sexta-feira, 22 de maio de 2026

TEXTO: ATOS 2.14a,22-36

TEMA: A PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS NO DIA DE PENTECOSTES

 É impressionante a atitude de Pedro. Ele falou com imenso ânimo.  Demonstrou grande autoridade em seus ensinamentos às pessoas que estavam em Jerusalém. Naquele momento, expôs às Escrituras e proclamou uma pregação envolvente, destacando a necessidade de explicar o envio do Espírito, aos que simplesmente não entenderam ou zombavam dos que falavam em outras línguas, chamando-os de embriagados.  Em seu sermão, pregou uma mensagem Cristocêntrico. Apresentou Jesus Cristo como Senhor e Messias. Pregou sobre a morte de Cristo, a ressurreição, a ascensão e a sua glorificação. Em sua mensagem,  ele traz o veredito final, a palavra de validação de tal senhorio nas seguintes palavras, “Portanto, que todo o Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo.” Este era o foco de sua mensagem!

Que pregação maravilhosa! Penso que nenhum sermão já pregado, teve um efeito tão grande. Isto se deveu ao derramamento do Espírito Santo. A presença do Espírito Santo capacitou Pedro e  os demais apóstolos a entender e interpretar a verdade. Jesus disse: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (João 16.13). Ele é o verdadeiro guia, mostrando o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes. Ele nos mostra o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Sem um guia assim, seríamos propensos a cair em erro nas nossas mensagens.

Esta foi a grandiosa mensagem de Pedro no Pentecostes.  E diante de uma pregação cada vez mais desvalorizada e relativizada,ela serve de exemplo para muitos pregadores que transformam as suas pregações em mensagens superficiais, permeados de chavões,conduzindo de forma frenética, sem tempo para respirar, com muita gritaria e histeria para todos os lados. Outros criam  uma anomalia na pregação, sustentando uma visão centralizada no homem, não em Deus. Substituem a verdadeira pregação por uma abordagem genérica que, embora chame a atenção do povo em razão da natureza do seu discurso utilitário, não tem o mínimo compromisso com o conteúdo das Escrituras.

No entanto, é preciso lembrar que a eficácia da pregação não está, primordialmente, nas habilidades pessoais do pregador ou dos ouvintes. Mas está na operação do Espírito Santo, tanto na preparação e entrega da mensagem, como na sua recepção.  Somente o Espírito Santo pode conferir eficácia à pregação, assistindo e capacitando o pregador, e iluminando e convencendo os ouvintes do pecado e da graça de Deus em Cristo. Por isso, o pregador deve buscar a presença do Espírito Santo. Pedir que  o Espírito Santo o guie para selecionar os assuntos corretos e os textos e aplicações para seus sermões.

Em meio a perplexidade, alguns pessoas buscavam entender o que estava acontecendo naquele Dia de Pentecoste, Pedro se levanta juntamente com os onze, e tomando a palavra, dirige-se aos judeus e a todos os que se encontravam em Jerusalém: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras.” (v.14). Pedro naquele momento estava cumprindo a sua missão, sobre o que Jesus havia solicitado anteriomente dos discipulos. Ele não perde tempo, e começa a evangelizar, começando em Jerusalém: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1.8). Pedro  é um exemplo. Ele  nos inspira no serviço de evangelização, pois esta deve ser a grande preocupação de todo o cristão. Uma vez que vivemos em uma época, na qual a fiel pregação das Escrituras não encontra mais espaço dentro de algumas igrejas de nossos dias. Há um desvio de objetivos na pregação, uma falta de compromisso com o estudo da Palavra que possa apresentar ao homem de nossos dias um sermão cristocêntrico, que glorifique a Deus, uma pregação que apresente o estado pecaminoso do homem e lhe mostre o caminho da salvação. A verdade é que alguns pregadores não estão mais preocupados em anunciar toda a verdade a respeito de Deus. Não se preocupam mais em pregar o que é certo. Dá nos entender que Jesus está longe em muitas pregações. 

O Jesus que Pedro fala, foi aquele que  realizou grandes milagres, prodígios e sinais. Não era qualquer nome. Era alguém conhecido, e os judeus sabiam quem era Jesus e todos os acontecimento ocorridos na vida Dele. Pedro deixa evidente quando afirma “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis.” (v.22). Mas eles haviam desprezado Jesus. Entregaram Jesus às mãos de iníquos, aqueles que ignoravam a lei de Deus para que fosse crucificado e morto. Mas a morte de Jesus foi de acordo  a vontade de Deus: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos.” (v.23). No entanto, este plano de Deus não isenta de culpa os que mataram o Filho de Deus, nem romanos nem judeus, todos são culpados.

Pedro ainda em sua mensagem afirma que a ressurreição de Jesus também estava nos planos de Deus Na verdade, nada podia impedir que ele ressuscitasse. Pedro afirma: “ao qual, porém, Deus ressuscitou”. (v.24). De fato, a morte deu lugar à vida. Pedro, porém, para sustentar as suas afirmações, ele cita vária profecias que estavam se cumprindo, prevista na Escritura do AT. Primeiro ele cita o Salmo16.8-11, uma passagem que no seu próprio contexto refere-se a Davi e a sua esperança de salvação da morte. Davi estava confiante que Deus lhe mostraria os caminhos da vida e lhe proporcionaria a plenitude da alegria da presença divina mesmo depois da morte. Ele esperava ver a face do Senhor. Expressa a sua confiança de que não ficará na cova. Vivia na esperança de que Deus não abandonaria a sua alma na morte. Portanto, espera que o Senhor o mantenha consigo.

De forma profética, Pedro aplica as palavras do salmista a Cristo. No versículo 27 nos dá a prova da certeza da ressurreição: “Pois tu não deixarás minha alma ir para a sepultura, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. A expressão o “teu Santo”, significa o Messias prometido. O termo é aplicado a qualquer pessoa piedosa ou religiosa, mas aqui é restrita àquela que o salmista tinha em mente, o Messias. Baseado neste salmo, Pedro entende que Deus não permitiu que a morte tomasse conta da “alma” da vida de Jesus. Ela não teve poder sobre a sua alma, não pode colocar sob seu domínio. No entender de Pedro, o Messias seria ressuscitado do túmulo “sem” experimentar à corrupção, ou seja, não voltaria a se transformar em pó no túmulo. Venceria a morte ao ressuscitar.

Com relação a Davi, ele morreu e experimentou a corrupção no túmulo como outros homens. Pedro deixa evidente esta questão: “Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje,”( v.29).Interessante que Davi conhecia detalhes da história de Davi. Sabia que os seus restos mortais ainda estavam naquele túmulo. Conclui-se que esta profecia não se refere a Davi, mas a Jesus, no entender de Pedro. Ele afirma: “Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono.” (v.30). Esta promessa dada sob juramento encontra-se em 2Sm7,13. Pela boca do salmistas Deus reforça esta promessa no Sl 89.4. Deduz-se que o salmista falou profeticamente de um dos seus descendentes, o Cristo que se assentaria no trono de Davi .Portante o descendente aqui é Cristo. É examente este o destaque que Pedro pretende nesta hora mostrar aos seus ouvintes.Ele  “se referiu à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.” (v.31).

Portanto, a ressurreição do Messias, prevista pelo salmista, podia ser agora comprovada pela experiência dos apóstolos. Eles são testemunhas da ressurreição e da ascensão de Jesus. Pedro afirma: “A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.” (v 32). De fato, os discipulos,  tornaram testemunhas da ressureição de Jesus. Não somente da ressurreição, mas também da ascensão.  Pedro em sua pregação afirma  que Cristo não foi apenas ressuscitado dos mortos, mas foi também “exaltado à destra de Deus” (v.33a).Aqui podemos observar que  há  uma relação entre a ressurreição e ascensão de Jesus. Contudo, Pedro em sua pregação pretende deixar abasolutamente claro que esta profecia não pode referir-se a Davi: “  Porque Davi não subiu aos céus.”(v.34).Neste sentido,Pedro citou o Salmo 110.1 para mostrar que a exaltação de Cristo também fora profetizada. O próprio Senhor declara: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,  até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.” (v. 34b,35). Desses versículos podemos concluir que Cristo continua entronizado nos céus e no sentido literal está exercendo o seu reinado messiânico (Ap. 3.21).

Pedro encerra a sua pregação,afirmando: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.”  ( v.36). Estas palavras resume a pregação de Pedro. Ele transmite com convicção aos ouvites que toda  a “casa de Israel” que eles crucificarão a Cristo. Eles eram os representantes, os primeiros que deveriam ouvir a mensagem de Pedro .No entanto, desprezaram Jesus. Por isso, Pedro prega de forma muito dura e abrangente: “vós crucificastes.”  Que vergonha! Os representantes da “casa de Israel crucificaram seu proprio Senhor! Mas Aquele que foi desprezado,foi feito Senhor e Cristo,isto é,Messias,da parte de Deus,o Senhor dos senhores. Portanto, para aqueles que desprezaram Jesus era uma mensagem assustadora.mas para aqueles aceitaram e creram na mensagem da ressurreição,foi algo glorioso.

Esta foi a grandiosa mensagem de Pedro no Pentecostes. A sua  proclamação da Palavra de Deus era inconfundivelmente cristocêntrica. Paulo considera anátema, isto é, maldito, aquele que prega outro evangelho que vá além do puro e autêntico evangelho de Cristo (Gl 1.1-9). Sendo assim, o conteúdo da nossa mensagem tem de ser a Pessoa de Cristo, na sua obra salvífica e redentora, em outras palavras o sermão será cristocêntrico, Cristo é o centro da exposição. Portanto, este deve ser o assunto e conteudo de todas as nossas pregações e testemunhos, até o dia que Jesus retornar. Amém!

