sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

TEXTO: EX 17.1-7

TEMA: O SENHOR ESTÁ NO MEIO DE NÓS OU NÃO?

Você já observou o quanto as pessoas vivem reclamando? Reclamam da família, do emprego, da situação financeira, do calor, da chuva, do excesso de trabalho, da falta de dinheiro e da própria vida. Tudo é motivo de reclamação. Nunca estão satisfeitas com nada.

A reclamação não é um fenômeno moderno; ela é antiga na vida do ser humano. Um dos exemplos mais emblemáticos está na narrativa bíblica sobre a peregrinação dos israelitas no deserto. Mesmo após serem libertos de séculos de escravidão com prodígios e sinais, o povo rapidamente sucumbiu ao hábito de reclamar. Diante do cansaço, da fome e da sede, a memória da libertação foi substituída pela murmuração.Não se tratava apenas de reclamar da comida ou da água, mas de chegar ao ponto de perguntar: "Está o SENHOR no meio de nós ou não?" (v. 7). Mesmo depois de verem o Mar Vermelho se abrir e de comerem o maná que caía do céu, o primeiro sinal de sede foi suficiente para que os israelitas colocassem Deus à prova.

Não resta dúvida de que o SENHOR sempre esteve e continuava no meio dos israelitas. Ocorre que eles se esqueceram da manifestação do poder de Deus nas dez pragas, no Êxodo, na travessia do Mar Vermelho, na provisão do maná, bem como na manifestação da presença divina na nuvem e na coluna de fogo durante a caminhada no deserto. Quanta ingratidão e falta de confiança no SENHOR!

Não somos diferentes. Muitas vezes, uma simples tribulação, um problema de difícil solução, uma dor ou algo que tire um pouco do nosso conforto já é motivo para questionarmos a presença de Deus ao nosso lado. A fé logo enfraquece e, em seu lugar, surgem as reclamações e a incredulidade. A negatividade se apodera de tal forma que nosso único impulso é reclamar. Então, formulamos a pergunta: “Está o Senhor no meio de nós ou não?” Essa pergunta surge quando permitimos que o desconforto momentâneo apague as evidências de todo o cuidado que recebemos diariamente do SENHOR. Quando focamos apenas no que nos falta, perdemos a capacidade de enxergar a providência de Deus.

Foi justamente o que ocorreu com os israelitas. Eles se voltaram contra aquele que havia sido instrumento de sua libertação e perguntaram a Moisés: “Está o SENHOR no meio de nós ou não?” A verdade é que o povo deu espaço à falta de fé e à ingratidão. Mas Deus teve compaixão: veio ao encontro do seu povo e lhe deu a água que gera vida no momento do deserto escaldante. Ele fortaleceu a fé de Israel, lembrando-lhe que, no passado, interveio em sua história e o sustentou nos momentos mais críticos.

Estimados irmãos! O texto da nossa reflexão começa a partir da saída dos israelitas do deserto de Sim, onde Deus tinha alimentado o povo com o maná e com as codornizes (Êx 16). De acordo com as instruções do SENHOR, a congregação dos filhos de Israel deveria acampar em Refidim (v.1). Refidim foi a última parada dos filhos de Israel antes de chegarem ao Sinai. Quando os israelitas chegaram a Refidim, surgiu um grande problema: “não havia água para o povo beber.” Você já imaginou quantos transtornos na vida daquele povo! Muitas pessoas, crianças e animais, andando pelo deserto durante muito tempo, padecendo com o calor, vivenciando os perigos, a fome, a sede, o cansaço e a exaustão. Muitos com gargantas secas, crianças chorando e animais berrando, e de repente se deparam com a falta de água. Que situação horrível na vida naquele povo!

Diante desta situação, reina a indignação e a raiva no meio da grande multidão sedenta. O povo acusa Moisés: “Contendeu, pois, o povo com Moisés” (v. 2a). É desta forma que o povo age contra seu líder.O verbo רִיב (contender) em hebraico significa conduzir um caso ou processo (legal); processar apresentar queixa formal. Encontramos esse mesmo pensamento em Miquéias 6.1: “Ouvi, agora, o que diz o Senhor: Levanta-te, defende a tua causa perante os montes, e ouçam os outeiros a tua voz”. Esse versículo apresenta uma cena profundamente simbólica e solene, onde Deus convoca o povo para um "julgamento", utilizando linguagem jurídica. É como se o Senhor estivesse chamando Israel para apresentar seus argumentos, justificar sua conduta e explicar sua infidelidade.Levanta-te, defende a tua causa perante os montes, e ouçam os outeiros a tua voz.” Esse versículo apresenta uma cena profundamente simbólica e solene. Deus convoca o povo para um “julgamento”, usando a linguagem jurídica: “Levanta-te, defende a tua causa…”. É como se o SENHOR estivesse chamando Israel para apresentar seus argumentos, justificar sua conduta e explicar sua infidelidade.

Ao “contender”, na prática o povo estava questionando Moisés. Não apenas expressou necessidade — sede, cansaço ou medo —, mas direcionou sua frustração contra Moisés, o líder que Deus havia levantado.Moisés se encontrava, por assim dizer, diante de um processo jurídico instaurado pelo povo. A contenda não era meramente emocional; assumia contornos de acusação formal. O povo colocou Moisés no banco dos réus. Ele precisava apresentar argumentos, justificar sua conduta e demonstrar que não havia conduzido o povo ao deserto para perecer. A situação era extremamente grave: caso o povo concluísse que Moisés agira de forma irresponsável, a sentença poderia ser severa. O texto indica a possibilidade real de apedrejamento (v.4), pena aplicada a crimes gravíssimos, como rebelião ou traição. Portanto, não era apenas uma crise de liderança — era uma ameaça concreta à sua própria vida.

Era, sem dúvida, um momento angustiante. Moisés enfrentava um problema imenso: não havia água para as pessoas nem para os rebanhos. A necessidade era legítima, a sede era real e o deserto, implacável. O fato é que os israelitas estavam desesperados: “Dá-nos água para beber” (v. 2b). Não há aflição física comparável à sede intensa, principalmente no deserto; é algo terrível! Moisés, inicialmente, não providencia a água; ao contrário, ele questiona os israelitas que o insultam: “Por que me repreendeis? Por que tentais ao SENHOR?” (v. 2c). Deus é seu verdadeiro líder, reclame para ele. Além disso,  Ele não está entre vocês para fazer o bem? Não deu provas suficientes de que sempre ajudou seu povo?

No entanto, o povo continuava a reclamar. Foram tomados pelo medo e passaram a olhar com saudade para o Egito: “Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (v. 3).A expressão  מוּת   צָמָא  (“ nos matares de sede”) demostra que a situação era grave diante da falta de água.Mas não podemos culpá-los apenas pela preocupação com a falta de água; o que deveria preocupá-los era a falta de fé e a ingratidão naquele momento. Não tinham visto muitas manifestações do poder de Deus, suficientes para terem a certeza de que Ele não os decepcionaria? Moisés precisava permanecer firme, não apenas para defender sua causa, mas para confiar que o próprio Deus, que o chamara, também o sustentaria.

A verdade é que os filhos de Israel murmuravam, ameaçavam Moisés e acusavam o SENHOR, numa clara demonstração de incredulidade e dureza de coração. Depois de terem presenciado tantos sinais e maravilhas — desde as pragas no Egito até a abertura do mar — ainda assim permitiram que a dificuldade momentânea falasse mais alto do que a fé. A sede no deserto revelou não apenas a necessidade física do povo, mas também a fragilidade espiritual que ainda os acompanhava.O texto bíblico mostra que estavam prontos para apedrejar seu líder, aquele que, segundo eles, os havia conduzido àquela situação difícil. Aquele que fora instrumento de libertação passou a ser visto como culpado pelo sofrimento. Diante dessa revolta, Moisés não respondeu com ira, nem tentou se defender com argumentos humanos. Ele levou sua dor ao SENHOR e a colocou diante d’Ele. Em vez de confrontar o povo, escolheu clamar a Deus.

Moisés  então clamou ao SENHOR, dizendo: “Que farei a este povo? Só lhe resta apedrejar-me” (v.4). Essa declaração revela o nível de tensão e perigo que ele enfrentava. Não era exagero ou dramatização; a ameaça era real. Moisés compreendia que sua vida estava em risco, pois, segundo o julgamento popular, ele deveria ser responsabilizado pela crise. Moisés não ignora o perigo — ele reconhece que sua vida está em risco. A expressão “Só lhe resta apedrejar-me” revela que a revolta popular havia ultrapassado o limite da reclamação e chegado ao ponto da agressão iminente. O mesmo povo que atravessara o mar em segurança agora se voltava contra o seu guia.

O mais marcante não é a ameaça, mas a atitude de Moisés. Ele não responde à violência com violência. Não tenta manipular a multidão nem abandona sua missão. Ele clama ao Senhor. A pergunta “Que farei?” é, na verdade, uma oração. É o reconhecimento de que, diante de certas situações, a sabedoria humana é insuficiente. Moisés compreende que somente Deus pode oferecer a solução para um problema que vai além da sede física — trata-se de uma crise de fé.Assim, a pergunta de Moisés ecoa até hoje. “Que farei?” é a pergunta de quem se sente encurralado, injustiçado ou sobrecarregado. E a resposta continua sendo a mesma: levar a situação a Deus. Porque quando faltam recursos humanos,  ainda pode manifestar a graça de Deus. Onde há ameaça, Deus pode trazer livramento. E onde parece haver apenas escassez, Ele pode fazer brotar água da rocha.

