domingo, 25 de outubro de 2026

 

TEXTO: Rm 3.19-28

TEMA: JUSTIFICADOS PELA FÉ, VIVEMOS NA GRAÇA DE DEUS! (Como?)

No dia 31 de outubro, celebramos a Reforma Luterana, um acontecimento marcante na história da Igreja Cristã. Em 1517, Martinho Lutero tornou públicas suas 95 teses, dando início a um movimento que trouxe à tona uma questão fundamental: como o ser humano pode ser justo diante de Deus e receber a salvação?

Ao estudar a Palavra de Deus, Lutero compreendeu que a salvação não é conquistada por méritos pessoais, boas obras ou esforços humanos. Ela é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo. Essa verdade trouxe consolo à sua consciência e transformou sua compreensão do Evangelho.

O texto de Romanos 3.19–28 apresenta justamente essa mensagem. O apóstolo Paulo mostra que todos somos pecadores, que ninguém pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras e que a salvação nos é concedida gratuitamente, por meio da redenção realizada por Cristo Jesus. Por isso, a Reforma não nos conduz à exaltação de um ser humano, mas nos leva de volta à Palavra de Deus e ao centro da mensagem cristã: Jesus Cristo, nosso único Salvador.

A pergunta “Como somos justificados pela fé e vivemos na graça de Deus?” pode ser respondida a partir de três verdades apresentadas pelo apóstolo Paulo.

Primeiro, reconhecendo que somos pecadores diante de Deus (vv. 19–20). Lei de Deus revela nossos pecados e mostra que não podemos conquistar a salvação por nossos próprios méritos. Todos nós falhamos diante da vontade divina e precisamos reconhecer nossa culpa. Quando a Lei nos mostra que somos pecadores, ela nos conduz ao arrependimento e nos faz reconhecer nossa necessidade de um Salvador.

Segundo, confiando na graça de Deus revelada em Jesus Cristo (vv. 21–26). Paulo ensina que somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (v. 24). Isso significa que Deus nos declara justos não por causa de nossas obras, mas por causa de Jesus, que morreu na cruz para pagar pelos nossos pecados e ressuscitou para nos dar vida. Pela fé, recebemos o perdão e a salvação que Deus nos oferece gratuitamente em Cristo.

Terceiro, vivendo pela fé, sem confiar em nossos próprios méritos (vv. 27–28). Se somos salvos pela graça, não temos motivos para nos orgulhar diante de Deus. Nossa confiança está em Jesus, e não em nossas realizações. Por isso, vivemos agradecidos pelo amor que recebemos, praticamos boas obras como frutos da fé e anunciamos o Evangelho ao nosso próximo. Não fazemos boas obras para conquistar a salvação, mas porque fomos alcançados pelo amor de Deus.

                                                                 I

 Paulo mostra que a Lei de Deus revela a verdadeira condição do ser humano diante do Senhor. A Lei apresenta a vontade divina e nos mostra o que Deus espera de nós: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus” (v.19). Entretanto, quando examinamos nossa vida à luz dessa vontade, percebemos que somos pecadores e que não conseguimos cumprir perfeitamente os mandamentos de Deus. Por isso, ninguém pode apresentar suas próprias obras como justificativa diante dele. O apóstolo Paulo afirma que, diante de Deus, “toda boca se cala” e o mundo inteiro fica sujeito ao seu juízo. A expressão significa que ninguém tem argumentos para se declarar inocente diante de Deus com base em seus próprios méritos. Não podemos comparar nossa vida com a de outras pessoas, destacar nossas boas ações ou apresentar nossa religiosidade como pagamento pelos nossos pecados. Diante da santidade de Deus, todos somos culpados e necessitamos de sua misericórdia.                  

Paulo também afirma que “todo o mundo seja culpável perante Deus”. Isso significa que ninguém está excluído dessa realidade: todos pecaram e precisam da salvação. A Lei, portanto, não é um caminho pelo qual conquistamos a vida eterna, mas revela nosso pecado e nossa necessidade de um Salvador. Ela nos conduz ao reconhecimento de nossa culpa e prepara o caminho para ouvirmos a boa notícia do Evangelho.

Paulo também apresenta uma verdade fundamental para compreendermos a salvação: ninguém pode ser declarado justo diante de Deus por cumprir as obras da Lei: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” (v.20). A Lei de Deus é santa e revela sua vontade para a nossa vida. Entretanto, por causa do pecado, não conseguimos cumprir perfeitamente aquilo que Deus exige. Por mais que nos esforcemos para praticar o bem, nossas obras não podem apagar nossos pecados nem conquistar a salvação.

Ele ainda afirma que “pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”. Isso significa que a Lei funciona como um espelho, mostrando quem realmente somos diante de Deus. Ela revela nossas atitudes erradas, nossos pensamentos pecaminosos e nossas falhas em cumprir a vontade divina. A Lei não cria o pecado, mas o revela e mostra a gravidade de nossa condição. Quando examinamos nossa vida à luz da Palavra de Deus, percebemos que precisamos de perdão e que não podemos salvar a nós mesmos.

Essa verdade foi decisiva para a Reforma Luterana. Martinho Lutero compreendeu que seus esforços religiosos não poderiam lhe dar a certeza da salvação. Ao estudar as Escrituras, redescobriu que a justiça diante de Deus não é conquistada por méritos humanos, mas recebida pela fé em Jesus Cristo. A Lei revela nossa culpa, mas o Evangelho anuncia que Cristo assumiu nossos pecados e conquistou para nós o perdão e a reconciliação com Deus.

Portanto, não devemos confiar em nossas boas obras como fundamento da salvação. Elas são importantes como frutos da fé e expressões de amor ao próximo, mas não podem nos justificar diante de Deus. Nossa esperança está em Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou por nós. Por isso, o tema da Reforma continua atual: somos justificados pela fé e vivemos na graça de Deus, reconhecendo nossos pecados e confiando diariamente no perdão que recebemos por meio de Cristo.

                                                                    II

Depois de mostrar a realidade do pecado, Paulo apresenta a maravilhosa notícia do Evangelho: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus” (v. 21). A expressão “Mas agora” indica uma mudança importante na argumentação do apóstolo. Nos versículos anteriores, ele mostrou que todos os seres humanos são pecadores e que ninguém pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras. Tanto judeus como gentios estão debaixo do pecado e necessitam da salvação divina.

Agora, Paulo afirma que a justiça de Deus se manifestou “sem lei”, isto é, independentemente das obras da Lei. Isso não significa que a Lei de Deus tenha perdido seu valor ou que possamos viver sem considerar sua vontade. Paulo ensina que a obediência à Lei não é o meio pelo qual conquistamos a justificação diante de Deus. A Lei revela o pecado e mostra que somos incapazes de alcançar a justiça perfeita que Deus exige. Por isso, não podemos confiar em nossas próprias obras para obter a salvação. Precisamos de uma justiça que venha do próprio Deus.

Essa justiça nos é concedida por meio de Jesus Cristo, que cumpriu a vontade do Pai e tomou sobre si os nossos pecados. Somos justificados pela graça, mediante a fé, e não por nossos méritos. Em Cristo, Deus nos concede a justiça que não conseguimos alcançar por nós mesmos. Pela fé, recebemos o perdão dos pecados e somos reconciliados com ele. As boas obras continuam sendo importantes na vida cristã, mas não são o preço da salvação; são frutos da fé e da gratidão a Deus por sua graça.