TEXTO: SL 8

TEMA: A MAJESTADE DE DEUS E A DIGNIDADE HUMANA

Estimados irmãos em Cristo! É uma grande alegria e um privilégio estarmos reunidos, com nossos corações abertos para ouvir a Palavra de Deus. Hoje, celebramos o Domingo da Santíssima Trindade. Este é um domingo em que a Igreja Cristã reflete sobre a ação do Espírito Santo, ou seja, sobre a relação entre a Igreja Cristã e o Espírito Santo, a santificação, a luta da Igreja contra o mal e os fins dos tempos. O Salmo 8 serve como fundamento para a nossa meditação neste Domingo da Santíssima Trindade. Trata-se de um salmo breve, mas de uma profundidade imensa, que nos convida a contemplar a grandeza do Criador e,ao mesmo tempo, um hino de louvor e admiração pela dignidade que Ele concedeu à humanidade.

Mas o que o salmo nos ensina sobre a criação de Deus? Primeiro, nos revela que uma mera contemplação dos céus (lua, estrelas, etc.) é suficiente para atestar a glória, a sabedoria e o poder infinitos do Criador. Não necessitamos de elaborados argumentos filosóficos para reconhecer a existência e a magnificência do Senhor. A própria natureza clama por Sua majestade.

Segundo, mesmo por meio dos mais simples e humildes (como crianças e bebês), Deus estabelece Sua força, demonstrando que Seu poder não depende da grandiosidade humana, mas é inerente a Ele, manifestando-se de maneiras inesperadas.

Terceiro, nos ensina que a humanidade possui um valor intrínseco, uma dignidade singular que emana diretamente de Deus, e não de suas próprias realizações ou capacidades. Somos criaturas dotadas de um propósito divino, distinguidas e honradas pelo próprio Criador.

Enfim, Deus não apenas nos dignificou, mas nos concedeu domínio sobre "as obras das Suas mãos", colocando "tudo debaixo dos seus pés". Isso inclui os animais (ovelhas, bois, animais do campo, aves do céu, peixes do mar). Ao exercermos essa mordomia com sabedoria e amor, estamos, de certa forma, refletindo a própria glória de Deus que nos foi confiada.

Ao refletir sobre a grandeza do universo, como me sinto em relação à minha própria existência? Como a imensidão do universo (céus, estrelas, lua) o que me leva a glorificar a Deus, hoje? De que forma, em nossa vida, a glória de Deus se manifesta até mesmo através de coisas ou pessoas "pequenas" ou "simples", como as crianças mencionadas no salmo? Em que áreas da minha vida eu preciso melhorar minha mordomia sobre aquilo que me foi confiado (tempo, talentos, recursos materiais)? São perguntas que requerem respostas diante da nossa meditação.

O salmista inicia e conclui este salmo com uma exclamação de admiração e louvor: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” (v.1a). Observem que Davi emprega duas designações distintas para o nome do “Senhor.” O primeiro nome, escrito com letras maiúsculas em Hebraico, refere-se a יְהוָה (Yahweh). Este é o nome verdadeiro de Deus, revelado a Moisés na sarça ardente. Trata-se do nome pessoal e sagrado do Deus da aliança. O segundo nome, por sua vez, denota "senhor", "mestre", "soberano", exercendo como um título. Essa dupla afirmação do salmista é uma confissão de fé coletiva (Senhor nosso). Isto significa que o Deus de Israel, não é nenhum tipo de divindade nacional, como se pode ver nos povos vizinhos do Antigo Oriente.É desta forma que Davi se dirige a Deus neste Salmo, tanto pelo nome quanto pelo título divino. Ele procede dessa maneira, porque o "nome" de Deus aqui simboliza Seu caráter, autoridade e revelação. Ele  transcende a mera palavra. É uma manifestação de Sua natureza, poder e amor. Como  Deus é magnifico! Por isso, devemos agradecer todos os dias o dom da vida e por sermos filhos do altíssimo,

Mas  a majestade de Deus não é vista apenas na terra, mas também no céu. O céu é o lugar por excelência da habitação e da atuação de Deus. É no céu que a glória de Deus se manifesta de forma visível: “Tu puseste a tua glória acima dos céus” (v.1b). Aqui,  termo הוֹד (glória) denota grandeza, esplendor e excelência. Essa afirmação ressalta a  majestade   e o poder de Deus manifestos através da criação. Ela nos revela que uma mera contemplação dos céus (lua, estrelas, etc.) é suficiente para atestar a glória, a sabedoria e o poder infinitos do Criador.

Não necessitamos de elaborados argumentos filosóficos para reconhecer a existência e a magnificência do Senhor. A própria natureza clama por Sua majestade. A Bíblia nos ensina que a natureza é um poderoso testemunho da glória de Deus. O Salmo 19.1 declara: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." Isto demonstra que a glória de Deus, não apenas permeia o universo, mas se estende acima e além de todas as coisas criadas. Portanto, nada se compara  com à Sua glória. Assim, reconhecemos que Ele é digno de toda adoração, pois Sua glória é inatingível e incomparável.

Como podemos observar, Davi contemplou a magnificência de Deus através de Seu poder e glória manifestos na criação, tanto na terra quanto nos céus. Neste contexto, ele reflete que o poder e a glória de Deus também se revelam nas crianças pequenas – nos bebês e lactentes – pois a força divina é claramente evidente nelas: “Da boca de pequeninos e crianças de peito.” (v.2a). Interessante que o salmista fala do poder de Deus a partir de duas figuras contrastantes no Antigo Testamento. primeiro o termo hebraico עוֹלֵל  que evoca a ideia de crianças, menino.

Segundo ele usa o termo יָנַק  que significa lactente, bebê. Estes termos simbolizam a pureza, a simplicidade e a vulnerabilidade dos pequeninos. São aquelas que, sob a perspectiva humana, não possuiriam força ou voz para enfrentar grandes adversários. No entanto, por meio de crianças inofensivas e indefesas, Deus utiliza elementos que, à primeira vista, poderiam parecer frágeis para exibir Sua glória e poder. Vejamos o que diz Paulo em Coríntios 1.27: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.”

As palavras do salmista evidenciam que o louvor puro e despretensioso das crianças é uma força poderosa capaz de silenciar críticos e adversários: “ “suscitaste força, por causa dos teus adversários.”(v.2b). A palavra יָסַד (suscitar) significa fundar, fixar, estabelecer, lançar alicerce (Esdras 3.12; Isaías 54.11). E a expressão עֹז (força) não vem dos próprios pequeninos, mas é originada por uma intervenção divina. É uma força que transcende a capacidade natural. Ela não é física ou intelectual, mas uma manifestação da soberania de Deus que opera através da simplicidade e pureza. Ela pode ser manifestada de várias formas, como o louvor sincero, a fé inabalável ou até mesmo a simples existência que testemunha a grandeza do Criador. Na Septuaginta a palavra é traduzida por “louvor”,  traz um significado profundo sobre o "perfeito louvor" das crianças a Jesus. (Mt 21.16). Era a força que emudecia os líderes religiosos e suas críticas. O louvor desta crianças, reconhecendo Jesus como Messias, era um testemunho irrefutável e um desafio direto à autoridade e incredulidade dos que se opunham a Ele. Mas  era um louvor forçado ou intelectualizado, mas uma admiração espontânea pela criação de Deus e Seu poder.

No entanto, esta  força de Deus , tem como objetivo neutralizar a oposição do adversário, afastando todo o caos gerado por eles : “para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.” (v.2c). Emudecer significa tirar a voz, deslegitimar as palavras e anular o poder de ataque verbal ou de difamação. É como os  argumentos perdessem a força e se tornassem vazios. Emudecer  também pode ir além da fala, significando paralisar a capacidade de agir, do inimigo quando fala, acusa, calunia e zomba. Portanto,  o inimigo e o vingador  buscam prejudicar, retaliar ou destruir.

Mas quem eram esses inimigos vingadores? Eles não são especificados no texto. Mas é natural supor que  a referência seja a alguns dos inimigos do autor do salmo que estava tentando se vingar. Sendo  que  objetivo final era calar, confundir e desarmar os inimigos ou adversários. Desmascarar sua arrogância, frustrar seus planos ou simplesmente mostrar que seus ataques são impotentes diante do poder divino. A verdade é que Deus os impede de executar seus planos maliciosos, frustrando suas intenções, especialmente através de instrumentos que eles consideram fracos, como "pequeninos e crianças de peito" – isso os desorienta e os leva à derrota.

Na sequência o salmista coloca ênfase na obra da criação de Deus. Nesse sentido ele lança mão do antropomorfismo para falar da vastidão do universo como obra dos “dedos de Deus.”  No Antigo Testamento, falar dos dedos de Deus aponta para a intervenção e o agir direto e imediato do SENHOR. Por isso,somos convidados contemplar a grandiosidade da criação, não apenas como um espetáculo visual, mas como a obra primorosa dos "dedos de Deus." Veja o que disse o salmista: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste.” (v.3). Ao meditar sobre estas palavras, ele revela  dois contrastes impressionantes: primeiro, os céus, a lua, as estrelas – tudo isso representa a vastidão, a distância e o poder do universo. É algo que nos faz sentir pequenos e, ao mesmo tempo, maravilhados com a grandiosidade deste universo.

Segundo, a expressão “teus dedos” é uma metáfora poderosa. Ela sugere não apenas o poder de Deus para criar algo tão gigantesco, mas também a delicadeza, a precisão e o cuidado com que o SENHOR o fez. Não é um ato de força bruta, mas de uma arte minuciosa. Imagine a precisão necessária para "estabelecer" cada estrela em seu lugar, para que a lua siga sua órbita perfeita, influenciando as marés e iluminando a noite. Mas o  que esta contemplação nos revela?  Somos lembrados da grandiosidade de Deus e de Sua obra de criação, que revela Seu poder, sabedoria e cuidado. Por isso, precisamos reconhecer a soberania de Deus e sentir admiração e humildade.

