sexta-feira, 20 de março de 2026

TEXTO: Cl 3.1-4

TEMA : VIVENDO UMA NOVA VIDA EM CRISTO

Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias na epístola aos Colossenses, capítulo 3, versículos 1 a 4, e refletirmos sobre a nossa mensagem. O nosso tema é: “Busquemos as coisas lá do alto”.

Viver uma nova vida em Cristo não se trata apenas de uma mudança externa ou de um simples ajuste de comportamento, mas de uma transformação profunda que começa no interior e se reflete em toda a maneira de viver. O apóstolo Paulo nos ensina que, se fomos ressuscitados com Cristo, então nossa vida deve estar direcionada para as “coisas do alto”, onde Cristo está assentado à direita de Deus.

Sem a ressurreição, não haveria “coisas do alto” para buscar. Por isso, buscar as coisas do alto deve ser o alvo constante do cristão, pois, quando alguém é alcançado pela graça, já não pertence mais ao velho modo de viver. Aprendemos que fomos unidos a Cristo em Sua morte e, gloriosamente, também em Sua ressurreição. Assim, a ressurreição não é apenas a lembrança de uma vitória passada, mas o fundamento de uma nova orientação de vida.Somos, agora, chamados a viver uma vida ressurreta em Cristo, deixando de lado os interesses egoístas e as preocupações que muitas vezes sufocam a alma.

Dessa forma, celebrar a ressurreição é viver de maneira consciente da nossa nova identidade. É recordar diariamente que fomos comprados por alto preço e que a nossa vida está “escondida com Cristo em Deus”. Sendo assim, caminhamos com esperança, santidade e propósito, sabendo que a realidade que hoje contemplamos pela fé será, um dia, plenamente revelada em glória. Como está escrito: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele em glória”.

Existem motivos que nos levam a viver uma nova vida em Cristo? A resposta de Paulo é clara e direta. Então, vejamos:

Primeiro, porque fomos ressuscitados com Cristo (v.1). Antes de crermos em Cristo, a Bíblia descreve nossa condição espiritual como "mortos em delitos e pecados" (Efésios 2.1). Isso significa que éramos espiritualmente separados de Deus, incapazes  de ter uma verdadeira comunhão com Ele. Quando nos identificamos com a morte de Cristo (arrependimento e fé), nós "morremos" para essa velha vida de pecado e separação. E, assim como Cristo ressuscitou dos mortos para uma nova vida, nós também somos ressuscitados espiritualmente para viver e andar com Cristo. É como nascer de novo (João 3.3 - 7).

Segundo, porque a nossa vida está oculta em Cristo, em Deus (v. 3). Aqui, "vida" não se refere apenas à nossa existência física ou biológica. Refere-se à nossa verdadeira identidade, nossa essência espiritual, nosso propósito, nossa segurança e nosso destino eterno como cristãos. É a vida nova que recebemos ao sermos ressuscitados com Cristo. Ela está oculta. Significa que nossa identidade mais profunda e nossa segurança eterna estão guardadas de forma inabalável em uma realidade espiritual com Jesus, na presença do próprio Deus. É uma verdade que nos dá paz, segurança e uma perspectiva gloriosa para o futuro.

Terceiro, porque seremos manifestados com Ele em glória (v.4). Este é o clímax e a maior motivação. Não seremos manifestados por conta própria, mas com Cristo, participando de Sua glória que será revelada no futuro.Assim como Cristo ressuscitou com um corpo glorificado, os cristãos também terão corpos transformados, livres das limitações do pecado e da morte (Filipenses 3.20-21).Toda lágrima será enxugada.

                                                                   I

Estimados, irmãos! O apóstolo Paulo inicia o texto com a palavra “portanto”, indicando a conexão entre o que foi dito anteriormente e o que está para ser ensinado. Ele, na verdade, está introduzindo o desfecho do pensamento expresso em 2.20-23, em que exortou aos colossenses a não se sujeitarem aos preceitos, regras, doutrinas dos homens, pois não tinha sentido e só causava destruição. Mas ao morrem para aquelas coisas, era também certo que “ressuscitaram juntamente com Cristo”. (v.1). Ele ainda afirma: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.” (2.12). Através do batismo, Cristo nos dá o perdão, uma nova vida. O Espírito Santo opera nos corações e limpa todos os nossos pecados. Por isso que o batismo é chamado um lavar celestial. É por meio do batismo que nos tornamos membros da santa família de Deus, filhos amados. Estas maravilhosas bênçãos recebemos pela fé, e a fé nos é dada pelo Espírito Santo, mediante o batismo.

No entanto, enquanto aguardamos a vinda de Cristo, precisamos “... buscar as coisas lá do alto, onde Cristo vive”. (v.1b). “Pensai nas coisas lá do alto.” (v.2a). Os verbos “buscar” e “pensar” Não tem o mesmo sentido. Eles possuem significados diferentes. Paulo, primeiramente, diz “buscai”. Este verbo no grego é ζητεω,  significa “procurar a fim de encontrar”, “procurar algo”, “exigir”, “pedir enfaticamente”. Depois ele nos fala sobre o “pensar” nas coisas que são de cima. Pensar no grego é φρονεω que significa “ter entendimento”, “ser sábio”, “ser do mesmo pensamento”. Tendo sentido diferente, um reforça o outro para mostrar que todo ser, estar e fazer do cristão devem estar voltados para “as coisas do alto”.

Quando Paulo fala “das coisas lá do alto”, ele se refere ao céu, à vida eterna, à glória celestial, “onde Cristo está assentado à direita de Deus”. (v.1b). Isto é o lugar de honra onde Cristo se encontra. Pedro descreve o poder deste lugar: “Cristo foi para o céu e está sentado no lugar de honra à direita de Deus, e todos os anjos, autoridades e poderes se sujeitam a ele.” (1Pe 3.22). Todos os poderes do universo estão subordinados a Cristo. E Paulo acrescenta que essa posição autoriza Cristo a interceder por nós: “Cristo Jesus morreu e ressuscitou e está sentado no lugar de honra, à direita de Deus, intercedendo por nós”. (Rm 8.34). Precisamos manter os nossos olhos fixos para este lugar.

Paulo motivou os colossenses a fixar atenção no céu, pois, uma vez o que se passa aqui, é passageiro, as coisas deste mundo são transitórias. Neste sentido, ele adverte os colossenses a não adotarem uma filosofia de vida própria dos incrédulos, pois nesta terra elas são efêmeras. Todas as coisas efêmeras têm a característica de não durarem muito tempo.Por isso, devemos ter cuidado às preocupações terrenas – dinheiro, poder, fama, prazeres ,pois estas no cegam diante da verdadeira riqueza que temos em Cristo. E, às vezes, nos esquecemos de olhar para “as coisas do alto”, aquelas que tem a ver com o reino de Deus e com a eternidade. Precisamos parar  e pedir sabedoria a Deus, para não sermos sufocados pelas coisas deste mundo.