Deus resolveu dar uma resposta ao povo.Ele mostra uma estratégia para Moisés.O que Moisés ouviu foi basicamente três recomendações: primeiro,“passa adiante do povo.”(v.5a).Embora eles tenham falado em apedrejá-lo,você não precisa ter medo.Fala para o povo, não importa as circunstâncias. Passa adiante do povo ,isto irá demonstrar confiança e apreço.Segundo, “toma contigo alguns dos anciãos de Israel.”(v.5b).A instrução para levar algumas das autoridades se encaixa com a ideia de que a “queixa” dos israelitas tinha se tornado uma causa judicial.Sendo assim, a principal função dos anciãos não era agir ,independentemente, mas ser testemunhas.Isto mostra que nem todas as pessoas estavam fazendo as fortes e maliciosas acusações contra Moisés. Terceiro, “leva contigo em mão o bordão com que feriste o rio e vai.”(v5c.).Conforme Êxodo 7.15-20 está se referindo ao bordão usado para derrotar o Faraó, quando tocou as águas do rio, no Egito, e transformou-se em sangue.Não era um cajado mágico,mas trazia consigo a lembrança  daquilo que Deus tinha feito no passado.

Após estas recomendações, Moisés,imediatamente, pega o seu cajado e junto com alguns líderes de Israel se dirige  até o monte Horebe. Deus estaria lá para recebê-los: “Eis que estarei ali diante de ti sobre a rocha em Horebe.” (v.6a). A expressão “estarei ali, diante de ti,” literalmente significa: “olhe para Mim ali”, enfatizando a presença de Deus. Sem a Sua presença, não há milagre.Deus está presente em todo lugar, mas, mesmo assim, há momentos e lugares nos quais o homem está especialmente convidado a sentir a realidade do amor e do poder de Deus. Moisés, simplesmente, obedeceu. Ao bater na rocha, esta produziu água pura para saciar a sede da multidão. Ali, diante dos olhos dos anciãos de Israel, a profecia foi cumprida. (v.6b).Ali naquela rocha, um fluxo abundante brotou, fornecendo água para toda a multidão. Em lembrança do murmúrio, ele chamou o lugar de Massah  e Meribah.Daí vale lembrar que “Massah” significa “provação” e “Meribah” significa “contestação”, “reclamação.” Foi justamente naquele lugar que eles tentaram o SENHOR, duvidando da sua presença no meio deles: “Está o Senhor no meio de nós ou não?” (v.7).

Os israelitas ignoraram todas as suas experiências passadas do cuidado de Deus. O povo murmurou ofensivamente contra Deus quando se viu sem água em Refidim. Esqueceu-se dos milagres que Deus realizou quando retirou seu povo do Egito, e da passagem pelo Mar Vermelho. Quando faltou água em Refidim faltou fé, faltou gratidão, faltou reverência ao SENHOR. Mas, sobejou incredulidade, blasfémia e rebelião do povo em Refidim. Sobre esse episódio, Davi afirma no Salmo 95 : “Onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras.” (v.9). “Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração e disse: é povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos.” (v.10).

Não somos diferentes em relação aquela geração de israelitas.Há momentos na travessia do “deserto da vida”, que experimentamos lutas, sofrimentos e desencantos, que nos fazem duvidar da bondade, do cuidado, do amor e da companhia de Deus.Muitas vezes, uma simples tribulação, um problema de difícil solução, um sério problema no casamento, ou até mesmo a perca de alguém que amamos muito, tudo isso vêm para roubar a nossa alegria e tirar de nós a certeza de que Deus está conosco.Tudo isto já é motivo para questionarmos a presença de Deus ao nosso lado. A fé logo desaparece e no lugar dela aparecem as reclamações e a incredulidade. A negatividade se apodera de tal forma que o nosso único impulso é reclamar do momento. Então, formulamos a pergunta: “Está o Senhor no meio de nós ou não?”

Deus está presente! Ele provou sua presença no Horebe. Provou sua presença em Jesus, “que se fez verbo e habitou entre nós” (Jo.14). Na encarnação, morte, ressurreição e ascensão de Jesus, temos a promessa de sua presença. Mateus afirma: Ele é Deus conosco (Mt. 1.23) até o fim dos tempos (28.20). Através do Espírito Santo, Deus está com seu povo. Paulo fala sobre estas verdades em Romanos 8: o Espírito habita em nós, nos adota como filhos e filhas de Deus, nos guia, nos transforma. O Espírito nos guia na direção de vida e paz.Ele intercede por nós.

Você já acusou Deus de te abandonar ao primeiro sinal de dificuldade?Lembre-se que Deus é fiel. Ele já demonstrou sua presença na História de Israel, na vida, morte e ressurreição de Jesus.Já parou para pensar,o quanto Ele já fez na sua historia?Não caia no erro de Israel no deserto! Não perca a chance de desfrutar da presença de Deus. Não transforme o tempo de descanso em tempo de desespero, conflito e rebelião. Não transforme Refidim em Massá e Meribá. Não duvide do cuidado amoroso de Deus, mesmo em tempos difíceis.O SENHOR está no meio de nós! Amém!

 

 

 

 

 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

TEXTO: SL 95

TEMA:UM CONVITE PARA LOUVARMOS AO NOSSO DEUS

O salmo 95 é um hino de louvor, um convite à adoração ao Criador. Ele era utilizado em diferentes épocas com diferentes funções. Não tem nenhum título, e tudo que sabemos de sua autoria é Davi, conforme Hb 4.7.A temática é um convite para louvar com alegria ao Rochedo da nossa salvação. Mas o convite do salmista vai além da ideia de cânticos litúrgicos. Ele nos convida  para cantar, jubilar, reconhecer, crer e confessar que o Senhor é a rocha da salvação. O fato é que este salmo deve estar presente diariamente em nossas mentes quanto ao chamado para louvar a Deus e de anunciar suas grandezas. Louvar significa agradecer a Deus pelas suas muitas dádivas. Ele é um ato de reconhecimento da glória de Deus sobre todos. 

                                                                I

O salmista convoca Israel para louvar ao Senhor. Ele faz através de um convite “Vinde!” O salmista enfatiza este convite ao usar quatro verbos na primeira pessoa do plural: cantemos, celebremos, saiamos e vitoriemo-lo. Cada verbo tem sua explicação de como devemos exultar e a quem devemos dirigir o nosso louvor. Primeiro: “Cantemos ao Senhor com júbilo!” (v.1a). Cantar ao Senhor com alegria é a primeira atitude do salmista ao convidar o povo. Não apenas um cantar de cânticos litúrgicos, mas um cantar com entusiasmo, regozijo e júbilo. Não uma ação mecânica, mas vindo de um coração alegre, da iniciativa de se aproximar de Deus com gratidão verdadeira.

Segundo: “Celebremos o Rochedo da nossa salvação.” (v.1b).O salmista convida o povo para louvar a Deus após livrá-lo dos perigos. É um convite para cantar, jubilar reconhecer, crer e confessar que o Senhor é a Rocha da salvação. Na verdade, um chamado ao povo para louvar e agradecer a Deus por uma libertação diante de uma guerra, ou diante de percalços ocorridos na vida do povo, pois o termo salvação significa ajudar, libertar, salvar; procurar tirar alguém de um fardo; opressão ou perigo. Isso explicaria a descrição de Deus como “rocha da nossa salvação” (v.1). É como um pastor que cuida do rebanho que lhe pertence (v.7).

Terceiro: “Saímos ao seu encontro, com ações de graças” (v.2a). No encontro com Deus havia a necessidade de manifestar a gratidão, com corações agradecidos, reconhecidos diante de todos os benefícios recebidos, pois ações de graça é uma atitude de gratidão. Expressam a gratidão que temos por Deus em relação a todos os benefícios que Ele fez, faz e fará por nós. Lembre-se que Deus é a fonte de todas as coisas boas que recebemos e que existe um princípio espiritual:  quando há gratidão, há multiplicação e há prosperidade em todas as coisas. Pense em como poderá retribuir o Senhor por tudo que Ele tem feito.

Enfim, o salmista encerra o convite: “Vitoriemo-lo com salmos”. (v.2b). O convite do salmista é para sairmos com pressa ao encontro do Senhor. A necessidade de manifestar a nossa gratidão não pode sofrer nenhum atraso. Aproximar-nos de sua presença com corações agradecidos, reconhecendo todos os benefícios recebidos e, em adoração, proclamando com hinos triunfantes a alegria que está dentro de nós pelo privilégio deste louvor.

Somos também convidados a louvarmos, celebrarmos e nos dobrarmos diante de Deus, a fim de adorá-lo por sua graça salvadora em Cristo Jesus.  No salmo 100.1, o salmista nos exorta a celebrar com júbilo (alegria) ao Senhor todos os moradores da terra.  Ele nos resgatou nos remiu com o seu precioso sangue. Ele nos deu paz, a verdadeira paz, enchendo todo o nosso ser do seu amor. No salmo 122.1, vemos o motivo da grande alegria do salmista: fiquei muito alegre quando alguém afirmou que iria à casa do Senhor. Devemos, sim, ter grande prazer em ir até a casa do Senhor com um coração agradecido para lhe dar glórias e louvores ao seu nome e dizer: quão maravilhosas são suas obras, pois Ele se agrada dos verdadeiros adoradores. Por isso, vamos celebrar com muita alegria, com ações de graças, adorar ao Rochedo da nossa Salvação, Jesus Cristo. Ele merece o nosso louvor com hinos e cânticos espirituais, hoje, amanhã e eternamente.

