TEXTO: Sl 51
TEMA: DAVI CLAMA POR PERDÃO E MISERICÓRDIA AO SENHOR
O Salmo 51, faz parte dos sete salmos penitenciais (6, 32, 38, 51, 102, 130, 143). Estes salmos possuem determinadas características e, por isso, são considerados penitenciais. Eles relatam sobre a confissão de pecados, arrependimento, a busca pelo perdão, renovação da comunhão com Deus, a felicidade do homem perdoado.O escritor deste salmo é o rei Davi. Ele escreveu este salmo depois que foi confrontado pelo profeta Natã. Natã declarou que Davi havia pecado, gravemente, contra Deus ao tomar Bate-Seba, para ser sua esposa e ao assassinar o marido dela, Urias. Este salmo nos remete ao texto de 2Samuel 11 e 12, onde são narradas estas atitudes de Davi.
Davi era uma pessoa sincera, fiel, leal a Deus. E diante desta fidelidade o seu reinado era próspero e exemplar. Ele sempre teve sucesso em todos os seus empreendimentos, ou seja, em tudo o que fazia. E a razão do seu sucesso era a presença de Deus, sustentando-o e guiando-o. Mas também teve uma vida marcada pelos seus pecados, os quais tiveram terríveis consequências, não somente para ele, mas também para seu povo e até sua família. Na verdade, a sua vida foi marcada por uma má escolha que o levou a cair em pecado. O pecado lhe trouxe tanta amargura, tristeza e agonia. Ele entrou em pânico e desespero com receio de ter sido abandonado por Deus. E falando da angústia de sua alma, disse: “SENHOR, a tua mão pesava fortemente sobre mim”. (Sl 30). Era a lembrança da culpa que tanto o atormentava. E como resultado desta situação, perdeu as forças vitais, e se sentiu angustiado.
Era o pecado que o atormentava.E diante de seu pecado, havia somente um caminho para Davi: o perdão. Era preciso que se arrependesse de seus pecados. (adultério e assassinato). Ele sabe que só Deus pode restaurar a sua vida. Sabe que Deus é benigno, misericordioso e perdoador. Sabe que Deus não rejeita quem tem o coração quebrantado. Por isso, ele pede perdão a Deus, uma vez que a sua situação chegou ao extremo e se tornou insustentável, Deus o perdoou. Recuperou a alegria do salmista. A sua atitude,agora, é servir ao Senhor.
Olhe pra si mesmo e avalie a sua vida: você está satisfeito com sua maneira de viver? Você tem enxergado os seus próprios pecados? Se você também se encontra neste momento como o rei Davi, não se desespere e nem perca a esperança. Clame por perdão e misericórdia ao SENHOR. Em Cristo Jesus, Deus nos perdoou os nossos pecados e nos deu vida nova nos aceitando como filhos dele.
O salmo que vamos refletir, trata-se da confissão que Davi fez ao SENHOR, após o seu terrível pecado de adultério e assassinato. Esta história encontra-se registra em 2 Samuel 12. Vejamos como isto aconteceu! Davi havia pecado, adulterou com Bate-Seba, a mulher de Urias. Algum tempo depois, ela o avisou que estava grávida de seu filho. Primeiro, Davi tentou encobrir e, quando falhou, planejou e mandou assassinar o marido de Bate-Seba. Mas ao ser confrontado pelo profeta Natã, caiu em si diante de seu erro terrível, pois seu pecado o levou a morte do soldado, a destruição de uma família e a vinda ao mundo de um bebê como fruto do pecado que logo morreu ao nascer.
Que história triste! Quanta dor, tristeza, sofrimento, agonia na vida e na família de Davi, após o seu pecado. No entanto, por trás de todas essas transgressões, ele consegue enxergar a causa, e ora para que o SENHOR o ajude diante da sua iniquidade. A primeira coisa que ele faz é se voltar como miserável para a misericórdia e o amor de Deus. Em vez de procurar por “culpados” ou negar seus erros, reconhece que precisa de Deus. De modo que implora ao SENHOR, uma vez que a sua situação chegou ao extremo e se tornou insustentável. Ele afirma: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões.” (v.1). Confiar na misericórdia e na benignidade de Deus são a base para que o SENHOR “apagasse as suas transgressões.”