                                                               II

Mas por que devemos buscar e pensar nas “coisas do alto?” Paulo explica esta verdade ao afirmar que a nossa vida,agora, pertence a Cristo: “porque morrestes, e a nossa vida está oculta juntamente com Cristo,em Deus.”  (v.3).  Essa é a nossa segurança!  É uma das mais gloriosas realidades do universo: passamos da morte para a vida (1João 3.14). A morte ficou para trás. É passado. Embora a realidade e as implicações da nova vida em Cristo não estejam ainda totalmente reveladas, o fato é que a vida dos cristãos, apesar de morrem em Cristo, "está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (v.3b).A palavra "oculta" (κρύπτω) significa escondida, segura, guardada e protegida. A linguagem aqui é provavelmente tirada de tesouros que são “escondidos” ou ocultos em um local seguro.Pense em algo de valor inestimável que você esconderia no lugar mais seguro possível.É essa a imagem que Paulo nos dá sobre a nossa nova vida.Nossa vida está escondida em Cristo, segura, protegida e eterna. Não há força no universo que possa nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus.  Ninguém, nenhuma força, pode tocar ou destruir essa vida. Ela está fora do alcance  do mundo, das perseguições e das tentações.

No entanto, haverá um dia em que Cristo não estará mais oculto. Ele se manifestará. Isso se refere à segunda vinda de Jesus Cristo. Ele não virá mais como um servo humilde que nasceu em uma manjedoura e morreu numa cruz. Ele virá em poder e grande glória, para julgar o mundo e estabelecer plenamente Seu reinado. Paulo aponta para esta manifestação de Cristo: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar.” (v.4a).A expressão "Cristo, que é a nossa vida" é profundamente significativa. Não é apenas que Cristo nos dá vida. Ele é a nossa vida. Ele é a essência da nossa existência, a fonte do nosso ser espiritual, a razão do nosso viver. Sem Ele, estaríamos mortos em nossos delitos e pecados.

Paulo também apresenta uma promessa maravilhosa: "...então, vós também sereis manifestados com ele, em glória”.(v.4b). O advérbio de tempo, “ então”   (τότε), aponta para um evento futuro, vinculado à manifestação de Cristo. Há uma espera, mas também uma certeza que “seremos manifestados com ele.”Paulo usa aqui o verbo φανερόω que significa tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido.Não seremos manifestados por conta própria, mas com Ele, participando de Sua glória.É a glória que pertence a Cristo, e que Ele compartilha com aqueles que são d‘Ele. Assim como Cristo ressuscitou com um corpo glorificado, os crentes também terão corpos transformados, livres das limitações do pecado e da morte (Filipenses 3.20-21).Toda lágrima será enxugada.

                                                                III

 Viver uma nova vida em Cristo é possível porque Ele ressuscitou. A ressurreição de Jesus Cristo não foi apenas um milagre extraordinário, mas a confirmação de que a morte foi vencida e de que uma nova realidade começou para todos os que creem. Quando alguém é alcançado pela graça, já não pertence mais ao velho modo de viver. Aprendemos que fomos unidos a Cristo em Sua morte e, gloriosamente, também em Sua ressurreição. Somos, agora, chamados a viver uma vida ressurreta em Cristo, deixando de lado os interesses egoístas e as preocupações que muitas vezes sufocam a alma, para direcionar o olhar àquilo que é eterno, onde Cristo está.

Essa nova vida implica uma mudança interior que se reflete em nossas atitudes, pensamentos e escolhas. O cristão passa a viver com novos valores, buscando aquilo que é eterno e deixando para trás o que antes dominava o seu coração. Como ensina o apóstolo Paulo , fomos ressuscitados com Cristo e, por isso, devemos buscar as coisas do alto, onde Ele está.Além disso, a ressurreição nos garante que a morte não tem a palavra final e que há um futuro glorioso preparado para aqueles que pertencem a Ele. Essa esperança fortalece o cristão diante das lutas e o encoraja a permanecer firme na fé.

Portanto, a nova vida em Cristo é uma resposta à Sua ressurreição. Porque Ele vive, nós podemos viver uma vida transformada, direcionada pelas coisas do alto e marcada pela certeza de que um dia estaremos com Ele em glória.

Por fim, a ressurreição nos chama a viver com propósito. Se Cristo vive, então nossa vida tem direção e sentido. Já não vivemos para nós mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por nós. Assim, viver à luz da ressurreição é caminhar diariamente em novidade de vida, com fé, santidade e esperança, certos de que um dia participaremos plenamente da glória de Cristo.

Em suma, viver uma nova vida em Cristo é viver diariamente à luz da ressurreição. É lembrar que o túmulo está vazio, que Cristo vive e que, por isso, nós também podemos viver de maneira diferente — com propósito, santidade e esperança.Amém!

 

 

 

 

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

TEXTO: SL22

TEMA:  POR QUE ME DESAMPARASTE?

Esse Salmo  é uma profecia messiânica, conhecida como o "Salmo da Cruz", que descreve a agonia, o sentimento de abandono por Deus e o sofrimento de Jesus, culminando em vitória e louvor universal. Começa com o lamento de desamparo ("Deus meu, por que me desamparaste?") e termina com a promessa de que todas as gerações louvarão ao SENHOR.

Estimados irmãos! Hoje lembramos a morte de Jesus. Ele morreu para que fôssemos libertos do pecado, da morte e do inferno. Foi na cruz que Deus sacrificou o seu único Filho por amor à humanidade. Na cruz, Deus realizou o seu plano de salvação, que se concretizou quando Seu Filho disse: "Está consumado!". Mas, antes do "consumado", Jesus viveu momentos de desamparo, solidão, angústia e abandono por parte dos seus discípulos — e até o aparente abandono do Pai, quando clamou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus 27.46).

A expressão “Por que me desamparaste?” ecoa como um dos clamores mais profundos e dolorosos da experiência humana. Ela revela o momento em que a alma, esmagada pelo sofrimento, não consegue perceber a presença de Deus, mesmo sabendo que Ele existe. Não se trata necessariamente de falta de fé, mas de uma fé ferida, que ainda crê, porém não entende. É o grito de quem ora, mas sente o céu em silêncio; de quem confia, mas experimenta a solidão.

A pergunta “Por que me desamparaste?” ganha um significado ainda mais profundo quando a relacionamos com Davi e Jesus Cristo, pois ambos expressaram esse clamor em momentos de intensa dor. No caso de Davi, essa expressão nasce de uma experiência real de sofrimento, perseguição e angústia. Ao escrever o Salmo 22, ele se encontra cercado por adversidades, sentindo-se abandonado, desprezado e aflito. Seu clamor não é teórico, mas profundamente existencial. Ele conhece a Deus, confia nEle, mas naquele momento não consegue perceber Sua ação. Ainda assim, Davi não se afasta — ele transforma sua dor em oração. Sua pergunta “por quê?” revela um coração que, mesmo ferido, continua voltado para Deus, esperando por resposta e livramento.

