segunda-feira, 22 de junho de 2026

TEXTO: MT 10.34-42

TEMA: DIFICULDADES E ALEGRIAS NA PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

A proclamação do Evangelho sempre fez parte da missão da Igreja. Desde os tempos dos apóstolos até os dias atuais, Deus nos chama para anunciar a mensagem da salvação em Jesus Cristo. Contudo, essa tarefa é acompanhada tanto por dificuldades quanto por alegrias.

As dificuldades surgem porque o Evangelho confronta o pecado humano e chama as pessoas ao arrependimento e à fé. Nem todos estão dispostos a ouvir essa mensagem. Por isso, aqueles que anunciam a Palavra de Deus podem enfrentar rejeição, críticas, perseguições e incompreensão. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que seriam odiados por causa do seu nome. O apóstolo Paulo experimentou prisões, sofrimentos e inúmeras dificuldades em sua missão, mas jamais abandonou o chamado que recebeu do Senhor.

Além das oposições externas, existem também os desafios internos. Muitas vezes o desânimo, o cansaço e a aparente falta de resultados podem levar o cristão a questionar seu trabalho. Em algumas ocasiões, ele lança a semente da Palavra e não vê imediatamente os frutos. Entretanto, Deus lembra que sua Palavra jamais volta vazia, mas realiza os propósitos para os quais foi enviada.

Apesar das dificuldades, a proclamação do Evangelho é uma fonte de grande alegria. Há alegria quando uma pessoa ouve a mensagem de Cristo e passa a confiar nele como Salvador. Há alegria quando pecadores encontram perdão, quando famílias são fortalecidas pela Palavra e quando vidas são transformadas pela graça de Deus. Cada batismo, cada confirmação, cada retorno à fé e cada oportunidade de compartilhar a esperança cristã revela a ação  do Senhor.

A maior alegria, porém, está na certeza de que Deus é quem realiza a sua obra. Os cristãos são apenas instrumentos em suas mãos. O crescimento da Igreja não depende da capacidade humana, mas da ação do Espírito Santo por meio da Palavra e dos Sacramentos. Essa certeza fortalece os servos de Deus e lhes dá coragem para continuar anunciando o Evangelho.

A missão cristã envolve cruz e alegria. Há desafios, sofrimentos e lutas, mas também há a satisfação de participar da obra de Deus e testemunhar sua graça transformando vidas. Sustentados pelas promessas do Senhor, continuamos proclamando o Evangelho com confiança, sabendo que nosso trabalho no Senhor não é em vão e que a recompensa eterna está preparada para todos os que permanecem fiéis a Cristo

Diante desse contexto, o texto de Mateus 10.34-42 pode ser compreendido a partir de três pilares que sustentam as dificuldades e alegrias na proclamação do Evangelho:

Primeiro,as dificuldades na proclamação do Evangelho (vv.34-39).A proclamação do Evangelho enfrenta dificuldades porque a mensagem de Cristo exige uma decisão de fé. Jesus afirma que sua Palavra pode provocar oposição e até divisão entre as pessoas. Nem todos estão dispostos a aceitar o chamado ao arrependimento e à confiança n’Ele. Por isso, o discípulo pode encontrar resistência até mesmo dentro de sua própria família. Seguir Jesus requer colocá-lo acima de todos os relacionamentos e interesses pessoais.Além disso, o discipulado envolve tomar a cruz, enfrentando renúncias e sofrimentos por causa da fé. Contudo, aqueles que permanecem firmes encontram em Cristo força para vencer as dificuldades.

Segundo, as alegrias na proclamação do Evangelho (vv.40-41).A proclamação do Evangelho também é fonte de grande alegria para os discípulos de Cristo. Jesus ensina que quem recebe seus servos recebe o próprio Senhor e aquele que o enviou. Isso mostra a importância e a dignidade da missão cristã. Deus continua usando seus servos para levar sua mensagem de salvação ao mundo. Há alegria em acolher, apoiar e incentivar aqueles que anunciam o Evangelho. Dessa forma, todos os cristãos podem participar da obra missionária da Igreja.

Terceiro,Deus não esquece nenhum ato feito por amor a Cristo (v.42).O discurso de Jesus termina com uma promessa cheia de conforto e esperança. Ele afirma que até mesmo um simples copo de água fria oferecido a um de seus discípulos não ficará sem recompensa. Uma palavra de encorajamento, uma visita a quem sofre, uma oração, um gesto de generosidade ou um ato de cuidado podem parecer pequenos aos olhos humanos, mas têm grande valor diante de Deus. Essa promessa fortalece os cristãos em sua missão, lembrando-lhes que seu trabalho no Reino de Deus não é inútil. Mesmo quando os resultados não são visíveis, Deus continua agindo e recompensará, segundo sua graça, aqueles que servem com fidelidade. Assim, os discípulos de Cristo podem perseverar com alegria, sabendo que o Senhor vê, sustenta e honra todo serviço realizado para a glória do seu nome.

                                                                 I

Jesus inicia a sua mensagem ao afirmar aos discípulos: “não pensem que eu vim trazer paz ao mundo. Não vim trazer paz, mas espada”(v.34). As palavras de Jesus, a princípio podem nos parecer um dito paradoxal, uma vez que  as Escrituras  citam vários exemplos  que Jesus é o Príncipe da Paz. (Isaías 9.6). Ele é a nossa paz. (Ef.2.14). Os anjos ao proclamar o nascimento do Messias, eles cantaram "Paz na terra". E, em João 14.27, Jesus afirma: "A minha paz vos dou". Ele mesmo disse: que são bem-aventurados os pacificadores. (Mateus 5.9). Em pelo menos três lugares na carta aos Romanos, Paulo falou sobre a paz que Deus nos dá. (5.1; 8.6; 14.17). Portanto, não seria uma contradição o que Jesus estaria ensinando? Como  poderia afirmar que não veio trazer paz, mas espada, instrumento  característico da guerra? Como poderia afirmar que não veio trazer união, mas divisão?

Não há contradição. Quando Jesus afirma estas palavras.  ele não está incentivando a violência nem contradizendo sua missão como Príncipe da Paz. A “espada” é uma figura de linguagem que representa a divisão. É uma arma tanto ofensiva quanto defensiva, usada para se proteger do mal ou para atacar o inimigo e vencê-lo. Era uma arma poderosa, e por onde ela passava, ocorria uma divisão. Jesus proibiu ao discípulo o uso da espada para defendê-lo contra a turba que veio prendê-lo. E ainda alertou que todos que lançam mão da espada à espada perecerão. (Mt 26.52). Quando Jesus fala de espada, não está enviando seus discípulos ao mundo para a luta em forma de guerra e destruição. Ele  não veio armar seus seguidores para que estes, por meio da força, possam conseguir novos discípulos.

A espada como arma de guerra é símbolo da Palavra de Deus. A Bíblia nos ensina que a Palavra do Senhor "é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” (Hebreus 4.12). Quando seria anunciado, ministrado e praticada de forma tão intensa a mensagem de Cristo, resultaria em divisão entre as pessoas. Causariam discussões, debates, discórdias, reações, ódio e perseguições, bem como  sacrifícios dolorosos, inclusive   nas estruturas sociais, políticas e religiosas.Assim, a “espada” representa o poder da Palavra que separa, revela e transforma, mostrando que o seguimento de Cristo exige decisão e pode implicar consequências profundas na vida de quem crê e de quem rejeita a mensagem do Evangelho.

Portanto, Jesus não veio trazer violência e guerra, mas paz. Mas não a paz  que os  judeus esperavam, e que o mundo tanta almeja, uma paz que simplesmente significasse ausência de guerras no mundo, pois o mundo nos dá uma paz falsa e mentirosa, efêmera, fugaz, passageira. O mundo procura nos enganar, iludir com essa paz. Jesus fala aos seus discípulos de outra paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.”( Jo14.27). E ,ainda, disse: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). Portanto, Ele veio trazer ao coração do pecador redimido a paz com Deus. ( Mt 11.29). Por intermédio da cruz somos reconciliados com Deus. Por meio de Cristo há um caminho de aproximação para com Deus. Ele é a Porta, o Caminho para o Pai (Jo 10.7,9; 14.6); por intermédio dele, os homens, embora pecadores, uma vez reconciliados, podem se aproximar “com confiança do trono da graça” (Hb 4.16).

No entanto, apesar da paz de Cristo estar à disposição, não são todos que a vivem e a acolhem. No mundo existem pessoas que não aceitam a mensagem do Evangelho de Cristo. Para muitos são loucura. (1 Coríntios 1.18). A verdade é que o mundo está cheio de perversos, de pessoas que têm suas vidas no pecado, sem qualquer arrependimento. Nesse sentido, vemos Jesus explicando que essas pessoas se levantarão em oposição àqueles que vivem na paz de Cristo. Elas vão hostilizar a mensagem de Cristo e rejeitá-la. Os servos  de Cristo, que vivem nesse mundo, também serão hostilizados e rejeitados por seguirem a Cristo.

Como se observa, a proclamação do Evangelho resultaria discussões, sofrimento,perseguição,conflitos e desprezo. Essa divisão é tão profunda que ,muitas vezes, à espada trazida por Cristo rompe até mesmo os laços pessoais mais íntimos: “pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.” (vv.35 e 36). Jesus aplica uma profecia do profeta Miquéias e indica que por amor a Cristo pessoas seriam perseguidas e desprezadas pelos membros de sua própria casa ( Miquéias 7.6). O profeta está se queixando da corrupção moral que prevalecia em seus dias: amigos infiéis; esposas em quem não se podia confiar, filhos que não honravam os pais, conflitos familiares; os mandamentos do Senhor estavam sendo desobedecido.

Entretanto,, as orientações  de Cristo vão ainda mais além: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama o filho e a filha mais do que a mim, não é digno de mim.” (v.37). Jesus não está desejando que não amemos nossa família.que desprezemos aos pais e filhos. Mesmo porque temos vários textos que falam da obediência aos pais, do amar ao pai e a mãe: “honra a teu pai e a tua mãe… ” (Êx 20.12; Mt 19.19; Ef 6.2),do amar aos filhos e do próximo. (Lv 19.18; Mt 19.9). Amar aos pais e aos filhos é da vontade de Deus.

Contudo, a nossa família pode  tornar-se uma “cruz”. Pode tornar-se um empecilho quando deixamos de buscar a Jesus, nosso Salvador, porque, muitas vezes, colocamos como primeira prioridade a comida, a roupa, o dinheiro, a família, a carreira e  nos esquecemos de Deus.Por isso, Jesus nos desafia a mudar nossas prioridades. Buscar primeiro a Deus, ou seja, a nossa maior preocupação deve ser o nosso relacionamento com Deus. Quando o nosso relacionamento com qualquer pessoa estiver sendo um impedimento, um embaraço em nosso relacionamento com Jesus, a nossa escolha deve ser Jesus. E isto se estende até mesmo em relação às pessoas que mais amamos.

