TEXTO: FP 4.4-13
TEMA: ALEGRAI-VOS SEMPRE NO SENHOR! (Como?)
A carta aos Filipenses foi escrita por Paulo em circunstâncias difíceis. Mesmo enfrentando sofrimento e estando preso, o apóstolo insiste na alegria que o cristão encontra no Senhor. Isso mostra que a verdadeira alegria não depende das circunstâncias, das riquezas, da saúde ou da ausência de problemas. Ela está fundamentada em Cristo.
Você é uma
pessoa alegre? É possível ser alegre em meio a tantos sofrimentos? Você tem se
alegrado no Senhor em todo tempo?
Confesso que não é fácil estar alegre diante dos tempos tão sombrios que
estamos vivendo. O cenário que se apresenta não é propício para alegria. São
tantos sentimentos e problemas, como solidão, ansiedade, tristeza, doença,
dificuldades em família e desemprego, que nos causam frustração, medo e
insegurança. Diante desta situação nos sentimos impotentes para encontrar uma
solução eficaz, pois tudo parece dar errado. Somos sufocados pelos
acontecimentos e das circunstâncias que vivemos.
Em Filipenses 4.4-13, Paulo apresenta um convite
que parece simples, mas que possui grande profundidade: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo:
alegrai-vos” . O mais impressionante é que essas palavras foram
escritas por alguém que enfrentava sofrimento e estava preso. Portanto, a
alegria mencionada por Paulo não depende de circunstâncias favoráveis, mas da
relação do cristão com o Senhor.
A pergunta que o texto nos apresenta é: Como podemos nos alegrar sempre no Senhor, mesmo
quando enfrentamos dificuldades, preocupações e necessidades?
Filipenses 4.4-13 apresenta respostas muito práticas para essa pergunta.
Diante do que foi exposto, vamos
refletir sobre o tema baseado em três tópicos:
Primeiro,
confiando nele em oração (vv. 4-7). Paulo nos ensina que podemos confiar no Senhor
em todas as situações, levando a ele nossas preocupações por meio da oração. A
vida cristã não está livre de dificuldades, problemas e momentos de ansiedade,
mas não precisamos enfrentar essas situações sozinhos. Deus nos convida a
apresentar diante dele nossas petições, súplicas e agradecimentos. Quando
oramos, reconhecemos que dependemos do Senhor e colocamos nossas necessidades
em suas mãos. A oração não é apenas um pedido para que Deus mude as circunstâncias,
mas também uma expressão de confiança naquele que permanece conosco. Por isso,
podemos nos alegrar sempre no Senhor, confiando nele em oração e descansando em
seu cuidado.
Segundo,
cultivando pensamentos que edificam (vv.8-9). Paulo mostra que a vida cristã também envolve
cuidar daquilo que ocupa a nossa mente. No versículo 8, ele apresenta uma lista
de virtudes: aquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa
fama, virtuoso e digno de louvor. O apóstolo não está ensinando simplesmente a
pensar de maneira positiva, mas a direcionar os pensamentos para aquilo que
está de acordo com a vontade de Deus. Aquilo que alimentamos em nossa mente
influencia nossas palavras, atitudes e decisões. Por isso, o cristão é chamado
a rejeitar aquilo que conduz ao pecado e a cultivar pensamentos que fortalecem
a fé e edificam a vida. Quando a Palavra de Deus orienta nossa mente e nossa
vida, temos a promessa: “e o Deus da paz será convosco”. Assim, alegramo-nos no
Senhor quando permitimos que sua Palavra molde nossos pensamentos e transforme
nossas atitudes.
