terça-feira, 9 de junho de 2026

TEXTO: EX 19.2-8

TEMA: DEUS FAZ ALIANÇA COM SEU POVO

O capítulo 19 de Êxodo marca um momento decisivo na história do povo de Israel. Após serem libertados da escravidão no Egito, os israelitas chegam ao Monte Sinai. Nesse lugar, Deus estabelece uma aliança com eles e revela sua identidade e missão como povo escolhido, chamado para viver em comunhão com Ele e testemunhar sua vontade ao mundo.

Alianças, pactos, acordos ou contratos estão presentes nos âmbitos militar, comercial, político e religioso. Eles fazem parte da convivência humana em todas as épocas e nas mais diversas sociedades.O casamento é um exemplo de aliança, pois utiliza-se uma aliança (anel) para simbolizar a união, o compromisso de fidelidade e o amor mútuo entre um casal. Assim, o anel serve como uma lembrança visível do pacto estabelecido entre marido e esposa. Ambos assumem responsabilidades e compromissos. Embora sejam pessoas distintas, cada parte tem deveres, obrigações e atitudes a observar e cumprir.Enfim, uma aliança é a união entre duas ou mais partes em torno de um objetivo comum. Ela pode ser estabelecida entre pessoas, empresas, associações, partidos, nações ou quaisquer outras entidades que desejem firmar compromissos mútuos para alcançar determinados propósitos.

Quando olhamos para as Escrituras, podemos perceber que Deus firmou diversas alianças com o seu povo. Muito antes de a nação de Israel existir, Deus estabeleceu uma aliança eterna com Abraão. Por meio dessa aliança, Deus formaria uma grande nação e, através desse povo especial, abençoaria o mundo inteiro. Deus cumpriu fielmente a promessa feita a Abraão e aos seus descendentes.

Mais tarde, depois que Moisés tirou o povo de Israel do Egito, eles atravessaram o deserto e chegaram ao Sinai. Ali, Deus fez uma aliança com Moisés e com todo o povo de Israel. Enquanto o povo permanecia acampado, Moisés subiu ao Monte Sinai para encontrar-se com Deus e receber suas instruções. O SENHOR lhes deu leis e mandamentos para guiá-los em uma vida de santidade e para que não voltassem à escravidão do pecado, esperando deles fidelidade e obediência.

Essa aliança foi marcada de maneira especial. Deus desejou que o pacto fosse confirmado com a participação consciente do povo. Por isso, quando ouviram as palavras do Senhor, os israelitas responderam: “Tudo o que o Senhor falou faremos”. Assim, comprometeram-se a viver de acordo com a vontade de Deus.

A aliança do Sinai foi posteriormente renovada e ampliada por meio de Jesus Cristo. Seu sangue sacrificial selou a nova aliança entre Deus e seu povo, incluindo agora todas as nações, conforme a promessa feita a Abraão. Jesus cumpriu perfeitamente a aliança em nosso lugar por meio de sua obediência. Ele veio ao mundo para renovar o coração dos pecadores, oferecendo vida, perdão e salvação.

Nós, cristãos, participamos dessa nova aliança estabelecida por Deus. Pela fé em Jesus Cristo, fé que o próprio Espírito Santo opera em nossos corações, tornamo-nos parte do povo de Deus. Sem dúvida, a mais importante de todas as alianças foi selada com o sangue de Cristo na cruz.

Mas será que nós, cristãos, estamos vivendo como participantes dessa nova aliança? Fazer parte do povo de Deus significa viver em arrependimento e fé, buscando diariamente a vontade do SENHOR. Somos chamados a abandonar aquilo que nos afasta de Deus e a viver em obediência à sua Palavra, demonstrando fidelidade, amor e gratidão por tudo o que Cristo realizou por nós.

Estimados irmãos! O povo já havia percorrido uma longa jornada desde a libertação do Egito. Durante esses meses, Deus demonstrou seu poder e cuidado de diversas maneiras: abriu o Mar Vermelho, guiou o povo por meio da coluna de nuvem e de fogo, providenciou água e alimento no deserto e os protegeu dos seus inimigos.Agora, no terceiro mês após a saída do Egito, Israel chega ao Monte Sinai, um lugar especial na história da salvação. Foi nesse monte que Deus havia aparecido a Moisés na sarça ardente e prometido que, após a libertação, o povo o adoraria naquele lugar (Êxodo 3.12). Assim, a chegada ao Sinai representa o cumprimento da promessa de Deus.

Após Israel acampar diante do Monte Sinai, Moisés sobe ao monte para encontrar-se com Deus. Enquanto os israelitas permanecem no acampamento, Moisés é chamado à presença do SENHOR para receber a mensagem divina. O texto afirma: “Subiu Moisés a Deus, e do monte o SENHOR o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel” (v. 3).Esse versículo destaca que foi Deus quem tomou a iniciativa. O SENHOR chama Moisés e lhe entrega uma mensagem para ser transmitida ao povo. Isso revela o desejo de Deus de relacionar-se com seu povo e comunicar-lhe a sua vontade.

Ao utilizar as expressões “casa de Jacó” e “filhos de Israel”, Deus relembra a identidade e a história daquele povo. Eles eram os descendentes dos patriarcas, especialmente de Jacó, a quem Deus havia dado o nome de Israel. Dessa forma, o SENHOR demonstra sua fidelidade às promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. Além disso, o chamado de Moisés evidencia o papel do mediador entre Deus e o povo. Moisés recebe a Palavra de Deus e a transmite aos israelitas. Da mesma forma, Deus continua falando ao seu povo por meio de sua Palavra. Hoje, a mensagem divina é anunciada na Igreja por meio das Escrituras Sagradas e da pregação do Evangelho.

Assim como Israel foi chamado a ouvir atentamente a mensagem transmitida por Moisés, os cristãos também são chamados a ouvir a voz de Deus revelada nas Sagradas Escrituras. Nelas encontramos a vontade do SENHOR, suas promessas de graça e a salvação que nos foi concedida por meio de Jesus Cristo.

Nesse encontro com Moisés, Deus ordena que ele fale aos filhos de Israel sobre sua poderosa ação no Egito e sobre as bênçãos derramadas sobre o povo. O Senhor deseja que os israelitas se recordem de tudo o que Ele fez para libertá-los da escravidão. Isso demonstra que a salvação de Israel não foi resultado de sua própria força, mas da ação graciosa e poderosa de Deus.O SENHOR declara: “Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos cheguei a mim” (v. 4). Com essas palavras, Deus relembra os acontecimentos extraordinários do êxodo, especialmente a travessia do Mar Vermelho, um livramento que somente Ele poderia realizar.

A figura da águia é uma metáfora expressiva do cuidado divino. Assim como a águia protege seus filhotes e os conduz em segurança, Deus guardou seu povo dos perigos e o conduziu para longe da escravidão. A imagem transmite proteção, força, cuidado e a rapidez com que o SENHOR agiu em favor de Israel.Ao dizer: “vos cheguei a mim”, Deus revela o propósito de sua libertação. Ele não apenas desejava tirar o povo do Egito, mas trazê-lo para perto de si, estabelecendo um relacionamento de amor, comunhão e aliança. O SENHOR queria que Israel fosse o seu povo e que vivesse sob seu cuidado e direção.Por isso, Deus libertou os israelitas da escravidão egípcia e chamou Moisés para liderá-los na longa jornada rumo à Terra Prometida, Canaã. Desde o início, o objetivo do SENHOR era formar um povo que lhe pertencesse. Como Ele mesmo afirmou: “Tomar-vos-ei por meu povo, e serei o vosso Deus” (Êx 6.7).

Essa passagem também aponta para a obra salvadora de Cristo. Dessa forma, como Deus libertou Israel da escravidão do Egito e o trouxe para perto de si, Ele nos liberta da escravidão do pecado por meio de Jesus Cristo. Pela fé, somos conduzidos à comunhão com Deus e recebidos como seu povo amado, vivendo sob sua graça e proteção.

O povo deveria se conscientizar sobre estas bênçãos recebidas.E reconhecer que tinham diante de si um grande desafio: “ouvir a  voz do Senhor e guardar a Sua aliança.” (v.5a).  Esta recomendação torna-se importante, porque todas, as vezes que, que   o povo deixou de escutar ao SENHOR e guardar a Sua aliança,teve  muitas consequências desastrosas. Esta é a realidade que vivenciamos. Enquanto algumas mostram disposição para ouvir atentamente e ser obedientes às palavras de Deus, outras parecem fechar os ouvidos, não querendo escutar, tampouco obedecer. Ouvem conversas fiadas, fofocas, calúnias, acusações,menos o ouvir da voz do SENHOR e o guardar a Sua aliança.De fato,precisamos aprender a escutar, acima de tudo, saber escutar a Deus. Por isso, que a ordem é sempre essa: “ouvir minha voz do SENHOR.”

É importante observar a conjunção “se”, em seu uso condicional,nesse versículo. Esta conjunção fornece uma característica única dentro das alianças: um caráter condicional. Um pacto condicional ou bilateral é um acordo que obriga ambas as partes ao seu cumprimento quando concordam em cumprir certas condições.Por esse motivo, diferente de todas as outras alianças, os benefícios divinos estavam atrelados a certas condições a serem cumpridas por Israel.Se o povo obedecesse, seria abençoado, mas se “quebrasse” a aliança, seriam castigados. Cada geração tinha o dever de renovar a aliança com Deus e guardar Suas leis. O SENHOR deixou evidente estas palavras em Dt. 28.1-2: “E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus.”

Portanto, se o povo guardasse (fidelidade), a aliança, o SENHOR ofereceria os benefícios: “Então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa” (vv.5b e 6a).Neste versículo, o SENHOR apresenta dois benefícios: primeiro,o povo seria transformado em “propriedade peculiar”. A expressão em hebraica sugere algo muito precioso. Isto significa que o povo para o SENHOR era precioso ou especial de  “dentre todos os povos”. O fato é que os israelitas teriam um relacionamento especial com Deus e ocupariam um lugar ímpar dentro do seu plano. Desempenhariam uma função mediatória entre Deus e as outras nações, seja por meio do testemunho que deveriam dar, sobre a obra maravilhosa que Deus haveria de realizar ao enviar o Seu Filho. São ideias  escatológicas, que demonstram a ideia de Deus já naquela época de que todos tivéssemos acesso direto a Deus através de Jesus Cristo.

Deus nos escolheu para sermos uma propriedade particular: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.”(João 15.16 ).Alguma vez você já pensou no grande privilégio que é ser chamado de “propriedade peculiar de Deus”?Imagine ser a “propriedade peculiar” (ou tesouro especial) de Deus. Como você acha que Deus vai te tratar? Se nós seres humanos tratarmos nossos bens valiosos com tanto cuidado e dedicação, agora, imaginem o cuidado que Deus tem para conosco,Seu tesouro especial!No entanto, tornar-se a propriedade peculiar de Deus requer obediência,deveres e responsabilidades a Ele.