Jesus deixa explícito quando afirma que não é digno dele todo aquele que ama seu pai e sua mãe mais do que a Ele. Amar aqui significa ouvir, seguir, dar atenção, privilegiar, enfim, ter mais consideração e obedecer.E para ser digno de Jesus, precisamos amar mais a Jesus que os próprios familiares.Mas Jesus  deixa claro que ninguém será digno, se recusar a  tomar a cruz: “E quem não toma a sua cruz e vem após mim,  não é digno de mim.” (Mt 38). Ele coloca algumas condições e apresenta dois princípios básicos para quem almeja ser um verdadeiro discípulo de Cristo. Primeiro, os discípulos deveriam esquecer de si mesmo; perder a visão ou interesse próprio e viver submisso a Cristo. Segundo, tomar a cruz e seguir a Jesus,não significa fazer uma cruz real, pendurar no pescoço e afirmar que isto torna-se um verdadeiro sofrimento, ou que possa livrá-lo de um sofrimento.Então,“carregar a cruz” não é de maneira alguma simplesmente “sofrer” por sofrer. Mas trata de enfrentar as consequências de seguir a Jesus.Ele ilustra as dificuldades que os apóstolos deveriam esperar no discipulado cristão. Seria árduo e traria sofrimento, tão horríveis como a morte na cruz. Seria inevitável a cruz na vida dos discípulos.

 Esta é a verdade tão importante que compõe a compreensão acerca, do que é, de fato, ser um discípulo de Jesus. Sendo assim, Jesus ensina o que realmente faz com que uma pessoa seja um discípulo verdadeiro, um seguidor genuinamente unido a Ele: essa pessoa precisa negar-se a si mesma. No  entanto, aquele que nega ou está ansioso para salvar sua vida, ou seu conforto e segurança neste mundo, diante das perseguições, perderá a vida "eterna”: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á”(v.39).

Evidente que queremos salvar a nossa vida.  Não está errado! Entretanto, o erro se configura quando os bens materiais são colocados antes de servir, honrar e glorificar a Deus. Afinal, vivemos numa época em que as pessoas só pensam em ganhar. Nossa sociedade é capitalista, materialista, consumista e existencialista. O que está no centro de toda a filosofia de vida é o eu, o meu, o que posso ganhar de lucro pessoal. Os nossos tempos estimulam a necessidade de ganhar. Em nome dessa vontade de ter o mundo inteiro, o homem quer viver a sua própria vida. A triste realidade é que pelo fato de muitas pessoas ao salvar sua vida terrena, aproveitando de tudo, perderão a vida eterna, pois preferem trocar os valores eternos pelos prazeres transitórios dessa vida efêmera. Ganhar o mundo e perder a alma é uma péssima decisão!

Está disposto a perder a sua vida por Cristo, ou ganhar a sua vida neste mundo? Qual a sua decisão? O convite de Jesus continua valendo: venham a mim e sigam-me; sejam meus discípulos e busquem as coisas de Deus em primeiro lugar. As palavras de Jesus nos chamam para uma atitude de vida, de renúncia. Por isso, entrega-se totalmente a Cristo! Essa entrega implica em deixar o que existe de mais precioso em sua vida para seguir a Cristo, para que posso obter a salvação de sua alma. Jesus deixa bem claro que se queremos viver eternamente temos que estar preparados se for possível a renunciar a nossa vida.

                                                                II

Jesus encerra os seus ensinamentos. Ele não fala somente de perseguição, rejeição, dificuldades, mas também haveria receptividade. Os discípulos seriam recebidos ao levar a mensagem do Evangelho, ou seja, Cristo se manifesta  às pessoas por meio daqueles a quem Ele envia. Ele seria aceito ou rejeitado: “Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.”(v.40). Receber Jesus Cristo significa receber Deus e a salvação que ele oferece. Ele vem em primeiro lugar, porque, recebendo-o, recebe-se Deus. Quem cumpre a tarefa do fazer conhecido o nome de Jesus Cristo são os discípulos. Nesta parte dos ensinamentos de Jesus, vemos implícito o “Ide”. Indo precisavam pregar as Boas Novas. Sendo assim, Jesus os encoraja mostrando-lhes que quem os recebe tem a salvação. Por esse motivo, podemos nos colocar no lugar deles e saber que, sempre que fazemos um trabalho de evangelismo, estamos levando não a nossa mensagem, mas Cristo e o Pai.

Quando recebemos e honramos uma pessoa enviada de Deus, Ele nos recompensará devidamente. Jesus prometeu galardoar os seus discípulos tanto no presente quanto no por vir. Ele associou essa recompensa ao sofrimento, aflição, perseguição  pela causa do Evangelho. Então, Jesus esclarece essa questão aos discípulos:  “Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo”.(v.41).A palavra galardão de uma maneira geral significa recompensa.É bom deixar claro que esse galardão não tem nada a ver com a salvação. Até porque a salvação não é por obras, mas pela graça e mediante a fé (Efésios 2.8).O verbo “receber” significa aceitar, tomar aquilo , ter algum favor, ser recompensado, ser alcançado e dar recepção a algo.Mas podemos ainda entender o  “receber” literalmente significa receber em casa, hospedar, dar uma refeição,ou atentar ao ensino, ao exemplo de vida.

Portanto, aqueles que receberem um profeta, uma pessoa justa significa receber a mensagem de Deus e tem a promessa da recompensa. A história da viúva que deu a Elias alimento e água,é uma exemplo. Por “receber um profeta”, foi grandemente abençoada. Seu estoque de farinha de trigo e de azeite foi multiplicado por este profeta que agiu sob o espírito de Deus. Evidentemente, a viúva recebeu Elias ‘porque ele era profeta’. Assim, ela recebeu “a recompensa de profeta”.Nos dias de Jesus, se alguém tivesse o privilégio de receber um seguidor dele em sua casa, estava em condição de receber “a recompensa de homem justo”. O visitante sem dúvida partilharia as verdades edificantes sobre a sua fé e os ensinamentos da Palavra de Deus, com seu hospedeiro, assim como fez Jesus.O texto dá uma amplidão a cerca deste princípio, quem recebe um apóstolo, um pastor, um líder…, no exercício do seu ministério ,  recebe o galardão.

                                                                 III

No entanto, as palavras de Jesus sugere algo prático. O receber se constitui exclusivamente a mesma atitude que o próprio Cristo nos recebeu, e ainda recebe: “E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.”(v.42).Os discípulos deveriam se conscientizar da importância dessa prática.Ela era imprescindível durante a perseguição, uma vez que muitos deles necessitavam desse apoio e segurança em suas viagens missionárias de expansão do reino de Deus.A prática da hospitalidade é um importante dentro da igreja. Por meio dela, podemos expressar mais uma maneira de servir ao Senhor.A nossa hospitalidade ajuda os irmãos a cumprirem as suas tarefas, principalmente quando estão viajando a serviço do Senhor.

Com certeza, as recompensas estarão garantidas aos que são hospitaleiros, visto que Deus nunca fica devendo nada a ninguém. Jesus  diz que, quando damos de beber, ainda que seja um copo de água fria, a um pequeninos,aqueles  que são enviados, Jesus nunca esquece e garante o galardão. Agora, imagine quando agimos indo além de um copo de água fria, quando obedecemos,  e andamos em fidelidade, lealdade, unidade e aliança com o nosso Deus. Isto nos motiva ainda mais a enfrentar as perseguições que nos sobrevêm com coragem e alegria.Por isso, mãos à obra, porque sabemos que há grande número de pessoas que ainda não ouviram o Evangelho de Cristo. Temos que anunciar. Eis a nossa grande responsabilidade. Somos missionários, chamados e enviados a ser sal da terra e luz do mundo. Quem descobriu uma fonte de água cristalina no deserto não pode deixar de anuncia-lo aos outros que também estão com sede.

Se hoje o nome de Cristo é proclamado nos lugares mais longínquos deste mundo é porque estes discípulos levaram o Evangelho.E a história confirma que muitos apóstolos morreram morte de martírio. E com eles e após eles muitos outros cristãos foram martirizados até a morte.

Estimados irmãos! Ao refletirmos sobre as dificuldades e alegrias na proclamação do Evangelho, aprendemos que anunciar Cristo nunca foi uma tarefa fácil. O próprio Senhor enfrentou rejeição, e seus discípulos também experimentaram oposição, sofrimentos e desafios. No entanto, nenhuma dificuldade é capaz de impedir a ação de Deus por meio de sua Palavra.

Ao mesmo tempo, a proclamação do Evangelho traz profundas alegrias. Ver pessoas sendo alcançadas pela graça de Deus, fortalecidas na fé e conduzidas à esperança da vida eterna é um privilégio incomparável. Cada semente lançada, cada testemunho compartilhado e cada ato de serviço realizado em nome de Cristo, participa da grande obra que Deus está realizando no mundo.

 Por isso, não devemos desanimar diante das dificuldades. O Senhor continua acompanhando sua Igreja, fortalecendo seus servos e fazendo frutificar sua Palavra. Com confiança em suas promessas, sigamos anunciando o Evangelho, certos de que nosso trabalho não é em vão e de que a maior recompensa é ver o nome de Cristo glorificado e pessoas sendo conduzidas à salvação eterna.Amém.

 

 

 

TEMA: Sl 119.153-160

TEMA: A VERDADE DA PALAVRA EM MEIO À AFLIÇÃO

O Salmo 119 é o maior capítulo da Bíblia e tem como tema central o amor do cristão pela Palavra de Deus. Nos versículos 153 a 160, o salmista encontrava-se cercado por adversidades. Ele fala de aflição, perseguição e oposição. Em meio à aflição, ele encontra consolo na Palavra de Deus. Ele declara que não se esqueceu da Lei do Senhor e que sua esperança está nas promessas divinas. Contudo, em vez de se entregar ao desespero, ele volta seus olhos para Deus e clama: “Olha para a minha aflição e livra-me”. Sua confiança não estava em suas próprias forças, mas no Senhor que vê, conhece e cuida dos seus filhos.

A vida cristã não é isenta de dificuldades. Em diferentes momentos, enfrentamos aflições, perseguições, enfermidades, perdas e situações que colocam à prova a nossa fé. Nessas horas, muitas vozes tentam nos convencer de que Deus nos abandonou ou de que não há esperança. Mas o salmista nos mostra que, mesmo em meio ao sofrimento, a Palavra de Deus continua sendo verdadeira, segura e digna de confiança.Ela não elimina os problemas, mas fortalece o coração para enfrentá-los.