Paulo, depois de afirmar que a justiça se manifestou independentemente das obras da Lei, o apóstolo declara que ela é recebida mediante a fé em Jesus Cristo. Isso significa que não somos justificados diante de Deus por nossos méritos, por nossas boas obras ou pela capacidade de cumprir perfeitamente os seus mandamentos. A justiça que nos salva vem do próprio Deus e nos é concedida por meio de Cristo. Ele afirma: “Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que creem; porque não há distinção” (v.22). A expressão “mediante a fé em Jesus Cristo” mostra que a fé é o meio pelo qual recebemos a justiça que Deus nos oferece no Evangelho. Não é a fé, considerada como uma realização humana, que nos torna merecedores da salvação. É Jesus Cristo quem conquistou nossa salvação por meio de sua morte e ressurreição. Pela fé, recebemos os benefícios dessa obra salvadora: o perdão dos pecados, a reconciliação com Deus e a promessa da vida eterna. Assim, toda a glória pertence ao Senhor, que nos salva por sua graça.

Paulo acrescenta ainda que essa justiça é oferecida “para todos e sobre todos os que creem”, pois “não há distinção”. Naquele contexto, essa afirmação era especialmente importante porque judeus e gentios não tinham o mesmo passado religioso. Os judeus possuíam a Lei e as promessas de Deus, enquanto os gentios não haviam recebido a Lei da mesma maneira. Entretanto, diante de Deus, ambos necessitavam da salvação, pois todos eram pecadores. E todos recebem a justiça de Deus pelo mesmo meio: a fé em Jesus Cristo. Ninguém pode reivindicar superioridade espiritual com base em sua origem, tradição ou obras.

Esse ensinamento continua sendo fundamental para nós. Não importa nossa história, nossa posição social ou nosso conhecimento bíblico: todos precisamos do perdão de Deus. Nossa esperança não está naquilo que fazemos para Deus, mas naquilo que Deus fez por nós em Jesus Cristo. As boas obras têm seu lugar na vida cristã, mas são frutos da fé e da gratidão, não a causa da nossa justificação.

Depois de afirmar que a justiça de Deus é concedida mediante a fé em Cristo e está disponível a todos os que creem (v. 22), Paulo agora apresenta uma das verdades fundamentais da Bíblia. Ele afirma no versículo 23: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. A expressão “todos pecaram” mostra que ninguém está livre do pecado. Não existe distinção entre judeus e gentios, entre pessoas religiosas e não religiosas, nem entre aquelas que parecem justas aos olhos humanos e aquelas cujas falhas são mais evidentes. Todos estão debaixo do pecado e não conseguem, por seus próprios esforços, alcançar a justiça perfeita que Deus exige. O pecado não se limita a atos exteriores, mas também envolve nossos pensamentos, desejos, palavras e motivações. Por isso, ninguém pode apresentar suas próprias obras como fundamento para exigir a salvação de Deus.

Quando Paulo afirma que todos “carecem da glória de Deus”, ele mostra que o pecado nos coloca numa condição de afastamento da glória e da santidade divinas. Fomos criados para viver em comunhão com Deus e refletir sua vontade em nossa vida, mas o pecado corrompeu essa relação. Não conseguimos, por nós mesmos, restaurar a comunhão perdida nem alcançar a perfeição que Deus deseja. Precisamos que o próprio Deus venha ao nosso encontro e nos conceda sua justiça.

Essa verdade nos leva à humildade. Não podemos olhar para os outros como se fôssemos melhores ou mais merecedores diante de Deus. Todos necessitamos do mesmo perdão. Ao mesmo tempo, esse versículo prepara o caminho para a maravilhosa notícia do Evangelho: embora todos sejam pecadores, Deus não nos abandona à condenação. Por meio de Jesus Cristo, ele oferece gratuitamente a justificação e o perdão dos pecados. Cristo cumpriu aquilo que nós não poderíamos cumprir e entregou sua vida para nos reconciliar com o Pai.

Depois de mostrar que todos pecaram e carecem da glória de Deus, Paulo anuncia a resposta divina para essa condição: “somos justificados gratuitamente pela graça de Deus, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (v.24). O pecado é uma realidade que não podemos vencer por nossas próprias forças, mas a graça de Deus é maior e nos oferece, em Cristo, o perdão e uma nova vida. A expressão “sendo justificados gratuitamente” significa que Deus nos declara justos diante dele, não porque tenhamos realizado obras suficientes para merecer esse reconhecimento, mas porque recebemos pela fé a justiça conquistada por Cristo. A justificação é uma declaração de Deus em nosso favor. Ele perdoa nossos pecados e nos aceita por causa de Jesus. Portanto, não podemos apresentar nossas boas obras como pagamento pela salvação, pois ela nos é concedida gratuitamente.

Paulo acrescenta que somos justificados “por sua graça”. A graça é o favor imerecido de Deus para com os pecadores. Não merecemos o perdão, não conseguimos conquistar o amor divino e não podemos exigir a salvação como recompensa por nossa obediência. Mesmo assim, Deus nos ama e nos oferece o perdão por meio de seu Filho. Essa verdade nos conduz à humildade, pois toda a glória pertence ao Senhor, e nos consola, porque nossa salvação não depende da perfeição de nossas obras, mas da fidelidade de Deus.

O apóstolo explica ainda que essa justificação acontece “mediante a redenção que há em Cristo Jesus”. Redenção significa libertação mediante o pagamento de um preço. Por causa do pecado, estávamos sob a condenação e não podíamos libertar a nós mesmos. Jesus Cristo, porém, entregou sua vida na cruz e derramou seu sangue para nos libertar da culpa e da condenação do pecado. Sua ressurreição confirma a vitória sobre a morte e fundamenta nossa esperança de vida eterna. A salvação, portanto, não é uma conquista humana, mas o resultado da obra completa de Cristo em nosso favor.

Esse versículo expressa uma verdade central da fé cristã luterana: somos justificados somente pela graça, mediante a fé, por causa de Cristo. As boas obras não são a causa da nossa salvação, mas são frutos da fé e da gratidão a Deus. Porque fomos perdoados e recebemos uma nova vida em Cristo, somos chamados a viver em amor, servindo ao próximo e procurando fazer a vontade do Senhor.

Paulo continua explicando como Deus tornou possível a nossa justificação. Ele mostra que a nossa salvação está fundamentada no sacrifício de Jesus na cruz. Deus não ignorou o pecado nem simplesmente declarou que ele não tinha importância. Pelo contrário, em seu amor, providenciou o meio pelo qual a culpa seria tratada e os pecadores poderiam ser reconciliados com ele. Jesus Cristo é o centro do plano de salvação de Deus. Ele afirma: “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos” (v.25).A expressão “a quem Deus propôs” mostra que a obra da salvação faz parte do plano misericordioso do próprio Deus. Foi o Senhor quem tomou a iniciativa de nos salvar, enviando seu Filho ao mundo. Não fomos nós que encontramos um caminho para chegar a Deus por nossos próprios méritos; foi Deus quem veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. Isso revela a profundidade de seu amor pela humanidade pecadora.

Ele ainda afirma que Cristo foi apresentado “no seu sangue, como propiciação”. A palavra propiciação aponta para o sacrifício pelo qual a justa condenação do pecado é tratada e a reconciliação com Deus se torna possível. No Antigo Testamento, os sacrifícios estavam relacionados à expiação dos pecados. Entretanto, esses sacrifícios apontavam para a obra definitiva que seria realizada por Jesus. Na cruz, Cristo entregou sua vida por nós e derramou seu sangue para obter o perdão dos nossos pecados. Ele tomou sobre si a condenação que nos cabia e satisfez a justiça divina. Assim, Deus permanece justo e, ao mesmo tempo, justifica aqueles que creem em Jesus.

