TEXTO: MT 28.16-20
TEMA: COMO FAZER DISCÍPULOS DE CRISTO?
Hoje celebramos o Primeiro Domingo da Santíssima Trindade, ocasião em que a Igreja Cristã é convidada a meditar sobre a ação do Deus Triúno na vida do Seu povo. Por isso, celebrar a Trindade é celebrar o Deus verdadeiro, que eternamente existe como Pai, Filho e Espírito Santo, digno de toda honra, glória e adoração.
O presente texto nos mostra que Jesus desejava que os seus primeiros discípulos continuassem a mesma obra que Ele realizou durante os três anos de seu ministério terreno. Nesse período, Cristo discipulou homens, ensinando-os, corrigindo-os e preparando-os para que, ao final de sua jornada, transmitissem fielmente os seus ensinos e mandamentos a outras pessoas. Assim, o discipulado não deveria terminar nos apóstolos, mas continuar de geração em geração.
Portanto, a ordem de Jesus não era apenas um novo plano de ação, uma sugestão ou uma opção para a Igreja, mas um mandamento claro e permanente: ir e fazer discípulos de todas as nações. Esses discípulos, por sua vez, também fariam outros discípulos, dando continuidade à expansão do Reino de Deus. Dessa maneira, Cristo inicia aqui na terra a sua Igreja, uma Igreja santa, separada e conhecida pelo nome eterno de Igreja de Jesus Cristo.
Jesus procede assim porque possui toda autoridade. Ele é o Senhor soberano que envia os seus discípulos ao mundo. E, para o cumprimento dessa missão tão especial, Cristo concedeu à Igreja duas importantes responsabilidades: batizar e ensinar. O batismo marca a entrada visível na comunidade da fé, enquanto o ensino garante que os discípulos permaneçam firmes na Palavra de Deus, obedecendo a tudo quanto Cristo ordenou.
E nós? Como temos recebido esta missão deixada por Jesus? Precisamos aprender com os primeiros discípulos como fazer discípulos de Cristo, pois ser discípulo envolve entrega, compromisso e um contínuo processo de obediência ao Senhor. O discipulado cristão não se limita ao conhecimento teórico, mas exige uma vida transformada pela Palavra de Deus.
Necessariamente, para fazermos discípulos de Cristo, precisamos ensinar as coisas de Cristo. O próprio Senhor Jesus esclarece que o discipulado acontece por meio do batismo e do ensino perseverante de seus mandamentos. Somente quando a pessoa aprende a guardar e praticar os ensinamentos do Senhor é que ela se torna verdadeiramente uma seguidora de Cristo.
O verdadeiro discípulo aprende os ensinamentos de Jesus, caminha conforme a sua vontade e, a cada dia, procura parecer-se mais com Ele em suas atitudes, palavras e decisões. E esse processo não termina em si mesmo, pois o discípulo também passa a gerar outros discípulos, que por sua vez discipulam outros. Este é o método estabelecido por Cristo para alcançar os perdidos neste mundo.
Essa ordem de Jesus não foi dada apenas aos apóstolos, pastores ou líderes da Igreja, mas a todos os cristãos. Cada servo de Deus foi chamado para testemunhar, ensinar e conduzir vidas ao conhecimento de Cristo. Portanto, a pergunta permanece diante de nós: estamos dispostos a obedecer à voz do Senhor e fazer discípulos de Cristo?
Mesmo tendo sido abandonado pelos discípulos na noite de sua prisão, Jesus não os rejeitou. Pelo contrário, reuniu-os novamente para lhes confiar uma missão especial. Ao aparecer aos discípulos, percebeu que eles ainda viviam entre a fé e a dúvida (v.17). Diante dessa fraqueza, Jesus procura direcionar o olhar deles não para suas limitações, mas para a autoridade do próprio Senhor, declarando: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (v.18).O termo “autoridade” expressa poder, direito, liberdade para agir e realizar decisões. Durante seu ministério, Jesus demonstrou essa autoridade ao ensinar, realizar milagres, perdoar pecados, dominar a natureza e vencer a morte. Suas palavras eram pronunciadas com poder e produziam transformação, vida, acolhimento e conversão naqueles que o ouviam.A autoridade de Cristo não é limitada ou parcial. Ela abrange tanto a terra quanto os céus, alcançando toda a criação e todos os aspectos da vida humana. Assim, ao enviar os discípulos, Jesus mostra que a missão da Igreja não depende da força humana, mas do poder e da autoridade do próprio Senhor soberano.