                                                                  II

Após apresentar o convite ao povo para louvor a Deus, o salmista apresenta três motivos, pelos quais o povo deveria reconhecer a soberania de Deus, isto é, o comprometimento total e o reconhecimento pleno de Deus: O primeiro, “porque o Senhor é o Deus supremo” (v.3a). O Senhor é Deus supremo, isto é, está acima de tudo. A supremacia de Deus é manifesta pela Sua soberania ao criar, governar e salvar a humanidade. A supremacia do Senhor se faz notar também no Seu governo soberano, sobre a Criação. “Reina o Senhor; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra.” (Sl 99.1). E não menos que isto, a soberania de Deus manifesta-se na salvação: “O Senhor fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os olhos das nações.” (Sl 9.2). Saber que o Senhor é Deus é reconhecer que Ele domina nos céus, na terra e no coração dos homens.

O segundo, “Deus é o Rei acima de todos os deuses” (v.3b). Demonstra a superioridade da soberania de Deus ao anular as divindades. Ele mostrou que os deuses dos egípcios e das outras nações eram falsos deuses. Eles não impediram a libertação de Israel e nem impediram a tomada da terra de Canaã. O terceiro, “Deus é o criador de todas as coisas” (vv.4 e 5). O Senhor é o autor, o dono e governador de toda criação. As profundezas da terra estão na mão do Senhor, as alturas dos montes pertencem a Ele, o grande mar foi o Senhor que fez. Os continentes são obras das mãos do Senhor.

Diante do foi exposto sobre o reconhecimento da grandeza do Criador, o salmista nos convida novamente manifestar a honra e a gloria a Deus: “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou.” (v.6). Ele exemplifica algo que ocorria na época, quando diante do rei as pessoas se prostravam e ajoelhavam em humildade, reverência, admiração, honra e amor. Usa três verbos sequenciais que indicam o ato de se encurvar perante Deus. O primeiro é adorar que significa reconhecer o valor supremo de alguma coisa ou alguém. É expressar um amor sem medida. É dar a glória que alguém merece.  O segundo é prostrar que significa um ato de reverência. O terceiro é o ato de ajoelhar-se que significa humilhar-se, render-se, inclinar-se.

As diversas formas apresentadas pelo salmista, quando nos convida a manifestar a honra e a glória a Deus, há somente um objetivo: “Ele é o nosso Deus, e nós, povo do seu pasto e ovelhas de sua mão”. (v.7a). Esta imagem de um “Deus-Pastor” é muito comum no Antigo Testamento, de modo especial, nos livros sapienciais. Davi foi um dos primeiros a associar a figura do pastor com o cuidado e a provisão de Deus. Neste verso o salmista nos lembra que somos criaturas de Deus. Ele nos fez seu povo, ovelhas do seu pastoreio. Ele está cuidando de nós diariamente, assim como um pastor cuida de seu rebanho. Além disso, somos ovelhas de sua mão. Estar nas mãos de Deus é ser cuidado pelo Senhor, protegido por Ele. Como é bom sentir-se nas mãos do Senhor Deus e crer que estamos estou em sua presença. Por isso, nosso único objetivo é louvá-lo.

                                                                III

Deus exorta o povo aceitar o convite com o coração quebrantado e não com rebeldia. O salmista faz um alerta solene e apresenta exemplos de pessoas que tinham todas as motivações para servir a Deus adequadamente e que, não obstante, se endureceram e se rebelaram. As sérias consequências de endurecer o coração e não dar ouvidos ao Senhor são ilustradas por episódios extraídos da historia de Israel: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração, como em Meribá, como no dia de Massá no deserto” (v.8a). Em Meribá (nome que significa “contenda”) e Massá (que significa “tentar”), os israelitas ignoraram todas as suas experiências passadas do cuidado de Deus por ele. O povo murmurou ofensivamente contra Deus quando se viu sem água em Refidim, próximo do monte Sinai (Ex 17.1-7).Esqueceu-se dos milagres que Deus realizou quando o retirou do Egito, e da passagem pelo Mar Vermelho. Quando faltou água em Refidim faltou fé, faltou gratidão, faltou reverência a Deus. Mas, sobejou incredulidade, blasfémia e rebelião na vida do povo. Sobre esse episódio, Deus completa: “Onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras.” (v.9). “Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração e disse: é povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos.” (v.10).

Esta referência ao trazer à memória a história do êxodo, serve de alerta para o povo, bem como a geração presente.  Muitas pessoas têm o coração endurecido e não se sensibilizam com o próximo, pensam somente em si, não conseguem compreender o imenso amor de Deus por nós, e viver uma vida de fidelidade para com o Senhor. O nosso coração precisa de limpeza; precisa ser trocado, pois ele é egoísta, mundano, influenciado pelo pecado, e devido a isso não pode ouvir a voz de Deus, seguir suas orientações e o caminho que ele nos propõe a seguir. Na verdade precisamos fazer uma análise do nosso coração, porque o problema não está nas circunstâncias que nos cercam, mas o problema está em nosso interior, em nosso coração. Por isso, a mudança deve acontecer em nosso interior. Tirar tudo o que não presta que está estragado e colocar algo novo em nossa vida. 

Esta mudança em nosso coração apenas o Espírito Santo é capaz de realizar. “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O Espírito Santo é que nos converte, regenera e arrancar o nosso “coração de pedra” e coloca um coração cheio de fé, amor, bondade e compaixão. Então, sim, teremos paz com Deus. E tendo paz com Deus, seremos criaturas felizes e alegres, e já nenhum tribulação, ou angustia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separara do amor de Deus. Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecer fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus.

Qual foi a consequência da dureza do coração, da rebeldia, incredulidade e ingratidão do povo? A consequência foi que o Senhor Deus jurou: “Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu lugar de descanso” (v.11). Não entrar no descanso, ou seja, na terra prometida, não foi uma falha na promessa de Deus. Mas, foi o resultado da incredulidade e da obstinação dos rebeldes. E o resultado da dureza de coração e da incredulidade foi o juízo de Deus. Foi dura a sentença de Deus. Mas, o Senhor é amor e é justiça. Nesse caso, os israelitas dos dias do salmista – e das gerações posteriores – deveriam decidir se queriam ter esse “lugar de descanso” concedido por Deus – ou seja, paz, prosperidade e permanência na terra de Canaã –, ou se queriam ser alvo do juízo de Deus pelas mãos das nações estrangeiras e pelos revezes naturais que lhes recairiam caso se endurecessem diante do Senhor (. Dt 28.15-68).

Davi  lembra de como o Senhor havia libertado os filhos de Israel do Egito. De terem passado em terra seca pelo mar Vermelho, De terem visto seus adversários serem derrotados pelas mãos do Senhor e terem suas necessidades supridas no deserto. Portanto, havia muitos motivos para o povo louvar a Deus. Motivos para celebrar ao Senhor com alegria e gratidão, reconhecendo que Deus é o Senhor de tudo. Que razões mais precisariam para louvar o Senhor glorioso, diante das dificuldades que enfrentaram no deserto?

Deus também nos convida para louvarmos ao nosso Deus. Louvar pelas suas muitas dádivas, pelo reconhecimento da glória de Deus sobre todos. Por isso,  vamos celebrar com muita alegria, com ações de graças, adorar ao Rochedo da nossa Salvação, Jesus Cristo. Ele merece o nosso louvor com hinos e cânticos espirituais, hoje, amanhã e eternamente. Amém!

TEXTO: GN 12.1-9

TEMA: O CHAMADO DE ABRÃO E A PROMESSA DE DEUS

Convido a congregação para meditarmos sobre Abraão, um personagem central na história bíblica, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Sua trajetória atravessa gerações e torna-se o fundamento para a compreensão da fé em Deus. Ele é chamado de 'pai da fé', título atribuído pelos apóstolos. O apóstolo Paulo o destaca como exemplo daquele que creu na promessa divina, mesmo quando as circunstâncias eram desfavoráveis. Já o apóstolo Tiago, em sua carta, apresenta Abraão como o modelo de uma fé viva, que se manifesta em atitudes concretas e obedientes.

Abraão tinha 75 anos — uma idade em que, humanamente falando, não se espera iniciar novas jornadas —, quando recebeu uma ordem que exigia fé, coragem e um desprendimento absoluto. Deus o chamou para sair de Ur dos Caldeus sem lhe dar garantias humanas ou detalhes sobre o destino; ele ouviu apenas uma promessa: seria pai de uma grande nação, teria seu nome engrandecido e, por meio dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Mesmo sem compreender o 'como', Abraão partiu. Sua obediência imediata revela que o chamado de Deus não depende da lógica das circunstâncias, mas da confiança plena Naquele que chama.

Abraão não ficou parado; ele seguiu em frente mesmo sem conhecer os detalhes do plano de Deus. Ele trocou a estabilidade de Ur pela promessa de uma herança celestial, caminhando em direção a algo que só receberia muito tempo depois. Isso nos ensina que quem tem fé obedece, porque confia que os planos de Deus são muito maiores do que a nossa capacidade de entender.

 A fidelidade de Abraão não foi um evento isolado, mas uma sucessão de decisões que confirmavam sua confiança a cada passo. O texto bíblico apresenta quatro fundamentos essenciais que sustentaram a caminhada de Abrão:

Primeiro,  o chamado de Deus a Abrão. (vv. 1–3). O chamado de Deus a Abrão começa com uma ordem clara: 'Sai da tua terra'. Deus o convida a romper com o passado e a abandonar a sua estabilidade pessoal; um chamado que exige separação e profunda confiança. Abrão parte sem conhecer o destino, movido apenas pela palavra divina. Em seguida, vem a promessa: 'Farei de ti uma grande nação'. Aqui, a promessa vem antes do que se vê. Mesmo sem filhos, ele recebe a garantia de descendência e honra, entendendo que o chamado não era apenas para sair, mas para confiar em Deus. Por fim, o SENHOR declara que nele seriam benditas todas as famílias da terra. Assim, Abrão compreende sua missão: ele não foi chamado apenas para ser abençoado, mas para ser um instrumento de bênção para o mundo.

