TEXTO: EX 19.2-8
TEMA: DEUS FAZ ALIANÇA COM SEU POVO
O capítulo 19 de Êxodo marca um momento decisivo na história do povo de Israel. Após serem libertados da escravidão no Egito, os israelitas chegam ao Monte Sinai. Nesse lugar, Deus estabelece uma aliança com eles e revela sua identidade e missão como povo escolhido, chamado para viver em comunhão com Ele e testemunhar sua vontade ao mundo.
Alianças, pactos, acordos ou contratos estão presentes nos âmbitos militar, comercial, político e religioso. Eles fazem parte da convivência humana em todas as épocas e nas mais diversas sociedades.O casamento é um exemplo de aliança, pois utiliza-se uma aliança (anel) para simbolizar a união, o compromisso de fidelidade e o amor mútuo entre um casal. Assim, o anel serve como uma lembrança visível do pacto estabelecido entre marido e esposa. Ambos assumem responsabilidades e compromissos. Embora sejam pessoas distintas, cada parte tem deveres, obrigações e atitudes a observar e cumprir.Enfim, uma aliança é a união entre duas ou mais partes em torno de um objetivo comum. Ela pode ser estabelecida entre pessoas, empresas, associações, partidos, nações ou quaisquer outras entidades que desejem firmar compromissos mútuos para alcançar determinados propósitos.
Quando olhamos para as Escrituras, podemos perceber que Deus firmou diversas alianças com o seu povo. Muito antes de a nação de Israel existir, Deus estabeleceu uma aliança eterna com Abraão. Por meio dessa aliança, Deus formaria uma grande nação e, através desse povo especial, abençoaria o mundo inteiro. Deus cumpriu fielmente a promessa feita a Abraão e aos seus descendentes.
Mais tarde, depois que Moisés tirou o povo de Israel do Egito, eles atravessaram o deserto e chegaram ao Sinai. Ali, Deus fez uma aliança com Moisés e com todo o povo de Israel. Enquanto o povo permanecia acampado, Moisés subiu ao Monte Sinai para encontrar-se com Deus e receber suas instruções. O SENHOR lhes deu leis e mandamentos para guiá-los em uma vida de santidade e para que não voltassem à escravidão do pecado, esperando deles fidelidade e obediência.
Essa aliança foi marcada de maneira especial. Deus desejou que o pacto fosse confirmado com a participação consciente do povo. Por isso, quando ouviram as palavras do Senhor, os israelitas responderam: “Tudo o que o Senhor falou faremos”. Assim, comprometeram-se a viver de acordo com a vontade de Deus.
A aliança do Sinai foi posteriormente renovada e ampliada por meio de Jesus Cristo. Seu sangue sacrificial selou a nova aliança entre Deus e seu povo, incluindo agora todas as nações, conforme a promessa feita a Abraão. Jesus cumpriu perfeitamente a aliança em nosso lugar por meio de sua obediência. Ele veio ao mundo para renovar o coração dos pecadores, oferecendo vida, perdão e salvação.
Nós, cristãos, participamos dessa nova aliança estabelecida por Deus. Pela fé em Jesus Cristo, fé que o próprio Espírito Santo opera em nossos corações, tornamo-nos parte do povo de Deus. Sem dúvida, a mais importante de todas as alianças foi selada com o sangue de Cristo na cruz.
Mas será que nós, cristãos, estamos vivendo como participantes dessa nova aliança? Fazer parte do povo de Deus significa viver em arrependimento e fé, buscando diariamente a vontade do SENHOR. Somos chamados a abandonar aquilo que nos afasta de Deus e a viver em obediência à sua Palavra, demonstrando fidelidade, amor e gratidão por tudo o que Cristo realizou por nós.