No entanto, nem todas as pessoas reconheciam e experimentavam a autoridade no tempo de Jesus. Eram os fariseus, escribas, sacerdotes e saduceus e outras pessoas. Essas pessoas não perdiam uma oportunidade para questionar a autoridade de Jesus. Na verdade, não levavam à sério a declaração de Jesus: “A mim foi dada toda a autoridade”. Há muitas pessoas ao nosso redor com essa mesma atitude. Duvidam, desobedecem e não reconhecem o poder de Deus. Possuem autoridade que não gera vida, mas opressão, morte, cheia de demagogia, falsidade, injustiça, bajulação. Portanto, rejeitar a autoridade de Deus é o mesmo que ir contra o próprio Deus.
Precisamos aprender a nos colocar debaixo da autoridade de Jesus. E isto não tem dúvida. Cristo tem autoridade sobre as angústias e tristezas que nos atingem: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).Cristo tem autoridade sobre a morte: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” (João 11.25-26). Cristo tem autoridade para perdoar pecados: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta- te, toma o teu leito, e vai para tua casa”.(Mateus 9.6).Como é maravilhosos saber que a autoridade de Jesus é exercida com poder e majestade, grandiosidade e beleza, cheia de bondade e amor em nosso benefício.
Com estas palavras Jesus quer iniciar a sua igreja aqui na terra. Uma igreja que tem nome, um nome santo e eterno: Igreja de Jesus Cristo. Ele procede desta forma,pois tem autoridade para enviar seus discípulos.Mas antes de serem enviados, Jesus os transformou e os qualificou.Ensinou e fortaleceu com o Espírito Santo, capacitando-os a permanecer na fé e na obediência da proclamação de sua Palavra.Agora, deveriam estar aptos a transmitir seus ensinamentos e modo de vida para outras pessoas.Continuassem o que Ele tinha praticado na vida deles durante os três anos de seu ministério. “… Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.” (Jo 20.21b).Não era um chamado para um novo plano de ação, uma condição, uma opção, mas simplesmente uma ordem bíblica dada por Jesus para ir e fazer discípulos de todas as pessoas,que por sua vez fariam outros, e assim por diante.
Para realizar essa tarefa tão especial, Jesus lhes deu a autoridade de batizar e ensinar: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (v.19). Podemos dizer que o objetivo final de Jesus era formar discípulos que fizessem novos discípulos.
Mas como fazer discípulos de Cristo? Vamos analisar os termos desse versículo para responder a essa pergunta. O verbo grego πορευθέντες (ide) está no particípio aoristo ativo, nominativo plural masculino, do verbo πορεύομαι. Ele significa “ir”, “partir”, “seguir caminho” ou “dirigir-se a um destino específico”. A ideia principal é movimento contínuo em direção a um propósito.Sendo assim, a melhor tradução seria “indo” ou “enquanto vocês estiverem indo”. Isso traz a ideia de que a proclamação do evangelho deve acontecer continuamente no decorrer da vida. O discípulo de Cristo não anuncia a Palavra apenas em momentos específicos, mas vive em constante missão, aproveitando cada oportunidade para testemunhar de Jesus.Portanto, “indo” significa que, onde estivermos — em casa, no trabalho, na igreja, na escola ou na sociedade — devemos levar a mensagem de Cristo às pessoas. Estamos indo, caminhando e anunciando o evangelho continuamente, para que outros também se tornem discípulos de Jesus.
Mas indo para onde? Indo fazer o quê? Jesus explica: “Ide, portanto, fazei discípulos.” A conjunção conclusiva “portanto” (οὖν) introduz a conclusão da ordem “ide”. Isso significa que Jesus direciona Seus discípulos a uma ação específica: “fazei discípulos”. Assim, a autoridade dada a Jesus concede agora a capacitação necessária para que Seus seguidores façam discípulos.
Mas o que significa fazer discípulos? Vamos analisar o verbo grego μαθητεύσατε. Ele está na 2ª pessoa do plural, no aoristo, imperativo ativo, do verbo μαθητεύω, e significa “fazer discípulos” ou “tornar alguém discípulo”. A ideia é conduzir uma pessoa a tornar-se uma aprendiz e verdadeira seguidora de Cristo.A expressão “fazei discípulos”, no grego, aparece em uma única palavra, que poderia ser traduzida como “discipulai” ou “discipulem”. Nesse contexto, significa levar pessoas a se tornarem discípulas de Jesus Cristo, aprendendo Seus ensinamentos, seguindo Sua vontade e vivendo de acordo com Seu evangelho.
