sexta-feira, 1 de maio de 2026

TEXTO: JO 14.15-21

TEMA:  O ESPÍRITO SANTO, O NOSSO  CONSOLADOR!

O texto proposto para este final de semana é a continuidade dos versículos anteriores, os quais nos mostram Jesus fazendo um discurso de despedida aos seus discípulos. Ele afirma que, na casa de seu Pai, há muitas moradas e declara ser o caminho, a verdade e a vida.

No texto de hoje, Jesus dá sequência à sua conversa com os discípulos. São as últimas horas que Ele passa com o seu grupo antes de ser preso pelos soldados romanos, guiados por Judas Iscariotes, no jardim do Getsêmani. Nesse momento, os discípulos estão reunidos ao redor da mesa, partilhando o pão e participando da angústia de Jesus.

Então, Jesus antecipa fatos e eventos futuros aos seus discípulos. Ele deseja encorajá-los, oferecendo esperança diante da preocupação que sentem sobre como cumpririam a missão quando Ele não estivesse mais fisicamente presente, especialmente diante do medo e das perseguições que viriam.

Diante dessa situação, Jesus promete que, após a sua partida, enviaria outro Consolador. Esse Consolador, o Espírito Santo, faria companhia aos discípulos e os ajudaria na missão de serem verdadeiros seguidores de Cristo (Jo 14.16–26; 16.13). Ele os ensinaria todas as coisas e os faria lembrar de tudo quanto haviam ouvido do Salvador. Dessa forma, seriam guiados pelo Espírito Santo em toda a verdade.A diferença nos discípulos é evidente após o cumprimento da descida do Espírito Santo sobre eles. Aqueles discípulos, antes confusos, ao receberem o Espírito Santo, tornam-se convictos das verdades concernentes a Jesus. Sob o poder do Espírito Santo, cumprem sua missão de forma destemida, conforme registrado no livro de Atos.

A presença do Espírito Santo na vida dos primeiros discípulos foi fundamental para que pudessem levar adiante a mensagem do Evangelho. É claro que também precisamos do auxílio do Espírito Santo para termos certeza acerca das verdades a respeito de Jesus e, assim, podermos anunciar o Evangelho com poder.Enfim, precisamos agradecer ao Senhor por ter cumprido a sua promessa ao enviar o seu Espírito para estar sempre conosco e nos capacitar a sermos verdadeiros discípulos de Cristo Jesus.

Estimados irmãos, Jesus, sabendo que nas próximas horas seria crucificado, começou a revelar aos seus discípulos os acontecimentos finais. Essa despedida gerou neles um profundo sentimento de tristeza e desânimo. Ao observar essa cena e vê-los abatidos, Jesus os consola.Ele entende que, naquele momento, o mais importante para os discípulos era manter uma relação profunda de comprometimento e lealdade. Sendo assim, deveriam demonstrar seu amor por Ele, pois o próprio Jesus sempre lhes demonstrou amor e os ensinou a amarem uns aos outros. Então, Jesus parte do princípio de que amar implica obedecer aos seus mandamentos. Ele expressa claramente essa verdade ao afirmar: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (v.15).

Jesus os orienta a demonstrar esse amor na prática. Amar a Jesus é aderir incondicionalmente ao seu projeto de vida plena e abundante. É permanecer em sua Palavra, que conduz à verdade que liberta. Amar a Jesus é acolher, obedecer e guardar os seus mandamentos, pois é na prática do amor que se reconhece quem é, de fato, seu discípulo.Por isso, o desânimo e a falta de esperança que os discípulos estavam vivendo não deveriam prevalecer, pois, à medida que demonstrassem amor a Jesus e obedecessem aos seus mandamentos, encontrariam força, direção e esperança para seguir adiante.

É verdade que precisamos amar, pois foi para isso que fomos criados: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Para alcançar esse propósito, já temos o caminho: seguir, praticar, guardar e obedecer aos mandamentos, como o próprio Jesus fez. Podemos afirmar que os mandamentos aos quais Jesus se refere constituem todo o conjunto daquilo que Ele requer de seus discípulos durante a caminhada de carregar a cruz — ou seja, a vivência cristã. Essa vivência consiste no amor a Deus e na obediência à sua Palavra e aos seus ensinamentos. Esse foi o grande desafio na vida dos discípulos.

Jesus foi o maior exemplo, pois demonstrou seu amor a Deus por meio da obediência. Sendo assim, também devemos demonstrar nosso amor por Jesus por meio dessa mesma obediência. Esse continua sendo o grande desafio de todo aquele que afirma amar ao Senhor. Quando amamos a Deus, nosso amor pelos seus filhos também se expressa na obediência aos seus mandamentos, conforme está escrito: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1 Jo 5.2–3). Portanto, aqueles que amam o Senhor encontram prazer, alegria, contentamento e satisfação em tudo o que Ele ensinou e, certamente, desejam conhecer e cumprir a sua vontade. Este é o caminho.

Diante da expectativa da partida de Cristo, os discípulos ficaram perplexos com a notícia. Perceberam que Jesus estaria por pouco tempo em sua companhia. Conhecendo as limitações deles, Jesus lhes deu a garantia de que, em sua ausência física, não estariam entregues à própria sorte. Ele não os deixaria sozinhos.Eles deveriam amá-lo e obedecê-lo, e, por sua vez, Jesus promete a vinda de outro Consolador: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador” (v.16a). Essa é uma declaração de grande encorajamento aos discípulos, pois Jesus intercede ao Pai em favor deles.

O termo grego παράκλητος merece atenção. Ele é traduzido como “Consolador”, mas também pode ser entendido como Auxiliador, Advogado, Ajudador ou Conselheiro (como na NVI). O significado aponta para “aquele que é chamado para ajudar alguém”. Ainda pode ser compreendido como aquele que vem em favor de outro: mediador, intercessor, ajudador — alguém que auxilia, defende e acompanha, como um advogado ou representante.Portanto, Jesus assegura que seus discípulos não ficariam desamparados, mas seriam acompanhados continuamente Consolador que os ajudaria, orientaria e fortaleceria em todos os momentos.

Outra questão importante neste versículo é que Jesus descreve o παράκλητος como “outro Consolador”. Essa expressão (ἄλλον Παράκλητον) possui um significado profundo no texto original grego.  Indica que Jesus faz referência a si mesmo como Consolador e promete a vinda de outro que daria continuidade à sua obra. Trata-se de alguém da mesma natureza, essência e caráter — alguém que realizaria, pelo Espírito, a continuidade do ministério de Cristo entre os discípulos.Esse Consolador viria para permanecer com eles para sempre: “a fim de que esteja para sempre convosco” (v.16b). Aqui, é importante observar o termo grego αἰών,(sempre) que carrega a ideia de tempo perpétuo, eternidade.Isso significa que o Consolador não seria uma presença temporária, mas permanente. Ele permaneceria continuamente com os discípulos, ensinando, confortando, aconselhando, defendendo e intercedendo. Desse forma, a promessa de Jesus não aponta apenas para um auxílio momentâneo, mas para uma presença constante e eterna na vida daqueles que o seguem.

Entretanto, Jesus prossegue afirmando que o Paráclito é o Espírito da verdade. Ele é aquele que dá testemunho da verdade, ou seja, da verdade que o próprio Jesus é. Além disso, declara que o mundo não pode receber o Espírito da verdade, “porque não o vê, nem o conhece” (v.17a).O termo grego κόσμος (mundo) pode significar “ordem”, “organização”, “beleza” e “harmonia”, referindo-se ao universo em sua totalidade. Contudo, no sentido bíblico, especialmente nos escritos de João, também é utilizado para descrever a humanidade afastada de Deus, um sistema de vida que se opõe a Ele.Nesse contexto, o termo carrega a ideia de imperfeição, maldade e distanciamento do Senhor.

Quando João fala sobre o κόσμος, ele se refere às pessoas que vivem como se Deus não existisse. Organizam suas vidas segundo seus próprios valores e deixam Deus de lado, considerando-O irrelevante. Ao rejeitarem a Deus, passam a viver em função desse sistema mundano. Como está escrito: “Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve” (1 João 4.5).Essa linguagem é clara e revela por que o mundo não pode receber o Espírito da verdade: “porque não o vê, nem o conhece” (v.17b). O mundo rejeita a Cristo (João 7.7), odeia os seus escolhidos (João 15.19; 17.14) e, por isso, não pode aceitar o Espírito, pois não possui relacionamento com Ele. Em síntese, o mundo permanece incapaz de acolher o Espírito da verdade justamente por estar distante de Deus e fechado à sua revelação.

No entanto,Jesus diz aos discípulos: “vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.(v.17c).Embora o mundo não vê e nem reconhece o Espírito da verdade, Jesus diz aos discípulos: “vós o conheceis.” O verbo γινώσκω (conhecer) significa chegar a saber, vir a conhecer, obter conhecimento de, perceber, sentir.Entende-se que os discipulos já conheciam o Espirito Santo.Ele estava  presente ou ativo antes de Pentecostes sob a antiga aliança, Ele esteve presente no AT de forma geral.( Gn 6.1;Cr 12.18; Sl 51.1: Sl 143.10; Ez 36.27). Os discípulos, portanto, já o conhecem, melhor do que pensam,e o conhecerão em breve, como Cristo prometeu, de uma forma sem precedentes, pessoalmente e permanentemente, depois que Jesus for exaltado

E de fato,os discípulos tiveram oportunidade de conhecer o Espírito da verdade no dia de Pentecostes.Lemos em Atos: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam reunidos. E apareceram línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. (At 2.1-3).O Espirito Santo passou habitar na vida dos discipulos.Ensinaram e suas palavras tornaram-se poderosas,e houve mudanças reais e permanentes: cerca de três mil pessoas se converteram, fruto da ação do Espírito Santo.

