domingo, 15 de março de 2026

TEXTO: SL 31

TEMA:  NAS TUAS MÃOS, ENTREGO O MEU ESPÍRITO!

O Salmo 31 é de lamentação. Ele foi escrito, e pode ser dividido em três partes: um pedido de libertação de Deus (versículos 1-13), uma expressão de confiança na fidelidade de Deus (versículos 14-18) e uma declaração de louvor e confiança (versículos 19- 24). Ele é dirigido ao “músico-chefe” ou “mestre de canto.” Mas não sabemos quando foi composto. Alguns intérpretes supõem que foi escrito quando Davi foi perseguido por Saul. Ele estava escondido no deserto de Maon. Naquele local, os homens de Zife, israelitas que pertenciam à tribo de Judá (Js 15.24), aproveitaram a oportunidade e traíram Davi.( 1 Samuel 23.19,20).

É justamente neste contexto  que o salmista  sente angústia  e medo por causa da perseguição de Saul e seu exercito.  Nestas circunstâncias , Davi demonstra  fé em Deus, o único capaz de oferecer refúgio e proteção. Ele não tinha outro lugar onde pudesse buscar refugio, se não somente em Deus. É justamente nas mãos de Deu que ele busca proteção. Ele explica: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”.

Jesus quando estava na cruz, nos seus últimos momentos, faz uma citação deste salmo. Ele bradou em alta voz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Tendo dito isso, expirou. O Senhor havia ficado muitas horas nas mãos de pecadores. No Getsêmani, ele disse aos discípulos: “O Filho do Homem está para ser entregue nas mãos de pecadores” (Mt 26.45). Jesus sofreu ,horrívelmente, nas mãos de pecadores. Aquelas mãos o agarraram e o prenderam,  bateram nele, o despiram, colocaram uma coroa de espinhos em sua cabeça e elas o pregaram na cruz Jesus morreu sendo insultado, com o corpo ferido de morte e totalmente ensanguentado.  Contudo, quando chegou ao término de sua missão, Jesus Cristo já não estava mais nas mãos de pecadores. Ele morreu confiante, porque estava nas mãos do Pai. E,assim, pôde dizer: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito!”

Como é maravilhoso entregar a nossa vida nas mãos do Pai. Mesmo que as mãos dos homens venham a nos ferir, o Pai, a seu tempo e a seu modo, vem nos proteger e cuidar de nós com suas próprias mãos. As mãos do Pai não nos deixam entregues às mãos do inimigo. Entregar nossas vidas aos cuidados de Deus é um ato de fé. Significa colocar nossas vidas completamente sob o seu poder, sabedoria e misericórdia, para serem guiadas e preservadas exclusivamente de acordo com a sua vontade. E, se assim o fizermos, o Deus misericordioso promete se responsabilizar totalmente por nós: nos alimentandos, nos vestindo, nos abrigando e guardando os nossos corações de todo o mal. Em circunstâncias como a do salmista, poderíamos nos aproximar de Deus e dizer-lhe com a mesma convicção de Davi: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito.”

                                                                       I

 Davi inicia o salmo elevando seus pensamentos a Deus em oração: “Em ti, Senhor , me refugio.” (v.1a). Esta é a base sobre a qual repousa a sua oração. A palavra  refúgio, significa abrigo, lugar. Possui o sentido de apoiar-se sobre algo ou alguém. Diante de sua angustia o salmista buscou refúgio, proteção no Senhor. Ele lembrou que somente em Deus encontraria verdadeiro refúgio. No Salmo 118.8-9, ele afirma: “É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens. É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar em príncipes.” Os homens não são dignos de confiança. E ainda afirma: “ não seja eu jamais envergonhado.” (v.1b). Significa nunca me deixe envergonhar. Nunca  me dê ocasião de me envergonhar; que eu  não seja “desapontado” a ponto de envergonhar-me por ter confiado em ti. Sendo assim, o salmista em sua oração apela para  à justiça do Senhor: “livra-me por tua justiça.”(v.1c). Ele pede que o Senhor aja com justiça contra seus inimigos, de acordo com a aliança que Ele fez com Israel, caso contrário, ele se envergonhará (desapontado) de sua confiança Nele.

No entanto, Davi continua implorando a Deus: “Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa”. (v.2a). O verbo נָטָה (inclinar) significa virar para o lado, curvar-se, abaixar-se. Pela súplica do salmista, a situação não era nada agradável. Por isso, implora ao Senhor por mais atenção em relação ao seu pedido contido na suplica. Ele suplica desta forma, pois o “Senhor é o seu castelo forte, cidadela fortíssima que me salve.”(v.2b). E ainda o Senhor é  “uma rocha forte”, isto é, uma casa de rocha (Sl 18.2), e “uma fortaleza” que serve de proteção.(v.3). Isso deixa claro o quanto os inimigos o pressionavam e já estavam tão perto dele.

Como é maravilhoso saber que Deus é o nosso refúgio. Nele encontramos toda força e proteção necessárias quando tudo ao nosso redor parecer ruir. Ele nunca nos abandona, quer chova ou faça sol, quer sopre ventania ou haja calmaria, na doença ou na saúde. Ele também está com seus filhos para lhes fazer justiça, diante dos malfeitores. seja confortando-os no sofrimento, seja livrando-os das suas armadilhas. Como é bom  saber e experimentar que ele é a nossa fortaleza; e que estende os seus braços sobre nós, protegendo e preservando nossa vida. Por isso, sempre que estivermos em situação de perigo, vivendo tempos difíceis, antes de perder o ânimo e desfalecer, Deus transforma os nossos desertos num lugar aprazível e o chão ressequido em fontes de água viva. Ele converterá nossa tristeza em alegria.

Davi não tinha outro lugar onde pudesse buscar refugio, se não somente em Deus. É justamente nas mãos de Deu que ele busca proteção. Ele explica: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”.(v.5). A expressão  “Nas tuas mãos.” refere-se ao poder, sabedoria de Deus. ou que dá entendimento, que tudo sabe, que tudo pode, pois com suas mãos Deus faz tudo, nem precisa de instrumentos. O verbo פָּקַד (entrego) significa cuidar de, tomar conta, entregar aos cuidados de. E רוּחַ (espirito) significa vento, hálito, mente . Davi foi rejeitado pelos seus inimigos, mas achou conforto e refúgio no Pai. Ele entregou nas mãos de Deus, inteiramente o  seu espirito, pois temia as mãos assassinas dos ímpios e perversos.

Ele ainda  entrega a Deus com uma fé confiante: “tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade.” O verbo פָּדָה (redimir) significa ser liberto, resgatar, livrar e o conteúdo do termo varia de acordo com a fonte da opressão. O termo hebraico para verdade é אֶמֶת, que significa confiabilidade e fidelidade. Podemos traduzir assim: "Tu és um Deus fiel". Com estas palavras, Davi exprime completa dependência de Deus — sua vida está nas mãos de Deus para que faça o que desejar dela ao entregar o seu espirito a Deus.  Quando entrega a Deus, ele confia ,plenamente, na sua ajuda diante de seus inimigo. Isso significa que ele não faz mais planos sozinho, mas os deixa nas mãos de Deus.

Estas palavras do salmista foram proferidas por Jesus, pouco antes de sua morte na cruz (Lc 23.46). Jesus foi rejeitado, traído e negado pelos homens, mas achou conforto e refúgio no Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”  Este foi o seu último clamor e, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. Na cruz do Calvário, Jesus  encarou a morte com tranquilidade, porque confiou naquele que tomaria conta do seu espírito. Entregar seu espírito nas mãos de seu Pai era um ato final de dedicação, de auto-entrega. Ninguém tirou sua vida, seu fôlego de vida. Ele mesmo entrega seu espírito, sua vida, porque recebeu do Pai um mandamento. (João 10.17-18).

Mas o que aconteceu quando o Senhor Jesus entregou  seu espirito ao Pai ? E qual o significado dessas palavras para Jesus e para a humanidade? Para Jesus, foi um momento de profundo significado, pois obteve a vitória contra o pecado, o diabo e a morte. Ele veio ao mundo para pagar os nossos pecados, para nos reconduzir a Deus. Somente Ele poderia pagar esse preço em nosso lugar. Agora, há perdão para os pecados, há reconciliação entre o homem e Deus, há uma realidade da vida eterna. Ainda, na sexta-feira da Paixão, Jesus venceu o inimigo que havia nos aprisionado pela sedução do pecado. Derrotou Satanás em nosso favor. Agora, Satanás já está derrotado, juntamente, com todas as suas potestades. Ele, agora, não tem mais poder para nos condenar. Não tem domínio sobre nós, pois estamos vivendo sob a proteção do Senhor.

Quando Jesus ressuscitou, derrotou o último dos inimigos, a morte . Sua ressurreição foi uma verdadeira e total derrota da morte. Ele venceu a morte de uma vez por todas, como Pedro explicou: "Porém Deus o ressuscitou, livrando-o da agonia da morte, porque não era possível que fosse retido por ela" (Atos 2.24). O fato de Cristo ter vencido a morte abriou-se as portas da eternidade, onde estaremos face a face com Deus. Porque  sem a ressurreição, não há nenhuma esperança para nós: "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a fé que vocês têm, e vocês ainda permanecem nos seus pecados" (1 Coríntios 15.17). Mas Cristo "não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho" (2 Timóteo 1.10). Sua morte foi o meio pelo qual o amor de Deus nos alcançou. Este grande amor está expresso nas palavras de João 3.16: naquele último momento de vida o Senhor entregou-se aos braços do Pai! Ele que sempre esteve amparado pelo Pai neste mundo, que viveu  sempre em profunda sintonia com o Pai agora entrega-se confiadamente nos braços do mesmo Pai.

O salmista entregou seu espirito ao Senhor. Ele procede desta forma, porque confia plenamente no  Senhor. Ele afirma: “Aborreces os que adoram ídolos vãos; eu, porém, confio no Senhor.” (v.6). O verbo  aborrecer significa no hebraico “aquele que odeia”, abomina, detesta, ou seja, aquele que não se entrega a “vaidade mentirosas” (insensatez , tolice). As “vaidades mentirosas” são ,provavelmente, “ídolos”. Alusão para aqueles que participavam da adoração de ídolos. Estes ídolos eram ,frequentemente, representados como falsos – como vãos, ou vaidade, – como uma mentira – em contraste com o que é verdadeiro e real. Detestar os idolos e confiar no Senhor. Este é o pensamento do salmista. É você tem confiado no Senhor ou nos ídolos? Infelizmente, deparamos diante  de pessoas que ainda são orietadas pelo romanismo, adoram diretamente a ídolos em suas procissões, e exaltam à virgem Maria como sendo a “mãe de Deus”. A verdade é que muitas pessoas são enganadas por falsos líderes que estimulam essa idolatria de imagens de escultura, talhados em pau e pedra. Elas se esquecem do Deus que os criou, e ignoram as evidências que demonstram que há um Deus de majestade e excelência, que não pode ser adorado por imagens de escultura.