 E tudo isto ocorreu “mediante a fé, para manifestar a sua justiça”. Esta expressão mostra como recebemos os benefícios desse sacrifício. Não somos salvos porque realizamos boas obras, cumprimos rituais ou apresentamos méritos diante de Deus. Recebemos pela fé aquilo que Cristo conquistou por nós. A fé não é um pagamento oferecido a Deus, mas o meio pelo qual confiamos em sua promessa e recebemos o perdão que ele nos concede no Evangelho.

Paulo também explica que Deus agiu com tolerância em relação aos pecados anteriormente cometidos. Isso não significa que Deus considerava o pecado insignificante ou que simplesmente o deixava sem resposta. Significa que, em sua paciência, ele suportou os pecados humanos e conduziu a história da salvação até o cumprimento de suas promessas em Cristo. Na cruz, Deus manifestou sua justiça e revelou que o perdão oferecido aos pecadores está fundamentado na obra redentora de seu Filho.

Nossa salvação custou a vida de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, esse sacrifício é a maior demonstração do amor de Deus por nós. Quando nossa consciência nos acusa e nos sentimos indignos de nos aproximar do Senhor, podemos confiar no sangue de Cristo, que foi derramado para nossa redenção. Nossa esperança não está em nossos méritos, mas no Salvador que morreu e ressuscitou por nós.

Paulo conclui sua explicação sobre a justiça de Deus e a obra redentora de Jesus Cristo. Nos versículos anteriores, o apóstolo mostrou que todos pecaram e carecem da glória de Deus (v. 23), mas são justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus (v. 24).

Agora, ele explica que, por meio do sacrifício de Cristo, Deus manifesta sua justiça e, ao mesmo tempo, concede a justificação aos pecadores que creem em Jesus. Na cruz, Deus revela que é justo e que, por sua graça, justifica aqueles que confiam em Cristo. Ele afirma: “Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (v.26). A expressão “a manifestação da sua justiça no tempo presente” aponta para a obra de salvação realizada por Jesus Cristo. Durante muito tempo, Deus havia demonstrado paciência com a humanidade pecadora, mantendo suas promessas e conduzindo a história da salvação. Agora, por meio da morte e da ressurreição de Cristo, sua justiça é revelada de maneira decisiva. Deus não ignora o pecado nem abandona sua santidade. Em seu amor, ele providencia a solução para a culpa humana por meio do sacrifício de seu Filho.

Paulo afirma que Deus é “justo”. Isso significa que ele permanece fiel à sua santidade e não trata o pecado como algo sem importância. O pecado merece a condenação, pois representa a desobediência à vontade divina e rompe a comunhão com Deus. Entretanto, o Senhor não nos deixa sem esperança. Jesus Cristo tomou sobre si os nossos pecados e sofreu em nosso lugar a condenação que merecíamos. Assim, a justiça de Deus não é anulada, mas manifesta na obra redentora de Cristo.

Ao mesmo tempo, Deus é “o justificador daquele que tem fé em Jesus”. Justificar significa declarar justo diante de Deus. Essa declaração não se fundamenta em nossas boas obras ou em nossos méritos pessoais, mas na justiça conquistada por Cristo em nosso favor. Pela fé, recebemos o perdão dos pecados e somos reconciliados com Deus. A fé não compra a salvação nem constitui um mérito humano; ela recebe a promessa do Evangelho e confia naquilo que Jesus realizou por nós.

Esse ensinamento é central para a fé cristã luterana. Somos justificados somente pela graça, mediante a fé, por causa de Cristo. Não precisamos tentar conquistar a aprovação de Deus por meio de nossos esforços, pois nossa salvação está fundamentada na obra completa de Jesus. As boas obras continuam sendo importantes, mas são frutos da fé e da gratidão, não a causa da nossa justificação.

                                                         III

Paulo apresenta a conclusão de sua argumentação sobre a justificação diante de Deus. Depois de mostrar que todos pecaram e carecem da glória de Deus (v. 23), o apóstolo explicou que somos justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus (v. 24). Agora, ele declara claramente que somos justificados pela fé, independentemente das obras da Lei. Essa é uma das verdades centrais do Evangelho e um dos fundamentos da fé cristã luterana: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (27). A expressão “concluímos, pois” indica que Paulo está apresentando o resultado de tudo o que explicou anteriormente. Se todos são pecadores e ninguém consegue alcançar a justiça perfeita diante de Deus por seus próprios esforços, então a justificação não pode depender das obras humanas. A salvação é obra de Deus, realizada por meio de Jesus Cristo e oferecida gratuitamente aos pecadores.

Quando Paulo afirma que o ser humano é “justificado pela fé”, ele ensina que Deus declara justo aquele que confia em Jesus Cristo. Justificação é uma declaração divina: por causa da obra redentora de Cristo, Deus perdoa os pecados e recebe o pecador como justo diante dele. Não se trata de uma recompensa por uma vida moralmente perfeita, mas de um presente concedido pela graça divina. A fé recebe esse presente, confiando na promessa do Evangelho. A expressão “independentemente das obras da lei” não significa que a Lei de Deus seja inútil ou que o cristão possa viver sem considerar seus mandamentos. A Lei continua revelando a vontade de Deus, mostrando nossos pecados e orientando nossa vida. Entretanto, ela não pode nos justificar, pois nenhum de nós consegue cumpri-la perfeitamente. As boas obras têm seu lugar na vida cristã, mas não são a causa da salvação. Elas são frutos da fé e da gratidão por aquilo que Deus fez por nós em Cristo.

Muitas vezes, podemos pensar que seremos aceitos pelo Senhor se fizermos coisas suficientes, se formos melhores do que outras pessoas ou se cumprirmos todas as nossas responsabilidades religiosas. Paulo nos lembra que nossa segurança não está em nossos méritos, mas em Jesus Cristo, que cumpriu a vontade do Pai e entregou sua vida por nós. Assim, Paulo nos ensina que a salvação é recebida pela fé, e não conquistada pelas obras.

O apóstolo Paulo continua desenvolvendo seu ensino sobre a justificação pela fé. Se a salvação é recebida pela fé, independentemente das obras da lei, então ela não está limitada a um único povo. Paulo faz uma pergunta que conduz a uma resposta evidente:  “É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios.” (v.29). Os judeus receberam privilégios especiais, pois Deus lhes confiou sua Palavra e estabeleceu com eles suas alianças. Entretanto, esses privilégios não significavam que a salvação fosse exclusiva deles. Desde o Antigo Testamento, Deus revelou seu propósito de abençoar todas as nações. Agora, por meio de Jesus Cristo, essa promessa se manifesta claramente: o Evangelho é anunciado a todos os povos, sem distinção de origem, nacionalidade ou condição social.

Esse ensino está diretamente relacionado ao versículo anterior, no qual Paulo afirma que somos justificados pela fé, independentemente das obras da lei. Se a justificação dependesse da observância da lei mosaica, os gentios estariam em desvantagem. Mas, como a salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo, tanto judeus como gentios podem ser reconciliados com Deus. Todos pecaram e todos necessitam do mesmo Salvador.

Para nós, esse texto ensina que a Igreja não deve fazer distinção entre as pessoas ao anunciar o Evangelho. A salvação não depende da origem familiar, da cultura, da nacionalidade ou dos méritos pessoais. Todos precisam da graça de Deus, e Cristo morreu e ressuscitou para oferecer perdão e vida eterna a todos os que nele creem. Essa verdade também nos motiva a levar a mensagem de Cristo àqueles que ainda não a conhecem.

