TEXTO: Sl 138
TEMA:DEUS É FIEL E CUMPRE SUAS PROMESSAS
Vivemos em um mundo em que muitas promessas são feitas, mas nem sempre são cumpridas. Pessoas podem mudar de opinião, compromissos podem ser esquecidos e palavras podem perder o seu valor. Por isso, muitas vezes, somos levados a desconfiar e até mesmo a questionar se aquilo que nos foi prometido realmente acontecerá.
Entretanto, a Bíblia nos apresenta um Deus completamente diferente. Deus é fiel e não abandona a sua Palavra. Suas promessas permanecem firmes, mesmo quando as circunstâncias mudam. O Salmo 138 é uma expressão de confiança nesse Deus fiel. Davi olha para sua própria caminhada e reconhece que o SENHOR ouviu suas orações, o fortaleceu nas dificuldades e continuou cuidando dele.
O salmista não afirma que a vida será livre de problemas. Pelo contrário, ele declara: "Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida” (v. 7). Sua confiança está no Deus que permanece presente mesmo em meio às tribulações. Por isso, Davi pode terminar o salmo com uma das mais belas declarações de confiança: O que a mim me concerne o Senhor levará a bom termo;a tua misericórdia, ó Senhor, dura para sempre.” (v. 8).
Assim, o Salmo 138 nos convida a olhar menos para a instabilidade das circunstâncias e mais para a fidelidade de Deus. Quando tudo ao nosso redor pode mudar, podemos permanecer firmes porque Deus não muda, sua misericórdia permanece para sempre e suas promessas são dignas de toda confiança.
Diante do que foi exposto, e tendo como base o tema proposto, vamos refletir sobre quatro ensinamentos importantes que o texto bíblico nos apresenta:
Primeiro, louvamos a Deus por sua bondade e fidelidade (vv. 1-3).Davi louva ao SENHOR de todo o coração porque reconhece sua bondade, fidelidade e misericórdia. Ele se lembra de que, quando clamou, Deus o ouviu e lhe deu forças. Somos chamados a agradecer a Deus, lembrando de sua fidelidade e de tudo o que ele já fez por nós.
Segundo, Deus olha para o humilde e resiste ao soberbo ( vv. 4-6). Deus é grande e exaltado, mas olha com favor para o humilde. O soberbo confia em si mesmo, enquanto o humilde reconhece sua dependência do SENHOR. Deus se aproxima daqueles que reconhecem sua necessidade e colocam sua confiança nele.
Terceiro, Deus sustenta seus filhos em meio à tribulação ( v. 7). Davi sabe que pode passar por momentos de angústia, mas confia que Deus estará com ele. O SENHOR o preserva, fortalece e estende sua mão para salvá-lo. A presença de Deus não significa ausência de dificuldades, mas segurança de que não enfrentaremos as tribulações sozinhos.
Quarto, Deus levará a bom termo a obra que começou ( v. 8).Davi termina declarando sua confiança de que o SENHOR aperfeiçoará aquilo que lhe diz respeito. Sua esperança está na misericórdia de Deus, que permanece para sempre. Podemos confiar que Deus não abandona seus filhos, mas permanece fiel e conduz sua obra até o fim.
Analisando a atitude do salmista, surge uma pergunta importante: Temos louvado a Deus de todo o coração? Muitas vezes, somos rápidos para pedir, reclamar e apresentar nossas necessidades, mas nos esquecemos de agradecer. Na verdade, a Palavra nos chama a reconhecer que tudo o que temos e somos,pois dependemos da graça de Deus. Lembrando que na vida cristã, nossa gratidão encontra sua maior razão em Jesus Cristo. Deus não apenas nos sustenta diariamente, mas entregou seu próprio Filho para nos conceder perdão, vida e salvação. Por isso, aquele que conhece a graça de Deus encontra razões para louvar mesmo em meio às provações.
Davi continua falando sobre agradecer ao SENHOR, e diz que se prostrará “para o teu santo templo”(v.2a). A atitude de se prostrar demonstra humildade, reverência e adoração diante de Deus. Ele reconhece que está diante de um Deus santo e poderoso, diante de quem o ser humano não pode se apresentar com orgulho ou méritos próprios. Em sua adoração destaca dois atributos fundamentais de Deus: a misericórdia e a fidelidade (v.2b). Deus revelou sua misericórdia de maneira suprema em Jesus Cristo. Na cruz, vemos a fidelidade de Deus à sua promessa de salvação. Cristo morreu pelos pecadores e ressuscitou para nos conceder perdão e vida eterna. Sendo assim, o salmista louva o SENHOR porque Deus é misericordioso e fiel às suas promessas.