O ocorre que o salmista, ao observar a imensidão do universo, se sente pequeno e insignificante. Ele faz um pergunta retórica sobre a identidade do ser humano  e nos  causa admiração: “Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (v.4). A expressão אֱנוֹשׁ (homem) pode carregar a conotação de fraqueza, mortalidade e fragilidade. É o ser humano em sua condição mais vulnerável e finita. Da mesma forma,   בֵּן אָדָם     (filho do homem), reforça a ideia de humanidade, a descendência de Adão, o que nos liga à nossa natureza terrena e passageira. Davi está basicamente dizendo: “Por que Deus deveria notar um pequeno homem no meio de um vasto universo? Por que Deus deveria se lembrar de que estamos aqui ou prestar atenção em nós?”  Obviamente o salmista está se referindo à fragilidade e a transitoriedade dos seres humanos diante da majestade de Deus. A pergunta, portanto, expressa um profundo  o quanto somos tão pequeno comparando com a magnificência e o poder infinitos de Deus. Não somos nada por nós mesmos em comparação com a grandiosidade divina. Mas tudo o que o ser humano é, ele deve ao cuidado amoroso e  misericordioso de Deus. Ele lembra do homem e o visita diariamente.

Entretanto, de maneira surpreendente, Davi afirma, sobre a condição do homem. Fala sobre  o lugar da humanidade na criação:  “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus.” (v.5a). A conjunção adversativa  ( וַ ), traduzida por “no entanto”, demonstra a distância entre a dignidade do homem como criatura e a dignidade conferida por Deus a ele. É a enorme distância entre o que deveríamos ser e o que somos. Literalmente, podemos afirmar: "Fizeste-o, no entanto, um pouco inferior", ou “um pouco menor do que os anjos.”  Algumas traduções sugerem, "pouco menor do que Deus" ( אֱלֹהִים ), usam o termo "Deus" (veja ARA). Independentemente, da tradução exata, a mensagem é clara: Deus conferiu à humanidade uma dignidade extraordinária, uma posição privilegiada na Sua criação. Fomos coroados com glória e honra (v.5b). Isso não é algo que conquistamos. É um presente da graça divina. Sim, o homem é pequeno no universo. Mas ele é significativo,pois foi coroado com a glória e a honra da imagem de Deus

O homem pode ser pequeno, mas Deus se importa com ele!  O SENHOR concedeu a ele a grande a responsabilidade e o privilégio de ser  mordomo sobre a criação. Não para explorar e destruir, mas para cuidar, cultivar e administrar com sabedoria, refletindo o caráter do Criador:   “Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste.” (v.6). Esse "domínio" reflete uma grande responsabilidade do homem. Mas não se trata de ser opressor, mas de mordomia e gestão responsável sobre toda a criação. É uma posição única de governança que  o SENHOR concedeu ao homem. O salmista lista ainda exemplos específicos de criaturas sobre as quais os humanos receberam autoridade de dominar. Ele  começa com os animais domesticados, essenciais para a sobrevivência e o sustento humano: ”todas as ovelhas e bois, e os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo.”(v.7)."  E depois se estende aos animais selvagens: “as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares.” (v.8).

E assim, o salmo termina da forma como começou, repetindo as palavras do verso inicial: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome.”(v.9). Essa repetição enfática sublinha que a glória e a soberania de Deus são universais, inquestionáveis e transcendem toda a compreensão humana. Ele é o Criador, e toda a criação, desde os corpos celestes mais distantes até a voz de uma criança, testemunha Sua grandeza e poder. Outro detalhe importante é que Deus, em Sua infinita graça, não apenas se lembra de nós, mas nos fez "pouco menores que os anjos" e nos coroou "de glória e de honra".

Estimados irmãos! O salmo reitera que, apesar da nossa insignificância aparente no vasto universo, a majestade de Deus permanece  como ponto central,   e é a razão para toda a nossa adoração. Sendo assim, somos chamados a adorar a Deus por Sua majestade, a reconhecer o valor e dignidade inerentes de cada pessoa, exercendo a nossa responsabilidade dada por Deus de cuidar da terra e suas criaturas.

Portanto,vivamos uma vida de uma maneira que reflita a honra e glória com que Deus nos coroou, apontando, em última análise, para o cumprimento desta visão em Jesus Cristo. Amém!

TEXTO: MT 28.16-20

TEMA: COMO FAZER DISCÍPULOS DE CRISTO?

Hoje celebramos o Primeiro Domingo da Santíssima Trindade, ocasião em que a Igreja Cristã é convidada a meditar sobre a ação do Deus Triúno na vida do Seu povo. Por isso, celebrar a Trindade é celebrar o Deus verdadeiro, que eternamente existe como Pai, Filho e Espírito Santo, digno de toda honra, glória e adoração.

O presente texto nos mostra que Jesus desejava que os seus primeiros discípulos continuassem a mesma obra que Ele realizou durante os três anos de seu ministério terreno. Nesse período, Cristo discipulou homens, ensinando-os, corrigindo-os e preparando-os para que, ao final de sua jornada, transmitissem fielmente os seus ensinos e mandamentos a outras pessoas. Assim, o discipulado não deveria terminar nos apóstolos, mas continuar de geração em geração.

Portanto, a ordem de Jesus não era apenas um novo plano de ação, uma sugestão ou uma opção para a Igreja, mas um mandamento claro e permanente: ir e fazer discípulos de todas as nações. Esses discípulos, por sua vez, também fariam outros discípulos, dando continuidade à expansão do Reino de Deus. Dessa maneira, Cristo inicia aqui na terra a sua Igreja, uma Igreja santa, separada e conhecida pelo nome eterno de Igreja de Jesus Cristo.

Jesus procede assim porque possui toda autoridade. Ele é o Senhor soberano que envia os seus discípulos ao mundo. E, para o cumprimento dessa missão tão especial, Cristo concedeu à Igreja duas importantes responsabilidades: batizar e ensinar. O batismo marca a entrada visível na comunidade da fé, enquanto o ensino garante que os discípulos permaneçam firmes na Palavra de Deus, obedecendo a tudo quanto Cristo ordenou.

E nós? Como temos recebido esta missão deixada por Jesus? Precisamos aprender com os primeiros discípulos como fazer discípulos de Cristo, pois ser discípulo envolve entrega, compromisso e um contínuo processo de obediência ao Senhor. O discipulado cristão não se limita ao conhecimento teórico, mas exige uma vida transformada pela Palavra de Deus.

Necessariamente, para fazermos discípulos de Cristo, precisamos ensinar as coisas de Cristo. O próprio Senhor Jesus esclarece que o discipulado acontece por meio do batismo e do ensino perseverante de seus mandamentos. Somente quando a pessoa aprende a guardar e praticar os ensinamentos do Senhor é que ela se torna verdadeiramente uma seguidora de Cristo.

O verdadeiro discípulo aprende os ensinamentos de Jesus, caminha conforme a sua vontade e, a cada dia, procura parecer-se mais com Ele em suas atitudes, palavras e decisões. E esse processo não termina em si mesmo, pois o discípulo também passa a gerar outros discípulos, que por sua vez discipulam outros. Este é o método estabelecido por Cristo para alcançar os perdidos neste mundo.

Essa ordem de Jesus não foi dada apenas aos apóstolos, pastores ou líderes da Igreja, mas a todos os cristãos. Cada servo de Deus foi chamado para testemunhar, ensinar e conduzir vidas ao conhecimento de Cristo. Portanto, a pergunta permanece diante de nós: estamos dispostos a obedecer à voz do Senhor e fazer discípulos de Cristo?

Mesmo tendo sido abandonado pelos discípulos na noite de sua prisão, Jesus não os rejeitou. Pelo contrário, reuniu-os novamente para lhes confiar uma missão especial. Ao aparecer aos discípulos, percebeu que eles ainda viviam entre a fé e a dúvida (v.17). Diante dessa fraqueza, Jesus procura direcionar o olhar deles não para suas limitações, mas para a autoridade do próprio Senhor, declarando: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (v.18).O termo “autoridade” expressa poder, direito, liberdade para agir e realizar decisões. Durante seu ministério, Jesus demonstrou essa autoridade ao ensinar, realizar milagres, perdoar pecados, dominar a natureza e vencer a morte. Suas palavras eram pronunciadas com poder e produziam transformação, vida, acolhimento e conversão naqueles que o ouviam.A autoridade de Cristo não é limitada ou parcial. Ela abrange tanto a terra quanto os céus, alcançando toda a criação e todos os aspectos da vida humana. Assim, ao enviar os discípulos, Jesus mostra que a missão da Igreja não depende da força humana, mas do poder e da autoridade do próprio Senhor soberano.

No entanto, nem todas as pessoas reconheciam e experimentavam a autoridade no tempo de Jesus. Eram os fariseus, escribas, sacerdotes e saduceus e outras pessoas. Essas pessoas não perdiam uma oportunidade para questionar a autoridade de Jesus. Na verdade,  não levavam à sério a declaração de Jesus: “A mim foi dada toda a autoridade”. Há muitas pessoas ao nosso redor com essa mesma atitude. Duvidam, desobedecem e não reconhecem o poder de Deus. Possuem autoridade que  não gera vida, mas opressão, morte, cheia  de demagogia, falsidade, injustiça, bajulação.  Portanto, rejeitar a autoridade de Deus é o mesmo que ir contra o próprio Deus.