Estimados irmãos em Cristo! Ao celebrarmos a Reforma Luterana, somos convidados a voltar nossos olhos para a Palavra de Deus e recordar a mensagem central do Evangelho. Romanos 3 nos mostra que todos somos pecadores e não podemos conquistar a salvação por nossos próprios méritos. Entretanto, Deus, em seu grande amor, enviou Jesus Cristo para nos redimir e nos conceder gratuitamente a justiça que não poderíamos alcançar por nós mesmos.

Foi essa verdade que trouxe consolo a Martinho Lutero e que continua sendo o fundamento da nossa esperança. A salvação não depende de nossas obras, mas da graça de Deus, recebida pela fé em Jesus Cristo. As boas obras são importantes, não para comprar o favor divino, mas como frutos da fé e sinais de gratidão ao Senhor.

Por isso, a Reforma continua nos chamando a permanecer firmes nas Escrituras, a anunciar fielmente o Evangelho e a testemunhar o amor de Cristo ao mundo. Não temos outro fundamento para a nossa salvação além de Jesus, que morreu e ressuscitou por nós.

Que Deus nos conserve firmes nessa fé, para que continuemos confessando e anunciando com alegria: somos salvos pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo! Amém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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TEXTO: Ap 14.6-7

TEMA: A REFORMA NOS CONDUZ DE VOLTA AO EVANGELHO!

No dia 31 de outubro, celebramos a Reforma Luterana. Nessa data, lembramos o movimento iniciado por Martinho Lutero em 1517, quando ele tornou públicas suas 95 Teses, dando início a um debate sobre questões relacionadas à prática e ao ensino da Igreja de seu tempo. Ao estudar as Escrituras, Lutero foi levado a redescobrir uma verdade fundamental: o pecador é justificado diante de Deus pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, e não por seus próprios méritos.

A Reforma, porém, não foi apenas um acontecimento do passado. Ela nos lembra que a Igreja precisa continuamente voltar à Palavra de Deus, examinar seus ensinamentos à luz das Escrituras e anunciar fielmente o Evangelho. A Igreja não pertence a homens, nem se sustenta em tradições humanas, mas tem seu fundamento em Jesus Cristo e na sua Palavra.

O texto de Apocalipse 14.6-7 nos apresenta um anjo que anuncia o Evangelho eterno a todos os povos, nações, línguas e tribos. Essa mensagem nos faz lembrar que o Evangelho não muda com o passar dos séculos. As circunstâncias mudam, as gerações passam e os desafios se transformam, mas a mensagem da salvação em Cristo permanece para sempre.

Diante disso, vamos refletir sobre o tema baseado em três tópicos.

                                                    I

Primeiro: Deus nos confiou o Evangelho eterno (v.6). O apóstolo João contempla uma visão na qual um anjo voa pelo meio do céu, levando consigo uma mensagem destinada a toda a humanidade: “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra.” (v.6a). O texto chama essa mensagem de “Evangelho eterno”. Ele é a boa notícia de que Deus, por sua graça, enviou seu Filho Jesus Cristo para salvar os pecadores. Por meio de sua morte na cruz e de sua ressurreição, Cristo conquistou o perdão dos pecados e a vida eterna. Esse Evangelho é eterno porque sua origem está em Deus e sua promessa de salvação permanece firme para sempre. As ideias humanas mudam, as gerações passam e as circunstâncias se transformam, mas a promessa de Deus em Cristo permanece.

Essa verdade esteve no centro da Reforma Luterana. No século XVI, Martinho Lutero, ao estudar as Escrituras, redescobriu a verdade de que o pecador é justificado diante de Deus pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo. A salvação não é conquistada por méritos humanos, mas recebida como presente de Deus. Essa verdade está expressa em Efésios 2.8-9: somos salvos pela graça, mediante a fé, e não pelas obras, para que ninguém se glorie. A Reforma procurou colocar novamente essa mensagem no centro da vida e do ensino da Igreja.

A visão do anjo também nos lembra que a Igreja tem a responsabilidade de anunciar o Evangelho a todas as pessoas. Não podemos guardar essa mensagem somente para nós. Somos chamados a proclamá-la em nossas famílias, congregações e comunidades, testemunhando que há perdão, esperança e vida eterna em Jesus Cristo. Celebrar a Reforma significa, portanto, reafirmar que a Bíblia é a norma pela qual os ensinamentos da Igreja devem ser julgados e que o centro da mensagem cristã é Jesus Cristo, nosso Salvador. A Igreja precisa permanecer fiel a essa Palavra, mesmo quando o mundo apresenta outras propostas de salvação.

O Evangelho que trouxe consolo e esperança na época da Reforma continua sendo a nossa esperança hoje. Essa mesma mensagem continua sendo fundamental para nós. Também reconhecemos que somos pecadores e que não podemos conquistar a salvação por nossas próprias forças. Nossa esperança está em Jesus Cristo, que morreu na cruz por nós e ressuscitou para nos conceder perdão, vida e salvação. Por meio dele, temos a certeza de que Deus nos recebe por sua graça e nos concede a vida eterna.

Portanto, a Reforma Luterana não é apenas uma lembrança de acontecimentos do passado. Ela nos convida a permanecer firmes na Palavra de Deus e a confiar diariamente nas promessas do Evangelho. Quando enfrentamos dúvidas, dificuldades, sofrimentos ou sentimos o peso de nossos pecados, podemos encontrar consolo em Cristo, que nos oferece seu perdão. A mensagem que trouxe esperança aos cristãos no século XVI continua fortalecendo nossa fé hoje. As épocas mudam, as circunstâncias se transformam, mas Jesus Cristo permanece o mesmo, e sua promessa de salvação continua válida para todos os que nele confiam.

                                                             II

Segundo: Deus nos chama a anunciar o Evangelho a todos os povos. (v.6b). O texto afirma que o Evangelho eterno deve ser pregado “a cada nação, e tribo, e língua, e povo” (v.6b). Essa expressão mostra a amplitude da missão de Deus. O Evangelho não é propriedade exclusiva de um povo, de uma cultura ou de uma geração. A salvação oferecida em Jesus Cristo é anunciada a todos. Pessoas de diferentes origens, línguas e condições precisam ouvir a boa notícia de que Deus as ama e deseja que conheçam a salvação que há em seu Filho.

A Reforma Luterana também nos recorda a importância de tornar a Palavra de Deus acessível às pessoas. Lutero trabalhou para que as Escrituras fossem conhecidas na língua do povo. A tradução da Bíblia para o alemão, seus escritos, os catecismos e os hinos contribuíram para que mais pessoas pudessem aprender a Palavra de Deus e compreender as verdades centrais da fé cristã. No entender de Lutero, a Palavra não deveria ficar distante das famílias. Pais e mães precisavam ensinar a fé aos filhos; os cristãos deveriam conhecer as Escrituras; e a Igreja deveria proclamar a mensagem de Cristo de maneira clara e fiel.

Essa responsabilidade continua conosco. A missão da Igreja não termina quando celebramos um culto, realizamos uma reunião ou comemoramos a Reforma. Somos chamados a levar o Evangelho às nossas famílias, aos vizinhos, às crianças, aos jovens, aos idosos e a todas as pessoas que ainda não conhecem a salvação em Cristo. Na verdade, anunciar o Evangelho não significa apenas falar de religião. Significa ser testemunha de Jesus, ensinar sua Palavra, consolar os aflitos com as promessas de Deus e servir ao próximo em amor. Fazemos isso não para conquistar a salvação, mas porque já recebemos a graça de Deus em Cristo.