Segundo,o povo seria uma “nação santa”.Deus constituiu uma aliança, porque através dela queria transformar um povo numa “nação santa.A palavra hebraica traduzida como “santa” é “kadosh”, Ela não significa apenas “algo sagrado”, mas também tem a ideia de “separado”. Este conceito não era simplesmente de se manter distância dos outros povos, pois o plano divino envolvia o fato de que as nações seriam abençoadas e alcançadas através do povo de Israel (Gn 18.18). O povo seria um instrumento, um canal de Deus para o serviço e para a glória de Deus.

No Novo Testamento, encontramos a mesma ideia. Em 1 Pedro 2.9, lemos: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”Ao falar de uma “nação santa”, Pedro não se refere a uma entidade política ou a um país específico, mas à Igreja de Cristo, formada por homens e mulheres que foram chamados por Deus, vivem pela fé em Jesus Cristo e procuram andar em santidade diante d’Ele. São pessoas que reconhecem Jesus como seu Salvador e Rei e pertencem exclusivamente ao Senhor.

A aliança que Deus estabelece conosco tem como propósito fazer de nós o seu povo. Fomos separados para Deus, reconciliados com Ele por meio de Cristo e chamados a viver em sua presença. Como povo da aliança, somos chamados a cumprir a vontade de Deus, manifestar sua glória e refletir seu caráter neste mundo.Por essa razão, fomos libertados do domínio do pecado e transportados para o reino da luz. A vida cristã implica uma nova maneira de pensar, agir e viver. Como ensina a Escritura, não há comunhão entre a luz e as trevas. Isso não significa que os cristãos devam se isolar das demais pessoas, mas que seus valores, sua fé e sua conduta são moldados pela Palavra de Deus.

Portanto, aqueles que pertencem a Cristo vivem neste mundo como testemunhas do Evangelho. Eles procuram amar o próximo, servir a Deus e proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Essa é a identidade e a missão do povo da nova aliança: viver para a glória de Deus e anunciar a salvação em Jesus Cristo.

Após estas palavras, Moisés chamou os anciãos do povo e informou a eles todas as palavras que Deus lhe comunicou ( v.7).  A mensagem foi transmitida a todo o povo  por meio de seus anciãos. Essa não era uma decisão que Moisés podia tomar sozinho, pois sozinho não poderia cumprir a aliança. Era preciso participação voluntária do povo de Israel e do seu comprometimento oficial.Consequentemente, o povo respondeu às ordenanças do Senhor se comprometendo a fazer tudo o que o Senhor tinha lhes falado: “ Tudo o que o Senhor falou faremos. E Moisés relatou ao Senhor as palavras do povo” (v.8).Com essa resposta, o povo aceitou a aliança. Não era uma parte, mas todas as pessoas que prometeram isso, e a resposta foi sem reservas, declarando que fariam o que Deus exigisse.Agora,os filhos de  Israel querem ser fiéis ao SENHOR. Que momento maravilhoso na vida de Seu povo.

Deus desenvolveu um projeto de uma nova Aliança entre Deus e o seu povo. A aliança do Sinai é assim reconstituída, renovada e estendida por meio do sangue de Jesus, cujo sangue sacrificial sela o vínculo entre Deus e seu povo da aliança, agora incluindo as nações (conforme prometido a Abraão).Jesus cumpre o pacto em nosso favor por sua própria obediência na terra.Ele veio ao mundo para renovar os corações dos homens, oferecendo-nos vida, perdão e salvação. E nós, cristãos, efetivamente, participamos desta nova aliança firmada por Deus. Através da fé no Salvador, que o Pai coloca em nossos corações, passamos a fazer parte do seu povo. Sem sombra de dúvidas, a aliança mais relevante de Deus com seu povo foi selada com o sangue de Cristo.  

E nós? Temos conseguido ser fiéis à aliança do SENHOR? Temos feito todas as coisas conforme a Sua vontade? A verdade é que depois de cada promessa que fazemos, desobedecemos,pecamos contra a aliança do SENHOR. Mas Deus vem ao nosso encontro e continua renovando a Sua aliança. E esta renovação diária se dá através do arrependimento: reconhecimento dos pecados, fé em Jesus Cristo e o sincero desejo de ser fiel com a força oferecida pelo Espírito Santo.No poder do Espírito Santo, renovemos cada dia nossa aliança com o Deus, reconhecendo nossa desobediência, firmando nossa fé em Jesus Cristo.  Na fidelidade do Pai encontraremos forças para permanecermos em aliança com ele até chegarmos na presença visível d’Ele no céu

Portanto,que o SENHOR nos fortaleça para vivermos como seu povo escolhido, confiando sempre na obra salvadora de Jesus Cristo e servindo com alegria ao nosso Deus.Amém!

 

 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

TEXTO: Sl 100

TEMA: COMO DEVEMOS ADORAR DEUS?

Hoje, milhares de pessoas no mundo entram, semana após semana, nos locais de culto, onde cantam louvores a Deus, recebem a instrução da Palavra de Deus, comungam junto ao altar, e encontram auxílio e força para a vida diária. Diante desta busca pela casa do Senhor, perguntamos: Será que, muitas vezes, a nossa adoração não é um mero formalismo? Um conjunto de atos mecânicos, repetidos, sem sentido, uma mera rotina que nada contribui para a edificação, nem para a glória de Deus? Além disso, o culto para algumas pessoas é apenas uma reunião de membros na congregação. Outras usam o culto apenas para se encontrar com os amigos e discutir as últimas novidades. E tem aquelas que vão ao culto simplesmente para conversar, como se estivessem em suas casas e muitas destas conversas são frívolas e inapropriadas para um ambiente cristão. E fim, falta alegria, ânimo; palavras de compreensão e entendimento. Muitos cristãos não se preocupam de darem bom testemunho se colocando em intrigas, contendas, soberbas e coisas que Deus não se agrada.

Precisamos, entender que o verdadeiro culto é muito mais profundo. O verdadeiro culto envolve a nossa vida e a nossa entrega diária a Deus. O culto autêntico tem como base a nossa disposição voluntária de adorarmos a Deus. E isto não necessariamente na igreja, mas em todos os lugares. Podemos adorar a Deus em nossas casas, no caminho para o trabalho, andando, levantando, quando vamos dormir ou ao fazermos alguma atividade doméstica. Mas como devemos adorar a Deus? O salmista apresenta duas formas: Em primeiro lugar, somos chamados a adorar ao nosso Deus com alegria. Em segundo lugar, somos chamados para agradecer ao nosso Deus.

 Estimados irmãos! Os israelitas saiam de seus lares a fim de seguir sua jornada, para participarem das festas religiosas. Durante a viagem enfrentavam condições precárias em direção à Jerusalém, lugar de adoração e sacrifício a Deus. Apesar das dificuldades, os peregrinos cantavam, demonstravam confiança em Deus e exaltavam ao Senhor como o protetor nos momentos de dificuldades. Em certo sentido, esse era um momento alegre. Era a alegria em saber que estavam indo em direção ao templo de Jerusalém, com o objetivo único de adorar a Deus. O salmista estende também o convite a todos os povos: "Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras" (v.1). É uma ordem vibrante para louvar em público todos os moradores da terra. É uma ordem que se dirige não apenas a Israel, mas a toda a terra. Há um chamado universal que não prevê divisões étnicas, mas atinge a todos, judeus e gentios. Este chamado é uma demonstração de reconhecimento da soberania universal do Senhor, um Deus de toda a Terra e um Senhor disposto a receber adoradores de todas as partes para celebrar com grande alegria.

No entanto, a maior alegria era buscar o próprio Deus e se colocar diante Dele como um adorador no Templo, “servindo com alegria.” (v.2a). Mas o que é servir a Deus? Servir a Deus significa se colocar debaixo da autoridade de Deus, dedicar nossa vida a Ele, procurando fazer sua vontade e obedecer a seus mandamentos, trabalhar para o Senhor com nossos dons. O sentimento de servir a Ele é muito diferente daquele manifestado quando servimos aos outros. Para alguns servir aos outros tem algo em troca, uma recompensa que poderá trazer-lhe benefícios, quando o fazem para a sua própria glória.

No entanto, todo nosso serviço, seja louvor dirigido a Deus ou bondade estendida às pessoas ao nosso redor, deve ser oferecido com alegria. Servi ao Senhor com alegria – Eis a chave para o cumprimento de nossa missão no mundo. O povo de Israel alegrava-se em servir ao Senhor com grande alegria (2Cr 30.21; Ne 8.17). Em especial, o salmo 4 nos diz: "Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho" (v.7). Com grande entusiasmo também lemos muitíssimas passagens bíblicas que nos mostram o povo de Deus que servia com grande alegria. Uma das cenas mais marcantes das Escrituras, ocorreu quando o grande líder do povo de Deus, Josué guiou vitoriosamente o povo para dentro da terra prometida. Josué convidou o povo a reafirmar a sua fidelidade ao Senhor, e, para isso, ele dá o primeiro passo, dizendo: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. O povo, movido pela graça de Deus, responde: “Nós serviremos ao Senhor, pois Ele é o nosso Deus”. 

Chegando à casa do Senhor com alegria, o povo de Israel dava uma demonstração de agradecimento a Deus. Ao entrar nos átrios com ações de graça, as tribos do Senhor traziam as suas ofertas como agradecimento a Deus. Manifestavam seu louvor através dos cânticos. Hoje, milhares de pessoas no mundo entram, semana após semana, nos locais de culto, onde cantam louvores a Deus, recebem a instrução da palavra de Deus, comungam junto ao altar, e encontram auxílio e força para a vida diária. Diante desta busca pela casa do Senhor, perguntamos: Será que, muitas vezes, a nossa adoração não é um mero formalismo? Um conjunto de atos mecânicos, repetidos, sem sentido, uma mera rotina que nada contribui para a edificação, nem para a glória de Deus? Além disso, falta alegria, ânimo, palavras de compreensão, entendimento.

Portanto, demonstrar alegria, deve ser a nossa primeira reação quando vamos à casa do Senhor: “Entrai em sua presença com brado de júbilo”. (v.2b). O conceito de entrar em sua presença não admite uma ação mecânica, nem envolve somente o comparecimento geográfico. Por isso, a ordem é servir ao Senhor com alegria. É uma alegria que somente os filhos de Deus podem desfrutar. É a alegria, na certeza, que temos um Deus bondoso e de misericórdia. Prestar a Deus adoração alegre nos fortalece: a alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10). Em Paulo notamos a manifestação desta alegria, quando ele diz em Fp. 4.11: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”. E ainda no cap. 4.4, Paulo admoesta: “Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez digo, alegrai-vos”.

No entanto, ao entrar no santuário de Deus, com cânticos de gratidão e louvor, é preciso “saber que o Senhor é Deus”, (v.3a). Isto é motivo para estarmos alegres. A ideia da palavra “saber” está totalmente relacionada a conhecer, confessar que o Senhor é Deus. Conhecer a sua história, sua mensagem, seus grandes feitos realizados pela humanidade. É, portanto, uma confissão de fé. Todas essas informações estão contidas nas Escrituras. O conhecer a Deus através de sua palavra faz com que entendamos a necessidade de sermos gratos pelos seus feitos e pela sua maravilhosa graça. Só podemos servir ao Senhor com alegria e viver para a sua glória se soubermos quem Ele é.