Segundo, obediência ao chamado de Deus (v.4).A resposta de Abrão ao chamado de Deus foi marcada por obediência imediata. O texto afirma: “Partiu Abrão como o SENHOR lhe dissera.” Não há registro de questionamentos, atrasos ou negociações. Deus falou, e ele respondeu com ação. Sua obediência não foi apenas emocional ou verbal, mas prática e concreta. Ele organizou sua vida, reuniu sua família e iniciou a jornada conforme a direção recebida. Ele não apenas creu na promessa, mas se levantou e caminhou. Sua fé não ficou restrita  às palavras — ela se transformou em movimento. A verdadeira fé sempre produz ação. Crer, no exemplo de Abraão, é confiar a ponto de obedecer. Assim, sua vida nos ensina que a fé genuína se manifesta em atitudes e que confiar em Deus implica dar passos mesmo quando não enxergamos todo o caminho.

Terceiro, confiança no Deus da promessa. (vv. 6–7). Ao chegar à terra de Canaã, Abrão se depara com um cenário desafiador. O texto declara: “Os cananeus habitavam então na terra.” A promessa havia sido feita, mas a realidade mostrava obstáculos visíveis. A presença de outros povos evidenciava que o cumprimento da palavra de Deus não aconteceria sem desafios. Então, Deus aparece novamente a Abrão e reafirma Sua palavra: “À tua descendência darei esta terra.” O SENHOR confirma a promessa no meio do caminho, fortalecendo o coração do seu servo. Diante dessa manifestação, a resposta de Abrão é significativa: ele edifica um altar ao SENHOR. Antes mesmo de possuir a terra, ele adora. Antes da conquista, há gratidão. Abrão demonstra que sua confiança estava no Deus da promessa, e não nas circunstâncias ao redor. Sua adoração revela que a fé verdadeira celebra antecipadamente aquilo que Deus ainda está por cumprir.

Quarta, uma vida de adoração e peregrinação (vv.8–9). Ao longo de sua jornada, Abrão demonstra uma vida marcada pela adoração e pela peregrinação. Primeiramente, ele arma tendas, vivendo como peregrino. Essa atitude revela que ele não se apega ao provisório nem busca segurança definitiva em lugares terrenos; sua confiança está em Deus, não em cidades ou posses.Além disso, Abrão edifica altares por onde passa. Cada altar é uma marca espiritual, um ponto de comunhão com o SENHOR. Eles testemunham sua fé e gratidão, lembrando que a verdadeira vida cristã se manifesta na adoração contínua e na presença constante de Deus.Por fim, ele continua caminhando. A jornada de fé é progressiva e constante. A caminhada não termina com um altar construído ou uma promessa recebida; a fé verdadeira se revela em movimento contínuo, obedecendo a Deus passo a passo, confiando que Ele conduz cada etapa da vida.

Estimados irmãos! Abrão foi chamado por Deus para um propósito especial: por meio dele, o SENHOR revelaria ao mundo Seu amor, Sua fidelidade e Seus planos de redenção. Ele vivia em Harã com sua esposa Sarai, cuidando de seu rebanho e levando uma vida aparentemente comum. Tinha família, estabilidade, rotinas bem estabelecidas e uma história construída naquele lugar. Nada indicava que sua vida tomaria um rumo tão extraordinário. Mas foi justamente ali, na simplicidade do cotidiano, que Deus o chamou. Deus lhe deu uma ordem surpreendente e desafiadora. Ele o convida a romper com o passado e a abandonar a sua estabilidade pessoal; um chamado que exige separação e profunda confiança

O chamado de Deus a Abrão começa com uma ordem clara em três partes. A primeira é: “Sai da tua terra” (v. 1a). Sair da própria terra não significava apenas atravessar fronteiras. Para Abrão, a terra era identidade e segurança. Era o lugar onde ele conhecia as leis, os costumes, a língua, as tradições e os caminhos. Era onde sua vida estava enraizada. Naquela época, a terra também garantia sobrevivência e proteção. Saber como se movimentar no território era importante para o comércio, cuidar dos animais e se relacionar com outras pessoas. Deixar a terra significava viver como estrangeiro, sem domínio das regras locais e dependendo da hospitalidade de outros. Espiritualmente, esse primeiro passo nos ensina que seguir a Deus muitas vezes exige sair da nossa zona de conforto cultural — deixar para trás antigas formas de pensar, hábitos e padrões que moldaram nossa visão do mundo. É permitir que Deus mude nossas referências e prioridades.

Segundo, “da tua parentela”: (v.1b). Na antiguidade, a família era tudo. Os parentes eram quem protegiam, davam justiça e supriam necessidades. Não existia um governo organizado como hoje. Quem defendia alguém ou resolvia injustiças eram os próprios familiares. Quem ajudava em tempos difíceis era o clã. Sair da família significava abrir mão de todo esse “seguro de vida” da época. Era perder apoio militar, econômico e emocional, tornando-se mais vulnerável. Além disso, a família representava influência e tradições religiosas. Muitas mantinham suas próprias práticas e crenças.Quando Abraão saiu da família, ele também rompeu com antigas referências espirituais para confiar totalmente no Deus que o chamava. Este nível nos ensina sobre a coragem de confiar em Deus acima das estruturas sociais. Nem sempre Deus pede que deixemos pessoas, mas Ele quer que nossa confiança principal esteja n’Ele, e não apenas nas pessoas ou redes de apoio humanas.

Terceiro, “e da casa de teu pai”(v.1c): Este é o nível mais profundo do chamado de Deus. A casa do pai era o centro da identidade de Abrão. Ali estavam suas raízes, herança, nome da família, patrimônio e futuro garantido. Permanecer na casa do pai significava ter parte certa nos bens, no clã e na autoridade da família. Sair da casa do pai era começar do zero. Significava abrir mão da herança material e da identidade que vinha da família para construir uma nova história baseada apenas na promessa de Deus. No lado emocional, isso também significa desprender das expectativas familiares e padrões do passado. Deus estava dando a Abrão uma nova identidade — não mais apenas filho de seu pai terreno, mas pai de uma grande nação.Esse chamado mostra que a fé verdadeira atinge o lugar mais íntimo do ser. Não é só mudar de endereço ou de posição social. É mudar de identidade. Deus estava formando em Abrão um homem cuja segurança não vinha da terra, do clã ou da herança, mas da promessa de Deus.

O desafio tornava-se ainda maior com a instrução final: “Vai para a terra que te mostrarei” (v. 1d).  Deus não apresentou um mapa detalhado, não explicou cada etapa do percurso, nem descreveu os obstáculos que seriam enfrentados. Não houve menção às longas jornadas, às incertezas ou às dificuldades de uma promessa que levaria anos para se cumprir. O que restou a Abrão foi o puro exercício da confiança: caminhar sem ver, movido apenas pela fidelidade no SENHOR que  o guiava. A ordem foi curta e absoluta: simplesmente “vai”. É fundamental notar que o uso do futuro — “mostrarei” — indica que a revelação não seria imediata, mas sim progressiva. Quando Deus disse essas palavras, Ele não deu todos os detalhes da promessa de uma vez. Abrão não sabia exatamente qual seria a terra, nem como chegar, nem quais dificuldades enfrentaria. Deus prometeu que iria revelar o caminho aos poucos, conforme Abrão caminhasse em fé.

Há momentos na vida em que somos chamados a sair: sair do lugar conhecido, das rotinas confortáveis e das certezas construídas ao longo dos anos. Não se trata apenas de uma mudança de endereço ou de circunstância — é Deus nos convocando para um trabalho sublime.Vimos esse chamado ecoar na história de Abraão. Naquela ocasião, Deus não forneceu todos os detalhes nem apresentou o mapa completo; Ele pediu apenas uma coisa: obediência.Quantas vezes nos acomodamos em situações que já não representam o propósito de Deus para nós? Permanecemos em hábitos, relacionamentos, empregos e até em mentalidades que nos impedem de avançar.A voz de Deus é um convite constante ao movimento. Ele jamais nos convoca para o retrocesso; Seus planos sempre apontam para o que está por vir.Quando Moisés foi chamado, teve de sair do anonimato do deserto para confrontar o Faraó. Quando Pedro ouviu Jesus dizer “Vem”, precisou sair do barco para andar sobre as águas. Em ambos os casos, o milagre aconteceu após o primeiro passo.Que possamos ter a fé de Abraão, a coragem de Moisés e a ousadia de Pedro. Que possamos entender que a zona de conforto é, muitas vezes, a maior inimiga do nosso propósito.