Talvez muitos estejam nesta situação neste momento. O que precisamos fazer é pedir perdão pelos nossos pecados. Afinal, todos nós pecamos motivados por alguma coisa ou acontecimento nesta vida. Mas por que devemos pedir perdão ,continuamente, por nossos pecados? Porque ainda somos pecadores. O homem pecou e se tornou inimigo de Deus. Vivia longe de Deus e por natureza irreconciliável. Entretanto, Deus reconciliou consigo mesmo o mundo. Deus não imputou ao homem as suas transgressões, ele perdoou todas as transgressões. Enviou Jesus e, agora, todo homem tem acesso ao trono da graça. Em Cristo todos os homens são perdoados. Ele continua perdoando, diariamente, os nossos pecados, sempre que nos arrependermos e pedimos o seu perdão. Lemos em 1 João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” Que promessa maravilhosa! Deus perdoa os seus filhos quando pecam, e se aproximam do SENHOR em uma atitude de arrependimento ao pedirem para ser perdoados.
No entanto, Davi implora ainda algo mais profundo sobre o problema que estava vivendo. Ele implora que o SENHOR o purificasse, apagasse as suas transgressões para que pudesse viver com muita alegria na presença d’Ele. Davi afirma: “Lava-me completamente da minha iniquidade.” (v.2a). Vamos primeiro analisar os termos: o verbo כָּבַס (lavar) literalmente significa: “multiplique para me lavar”. Já o termo רָבָה traduzida como “completamente” é um verbo no modo infinitivo ou imperativo, e sugere a ideia de “aumentar”. Quando Davi implora para apagar suas transgressões, ele está pedindo a Deus para remover a mancha de sua alma, cobrir sua injustiça e purificá-lo do pecado, que agora é uma parte permanente de sua vida. Ele implora de forma intensiva, constante ou repetida para remover esta mancha: “purifica-me do meu pecado.” (v.2b). Portanto, o seu desejo era ser limpo, ser puro do seu pecado.
Quanto ao pecado, ele não procurou encobrir ou desculpar a profundidade da sua necessidade, pois estava disposto a reconhecê-lo diante de Deus. Ele sabia que tinha pecado e assume a responsabilidade. Isso não é simplesmente um reconhecimento casual de culpa. É um homem assombrado, com medo e apavorado que afirma: “Porque eu conheço as minhas transgressões.” (v.3a). Ele descobre sua razão de implorar perdão com tanta veemência, pois vivia na inquietação. A lembrança de sua culpa o pressionava, de modo que o assombrava: “E meu pecado está sempre diante de mim.” (v.3b). Isto quer dizer que o pecado estava constantemente diante de sua mente. Não tinha sido assim até que Nathan o trouxe vivamente para sua lembrança (2 Samuel 12). Isso mostra que quem realmente está arrependido não perde tempo dando desculpas, mas toma providências buscar o perdão e mudar a sua vida.
No entanto, muitas vezes, somos rápidos em nos desculpar, dando todos os tipos de razões para nosso comportamento pecaminoso. Vejamos o exemplo de Adão e Eva em Gênesis 3.11-13. No lugar de uma confissão do seu pecado, Adão se desculpou: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”. E foi o mesmo com Eva: “A serpente me enganou, e eu comi”. Foi, então, uma tentativa de atenuar o pecado, passando a responsabilidade para outros. Mas a própria desculpa que o homem dá é a base de sua condenação. Por isso, o SENHOR nos ensina que devemos reconhecer os nossos pecados. Assim, como fez Davi. Ele admite sua culpa e percebe que seu pecado está sempre presente. Não consegue se livrar disso, o que é algo que o assombra.