Portanto, temos a responsabilidade de preservar e transmitir fielmente essa mensagem às próximas gerações. Não basta recordar o que Lutero fez no passado. Precisamos continuar anunciando aquilo que ele redescobriu nas Escrituras: somos salvos somente pela graça, somente por meio da fé, somente por causa de Cristo, conforme a Palavra de Deus. Assim, Reforma continua quando a Palavra é ensinada, quando o Evangelho é proclamado e quando pessoas são conduzidas a confiar em Jesus Cristo.

                                                               III

 Terceiro: Deus nos chama a temê-lo e adorá-lo. (v.7). Depois de apresentar o Evangelho eterno, o texto anuncia uma convocação: “Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (v.7). Temer a Deus não significa viver constantemente aterrorizado diante dele. Significa reconhecê-lo como Senhor, respeitar sua santidade, ouvir sua Palavra e confiar nele acima de todas as coisas. Esse temor inclui arrependimento diante do pecado e fé nas promessas do Senhor.

Mas não basta somente temer; é preciso também dar glória a Deus. Dar glória a Deus significa reconhecer sua grandeza, agradecer por suas bênçãos e testemunhar o que ele fez por nós em Jesus Cristo. Fazemos isto quando anunciamos o Evangelho, servimos ao próximo, vivemos de acordo com sua Palavra e confessamos nossa fé diante das pessoas. Não fazemos isso para merecer a salvação, pois somos salvos unicamente pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo. Fazemos isso porque fomos alcançados pelo amor de Deus e desejamos que outras pessoas também conheçam essa maravilhosa graça.

Portanto, temer a Deus e dar-lhe glória são atitudes que devem caminhar juntas em nossa vida cristã. Não basta reconhecer que Deus é poderoso; precisamos também confessar seu nome, louvar suas obras e anunciar sua salvação. Como diz o apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).

O texto também nos lembra que Deus é o Juiz. A história humana não está entregue ao acaso, e o mundo não caminha sem direção. O Senhor, que criou todas as coisas, governa sua criação e julgará a humanidade com justiça. Essa realidade nos chama a abandonar a falsa segurança de nossas próprias obras e a buscar refúgio em Cristo. Por isso, o anjo proclama: “Adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas”. Essa expressão nos conduz ao Deus Criador, que também é o Senhor da história e o Juiz de toda a humanidade. Diante dele, somos chamados a abandonar os falsos deuses e a confiar naquele que nos criou e nos redimiu. O juízo anunciado pelo anjo nos lembra da seriedade da vida diante de Deus, enquanto o Evangelho nos oferece consolo e esperança em Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos salvar. Assim, não precisamos enfrentar o juízo confiando em nossos próprios méritos, mas podemos descansar na graça de Deus, que nos concede perdão e salvação por meio de Cristo.

Portanto, Deus nos chama a temê-lo, honrá-lo e adorá-lo, reconhecendo-o como nosso Criador, Senhor e Juiz de toda a humanidade. Esse temor não nos conduz ao desespero, mas nos leva ao arrependimento e à confiança em sua Palavra. Ao mesmo tempo, somos chamados a dar glória ao seu nome, anunciando sua salvação e testemunhando o amor que recebemos por meio de Jesus Cristo. Não fazemos isso para conquistar o favor de Deus, mas porque, pela graça, fomos alcançados pelo perdão e pela salvação em Cristo. Assim, tememos a Deus, damos-lhe glória e o adoramos com gratidão, pois ele nos criou, nos redimiu e nos concede a vida eterna por meio de seu Filho.

A mensagem da Reforma continua atual: devemos temer e amar a Deus, confiar em sua Palavra e anunciar o Evangelho da salvação em Jesus Cristo. Em um mundo que tantas vezes coloca outras coisas no lugar de Deus, somos chamados a permanecer firmes na fé e a dar glória ao Senhor por sua graça. Assim, a Reforma nos conduz de volta ao Evangelho, para que nossa vida, nossa adoração e nosso testemunho apontem sempre para Cristo, nosso único Salvador.

Estimados irmãos em Cristo! Ao celebrarmos a Reforma Luterana, Apocalipse 14.6-7 nos recorda três verdades fundamentais: Deus nos confiou o Evangelho eterno, somos chamados a anunciá-lo a todos os povos e devemos temer, glorificar e adorar o Senhor, Criador de todas as coisas. Isto nos ensina a voltar sempre às Escrituras. Não celebramos Martinho Lutero como se ele fosse o centro da nossa fé, mas agradecemos a Deus porque, por meio da Reforma, verdades fundamentais do Evangelho foram novamente proclamadas com clareza. O centro da nossa fé não é Lutero, nem qualquer ser humano. O centro da nossa fé é Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado para a nossa salvação.

Por isso, a Reforma não é apenas uma lembrança histórica. Ela continua sendo um chamado para que a Igreja permaneça fiel à Palavra de Deus e anuncie a salvação pela graça, mediante a fé em Cristo. Em cada culto, em cada estudo bíblico, em cada batismo, na administração da Santa Ceia e no testemunho cristão diário, somos lembrados de que Deus continua vindo ao nosso encontro com seus dons.

Que o Senhor nos conserve firmes na sua Palavra, fortaleça nossa fé e nos capacite a anunciar o Evangelho eterno às pessoas ao nosso redor. Que nossos filhos e netos também conheçam essa mensagem e encontrem em Jesus Cristo o perdão, a esperança e a vida eterna.Que a nossa celebração da Reforma seja mais do que recordar o passado: seja uma oportunidade para confessar novamente a nossa fé e proclamar ao mundo que a salvação está em Jesus Cristo! Amém.

Oração final

Senhor Deus, nosso Pai celestial, nós te agradecemos porque preservaste tua Palavra e fizeste resplandecer novamente o Evangelho na época da Reforma. Obrigado porque, por meio de Jesus Cristo, nos concedes perdão dos pecados, vida e salvação, não por nossos méritos, mas por tua graça.

Conserva-nos firmes na tua Palavra. Livra-nos de confiar em nossas próprias obras e fortalece nossa fé em Cristo, nosso único Salvador. Dá-nos coragem para anunciar o Evangelho eterno às pessoas que ainda não conhecem o teu amor. Abençoa nossa Igreja, nossos pastores, professores, líderes, famílias e crianças, para que a tua Palavra continue sendo ensinada e proclamada às próximas gerações.

Faz de nós testemunhas fiéis do teu amor, para que, em tudo o que fizermos, teu santo nome seja glorificado. Por Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Amém.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 24 de outubro de 2026

 

TEXTO:  JO 8. 31-36

TEMA:  SOMOS LIVRES QUANDO O FILHO NOS LIBERTA!

Hoje, lembramos a Reforma realizada pelo Dr. Martinho Lutero, iniciada no dia 31 de outubro de 1517 quando afixou às 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha. E para este dia da Reforma, vamos refletir sobre o texto de João 8.31-36. A temática da mensagem está centralizada nas palavras de Jesus no versículo 36: “Somos livres quando o Filho nos liberta”

 É uma expressão maravilhosa que resume a essência do Evangelho, às palavras de Jesus. Mas libertar de quê? O Filho nos liberta da escravidão do pecado, pois todo aquele que comete pecado é escravo do pecado (v.34). A escravidão do pecado é uma condição que afeta toda a humanidade desde a queda de Adão e Eva. Ocorre que o homem foi dominado pelo pecado de tal modo que ele é incapaz de se libertar desse domínio. E um simples assentimento mental não é suficiente para tornar o homem verdadeiramente livre da escravidão do pecado.