Já em Jesus, essa mesma pergunta aparece de forma ainda mais intensa e decisiva. Na cruz, ao citar o Salmo 22, Ele assume sobre si não apenas a dor física, mas também o peso espiritual da separação causada pelo pecado. Diferente de Davi, cujo sofrimento era pessoal e circunstancial, o sofrimento de Jesus tem um caráter redentor. Ao clamar “Por que me desamparaste?”, Ele submete-se à experiência mais profunda da condição humana — a sensação de abandono —, mas o faz como parte do cumprimento de um propósito maior: a salvação.

Assim, Davi expressa o clamor do homem que sofre e busca a Deus, enquanto Jesus encarna esse clamor em sua forma mais extrema, levando sobre si a dor da humanidade. Em Davi, vemos a pergunta; em Jesus, vemos a resposta sendo construída. O que em Davi é angústia e súplica, em Jesus se torna entrega e redenção.Dessa forma, essa pergunta não é apenas um grito de dor, mas também uma ponte entre o sofrimento humano e o plano divino. Ela nos mostra que tanto Davi quanto Jesus enfrentaram momentos em que o silêncio de Deus parecia real, mas também revela que esse silêncio nunca foi o fim da história. Em ambos os casos, o abandono sentido não anulou a presença de Deus, e o sofrimento não teve a palavra final, pois foi seguido pela manifestação da fidelidade e da vitória divina.

 Como podemos entender essa pergunta no contexto do Salmo 22 e o sofrimento de Jesus na cruz?  Vamos refletir!

                                                               I  

Davi  inicia o salmo proferindo muitos questionamentos:"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?” . Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.” ( vv.1 e 2).Os termos usados neste dois versículos retratam o quando o salmista estava sofrendo. Estava desamparado,sem esperança,triste por que Deus o deixou sofrer. Podemos ver a dimensão de seu lamento através da  expressão שְׁאָגָה ( “meu bramido”),que significa gemidos e lamentos, como o rugir de um leão.E ainda no no versículo 6: “Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo”. Era, exatamente assim que Davi se sentia. Se considerava humilhado e  impotente. Como se ele tivesse dito ao SENHOR: “Você ouve outros; mas, quanto a mim, você me faz orar, gemer e chorar, mas parece que não me ouve”.No entender de Davi, era   tratado como se fosse o mais insignificante, o mais desprezível e humilhado entre as pessoas,principalmente os membros da própria família que o desprezavam.(v.7).

Para Davi era uma mistério estas questões.Segundo ele, Deus estava tão distante.Havia esquecido do seu servo,pois não havia uma resposta.Na verdade, Deus não estava distante. Ao contrario, Ele estava acompanhando cada momento à sua situação. Ocorre que Davi estava passando por uma grande prova, mas em meio de seu sofrimento, ele obteve a vitória, porque o SENHOR é amoroso,misericordioso e benigno.O próprio salmista declara esta verdade no versículo 3: “Deus é santo, e está entronizado nos louvores de Israel, e que jamais deixou desamparado o seu povo.”   Ele entende que o SENHOR   é confiável: “Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e os livraste. A ti clamaram e se livraram; confiaram em ti e não foram confundidos.” ( vv.4,5). E ainda  descobre Sua força: “Tu, porém, Senhor , não te afastes de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me,” (v.19).

Davi reconhecia que sua vida estava nas mãos de Deus.( v.9).Ele relembra o passado e reconhece o quanto o SENHOR esteve ao seu lado, desde seu nascimento.Ele  encontra apoio em sua história de vida pessoal no seu relacionamento com Deus.Sendo assim,demonstra toda a sua confiança no SENHOR ao descrever metaforicamente os poderes que o cercam e os efeitos de seu sofrimento: “Não fiques longe de mim!” (v.11). Seus algozes são como “touros” (v.12), “como o leão que despedaça e ruge” (v.13). Após o efeitos“Todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim.” ( v.14). “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro.” ( v.15).São como “cães” que avançam contra mim. (v.16).“Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim.” ( v.17).As diversas metáforas usadas pelo salmista demonstram que ele  estava totalmente impotente, à beira da morte.

O texto dá a entender que o salmista estava sofrendo horrivelmente, a ponto de ser considerado morto. Isso fica mais claro no versículo 18: Repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica deitam sortes. Provavelmente, não se trata de credores inimigos cobrando uma dívida do enfermo, mas de membros da própria família, que já iniciam a partilha da herança. A túnica, sendo a peça de roupa mais valiosa, não pode ser rasgada; deve, portanto, ser sorteada. A própria família já considera o salmista um 'homem morto' e passa a seguir a vida sem ele. Pode haver sentimento de abandono maior do que esse?

No entanto, no último momento, quando aparentemente não havia mais solução e o salmista seria contado entre os mortos, ele introduz uma conjunção adversativa que faz oposição ao que foi dito anteriormente: 'Tu, porém, SENHOR' (v. 19a). Esse 'porém' muda tudo! O salmista enfrentou sofrimentos terríveis, mas há esperança em Deus. Ele reconhece que o SENHOR é a sua fortaleza: 'força minha, apressa-te em socorrer-me' (v. 19b). Ele afirma ainda: 'Tu, porém, SENHOR' me livra das 'presas do cão' (v. 20), das 'fauces do leão' (v. 21a) e dos 'chifres dos búfalos' (v. 21b), que furiosamente se levantavam contra ele (vv. 13, 16). Diante dos inimigos e de todo o martírio, ele estava certo de que receberia o auxílio divino: 'Sim, Tu me respondes' (v. 21). É um clamor que expressa a certeza da resposta; é o poder vindo do próprio Deus. Sim, Deus respondeu ao seu clamor! Há um nítido contraste entre essa afirmação e o lamento do versículo 2 ('Deus meu, clamo de dia, e não me respondes'). No início, a oração parecia não ter resposta; agora, ela é finalmente atendida.

Também somos confrontados, diariamente, com questões que nos atingem em todas as dimensões da existência, e o sofrimento é uma delas. O sofrimento tornou-se uma realidade inevitável: em qualquer lugar do universo onde existe vida, ele está presente e tem perturbado a nossa caminhada. São doenças, fome, velhice, morte, separação de entes queridos, relações interpessoais difíceis, privação do que necessitamos e o confronto com aquilo que tememos. Na verdade, estamos sujeitos ao sofrimento espiritual (o sentimento de abandono por Deus, embora, na verdade, o SENHOR jamais nos abandone!), ao sofrimento emocional (solidão, medo, angústia) e ao físico (decorrente de enfermidades e acidentes). Em meio a essas dores, precisamos nos lembrar Daquele que morreu na cruz. O fato é que podemos lançar as nossas angústias, os nossos gritos e as nossas dores ao nosso Deus. Sabemos que Ele não age por 'passes de mágica'; Seus caminhos não são os nossos, e Ele age no tempo determinado.