Abraão partiu sem conhecer o destino, depositando sua confiança apenas no Autor da promessa. Naquele momento, ele trocou a estabilidade pela fé. É precisamente aí que reside a profundidade desse chamado: a fé não consiste em enxergar o caminho completo, mas em dar o primeiro passo enquanto o horizonte ainda permanece encoberto.Mesmo diante da incerteza, Abraão decidiu obedecer. Ele não exigiu garantias nem um cronograma detalhado; simplesmente creu que Deus guardava um objetivo maior: uma promessa. Assim, reuniu sua família e partiu. Deus não apenas pede que Abraão caminhe, mas também anuncia o que realizará em sua vida :“de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!(v.2). Nessa passagem, Deus apresenta três promessas principais a Abraão:

Primeiro, “de ti farei uma grande nação”.Deus prometeu que Abrão, mesmo sendo idoso e sem filhos, se tornaria pai de uma grande descendência. Humanamente, seria impossível, pois Abraão era um homem estéril e, em idade avançada, não poderia ser pai. Mas Deus promete que Abraão, mesmo sendo idoso e sem filhos naquele momento, se tornaria pai de uma grande descendência. Deus cumpre promessas mesmo quando parecem impossível. Segundo, te abençoarei” .Ao dizer essas palavras, Deus mostra que a bênção começa n’Ele. Deus não estava prometendo apenas prosperidade material ou ausência de problemas para Abrão. Para um homem que deixou sua terra e sua herança, ser "abençoado" por Deus significava que ele não estava mais sob a proteção de um clã, mas debaixo do favor do Criador. Terceiro, “engrandecerei o teu nome”.  Enquanto a humanidade tentava 'fazer um nome' para si mesma por meio de torres e impérios, Abraão recebeu um nome eterno por meio da entrega. Sua identidade foi resgatada; ele deixou de ser apenas um peregrino errante para se tornar o 'Pai da Fé'. O brilho do seu nome não vinha de sua própria força, mas do reflexo da glória daquela que o chamou.

No entanto, o ponto central da promessa está nas palavras: “Sê tu uma bênção.” Deus deixa claro que o favor concedido a Abraão não deveria ser retido, mas compartilhado; a bênção deve fluir. Assim, ser uma bênção é permitir que aquilo que recebemos do Alto — graça, cuidado, provisão e promessa — transborde em favor daqueles que estão ao nosso redor.Na verdade, Abraão não foi escolhido apenas para receber, mas para transmitir. Podemos concluir que a promessa feita a ele ecoa como convite e responsabilidade: quem é abençoado por Deus é chamado a abençoar o mundo. Ele foi convocado para ser a prova viva de que a fidelidade divina é o único alicerce que nunca falha.Ser uma bênção é viver de modo que a presença de Deus em nós transforme o ambiente, levando paz, esperança e luz. Assim, “Sê tu uma bênção” não é apenas uma ordem, mas a vocação de quem caminha com o SENHOR: permitir que outros experimentem, por meio da nossa vida, a Sua bondade e fidelidade.

Nesta declaração, Deus amplia a promessa feita a Abraão e revela a dimensão espiritual de Sua aliança. “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.”(v.3). Já não se trata apenas de uma bênção pessoal ou familiar, mas de um propósito que alcançaria toda a humanidade. Ao afirmar que abençoaria os que o abençoassem e amaldiçoaria os que o amaldiçoassem, Deus estabeleceu um princípio espiritual profundo: aquele que caminha segundo o propósito divino nunca está desamparado. A proteção de Abraão não vinha de sua própria força ou influência, mas do compromisso do próprio Deus com a aliança que estava sendo selada. Assim, qualquer oposição contra ele seria, na verdade, uma afronta ao próprio SENHOR.

Este texto também revela que a bênção não tinha um fim em si mesma. A promessa declarava que, por meio de Abraão, todas as famílias da terra seriam benditas. Aqui, encontramos o alcance universal do plano de Deus: uma promessa feita a um homem nômade, no deserto, que ultrapassaria gerações, culturas e continentes.A escolha de Abraão não era um privilégio egoísta, mas um instrumento de redenção. A história confirmaria que essa promessa alcançaria sua plenitude em Jesus Cristo, por meio de quem a salvação se estende a todos os povos .Portanto, essa declaração não deve ser lida apenas como uma sentença de juízo, mas como uma afirmação da soberania divina e da segurança daqueles que estão no centro da vontade de Deus. Ela nos lembra que o Senhor é justo, que Ele honra Suas promessas e que nenhuma oposição pode frustrar os planos que Ele estabeleceu desde o princípio.

Depois do chamado, da promessa e da declaração de bênção, vem a resposta: Abrão partiu;  “Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã”(v.4). Abrão não ficou esperando sinais adicionais, nem garantias detalhadas. Ele confiou na voz que o chamou. Ele foi. Obedecer tornou-se mais importante do que compreender todos os detalhes do caminho.O versículo também revela algo marcante: Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã. A idade, que para muitos seria argumento para permanecer no conforto, não foi obstáculo para obedecer. Isso nos ensina que o propósito de Deus não tem prazo de validade. Nunca é tarde para começar uma nova jornada quando ela nasce da direção divina.Harã representava estabilidade, mas não era o destino final. Ló foi com Abrão, mostrando que decisões de fé nunca são isoladas — elas influenciam e abrem caminhos para outras pessoas.Abrão não sabia exatamente para onde estava indo, mas sabia com quem estava — e isso foi suficiente.

O chamado de Deus não foi uma jornada solitária. Abraão levou consigo Sarai, sua esposa, e Ló, seu sobrinho, além de todos os bens e servos que haviam adquirido: “Levou Abrão consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as pessoas que lhes acresceram em Harã. Partiram para a terra de Canaã; e lá chegaram” (v.5). A presença de Sarai demonstra que a promessa envolveria também sua família. Deus não estava construindo apenas o destino de um homem, mas estabelecendo o início de uma linhagem. Essa caminhada exigia unidade, parceria e perseverança conjunta. Eles não apenas partiram, mas “chegaram”. Esse desfecho significa que a promessa começou a se concretizar; o lugar que antes era apenas uma palavra, agora se tornava realidade. A fé, que se iniciou com o comando de “sai”, encontra finalmente o seu “chegaram”.Quando Deus aponta a direção, Ele mesmo sustenta o percurso. Pode haver espera e desafios, mas quem é guiado pela promessa não se perde pelo caminho — alcança exatamente o destino que lhe foi preparado.

Depois de chegar a Canaã, Abrão não encontrou uma terra vazia, pronta e desocupada. Ele atravessou a região até Siquém, chegando ao Carvalho de Moré (v. 6) — um local que, naquele tempo, possivelmente servia como ponto de referência espiritual e cultural para os povos da região.O texto afirma que ele “atravessou a terra”. Receber a promessa não significou posse imediata. Abrão precisou caminhar por ela, senti-la sob os pés e conhecer a extensão do que Deus lhe daria. Ele atravessou a região até Siquém. Siquém era um vale fértil, e o carvalho, uma árvore imponente. Para os povos locais, aquele era um lugar de “instrução” — Moré pode significar mestre ou instrutor.Assim, Siquém tornou-se o símbolo do primeiro encontro entre a promessa e a realidade.Deus conduz Abrão exatamente ao centro das referências culturais daquela terra para demonstrar que Sua voz e Seu ensino eram superiores a qualquer outra sabedoria humana.No entanto, embora Deus tivesse prometido a terra, ela estava ocupada. O texto bíblico faz questão de registrar: “e os cananeus estavam então na terra”. Abrão estava no lugar certo, mas ainda não possuía aquilo que lhe fora prometido.Ele precisou aprender a enxergar a terra não como ela se apresentava — ocupada e dominada por outros —, mas como Deus havia declarado que seria: uma herança destinada à sua descendência.

Em meio a uma terra ainda ocupada por cananeus, Deus parece e volta a falar. A promessa agora ganha contornos mais definidos: “Darei à tua descendência esta terra.”(v.7a). Não é apenas um território de passagem; é herança futura. Ainda que Abrão não possuísse nada visivelmente, Deus já declarava posse da terra . Outro detalhe importante é que a promessa é direcionada à descendência. Isso amplia a visão: o cumprimento ultrapassaria a geração de Abraão. Ele pisaria na terra, mas seus filhos a herdariam.Diante dessa revelação, Abrão não constrói uma fortaleza, nem estabelece um marco de domínio político. Ele edifica um altar: “Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera.” (v.7b).

Antes de reivindicar a terra, ele adora o SENHOR. Antes de pensar na herança, ele honra o Doador da promessa.O altar simboliza gratidão, dependência e consagração. Abrão entende que a conquista começa na comunhão com Deus. Cada etapa da jornada é marcada por adoração. A promessa não o torna orgulhoso; o torna reverente. Por isso, erguer um altar é criar um memorial de fé. É a prova de que Deus agiu em nossa história. É o marco que deixamos no caminho para nunca esquecermos que cada promessa recebida teve a participação da providência divina. Assim, aprendemos que toda promessa deve frutificar em adoração.E cada palavra recebida de Deus deve ser respondida com fé e reverência. Abrão aprendeu que a  terra ainda seria conquistada no tempo certo, mas naquele momento algo mais importante foi estabelecido: um relacionamento firme entre o homem da promessa e o Deus que prometeu.

Depois da promessa renovada, Abraão continua sua jornada: “Passando dali para o monte ao oriente de Betel, armou a sua tenda, ficando Betel ao ocidente e Ai ao oriente; ali edificou um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR” (v. 8). Ele se move para a região montanhosa entre Betel e Ai. Naquele lugar, arma sua tenda — símbolo de sua vida provisória — e, novamente, edifica um altar. Abraão não se via como dono definitivo, mas como peregrino. Ele estava na terra prometida, porém ainda não estabelecido de forma permanente. Ao viver em uma tenda, Abraão demonstrava que sua estabilidade não dependia de paredes sólidas, mas da voz de Deus que o guiava.O altar, mais uma vez, aparece como prioridade.Onde ele armava a tenda, levantava também um lugar de adoração. Vida prática e vida espiritual caminhavam juntas.  Ele não separava jornada e comunhão. Entre Betel (“casa de Deus”) e Ai, Abraão invoca o nome do SENHOR. Invocar é mais do que mencionar; é clamar, depender, reconhecer autoridade. Assim, Abraão constrói sua história não apenas caminhando, mas adorando. Ele entende que a promessa não se sustenta apenas por movimento, mas por relacionamento.E essa é uma lição permanente: onde quer que estejamos — entre desafios, decisões ou transições — devemos erguer altares. Porque quem aprende a invocar o nome do SENHOR no caminho permanece firme, mesmo vivendo em tendas.