Mas você sabe quem é Deus?  Quem você está adorando? Deus é aquele que sabe de todas as coisas, está em todos os lugares ao mesmo tempo. Criador de todas as coisas. É espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. Quando Moisés é chamado pelo Senhor para libertar o seu povo do Egito, ele pergunta ao Senhor qual o seu nome. "Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós" (Êx 3.13,14). Moisés precisava de uma referência sobre quem era Deus, para que, então, pudesse fazer aquilo que Ele lhe ordenava.

O salmista sabia quem era Deus. Não coloca em dúvida a divindade do Altíssimo.  Adorava ao único Deus verdadeiro. Aqui está a resposta: “foi ele quem nos fez e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio”. (v.3b). Por isso, havia motivos para o salmista louvar a Deus, um reconhecimento pelo que Deus realizou de forma extraordinária em sua vida. Na verdade, o ser humano foi criado para louvar o nome de Deus e tudo o que Ele criou. Toda a criação deve louvar ao Criador. Lemos em1 Crônicas 16.25: “Porque grande é o Senhor, e mui digno de louvor, e mais temível é do que todos os deuses”.

Portanto, Deus tem o total direito de receber a honra e a glória. Por isso, temos muitos motivos para exaltar o nome do Senhor não apenas por aquilo que Ele nos deu, nos dá, mas, acima de tudo, por aquilo que Ele é. O salmista apresenta três características de Deus que com certeza nos fazem ficar constrangidos com tamanha grandeza e nos dão os motivos pelos quais devemos sempre praticar a gratidão. O primeiro motivo é a bondade de Deus. “Porque o Senhor é bom” (v.5a). A bondade de Deus é proeminente nos primeiros capítulos da Bíblia. Repetidamente, Deus pronunciou “boa” cada coisa que Ele criou. Ela é uma preciosa qualidade de Deus que transparece em todas as relações com seus servos. Ela percorre toda a história, pois faz parte dos seus atributos, isto é, Deus é a bondade plena em si mesmo. Ela continua se manifestando em todos os momentos da vida humana. Ele é benigno e compassivo para conosco. Ele entende suas mãos para nos ajudar. Se não tivesse sido assim, a humanidade teria perecido há muito tempo (Lm 3.22).

O segundo motivo: “O Senhor é misericordioso para sempre” (v.5a). Há muitos textos bíblicos que descrevem a grande misericórdia de Deus. Jeremias a descreve assim: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lamentações 3.22, 23). A maior revelação da misericórdia de Deus está fato histórico da morte de Jesus em nosso lugar. Foi por misericórdia e amor para com o homem que Cristo morreu na cruz para nos salvar. O Senhor usa sempre de misericórdia para conosco, dá-nos sempre uma nova oportunidade para começarmos tudo de novo.

Terceiro motivo: Senhor é fiel. O salmista aponta as promessas de Deus e a certeza de que ele sempre cumpre o que diz: “Sua lealdade é para sempre e a sua fidelidade de geração em geração” (v.5b). A lealdade, ou o “amor leal” de Deus, assume uma forma especial dentro do seu relacionamento com Israel. Significa que as alianças que fez com seus servos, como Abraão e Davi não podem ser ignoradas por Ele. Por isso, em amor pelos servos com quem se comprometeu voluntariamente, o Senhor cumprirá cada palavra que disse e será fiel mesmo depois de muito tempo e muitas gerações terem passado – o que inevitavelmente produz esperança firme em seus servos e, consequentemente, uma gratidão verdadeira que os leva à adoração.

Estimados irmãos! Quando uma pessoa entende que adorar a Deus é ter uma vida de íntima comunhão com Ele, durante todos os momentos, do nascer ao pôr-do-sol, negando o conformismo do mundo e agindo conforme as Santas Escrituras, levando o exemplo de Cristo para todos para todas as nações, está oferecendo verdadeira adoração e Culto ao Senhor. Por isso, Ele nos convida a estarmos diante dele com alegria, com cânticos. Que tenhamos um coração, com um contínuo sentimento de gratidão e celebremos com ações de graças sempre, proclamando em alta voz: “A ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre.” (Ef 3.21).Amém!

quinta-feira, 28 de maio de 2026

TEXTO: SL 119.65–72

TEMA: A BONDADE DE DEUS REVELADA ATRAVÉS DAS AFLIÇÕES 

O Salmo 119 é o maior  da Bíblia e apresenta, do começo ao fim, um profundo amor pela Palavra de Deus. O salmista exalta os mandamentos, os decretos e os  ensinamentos do SENHOR como fonte de sabedoria, direção e vida espiritual. Em cada estrofe, vemos alguém que aprendeu a depender completamente da vontade de Deus.

No texto de hoje, o salmista trata de um tema que, muitas vezes, é difícil de compreender: a bondade de Deus revelada através das aflições. O salmista, em vez de murmurar ou questionar o SENHOR, ele reconhece que até mesmo o sofrimento foi usado por Deus para o seu crescimento espiritual. A dor o corrigiu, trouxe discernimento e o aproximou ainda mais da Palavra do SENHOR. Isto significa que a aflição não foi inútil. Deus usou as dificuldades para corrigir seus caminhos, fortalecer sua fé e fazê-lo amar ainda mais os ensinamentos divinos. 

Assim, aprendemos que a disciplina do SENHOR não é sinal de abandono, mas expressão de Seu cuidado, amor e fidelidade para com Seus filhos.Ele nunca nos abandona  durante as nossos lutas. Mesmo em meio às lágrimas, Deus continua presente, sustentando, ensinando e conduzindo cada detalhe da vida com sabedoria perfeita. Muitas vezes não entendemos imediatamente os motivos da dor, mas pela fé confiamos que Deus continua sendo bom em todo tempo.

A maior demonstração dessa verdade está em Jesus Cristo. Cristo também passou pelo sofrimento, foi rejeitado, humilhado e crucificado. Porém, através da cruz, Deus realizou a obra da salvação. O sofrimento de Cristo trouxe vida eterna para todos os que creem. Dessa forma, o cristão aprende que Deus pode transformar até mesmo a dor em instrumento de graça, amadurecimento espiritual e esperança eterna.

Mesmo em meio às aflições, o povo de Deus pode confiar: o Senhor continua sendo bom, e Sua bondade, muitas vezes, se revela justamente nos momentos em que mais dependemos d’Ele.

Diante dessa constatação, vamos analisar três pontos para compreender a bondade de Deus revelada através das aflições. Então, vejamos:

Primeiro, o reconhecimento da bondade de Deus (vv. 65–66).O salmista reconhece a bondade do SENHOR mesmo em meio às dificuldades. Ele entende que tudo o que Deus permitiu em sua vida tinha um propósito sábio e amoroso. Em vez de pedir apenas o fim do sofrimento, ele busca “bom juízo e conhecimento”, desejando aprender espiritualmente através das lutas. Sua maior preocupação não é escapar da dor, mas crescer na fé e compreender a vontade de Deus. Ao olhar para sua caminhada, percebe que o SENHOR sempre continuou sendo bom. Assim também deve ser a atitude do cristão diante das aflições. Muitas vezes Deus usa as dificuldades para fortalecer nossa fé e nos aproximar de Sua Palavra. A bondade de Deus não depende das circunstâncias, mas do Seu próprio caráter. O SENHOR é perfeito, justo e misericordioso em tudo o que faz. Mesmo sem entender todos os caminhos de Deus, o cristão confia que Ele jamais abandona seus filhos.

Segundo,a aflição revela nossa necessidade de Deus (vv. 67-69). O salmista reconhece que havia em seu coração um certo desvio espiritual. Ele mesmo declara: “Antes de ser afligido, andava errado” (v.67). Mesmo em meio à dor, ele continua reconhecendo a bondade de Deus. A aflição não destruiu sua fé; ao contrário, fortaleceu sua confiança no SENHOR. Ele compreende que Deus continua sendo bom mesmo quando permite momentos difíceis. Além da dor, havia perseguição, críticas e injustiças. Ainda assim, o salmista permanece firme na obediência.As palavras do salmista revelam uma verdade importante sobre o coração humano: muitas vezes, quando tudo vai bem, tendemos a confiar em nós mesmos e a nos acomodar espiritualmente. A autossuficiência facilmente ocupa o lugar da dependência de Deus. Porém, a aflição quebra nosso orgulho e nos lembra de que somos limitados, frágeis e totalmente dependentes da graça do SENHOR.

Terceiro, a Palavra de Deus vale mais que qualquer riqueza (vv. 70-72).O salmista aprendeu, através da aflição, que aquilo que realmente sustenta a vida não são as riquezas deste mundo, mas a Palavra do SENHOR. Depois do sofrimento, ele passa a valorizar o que é eterno. As riquezas, a saúde, os bens materiais e o reconhecimento humano são passageiros e podem desaparecer rapidamente. Porém, a Palavra de Deus permanece para sempre, firme e imutável em meio às mudanças da vida.É justamente nas lutas que muitos cristãos descobrem o verdadeiro valor do Evangelho.  A dor faz o crente perceber que somente Deus pode oferecer paz verdadeira, esperança segura e direção em meio às incertezas da vida.Dinheiro algum pode comprar paz para a consciência, esperança para o coração ou segurança diante da morte. Somente a Palavra que procede da boca de Deus pode sustentar o ser humano em tempos difíceis.

                                                                  I 

O salmista inicia o texto reconhecendo a bondade e a fidelidade de Deus em sua vida: “Fizeste bem ao teu servo, SENHOR, segundo a tua palavra” (v.65).  No texto original, essa afirmação começa com a palavra hebraica טּוֹב , que significa “bom”, “bem” ou “bondade”. Assim, numa tradução mais literal, o salmista está dizendo: “O bem fizeste ao teu servo, ó Senhor” ou “Tu tens sido bom para o teu servo”.Isto significa que o salmista olha para trás com gratidão. Ele começa fazendo um memorial da bondade divina. Mesmo em meio às lutas e aflições, declara que Deus agiu com bondade. Isso revela uma fé fortalecida, capaz de enxergar o cuidado divino não apenas nos momentos de alegria, mas também nas dificuldades.Ele não se aproxima de Deus com exigências ou direitos, mas como servo. A palavra “servo” revela uma atitude de humildade, submissão e dependência. Quem pertence ao SENHOR reconhece que tudo o que recebe vem da graça divina. Mesmo sem compreender plenamente os caminhos de Deus, o servo fiel pode afirmar: “O Senhor me tratou bem”.

O salmista também reconhece que Deus cumpriu exatamente aquilo que prometeu: “segundo a tua palavra”. Essa expressão mostra que Deus sempre age em perfeita fidelidade às Suas promessas. O SENHOR não age de maneira arbitrária; Sua bondade está firmada em Sua Palavra fiel e imutável. Tudo o que Deus faz está em harmonia com aquilo que revelou.Por isso, o salmista encontra segurança não nas circunstâncias humanas, mas nas promessas divinas. A Palavra de Deus é o fundamento da confiança do cristão. 