No entanto, Jesus diz aos discípulos: “vós o conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (v.17c). Embora o mundo não veja nem reconheça o Espírito da verdade, Jesus afirma que os discípulos o conhecem. O verbo grego γινώσκω (conhecer) significa chegar a saber, vir a conhecer, perceber, experimentar. Isso indica um conhecimento relacional, não apenas intelectual.Entende-se, portanto, que os discípulos já conheciam o Espírito Santo. Ele já estava presente e atuante antes de Pentecostes, inclusive na antiga aliança, conforme testemunha o Antigo Testamento (Gn 6.1; 1Cr 12.18; Sl 51.11; Sl 143.10; Ez 36.27). Sendo assim,conclui-se que  os discípulos já tinham alguma experiência com a ação do Espírito, ainda que não de forma plena. Jesus, porém, promete que esse conhecimento se tornaria mais profundo, pessoal e permanente após sua exaltação.

De fato, os discípulos tiveram a oportunidade de conhecer o Espírito da verdade de maneira plena no dia de Pentecostes. Como lemos em Atos 2.1–3: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam. E apareceram línguas como de fogo, que pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo.”A partir desse momento, o Espírito Santo passou a habitar neles de forma permanente. Eles foram capacitados, suas palavras se tornaram cheias de poder e ocorreram mudanças reais e duradouras. Como resultado, cerca de três mil pessoas se converteram, fruto da poderosa ação do Espírito Santo na vida dos discípulos.

Jesus continuou com suas palavras de encorajamento e prometeu aos discípulos que não os deixaria órfãos, pois ainda se sentiam abandonados (v.18a). Quando falamos de órfãos, pensamos naqueles que perderam pai, mãe ou ambos — pessoas desprovidas de amparo e cuidado. De certo modo, essa imagem expressa também a realidade humana: em meio à transitoriedade da vida, à hostilidade e às dificuldades deste mundo, muitas vezes nos sentimos desamparados.

Entretanto, Jesus afirma claramente que não nos deixará órfãos. Temos a segurança e a certeza de sua presença, tanto na pessoa e obra de Cristo quanto na pessoa e obra do Espírito Santo, reveladas na Palavra e nos sacramentos. Não estamos abandonados.Além disso, Ele declara: “voltarei para vós outros” (v.18b). O verbo grego ἔρχομαι (vir/voltar), aqui no presente, pode ser entendido como “estou voltando”, indicando uma ação certa e imediata. Isso aponta para a continuidade da presença de Jesus junto aos seus discípulos. Ele não apenas promete voltar no futuro, mas assegura que sua presença seria real e constante, fortalecendo e consolando os seus em todos os momentos.

Essa questão fica ainda mais clara quando Jesus afirma: “Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais” (v.19a). Em poucas horas, Ele seria crucificado, e os incrédulos não o veriam mais fisicamente, nem mesmo após a sua ressurreição. Contudo, Jesus declara: “vós, porém, me vereis” (v.19b), ou seja, “Eu virei a vocês, e vocês me verão”. De fato, após a ressurreição, os discípulos tiveram a oportunidade de vê-lo. Assim, Jesus cumpre sua promessa: seus discípulos o veriam, enquanto o mundo não o veria.

Isso é possível por causa do poder e do significado da ressurreição, como Ele mesmo afirma: “porque eu vivo, e vós vivereis” (v.19c). Jesus continua vivo — Ele ressuscitou. A sua ressurreição é a garantia de que nós também viveremos. Essa é a base da nossa esperança e do nosso consolo em tempos de angústia, de sentimento de abandono e diante da realidade da morte.Se Ele não tivesse ressuscitado, essas palavras seriam motivo de profunda tristeza tanto para os discípulos quanto para nós. Mas Jesus os consola ao revelar a provisão que Ele e o Pai estabeleceram para suprir a ausência física entre sua partida e seu retorno no fim dos tempos: a vinda do “outro Consolador”, o Espírito Santo.

Jesus afirma que “naquele dia” — isto é, após a sua ressurreição e a vinda do Espírito —, quando sua vida lhes fosse plenamente revelada, os discípulos receberiam a certeza de que Ele vive. Então, “vós conhecereis que eu estou em meu Pai” (v.20a), ou seja, estariam plenamente convencidos dessa verdade essencial.Até aquele momento, porém, os discípulos ainda não compreendiam claramente o relacionamento entre Jesus e o Pai. Mas, diante da despedida e da dura provação que se aproximava, Jesus lhes abre o coração e revela essa realidade profunda: há uma unidade perfeita entre Ele e o Pai. Ele veio em nome do Pai, fala em nome do Pai e realiza as obras do Pai. Suas palavras não são independentes, mas expressão da vontade divina, pois o Pai, que nele habita, é quem realiza a sua obra.Portanto, Jesus ensina que existe uma comunhão íntima e inseparável entre o Pai e o Filho. Essa revelação seria plenamente compreendida pelos discípulos “naquele dia”, quando, iluminados pelo Espírito Santo, passariam a entender de forma clara essa unidade divina.

O Espirito da verdade continuou habitando na vida dos discipulos. Continuou os guiando,iluminando a mente para que entendessem a pregação do Evangelho e os ensinassem a todas as nações.Da mesma forma o Espirito da verdade habita em nós e coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele é o verdadeiro guia, mostrando o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes.Ele é o Consolador também em meio aos nossos gemidos, lágrimas e sofrimentos. Através do Espírito Santo, somos lembrados que em Jesus Cristo, Deus enviou seu Filho,nasceu,sofreu,morreu, ressuscitou, e venceu o diabo e a morte.

Outro promessa importante, que os discípulos conheceria, é que havia uma unidade entre Ele e seus discípulos:   “e vós em mim, e eu, em vós.”(v.20b). Em outra ocasião Jesus diz aos discípulos: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.” (João 15. 4). O que significa permanecer? Permanecer significa, ficar, esperar; ter uma relação vital, uma relação profunda, uma dependência total  com Jesus.  Esta permanência é mútua, dos discípulos com o Senhor e do Senhor com os discípulos, e define uma relação de profunda comunhão entre ambos, similar à comunhão que existe no amor do Filho e o Pai.Todas essas promessas têm a finalidade de animar e consolar os discípulos, preparando-os para os tempos depois da ascensão de Jesus. E a maior de todas as promessas é que eles terão o Consolador.Mas era necessário que os discipulos mantivessem comunhão constante,permanente com Cristo, uma vez que essa comunhão era  fundamental para que pudessem ter uma vida abençoada, capaz de realizar a missão proposta por Cristo.

 Jesus agora retoma a verdade apresentada no versículo 15 e a reforça ao afirmar: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (v.21a). O amor por Jesus é evidenciado não apenas por palavras, mas por uma vida que acolhe e obedece aos seus mandamentos.O verbo “ter”, nesse contexto, não significa apenas “receber” ou “possuir”, mas também “compreender”, “assimilar” interiormente. Ou seja, não se trata de algo superficial, mas de uma compreensão que envolve mente e coração, resultando em prática.Diante disso, surge a pergunta: seriam esses mandamentos apenas uma lista de regras e leis a serem cumpridas? A resposta é não. Compreender os mandamentos de Jesus vai muito além de seguir normas externas; envolve abraçar todo o propósito do ensinamento da Palavra de Deus. Trata-se de uma relação viva com a verdade que Ele revela.Por isso, o próprio Jesus declara: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Assim, guardar os mandamentos é permanecer na Palavra, viver segundo a verdade e experimentar a liberdade que vem de uma vida em comunhão com Cristo.

De fato, quando permanecemos em sua  palavra, a nossa vida se encontra em inteira consonância com ele. Ele afirma: “esse é o que me ama.” (v.21a). Nas palavras de  Jesus, é o amor que ocupa o centro.Mas vamos entender o que significa amar a Jesus!Amar a Jesus é refletir o amor que Deus tem por nós, pois “nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho” (1 João 4.10). Amar Jesus é uma relação ativa, permanente e contínua de seguimento e obediência ao nosso Salvador: "Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos" (1 João 2.3). Amar a Jesus é cuidar daqueles que Ele ama (1 João 4.19; 21.16).Portanto,”aquele ama será amado pelo Pai”(v.21c).  Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou” (João 14.23-24)

Enfim,aqueles que guardam os meus mandamentos  "Eu (...) me manifestarei a [eles]"(v.21d).Manifestar é mostrar, fazer aparecer, colocar diante dos olhos para que um objeto possa ser visto. Isso significa que Jesus se mostraria ou revelaria a seus seguidores para que eles vissem depois da sua ressurreição e soubessem que ele era o Salvador deles. De fato,Jesus  continua manifestando seu poder e bondade a todos aqueles que acreditam e lhe obedecem, até o fim do mundo. Esta é a grande bênção que vem para aqueles que valorizam e praticam os seus mandamentos.Por isso, devemos permanecer no Senhor,manter comunhão constante com ele, sempre firmados no seu grande amor por nós, e manifestando este mesmo amor para com nossos irmãos,

Como é maravilhoso saber que o mesmo Espírito Santo, que esteve presente na criação da terra, que se manifestou em forma de pomba no batismo de Cristo, que acompanhou os apóstolos no surgimento da Igreja Cristã, continua presente na vida do cristão, convencendo “do pecado, da justiça e do juízo”. É o Espírito de que a nossa época tanto precisa: aquele que consola no desespero do pecado, orienta na confusão deste mundo, conduz à fé em Jesus Cristo, fortalece a esperança da vida eterna e nos concede o privilégio de sermos chamados “filhos de Deus.