Precisamos aprender a nos colocar debaixo da autoridade de Jesus. E isto não tem dúvida. Cristo tem autoridade sobre as angústias e tristezas que nos atingem: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).Cristo tem autoridade sobre a morte: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” (João 11.25-26). Cristo tem autoridade para perdoar pecados: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico):  Levanta- te, toma o teu leito, e vai para tua casa”.(Mateus 9.6).Como é maravilhosos saber que  a autoridade de Jesus é exercida com poder e majestade, grandiosidade e beleza, cheia de bondade e amor em nosso benefício.

Com estas palavras Jesus quer iniciar a sua igreja aqui na terra. Uma igreja que tem nome, um nome santo e eterno: Igreja de Jesus Cristo. Ele procede desta forma,pois tem  autoridade para enviar seus discípulos.Mas antes de serem enviados, Jesus os transformou e os qualificou.Ensinou e fortaleceu  com o Espírito Santo, capacitando-os a permanecer na fé e na obediência da proclamação de sua Palavra.Agora, deveriam estar aptos a transmitir seus ensinamentos e modo de vida para outras pessoas.Continuassem o que Ele tinha praticado na vida deles durante os três anos de seu ministério. “… Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.” (Jo 20.21b).Não era um chamado para um novo plano de ação,  uma condição, uma opção, mas  simplesmente uma ordem bíblica dada por Jesus para ir e fazer discípulos de todas as pessoas,que por sua vez fariam outros, e assim por diante.

Para realizar essa tarefa tão especial, Jesus lhes deu a autoridade de batizar e ensinar: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (v.19). Podemos dizer que o objetivo final de Jesus era formar discípulos que fizessem novos discípulos.

Mas como fazer discípulos de Cristo? Vamos analisar os termos desse versículo para responder a essa pergunta. O verbo grego πορευθέντες (ide) está no particípio aoristo ativo, nominativo plural masculino, do verbo πορεύομαι. Ele significa “ir”, “partir”, “seguir caminho” ou “dirigir-se a um destino específico”. A ideia principal é movimento contínuo em direção a um propósito.Sendo assim, a melhor tradução seria “indo” ou “enquanto vocês estiverem indo”. Isso traz a ideia de que a proclamação do evangelho deve acontecer continuamente no decorrer da vida. O discípulo de Cristo não anuncia a Palavra apenas em momentos específicos, mas vive em constante missão, aproveitando cada oportunidade para testemunhar de Jesus.Portanto, “indo” significa que, onde estivermos — em casa, no trabalho, na igreja, na escola ou na sociedade — devemos levar a mensagem de Cristo às pessoas. Estamos indo, caminhando e anunciando o evangelho continuamente, para que outros também se tornem discípulos de Jesus.

Mas indo para onde? Indo fazer o quê? Jesus explica: “Ide, portanto, fazei discípulos.” A conjunção conclusiva “portanto” (οὖν) introduz a conclusão da ordem “ide”. Isso significa que Jesus direciona Seus discípulos a uma ação específica: “fazei discípulos”. Assim, a autoridade dada a Jesus concede agora a capacitação necessária para que Seus seguidores façam discípulos.

Mas o que significa fazer discípulos? Vamos analisar o verbo grego μαθητεύσατε. Ele está na 2ª pessoa do plural, no aoristo, imperativo ativo, do verbo μαθητεύω, e significa “fazer discípulos” ou “tornar alguém discípulo”. A ideia é conduzir uma pessoa a tornar-se uma aprendiz e verdadeira seguidora de Cristo.A expressão “fazei discípulos”, no grego, aparece em uma única palavra, que poderia ser traduzida como “discipulai” ou “discipulem”. Nesse contexto, significa levar pessoas a se tornarem discípulas de Jesus Cristo, aprendendo Seus ensinamentos, seguindo Sua vontade e vivendo de acordo com Seu evangelho.

Quando isso ocorre, o verdadeiro discípulo torna-se um seguidor de Cristo, aprende Seus ensinamentos, caminha conforme a Sua vontade e, a cada dia, se parece mais com Ele em suas decisões e atitudes, a ponto de gerar outro discípulo, que também gere outros discípulos. Esse é o processo pelo qual Cristo deseja alcançar os perdidos deste mundo.

Mas é importante que o verdadeiro discípulo de Cristo mantenha um relacionamento constante com Jesus e absorva a essência de Seus ensinamentos, colocando-os em prática no dia a dia. Nos ensinamentos de Jesus Cristo, encontramos o plano para nossa felicidade, redenção e salvação — um modelo divino que inclui fé em Cristo, arrependimento, batismo, obediência aos mandamentos de Deus, recebimento do Espírito Santo e perseverança até o fim. Esses são os princípios de salvação ensinados por Jesus Cristo, a base sobre a qual Seu evangelho está edificado.Em outras palavras, não há como fazer discípulos de Jesus se esses ensinamentos não forem uma prática constante na vida cristã.

Portanto, fazer discípulos implica aprender a guardar todos os ensinamentos de Cristo e levá-los “a todas as nações”. O pronome indefinido plural “todas” transmite a ideia de algo sem limitação ou exclusão. Isso significa que a expressão “todas as nações” possui caráter absoluto, abrangente e universal, incluindo todos os povos e todos os seres humanos.Encontramos essa mesma ideia de abrangência e universalidade nos textos paralelos do Novo Testamento. Jesus declarou: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Marcos demonstra que o cumprimento desse mandamento possui alcance mundial, destinando-se a toda criatura espalhada pela terra.

Lucas também registra as palavras de Jesus: “... sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Os discípulos deveriam testemunhar acerca da morte e ressurreição de Cristo e espalhar essa mensagem até os lugares mais distantes do mundo.O próprio Lucas ainda afirma: “... e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46-47). Assim, a missão da Igreja não é limitada a um povo, cultura ou região específica, mas alcança todas as pessoas, em todos os lugares. O evangelho de Cristo é uma mensagem universal de salvação destinada à humanidade inteira.

Fazendo uma comparação, observa-se que todas estas passagens bíblicas, trazem o mesmo sentido sobre abrangência que deve ser universal.Ninguém fica fora do propósito salvador de Deus,independentemente de sua idade, sexo, raça, cor ou condição social.A vontade de Deus é que todos conheçam os seus ensinamentos.No entanto, percebe-se que muito se têm negligenciado o plano traçado por Jesus e ensinado por Ele aos seus discípulos. A verdade é que fazer discípulos numa sociedade contemporânea em que as pessoas não buscam mais a Deus com todo fervor e o que ele tem para nos ensinar,tem sido algo difícil. O mundo capitalista  tem proporcionado um ambiente de ambição às pessoas,onde tudo é relativo e cada um faz o que achar melhor.Infelizmente,estes pensamentos que estão presentes no contexto das igrejas cristãs.Hoje, em muitas igrejas, o que é pregado é um evangelho que resolve os problemas do homem aqui e agora e não se importa com o perdão dos pecados,salvação, eternidade. O que se vê é a dimensão do reino de Deus se desfazendo no coração das pessoas.

a urgência  necessidade de levar “Cristo para todos.” De que forma,podemos levar? Isto é possível através do Batismo e Ensino. A ordem é descrita por dois verbos que mostram o que é necessário para fazer discípulos de Cristo.São duas situações descritas no NT, onde o Batismo e o Ensino são usados,no mesmo contexto,com o fim de se fazerem discípulos de Jesus.Vamos primeiro refletir sobre o Batismo,conforme a ordem de Jesus: “batizando-os em nome do Pai Filho e do Espírito Santo.”(v.19b). O verbo βαπτίζω  está na 3ª pessoa do plural pretérito imperfeito do indicativo  passivo,que significa mergulhar,afundar submergir,lavar, tornar limpo com água.O pronome pessoal caso oblíquo átono αὐτός, que representa o objeto direto nesta expressão, ele completa o sentido do verbo: “batizando-os”. São pronomes que indicam pessoas. Nesse caso, refere “todas as nações”. É importante também destacar a preposição εἰς que significa “para dentro de”, “em direção a”.Isto significa que somos colocados numa relação com Deus através do batismo.

Mas o que é o batismo? Conforme o Catecismo Menor: “O batismo não é apenas água simples, mas é a água compreendida no mandamento divino e ligada à Palavra de Deus.” Ele foi instituído pelo próprio Deus e deve ser realizado “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Essa é a fórmula batismal estabelecida por Jesus e confiada aos discípulos para que a praticassem.Sendo assim, Jesus deixa claro que todas as nações devem ser batizadas em nome da Trindade. Mas o que é a Trindade? A Trindade é uma doutrina fundamental da fé cristã. O Pai é Deus; o Filho é Deus; e o Espírito Santo é Deus. Todavia, não existem três deuses, mas um só Deus em três Pessoas distintas.A conjunção coordenativa aditiva καί (“e”) é importante nesse texto, pois liga as expressões “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”, estabelecendo relação e unidade entre eles. Assim, Jesus apresenta as três Pessoas divinas compartilhando o mesmo nome e a mesma essência divina.

A doutrina da Trindade ultrapasse a plena compreensão da razão humana, ela pode ser claramente percebida por meio da revelação das Escrituras. Não compreendemos totalmente o mistério divino, mas cremos porque Deus assim Se revelou em Sua Palavra.No Antigo Testamento, já encontramos prenúncios da Trindade. No primeiro capítulo de Gênesis, no relato da criação, vemos Deus criando todas as coisas por meio da Palavra e do Espírito (Gn 1.3). Em Gênesis 1.26, encontramos a expressão no plural: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Esse versículo revela, de maneira significativa, a pluralidade existente na natureza divina.Outros textos também apontam nessa direção, como: Números 6.24-26; 2 Samuel 23.2; Salmo 33.6; Salmo 45.6-7; Isaías 42.1; Isaías 48.16-17; e Isaías 61.1. Todos esses textos servem como evidências bíblicas que revelam, progressivamente, a doutrina da Trindade nas Escrituras Sagradas.