Somos convidados também a olhar para trás e perceber quantas vezes Deus sustentou, corrigiu, protegeu e abençoou nossa vida conforme Sua Palavra. Muitas vezes,  depois de atravessarmos determinadas situações, conseguimos enxergar claramente o cuidado de Deus em cada detalhe. Em momentos de dor, dúvida ou dificuldade, talvez não compreendamos os propósitos do SENHOR, mas, ao olharmos para trás, percebemos que Sua mão jamais nos abandonou.Quantas vezes Deus nos sustentou quando nossas forças pareciam acabar. Quantas vezes abriu portas inesperadas, trouxe consolo em meio à tristeza, livrou-nos de perigos que nem percebemos e nos conduziu por caminhos melhores do que aqueles que havíamos planejado. Até mesmo as correções do SENHOR, que em certos momentos pareceram difíceis, depois se revelaram expressões de Seu amor e cuidado paternal. Como um Pai amoroso, Deus corrige para restaurar, ensinar e conduzir Seus filhos no caminho da verdade.

O cristão deve cultivar uma memória espiritual. Recordar as obras de Deus e fortalece a fé para enfrentar os desafios presentes. Quando lembramos daquilo que Deus já fez, nosso coração se enche de confiança para continuar caminhando. O mesmo Deus que sustentou ontem continuará sustentando hoje e amanhã. A lembrança da fidelidade passada se torna importante para a esperança presente.

Depois de reconhecer a bondade de Deus no versículo anterior, ele agora demonstra o desejo de continuar aprendendo do SENHOR. Ele transforma sua gratidão em oração: “Ensina-me bom juízo e conhecimento, pois creio nos teus mandamentos” (v.66).A expressão “bom juízo” pode ser entendida como discernimento, sensatez ou capacidade de avaliar corretamente as situações da vida. O salmista não pede apenas informação ou conhecimento intelectual, mas a capacidade de aplicar corretamente a verdade de Deus em suas decisões diárias. Ele deseja pensar, agir e escolher de acordo com a vontade do SENHOR. Isso mostra que a espiritualidade bíblica envolve não apenas emoções, mas também discernimento espiritual e maturidade. 

Ao pedir “conhecimento”, o salmista revela sede pela verdade divina. Ele compreende que somente Deus pode ensinar aquilo que realmente transforma o coração. O conhecimento aqui não é meramente teórico; trata-se de conhecer os caminhos do Senhor, compreender Sua vontade e viver em obediência à Sua Palavra. Quanto mais o servo aprende de Deus, mais seguro anda em meio às dificuldades e enganos deste mundo.O fundamento desse pedido aparece na última frase: “pois creio nos teus mandamentos”. O salmista reconhece que os mandamentos do SENHOR são verdadeiros, bons e dignos de total confiança. Quem realmente acredita na Palavra de Deus, deseja conhecê-la mais profundamente. Quem crê nos mandamentos do Senhor também deseja viver segundo eles, aprendendo diariamente a caminhar em obediência, discernimento e temor de Deus. Este era o pensamento do salmista. Por isso,ele afirma:“Senhor, ensina-me”. O verdadeiro servo de Deus reconhece suas limitações e ora constantemente para que o SENHOR ensine os seu mandamentos.

                                                                II

O salmista agora faz uma confissão sincera e profunda: “Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra” (v.67). Ele reconhece que houve um tempo em que se desviava do caminho correto. A expressão “andava errado” transmite a ideia de afastar-se, vaguear ou desviar-se do caminho estabelecido por Deus. Diante dessa situação, o salmista admite que, antes da aflição, seu coração estava inclinado ao erro e à autossuficiência. Isso revela humildade e sinceridade diante de Deus. Em vez de murmurar ou endurecer o coração, ele compreendeu que as dificuldades o aproximaram da Palavra do SENHOR. A dor o levou à reflexão, ao arrependimento e à obediência.Ele reconhece que Deus utilizou aquele sofrimento para corrigir sua vida espiritual. 

Esse é  uma verdade importante da vida espiritual do cristão. Muitas vezes, somente nas dificuldades percebemos o quanto estávamos distantes de Deus. Em tempos de tranquilidade, é comum o coração humano se tornar autossuficiente, distraído e até indiferente à vontade do SENHOR. Porém, a aflição frequentemente se torna um instrumento usado por Deus para nos corrigir, despertar e trazer de volta ao caminho certo.Deus usa circunstâncias difíceis para chamar Seus filhos de volta ao caminho da obediência. É evidente que a  disciplina divina não tem como objetivo destruir, mas restaurar. Assim como um pai corrige o filho que ama, o SENHOR também disciplina aqueles que pertencem a Ele. 

 mudança na vida do salmista aparece claramente na segunda parte do versículo: “mas agora guardo a tua palavra”. O sofrimento produziu transformação no coração do salmista. Antes, ele andava errado; agora, porém, aprende a guardar a Palavra de Deus.Guardar a Palavra significa mais do que apenas conhecer os mandamentos de Deus. É viver segundo Seus ensinamentos, confiar em Suas promessas e permitir que Sua verdade dirija nossas atitudes e decisões. Quando o coração é transformado por Deus, a Palavra deixa de ser apenas algo ouvido e passa a ser praticada diariamente.Por isso, somos chamados a permanecer firmes na verdade divina, permitindo que ela transforme nossa vida, fortaleça nosso coração e conduza nossos passos.

Há um outro detalhe importante na vida do salmista: mesmo em meio às dificuldades, o salmista não duvida da bondade divina. Pelo contrário, ele entende que Deus continua agindo com amor e sabedoria, inclusive nos momentos de aflição. Ele afirma: “Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos.” (v.68).O salmista reconhece duas grandes verdades sobre Deus: Ele é bom em Sua essência e também faz o bem em todas as Suas obras. A bondade de Deus não depende das circunstâncias humanas, pois faz parte do Seu próprio caráter. Tudo o que Deus faz é perfeito, justo e cheio de misericórdia.Por isso, após reconhecer a bondade de Deus, o salmista faz um pedido: “ensina-me os teus decretos”. Quem compreende que Deus é bom deseja aprender mais da Sua Palavra e viver conforme Sua vontade. O verdadeiro conhecimento espiritual nasce de um coração humilde, disposto a ser instruído pelo SENHOR.

O salmista revela que enfrentava oposição, injustiça e ataques contra sua própria reputação. Pessoas arrogantes levantavam mentiras contra ele, tentando feri-lo e causar sofrimento: “Os arrogantes forjaram mentiras contra mim; eu, porém, de todo o coração, observo os teus preceitos” (v.69). A arrogância, muitas vezes, produz falsidade, perseguição e injustiça, especialmente contra aqueles que procuram viver segundo a vontade de Deus. Quem deseja permanecer fiel ao Senhor frequentemente precisa lidar com críticas, acusações e palavras maldosas que procuram desanimar e enfraquecer a fé.

Diante dessas situações, surge naturalmente o desejo de revidar, responder com dureza ou agir com vingança.Ocorre que  a dor causada pela injustiça desperta no coração humano sentimentos de revolta e indignação. No entanto, o salmista nos oferece um exemplo de firmeza espiritual e confiança em Deus. Ele não permite que o pecado dos arrogantes determine suas atitudes. Em vez de responder com ódio ou desespero, ele escolhe permanecer firme na obediência à Palavra do SENHOR. Enquanto os arrogantes praticam a mentira, ele continua guardando os preceitos divinos “de todo o coração”.

A atitude do salmista  nos ensina que a fidelidade a Deus não depende das circunstâncias favoráveis, mas de um coração firmado na verdade. Em tempos de perseguição, calúnia ou incompreensão, somos chamados a permanecer obedientes e íntegros. O cristão não deve permitir que a maldade dos outros o afaste da vontade de Deus. Quando respondemos à injustiça com fidelidade, demonstramos que nossa confiança está no Senhor e não na aprovação humana.

Muitas  pessoas podem distorcer fatos, espalhar mentiras ou tentar destruir a imagem de alguém, mas o SENHOR conhece profundamente o coração de Seus servos. Nenhuma mentira permanece escondida diante d’Ele. Por isso, o salmista encontra paz não em se justificar continuamente, mas em permanecer fiel aos mandamentos divinos.Assim, somos encorajados a continuar obedecendo a Deus com sinceridade, mesmo quando enfrentamos oposição, devemos lembrar que o Senhor sustenta aqueles que permanecem fiéis a Ele. A verdade de Deus prevalece acima das mentiras humanas, e aqueles que perseveram na fé experimentam o cuidado, a justiça e a consolação do SENHOR.

O salmista agora descreve o coração dos arrogantes como “insensível como gordura”. Ele afirma: “O coração deles é insensível como gordura; eu, porém, tenho prazer na tua lei.” (v.70).Essa expressão representa dureza espiritual, insensibilidade à vontade de Deus e falta de temor diante da Sua Palavra. Um coração endurecido perde a sensibilidade espiritual, tornando-se indiferente à verdade, à correção e aos caminhos do SENHOR.Enquanto os ímpios vivem afastados de Deus e resistem à Sua vontade, o salmista faz um contraste importante: “eu, porém, tenho prazer na tua lei”. Mesmo enfrentando oposição e sofrimento, ele encontra alegria e satisfação na Palavra de Deus. Sua felicidade não está nas coisas passageiras deste mundo, mas na comunhão com o SENHOR e na obediência aos Seus ensinamentos.Ter prazer na lei de Deus significa desejar conhecê-la, meditá-la e praticá-la diariamente. Quando o coração encontra alegria na Palavra, a obediência deixa de ser apenas um dever e passa a ser expressão de amor e confiança em Deus.Mesmo vivendo em um mundo marcado pela dureza espiritual, podemos permanecer firmes, encontrando alegria, consolo e segurança na Palavra do SENHOR.

Diante de seu sofrimento, o salmista afirma: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.” (v.71). À primeira vista, pode parecer estranho alguém afirmar que a aflição lhe fez bem. No entanto, o salmista compreendeu que Deus usou o sofrimento como instrumento de ensino e crescimento espiritual. A dor produziu nele algo precioso: maior conhecimento da vontade de Deus e maior dependência do SENHOR.Ocorre que em períodos de tranquilidade, o ser humano se acomoda espiritualmente e se distancia da Palavra de Deus. Porém, a aflição frequentemente desperta o coração, conduzindo-o à reflexão, à oração e à busca sincera pela presença do SENHOR. Aquilo que parecia apenas sofrimento transforma-se em oportunidade de fortalecimento espiritual.Sendo assim, por meio das dificuldades o salmista, aprendeu os decretos de Deus. Isso significa que ele não apenas ouviu a Palavra, mas passou a compreendê-la de maneira mais profunda e prática. A aflição o ensinou a confiar mais em Deus, a obedecer Sua vontade e a valorizar Seus ensinamentos.

