quinta-feira, 12 de março de 2026

  

  TEXTO: EZ 37.1-14

  TEMA: RENASCEMOS DA MORTE PARA VIDA

 O povo de Deus se encontrava diante de uma situação deplorável. O Senhor mostra essa triste realidade ao profeta Ezequiel através de uma visão. O profeta vê as condições de seu povo. Vê um vale onde o cheiro de morte exalava por todos os lados, uma condição degradante derivado da corrupção do povo, mais especificamente da desobediência ao Senhor. Em meio a tantos sofrimentos, dores e tristezas, o Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação. O povo ouviu a Palavra de Deus e deu ao povo vida espiritual: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra” (v. 14). O Espírito Santo, Senhor e Doador da vida fez reviver aqueles ossos secos. O povo renasceu da morte para a vida

Também renascemos da morte para a vida, pois todos nós estávamos mortos em delitos e pecados, desgarrados e perdidos. O apóstolo Paulo diz em Efésios 2.1: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”. Aos romanos, o apóstolo escreveu: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 3.23).Diante dessa situação, Deus demonstrou a sua misericórdia. Ele mudou a nossa história nos libertando da escravidão do pecado e nos transformou em novas criaturas através de seu Filho que morreu na cruz para nos salvar. Portanto, renascemos da morte para a vida.    

                                                              I

 Deus através duma visão mostra ao profeta a situação do povo de Israel. Leva o para um vale cheio de ossos: “Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de uma vale que estava cheio de ossos.”(v.1).A expressão “a mão do Senhor” sobre o profeta aparece sete vezes em todo o livro (. Ez 1.3; 3.14, 22; 8.1; 33.22; 40.1). Esta expressão possui importância teológica, visto que na Sagrada Escritura, simboliza poder ou força. O poder do Senhor estava sobre o profeta e o tirou da esfera normal da vida quotidiana. Leva o para um vale cheio de ossos secos. É como um cemitério, porém, os ossos estavam na superfície, e não debaixo da terra. O Espírito do Senhor pôs Ezequiel “no meio de um vale”. O vale, nesta passagem, adquire um valor todo especial, ele é ambiente de morte para vida; é nele que Senhor agirá em favor do seu povo transformando aquela situação de aniquilamento em vida e esperança.

O Senhor faz o profeta andar ao redor dos ossos. O verbo no original significa “passar juntos”. Indica uma ação, ou seja, o Senhor está guiando o profeta. Ele tem o controlo da situação. Ele é que faz o profeta passar ao redor dos ossos.  Ele é o autor da transformação que acontecerá na vida do povo de Israel. Ele queria que o profeta tivesse uma ideia do número de vítimas e entendesse que ali não havia mais esperança de vida. E ao passar pelos ossos, faz duas constatações: “Eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos” (v.2). É bastante percetível a condição natural dos ossos, pois não estavam apenas secos, mas estava sequíssimo. Não havia nenhum sinal de vida. Só morte! Mortos há muito tempo. Homem algum poderia reavivá-los. Era uma cena estranha, horrível. Este fato indica que muito tempo se passou desde que a vida os deixou e que, humanamente falando, a situação era irreversível.

Muitas vezes em nossas vidas temos a sensação de que estamos em um verdadeiro vale de ossos secos. A nossa vida retrata as situações, as lutas, as dificuldades, as circunstâncias do dia a dia. Pensamos da mesma forma que povo de Deus: nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta; estamos perdidos. Mas lembre-se: Há um Deus que se preocupa conosco e quer nos consolar, animar e colocar de pé diante das situações que nos deixam entristecidos. Embora estejamos sujeitos a aborrecimentos, decepções ou desilusões, não podemos perder a esperança. Por isso é chegada a hora de reagir, recobrar os ânimos, ficar de pé e receber a força do Espírito Santo: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5.14).

O Senhor chama Ezequiel de filho do homem e lhe faz uma pergunta que originará todo o desenvolvimento do texto. É um pergunta crucial: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos secos?” (v.3a). Ao ser questionado do Senhor, o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes.” (v.3b). É admirável a sinceridade de Ezequiel. Talvez esperássemos uma resposta mais convicta, mas positiva, mas não foi o que aconteceu. Ezequiel sentia-se esmagado diante da visão, e sabia por vivência o que ela significava.Tanto a pergunta como a resposta têm o objetivo de pôr em evidência o fato de que a mudança de estado dos ossos é humanamente impossível.

Entretanto o verbo יָדַע que significa “conhecer,” nas Escrituras, muitas vezes, tem um significado que vai além do sentido básico de simplesmente ter conhecimento intelectual. Este verbo designa o conhecimento que Senhor tem do homem (Gn 18,19) e de seus caminhos (Is 48,8), conhecimento este que é anterior ao nascimento do homem (Jr 1,5). É nesse sentido que o profeta declara que só Senhor sabe. Dizer que somente o Senhor sabe, equivale a afirmar que tudo depende do poder e da vontade do Senhor, e não da vontade do homem. O profeta entendeu que somente o Senhor pode restituir a vida aos mortos outra vez.  Ele é o autor e conservador de toda vida. A resposta do profeta à pergunta feita por Deus demonstrou que havia confiança em Deus, e era isso que precisava para que o povo de Deus,que voltasse a se relacionar com Deus.

Deus ordena que o profeta profetizasse aqueles ossos secos. Deveria proclamar a palavra do Senhor: “Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dizes-lhes: ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”. (v.4).  “Disse-me ele”.  O Senhor revela, fala e responde o que haveria de acontecer com os ossos secos: O Senhor fala ao profeta. Este falar torna-se para ele uma ordem de profetizar: “Profetiza”. Ezequiel é convocado a proclamar sobre os ossos secos.  O verbo נָבָא, cujo significado é basicamente anunciar, declarar. Daí, profetizar é “anunciar a mensagem de Deus”. Serve para descrever a função do verdadeiro profeta quando ele fala a mensagem de Deus para o povo sob a influência do Espírito Santo. Deus disse a Ezequiel para profetizar sobre aqueles ossos e dizer-lhes: “Ossos secos,ouçam a palavra do Senhor”! Diante dos ossos secos, da fragilidade da vida do homem que se assemelha a uma erva que seca (Is 40.7). A palavra do Senhor tem força própria, pois para Ele, pronunciar uma palavra é produzir uma realidade ou transformá-la, não podendo a sua palavra ser vã ou ineficiente (Is 9.7; 45.23).  Diante desta palavra criadora do Senhor, não se deve ter outra atitude, senão, escutá-la com o firme propósito obedecer ao Senhor. O verbo, aqui, empregado é שׁמע que aparece como princípio de sabedoria, pois a primeira exigência para que certos ensinamentos sejam frutíferos é o escutar que se converte em obediência.

                                                                II

 Quem são os ossos secos? O vale cheio de ossos secos são todos da casa de Israel. Eram vistos secos porque neles não havia vida espiritual. Faltava comunhão com Deus. Faltava fé e confiança. Era a situação desalentadora do povo de Israel no exílio babilônico. Era um povo sem esperança, sem a possibilidade de restauração. Tão amarga foi esta experiência na vida do povo de Israel que chegaram à conclusão: “Estamos de todo exterminados” (v.11). Como povo de Deus também chegamos à conclusão de não há mais esperança. Não há esperança no lar, no trabalho, na congregação e na Igreja. Em alguns momentos, as dificuldades, os problemas e as crises são tão grandes que até a nossa esperança morre. Quando isto acontece, parece que morremos junto com ela. Temos a impressão de que a nossa vida terminou. Não temos futuro. Estamos de todo exterminados.

Deus, no entanto, não os considera mortos. Diante deste povo espiritualmente morto, Deus mostra a possibilidade de restauração. A vida ainda é possível. Deus não abandonou seu povo. Ele vem ao encontro, anunciando por intermédio do profeta, sua vontade, seu amor e misericórdia. Este anúncio tem um tom solene. Não será uma conversa ou um comunicado qualquer, mas um anúncio de mudança, de transformação, de uma nova criação. A eficácia desta palavra vem caracterizada pela presença da fórmula: “Assim diz o Senhor”, e estabelece a meta da ação divina. Apresenta, especificamente, a promessa da reconstituição dos corpos. Esta reconstituição, por sua vez, envolve um processo que se desdobra em quatro estágios: “Eis que farei entrar o fôlego de vida nesses ossos, e eles viverão. Porei tendões (nervos) sobre eles e farei aparecer carne sobre eles e os cobrirei com pele; porei um espírito de vida neles e eles terão vida. E todos saberão que eu sou o Senhor”. (vv. 5 e 6).

Ezequiel prega, fala e transmite a estes ossos secos: “Então profetizei segundo me fora ordenado” (v.7a). O povo de Israel teria que ouvir a Palavra de Deus por intermédio do profeta Ezequiel, quisesse ou não. Afinal, ele foi chamado por Deus para ser o atalaia de Israel, alguém que deveria falar em nome do Senhor, conclamando o povo ao arrependimento e exortando para não se desviar dos caminhos de Deus. Enquanto estava falando, Deus começou sua surpreendente obra. Houve reação! Houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam cada osso ao seu osso! Havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes e se estendeu a pele sobre eles! Era um momento dramático, o milagre de Deus se concretizando! A frase “cada osso ao seu osso” representa uma completa restauração da nação israelita. Tudo acontece porque a palavra é do Senhor.