No entanto, o salmista confiava no SENHOR. Além da confiaça, Davi tem grande alegria por causa da benignidade de Deus (v.7). Afinal, Deus  conheceu as angustias da alma de Davi, ou seja, Ele não apenas percebeu, mas participou delas. Por isso, Davi agradece a Deus por não tê-lo entregado “na mão do inimigo”, mas, pelo contrário, por ter colocado “os pés em um lugar espaçoso” (v.8).  Seria como se salmista estivesse em lugar apertado e Deus lhe tirasse dali, e o colocou em um lugar onde a última coisa que sentisse fosse aperto. Neste sentido, percebemos o quanto o salmista estava sofrendo. E se não fosse a proteção divina, em livrar-lhe de seus inimigos, a consequência seria terrível

No entanto, de forma comovente, Ele  suplica ao Senhor, se volta como miserável para a misericórdia e o amor de Deus. Em vez de procurar por “culpados” ou negar seus erros, reconhece que precisa de Deus: “Compadece-te de mim, Senhor, porque me sinto atribulado; de tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo.” (v.9). Existe uma mudança brusca a partir deste versículo. O salmista passa a demonstrar a situação que estava vivemdo. Ele estava atribulado e triste Passava por um momento de profunda melancolia, no íntimo de sua alma, perdendo suas forças físicas. Sua vida se consumia em gemidos e na fraqueza de seus ossos, sofria as dores mais lancinantes. E ele dá a razão para todo esse estado de sofrmento que estava vivendo: “Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos, em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem.” (v.10). Quando afirma, “a minha força, por causa da minha iniquidade,” aqui retrata um sentimento de culpa que contribui para a angústia da mente e do corpo do salmista. E assim, ele não tem mais condições de realizar o seu trabalho, pois “ seus os ossos os consomem.” Ele estava doente. Era um momento de intensa depressão.

E para aumentar os seus sofrimentos, os seus conhecidos, amigos e vizinhos o alienaram, o abandonaram, além de ser ridicularizado e considerado como opróbrio perante os seus adversários. Na verdade, ele foi objeto de escárnio, um horror para os meus conhecidos: uma visão amedrontadora que afasta aqueles que observam a condição do salmista. (v.11). Como esquecido e morto, ou como um caco de um vaso quebrado, o salmista se sente desamparado e rejeitado. (12). Sua angústia só aumenta quando se torna alvo de difamação, cercado por situações de temor, em que conspiram contra ele. ( v.13). Ocorre, que ele  não encontrou forças na sua própria alma, e muito menos nas pessoas ao seu redor. Elas rejeitaram, fugiram e conspiraram contra Davi.

                                                                       II

Onde Davi encontraria ajuda? Novamente, ele reafirma a sua confiaça no SENHOR: “Quanto a mim, confio em ti, SENHOR. Eu disse: tu és o meu Deus.” (v.14). Interessante o pensamento do salmista: demonstra uma fé particular, íntima e pessoal ao confiar plenamente no SENHOR. Davi era um homem de integridade, um adorador, sabia esperar no Senhor e não se desanimava com as lutas do dia a dia (Sl 27.14). Confiava ,inteiramente, no Senhor (Sl 37.3-9). Como está a sua confiança no Senhor? (Sl 37.5). Você tem confiado em Deus com a mesma intensidade do salmista. Tem deixado  que Ele resolva os seus problemas? Lembre-se: a confiança gera esperança. Quando confiamos em Deus, temos paz, alegria e coragem. “Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se pode abalar, mas permanece para sempre.” ( Sl 125.1). Quando demonstramos confiança no Senhor, nada pode abalar a nossa estrutura, pois a confiança no Senhor produz uma firmeza inigualável. É maravilhoso ser protegido!

Davi entendia que seus inimigos podiam tirar tudo que possuia, menos a confiança que tinha em  Deus.  Além disso, os seus inimigos não podiam afrontá-lo, insultá-lo, ofende-lo, porque ele recebia a proteção do SENHOR: “Nas tuas mãos, estão os meus dias; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores.” (v.15). Deus através de sua mão o sustentou, levantou, protegeu, livrou, prometeu, conduziu a sua vida. Foram momentos marcados pela mão de Deus, pois sem a mão do Senhor Davi não seria ninguém.  Ele sabia de suas fraquezas, por isso, confiava nas mãos de Deus todos os dias. É justamente neste  confiança que ele ora e pede livramente das mãos dos seus inimigos e de seus persegudore.  Nestas circunstâncias ,Davi demonstra  fé em Deus, o único capaz de oferecer o livramento. Ele não tinha outro lugar onde pudesse buscar refugio, se não somente em Deus. É justamente nas mãos de Deu que ele busca proteção. Depender de Deus em tudo, confiar totalmente Nele e ser dirigidos pelas suas mãos deveriam ser os nossos maiores ideais todos os dias da nossa vida.

Da mesma forma, baseado nesta confiança o salmista estava ciente da bondade de Deus. Então, suplica: “Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua misericórdia.” (v.16). O rosto de Deus voltado em direção a alguém significa sua presença no sentido de um relacionamento próximo e íntimo. Isso só é possível por sua infinita misericórdia. Quando  resplandece sobre nós, somos guiados por sua luz. Ele nos mostra o caminho da verdade e nos capacita a viver de acordo com sua vontade. Sua luz dissipa a escuridão do pecado e nos ajuda a discernir o que é certo. A misericórdia de Deus nos sustenta. A misericórdia é o amor compassivo de Deus que nos perdoa e nos restaura mesmo quando não merecemos. Ela é um reflexo de sua graça incondicional. Reconhecer a misericórdia de Deus nos leva a ser misericordiosos com os outros e a viver em humildade diante dEle.

 Davi sendo um servo de Deus e tendo invocado o Senhor com sinceridade e verdade em todas as ocasiões, suplica ao Senhor: “Não seja eu envergonhado, Senhor, pois te invoquei; envergonhados sejam os perversos, emudecidos na morte.” (v.17). Aqui aparece novamento (v.1) o termo בּוּשׁ, que significa ser envergonhado, ficar embaraçado, ficar desapontado. O salmista pede ao Senhor para  que nunca o deixe envergonhado, que não  dê ocasião para que seja “desapontado,” a ponto de envergonhar-se por ter confiado no Senhor. Os ímpios, sim, devem ser envergonhados por Deus. Eles devem ser silenciados pela morte, para que não possam mais falar suas palavras perniciosas, pois os seus inimigos estão prontos para matá-lo. Suas bocas devem ser fechadas para sempre, pois eles têm lábios mentirosos: “Emudeçam os lábios mentirosos, que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém.” (v.18). Eles não fazem nada além de difamar, enganar, caluniar e falar mentiras. Dizem coisas más com arrogância e desprezo contra o justo também pode ser traduzido por: "Falam ,insolentemente, contra o justo com orgulho e desprezo.”

                                                                     III

 Enquanto na primeira parte Davi está desanimado e preocupado com os rumos da sua vida, agora, uma explosão de alegria: “Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual usas, perante os filhos dos homens, para com os que em ti se refugiam!” (v.19). Essa visão, exposta por Davi, é tão reconfortante que ele faz questão de demostrar sua gratidão, diante da atuação de Deus em seu favor. Davi sabia disto, por isso, se mantinha confiando. De fato, a bondade que Deus nos reserva é abundante. Dura para sempre. É abrangente. Ela é somente para aqueles que temem ao Senhor. Davi demonstou a grandisidade da bondade SENHOR, quando afirma: “No recôndito da tua presença, tu os esconderás das tramas dos homens, num esconderijo os ocultarás da contenda de línguas.” ( v.20). Davi insiste na figura do “esconderijo”. A frase “No recôndito da tua presença” significa tua “presença secreta”. O hebraico traz a ideia de:  “o segredo do teu rosto”. Potanto,  o termo recôndito é um lugar mais profundo, íntimo, reservado, baseia-se num relacionamento ligado por afeição e confiança ao Senhor. A ideia é que o SENHOR os esconderia, ou os retiraria da vista do público, ou da vista de seus inimigos. Dos inimigos que não mostram o rosto. Não se identificam. Conspiram, tramam e montam armadilhas às escondidas. E qual é a arma?  Usam a língua, denigrem, caluniam e difamam. Quando isto ocorre  Deus os levará, por assim dizer, para sua própria presença imediata, e irá protegê-los.

No entanto, Davi continua falando da ação de Deus. Ele agradece pela evidência de que Deus o ouviu os seus problemas e lhe respondeu: “Bendito seja o Senhor , que engrandeceu a sua misericórdia para comigo, numa cidade sitiada!” (v.21). O salmista afirma que a bondade do SENHOR se tornou um objeto de admiração e espanto em sua vida, pois  SENHOR   engrandeceu a sua misericórdia – literalmente, “Ele tornou sua misericórdia maravilhosa.” Tudo o que a passagem necessariamente implica é que Deus lhe deu proteção como se ele tivesse sido colocado em uma cidade fortemente fortificada, onde estaria a salvo do perigo. Isto significa que o SENHOR lhe deu proteção quando suplicou compaixão, perdão dos seus pecados, e ele foi atendido: “ Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro.” (v.22).  A palavra  “pressa” significa apropriadamente correr, fugir,  temer, estar aterrorizado. Isto fez com que  se sentisse excluído da presença do SENHOR. Mas Deus ouviu a sua súplica quando clamou por socorro. Deus nunca desampara os seus filhos que Lhe pedem a compaixão e o perdão. Se nos aproximarmos dEle com nosso humilde pedido de compaixão, Ele se aproximará de nós com o seu grande  amor.

A experiência do salmista mostrou a sabedoria de confiar em Deus em tempos de perigo e angústia, e lançou o fundamento para uma exortação adequada para que outros sigam o seu exemplo. E,assim, ele faz um apelo veemente a todos os que temem a Deus: “Amai o Senhor, vós todos os seus santos.”(v.23a). Este é o maior apelo encontrado na Bíblia: “Amar ao SENHOR.” Amar Aquele que nos amou antes da fundação do mundo. Assim, como Deus nos amou, Ele espera que nós também. Mas como devemos amar a Deus? João nos deixou claro, quando disse: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos.” (1Jo 5.3). Cristo também afirma: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.” (Mt 22.37). A razão aqui atribuída para o amor ao SENHOR é que ele preserva aqueles que são fiéis.(23b).