De fato, precisamos reconhecer a nossa condição de pecadores. Davi fez isto! Ele não inventou desculpas, mas reconheceu seu pecado, logo após ser admoestado por Nathan . Fez o que cabe a todo homem: reconhecer seu pecado ao invés de inventar desculpas. Ele disse: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos.” (v.4a). “Pequei contra ti somente”. Encontramos nestas palavras de Davi, uma declaração que, muitas vezes, é negligenciada, uma grande verdade que muitos desconhecem e esquecem, e que se torna essencial na nossa comunhão com Deus. Embora Davi tenha pecado contra sua própria consciência, Bate-Seba, Urias, família, a nação, contra os homens que foram mortos na batalha, nada é mais doloroso para ele, do que pecar contra Deus. Lembre-se que todo o pecado é contra Deus! Tudo que fazemos de errado contra os outros, primeiro, é contra Deus acima de tudo! Por isso, pecar contra alguém é considerado pela Bíblia como pecar contra o SENHOR.
Quando isto ocorrer em sua vida, reconheça seu erro, arrependa-se de seu pecado! Se você reconhecer isto, então, estará apto para a segunda parte do verso: “de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.” (4b). Davi reconhecia que o julgamento de Deus seria justo, e tem todo o direito de julgá-lo. Não haveria falhas nesse juízo. O justo seria declarado justo e o injusto, condenado. Bem diferente da justiça humana que, por ser comandada por homens falhos, não é perfeita. Davi está essencialmente dizendo: “Ó Deus, o SENHOR tem todo o direito de me julgar e, é claro, que não mereço nada mais do que o Seu julgamento e a Sua ira.”
Davi se aprofunda mais na sua convicção ao incluir não somente o que ele fez, mas o que ele era por natureza: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”. (v.5). Davi se lembra que sua pecaminosidade. Ela não pode ser engada. Sendo assim, ele reconhece que o pecado permeia a humanidade como condição universal desde o início de nossa existência. O texto é claro: desde a concepção, o pecado já está presente nos seres humanos. Essa realidade se perfaz desde os nascimentos dos filhos do primeiro casal e, a partir de então, aos filhos de todos os casais, visto que todos são pecadores e ninguém há sem iniquidade (Rm 3.10-12; 5.12). O apóstolo Paulo diz que o pecado entrou no mundo por Adão, e a morte veio pelo pecado, porque todos pecaram. (Romanos 5.12). Como descendentes de Adão, recebemos a natureza pecaminosa transmitida de nossos pais. Isso nos faz nascer em pecado, com uma inclinação natural para fazer o mal. Em Gênesis 8.21, Deus disse para Noé: “o coração do homem é inteiramente inclinado para o mal desde a infância.”
É perceptível o quanto Davi estava consciente de seus pecados, que por certo é o primeiro passo para uma vida renovada. Mas durante muito tempo ele “escondeu” o seu pecado, não foi sincero e só havia falsidade em sua vida, mas agora sente o peso do engano. Reconhece que falhou em fazer o que Deus ordenou, e que sua obediência foi mero momento externo, em vez de atos que fluem verdadeiramente do seu coração. Ele “sentiu” que Deus não podia aprovar ou amar um coração como o dele, tão vil, tão corrupto. Então, sentiu que era necessário ter um coração puro para receber o perdão do Senhor. Sendo assim, súplica sabedoria ao Senhor: “No recôndito me fazes conhecer a sabedoria.” (v.6b). Tu me ensinarás a agir de acordo com os ditames do caminho da sabedoria, pelo resto da minha vida. Você só pode me permitir entender o que é verdadeiramente sábio. Eu almejo essa sabedoria, essa purificação, esse conhecimento da maneira pela qual um homem culpado pode ser restaurado.