No entanto, o Filho nos liberta da escravidão do pecado, pois tem a autoridade para nos libertar do domínio de Satanás e do pecado.  Somente Ele tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Por isso, a única liberdade verdadeira é a liberdade trazida por Cristo: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (v.32). É uma liberdade verdadeira que nos permite viver em comunhão com Deus. Mas essa liberdade não significa fazer o queremos. Pelo contrário, é uma liberdade para viver de acordo com o propósito de Deus para as nossas vidas.

 Foi na Bíblia que Lutero descobriu a “verdade que liberta,” quando vivia na angústia e no desespero, pois havia um profundo desprezo à pregação da verdade por parte dos clérigos da Igreja Romana. A Igreja havia se distanciado dos princípios registrados na Bíblia, a única fonte de conhecimento para fundamentar a fé cristã. Os ensinamentos de Jesus não eram mais os mesmos. O povo acreditava em bruxarias, superstições e só ouviam falar de Jesus como Juiz irado e não como o amoroso Salvador. Além disso, o que mais perturbava Lutero na época, era a venda das indulgências. Por outro lado, as obras desempenhavam o papel principal no ensinamento dos mestres e professores daquela época. O relacionamento entre homem e Deus, era através das boas obras. Lutero ao viver neste contexto sentiu que sua vida estava alicerçada em farsas, em mentiras, inverdades. indulgências e penitências, e nada disso o faria chegar mais perto de Deus diante destes ensinamentos.

 Muitos anos depois da Reforma, é triste dizer que muitas pessoas desistiram de buscar esta verdade. Hoje, estamos enfrentando a secularização, o liberalismo e o relativismo da Palavra de Deus. A idolatria, relíquias, prosperidade, ritos e promessas idênticos do tempo de Lutero têm se propagado em muitas igrejas. O que se observa que  as verdades essenciais do evangelho estão ausentes em  muitos púlpitos. Há extrema confusão, perda de identidade e distanciamento do que Jesus ensinou. Lutero, ficaria perplexo de ver a verdade, algo tão precioso sendo relativizada e desprezada neste mundo contemporâneo. Por isso, é de suma importância reavaliarmos nossa caminhada à luz da Palavra de Deus e sermos fiéis ao Filho que nos libertou da escravidão do pecado.

 Estimados irmãos! Jesus fez um discurso aos judeus. Nesse discurso, Ele falou sobre pontos fundamentais da mensagem do Evangelho, especialmente, sobre sua pessoa e ministério. E ao final do seu discurso houve certa reação. Alguns dos judeus chegaram a crer nele (v.30). Outros se mostraram entusiasmados com os ensinamentos de Jesus, mas não creram, não entenderam e passaram a questionar Jesus, pois sentiram-se ofendidos pela forma como Ele falava. (v. 31,33,40). Diante desta reação, Jesus mostra quem é o verdadeiro discípulo. Ele, primeiro, os convida a permanecer em sua palavra. (v.32a).

 Permanecer é uma palavra que significa ficar, manter-se, não sair. Ora, permanecer na palavra de Jesus tem vários aspectos: primeiro, quando ouvimos a Palavra de Deus ou lemos é preciso guardar no coração. O salmista, muitos anos antes, já vivia essa experiência e a retratou no Salmo 119.11: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. Segundo, ter a Palavra de Deus no coração é fundamental para aquele que segue a Jesus, mas também há necessidade de colocar em prática aquilo que é ensinado: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (Tiago 1.22). Em suma, um cristão genuíno que permanece na Palavra de Deus, obedece e procura entender é um verdadeiro discípulo.

 Para aqueles que perseveram, permanecem firmemente nos ensinos da Palavra de Deus, Jesus diz: “conhecereis a verdade.” (v.32a).  A palavra "conhecer” vem do grego γινώσκω que significa aprender a conhecer, vir a conhecer, obter um conhecimento, tornar-se conhecido. Fica evidente que, quem permanecer, ficar, continuar, ser perseverante, é moldado pelos ensinamentos de Jesus. E, consequentemente, nos leva conhece-lo de maneira muito mais profunda, pois conheceremos a “verdade.” Observa-se que João apresenta um conceito de verdade diferente da concepção grega.  Para os gregos, verdade significa o que é palpável, real. Mas qual é a verdade que Jesus está falando? Como podemos conhecer esta verdade?  Deus revelou a verdade ao mundo através de Jesus. Quando Jesus veio como homem, ele nos mostrou a verdade de uma forma que podemos compreender.  Jesus em Jo 14.6 mostra que Ele é a verdade divina. Nele os homens vivem e se libertam do pecado.

 Ao longo dos séculos, muitas pessoas têm confessado esta verdade que Jesus ensinou. Lutero é um exemplo.  Ele viveu num período que caracterizou por um profundo desprezo à pregação da Palavra de Deus por parte dos clérigos da Igreja Romana. O povo acreditava em bruxarias, eram cheios de superstições e só ouviam falar de Jesus como Juiz irado e não como o amoroso Salvador. Além disso, o que mais perturbava o povo na época, era a venda das indulgências. Por outro lado, as obras desempenhavam o papel principal no ensinamento dos mestres e professores daquela época. O relacionamento entre homem e Deus, era através das boas obras. Lutero ao viver neste contexto sentiu que sua vida estava alicerçada em farsas, em mentiras, inverdades. indulgências e penitências, e nada disso o faria chegar mais perto de Deus diante destes ensinamentos.

 Lutero encontrou nas Escrituras, a verdade quando vivia na angústia e no desespero. Entendeu de que bastava crer em Jesus, o caminho, a verdade e a vida, que seria liberto e teria paz em sua vida. Com certeza, lembrou das palavras de Jesus, para aqueles que creram nele “e a verdade vos libertará” (v.32b). Mas será todos entendemos o que é liberdade? A Bíblia explica que a verdadeira liberdade está em Jesus Cristo. Ele é a verdade que liberta. Ele veio para nos libertar do domínio de Satanás e do pecado. Somente Ele tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Por isso, a única liberdade verdadeira é a liberdade trazida por Cristo. Quando Ele nos liberta então, seremos livres. Porém, ser verdadeiramente livre não significa viver uma vida sem compromisso e sem lei (1 Coríntios 9.21; Gálatas 6.2). Portanto, livre de verdade é aquele que serve a Deus e vive uma vida de acordo com sua vontade.

 Quando Jesus falou sobre liberdade, deixaram os judeus atônitos e responderam: “Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres?” (v.33). Estes judeus eram opositores e procuraram matar Jesus (vv.37, 39). Jesus disse que eram filhos de Satanás. (v.40). Eles se sentiram afrontados pelas palavras de Jesus, e argumentam: “somos descendentes de Abraão.” Para eles o patriarca Abraão era um homem em aliança com Deus, e impôs toda a liberdade civil e religiosa sobre eles, e nunca foram escravizados por qualquer poder estrangeiro e governado por leis. Este foi o maior orgulho dos judeus, de que eles eram os herdeiros da aliança com Abraão. Sendo assim, afirmam: “jamais fomos escravos de alguém.” É evidente que este argumento dos opositores não era verdadeiro. Esqueceram que viveram na escravidão no Egito e na Babilônia. Serviram a essas nações como escravo. Com tal argumento, tentaram também esquecer do fato bem presente de que naquele tempo Roma dominava a terra de Israel.