Após estabelecer-se entre Betel e Ai, edificando altares e invocando o nome do SENHOR, Abraão retoma sua jornada, desta vez em direção ao Neguebe, região mais árida e desafiadora do sul de Canaã. “Depois, seguiu Abrão dali, indo sempre para o Neguebe.” (v.9). O Neguebe representa mais do que um território geográfico; simboliza os momentos de provação e confiança. A terra prometida não era apenas um caminho de facilidades, mas uma jornada que exigia perseverança, fé e obediência contínua.A narrativa enfatiza a constância: “indo sempre para o Neguebe.” Ele não se estabelece definitivamente, nem espera conforto; sua prioridade é seguir a direção de Deus.Este trecho nos ensina que a vida de fé envolve movimento. Mesmo após sinais claros da promessa e experiências de adoração, ainda há caminhos que requerem coragem e paciência. Deus conduz passo a passo, e cada etapa é parte do cumprimento de Suas promessas.O Neguebe também nos lembra que a fidelidade nem sempre nos leva a zonas confortáveis. Mas é nesses espaços, muitas vezes áridos, que a confiança em Deus se fortalece e a promessa começa a se manifestar de forma concreta.Assim, a caminhada de Abraão é um modelo de fé: fé não é apenas acreditar em palavras, mas seguir o chamado, mesmo quando o destino parece desafiador e o caminho, deserto.

Chegamos ao fim desta reflexão com uma certeza: o Deus que chamou Abrão continua dizendo: “Sai da tua terra”. É um convite à fé e à confiança. Assim como Abrão, somos chamados a deixar aquilo que nos prende para seguir pela fé, crendo que Deus guia cada passo daqueles que ouvem e obedecem à Sua voz.

O chamado de Abrão nos lembra que, quando Deus chama, Ele também sustenta; quando promete, Ele é fiel para cumprir. A caminhada pode ser incerta aos nossos olhos, mas é segura nas mãos daquele que fez a promessa.

Além disso, essa promessa não se limita apenas a Abrão. Ela aponta para um propósito maior na história da redenção: por meio de sua descendência, todas as nações seriam alcançadas. Assim, o chamado de Abrão não foi apenas um evento individual, mas o início de um plano divino que impactaria toda a humanidade.

Portanto, ao refletirmos sobre o chamado de Abrão e a promessa de Deus, aprendemos que:Deus continua chamando pessoas para confiar n’Ele, a fé exige desprendimento e coragem e as promessas de Deus ultrapassam o presente e alcançam gerações.Amém.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

TEXTO: JO 3.1-17

TEMA: IMPORTA-VOS NASCER DE NOVO

 Diante do tema exposto, “Importa-vos nascer de novo”, surge à pergunta: Havia necessidade de nascer de novo? Afinal, Nicodemos era homem justo e piedoso. Era membro do Sinédrio. Fazia parte da elite dos lideres religiosos. Era “um dos principais dos judeus” (v.1) e mestre da lei, pois estudava, interpretava e ensinava as Escrituras ao povo. Era um homem extremamente religioso, frequentava assiduamente as sinagogas, dava esmolas e era fiel nos dízimos.

No entanto, apesar de todas as suas qualidades e méritos religiosos, Nicodemos era um homem perdido, que não tinha ainda alcançado a verdadeira salvação.  Precisava nascer de novo. Sendo assim, foi em busca de maior entendimento do que Jesus falava sobre “nascer de novo”. Jesus conversa com Nicodemos. Jesus o corrige, mostra a necessidade de “nascer de novo”, e com amor o explicou e lhe deu o entendimento do verdadeiro sentido.

Mas, afinal, em que consiste este “nascer de novo?” Seria “voltar ao ventre materno?” Como ironicamente perguntou Nicodemos! Não! “Nascer de novo”, é um afogar do velho homem e um nascer do novo homem. É uma renúncia ao pecado e um despertar para Deus. É ter uma fé inabalável em Cristo como único Redentor. E isto é possível pela água e pelo Espírito Santo. Pelo batismo e pela palavra de Deus, por ambos o Espírito Santo realiza o novo nascimento. Jesus apresenta a Nicodemos às necessidades deste novo nascimento: Em primeiro lugar, porque o que é nascido da carne é carne. E carne não pode herdar o reino dos céus. Em segundo lugar, porque sem o renascer, não podemos ver o reino de Deus. Enfim, porque renascido para Deus temos vida em Cristo.

Os últimos acontecimentos ocorridos na cidade de Jerusalém causaram um verdadeiro alvoroço, especialmente, na vida dos fariseus. Jesus havia realizado o seu primeiro milagre em Caná da Galileia e com autoridade expulsou os que vendiam animais no templo, bem como os cambistas que estavam se aproveitando do ambiente para fazerem negócios. Além disso, a forma como Jesus ensinava, chamando às pessoas ao arrependimento e fé, abalou a religião dos fariseus e seus alicerces, pois sua religião consistia no cumprir cerimônias eclesiásticas e na disciplina pessoal. Em outras palavras, consistia em praticar as boas obras.

Mas os fariseus que viram Jesus expulsando os mercadores do templo, não queria realmente sua presença, e ainda questionam, dizendo: Quem é este? Porque procede desta maneira? Com que autoridade? Ferido em seu orgulho, os fariseus agrupavam-se para formarem oposição a Jesus. No entanto, um homem, de nome Nicodemos, tomou outro caminho. Não conseguia suportar a dúvida, pois sentia uma sensação de vazio e de incerteza em seu coração. Sendo assim, certo dia, durante a noite procura Jesus no silêncio da noite, às escondidas, querendo evitar a crítica dos demais membros do Sinédrio, para saber a verdade. Impressionado com as palavras de Jesus, ele reconhece o valor profético dos sinais realizados pelo Senhor: Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes se Deus não estiver com ele. (v.2b) Nicodemos reconhece que Jesus é mestre e tem autoridade divina.  A palavra Rabi significa “professor, mestre” ou literalmente "grande". O termo é utilizado dentro do judaísmo para definir rabinos de grande importância em uma determinada área de atuação, servindo como um título que significa "mestre" ou "aquele que detém grande conhecimento”. Jesus era mais que um Rabi. Era o Messias, porém isso Nicodemos ainda não admitia.

Na verdade, Nicodemos quando chama Jesus de mestre, a sua expectativa era aprender de Jesus o necessário para viver melhor. Mas Jesus, surpreendentemente, não lhe ensina esse algo mais que ele procurava. Para o mestre de Nazaré a questão não é melhorar nesse ou naquele ponto, mas mudar completamente o rumo de sua vida. Ao contrário do que Nicodemos pensava, Jesus fala do poder de sua cruz e de um novo nascimento no Espírito Santo. Jesus disse: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, (ανουεν) não pode ver (ιδειν) o Reino de Deus. (v.3). A duplicação inicial das palavras de Jesus, que significa amém, mostra que suas palavras são verdadeiras. É uma afirmação enfática. Mostra que ninguém pode ver, conhecer, identificar o reino de Deus sem o “nascer de novo”. Mostra a Nicodemos que se trata de um assunto da mais alta importância: a sua salvação.

Entretanto, Nicodemos, admirado pela inesperada e imediata afirmação de Jesus, ele procura defender-se, uma vez que Nicodemos não fez uma pergunta. Jesus havia respondido imediatamente. Por isso, seu coração está inquieto e confuso. Sua voz assume um tom áspero. Ele parece não entender bem a proposta de Jesus e, pensando em termos racionais, lança novos questionamentos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? (v.4). Estas colocações revelam que Nicodemos entendeu “de novo” sem a menor dúvida. Como pode? Eu nascer de novo, para quê? Será que minha conduta moral não está em ordem? Será que me falta conhecimento? Será que sou leviano em questões religiosas? Nascer de novo. Conheço profundamente a Bíblia. Tomo a religião muito a sério. Minha vida é exemplo. Tenho boa fama. O povo ao me eleger para o Sinédrio testemunhou disto. Toda a minha vida, desde a infância consistiu em prestar culto a Deus. Cumpro rigorosamente as cerimônias da igreja e vivi uma vida altamente disciplinada. Não compreendia porque Jesus lhe dizia ser necessário nascer de novo.

Muitos querem entrar no Reino de Deus como Nicodemos. Procuram justificar-se a si mesmo, enumeram: sou batizado, sou confirmado, vou à igreja, participo da Santa Ceia e contribuo. Não sou assassino, nem adúltero, nem ladrão. E como tal, estou em dia com o meu Deus. Vivem com seu coração endurecido, que pensam somente em si, que não conseguem compreender o imenso amor de Deus por nós, e viver uma vida de fidelidade para com o Senhor. O nosso coração precisa de limpeza; precisa ser trocado, pois ele é egoísta, mundano, influenciado pelo pecado, e devido a isso não pode ouvir a voz de Deus, seguir suas orientações e o caminho que ele nos propõe a seguir. Na verdade, precisamos fazer uma análise da nossa vida.

Para Nicodemos não havia necessidade de um “nascer de novo”. Segundo ele, o simples fato de ser descendência de Abraão lhes conferia o Reino de Deus. Era uma concepção totalmente errada. E Jesus derruba tal conceito exigindo como condição, para entrar no Reino de Deus o novo nascimento. Deixa bem claro que no Reino de Deus não se concede por hereditariedade, mas procede de “nascer de novo”. Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (v.5a). Jesus não retira o que disse. Ao contrário, confirma-o, especificando que o nascimento deve ser através, por meio “de água e de Espirito”.