Quando isso ocorre, o verdadeiro discípulo torna-se um seguidor de Cristo, aprende Seus ensinamentos, caminha conforme a Sua vontade e, a cada dia, se parece mais com Ele em suas decisões e atitudes, a ponto de gerar outro discípulo, que também gere outros discípulos. Esse é o processo pelo qual Cristo deseja alcançar os perdidos deste mundo.
Mas é importante que o verdadeiro discípulo de Cristo mantenha um relacionamento constante com Jesus e absorva a essência de Seus ensinamentos, colocando-os em prática no dia a dia. Nos ensinamentos de Jesus Cristo, encontramos o plano para nossa felicidade, redenção e salvação — um modelo divino que inclui fé em Cristo, arrependimento, batismo, obediência aos mandamentos de Deus, recebimento do Espírito Santo e perseverança até o fim. Esses são os princípios de salvação ensinados por Jesus Cristo, a base sobre a qual Seu evangelho está edificado.Em outras palavras, não há como fazer discípulos de Jesus se esses ensinamentos não forem uma prática constante na vida cristã.
Portanto, fazer discípulos implica aprender a guardar todos os ensinamentos de Cristo e levá-los “a todas as nações”. O pronome indefinido plural “todas” transmite a ideia de algo sem limitação ou exclusão. Isso significa que a expressão “todas as nações” possui caráter absoluto, abrangente e universal, incluindo todos os povos e todos os seres humanos.Encontramos essa mesma ideia de abrangência e universalidade nos textos paralelos do Novo Testamento. Jesus declarou: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Marcos demonstra que o cumprimento desse mandamento possui alcance mundial, destinando-se a toda criatura espalhada pela terra.
Lucas também registra as palavras de Jesus: “... sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Os discípulos deveriam testemunhar acerca da morte e ressurreição de Cristo e espalhar essa mensagem até os lugares mais distantes do mundo.O próprio Lucas ainda afirma: “... e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46-47). Assim, a missão da Igreja não é limitada a um povo, cultura ou região específica, mas alcança todas as pessoas, em todos os lugares. O evangelho de Cristo é uma mensagem universal de salvação destinada à humanidade inteira.
Fazendo uma comparação, observa-se que todas estas passagens bíblicas, trazem o mesmo sentido sobre abrangência que deve ser universal.Ninguém fica fora do propósito salvador de Deus,independentemente de sua idade, sexo, raça, cor ou condição social.A vontade de Deus é que todos conheçam os seus ensinamentos.No entanto, percebe-se que muito se têm negligenciado o plano traçado por Jesus e ensinado por Ele aos seus discípulos. A verdade é que fazer discípulos numa sociedade contemporânea em que as pessoas não buscam mais a Deus com todo fervor e o que ele tem para nos ensinar,tem sido algo difícil. O mundo capitalista tem proporcionado um ambiente de ambição às pessoas,onde tudo é relativo e cada um faz o que achar melhor.Infelizmente,estes pensamentos que estão presentes no contexto das igrejas cristãs.Hoje, em muitas igrejas, o que é pregado é um evangelho que resolve os problemas do homem aqui e agora e não se importa com o perdão dos pecados,salvação, eternidade. O que se vê é a dimensão do reino de Deus se desfazendo no coração das pessoas.
Há a urgência necessidade de levar “Cristo para todos.” De que forma,podemos levar? Isto é possível através do Batismo e Ensino. A ordem é descrita por dois verbos que mostram o que é necessário para fazer discípulos de Cristo.São duas situações descritas no NT, onde o Batismo e o Ensino são usados,no mesmo contexto,com o fim de se fazerem discípulos de Jesus.Vamos primeiro refletir sobre o Batismo,conforme a ordem de Jesus: “batizando-os em nome do Pai Filho e do Espírito Santo.”(v.19b). O verbo βαπτίζω está na 3ª pessoa do plural pretérito imperfeito do indicativo passivo,que significa mergulhar,afundar submergir,lavar, tornar limpo com água.O pronome pessoal caso oblíquo átono αὐτός, que representa o objeto direto nesta expressão, ele completa o sentido do verbo: “batizando-os”. São pronomes que indicam pessoas. Nesse caso, refere “todas as nações”. É importante também destacar a preposição εἰς que significa “para dentro de”, “em direção a”.Isto significa que somos colocados numa relação com Deus através do batismo.