Mas ainda faltava algo. A promessa do Senhor ainda não tinha atingido o seu ápice, conforme o versículo 6. Ao final, o profeta fez uma constatação significativa: “mas não  havia neles o espírito” (v. 8). O que havia acontecido era algo extraordinário, mas ainda consistiam em homens mortos. Eram como bonecos. Deus, então, restitui-lhes a vida do corpo. Mandou que Ezequiel profetizasse novamente: “Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem...” (v.9a). Diz o texto que o espírito virá dos “quatro ventos”, de todo lugar, dos quatro pontos cardeais para focar a sua atenção nos corpos. O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra. Ele deve vir sem demora, para transformar esta situação. A sua ação será plena, total e trará vida e esta cobrirá toda terra; ele soprará sobre os corpos como um vento ordenado para transformá-los em criaturas viventes: “ó espírito e assopra sobre estes mortos, para que vivam.” (v.9b). O verbo נָפַח cujo sentido principal é “assoprar”, torna-se significativo neste momento. Deus é o sujeito na criação do homem e nos concede a dádiva da vida.

Esta é a ordem do Senhor e o profeta obedece: “Então profetizei como ele me ordenara e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exercício sobremodo numeroso”. (v.10). Só aconteceu devido a uma específica ação de Deus; e quando רוּחַ(ruach-espírito)veio todos eles reviveram. O que aconteceu com eles não foi uma simples transformação biológica e, muito menos, o fruto de uma simples força interna, mas eles só reviveram porque o Senhor infundiu neles רוּחַ (ruach) e fez com que os ossos ficassem em pé. Esta atitude de estar de pé diante de Deus, agora é possível porque os ossos se transformaram: “um exército muito numeroso”. A expressão pode ser atribuída também no sentido de força, poder. Desta forma permite-nos compreender o significado do renascimento da morte para à vida. Eles viveram, ficaram em pé, uma vez renascidos, os israelitas podem retornar à pátria.

                                                               III

 Não resta dúvida que os ossos secos retratavam a situação de Israel. versículo 11 fornece a explicação da visão: “Filho do homem, estes ossos são toda casa de Israel”. A visão foi dirigida aos israelitas daquele tempo. Todas as doze tribos estavam incluídas na visão; muitos hebreus já viviam em Jerusalém, outros haviam fugido para o Egito durante os ataques de Nabucodonosor a Jerusalém, outros já viviam na Babilônia nos anos do exílio. Esta constatação encontra-se na expressão “casa de Israel” que inclui todo povo de Deus sem se importar se estavam em sua terra ou em outro lugar. Nos lugares distantes, povo olhava para sua história e se via separado de Deus e disperso por várias nações. Não via como voltar a ser o povo querido de Deus. A nação estava arruinada, fora da terra prometida. O povo era como um monte de ossos.

Eles haviam chegado ao fim do caminho, por isso, fizeram uma dupla confissão: “nossos ossos se secaram...” (v.11a). Os israelitas reconheciam a situação. Não só reconheciam que seus ossos estavam secos, como também, declaravam que haviam perdido a esperança. “pereceu a nossa esperança” (v.11b).  O povo exilado reconhecia que não tinham esperança, pois tudo dava sinais de estarem perdidos. Já não podiam esperar que acontecesse algo bom. Aos israelitas não restava outra coisa, a não ser, reconhecer a sua triste situação e expressar o seu lamento: “estamos de todo exterminados” (v.11c). A expressão sugere que o povo de Israel fora condenado à morte. Ela pode indicar também separação do culto e da sociedade. A sensação era de destruição total, de caos. Haviam sido separados de suas raízes; sua capital estava em ruínas e suas casas destruídas. O templo havia sido queimado e os seus tesouros saqueados. As cidades e as aldeias não tinham muralhas e os seus líderes haviam sido assassinados ou levados ao cativeiro.

Mas o Senhor procurou aquietar o lamento e o pranto de Seu povo com a gloriosa promessa de que “ressuscitaria” a nação, e tornaria a estabelecê-la na terra que lhe havia dado. O poder humano jamais poderia dar vida àquela nação morta. Mas o Senhor poderia trazer o renascimento da morte para a vida. Por isso ,convida Ezequiel para profetizar novamente: “Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei a terra de Israel.” (v.12). Afinal, o que representa uma sepultura? É o lugar ou cova onde se sepultam os cadáveres. Onde não há vida. Lugar onde exala mau cheiro e transmite a tristeza da ausência da vida. Desta forma vivia o povo de Israel. Pelo poder do Espírito, o povo seria libertado da sepultura do cativeiro. Eis o grande consolo: “vos farei sair dela, ó povo meu”. Sair de nossas sepultaras jamais poderia ser iniciativa nossa. Mas somente Aquele que venceu a morte e ressuscitou e nos deu vida. Somente o Senhor poderia realizar este milagre.

Mas além de abrir a sepultura, restituir a vida, fará que com que o povo reconhecesse o Deus da vida que vence a morte e conduz seu povo de volta à terra. O Senhor ensinaria a Israel que Ele é o Senhor: “sabereis que eu sou o Senhor”. Esta expressão parece várias vezes na Bíblia. Deus falou esta frase quando Ele tirou o seu povo do Egito. Também foi dita quando o povo de Israel estava no deserto e murmuravam contra Deus. Em nosso texto, o Senhor mostra ao povo que seu plano estava completo, e que o povo, agora, deveria reconhecer sua soberania.

Estimados irmãos! Quem sabe, você não está vivendo esse momento, andando sem rumo, achando que o seu problema não tem mais jeito, que está jogado no vale do esquecimento, sentindo-se impotente, pequeno, sem saber como dessa situação.  O Senhor Jesus é a nossa esperança, para todo aquele que Nele crer. Ele é uma fonte da vida abundante, Ele é a resposta para todo o tipo de dificuldade. Ele está sempre pronto para estender sua mão e nos levantar quando estamos caídos. Sem Cristo, somos cadáveres, corpos sem vida, um monte de ossos secos sem valor algum. Com Cristo: renascemos da morte para a vida. Amém

APONTAMENTO

O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra

 A palavra “espírito” é a tradução do hebraico ruach. É traduzida pela NVI, neste capítulo, como “respiração” (vv. 5, 6, 8, 9, 10), duas vezes por “Espírito” (vs. 1 e 14) e uma vez como “vento” (v. 9). A palavra, em hebraico, aparece 378 vezes no Antigo Testamento e 52 vezes em Ezequiel. Neste estudo, ao invés de respiração ou espírito, empregarei a expressão “fôlego de vida”.

 Em hebraico e grego "espírito” significa ar em movimento, hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio de vida (Gn 6,17; 7,15; Ez 37,10-14), a força vital (Jr 10,14), a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Ex 35,21; Is 19,3; Jr 51,11; Ez 11,19). Deus é que dá o espírito e age no homem pelo seu espírito (Gn 6,3; Ez 2,2 )

           

           TEXTO: EZ 37.1-14

           TEMA: RENASCEMOS DA MORTE PARA VIDA

 

O povo de Deus se encontrava diante de uma situação deplorável. O Senhor mostra essa triste realidade ao profeta Ezequiel através de uma visão. O profeta vê as condições de seu povo. Vê um vale onde o cheiro de morte exalava por todos os lados, uma condição degradante derivado da corrupção do povo, mais especificamente da desobediência ao Senhor. Em meio a tantos sofrimentos, dores e tristezas, o Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação. O povo ouviu a Palavra de Deus e deu ao povo vida espiritual: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra” (v. 14). O Espírito Santo, Senhor e Doador da vida fez reviver aqueles ossos secos. O povo renasceu da morte para a vida

Também renascemos da morte para a vida, pois todos nós estávamos mortos em delitos e pecados, desgarrados e perdidos. O apóstolo Paulo diz em Efésios 2.1: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”. Aos romanos, o apóstolo escreveu: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 3.23).Diante dessa situação, Deus demonstrou a sua misericórdia. Ele mudou a nossa história nos libertando da escravidão do pecado e nos transformou em novas criaturas através de seu Filho que morreu na cruz para nos salvar. Portanto, renascemos da morte para a vida. 

                                                        I

Deus através duma visão mostra ao profeta a situação do povo de Israel. Leva o para um vale cheio de ossos: “Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de uma vale que estava cheio de ossos.”(v.1).A expressão “a mão do Senhor” sobre o profeta aparece sete vezes em todo o livro (. Ez 1.3; 3.14, 22; 8.1; 33.22; 40.1). Esta expressão possui importância teológica, visto que na Sagrada Escritura, simboliza poder ou força. O poder do Senhor estava sobre o profeta e o tirou da esfera normal da vida quotidiana. Leva o para um vale cheio de ossos secos. É como um cemitério, porém, os ossos estavam na superfície, e não debaixo da terra. O Espírito do Senhor pôs Ezequiel “no meio de um vale”. O vale, nesta passagem, adquire um valor todo especial, ele é ambiente de morte para vida; é nele que Senhor agirá em favor do seu povo transformando aquela situação de aniquilamento em vida e esperança.