Entretanto, o salmista parece ter percebido que havia um juiz maior que os homens, que traria à luz à verdade e puniria o que realmente era mal, sem dar ouvidos a acusações infundadas e falsas. Ele preserva os fiéis e pune os orgulhosos, e que este fato constitui uma razão pela qual todo o seu povo deveria confiar nele. Os fiéis são aqueles que colocam sua confiança no SENHOR; aqueles que não desistem em desânimo e desespero em tempo de perigo e dificuldade; aqueles que não o abandonam. Mas aqueles orgulhosos, que usa de arrogância, o SENHOR retribui em abundância o castigo. Portanto, ainda que os ímpios nesse mundo acabem por tirar vantagem dos outros e oprimir os aflitos, o Senhor não permitirá que tal situação seja permanente.

Davi deve ter sentido ação vinda do SENHOR e a proclama aos que estão ao seu redor, dizendo: “Sede fortes, e revigore-se o vosso coração.”(v.24). O salmista encorajou o seu povo. As suas palavras de encorajamento estão além dos conselhos dos livros de auto-ajuda, pois é dito a um grupo bem definido: “vós todos que esperais no Senhor.”(v.24b). Há tantas coisas que esperamos neste mundo, diante do nosso desânimo e cansaço que vivenciamos diriamente. Nestas circunstâncias, muitas pessoas  procuram ajuda nas vãs filosofias, no dinheiro e nos vícios; outros olham para dentro de seu interior, e procuram respostas para seus problemas, ao invés de buscar ajuda no próprio Deus .Nesses momentos devemos recorrer ao nosso Senhor e Salvador que Ele nos dará o socorro esperado. Somente o nosso Senhor é capaz de nos tirar das situações difíceis e atender ao nosso pedido de socorro. Foi o que fez Davi. Depois de pensar coerentemente nas possíveis soluções para os seus problemas, Davi chega a uma conclusão magnífica.  

Como podemos aplicar este salmo a nossa vida? O salmista expressa sua confiança na proteção de Deus e pede livramento de seus inimigos. Você também pode confiar na proteção de Deus e pedir sua libertação em tempos difíceis. O salmista confessa sua confiança em Deus, dizendo: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Você também pode confessar sua confiança em Deus, sabendo que ele é fiel e o manterá seguro. O salmista pede a misericórdia de Deus e livramento de seus inimigos. Você também pode buscar a misericórdia de Deus e pedir-lhe que o ajude em tempos difíceis. O salmista louva a Deus por sua bondade e fidelidade, dizendo: “Quão grande é a tua bondade, que tens guardado para aqueles que te temem” (versículo 19). Você também pode se alegrar com a bondade de Deus e confiar em sua fidelidade. Enfim, o salmista busca refúgio em Deus, dizendo: “Tu és o meu refúgio, a minha porção na terra dos viventes” (versículo 5). Você também pode encontrar refúgio em Deus, sabendo que ele é um lugar seguro a quem recorrer em tempos difíceis.

 Que lição para nós! Em meio a tantos problemas e a tanto sofrimento, Davi conseguiu ver a mão de Deus agindo a seu favor e o livrando do mal. Seus olhos estavam atentos a isso, porque seu coração estava ligado ao Senhor. Ele orava a Deus e permanecia atento às respostas do seu Senhor. Que o nosso mais profundo anseio seja o de sempre notar a atuação e a bondade do nosso Deus, ainda que os “terremotos” da vida estejam sob nossos pés! E que, fruto dessa visão, sejamos fortalecidos e consolados por andarmos sob as asas daquele que é o Senhor do universo e o protetor dos que o buscam! Amém!


TEXTO: MT 21.1-11

TEMA: SAUDEMOS O NOSSO REI JESUS!

 A Igreja Cristã celebra o Domingo de Ramos, dando início à Semana Santa. É chamado de Domingo de Ramos pelo fato de ter sido, conforme a tradição, o dia em que Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém. Embora tenha sido desprezado pelos fariseus, foi aclamado pelo povo, que o saudou estendendo suas vestes pelo caminho e lançando ramos como forma de homenagem.

Também queremos saudar o nosso Rei Jesus, não somente neste Domingo de Ramos, mas sempre. O nosso texto base é o Evangelho de Mateus 21.1–11, e o nosso tema é: “Saudemos o nosso Rei Jesus!” Temos dois motivos para saudar o nosso Rei Jesus:Primeiro, porque Ele é o nosso verdadeiro Rei e merece toda a nossa honra, glória e louvor. Segundo, porque Ele veio nos salvar como o verdadeiro Rei.

Era domingo. Jesus estava a caminho da grande cidade de Jerusalém. Não era a primeira vez que Ele ia a essa cidade. As Escrituras registram que Jesus já havia estado ali em outras ocasiões antes de sua entrada final em Jerusalém. Entretanto, essa entrada tinha um significado especial. Jesus entraria em Jerusalém para iniciar o seu sofrimento, que fazia parte da finalidade principal de seu reino. Ele entraria para salvar a cidade e seus moradores, chamando-os ao arrependimento. Por isso, ao contrário das vezes anteriores, há uma preparação especial para essa entrada. Antes de chegar a Jerusalém, Jesus escolhe dois discípulos e os envia a Betfagé. Nesse lugar, os discípulos encontrariam uma jumenta e, com ela, um jumentinho.

O Senhor não disse que precisava de qualquer animal, mas indicou um específico, dizendo que precisava exatamente daquele; nenhum outro serviria. A ordem de Jesus era muito simples: “Desprendei-a e trazei-mos” (v. 2). Com isso, Jesus dá uma demonstração de seu inesgotável poder, mostrando que pode realizar aquilo que aos olhos humanos parece impossível. Ele não hesita em revelar aos discípulos quem Ele é. Suas palavras manifestam grande autoridade, pois é o próprio Senhor quem fala e ordena. Jesus continua orientando os discípulos: “E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que o Senhor precisa deles” (v. 3).

Os eventos da vida de Jesus não foram acidentais nem simples reações às circunstâncias de sua época. Cada passo, desde o seu nascimento até a entrada em Jerusalém, já estava dentro do plano de Deus. Como afirma a Escritura: “Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta” (v. 4). Ao citar o profeta — neste caso, Zacarias 9.9 — ele é apresentado como o porta-voz de uma verdade que atravessa os séculos e encontra seu cumprimento na entrada de Jesus em Jerusalém. A entrada de Jesus é singular. Ele entra como Rei, conforme havia sido anunciado pelo profeta: “Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga” (v. 5). Assim, Jesus se apresenta ao povo como Rei. Mas não como um rei comum. Ele é o Rei que está acima de todos os reis e de todos os senhores da terra — um Rei soberano e absoluto. Ele é o Rei dos reis, que chora para trazer-nos a salvação; o Rei anunciado pelos profetas, o Bendito que vem em nome do Senhor. Ao entrar dessa forma em Jerusalém, Jesus demonstra que o seu reino não é um reino terreno, mas espiritual. Não é deste mundo; é um Reino celestial.

No entanto, não há qualquer questionamento por parte dos discípulos. Eles simplesmente obedecem à ordem do Senhor: “Indo os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara” (v. 6). Os discípulos foram, encontraram os animais e os trouxeram. Colocaram sobre eles as suas vestes e ajudaram Jesus a montar (v. 7). Assim, de maneira simples, Jesus inicia a sua caminhada rumo a Jerusalém.Ele deseja entrar na cidade, mas o faz de forma humilde, mansa, branda e pacífica. Foi dessa maneira que Jesus entrou em Jerusalém. Não como os grandes reis e conquistadores que retornavam triunfantes depois de uma batalha, nem como em um cortejo real cheio de luxo, exibindo riquezas, escravos e conquistas. Jesus não entra como um conquistador militar nem como um libertador político. Ele entra como um Rei humilde, que veio para reinar sobre a sua Igreja. Entra como um monarca que vem em paz, o Príncipe da Paz.Todos esses aspectos demonstram que o seu reino não é terreno, mas espiritual.

Aquela entrada triunfal era um momento de júbilo, alegria e louvor ao Senhor. Os discípulos e uma numerosa multidão rendiam homenagens espontâneas a Jesus, que se encaminhava triunfalmente para Jerusalém. Preparavam-lhe um caminho estendendo suas próprias vestes e espalhando ramos que cortavam das árvores pelo caminho (v. 8).

Era o povo, tomado de entusiasmo, gritando e clamando: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (v. 9).A palavra Hosana, em hebraico (הושענא), significa “salva-nos, por favor” ou “salva-nos agora, nós te imploramos”. O povo também reconhecia que Jesus era o Bendito que vinha em nome do Senhor. Reconhecia que o Mestre era o Filho de Deus, aquele que vinha enviado pelo próprio Deus.Naquele momento, o anseio do povo se transformava em esperança ao receber o Rei Salvador, que vinha para sofrer, morrer e ressuscitar.

O Salmo 118 retrata perfeitamente todo esse entusiasmo do povo. No período pós-exílio, esse salmo foi incorporado à liturgia dos dias festivos. Por ocasião das principais festas judaicas, os peregrinos que chegavam a Jerusalém eram saudados com as palavras desse salmo.O povo clamava a Deus em um pedido de socorro, aguardando a libertação que viria da parte do Senhor: “Bendito é o que vem em nome do Senhor!” (v. 26a).Parece que tanto o salmista quanto os judeus em geral alimentavam a esperança da chegada de um rei eterno, conforme anunciado pelo profeta Miqueias (Mq 5.2), que promoveria a restauração plena de Israel (Mq 5.3–4) e também traria bênção para todo o mundo (Mq 4.1–4).

Diante dessa esperança, o salmista convida o povo a celebrar e adornar a festa: “O Senhor é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até as pontas do altar.” (v. 27).Essa celebração assumia a forma de uma espécie de procissão festiva. As pessoas se reuniam e caminhavam pelas ruas em direção ao templo, onde finalmente começariam as celebrações religiosas ligadas à Páscoa. Era um momento em que o povo reafirmava, de forma enfática, o seu relacionamento pessoal com Deus, seu Salvador, dizendo: “Tu és o meu Deus! Queremos te exaltar, porque a tua misericórdia dura para sempre.”

No entanto, à medida que a procissão ia se aproximando, vagarosa, da cidade, uma pergunta corria de boca em boca, especialmente entre os peregrinos: “Quem é este?” (v.10).Essa é a mesma pergunta que os discípulos fizeram quando Jesus acalmou a tempestade: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mateus 8.27; Marcos 4.41; Lucas 8.25).A resposta é simples: Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores. É o Rei do poder, da glória, da santidade e da justiça. É o Rei que governa este mundo turbulento em que vivemos.Ele é o Verbo que se fez carne. É Jesus, o Filho de Deus. Aquele que foi enfaixado em panos e colocado em um sepulcro. Mas, ao terceiro dia, ressuscitou, porque é Senhor sobre a vida e sobre a morte.