Quando as dificuldades surgirem e nossa fé estiver sendo provada, podemos nos lembrar: Deus continua sendo misericordioso e fiel, e sua Palavra permanece verdadeira. Por isso, adoramos ao SENHOR não apenas pelo que recebemos dele, mas principalmente por quem Ele é e pela salvação que nos concedeu em Cristo.
O salmista apresenta agora uma experiência muito concreta com Deus: “Quando clamou, Deus lhe respondeu e lhe fortaleceu interiormente” (v.3). Ele não fala de um Deus distante ou indiferente, mas de um Deus que ouve a oração de seus filhos e se aproxima deles em suas necessidades. Davi reconhece que Deus lhe concedeu força interior. A resposta de Deus não significa necessariamente que todos os problemas foram imediatamente resolvidos. Precisamos lembrar que a oração não é apenas apresentar pedidos a Deus; é também confiar naquele que nos ouve. Quando clamamos, podemos não receber exatamente a resposta que esperávamos, mas podemos ter a certeza de que Deus continua ouvindo e cuidando de nós. Clame ao SENHOR! Deus ouve a oração dos seus filhos. Ele pode não retirar imediatamente a dificuldade, mas pode fortalecer o coração, renovar a esperança e conceder forças para continuar caminhando.
Davi amplia sua visão. Até aqui, ele falou de sua própria experiência com Deus; agora, olha para “todos os reis da terra”(v.4a) e afirma que eles haverão de louvar o SENHOR quando ouvirem as palavras de sua boca. Mostra que a Palavra de Deus não está limitada a um povo, lugar ou grupo específico. Ela é destinada a todas as pessoas, inclusive aos poderosos deste mundo. Reis, governantes e autoridades, que possuem poder e influência, também estão debaixo da autoridade do SENHOR.
O motivo do louvor é claro: “quando ouvirem as palavras de Deus de sua boca” (v.4b). O conhecimento de Deus começa com a sua Palavra. Não é por meio da força humana, da sabedoria ou das riquezas que conhecemos verdadeiramente o SENHOR, mas porque Ele se revela a nós por meio de sua Palavra.Essa palavra nos lembra a dimensão missionária da fé. O propósito de Deus é que sua Palavra seja anunciada e ouvida por todos os povos. O Evangelho não pertence apenas a alguns; Cristo veio para salvar pecadores de todas as nações.Para a Igreja, fica um importante desafio: não podemos guardar a Palavra de Deus somente para nós. Precisamos anunciá-la, para que outros possam ouvir, crer e louvar o SENHOR.
Davi diz que “Eles cantarão sobre os caminhos do SENHOR” (v.4a). O pronome “eles” se refere aos reis da terra.Os reis cantarão sobre os caminhos do SENHOR.Os caminhos do SENHOR são tudo aquilo que Deus realiza em favor do seu povo. Aqueles que governam a terra também estão debaixo do governo do SENHOR. Isso nos lembra que nenhuma autoridade, nenhum governo e nenhuma força humana está acima de Deus.
No entanto, nem sempre conseguimos compreender os caminhos do SENHOR. O pecado, porém, muitas vezes nos leva a querer seguir os nossos próprios caminhos. Queremos que Deus faça as coisas conforme a nossa vontade e no nosso tempo. Quando isso acontece, deixamos de reconhecer a sabedoria e a soberania do SENHOR. A Palavra de Deus nos chama ao arrependimento e nos lembra que não somos nós que devemos determinar os caminhos de Deus, mas confiar nele.
Entretanto, mesmo quando não entendemos o caminho, podemos confiar naquele que nos conduz. É justamente nesse ponto que o Evangelho nos consola. Deus revelou de maneira perfeita o seu caminho de salvação em Jesus Cristo. O caminho de Deus passa pela cruz. Ali, Cristo carregou os nossos pecados, sofreu o castigo que nós merecíamos e morreu em nosso lugar. Mas a cruz não foi o fim. Cristo ressuscitou e, por meio dele, temos perdão, vida e salvação.
Por que os reis cantarão? Os reis cantarão porque ouvirão a Palavra do SENHOR e reconhecerão os seus caminhos. A Palavra revela a sua grandeza, a sua fidelidade e a sua misericórdia. Por isso, até os reis da terra são chamados a se curvar diante do SENHOR e reconhecer que grande é a sua glória(v.4b). Isto demonstra que o motivo do nosso louvor não está nas circunstâncias da vida, mas na grandeza de Deus. Quando tudo vai bem, Deus é glorioso; quando enfrentamos dificuldades, ele continua sendo glorioso. Quando recebemos respostas às nossas orações, Deus é glorioso; quando precisamos esperar, ele continua sendo fiel.