No Novo Testamento, o exemplo mais claro encontra-se no batismo de Jesus, quando as três pessoas distintas foram reveladas por ocasião do batismo de Cristo: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3.16 e 17). Também durante seu ministério, Jesus falou do Pai, orou ao Pai, deixou claro que não eram a mesma pessoa, mas ao mesmo tempo afirmou que eram Um. (Mateus 5.16; 7.21; 11.25; 16.27; João 10.17-38), e também deu testemunho direto sobre o ofício do Espírito Santo (João 15 e 16). Outros exemplos: Mt 17.5; Jo 14.6; Jo 17.5,24; Rm 8.26,27; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.2.

Desde muito cedo a Igreja precisou formular uma doutrina a cerca desse assunto, especialmente para se proteger de falsos ensinos que já desde a época apostólica procuravam se introduzir na comunidade cristã, os quais eram influenciados pelo gnosticismo, pelo platonismo e pelo próprio judaísmo. Não foi fácil para  a Igreja chegar ao dogma, a expressão de fé, na Trindade. Foram séculos de discussão. A declaração trinitária ocorreu no Concílio de Niceia, em 325 E.C., e foi reafirmada no Concílio de Constantinopla, em junho de 380, pelos bispos. O resultado dessa fórmula de fé está nos Credos de Niceia e Constantinopla. Para que isso acontecesse, muitas heresias, controvérsias trinitárias, foram rechaçadas pela Igreja, ainda por séculos adiante.

A doutrina da Trindade é essencial para a vida cristã. Ela não é apenas um tema teológico, mas uma verdade presente em toda a vivência da fé. Nossa comunhão com Deus acontece por meio da ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os cristãos oram ao Pai, em nome do Filho e com o auxílio do Espírito Santo, que fortalece e sustenta a vida espiritual.A salvação também é obra do Deus Triúno. O Pai planejou a redenção, o Filho morreu e ressuscitou para salvar os pecadores, e o Espírito Santo , por sua vez, atua no coração humano. É Ele quem convence o pecador do pecado, conduz ao arrependimento e  também fortalece o cristão, Sem a ação do Espírito, o ser humano permaneceria espiritualmente morto e incapaz de compreender as coisas de Deus.Além disso, o amor do Pai nos alcança diariamente, a graça do Filho nos concede perdão e vida eterna, e a comunhão do Espírito Santo fortalece a Igreja e conduz os cristãos em santidade. Assim, a doutrina da Trindade nos leva à adoração, à reverência e à confiança no único Deus verdadeiro: Pai, Filho e Espírito Santo.

Outro requisito para fazer discípulos de todas as nações é o ensinar a guardar todas as coisas que eu vos tenho ordenado.” (v.20a).O verbo oδιδάσκοντες ( ensinar) está no presente particípio ativo, nominativo plural, masculino - διδάσκω.Significa ensinar, instruir,passar informação,conhecimento. Desta palavra surge o termo didáscalos, que quer dizer "professor", "mestre" ou "aquele que transmite um conhecimento.” Ao receberem a missão especial de fazer discípulos,deveriam ensinar os convertidos aguardarem todas as coisas que Jesus havia ordenado.O convertido é chamado a uma vida de obediência ao Senhor.Isto deixa claro que é um assunto importante e necessário, e que se deve guardar com cuidado os ensinamentos de Jesus,conforme aprendemos através de sua Palavra.Há uma vida inteira de ensino para compreender os mandamentos de Jesus.

É importante analisar também o verbo ἐντέλλομαι. Ele  é usado para denotar ordem que vem de alguém que está em uma posição superior,normalmente dado por um governante. No NT é usado no sentido de comandar algo.´Neste caso,Jesus esta ordenando,orientando,decidindo, em razão de  sua autoridade, o que os discípulos  deveriam fazer: ensinar os outros a guardar as coisas que aprenderam. Como se ensina alguém a guardar alguma coisa? Praticando, vivendo – é assim que se aprende algo para toda a vida. Só ouvindo ou participando de reuniões não se pratica, não se aprende. Portanto, estudar, entender.guardar e obedecer todo o propósito de Deus  é a tarefa ao longo da vida de todo verdadeiro discípulo.

Não há dúvida de que, em algum momento dessa árdua e sublime missão de ser e fazer discípulos, haverá fracassos, deslizes e até mesmo desânimo neste mundo em que vivemos. Enfrentamos obstáculos e adversidades praticamente todos os dias de nossa vida. Contudo, Jesus jamais enganou Seus discípulos quanto às dificuldades da caminhada cristã.Ele afirmou que seriam presos injustamente, acusados falsamente, considerados a escória do mundo, perseguidos por causa da justiça e até mortos por causa do Seu nome. A missão de fazer discípulos não seria fácil. Os primeiros discípulos experimentaram sofrimento, oposição e perseguição constante ao anunciarem o evangelho de Cristo.

Mesmo diante dessas dificuldades, Jesus os encorajou a permanecer firmes no cumprimento da missão. Há uma palavra de consolo e esperança que fortaleceu os discípulos e continua fortalecendo a Igreja até hoje. Cristo prometeu Sua presença constante ao dizer: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (v.20b).Quando Jesus afirma que estará conosco “todos os dias”, isso significa literalmente que não importa quais sejam os dias que enfrentemos — bons ou maus, alegres ou tristes, fáceis ou difíceis — Ele permanecerá ao lado do Seu povo. Sua presença não depende das circunstâncias, pois Cristo continua sendo o Senhor que sustenta, protege e fortalece os Seus discípulos.A expressão “até à consumação do século” aponta para toda esta era presente, até o retorno glorioso de Cristo. Enquanto a Igreja estiver neste mundo, jamais estará sozinha. O Senhor continua presente entre nós, guiando Seu povo, sustentando os cansados e fortalecendo aqueles que anunciam o evangelho.

Por isso, mesmo em meio às lutas, podemos caminhar confiantes, pois temos a certeza da presença do nosso Salvador. Como declarou o salmista: “Tu estás comigo” (Sl 23.4). Cristo permanece conosco e continua nos enviando ao mundo para chamar outras pessoas à comunhão com Ele e à vida eterna.

Estimados irmãos! A tarefa confiada aos discípulos foi a grande missão estabelecida por Jesus para o período entre Sua ascensão e Sua segunda vinda. Essa também é a nossa missão neste mundo: dar continuidade à obra iniciada pelos discípulos, anunciando o evangelho e conduzindo pessoas a Cristo.

Portanto, sejamos fiéis ao chamado do Senhor, fazendo discípulos, “batizando-os” e “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Que a Igreja permaneça firme na proclamação da Palavra, confiando sempre na presença e no poder de Cristo, que prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos.Amém.

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

 TEXTO: ATOS 2.1-21

TEMA: O ESPÍRITO SANTO  NOS CAPACITA  PARA A MISSÃO DE EVANGELIZAÇÃO NO MUNDO.

No próximo fim de semana, a Igreja Cristã festeja o Dia de Pentecostes. É o dia da descida do Espirito Santo, sobre os primeiros discípulos em Jerusalém. Dia em que Jesus enviou o Espírito Santo, conforme prometeu a seus discípulos. (Jo 14.16).  Esta promessa se cumpriu no dia de Pentecostes. Lemos em Atos: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam reunidos. E apareceram línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. (At 2.1-3).

A sua promessa continua presente em nossas vidas, nos guiando, iluminando nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacitando para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento. Estes são os assuntos que queremos refletir sobre o Espirito Santo, nesta mensagem. Que Deus nos abençoe!

Havia muitos peregrinos na cidade, vindos de diversos lugares para comemorar Pentecostes. Os discípulos estavam reunidos. Até aquele momento, podemos imaginá-los orando, aguardando a promessa da vinda do Espírito Santo, pois confiavam nas promessas de Jesus. Ele prometeu aos seus discípulos a ajuda que precisavam para viver vidas transformadas, pois sabia que os discípulos ainda não estavam capacitados espiritualmente para a missão designada por Ele, e, por isso, o Espírito Santo viria para equipá-los e fortalecê-los para serem verdadeiras testemunhas sobre os ensinamentos de Jesus. Ele disse: “O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar-se de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26). E ainda: “E eu rogarei ao Pai, ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”. (Jo 14.16). É importante lembrar que antes de sua subida aos céus, Jesus pediu aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, até que a promessa de derramamento do Espírito Santo se cumprisse: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Somaria e até os confins da terra”.  (Atos 1.4,8).

É justamente naquele momento, quando se comemorava o Pentecostes, que o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos e diversas pessoas que acolheram a mensagem de Cristo, e se tornaram seus seguidores, as palavras de Jesus foram cumpridas. O tempo estava se cumprindo. Deus escolheu esse período para cumprir sua promessa de derramar o Espírito Santo. A promessa do AT estava cumprindo. O profeta Joel já havia afirmado que um dia Deus derramaria o seu Espírito sobre toda a carne (Joel 2.28-32). E assim, aconteceu: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas.” (vs 1-4).

Os fatos que ocorreram naquele dia marcaram definitivamente o início da História da Igreja Cristã. Eclodiu no coração daquelas pessoas o desejo de espalhar o Evangelho de Jesus Cristo por todos os lugares. Pedro que havia negado Jesus anteriormente por três vezes consecutivas, que antes se acovardou e fugiu amedrontado, agora, cheio do Espirito Santo se levantou com os onze discípulos e, em alta voz, dirigiu-se à multidão através de sua pregação. Não permitiu que o seu fracasso no passado atrapalhasse o seu futuro. Ele superou as dificuldades, ele superou a frustração, o fracasso, e venceu. Teve uma postura, totalmente diferente, ousada, convicta e firme na sua fé, mesmo diante do perigo iminente de açoite, prisão, apedrejamento e morte.