Este é o Rei que queremos saudar. Desejamos recebê-lo com o mesmo entusiasmo, alegria e disposição do povo de Jerusalém, unindo nossas vozes ao coro daqueles que cantavam “Hosanas” e clamavam: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia” (v. 11). Essa imagem nos lembra de um Salvador que nos acolhe e nos convida a viver uma nova realidade. Em sua presença, encontramos descanso para a alma, direção para a caminhada e força para enfrentar as dificuldades da vida. O Rei que entrou humildemente em Jerusalém é o mesmo que, hoje, deseja entrar em nosso vida, trazendo consigo as copiosas bênçãos de seu Reino — bênçãos de graça, paz, esperança e salvação.Ele está à porta e bate; está de braços abertos, oferecendo-nos perdão para todos os pecados e concedendo-nos vida e salvação. Mas, precisamos nos perguntar: como estamos recebendo o Rei Jesus? Estamos acolhendo-o com corações arrependidos e confiantes? Estamos colocando tudo o que somos e temos a seu serviço? 

Portanto, recebamos o nosso Rei com alegria, fé sincera e com o desejo de viver para a sua glória. Que Deus conceda a cada um de nós um tempo abençoado de preparação espiritual, e que busquemos, a cada dia, viver na paz que emana daquele que, em humildade, nasceu e morreu por todos nós. Assim, saudemos o Filho de Deus! Ele merece todo o nosso louvor, honra e glória. Ele nos salvou. Abramos as portas do coração para que Cristo entre. Amém!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 13 de março de 2026

 TEXTO: SL 118

TEMA: DEUS É DIGNO DE CONFIANÇA E LOUVOR

O Salmo 118 é considerado um cântico de Ação de Graças. Há vários salmos como este. Eles eram cantados no dia a dia das famílias de Israel, tanto nas reuniões domésticas, como nas públicas. Neste texto, o salmista canta sua gratidão a Deus com a participação da congregação. Ele ora ao SENHOR e deposita a sua confiança em Deus, pois o SENHOR nunca deixou de atender as suas súplicas. Ele nunca deixou de cumprir as Suas promessas. Por isso, com o coração agradecido, o salmista se mostra fiel nas adversidades. Agradece a Deus pelos benefícios, demonstrado em todos os momentos de sua vida, inclusive nos mais difíceis. Agradece a Deus, cantando e oferecendo sacrifícios. Agradece diante das lutas e vitórias que enfrentou e de como Deus agiu dando seu livramento. Foi isso que o salmista fez. E, por isso, Deus o abençoou dando o que ele precisava.

O salmista nos inspira a confiarmos no SENHOR que ouve e atende a nossa oração.  Mesmo diante das piores situações, podemos nos entregar alegremente ao SENHOR, sabendo que nos livrará de todo o mal. Por isso, precisamos aprender a confiar em Deus. Confiar em Deus é uma atitude que temos de tomar todos os dias, ou melhor, ela deve estar impregnada em nossa mente, ainda que não enxerguemos propósitos nas circunstâncias que enfrentamos, nem nos desafios que somos obrigados a passar. Confiar significa ter fé, esperar, ter esperança em algo ou alguém.  Deus é digno de nossa confiança. Ao contrário dos homens, Ele nunca deixa de cumprir as Suas promessas.

Estimados irmãos! Davi, rei de Israel tinha muitos motivos para agradecer a Deus. Sua vida fora marcada por erros e acertos, mas ele nunca deixou de reconhecer a soberania de Deus sobre sua vida. Por isso, ele nos convida para louvarmos, agradecermos ao SENHOR: “Rendei graças ao SENHOR...” (v.1a). Por que ser gratos a Deus? Se, porém, nos detivermos um pouco para pensar, veremos que temos muitos motivos para agradecer a Deus e saberemos a resposta. Olhando para o passado, nos leva ao reconhecimento e gratidão pelas tantas vitórias alcançadas. No decorrer desta semana, sentimos a presença de Deus manifestando continuamente a sua bondade, realizando verdadeiros milagres em nossa família, no trabalho, em nossa vida de modo geral. Deus enviou seu Filho Jesus Cristo que sofreu e morreu na cruz para nos reconciliar com Deus, concedendo assim o perdão de nossos pecados, a vida eterna, a fé, o amor.

Quantas coisas maravilhosas recebemos de Deus! Por isso, todos os dias, devemos levantar nossas mãos aos céus em sinal de gratidão a Deus por todos seus benefícios. Por tudo que Deus tem feito em nossas vidas, reconhecendo que de fato o SENHOR tem manifestado a Sua bondade. É justamente neste Deus que manifesta a sua bondade, onde podemos buscar socorro, consolo, perdão ânimo para a nosso viver, onde podemos agarra-nos diante das nossas dúvidas e incertezas. Precisamos apreciar mais a bondade do Senhor.

O salmista oferece a razão pela qual precisamos reder graças ao Senhor: porque ele bom e sua misericórdia dura para sempre”. (v.1b). A palavra misericórdia (hesed), normalmente é traduzido por “amor”, mas também pode ser traduzido por “bondade”, “benevolência,” ou “misericórdia”. O salmista confiava na misericórdia divina. Ele entendia que as misericórdias expressam bênçãos, revelam o sentimento de compaixão para com Seu povo e que impede a ira de Deus (julgamento) de agir de imediato, ou seja, dá tempo para que se arrependesse de seus pecados e de suas maldades. A maior revelação da misericórdia de Deus está fato histórico da morte de Jesus em nosso lugar. O SENHOR teve misericórdia de nós e enviou Filho para morrer em nosso lugar. Ele sofreu a punição da culpa pelo pecado que nós cometemos, sem que Ele tivesse culpa alguma. E por Sua grande misericórdia fomos resgatados pelo sangue de Cristo que verteu na cruz.

Somos também convidados a reconhecermos as misericórdias de Deus no dia a dia. Elas são indispensáveis. O que seria de nós se o Senhor não fosse benigno e misericordioso para conosco? Seriamos consumidos! Assim afirma Jeremias: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.” (3.22). São pelas misericórdias que Deus nos perdoa, nos da nova chance de recomeçar e aprender com os erros do passado. Elas se renovam cada manhã. Renovam-se em meio à tristeza e a dor, em meio às lembranças amargas. Renovam a nossa esperança, o nosso ânimo, a nossa disposição no dia a dia da vida. Temos um Deus fiel. Um Deus que é bom o tempo todo.

Sabendo das misericórdias de Deus, o salmista invocou ao Senhor em perfeita confiança: “Em meio à tribulação invoquei o nome do Senhor, e o Senhor me ouviu e me deu folga”. (v.5). O que significa invocar o nome do Senhor? A palavra invocar tem o sentido de chamar o nome de alguém, bradar ou gritar pelo nome. Ao invocar, o Senhor ouviu a oração do salmista e deu lhe folga. Folga, outro termo importante que significa alargar, dilatar, ou ainda “largura”, “espaço aberto”, “lugar espaçoso”. Seria como se salmista estivesse em lugar apertado e Deus lhe tirasse dali, e o colocasse em um lugar onde a última coisa que sentisse fosse aperto. Neste sentido, percebemos o quanto o salmista estava sofrendo. E se não fosse a proteção divina, em livrar-lhe de seus inimigos, a consequência seria terrível: “Morrerei, certamente, não viverei”! (v.17).

Diariamente vivenciamos também os mesmos problemas que o salmista sentiu em toda sua vida. Presenciamos momentos de tristeza e solidão. Afinal, vivemos numa sociedade turbulenta, cheia de aflições, angústias, medos e incertezas! Quanto medo e angustia em nossos corações, quando não encontramos o consolo! Parece que estamos sozinhos, esquecidos neste mundo. Somos fragilizados pelo desânimo e as esperanças chegam a desfalecer. Mas não há motivos para temer! Não estamos sós neste mundo. Você gostaria de tirar uma folga de suas preocupações e angústias? Está passando por momentos de dificuldades, clame ao Senhor! Invoque o Senhor e confie em Deus e em suas preciosas promessas! Invocar o nome do Senhor, dever ser algo constante em nossa vida, seja na alegria, na tristeza ou na angústia. Antes de tudo, não se torne fraco diante dos momentos de tribulações, veja o que nosso Deus diz: "Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás”(SL 50.15).

O salmista chegou a esta conclusão, de que Deus está próximo daqueles que lhes pertencem: O Senhor está comigo”. (v.6a). Isso gerou no salmista uma confiança verdadeira cujo efeito se fazia sentir de modo prático em sua vida: “não temerei. Que me poderá fazer o homem?” (v.6b). É uma pergunta retórica. É uma resposta sincera. Ele admite que podemos ser atacados por inimigos. Eles podem nos prejudicar, podem nos oprimir e nos deixar abatidos. Mas, a mensagem que o salmista nos dá é de vitória, de otimismo, pois independentemente daquilo que os inimigos possam fazer conosco ou contra nós, a nossa vida está nas mãos e sob o controle de Deus. Por isso, olhando para o poder dos exércitos e dos seus príncipes e para sua capacidade de promover uma proteção e refúgio contra o perigo, o salmista conclui-se que é melhor se refugiar no Senhor: “Melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar no homem (v.8). Lembrando que a palavra refúgio, significa abrigo, retiro, lugar seguro. Um dos termos que exprime a segurança como abrigo, que protege de uma tempestade ou de um perigo.

O salmista recomenda depositar a nossa confiança em Deus. Ela torna-se importante, pois a nossa tendência natural é confiar no ser humano. Não podemos transferir para os homens nem mesmo a menor porção de nossa confiança, que deve ser colocada somente em Deus. Lembre-se que o homem muda, mas Deus é imutável. O homem morre, mas Deus é eterno. O homem é tolo, mas Deus é sábio. O homem é fraco, mas Deus é Todo-Poderoso. O salmo 146.3 também recomenda: “Não confiem em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação”. Foi diante deste pensamento, à busca pelo refúgio, que o salmista depositou a sua confiança em Deus. Sendo assim, ao demostrar esta confiança, Deus o amparou dando-lhe a vitória sobre os seus inimigos, quando todas as nações o cercaram. Ele proporcionou alivio e força nos momentos difíceis.

Não poderia existir um auxilio melhor que o próprio Senhor realizou na vida do salmista. Ele o livrou de todas as nações, pois “Todas as nações o cercaram” ... (v.10a). Cercaram de todos os lados...” (v.11a). Isto demonstra que os exércitos eram numerosos e perigosos. Era uma situação complicada, cujo desfecho dificilmente poderia ser favorável. Entretanto, o salmista busca ação do Deus todo poderoso, como fonte da verdadeira da vitória. Em três momentos, ele enfatiza que destruiu os seus inimigos em nome do Senhor. (vv. 10b,11b,12b). Nos versos 15-18, Ele reconhece que sofreu, mas não foi destruído, pois Deus sempre amparou e salvou seu servo, dando-lhe a vitória sobre os seus inimigos. (vs.13,14).