O Senhor faz o profeta andar ao redor dos ossos. O verbo no original significa “passar juntos”. Indica uma ação, ou seja, o Senhor está guiando o profeta. Ele tem o controlo da situação. Ele é que faz o profeta passar ao redor dos ossos.  Ele é o autor da transformação que acontecerá na vida do povo de Israel. Ele queria que o profeta tivesse uma ideia do número de vítimas e entendesse que ali não havia mais esperança de vida. E ao passar pelos ossos, faz duas constatações: “Eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos” (v.2). É bastante percetível a condição natural dos ossos, pois não estavam apenas secos, mas estava sequíssimo. Não havia nenhum sinal de vida. Só morte! Mortos há muito tempo. Homem algum poderia reavivá-los. Era uma cena estranha, horrível. Este fato indica que muito tempo se passou desde que a vida os deixou e que, humanamente falando, a situação era irreversível.

Muitas vezes em nossas vidas temos a sensação de que estamos em um verdadeiro vale de ossos secos. A nossa vida retrata as situações, as lutas, as dificuldades, as circunstâncias do dia a dia. Pensamos da mesma forma que povo de Deus: nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta; estamos perdidos. Mas lembre-se: Há um Deus que se preocupa conosco e quer nos consolar, animar e colocar de pé diante das situações que nos deixam entristecidos. Embora estejamos sujeitos a aborrecimentos, decepções ou desilusões, não podemos perder a esperança. Por isso é chegada a hora de reagir, recobrar os ânimos, ficar de pé e receber a força do Espírito Santo: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5.14).

O Senhor chama Ezequiel de filho do homem e lhe faz uma pergunta que originará todo o desenvolvimento do texto. É um pergunta crucial: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos secos?” (v.3a). Ao ser questionado do Senhor, o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes.” (v.3b). É admirável a sinceridade de Ezequiel. Talvez esperássemos uma resposta mais convicta, mas positiva, mas não foi o que aconteceu. Ezequiel sentia-se esmagado diante da visão, e sabia por vivência o que ela significava.Tanto a pergunta como a resposta têm o objetivo de pôr em evidência o fato de que a mudança de estado dos ossos é humanamente impossível.

Entretanto o verbo יָדַע que significa “conhecer,” nas Escrituras, muitas vezes, tem um significado que vai além do sentido básico de simplesmente ter conhecimento intelectual. Este verbo designa o conhecimento que Senhor tem do homem (Gn 18,19) e de seus caminhos (Is 48,8), conhecimento este que é anterior ao nascimento do homem (Jr 1,5). É nesse sentido que o profeta declara que só Senhor sabe. Dizer que somente o Senhor sabe, equivale a afirmar que tudo depende do poder e da vontade do Senhor, e não da vontade do homem. O profeta entendeu que somente o Senhor pode restituir a vida aos mortos outra vez.  Ele é o autor e conservador de toda vida. A resposta do profeta à pergunta feita por Deus demonstrou que havia confiança em Deus, e era isso que precisava para que o povo de Deus,que voltasse a se relacionar com Deus.

Deus ordena que o profeta profetizasse aqueles ossos secos. Deveria proclamar a palavra do Senhor: “Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dizes-lhes: ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”. (v.4).  “Disse-me ele”.  O Senhor revela, fala e responde o que haveria de acontecer com os ossos secos: O Senhor fala ao profeta. Este falar torna-se para ele uma ordem de profetizar: Profetiza. Ezequiel é convocado a proclamar sobre os ossos secos.  O verbo נָבָא, cujo significado é basicamente anunciar, declarar. Daí, profetizar é “anunciar a mensagem de Deus”. Serve para descrever a função do verdadeiro profeta quando ele fala a mensagem de Deus para o povo sob a influência do Espírito Santo. Deus disse a Ezequiel para profetizar sobre aqueles ossos e dizer-lhes: “Ossos secos,ouçam a palavra do Senhor”! Diante dos ossos secos, da fragilidade da vida do homem que se assemelha a uma erva que seca (Is 40.7). A palavra do Senhor tem força própria, pois para Ele, pronunciar uma palavra é produzir uma realidade ou transformá-la, não podendo a sua palavra ser vã ou ineficiente (Is 9.7; 45.23).  Diante desta palavra criadora do Senhor, não se deve ter outra atitude, senão, escutá-la com o firme propósito obedecer ao Senhor. O verbo, aqui, empregado é שׁמע que aparece como princípio de sabedoria, pois a primeira exigência para que certos ensinamentos sejam frutíferos é o escutar que se converte em obediência.

                                                          II

Quem são os ossos secos? O vale cheio de ossos secos são todos da casa de Israel. Eram vistos secos porque neles não havia vida espiritual. Faltava comunhão com Deus. Faltava fé e confiança. Era a situação desalentadora do povo de Israel no exílio babilônico. Era um povo sem esperança, sem a possibilidade de restauração. Tão amarga foi esta experiência na vida do povo de Israel que chegaram à conclusão: “Estamos de todo exterminados” (v.11). Como povo de Deus também chegamos à conclusão de não há mais esperança. Não há esperança no lar, no trabalho, na congregação e na Igreja. Em alguns momentos, as dificuldades, os problemas e as crises são tão grandes que até a nossa esperança morre. Quando isto acontece, parece que morremos junto com ela. Temos a impressão de que a nossa vida terminou. Não temos futuro. Estamos de todo exterminados.

Deus, no entanto, não os considera mortos. Diante deste povo espiritualmente morto, Deus mostra a possibilidade de restauração. A vida ainda é possível. Deus não abandonou seu povo. Ele vem ao encontro, anunciando por intermédio do profeta, sua vontade, seu amor e misericórdia. Este anúncio tem um tom solene. Não será uma conversa ou um comunicado qualquer, mas um anúncio de mudança, de transformação, de uma nova criação. A eficácia desta palavra vem caracterizada pela presença da fórmula: “Assim diz o Senhor”, e estabelece a meta da ação divina. Apresenta, especificamente, a promessa da reconstituição dos corpos. Esta reconstituição, por sua vez, envolve um processo que se desdobra em quatro estágios: “Eis que farei entrar o fôlego de vida nesses ossos, e eles viverão. Porei tendões (nervos) sobre eles e farei aparecer carne sobre eles e os cobrirei com pele; porei um espírito de vida neles e eles terão vida. E todos saberão que eu sou o Senhor”. (vv. 5 e 6).

Ezequiel prega, fala e transmite a estes ossos secos: “Então profetizei segundo me fora ordenado” (v.7a). O povo de Israel teria que ouvir a Palavra de Deus por intermédio do profeta Ezequiel, quisesse ou não. Afinal, ele foi chamado por Deus para ser o atalaia de Israel, alguém que deveria falar em nome do Senhor, conclamando o povo ao arrependimento e exortando para não se desviar dos caminhos de Deus. Enquanto estava falando, Deus começou sua surpreendente obra. Houve reação! Houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam cada osso ao seu osso! Havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes e se estendeu a pele sobre eles! Era um momento dramático, o milagre de Deus se concretizando! A frase “cada osso ao seu osso” representa uma completa restauração da nação israelita. Tudo acontece porque a palavra é do Senhor.

 Mas ainda faltava algo. A promessa do Senhor ainda não tinha atingido o seu ápice, conforme o versículo 6. Ao final, o profeta fez uma constatação significativa: “mas não  havia neles o espírito” (v. 8). O que havia acontecido era algo extraordinário, mas ainda consistiam em homens mortos. Eram como bonecos. Deus, então, restitui-lhes a vida do corpo. Mandou que Ezequiel profetizasse novamente: “Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem...” (v.9a). Diz o texto que o espírito virá dos “quatro ventos”, de todo lugar, dos quatro pontos cardeais para focar a sua atenção nos corpos. O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra. Ele deve vir sem demora, para transformar esta situação. A sua ação será plena, total e trará vida e esta cobrirá toda terra; ele soprará sobre os corpos como um vento ordenado para transformá-los em criaturas viventes: “ó espírito e assopra sobre estes mortos, para que vivam.” (v.9b). O verbo נָפַח cujo sentido principal é “assoprar”, torna-se significativo neste momento. Deus é o sujeito na criação do homem e nos concede a dádiva da vida.

Esta é a ordem do Senhor e o profeta obedece: “Então profetizei como ele me ordenara e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exercício sobremodo numeroso”. (v.10). Só aconteceu devido a uma específica ação de Deus; e quando רוּחַ(ruach-espírito)veio todos eles reviveram. O que aconteceu com eles não foi uma simples transformação biológica e, muito menos, o fruto de uma simples força interna, mas eles só reviveram porque o Senhor infundiu neles רוּחַ (ruach) e fez com que os ossos ficassem em pé. Esta atitude de estar de pé diante de Deus, agora é possível porque os ossos se transformaram: “um exército muito numeroso”. A expressão pode ser atribuída também no sentido de força, poder. Desta forma permite-nos compreender o significado do renascimento da morte para à vida. Eles viveram, ficaram em pé, uma vez renascidos, os israelitas podem retornar à pátria.

                                                       III

Não resta dúvida que os ossos secos retratavam a situação de Israel. versículo 11 fornece a explicação da visão: “Filho do homem, estes ossos são toda casa de Israel”. A visão foi dirigida aos israelitas daquele tempo. Todas as doze tribos estavam incluídas na visão; muitos hebreus já viviam em Jerusalém, outros haviam fugido para o Egito durante os ataques de Nabucodonosor a Jerusalém, outros já viviam na Babilônia nos anos do exílio. Esta constatação encontra-se na expressão “casa de Israel” que inclui todo povo de Deus sem se importar se estavam em sua terra ou em outro lugar. Nos lugares distantes, povo olhava para sua história e se via separado de Deus e disperso por várias nações. Não via como voltar a ser o povo querido de Deus. A nação estava arruinada, fora da terra prometida. O povo era como um monte de ossos.