A Palavra de Deus também nos lembra que SENHOR continua governando todas as coisas e que suas promessas permanecem firmes, mesmo quando as circunstâncias parecem desfavoráveis. As opiniões humanas mudam, as circunstâncias passam e os desafios vêm e vão, mas a Palavra do SENHOR permanece para sempre. Ela é a verdade que sustenta, orienta e fortalece os que nela confiam. O salmista deixa isto evidente: “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre”. Essa é a grande certeza do povo de Deus.

Diante desse contexto, o Salmo de hoje  apresenta quatro pilares que sustentam a verdade da Palavra em meio à aflição:

Primeiro, Deus vê a aflição dos seus filhos (vv. 153-154).O salmista não esconde sua dor. Ele leva sua aflição diante de Deus. Sua confiança não está em sua própria força, mas no SENHOR. Observe que ele apresenta duas razões para clamar: não se esqueceu da lei de Deus e  confia na promessa divina.  A Bíblia mostra que os servos de Deus também passam por lutas. A diferença é que eles têm a quem recorrer. Quando as dificuldades chegarem, não corra para o desespero; corra para Deus. O SENHOR vê cada lágrima, conhece cada injustiça e continua sendo o defensor do seu povo.

Segundo,  a salvação pertence aos que buscam a Deus (vv. 155-156). O contraste é evidente: o justo busca a Palavra. O ímpio rejeita. O problema dos ímpios não é apenas moral; é espiritual. Eles vivem longe de Deus porque não desejam os seus caminhos. Em contraste, o salmista apela à grande misericórdia de Deus. Nossa esperança não está em nossos méritos, mas na compaixão do SENHOR. A verdadeira segurança não está na riqueza, no poder ou na posição social. A salvação está em Deus. Quem rejeita sua Palavra afasta-se da fonte da vida. Quem busca o SENHOR encontra misericórdia abundante.

Terceiro,a fidelidade permanece mesmo em meio à perseguição (vv.157-158). O salmista não nega a realidade da perseguição. Ele sabe que os inimigos são muitos. Mas há algo ainda maior: sua fidelidade à Palavra. Ele também sente tristeza ao ver os infiéis desprezando os mandamentos de Deus: “Vi os infiéis e senti desgosto.” Vivemos em um mundo que  muitas vezes  despreza a vontade de Deus. A pressão para abandonar a fé pode ser grande, mas o cristão é chamado a permanecer firme, mesmo quando a maioria segue outro caminho. Fidelidade não significa ausência de luta; significa permanecer ao lado de Deus durante a luta.

Quarto, o amor pela Palavra produz vida (v.159). O amor do salmista pela Palavra não é superficial. Ele lê a Palavra, guarda e obedece. A verdadeira vida espiritual nasce e é sustentada pela Palavra de Deus. Uma fé verdadeira não é construída apenas sobre emoções, mas sobre um relacionamento constante com a Palavra do SENHOR. Quem ama a Palavra encontra força para continuar caminhando.

Quinto, a Palavra de Deus é eternamente verdadeira (v.160). O salmo termina com uma declaração triunfante. Tudo pode mudar: governos mudam. Culturas mudam. Pessoas mudam. Mas a Palavra de Deus permanece. Ela continua sendo verdadeira. E continuará verdadeira para sempre. A verdade de Deus não depende da opinião humana nem das mudanças da sociedade. Sua Palavra é eterna e imutável. Em um mundo cheio de incertezas, o cristão possui um fundamento seguro: a verdade eterna da Palavra de Deus.

                                                                  I

Estimados irmãos! A vida cristã não está livre das aflições. Em determinados momentos, enfrentamos problemas, enfermidades, preocupações e situações que parecem maiores do que nossas forças. O salmista conhecia essa realidade e, por isso, dirige-se a Deus com um pedido sincero: “Atenta para a minha aflição e livra-me”.(v.153a). Quando ele pede “livra-me”, demonstra sua dependência do SENHOR. Não confia em suas próprias forças nem em recursos humanos, mas espera que Deus aja poderosamente para resgatá-lo da situação difícil em que se encontra.

A razão de seu pedido aparece na segunda parte do versículo: “pois não me esqueço da tua lei.” (v.153b). Mesmo sofrendo, ele permanece fiel à Palavra de Deus. A aflição não o afastou do SENHOR; pelo contrário, levou-o a apegar-se ainda mais às promessas divinas. Sua fidelidade não é apresentada como mérito para exigir algo de Deus, mas como evidência de sua confiança e comunhão com Ele.

Muitas vezes, quando enfrentamos dificuldades, somos tentados a desanimar ou a questionar Deus. Porém, o salmista nos ensina que a resposta não está em abandonar a fé, mas em apegar-nos ainda mais às promessas do SENHOR. Deus vê nossas lutas, conhece nossas lágrimas e continua sendo nosso refúgio seguro. Quando a aflição bater à sua porta, faça do SENHOR o seu primeiro recurso, e não o último. Leve suas preocupações a Deus em oração e mantenha-se firme em Sua Palavra. A mesma Palavra que susteve o salmista continua fortalecendo os cristãos hoje

O salmista continua sua oração em meio à aflição, mas agora usa uma linguagem jurídica: “Defende a minha causa”.(v.154a). Ele se apresenta diante de Deus como alguém que necessita de um advogado, de um defensor que tome seu partido contra as injustiças e perseguições que enfrenta. Ele reconhece que sua causa está mais segura nas mãos do SENHOR do que em qualquer tribunal humano.Em seguida, ele clama: “liberta-me” (v.154b). O salmista sabe que Deus não apenas ouve, mas também age. Ele espera que o SENHOR intervenha concretamente em sua situação, trazendo livramento e salvação.

A terceira petição é especialmente significativa: “vivifica-me” (v.154c). A aflição havia enfraquecido suas forças físicas, emocionais e espirituais. Por isso, ele pede que Deus lhe devolva o vigor, a esperança e a alegria de viver. A palavra “vivificar” aparece diversas vezes no Salmo 119 e expressa o desejo de ser renovado pela graça de Deus. O fundamento de sua confiança está na última expressão: “segundo a tua promessa” (v.154d). O salmista não se apoia em seus méritos, mas na fidelidade de Deus. Ele sabe que o SENHOR cumpre aquilo que prometeu e, por isso, pode orar com confiança.

Também nós enfrentamos momentos em que nos sentimos injustiçados, cansados ou desanimados. Nessas horas, podemos levar nossa causa ao SENHOR, certos de que Ele conhece a verdade e age em favor dos seus filhos. Quando nossas forças se esgotam, Deus continua capaz de nos renovar e sustentar. Nossa esperança não está nas circunstâncias, mas nas promessas de Deus, que permanecem firmes e imutáveis.

                                                                  II

O  salmista agora  estabelece um contraste entre aqueles que amam a Palavra de Deus e aqueles que a rejeitam. Ele declara que “a salvação está longe dos ímpios”, (v.155a) não porque Deus não seja misericordioso, mas porque os ímpios vivem afastados da vontade do SENHOR e recusam o caminho que conduz à vida. A razão dessa distância é apresentada claramente: “pois não procuram os teus decretos.”(v.155b). Os ímpios não demonstram interesse em conhecer, ouvir ou obedecer à Palavra de Deus. Sua confiança está em seus próprios pensamentos, desejos e caminhos. Ao rejeitarem a orientação divina, afastam-se também das bênçãos que Deus oferece.

Ele  compreende que a verdadeira salvação não consiste apenas em ser livrado de dificuldades temporais, mas em viver em comunhão com Deus. Essa comunhão é alimentada pela busca constante da Sua Palavra. Quem ignora os decretos do SENHOR fecha os ouvidos à voz daquele que deseja conduzi-lo à vida. Portanto, não basta conhecer a Palavra superficialmente; é necessário buscá-la, meditar nela e permitir que ela molde a vida. A proximidade de Deus é experimentada por aqueles que valorizam Sua revelação.

Vivemos em uma época em que muitos desejam as bênçãos de Deus, mas não demonstram interesse por Sua Palavra. O salmista nos lembra que não podemos separar Deus de Seus ensinamentos. Quanto mais buscamos a Sua vontade revelada nas Escrituras, mais crescemos na fé e na comunhão com Ele. Que nosso coração não seja indiferente à Palavra do Senhor, mas que a busquemos diariamente, encontrando nela direção, consolo e vida.

O salmista depois de afirmar que a salvação está longe dos ímpios, ele volta seu olhar para o caráter de Deus. Em meio às lutas e perseguições,  encontra consolo nesta verdade: “Muitas, SENHOR, são as tuas misericórdias.” (v.156a). A misericórdia de Deus é uma das maiores fontes de esperança para o cristão. O salmista não diz que as misericórdias do SENHOR são poucas ou limitadas, mas que são muitas, abundantes e inesgotáveis. Mesmo quando os pecados são grandes e as dificuldades parecem insuportáveis, a compaixão de Deus é maior. Como afirma Jeremias: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos” (Lm 3.22).

Com base nessa certeza, ele faz seu pedido: “vivifica-me segundo os teus juízos.”(v.156b). O salmista sente necessidade de renovação espiritual. Ele deseja que Deus fortaleça sua fé, restaure sua esperança e sustente sua vida conforme a Sua Palavra. Os “juízos” de Deus referem-se às Suas decisões justas e aos Seus ensinamentos revelados nas Escrituras. Percebe-se aqui uma importante lição: a renovação espiritual não vem dos sentimentos humanos nem das circunstâncias favoráveis, mas da ação misericordiosa de Deus por meio da Sua Palavra.

Todos nós passamos por momentos de desânimo, fraqueza e cansaço espiritual. Nessas horas, devemos lembrar que as misericórdias de Deus continuam sendo abundantes. Não dependemos de nossa força, mas da graça do SENHOR, que diariamente nos sustenta e renova. Quando nos sentimos abatidos, podemos buscar vida nova na Palavra de Deus, que fortalece o coração e nos conduz novamente à esperança.

                                                                III

O salmista reconhece uma realidade difícil em sua vida: “São muitos os meus perseguidores e os meus adversários.” (v.157a). Ele não nega a realidade da perseguição. Ele sabe que os inimigos são muitos. Mas há algo ainda maior: sua fidelidade à Palavra. Ele também sente tristeza ao ver os infiéis desprezando os mandamentos de Deus: “Vi os infiéis e senti desgosto.”(v.157b). Vivemos em um mundo que  muitas vezes  despreza a vontade de Deus. A pressão para abandonar a fé pode ser grande, mas o cristão é chamado a permanecer firme, mesmo quando a maioria segue outro caminho. Fidelidade não significa ausência de luta; significa permanecer ao lado de Deus durante a luta.

Entretanto, o foco principal do versículo não está nos adversários, mas na perseverança do salmista. Ele declara: “contudo, não me afasto dos teus testemunhos.” (v.157c). Apesar das pressões, perseguições e dificuldades, ele permanece firme na Palavra de Deus. Os inimigos podem tentar intimidá-lo, mas não conseguem fazê-lo abandonar sua confiança no SENHOR. Essa é uma das grandes marcas da fé verdadeira: a perseverança. É relativamente fácil seguir a Deus quando tudo vai bem. O desafio surge quando a fidelidade traz sofrimento, críticas ou oposição. Nesses momentos, a fé é provada e fortalecida.