                                                                    II

Apesar de toda a dor de Davi, ela não se equipara aos sofrimentos que Jesus enfrentou em Sua caminhada ao Calvário. Foram momentos horríveis os que Jesus vivenciou durante as horas em que esteve pendurado na cruz. É impossível esquecer o que disse Isaías: 'Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades' (Is 53.5). Suas vestes foram divididas entre Seus inimigos; Ele foi blasfemado, insultado e ridicularizado. Na cruz, o Senhor Jesus carregou sobre Si a nossa culpa e experimentou, na própria carne, a crueldade do pecado. Somado a isso, o cansaço extremo, a solidão, a tristeza profunda, o calor do dia e a perda de sangue foram as causas de Seu martírio físico e emocional. Tudo o que se presenciou naquele momento era o cumprimento das Escrituras: Jesus seria zombado (vv. 7-8; Mt 27.41-43); Suas mãos e pés seriam traspassados (v. 16; Jo 20.25-27); e lançariam sortes sobre Suas vestes (v. 18; Jo 19.23-24). Ao fim, esse sacrifício levaria muitos a louvarem a Deus (vv. 26-28), pois, como diz a Palavra, diante d’Ele todo joelho se dobrará (Fp 2.9-11)."

Diante de todo o sofrimento que Jesus estava sentindo na cruz, Ele experimenta, então, uma dor que ainda não havia provado: a dor do desamparo divino. Isso significa que Jesus conheceu a solidão profunda, o abandono dos Seus discípulos e até o aparente abandono do Pai. Naquele instante, sentindo-se sozinho, Ele solta um brado ao Pai: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27.46). Mas teria Deus abandonado Seu Filho naquela cruz? A verdade é que era necessário que Cristo tomasse o nosso lugar de pecadores, para que toda a nossa culpa fosse derramada sobre Ele e a paz fosse restabelecida entre Deus e a humanidade.

Não resta dúvida de que Deus ouviu as palavras de Jesus. Conclui-se que, de maneira alguma, Cristo foi abandonado pelo Pai! Deus jamais abandona os Seus filhos, quanto mais o Seu Filho amado. Sua invocação não deixa de ser uma expressão de confiança: 'Meu Deus!'. Isso demonstra que o Pai continua sendo um Deus amoroso, apesar de manter silêncio.Basta ler o versículo 24, que é enfático: Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu. Essas palavras desconstroem toda a ideia de que Jesus foi deixado abandonado no madeiro. Ele confiou que o Pai tinha um plano maior e, assim, pôde também clamar: Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

Quantas vezes nós também gritamos, vivenciamos de diversas maneiras o sofrimento e pensamos que fomos abandonados por Deus? Então, questionamos: 'Onde está Deus? Por que nos abandonou?'. Os homens podem cometer injustiças e atrocidades conosco, assim como fizeram com o próprio Cristo, mas Deus jamais se esquecerá da nossa dor. Ele nos mostra que é um Deus de perto, e não de longe. Em Isaías 49.15, podemos ver a resposta de Deus para nós: Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Aqui está a prova de que Deus nunca nos abandonará. Ele tem as nossas vidas diante dos Seus olhos e, como diz o profeta mais adiante: Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei (Is 49.16). Por isso, aquele que confia em Deus não se deixa abater pelos sofrimentos, nem pelas angústias, nem mesmo pela morte.

                                                               III

A situação do salmista mudou completamente. O que era tristeza, desespero e abandono, se transformou no mais expressivo louvor.Agora, o salmista evoca palavras de gratidão e devoção,e promete louvar ao SENHOR,“no meio da congregação” ao apresentar um duplo voto pessoal de louvor: “A meus irmãos declararei o teu nome; cantar-te-ei louvores no meio da congregação.”(v.22). Na sequencia ele convida aqueles que temem a Deus, bem como a descendência de Jacó e a posteridade de Israel a que se juntem a ele em seu louvor: “vós que temeis o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, vós todos, descendência de Jacó; reverenciai-o, vós todos, posteridade de Israel.”(v.23).

Era fundamental  que a família da fé se alegrasse com ele e aprendesse com o seu testemunho público.Mas quais eram os motivos para tamanho compromisso de louvor, adoração e gratidão junto à família da fé? O versículo 24, responde: “Pois não desprezou, nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouviu, quando lhe gritou por socorro.” Deus não desprezou, não abominou, não ocultou, mas ouviu o seu servo! Estas palavras contrastam com as palavras do salmista,que havia dito no inicio do Salmo: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?  Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?   Deus meu, clamo de dia, e não me respondes;  também de noite, porém não tenho sossego.

Ao oferecer a sua explicação, o salmista conclui que a origem do seu louvor é o próprio Deus: De ti vem o meu louvor na grande congregação; cumprirei os meus votos na presença dos que o temem (v. 25). No versículo 26, encontramos parte do cumprimento desse voto: Os sofredores hão de comer e fartar-se; louvarão o Senhor os que o buscam. Viva para sempre o vosso coração. Ele ofereceria uma oferta de gratidão ao SENHOR, conhecida em Levítico 3 como sacrifício pacífico (ou 'oferta de comunhão' na NVI). Trata-se de um voto no qual o ofertante apresenta uma refeição diante de Deus, da qual todas as pessoas da comunidade podem participar. Assim, a humanidade se voltará para Deus em adoração, fundamentada no que o SENHOR tem feito: Lembrar-se-ão do SENHOR e a ele se converterão os confins da terra; perante ele se prostrarão todas as famílias das nações(v. 27).

Enfim,todos se prostrarão perante o SENHOR. E por quê?  Pois do SENHOR é o reino, é ele quem governa as nações (v. 28). Mas quem são aqueles que se prostrarão? O versículo 29 nos aponta: todos os prósperos da terra' , 'todos os que descem ao pó' e até aquele que não pode preservar a própria vida’. Estes últimos são os oprimidos, os que enfrentaram angústias e tristezas. São os que se desesperaram da vida — o que o texto chama de 'descer ao pó'. Eles sentiram o pó da morte muito próximo e reconheceram que não podem preservar a própria vida. São os pobres, os fracos, os enfermos e os desamparados que careciam do essencial para sobreviver e não tinham recursos para se manter vivos.

A bênção do Reino da Paz, da qual participam todas as gerações descritas, será transmitida à posteridade: “A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor à geração vindoura” (v. 30). Após o cenário de sofrimento descrito no salmo — que, à luz do Novo Testamento, aponta profeticamente para Jesus Cristo — o salmista revela uma verdade profunda sobre a continuidade da obra de Deus na história ao afirmar que “a posteridade o servirá”. A palavra “posteridade”, no hebraico זֶרַע, significa semente, descendência ou linhagem. No contexto do Antigo Testamento, a “posteridade” era considerada a maior bênção na vida de um homem. Mas, aqui o salmista nos ensina que esta posteridade não é definida por sangue ou raça. Não se limita a descendentes biológicos, mas refere-se a um povo espiritual que surge como fruto da ação redentora de Deus.Trata-se de uma geração que não apenas conhece o SENHOR, mas se compromete a servi-lo. Servir como um servo ou escravo por amor, ou prestar culto.