Eles haviam chegado ao fim do caminho, por isso, fizeram uma dupla confissão: “nossos ossos se secaram...” (v.11a). Os israelitas reconheciam a situação. Não só reconheciam que seus ossos estavam secos, como também, declaravam que haviam perdido a esperança. “pereceu a nossa esperança” (v.11b).  O povo exilado reconhecia que não tinham esperança, pois tudo dava sinais de estarem perdidos. Já não podiam esperar que acontecesse algo bom. Aos israelitas não restava outra coisa, a não ser, reconhecer a sua triste situação e expressar o seu lamento: “estamos de todo exterminados” (v.11c). A expressão sugere que o povo de Israel fora condenado à morte. Ela pode indicar também separação do culto e da sociedade. A sensação era de destruição total, de caos. Haviam sido separados de suas raízes; sua capital estava em ruínas e suas casas destruídas. O templo havia sido queimado e os seus tesouros saqueados. As cidades e as aldeias não tinham muralhas e os seus líderes haviam sido assassinados ou levados ao cativeiro.

Mas o Senhor procurou aquietar o lamento e o pranto de Seu povo com a gloriosa promessa de que “ressuscitaria” a nação, e tornaria a estabelecê-la na terra que lhe havia dado. O poder humano jamais poderia dar vida àquela nação morta. Mas o Senhor poderia trazer o renascimento da morte para a vida. Por isso ,convida Ezequiel para profetizar novamente: “Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei a terra de Israel.” (v.12). Afinal, o que representa uma sepultura? É o lugar ou cova onde se sepultam os cadáveres. Onde não há vida. Lugar onde exala mau cheiro e transmite a tristeza da ausência da vida. Desta forma vivia o povo de Israel. Pelo poder do Espírito, o povo seria libertado da sepultura do cativeiro. Eis o grande consolo: “vos farei sair dela, ó povo meu”. Sair de nossas sepultaras jamais poderia ser iniciativa nossa. Mas somente Aquele que venceu a morte e ressuscitou e nos deu vida. Somente o Senhor poderia realizar este milagre.

Mas além de abrir a sepultura, restituir a vida, fará que com que o povo reconhecesse o Deus da vida que vence a morte e conduz seu povo de volta à terra. O Senhor ensinaria a Israel que Ele é o Senhor: “sabereis que eu sou o Senhor”. Esta expressão parece várias vezes na Bíblia. Deus falou esta frase quando Ele tirou o seu povo do Egito. Também foi dita quando o povo de Israel estava no deserto e murmuravam contra Deus. Em nosso texto, o Senhor mostra ao povo que seu plano estava completo, e que o povo, agora, deveria reconhecer sua soberania.

Estimados irmãos! Quem sabe, você não está vivendo esse momento, andando sem rumo, achando que o seu problema não tem mais jeito, que está jogado no vale do esquecimento, sentindo-se impotente, pequeno, sem saber como dessa situação.  O Senhor Jesus é a nossa esperança, para todo aquele que Nele crer. Ele é uma fonte da vida abundante, Ele é a resposta para todo o tipo de dificuldade. Ele está sempre pronto para estender sua mão e nos levantar quando estamos caídos. Sem Cristo, somos cadáveres, corpos sem vida, um monte de ossos secos sem valor algum. Com Cristo: renascemos da morte para a vida. Amém

 

                                            ANOTAÇÕES

 O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra

A palavra “espírito” é a tradução do hebraico ruach. É traduzida pela NVI, neste capítulo, como “respiração” (vs. 5, 6, 8, 9, 10), duas vezes por “Espírito” (vs. 1 e 14) e uma vez como “vento” (v. 9). A palavra, em hebraico, aparece 378 vezes no Antigo Testamento e 52 vezes em Ezequiel. Neste estudo, ao invés de respiração ou espírito, empregarei a expressão “fôlego de vida”.

Em hebraico e grego "espírito” significa ar em movimento, hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio de vida (Gn 6,17; 7,15; Ez 37,10-14), a força vital (Jr 10,14), a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Ex 35,21; Is 19,3; Jr 51,11; Ez 11,19). Deus é que dá o espírito e age no homem pelo seu espírito (Gn 6,3; Ez 2,2 )

Nabucodonosor levou cativos os judeus de Jerusalém para a Babilônia em três etapas: A primeira etapa ocorreu em 605 a.C., sob o reinado de Joaquim, rei de Judá, Nabucodonosor sitiou e tomou Jerusalém. Levou as pessoas proeminentes do país, além dos tesouros da casa de Deus e da casa do rei. Essas pessoas foram deportadas para Babilônia, entre elas Daniel e seus três amigos. A segunda em 597 a.C., 10.000 cativos foram levados à Babilônia, estando Ezequiel entre eles. E a terceira em 586 a.C. as forças de Nabucodonosor destruíram totalmente a cidade e o templo, e a maioria dos sobreviventes foi transportada à Babilônia.

Ezequiel foi chamado e comissionado por Deus para o exercício do ministério de profeta e sacerdote, cujo nome significa “Deus fortalece”. Era de família sacerdotal (1.3) e passou os vinte e cinco primeiros anos da sua vida em Jerusalém. Seu ministério ocorreu durante a hora mais tenebrosa da história do AT: os sete anos que precederam a destruição, em 586 a.C. (593-586 a.C.), e os quinze anos seguintes (586-571 a.C.). Estava se preparando para o trabalho sacerdotal do templo quando foi levado prisioneiro à Babilônia em 597 a.C.

Uma vez no exílio, os israelitas vivem uma situação de desolação. Sentiram-se abandonados e distantes do Deus Todo Poderoso. Sentiam-se como que rejeitados por Deus. Estavam totalmente sem esperança de mudança, e chegaram a seguinte conclusão: Estamos de todo exterminados. Em meio a situação de desalento, Deus chamou e enviou Ezequiel para ser profeta ,mestre ,arauto. Foi necessária a ajuda de Deus para que Ezequiel pudesse contemplar a realidade tal qual se apresentava. O Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação.

 TEXTO: SL 130

TEMA: NO SENHOR ENCONTRAMOS O PERDÃO

O Salmo 130 é considerado um salmo de romagem, ou cântico de subida. Era cantado enquanto o povo caminhava em direção ao templo, se preparando para adorar ao Senhor. Ele relata a situação de uma pessoa que ora, suplicando perdão ao Senhor pelos seus pecados. Assim, como o salmista aguardava uma declaração de perdão por parte do Senhor, esperando por uma palavra de absolvição, também temos a possibilidade de apresentarmos nossas súplicas e esperarmos por uma palavra de perdão da parte do Senhor, pois no Senhor encontramos este perdão. Por isso, peçamos ao Senhor que ouça a nossa súplica, pois Ele quem nos redime de todas as nossas iniquidades.

Davi inicia este salmo ao expressar todo o seu sofrimento que estava enfrentando. Havia uma profunda angústia na vida do salmista, que o levou a clamar: “Das profundezas clamo a ti, senhor”. (v.1). O fato de pedir socorro demonstra a profundidade de seu sofrimento. Mas o que significa profundezas? Refere-se a uma metáfora usada pelo salmista para explicar a sua situação. Das profundezas no texto se referem literalmente as águas profundas, abismo, os lugares mais obscuros e sombrios. Traz a ideia de aflição, miséria total, dor, solidão e sofrimento; situação de desespero, frustração, derrota. Enfim, de insegurança profunda, fracasso e desespero, de certeza onde a vida parece que está a um fio da morte ou do fim de sua existência.

Que situação horrível estava vivendo Davi! Na verdade, ele não estava falando dos seus problemas no dia a dia, mas de seu afastamento de Deus por causa de seus pecados. O pecado o causava aflição, culpa e amargura. Por isso, se sentiu angustiado porque todos seus pensamentos estavam concentrados em como Deus iria tratar seu pecado, uma vez que estava em falta com Deus, e Deus estava cobrando um perfeito arrependimento de seu servo. Ele não tinha outra opção. Precisava do socorro do Senhor. Somente o perdão divino poderia tirá-lo do mais profundo abismo. Neste momento, ele entende que não basta só clamar. Era preciso orar: “Escuta Senhor, a minha voz; estejam alertas os teus ouvidos às minhas súplicas”. (v.2).

Constantemente também passamos por grandes tribulações, profundezas espirituais, sofrimentos e adversidades, dos quais ficamos muito abalados. São sofrimentos oriundos das crises financeiras e conjugais, enfermidades, frustrações, ameaças, solidão e a nossa negligência espiritual. Mas como sair das profundezas? Clamando ao Senhor! Deus quer nos tirar das profundezas e renovar o nosso coração Quando nos encontramos nessa situação devemos olhar para o Senhor, o único que pode nos salvar, e clamar por socorro, pois temos um Deus em quem nós podemos sempre confiar. Ele sempre está conosco. Por isso, clame pelo socorro do Senhor e ele te ouvirá e virá ao teu encontro ministrando conforto, paz e alegria interior em tua vida.