Em meio a perplexidade, alguns buscavam entender o que estava acontecendo naquele momento, Pedro se levanta juntamente com os onze, e tomando a palavra, dirige-se aos judeus e a todos os que se encontravam em Jerusalém. Proclama uma pregação envolvente, destacando a necessidade de explicar os fenômenos à luz das Escrituras Sagradas. Nela, Pedro liga os eventos desse dia com a morte e ressurreição de Jesus e termina com um convite ao arrependimento: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia”. (vs 14 e15).

Naquele momento, Pedro dirigiu a sua saudação aos “varões judeus”. Ele revela autoridade ao proferir as suas palavras. Não é um homem inculto e iletrado, mas é um embaixador de Cristo, um arauto de Deus. Por isso, querendo ou não os judeus deveriam ouvir as suas palavras. Com apenas uma frase, Pedro aniquila a zombaria dos adversários: “Estes homens não estão embriagados”.  Pedro explica: era cedo para beber, conforme o costume judeu. Por isso, não tinha sentido afirmação dos seus adversários. Explicou, ainda, o que eles estavam vendo, nada mais era do que o cumprimento de uma das promessas do profeta Joel, quando disse que “nos últimos dias” Deus ia derramar do seu Espírito. (Joel 2.28, 32). Pedro tomou as palavras do profeta e as aplica ao grandioso evento que estava ocorrendo. Ele resume em quatro partes a sua mensagem.

Em primeiro, lugar, o derramamento do Espírito de Deus tem alcance universal: “derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”. A palavra "derramar" indica abundância e "toda a carne" significa universalidade. Não se limitava somente aos judeus. Mas todo aquele que crer em Cristo será habitado pelo Espírito Santo, independente da raça, condição social, sexo e idade. Em segundo lugar, o dom da proclamação do Evangelho se estenderá a todos: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão”. (vv.17,18). Nos últimos dias, segundo a profecia, o testemunhar, o falar, o proclamar da Boa Nova de Deus seriam tarefas de todos.

Em terceiro lugar, a iluminação do Espírito Santo não se limita a qualquer idade: “vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos”. Trata-se da iluminação do Espírito Santo, através do qual ele dá aos jovens uma notável visão das necessidades e possibilidades no trabalho da igreja de Cristo no mundo. Os velhos também não devem desprezar esse desafio e tantas possibilidades de trabalho na igreja. Quando o Espírito Santo nos enche, Ele enche de sabedoria, paz, alegria, amor, projetos e sonhos a serem realizados na igreja. Tanta as visões dos jovens quanto os sonhos dos velhos são necessários na preparação da igreja, diante da mensagem profética.

Em quarto lugar, o fim da era messiânica será acompanhado por sinais extraordinários em todo o universo: “Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.” (vv.19,20). Há, contudo, uma mudança: o Dia do Senhor se refere, agora, à Segunda Vinda de Jesus, Na verdade, não é mais o SENHOR que garantirá a salvação, mas Jesus, que, agora, é o Senhor em cujo nome as pessoas devem clamar para serem salvas, pois Jesus é ambos, Salvador e Juiz. É o que se concretizará na mensagem de Pedro, extraído do profeta Joel: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. (v.21). A salvação em Cristo, recebida pela fé, agora, é estendida a todos os povos, de todos os lugares, de todos os tempos. Nos dias de Joel, como nos dias de Pedro, de Paulo e também nos nossos dias, invocar o nome do Senhor é o único caminho para a salvação.

A presença do Espírito Santo capacitou os apóstolos a entender, interpretar os ensinamentos de Jesus. Agora, ungidos pelo Espírito Santo reconheceram serem arautos autorizados e, repetidas vezes, informaram disso aos seus ouvintes. Eles entenderam que a eficiência da pregação só era possível com a capacitação do Espírito Santo. Sendo assim, inspirado pelo Espírito Santo, Pedro, conclamou a multidão a aceitar a salvação que Deus oferecia. E muitos que ali estavam ficaram comovidos com a mensagem, e perguntaram o que deviam fazer, Pedro aconselhou as pessoas a arrependerem-se dos seus pecados e serem batizadas. Como resultado desta mensagem comovente, três mil pessoas foram batizadas.

A promessa de Jesus não terminava em Jerusalem. Antes de subir aos céus Cristo deixou a grande comissão aos seus discípulos: (Mt 28.19-20). “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. A grande missão de evangelizar o mundo só poderia ser assumida com o poder do Espírito Santo. Ela nunca será possível sem a ação do Espírito Santo. Na caminhada que os discípulos tiveram que trilhar, encontram muitos desafios. Os desafios eram tão grandes que não podiam ser encarados com suas próprias forças. Era preciso do auxílio do Espírito Santo.

A promessa de Jesus continua presente em nossas vidas. O Espirito Santo nos guia, ilumina nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacita para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento.

Estimados irmãos! Nenhum desafio que a vida nos apresenta supera a força do Espírito Santo. Com a Sua presença, somos fortes, capazes de enfrentar a vida, vencer batalhas. Não estamos sós. Ele está ao nosso lado. Ele nos faz novas criaturas, e vida nova cresce em nós por meio de sua ação. Sentimo-nos amados e protegidos pela presença do Espirito Santo. Então, podemos experimentar o que vivenciou o apóstolo Paulo: “Quando sou fraco, aí é que sou forte!”. É a ação revigorante e restauradora do Espírito!

Portanto, sigamos com coragem nosso caminho, sendo verdadeiro discípulo, mensageiro na missão de evangelizar o mundo. Agradecemos, ó Senhor, por enviares o Espírito Santo para guiar os teus discípulos e também a nós. Vem Espírito consolador, convencer o mundo e especialmente a nós do pecado, da justiça e do juízo, e conduze-nos ao verdadeiro caminho. Amém.

 

TEXTO: SL 25

TEMA: COLOQUEMOS A NOSSA CONFIANÇA NO SENHOR!

O Salmo 25 é atribuído a Davi. É um dos nove Salmos acrósticos, hinos que utilizam as letras do alfabeto (22 na língua hebraica) na sequência para iniciar cada verso, linha ou estrofe. O contexto deste salmo nos mostra que Davi vivia momentos de tristezas, preocupações,  angústias,aflições,bem como se sentia  cercado  de perigos  e ameaça. Sendo assim, ele precisa encontrar o caminho certo que o leve com segurança ao seu destino. A quem ele pode pedir ajuda? Em quem ele pode confiar? Consciente da própria fragilidade, ele clama ao Senhor, ao Deus de Israel, que nunca abandonou seu povo, pelo contrário, o guiou na longa jornada através do deserto até a terra prometida. Esta lembrança renasce no salmista a esperança do socorro. Confia plenamente na suas promessas e no seu grande amor.

Quando falamos de confiança, precisamos nos questionar: Onde estamos colocando nossa confiança? Nas ideologias? Nas riquezas? Nas nossas forças? Na verdade, o que se observa neste mundo moderno é que a maioria das pessoas tem depositado a sua confiança em qualquer outra coisa, menos em Deus.  Davi poderia ter depositado toda a sua confiança nestas coisas, mas, escolheu confiar somente no Senhor. E você, tem confiado somente em Deus? Tem dado exemplo de fé e confiança em Deus? Lembrando que a nossa confiança não está em qualquer coisa ou em qualquer pessoa, mas sim em Deus. Deus é a nossa fortaleza. Somente Ele, com sua infinita sabedoria e misericórdia, poderá nos garantir a paz, mesmo em meio às provações e correria da vida moderna. Somente Ele poderá iluminar as trevas de nossos pecados e apontar saídas para todos os desafios.  Quando tivermos aprendido a confiar em Deus, não mais teremos medo das coisas que enfrentamos neste mundo.

Davi inicia a sua oração invocando a presença do Senhor. Durante toda a sua vida, quando se via em meio às dificuldades, adversidades e desafios,ele orava a Deus.Em sua oração,pede ao Senhor que elevasse a sua alma à sua presença, porque o seu coração estava abatido: “A ti, Senhor, elevo a minha alma.” (v.1). A expressão “elevo” significa levantar, aceitar, exultar. Elevar a alma ao Senhor é a maneira de andarmos ao seu lado, procurando descobrir e fazer a sua vontade em nossas vidas. Elevar a alma é agir corretamente, caminhando com segurança por estarmos na presença de Deus. E aquele que eleva a sua alma ao Senhor jamais ficará decepcionado, nunca será envergonhado.

Davi , diante da situação que estava vivendo,resolve colocar sua esperança em algo bem maior do que ajuda dos homens.Ele colocou sua confiança em Deus: “Deus meu, em ti confio.”(v.2a). Quantas vezes deixamos de confiar em Deus,pois tentamos resolver os nosso problemas baseados nas nossas forças.Quantos vezes  desejamos viver a vida, ao enfrentar situações, caminhar pela estrada da nossa existência, como se pudéssemos dar conta, por nós mesmos, dos nossos problemas.Então,descobrimos que este não é o melhor caminho que conduz à presença de Deus.O melhor  é confiar em Deus,como fez Davi. Uma das necessidades de Davi era de não ser envergonhado diante de seus inimigos: “não seja eu envergonhado, nem exultem sobre mim os meus inimigos.”(v.2b). Essa deve ser uma experiência terrível, ser apanhado em um ato errado, pecaminoso e ser exposto publicamente entre às pessoas.

Davi não queria passar por este tipo de situação,  de ser envergonhado. É, por isso, pode dizer no versículo 3: “Com efeito, dos que em ti esperam, ninguém será envergonhado; envergonhados serão os que, sem causa, procedem traiçoeiramente”. Ele afirma desta forma, porque não confiava nas suas próprias forças, no seu poder político, nas suas riquezas, mas  depositava a sua confiança no Deus misericordioso, amoroso, bondoso, verdadeiro, criador de todas as coisa. A confiança de Davi em Deus era plena, pois tinha absoluta convicção, fé, de que somente o Senhor podia livrá-lo das armadilhas, perdição, emboscadas, da morte, do pecado, das trevas.Por isso,  preferiu manter seus olhos elevados na expectativa de que receberia,ajuda do Senhor através de sua oração.