Terceiro,
aprendendo a viver contentes em todas as circunstâncias
(vv.10-13). Paulo
apresenta uma importante lição sobre contentamento cristão. Ele afirma que
aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Isso significa que sua
alegria não dependia das circunstâncias que estava enfrentando. Paulo havia
experimentado momentos de abundância e de necessidade, conhecendo tanto a
fartura como a fome. Mesmo assim, permaneceu firme porque sua confiança estava
em Cristo. O contentamento não significa acomodação ou falta de vontade de
melhorar a vida, mas reconhecer que Deus continua sendo suficiente em qualquer
situação. Paulo havia aprendido a confiar no cuidado de Deus. Por isso, ele declara: “Tudo posso
naquele que me fortalece” (v. 13 Assim, nossa alegria não depende daquilo que
temos ou deixamos de ter, mas de Cristo, que nos sustenta em todas as
circunstâncias. Alegremo-nos, portanto, no Senhor, aprendendo a viver com
contentamento e confiança naquele que nos fortalece.
I
Paulo inicia esta parte da carta
com uma afirmação que chama nossa atenção: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra
vez digo: alegrai-vos” (v.4). Ele tinha muitos motivos para se alegrar quando
escreveu esta carta à igreja em Filipos, apesar das perseguições e da
enfermidade que estava enfrentando. A pergunta que podemos fazer é: Como é
possível alegrar-se sempre, mesmo quando enfrentamos dificuldades, preocupações
e necessidades? Confesso que não é fácil estar alegre diante dos tempos tão
sombrios que estamos vivendo. O cenário que se apresenta não é propício para
alegria. São tantos sentimentos e problemas, como solidão, ansiedade, tristeza,
doença, dificuldades em família e desemprego, que nos causam frustração, medo e
insegurança. Diante desta situação nos sentimos impotentes para encontrar uma
solução eficaz, pois tudo parece dar errado. Sentimos que somos sufocados pelos
acontecimentos e das circunstâncias que vivemos.
No entanto, em meio às
dificuldades, sofrimentos, situações difíceis, os cristãos devem regozijar-se,
sabendo que a alegria é um sentimento que motiva a nossa vivência. Ela
resplandece em cada rosto. Sempre existem coisas boas que nos leva a uma
alegria real, sincera e sadia, por mais sombrios que se apresentem os dias, por
mais pesado que seja a cruz, que temos que carregar. Quando olhamos na
perspectiva da Palavra de Deus, percebemos que alegria é algo diferente. Ela
vem de Deus e, por isso, é completamente diferente a do mundo. A alegria que o
mundo nos oferece é ilusória e passageira. Mas a alegria que encontramos em
Deus é aquela que nos é ensinada pelo apóstolo Paulo, quando também diz aos
filipenses: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação.”
(v.11). Ele afirma: “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que
me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho.” (Fp
1.12).
Como é bom ser alegre no Senhor!
Esta alegria que invade a nossa vida e que resplandece em nosso rosto, é o
resultado dos momentos maravilhosos que o Senhor nos proporciona no dia a dia.
Estes efeitos são imensos. Deus nos guia nos protege e nos ama. Sendo assim,
temos muitos motivos para nos alegrar. O Senhor está conosco todos os dias (Mt
28.20). Isso é mais do que consolo, é a razão da nossa alegria. O Senhor fez grande coisas por nós (Sl
126.3). Ele é a nossa força (Ne 8.10) É o Deus “da minha salvação” (Hc 3.18).
Lembre-se: quando a alegria
deixar de existir em sua vida, quando faltar força, coragem, fraqueza no
trabalho, na família, quando precisar de apoio para vencer os problemas, saiba
que o bondoso Deus está atento às suas necessidades e se põe ao lado de você. A
sua palavra é clara neste sentido: “De maneira alguma te deixarei, nunca te
abandonarei”. “Seja forte e muito corajoso. Eu serei contigo”. Como poderia de deixar de estar alegre com
tanta bondade e amor de nosso Deus?
Quando vivenciamos a alegria no
Senhor, ela se evidencia no nosso relacionamento com nossos irmãos. Sendo
assim, Paulo anseia que o amor dos irmãos filipenses seja conhecido por todas
as pessoas, e deve ser uma ação pública e estendida a todos: “Seja a vossa
moderação conhecida de todos os homens.” (v.5a). A palavra moderação significa
uma boa disposição em relação às outras pessoas; mostrar bondade, generosidade
ou consideração. Quem está, pessoalmente, repleto de alegria transmite também
aos outros. Paulo ainda diz que o cristão se alegra sempre no Senhor, porque
ele sabe que o Senhor está perto: “Perto está o Senhor.” (v.5b).