Os cristãos também enfrentam oposição. Nem sempre ela se manifesta por meio de perseguição aberta; muitas vezes surge através de críticas, pressões culturais, tentações ou dificuldades que procuram enfraquecer a fé. Nessas horas, devemos lembrar do exemplo do salmista e permanecer firmes na Palavra de Deus. Quem permanece nos caminhos de Deus encontra força para resistir e esperança para continuar.

No entanto,, o salmista expressa um profundo sentimento de tristeza diante da atitude daqueles que rejeitam a Palavra de Deus. Ele afirma: “Vi os infiéis e senti desgosto.”(v.158a). A palavra “desgosto” transmite a ideia de dor, tristeza e indignação diante da rebeldia humana. O que causa esse sofrimento não é uma questão pessoal nem um simples desacordo de opiniões. O motivo de sua tristeza é claramente apresentado: “porque não guardam a tua palavra.” (v.158b). O salmista ama tanto a Lei do SENHOR que não consegue permanecer indiferente quando vê pessoas desprezando os mandamentos divinos.

Essa reação revela um coração alinhado com Deus. Muitas vezes, ficamos tristes quando somos ofendidos ou prejudicados, mas o salmista se entristece porque a vontade de Deus está sendo desprezada. Seu zelo pela Palavra demonstra sua profunda comunhão com o SENHOR. Ao mesmo tempo, o salmista nos alerta para o perigo da infidelidade espiritual. Conhecer a Palavra sem obedecê-la é um caminho que conduz ao afastamento de Deus. A verdadeira fé manifesta-se em ouvir, guardar e praticar aquilo que o SENHOR ensina.

Vivemos em um mundo onde a Palavra de Deus é frequentemente ignorada ou rejeitada. Como cristãos, não devemos responder com arrogância ou desprezo, mas com tristeza sincera e amor pelas pessoas que se afastam do SENHOR. Devemos orar por elas e testemunhar da verdade com humildade e compaixão. Precisamos  examinar nosso próprio coração. Não basta lamentar a infidelidade dos outros; precisamos perguntar diariamente se estamos guardando a Palavra de Deus em nossa própria vida.

                                                               IV

O salmista apresenta diante de Deus duas grandes verdades: seu amor pela Palavra e sua dependência da graça divina. Primeiramente, ele declara: “Considera em como amo os teus preceitos.” (v.159a). O salmista não está tentando impressionar Deus nem reivindicar méritos próprios. Ele simplesmente expõe a realidade do seu coração. Seu amor pelos mandamentos do SENHOR é sincero e profundo. Ao longo de todo o Salmo 119, vemos repetidamente esse apego à Palavra de Deus, que se tornou sua alegria, orientação e consolo.

Entretanto, ele não fundamenta seu pedido nesse amor, mas na misericórdia divina. Por isso continua: “vivifica-me, ó SENHOR, segundo a tua benignidade.”(v.159b). O salmista sabe que a renovação espiritual não é conquistada por obras humanas. Mesmo amando a Palavra, ele necessita constantemente da graça de Deus para ser fortalecido, sustentado e renovado. A palavra “benignidade” refere-se ao amor fiel, à bondade e à misericórdia de Deus para com o seu povo. O salmista reconhece que toda bênção recebida vem desse amor imerecido do SENHOR. Quem ama a Palavra deseja viver segundo ela, mas sabe que depende diariamente da misericórdia divina para permanecer firme.

O amor pela Palavra de Deus é um sinal da obra do Espírito Santo em nosso coração. Contudo, mesmo os cristãos mais dedicados precisam reconhecer sua total dependência da graça divina. Não vivemos pela força da nossa devoção, mas pela bondade do SENHOR que nos sustenta dia após dia. Que o nosso desejo seja crescer no amor às Escrituras e, ao mesmo tempo, confiar cada vez mais na misericórdia de Deus.

                                                                  V

O salmista encerra o texto com uma declaração sobre a confiabilidade e a eternidade da Palavra de Deus. Depois de falar sobre aflições, perseguições e a necessidade constante de renovação espiritual, o salmista firma sua fé em um fundamento inabalável: a verdade de Deus. Ele afirma: “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio.” (v.160a). A Palavra de Deus não contém apenas algumas verdades; ela é verdade em sua totalidade. Desde o princípio, tudo o que Deus falou mostrou-se fiel, digno de confiança e absolutamente verdadeiro. As opiniões humanas mudam, as filosofias passam e as culturas se transformam, mas a verdade de Deus permanece a mesma.

Na segunda parte do versículo, o salmista declara: “cada um dos teus justos juízos dura para sempre.”(v.160b). Os decretos de Deus não são temporários nem sujeitos às mudanças do tempo. Sua justiça é eterna porque procede do próprio Deus, que é imutável. O que Ele estabelece como certo continua certo; o que Ele declara verdadeiro continua verdadeiro. Essa convicção era especialmente importante para o salmista, que vivia cercado por adversários e pela injustiça. Mesmo quando tudo parecia instável ao seu redor, ele sabia que a Palavra de Deus permanecia firme. Por isso, podia confiar nela sem reservas.

Vivemos em uma sociedade marcada por mudanças rápidas e por opiniões conflitantes. Muitas vezes, as pessoas questionam a existência de uma verdade absoluta. Contudo, o cristão encontra segurança na Palavra de Deus, que permanece verdadeira e imutável através dos séculos. Quando enfrentamos dúvidas, dificuldades ou incertezas, devemos voltar-nos para as Escrituras. Nelas encontramos um fundamento sólido para a fé, a vida e a esperança.

Queridos irmãos! O Salmo 119.153-160 nos mostra que a aflição é uma realidade na vida do povo de Deus, mas também nos ensina onde encontrar socorro em meio às lutas. O salmista não confia em sua própria força, nem nas circunstâncias favoráveis; ele se apega à Palavra do SENHOR. É nela que encontra consolo, direção, esperança e vida.

Quando os inimigos se multiplicam, quando as lágrimas parecem não ter fim, quando a injustiça e o sofrimento nos cercam, Deus continua sendo fiel. Sua Palavra permanece verdadeira, suas promessas não falham e sua misericórdia jamais se esgota. O mesmo Deus que sustentou o salmista continua sustentando seus filhos hoje.

Por isso, não permitamos que a aflição nos afaste de Deus. Pelo contrário, que ela nos conduza ainda mais para perto de sua Palavra. Nela encontramos a verdade que ilumina nossos caminhos, fortalece nossa fé e nos lembra que Cristo venceu o pecado, a morte e todo o mal.

Que possamos sair daqui com a certeza de que, em meio às tribulações desta vida, a verdade da Palavra de Deus permanece firme para sempre. E que, sustentados por essa verdade, continuemos caminhando com fé, esperança e confiança naquele que é a própria Palavra encarnada, nosso SENHOR e Salvador Jesus Cristo.Amém.

 ORAÇÃO FINAL

Senhor nosso Deus e Pai amado, nós te agradecemos porque, em meio às aflições e dificuldades da vida, não nos deixas sozinhos. A tua Palavra é luz para os nossos caminhos, consolo para os nossos corações e força para os momentos de fraqueza.

Assim como o salmista clamou a ti em sua angústia, também nós colocamos diante de ti as nossas lutas, preocupações e sofrimentos. Olha para aqueles que estão aflitos, enfermos, desanimados ou carregando pesados fardos. Sustenta-os com a tua graça e renova neles a esperança.

SENHOR, guarda-nos para que nunca nos afastemos da tua verdade. Fortalece a nossa fé para permanecermos firmes em tua Palavra, mesmo quando enfrentamos perseguições, provações e desafios. Que o teu Santo Espírito nos conduza diariamente, para que vivamos segundo a tua vontade.

Agradecemos porque as tuas promessas são verdadeiras e eternas. Em Cristo Jesus encontramos perdão, salvação e vida. Por isso confiamos em ti e entregamos em tuas mãos o nosso presente e o nosso futuro.

 Abençoa nossas famílias, nosso trabalho, nossa igreja e todos aqueles que necessitam do teu cuidado. Que a tua paz, que excede todo entendimento, guarde os nossos corações e mentes em Cristo Jesus.Em nome de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo oramos.Amém.

 

 


segunda-feira, 15 de junho de 2026

 

TEXTO: RM 6.12-23

TEMA: ESCRAVOS DO PECADO OU SERVOS DA JUSTIÇA?

Nossas vidas são marcadas por escolhas. Desde as decisões mais simples até as mais importantes, somos constantemente chamados a decidir qual caminho seguir. A verdade é que, frequentemente, nos encontramos diante de encruzilhadas, ponderando entre diferentes opções e avaliando riscos, benefícios e consequências.Muitas dessas escolhas não são fáceis, pois envolvem decisões que podem influenciar profundamente o nosso presente e o nosso futuro. Por isso, em diversos momentos, permanecemos indecisos, buscando discernimento e direção para seguir pelo caminho correto.Entretanto, não podemos permanecer para sempre na indecisão. Em algum momento, precisamos escolher. E cada escolha que fazemos contribui para moldar nossa história, definir nosso caráter e determinar os rumos de nossa caminhada.

A Palavra de Deus nos mostra que a vida também é uma grande escolha espiritual. Diante de nós estão dois caminhos apresentado pelo apostolo Paulo. Ele ensina: o caminho da vida, da bênção e da comunhão com Deus, ou o caminho da morte, do mal e da separação do Senhor. Não existe um terceiro caminho neutro. Cada decisão que tomamos revela quem governa o nosso coração e a quem estamos entregando nossa obediência. Por isso, a Bíblia constantemente nos convida a escolher a vida e a permanecer nos caminhos do Senhor.

Paulo dirige essas palavras a cristãos que já haviam sido alcançados pela graça de Deus. Eles haviam recebido o Evangelho, sido batizados em Cristo e libertados da condenação e do domínio do pecado. Contudo, essa libertação não significava viver sem direção, sem compromisso ou sem responsabilidade. A graça não é uma licença para pecar, mas um chamado para uma nova vida. Aqueles que foram resgatados por Cristo agora pertencem a Ele e são chamados a viver de maneira coerente com essa nova identidade.

Assim, a grande pergunta que surge diante de cada cristão é: a quem estamos servindo? Nossas atitudes, palavras, pensamentos e prioridades revelam quem ocupa o trono do nosso coração. Cristo nos libertou da escravidão do pecado para que vivamos como servos da justiça. Portanto, que diariamente escolhamos obedecer ao Senhor, apresentando nossa vida a Ele, para que experimentemos a alegria da santidade, a paz da comunhão com Deus e a esperança da vida eterna.