A maior manifestação da glória de Deus encontramos em Jesus Cristo. Na cruz, Deus revelou a profundidade do seu amor por pecadores. Cristo morreu e ressuscitou para nos conceder perdão, vida e salvação. Portanto, os caminhos do SENHOR são dignos de louvor porque revelam a sua grande glória. Nós não conhecemos tudo o que Deus está fazendo, mas conhecemos aquele em quem confiamos. Em Cristo, temos a certeza de que o caminho de Deus conduz à salvação.Por isso, mesmo em meio às lutas, podemos cantar. Mesmo quando não compreendemos, podemos confiar. E mesmo quando atravessamos vales, podemos proclamar: grande é a glória do SENHOR!
Davi mostra ainda uma característica maravilhosa desse Deus glorioso: “O SENHOR é excelso, mas olha para os humildes”(v.6a).“O SENHOR é excelso” significa que Deus está acima de todos. Nenhum poder, autoridade ou pessoa pode se comparar ao SENHOR. Ele é o Criador e o verdadeiro Rei. Sua grandeza deveria nos levar à reverência e à adoração. Ele é excelso, mas olha para os humildes. A expressão “o Senhor olha para os humildes” revela uma das grandes verdades da graça de Deus. O SENHOR, mesmo sendo tão grande, ele não despreza os pequenos, os fracos e aqueles que reconhecem sua dependência dele.Em contraste, “os soberbos, ele os conhece de longe” (v.6b).. O soberbo é aquele que confia em si mesmo, em sua capacidade e em seus próprios méritos. Deus conhece o coração do ser humano e não aprova aquele que vive dominado pelo orgulho.Portanto,humilde é aquele que reconhece que precisa de Deus. Ele não confia em sua própria força, sabedoria ou justiça, mas coloca sua confiança no SENHOR.
Portanto, não precisamos nos exaltar para sermos vistos por Deus. Precisamos reconhecer nossa dependência dele. E esse Deus excelso, que olha para os humildes, vem ao nosso encontro com sua graça e misericórdia em Cristo.
Depois de afirmar que “o SENHOR olha para os humildes”, o salmista agora mostra como essa verdade se manifesta na vida: Deus sustenta os seus filhos mesmo quando eles passam por tribulações. Davi não diz: “Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos; a tua destra me salva.” (v.7a). Davi reconhece que confiar em Deus não significa estar livre das tribulações. O servo de Deus também passou por dificuldades, perigos, sofrimentos e momentos de angústia. Aqui podemos perceber também nossa fragilidade. Diante das tribulações, muitas vezes, queremos resolver tudo com nossas próprias forças. Ficamos preocupados, ansiosos e tentamos controlar aquilo que está além do nosso alcance. A tribulação revela nossa incapacidade e nos conduz a reconhecer que precisamos do Senhor.
Davi não diz que Deus sempre o livrará de passar pela dificuldade, mas afirma que, em meio à tribulação, o Senhor preserva sua vida: “tu me refazes a vida”. A expressão mostra que Davi está atravessando uma situação difícil. Ele conhece a dor, a oposição e o perigo. Mas ele não enfrenta tudo isso sozinho. Ele sabe que o Senhor está presente.Então vem uma palavra de grande consolo: “tu me refazes a vida”. Deus é aquele que restaura, fortalece e sustenta. Quando nossas forças diminuem, o Senhor nos renova. Quando pensamos que não vamos conseguir continuar, Deus nos dá forças para prosseguir.
Em seguida, o texto mostra outra dimensão do cuidado de Deus: “estendes a mão contra a ira dos meus inimigos” (v.7b). A expressão “estendes a mão” transmite a ideia da ação poderosa de Deus. O SENHOR não é um Deus distante, indiferente ao sofrimento dos seus filhos. Ele acompanha, sustenta e intervém segundo a sua vontade. Davi reconhece que, quando seus próprios recursos são insuficientes, ele pode confiar no poder de Deus. A mão do SENHOR é mais forte do que aquilo que se levanta contra seus filhos.Assim,Davi reconhece que não precisa enfrentar seus inimigos confiando apenas em sua própria força. Ele sabe que existem situações que estão além de sua capacidade de resolver. Seus inimigos podem ser fortes, as circunstâncias podem ser difíceis e o perigo pode parecer grande, mas Davi olha para além das circunstâncias e coloca sua confiança no SENHOR. Deus conhece as ameaças que cercam o seu povo e é poderoso para agir em seu favor.
Diante da poderosa ação de Deus, Davi conclui com uma declaração de fé: “a tua destra me salva”(v.7c). A destra representa o poder, a autoridade e a ação de Deus. Davi não deposita sua confiança em sua própria capacidade, inteligência ou força. Ele olha para o SENHOR e confessa que a salvação vem de Deus.