O que Paulo quer dizer com essas
palavras? Literalmente significa: “O Senhor está prestes a vir”! O contexto
indica que Paulo está falando sobre a segunda vinda de Cristo (Fp.3.20,21).
Podemos compreender essa palavra em seu sentido escatológico. Foi assim que
também Tiago associou a exortação para a tolerância fraterna com a referência
ao juiz vindouro (Tg 5.9), como também já fizera Jesus (Mt 5.25). Isto significa que a igreja caminha na
esperança de estar com Cristo eternamente. A esperança da vinda de Cristo nos
enche de alegria em nossa sofrida peregrinação para o céu (Rm.12.12). Por isso,
não precisamos ter medo.
Enquanto, aguardamos a vinda do
Senhor, vivemos num mundo turbulento, todos enfrentamos inúmeros desafios e
dificuldades que podem nos deixar preocupados, ansiosos e desamparados, sem
saber como lidar com estas questões. Por isso, que Paulo acrescenta: “Não
andeis ansiosos de coisa alguma” (v.6a).
O verbo grego relacionado a “ansiosos” é μεριμνάω,
que significa preocupar-se, estar inquieto ou ficar excessivamente preocupado.
No contexto, Paulo não está dizendo que o cristão nunca sentirá preocupação ou
que problemas não devem ser levados a sério. A ideia é não permitir que a
preocupação domine e controle o coração. Temos aqui uma repetição do ensino de
Cristo (Mateus 6.25,31,34). Jesus conhecendo as preocupações, os conflitos, as
limitações dos discípulos, ensina a meditar sobre a ansiedade. Ensina a
necessidade de uma vida isenta de preocupações.
Ensina não ficar, o tempo todo, ansioso sobre as coisas desta vida,
mesmo que sejam as necessidades básicas como comer e vestir. O desejo de Paulo
é que os filipenses não andassem ansiosos com alguma coisa. Não vivessem na
inquietação ansiosa, com pensamentos perturbadores diante das necessidades e
dificuldades da vida.
Enquanto os gentios andam
preocupados, buscando, desesperadamente, coisas materiais, o apóstolo Paulo nos
encoraja a entregar nossas preocupações e ansiedades a Deus, em vez de tentar
carregá-las sozinhos. Sendo assim, Paulo nos apresenta atitudes corretas que
devemos fazer. Ele
apresenta o caminho para enfrentar a ansiedade: levar tudo a Deus. Neste
sentido, ele cita quatro termos, dividido em dois pares: “em tudo, porém, sejam
conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com
ações de graças.” (v.b).
Primeiro, “em tudo”. Paulo usa
uma expressão abrangente. Ele não diz que devemos levar a Deus apenas os
grandes problemas, mas “em tudo”. Isso significa que podemos apresentar ao
Senhor todas as situações que fazem parte da nossa vida: nossas necessidades,
preocupações, decisões, dificuldades, relacionamentos e incertezas. Nada é
pequeno demais para ser colocado diante de Deus. O cristão reconhece que
depende do Senhor em todas as áreas da vida.
Segundo, “sejam conhecidas,
diante de Deus, as vossas petições”. A palavra “petições” aponta para aquilo
que pedimos a Deus de maneira concreta. Paulo nos ensina a falar com Deus sobre
nossas necessidades reais. Não precisamos esconder aquilo que nos preocupa,
pois Deus conhece o nosso coração. A oração é justamente o momento em que
colocamos diante dele aquilo que pesa sobre nós. Quando fazemos nossas
petições, reconhecemos que Deus é aquele que pode nos sustentar e prover aquilo
de que necessitamos.
Terceiro, “pela oração e pela
súplica”. Aqui encontramos dois termos que destacam a nossa comunhão com Deus e
a apresentação de necessidades específicas. A oração aponta para a nossa
aproximação de Deus, reconhecendo sua grandeza, bondade e poder. A súplica
enfatiza o pedido insistente e específico diante de uma necessidade. Portanto,
Paulo nos ensina que não devemos guardar nossas preocupações dentro de nós, mas
levá-las ao Senhor por meio da oração. Podemos abrir o coração diante dele e
apresentar aquilo que realmente necessitamos.