Neste texto aprendemos três verdades importantes:

                                                             I

Primeiro, o cristão não deve permitir que o pecado governe sua vida (vv. 12-14). Paulo inicia esta seção com uma exortação clara e direta: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões (v.12).O apóstolo Paulo exorta os cristãos a não permitirem que o pecado governe suas vidas. A palavra “reine” sugere a ideia de um rei que exerce domínio e autoridade. O “corpo mortal” refere-se à condição humana marcada pela fragilidade e pela inclinação ao pecado. Paulo não ensina que o corpo seja mau em si mesmo, mas que ele pode tornar-se instrumento para a prática do pecado quando cedemos aos desejos contrários à vontade de Deus. Embora o cristão tenha sido libertado do domínio do pecado por meio da obra de Cristo, o pecado continua presente e procura exercer influência sobre sua vida. Ele tenta controlar pensamentos, desejos, palavras e atitudes.Por isso, o apóstolo adverte os cristãos a não oferecerem os membros do corpo ao pecado e às “paixões” que são os desejos desordenados da natureza pecaminosa. Quando uma pessoa se deixa conduzir por esses impulsos, acaba obedecendo ao pecado em vez de obedecer a Deus.

Em vez disso, devem apresentar-se a Deus como pessoas que passaram da morte para a vida. A vida cristã exige uma decisão diária: escolher a quem servir e a quem entregar nossas capacidades, talentos e ações.Por isso, o apóstolo chama os cristãos à vigilância e à santificação,pois a mensagem central é que o cristão não deve entregar o controle da sua vida ao pecado. Pela fé em Cristo e pela ação do Espírito Santo, somos chamados a resistir às tentações e a viver de acordo com a nova vida que recebemos no Batismo. Portanto, o cristão é chamado a resistir ao pecado e a colocar toda a sua vida sob o senhorio de Cristo. Isso envolve vigilância, oração, arrependimento constante e dependência da Palavra de Deus.

Após exortar os cristãos a não permitirem que o pecado reine em seus corpos, Paulo passa a mostrar como essa vitória deve ser vivida na prática: “Nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurreto dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.” (v.13).O apóstolo utiliza a palavra “oferecer”, que transmite a ideia de colocar algo à disposição de alguém para seu serviço. A questão central é: a quem estamos entregando nossa vida? Paulo ensina que os membros do corpo — olhos, ouvidos, língua, mãos, pés, mente e coração — podem ser usados de duas maneiras. Podem ser colocados a serviço do pecado, tornando-se “instrumentos de iniquidade”, ou podem ser dedicados a Deus como “instrumentos de justiça”.Quando os olhos são usados para cobiçar, a língua para mentir ou ferir, as mãos para praticar o mal e a mente para alimentar pensamentos pecaminosos, o corpo torna-se instrumento do pecado. O pecado procura utilizar todas as áreas da vida humana para se manifestar e produzir frutos de injustiça.

Entretanto, Paulo apresenta uma alternativa gloriosa: “oferecei-vos a Deus”. O cristão deve entregar toda a sua vida ao Senhor. Isso inclui seus pensamentos, palavras, talentos, tempo, recursos e relacionamentos. Não se trata apenas de evitar o mal, mas de colocar-se ativamente a serviço de Deus “como ressurretos dentre os mortos”. Isto significa  a nova identidade do cristão. Antes, estávamos espiritualmente mortos em nossos pecados; agora, por meio de Cristo, recebemos uma nova vida. Quem foi unido a Cristo pela fé já não pertence ao antigo senhor, mas ao Senhor ressuscitado. Por isso, deve viver de acordo com essa nova realidade.

Paulo também chama os cristãos a apresentarem seus membros como “instrumentos de justiça”. A palavra grega pode ser traduzida como “armas”. Assim, o cristão é visto como um soldado a serviço de Deus. Seus olhos devem contemplar aquilo que agrada ao Senhor; sua boca deve proclamar a verdade e o evangelho; suas mãos devem servir ao próximo; seus pés devem andar nos caminhos da justiça.Paulo também nos lembra que a verdadeira liberdade não consiste em fazer tudo o que desejamos, mas em viver para Aquele que nos deu uma nova vida. Como pessoas que foram ressuscitadas com Cristo, somos chamados a dedicar cada área de nossa existência ao Senhor, tornando-nos instrumentos de justiça para a Sua glória.A pergunta é: estamos colocando nossos dons, nosso corpo e nosso coração a serviço do pecado ou a serviço de Deus?

Depois de exortar os crentes a resistirem ao pecado e a se oferecerem a Deus como instrumentos de justiça, Paulo mostra a razão pela qual essa obediência é possível. Ele apresenta uma poderosa promessa: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” (v.14). Ele afirma que  “o pecado não terá domínio sobre vós”. Isto revela uma verdade fundamental do Evangelho. Antes da conversão, o ser humano estava escravizado ao pecado. Seus pensamentos, desejos e ações eram controlados por uma natureza afastada de Deus. Porém, por meio da morte e ressurreição de Cristo, essa escravidão foi quebrada. O pecado ainda está presente e continua tentando o cristão, mas já não possui autoridade absoluta sobre sua vida.Paulo não está ensinando que o cristão alcançará a perfeição nesta vida ou que nunca mais pecará. O que ele afirma é que o pecado não é mais o governante do coração daquele que foi unido a Cristo. A relação mudou: antes éramos escravos; agora somos livres para servir a Deus.

A segunda parte do versículo explica a razão dessa vitória: “pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” Estar debaixo da lei significa estar sujeito à sua condenação. A lei de Deus é santa, justa e boa, mas ela não tem poder para salvar nem para transformar o pecador. Ela revela o pecado, denuncia a culpa e mostra a necessidade de um Salvador. Estamos de fato “debaixo da graça”. Significa viver sob o favor imerecido de Deus manifestado em Jesus Cristo. Pela graça, recebemos o perdão dos pecados, somos declarados justos diante de Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos capacita a viver uma nova vida. A graça não apenas remove a culpa do passado, mas também concede força para a santificação no presente.

Quando enfrentamos tentações e fraquezas, devemos lembrar desta promessa: o pecado não terá domínio sobre nós. Nossa esperança não está em nossa força de vontade, mas na obra de Cristo e no poder da graça de Deus. O mesmo Senhor que nos perdoa também nos sustenta e fortalece para vencer a luta diária contra o pecado.

                                                                II

Segundo, todo ser humano serve a um senhor (vv.15-18).Após afirmar que os cristãos não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça, Paulo prossegue seu ensino fazendo uma pergunta que poderia surgir na mente de alguns cristãos: “Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça?” (v.15). Em outras palavras, se somos salvos pela graça e não pelas obras da lei, isso significa que podemos viver de qualquer maneira? A resposta do apóstolo é imediata e enfática: “De modo nenhum!”

A pergunta de Paulo revela um perigo que existe em todas as épocas: transformar a liberdade cristã em libertinagem. Alguns pensam que, porque Deus perdoa, o pecado não tem importância. Entretanto, o verdadeiro conhecimento da graça produz justamente o efeito contrário. Quando compreendemos o alto preço da nossa redenção — o sofrimento, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo — entendemos que o pecado não pode ser tratado com leviandade. Cristo entregou Sua vida para nos libertar do domínio do pecado, e ,por isso, a resposta do cristão à graça de Deus não é continuar pecando, mas viver em gratidão, amor e obediência ao Senhor.

Cada cristão deve examinar o próprio coração e perguntar: estou usando a graça de Deus como desculpa para justificar meus pecados ou como motivação para viver uma vida que O glorifique? O apóstolo Paulo deixa claro que a graça não nos dá liberdade para pecar; ao contrário, ela nos liberta da escravidão do pecado para que vivamos como servos da justiça.A verdadeira graça produz transformação. Ela muda o coração, renova a mente e conduz o cristão a uma vida de santificação. Quem compreende a grandeza do amor de Deus revelado em Cristo não deseja permanecer no pecado, mas busca agradar Àquele que o salvou.

Portanto, a graça de Deus nunca foi uma autorização para continuar vivendo no pecado. Ela é o poder de Deus que transforma o pecador e o capacita a viver uma nova vida, marcada pela obediência, pela santidade e pelo serviço ao Senhor.

Em seguida, Paulo apresenta a figura da escravidão, muito conhecida pelos seus leitores: “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" (v,16). Mais uma vez, Paulo inicia sua argumentação com a expressão “Não sabeis?”, uma fórmula retórica que aparece diversas vezes na Carta aos Romanos. Com ela, o apóstolo pressupõe que seus leitores já conhecem a verdade que será apresentada. Não se trata de uma informação nova, mas de uma realidade que eles deveriam compreender e aplicar à sua vida cristã.

Nesse sentido, Paulo utiliza o verbo traduzido como “ofereceis” ou “apresentais”, um termo que significa colocar-se à disposição de alguém, render-se voluntariamente ou colocar-se sob a autoridade de outra pessoa. O verbo está no presente do indicativo, indicando uma ação contínua e habitual. A ideia é que, por meio de nossas decisões diárias, constantemente nos apresentamos a um senhor e nos colocamos sob sua influência.Para ilustrar essa verdade, Paulo emprega a figura do escravo (doulos). No mundo greco-romano do século I, o escravo era propriedade legal de seu senhor (kyrios). Ele não possuía autonomia própria, mas estava sujeito à vontade daquele a quem pertencia. Sua vida, seu trabalho e suas ações eram determinados pelo seu senhor.

Com essa imagem, Paulo ensina que a obediência revela a quem realmente pertencemos. Quem se entrega ao pecado e obedece aos seus desejos demonstra que está sob seu domínio. Por outro lado, quem se apresenta a Deus em obediência mostra que pertence ao Senhor e vive sob Sua autoridade.Sendo assim, o apóstolo destaca que existem apenas dois senhores possíveis: o pecado ou Deus. Não há neutralidade espiritual. Cada pessoa está servindo a um deles. A escravidão do pecado conduz à morte, isto é, à separação de Deus e à condenação eterna. Já a obediência que nasce da fé conduz à justiça, produzindo uma vida transformada e santa diante de Deus.

Assim, o desafia cada cristão é refletir: a quem tenho me apresentado diariamente? Minhas atitudes, palavras e escolhas demonstram submissão ao pecado ou obediência ao Senhor? A resposta a essa pergunta revela quem é o verdadeiro senhor da nossa vida.

Após afirmar que existem apenas dois senhores possíveis — o pecado ou Deus — Paulo interrompe sua argumentação para expressar gratidão. Ele  diz: “Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.” (v.17). Eles haviam sido libertados do domínio do pecado pelo poder do Evangelho. Deus operou uma mudança profunda em seus corações, levando-os a uma obediência sincera e voluntária.Com isso, o apóstolo reconhece que a transformação ocorrida na vida dos cristãos de Roma foi resultado da ação graciosa de Deus.Paulo também relembra o passado de seus leitores: “outrora, escravos do pecado”. Antes de conhecerem a Cristo, eles viviam sob o domínio do pecado. Não se tratava apenas da prática ocasional de atos pecaminosos, mas de uma condição espiritual de escravidão. O pecado era o senhor que governava seus pensamentos, desejos e ações.