Além disso, o salmista também enfatiza que "isso será contado sobre o Senhor (Adonai) à geração vindoura". Demonstra que a fé verdadeira não permanece silenciosa, mas se expressa em testemunho e proclamação. Há aqui uma dimensão missionária e pedagógica: o conhecimento de Deus deve ser transmitido, ensinado e anunciado. A fé, portanto, não é apenas uma experiência individual, mas um legado que atravessa o tempo. Ao mencionar “a geração vindoura”, o salmista amplia ainda mais essa perspectiva, mostrando que a obra de Deus não está restrita a um momento específico, mas alcança aqueles que ainda virão. Assim, o salmista aponta para a fidelidade de Deus em preservar um povo que o serve e para a responsabilidade humana de transmitir essa fé às próximas gerações. Ele nos lembra que a história da redenção não termina em nós, mas continua por meio de vidas que anunciam, ensinam e vivem a verdade do Senhor.

O desfecho desta profecia atinge seu ápice no versículo 31: “Hão de vir e anunciar a justiça dele ao povo que há de nascer, contando que ele o fez.”  Este encerramento revela-se , primeiramente, porque estabelece que o conteúdo central da pregação das futuras gerações não repousa no esforço ou no mérito humano, mas sim na Justiça Divina, plenamente manifesta na libertação e na exaltação de Seu Servo.Além disso, a passagem destaca a atemporalidade dessa mensagem, que rompe as barreiras do presente para alcançar o “povo que há de nascer”, garantindo que o sacrifício de Cristo jamais se apague da memória da humanidade. Por fim, o salmo culmina na celebração da Obra Consumada, selada pela expressão hebraica  עָשָׂה כִּי , que significa “Pois Ele o realizou” ou “Ele o fez”. O verbo no hebraico está no perfeito, indicando uma ação que foi completada. O salmista sai do "por que me desamparaste?" (v. 1) para o "Ele o realizou" (v. 31). Este encerramento é, em essência, o eco antecipado do grito de vitória de Jesus no Calvário: “Está consumado!” (João 19.30), confirmando que a redenção não é um projeto em aberto, mas uma realidade histórica e espiritual definitivamente concluída por Deus.

Há uma conexão direta entre o Antigo e o Novo Testamento aqui. Muitos estudiosos bíblicos apontam que, ao dizer "Está consumado" na cruz, Jesus estava fazendo referência não apenas ao fim do Seu sofrimento, mas à conclusão deste salmo específico: "Ele o fez".Em João 19.30: "Está consumado". Ambas as expressões declaram que a obra de salvação e justiça foi totalmente executada por Deus, sem que o homem precise acrescentar nada a ela. Essa afirmação carrega a ideia de algo completo, consumado, plenamente realizado. Assim, a conclusão desse Salmo nos conduz à compreensão de que o sofrimento não tem a palavra final. Deus transforma a dor em louvor, o desespero em esperança e o clamor em testemunho. O que parecia abandono se revela, ao fim, como parte de um plano maior, no qual a fidelidade de Deus se manifesta de forma poderosa e alcança não apenas um indivíduo, mas todas as nações e gerações..Agora, as gerações vindouras anunciarão a justiça de Deus, "contando que Ele o fez".

Estimados irmãos! Ao encerrar a reflexão sobre este Salmo, não saímos com uma dúvida, mas com uma certeza absoluta que a jornada que começou com sofrimento intenso,um abismo do abandono ("Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?") e termina em um hino de triunfo e esperança universal, seja uma expressão de esperança, vitória e louvor.  Por isso, pergunto a você: A sua vida hoje reflete a agonia do verso primeiro,"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?, ou a vitória do verso finaL, Ele o fez? Você ainda caminha como quem está preso ao 'pó da morte' ou já se apropriou da promessa de que 'Ele o fez'?

Portanto, que o nosso testemunho não morra em nós, mas seja a semente que servirá às próximas gerações. Que, ao sairmos daqui, a nossa resposta ao mundo não seja um “por quê?”, mas um anúncio poderoso da justiça de Deus. Que possamos viver com a paz de quem sabe que, não importa quão escura seja a noite, a última palavra da história já foi escrita pelo nosso Redentor: “Está consumado!”. Ele agiu! Amém!

 

 

 

 TEXTO: MT 28.1-10

TEMA: O SIGNIFICADO DO SEPULCRO VAZIO

Hoje é Páscoa! Para o comércio é uma data de grandes negócios. Afinal, vivemos numa sociedade capitalista, materialista e consumista, em que as crianças esperam neste dia com ansiedade um presente de ovos de chocolate; as vitrinas das lojas e casas comerciais das cidades são ornamentadas de tal forma a chamar a atenção das pessoas. Além da troca de ovos de chocolate, as famílias se reúnem para celebrar um almoço, com direito a pratos especiais, mesas fartas, mensagens e músicas de Páscoa. Enfim, somos bombardeados com os comerciais de ovos de chocolate e coelhinhos, na TV, no rádio, em Outdoor’s espalhados por todas as cidades e supermercados. Este é o significado que o mundo tem dado para Páscoa.

Também para o cristianismo é uma data importante, porém com outro significado. Diferente do que pensa o comércio, o verdadeiro significado da Páscoa não está nos chocolates, coelhos, ovos e festas, mas está no significado do sepulcro vazio. Significado para Jesus que ressuscitou. Ele não permaneceu no sepulcro. Garantiu o cumprimento de todas as suas promessas, pois ressuscitou como havia prometido. Ele provou de fato ser o Filho de Deus ao exercer poder sobre a vida e a morte, conquistando a vitória sobre o pecado e o diabo. O sepulcro vazio para as mulheres também teve um grande significado. Elas não precisavam mais andar tristes e preocupadas. Não havia mais incerteza, dúvida, desespero porque foram iluminadas e agraciadas pelo evangelho.

                                                               I

Após a morte de Jesus, ao tirá-lo da cruz, José de Arimateia colocou-o num túmulo novo, aberto na rocha, e “rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou” (Mt 27.60). Aquela sepultura foi lacrada e os soldados deveriam vigiar a pedra, para impedir um possível furto do corpo de Jesus,  e que jamais poderia ser violada. É uma cena que causou uma imensa tristeza na vida dos discípulos, das mulheres e muitas pessoas que presenciaram a Sua morte, bem como o Seu sepultamento. Afinal, Jesus estava morto, acabado, derrotado para aquelas pessoas. Não havia mais esperança. Esta era a triste realidade para os discípulos e as mulheres. Entretanto, frente a esta situação, as mulheres querem realizar a última cerimônia: embalsamar o corpo de Jesus.