Quarto, “com ações de graças”.
Esse último elemento é fundamental. Paulo não diz apenas para pedir; ele
acrescenta: “com ações de graças”. O cristão pode apresentar suas necessidades
a Deus sem deixar de agradecer o que Deus já fez e continua fazendo. A gratidão
muda nossa perspectiva. Continuamos enfrentando dificuldades, mas não
esquecemos a fidelidade de Deus. Podemos não saber como determinada situação
terminará, mas sabemos em quem colocamos nossa confiança.
Portanto, Paulo apresenta um
caminho diferente daquele que muitas vezes seguimos diante da ansiedade. Em vez
de carregar sozinhos nossas preocupações, levamos tudo a Deus. Em vez de apenas
reclamar, apresentamos nossas petições. Em vez de apenas pedir, oramos e
suplicamos. E, mesmo em meio às dificuldades, continuamos dando graças. Dessa
maneira, o coração aprende a descansar no Senhor.
Ele agora mostra o resultado
dessa atitude no versículo 7: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” Paulo nos garante
que, ao lançarmos as nossas ansiedades a Deus, recebemos a sua paz. A paz que
recebemos é uma paz divina e não humana. Não se trata de qualquer fonte de paz,
mas se trata da única fonte de paz verdadeira, a paz que vem de Deus. Por isso,
não havia nenhum motivo para que os filipenses ficassem ansiosos, porque a paz
de Deu se caracteriza por tranquilidade, confiança, despreocupação, serenidade,
mansidão e segurança na vida daquele que conhece a Deus e confia n’Ele. Afinal,
foi reconciliado com Deus por meio de Cristo, agora tem paz. (Rm 5.1).
Esta é a verdadeira paz que
experimentamos nas nossas aflições e em qualquer situação. De modo que podemos
descansar no Senhor quando passamos pelo vale da sombra da morte. Paulo ainda afirma que esta paz “excede todo
entendimento.” Isto significa que esta paz protetora ultrapassa a compreensão humana;
excede a nossa capacidade mental de compreender e apreciar as coisas; vai além
da capacidade humana de raciocínio e compreensão.
Mas mesmo que não compreendemos
esta paz, ela impede que as aflições e angústias abalem nossos sentimentos,
tomando nossos corações, bem como os pensamentos. Paulo afirma: “Guardará o
vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” (v.7b). O termo grego utilizado
por Paulo traduzido como “guardará” é φρουρέω, e trata-se de um termo militar
para indicar a guarda de sentinelas que protegem uma cidade de uma invasão
inimiga ou mesmo para impedir a fuga dos habitantes de uma cidade sitiada. Em
ambos os casos o sentido é “manter preservado.”
Primeiro, Paulo afirma que guardará o nosso coração (καρδία). A paz de
Deus não permitirá que a preocupação e o sofrimento consumam o nosso coração
deixando-nos angustiados e ansiosos. Essa paz lança fora todo medo e
perturbação e traz real consolo para todo o cristão (Jo.14.27; 16.33). O
Espírito Santo produz essa paz em nós, de modo que nossos corações são
guardados de toda angústia e ansiedade. Essa verdade nos lembra o que escreveu
o profeta Isaías, ao dizer que o Senhor “conservará em perfeita paz aquele cujo
coração é firme” (Is 26.3).
Essa paz também guarda nossa
mente (νόημα) de pensamentos impuros, angustiosos e amargurados, para que
possamos pensar em tudo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e
bom, ou seja, meditar no próprio Cristo, nas suas gloriosas virtudes e nas
ricas bênçãos que temos nele. Ocorre que o diabo tem interesse em
vencer o homem com investidas diretas em sua mente, assim como fez no Jardim do
Éden, pois sabe que vencendo no campo da mente ele desvia o homem dos
propósitos de Deus e o afasta da devoção a Cristo. Por isso, essa proteção é
fundamental, pois nossos pensamentos podem influenciar nossas ações e reações.