Portanto, estimados irmãos, agradeçamos ao Senhor por ter enviado o Espírito Santo para guiar os discípulos, pois Ele veio trazer conforto e abrigo, livrando-os do medo, da dúvida e da angústia. Hoje, temos a certeza de que Ele também está conosco em todo o tempo, ajudando-nos e capacitando-nos a realizar aquilo que, por nós mesmos, não conseguiríamos cumprir na missão de anunciar Cristo a todos.

Que possamos andar no Espírito, viver no Espírito e obedecer ao Espírito. Amém!

quinta-feira, 30 de abril de 2026

TEXTO:SL 66

TEMA: LOUVEMOS A DEUS POR SEUS GRANDES FEITOS

O Salmo 66 é um hino de gratidão a Deus por seu livramento. Não sabemos o autor, nem a circunstância da sua composição. Mas pelos exemplos, expressões e estilo citados, é possível que seja de Davi. O Salmo oferece uma grande contribuição à nossa compreensão do valor do louvor bíblico. No decorrer do Salmo, o poeta fala de um louvor descritivo, exaltando a Deus pelo que é e pelo que faz, bem como um louvor declarativo, adorando a Deus por determinadas respostas específicas às suas orações. Ele coloca diversos motivos que nos levam a reconhecer a grandeza de Deus. Ele mesmo reconhece as grandes obras de Deus do passado, tais como a abertura do Mar Vermelho nos dias de Moisés e a travessia dos israelitas no Rio Jordão nos dias de Josué. Israel se alegrou sobremaneira no Senhor, em ambas as ocasiões.

O salmista passou por uma grande crise, a qual ele chama de “minha aflição” que o levou a fazer voto, e clamar a Deus em oração. Pelo modo como se expressa no salmo, é provável que tenha sido uma crise nacional, afligindo todo o povo. Entretanto, essa crise havia cessado por uma ação poderosa do Senhor. Diante da grande libertação, toda a nação está tremendamente feliz e o salmista se vê, não apenas devedor, mas desejoso de oferecer a Deus todo louvor e agradecimento com toda sua força. Sendo assim, ele convida a todos, não apenas o povo de Israel, mas os povos que habitam todas as terras se unirem a louvar ao Senhor por suas obras: “Aclamai a Deus, toda a terra. Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor” (vs.1 e 2).

Essa atitude do salmista, em demonstrar sua gratidão, aclamando, glorificando, enaltecendo o poder de Deus, tem um motivo: “quão tremendos são os teus feitos!” (v.3a). A palavra “tremendos” significa que seus atos são tão grandes que eles causam espanto e admiração. As obras de Deus causam sensação de assombro e admiração (Salmo 19.1,2). Diante desta grandiosidade do poder de Deus, todos os povos da terra são convidados a salmodiar a glória do nome do Senhor, prostrando-se perante Deus. (v.4). O termo “prostrar”, “curvar” significa render honra prestar reverência e homenagem a alguém em admiração e reconhecimento de sua posição hierárquica superior. Esta honra até mesmo os inimigos se mostram submissos à grandeza divina: “Pela grandeza do teu poder, a ti se mostram submissos os teus inimigos”. (v.3b).

Também somos convidados a exaltar e proclamar os grandes feitos de Deus, pois são impressionantes em nossas vidas. Deus nunca está distante. Ele ouve nossas súplicas e não afasta de nós o seu amor. Olhando para o passado, lembramos quão bom o Senhor tem sido em nossas vidas. Ele manifestou a sua graça ao longo da história, e continua a manifestá-la até hoje. Isto se verifica nas bênçãos materiais e espirituais, no cuidado e proteção, no conforto diante de uma enfermidade ou aflição, na direção da vida, mas principalmente da salvação do homem através de Jesus Cristo. Por isso, este é o momento de reconhecimento do homem para com Deus, agradecendo pelas bênçãos recebidas. Como Paulo escreveu aos Tessalonicenses: “Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus” (I Ts 5.18).

No versículo 5, o salmista estende o convite a todas as nações para adoração a Deus: “Vinde e vede as obras de Deus: tremendos feitos para os filhos dos homens”. “Vinde e vede” é um convite para reconhecer as obras maravilhosas manifestadas junto ao povo de Israel. Quais são estas obras? O salmista relembra feitos grandiosos de Deus a fim de comparar a atuação do passado com a que ele presenciou com seus olhos no momento. O texto relembra dois fatos impressionantes: “Converteu o mar em terra seca atravessaram o rio a pé; ali, nos alegramos nele.” (v.6). Essa é uma clara menção do poder de Deus demonstrado nos feitos miraculosos ao abrir o mar Vermelho para que o povo pudesse passar. (Ex 14.15-31), e parar o curso de água do rio Jordão para Israel iniciar a conquista de Canaã (Js 3.12-17). Quanta alegria houve em Israel naqueles dias! O povo exultou no Senhor, cujo poder e domínio nunca terminam.

Esta grandiosidade de Deus demonstra que o universo é governado pelo Criador e todas as coisas existentes cumprem o seu desejo. Ele tem um propósito para a humanidade e cumprirá os seus desígnios. O salmista resume este pensamento ao dizer: “Ele, em seu poder, governa eternamente; os seus olhos vigiam as nações não se exaltam os rebeldes.” (v.7). Na verdade, Deus é o controlador da história e das nações: “Teus olhos vigiam as nações” É interessante que a recordação dos seus feitos do passado é um dos instrumentos que o povo de Deus sempre utilizou para enfrentar os problemas do presente. O que realizou no passado serve de parâmetro para que o povo reconhecesse a grandiosidade das obras de Deus. Jeremias em suas Lamentações relembra os acontecimentos do passado: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (3.21). O profeta estava lembrando, recordando, trazendo de volta algo que poderia dar esperança. Estava recordando a grandiosidade que Deus tinha demostrado ao seu povo no passado.

Assim, deve ser a vida do cristão. Olhar diariamente as bênçãos recebidas, reconhecendo que elas vêm do Senhor, e dando graças a ele por tão grande amor. Ao contemplar estas bênçãos maravilhosas, perguntamos: O que Deus tem feito em nossas vidas? O que ainda fará no futuro? Ele tem realizado grandes feitos em nossas vidas e continua realizando! Esta confiança deve nos ajudar nos momentos em que nos sentimos incapazes de superar um problema que nos aflige. Devemos contemplar o Senhor, suas obras, sua Palavra, seus feitos, sua memória viva em nossa história. Olhar para Deus nos lembra de que, não importa a origem ou causa de nossa aflição, o final último de nossa vida está em Deus e em suas promessas de aliança e resgate.

Ao lembrar toda a grandiosidade das obras de Deus, o salmista convida a todos a agradecer a Deus: “Bendizei, ó povos, o nosso Deus, fazei ouvir a voz do seu louvor”. (v.8). Bendizer significa reconhecer, elogiar. Já o termo louvor significa glória, cânticos de louvor, exaltar. Portanto é um convite para louvar e adorar, reconhecendo a magnitude de Deus por suas obras e feitos. Lembrar que Deus “preserva com vida a nossa alma e não permite que nos resvalem (escorregar) os pés”, (v.9), mostrando assim o seu cuidado, proteção e condução no nosso caminhar. Lembre-se: só Deus pode fazer com que nossos pés não fraquejem, não vacilem. Só Deus pode nos firmar em momentos tão difíceis pelos quais temos passado. Nenhum filho de Deus permaneceria de pé, por um momento sequer, diante de abismos, armadilhas, fraquezas físicas e inimigos sutis, se não fosse por causa do fiel amor de Deus, que não permitirá que os pés de seus filhos vacilem. Portanto, temos muitos motivos para louvar, adorar e render graças ao Senhor.

O salmista ainda, no reconhecimento dos feitos e propósitos de Deus, O bendiz também nas tribulações, nas lutas, na angústia, nas lágrimas, na dor, afirmando, “pois, Tu, Ó Deus, nos provaste” (v.10a). O salmista entendeu o propósito de Deus através das provações. Ele admite que a provação é algo essencial na vida do povo, por causa dos pecados em Israel. O povo precisava ser lapidado, transformado, regenerado, purificado pelo próprio Deus: “acrisolaste-nos como se acrisola a prata” (v.10b). Outra tradução seria: “Tu nos purificaste assim como se purifica a prata”.  O verbo acrisolar significa tirar as impurezas, aperfeiçoar, apurar, dar qualidade. Como todo o metal, a prata precisa ser lapidada para que tenha algum valor comercial. Para que isto ocorresse, colocava-se a pedra bruta de prata no crisol, submetendo-a a altíssimas temperaturas. O crisol é um vaso de fundir metais, como prata e ouro.

Deus fez isso com Israel. Colocou Israel no fogo para retirar as impurezas e deixar o povo mais puro, e esse processo se repetiu várias vezes, porque Deus não queria ver seu povo destruído, mas purificado. Por isso, Deus havia colocado seu povo em situações tão difíceis que não podia resolver sem o auxílio do Senhor: “Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas”. (v.11). “fizeste que os homens cavalgassem sobre nossas cabeças”. (v.12a). Era como se tivessem sido obrigados a passar por chamas ardentes e inundações furiosas: “...passamos pelo fogo e pela água...” (v. 12b). Apesar disso, Deus não permitiu que o povo fosse derrotado. Pelo contrário, trouxe-o para um lugar espaçoso, ou seja, uma terra onde havia amplos rios, nascentes e córregos, produzindo fertilidade e abundância.