Davi sabia que se não fosse a misericórdia do Senhor nem ele mesmo estaria vivo. Ele mesmo afirma: “Se observardes, Senhor, as iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?” (v.3). Se tivesse que prestar contas de cada pecado que cometeu, e se Deus anotasse e o castigasse por todos os pecados, como poderia subsistir diante dele?  Quem, Senhor, subsistirá? É a pergunta que Davi faz. A resposta é: Ninguém. Porque o pecado mata. Ninguém subsiste a ele. Mas Davi tem uma notícia maravilhosa: “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”. (v.4). Por isso, para o salmista a única solução está no perdão, e o perdão só pode ser alcançado no Senhor. Deus lhes apagará do coração todas as suas transgressões. Não porque merecia, mas somente porque Deus é gracioso.

Assim como o salmista, todos nós precisamos ter a consciência de que somos pecadores. É preciso reconhecer que sem a misericórdia do Senhor nenhum de nós resistiria. “Não há quem faça o bem, não há nem se quer um”, “Não há justo, nem um sequer”, estas afirmações devem estar sempre diante de nós para que nunca o orgulho ou a presunção de que somos melhores que os outros tomem conta de nossas mentes. Quando reconheçamos os nossos pecados e pedimos perdão ao Senhor, há paz em nosso coração. Por mais graves que sejam as ofensas cometidas contra Deus, você pode ter certeza absoluta de que Deus ouvirá e atenderá a tua oração, se você se aproximar do Senhor com humildade, reconhecendo as faltas e pedir perdão. Você já experimentou esta paz em seu coração?

Depois de buscar ajuda no Senhor, o salmista se mostra paciente. Confia e espera na palavra do Senhor. (v.5). A palavra do Senhor é a esperança para quem vive nas profundezas. Ninguém que espera em Deus, permanece nas "profundezas." O apóstolo Pedro, numa ocasião, fez uma pergunta a Jesus: Para quem iremos? Ele apresenta dois motivos da sua permanência em Jesus. Primeiro: “Tu tens as palavras da vida eterna”. (v.68b). Pedro respondeu com uma confissão de fé. Só Jesus tem as palavras da vida eterna. Segundo motivo para permanecer em Jesus, Pedro conclui com uma lúdica verdade: “nós temos crido e conhecido que tu és o santo de Deus”. (v.68c).

Esta foi a decisão firmada com tanta convicção, o caminho que Pedro tomou. O que tinha ouvido e visto na companhia de Jesus, o convenceu que valia a pena ficar com ele, e ouvir as suas palavras.  Palavras que não mentem, não enganam e não falham; é a verdade infalível e imutável.  Palavras que anunciam pleno perdão de todas as nossas transgressões. Que nos asseguram a vida eterna nas mansões celestiais. Por isso, ao sabermos que Jesus tem as palavras da vida eterna, é importante dizer que não temos outro refúgio nos momentos de angústia do que a presença de Jesus, porque somente Ele é o Deus que nos pode socorrer. Os ídolos criados pelo homem não falam, não respondem. Também não é na ciência e na filosofia que o homem encontra a salvação. Mas unicamente no Cristo que tem as palavras da vida eterna. Portanto, seria um absurdo voltar a seguir outros caminhos ou buscar outras pessoas para nos tirar das “profundezas”.

O salmista, agora, demonstra uma imensa vontade e anseio de ter uma vida de relacionamento diário com Deus. Ele afirma: “A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã”. (v.6). A expressão “minha alma anseia” significa desejar ardentemente. A sua alma estava sedenta em buscar os caminhos de Deus, de nunca desistir. Esta sua atitude, ele compara com os guardas ou sentinelas que vigiavam durante a noite, que viviam momentos de preocupação com os perigos dos invasores durante a noite. Mas sentiam-se aliviados quando chegava o novo dia! Eles não desistiam! Dessa forma, o salmista desejava ansiosamente a chegada do perdão de Deus, que traria imenso alívio.

Portanto, salmista recebeu aquilo que pediu. O perigo teria passado, e a sua comunhão com o Senhor seria restaurada, porque ele sabia que em Deus encontraria misericórdia e ampla redenção. Ele não se encontra mais nas profundezas. Agora, ele pode, por sua vez, exortar e incentivar o povo de Israel a pôr sua esperança no Senhor. Ele dá testemunho de que no Senhor há misericórdia, e nele há copiosa redenção. (v. 7). Se ele próprio não tivesse sido atendido por Deus, ele jamais exortaria seu povo a ter confiança em Deus. Ele não tem dúvida alguma de que o Deus que o redimiu, redimirá também o povo de Israel. E tem certeza de que o Senhor, assim como não o abandonou, tampouco abandonará o povo.

É assim que devemos desejar a ajuda do Senhor. Esperar com paciência e ter perseverança. A palavra esperar pode parecer difícil, às vezes, até perdemos a paciência esperando por alguma coisa, mas há uma espera que vale a pena: esperar no Senhor. Quaisquer que sejam nossas necessidades, circunstâncias e problemas, nossa primeira solução deve ser esperar no Senhor e em seu auxilio. Devemos ser pacientes e esperar plenamente no Senhor. Por isso, é tempo de buscar o Senhor!

 Precisamos reconhecer nossa fragilidade, nosso pecado, nossas iniquidades, e corrermos na direção de Deus e implorar pelo perdão! Por isso, clame pelo socorro do Senhor e ele te ouvirá e virá ao seu encontro ministrando conforto, paz e alegria interior em sua vida. Amém!

quinta-feira, 5 de março de 2026

TEXTO: SL 142

TEMA: CLAMEMOS AO SENHOR,POIS ELE É O NOSSO REFÚGIO!

Muitas vezes, a vida nos empurra para 'cavernas' emocionais, financeiras ou espirituais — lugares de isolamento onde o eco da nossa própria dor parece ser a única voz que ouvimos. Sentimo-nos cercados por paredes de impossibilidades, onde olhamos para a direita e para a esquerda e não encontramos quem nos estenda a mão.

Davi encontrava-se nesta situação. Ele buscou abrigo em uma caverna. Não era um palácio, nem o seu trono; não era o cenário das promessas que um dia ouvira a seu respeito. Era pedra fria, escuridão e silêncio. Ali, ele enfrentou algo mais profundo do que a perseguição: a solidão, o medo e a angústia. Na caverna, Davi não estava apenas escondido de seus inimigos — estava abatido, fraco, quase perdendo a esperança. Ele revela seu coração ao declarar: 'Ninguém cuida da minha alma'. Davi não era apenas um fugitivo; era um homem ferido, tentando compreender os caminhos de Deus enquanto a promessa parecia cada vez mais distante. No entanto, a caverna não representou o término da sua jornada, mas o início do seu preparo.

Assim também acontece conosco. Todos passamos por cavernas: momentos de enfermidade, crises familiares, perseguições, perdas e incertezas. São períodos escuros e dolorosos, nos quais nos sentimos limitados pelas circunstâncias e desafiados pela dor.Mas, assim como Davi entrou na caverna como fugitivo e saiu preparado para governar, também podemos sair dos nossos momentos difíceis mais fortes, mais conscientes e mais dependentes de Deus. Se hoje você se sente em uma caverna, lembre-se: é justamente nesses lugares que aprendemos a verdadeira profundidade da oração. Quando clamamos a Deus, Ele se torna o nosso refúgio seguro, abrigo em meio à tempestade e rocha firme quando tudo parece instável.Sendo assim, não desista. Transforme esse lugar em um altar. Faça do silêncio uma oração. Pois é na quietude da caverna que descobrimos que nunca estamos sozinhos — Deus está sempre presente, sustentando-nos e preparando-nos para o que ainda virá.

Baseada no Salmo 142, a nossa mensagem de hoje é um convite para clamar ao Senhor, pois Ele é o nosso refúgio. A partir dessa constatação, destacamos cinco aspectos principais:

Primeiro, porque podemos apresentar as nossas angústias a Deus. Deus nos conhece profundamente e se importa com cada detalhe de nossa vida. Ele não está distante nem indiferente ao sofrimento humano; Ele vê nossas lágrimas, compreende nossos pensamentos e conhece nossas fragilidades.Ao entregarmos nossas aflições a Ele, reconhecemos nossos limites e confiamos que existe um cuidado maior sustentando nossa existência. Foi assim com Davi: no isolamento da caverna, ele ergueu a voz e derramou sua queixa perante o Senhor, encontrando n’Ele o refúgio e o consolo necessários.

Segundo, porque Deus ouve o nosso clamor. Isto revela que não falamos ao vazio, mas a um Deus que nos ouve. Ele se inclina para escutar cada palavra e até mesmo aquilo que não conseguimos expressar. Saber que somos ouvidos muda a forma como enfrentamos as dificuldades: o clamor deixa de ser desespero e se torna um ato de fé. Há um Deus que escuta e responde no tempo certo. Clamar, portanto, é descansar na certeza de que nunca estamos sozinhos."

Terceiro, porque Deus conhece o nosso caminho.Essas palavras revelam uma verdade profundamente consoladora: mesmo quando estamos confusos, aflitos ou sem direção, Deus sabe exatamente onde estamos e para onde estamos indo. Davi nos ensina que, ainda que o espírito esteja angustiado, Deus continua atento.Quando oramos, reafirmamos nossa confiança Naquele que é o nosso refúgio. Ele conhece cada passo, cada lágrima e cada pensamento que passa por nós. Deus conhece o nosso caminho, e isso é suficiente para continuarmos caminhando.