Como estão o seu coração e mente? Eles estão em paz? Eles estão protegidos,
guardados, revestidos pela paz de Deus?
O apóstolo Paulo finaliza com a
expressão “em Cristo Jesus.” (v.7c). Ele mostra que o caminho da alegria e da
paz plena está em Cristo e na maneira em que ele nos ensinou a viver. Ele é a
única fonte de alegria para o cristão! Essa alegria significa a certeza de
estarmos unidos a Cristo e pertencermos a Ele. Mas se os nossos pensamentos se
mantiverem nas perspectivas desse mundo, rapidamente nossos comportamentos
também serão influenciados. Você que está em Cristo? Alegre-se no Senhor em
todo tempo! Lembre-se que você pertence a Cristo e que ele nunca vai te deixar.
Procure também ser uma bênção para outros irmãos e cultive a paz no meio da
igreja, no meio do seu sofrimento. Lembre-se também que o Senhor está perto.
Espere e confie n’Ele. Abra o seu coração a ele com súplicas e ações de graças.
Assim, a paz de Deus te guardará de toda angústia e ansiedade.
II
Depois de ensinar os cristãos a
levar suas preocupações a Deus em oração, Paulo mostra que também precisamos
cuidar daquilo que ocupa a nossa mente. Ele diz: “Finalmente, irmãos, tudo o
que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é
puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se
algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (v.8). Paulo
começa com a expressão, “finalmente, irmãos”, indicando uma conclusão e, ao
mesmo tempo, uma nova orientação prática. Depois de falar sobre oração e sobre
a paz de Deus, ele mostra que a vida cristã também envolve disciplina dos
pensamentos. O que ocupa constantemente nossa mente influencia nossas palavras,
atitudes e decisões.
Paulo apresenta uma série de
qualidades que devem orientar os pensamentos do cristão. Ele não está apenas
dizendo o que devemos evitar, mas principalmente com o que devemos ocupar a
nossa mente. Primeiro:
“tudo o que é verdadeiro.” Isto aponta para aquilo que corresponde à
realidade e está de acordo com a verdade de Deus. O cristão não deve alimentar
pensamentos baseados em mentiras, boatos, falsas acusações ou enganos, mas
buscar aquilo que é verdadeiro e digno de confiança. Segundo: “tudo o que é
respeitável” refere-se ao que é digno, honroso e sério. Paulo nos chama a não
ocupar a mente com aquilo que é vulgar, malicioso ou indigno, mas com aquilo
que contribui para uma vida que honra a Deus e demonstra respeito pelo próximo.
Terceiro: “tudo o que é justo”
diz respeito àquilo que está de acordo com a vontade e os padrões de Deus. O
cristão deve pensar no que é correto diante do Senhor e procurar praticar a
justiça em seus relacionamentos, palavras e atitudes. Quarto: “tudo o que é
puro” aponta para aquilo que não está contaminado pelo pecado. Essa pureza
envolve os pensamentos, os desejos, as palavras e as intenções do coração.
Somos chamados a cuidar daquilo que permitimos permanecer em nossa mente.
Quinto: “tudo o que é amável” refere-se àquilo que é agradável, bondoso e digno
de amor. Em vez de alimentar ressentimentos, mágoas, ódio ou pensamentos
destrutivos, o cristão é chamado a cultivar aquilo que promove o amor, a
reconciliação e a edificação.
Sexto: “tudo o que é de boa
fama” aponta para aquilo que merece boa consideração e contribui para um
testemunho digno. Antes de alimentar determinado pensamento ou palavra, podemos
perguntar: isso honra a Deus? Isso edifica o próximo? Isso contribui para um
bom testemunho cristão. Por fim, Paulo amplia sua orientação: “se alguma
virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”
Portanto, Paulo não está apenas ensinando a eliminar pensamentos negativos, mas
a substituí-los por pensamentos que sejam verdadeiros, dignos, justos, puros,
amáveis e virtuosos.
