se lamentar. É tempo de esperar pela restauração. De modo geral, a nova aliança se refere à chegada do Senhor, a era messiânica. Ela recebe uma dimensão escatológica. Ela é para o novo Israel espiritual.  No entanto, a nova aliança será diferente: “Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR”. (v.32).  Ela não será como a antiga, que Deus fez com os israelitas quando os tirou da terra do Egito. Ora, a antiga aliança era baseada na Lei, em méritos e obras, susceptível de infrações, e não foi inteiramente cumprida, não deu vida a antiga aliança, diz o SENHOR: “eles a anularam.”

No entanto, a nova aliança que o SENHOR haveria de firmar com a casa de Israel, apresenta características diferentes. Vejamos a primeira característica: Assim diz o SENHOR: “Na mente, lhes imprimirei as minhas leis [...] no coração lhas inscreverei.” (v.33a). O termo coração significa ser interior, mente, vontade, inteligência. Estas palavras representam a motivação completa das ideias, da vontade, das emoções e do espírito humano. Enquanto que na antiga aliança a lei deveria ser aprendida e ensinada, escrita nos beirais da porta e nos portões, amarrada nos braços e na testa (Dt 6.7-9), a nova aliança será escrita por Deus nos corações.  E será no íntimo de cada membro do povo que o SENHOR vai intervir no sentido de gravar as suas leis e preceitos. Por lei entende-se a Tora, já conhecida desde a aliança do Sinai.  Portanto, essa nova aliança transformaria o ser humano desde o mais íntimo do seu ser. (Jr 24.7). Também não seria gravada em pedra, como ocorreu com Moisés, mas sim, no coração e mente dos que a aceitassem. Não haveria como esquecer esta aliança, pois o próprio Deus a imprimiu na mente de quem a aceitou! Da mesma forma, não haveria maneira de deixar de amar essa aliança, pois o Senhor a escreveu no próprio coração de quem a acolheu!

A nova aliança reflete em nossa vida. A mudança deve acontecer em nosso coração.  É preciso tirar tudo o que não presta, que está estragado e colocar algo novo em nossa vida. Esta mudança em nosso coração apenas o Espírito Santo é capaz de realizar.” Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O Espírito Santo é que nos converte, regenera e arrancar o nosso “coração de pedra” e coloca um coração cheio de fé, amor, bondade e compaixão. Então, sim, teremos paz com Deus. E tendo paz com Deus, seremos criaturas felizes e alegres, e já nenhuma tribulação, ou angustia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separara do amor de Deus. Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecer fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus. Como está o seu coração? Como está a sua vida?  Deixe Deus renovar seu coração, seu espírito, e com toda a certeza você terá uma feliz e abençoada vida com a presença do Senhor Jesus em tua casa, família e na vida profissional.

Outra característica encontra-se no versículo 34. Ela é baseada em três clausas: A primeira: “ninguém terá encargo de instruir seu próximo ou irmão.” (v.34a).  O SENHOR afirma que, agora, ninguém precisaria de um instrutor para ensinar ao próximo. Segunda: “Aprende a conhecer o Senhor, porque todos me conhecerão, grandes e pequenos” (v.34b). O SENHOR afirma que todos O conhecerão. Toda a casa de Israel, todos os filhos e filhas de Deus, jovem ou mais velho, saberão quem é Deus. Conhecê-Lo, como de fato Ele é, exigia nada menos do que a Sua presença no coração das pessoas. E com esse novo tipo de relação, o SENHOR não será mais um “desconhecido” para o seu povo. Terceira clausa: “pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados.” (v.34c). Fica claro que a nova aliança é baseada num ato de perdão. Um ato de perdão pelo qual o SENHOR Deus é o responsável. Ele age e muda o nosso coração, nossa mente. Agora, não haveria mais condenação por causa do pecado. Eles, os pecados, seriam completamente esquecidos por Deus. Havendo, agora, reconciliação, perdão e nova vida. O SENHOR não se lembrará mais de qualquer iniquidade.

Estimados irmãos! Esta nova aliança se concretizou na Pessoa do Senhor Jesus Cristo, que veio a este mundo para estabelecer a paz entre Deus e a humanidade. Ele sofreu na Cruz, onde foi executado por nossos pecados. Ele recebeu em Seu corpo todos os nossos delitos e transgressões e com o Seu precioso sangue nos libertou da condenação eterna! E tudo isso, Ele nos oferece de graça no nosso batismo, no ensino claro da sua Palavra e na celebração da santa ceia. E o que Cristo espera de nós? Fé e gratidão! Por isso, neste período de quaresma, quando estamos acompanhando a caminhada de Jesus para Jerusalém, mais uma vez, é um momento para reconhecer e confessar que Jesus Cristo é a Nova Aliança de Deus, assinalada, selada, e entregue por nós no sangue do Cordeiro.

Estimados irmãos! Com um coração transformado, cada cristão poderá viver na fidelidade à Aliança, na obediência aos mandamentos, no respeito pelas leis, no amor ao SENHOR. Só podemos entender a nova aliança, olhando para Jesus na cruz. Amém.