Deus deseja que a verdade (autenticidade, fidelidade, integridade) esteja no nosso íntimo. Em outras palavras, isso significa que é necessário parar de mentir para nós mesmos. Tem pessoas que enganam a si mesmas, e estão vivendo uma vida de mentiras. Procuraram inventar desculpas, encobrir a necessidade de buscar Deus e receber o perdão. Seja uma pessoa honesta, e confesse aquilo que está lhe incomodando. A sabedoria de Deus tomará conta da sua alma, e todo tipo de perturbação, dúvida, medo, e ansiedade deixará de existir à medida que aumenta a sua comunhão com o SENHOR. Prepare o terreno do seu coração com sinceridade e honestidade diante de Deus, e permita que a semente da verdade seja plantada em você, e a própria Palavra do SENHOR vai encher sua vida de fé, amor e esperança. Quando reconhecemos nossos pecados e confessamos a Deus, Ele tem prazer em nos ajudar. Lemos em 1João 1.9: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça."
Davi clama novamente pela purificação. Ele implora ao SENHOR para ser limpo com hissopo porque sabe que não pode limpar a si mesmo: “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve.” (v.7). O verbo חָטָא (purificar) significa pecar, falhar, perder o rumo, errar, purificar da impureza. Mostra que o purificar não é simplesmente lavar, tirar a sujeira, mas é o ato de bater o tecido sujo na pedra para deixar mais branco e limpo, como faziam as lavandeiras. Essa lavagem implica uma purificação, assim como אֵזֹוב (hissopo). Hissopo é uma planta citada na Bíblia. Ela é usada com propósitos medicinais e religiosos e está associada à purificação. Enfim, o hissopo era um poderoso agente de limpeza. Mas o salmista sabia muito bem que o purificar de seus pecados eram grandes demais para serem expiados por qualquer purificação. Ele quer que Deus o purifique muito mais do que hissopo, não somente remover a sua culpa, mas o libertar das propensões criminais ao pecado e de todos os efeitos negativos de seus crimes agravados, para que ficasse “mais alvo que a neve.”
Davi fez escolhas erradas que resultaram em consequências trágicas em sua vida. Isto mostra que o pecado lhe causou dor e sofrimento. Ele pecou e se retirou da presença de Deus, Perdeu a alegria, e por essa razão pede duas vezes o retorno desse estado de espírito: “Faze-me ouvir jubilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste.” (v.8). “Restitui-me a alegria da tua salvação” (v.12). Davi não teve fraturas múltiplas. Ao dizer que teve seus ossos triturados ou moídos, ele se refere ao sofrimento que sentia por ter pecado. A tristeza pelo pecado era tanta que lhe parecia que seus ossos estavam esmigalhados. Por isso o pedido pela restauração da alegria. O fato é que o pecado causa sofrimento a quem para que faz escolhas erradas. Para todas as escolhas erradas existe um preço a ser pago, como foi o caso de Davi. Portanto, sabendo que não podemos ser inconsequentes em nossas escolhas, procuremos fazer escolhas acertadas, sempre fundamentadas na Palavra de Deus.
Davi sabia que, com o coração contrito, podia recorrer a Deus a fim de ser perdoado e restaurado. Ele conhecia a misericórdia e a bondade de Deus a quem servia. Assim, demonstra confiança em sua oração quando pede que Deus lhe execute uma mudança profunda. Então, vejamos seus pedidos. Primeiro: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro.” (v.10a). Davi confessa que o seu coração não era puro, uma vez que tinha pecado e escondido este pecado, e por si próprio não poderia possuir um coração puro. Por isso, pede ao SENHOR que lhe conceda um “coração puro.” Em segundo lugar, “Renova dentro de mim um espírito inabalável.” (v.10b). Mas o que é um espírito inabalável? Esta palavra em hebraico significa ser estável, ser estabelecida, ser firmemente. De forma prática Davi suplica um espírito firme e resoluto em sua lealdade, inabalável diante de Deus.
Precisamos pedir a Deus diariamente que Ele nos conceda “um coração puro” e “um espírito inabalável.” Para que isto ocorra, é preciso tirar tudo o que não presta, que está estragado e colocar algo novo em nosso coração. Esta mudança apenas o Espírito Santo é capaz de realizar. “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O Espírito Santo é que nos converte, regenera e arranca o nosso “coração de pedra” e coloca um coração cheio de fé, amor, bondade e compaixão. Então, sim, teremos paz com Deus. E tendo paz com Deus, seremos criaturas felizes e alegres, e já nenhuma tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separara do amor de Deus. Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecer fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus. Como está o seu coração? Deixe Deus renovar seu coração, seu espírito, e com toda a certeza você terá uma feliz e abençoada vida com a presença do Senhor Jesus em tua casa, família e na vida profissional.