Mas o que é o batismo? Conforme o Catecismo Menor: “O batismo não é apenas água simples, mas é a água compreendida no mandamento divino e ligada à Palavra de Deus.” Ele foi instituído pelo próprio Deus e deve ser realizado “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Essa é a fórmula batismal estabelecida por Jesus e confiada aos discípulos para que a praticassem.Sendo assim, Jesus deixa claro que todas as nações devem ser batizadas em nome da Trindade. Mas o que é a Trindade? A Trindade é uma doutrina fundamental da fé cristã. O Pai é Deus; o Filho é Deus; e o Espírito Santo é Deus. Todavia, não existem três deuses, mas um só Deus em três Pessoas distintas.A conjunção coordenativa aditiva καί (“e”) é importante nesse texto, pois liga as expressões “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”, estabelecendo relação e unidade entre eles. Assim, Jesus apresenta as três Pessoas divinas compartilhando o mesmo nome e a mesma essência divina.
A doutrina da Trindade ultrapasse a plena compreensão da razão humana, ela pode ser claramente percebida por meio da revelação das Escrituras. Não compreendemos totalmente o mistério divino, mas cremos porque Deus assim Se revelou em Sua Palavra.No Antigo Testamento, já encontramos prenúncios da Trindade. No primeiro capítulo de Gênesis, no relato da criação, vemos Deus criando todas as coisas por meio da Palavra e do Espírito (Gn 1.3). Em Gênesis 1.26, encontramos a expressão no plural: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Esse versículo revela, de maneira significativa, a pluralidade existente na natureza divina.Outros textos também apontam nessa direção, como: Números 6.24-26; 2 Samuel 23.2; Salmo 33.6; Salmo 45.6-7; Isaías 42.1; Isaías 48.16-17; e Isaías 61.1. Todos esses textos servem como evidências bíblicas que revelam, progressivamente, a doutrina da Trindade nas Escrituras Sagradas.
No Novo Testamento, o exemplo mais claro encontra-se no batismo de Jesus, quando as três pessoas distintas foram reveladas por ocasião do batismo de Cristo: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3.16 e 17). Também durante seu ministério, Jesus falou do Pai, orou ao Pai, deixou claro que não eram a mesma pessoa, mas ao mesmo tempo afirmou que eram Um. (Mateus 5.16; 7.21; 11.25; 16.27; João 10.17-38), e também deu testemunho direto sobre o ofício do Espírito Santo (João 15 e 16). Outros exemplos: Mt 17.5; Jo 14.6; Jo 17.5,24; Rm 8.26,27; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.2.
Desde muito cedo a Igreja precisou formular uma doutrina a cerca desse assunto, especialmente para se proteger de falsos ensinos que já desde a época apostólica procuravam se introduzir na comunidade cristã, os quais eram influenciados pelo gnosticismo, pelo platonismo e pelo próprio judaísmo. Não foi fácil para a Igreja chegar ao dogma, a expressão de fé, na Trindade. Foram séculos de discussão. A declaração trinitária ocorreu no Concílio de Niceia, em 325 E.C., e foi reafirmada no Concílio de Constantinopla, em junho de 380, pelos bispos. O resultado dessa fórmula de fé está nos Credos de Niceia e Constantinopla. Para que isso acontecesse, muitas heresias, controvérsias trinitárias, foram rechaçadas pela Igreja, ainda por séculos adiante.
A doutrina da Trindade é essencial para a vida cristã. Ela não é apenas um tema teológico, mas uma verdade presente em toda a vivência da fé. Nossa comunhão com Deus acontece por meio da ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os cristãos oram ao Pai, em nome do Filho e com o auxílio do Espírito Santo, que fortalece e sustenta a vida espiritual.A salvação também é obra do Deus Triúno. O Pai planejou a redenção, o Filho morreu e ressuscitou para salvar os pecadores, e o Espírito Santo , por sua vez, atua no coração humano. É Ele quem convence o pecador do pecado, conduz ao arrependimento e também fortalece o cristão, Sem a ação do Espírito, o ser humano permaneceria espiritualmente morto e incapaz de compreender as coisas de Deus.Além disso, o amor do Pai nos alcança diariamente, a graça do Filho nos concede perdão e vida eterna, e a comunhão do Espírito Santo fortalece a Igreja e conduz os cristãos em santidade. Assim, a doutrina da Trindade nos leva à adoração, à reverência e à confiança no único Deus verdadeiro: Pai, Filho e Espírito Santo.