 A dor é agradável em si mesma, mas mostra que Deus pode usar até os momentos difíceis para produzir benefícios espirituais na vida dos Seus filhos. O SENHOR continua sendo soberano e bondoso mesmo em meio às provações.Desse modo, quando enfrentarmos tempos difíceis, devemos lembrar que Deus pode transformar a aflição em aprendizado, fortalecimento da fé e crescimento espiritual.É nas lutas que aprendemos mais profundamente a confiar, obedecer e depender do SENHOR.

                                                                      III

O salmista declara o grande valor que a Palavra de Deus possui em sua vida. Para ele, os ensinamentos do SENHOR são mais preciosos do que riquezas materiais, ouro ou prata: “Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata.” (v.72).Isso revela um coração que compreendeu que os bens deste mundo são passageiros, mas a Palavra de Deus permanece para sempre.O ouro e a prata podem oferecer conforto, segurança material e prestígio humano, porém não podem salvar a alma, trazer verdadeira paz ao coração ou conceder vida eterna. Somente a Palavra de Deus possui poder para transformar vidas, fortalecer a fé, corrigir os caminhos e conduzir o ser humano à comunhão com o SENHOR.

Depois de passar pela aflição, o salmista aprendeu ainda mais a valorizar os decretos de Deus. As dificuldades o ensinaram que a maior riqueza não está nas coisas materiais, mas na presença de Deus e na verdade revelada em Sua Palavra.Ele nos leva a refletir sobre aquilo que ocupa o primeiro lugar em nosso coração. Muitas pessoas dedicam toda a vida à busca de riquezas e bens terrenos, mas negligenciam aquilo que é eterno. O salmista, porém, reconhece que nada neste mundo pode se comparar ao valor espiritual da Palavra do SENHOR.Portanto, somos chamados a amar, estudar e guardar as Escrituras, entendendo que a verdadeira riqueza está em conhecer a Deus, viver segundo Sua vontade e permanecer firmes em Sua Palavra.

Esse texto nos mostra que Deus continua sendo bom e fiel em todas as circunstâncias da vida. O salmista aprendeu que até mesmo a aflição foi usada pelo SENHOR para corrigir seus caminhos, fortalecer sua fé e aproximá-lo ainda mais da Palavra divina. Aquilo que parecia sofrimento sem sentido tornou-se instrumento de crescimento espiritual.

Também aprendemos que, diante das mentiras, da oposição e das injustiças, o servo de Deus deve permanecer firme na obediência. Enquanto os arrogantes vivem na falsidade, o cristão encontra segurança nos preceitos do SENHOR. A fidelidade a Deus vale mais do que a aprovação humana.

Portanto, somos chamados a confiar no SENHOR mesmo nos momentos difíceis. Deus nunca perde o controle da nossa história. Ele usa as lutas para nos ensinar, moldar e conduzir à maturidade da fé. Que possamos valorizar a Palavra de Deus acima de qualquer riqueza deste mundo e permanecer fiéis, certos de que a bondade do Senhor sustenta aqueles que andam em Seus caminhos. Amém!

 


 

TEXTO: MT 9. 9-13

TEMA: JESUS VEIO CHAMAR  PECADORES AO ARREPENDIMENTO

Jesus, não chamou os escribas e fariseus. A sua preocupação, no momento, era buscar e salvar as pessoas que eram desprezadas pela sociedade, que viviam uma vida sem orientação, sem rumo, sem consolo, sem esperança e que viviam no pecado. Ele deixou claro que "veio buscar e salvar o perdido" (Lucas 19.10).Ele ainda diz: “Todo aquele que vem a mim, jamais o lançarei fora.” (Jo 6.37).

O Evangelho de hoje, Jesus nos mostra que veio ao mundo com uma missão muito clara: salvar pecadores. Esta preocupação de Jesus pelos pecadores fica evidente   quando Ele chama Mateus e diz “segue-me”. Mateus era um cobrador de impostos.Aos olhos da sociedade, Mateus era um homem desprezado, considerado pecador e indigno. Porém, aquilo que os homens rejeitavam, Cristo chamou pela graça.O coração de Mateus se transformou quando Cristo lhe mostrou o verdadeiro caminho. Ele, agora é um discípulo de Jesus.

Como é maravilhoso saber que Jesus vai em busca dos pecadores, oferecendo o perdão para aqueles que se arrependem. Pecador como Davi: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos” (Sl 51. 4).Pecador como o publicano que disse:  “Senhor! Sê propício a mim pecador“. (Lc 18.13).Pecador como o malfeitor na cruz, quando diz: “Senhor! Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.” (Lucas 23.42).

Quando reconhecemos nossos pecados, Deus está pronto para nos perdoar. Ele não rejeita um coração quebrantado e nem manda embora aqueles que vêm a ele. É o amor de Cristo! Este amor que Ele no oferece, acalma qualquer coração angustiado por causa do pecado. Ele está de braços abertos esperando você, e está chamando pelo seu nome para curar a ferida profunda que está dentro do seu coração.

Vejamos o que o texto nos ensina sobre o tema: “Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento.” Para melhor compreendermos essa mensagem, o estudo foi dividido em quatro partes. Portanto, vejamos cada uma delas:

Primeiro, Jesus chama pecadores pela sua graça (vv.9–10).  Cristo não olha apenas a aparência, o passado ou a opinião das pessoas. Jesus vê o coração e enxerga aquilo que Sua graça é capaz de transformar.Ao passar pela coletoria, Jesus dirigiu-se a Mateus com um chamado simples, mas poderoso: “Segue-me.” Essa palavra mudou completamente sua vida. Mateus deixou tudo para trás, levantou-se e passou a seguir Jesus.O chamado de Jesus, porém, exige uma resposta. Mateus ouviu a voz do Senhor e decidiu segui-lo imediatamente. Assim também cada pessoa é convidada a abandonar o pecado, confiar em Cristo e viver uma nova vida ao lado do Salvador. Jesus continua transformando histórias e fazendo novas todas as coisas.

Segundo, Jesus se aproxima dos pecadores (vv.10–11).Jesus não evitava os pecadores; pelo contrário, aproximava-se deles para lhes oferecer salvação. Enquanto os religiosos da época acreditavam que santidade significava afastar-se das pessoas consideradas impuras, Jesus demonstrou que a verdadeira santidade alcança o perdido com amor, compaixão e misericórdia. Porem, os fariseus e escribas  enxergavam apenas os erros e pecados daquelas pessoas, mas não percebiam que também eram necessitados da graça de Deus. Assim como Cristo acolheu os pecadores arrependidos, a Igreja deve anunciar o Evangelho aos perdidos com amor e misericórdia. O papel do cristão não é agir com arrogância espiritual ou condenação, mas apontar para Cristo, que recebe e transforma todo aquele que se arrepende e crê n’Ele.

Terceiro, Jesus é o médico dos pecadores (v.12).Jesus usa a imagem de um médico. O pecado é uma doença espiritual que separa o homem de Deus.Somente Cristo pode curar a alma humana.O problema dos fariseus era que eles se consideravam “sãos”, justos diante de Deus. Por isso, não percebiam sua necessidade de arrependimento.Quem reconhece sua condição espiritual busca o Salvador.O Evangelho não é para pessoas perfeitas, mas para pessoas arrependidas.Precisamos reconhecer nosso pecado.Sem arrependimento não há salvação.Cristo é o único capaz de restaurar o pecador.

Quarto, Jesus deseja misericórdia e arrependimento (v.13).Ao dizer: “Misericórdia quero e não holocaustos”, Jesus ensina que Deus não deseja apenas rituais religiosos exteriores. Os fariseus tinham aparência de piedade e conhecimento da Lei, mas lhes faltava misericórdia e sinceridade diante de Deus. Cristo mostra que o verdadeiro relacionamento com o Senhor nasce de um coração humilde e arrependido. O arrependimento verdadeiro produz transformação, mudança de vida, amor ao próximo e dependência da graça divina. Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento, isto é, a abandonar o pecado e voltar-se para Deus. Arrepender-se não é somente sentir tristeza pelo erro, mas mudar de direção. Porém, quando há arrependimento sincero, a graça de Deus transforma completamente a vida do pecador.

                                                                  I

Jesus começa o seu ministério aqui na terra. Uma das primeiras preocupações é escolher os seus discípulos. Homens que iriam anunciar as boas novas do Evangelho a todas as nações. Homens que seriam embaixadores de Cristo, mensageiros da paz, servos do Senhor, enfim, homens que iriam continuar com sua obra aqui na terra. Mateus é um deles. O texto afirma: “Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria.” (v.9). Mas afinal quem era  Mateus? Era um publicano, isto é, um funcionário público, mais exatamente, um cobrador de impostos. Essa classe de trabalhadores era desprezada  pelo povo, isto porque, os publicanos não eram bem vistos pelo povo, em face de sua desonestidade e da violência que empregavam para com as pessoas nas suas cobranças de impostos. Para garantirem bom lucro pessoal, tinham liberdade de aumentar as taxas.

 Era uma posição que não agradava a Jesus. E ao observar a situação de Mateus, lhe disse: “Segue-me!”. O verbo ἀκολουθέω significa “ir atrás de alguém”; e no sentido figurado significa “ser discípulo”, “ir em seguimento de alguém. ”Segue-me!” é a voz do Senhor chamando o publicano Mateus para ser seu discípulo. Nestas palavras há algo de especial. É aqui que se revela o amor de Deus para com Mateus. Podemos afirmar que estas palavras significaram para Mateus uma nova esperança, uma vez que era cego espiritualmente. E no fundo do seu coração desejava livrar-se de seus pecados, mas não sabia como consegui-lo. Jesus ofereceu-lhe o perdão, olhou com misericórdia e disse: “Segue-me!”.  Mateus decididamente se levantou e fez a escolha de segui-lo, abandonando sua vida antiga, abarrotada de opressões e explorações. Não perguntou por que, para onde, o que fazer. Deixa a sua profissão e segue a Jesus. De agora em diante será diferente. Ele estaria sempre com Jesus para ter a oportunidade de ouvir de seus lábios os seus ensinamentos. Que posição privilegiada: ser discípulo de Jesus.

Jesus também convida a cada um de nós: “Segue-me!” Esta é a ordem de Jesus. Não queres ser o seu seguidor? Não queres ser discípulo do Filho de Deus? Ele te convida diariamente a seguir o verdadeiro caminho. Ele também diz, crê em mim, segue os meus passos e os meus conselhos. Eu te darei a água da fonte da vida, a vida eterna, porque eu sou o caminho que conduz à vida eterna. Seguir a Jesus não significa ouvir a Palavra de Deus de vez em quando, mas seguir a Jesus quer dizer renunciar a si mesmo. É entregar-se a Deus com todo o nosso coração. Seguir a Jesus implica em primeiro lugar, uma ruptura com o passado. O verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que abandona tudo, a fim de pertencer totalmente a seu novo Mestre. Seguir a Jesus implica logo numa participação no trabalho do seu reino aqui na terra. Seguir a Jesus é caminhar em direção de um novo porvir que é a vida eterna.