O mesmo acontece conosco. Encontramo-nos numa época de tantas provações. Deus nos dá diversas provas e literalmente nos coloca no fogo para nos acrisolar. E quando passamos por essas provações, ficamos sem alegria, sem paz e em desespero. São situações que nunca pensávamos em viver, e parecem que nunca terão fim. É nessas horas que os questionamentos a Deus começam a surgir:  Que Deus é esse que deixa seus filhos desemparados? Que Deus é esse que não tem piedade com aqueles que sofrem? Mas se você anda nesse vale de lagrimas, diante de situações adversas, como enfermidade, problema financeiro, crises, relacionamentos. Lembre-se que os filhos de Deus ao longo da história enfrentaram as mesmas circunstâncias e sempre foram amparados pelo Senhor.

A Bíblia, possui muitos exemplos de pessoas que passaram por provações, e enfatiza o objetivo das provações: servem para nos fortalecer, aperfeiçoar e purificar e ajudar a crescer espiritualmente. O livro de Provérbios, por exemplo, afirma: “Assim como o ouro e a prata são provados pelo fogo, o bom nome de uma pessoa também pode ser posto à prova...” (Provérbios 27.21). Pedro afirma:  “para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo”.(1 Pedro 1.7).Lemos em Zacarias: " Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a provarei como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: é meu povo, e ela dirá: O Senhor é meu Deus." (13.9).

No entanto, ainda, que a provação em si seja algo difícil, o resultado dela é motivo de alegria e gratidão a Deus. O que fazer, então, quando somos assolados pelo sofrimento?  Tiago disse: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.2-4). A ordem de Tiago é para que nos alegremos face às várias provações a que estamos sujeitos neste mundo. É preciso se manter íntegro e fiel a Deus diante das provações, pois, somente Ele pode nos tirar de um lugar de morte e nos posicionar em um lugar espaçoso, onde passamos encontrar esperança, fé, amor e salvação em seu Filho Jesus Cristo.  É certo que as tribulações continuarão fazendo parte da nossa vida até a volta de Jesus. Mas não podemos nos esquecer por mais difícil que seja a situação, confie que Deus. Ele derramará muitas bênçãos sobre sua vida no momento certo.

Mesmo diante das provações, o salmista agradece a Deus ao realizar a sua oferta. Ele não faz de uma forma mecânica, ao contrário ele o faz de todo o coração. Ele afirma: “Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos.” (v.13). Com isso, o salmista afirma sua fidelidade no relacionamento com Deus, fato evidenciado no culto público e no cumprimento dos compromissos que ele assumiu com o Senhor. Ele também diz: “Oferecer-te-ei holocaustos de vítimas cevadas, com aroma de carneiros; imolarei novilhos com cabritos.” (v.15). A princípio, essa lista de sacrifícios parece não dizer muito. Mas, ao identificar os elementos presentes no texto, é possível notar, na primeira parte, a menção de “holocaustos” – ofertas totalmente queimadas. Na segunda, a menção de um novilho oferecido com cabritos remete às “ofertas pacíficas” – ofertas que, depois de oferecidas a Deus, eram comidas pelos sacerdotes e pela família do ofertante – das tribos israelitas na consagração do tabernáculo. Assim, pela lista de sacrifícios propostos, o salmista garante que adorará o Senhor no culto público com “coração grato, alegre e dedicado”. Era algo grandioso que o salmista estava realizando ao Senhor.

Assim, após a oferta de agradecimento a Deus, atitude do salmista é um desejo de testemunho a respeito do Senhor. Ele faz um convite aberto e amplo, dizendo: “Vinde, ouvi, todas vós que temeis a Deus, e vos contarei o que tem ele feito por minha alma.” (v.16). O salmista quer anunciar as grandezas de Deus. No início do Salmo, ele lembrou:” “Vinde e vede” (v.5) Agora, lembrou dos feitos grandiosos de Deus a fim de comparar a atuação do passado com a que ele presenciou com seus olhos. Tendo recordado os milagres do passado, o salmista anuncia a resposta positiva do Senhor aos seus clamores: “Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração.” (v.19). Esse é um fato que não pode ser escondido diante da gratidão que o escritor do salmo sente: Deus ouviu a sua oração.

Deus ouve e atende as nossas orações. Esta é a grande verdade que todo o cristão precisa compreender. Deus diz para Jeremias 33.3 "clama a mim e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas..." Que bom que temos um Pai amoroso que cuida de nós e atende as nossas orações. E ele faz isso tão somente por causa de seu grande amor para conosco. Deus ouve e atende as nossas orações feitas com fé, em nome de Jesus. Mesmo que a resposta seja “não”, ele sabe sempre o que é bom para nós. E, no seu amor, nos dá tudo o que é necessário para a nossa salvação. Se você tem pedido alguma coisa a Deus, ouça a sua resposta em seu coração, acalme-se creia que Ele sabe o que faz. Deus tem o controle do tempo, do modo, da situação, de sua vida. Ele sabe o que é melhor para você.

O salmista termina o salmo, afirmando esta grande verdade. Ela fala da resposta divina aos seus clamores e louva seu nome: “Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.” (v.20).  O encerramento do salmo faz transparecer a razão pela qual Deus atende a súplica de homens pequenos e falhos: “Pois não rejeitou a minha oração, nem afastou de mim o seu amor”. Esse “amor” pode ser traduzido como “graça”, “bondade” ou “misericórdia”. Mas sua ênfase é sobre a ideia de um “amor fiel” que não abandona os seus. É o amor que, movido por graça plena, busca o benefício alheio mesmo se – ou principalmente se – esse benefício não pode ser retribuído à altura. Essa é a razão da resposta positiva de Deus libertando a nação do salmista e o motivo pelo qual este depende de Deus para ouvi-lo e para abençoá-lo. Esse é um dos maiores motivos de gratidão que podem existir diante de Deus.

Estimados irmãos! Vamos mostrar a Deus toda a nossa gratidão e louvor diante de seus grandes feitos em nossas vidas! Melhor ainda é fazê-lo de todo o coração em todo o tempo e não apenas quando Deus tem de corrigir os nossos erros. Que possamos, ó povo de Deus, viver constantemente em estado de adoração e gratidão ao nosso Deus. Amém.

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

TEXTO: 1Pe 2.2-10

TEMA: CRESCENDO EM CRISTO E VIVENDO COMO POVO DE DEUS

Esse crescimento começa quando reconhecemos nossas fraquezas e decidimos abandonar tudo o que desagrada ao Senhor, como a maldade, a falsidade, a inveja e as palavras que ferem. O apóstolo Pedro afirma que deve haver uma ruptura com o pecado. Ele afirma:“Despojando-vos, portanto, de toda maldade e de todo dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências” (v.1). Diante desses pecados — atitudes que comprometem a comunhão com o Senhor e os relacionamentos — o apóstolo Pedro exorta os cristãos a abandoná-los e a buscar crescimento espiritual em Cristo, refletindo isso na vivência prática como povo de Deus. 

Mas o que é “crescer em Cristo”? É aprender a confiar plenamente em Deus, obedecer à Sua Palavra e buscar uma vida que reflita o caráter de Jesus. Trata-se de um processo contínuo, que exige dedicação, perseverança e um coração disposto a ser moldado. Viver como povo de Deus  significa reconhecer que não estamos sozinhos: fazemos parte de uma comunidade chamada a refletir a luz de Deus no mundo. Isso se expressa no amor ao próximo, no cuidado mútuo e em um testemunho vivo da graça e da verdade, mesmo diante das dificuldades.

Em um mundo que, muitas vezes, nos rejeita, como crescer em Cristo e viver como povo de Deus? Pedro responde a essa questão de forma prática e profunda, estruturando seu ensinamento em quatro partes. Ele demonstra que esse crescimento se traduz em atitudes intencionais, perseverança e uma vida totalmente alinhada à vontade do Senhor. Então,vejamo:

Primeiro,crescendo espiritualmente ao alimentar-se da Palavra (vv.2–3). O apóstolo Pedro utiliza uma imagem simples para explicar o crescimento espiritual: ele afirma que, assim como um recém-nascido clama pelo leite para sobreviver, o cristão precisa desejar intensamente o alimento espiritual. Sem esse sustento, a fé se enfraquece; o coração fica saturado de distrações ou preocupações e, dessa forma, permanecemos espiritualmente incapazes de avançar na caminhada com Deus.Nesse sentido,  esse desejo não surge do nada, mas quando provamos a bondade do Senhor. Provar da bondade do Senhor desperta a fome espiritual: quanto mais conhecemos a Cristo, mais o desejo pela Palavra aumenta.

Segundo, aproximando-se de Cristo, a pedra viva (vv.4–5). O apóstolo Pedro nos conduz a uma imagem rica e profundamente teológica: Cristo como a “pedra viva”. Essa expressão revela tanto a firmeza quanto a vida que há em Jesus. Ele é a pedra rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa para Deus. Aquilo que o mundo desprezou, Deus exaltou. E é a partir dessa pedra que toda a vida espiritual do cristão é construída. Deus está levantando um edifício — não de pedras mortas, mas de pessoas vivas, transformadas pela graça. Cada cristão é uma parte dessa obra, ligado a Cristo e aos outros, formando juntos a casa espiritual de Deus.Essa edificação tem um propósito: sermos um sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo. Não se trata mais de sacrifícios de animais, mas de uma vida entregue — louvor, obediência, serviço, santidade.  