E ainda reforça a sua colocação. Ele é enfático ao afirmar: o que é nascido da carne é carne; e o é nascido do Espirito é espirito (ἐκ τοῦ πνεύματος πνεῦμά ἐστιν). (v..6). Carne não pode herdar o reino dos céus. Todas as obras da carne, por mais brilhante que sejam, são corrupção. Provém do egoísmo. São inimizade contra Deus. Além disto, a imaginação do coração humano é má desde a sua meninice. Portanto, viver na carne é satisfazer a vontade dela; é estar nos caminhos pecaminosos. É satisfazer o seu próprio desejo de realização. O que é nascida da carne produz frutos da carne. O apóstolo Paulo fala, em Gálatas 5.17-23. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, facções, invejas, bebedices, glutonarias e cousas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o Reino de Deus os que tais cousas praticam.

Somos exortados a andar no Espírito - A nossa vida cristã, em última análise, consiste em sermos guiados pelo Espírito. A meta das nossas vidas é cumprir a obra do Espírito, que é pregar o evangelho da água e do Espírito. Esse é o centro da vida cristã: Deus habita em nós na pessoa do Espírito. Em várias cartas, Paulo chama atenção sobre o perigo de existirem nas igrejas pessoas vivendo conforme as obras da carne. Essas pessoas causam discórdias, atrapalham o crescimento e dão péssimos testemunhos. Sendo assim, ele aconselha: Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei (Gl 5.16-18).

O diálogo de Nicodemos com Jesus estende-se. Quase num último esforço, diante da incompreensão de Nicodemos, Jesus volta a dizer-lhe. Não te admiras. Você não o poderá compreender. Nem é necessário. Na natureza há também muitas coisas que você não compreende, o vento por exemplo. O vento é uma realidade. Vemos a sua força, sua ação sopra onde quer, ouve-se o seu ruído, mas não se sabe donde vem.  Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito (v.8), afirma Jesus. Nicodemos sente o impacto dessas palavras, que o colocam diante do mistério da liberdade, em cujo limiar os doutores da Lei esbarravam. Mas Jesus não apenas se refere à liberdade, Ele diz ser a verdade da liberdade, pois quem nasce do alto é guiado pela fé e se situa para além do sistema de práticas rituais e prescrições cultuais. No entanto, mesmo diante desta figura que Jesus usa, Nicodemos luta contra as palavras de Jesus. Ele não quer deixar afogar-se. Ele não quer morrer, não quer dar lugar ao Espírito.

Nicodemos necessitava de uma mudança em seu coração, uma transformação espiritual. De fato, a mudança também deve acontecer em nosso interior.  É preciso tirar tudo o que está estragado e colocar algo novo em nossa vida. Esta mudança em nosso coração apenas o Espírito Santo é capaz de realizar.  “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus”. O Espírito Santo é que nos converte, regenera e arranca o nosso “coração de pedra” e coloca um coração cheio de fé, amor, bondade e compaixão. Então, sim, teremos paz com Deus. E tendo paz com Deus, seremos criaturas felizes e alegres, e já nenhuma tribulação, ou angustia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separara do amor de Deus. Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecer fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus.

Com muito amor Jesus revela o plano da salvação, diante da pergunta que Nicodemos fez: Como pode suceder isso? (v.9). Primeiro Jesus exemplifica que aconteceu no deserto no tempo de Moisés: Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, da mesma forma importa que o Filho do homem seja levantado… (v. 14). Esse episódio aponta diretamente para Cristo. A imagem suspensa da serpente de metal faz-nos lembrar do sacrifício de Jesus Cristo realizado na cruz. A imagem da serpente de bronze se reveste de novo colorido, apresentando-se como pré-figura da ação redentora de Jesus Cristo na cruz. E não há outra salvação para os homens senão olhar para a verdadeira serpente de bronze, Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado. Qual o objetivo deste sacrifício? Para que todo que nele crê tenha a vida eterna (v.15). Este é o reino de Deus, a vida eterna. Daí a importância de “nascer de novo”.

Em resposta à indagação de Nicodemos, afirmamos que somente por meio da obra salvadora de Jesus Cristo — exaltado e glorificado na cruz — é possível experimentar o novo nascimento e vislumbrar o Reino de Deus. Na cruz, Ele tomou sobre si nossos pecados e fracassos para nos oferecer perdão; entregou-se à morte para que tivéssemos vida plena. É para Ele que devemos voltar o nosso olhar, pois de Cristo emanam o amor, a força e a redenção. Jesus nos assegura que sempre há um lugar reservado para nós no coração do Pai. Não importa a distância, você sempre pode retornar; Deus o acolherá e guiará seus passos pelo caminho da vida. Essa promessa se cumpre na declaração: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (v.16).Após esta mensagem de Jesus a Nicodemos, Ele,agora, reforça a sua missão salvadora, afirmando que Ele veio ao mundo para salvar, e não para condenar. Não era levar os homens a um julgamento, mas sim à salvação : “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (v.17). Apesar disso, o julgamento, a punição,a sentença é inevitável quando o homem se recusa a aceitar  o plano da salvação de Deus.

 Prezados irmãos! Na vida de Nicodemos aconteceu o novo nascimento. Mais tarde vamos encontra-lo defendendo Jesus diante do Sinédrio e também por ocasião do sepultamento, ajudou a descer o corpo de Jesus da Cruz. Faça como Nicodemos. Deixe que o Espírito Santo faça você nascer de novo. Deixe renovar seu coração, seu espírito, e com toda a certeza você terá uma feliz e abençoada vida com a presença do Senhor Jesus em tua casa, família e na vida profissional. Amém.

 TEXTO: SL121

TEMAO MEU SOCORRO VEM DO SENHOR

O salmo 121 é um “cântico de degraus” ou um “cântico para a romagem” ou ainda “cântico de peregrinação”. Ele faz parte de um pequeno hinário cantado pelo povo de Israel, quando da sua ida às festas em Jerusalém. O salmista, neste texto, nos relata o momento da saída dos peregrinos de seus lares a fim de seguir sua jornada até Jerusalém, para participarem das três festas religiosas anuais, a saber: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculo. Durante a viagem em condições precárias em direção à Jerusalém, lugar de adoração e sacrifício a Deus, os peregrinos cantavam. Demonstravam confiança em Deus. Exaltavam ao Senhor como o protetor nos momentos de dificuldades. Em certo sentido, esse era um momento alegre.

Mas também era uma ocasião de preocupação e aflição, pois esses viajantes teriam de deixar seus lares desprotegidos e suas famílias, além do seu patrimônio. O perigo de sair de casa não era somente para quem ficava, mas também para os viajantes. As estradas por onde os peregrinos passariam eram visadas por ladrões, com inúmeros esconderijos e locais para emboscadas. Sendo assim, o salmista busca proteção no Senhor e põe nele sua confiança desde sua saída até seu retorno. Somente Deus podia protegê-los e garantir uma jornada segura aos peregrinos.

A circunstância em que se encontrava o salmista, também tem sido a nossa situação. A vida do cristão é comparada a uma jornada. Somo peregrinos neste mundo, e estamos a caminho da nova Jerusalém. Muitos são os perigos nesta jornada. São tantas as dificuldades que temos que enfrentar, mas Deus é o nosso socorro. É justamente do próprio Deus que vem o socorro, aquele que pode nos socorrer que tem poder para mudar a situação das nossas vidas, pois a nossa proteção vem do Senhor.

                                                             I

O salmista inicia, dizendo: “Elevo os olhos para os montes” (v.1a). É uma oração em busca de ajuda, pois o salmista se vê impotente para chegar ao seu destino em segurança por seus meios próprios. Por isso, ele busca por um protetor. Aliás, o fato de Davi ter olhado para "os montes", foi para pensar num possível socorro, numa possível solução para seus problemas. Pode ser que o salmista estava procurando nos montes, quem pudesse oferecer o socorro. Assim, o Deus poderoso que vem do alto, de cima dos montes, poderia ser o que o salmista buscava com sua visão. Sendo assim, ao se deparar diante de perigos e dificuldades, olhou para dentro de si e chegou a uma questão importante: “de onde me virá o socorro?” (v.1b). Onde posso encontrar ajuda? Ele não encontra socorro nos montes. Não é dos montes que ele espera o auxílio. Não seria nos montes que os peregrinos encontrariam ajuda, diante das dificuldades que enfrentariam durante a viagem. Por mais elevado que fosse um monte, dele não poderia vir o esperado socorro.

Também precisamos de ajuda, auxílio, socorro, pois enfrentamos situações difíceis na família, na saúde, no trabalho, no casamento, no relacionamento com pessoas. Nessas horas, costumamos recorrer aos amigos, parentes, irmãos na fé, etc. Mas estes, algumas vezes, por certas razões, não conseguem nos ajudar. Ficamos desesperados e olhamos ao redor e formulamos a mesma pergunta: De onde virá o meu socorro? Para muitas pessoas o socorro vem do mundo e das pessoas; outras procuram nas vãs filosofias, no dinheiro e nos vícios; também têm aquelas que procuram olhar para dentro de seu interior, procurando respostas para seus problemas, ao invés de buscar ajuda no próprio Deus. 

Nesses momentos devemos recorrer ao nosso Senhor e Salvador que Ele nos dará o socorro esperado. Somente o nosso Senhor é capaz de nos tirar das situações difíceis e atender ao nosso pedido de socorro. Foi o que fez Davi. Depois de pensar coerentemente nas possíveis soluções para os seus problemas, Davi chega a uma conclusão magnífica. Ele encontrou uma resposta: "O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra” (v.2). O clamor provém de quem já conhece Deus. Reconhece que Deus “fez a terra”. Ele associa Deus ao ato da criação. Aquele que nos criou também nos sustenta. Ele nos conhece. Cuida e está pronto a nos ajudar. Esse era o seu protetor: o Deus onipotente e soberano.