Outro requisito para fazer discípulos de todas as nações é o ensinar a guardar todas as coisas que eu vos tenho ordenado.” (v.20a).O verbo oδιδάσκοντες ( ensinar) está no presente particípio ativo, nominativo plural, masculino - διδάσκω.Significa ensinar, instruir,passar informação,conhecimento. Desta palavra surge o termo didáscalos, que quer dizer "professor", "mestre" ou "aquele que transmite um conhecimento.” Ao receberem a missão especial de fazer discípulos,deveriam ensinar os convertidos aguardarem todas as coisas que Jesus havia ordenado.O convertido é chamado a uma vida de obediência ao Senhor.Isto deixa claro que é um assunto importante e necessário, e que se deve guardar com cuidado os ensinamentos de Jesus,conforme aprendemos através de sua Palavra.Há uma vida inteira de ensino para compreender os mandamentos de Jesus.
É importante analisar também o verbo ἐντέλλομαι. Ele é usado para denotar ordem que vem de alguém que está em uma posição superior,normalmente dado por um governante. No NT é usado no sentido de comandar algo.´Neste caso,Jesus esta ordenando,orientando,decidindo, em razão de sua autoridade, o que os discípulos deveriam fazer: ensinar os outros a guardar as coisas que aprenderam. Como se ensina alguém a guardar alguma coisa? Praticando, vivendo – é assim que se aprende algo para toda a vida. Só ouvindo ou participando de reuniões não se pratica, não se aprende. Portanto, estudar, entender.guardar e obedecer todo o propósito de Deus é a tarefa ao longo da vida de todo verdadeiro discípulo.
Não há dúvida de que, em algum momento dessa árdua e sublime missão de ser e fazer discípulos, haverá fracassos, deslizes e até mesmo desânimo neste mundo em que vivemos. Enfrentamos obstáculos e adversidades praticamente todos os dias de nossa vida. Contudo, Jesus jamais enganou Seus discípulos quanto às dificuldades da caminhada cristã.Ele afirmou que seriam presos injustamente, acusados falsamente, considerados a escória do mundo, perseguidos por causa da justiça e até mortos por causa do Seu nome. A missão de fazer discípulos não seria fácil. Os primeiros discípulos experimentaram sofrimento, oposição e perseguição constante ao anunciarem o evangelho de Cristo.
Mesmo diante dessas dificuldades, Jesus os encorajou a permanecer firmes no cumprimento da missão. Há uma palavra de consolo e esperança que fortaleceu os discípulos e continua fortalecendo a Igreja até hoje. Cristo prometeu Sua presença constante ao dizer: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (v.20b).Quando Jesus afirma que estará conosco “todos os dias”, isso significa literalmente que não importa quais sejam os dias que enfrentemos — bons ou maus, alegres ou tristes, fáceis ou difíceis — Ele permanecerá ao lado do Seu povo. Sua presença não depende das circunstâncias, pois Cristo continua sendo o Senhor que sustenta, protege e fortalece os Seus discípulos.A expressão “até à consumação do século” aponta para toda esta era presente, até o retorno glorioso de Cristo. Enquanto a Igreja estiver neste mundo, jamais estará sozinha. O Senhor continua presente entre nós, guiando Seu povo, sustentando os cansados e fortalecendo aqueles que anunciam o evangelho.
Por isso, mesmo em meio às lutas, podemos caminhar confiantes, pois temos a certeza da presença do nosso Salvador. Como declarou o salmista: “Tu estás comigo” (Sl 23.4). Cristo permanece conosco e continua nos enviando ao mundo para chamar outras pessoas à comunhão com Ele e à vida eterna.
Estimados irmãos! A tarefa confiada aos discípulos foi a grande missão estabelecida por Jesus para o período entre Sua ascensão e Sua segunda vinda. Essa também é a nossa missão neste mundo: dar continuidade à obra iniciada pelos discípulos, anunciando o evangelho e conduzindo pessoas a Cristo.
Portanto, sejamos fiéis ao chamado do Senhor, fazendo discípulos, “batizando-os” e “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Que a Igreja permaneça firme na proclamação da Palavra, confiando sempre na presença e no poder de Cristo, que prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos.Amém.