Depois de ensinar o que deve
ocupar a mente do cristão no versículo 8, Paulo mostra, no versículo 9, que
essas verdades precisam ser colocadas em prática: “O que também aprendestes, e
recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.”
Paulo apresenta uma sequência de quatro expressões: “aprendestes, recebestes,
ouvistes e vistes”. Ele mostra que os filipenses não receberam apenas
informações sobre a fé cristã; eles foram ensinados pela Palavra e tiveram
diante deles o exemplo de uma vida cristã coerente. Primeiro: “o que também
aprendestes” mostra a importância do ensino cristão. A fé precisa ser conhecida
e compreendida por meio da Palavra de Deus. Não basta ter sentimentos
religiosos; é necessário aprender aquilo que Deus ensina.
Segundo: “e recebestes” indica
que os filipenses acolheram esse ensinamento. A Palavra não deve apenas ser
ouvida, mas recebida com fé e confiança. Aquilo que aprendemos de Deus precisa
encontrar lugar em nosso coração e em nossa vida. Terceiro: “e ouvistes” lembra
tudo aquilo que os cristãos haviam escutado da pregação e do ensino de Paulo. A
fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10.17). Por isso, a participação na
vida da igreja e a escuta da Palavra são fundamentais para a vida cristã. Então Paulo
chega ao ponto central: “isso praticai”. A palavra “praticai” mostra que o
cristianismo não consiste apenas em conhecer, ouvir ou falar sobre a Palavra. É
necessário colocá-la em prática. O que aprendemos deve transformar nossas
atitudes, relacionamentos e decisões.
Paulo termina com uma bela promessa: “e o Deus
da paz será convosco.” No versículo 7, ele falou da paz de Deus guardando o
coração e a mente; agora afirma que o Deus da paz estará com aqueles que vivem
de acordo com aquilo que aprenderam e receberam. Assim, Paulo nos ensina:
aprendam a Palavra, recebam a Palavra, ouçam a Palavra, observem bons exemplos
e, acima de tudo, pratiquem aquilo que Deus ensina. Então, em meio às
dificuldades da vida, podemos contar com a presença do “Deus da paz”.
III
Paulo
ao falar sobre alegria no Senhor, equilíbrio, oração, paz e pensamentos que devem
ocupar a mente do cristão, ele agora mostra como essas verdades
também aparecem na prática da vida cristã. Os filipenses demonstraram seu
cuidado por Paulo por meio de uma ajuda concreta, revelando que a fé não
permanece apenas nas palavras, mas se manifesta em atitudes de amor e serviço.
Paulo começa dizendo:
“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor” (v.10a). Sua alegria não estava
simplesmente relacionada ao fato de ter recebido ajuda material. Ele se
alegrava “no Senhor”, isto é, sua alegria tinha sua origem em Cristo. Paulo
sabia que Deus estava cuidando dele por meio dos irmãos de Filipos. Assim, a
ajuda recebida era uma expressão concreta da providência e da graça de Deus. A expressão
“agora, uma vez mais” (v.10b) indica que os filipenses já haviam demonstrado
anteriormente seu cuidado pelo apóstolo. Não se tratava de uma atitude isolada
ou de uma generosidade ocasional. Havia entre Paulo e aquela comunidade uma
relação de comunhão construída ao longo do tempo. Desde o início da obra
missionária de Paulo, os filipenses haviam participado de seu ministério e
demonstrado interesse por sua vida e seu trabalho.
Quando Paulo afirma, “renovastes a meu favor o vosso cuidado” (v.10c), ele reconhece e valoriza a preocupação dos irmãos com suas necessidades. O termo “cuidado” não deve ser entendido apenas como preocupação emocional, mas também como uma disposição prática de ajudar. A igreja de Filipos não apenas pensava em Paulo; quando teve oportunidade, transformou sua preocupação em uma ação concreta. Paulo acrescenta ainda uma observação importante: “o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade” (v.10d). Isso mostra que ele não interpretava o período em que não recebeu ajuda como falta de amor ou de interesse por parte dos filipenses. Eles já desejavam ajudá-lo, mas as circunstâncias não haviam permitido. Paulo demonstra, portanto, compreensão e maturidade ao reconhecer a diferença entre não querer ajudar e não ter oportunidade de ajudar.