Em terceiro lugar, “Não me repulses da tua presença.” (v.11a). É difícil entender, Davi sendo um homem poderoso, rico e influente, e não pediu a Deus para que lhe poupasse o seu trono a sua glória e poder terrenos. Mas ele pede algo importante a Deus: “não me repulses da tua presença.” A palavra repulsar quer dizer jogar, lançar, arremessar, atirar, afastar. Em quarto lugar, ele pede também que o SENHOR“não retirasse dele o Santo Espírito.” (v.11b). A Bíblia diz que a partir do momento em que Samuel ungiu sua cabeça, na casa de seu pai Jessé, diante de todos os seus irmãos, o Espírito Santo se apoderou de Davi. E assim, era capaz de convencê-lo do pecado e fazê-lo humilhar perante Deus.Com a presença do Espírito Santo tinha senso de justiça, amor, alegria, bondade era quem era exaltado em Israel, amado pelo seu povo. Mas, agora estava se afastando do Espírito Santo. Estar sem o Espírito Santo, seria voltar a ser cego, voltar a ser fraco, voltar a natureza pecaminosa, voltar a estar suscetível a armadilhas demoníacas. Aos poucos, nada mais seria admirável em Davi. Só lhe restava suplicar: “nem me retires o teu Santo Espírito.
E finalmente, depois das atrocidades que Davi cometeu e das consequências que isto acarretou, ele perdeu a alegria de ter uma comunhão continua com Deus, perdeu a paz de espírito,perdeu a alegria e o prazer de servir a Deus, pois se sentia extremamente culpado, por isso, ele faz tal súplica: “Restitui-me a alegria da tua salvação” (v.12a). O verbo שׁוּב (restituir) significa retornar, voltar. E יֶשַׁע (salvação) significa libertação, salvação, resgate. literalmente: “Faça voltar a alegria da tua salvação.” O salmista pede ao SENHOR que retornasse novamente aquela alegria que possuía anteriormente. E ainda pede: “Sustém-me com um espírito voluntário” (v.12b). A expressão “espírito voluntário” significa propriamente “disposto, voluntário, pronto.” Disposto a fazer tudo o que Deus exige dele e a suportar tudo o que lhes for imposto; obedecer a todos os mandamentos de Deus e servi-lo fielmente; um estado de espírito que seria constante.
Davi uma vez alegre por ser salvo e recebendo de Deus um espírito disposto para servir, ele agora estaria em plenas condições de realizar um serviço específico, no caso, ensinar os caminhos de Deus aos rebeldes:“Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhas e os pecadores se converterão a ti.” (v.13). Ensinar aquem? Aos transgressores. O termo פָּשַׁע significa aquele se rebela, se revolta contra a autoridade divina. Davi admite que foi rebelde, Foi governado por um desejo voluntário de rebeldia, uma violação da autoridade divina. Mas Davi se propõe a ensinar aos transgressores a retornarem ao caminho da fé.A experiência de Davi ensina que somente aqueles, que realmente conhecem o Altíssimo e o Seu caminho, estão aptos a influenciar os outros. Isso significa que para ensinar sobre os caminhos de Deus, não basta ter aptidão, é preciso ter fidelidade e um coração temente a Deus.
Davi sabia que o sangue inocente sujava as suas mãos.Ele ,agora, não podia reparar o mal a Urias. Por isso, ele clama ao Senhor: “Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação.” (v.14a).Ele entende que se puder ser libertado da culpa de sangue que causou a Urias, sua língua nunca cessaria de proclamar a fidelidade de Deus, que proporciona o verdadeiro perdão a todos os penitentes.É interessante notar que Davi reconhece que a libertação da culpa não é apenas uma questão pessoal, mas também tem um aspecto público, uma vez que sua língua louvará a justiça de Deus: “e a minha língua exaltará a Tua justiça.”(v.14b).Aqui justiça significa tua verdade, bondade, fidelidade, veracidade e firmeza às promessas que Deus havia dado. Portanto, o salmista se compromete exaltar o nome do SENHOR.Ele entende que uma nova vida no SENHOR é uma oportunidade para testemunhar a Sua misericórdia.