O coração de Mateus se transformou quando Cristo lhe mostrou o verdadeiro caminho. Ele, agora é um discípulo de Jesus. Sendo assim, quer expressar sua gratidão ao Salvador. Precisa justificar a sua transformação. Precisa apresentar a seus colegas publicanos o seu Mestre. Por isso, oferece um banquete em sua casa. Este banquete deu oportunidade a que, seus amigos ouvissem a Jesus, pois ali também se encontravam, além dos discípulos, muitos publicanos e pecadores.

                                                                II

Entretanto, havia outras pessoas neste banquete. Homens que sempre queriam colocar Jesus à prova. Não estavam ali para ouvir a mensagem de Jesus, mas, sim, para observar a atitude d’Ele. Estes eram os fariseus. Eles veem com maus olhos aquilo que Jesus está fazendo, ou seja, comendo com publicanos e pecadores, com pessoas de  má fama (v.10).Os publicanos eram cobradores de impostos vistos como corruptos e traidores, enquanto os “pecadores” eram pessoas consideradas moral e espiritualmente indignas pelos fariseus.Ao sentar-se com essas pessoas, Jesus demonstra que sua missão era alcançar os perdidos e oferecer salvação aos necessitados espiritualmente. Na cultura judaica, compartilhar uma refeição significava comunhão e aproximação. Portanto, Cristo não estava aprovando o pecado, mas aproximando-se dos pecadores para transformá-los pela graça. Cristo aproximava-se deles com amor e misericórdia. Ele veio para restaurar vidas e chamar pecadores ao arrependimento.

O fato de Jesus estar ,constantemente, cercado por pessoas humildes, de má fama, sempre escandalizou os líderes religiosos da época, como os fariseus. Ora, esta questão para os fariseus era um escândalo. Talvez, receosos de enfrentar a Jesus, eles resolvem fazer uma pergunta ,diretamente, aos discípulos quando viram  toda aquela cena: “Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (v.11).Diante desta pergunta, conclui-se que os fariseus eram preconceituosos e discriminavam as pessoas: os samaritanos como hereges, os estrangeiros como impuros, os leprosos como amaldiçoados por Deus. Eram pessoas que desprezavam os cobradores de impostos como traidores e os pobres como ignorantes da Lei.  Desclassificavam as mulheres, as crianças, os presos, os doentes mentais.

Hoje, também vivemos esse mesmo problema em nossa sociedade. Muitas pessoas enfrentam diariamente situações de preconceito, rejeição e discriminação por causa de sua condição social, aparência, passado, raça, limitações, erros cometidos ou até mesmo por suas dificuldades pessoais. Frequentemente, são julgadas, desprezadas e afastadas do convívio social, carregando dores e marcas profundas em seus corações.

Entretanto, ao olharmos para a vida e o ministério de Jesus, percebemos que Ele nunca rejeitou aqueles que eram desprezados pelos outros. Cristo aproximava-se dos excluídos, acolhia os rejeitados e demonstrava amor àqueles que a sociedade considerava indignos. Foi assim com Mateus, os publicanos, os pecadores, os enfermos e tantos outros que encontraram em Jesus misericórdia, perdão e esperança.Jesus nos ensina que ninguém está excluído do convite do Evangelho. Ele acolhe aqueles que reconhecem sua necessidade espiritual e desejam uma nova vida. Além disso, a Igreja é chamada a seguir o exemplo de Cristo, levando a mensagem da salvação aos que estão distantes de Deus.

Precisamos ter muito cuidado para não agir como os fariseus, excluindo pessoas do nosso convívio e, principalmente, impedindo-as de se aproximarem de Jesus Cristo. A Igreja não deve ser um lugar de condenação, orgulho ou barreiras, mas um ambiente de graça, acolhimento e transformação. O Evangelho é para todos os que reconhecem sua necessidade de Deus.

                                                           III

Jesus derrubou as barreiras preconceituosas e religiosas dos fariseus. Ele mesmo responde a pergunta dos fariseus, Ele afirma: “Os sãos não precisam de médicos, e, sim, os doentes”.(v.12).De fato, se pensarmos em termos da medicina, os sãos não precisam de médicos. Normalmente quem vai ao médico são os doentes. Eles que precisam de tratamento, de uma analise clínica e de remédios. No sentido espiritual, os sãos seriam as pessoas justas, neste caso os fariseus. Eles julgavam-se espiritualmente sãos e sadios. Pensavam estar com sua vida em ordem com Deus. E, por isso, não precisavam de um médico para sua alma, Cristo, o único Médico que pudesse curar a sua enfermidade. Sendo assim, Jesus não pergunta: Onde posso encontrar os ricos, os honrados ou os eruditos? Esses tinham seus confortos e desprezariam suas ofertas. Ele não visitou Herodes ou César. Ele tratou com aqueles que todos reconheciam como miseráveis e perdidos. Este é o principio fundamental de bondade sobre o qual Jesus procedeu.

Portanto, Jesus, o Médico, vai ao encontro destas pessoas doentes e os acolhem, porque precisam d’Ele. Ele, porém, não faz acepção de pessoas, como faziam os fariseus. Mas recebe publicanos e pecadores, e nunca excluiu os escravos, doentes, portadores de deficiências, adúlteros, prostitutas. Conversou com homens ilustres, como Nicodemos e compôs Seu discipulado de homens simples. Ao aceitar as pessoas excluídas, Jesus rompe o círculo de marginalidade e reintegra-as ao convívio diário com outras pessoas. Jesus, como Médico, acolhe as pessoas, oferece a proximidade fraterna e conciliadora em nome de Deus. Ele não os despreza, porque Deus ama todas as pessoas e as quer libertar e salvar. Ele veio buscar e salvar o perdido,  pois  o homem se perdeu desde o jardim do Éden! Ele se afastou de Deus, e a consequência foi desastrosa: o homem separou-se da presença de Deus e estava condenado. Eles, agora precisam do Médico para curar da doença chamado pecado.  

Somo nós sãos? Por certo que não. Necessitamos diariamente do amor e do perdão de Deus, assim como o doente precisa do médico. Na verdade, todos os homens são doentes espiritualmente. São portadores de uma doença que nenhum médico pode curar, a saber: o pecado. O pecado é a nossa separação de Deus, a nossa culpa diante de Deus, o mal dos males. Vivendo nesta miséria, espiritualmente, o homem abandona a Deus e se sente abandonado. Porém, Cristo o chama: “Segue-me.” Chama, a seguir o seu caminho. Mas será que o homem ouve a voz do Senhor? Mateus ouviu e seguiu imediatamente Jesus.

                                                               IV

Diante da atitude dos fariseus, homens cheios de preconceitos, Jesus faz uma crítica que ecoa em nossos dias. Ele cita o texto de Oséias 6.6: “Ide, porém, e aprendei o que significa.”(v.13a).A frase “Ide, aprendei…” era uma expressão usada pelos rabinos da época para dizer que a pessoa havia interpretado de forma errada uma passagem ou conceito. De fato, apesar dos fariseus terem profundo conhecimento da lei e todos o rituais, não compreenderam a essência do texto, pois desconheciam o significado da ordem divina. Sendo assim, Jesus ordenou aos fariseus e escribas que aprendessem o significado da ordem: “Misericórdia quero, e não sacrifício.” (v.13b).Os fariseus precisavam aprender, e Jesus os lembra, chama a atenção de que nada adiantava realizar um culto cerimonial que nada têm a ver com a prática misericordiosa, a graça de Deus e seu poder salvador. Deus quer que as pessoas tenham atos misericordiosos e confiem n’Ele.  Se os doutores da época desconheciam o verdadeiro significado do exigido por Deus, será que o homem do nosso tempo conseguiu aprender o que Jesus ordenou? Qual é a misericórdia que Deus exige?

Jesus faz uma aplicação do que havia falado anteriormente, e descreve de modo interessante o Seu próprio objetivo de vir ao mundo. Ele disse: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores (ao arrependimento).”( v.13c).Como médico de almas, veio curar doentes espirituais, ou seja pecadores. E o que seria essa cura? O perdão dos pecados, que é concedido exatamente através do arrependimento. Quando diz “vim chamar pecadores ao arrependimento”, significa que Jesus veio propor o perdão, que tornará as pessoas salvas, livres do domínio do pecado. E quanto aos justos - o que dizer deles? Jesus simplesmente afirmou que não veio chamar justos ao arrependimento. Ele não veio para esses, porque esses já se justificam, já se elevam, já se colocam acima dos outros. Esses são comportamentos próprios dos fariseus, dos hipócritas da época de Jesus.

Estimados irmãos! Não pense que o simples fato de ser religioso, o torna uma pessoa aceitável a Deus. Deus não está atrás de rituais, serviços religiosos, liturgias, desses homens, como os fariseus. Jesus chama aos pecadores. Assim, como fez com Mateus. Ele esteve em sua casa e participou de um banquete, o acolheu, o amou e perdoou. Jesus nos chama ao arrependimento, nos resgata rumo a uma vida eterna de comunhão com Deus. Quando reconhecemos que precisamos de Deus, o Espírito Santo nos traz o verdadeiro arrependimento em nosso coração. Amém!

 

 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

TEXTO: ATOS 2.14a,22-36

TEMA: A PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS NO DIA DE PENTECOSTES

 É impressionante a atitude de Pedro. Ele falou com imenso ânimo.  Demonstrou grande autoridade em seus ensinamentos às pessoas que estavam em Jerusalém. Naquele momento, expôs às Escrituras e proclamou uma pregação envolvente, destacando a necessidade de explicar o envio do Espírito, aos que simplesmente não entenderam ou zombavam dos que falavam em outras línguas, chamando-os de embriagados.  Em seu sermão, pregou uma mensagem Cristocêntrico. Apresentou Jesus Cristo como Senhor e Messias. Pregou sobre a morte de Cristo, a ressurreição, a ascensão e a sua glorificação. Em sua mensagem,  ele traz o veredito final, a palavra de validação de tal senhorio nas seguintes palavras, “Portanto, que todo o Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo.” Este era o foco de sua mensagem!

Que pregação maravilhosa! Penso que nenhum sermão já pregado, teve um efeito tão grande. Isto se deveu ao derramamento do Espírito Santo. A presença do Espírito Santo capacitou Pedro e  os demais apóstolos a entender e interpretar a verdade. Jesus disse: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (João 16.13). Ele é o verdadeiro guia, mostrando o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes. Ele nos mostra o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Sem um guia assim, seríamos propensos a cair em erro nas nossas mensagens.

Esta foi a grandiosa mensagem de Pedro no Pentecostes.  E diante de uma pregação cada vez mais desvalorizada e relativizada,ela serve de exemplo para muitos pregadores que transformam as suas pregações em mensagens superficiais, permeados de chavões,conduzindo de forma frenética, sem tempo para respirar, com muita gritaria e histeria para todos os lados. Outros criam  uma anomalia na pregação, sustentando uma visão centralizada no homem, não em Deus. Substituem a verdadeira pregação por uma abordagem genérica que, embora chame a atenção do povo em razão da natureza do seu discurso utilitário, não tem o mínimo compromisso com o conteúdo das Escrituras.