Quarto, porque Deus é nosso verdadeiro abrigo. A caverna oferecia uma proteção temporária, mas não podia trazer paz ao coração de Davi; somente Deus era o verdadeiro abrigo de sua alma. Ao chamá-Lo de 'refúgio' e 'porção', ele reconhece que sua maior riqueza não residia em conquistas, mas na presença do SENHOR. Mesmo que perdesse tudo, ele ainda teria o essencial. É na oração que encontramos esse abrigo espiritual, onde recebemos descanso, segurança e renovação, e onde o nosso coração se fortalece para a jornada.

Quinto, porque Deus transforma o desespero em esperança. O salmo que começa em aflição termina com uma declaração de fé e confiança no cuidado do SENHOR. Mesmo antes de sair da caverna, Davi já enxergava pela perspectiva da esperança; o medo perdera a força e a solidão dera lugar à certeza da presença de Deus. A oração nos reposiciona, fortalece a fé e amplia nossa visão. Assim, o que parecia derrota se torna aprendizado, e atravessamos a caverna certos de que a luz virá no tempo determinado.

                                                                   I

Davi viveu um dos momentos mais difíceis de sua vida: quando estava refugiado em uma caverna. Longe dos palácios, distante dos amigos e cercado por ameaças, Davi se encontrava em um ambiente de solidão. Entretanto,  em vez de se entregar ao desespero, ele clama. Sua oração não é formal e nem superficial;é intensa, sincera,profunda.Ele recorre a alguém que certamente ouvia sua voz com clareza e atenção: “Ao Senhor ergo a minha voz e clamo,  com a minha voz suplico ao Senhor.” (v.1).A expressão “ergo a minha voz” indica que não se trata de um pensamento silencioso ou de uma oração meramente formal. Ele  não ora de maneira indiferente; ele clama. O verbo “clamar” transmite urgência, necessidade extrema, alguém que reconhece que não tem mais recursos próprios.A repetição da frase “com a minha voz” reforça a intensidade do momento. É como se o salmista quisesse deixar claro que sua oração é pessoal, direta e insistente. Não é uma oração mecânica, mas um grito da alma. A repetição também revela perseverança — ele não apenas fala, ele suplica.O termo “suplico” mostra humildade. Quem suplica reconhece dependência. Davi, mesmo sendo rei, coloca-se como necessitado diante de Deus. Na caverna, não há trono, não há exército, não há status — apenas um homem frágil buscando socorro divino.

Assim também acontece conosco. Todos passamos por 'cavernas' — momentos de enfermidade, crises familiares, perseguições, perdas e incertezas. Nessas horas, muitas vozes ao nosso redor se calam: amigos podem não compreender nossa situação, recursos se esgotam e as respostas humanas falham. Contudo, mesmo no silêncio do isolamento, podemos erguer a nossa voz ao SENHOR. A solidão pode até nos cercar, mas jamais nos separa de Deus. É justamente na caverna da vida — nesses períodos escuros e estreitos da alma — que aprendemos a verdadeira profundidade da oração. Ali, a fé se fortalece, o clamor se torna intenso e descobrimos que Deus não apenas ouve, mas responde, no tempo oportuno, às nossas orações.

Em vez de esconder seus sentimentos ou tentar aparentar uma força que não possui, Davi escolhe a transparência total diante de Deus. Com confiança, ele abre o coração e se apresenta exatamente como está — aflito e angustiado — demonstrando crer que o SENHOR é soberano, mas também próximo e acolhedor. Como ele mesmo declara: “Derramo perante Ele a minha queixa; à Sua presença exponho a minha tribulação” (v. 2). 'Derramar' é uma palavra forte; transmite a ideia de esvaziar-se completamente, como quem vira um vaso até que não reste nada em seu interior. O verbo indica uma ação contínua e deliberada; portanto, derramar é um ato de confiança. Só entrega o coração quem acredita que Deus é capaz de receber, sustentar e responder. Ao afirmar que apresenta sua 'queixa', o salmista nos ensina que podemos levar ao SENHOR aquilo que nos incomoda, entristece ou confunde. Aqui, a queixa não é uma murmuração rebelde, mas a expressão sincera do sofrimento. Ao 'expor' sua tribulação, Davi revela que não há necessidade de esconder nada. Afinal, a dor, quando guardada apenas dentro de nós, torna-se um peso insuportável; mas, quando colocada diante de Deus, ela começa a ser transformada.

Aprender a derramar nossas queixas e expor nossas aflições é uma das maiores lições da vida espiritual. Muitas vezes, tentamos carregar tudo sozinhos, escondendo nossas dores por medo, vergonha ou orgulho; a verdade, porém, é que não fomos feitos para suportar esse fardo solitário. Quando levamos ao SENHOR aquilo que nos angustia, preocupa ou entristece, abrimos espaço para que Ele nos console, nos guie e nos fortaleça. Derramar nossas queixas não é sinal de fraqueza; é prova de confiança. É reconhecer que nossas forças são limitadas, enquanto Deus é ilimitado em poder e amor. Ao expormos nossas tribulações, aprendemos a depender d'Ele, a ouvir Sua direção e a receber esperança mesmo nas situações mais difíceis. Portanto, levar nossas dores ao SENHOR é o caminho para perseverar com fé, coragem e confiança. É na entrega total — nesse derramar sincero — que encontramos a força para recomeçar, a clareza para decidir e a esperança que nos mantém firmes diante da vida.

                                                                 II

A experiência de estar na caverna é, muitas vezes, uma jornada marcada por dificuldades, perigos e momentos de solidão profunda. Quando o caminho se torna escuro, a tendência natural é o medo e a dúvida. Vemos a reação de Davi frente a essas situações: “Quando dentro de mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda. No caminho em que ando, me ocultam armadilha” (v. 3). A expressão 'quando dentro de mim me esmorece o espírito' revela o desânimo, a fadiga emocional e a sensação de impotência diante das adversidades. Davi admite que, mesmo sendo o ungido de Deus, há momentos em que seu coração se sente fraco e sobrecarregado. Reconhecer essa fragilidade não é fraqueza, mas um ato de sinceridade e humildade.

Em seguida, ele afirma: 'Conheces a minha vereda'. Aqui reside a grande diferença entre o desespero e a esperança: mesmo quando tudo parece perdido e o trajeto é incerto, Deus conhece cada passo, cada decisão e cada obstáculo. A 'vereda' simboliza a trajetória da vida, com seus desafios e escolhas. Por fim, Davi reconhece a realidade dos perigos: 'No caminho em que ando, me ocultam armadilha'.Não se engane: a situação era crítica. O risco que Davi corria era comparado ao de um animal desavisado que caminha entre laços invisíveis e mortais. Isso mostra que as cavernas da vida nem sempre são apenas emocionais; há também inimigos e obstáculos inesperados. Mesmo assim, sua oração transborda confiança: ao expor sua situação, Ele declara que não está sozinho diante das ciladas — há um Deus que conhece cada detalhe e guarda cada passo.

Davi continua revelando a profunda sensação de solidão e desamparo que experimentava: “Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça; nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse” (v. 4). A expressão 'olha à minha direita e vê' é um clamor por atenção e socorro. Na cultura da época, o lado direito era o lugar do defensor, do advogado ou do protetor; ao olhar para ali e não ver ninguém, Davi expressa que se sente completamente desprotegido. Ele percebe que os homens ao seu redor não o compreendem, nem se importam com sua agonia. Isso nos mostra que Davi não se sentia acuado apenas pela falta de esconderijos geográficos, mas pela ausência de pessoas que o ajudasse. É o lamento de quem descobre que, na vida, passamos por desertos onde ninguém parece nos entender ou apoiar — nem amigos, nem familiares, nem aliados.

Ao declarar que 'não há lugar de refúgio', ele evidencia a falência da proteção humana. Davi estava cercado de circunstâncias que o deixavam vulnerável, sem qualquer garantia de segurança. E, ao afirmar que 'não há ninguém que se interesse' por ele, revela o peso do isolamento emocional, mostrando que é possível sentir-se totalmente sozinho mesmo em meio a uma multidão. Contudo, ao expor esse desamparo ao SENHOR, ele reconhece que, embora os homens falhem, Deus permanece presente, atento e capaz de prover o consolo e a esperança que o mundo não pode oferecer.

Na caverna da vida, muitas vezes parece que os amigos desapareceram. Sentimos que ninguém cuida da nossa alma, que faltam companheiros e que os adversários são fortes. Sentimo-nos abandonados e incompreendidos, e a solidão pode pesar profundamente sobre o coração. No entanto, é justamente no silêncio e na ausência dos homens que a voz de Deus se torna mais nítida, oferecendo o conforto, a direção e a esperança necessários para avançar. Ele continua sendo nossa única esperança verdadeira. A verdade é que podemos confiar plenamente em Deus, pois Ele conhece cada passo da nossa trajetória e nos sustenta. Ele é o único que nunca nos ignora; Sua atenção e cuidado jamais falham, mesmo quando tudo ao redor parece perdido. Podemos nos apoiar na certeza de que Deus vê, conhece e guarda cada detalhe da nossa vida.