Contudo, algo extraordinário aconteceu. Pela ação do Espírito Santo e pela proclamação do Evangelho, eles foram libertados dessa escravidão. Paulo afirma que eles “obedeceram de coração”. A obediência cristã verdadeira não é meramente externa, motivada pelo medo ou pela obrigação. Ela nasce do coração transformado pela graça de Deus. É uma resposta sincera de fé, amor e confiança no Senhor.

Quando Paulo fala em “forma de doutrina”, ele se refere ao conjunto dos ensinamentos cristãos recebidos pelos primeiros cristãos: a mensagem de Cristo, sua morte e ressurreição, o arrependimento, a fé, o Batismo e a nova vida em Deus.A palavra grega traduzida por “forma” pode significar modelo, padrão ou molde. A ideia é que os cristãos foram moldados pelo ensino de Cristo, assim como o metal líquido assume a forma do molde no qual é colocado. O Evangelho não apenas informa a mente; ele transforma a vida daqueles que o recebem pela fé.

É interessante notar que Paulo não diz que a doutrina foi entregue aos cristãos, mas que eles foram entregues à doutrina. Isso destaca a autoridade da Palavra de Deus sobre a vida do cristão. O cristão não molda o Evangelho aos seus desejos; é o Evangelho que molda o cristão segundo a vontade de Deus.

                                                                    III

Terceiro, os dois caminhos produzem resultados diferentes (vv.19-23). Paulo conclui sua argumentação comparando os frutos produzidos pelos dois tipos de servidão. Depois de mostrar que ninguém vive sem servir a um senhor, ele agora destaca que cada escolha produz consequências inevitáveis. O caminho do pecado conduz a um destino; o caminho da obediência a Deus conduz a outro completamente diferente.

Ele convida seus leitores a olharem para o passado e refletirem sobre a vida que levavam antes de conhecer a Cristo: “Naquele tempo, que resultados colhestes? Somente as coisas de que agora vos envergonhais.” (v.21).  Paulo leva os cristãos a refletirem sobre a vida que levavam antes de conhecer a Cristo. Ele faz uma pergunta que exige uma avaliação honesta do passado: “Que resultados colhestes?” Em outras palavras: que benefício real o pecado trouxe para vocês? Que proveito duradouro encontraram naquela maneira de viver?A pergunta é retórica, pois a resposta é óbvia. O pecado promete prazer, liberdade e satisfação, mas seus frutos são vazios e decepcionantes. Aquilo que parecia atraente no passado revelou-se destrutivo e sem valor. Em vez de produzir felicidade verdadeira, o pecado gerou culpa, sofrimento, escravidão e afastamento de Deus.

 Paulo acrescenta ainda: “Somente as coisas de que agora vos envergonhais.” Após serem alcançados pela graça de Deus e iluminados pela verdade do Evangelho, os cristãos passaram a enxergar seu passado de forma diferente. O que antes consideravam normal ou até desejável tornou-se motivo de vergonha e arrependimento. Não porque Deus quisesse humilhá-los, mas porque agora compreendiam a gravidade do pecado e as consequências de uma vida distante do Senhor.Essa vergonha não é um sentimento destrutivo que leva ao desespero, mas uma consciência renovada que reconhece os erros do passado e valoriza ainda mais a graça de Deus. O cristão olha para trás não para permanecer preso à culpa, mas para lembrar de onde foi resgatado e agradecer pela misericórdia recebida em Cristo.

Em contraste com essa realidade, Paulo apresenta a nova condição dos que pertencem a Cristo: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna.” (v.22). A graça de Deus mudou completamente a direção de suas vidas. Eles não estão mais presos ao domínio do pecado, mas vivem sob o senhorio de Cristo. A expressão “Agora, porém” indica uma mudança radical de condição. O passado ficou para trás; uma nova vida começou pela graça de Deus.Ele afirma que  os cristãos foram “libertados do pecado”. Isso não significa que o cristão jamais enfrentará tentações ou cometerá pecados, mas que o pecado já não é mais o seu senhor. Antes, ele estava preso ao seu domínio; agora, por meio da morte e ressurreição de Cristo, foi libertado de sua escravidão e recebeu uma nova identidade.

Em seguida, o apóstolo declara que os cristãos foram “transformados em servos de Deus”. A liberdade cristã não significa independência absoluta, mas uma mudança de senhorio. O cristão deixa de servir ao pecado para servir a Deus. Diferentemente da escravidão do pecado, que destrói e conduz à morte, o serviço a Deus é fonte de verdadeira liberdade, alegria e vida.Então, Paulo afirma: “fruto para a santificação”. Assim como uma árvore saudável produz frutos, a vida daquele que pertence a Deus produz evidências de transformação espiritual. A santificação é o processo pelo qual o Espírito Santo molda o cristão à imagem de Cristo. Esse crescimento se manifesta em uma vida de fé, amor, obediência, humildade, serviço e busca pela vontade de Deus.

Por fim, Paulo aponta para o destino glorioso dessa nova vida: “a vida eterna”. A santificação não é o objetivo final, mas o caminho que conduz à plena comunhão com Deus. A vida eterna começa no presente, por meio do relacionamento com Cristo, e alcançará sua plenitude na eternidade, quando os salvos viverão para sempre na presença do Senhor.Esse é o caminho daqueles que foram alcançados pelo Evangelho e transformados pelo poder de Cristo.

Paulo encerra essa seção com uma das declarações mais conhecidas e profundas das Escrituras: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (v.23).O apóstolo começa afirmando: “Porque o salário do pecado é a morte.” A palavra “salário” era usada para descrever o pagamento recebido por um soldado pelos seus serviços. A ideia é clara: a morte é a justa recompensa que o pecado paga àqueles que o servem. Não se trata de algo arbitrário ou injusto, mas da consequência natural e merecida da rebelião contra Deus.

Na Bíblia, a morte não se limita ao fim da vida física. Ela inclui a morte espiritual, que é a separação de Deus nesta vida, e culmina na morte eterna, a separação definitiva da presença favorável de Deus no juízo final. Desde a queda de Adão, toda a humanidade está sujeita a essa realidade por causa do pecado.Mas Paulo não encerra o versículo com a palavra “morte”. Ele apresenta a gloriosa esperança do Evangelho: “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna.” O contraste é impressionante. A morte é um salário, algo que o pecador merece e recebe como resultado de sua condição. A vida eterna, porém, não é um salário nem uma recompensa conquistada por méritos humanos. Ela é um dom gratuito, um presente oferecido pela graça de Deus.Nenhuma pessoa pode obter a vida eterna por suas próprias obras, esforços ou méritos. Ela é concedida por Deus aos que creem em Jesus Cristo. O que não poderíamos conquistar, Deus nos oferece gratuitamente por amor.

E assim Paulo conclui afirmando que essa vida eterna está “em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Cristo é a única fonte da salvação. Foi por meio de Sua vida perfeita, de Sua morte na cruz e de Sua ressurreição que Deus abriu o caminho para que pecadores fossem reconciliados com Ele. Fora de Cristo há condenação; em Cristo há perdão, reconciliação e vida eterna.

Estimados irmãos!Ao chegarmos ao final deste texto, somos confrontados com uma verdade fundamental: existem apenas dois senhores diante dos quais o ser humano pode viver. De um lado está o pecado; do outro, Deus. Não existe neutralidade espiritual. Cada pessoa pertence a um desses reinos e serve a um desses senhores.Quanto o pecado, apresenta-se de forma atraente, prometendo liberdade, prazer e realização. Contudo, seu resultado final é sempre o mesmo: escravidão, culpa, destruição e morte. Tudo aquilo que ele oferece é passageiro e enganoso. Seu salário é a morte, tanto espiritual quanto eterna.

Cristo, porém, oferece algo completamente diferente. Ele veio ao mundo para libertar os cativos. Por meio de Sua vida perfeita, de Sua morte na cruz e de Sua gloriosa ressurreição, Jesus venceu o pecado, a morte e o poder do maligno. O que não poderíamos conquistar por nós mesmos, Deus realizou por Sua graça.Em Sua infinita misericórdia, Deus nos chamou para Si. Pelo Batismo e pela fé em Jesus Cristo, fomos unidos à Sua morte e ressurreição, recebendo perdão, nova vida e a promessa da salvação eterna.

Portanto,  Paulo nos exorta a não permitir que o pecado reine em nosso coração. Somos chamados a apresentar nossa mente, nossos lábios, nossas mãos e toda a nossa vida ao Senhor. Cada dia é uma oportunidade para viver como servos da justiça, guiados pela Palavra de Deus e fortalecidos pelo Espírito Santo.Diante dessa mensagem, cada um de nós deve responder à pergunta que ecoa ao longo de todo este texto: “Escravos do pecado ou servos da justiça?”

Que a nossa resposta seja dada não apenas com palavras, mas com a própria vida. Que, pela graça de Deus, sejamos servos de Cristo, vivendo em santificação, produzindo frutos que glorificam ao Senhor e aguardando com alegria o cumprimento da gloriosa promessa da vida eterna.

E quando a luta contra o pecado parecer difícil, lembremo-nos desta certeza: o pecado não terá domínio sobre aqueles que pertencem a Cristo. Pois não vivemos debaixo da condenação da lei, mas sob a maravilhosa graça de Deus.A Ele sejam a honra, a glória e o louvor para todo o sempre. Amém.

domingo, 14 de junho de 2026

TEXTO: MT 10. 5a, 21-33

TEMA: NÃO TENHAM MEDO!

 O que tem dominado o mundo nos últimos tempos é o medo. Ele está presente no cotidiano das pessoas e se manifesta de diversas formas. Afinal, quem não sente medo ao atravessar uma avenida movimentada? Quem não teme uma forte tempestade? Quem não tem receio de ser assaltado? E quem não teme a morte?

Mas o que é o medo? Segundo os dicionários, o medo é um estado emocional que surge como resposta à consciência de uma situação de possível perigo. Trata-se de uma sensação ligada ao mecanismo de defesa do ser humano, que coloca o organismo em estado de alerta diante de algo percebido como uma ameaça.

Entretanto, nem todas as pessoas conseguem lidar com a sensação do medo de maneira equilibrada. Quando o medo se torna intenso, persistente e desproporcional ao perigo real, ele pode transformar-se em uma fobia. As fobias são medos irracionais e exagerados relacionados a objetos, situações, animais ou ambientes específicos. A simples possibilidade de entrar em contato com aquilo que provoca a fobia pode gerar grande sofrimento, ansiedade e até sintomas físicos, como suor excessivo, tremores, falta de ar e aceleração dos batimentos cardíacos.