Em meio às dificuldades, adversidades e desafios, o salmista  suplica ao Senhor: “Faze-me, Senhor, conhecer os teus caminhos.”(v4a). Na verdade, há uma imensa vontade do salmista de andar nos caminhos humildes de Deus, de amor e fidelidade diante das suas aflições. Mas, afinal, que caminho Davi queria conhecer. É evidente que os termos “caminhos” e “veredas” não se referem à questão geográfica, mas se referem aos ensinos e orientações de Deus que Davi almejava seguir e andar em conformidade com a verdade. Ele age desta forma, porque sabia que vivendo no pecado, era impossível seguir este caminho. O fato é que  Davi percorrendo uma sucessão de maus caminhos equivocados, sem rumo e sem destino, não podia estar em comunhão com o Senhor. E por falta de vigilância, caiu em adultério e cometeu homicídio, desagradando gravemente ao Senhor. Mas ele entendeu ainda que era precisa encontrar o caminho certo, que o levasse com segurança ao seu destino: a presença do Senhor. Não queria apenas conhecer os caminhos ,mas pediu ao Senhor que o “ensinasse sobre as suas veredas.”(v4b), que andasse num caminho reto,aprumado,que não permitisse andar em caminhos que o levasse  à ruína, mas ao ensina da Lei.

Precisamos também pedir ao Senhor que nos ensine a conhecer os seus caminhos! Os caminhos que nos conduz à sua presença, pois vivemos num mundo emaranhado de caminhos bons e ruins. E, muitas vezes, trilhamos caminhos equivocados, que no começo parece ser o rumo certo, conduzindo para a vitória. No entanto, ficamos desapontados quando damos conta de que aquele caminho, atraente e promissor, tornou-se perigoso, confuso, prejudicial. Estes não são os caminhos que conduz à presença do Senhor. Mas para conhecer estes caminhos é preciso mudanças na nossa vida, pois o nosso coração precisa de limpeza. Precisa ser trocado, pois ele é egoísta, mundano, influenciado pelo pecado, e  não pode ouvir a voz de Deus, seguir suas orientações e o caminho que Ele nos propõe a seguir. Quer andar nos caminhos do Senhor? Quer deixar de viver uma vida injusta? Quer andar nos caminhos de integridade, de obediência? Quer fazer a vontade de Deus?  Só existe um caminho: siga ao Senhor!

O salmista ainda esclarece que para andar nos caminhos do Senhor, requer um espírito submisso aos seus ensinamentos (Lei),como indicam os verbos no imperativos do versículo 5: “Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem espero todo o dia." Davi tinha a necessidade de conhecer a verdade de Deus. Essa verdade revela o Deus que ajuda, socorre, aqueles que nele esperam (v.3), entre os quais está o salmista. A sua esperança é persistente, constante e incansável, durante o “dia todo” , esperando o socorro do Senhor. A linguagem é a de um coração profundamente impressionado com a sensação da misericordia e da bondade de Deus. : “Lembra-te, Senhor , das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade.”(v.6). O verbo lembrar significa recordar , trazer a mente, fazer um memorial. Davi lembra de dois atributos divinos que fazem parte da aliança de Deus com o seu povo, as suas misericórdias e o seu amor verdadeiro. São palavras que expressam a atitude de forte compaixão e do amor de Deus,e que se concretiza no perdão e na salvação de seu povo. Davi neste momento,ao orar ao suplicar esses atributos ao Senhor,Ele está consciente de que não pode existir nenhum andar nos caminhos do Senhor, sem a bondosa, ajuda dele e sem sua graça e misericórdia.

Acima de tudo, o “lembrar” do salmista inclui o perdão dos seus pecados: “não se lembre dos meus pecados da  mocidade, nem das minhas transgressões. (v.7a). O  salmista suplica ao Senhor que não se lembre de seus pecados do passado. Não se lembre dos pecados da sua mocidade, nem das transgressões. Sendo assim, ele ora a Deus para que todas as ofensas desse período de sua vida, possam ser perdoadas e esquecidas. Portanto, ao examinar sua própria vida, o autor do salmo viu que as misericórdias de Deus eram incessantes e constantes para com ele desde os primeiros anos.Não somente ao salmista, mas a todo o povo, proporcionado muitas dádivas . No seu entender, esses atos de misericórdia e bondade nunca falharam. Deus é sempre bom. amoroso,misericordioso.

Quanta vezes também suplicamos como o salmista:”Lembra-te, Senhor , das tuas misericórdias e das tuas bondades...não se lembre dos meus pecados da  mocidade, nem das minhas transgressões.” Suplicando ao Senhor que vem nos socorrer quando enfrentamos a angustia e dor, quando as tentações nos assaltam ou quando sofrimentos nos sobrevêm por causa de enfermidades e preocupações pela subsistência da vida em tempos difíceis e pelo perdão dos nossos pecados,pois o pecado destroe o nosso relacionamento com Deus. Lembra-te! É uma  ação que tem como pressuposto o passado. Não há como lembrar-se sem olhar para trás e ver a ações de Deus em nossa vida.É isso o que devemos fazer também todos os dias. Precisamos nos achegar a Deus, nos humilharmos para alcançarmos o perdão de nossos pecados pois, enquanto não fizermos isso, não poderemos ter nenhuma paz, nenhum alívio para a nossa alma.

O salmista clama pelo perdão divino e reconhece que o Senhor é um guia fiel e gracioso Ele apresenta dois adjetivos do caráter sublime do Senhor.“Bom e reto é o Senhor.”(v.8a). Ambos os adjetivos aparecem unidos, indicando a bondade e retidão que Deus revela em sua Lei e espera que os homens as pratiquem como aquilo que é “bom” e “reto” aos olhos do Senhor. É o próprio Senhor  quem estabelece do que é reto e justo para o seu povo e a humanidade. Por isso, sempre que pecamos, devemos nos achegar a Deus com um coração contrito, arrependido, humilhado, e desejoso do perdão. Ele nos ouve e nos perdoa, pois é compassivo e misericordioso para conosco. Ele nunca nos esquece.  

E uma das formas de Deus nos mostrar a sua bondade é pelo fato Dele  “apontar o caminho aos pecadores” (v.8b),e nos guia na justiça neste caminho, pois o Senhor é o próprio caminho. (v. 9).Ele também nos orienta  pelas “veredas do Senhor que são misericórdia e verdade.” (v.10a). Nessas veredas, Deus demonstra seu caráter de “misericórdia e verdade” , dois termos que aparecerem juntos, que indicam o amor misericordioso e compromisso fiel de Deus para com os seus, expressos em salvação  e cuidado protetor. Isto é para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.” (v.10b).De fato, quando pertencemos ao Senhor, o nosso objetivo é guardar a sua aliança,pois as veredas do Senhor são caracterizados por sua aliança de amor e sua fidelidade para com aqueles que guardam. Ao fazermos isso, o Senhor nos guia com segurança através do mundo de perigos em direção ao seu objetivo final.

O que se observa é que o salmista adquire uma nova confiança ao refletir sobre o nome do Senhor. Ele demonstra  uma expressão de confiança: “Por causa do teu nome, Senhor , perdoa a minha iniquidade, que é grande.”(v.11).Sem condições em si de alcançar o perdão divino, o salmista clama para que o Senhor lhe conceda  a graça com base em seu próprio nome. O “nome”  aponta para a existência, caráter e reputação do Senhor,bem como a revelação  de sua glória na Criação e Redenção (Sl 8.1; 124.8; Êx 19.5-6). Foi com base em seu nome que o Senhor salvou e confirmou sua aliança com Israel (Êx 3.14ss; 6.2-8). Trouxe de volta o seu povo quando se desviou da sua verdade. É por causa da sua bondade que o salmista almeja do Senhor o perdão de seus pecados. Por maior que seja seu pecado, o perdão de Deus, “por causa de (seu) nome”, é maior. O nome do Senhor abrange mais do que apenas sua bondade. Representa tudo o que Ele é. Por isso, Davi se dirige ao Senhor desta forma, porque ele sabe que a sua sua iniquidade “ é grande”. Isso significa que ninguém além de Deus pode tirá-lo. E assim é, pois a iniquidade pode ser grande, o perdão de Deus é maior (Sl 103.3; Sl 103.10-12).

Depois de entender a grandeza de seus pecados e da necessidade de perdão, o salmista  agora menciona com que tipo de homem Deus tratará:  “Ao homem que teme ao Senhor,   ele o instruirá no caminho que deve escolher”(v.12). Mas quem é o homem que teme ao Senhor?  É aquele que atende aos seus requisitos, isto é, reconhece que o Senhor é santo, todo-poderoso, reto, puro, onisciente, sábio. Ao olhar a Deus à luz disto, vemo-nos como somos: pecadores, débeis, frágeis e necessitados. Quando reconhecemos quem é Deus e quem somos, caímos humilhados a seus pés. Ele ensinará, irá nos guiar e instruir-nos no caminho que devemos seguir ou, em outras palavras, da maneira certa. Como é maravilhoso saber que o Senhor sempre nos orienta pelo Espírito de sabedoria a escolhermos o caminho certo. Mas esta instrução só pode ser desfrutada pelo “homem que teme ao Senhor”.