Terceiro,firmando nossa vida em Cristo (vv.6–8). Jesus é a pedra angular, o fundamento seguro sobre o qual toda a vida deve ser construída.  Pedro afirma que Deus colocou em Sião uma pedra escolhida e preciosa, e aquele que nela crê jamais será envergonhado. Isso revela uma verdade essencial: somente uma vida firmada em Cristo possui segurança e destino eterno. Quem constrói sua vida sobre Cristo não é abalado pelas circunstâncias, porque está alicerçado em algo eterno.Pedro também faz um contraste importante: para os que creem, Cristo é precioso; para os que rejeitam, Ele se torna pedra de tropeço e rocha de ofensa. A mesma pedra que salva também revela a incredulidade daqueles que não creem.Firmar a vida em Cristo envolve fé e submissão. Quando a vida está edificada sobre essa pedra preciosa, há firmeza, propósito e a certeza de que estamos seguros nas mãos de Deus.

Quarto, vivendo nossa identidade em Cristo (vv.9–10). Pedro recorda aos cristãos a verdadeira identidade que possuem em Deus, descrevendo-os como um povo escolhido, um sacerdócio com dignidade real, uma nação separada para Deus e um povo que lhe pertence de forma especial. Ele demonstra que a identidade cristã não é definida pela cultura ou pelas circunstâncias, mas pela graça de Deus. Viver essa identidade começa pela compreensão de quem somos em Cristo: escolhidos pela graça, sacerdotes em comunhão com o Pai, separados para um propósito e pertencentes a Ele. Pedro também destaca o propósito dessa nova natureza: anunciar as virtudes Daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. Por fim, ele ressalta a transformação operada pelo Evangelho: agora, somos povo de Deus.

                                                                  I

Pedro inicia o texto com uma imagem simples, porém profunda: “Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o puro leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento para a salvação” (v. 2). O apóstolo Pedro utiliza a figura de um bebê para descrever a dependência total do cristão em relação a Deus. Dessa forma, como o recém-nascido depende do leite para viver e crescer, o cristão depende da Palavra de Deus para o seu desenvolvimento espiritual. O bebê não “escolhe” gostar de leite; ele simplesmente precisa dele para sobreviver. Da mesma forma, o cristão deve reconhecer sua necessidade vital da Palavra.

Essa ideia é reforçada pela expressão “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas”. Aqui, o verbo grego ἐπιποθήσατε (desejar) está no modo imperativo aoristo, indicando uma atitude que deve ser assumida imediatamente. Ele expressa um anseio intenso — não apenas um querer superficial, mas um desejo profundo, uma busca constante que não se satisfaz até encontrar aquilo que é essencial.

Pedro especifica ainda o objeto desse desejo: “o genuíno leite espiritual”. O termo ἄδολον (genuíno) significa literalmente “sem dolo”, “sem mistura” ou “sem engano”. Era usado no comércio para descrever produtos puros, como vinho sem água ou cereais sem impurezas. O termo se refere à Palavra de Deus em sua pureza — um alimento que nutre, fortalece e conduz o cristão. Dessa forma, o apóstolo enfatiza a necessidade de uma alimentação espiritual saudável, constante e verdadeira.

Além disso, Pedro destaca a importância do “leite espiritual”. Ele utiliza o termo γάλα (leite) para enfatizar a essencialidade desse alimento, ou seja, trata-se da base indispensável para a sobrevivência e o crescimento da nova vida em Cristo. Esse alimento é qualificado como λογικόν, palavra derivada de λόγος, que possui um significado rico. Dependendo do contexto, pode ser traduzida como “racional”, “espiritual” ou “lógico”. Nesse caso, não se refere a algo físico, mas a um alimento espiritual que nutre a mente e a alma, sendo apropriado para um crescimento consciente e contínuo na vida cristã.

Sabemos que os bebês, quando sentem fome, choram alto e insistentemente até que o leite lhes seja dado. Esse é exatamente o tipo de desejo que o Senhor espera de cada um de nós: que, assim como os recém-nascidos, desejemos acima de tudo nos alimentar da Sua Palavra, o "leite espiritual". No entanto, é fundamental verificar que tipo de "leite" estamos consumindo. Infelizmente, há muito tempo a Palavra tem sido misturada a doutrinas e ensinos meramente humanos, o que produz cristãos imaturos, ingênuos e espiritualmente enfraquecidos. Assim como uma mãe sente prazer ao amamentar seu filho, Deus se alegra profundamente ao ver Seus filhos buscando o crescimento e o conhecimento por meio da Sua única e verdadeira Palavra. As instruções de Pedro servem como um lembrete: aquilo que desejamos e consumimos impacta diretamente nossa saúde espiritual. Mas  enquanto o "leite" do mundo é impuro e alimenta apenas inclinações pecaminosas, os falsos ensinos são, no mínimo, lixo espiritual — e, no pior dos casos, veneno. Por isso, devemos ter fome apenas do alimento espiritual puro e não adulterado.

Pedro revela ainda o propósito do “genuíno leite espiritual”  na vida do cristão: "crescer para a salvação". Essa expressão não sugere que a salvação seja conquistada pelas obras ou esforço humano,pois a salvação é pela graça. A palavra "salvação" assume um significado que vai além da ideia comum de "ir para o céu" ou ser perdoado de pecados passados.Pedro está olhando para a salvação como um processo contínuo e um destino final. No entender de Pedro, a salvação é algo que o cristão possui agora, mas que só será revelado plenamente no futuro. No capítulo 1, ele já havia mencionado uma "salvação preparada para revelar-se no último tempo" (1 Pe 1.5).Quando ele diz "crescer para a salvação", ele vê a salvação como a linha de chegada. O crescimento espiritual é o que nos conduz com firmeza até o dia em que encontraremos Cristo face a face. Portanto, "salvação" aqui é o estado final de perfeição e glória para o qual todo o crescimento espiritual está apontando. Não crescemos para ganhar a salvação, mas crescemos em direção à plenitude da salvação que Deus já começou a realizar em nós.

Pedro, no versículo 3, aprofunda a ideia ao mostrar que esse desejo pela Palavra não surge do nada, mas nasce de um encontro pessoal com Deus: “se é que já provastes que o Senhor é bondoso”. Ele ensina que o anseio espiritual é consequência de ter experimentado a graça e a bondade do Senhor. Provar da bondade de Deus desperta em nós uma fome espiritual crescente. Quanto mais conhecemos a Cristo, mais intenso se torna o nosso desejo por Sua Palavra. Não se trata de uma obrigação religiosa, mas de uma necessidade interior gerada por um relacionamento vivo com Ele. Quem aprende a se alimentar diariamente da Palavra descobre que não consegue mais viver sem ela, pois é nela que encontra vida, direção e transformação.

                                                                     II

Pedro agora  muda a imagem do “leite” para a de uma pedra viva, referindo-se a Cristo: “Chegando-vos para ele, a pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa” (v. 4). Com isso, o apóstolo mostra que o crescimento produzido pela Palavra não nos isola; ao contrário, ele nos conduz para perto daquele que é o fundamento de tudo.Ao afirmar “chegando-vos para ele”, Pedro descreve um movimento contínuo, uma aproximação constante de Jesus. A vida cristã não é estática, mas um relacionamento ativo, no qual o cristão se aproxima diariamente do Senhor. Esse movimento revela dependência, comunhão e perseverança na fé. Isso significa que, ao nos aproximarmos de Cristo, a Pedra viva, descobrimos que Ele é a base sólida sobre a qual toda a vida espiritual é construída.

Ao mesmo tempo, Pedro destaca um contraste marcante: Jesus foi “rejeitado pelos homens”, apontando para a rejeição que sofreu durante sua vida e ministério, culminando na cruz. Contudo, aquilo que os homens rejeitaram, Deus declarou como eleito e precioso. Essa verdade revela que o valor real não é determinado pela opinião humana, mas pelo propósito e pela escolha de Deus.Quando nos alimentamos do leite puro da Palavra e nos firmamos nessa Rocha, deixamos de ser pedras soltas pelo caminho para nos tornarmos parte de uma construção espiritual, edificada não por mãos humanas, mas pela ação da própria vida de Deus em nós. Portanto, o crescimento espiritual não acontece de forma isolada, mas à medida que nos aproximamos de Cristo. É nele que encontramos fundamento, vida e valor — rejeitado pelo mundo, mas exaltado por Deus, Ele é o centro de toda a vida cristã.

Pedro amplia ainda mais a imagem iniciada no versículo anterior: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo” (v.5).Agora, Pedro mostra que não apenas Cristo é a Pedra viva, mas nós também somos feitos “pedras vivas”. Isso significa que, ao nos aproximarmos de Jesus, recebemos dEle vida espiritual e passamos a fazer parte de algo maior: uma construção espiritual. Essa “casa espiritual” não é um templo físico, mas o povo de Deus. Cada cristão é como uma pedra que está sendo colocada em seu devido lugar, formando um edifício vivo. Deus está edificando sua habitação não em estruturas materiais, mas na vida daqueles que pertencem a Ele.