No versículo 10, Paulo demonstra
sua alegria pelo cuidado dos filipenses. Ele reconhece com gratidão a
preocupação e a ajuda dos irmãos, vendo nessa atitude uma expressão de amor e
comunhão cristã. Porém, Paulo não queria que sua gratidão fosse entendida como
dependência dos recursos dos filipenses. Por isso, no versículo 11, ele
esclarece: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver
contente em toda e qualquer situação.” A expressão “não por causa da
pobreza” mostra que Paulo havia aprendido a olhar para suas necessidades
materiais de maneira diferente. Ele conhecia situações de necessidade, mas não
permitia que elas determinassem sua alegria, sua fé ou sua confiança em Deus. A
circunstância externa não controlava sua vida espiritual. Paulo mostra que o contentamento é algo que
foi sendo desenvolvido em sua caminhada com Cristo. Ele não nasceu sabendo
viver dessa maneira. As experiências de sua vida e ministério ensinaram-lhe a
confiar cada vez mais na providência de Deus. O contentamento cristão não
significa ausência de dificuldades, mas confiança em Deus mesmo quando as
circunstâncias são difíceis.
Paulo afirma que “aprendeu a viver
contente”. Isto aponta para uma satisfação que não depende da quantidade de
bens, dinheiro ou conforto. Paulo podia estar em necessidade e, ainda assim,
permanecer firme. Isso não significa que a pobreza seja boa em si mesma ou que
o cristão não possa procurar melhorar suas condições de vida. O ensino é que os
bens materiais não devem ocupar o lugar de Deus no coração. E finalmente, ele
afirma que aprendeu a viver “em toda e qualquer situação”. Essa expressão
amplia o ensino. O contentamento não deveria existir apenas quando tudo
estivesse bem, mas também quando houvesse dificuldades. Nos versículos
seguintes, Paulo desenvolverá essa ideia falando tanto da fartura quanto da
fome, da abundância quanto da escassez.
Paulo continua explicando o que
significa “viver contente em toda e qualquer situação” (v. 11). Ele não está
falando de uma teoria, mas de uma experiência adquirida ao longo de sua
caminhada e ministério. Ele havia passado por diferentes circunstâncias e
aprendido a permanecer firme em Cristo tanto nos momentos favoráveis quanto nos
momentos difíceis. Ele afirma: “Tanto sei estar humilhado como também ser
honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de
fartura como de fome; assim de abundância como de escassez.” (v.12). Quando diz
“sei estar humilhado”, Paulo se refere às situações de necessidade, privação e
sofrimento. Ele conheceu momentos em que não tinha aquilo que desejava ou
necessitava. Entretanto, essas circunstâncias não o afastaram de Deus. Sua fé
não dependia de uma vida confortável.
Por outro lado, Paulo também afirma: “como também ser honrado”. Ele sabia lidar com momentos em que recebia reconhecimento, respeito ou melhores condições. Isso é importante porque tanto a escassez quanto a abundância podem colocar a fé à prova. A necessidade pode levar à preocupação, enquanto a abundância pode levar à autossuficiência. Paulo aprendeu a permanecer dependente de Deus em ambas as situações. Ele mostra através das palavras, “de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência”, que esse aprendizado aconteceu na prática. Ele experimentou diferentes situações durante sua vida apostólica. Por isso, seu contentamento não era uma emoção passageira, mas uma confiança amadurecida pela experiência. Sendo assim, ele resume apresentando quatro situações: fartura e fome; abundância e escassez. Ele não diz que essas situações são iguais ou que não fazem diferença. A diferença é que nenhuma delas determina sua relação com Deus. Na fartura, ele não se esquece do Senhor; na fome, não abandona sua confiança; na abundância, não coloca sua segurança nos bens; na escassez, não perde a esperança.