Portanto, o salmista apresenta quatro benefícios específicos  que são prometidos ao homem que teme ao Senhor. Primeiro, ele será ensinado no caminho que deve escolher. Será guiado pelo Senhor em suas escolhas. Em segundo lugar, na prosperidade repousará a sua alma (v.13a). O termo alma é usado  simplesmente para designar um indivíduo, ser, vida, pessoa. Para “homem que teme ao Senhor,” o resultado será uma vida interior repleto de paz. Em terceiro lugar, sua descendência herdará a terra. (v.13b). “Herdar a terra” basicamente significa receber a herança prometida por Deus. Os filhos que seguirem seus passos “herdarão a terra”. Eles terão seu lar na terra sob o governo do Messias.

Esse homem abençoado desfrutará do benefício da instrução espiritual: “Intimidade do Senhor é para os que o temem,   aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (v.14). O termo hebraico סֹוד traduzido por intimidade,significa literalmente “conselho confidencial.” Sugere um comunicação íntima  e duradoura com o Senhor. E Ele também  os fará conhecer o real significado de “Sua aliança”. Eles saberão que em Cristo, o Senhor cumpriu todas as condições da aliança e que, com base nisso, desfrutarão de todas as bênçãos. (Jr 31:31-34). As bênçãos da aliança que serão sua porção, podem ser resumidas em ter uma comunhão confidencial com o Senhor, na qual Ele revela seus pensamentos.

Como consequência dessas bênçãos, o salmista mantém seus olhos fixos no Senhor: “Os meus olhos se elevam continuamente ao Senhor , pois ele me tirará os pés do laço.” (v.15) .Quando o salmista afirma que seus olhos estavam fixos em Deus, estava declarando que apesar das aflições, dos problemas que estava vivendo; da perplexidade,  dúvida, dificuldade, perigo em vista da morte e do mundo futuro, ele olhou para Deus como seu guia ,e depositou a sua esperança em Deus. E movido pela certeza da libertação que virá do Senhor,ele afirma: “Ele me tirará os pés do laço”.Para onde estamos olhando? Há pessoas que olham constantemente para trás, para justificar suas queixas, para murmurar dos tropeços, para lamentar as derrotas;outras desistem facilmente, não lutam e nem se esforçam, não perseveram quando sofrem o primeiro revés,esquecem de olhar para o alto   e pedir socorro ao Senhor.Deus nunca deixará aqueles que tem seus olhos voltados para o céu sem receber socorro.

Davi encerra a série de orações com uma súplica a Deus por livramento da sua angústia. Em várias ocasiões, Davi se sentiu sozinho diante das suas aflições e, assim, longe de Deus. Sendo assim,ele suplica ao Senhor.Ele apresenta suas aflições a Deus e pede que o alivie: “Volta-te para mim e tem compaixão, porque estou sozinho e aflito.”(v.16). Da nos entender que a face de Deus,voltou-se para outra direção.Então, o salmista  suplica que o Senhor esteja  atento a ele,que se volte e o contemple,demonstrando a sua compaixão.Qual era o motivo? Estava sozinho e aflito. O termo יָחִיד significa estar sozinho,solitário. Então, aquele está sozinho é um abandonado,miserável. Não há tristeza mais profunda que venha à mente do que a ideia de que estamos sozinhos no mundo,e  que não temos um amigo; que ninguém se importa conosco; que ninguém está preocupado com nada que possa nos acontecer; que ninguém se importaria se morrêssemos; que ninguém derramaria uma lágrima por nós. E o termo עָנִי significa pobre, aflito, humilde, miserável. Ocorre que David,vivia. muitas vezes,nesta situação. Situação que lembra os seus pecados  de sua infância, os desígnios e propósitos de seus inimigos.

No entanto, o salmista olha para Deus, em oração, com a esperança de não se achar desprovido de tal apoio diante de seus sofrimentos.Ele suplica: “Alivia-me as tribulações do coração;tira-me das minhas angustias.”(v.17). Note como o salmista tinha consciência das aflições que estava enfrentado. Sabendo desta situação, ele recorre a Deus. Em outra ocasião, ele também suplicou. Ele demonstrou a sua confiaça no Senhor: “Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me ouve” (Sl 120.1). Ele confiou no Senhor, pois já o havia restaurado antes, e  ,certamente, poderia fazer o mesmo naquela situação que estava passando. Enquanto estivermos neste mundo a nossa vida é uma eterna luta diante das tribulações e as dificuldades pelas quais passamos. Quanto de nós não viveu aquelas horas em que olhamos ao redor e nos sentimos tão angustiados que não conseguimos pensar em nenhuma solução para o problema que estamos passando. Parece que a tribulação nos cerca de todos os lados.  Porém, em meio aos problemas aparentemente avassaladores, Deus prometeu nos livrar. Ele sempre está com aquele que tem o coração atribulado.

Davi busca a presença do Senhor e o alívio das suas tribulações, ainda admitindo que seu sofrimento estava vinculado ao seu pecado: “Considera as minhas aflições e o meu sofrimento e perdoa todos os meus pecado.”(v.18). O verbo רָאָה  significa ver, examinar, inspecionar, perceber, considerar. O segundo verbo  נָשָׂא significa levantar, erguer, carregar, tomar. Isto significa que o salmista suplica para que o Senhor olhe com compaixão para a sua aflição e sofrimento. Mas ao dizer “carrega meus pecados”, a ideia do salmista é ser perdoado dos seus pecados e ser liberto de seu domínio. Seus pecados realmente o preocupavam. Davi foi perdoado imediatamente após ter reconhecido sua culpa quando cometeu adultério: “Então Davi disse a Natã: "Pequei contra o Senhor”! E Natã respondeu: "O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá.” (2 Sm 12.13).  

 O salmista se apega à sua íntegra retidão e confiança no Senhor, a fim de pedir a Deus que o salve de seus inimigos, bem como resgate Israel de suas aflições. Este é o  último clamor de Davi nesse salmo. Ele pede por socorro.  Entretanto, seu desejo é que os olhos de Deus repousem, dessa vez, sobre seus inimigos e sobre o mal que lhe têm feito. Ele afirma:  “Considera os meus inimigo,pois são muitos e me abominam com ódio cruel.” (v.19). Eis o motivo da aflição de Davi: inimigos que, sem limites, o perseguem e querem sua destruição. A vida de Davi foi marcado por muitos inimigos. Saul e todos os seus homens perseguiram Davi. Golias e uma multidão de filisteus eram seus inimigos. Os zifeus, uma tribo da mesma região que Davi, o traíram (1 Samuel 23.19). Assim havia mais adversários do que companheiros na vida de Davi. Até seu próprio filho querido, organizou uma rebelião enorme contra ele.Por isso, havia motivo para dizer: Senhor,  considera os meus inimigos, pois são muitos e me abominam com ódio cruel. A Bíblia mostra que os nossos inimigos são muitos. Eles são vigorosos e poderosos. Eles fingem ser amigos em nossa presença, mas falam mal por trás das nossas costas. Eles gritam e oprimem. São conspiradores e destruidores.

Assim, depois de o salmista abrir seu coração a Deus dizendo-lhe o que o aflige,  roga para que o Senhor o guarde:  “ Guarda-me a alma e livra-me.”(v.20a). A expressão “alma”, nesse texto, tem a intenção de apontar para  o salmista. Ele não quer apenas proteção espiritual, mas livramento das mãos dos que o odeiam. Para tanto,a sua reação  foi procurar refúgio no Senhor:: “não seja eu envergonhado,pois em ti me refugio.”(v.20b). O termo  בּוּשׁ no hebraico significa envergonhar, ser envergonhado, ficar embaraçado, ficar desapontado.Diante de tamanho perigo, Davi suplica para que o Senhor o guarde, livre e salve da vergonha por causa da sua confiança em Deus. A verdade é que aqueles que confiam em Deus nunca terão vergonha. 

Ainda que o cenário seja de adversidade, Davi encontra em Deus seu mais alto refúgio, e essa certeza resulta em alegria. Sua segurança será a sua sinceridade (integridade) e a retidão (v.21), e sua certeza estará em esperar no Senhor. O termo תֹּם no hebraico  significa a condição de ser sem defeito, perfeição, sinceridade, solidez, retidão, inteireza. E o termo יָשָׁר significa retidão, integro, honesto. Dois termos importantes que o salmista necessitava em sua vida, e ele pede ao Senhor que as preservasse. Na Biblia, temos o exemplo de Jó. Ele foi  elogiado por ser um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desvia do mal.(Jó 1.1).Viver com integridade em um mundo onde os corruptos parecem favorecidos, é um desafio.

Finalizando, o salmista expande a sua oração à nação  que também necessita da graça de Deus: “Ó Deus, redime a Israel de todas as suas tribulações." (v.22). Ele reivindica para Israel aquilo que pediu para si mesmo, e transforma uma petição pessoal em hino para a congregação inteira. Ocorre que o salmista  vê o clamor do povo para que o Senhor redima Israel de suas tribulações como um desejo semelhante ao do profeta Jeremias diante da agonia do cerco babilônico e do Exílio ( Jr 31.11).

Estimados irmãos! Davi nos deu um grande exemplo de confiaça em Deus. Ele não confiou em qualquer coisa ou em qualquer pessoa, mas, escolheu confiar somente no Senhor. Ele venceu sua angústia e viu mais uma vez Deus se manifestar em sua vida. E você, tem confiado somente em Deus? Lembrem-se: quando colocamos a nossa confiança no Senhor, nada pode abalar a nossa estrutura, pois a confiança no Senhor produz uma firmeza inigualável. É certo que lutas veem e virão. Muitas aflições, muitas provas, muitas dúvidas e sofrimentos. Mas, por fim, a promessa é que sempre haverá firmeza, até a eternidade. Portanto, não hesite em suplicar ao Senhor diante das suas aflições, pois aqueles que confiam e que esperam no Senhor renovarão as suas forças e encontrarão soluções para vencer. Amém