Além disso, Pedro afirma que somos um “sacerdócio santo”. No Antigo Testamento, apenas um grupo específico podia exercer o sacerdócio. Agora, porém, todos os que estão em Cristo participam desse privilégio. Cada cristão tem acesso direto a Deus e é chamado a viver de forma consagrada.Esse sacerdócio tem um propósito: “oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus”. Diferente dos sacrifícios antigos, que eram materiais, agora os sacrifícios são espirituais — como a adoração, a obediência, a oração, a gratidão e uma vida santa. Tudo isso é aceitável a Deus por meio de Jesus Cristo, que é o mediador. Dessa forma,  ensina que o crescimento em Cristo nos integra em uma comunidade viva e nos dá uma nova identidade: somos parte da casa de Deus e chamados a viver como sacerdotes, oferecendo nossas vidas em adoração ao Senhor.

                                                               III

 O apóstolo Pedro fundamenta todo o seu ensino nas Escrituras do Antigo Testamento; isso comprova que tudo o que estava dizendo em sua mensagem já fora anunciado por Deus: “Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido.” (v.6).Pedro cita aqui uma profecia (de Isaías 28.16) para afirmar que Cristo é a “pedra principal da esquina”. Essa pedra era a mais importante de uma construção, pois alinhava e sustentava toda a estrutura. Sem ela, o edifício ficaria comprometido. Dessa forma, Jesus é o fundamento seguro sobre o qual toda a vida espiritual deve ser edificada.

Ele também é descrito como “eleito e precioso”, reforçando que, embora tenha sido rejeitado pelos homens, foi escolhido por Deus e possui valor incomparável. Isso mostra, mais uma vez, o contraste entre a avaliação humana e a divina.Pedro  também apresenta uma promessa maravilhosa: “quem nela crer não será confundido”. Aquele que confia em Cristo não será envergonhado, frustrado ou decepcionado. Mesmo diante das dificuldades, sua fé não será em vão, pois está firmada em um fundamento seguro.  Pedro ensina  essa verdade:  a fé em Cristo traz segurança e firmeza. Enfim, em um mundo instável, aquele que crê na Pedra angular encontra estabilidade, direção e esperança que não falham.

Pedro aprofunda o contraste já apresentado anteriormente: “Para vós, portanto, os que credes, é preciosa; mas, para os descrentes, a pedra que os edificadores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular.” (v.7).Ele  mostra que Cristo é precioso para os que creem. Para o cristão, Jesus não é apenas importante — Ele é valioso, amado e indispensável. Quem experimenta a graça de Deus reconhece o valor incomparável de Cristo e encontra n’Ele tudo o que precisa para a vida espiritual.Por outro lado, há um contraste claro: “para os descrentes”. Aqueles que não creem rejeitam Cristo, assim como os “edificadores” rejeitaram a pedra. Essa expressão faz referência à liderança religiosa da época, que desprezou Jesus e não reconheceu quem Ele realmente era.

No entanto, Pedro afirma algo surpreendente: a pedra rejeitada se tornou a principal pedra angular. Ou seja, aquilo que foi desprezado pelos homens foi exatamente o que Deus estabeleceu como fundamento de tudo. A rejeição humana não anulou o propósito divino — pelo contrário, o confirmou. Ele ensina uma verdade profunda: Cristo é o mesmo. Para uns, Ele é precioso e fundamento de vida; para outros, é rejeitado. A diferença não está em Cristo, mas na atitude do coração humano. Pedro nos leva a refletir: como temos respondido essa questão sobre Cristo? Para aqueles que creem, Ele é mais precioso; para os que rejeitam, permanece como a pedra ignorada — mas ainda assim, continua sendo o fundamento estabelecido por Deus.

O apóstolo Pedro conclui esse contraste mostrando a consequência da rejeição a Cristo: “Pedra de tropeço e rocha de escândalo. Eles tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram destinados.” (v.8).Pedro apresenta Jesus como “pedra de tropeço e rocha de escândalo”. Aquele que é fundamento seguro para os que creem torna-se motivo de queda para os que rejeitam. A mesma pedra que sustenta alguns é a que faz outros tropeçarem. Isso revela que não existe neutralidade em relação a Cristo.O motivo do tropeço é claramente explicado: “tropeçam na palavra, sendo desobedientes”. Ou seja, não é falta de evidência ou de revelação, mas uma postura de desobediência. Eles rejeitam a mensagem do evangelho e, por isso, acabam caindo.

Pedro deixa evidente que a consequência da desobediência já está estabelecida. “para o que também foram destinados”. Aqueles que rejeitam a Cristo inevitavelmente tropeçam, porque recusam o único fundamento firme e seguro sobre o qual a vida pode ser edificada. Não se trata de um tropeço ocasional, mas do resultado de uma decisão contínua de incredulidade diante da Palavra.Nesse sentido, Pedro ensina que Cristo se torna o grande divisor da humanidade. De um lado estão os que creem e encontram nele vida, segurança e estabilidade; do outro, os que o rejeitam e, por isso, acabam tropeçando e caindo. A diferença entre esses dois grupos não está em méritos pessoais, mas na resposta que cada um dá à revelação de Deus.

                                                            IV

 No versículo 9, o apóstolo Pedro apresenta uma das declarações mais ricas sobre a identidade do povo de Deus:“Mas vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” (v.9).Depois de falar sobre os que rejeitam a Cristo, Pedro agora destaca quem são aqueles que creem. Ele usa quatro expressões para definir a nova identidade dos cristãos.Primeiro, “geração eleita”: isso mostra que a nossa salvação não é fruto do acaso, mas da escolha graciosa de Deus. Fomos alcançados por sua misericórdia e chamados para fazer parte do seu povo.Segundo, “sacerdócio real”: além de termos acesso direto a Deus, também participamos de um reino. Somos sacerdotes que servem ao Rei, vivendo uma vida de consagração e comunhão com Ele.Terceiro, “nação santa”: isso aponta para uma separação do pecado e um chamado à santidade. Não pertencemos mais aos padrões deste mundo, mas vivemos de acordo com os valores de Deus.Quarto, “povo de propriedade exclusiva de Deus”: essa expressão revela domínio pleno.Somos de Deus, comprados e separados para Ele, vivendo sob seu cuidado e direção.

Pedro também esclarece o propósito dessa identidade: “para que anuncieis as virtudes” de Deus. Em outras palavras, não fomos escolhidos visando apenas o benefício próprio, mas para proclamar a natureza de Deus e Suas obras. Ele descreve ainda  a grande transformação: fomos chamados “das trevas para a sua maravilhosa luz”. Isso fala de uma mudança  de vida — da ignorância para a verdade, do pecado para a santidade, da morte espiritual para a vida em Deus. Pedro ensina que, em Cristo, recebemos uma nova identidade e uma nova missão: pertencemos a Deus e existimos para refletir e anunciar a sua glória ao mundo.

O apóstolo Pedro conclui esse trecho destacando a profunda transformação que Deus realizou na vida dos cristãos:“Vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.” (v.10). Pedro mostra um contraste entre o passado e o presente dos cristãos. “Antes não éreis povo” indica que estavam afastados de Deus, sem identidade espiritual, sem aliança e sem vínculo absoluto . Mas agora, em Cristo, foram feitos “povo de Deus”, ou seja, passaram a fazer parte de uma nova comunidade, unida não por laços humanos, mas pela graça divina.

Ele continua dizendo: “não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia”. Isso revela que a salvação não é resultado de mérito humano, mas da compaixão de Deus. O que antes era ausência de graça agora se tornou abundância de misericórdia.Essa linguagem ecoa a mensagem do profeta Oséias, que falou de um povo que não era povo, mas que seria restaurado por Deus. Pedro aplica essa verdade aos cristãos, mostrando que, em Cristo, Deus forma um novo povo, marcado pela graça.

Pedro encerra o pensamento com uma poderosa afirmação: quem somos hoje é resultado da misericórdia de Deus. Saímos de uma condição de afastamento para uma posição de pertencimento. Isso significa que não somos mais donos de nós mesmos. Agora somos povo de Deus.

Meus irmãos, ao olharmos para tudo o que foi exposto, podemos afirmar com clareza:a vida cristã não é um estado estático, mas um caminho contínuo de crescimento em Cristo. Por isso, somos chamados a buscar a Palavra e a nos alimentar dela para que, por meio desse exercício, possamos crescer na fé.

Esse crescimento nos leva a Cristo, a Pedra Viva, o único fundamento seguro. Nele, não apenas encontramos salvação, mas também somos edificados como pedras vivas, formando uma casa espiritual. Não vivemos de forma isolada, mas como um povo unido, chamado a oferecer a Deus uma vida de adoração, santidade e entrega.

Ao mesmo tempo, o texto nos confronta com uma realidade séria: Cristo é precioso para os que creem, mas é rejeitado por aqueles que não o recebem. Diante disso, cada pessoa precisa tomar uma decisão — acolher a Cristo como fundamento da vida ou rejeitá-lo e tropeçar.

Por fim, Pedro nos lembra da nossa identidade: somos geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus. Fomos chamados das trevas para a sua maravilhosa luz com um propósito claro: anunciar as virtudes daquele que nos salvou.

 Portanto, que a nossa vida revele essa verdade: que cresçamos em Cristo, permaneçamos firmados nele e vivamos, todos os dias, como povo de Deus, proclamando ao mundo a sua graça e a sua glória.Amém!

 

 

 

  

TEXTO: JO 14.1-14

TEMA: JESUS É O ÚNICO CAMINHO PARA A CASA DO PAI !

O que as pessoas gostam de fazer no dia a dia? Algumas gostam de caminhar. É bom para a saúde! Segundo a ciência, o caminhar é ideal para trabalhar a função cardiovascular, melhorando o nível de condicionamento físico; ajuda na perda de peso e fortalece os músculos, reduz a pressão sanguínea, os níveis de colesterol no sangue, o risco de doenças cardíacas, osteoporose, diabetes e o estresse. Mas este é um caminhar físico.