No entanto, é preciso lembrar que a eficácia da pregação não está, primordialmente, nas habilidades pessoais do pregador ou dos ouvintes. Mas está na operação do Espírito Santo, tanto na preparação e entrega da mensagem, como na sua recepção.  Somente o Espírito Santo pode conferir eficácia à pregação, assistindo e capacitando o pregador, e iluminando e convencendo os ouvintes do pecado e da graça de Deus em Cristo. Por isso, o pregador deve buscar a presença do Espírito Santo. Pedir que  o Espírito Santo o guie para selecionar os assuntos corretos e os textos e aplicações para seus sermões.

Em meio a perplexidade, alguns pessoas buscavam entender o que estava acontecendo naquele Dia de Pentecoste, Pedro se levanta juntamente com os onze, e tomando a palavra, dirige-se aos judeus e a todos os que se encontravam em Jerusalém: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras.” (v.14). Pedro naquele momento estava cumprindo a sua missão, sobre o que Jesus havia solicitado anteriomente dos discipulos. Ele não perde tempo, e começa a evangelizar, começando em Jerusalém: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1.8). Pedro  é um exemplo. Ele  nos inspira no serviço de evangelização, pois esta deve ser a grande preocupação de todo o cristão. Uma vez que vivemos em uma época, na qual a fiel pregação das Escrituras não encontra mais espaço dentro de algumas igrejas de nossos dias. Há um desvio de objetivos na pregação, uma falta de compromisso com o estudo da Palavra que possa apresentar ao homem de nossos dias um sermão cristocêntrico, que glorifique a Deus, uma pregação que apresente o estado pecaminoso do homem e lhe mostre o caminho da salvação. A verdade é que alguns pregadores não estão mais preocupados em anunciar toda a verdade a respeito de Deus. Não se preocupam mais em pregar o que é certo. Dá nos entender que Jesus está longe em muitas pregações. 

O Jesus que Pedro fala, foi aquele que  realizou grandes milagres, prodígios e sinais. Não era qualquer nome. Era alguém conhecido, e os judeus sabiam quem era Jesus e todos os acontecimento ocorridos na vida Dele. Pedro deixa evidente quando afirma “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis.” (v.22). Mas eles haviam desprezado Jesus. Entregaram Jesus às mãos de iníquos, aqueles que ignoravam a lei de Deus para que fosse crucificado e morto. Mas a morte de Jesus foi de acordo  a vontade de Deus: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos.” (v.23). No entanto, este plano de Deus não isenta de culpa os que mataram o Filho de Deus, nem romanos nem judeus, todos são culpados.

Pedro ainda em sua mensagem afirma que a ressurreição de Jesus também estava nos planos de Deus Na verdade, nada podia impedir que ele ressuscitasse. Pedro afirma: “ao qual, porém, Deus ressuscitou”. (v.24). De fato, a morte deu lugar à vida. Pedro, porém, para sustentar as suas afirmações, ele cita vária profecias que estavam se cumprindo, prevista na Escritura do AT. Primeiro ele cita o Salmo16.8-11, uma passagem que no seu próprio contexto refere-se a Davi e a sua esperança de salvação da morte. Davi estava confiante que Deus lhe mostraria os caminhos da vida e lhe proporcionaria a plenitude da alegria da presença divina mesmo depois da morte. Ele esperava ver a face do Senhor. Expressa a sua confiança de que não ficará na cova. Vivia na esperança de que Deus não abandonaria a sua alma na morte. Portanto, espera que o Senhor o mantenha consigo.

De forma profética, Pedro aplica as palavras do salmista a Cristo. No versículo 27 nos dá a prova da certeza da ressurreição: “Pois tu não deixarás minha alma ir para a sepultura, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. A expressão o “teu Santo”, significa o Messias prometido. O termo é aplicado a qualquer pessoa piedosa ou religiosa, mas aqui é restrita àquela que o salmista tinha em mente, o Messias. Baseado neste salmo, Pedro entende que Deus não permitiu que a morte tomasse conta da “alma” da vida de Jesus. Ela não teve poder sobre a sua alma, não pode colocar sob seu domínio. No entender de Pedro, o Messias seria ressuscitado do túmulo “sem” experimentar à corrupção, ou seja, não voltaria a se transformar em pó no túmulo. Venceria a morte ao ressuscitar.

Com relação a Davi, ele morreu e experimentou a corrupção no túmulo como outros homens. Pedro deixa evidente esta questão: “Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje,”( v.29).Interessante que Davi conhecia detalhes da história de Davi. Sabia que os seus restos mortais ainda estavam naquele túmulo. Conclui-se que esta profecia não se refere a Davi, mas a Jesus, no entender de Pedro. Ele afirma: “Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono.” (v.30). Esta promessa dada sob juramento encontra-se em 2Sm7,13. Pela boca do salmistas Deus reforça esta promessa no Sl 89.4. Deduz-se que o salmista falou profeticamente de um dos seus descendentes, o Cristo que se assentaria no trono de Davi .Portante o descendente aqui é Cristo. É examente este o destaque que Pedro pretende nesta hora mostrar aos seus ouvintes.Ele  “se referiu à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.” (v.31).

Portanto, a ressurreição do Messias, prevista pelo salmista, podia ser agora comprovada pela experiência dos apóstolos. Eles são testemunhas da ressurreição e da ascensão de Jesus. Pedro afirma: “A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.” (v 32). De fato, os discipulos,  tornaram testemunhas da ressureição de Jesus. Não somente da ressurreição, mas também da ascensão.  Pedro em sua pregação afirma  que Cristo não foi apenas ressuscitado dos mortos, mas foi também “exaltado à destra de Deus” (v.33a).Aqui podemos observar que  há  uma relação entre a ressurreição e ascensão de Jesus. Contudo, Pedro em sua pregação pretende deixar abasolutamente claro que esta profecia não pode referir-se a Davi: “  Porque Davi não subiu aos céus.”(v.34).Neste sentido,Pedro citou o Salmo 110.1 para mostrar que a exaltação de Cristo também fora profetizada. O próprio Senhor declara: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,  até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.” (v. 34b,35). Desses versículos podemos concluir que Cristo continua entronizado nos céus e no sentido literal está exercendo o seu reinado messiânico (Ap. 3.21).

Pedro encerra a sua pregação,afirmando: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.”  ( v.36). Estas palavras resume a pregação de Pedro. Ele transmite com convicção aos ouvites que toda  a “casa de Israel” que eles crucificarão a Cristo. Eles eram os representantes, os primeiros que deveriam ouvir a mensagem de Pedro .No entanto, desprezaram Jesus. Por isso, Pedro prega de forma muito dura e abrangente: “vós crucificastes.”  Que vergonha! Os representantes da “casa de Israel crucificaram seu proprio Senhor! Mas Aquele que foi desprezado,foi feito Senhor e Cristo,isto é,Messias,da parte de Deus,o Senhor dos senhores. Portanto, para aqueles que desprezaram Jesus era uma mensagem assustadora.mas para aqueles aceitaram e creram na mensagem da ressurreição,foi algo glorioso.

Esta foi a grandiosa mensagem de Pedro no Pentecostes. A sua  proclamação da Palavra de Deus era inconfundivelmente cristocêntrica. Paulo considera anátema, isto é, maldito, aquele que prega outro evangelho que vá além do puro e autêntico evangelho de Cristo (Gl 1.1-9). Sendo assim, o conteúdo da nossa mensagem tem de ser a Pessoa de Cristo, na sua obra salvífica e redentora, em outras palavras o sermão será cristocêntrico, Cristo é o centro da exposição. Portanto, este deve ser o assunto e conteudo de todas as nossas pregações e testemunhos, até o dia que Jesus retornar. Amém!

TEXTO: SL 8

TEMA: A MAJESTADE DE DEUS E A DIGNIDADE HUMANA

Estimados irmãos em Cristo! É uma grande alegria e um privilégio estarmos reunidos, com nossos corações abertos para ouvir a Palavra de Deus. Hoje, celebramos o Domingo da Santíssima Trindade. Este é um domingo em que a Igreja Cristã reflete sobre a ação do Espírito Santo, ou seja, sobre a relação entre a Igreja Cristã e o Espírito Santo, a santificação, a luta da Igreja contra o mal e os fins dos tempos. O Salmo 8 serve como fundamento para a nossa meditação neste Domingo da Santíssima Trindade. Trata-se de um salmo breve, mas de uma profundidade imensa, que nos convida a contemplar a grandeza do Criador e,ao mesmo tempo, um hino de louvor e admiração pela dignidade que Ele concedeu à humanidade.

Mas o que o salmo nos ensina sobre a criação de Deus? Primeiro, nos revela que uma mera contemplação dos céus (lua, estrelas, etc.) é suficiente para atestar a glória, a sabedoria e o poder infinitos do Criador. Não necessitamos de elaborados argumentos filosóficos para reconhecer a existência e a magnificência do Senhor. A própria natureza clama por Sua majestade.

Segundo, mesmo por meio dos mais simples e humildes (como crianças e bebês), Deus estabelece Sua força, demonstrando que Seu poder não depende da grandiosidade humana, mas é inerente a Ele, manifestando-se de maneiras inesperadas.

Terceiro, nos ensina que a humanidade possui um valor intrínseco, uma dignidade singular que emana diretamente de Deus, e não de suas próprias realizações ou capacidades. Somos criaturas dotadas de um propósito divino, distinguidas e honradas pelo próprio Criador.

Enfim, Deus não apenas nos dignificou, mas nos concedeu domínio sobre "as obras das Suas mãos", colocando "tudo debaixo dos seus pés". Isso inclui os animais (ovelhas, bois, animais do campo, aves do céu, peixes do mar). Ao exercermos essa mordomia com sabedoria e amor, estamos, de certa forma, refletindo a própria glória de Deus que nos foi confiada.

Ao refletir sobre a grandeza do universo, como me sinto em relação à minha própria existência? Como a imensidão do universo (céus, estrelas, lua) o que me leva a glorificar a Deus, hoje? De que forma, em nossa vida, a glória de Deus se manifesta até mesmo através de coisas ou pessoas "pequenas" ou "simples", como as crianças mencionadas no salmo? Em que áreas da minha vida eu preciso melhorar minha mordomia sobre aquilo que me foi confiado (tempo, talentos, recursos materiais)? São perguntas que requerem respostas diante da nossa meditação.