Da mesma forma, Deus nos ampara. Ele ouve o nosso clamor a qualquer tempo: “Os olhos do Senhor estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor”. (Sl 34.15). Mesmo diante das piores situações podemos nos entregar alegremente ao SENHOR, sabendo que nos livrará de todo o mal. Por isso, entregue a Ele toda a sua luta e tribulação, e confie em Deus! O salmista nos inspira a confiarmos no Senhor que ouve e atende a nossa oração. Na verdade, precisamos aprender a confiar em Deus. Confiar em Deus é uma atitude que temos de tomar todos os dias, ou melhor, ela deve estar impregnada em nossa mente, ainda que não enxerguemos propósitos nas circunstâncias que enfrentamos, nem nos desafios que somos obrigados a passar. Confiar significa ter fé, esperar, ter esperança em algo ou alguém.  Deus é digno de nossa confiança.

Mesmo diante da morte em que o salmista vivenciou, muitas vezes, diante de seus inimigos, o Senhor sempre reverteu o quadro desfavorável, ao mostrar de uma forma sabia e justa o rumo da vida do salmista e do povo. Apesar de não ter sido fácil, ele olha para Deus e crê de todo o coração na intervenção do Senhor. Ele afirma que a bondade que Deus lhe havia conferido era tão extensa. ao afirmar que nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação. (v.15). Jubilava porque a destra do Senhor havia feito proezas. A palavra “destra” significa lado direito. É símbolo da mão de força e poder. O Senhor através de seu poder realizou proezas na vida do salmista. Já a palavra “proeza” significa força, poder, capacidade. lustra o uso que Deus faz de sua força infinita para ajudar o salmista. Os benefícios que ele recebeu, o poder de Deus parecia notável e memorável. Mas se não fosse essa proeza que Deus realizou em sua vida, o que seria do salmista? Sofreria punição. Poderia morrer: “Não morrerei; antes viverei e contarei as obras do Senhor.” (v.17). Entretanto, uma vez castigado, disciplinado severamente, Deus não o destruiu: “O Senhor me castigou, mas não me entregou à morte.” (v.18). Deus reverteu à situação. Crê fielmente no livramento do Senhor! Ele sabe que a graça do Senhor encherá sua vida de entusiasmo, de força!

O salmista, agora, se alegra e exulta por ser novamente admitido a oferecer sacrifício a Deus. Agora, poderia se aproximar do Senhor e oferecer agradecimentos. Ele se aproxima do templo, e pede àqueles que tinham a responsabilidade da casa do Senhor, os sacerdotes, solicitando que eles abrissem as portas e permitissem que entrasse para louvar a Deus por sua misericórdia: “Abri-me as portas da justiça; entrarei por elas e renderei graças ao Senhor.” (v.19). A palavra “justiça” (tsedeq) não tem apenas caráter moral, mas um sentido nacional de libertação no qual os inimigos são descritos como injustos e o fazer justiça significa Deus livrou seus servos das mãos dos adversários. Mas entrar pelas portas da justiça significava ser aceito na comunhão com Deus. E só alguém que foi justificado, só alguém a quem foi imputada a justiça divina, pode estar na presença de Deus. Por isso, o salmista e os outros justos, daqueles dias, entraram pelas portas da justiça para render graças a Deus. Este é motivo pelo qual o salmista deveria louvar ao Senhor. E de fato, ele louva ao Senhor: “Render-te-ei graças porque me acudiste e foste a minha salvação.” (v.21).

No entanto, ainda que Israel estivesse em uma situação em que fosse considerada uma pedra inútil a ser descartada, ou seja, prestes a ser destruído, Deus fez algo maravilhoso ao seu povo. E ainda fará. Ele promete enviar a Pedra Angular — Seu precioso Filho — que fornecerá a base sólida para a vida de seu povo. Mas a Pedra Angular escolhida por Deus para edificar a Igreja, foi rejeitada: " A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular” (v.22). Para entender bem essa expressão é preciso entender como eram construídas as casas antigamente. Nas construções antigas, a pedra angular era a pedra fundamental, a primeira a ser assentada na esquina do edifício, formando um ângulo reto entre duas paredes. Servia para definir a colocação das outras pedras e alinhar toda a construção. É o elemento essencial que dá existência àquilo que se chama de fundamento da construção.

No Novo Testamento essa expressão é retomada diversas vezes. Ela é simbolicamente representada por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Aquele que foi rejeitado pelos governantes terrenos de sua época. Os construtores de Israel que julgavam Jesus uma pedra inadequada para o tipo de construção que eles queriam. Na verdade, nem todos se alinham com a Pedra Angular. Alguns aceitam a Cristo; outros O rejeitam. Marcos afirma que Jesus é "a pedra que os construtores rejeitaram" (12.10). Desde o início, Jesus era "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Pedro 2.8). Pedro fez a aplicação direta quando repreendeu os líderes em Jerusalém: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular” (Atos 4.11).

Por terem uma relação especial com a pedra angular, eleita e preciosa, os cristãos devem viver de maneira distinta do mundo: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmas, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pedro 2.4-5). Paulo fez a mesma aplicação deste tema: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Efésios 2.19-21).

Como Pedra Angular, Jesus tinha consciência dessa profecia a seu respeito. Sabia do seu papel e também do descrédito que sofreria das autoridades e de muitos de seu povo. Ele cumpriu a promessa. Veio ao mundo, venceu e está assentado a destra do Todo-Poderoso. Sabia que isto tudo “procede SENHOR..."(v.23a). A Pedra Angular está bem posta, sedimentada, sustentando a grande edificação, o Reino.  Isto “... é maravilhoso aos nossos olhos." Por isso podemos nos alegrar com aquele dia. Foi o dia da salvação, foi na plenitude dos tempos que Deus nos deu a salvação em Jesus. É um dia especial: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemos e elegermo-nos nele.” (v.24). O dia que o Senhor fez. Por meio de sua vitória, Deus fez desse dia em particular um dia de vida, e não de morte, para o salmista e seu povo. Devemos então nos alegrar e celebrar esse dia, pois é mais uma oportunidade de realizarmos algo de positivo em nossa vida e na vida dos outros. Alegremo-nos no Senhor, pois cada dia que nasce é o anúncio que Deus continua renovando suas promessas e, consequentemente, nossa esperança.

Mesmo agradecendo por uma libertação já efetivada, o salmista clama por uma salvação mais ampla e definitiva: “Oh! Salva-nos, Senhor nós te pedimos; oh! Senhor, concede-nos prosperidade!” (v.25). Deus reserva esta salvação ainda maior.na figura de uma libertação realizada por alguém que virá da parte de Deus: “Bendito é o que vem nome do Senhor!” (v.26a). Parece que tanto o salmista como os judeus em geral tinham a esperança da chegada de um rei eterno (Mq 5.2) que promoveria restauração plena para Israel (Mq 5.3,4) e para o mundo (Mq 4.1-4). Por isso, o salmista convida o povo a celebrar este momento: “O Senhor é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até às pontas do altar.” (v.27). Essa festa era um tipo de parada ou procissão festiva, quando as pessoas se reuniam e caminhavam pelas ruas dirigindo-se ao templo, onde finalmente começariam as celebrações religiosas relativas à Páscoa, momento em que afirmavam enfaticamente seu relacionamento pessoal com o Salvador: Tu és meu Deus!

Estimados irmãos! Confiemos plenamente em Deus. No Seu plano de salvação, o Messias enviando ao mundo, saudando o nosso Rei Jesus. Saudando com o mesmo entusiasmo, alegria e pensamento do povo de Jerusalém que recebeu naquele domingo de Ramos, cantando: “Hosana! Bendito é o que vem em nome do Senhor!”. Confiemos plenamente em Deus, pois Ele é bom e a Sua misericórdia dura para sempre. Ele é digno de confiança e louvor! Amém!

TEXTO: FP 2.5-11

TEMA: TENHAMOS O MESMO SENTIMENTO  EM  JESUS CRISTO!

 Somos convidados a uma profunda reflexão sobre um tema que se encontra no texto de hoje: "Tenhamos o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” Estas palavras do apóstolo Paulo não são um mero convite ou um conselho, mas um chamado urgente e transformador para moldarmos nossas vidas à imagem do nosso Salvador. Mas, o que significa ter o mesmo sentimento de Jesus? Para compreendermos essa exortação, precisamos contemplar a trajetória gloriosa e, ao mesmo tempo, humilhante do Filho de Deus, conforme nos é revelado neste texto.

Paulo encoraja os cristãos de Filipos a olharem para Jesus Cristo e o terem como exemplo a ser seguido. Olhar para Jesus que trouxe ao mundo um novo significado de vida, uma nova realidade de vivência no relacionamento dos homens com Deus e entre si. Olhar para Jesus que renunciou quando não julgou ser igual a Deus, se esvaziou de sua glória e não teve como usurpação o ser igual a Deus.  Olhar para Jesus que foi humilde, assumiu a forma de servo, tornou-se semelhante aos homens e foi reconhecido em figura humana ao tomar uma posição que não era sua. Enfim, olhar para Jesus que obedeceu até a morte, e morte de cruz.

Mas será que temos prazer em viver conforme a vontade de Deus? Será que, de fato, desejamos em nosso coração ter os mesmos sentimentos que Ele tem? Ter os sentimentos de Deus significa buscar um coração cheio de amor, misericórdia, compaixão e justiça. Significa também estar disposto a servir ao próximo, não apenas quando é conveniente, mas como expressão de uma vida transformada pela graça. O verdadeiro relacionamento com Deus nos conduz a uma vida de serviço, humildade e dedicação.Além disso, viver segundo a vontade do Senhor exige responsabilidade. Não se trata apenas de palavras ou de momentos de devoção, mas de uma vida inteira colocada diante dEle, com reverência e compromisso. Cada decisão, cada atitude e cada relacionamento devem refletir nossa consciência de que vivemos perante Deus.

Por isso, precisamos refletir seriamente sobre esses questionamentos. Nosso coração realmente se alegra em fazer a vontade do Senhor? Estamos dispostos a moldar nossa vida segundo os Seus princípios?

Estimados irmãos! Por volta do ano de 62, em uma prisão na cidade de Roma, Paulo escreveu uma epístola à igreja da cidade de Filipos. Esta igreja tinha demonstrado grande cuidado para com ele, além das várias ofertas generosas que fizeram (Filipenses 4.10-20). Ela foi um exemplo de uma igreja missionária, mas enfrentava perseguição e ameaça pelos falsos ensinos de pessoas que foram infiltradas na igreja. Sendo assim, Paulo exorta e aconselha os cristãos de Filipos a olhar para Jesus. Ele escreveu uma das mais belas passagens bíblicas sobre Jesus, uma das declarações cristológicas mais importantes das Escrituras aos filipenses.