Jesus falou de outro caminho.Ele disse: “Eu sou o caminho” (v.6). Ele havia falado,muitas vezes, aos discípulos sobre este assunto.De modo que sabiam a respeito do caminho, e, de modo especial, sobre a sua missão e seu retorno à Casa do Pai.Mas eles não entenderam,e lhe perguntaram como poderiam saber o caminho.Jesus lhes respondeu:“Eu sou o caminho.” A resposta que Jesus dá a Tomé, esclarece todas as suas dúvidas. É uma resposta que conforta e fortifica sua fé. “Eu sou o caminho” é uma expressão enfática, ou seja,significa que Jesus é o único caminho para a Casa do Pai. Sem Ele somos abandonados e condenados nos nossos próprios pecados. Com Ele, porém, temos perdão e nos tornamos Filhos de Deus e herdeiros do céu.

Você está à procura deste caminho que nos conduz à Casa do Pai? Venha! Você deve olhar para Jesus e permanecer nele e não ficar preocupado com outras ideias de como chegar aos céus. Arranque e afaste de seu coração esses pensamentos e não pense em outra coisa senão nestas palavras: “Eu sou o caminho”. Entretanto, Jesus nos ensina que o nosso caminhar, jamais será um caminho de flores! Lágrimas, espinhos e uma infinidade de obstáculos fazem parte deste caminhar. Mas Jesus está conosco. Temos a promessa “Não te deixarei, nem te desampararei.” (Hebreus 13.5). Ele nos protege com sua mão e nos mostra o caminho ,diariamente, através de sua Palavra, dizendo: “Este é o caminho; andai nele.” (Isaías 30.21).

Jesus sabendo que nas próximas horas seria crucificado, Ele começou a revelar aos seus discípulos sobre os últimos acontecimentos. Revelou que havia um traidor entre eles e, se ainda não bastasse, Pedro foi avisado de que negaria Jesus antes que o galo cantasse três vezes. Estes últimos acontecimentos e a despedida de Jesus em relação aos seus discípulos, gerou um momento de tristeza e desanimo. E ao observar esta cena, ao vê-los tristes, Jesus consola os discípulos. Ele diz: ‘‘Não se turbe o vosso coração’’ (v.1a). Significa não fiquem tristes, desanimados, desmotivados!  Ele deu aos seus discípulos motivos pelos quais seus corações não deviam se turbar. Deu o remédio para o coração turbado: “credes em Deus, crede também em mim” (v.1b). O conselho de Jesus era simples. Jesus poderia dar mil conselhos celestes. Mas restringiu-se ao poder do verbo “crer”. Confiar em Deus e no seu Filho é crer, confessar e descansar no seu poder, na sua sabedoria, na sua providência, no seu amor e na sua salvação. Jesus disse: “Assim como vocês creem na realidade de Deus, creiam igualmente no meu poder de ajuda.” Esta era a recomendação de Jesus aos discípulos, diante da situação que estavam vivendo. Sendo assim, Jesus aponta o caminho da paz, da tranquilidade e do sossego  que os discípulos deveriam ter.

As palavras de Jesus se estendem a todos os seus seguidores que o amam, verdadeiramente, pois encontramos, muitas pessoas, na mesma situação dos discípulos. São pessoas com almas estressadas,  com sorrisos ausentes, angustiadas, com medo e remorso. São famílias em conflito, vivendo  na solidão, na  tristeza e na angústia. O que fazer quando as crises vêm? Quando os problemas aparecem? Quando as tempestades nos ameaçam? Quando os ventos contrários conspiram contra nós? Jesus disse: continuem confiando em mim! A fé em Jesus é o único remédio para um coração turbado. A fé triunfa nas crises. Abraão creu na promessa. Paulo na hora do martírio disse: Eu sei em quem tenho crido. Portanto, em Jesus, encontramos todas as respostas para os intermináveis e infinitos questionamentos da alma conturbada, do espírito irrequieto, da consciência traumatizada e da memória torturante.

Na verdade, os discípulos, por sua vez, não compreenderam as palavras de Jesus. Não compreenderam, porque Jesus tinha que seguir o caminho do sofrimento, da desonra e da cruz. Não compreenderam, porque deveria voltar para junto do Pai. Com efeito, eles ainda não haviam entendido que Jesus era o Filho de Deus e que viera numa missão inovadora. Agora, Ele teria que voltar para o Pai, a fim de que se cumprissem todas as Suas promessas. No entanto, prometeu que enviaria o Consolador. Por isso, aproveita este momento de dúvida para explicar aos discípulos que convinha ir para junto do Pai prepara-lhes o lugar, mas que voltaria para si mesmo. Sendo assim, Jesus dá aos discípulos uma explicação do motivo do futuro sofrimento. Abre-lhes um pouco a janela, para que possam olhar a grandiosidade de sua obra. Ele lhes diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Pois vou preparar-vos lugar” (v.2).

 Na casa de meu Pai há muitas moradas, Jesus não estava se referindo a um templo terreno, ao contrário, Ele estava falando da verdadeira Casa do Pai. Essa casa não é terrena, mas celestial. É o lugar da habitação de Deus que está nos céus ( Salmos 33.13,14; Isaías 63.15).A Casa do Pai é o lugar prometido ao longo de toda as Escrituras como o destino daqueles que creram em Jesus. Aqueles que pela fé, receberam de Jesus a remissão dos pecados, tendo se comprometido a segui-lo por todos os dias da vida. A Casa do Pai tem espaço mais que suficiente para todos estes: “há muitas moradas.” Essa promessa também é para nós! É confortável saber que na casa do nosso Pai Celestial há muitas moradas. É sinal de que há lugar também para cada um de nós. Há espaço para todos. Triste seria se não houvesse lugar para nós. Seria um tormento insuportável.

Ele também disse que iria preparar lugar para seu povo . Isto significa que sem sua morte, ressurreição, ascensão e envio do Espírito Santo, jamais haveria lugar para nós na Casa do Pai. Nunca teríamos condições de habitar nelas. Na verdade, nem mesmo poderíamos chegar até elas. Mas Deus nos amou ao enviar o Seu Filho: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Foi desta maneira que Jesus preparou-nos lugar na Casa do Pai, fazendo-se Ele próprio o caminho que conduz à casa paterna. Ele é o Mediador entre Deus e os homens. Em Cristo Deus se reconciliou com o mundo. Em Cristo Jesus há perdão, vida e salvação para todo aquele que nele crê. Ele cumpriu com a sua missão, voltou à Casa do Pai e se encarregou de preparar o lugar para nós .Também prometeu retornar, e levar seu povo para estar junto de si para sempre (v.3). É ,por isso, que a frase “na casa de meu Pai há muitas moradas” tem um significado tão profundo para todos os que amam ,verdadeiramente, o SENHOR. A partir desse fato não há mais motivo para turbar, angustiar ou amedrontar nosso coração, desde que creiamos em Deus.

Após falar sobre a Casa do Pai, Jesus faz uma afirmação, e deixa bem claro que os discípulos sabiam o caminho para onde Ele iria : “E vós sabeis o caminho para onde eu vou.”(v.4). Mas não conseguem compreender, principalmente, Tomé. Ele está em dúvida.  Não entendeu de forma clara e fez ao mestre a seguinte indagação: “Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?” (v.5). É interessante, que enquanto Pedro manifestara a sua intenção de morrer por Jesus, Tomé pelo contrário, expõe a sua ignorância. Tomé, por ocasião da ressurreição de Jesus se manteve céptico. Queria ver para crer. Ao que tudo indica, Tomé endureceu o seu coração. Fechou-se em sua incredulidade. Enquanto todos os discípulos estavam alegres com a comunhão de Cristo, Tomé estava imerso em tristeza por causa da sua falta de fé. A reação de Tomé mostra o ceticismo natural do ser humano diante da inédita vitória sobre a morte: queria sinais concretos do ressurreto.

Como saber o caminho?  É a pergunta que muitas pessoas também fazem, por se sentirem literalmente perdidas, na  dúvida, na incerteza, na sua caminhada nessa vida .Elas têm  procurado caminhos tortuosos que geralmente as levam a total destruição. Caminhos ensinados por muitas  religiões, seitas e filosofias com o pensamento que leva à morte. Caminhos da falsidade e das mentiras. Lemos em Provérbios 14.12:“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”. Quantas pessoas  perderam a sua vida por seguirem caminhos tortuosos. Por isso, cuidado com os caminhos pelos quais você tem andado. Caminhos  desconhecidos podem custar a sua vida. Cuidado com as pessoas que lhe apresentam estes caminhos. Cuidado com aqueles que até parecem conhecer o caminho, pela segurança com que falam, mas na verdade não conhecem para onde eles mesmos estão caminhando.

Como saber o caminho? Jesus responde a Tomé: “Eu sou o caminho e a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (v.6a). A resposta que Jesus dá a Tomé esclarece todas as suas dúvidas. É uma resposta que conforta e fortifica sua fé. “Eu sou o caminho” é uma expressão enfática, ou seja, Jesus afirma que Ele é o único caminho para Deus, para a Casa do Pai, para o Céu. Ele é o caminho para ti e para mim. Sem Ele somos abandonados e condenados nos nossos próprios pecados. Com Ele, porém, temos perdão e nos tornamos Filhos de Deus e herdeiros do céu. Não existe outro caminho para a Casa do Pai. Entretanto, Jesus nos ensina que o nosso caminhar, jamais será um caminho de flores! Lágrimas, espinhos e uma infinidade de obstáculos fazem parte deste caminhar. Mas Jesus está conosco. Temos a promessa “Não te deixarei, nem te desampararei.” (Hebreus 13.5). Ele nos protege com sua mão e nos mostra o caminho. diariamente, através de sua Palavra, dizendo: “Este é o caminho; andai nele.” (Isaías 30.21).