                                                             III

 Davi reconhece que seus adversários são mais fortes e admite sua própria fragilidade. No entanto, ele confia que Deus pode libertá-lo e promete louvar o Seu nome quando isso acontecer. Ele afirma: “A Ti clamo, SENHOR; eu digo: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes' (v. 5). Quando Davi diz 'A Ti clamo', ele assume sua total dependência. Ele não nega o sofrimento, não disfarça a angústia, nem simula uma força que não possui. Ele simplesmente clama. O clamor é a voz da alma que sabe que precisa de socorro; é a fé que se manifesta justamente no epicentro da fragilidade. Ao afirmar 'Tu és o meu refúgio', Davi revela que sua segurança não residia nas circunstâncias, na proteção de homens ou na estabilidade do momento. Enquanto estava no palácio, O palácio parecia ser o seu abrigo; na caverna, ele descobre que Deus é o verdadeiro refúgio. Ele compreende que o SENHOR é o descanso em meio à tempestade e a proteção quando tudo ao redor ameaça ruir. Mas ele vai além. Ele afirma : 'o meu quinhão na terra dos viventes'. Quinhão é herança, é porção, é aquilo que verdadeiramente nos pertence. Davi declara que, acima de qualquer trono ou conquista, Deus era sua maior riqueza. Mesmo que perdesse tudo, ele ainda teria o essencial: a presença do SENHOR.

Davi em lugar de buscar forças em si mesmo ou acreditar que poderia superar o inimigo por conta própria, ele reconheceu sua fraqueza e buscou Aquele que é onipotente e superior a qualquer circunstância. Ele afirma: “Atende ao meu clamor, pois me vejo muito fraco; livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu” (v. 6).Davi não faz uma oração formal ou distante; ele clama. O clamor nasce da urgência e da dor profunda. É a oração de quem já não confia em suas próprias forças, mas depende totalmente de Deus. Em um mundo em que se valoriza a autossuficiência, o salmista nos ensina o caminho da dependência. Ele não esconde a sua dor; pelo contrário, declara abertamente: 'Me vejo muito fraco'. Aqui está o ponto central: Davi, o guerreiro valente e líder, admite sua fragilidade. Essa fraqueza reconhecida não é derrota — é o início da intervenção divina. Quando reconhecemos nossos limites, abrimos espaço para a ação de Deus. Fé não é ignorar o problema, mas levá-lo a Quem pode resolvê-lo. O clamor é o som da humildade; é o coração compreendendo que sua verdadeira força reside no SENHOR.

Ao pedir livramento porque os perseguidores 'são mais fortes do que eu', afirma o salmistas. Ele admite que, humanamente, não tem vantagem. Mas, ao levar essa verdade a Deus, ele transforma vulnerabilidade em fé. A comparação final não é entre Davi e seus perseguidores, mas entre os perseguidores e Deus. Muitas vezes, o SENHR permite que a 'caverna' nos alcance para que descubramos que Ele é tudo o que temos e, portanto, tudo o que precisamos. A segurança não estava no ambiente — não era a caverna que o protegia —, mas era  Deus que estava na caverna. Esse ensinamento permanece atual: não precisamos ser fortes o tempo todo. Podemos nos apresentar cansados e inseguros, pois é justamente na nossa fraqueza que experimentamos o cuidado mais profundo do SENHOR e aprendemos que a Sua graça nos basta.

Davi não pede apenas para sair fisicamente da caverna, mas para ser livre da prisão emocional que o cercava, como o medo e a amargura. Ele clama: 'Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao Teu nome; os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem' (v. 7).O cárcere mencionado aqui vai além das paredes de pedra; refere-se ao aprisionamento interior — a angústia e a opressão que sufocam o espírito. Entretanto, o seu pedido tem um propósito claro: 'Para que eu dê graças ao Teu nome'. Davi compreende que o objetivo da libertação não é meramente o alívio pessoal, mas a glorificação de Deus. Ele deseja ser livre para testemunhar e agradecer publicamente pela bondade do Senhor.Ao declarar que os justos o 'rodearão', Davi profetiza o fim do seu isolamento. Deus não apenas o tiraria da caverna, mas o reintegraria ao convívio do Seu povo. Ele deixaria de ser um fugitivo solitário para se tornar alguém acolhido em comunidade. A palavra 'rodear', neste contexto, evoca a imagem de pessoas reunidas para celebrar uma vitória e ouvir um testemunho de superação.Davi encerra seu clamor com uma certeza inabalável: 'quando me fizeres esse bem'. Ele não termina o salmo em dúvida, questionando se Deus agirá, mas em expectativa, aguardando o momento em que a ação divina transformará sua alma cativa em um coração transbordante de gratidão, cercado por aqueles que também temem ao Senhor.

Queridos irmãos, aprendemos hoje que a caverna — símbolo de dor, solidão, perseguição ou dificuldade — não é o destino final. Como vimos na vida de Davi, podemos passar por momentos de aflição, mas Deus permanece presente, sendo nosso refúgio seguro e nossa força em meio às tempestades.Clamemos ao Senhor! Não importa o quão profunda seja a escuridão, quão grande seja o inimigo ou quão solitária seja a nossa situação, Ele nos ouve, nos sustenta e nos guia para fora da caverna. A oração sincera, intensa e confiada transforma nossa dor, nossa angústia em esperança e nossa solidão em preparação para bênçãos futuras.

Portanto, hoje, levante sua voz, entregue suas queixas e reconheça sua dependência d’Aquele que é fiel. Deus é o nosso refúgio! Ele transforma cativeiros em testemunhos, fraquezas em força e crises em oportunidades de crescimento espiritual. Se você se sente preso, abatido ou sem saída, não se cale — clame ao Senhor! Ele vê, Ele ouve, Ele age, e no tempo certo, Ele nos liberta. Que nossa confiança esteja firmada n’Ele, nosso refúgio eterno. Amem!

 APONTAMENTO:

O Salmo 142 é uma oração.Ele foi escrito por Davi em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Ele estava escondido em uma caverna, fugindo da perseguição do rei Saul, que queria matá-lo. Durante sua fuga de Saul, relatada em 1 Samuel 22 – 24, Davi entrou em cavernas em, pelo menos, duas ocasiões: na caverna de Adulão (1 Samuel 22.1) e em uma no deserto de Em-Gedi (1 Samuel 24.1-3).A oração registrada no Salmo 142 pode ser de uma dessas cavernas.  Pela ênfase no estado solitário do autor, sem amparo de homens, parece mais provável que seja do início de 1 Samuel 22, antes de chegarem os 400 homens que se aliaram a ele.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

 TEXTO: JO 9. 1-41  

TEMA:  JESUS ME CUROU DA CEGUEIRA ESPIRITUAL  

As pessoas acometidas pela cegueira física enfrentam transtornos severos em seu cotidiano, sendo frequentemente privadas de plenas oportunidades de convivência familiar, escolar e profissional, além de restrições em atividades de lazer e cultura. Além disso, enfrentam a discriminação social, sentimento de rejeição, intolerância e o preconceito. Mas há um outro tipo de cegueira, muito mais séria, e para a qual o homem não tem remédio: a cegueira espiritual. Por causa da desobediência a Deus, todos os homens ficaram sujeitos ao pecado, e passaram a  viver nas trevas, na cegueira espiritual. A situação deste homem e sua deficiência ilustram perfeitamente a nossa condição espiritual. Nascemos cegos, em pecado, e "vivemos mortos" em nossos pecados. Que situação terrível: mortos e destituídos da glória de Deus! Enfim, todos nós somos carentes da graça de Jesus em nossas vidas.

 No entanto, Cristo veio salvar o que se havia perdido. A missão de Cristo é inclusiva e extensiva a todos os homens, até mesmo sobre aqueles que eram discriminados pelo seu próprio povo, como era o caso daquele cego, que vivia uma vida sem orientação, sem rumo, sem consolo, sem esperança, que vivia na dúvida e desespero, que viva no pecado. Jesus veio brilhar em sua vida. Veio dissipar as trevas do pecado e encher o seu coração de luz. A obra de Deus na vida daquele homem não se resumia a fazê-lo voltar a enxergar, era muito mais que isto, era uma mudança absoluta, completa e coroada com sua salvação. Isto foi possível porque  Deus nos curou da cegueira espiritual,  na pessoa de seu Filho Jesus Cristo, que nos reconciliou com o Pai. Ele sofreu, morreu e ressuscitou. Pagou a dívida do homem com o seu precioso sangue na cruz do Gólgota. Sacrificou sua vida como cordeiro inocente para obter em favor dos culpados o eterno perdão.

                                                                         I

O texto nos diz que Jesus estava caminhando, e viu um homem cego de nascença. Um cego que  vivia a sua vida na escuridão. Não via a luz desse mundo. E durante muitos anos, sem dúvida, estava acostumado a ficar  assentado, sozinho, abandonado, pedindo esmolas, dependendo da bondade, caridade e da compaixão de outras pessoas. Um cego que perante a sociedade da época não tinha valor algum. Era desprezado. Nas culturas antigas, as pessoas cegas não tinham escolha senão serem mendigas. Além disso,  os rabinos acreditavam que qualquer malformação de nascença na família significava pecado dos antepassados. Por isso, os discípulos entendiam que uma deficiência física como a cegueira era um castigo pelo pecado. Sendo assim, eles questionam Jesus: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para nascesse cego?”(v.2). Teria ele nascido assim por causa de algum pecado?

Jesus corrigiu os discípulos. Ele rejeitou essas teorias como explicações inadequadas. Mostra que não havia nenhum castigo e nenhuma maldição hereditária sobre a vida daquele homem. Sendo assim, Jesus estabelece o propósito e não a causa, conforme os discípulos pensavam: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas para que nele sejam manifestadas as obras de Deus!” (v.3). Jesus explicou que a cegueira do homem não tinha nada a ver com seu pecado ou com o pecado de seus pais. O Senhor, porém, vê nele uma oportunidade para manifestar o seu poder e a sua graça, para glorificação de Deus.