 Diante desta atitude dos judeus, o que se conclui é que eles não admitiam para si mesmos, que não eram livres. Então, Jesus replica com outra declaração, tentando ampliar e esclarecer aos judeus. Ele recordou-lhes que havia outra escravidão à qual eles não davam a mínima atenção. Jesus afirma: “Em verdade, em verdade vos digo: Todo o que comete pecado é escravo do pecado.” (v.34).  Jesus usa aqui o termo δοῦλος que significa literalmente “escravo” em grego. Muitos traduzem como “servo”. Jesus ao usar este termo marcou a consciência inquieta de que eles não eram tão livres quanto gostariam de ser, pois eram escravos do pecado e não queriam admitir. Pensavam que sendo descendente de Abraão, eram livres.

 Mas o que é ser escravo do pecado? O pecado procura uma maneira de nos escravizar, controlar, dominar e ditar nossos atos. Tem poder sobre o homem e o torna seu senhor. Torna-se permanente em nossa carne cujo efeito é a escravidão. E não existe escravidão semelhante a esta. Quantas pessoas, em todo o mundo, são escravas do pecado, embora não admitam! Tornaram-se cativos de suas fraquezas e corrupções, e se mostram incapazes de serem libertos. Às vezes, se orgulham de serem eminentemente livres. Em Rm 7.20-24.  Paulo nos revela a extensão da realidade do pecado. Precisamos acolher o Filho de Deus, que nos libertou do poder do pecado (Rm 6.1-5). Ele veio para nos libertar da escravidão do pecado. Quando nos aproximamos de Cristo em arrependimento e recebemos este perdão, e somos capacitados pelo Espírito Santo que vem habitar em nós.

 Diante dos argumentos dos seus opositores, Jesus, faz uma diferença entre o escravo e filho. Assim, entenderia o que Jesus estava ensinando: “O escravo não fica para sempre em casa.” (v.35a).  Em qualquer casa havia uma diferença entre o escravo e o filho. O escravo não tinha vontade própria. Ele fazia somente a vontade do seu senhor.  Ele não é o herdeiro e pode a qualquer momento ser expulso da casa, ou ser vendido. Diferente é o filho: “filho, sim, para sempre.” (v.35b).Ele tem o direito. É o herdeiro e não pode ser descartado ou vendido. É privilegiado com o direito de permanecer na família até a morte. Mas o que Jesus queria mostrar com essa diferença aos judeus? Jesus estabelece uma advertência aos judeus: vocês podem ser escravos do pecado, que conduz à morte, ou podem escolher ser filho e obedecer a Deus, que conduz à vida de justiça. Se vocês não forem filhos, são considerados escravos, e não terão seus privilégios especiais como nação. Jesus, então, poderia perguntar aos seus opositores: Vocês creem que são os filhos na casa de Deus? Creem que nada lhes pode separar da presença de Deus?  Mas a grande questão é: nós temos sido escrevo ou temos sido filhos?

 Finalizando Jesus mostra aos seus opositores a natureza da verdadeira liberdade: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. (v.36). Estas palavras de Jesus, é uma expressão maravilhosa que resume a essência do Evangelho. Demonstra que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Isso significa que o homem foi dominado pelo pecado de tal modo que ele é incapaz de se libertar desse domínio. E um simples assentimento mental não é suficiente para tornar o homem verdadeiramente livre. É necessário que haja uma entrega completa a Cristo, reconhecendo-o como   Aquele nos libertou do domínio de Satanás e do pecado.  Somente Ele tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Por isso, a única liberdade verdadeira é a liberdade trazida por Cristo. Quando Ele nos liberta então, seremos livres. Porém, ser verdadeiramente livre não significa viver uma vida sem compromisso com o Filho, (1 Coríntios 9.21; Gálatas 6.2) servindo e vivendo de acordo com sua vontade.

 No entanto, muitos anos depois da Reforma, é triste dizer que muitas pessoas desistiram de buscar esta verdade. Hoje, estamos enfrentando a secularização. Liberalismo e o relativismo da Palavra de Deus. A idolatria, relíquias, prosperidade, ritos e promessas idênticos do tempo de Lutero têm se propagado em muitas igrejas. O que se observa que as verdades essenciais do evangelho estão ausentes em muitos púlpitos. Há extrema confusão, perda de identidade e distanciamento do que Jesus ensinou. Lutero, ficaria perplexo de ver a verdade, algo tão precioso sendo relativizada e desprezada neste mundo contemporâneo. É de suma importância reavaliarmos nossa caminhada à luz da Palavra de Deus e sermos fiéis ao Filho que nos libertou da escravidão do pecado.

Estimados irmãos! Assim como Deus agiu na História, através de Lutero, ocasionando a Reforma, Deus também quer usar a cada um de nós, para transmitir a sua mensagem ao mundo e mostrar que o Filho nos liberta da escravidão do pecado; que tem a autoridade para nos libertar do domínio de Satanás e do pecado; que tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Como é maravilhoso depois de 507 anos, ainda continuamos pregando, confessando e proclamando esta verdade! Por isso, cremos que Jesus Cristo nos liberta da escravidão do pecado. Amém!

 

 

 TEXTO: RM. 1.17

TEMA: COMO POSSO ENCONTRAR UM DEUS MISERICORDIOSO?

No dia de hoje lembramos a Reforma realizada pelo Dr. Martinho Lutero, iniciada no dia 31 de outubro de 1517 quando afixou as 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha. Tantos anos se passaram, e ainda guardamos na memória os grandes acontecimentos que marcaram a História, que movimentou o mundo religioso, cultural, político e econômico da época. Mas será que as pessoas sabem quem foi Lutero? Será que os luteranos conhecem o legado que Lutero deixou? Conhecem as suas obras? Para muitas pessoas, Lutero continua sendo um desconhecido ou, no máximo um monge rebelde que protestou contra a Igreja e que abandonou o convento, porque queria casar. Outros afirmam que Lutero foi um antissemita, perseguiu os judeus. Afirmam ainda que, ao mesmo tempo em que Lutero apresentava sólida argumentação teológica, exegética e histórica, também se utilizava de frases, figuras e exemplos do cotidiano, muitos dos quais eram preconceituosos e agressivos contra os acusadores. E por fim, tem aqueles que afirmam que os seus vícios, às vezes, eram mais visíveis do que as virtudes. 

No entanto, para outros, ele deixa de ser um desconhecido, pois ocupa espaço nos estudos   de muitos acadêmicos e graduados de diversas áreas do conhecimento humano, ou seja, da teologia, da política, da economia e da cultura. Além disso, as obras de Lutero têm despertado interesse. São obras que têm fascinado estudiosos. Na qualidade de teólogo, pregador, conselheiro espiritual, poeta de hinos e orador, Lutero deu testemunho da mensagem bíblica a respeito da salvação em Cristo Jesus, levando às pessoas através das suas mensagens, o consolo e o cuidado aos necessitados. É de se admirar a coragem que ele teve de manifestar seus sentimentos, de forma tão obstinada numa época de terror em que a inquisição perseguia, e condenava pessoas à morte de forma arbitrária e impiedosa.

Indiscutivelmente, a Reforma está entre os acontecimentos incisivos na História alemã, europeia e mundial. Por isso, há bons motivos para recordar a Reforma por ocasião dos 505 anos do aniversário da “divulgação das teses”, pois ela foi importante revolução cultural e histórico-religiosa. Ela influenciou tanto a língua alemã, como teve efeitos também sobre a música e a arte. Deu impulsos importantes ao setor educacional e criou as bases para a participação social e política. Como se observa, Lutero desempenhou um papel de tremenda importância na transformação da igreja e da sociedade medieval, que teve efeitos duradouros, e que ainda se mostram na atualidade. 