Chegamos, então, ao ponto alto
das palavras de Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece” (v.13). Paulo
havia aprendido a viver na abundância e na escassez, na fartura e na
necessidade. Ele podia receber a ajuda dos irmãos com gratidão, mas não
colocava sua segurança nos bens materiais nem nas circunstâncias da vida. Sua
confiança estava em Cristo.
A expressão “tudo posso” está relacionada ao que
Paulo acabou de mencionar. Ele aprendeu a viver na fartura e na fome, na
abundância e na escassez (v. 12). Portanto, quando ele afirma “tudo”, inclui as
diferentes situações pelas quais passou diante das dificuldades. Paulo não
atribui sua resistência à própria capacidade, experiência ou força de vontade.
Ele reconhece que é Cristo quem o sustenta: “naquele que me fortalece”. Assim, sua
suficiência não está nele mesmo, mas naquele que lhe concede força para
permanecer fiel.
A verdade é que vivemos em um
mundo que muitas vezes nos ensina a confiar em nossa própria força. Somos
incentivados a acreditar que podemos vencer qualquer obstáculo, conquistar
qualquer objetivo e resolver todos os nossos problemas. Porém, quando lemos as
palavras de Paulo, dentro do seu contexto, encontramos uma mensagem diferente.
Paulo não está dizendo que pode fazer tudo o que deseja. Ele está afirmando que
pode enfrentar todas as situações da vida porque Cristo é quem lhe dá força.
Ele havia aprendido a viver tanto na fartura como na necessidade, tanto na
abundância como na escassez. Ele conheceu momentos de alegria e momentos de
sofrimento. Mesmo assim, não permitiu que as circunstâncias determinassem sua
fé. Seu contentamento não estava naquilo que possuía, mas em Cristo. Por isso,
ele podia dizer: “Tudo posso naquele que me fortalece.”
Também nós enfrentamos
diferentes situações. Há dias em que temos motivos para agradecer, mas existem
momentos em que surgem preocupações, perdas, enfermidades, dificuldades
familiares, problemas financeiros ou incertezas quanto ao futuro. Nessas horas,
podemos pensar que não teremos forças para continuar. Paulo nos lembra que
nossa esperança não está em nossa própria capacidade. Cristo permanece conosco
e nos sustenta. Isso não significa que Deus promete retirar todas as
dificuldades de nossa vida. Significa que, em meio às dificuldades, não estamos
sozinhos. Cristo nos fortalece por meio de sua Palavra, sustenta nossa fé e nos
lembra de sua graça. Quando nossas forças diminuem, Ele continua sendo fiel.
Portanto, não precisamos viver
dominados pelo medo do amanhã. Podemos entregar nossas preocupações ao Senhor e
continuar caminhando pela fé. Se houver abundância, agradeçamos. Se houver
escassez, confiemos. Se houver portas abertas, sirvamos ao Senhor. Se houver
dificuldades, permaneçamos firmes. Em todas essas situações, Cristo continua
sendo nossa força.
Estimados irmãos! Como é bom ser
alegre no Senhor! É uma alegria que invade a nossa vida e resplandece em nosso
rosto. Essa alegria é resultado da presença e do cuidado de Deus, que nos
acompanha e nos proporciona, dia após dia, momentos pelos quais podemos
agradecer. Seus efeitos são imensos: Deus nos guia, nos protege e nos ama. Por
isso, temos muitos motivos para nos alegrar.
Quando a alegria desaparecer de
sua vida; quando faltar força e coragem; quando vierem as dificuldades no
trabalho, na família ou em qualquer outra área da vida; quando você precisar de
apoio para enfrentar e vencer os problemas, lembre-se: o bondoso Deus está
atento às suas necessidades e permanece ao seu lado. Sua Palavra nos assegura:
“De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). E ainda
nos encoraja: “Sê forte e corajoso... porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por
onde quer que andares” (Js 1.9).
Portanto, não permita que as
dificuldades roubem a certeza de que Deus está presente. Ouça as palavras do
apóstolo Paulo e faça delas uma orientação para sua vida: “Alegrai-vos sempre
no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos!” Amém.