Aquele que nos conduz à Casa do Pai, também é a verdade. Verdade significa algo que é absoluto, que existe, que é real. Jesus é Deus. Ele é real, sempre existiu e sempre vai existir .Ele é a imagem do Deus invisível. Não existe falsidade nenhuma em Jesus. Esta verdade está nas palavras do próprio Jesus: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).Jesus também é a vida. Ele é a fonte de toda a vida. Ele venceu a morte e nos deu vida! Quem aceita Jesus como seu salvador, agora tem uma vida nova e completa (João 11.25-26). Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10).É desta forma que Jesus finaliza sua resposta a Tomé, deixando claro que não há atalhos para chegarmos a Deus. Ele é o caminho verdadeiro que nos leva ao Pai, que nos leva à vida plena e eterna. Não existem santos, nem grandes homens, nem deuses, nem nada que os homens possam criar que possa levar alguém até Deus. Jesus  tomou para si esse papel único e deixa isso muito claro: “ninguém vem ao Pai senão por mim” (v.6b).

A resposta de Jesus nos revela com profundidade o mistério de sua pessoa. Ele é o verbo encarnado, é o caminho para o Pai. Um caminho de mão única e exclusiva. Um caminho que se identifica com a finalidade, porque Ele é a verdade e a vida. Por isso, chegar à presença de Deus, por meio de Jesus Cristo, é a única maneira de conhecê-lo de verdade. É exatamente isso que Jesus diz a seguir: “Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto.” (v. 7). O que entristece a Cristo, é que os discípulos ainda não haviam reconhecido nele o caminho, isto é, a imagem viva do Pai Celeste, uma imagem descida do céu, que estava prestes a retornar para lá.  Se os discípulos fossem bons observadores já teriam reconhecido o Pai na pessoa de Jesus Cristo.

É justamente o que ocorre com Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.”(v.8).A exemplo de Tomé, Filipe também demonstra possuir um conhecimento apenas parcial. Compreendia pouquíssimo do que Jesus acabara de dizer. Enfim, se mostrou um tanto quanto ignorante, tolo, ridículo ou até inocente diante daquilo que estava solicitando, uma vez que durante alguns anos, ele conviveu com Jesus. E Jesus sempre falara do Pai durante todo tempo de convívio com seus discípulos.  A ânsia de Filipe de ver Deus sempre foi a vontade dos homens de todos os tempos. Moisés também queria ver Deus (Ex.33). O Senhor respondeu: “Tu verás pelas costas, mas a minha face não se verá”. Talvez, Filipe desejasse ver alguma manifestação exterior e visível de Deus, pois Deus havia se manifestado de várias maneiras aos profetas da antiguidade. Sendo assim, Jesus questiona Filipe: “ há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”(v.9).

Foi necessário que Jesus desse uma aula aos discípulos sobre o seu relacionamento com o Pai. Como introdução, Jesus faz uma pergunta: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” Jesus primeiro exige dos discípulos que deem crédito ao seu testemunho, quando afirma que ele é o Filho de Deus. A grande questão é que até aquele ocasião os discípulos não tinham entendido sobre o relacionamento de Jesus com o Pai. Mas neste momento, na hora da despedida e da dura provação, Jesus abre o coração dos discípulos e explica: somos essencialmente um. Aqueles  que me viram, viram aquele que me enviou. Estou aqui em nome do Pai, falo em nome do Pai e  faço as obras do Pai. Enfim, as palavras que eu digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra. Há uma unidade entre o Pai e o Filho.

A resposta de Jesus a  Filipe mostra uma verdade, que é contínua no Evangelho joanino: o relacionamento indivisível entre o Filho e o Pai. Em 1.18, João diz: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” Em 5.36, encontramos Jesus dizendo: “Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou.”  Em 8.38, ele diz: “Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.” Em 10.15, ele diz: “Assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.”  Em 10.30: “Eu e o Pai somos um”. Em 10.38: “ mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai.”

Estes exemplos servem de base, que Jesus poderia usar, para mostrar a Filipe que ele já conhecia o Pai. Por isso, Jesus diz: “Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras.” (v.11).O Senhor fez um apelo para que os discípulos cressem Nele pelas suas palavras.  Suas palavras mostravam quem Ele era. Era impossível não entender o que Jesus estava dizendo. Ele estava afirmando claramente ser Deus. Como conheceríamos o Pai amoroso sem o nosso salvador Jesus? Verdadeiramente, em Jesus podemos conhecer o Pai, falar com Ele e glorificá-lo por meio de nossas vidas. Martinho Lutero expressou assim essa verdade: por meio de Jesus sabemos que Deus é nosso Pai e, olhando para o seu coração paternal, podemos sentir o seu amor sem fim. Isso basta para aquecer os nossos corações e torná-los incandescentes por Ele.”

Após Jesus falar que ele e o  Pai são apenas um, ele agora afirma que, após à sua partida,  os discípulos seriam habilitados a continuar com o ministério que ele começou, fazendo, inclusive, obras maiores que as dele. O texto diz: “Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai” (v.12).É evidente que Jesus não está falando que seus discípulos teriam mais poderes do que ele, mas realizariam obras maiores em extensão e em alcance. Este seria um trabalho evangelístico que os discípulos realizariam após a volta de Jesus à Casa do Pai. Trabalho que seria realizado com auxilio do Espírito Santo, que lhes concederia poder  (Atos 1.8). De fato, somente mediante a ação do Espírito é que os discípulos seriam preparados para realizar tais obras maiores que as de Jesus. O cumprimento desta promessa encontramos em Atos do Apóstolos. Por exemplo, nos primeiros dias após a partida de Jesus para o Pai, após um sermão de Pedro, três mil pessoas foram batizadas.  E, sem dúvida, os discípulos impactaram o mundo (Atos 17.6), arrebanhando mais seguidores para o Senhor Jesus.

 No entanto, para dar continuidade ao trabalho de Jesus, os discípulos receberiam o que fosse necessário  quando o pedissem em Seu nome. Jesus disse: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.” (v.13),Quando Jesus disse estas palavras, ele estava consolando seus discípulos e os preparando para a missão futura deles: divulgar a boa nova. Cristo não se referia a pedidos pessoais e egoístas, mas a pedidos que se referissem a Sua obra na terra. Ele também nos ensina ainda que devemos pedir em nome de Jesus. Não será em nome de Maria, de José, ou de qualquer “santo”, mas sim no nome de Jesus é que seremos atendidos, e o Pai nos atende para que Ele seja glorificado. Há um outro detalhe importante que devemos observar: fica evidente que podemos, eventualmente, fazer pedidos pessoais ao Senhor, mas devemos entender e aceitar que nem todos serão atendidos, pois Ele é quem sabe o que deseja para nós (Jr. 29.11), e seus pensamentos são muito mais elevados que os nossos (Is. 55.8-9).Deus age conforme à sua vontade. Ele sabe qual é o momento certo. Vejamos o caso do apóstolo Paulo, tendo orado três vezes para que fosse retirado seu “espinho na carne”, não foi atendido (2Co.12.8-9).Dessa forma, compreendemos que os pedidos a que Jesus se refere, e que serão atendidos, são aqueles que estão de acordo com os Seus mandamentos de amar a Deus de todo coração, toda alma e todo entendimento e ao próximo como a si mesmo. (Mt. 22.37-39).

No entanto, não resta dúvida que Ele sempre ouve as nossas preces. As Escrituras nos mostram o quanto Deus ouve as nossas orações. Deus atendeu ao clamor do povo de Israel que vivia as maiores angústias em escravidão sob o domínio de Faraó no Egito. Ele atendeu à Ana, que era estéril, dando-lhe um filho que se tornou o profeta Samuel. Ele atendeu à oração de Pedro, quando estava afundando nas águas revoltas do mar da Galiléia. Ele ouviu a oração de Ezequias. (2 Rs 20.1–3). Também Jesus nos mostra com o seu exemplo ao orar no Jardim do Getsêmani. Orou sem cessar ao Pai Celeste. Buscou forças e amparo em meio ao sofrimento. E assim muitos servos de Deus oravam: Abrão, Elias... Ele atendeu à igreja primitiva quando orou pela libertação do mesmo apóstolo Pedro que dormia na prisão. Todos expressavam alegria, felicidade e gratidão a Deus. E ,seguramente, Deus há de responder à nossa prece, elevada ao céu com fé e humilde.

Jesus é o grande consolo do cristão, mesmo em meio à angústia, ao desespero e ao medo. Não é apenas um consolo futuro e profético. É também presente no agora. Isso quer dizer que hoje mesmo o cristão pode desfrutar do consolo de Cristo. Por issonão precisamos ficar turbados, angustiados, temerosos, inseguros, como viviam os discípulos. É preciso lembrar que diante da angústia dos discípulos, foi justamente a promessa de que Jesus iria voltar para levá-los à Casa do Pai que os confortou. Por isso, creiamos naquele que nos preparou um lugar na casa paternal, e que é o caminho, a verdade e a vida que somente através dele, chegamos ao Pai. Pedimos ao Senhor, que não nos deixe trilharmos caminhos que nos levem a morte, mas andarmos no caminho que nos leve cada vez para mais perto do nosso Salvador. Amém!