Os discípulos também sentiram medo quando conviveram com Jesus. Em certa ocasião, quando estavam no mar em meio a uma grande tempestade, enquanto Jesus dormia no barco, começou a soprar um forte vento, e as ondas ameaçavam afundar a embarcação. Tomados pelo medo e sem saber o que fazer, os discípulos recorreram a Jesus, clamando: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!” Então Jesus lhes respondeu: “Por que tendes tanto medo, homens de pequena fé?”

O Evangelho de João também nos relata que, após a ressurreição de Jesus, os discípulos permaneciam reunidos a portas fechadas, dominados pelo medo. A tristeza pela morte do Mestre, associada à insegurança quanto ao futuro, levou-os ao isolamento. Os sentimentos de angústia e temor tomaram conta de suas vidas naquele fim de semana. Eles haviam testemunhado tudo o que as autoridades judaicas fizeram contra Jesus: sua prisão, os maus-tratos, o julgamento injusto e a condenação à morte.

Por isso, encontravam-se vacilantes, nervosos, confusos e sem perspectivas. O medo os paralisava porque ainda não compreendiam plenamente a presença, o poder e as promessas de Jesus. Faltava-lhes a fé que tantas vezes havia sido ensinada, incentivada e elogiada pelo próprio Senhor. Somente quando Cristo ressuscitado se colocou no meio deles e lhes disse: “Paz seja convosco”, seus corações foram fortalecidos e o medo começou a dar lugar à confiança.

Então,Jesus diz: “Não tenham medo!” Esta é uma das recomendações mais frequentes de Jesus aos seus discípulos. Diante das incertezas, das dificuldades e dos perigos da vida, o Senhor nos convida a confiar n'Ele. Não há razão para viver dominado pelo medo. É necessário enfrentá-lo e vencê-lo, para que a vida possa ser vivida com mais serenidade, alegria e esperança.

Devemos lembrar sempre que não estamos sozinhos neste mundo. Deus caminha conosco em todos os momentos, especialmente nas horas mais difíceis. Quando o medo tenta tomar conta do coração, existe uma palavra de conforto e esperança que vem do próprio Senhor. A verdadeira esperança está em Deus, que jamais abandona os seus filhos. Como é bom confiar inteiramente nas promessas divinas! Deus nos assegura que estará ao nosso lado todos os dias, sustentando-nos com seu amor e protegendo-nos com sua graça. Por isso, o salmista Davi declara com convicção: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a fortaleza da minha vida; de quem terei medo?” (Sl 27.1).

O próprio Senhor continua a nos dizer: “Não temais!” Mas por que não devemos ter medo? A resposta está nas promessas de Deus:

Primeiro, não tenham medo, porque o discípulo segue o mesmo caminho do Mestre (v. 25). Seguir a Cristo significa compartilhar não apenas suas bênçãos, mas também seus sofrimentos. O Mestre foi rejeitado, perseguido, acusado injustamente e crucificado. Portanto, seus discípulos não devem se surpreender quando enfrentarem oposição.Muitas vezes desejamos um cristianismo sem cruz, sem lutas e sem dificuldades. Contudo, Jesus nos ensina que o verdadeiro discipulado exige perseverança e fidelidade.

Segundo, não tenham medo, porque Deus cuida dos seus filhos (v. 29 e 30).Na época de Jesus, os pardais eram aves de pouco valor comercial. Ainda assim, Deus cuidava deles. Em seguida, Jesus declara:"Quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados" Que maravilhosa promessa! Nada em nossa vida passa despercebido aos olhos de Deus. Ele conhece nossas alegrias, tristezas, lágrimas, lutas e necessidades. O Pai Celestial não abandona aqueles que lhe pertencem.Quando o medo tenta dominar o coração, devemos lembrar que nossa vida está nas mãos daquele que governa todas as coisas.

Terceiro,  não tenham medo, porque Cristo reconhecerá os seus diante do Pai (v. 32).O cristão é chamado a confessar sua fé em Cristo, mesmo quando isso traz dificuldades ou oposição. Muitas pessoas negam sua fé por medo da crítica, da rejeição ou da perseguição. Mas Jesus nos encoraja a permanecer firmes.Aquele que permanece fiel ao Senhor será reconhecido pelo próprio Cristo diante do Pai Celestial.Que privilégio saber que o Salvador não se envergonha daqueles que lhe pertencem!Enquanto o mundo pode nos rejeitar, Cristo nos recebe. Enquanto as pessoas podem nos abandonar, Cristo permanece ao nosso lado.

                                                                 I

Ao chamar seus discípulos, Jesus os instruiu cuidadosamente e lhes concedeu autoridade e poder para anunciar o Evangelho. A missão que receberam consistia em pregar o arrependimento, proclamar a salvação por meio de Cristo e conduzir as pessoas à fé, para que se tornassem filhos de Deus e herdeiros do seu Reino.Essas orientações iniciais foram claras e objetivas, pois Jesus desejava que seus discípulos compreendessem as consequências de segui-lo. Em nenhum momento Ele escondeu as dificuldades que enfrentariam. Pelo contrário, advertiu-os de que, por sua causa, seriam alvo de calúnias, incompreensões, perseguições e até mesmo de divisões dentro da própria família.

Sem dúvida, essa realidade é algo preocupante e doloroso. Afinal, a família foi criada por Deus para ser um lugar de amor, acolhimento e comunhão. É no ambiente familiar que deveriam existir laços profundos de união entre pais e filhos, irmãos e irmãs. Por isso, torna-se difícil imaginar que justamente esses relacionamentos tão próximos possam ser afetados por conflitos gerados pela fé em Cristo.

No entanto, Jesus sabia que a rejeição ao Evangelho poderia provocar tensões até mesmo entre aqueles que compartilham os vínculos mais íntimos. A tristeza aumenta quando essa desordem chega ao ponto de romper relacionamentos, gerar hostilidade e transformar pessoas próximas em adversárias. Em situações extremas, o ódio e a intolerância podem ameaçar até mesmo a vida daqueles que permanecem fiéis ao Senhor.Apesar disso, os discípulos foram chamados a permanecer firmes. A fidelidade a Cristo deve estar acima de qualquer oposição humana. Quem segue o Salvador encontra forças para perseverar, mesmo quando enfrenta incompreensão ou rejeição, confiando que Deus continua cuidando de seus filhos e cumprindo suas promessas.

Mas em que sentido essa divisão da família tem algo a ver com o testemunho em favor de Jesus? Tal ruptura nas relações familiares poderia encontrar sua causa na diversidade de atitudes adotadas no seio da família em relação a Jesus.Seus ensinamentos poderiam acabar sendo como uma “espada” em algumas famílias.Como assim? Aqueles que decidissem se tornar discípulos de Jesus e se batizar, deveriam saber que a família poderia ficar contra essa decisão, e fazer de tudo para impedir que seguissem os ensinamentos de Cristo.Isto ocorre quando outros da família não o apoiam ou até mesmo se tornam opositores.

Os discípulos entenderam que a oposição na família faz parte dos sofrimentos que teriam que enfrentar.E Jesus vai além e afirmar que o fato de segui-lo e ensinar a respeito de seu nome,  “seriam odiados .”(v.22a).Mas quem tem prazer em ser odiado? Acredito que ninguém. Contudo, o Senhor garante que esse sentimento acompanhará Seus seguidores por todo o mundo. Eles não deveriam se surpreender com estas palavras de Jesus, pois Ele já havia afirmado em várias ocasiões, daquilo que enfrentariam durante a perseguição.

No Evangelho  Lucas 21.17, Jesus diz assim: “De todos sereis odiados por causa do meu nome.” Em Mateus:  “Então vocês serão presos, perseguidos e mortos. Por minha causa, serão odiados em todo o mundo.”( 24.9). Sendo assim,Jesus os exorta: “E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.”(10.17). Sabendo das grandes dificuldades que eles enfrentariam no decorrer da caminhada.Jesus acrescenta: “aquele que perseverar até ao fim será salvo.”(v.22b).

E para fundamentar essa realidade, os discípulos deveriam lembrar  de três pontos fundamentais. Primeiro: “O discípulo não está acima do seu mestre,e nem o servo, acima do seu senhor.”(v.24a). Desde o início até o final de seu evangelho, o propósito de Mateus é revelar Jesus como o Rei divino, o Messias e Filho de Deus que veio para redimir e salvar a humanidade.Portanto, Ele é o único Rei, o único Messias, o Filho único de Deus, o único Salvador e Senhor. Em todos esses papéis, Ele é merecedor de submissão total.E os discípulos deveriam se concientizar-se de que há uma certa limitação entre o discípulo (aprendiz)  e seu mestre,entre o servo e seu senhor: “Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre” (Lc 6.40).

Segundo: “basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor.”(v.25b). Isto é suficiente para Jesus,que o discípulo seja como seu Mestre, e o servo como seu senhor. O máximo que o discípulo conseguirá, depois de aprender tudo, é ser igual ao seu Mestre. No fundo, é nisso que consiste o discipulado: em aprender a ser como o Mestre. Ele coloca em prática o que aprendeu e passa a desenvolver características que são próprias do seu Mestre. Passa a segui-lo e se parece com Ele, ao imitá-lo.  O apóstolo Pedro é uma exemplo.Ele foi reconhecido como  um discípulo de Cristo,pois possuía características próprias do Senhor Jesus, que a própria criada testificou: “... a tua fala te denuncia” (Mt 26.73).

Terceiro: ao ser semelhante a Cristo implicaria que os discípulos seriam odiados pelos inimigos: “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?”(v.25c). Jesus também afirma em João: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou" (15.18-21).O que Jesus esta afirmando é que, se as pessoas estão me chamando de Satanás, como fizeram os fariseus. Então, certamente, chamariam Seus discípulos do mesmo jeito. Em vários lugares, os evangelhos testemunham que o Senhor Jesus foi chamado de maneira ofensiva. Por exemplo, em Mateus 12.24,os fariseus diziam que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios. Jesus foi tratado assim, não se poderia esperar futuro diferente para seus discípulos.Mas o que se dirá daqueles que entregam suas vidas a Jesus, que se dedicam a adorá-lo e a fazer a vontade dele?

                                                                    II

No entanto,Jesus, faz os refletirem sobre a grandeza desse seguimento, ao trazer conforto aos Seus discípulos. Haverá perseguições, dificuldades, incompreensões que podem gerar um medo que os paralise ou os faça desistir da sua missão, mas Jesus garante sua presença, consolando e apoiando, Ele diz: “Portanto, não os temais.”(v.26a). O Senhor os exorta a não desanimar: não tenham medo! Não tenham medo, porque Eu cuido de vocês. Não desanime por causa dessas provações, pois aquele que perseverar na fé e na prática do Evangelho, suportando, constantemente. e com paciência diante das perseguições, será  salvo.O Espírito Santo irá capacita-los, com força, graça e convicção para suportar este medo, onde quer que estejam. Por isso, é que estou preparando vocês para enfrentar estas duras experiências.