Diz o nosso texto que “no findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” (v.1). Houve uma grande preocupação em procurar o Salvador bem cedo pela manhã. Para aquelas mulheres ainda havia esperança de ver Jesus no sepulcro. Seus corações ainda pairavam todos os temores e incertezas dos acontecimentos da última semana. Seus pensamentos estavam voltados para a morte de Jesus. O fato de Cristo estar morto não lhes era bem aceito. Mas, afinal por que as mulheres foram ao sepulcro? Conforme o evangelista Marcos, a finalidade da ida das mulheres à sepultura, e todos os preparativos a serem realizados, era para embalsamar o corpo de Jesus. Assim diz o texto de Marcos: “compraram aromas para embalsamar”. (16.1). As mulheres queriam perfumar o corpo de Jesus e, por isso, compraram perfume para realizar essa cerimônia. Eram ervas cheirosas para encobrir o hálito da morte, para deter ao menos o processo de decomposição. Era um costume preparar o corpo para o sepulcro, colocando perfumes. Elas queriam prestar uma última homenagem a Jesus. Tudo pronto estavam a caminho da sepultura.

Durante a viagem havia uma grande preocupação. Sentiram que havia um problema que impediria de fazer o que elas desejavam. O evangelista Marcos afirma: “Quem nos removerá a pedra da entrada do tumulo?” (16.3). Talvez, em meio à tristeza que estavam vivenciando, não se preocuparam com o problema, ou não se preocuparam em pedir que alguém fosse junto para deslocar a enorme pedra que havia sido colocado frente ao sepulcro. No entanto, foi grande a admiração das mulheres quando, ao poderem vislumbrar a sepultura, viram que a mesma estava aberta. Não podiam entender o que viram. O que não sabiam, era que os planos seriam frustrados: a pedra já estava removida e o sepulcro vazio. Em suas mentes surgem diversos questionamentos: Quem removeu a pedra? Quem abriu o sepulcro?

O texto tem uma resposta simples: “E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela” (v.2). Em Marcos 16.4 nós lemos que as mulheres “olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande.” Interessante que Marcos apenas a afirma que as mulheres chegam ao túmulo e encontram a pedra fora do lugar. Inclusive, nem ficam espantadas com o fato da pedra ter sido removida, e não há maiores detalhes. Em Lucas 24.2 somos informados apenas que as mulheres “encontraram a pedra removida do sepulcro”. Em João 20.1-2 somos informados que “Maria Madalena... viu que a pedra estava revolvida. Então, correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram.” Tudo isso muda quando vamos para Mateus. O escritor desse Evangelho acrescenta detalhes que tornam o relato mais empolgante. Mateus usa de artifícios literários para uma resposta ao fato da pedra estar removida. Ele relata que houve um terremoto, que um anjo desceu do céu, rolou a pedra e ficou sentado em cima dela. Diz o texto que o seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. Os guardas ao ver o anjo tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos

A manifestação do anjo serve para mostrar que tudo que ocorreu foi pela intervenção de Deus. Ele dá rumo diferente à história. Ele remove a pedra. É capaz do impossível. Ele tira Jesus da sepultura. Os soldados caem desmaiados. E quando recuperam os sentidos, o túmulo está vazio. Realmente, Cristo ressuscitou. Ele vive. Ele não permaneceu no túmulo. Ele não poderia ficar sepulcro porque ele é Deus, o Autor da vida. Esta é a mensagem da Páscoa por excelência. O anjo é mensageiro enviado de Deus para anunciar a vitória do crucificado aquelas mulheres que estavam cheias de medo: “Não temais; porque sei que buscai Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.” (vv.5 e 6). O anjo convida as mulheres ao dizer “vinde ver onde ele jazia”. Elas encontram o anjo na entrada do sepulcro, e são convidadas para entrar e ver lugar onde Jesus “jazia”. O verbo está no passado, o que indica que ele não mais estava ali. Esta foi à mensagem do anjo àquelas mulheres preocupadas. Esta mensagem veio confirmar a esperança que de fato Cristo havia ressuscitado.

Cristo ressuscitou! Ele não está mais aqui! Este é o presente mais importante que a humanidade já recebeu em toda sua história. Cristo ressuscitou! Ele não está mais aqui! É a mensagem de Páscoa. Nem caixa bonita com chocolate, nem qualquer objeto dentro, poderiam ser tão especiais do que a mensagem da ressurreição de Cristo.  No túmulo vazio está estampada a mensagem de que Jesus venceu a morte. Era o último inimigo a ser vencido. Era o último, pois não é mais. Jesus venceu definitivamente o diabo, o pecado e a morte. Ele vive! Essa é a notícia da Páscoa cristã para um mundo consumista, no qual a mensagem de Páscoa tem perdido o seu significado.

Ele não está aqui. Ele ressuscitou como tinha dito. O sepulcro estava vazio. Mas qual é o significado para Jesus? Significa que Jesus venceu a morte. Talvez, a morte seja um dos assuntos que as pessoas não gostam de falar. Ela acaba com tudo. A morte é cruel. Ela tira do nosso meio uma pessoa amada. Mas ela é inevitável. Todos os dias, nós temos contato com a morte de alguma forma. Em nossa família, em nossa vizinhança, em nossa cidade, em nosso país, no mundo. A morte está acontecendo a todo tempo, e um dia seremos nós os personagens principais para ela. No entanto, diante do medo vêm o consolo: Não temas! Jesus venceu a morte. Não permaneceu no sepulcro. Garantiu o cumprimento de todas as suas promessas, pois ressuscitou como havia prometido, provando de fato ser o Filho de Deus ao exercer poder sobre a vida e a morte, conquistando vitória sobre o pecado e o diabo.

                                                           II

Também havia um grande significado da ressurreição de Jesus àquelas mulheres que encontraram o sepulcro vazio. Elas receberam as primeiras notícias da ressurreição de Jesus através do anjo. A mensagem do anjo é a própria mensagem da Páscoa. A mensagem do anjo lembra também que a noticia sobre a ressurreição deveria ser anunciada aos discípulos: “Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos.” (v.7a). Depois disso, o anjo as exorta a ir proclamar a ressurreição de Jesus para os demais discípulos. A palavra traduzida aqui por “ide” é a mesma palavra que aparece na Grande Comissão, em Mateus 28.18a, onde Jesus disse, “Ide, e fazei discípulos”. O verbo não está no imperativo. Está no aoristo particípio. O particípio aoristo seria um tempo verbal que expressa uma ação passada, isto é, tomada como já concluída. Assim sendo, uma tradução mais fiel de πορευθεντες seria “havendo (já) ido” ou “havendo viajado”, ”indo”, ”enquanto estejam indo”. Enfim, o termo requer urgência.