Na carta que escreveu , Paulo não apenas compartilhou o seu apreço e encorajamento, mas também os confrontou com um chamado profundo e essencial para a vida cristã. Ele mostrou aos filipenses que não basta apenas conhecer a Cristo, é preciso imitá-lo. Ele torna evidente esta questão quando afirma: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” (v.5). Paulo usa aqui o verbo grego φρονεῖτε, que significa “pensar”, “ter mentalidade”, “estar inclinado para”. Literalmente, a exortação é: "Pensai nisto em vós mesmos.” Não se trata apenas de uma reflexão intelectual, mas de uma profunda atitude e adoção de uma maneira de pensar e sentir. É uma apelo ou exortação para que os cristãos de Filipos imitasse a Cristo. Seguissem o seu exemplo ao renunciar a si mesmo e obedecer aos seus mandamentos. Enfim, tivessem  o mesmo sentimento (atitude) que houve também “em Cristo Jesus.” (ἐν χριστῶ ἰησοῦ).

Como cristãos, é preciso ter os mesmos sentimentos de Jesus. Ter os mesmos sentimentos significa, antes de tudo, despojar-se de si mesmo, das virtudes que pensamos ter, dos direitos que reivindicamos, das glórias e honrarias que buscamos. Ter os sentimentos de Cristo é assumir, humildemente, a condição de servo, renunciando à nossa própria vontade em favor da vontade de Deus e do bem do próximo. Lembrem-se: para nos aproximarmos de Cristo Jesus, é preciso que tenhamos em nosso coração o desejo de ter os sentimentos que Ele tem!

A Bíblia nos ensina, como seguir o exemplo de Cristo: Paulo afirma em 1 Coríntios: “Sigam o meu exemplo, assim como eu sigo o de Cristo” (1 Coríntios 11.1). Ele ensina os cristãos a examinar cuidadosamente a vida de nosso Salvador, não apenas como um modelo distante, mas como um exemplo vivo a ser imitado em cada detalhe. Jesus também disse aos seus discípulos: “Se alguém deseja ser meu seguidor, deve renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir-me” (Mateus 16.24). Esta renúncia não é apenas um ato isolado, mas uma postura contínua de negar o egoísmo e as ambições pessoais em favor do Reino de Deus. Ocorre que a essência da vida cristã reside em seguir o exemplo de Jesus Cristo. Isto demonstra que precisamos colocar em prática no dia a dia os sentimentos de Jesus, pois isso envolve amar ao próximo, (Mateus 22.39), perdoar aqueles que nos ofendem (Mateus 6.14-15), buscar a justiça com misericórdia (Miqueias 6.8), ser compassivo com os necessitados (Mateus 25.34-40) e viver uma vida de integridade e santidade (1 Pedro 1.15-16).

Mas qual era o “mesmo sentimento de Cristo” que os filipenses deveriam observar? Paulo apresenta a resposta a partir do versículo 6: “pois ele, subsistindo em forma de Deus.” ( v.6a). Quando Paulo afirma que Jesus foi “subsistindo em forma de Deus,” significa que Cristo é a verdadeira e plena expressão da revelação de Deus. No grego, há duas palavras para explicar o termo "forma": σχῆμα e μορφῇ. A primeira se refere à forma externa, à aparência que muda com o passar do tempo, como a maneira de vestir ou o porte físico em diferentes fases da vida. A segunda, μορφῇ , significa a forma essencial pela qual uma pessoa ou coisa é percebida pela visão; é a aparência externa que não muda, que revela a natureza intrínseca. Paulo usou este segundo termo, μορφῇ, para dizer aos filipenses, que Jesus tinha a forma de Deus, ou seja, Jesus é Deus em sua essência de modo inalterável, e que isto não pode ser mudado pelas circunstâncias. Esta não é uma mera semelhança passageira, mas uma afirmação clara  da deidade de Cristo.

Portanto, Cristo é a verdadeira e plena expressão da revelação de Deus. Ele sempre foi e sempre será Deus. Embora sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus  fosse algo a que deveria se apegar. Paulo afirma que Ele “não teve por usurpação ser igual a Deus,” (v.6b). A palavra grega  ἁρπαγμός e do verbo ἁρπάζω é essencial neste versículo. De modo geral significa  o ato de pegar pela força, roubo; tomar algo de outro para si mesmo;lapego a alguma coisa. Significa que Jesus não tentou "agarrar-se" ou "apegar-se" ao seu status e papel ,exclusivamente, divinos como o Filho de Deus em sua encarnação. Não considerou que a sua igualdade com Deus fosse algo a ser usado para seu próprio benefício. Isto  demonstra a sua humildade e disposição em  esvaziar-se a si mesmo. O que se conclui é que Jesus não deixou de ser Deus. Ele é totalmente Deus (João 8.58; 10.30) e sempre existiu desde a eternidade. Basta olharmos para a palavra “ser” por um momento. “Ser” denota a natureza essencial da pessoa, a essência, aquilo que é inalienável e imutavelmente verdadeiro sobre Ele. Enfim, Jesus possui esta natureza como Deus. Esse é o Seu ser, quem Ele é: natureza inata, imutável, eterna, inalterável.

Contudo, Ele abriu mão disso voluntariamente a fim de cumprir a vontade de Seu Pai ao se tornar humano: Antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo (v. 7a)." Cristo esvaziou-se de quê? De sua deidade? De sua natureza? De suas prerrogativas divinas? De ser igual a Deus? Então, vejamos! Paulo usa o termo κενόω que significa “esvaziar, tornar vazio, privar de força”. Este verbo está na terceira pessoa do singular e na voz ativa, a qual demonstra que a ação foi efetuada “por Cristo” e não “por outra pessoa em Cristo.”  Isto identifica Cristo como sujeito  realiza a ação de forma independente. Sendo que o objeto dessa ação está presente na palavra precedente derivada de ἑαυτοῦ que significa “ele mesmo, a si mesmo”, indicando que a ação recai sobre o próprio Cristo. A partir deste momento assume a "forma de servo", (μορφὴ δούλου), que descreve sua condição de servo humilde e obediente.

Jesus também “tornou-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana.”(v.7b). Literalmente se tornou humano. Ele assumiu a natureza humana. A natureza humana de Jesus é um tema central na fé cristã, e é descrita na Biblia. Ela apresenta o profundo mistério do eterno e infinito Filho de Deus adentrando no tempo e no espaço e assumindo a natureza humana. Ele viveu como um ser humano.   Ele entrou no mundo a partir do ventre de uma mulher, como as demais pessoas.  Exercia seu ofício na carpintaria de José. Experimentou fome, cansaço, tristeza, tentação e necessidade de dormir, tal como fez no barco. De fato, Jesus tornou-se semelhante aos homens ao assumir a forma de servo, abrindo mão de seus privilégios celestiais.

Mas  por que Jesus se fez semelhante aos homens? Vejamos cinco pontos: primeiro: para se identificar plenamente com a humanidade. Ao se tornar humano, Jesus experimentou em sua própria vida as alegrias, tristezas, tentações (sem pecar), dores e limitações da condição humana.  Segundo: para ser o sacrifício perfeito pelo pecado. A lei de Deus exigia um sacrifício perfeito para a expiação dos pecados.  Terceiro:  para vencer a morte e o diabo. Através de sua morte e ressurreição como homem, Jesus derrotou o poder da morte e do diabo, que tinha domínio sobre aqueles que estavam sob a condenação do pecado (Hebreus 2.14-15; 1 Coríntios 15.54-57). Quarto: para nos dar um exemplo de vida. Jesus viveu uma vida humana perfeita, demonstrando como devemos amar a Deus e ao próximo. Sua humildade, obediência, serviço e amor sacrificial são modelos para os seus seguidores ( 1 Pedro 2.21). Quinto: para revelar plenamente a Deus. Ao se tornar humano, Deus se revelou de uma maneira que a humanidade pudesse compreender e experimentar diretamente. Jesus disse: "Quem me vê, vê o Pai" (João 14:9). Sua vida e seus ensinamentos nos mostram o caráter, o amor e a justiça de Deus de forma tangível.

O preço pago na cruz também se manifesta no sacrifício exemplar de Jesus: “Jesus assumiu a forma de servo e humilhou-se até à morte, e morte de cruz.” (v.8). Jesus é o maior exemplo de humildade que temos na história do mundo. Ele despiu-se de Sua glória e veio como um simples homem, tornando-se servo e assumindo os pecados de toda a humanidade. Agora, precisamos olhar para Jesus  e aprender sobre a verdadeira humildade. Reconhecer as nossas falhas! Deixar de lado as nossas posições, poderes e vantagens. Esvaziar-se do "eu" e assumir a forma de servos. Isto ilustra como devemos nos despojar do orgulho e servir a Cristo. Vamos aceitar o convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vocês o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e achareis descanso para a vossa alma.” (Mt 13.28,29). Portanto, ao contemplar a vida do Senhor, podemos encontrar atitudes sempre repletas de humildade.

No entanto, Sua completa humilhação na cruz foi seguida imediatamente pela Sua exaltação: 'Deus o exaltou sobremaneira' (v.9a). A expressão 'exaltou sobremaneira' traduz o verbo grego ὑπερυψόω, que significa exaltar à mais alta posição e poder, elevando à majestade suprema. Expressão que só pode ser aplicada a Cristo. Sendo assim, Deus, o Pai enalteceu o Filho de uma forma  gloriosa, elevando até a máxima altura. Deus não deixou Cristo na sepultura, mas levantou-o da morte, levou-o de volta ao céu e o glorificou (At 2.33; Hb 1.3). Deus deu a Jesus “toda autoridade no céu e na terra” (Mt 28.18). Deu a ele autoridade para julgar (Jo 5.27) e fê-lo senhor de vivos e de mortos (Rm 14.9), fazendo-o assentar à sua destra, acima de todo principado e potestade, constituindo-o a cabeça de toda a igreja (Ef 1.20-22).

Que momento maravilhoso! Deus o elevou à mais alta posição e ainda lhe “deu um nome que está acima de todo nome.” (v.9b). Mas não era qualquer nome. Era um nome que o distinguisse, nitidamente, de todos os outros nomes (Ef 1.20-21). Conforme o versículo 11 e Atos 2.36, se tem em vista um nome particular, provalmente, κύριος. Este é um termos que tem vários sentidos: pode significa senhor, mestre, amo quando usado como uma forma de atribuição;  nome que chegou a ser o título oficial dos imperadores romanos. A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, usa κύριος   para substituir o nome   YHWH (יהוה), reforçando a ideia de que Jesus compartilha da mesma natureza e autoridade de Deus. Na teologia do Novo Testamento, é o título concedido a Jesus como resultado de sua ressurreição e exaltação: (Atos 2.36).