Ele aproveita a ocasião para mostrar que havia urgência na realização de sua missão, que o Pai lhe confiou, enquanto havia tempo, logo viria a noite quando ninguém pode trabalhar: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10).E ainda é enfático nas suas palavras: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo!”  (v.5).Jesus  veio brilhar esse mundo, iluminar nosso caminho. Ele é a solução para o mundo em trevas espirituais. Por isso, Jesus veio brilhar a vida daquele cego. Veio dissipar as trevas do pecado e encher o seu coração de luz. Ele disse: “Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (Jo 8.12).Somente quando conhecemos a luz é que podemos de fato, conhecer quem somos e para onde  caminhamos. Mas quando nos distanciamos da luz, nos tornamos cegos espiritualmente.

                                                                   II

Havendo dito isso, Jesus, então, cuspiu no chão, fez barro e, dirigindo-se ao cego, passou-lhe a mistura nos olhos, ordenando-lhe que fosse lavar-se no tanque de Siloé. Esta não foi a única vez que o Mestre agiu dessa maneira. Em outras duas ocasiões, de forma inexplicável, Ele também fez uso da saliva para realizar milagres (Mc 7.33; 8.23). Aplicar sobre o olho de alguém cego uma espessa camada de lama, contraria a lógica humana. Contudo, o Senhor age da forma que lhe apraz e no momento que lhe convém. Por mais inconcebível que possa parecer à mentalidade moderna, o cego obedeceu e foi ao tanque de Siloé lavar os seus olhos. Ele, aparentemente, não conhecia nada sobre Jesus, mas, obedeceu, voltando então ,completamente, curado (v.7). A alegria passa a resplandecer em sua face. Agora, podia contemplar todas as belezas da natureza criada por Deus. Um mundo estampado de paisagens coloridas diante de seus olhos. Foi um feito extraordinário na vida daquele cego. A cura milagrosa é uma evidência da verdade que Jesus havia ensinado:  Ele é a Luz do mundo, capaz de trazer a visão ao cego.

Entretanto, o milagre operado por Jesus gera conflito, dúvida e até mesmo divisão de opinião entre aquelas pessoas que conheciam o cego. Alguns estavam plenamente convencidos de sua identidade, porquanto o tinham visto com frequência, provavelmente, durante anos. Mas outros, que não o conheciam bem, vendo-o, agora, de olhos abertos, não podiam reconhecê-lo como o mesmo indivíduo que costumava pedir esmolas nas imediações. Por isso, não tinham tanta certeza sobre a sua identidade. Mas  o maior conflito e dúvida estava entre os fariseus. Não puderam entender como esse Jesus pudesse curar um cego de nascença. E questionam o cego: “Como chegara a ver?” A resposta do cego:  “ Aplicou lodo aos meus olhos, lavei-me e estou vendo”(v.15). Os fariseus respondem: “Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado”. “Como pode um homem pecador fazer tamanhos sinais?”(v.16).

Os fariseus ainda não estão satisfeitos com a resposta do ex-cego e resolvem interrogar os seus pais. Mas seus pais disseram que não sabiam, e que perguntassem a ele, porque ele tinha idade suficiente para responder por si só. Resolveram interrogar o cego pela segunda vez: “ Dá gloria a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador”(v.24).No entanto, o ex-cego não tem o mesmo pensamento que os fariseus a respeito de Jesus, E por isso, dá uma resposta dura aos fariseus, e é ao mesmo tempo a sua confissão: “Se é pecador, não sei, uma coisa sei: Eu era cego e agora vejo”.(v.25 ) . Perguntaram-lhe ainda : Que é o que te fez? como te abriu os olhos? (v.27). 

Eram tantas perguntas, mas o cego só tinha uma resposta: Já vo-lo disse, e não ouvistes! E questiona  os fariseus: Por que quereis ouvir outra vez? porventura quereis também vós vos tornar seus discípulos? (v.28) Injuriaram-no e disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés.(v.29). Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos donde ele é. O mendigo fica surpreso e diz: “Certamente isso é de admirar! Vocês não sabem de onde ele vem e, contudo, ele abriu os meus olhos.” Então o homem usa um raciocínio claro sobre quem Deus ouve e aprova: “Sabemos que Deus não escuta pecadores, mas, se alguém teme a Deus e faz a sua vontade, ele escuta a essa pessoa. Desde a antiguidade, nunca se ouviu falar que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença.” Isso o leva a concluir: “Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer absolutamente nada.”

Não é a primeira vez que os fariseus questionam sobre os milagres de Jesus. Em várias ocasiões tornaram-se cegos espirituais. Não aceitavam Jesus como Messias prometido e enviado por Deus. Contestavam as suas palavras. Estavam constantemente provocando a Jesus, armando ciladas e tumultuando as suas pregações, querendo com isso ridicularizar a sua obra. Eles não acreditavam que Deus Pai estivesse com Jesus, que houvesse uma relação de Pai e Filho entre eles, e que Ele fora enviado  pelo Pai.

Conta-se que três cegos tocaram algumas partes de um elefante, mas nenhum deles percebeu que tocavam um elefante. O cego que tocou a tromba, disse “estou tocando uma grande mangueira”, o cego que pegou no rabo, afirmou “trata-se de uma corda”, o cego que tocava uma das pernas afirmou que se tratava do “tronco de uma árvore”. Nenhum deles percebeu a verdadeira realidade. Eram cegos, e só tocaram em partes isoladas. Assim são os cegos espirituais, não percebem a realidade que os cerca e que os espera. Será que este não é o problema dos nossos dias atuais? Hoje, a maioria dos homens, em todo o mundo, continuam em sua cegueira espiritual, em sua incredulidade, não aceitando a Jesus como enviado por Deus para buscar e salvar o perdido. Devemos pedir a Deus que abra os nossos olhos e não nos deixe ser enganados pelas armadilhas de Satanás. Ele é especialista em cegar as pessoas, para que elas não recebam a salvação através de Jesus Cristo. A intenção dele é fazer com que as pessoas fiquem presas apenas a este mundo

                                                             III 

No entanto, Jesus se revela ao cego para que pudesse reconhecer quem era o Filho do homem e para que pudesse exercer plena confiança nele. De um lado, Cristo o Messias prometido, de outro, um homem que após uma vida de trevas, passa a viver na verdadeira luz. Os dois conversam, Cristo pergunta: Se o cego crê nele, o Messias, e o homem em resposta, dá o seu testemunho: “Creio, Senhor”.(v.38). Mostra-se inclinado a receber as palavras que identificavam como o Messias, e se mostra disposto a segui-lo como seu discípulo. O cego chega a uma conclusão de que aquele homem não era pecador, e que a obra que Ele realizara naquela cura extraordinária, fora feita no poder de Deus.

A obra de Deus na vida daquele homem não se resumia a fazê-lo voltar a enxergar, era muito mais que isto, era uma mudança absoluta, completa e coroada com sua salvação. Isto foi possível porque  Deus nos curou da cegueira espiritual,  na pessoa de seu Filho Jesus Cristo, que nos reconciliou com o Pai. Ele sofreu, morreu e ressuscitou. Pagou a dívida do homem com o seu precioso sangue na cruz do Gólgota. Sacrificou sua vida como cordeiro inocente para obter em favor dos culpados o eterno perdão.

Por isso, devemos unir as nossas vozes  e dizer de coração “Creio, Senhor”. Senhor abre os nossos olhos da cegueira espiritual para que aprendamos a ver o mundo e o seu sofrimento com os olhos de tua luz.

APONTAMENTO:

O relato de João, porém, fornece o único registro de Jesus cuspindo na terra e formando lodo. Desde a antiguidade, pensava-se que o cuspe ou saliva possuía algum poder medicinal. Mas os judeus desconfiavam de qualquer pessoa que usasse saliva para curar, porque tal atitude estava associada com artes mágicas. Vale a pena notar, porém, que o papel da saliva de Jesus na cura era principalmente o de fazer lodo. Jesus não usava objetos aleatórios sem um propósito específico. Primeiro, Jesus usou o lodo para ajudar a desenvolver a fé do homem (ele tinha que fazer o que Jesus lhe disse: ir e se lavar em um certo tanque). Segundo, Jesus amassou o lodo com suas mãos a fim de colocá-lo sobre os olhos do homem. Isto constituía ‘trabalho’ em um dia de sábado e iria perturbar os fariseus. Jesus tinha muito que lhes ensinar sobre Deus e o seu sábado” (Comentário do Novo Testamento, p.544.v.  RJ: CPAD, 2004.

Siloé é uma tradução grega σιλωαμ ,  do nome hebraico   שלח que significa “O Enviado”. O tanque de Siloé tinha sido construído pelo rei Ezequias. Seus trabalhadores tinham construído um túnel subterrâneo da Fonte de Giom no Vale de Cedrom, fora de Jerusalém. Este túnel canalizava a água para o tanque de Siloé dentro dos muros da cidade. Localizado na extremidade sudeste da cidade, o túnel e o tanque foram originalmente construídos para ajudar os habitantes de Jerusalém a sobreviverem em tempos de cerco. É encontrado três vezes na bíblia: Ne 3. 15 (“Açude de Selá” – ARA; “Tanque de Siloé” – NVI; em hebraico neste texto de Neemias – Selá  – שלון); Is 8. 6 (“as águas de Siloé”) e Jo 9. 7 (“tanque de Silóe”).