Davi,agora, pede a Deus que lhe dê palavras para expressar sua gratidão e louvor a Deus por seu perdão e misericórdia. Ele sabe que só pode proclamar o louvor a Deus se tiver um coração grato e humilde. Então, afirma: “Abre, SENHOR,os meus lábios e a minha boca manifestará os teus louvores.” (v.15).Na condição pecaminosa que o salmista vivia seria incapaz de adorar a Deus ,pois a sua boca estava fechada com vergonha, tristeza e horror.A culpa do pecado de Davi, havia fechado os seus lábios, por isso, ele pede ao SENHOR: “Abre,SENHOR,os meus lábios.” Que lhe conceda a oportunidade, a capacidade e a liberdade que tinha antes,para que pudesse falar a Deus em oração e louvar; exortar e ensinar. Ele sabe que só pode proclamar o louvor a Deus se tiver um coração grato e humilde. A verdade é que devemos abrir a boca para abençoar o nosso irmão e adorarmos ao SENHOR. Mas, infelizmente, muitos têm administrado seus lábios para tantas coisas,menos para louvar ao SENHOR e abençoar às pessoas. Deus não se compraz desta atitude, não se contenta com rituais religiosos vazios ou ofertas materiais (v.16). Os ritos externos não podem obter o perdão divino.
O que Deus deseja de Davi? “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.”(v.17).As palavras de Davi mostram que, até na época do Velho Testamento, o povo do SENHOR compreendia que todos precisavam oferecer o coração a Deus; apenas os sacrifícios queimados não eram suficientes.Ele reconhece que o verdadeiro sacrifício que agrada a Deus é um coração quebrantado e arrependido. Sabe que a única maneira de se aproximar de Deus é através da humildade e da confissão sincera de nossos pecados. Jesus viveu com um coração quebrantado e um espírito contrito, conforme manifestou ao ser submisso à vontade do Pai: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 6.38). O exemplo de Cristo nos ensina que um coração quebrantado é um atributo eterno da divindade. Quando nosso coração está quebrantado, estamos completamente receptivos ao Espírito de Deus e reconhecemos nossa dependência Dele em tudo o que temos e somos. Estamos dispostos a cumprir toda e qualquer coisa que Deus lhes pedir, sem resistência ou ressentimento. O mesmo Deus que nos ensina a viver com um coração quebrantado, convida-nos a regozijar-nos e a ter bom ânimo.
O concluir o salmo,Davi faz um apelo ao SENHOR: “Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém.” (v.18). O salmista apela para que Deus abençoe Sião e reconstrua Jerusalém, uma vez que esta cidade era o centro da vida religiosa e cultural do povo judeu. A reconstrução dos muros de Jerusalém era crucial para a segurança e proteção da cidade, e era vista como um sinal da presença e bênção de Deus.Para que isto ocorresse, era necessário existir comunhão com Deus,purificação e renovação espiritual.Davi entende que, uma vez purificado e renovado, Deus aceitaria seus sacrifícios e a cidade Santa e o culto no templo passariam a ter valor espiritualmente: “Então te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos sobre o teu altar.” (v.19).
Estimados irmãos! Assim como Davi, precisamos nos arrepender sinceramente diante de Deus e pedir seu perdão. Ele nos mostra o caminho para buscar a Deus em humildade, confessando nossos pecados e confiando em Sua graça,pois Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos restaurar completamente.Que possamos aprender com o exemplo de Davi e buscar a Deus com um coração quebrantado e contrito. Vamos viver em gratidão e louvor a ele, compartilhando nosso testemunho com outros, para que eles também possam experimentar o amor e a graça de Deus. Amém!