Portanto, diante das lutas da vida, não precisamos viver dominados pelo medo. Podemos dizer com Davi: “A tua destra me salva.” Nossa segurança não está naquilo que somos capazes de fazer, mas naquele que tem poder para nos sustentar, proteger e conduzir. E essa confiança nos permite atravessar as tribulações com esperança, sabendo que o SENHOR permanece ao lado daqueles que nele confiam.
Davi termina o Salmo afirmando sua plena confiança em Deus. Ele passou pelos temas da gratidão, da glória de Deus, da humildade e da tribulação, e agora termina afirmando sua certeza: “O que a mim me concerne o SENHOR levará a bom termo”(v.8a). Deus não abandonará aquilo que começou na vida salmista.Tudo está nas mãos do SENHOR. O próprio salmista reconhece que seus planos, seu futuro, suas necessidades e até mesmo suas lutas não estão fora do cuidado de Deus. Ele não está dizendo que tudo acontecerá exatamente como ele deseja,mas afirma que tudo acontecerá conforme o plano do SENHOR para a sua vida.
Ele nos ensina a importância de descansar na providência divina. Isto significa que tudo aquilo que diz respeito à nossa vida está debaixo do cuidado, daquele que conhece o nosso passado, acompanha o nosso presente e conhece o nosso futuro.Isso não significa que teremos uma vida sem dificuldades ou que Deus realizará todos os nossos desejos da maneira como esperamos. Significa que Deus permanece fiel e conduz todas as coisas segundo a sua vontade e o seu propósito.
Na verdade, a expressão “o SENHOR levará a bom termo” nos dá a certeza de que Deus não abandona aquilo que começou. Ele não deixa sua obra pela metade. O SENHOR sustenta seus filhos, fortalece os que estão fracos e conduz seus propósitos até o fim. Por isso, quando não enxergamos uma solução, podemos continuar confiando; quando o caminho parece incerto, podemos continuar caminhando pela fé; e quando as forças parecem acabar, podemos lembrar que o Senhor continua cuidando de nós.
Em seguida, Davi apresenta a razão de sua confiança: “a tua misericórdia, ó SENHOR, dura para sempre” (v. 8b). A segurança do salmista não está em sua própria força, fidelidade ou capacidade, mas na misericórdia de Deus. Ele sabe que pode ser fraco, enfrentar dificuldades e não compreender os caminhos do SENHOR, mas uma coisa permanece firme: a misericórdia de Deus nunca muda.A misericórdia do SENHOR não depende das circunstâncias nem dos méritos humanos. Ela permanece “para sempre”, sustentando o seu povo em todos os momentos. Por isso, mesmo quando enfrentamos tribulações, podemos permanecer firmes, pois nossa esperança não está naquilo que sentimos ou conseguimos fazer, mas na fidelidade de Deus. As circunstâncias podem mudar, nossas forças podem diminuir, mas a misericórdia do Senhor permanece para sempre.
Por fim, Davi faz uma oração: “não desampares as obras das tuas mãos” (v. 8b). Ele reconhece que sua vida está nas mãos do Deus que o criou, sustentou e conduziu até aquele momento. Ao chamar a si mesmo de “obra das tuas mãos”,ele reconhece sua total dependência do SENHOR e sua necessidade constante de cuidado, proteção e graça. Essa oração não nasce da desconfiança, mas da fé. Davi conhece a fidelidade de Deus e, por isso, pede que o SENHOR continue cuidando dele e conduzindo sua vida. O Deus que iniciou sua obra permanece presente e fiel, cuidando daqueles que estão em suas mãos.
O salmista ao usar a expressão “não desampares” nos lembra que, em meio às dificuldades, podemos ter a sensação de que estamos sozinhos. Existem momentos em que Deus parece silencioso e em que não conseguimos perceber sua ação. Entretanto, a fé não depende daquilo que nossos olhos conseguem enxergar. Mesmo quando não percebemos a presença de Deus, ele continua sendo fiel à sua promessa e sustentando seus filhos.Ele não abandona aquilo que lhe pertence. Ele nos acompanha nas alegrias e nas dificuldades, nas certezas e nas incertezas, nos momentos de força e também nos momentos de fraqueza.
Estimados irmãos! Também nós passamos por momentos em que não entendemos os caminhos do SENHOR. Há situações que parecem não ter solução, orações que parecem não ser respondidas e promessas que aguardamos com paciência. Nesses momentos, o Salmo 138 nos lembra que Deus não abandona a obra de suas mãos. Podemos não compreender o que Deus está fazendo, mas podemos confiar em quem Deus é.