Estimados irmãos! O povo já havia percorrido uma longa jornada desde a libertação do Egito. Durante esses meses, Deus demonstrou seu poder e cuidado de diversas maneiras: abriu o Mar Vermelho, guiou o povo por meio da coluna de nuvem e de fogo, providenciou água e alimento no deserto e os protegeu dos seus inimigos.Agora, no terceiro mês após a saída do Egito, Israel chega ao Monte Sinai, um lugar especial na história da salvação. Foi nesse monte que Deus havia aparecido a Moisés na sarça ardente e prometido que, após a libertação, o povo o adoraria naquele lugar (Êxodo 3.12). Assim, a chegada ao Sinai representa o cumprimento da promessa de Deus.
Após Israel acampar diante do Monte Sinai, Moisés sobe ao monte para encontrar-se com Deus. Enquanto os israelitas permanecem no acampamento, Moisés é chamado à presença do SENHOR para receber a mensagem divina. O texto afirma: “Subiu Moisés a Deus, e do monte o SENHOR o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel” (v. 3).Esse versículo destaca que foi Deus quem tomou a iniciativa. O SENHOR chama Moisés e lhe entrega uma mensagem para ser transmitida ao povo. Isso revela o desejo de Deus de relacionar-se com seu povo e comunicar-lhe a sua vontade.
Ao utilizar as expressões “casa de Jacó” e “filhos de Israel”, Deus relembra a identidade e a história daquele povo. Eles eram os descendentes dos patriarcas, especialmente de Jacó, a quem Deus havia dado o nome de Israel. Dessa forma, o SENHOR demonstra sua fidelidade às promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. Além disso, o chamado de Moisés evidencia o papel do mediador entre Deus e o povo. Moisés recebe a Palavra de Deus e a transmite aos israelitas. Da mesma forma, Deus continua falando ao seu povo por meio de sua Palavra. Hoje, a mensagem divina é anunciada na Igreja por meio das Escrituras Sagradas e da pregação do Evangelho.
Assim como Israel foi chamado a ouvir atentamente a mensagem transmitida por Moisés, os cristãos também são chamados a ouvir a voz de Deus revelada nas Sagradas Escrituras. Nelas encontramos a vontade do SENHOR, suas promessas de graça e a salvação que nos foi concedida por meio de Jesus Cristo.
Nesse encontro com Moisés, Deus ordena que ele fale aos filhos de Israel sobre sua poderosa ação no Egito e sobre as bênçãos derramadas sobre o povo. O Senhor deseja que os israelitas se recordem de tudo o que Ele fez para libertá-los da escravidão. Isso demonstra que a salvação de Israel não foi resultado de sua própria força, mas da ação graciosa e poderosa de Deus.O SENHOR declara: “Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos cheguei a mim” (v. 4). Com essas palavras, Deus relembra os acontecimentos extraordinários do êxodo, especialmente a travessia do Mar Vermelho, um livramento que somente Ele poderia realizar.
A figura da águia é uma metáfora expressiva do cuidado divino. Assim como a águia protege seus filhotes e os conduz em segurança, Deus guardou seu povo dos perigos e o conduziu para longe da escravidão. A imagem transmite proteção, força, cuidado e a rapidez com que o SENHOR agiu em favor de Israel.Ao dizer: “vos cheguei a mim”, Deus revela o propósito de sua libertação. Ele não apenas desejava tirar o povo do Egito, mas trazê-lo para perto de si, estabelecendo um relacionamento de amor, comunhão e aliança. O SENHOR queria que Israel fosse o seu povo e que vivesse sob seu cuidado e direção.Por isso, Deus libertou os israelitas da escravidão egípcia e chamou Moisés para liderá-los na longa jornada rumo à Terra Prometida, Canaã. Desde o início, o objetivo do SENHOR era formar um povo que lhe pertencesse. Como Ele mesmo afirmou: “Tomar-vos-ei por meu povo, e serei o vosso Deus” (Êx 6.7).
Essa passagem também aponta para a obra salvadora de Cristo. Dessa forma, como Deus libertou Israel da escravidão do Egito e o trouxe para perto de si, Ele nos liberta da escravidão do pecado por meio de Jesus Cristo. Pela fé, somos conduzidos à comunhão com Deus e recebidos como seu povo amado, vivendo sob sua graça e proteção.