O salmista inicia e conclui este salmo com uma exclamação de admiração e louvor: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” (v.1a). Observem que Davi emprega duas designações distintas para o nome do “Senhor.” O primeiro nome, escrito com letras maiúsculas em Hebraico, refere-se a יְהוָה (Yahweh). Este é o nome verdadeiro de Deus, revelado a Moisés na sarça ardente. Trata-se do nome pessoal e sagrado do Deus da aliança. O segundo nome, por sua vez, denota "senhor", "mestre", "soberano", exercendo como um título. Essa dupla afirmação do salmista é uma confissão de fé coletiva (Senhor nosso). Isto significa que o Deus de Israel, não é nenhum tipo de divindade nacional, como se pode ver nos povos vizinhos do Antigo Oriente.É desta forma que Davi se dirige a Deus neste Salmo, tanto pelo nome quanto pelo título divino. Ele procede dessa maneira, porque o "nome" de Deus aqui simboliza Seu caráter, autoridade e revelação. Ele  transcende a mera palavra. É uma manifestação de Sua natureza, poder e amor. Como  Deus é magnifico! Por isso, devemos agradecer todos os dias o dom da vida e por sermos filhos do altíssimo,

Mas  a majestade de Deus não é vista apenas na terra, mas também no céu. O céu é o lugar por excelência da habitação e da atuação de Deus. É no céu que a glória de Deus se manifesta de forma visível: “Tu puseste a tua glória acima dos céus” (v.1b). Aqui,  termo הוֹד (glória) denota grandeza, esplendor e excelência. Essa afirmação ressalta a  majestade   e o poder de Deus manifestos através da criação. Ela nos revela que uma mera contemplação dos céus (lua, estrelas, etc.) é suficiente para atestar a glória, a sabedoria e o poder infinitos do Criador.

Não necessitamos de elaborados argumentos filosóficos para reconhecer a existência e a magnificência do Senhor. A própria natureza clama por Sua majestade. A Bíblia nos ensina que a natureza é um poderoso testemunho da glória de Deus. O Salmo 19.1 declara: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." Isto demonstra que a glória de Deus, não apenas permeia o universo, mas se estende acima e além de todas as coisas criadas. Portanto, nada se compara  com à Sua glória. Assim, reconhecemos que Ele é digno de toda adoração, pois Sua glória é inatingível e incomparável.

Como podemos observar, Davi contemplou a magnificência de Deus através de Seu poder e glória manifestos na criação, tanto na terra quanto nos céus. Neste contexto, ele reflete que o poder e a glória de Deus também se revelam nas crianças pequenas – nos bebês e lactentes – pois a força divina é claramente evidente nelas: “Da boca de pequeninos e crianças de peito.” (v.2a). Interessante que o salmista fala do poder de Deus a partir de duas figuras contrastantes no Antigo Testamento. primeiro o termo hebraico עוֹלֵל  que evoca a ideia de crianças, menino.

Segundo ele usa o termo יָנַק  que significa lactente, bebê. Estes termos simbolizam a pureza, a simplicidade e a vulnerabilidade dos pequeninos. São aquelas que, sob a perspectiva humana, não possuiriam força ou voz para enfrentar grandes adversários. No entanto, por meio de crianças inofensivas e indefesas, Deus utiliza elementos que, à primeira vista, poderiam parecer frágeis para exibir Sua glória e poder. Vejamos o que diz Paulo em Coríntios 1.27: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.”

As palavras do salmista evidenciam que o louvor puro e despretensioso das crianças é uma força poderosa capaz de silenciar críticos e adversários: “ “suscitaste força, por causa dos teus adversários.”(v.2b). A palavra יָסַד (suscitar) significa fundar, fixar, estabelecer, lançar alicerce (Esdras 3.12; Isaías 54.11). E a expressão עֹז (força) não vem dos próprios pequeninos, mas é originada por uma intervenção divina. É uma força que transcende a capacidade natural. Ela não é física ou intelectual, mas uma manifestação da soberania de Deus que opera através da simplicidade e pureza. Ela pode ser manifestada de várias formas, como o louvor sincero, a fé inabalável ou até mesmo a simples existência que testemunha a grandeza do Criador. Na Septuaginta a palavra é traduzida por “louvor”,  traz um significado profundo sobre o "perfeito louvor" das crianças a Jesus. (Mt 21.16). Era a força que emudecia os líderes religiosos e suas críticas. O louvor desta crianças, reconhecendo Jesus como Messias, era um testemunho irrefutável e um desafio direto à autoridade e incredulidade dos que se opunham a Ele. Mas  era um louvor forçado ou intelectualizado, mas uma admiração espontânea pela criação de Deus e Seu poder.

No entanto, esta  força de Deus , tem como objetivo neutralizar a oposição do adversário, afastando todo o caos gerado por eles : “para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.” (v.2c). Emudecer significa tirar a voz, deslegitimar as palavras e anular o poder de ataque verbal ou de difamação. É como os  argumentos perdessem a força e se tornassem vazios. Emudecer  também pode ir além da fala, significando paralisar a capacidade de agir, do inimigo quando fala, acusa, calunia e zomba. Portanto,  o inimigo e o vingador  buscam prejudicar, retaliar ou destruir.

Mas quem eram esses inimigos vingadores? Eles não são especificados no texto. Mas é natural supor que  a referência seja a alguns dos inimigos do autor do salmo que estava tentando se vingar. Sendo  que  objetivo final era calar, confundir e desarmar os inimigos ou adversários. Desmascarar sua arrogância, frustrar seus planos ou simplesmente mostrar que seus ataques são impotentes diante do poder divino. A verdade é que Deus os impede de executar seus planos maliciosos, frustrando suas intenções, especialmente através de instrumentos que eles consideram fracos, como "pequeninos e crianças de peito" – isso os desorienta e os leva à derrota.

Na sequência o salmista coloca ênfase na obra da criação de Deus. Nesse sentido ele lança mão do antropomorfismo para falar da vastidão do universo como obra dos “dedos de Deus.”  No Antigo Testamento, falar dos dedos de Deus aponta para a intervenção e o agir direto e imediato do SENHOR. Por isso,somos convidados contemplar a grandiosidade da criação, não apenas como um espetáculo visual, mas como a obra primorosa dos "dedos de Deus." Veja o que disse o salmista: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste.” (v.3). Ao meditar sobre estas palavras, ele revela  dois contrastes impressionantes: primeiro, os céus, a lua, as estrelas – tudo isso representa a vastidão, a distância e o poder do universo. É algo que nos faz sentir pequenos e, ao mesmo tempo, maravilhados com a grandiosidade deste universo.

Segundo, a expressão “teus dedos” é uma metáfora poderosa. Ela sugere não apenas o poder de Deus para criar algo tão gigantesco, mas também a delicadeza, a precisão e o cuidado com que o SENHOR o fez. Não é um ato de força bruta, mas de uma arte minuciosa. Imagine a precisão necessária para "estabelecer" cada estrela em seu lugar, para que a lua siga sua órbita perfeita, influenciando as marés e iluminando a noite. Mas o  que esta contemplação nos revela?  Somos lembrados da grandiosidade de Deus e de Sua obra de criação, que revela Seu poder, sabedoria e cuidado. Por isso, precisamos reconhecer a soberania de Deus e sentir admiração e humildade.

O ocorre que o salmista, ao observar a imensidão do universo, se sente pequeno e insignificante. Ele faz um pergunta retórica sobre a identidade do ser humano  e nos  causa admiração: “Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (v.4). A expressão אֱנוֹשׁ (homem) pode carregar a conotação de fraqueza, mortalidade e fragilidade. É o ser humano em sua condição mais vulnerável e finita. Da mesma forma,   בֵּן אָדָם     (filho do homem), reforça a ideia de humanidade, a descendência de Adão, o que nos liga à nossa natureza terrena e passageira. Davi está basicamente dizendo: “Por que Deus deveria notar um pequeno homem no meio de um vasto universo? Por que Deus deveria se lembrar de que estamos aqui ou prestar atenção em nós?”  Obviamente o salmista está se referindo à fragilidade e a transitoriedade dos seres humanos diante da majestade de Deus. A pergunta, portanto, expressa um profundo  o quanto somos tão pequeno comparando com a magnificência e o poder infinitos de Deus. Não somos nada por nós mesmos em comparação com a grandiosidade divina. Mas tudo o que o ser humano é, ele deve ao cuidado amoroso e  misericordioso de Deus. Ele lembra do homem e o visita diariamente.

Entretanto, de maneira surpreendente, Davi afirma, sobre a condição do homem. Fala sobre  o lugar da humanidade na criação:  “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus.” (v.5a). A conjunção adversativa  ( וַ ), traduzida por “no entanto”, demonstra a distância entre a dignidade do homem como criatura e a dignidade conferida por Deus a ele. É a enorme distância entre o que deveríamos ser e o que somos. Literalmente, podemos afirmar: "Fizeste-o, no entanto, um pouco inferior", ou “um pouco menor do que os anjos.”  Algumas traduções sugerem, "pouco menor do que Deus" ( אֱלֹהִים ), usam o termo "Deus" (veja ARA). Independentemente, da tradução exata, a mensagem é clara: Deus conferiu à humanidade uma dignidade extraordinária, uma posição privilegiada na Sua criação. Fomos coroados com glória e honra (v.5b). Isso não é algo que conquistamos. É um presente da graça divina. Sim, o homem é pequeno no universo. Mas ele é significativo,pois foi coroado com a glória e a honra da imagem de Deus

O homem pode ser pequeno, mas Deus se importa com ele!  O SENHOR concedeu a ele a grande a responsabilidade e o privilégio de ser  mordomo sobre a criação. Não para explorar e destruir, mas para cuidar, cultivar e administrar com sabedoria, refletindo o caráter do Criador:   “Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste.” (v.6). Esse "domínio" reflete uma grande responsabilidade do homem. Mas não se trata de ser opressor, mas de mordomia e gestão responsável sobre toda a criação. É uma posição única de governança que  o SENHOR concedeu ao homem. O salmista lista ainda exemplos específicos de criaturas sobre as quais os humanos receberam autoridade de dominar. Ele  começa com os animais domesticados, essenciais para a sobrevivência e o sustento humano: ”todas as ovelhas e bois, e os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo.”(v.7)."  E depois se estende aos animais selvagens: “as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares.” (v.8).

E assim, o salmo termina da forma como começou, repetindo as palavras do verso inicial: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome.”(v.9). Essa repetição enfática sublinha que a glória e a soberania de Deus são universais, inquestionáveis e transcendem toda a compreensão humana. Ele é o Criador, e toda a criação, desde os corpos celestes mais distantes até a voz de uma criança, testemunha Sua grandeza e poder. Outro detalhe importante é que Deus, em Sua infinita graça, não apenas se lembra de nós, mas nos fez "pouco menores que os anjos" e nos coroou "de glória e de honra".

Estimados irmãos! O salmo reitera que, apesar da nossa insignificância aparente no vasto universo, a majestade de Deus permanece  como ponto central,   e é a razão para toda a nossa adoração. Sendo assim, somos chamados a adorar a Deus por Sua majestade, a reconhecer o valor e dignidade inerentes de cada pessoa, exercendo a nossa responsabilidade dada por Deus de cuidar da terra e suas criaturas.

Portanto,vivamos uma vida de uma maneira que reflita a honra e glória com que Deus nos coroou, apontando, em última análise, para o cumprimento desta visão em Jesus Cristo. Amém!