Esta noticia do sepulcro vazio teve um grande significado para àquelas mulheres. Elas não precisavam mais andar tristes e preocupadas. Não havia mais incerteza, dúvida, desespero, porque foram iluminadas e agraciadas pelo evangelho. Diante desta noticia o medo que ainda estavam vivenciando se mistura com a alegria. Por isso, deveriam anunciar esta noticia maravilhosa aos discípulos com urgência. Sendo assim, o anjo não permite que as mulheres se percam em especulações, questionamentos, indagações sobre a ressurreição de Jesus. Simplesmente, o anjo diz: “Ide, pois, depressa”. Aquela mensagem deveria ser noticiada rapidamente. Os discípulos precisavam saber sobre a ressurreição de Jesus. Elas percebem que algo novo havia acontecido, numa grande euforia, foram e anunciaram aos discípulos e a todos que com eles estavam

Cristo venceu a morte. Ele ressuscitou. Por isso, hoje, podemos enfrentar a morte sem temor, na certeza que iremos ressuscitar para vida eterna. Ele ressuscitou. Ele não ficou no túmulo, mas ressuscitou dos mortos.  Não em benefício próprio, mas por nossa causa, para que a sua ressurreição seja a nossa esperança que um dia também ressuscitaremos. O próprio Jesus afirmou: “Porque eu vivo, vós também vivereis”. (Jo 14.19). “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra viverá” (Jo 11.25). A morte de Cristo foi a vitória que abriu as portas da vida eterna. Jesus Cristo é, certamente, nossa maior esperança; é o caminho que leva ao Deus criador e Pai celestial (João 14.6). A vitória sobre a morte é possível somente para aqueles que creem nele.

A notícia da ressurreição de Jesus, transmitida pelo anjo também vale para nós. Não podemos nos silenciar diante de uma noticia maravilhosa. Ela nos impulsiona anunciar uma mensagem do Cristo que não permaneceu no sepulcro. Mas a realidade de um túmulo aberto e vazio, que nos confirma a ressurreição. Precisamos anunciar: se o Senhor não tivesse ressuscitado, continuaríamos mortos em nossos delitos e pecados; se o Senhor não tivesse ressuscitado, ainda seríamos escravos de Satanás; se  Cristo não tivesse ressuscitado dentre os mortos, estaríamos fazendo a vontade da carne, andando segundo o curso deste mundo, conforme a vontade de Satanás; se Cristo não tivesse ressuscitado, não teríamos a esperança da vida Eterna, nem tampouco poderíamos desfrutar dos benefícios do seu Reino.

Estimados irmãos! Que o bondoso Deus possa sempre nos consolar, alegrar e fortalecer com esta mensagem maravilhosa: Jesus morreu, mas, não permaneceu morto. Ele ressuscitou, e o túmulo está vazio. Ele vive. Aleluia! Que nossa Páscoa seja vivida com toda esta alegria! Amém.

TEXTO: JO 19.17-30

TEMA: ESTÁ CONSUMADO!

Consumado é uma expressão que as pessoas usam diariamente para dizer que o trabalho está concluído. O pedreiro olha para sua construção e diz: “Terminei!”. O atleta após uma corrida também afirma: “Completei!” Da mesma forma, quem termina um desenho, afirma: “Acabei!” Em resumo, podemos afirmar que “Está consumado!” significa: “está concluído!”, “está feito!”, “acabou!” Jesus também usou esta expressão quando estava na cruz. Foi uma das suas últimas palavras antes de entregar a Sua vida. Na língua grega esta expressão chama-se “Tetélestai”. Ela contém três significados no contexto secular: primeiro, era usada para a conclusão de uma tarefa. Segundo, era usada para a quitação de uma dívida. Terceiro, era usada para posse definitiva de uma escritura. No entanto, quando esta expressão, “Tetélestai”, é usada por Jesus na cruz, ela adquire algo mais profundo. Isto significa que Jesus concluiu a obra Salvadora que o Pai lhe havia confiado.

Mas o que realmente estava consumado? Vejamos este questionamento sob três aspectos: primeiro, Ele pagou pelos nossos pecados, para nos reconduzir a Deus. A partir daquele momento a nossa dívida estava paga, os nossos pecados foram perdoados, dando a nós a vida eterna. Segundo, a obra Salvadora de Cristo não era apenas morrer por nossos pecados. Na cruz, Cristo derrotou Satanás em nosso favor. Jesus destruiu a força de Satanás, permanentemente, quando na cruz Ele disse: “Está consumado!”  Agora, não tem domínio sobre nós, pois estamos vivendo sob a proteção do Senhor. Terceiro, está consumado também significa que Cristo venceu a morte. Foi o último inimigo a ser derrotado.  Ele venceu e nós também a venceremos, e nos encontraremos com Cristo na vida eterna.

                                                                       I

Estimados irmãos” Depois de ter sido açoitado e maltratado pelos soldados, Jesus foi conduzido à crucificação. E de acordo com o evangelista, Jesus ao carregar a sua cruz, saiu para um lugar chamado Calvário (Gólgota), onde crucificaram com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. Crucificar dois malfeitores ao lado daquele que foi justo, era uma verdadeira humilhação. Mas naquele momento se cumpria as Escrituras, que afirma que Jesus “foi contado com os transgressores” (Isaías 53.12). E no meio destes transgressores, Jesus sofreu, foi blasfemado e insultado. Um, porém, continuou com sua zombaria e manteve seu orgulho, permanecendo em seu pecado, e perdeu a sua última oportunidade de ser salvo; o outro, porém, disse: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino". (Lucas 23.42). Ele experimentou toda a graça do perdão, uma única frase, abriu-lhe as portas para o paraíso celestial.

Pilatos foi outro personagem que também não resistiu à oportunidade de fazer uma ofensa, ao demostrar uma forma humilhante a Jesus. Ele também demostrou um profundo desprezo pelos judeus. Escreveu um título e o colocou na parte de cima da cruz, para que todos ao passarem por ali, pudessem ler aquela placa sobre a cruz de Jesus. A placa continha uma única mensagem escrita, que dizia: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus.” Ele escreveu o que sabia a respeito de Jesus: que Jesus era o Rei do Judeus. Esta acusação foi escrita em três línguas: Hebraico, latim e grego. Porém, os líderes religiosos não gostaram disso, e disseram a Pilatos: “Não escrevas: Rei dos judeus, e sim que ele disse. Sou o rei dos judeus.” (v.21). Mas Pilatos não mudou o que tinha escrito: “O que escrevi, escrevi.” (v.22). A situação que estava vivendo Pilatos pode ser percebida na seguinte declaração dos judeus: “Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César” (João 19.12). Nesse sentido, fica evidente que nem Pilatos como governador romano, nem os sumos sacerdotes como maior autoridade religiosa do povo judeu, estavam dispostos aceitar o sofrimento de Jesus na cruz.