O povo deveria se conscientizar sobre estas bênçãos recebidas.E reconhecer que tinham diante de si um grande desafio: “ouvir a voz do Senhor e guardar a Sua aliança.” (v.5a). Esta recomendação torna-se importante, porque todas, as vezes que, que o povo deixou de escutar ao SENHOR e guardar a Sua aliança,teve muitas consequências desastrosas. Esta é a realidade que vivenciamos. Enquanto algumas mostram disposição para ouvir atentamente e ser obedientes às palavras de Deus, outras parecem fechar os ouvidos, não querendo escutar, tampouco obedecer. Ouvem conversas fiadas, fofocas, calúnias, acusações,menos o ouvir da voz do SENHOR e o guardar a Sua aliança.De fato,precisamos aprender a escutar, acima de tudo, saber escutar a Deus. Por isso, que a ordem é sempre essa: “ouvir minha voz do SENHOR.”
É importante observar a conjunção “se”, em seu uso condicional,nesse versículo. Esta conjunção fornece uma característica única dentro das alianças: um caráter condicional. Um pacto condicional ou bilateral é um acordo que obriga ambas as partes ao seu cumprimento quando concordam em cumprir certas condições.Por esse motivo, diferente de todas as outras alianças, os benefícios divinos estavam atrelados a certas condições a serem cumpridas por Israel.Se o povo obedecesse, seria abençoado, mas se “quebrasse” a aliança, seriam castigados. Cada geração tinha o dever de renovar a aliança com Deus e guardar Suas leis. O SENHOR deixou evidente estas palavras em Dt. 28.1-2: “E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus.”
Portanto, se o povo guardasse (fidelidade), a aliança, o SENHOR ofereceria os benefícios: “Então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa” (vv.5b e 6a).Neste versículo, o SENHOR apresenta dois benefícios: primeiro,o povo seria transformado em “propriedade peculiar”. A expressão em hebraica sugere algo muito precioso. Isto significa que o povo para o SENHOR era precioso ou especial de “dentre todos os povos”. O fato é que os israelitas teriam um relacionamento especial com Deus e ocupariam um lugar ímpar dentro do seu plano. Desempenhariam uma função mediatória entre Deus e as outras nações, seja por meio do testemunho que deveriam dar, sobre a obra maravilhosa que Deus haveria de realizar ao enviar o Seu Filho. São ideias escatológicas, que demonstram a ideia de Deus já naquela época de que todos tivéssemos acesso direto a Deus através de Jesus Cristo.
Deus nos escolheu para sermos uma propriedade particular: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.”(João 15.16 ).Alguma vez você já pensou no grande privilégio que é ser chamado de “propriedade peculiar de Deus”?Imagine ser a “propriedade peculiar” (ou tesouro especial) de Deus. Como você acha que Deus vai te tratar? Se nós seres humanos tratarmos nossos bens valiosos com tanto cuidado e dedicação, agora, imaginem o cuidado que Deus tem para conosco,Seu tesouro especial!No entanto, tornar-se a propriedade peculiar de Deus requer obediência,deveres e responsabilidades a Ele.
Segundo,o povo seria uma “nação santa”.Deus constituiu uma aliança, porque através dela queria transformar um povo numa “nação santa.A palavra hebraica traduzida como “santa” é “kadosh”, Ela não significa apenas “algo sagrado”, mas também tem a ideia de “separado”. Este conceito não era simplesmente de se manter distância dos outros povos, pois o plano divino envolvia o fato de que as nações seriam abençoadas e alcançadas através do povo de Israel (Gn 18.18). O povo seria um instrumento, um canal de Deus para o serviço e para a glória de Deus.