No entanto, este nome tornou-se comum para expressar o senhorio de Cristo no contexto do mundo greco-romano (Romanos 10.9; Filipenses 2.11). Desta maneira, quando Jesus era chamado κύριος significava que era o Senhor , o Rei dos reis e Senhor de imperadores. Este foi o grande título pelo qual Jesus chegou a ser conhecido na Igreja primitiva, que denota sua soberania absoluta. A Bíblia diz que quem tem o Filho tem a vida. Ele recebeu este nome por herança (Hb 1.4) e por doação (2.9). Por meio desse nome os enfermos são curados (At 3.6), os perdidos são salvos (At 4.12), os crentes são perdoados (1Jo 2.12), os cativos são libertos (Lc 10.17), as orações são respondidas (Jo 16.23). E o apóstolo Paulo diz que devemos fazer tudo em nome de Jesus (Cl 3.17).

Diante deste nome de Jesus, agora, todos O reconhecerão. Paulo afirma “se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra.” (10a). O verbo κάμπτω (dobrar) significa reverenciar, ajoelhar-se. Demonstra que todos devem dobrar os seus joelhos, seja nos céus, na terra e debaixo da terra.  Isto abrange  a totalidade da criação. ( Rm 8.22-1 Co 15.24-28; Ef 1.20-22). Ajoelhar-se diante de alguém, especialmente de autoridades, era sempre uma expressão de respeito e reverência por elas. Era a expressão de uma espécie de humildade. Já no sentido religioso o dobrar os joelhos é um símbolo de reverência, submissão e adoração. Na verdade, nos  ajuda a focar em Deus, a reconhecer a Sua grandeza e a expressar a nossa dependência d’Ele. Representa abrir mão da autojustiça e de qualquer confiança em nós mesmos, reconhecendo que é somente por meio de Deus que encontraremos a verdadeira força, e é somente nessa força que devemos nos apoiar.

Quantos personagens na Biblia dobraram seus joelhos.É um grande exemplo para o homem. Na dedicação do templo de Jerusalém, “Salomão ficou em pé na plataforma e depois ajoelhou-se diante de toda a assembleia de Israel, levantou as mãos para o céu e orou” (2Cr 6.13). Pouco antes de morrer apedrejado, Estêvão caiu de joelhos e bradou: “Senhor não os considere culpados deste pecado” (At 7.60). Quando Elias “subiu o alto do Carmelo, dobrou-se até o chão e pôs o rosto entre os joelhos”. Com a cabeça, o peito e o ventre totalmente dobrados em cima dos joelhos, o profeta pediu chuva e ela veio (1Rs 18.42; Tg 5.18). O salmista exclama: “Vinde, adoremos e prostremo-nos, ajoelhemo-nos diante do Senhor, nosso Criador!” (Sl 95.6). Paulo escreve sobre a reverência que presta a Deus, ele a expressa nestas palavras: “Por isso, me ponho de joelhos diante do Pai, do qual toma o nome toda a família nos céus e na terra” (Ef 3.14-15). Mas o maior exemplo e modelo que todos nós temos é Jesus Cristo. Antes de Jesus ir para a cruz, Ele estava de joelhos no Jardim do Getsêmani, como sinal de sua submissão à vontade do Pai. Na agonia do Getsêmani, Jesus “se afastou a uma pequena distância, ajoelhou-se e começou a orar” (Lc 22.41).

Estes exemplos são demonstrações o quanto devemos também dobrar os nossos joelhos diante do Senhor.Por isso, dobre seus joelhos diante de Deus e clame a Ele, diante de seus problemas, dificuldades e angústias! Lute diante das batalhas que você tem enfretado, dobrando os seus joelhos. Reconheça que você é completamente fraco e indefeso. E ninguém pode ajudá-lo mais do que o Senhor Soberano e Todo - poderoso. Descubra por si mesmo os efeitos transformadores que podem ser alcançados por meio de joelhos dobrados.

Em virtude do poder e majestade de Jesus Cristo, e pelo reconhecimento de que ele é o Senhor, toda língua o confessará. Paulo afirma: “ toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor.”(v.11a). Não basta apenas um reconhecimento interno. É necessário que toda criatura proclame abertamente que Jesus Cristo é o Senhor. Confesse que Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Todo-poderoso Deus, diante de quem os poderosos deste mundo vão ter que se curvar e confessar que ele é Senhor. Este título  ‘Senhor”( κύριος) carrega consigo implicações de divindade, autoridade máxima e domínio. E,por isso,devemos confessar! O ato de confessar é uma declaração essencial da nossa fé. Todo este reconhecimento e confissão têm como propósito final a “glória de Deus Pai.”(v.11b). O fim último de todas as coisas é a glória de Deus (1Co 10.31). Toda a glória que não é dada a Deus é glória vazia, é vanglória. Cristo se humilhou e suportou a cruz para a glória de Deus (Jo 17.1). Ele ressuscitou e foi exaltado para a glória de Deus (2.11).

Que possamos aprender com o exemplo de Cristo e buscar viver com a mesma humildade e amor que Ele demonstrou, servindo uns aos outros com alegria e nos dedicando a cumprir a vontade de Deus. Assim, seremos verdadeiramente exaltados por Deus, não por nossos próprios méritos, mas pela graça e pelo amor de Cristo que habita em nós. Amém!

 

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

  

  TEXTO: EZ 37.1-14

  TEMA: RENASCEMOS DA MORTE PARA VIDA

 O povo de Deus se encontrava diante de uma situação deplorável. O Senhor mostra essa triste realidade ao profeta Ezequiel através de uma visão. O profeta vê as condições de seu povo. Vê um vale onde o cheiro de morte exalava por todos os lados, uma condição degradante derivado da corrupção do povo, mais especificamente da desobediência ao Senhor. Em meio a tantos sofrimentos, dores e tristezas, o Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação. O povo ouviu a Palavra de Deus e deu ao povo vida espiritual: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra” (v. 14). O Espírito Santo, Senhor e Doador da vida fez reviver aqueles ossos secos. O povo renasceu da morte para a vida

Também renascemos da morte para a vida, pois todos nós estávamos mortos em delitos e pecados, desgarrados e perdidos. O apóstolo Paulo diz em Efésios 2.1: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”. Aos romanos, o apóstolo escreveu: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 3.23).Diante dessa situação, Deus demonstrou a sua misericórdia. Ele mudou a nossa história nos libertando da escravidão do pecado e nos transformou em novas criaturas através de seu Filho que morreu na cruz para nos salvar. Portanto, renascemos da morte para a vida.    

                                                              I

 Deus através duma visão mostra ao profeta a situação do povo de Israel. Leva o para um vale cheio de ossos: “Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de uma vale que estava cheio de ossos.”(v.1).A expressão “a mão do Senhor” sobre o profeta aparece sete vezes em todo o livro (. Ez 1.3; 3.14, 22; 8.1; 33.22; 40.1). Esta expressão possui importância teológica, visto que na Sagrada Escritura, simboliza poder ou força. O poder do Senhor estava sobre o profeta e o tirou da esfera normal da vida quotidiana. Leva o para um vale cheio de ossos secos. É como um cemitério, porém, os ossos estavam na superfície, e não debaixo da terra. O Espírito do Senhor pôs Ezequiel “no meio de um vale”. O vale, nesta passagem, adquire um valor todo especial, ele é ambiente de morte para vida; é nele que Senhor agirá em favor do seu povo transformando aquela situação de aniquilamento em vida e esperança.

O Senhor faz o profeta andar ao redor dos ossos. O verbo no original significa “passar juntos”. Indica uma ação, ou seja, o Senhor está guiando o profeta. Ele tem o controlo da situação. Ele é que faz o profeta passar ao redor dos ossos.  Ele é o autor da transformação que acontecerá na vida do povo de Israel. Ele queria que o profeta tivesse uma ideia do número de vítimas e entendesse que ali não havia mais esperança de vida. E ao passar pelos ossos, faz duas constatações: “Eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos” (v.2). É bastante percetível a condição natural dos ossos, pois não estavam apenas secos, mas estava sequíssimo. Não havia nenhum sinal de vida. Só morte! Mortos há muito tempo. Homem algum poderia reavivá-los. Era uma cena estranha, horrível. Este fato indica que muito tempo se passou desde que a vida os deixou e que, humanamente falando, a situação era irreversível.

Muitas vezes em nossas vidas temos a sensação de que estamos em um verdadeiro vale de ossos secos. A nossa vida retrata as situações, as lutas, as dificuldades, as circunstâncias do dia a dia. Pensamos da mesma forma que povo de Deus: nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta; estamos perdidos. Mas lembre-se: Há um Deus que se preocupa conosco e quer nos consolar, animar e colocar de pé diante das situações que nos deixam entristecidos. Embora estejamos sujeitos a aborrecimentos, decepções ou desilusões, não podemos perder a esperança. Por isso é chegada a hora de reagir, recobrar os ânimos, ficar de pé e receber a força do Espírito Santo: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5.14).

O Senhor chama Ezequiel de filho do homem e lhe faz uma pergunta que originará todo o desenvolvimento do texto. É um pergunta crucial: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos secos?” (v.3a). Ao ser questionado do Senhor, o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes.” (v.3b). É admirável a sinceridade de Ezequiel. Talvez esperássemos uma resposta mais convicta, mas positiva, mas não foi o que aconteceu. Ezequiel sentia-se esmagado diante da visão, e sabia por vivência o que ela significava.Tanto a pergunta como a resposta têm o objetivo de pôr em evidência o fato de que a mudança de estado dos ossos é humanamente impossível.

Entretanto o verbo יָדַע que significa “conhecer,” nas Escrituras, muitas vezes, tem um significado que vai além do sentido básico de simplesmente ter conhecimento intelectual. Este verbo designa o conhecimento que Senhor tem do homem (Gn 18,19) e de seus caminhos (Is 48,8), conhecimento este que é anterior ao nascimento do homem (Jr 1,5). É nesse sentido que o profeta declara que só Senhor sabe. Dizer que somente o Senhor sabe, equivale a afirmar que tudo depende do poder e da vontade do Senhor, e não da vontade do homem. O profeta entendeu que somente o Senhor pode restituir a vida aos mortos outra vez.  Ele é o autor e conservador de toda vida. A resposta do profeta à pergunta feita por Deus demonstrou que havia confiança em Deus, e era isso que precisava para que o povo de Deus,que voltasse a se relacionar com Deus.