Mas porque os discípulos não deveriam ter medo? Jesus responde: “Porque nada há encoberto,que não venha a ser revelado:nem oculto;que não venha a ser conhecido.”(v.26b).Com estas palavras Jesus consola os seus discípulos. Tudo será manifesto, nada ficará escondido. Ele chama-os a não ter medo. porque tudo aquilo que hoje se realiza na escuridão será conhecido. Queria mostrar que por algumas vezes  falou por parábolas, e ,certamente, ministrou algumas instruções particulares aos discípulos, os quais nunca declarou publicamente. A razão dessa atitude não visava ocultar a mensagem de Deus ao povo para sempre, mas tinha por objetivo entregar tal mensagem no tempo certo. O que os discípulos não deveriam fazer é ocultar a mensagem de Jesus, mas proclamar dos telhados, onde todos pudessem  ouvir a mensagem: “O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirado.”(v.27).Com isso Jesus mostrou que a sua mensagem, o evangelho, deve ser publicamente proclamado a todos as nações.

Jesus apresenta outra providência pela qual os discípulos não deveriam temer. Em geral, Ele não queria que seus discípulos ficassem temerosos,com relação aos seus perseguidores,uma vez que sofreriam afrontos, desprezos,e ,muitas vezes,até morrer por amor ao nome do Senhor.Então, lhes advertiu: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.” (v.28).Portanto, não tenham medo daqueles que podem matar o corpo, mas não a alma.Deveriam,sim,temer a Deus,aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo, porque sobre a alma somente o Senhor tem poder.Ela não pode ser destruída pelos intentos humanos ou de Satanás. Policarpo,discípulo do apóstolo João,quando pediram que o negasse a Cristo.Ele declarou: “Há oitenta e seis anos eu tenho sido o seu servo, e ele nunca me faltou. Como blasfemarei contra o meu rei que me salvou?”. E ,assim, os discípulos de Jesus morreram,mas não negaram a sua fé em Cristo.Eles não temeram,permaneceram firmes até o fim,pois confiaram nas palavras de Jesus: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma.”

Jesus ainda os aconselha a não ter medo,pois tudo está em Suas mãos.Ele afirma que os discípulos valiam  mais do que muitos pardais: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.” (v.29. Pardais eram aves de pouco valor, vendidas no mercado como alimentação dos pobres.O que Jesus está tentando ensinar? Assim, como ele se preocupa com estas pequenas aves que são criaturas de pouco valor, ainda assim Deus cuidava delas,agora,imagine o cuidado que Jesus tem com os seus discípulos. Nenhum deles será esquecido diante de Deus.Por isso,não deveriam estar com medo.

Assim,podemos entender o quanto o Pai celeste sabe tudo o que seus filhos precisam receber nesta vida. Lemos em 1 Pedro 5.7: “Lançai sobre ela a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. O Pai celeste tem conhecimento das necessidades que cada um de nós necessita e de toda nossa vida. O profeta Isaías nos diz: “Não temas porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço e te ajudo” (Isaías 41.10).O salmista nos diz: “Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem”. Diante deste cuidado, podemos esperar confiantemente o fornecimento de todas as necessidades que temos da parte do Pai.

Não tenham medo! Jesus dispensa tanta atenção aos discípulos que chega a contar os fios de cabelo da cabeça de cada um! (v.30).O que Jesus quis dizer com este expressão "até os cabelos..."? Isto significa que são milhares de fios. Nesta grande quantidade, cada um deles está contado.Deus conta cada coisa da nossa existência, cada detalhe da nossa vida mostrando a sua preocupação para conosco. Há um valor específico, individual, especial em cada um de nós para Ele.Este é o conforto, o consolo que Jesus traz aos seus discípulos. Ele tem cuidado especial  por aqueles que sofrem pelo testemunho do reino.Isto demonstra que os inimigos não podem ir além do consentimento do Pai.    Não fiquem com medo! Vocês valem mais que um milhão de pardais.

                                                                 III

Não tenham medo porque haverá uma recompensa: “ Portanto,todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;  mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (vv.33a). Há dois termos neste versículo: confessamos a Jesus ou negamos.Aquele que não negar a sua fé em Jesus. Aquele que não se envergonhar de Jesus, mesmo quando for zombado, mesmo quando for perseguido por causa do Seu nome.Então,Jesus também o confessará diante do Pai que está nos céus. Não tenha medo de confessar a Jesus.Não tenha medo de testemunhar com sua vida. Não tenha medo de falar de Jesus, pois, se com ele você sofrer, naquele dia em que todas as coisas vierem à luz, com ele você será honrado na presença do Pai.Seremos recebidos por ele mesmo, para a posse da vida eterna.

No entanto,diz Jesus: “aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (v.33b). Ora, o que significa negar Cristo diante dos homens? Negamos quando não confiamos em Jesus  em nossas terríveis provações. Quando se fala de negar Cristo, muitos lembram o exemplo de Pedro.Primeiramente,ele confessa: “Tu és o Cristo de Deus”. E ainda mais: “Estou pronto a ir contigo, tanto para prisão como para morte; ainda que todos se escandalizem, eu jamais ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei”. Porém, já diante da primeira dificuldade e ao ser simplesmente por uma criada: “Não és tu também um dos discípulos deste homem?”. Pedro nega a Jesus. Sente medo de confessar o nome de Jesus. Onde estava a sua coragem, sua lealdade a Cristo? Perdeu uma grande oportunidade para testemunhar, mas Pedro, certamente lembrou imediatamente do que Jesus dissera: “Aquele que me negar...” e por isso se arrependeu do ato que cometeu.Se acompanharmos toda a história da Igreja, a começar pelo livro de Atos dos Apóstolos, veremos as grandes dificuldades que tiveram estes discípulos para levar a mensagem. Foram submetidos às mais cruéis torturas.Mas não negaram a Jesus.

Talvez,você tenha negado, muitas vezes, a Jesus. Analise a sua vida. Pare e pense no que você tem feito das oportunidades de testemunho. Lembre-se  de sua promessa: “Aquele que confessar diante dos homens...” Mas lembre-se de sua advertência: “Aquele que me negar diante dos homens...”  Portanto,quer confessar Cristo diante dos homens? A nossa parte é confessar, ou representá-lo na vida diária,pois confessar Jesus significa assumir compromisso com Deus.Entretanto, se a pessoa, por algum motivo não faz essa confissão de fé, está rejeitando, negando Jesus.Por isso, não negue Jesus, mas viva Cristo em seu coração: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (II Tm. 2.11-13). Não se envergonhe de Jesus: “Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos” (Lc 9.26).

Estimados irmãos! Certamente o medo era o grande problema no tempo em viviam os discípulos, com medo dos chefes da Sinagoga e do Império, medo da prisão e dos conflitos com a própria família.Hoje continuamos com medo do desemprego, da injustiça, do fracasso, dos conflitos familiares, das perseguições, das violências. Jesus nos ensina a não ter medo diante do anuncio do Evangelho,pois pelo fato de anuncia-lo sofremos críticas, perseguições, incompreensões, calunias, injustiças.Mas Jesus  nos dá força, estando sempre do nosso lado, para vencermos o medo e anunciarmos o Evangelho.  Mãos a obra, porque sabemos que há grande número de pessoas que ainda não ouviram o evangelho de Cristo. Temos que anunciar! E,por isso, não tenhamos medo!  Amém!

  APONTAMENTOS:

Βεελζεβούλ - (v.25).A palavra Belzebu é oriundo  do termo hebraico  (בעל זבוב), que é formado por duas palavras: baal, que significa “senhor” e, muitas veze,s se referia à divindade suprema masculina dos cananeus ou fenícios no Antigo Testamento (Jz 2.13, 1Rs 16.31, Jr 2.8). Na realidade, essa divindade era adorada pelos filisteus, na cidade bíblica de Ekron (עֶקְרוֹן), a mais ou menos 30 km de Jerusalém.Já o termo  zebub significa “mosca“, como em Ec 10.1 e Is 7.18.Sendo assim, Baal-Zebub é “senhor das moscas.” ou “senhor das pestilências.” No aramaico bíblico a palavra é muito parecida com a hebraica, sendo בּעֵלזבוּב (belzbub), de onde vem a forma grega Βεελζεβούλ (Beelzeboul), e no latim Beelzebub e por fim a forma popular em português, Belzebu.

Os escribas e fariseus tentaram associar Jesus a Belzebu. Eles diziam que Jesus estava possesso de Belzebu e o acusaram de expulsar os demônios pelo poder de Belzebu . (Mateus 12.24 e Mateus 9.34).Tudo em função dos seus milagres.Mas Jesus sabe que os seus milagres não tinham nenhuma relação com Satanás ou Belzebu, ou com qualquer outra divindade ou ser mitológico da época. Suas obras são realizações de Deus,

 ἀπόλλυμι ἔν γέεννα   “perecer no inferno.” - destruir

Γέεννα - (v.28). Este termo grego é proveniente do hebraico גיאהנם  que é traduzido como “vale de Hinom.”  Se encontra 12 vezes na Bíblia: Mateus 5. 22, 29, 30; 10.28; 18.9; 23.15, 33; Marcos 9.43, 45, 47; Lucas 12.2; Tiago 3.6.Originalmente, a expressão se referia a um vale situado ao sul de Jerusalém, onde se adoravam divindades pagãs.As nações tinham por costume fazer diversas coisas obscuras neste local, como feitiçaria. Além disso, em certa ocasião, até mesmo alguns reis israelitas ímpios fizeram sacrifícios idólatras neste vale.Deus prometeu acabar com os sacrifícios idólatras neste vale, tornando dele local de sepultamentos.Por causa de sua reputação como um lugar abominável, mais tarde passou a ser um depósito, onde  o lixo, cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais e toda outra espécie de imundície eram jogados e queimados.  Acabou se tornando um local sombrio e maldito.  Usava-se enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo.

Aquele vale cheirava mal, tinha constante fumaça do lixo queimado com enxofre continuamente e muitos vermes que comiam o que o fogo não consumia. Assim, Γέεννα veio a tornar-se sinônimo de “um lugar de fogo.”Jesus usou este termo como metáfora para demonstrar que o inferno é um símbolo da destruição final dos ímpios e hipócritas. É um  lugar “onde não lhes morre o verme, nem o fogo se paga”.(Mc 9.44). Quando.Ele envia Seus discípulos,afirma que não deveriam temer o homem, mas apenas Deus, “que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.”

Ἀσσάριον -(v,29). Era um pequena moeda romana de cobre,que equivalia a 1/16 de um denário.(salário de um dia de um trabalhador braçal).