No Novo Testamento, encontramos a mesma ideia. Em 1 Pedro 2.9, lemos: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”Ao falar de uma “nação santa”, Pedro não se refere a uma entidade política ou a um país específico, mas à Igreja de Cristo, formada por homens e mulheres que foram chamados por Deus, vivem pela fé em Jesus Cristo e procuram andar em santidade diante d’Ele. São pessoas que reconhecem Jesus como seu Salvador e Rei e pertencem exclusivamente ao Senhor.
A aliança que Deus estabelece conosco tem como propósito fazer de nós o seu povo. Fomos separados para Deus, reconciliados com Ele por meio de Cristo e chamados a viver em sua presença. Como povo da aliança, somos chamados a cumprir a vontade de Deus, manifestar sua glória e refletir seu caráter neste mundo.Por essa razão, fomos libertados do domínio do pecado e transportados para o reino da luz. A vida cristã implica uma nova maneira de pensar, agir e viver. Como ensina a Escritura, não há comunhão entre a luz e as trevas. Isso não significa que os cristãos devam se isolar das demais pessoas, mas que seus valores, sua fé e sua conduta são moldados pela Palavra de Deus.
Portanto, aqueles que pertencem a Cristo vivem neste mundo como testemunhas do Evangelho. Eles procuram amar o próximo, servir a Deus e proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Essa é a identidade e a missão do povo da nova aliança: viver para a glória de Deus e anunciar a salvação em Jesus Cristo.
Após estas palavras, Moisés chamou os anciãos do povo e informou a eles todas as palavras que Deus lhe comunicou ( v.7). A mensagem foi transmitida a todo o povo por meio de seus anciãos. Essa não era uma decisão que Moisés podia tomar sozinho, pois sozinho não poderia cumprir a aliança. Era preciso participação voluntária do povo de Israel e do seu comprometimento oficial.Consequentemente, o povo respondeu às ordenanças do Senhor se comprometendo a fazer tudo o que o Senhor tinha lhes falado: “ Tudo o que o Senhor falou faremos. E Moisés relatou ao Senhor as palavras do povo” (v.8).Com essa resposta, o povo aceitou a aliança. Não era uma parte, mas todas as pessoas que prometeram isso, e a resposta foi sem reservas, declarando que fariam o que Deus exigisse.Agora,os filhos de Israel querem ser fiéis ao SENHOR. Que momento maravilhoso na vida de Seu povo.
Deus desenvolveu um projeto de uma nova Aliança entre Deus e o seu povo. A aliança do Sinai é assim reconstituída, renovada e estendida por meio do sangue de Jesus, cujo sangue sacrificial sela o vínculo entre Deus e seu povo da aliança, agora incluindo as nações (conforme prometido a Abraão).Jesus cumpre o pacto em nosso favor por sua própria obediência na terra.Ele veio ao mundo para renovar os corações dos homens, oferecendo-nos vida, perdão e salvação. E nós, cristãos, efetivamente, participamos desta nova aliança firmada por Deus. Através da fé no Salvador, que o Pai coloca em nossos corações, passamos a fazer parte do seu povo. Sem sombra de dúvidas, a aliança mais relevante de Deus com seu povo foi selada com o sangue de Cristo.
E nós? Temos conseguido ser fiéis à aliança do SENHOR? Temos feito todas as coisas conforme a Sua vontade? A verdade é que depois de cada promessa que fazemos, desobedecemos,pecamos contra a aliança do SENHOR. Mas Deus vem ao nosso encontro e continua renovando a Sua aliança. E esta renovação diária se dá através do arrependimento: reconhecimento dos pecados, fé em Jesus Cristo e o sincero desejo de ser fiel com a força oferecida pelo Espírito Santo.No poder do Espírito Santo, renovemos cada dia nossa aliança com o Deus, reconhecendo nossa desobediência, firmando nossa fé em Jesus Cristo. Na fidelidade do Pai encontraremos forças para permanecermos em aliança com ele até chegarmos na presença visível d’Ele no céu
Portanto,que o SENHOR nos fortaleça para vivermos como seu povo escolhido, confiando sempre na obra salvadora de Jesus Cristo e servindo com alegria ao nosso Deus.Amém!