No entanto, a humilhação também se estende entre os soldados. É impressionante o que os soldados fizeram com Jesus durante o seu sofrimento. Anteriormente, eles “teceram uma coroa de espinhos e puseram sobre a sua cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.” (João 19.2,3). E, agora, a zombaria e o escarnecimento continuaram na cruz. Tiraram-Lhe a Sua túnica e dividiram as Suas vestes em quatro partes, uma para cada soldado, conforme a tradição. Mas, olhando para a túnica, eles acharam por bem jogá-la, lançando sortes para ver de quem seria. Foi mais uma humilhação que Jesus enfrentou. Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras: “Repartiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes.” (Sl. 22.18). Jesus viu os soldados dividindo Suas roupas e lançando sortes sobre a túnica, em cumprimento da profecia. Ele olhava para aquele ato que os soldados estavam realizando. Estavam tão perto de Jesus, que tiveram a oportunidade de olhar para o Salvador, mas não foram capazes dizer:  Jesus, lembra-te de nós quando entrares no teu Reino. Escolheram olhar para as vestes, lançando sortes sobre elas.

Mas também haviam pessoas que acompanharam e se compadeceram de Jesus. Eram algumas mulheres, que estavam junto a cruz. Sua mãe e a sua irmã, Maria mulher de Clopas e Maria Madalena, bem como o discípulo amado, no qual Jesus pediu-lhe que tomasse conta de Sua mãe. Estavam ali, arriscando a sua própria vida, para consolar Jesus diante de sua angustia. Contemplar a morte de Jesus, para aquelas mulheres, era um árduo desafio, pois não foi fácil presenciar a agonia, a vergonha e a indignidade de sua morte. Além disso, não conseguiam entender que, Aquele que mudou a vida de muitas pessoas, estava morrendo de maneira tão brutal! Mesmo assim, havia uma grande compaixão, amor e dedicação delas por Jesus. Mas mesmo dominado pela dor e sofrimentos, Jesus não se esqueceu de sua mãe. Ele se dirige à Sua mãe para mostrar que a partir daquele momento seria João quem cuidaria dela: “Eis aí a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.” (v.27). Numa clara indicação de que seria ele quem cuidaria de Maria.

                                                                               II

Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado(τετέλεσται), para se cumprir as Escrituras, disse: Tenho sede!” (v.28). O cansaço pelo qual passara, a tristeza que sentira, o calor do dia e a perda de sangue, eram as causas naturais dessa sede. Por isso, sentiu sede. Essas palavras de Jesus também foram cumpridas. João ouviu nessas palavras o  clamor que reunia todos os anseios e agonias de sua alma, que cumpriam seu trabalho, que expressavam o terrível significado de seu sofrimento, e preenchiam o quadro profético: "Puseram fel na minha comida e para matar-me a sede deram-me vinagre." (Salmos 69.21). Observamos o exemplo perfeito de Jesus. Ele poderia ter passado horas gritando e reclamando sobre a dor imposta nesta punição cruel. Ele poderia ter amaldiçoado os soldados e oficiais que determinaram sua morte, mas não fez. Seu propósito principal não era buscar a satisfação de Sua necessidade, mas cumprir a vontade do Pai. “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: “Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (v.30).

Mas o que realmente estava consumado? O que Jesus .precisamente. concluiu? Primeiro, Ele pagou pelos nossos pecados, para nos reconduzir a Deus. A partir daquele momento a nossa dívida estava paga, os nossos pecados foram perdoados, dando a nós a vida eterna. Por isso, não há dúvida que a exclamação de Jesus, "Está consumado!”, traz a mensagem central do amor de Deus por toda a humanidade. Sua morte foi o meio pelo qual o amor de Deus nos alcançou. Este grande amor está expresso nas palavras de João 3.16: “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Agora, há perdão para os pecados, há reconciliação entre o homem e Deus, há uma realidade de vida eterna. Quando cremos nesta mensagem da cruz, somos salvos, redimidos, resgatados. Esta é a mensagem da cruz que precisa ser proclamada, pois ela contempla e revela o plano de Deus que redime o homem de seus pecados, levando-o de volta para a casa do Pai.  

Segundo, a obra salvadora de Cristo não era apenas morrer por nossos pecados. Na cruz, Cristo derrotou Satanás em nosso favor. “Havia chegado o momento deste mundo ser julgado, e agora o seu príncipe será expulso" (João 12.31; Colossenses 2.15). Jesus quebrou a força de Satanás, permanentemente, quando na cruz Ele disse: “Está consumado!” A morte de Cristo na cruz esmagou a cabeça de Satanás: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” A morte de Cristo destruiu aquele que tinha o poder da morte. Satanás já está derrotado, juntamente com todas as suas potestades. Ele, agora, não tem mais poder para nos condenar. Não tem domínio sobre nós, pois estamos vivendo sob a proteção do Senhor. Agora, estamos livres das trevas e de todos os horrores que as trevas engendram; estamos livres de toda malignidade e de todos os dardos inflamados do inimigo.

Terceira, está consumado também significa que Cristo venceu a morte. A paixão e morte de Jesus não teria sentido sem a sua ressurreição. A morte foi o último inimigo a ser derrotado. Mas tudo começou lá no Jardim do Éden. A maldição sobre a humanidade provocada pelo pecado do homem. Deus havia dito: "você certamente morrerá" (Gênesis 2.17). E a verdade ainda se completa em Romanos 6.23: "O salário do pecado é a morte". No entanto, Cristo venceu a morte. E o fato de Cristo ter vencido a morte é um cumprimento às profecias. O salmista previu que o Messias venceria a morte: "Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção" (Salmo 16.10). Outros profetas também trouxeram esperança para o povo, de que um dia o Senhor aboliria a morte: "Tragará a morte para sempre, e, assim, o Senhor Deus enxugará as lágrimas de todos os rostos" (Isaías 25.8), e "eu os remirei do poder do inferno e os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as suas pragas? Onde está, ó inferno, a sua destruição?" (Oseias 13.14; 1 Coríntios 15.54–55). Jesus morreu na cruz, mas não permaneceu morto. Ele ressuscitou. Ele venceu e nós também a venceremos, e nos encontraremos com Cristo na vida eterna. Somos "mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Romanos 8.37). Cristo é "as primícias dos que dormem" (1 Coríntios 15.20),

Estimados irmãos! A grande obra da Salvação da humanidade havia terminando. Após a sua ressurreição desceu ao inferno, para anunciar a sua vitória sobre Satanás: “Está consumado!” Que declaração maravilhosa! As labutas no ministério, as perseguições e zombarias, e as dores do jardim e da cruz, terminam. Seu sofrimento tinha acabado e todo o trabalho que o Seu Pai havia solicitado a fazer, ou seja, pregar o evangelho, executar milagres e obter a salvação eterna para o Seu povo, havia sido realizado, cumprido, concretizado.

Há muitas coisas maravilhosas que podem e devem ser ditas a respeito do: “Está consumado!”. Saber o que Jesus conquistou para nós na cruz, nos auxilia a perceber que estamos totalmente perdoados, redimidos e justificados. Nós não devemos tentar conquistar (por nossas obras) nenhum dos benefícios da redenção que foram gratuitamente comprados por Jesus, pois tudo isso é recebido por meio da fé. Por isso, devemos confiar inteiramente naquilo que Ele fez por nós. Amém!