Entretanto, não vamos nos deter no legado que Lutero deixou para humanidade, uma vez que as suas obras são extensas. Mas vamos refletir sobre a situação espiritual que vivia o povo naquela época. A Idade Média se caracterizou por um profundo desprezo à fiel pregação da Palavra de Deus por parte dos clérigos da igreja romana. As pessoas acreditavam em bruxarias, eram cheias de superstições e só ouviam falar de Jesus como Juiz irado e não como o amoroso Salvador. Além disso, o que mais perturbava o povo na época, era a venda das indulgências. Por outro lado, as obras desempenhavam o papel principal no ensinamento dos mestres e professores daquela época. O relacionamento entre homem e Deus, era através das boas obras. Diante deste ensinamento, Lutero vivia preocupado: “Como posso encontrar misericordioso?”

I

 Lutero foi um jovem educado nas verdades cristãs. Ele conhecia sobre Deus, pois a igreja o lembrava, constantemente, sobre a existência do Deus Criador, mantenedor e justo. Ele conhecia os mandamentos de Deus. Os dez mandamentos lhe foram incutidos no lar, na escola e na igreja. Ele conhecia Jesus, o Filho de Deus, Salvador. No entanto, todas estas verdades foram lhe ensinadas com um enfoque na lei de Deus. Na verdade, foi educado sob o rigor baseado na lei de Deus. Na medida em que crescia e meditava na lei, crescia também o pavor diante do Santo e justo Deus. A lei despertou no coração de Lutero a pergunta: “Como conseguirei um Deus misericordioso?”

Esta era a pergunta vital que atormentava Lutero. A pergunta que pairava na mente de todas as pessoas da época. É a pergunta da humanidade ainda nos dias de hoje. O homem de hoje também pergunta, uma vez que a nossa geração não está longe dos costumes, crenças e preocupações que havia no tempo de Lutero. A maioria das igrejas tem pregado sobre prosperidade no lugar de arrependimento. Têm pregado curas e milagres em lugar de novo nascimento. Têm pregado psicologia de autoajuda, em lugar de ajuda do alto. Têm pregado um antropocentrismo idolátrico, em vez de pregar a soberania de Deus, a centralidade de Cristo e o poder do Espírito Santo. Muitos pregadores inescrupulosos, em busca de resultados imediatos ou até mesmo de lucro, mudam a mensagem, e acrescentam práticas místicas como água ungida sobre o rádio, rosa ungida, cair no espírito e coisas semelhantes, levando o povo a colocar sua confiança em amuletos e coisas de nenhum valor aos olhos de Deus. Alguns segmentos da igreja contemporânea perdeu o foco quando abraçou o liberalismo teológico de um lado e o misticismo por outro

Como conseguirei um Deus misericordioso? Quando Lutero interrogava e queria resposta, a igreja tentava sufocar tal pergunta ou respondia levianamente: cumpre a lei e as ordens da igreja. Mas se você quer ter plena certeza do perdão, torne-se monge. Lutero tentou o caminho das obras ensinadas pela igreja. Certo dia, ao regressar da casa de seu pai, foi surpreendido por uma tempestade. Refugiou-se numa floresta. De repente, bem perto dele, um raio atingiu uma árvore, que se partiu ao meio. Lutero, apavorado, temendo a morte e o juízo de Deus, exclamou: “Santa Ana, valei-me! Far-me-ei monge, se me for poupada a vida.” De volta a Erfurt, tratou de cumprir sua promessa. E contra a vontade de seus pais, professores e muitos amigos, entrou no mosteiro. E naquele lugar, pensava em buscar a perfeição. Estudou e orou muito. Mendigou. Flagelou-se até desmaiar. Tornou-se sacerdote.

Entretanto, a paz da alma parecia-lhe cada vez mais distante. Lutero confessou: “Por mais que me dedicasse e buscasse a Deus, eu não podia amar a este Deus que exige, ameaça e condena. Eu odiava a Deus.” Mesmo em todo a esse desespero, Lutero continuava lendo a Bíblia. Foi na Bíblia que Lutero descobriu o evangelho obscurecido desde a época dos discípulos. Ele ficou extremamente emocionado com essa descoberta: “Finalmente, pela misericórdia de Deus, meditando de dia e de noite, dei atenção ao contexto das palavras, a saber:  'O justo viverá pela fé.' Então comecei a entender que a justiça de Deus é aquela pela qual o justo vive por um dom de Deus, em outras palavras, pela fé. Aí toda a escritura me mostrou uma face totalmente diferente. (...) Assim como antes eu havia odiado violentamente a frase “justiça de Deus”, com igual intensidade de amor eu agora a estimava como a mais querida. Assim esta passagem de Paulo de fato foi para mim a porta do paraíso.”

                                                             II

Quando Lutero viu que o homem é salvo pela graça de Deus, revoltou-se contra os abusos da Igreja e escreveu as 95 teses. Foram afixadas no dia 31 de outubro de 1517, na porta da capela da cidade de Wittenberg na Alemanha. As quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. Martinho Lutero provocou mudanças profundas ao denunciar esta situação. Sendo assim, esta verdade, que Lutero descobriu, precisava ser anunciada.  Precisava ser proclamado que “o justo viverá pela fé” e não pelas suas riquezas, ou por posição social, e nem pelas boas obras. De fato, esta notícia se espalhou rapidamente pelo mundo católico europeu. Em apenas duas semanas, as teses foram traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. De tal forma que, se espalhou por toda a região da Alemanha e, nos próximos dois meses, conquistou toda a Europa. Começava ali uma luta, o empenho firme e decidido baseado em três grandes pilares: Sola Gratia, Sola Fide e Sola Scriptura. Este assunto foi o centro da Reforma e seu mais precioso legado à cristandade.

Lutero encontrou esta verdade do evangelho autêntico em Romanos 1, versos 16 e 17: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Rm 1.16 -17). Ele encontrou ainda a certeza de que não há como alguém merecer o favor de Deus por causa de alguma coisa que faz. Mas a única forma de alguém obter o favor Deus é através da fé em Jesus Cristo; que é através da fé em Jesus que os pecados são perdoados por Deus. Este entendimento, conhecido como a doutrina da justificação pela fé, tornou-se um dos pilares do pensamento religioso de Lutero. Até ao fim da sua existência, Lutero quer como monge como professor, quer como pastor, sempre considerou a Sagrada Escritura como a fonte autêntica da verdade para todos os aspectos da vida do homem e da sociedade

Assim como Deus agiu na História, através de Lutero, ocasionando a Reforma, Deus também quer usar a cada um de nós, para transmitir a sua mensagem ao mundo e mostrar ao nosso próximo que o “justo vive pela fé”. Também é um momento para agradecermos porque temos a Palavra de Deus e as Confissões Luteranas que expõem a Escritura com clareza, cujo resumo conhecemos no Catecismo Menor. Nossa liturgia e nossos hinos nos transmitem o doce evangelho, bem como assim nossos devocionais. Nosso pedido e nossa súplica é que Deus, por sua misericórdia nos conserve firmes e fiéis às Sagradas Escrituras. Nesse mundo de tantas tentações, de tantas adequações e tantas acomodações, que Ele jamais permita que o liberalismo, costumes, praxes, tradições e ou adaptações deste mundo, se sobreponham a verdade única e absoluta da Bíblia Sagrada. Hoje louvamos a Deus, porque depois de 505 anos, ainda continuamos pregando, confessando e proclamando que o “Justo viverá por fé.” 

Portanto, pedimos a Deus que nos faça crescer no consolo da graça, nos mantenha firme na fé, no amor à sua palavra e nos capacite para nossa missão. Na missão de anunciar que o “justo viverá pela fé”. Amém!