Deus ordena que o profeta profetizasse aqueles ossos secos. Deveria proclamar a palavra do Senhor: “Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dizes-lhes: ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”. (v.4).  “Disse-me ele”.  O Senhor revela, fala e responde o que haveria de acontecer com os ossos secos: O Senhor fala ao profeta. Este falar torna-se para ele uma ordem de profetizar: “Profetiza”. Ezequiel é convocado a proclamar sobre os ossos secos.  O verbo נָבָא, cujo significado é basicamente anunciar, declarar. Daí, profetizar é “anunciar a mensagem de Deus”. Serve para descrever a função do verdadeiro profeta quando ele fala a mensagem de Deus para o povo sob a influência do Espírito Santo. Deus disse a Ezequiel para profetizar sobre aqueles ossos e dizer-lhes: “Ossos secos,ouçam a palavra do Senhor”! Diante dos ossos secos, da fragilidade da vida do homem que se assemelha a uma erva que seca (Is 40.7). A palavra do Senhor tem força própria, pois para Ele, pronunciar uma palavra é produzir uma realidade ou transformá-la, não podendo a sua palavra ser vã ou ineficiente (Is 9.7; 45.23).  Diante desta palavra criadora do Senhor, não se deve ter outra atitude, senão, escutá-la com o firme propósito obedecer ao Senhor. O verbo, aqui, empregado é שׁמע que aparece como princípio de sabedoria, pois a primeira exigência para que certos ensinamentos sejam frutíferos é o escutar que se converte em obediência.

                                                                II

 Quem são os ossos secos? O vale cheio de ossos secos são todos da casa de Israel. Eram vistos secos porque neles não havia vida espiritual. Faltava comunhão com Deus. Faltava fé e confiança. Era a situação desalentadora do povo de Israel no exílio babilônico. Era um povo sem esperança, sem a possibilidade de restauração. Tão amarga foi esta experiência na vida do povo de Israel que chegaram à conclusão: “Estamos de todo exterminados” (v.11). Como povo de Deus também chegamos à conclusão de não há mais esperança. Não há esperança no lar, no trabalho, na congregação e na Igreja. Em alguns momentos, as dificuldades, os problemas e as crises são tão grandes que até a nossa esperança morre. Quando isto acontece, parece que morremos junto com ela. Temos a impressão de que a nossa vida terminou. Não temos futuro. Estamos de todo exterminados.

Deus, no entanto, não os considera mortos. Diante deste povo espiritualmente morto, Deus mostra a possibilidade de restauração. A vida ainda é possível. Deus não abandonou seu povo. Ele vem ao encontro, anunciando por intermédio do profeta, sua vontade, seu amor e misericórdia. Este anúncio tem um tom solene. Não será uma conversa ou um comunicado qualquer, mas um anúncio de mudança, de transformação, de uma nova criação. A eficácia desta palavra vem caracterizada pela presença da fórmula: “Assim diz o Senhor”, e estabelece a meta da ação divina. Apresenta, especificamente, a promessa da reconstituição dos corpos. Esta reconstituição, por sua vez, envolve um processo que se desdobra em quatro estágios: “Eis que farei entrar o fôlego de vida nesses ossos, e eles viverão. Porei tendões (nervos) sobre eles e farei aparecer carne sobre eles e os cobrirei com pele; porei um espírito de vida neles e eles terão vida. E todos saberão que eu sou o Senhor”. (vv. 5 e 6).

Ezequiel prega, fala e transmite a estes ossos secos: “Então profetizei segundo me fora ordenado” (v.7a). O povo de Israel teria que ouvir a Palavra de Deus por intermédio do profeta Ezequiel, quisesse ou não. Afinal, ele foi chamado por Deus para ser o atalaia de Israel, alguém que deveria falar em nome do Senhor, conclamando o povo ao arrependimento e exortando para não se desviar dos caminhos de Deus. Enquanto estava falando, Deus começou sua surpreendente obra. Houve reação! Houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam cada osso ao seu osso! Havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes e se estendeu a pele sobre eles! Era um momento dramático, o milagre de Deus se concretizando! A frase “cada osso ao seu osso” representa uma completa restauração da nação israelita. Tudo acontece porque a palavra é do Senhor.

Mas ainda faltava algo. A promessa do Senhor ainda não tinha atingido o seu ápice, conforme o versículo 6. Ao final, o profeta fez uma constatação significativa: “mas não  havia neles o espírito” (v. 8). O que havia acontecido era algo extraordinário, mas ainda consistiam em homens mortos. Eram como bonecos. Deus, então, restitui-lhes a vida do corpo. Mandou que Ezequiel profetizasse novamente: “Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem...” (v.9a). Diz o texto que o espírito virá dos “quatro ventos”, de todo lugar, dos quatro pontos cardeais para focar a sua atenção nos corpos. O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra. Ele deve vir sem demora, para transformar esta situação. A sua ação será plena, total e trará vida e esta cobrirá toda terra; ele soprará sobre os corpos como um vento ordenado para transformá-los em criaturas viventes: “ó espírito e assopra sobre estes mortos, para que vivam.” (v.9b). O verbo נָפַח cujo sentido principal é “assoprar”, torna-se significativo neste momento. Deus é o sujeito na criação do homem e nos concede a dádiva da vida.

Esta é a ordem do Senhor e o profeta obedece: “Então profetizei como ele me ordenara e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exercício sobremodo numeroso”. (v.10). Só aconteceu devido a uma específica ação de Deus; e quando רוּחַ(ruach-espírito)veio todos eles reviveram. O que aconteceu com eles não foi uma simples transformação biológica e, muito menos, o fruto de uma simples força interna, mas eles só reviveram porque o Senhor infundiu neles רוּחַ (ruach) e fez com que os ossos ficassem em pé. Esta atitude de estar de pé diante de Deus, agora é possível porque os ossos se transformaram: “um exército muito numeroso”. A expressão pode ser atribuída também no sentido de força, poder. Desta forma permite-nos compreender o significado do renascimento da morte para à vida. Eles viveram, ficaram em pé, uma vez renascidos, os israelitas podem retornar à pátria.

                                                               III

 Não resta dúvida que os ossos secos retratavam a situação de Israel. versículo 11 fornece a explicação da visão: “Filho do homem, estes ossos são toda casa de Israel”. A visão foi dirigida aos israelitas daquele tempo. Todas as doze tribos estavam incluídas na visão; muitos hebreus já viviam em Jerusalém, outros haviam fugido para o Egito durante os ataques de Nabucodonosor a Jerusalém, outros já viviam na Babilônia nos anos do exílio. Esta constatação encontra-se na expressão “casa de Israel” que inclui todo povo de Deus sem se importar se estavam em sua terra ou em outro lugar. Nos lugares distantes, povo olhava para sua história e se via separado de Deus e disperso por várias nações. Não via como voltar a ser o povo querido de Deus. A nação estava arruinada, fora da terra prometida. O povo era como um monte de ossos.

Eles haviam chegado ao fim do caminho, por isso, fizeram uma dupla confissão: “nossos ossos se secaram...” (v.11a). Os israelitas reconheciam a situação. Não só reconheciam que seus ossos estavam secos, como também, declaravam que haviam perdido a esperança. “pereceu a nossa esperança” (v.11b).  O povo exilado reconhecia que não tinham esperança, pois tudo dava sinais de estarem perdidos. Já não podiam esperar que acontecesse algo bom. Aos israelitas não restava outra coisa, a não ser, reconhecer a sua triste situação e expressar o seu lamento: “estamos de todo exterminados” (v.11c). A expressão sugere que o povo de Israel fora condenado à morte. Ela pode indicar também separação do culto e da sociedade. A sensação era de destruição total, de caos. Haviam sido separados de suas raízes; sua capital estava em ruínas e suas casas destruídas. O templo havia sido queimado e os seus tesouros saqueados. As cidades e as aldeias não tinham muralhas e os seus líderes haviam sido assassinados ou levados ao cativeiro.

Mas o Senhor procurou aquietar o lamento e o pranto de Seu povo com a gloriosa promessa de que “ressuscitaria” a nação, e tornaria a estabelecê-la na terra que lhe havia dado. O poder humano jamais poderia dar vida àquela nação morta. Mas o Senhor poderia trazer o renascimento da morte para a vida. Por isso ,convida Ezequiel para profetizar novamente: “Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei a terra de Israel.” (v.12). Afinal, o que representa uma sepultura? É o lugar ou cova onde se sepultam os cadáveres. Onde não há vida. Lugar onde exala mau cheiro e transmite a tristeza da ausência da vida. Desta forma vivia o povo de Israel. Pelo poder do Espírito, o povo seria libertado da sepultura do cativeiro. Eis o grande consolo: “vos farei sair dela, ó povo meu”. Sair de nossas sepultaras jamais poderia ser iniciativa nossa. Mas somente Aquele que venceu a morte e ressuscitou e nos deu vida. Somente o Senhor poderia realizar este milagre.

Mas além de abrir a sepultura, restituir a vida, fará que com que o povo reconhecesse o Deus da vida que vence a morte e conduz seu povo de volta à terra. O Senhor ensinaria a Israel que Ele é o Senhor: “sabereis que eu sou o Senhor”. Esta expressão parece várias vezes na Bíblia. Deus falou esta frase quando Ele tirou o seu povo do Egito. Também foi dita quando o povo de Israel estava no deserto e murmuravam contra Deus. Em nosso texto, o Senhor mostra ao povo que seu plano estava completo, e que o povo, agora, deveria reconhecer sua soberania.

Estimados irmãos! Quem sabe, você não está vivendo esse momento, andando sem rumo, achando que o seu problema não tem mais jeito, que está jogado no vale do esquecimento, sentindo-se impotente, pequeno, sem saber como dessa situação.  O Senhor Jesus é a nossa esperança, para todo aquele que Nele crer. Ele é uma fonte da vida abundante, Ele é a resposta para todo o tipo de dificuldade. Ele está sempre pronto para estender sua mão e nos levantar quando estamos caídos. Sem Cristo, somos cadáveres, corpos sem vida, um monte de ossos secos sem valor algum. Com Cristo: renascemos da morte para a vida. Amém

APONTAMENTO

O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra

 A palavra “espírito” é a tradução do hebraico ruach. É traduzida pela NVI, neste capítulo, como “respiração” (vv. 5, 6, 8, 9, 10), duas vezes por “Espírito” (vs. 1 e 14) e uma vez como “vento” (v. 9). A palavra, em hebraico, aparece 378 vezes no Antigo Testamento e 52 vezes em Ezequiel. Neste estudo, ao invés de respiração ou espírito, empregarei a expressão “fôlego de vida”.

 Em hebraico e grego "espírito” significa ar em movimento, hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio de vida (Gn 6,17; 7,15; Ez 37,10-14), a força vital (Jr 10,14), a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Ex 35,21; Is 19,3; Jr 51,11; Ez 11,19). Deus é que dá o espírito e age no homem pelo seu espírito (Gn 6,3; Ez 2,2 )