                                                                  II

Davi confiava nas promessas do Deus onipotente e soberano, o Senhor que fez o céu e a terra. Nessa confiança e com toda a sua convicção, ele afirmaO Senhor não permitirá que os teus pés vacilem.” (v.3a). Esta promessa está firmada na confiança da soberania de Deus. Ele expressa essa confiança para si e transmite aos peregrinos ao afirmar: aquele que tem a firme convicção na confiança no Senhor, os pés não vacilam. O termo traduzido por “vacilar” significa “escorregar, derrapar, cambalear, ser abalado”.  Os peregrinos que subiam os degraus poderiam cair e sofrer uma fratura, ao andar pelos caminhos pedregosos que tinham que percorrer. Mas o Senhor não permitia o tropeçar dos seus pés. Só Deus pode fazer com que nossos pés não fraquejem, não vacilem. Só Deus pode nos firmar em momentos tão difíceis pelos quais temos passado. Nenhum filho de Deus permaneceria de pé, por um momento sequer, diante de abismos, armadilhas, fraquezas físicas e inimigos sutis, se não fosse por causa do fiel amor de Deus, que não permitirá que os pés de seus filhos vacilem. 

Mas o pedido para que seus pés não tropeçassem não era suficiente, pois a preocupação preenchia o longo e demorado percurso. Por isso, comparando o Senhor a uma sentinela, o pedido é que sua proteção fosse constante, não intermitente como acontece a guardas humanos que têm de repousar. Diferente é o Senhor: “não dormitará aquele que te guarda.” (v.3b). O verbo “guardar” – e o substantivo “guarda”, tem o sentido de proteger é usado seis vezes neste salmo. Observa-se que o cuidado é oferecido pelo Senhor: “Por certo o guarda de Israel não dorme” (v.4). O Guarda de Israel é quem cuidará para que não haja tropeço. Ele não dorme. Ele não permite que os seus filhos desviem de seu caminho. Ele não dormirá em nossa defesa, pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

                                                            III

 Deus está próximo de seu povo e demonstra o seu cuidado. Ele é o protetor: “O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.” (v.5). Deus acompanha os peregrinos, não os deixa, não os desampara. Eles sabiam que o Senhor os acompanharia como se fosse suas próprias sombras, lado a lado em toda jornada. O cuidado se daria em todos os sentidos: “De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. (v.6). Os peregrinos estavam conscientes que tinham que andar pelos caminhos pedregosos. Mas também tinham que enfrentar durante o dia o sol escaldante é ameaçador à insolação e queimaduras. Já à noite, a queda brusca de temperatura também era desconfortável e prejudicial à saúde. É mais plausível que o salmista esteja citando os termos sol e a lua como figuras do dia e da noite, demonstrando assim que Ele os livraria dos perigos do dia e da noite.

Todos nós passamos em nossa vida por momentos difíceis, por problemas, situações desagradáveis que tiram a nossa paz, pois nossa caminhada é feita em meio a curvas, buracos e pedras. Os nossos caminhos são feitos de obstáculos, como pedras, pedregulhos, ressaltos. Essas situações nos levam a buscar uma solução, um socorro que possa nos trazer alívio, paz e vitória. As pessoas costumam procurar em diversos lugares esse socorro. Buscam por pessoas ou coisas que possam socorrê-las, mas quase sempre não o encontram, pois o socorro verdadeiro não existe onde estão procurando. O socorro eficaz está em Deus. Ele está sempre atento, e nos guarda, pois o nosso socorro vem do Senhor.

Enfim, podemos entender que estamos sob os cuidados amorosos de nosso Pai. Ele diz de maneira mais clara: O Senhor te guardará de todo mal. Ele guardará a tua alma” (v.7). A expressão “todo mal” refere-se algo que poderia prejudicar a nossa vida, ou daquilo que pode nos fazer mal para nossa vida. Por isso, não precisamos temer a vida nem a morte; o dia de hoje nem o amanhã; o tempo nem a eternidade, pois o Senhor cuidará daqueles que lhe pertencem. Quer durante o dia ou à noite, no calor ou no frio, a presença do Senhor supre tudo de que precisamos. Não precisamos temer os ataques repentinos em momento algum do dia, pois estamos protegidos “à sombra do Onipotente” (Sl 91). Além disso: “O Senhor guardará a saída e a entrada.” (v.8a). O salmista está se referindo ao percurso total da jornada dos peregrinos, desde a “saída” de casa, até seu retorno. Nossa vida no dia a dia é feita de saídas e chegadas. Durante esse percurso da nossa vida Deus nos acompanha em todos os momentos, desde quando saímos de casa até quando voltamos em segurança. O cuidado de Deus que se mostra tão evidente que o socorro será "para sempre" jamais terá um ponto final.

 Estimados irmãos! Deus conhece muito bem os caminhos pelo qual teremos que trilhar para alcançar o propósito que Ele projetou para nossas vidas, o mais importante é saber que o nosso socorro vem do Senhor, e que Ele continua guardando a nossa entrada, a nossa saída desde agora e para todo sempre. Amém!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

TEXTO: SL 32

TEMA: É FELIZ AQUELE QUE CONFESSA SEUS PECADOS

O salmo 32 foi escrito após Davi ter cometido grave pecado com Bate-Seba. É um salmo de arrependimento, confissão, perdão, reconciliação. É um testemunho de Davi do perdão que recebeu mediante sua confissão de pecados e dos efeitos que o perdão divino teve sobre sua vida. Ele experimentou a alegria da reconciliação! Tornou-se um homem feliz e abençoado por Deus.

Mas quem é o homem feliz? O homem feliz é o homem que foi perdoado.  Aquele a quem Deus encobre o pecado, não querendo ver, recordar ou conhecê-lo. Ele torna-se feliz porque seus pecados foram apagados e nada mais existe para condená-lo. Ora, se não há mais transgressão, pecado, iniquidade e engano, o homem está liberto e será realmente feliz. Esta é a verdadeira felicidade de que nos fala a Bíblia.

Portanto, todos nós precisamos pedir perdão a Deus pelos nossos pecados e quando o fazemos sentimos a alegria de sermos perdoados e reconciliados! Através de Jesus, temos a certeza de que "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar..." (I João 1.9). Por isso, a verdadeira felicidade do cristão, a sua maior alegria e consolo é receber de Deus o perdão dos seus pecados.

                                                              I

Davi ressalta que as suas transgressões e os seus pecados foram perdoados e que, portanto, poderia ser feliz. Assim, ele finalmente pôde dizer com toda confiança: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade, e em cujo espírito não há dolo”. (vv.1e2). Interessante que nestes dois versículos, o salmista apresenta quatro palavras que descrevem a sua situação: a primeira palavra é transgressão, que significa rebelião contra as leis de Deus; a outra palavra pecado, que significa uma ofensa a Deus; a terceira palavra é iniquidade, que quer dizer perversidade, injustiça. E temos a quarta palavra que é dolo, ou engano que significa traição. O estudo dessas palavras reflete a profundidade do seu pecado diante de Deus.

Ao pecar contra Deus, Davi havia cometido rebelião, pois praticou aquilo que lhe era proibido. Ele rompeu com o SENHOR.  Ele pecou, errou o alvo, se desviou do centro da vontade de Deus, deixando de fazer o que lhe era agradável. Mas, agora, ele celebra e partilha com outros a sua alegria. Ele é um homem feliz, pois a sua transgressão foi perdoada. É feliz porque, embora, tenha se rebelado, desobedecido e se afastado de Deus, o SENHOR ainda ofereceu Seu gracioso perdão. Como Deus é rico em perdoar! Aceita o pecador arrependido! Movido por Sua imensa misericórdia, Deus perdoa, apaga, esquece e cancela os nossos pecados.

Mas vamos entender toda a trajetória da vida do salmista! Ela começa quando o salmista confessa a situação que vivia diante do pecado. O texto revela que ele vivia aflito: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (v.3). Esse silêncio significa ausência de confissão do pecado. Entretanto, se Davi guardou silêncio sobre o pecado, o próprio pecado, por sua vez, gritava em seu interior e o fazia sofrer diariamente. Ele chorava e se lamentava “todos os dias” a ponto de sentir seu corpo fraco e debilitado, diante dos efeitos do seu mau procedimento. Ele descreve, como se seus ossos sofressem um desgaste. É um preço muito alto para esconder a sua iniquidade! Na verdade, Davi estava com a consciência pesada, ele afirma: “Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (v.4). Sendo assim, já não suportava mais, não conseguia dormir, não conseguia se alimentar, não tinha mais alegria em seu coração.

A vida de Davi foi marcada por uma má escolha que o levou a cair em pecado. O pecado lhe trouxe tanta amargura, tristeza e agonia. Ele entrou em pânico e desespero com receio de ter sido abandonado por Deus. Era a lembrança da culpa que tanto o atormentava, mas que lhe parecia ser a mão de Deus, porque era Deus mesmo que conservava essa memória diante dele. E diante desta situação, perdeu as forças vitais, e se sentiu em sequidão. Mas diante de seu pecado, havia um caminho para Davi: o perdão. E o ponto de partida é o arrependimento. Ele sabe que só Deus pode restaurar a sua vida. Ele sabe que Deus é benigno, misericordioso e perdoador. Davi sabe que Deus não rejeita quem tem o coração quebrantado. Por isso, ele pede perdão a Deus, uma vez que a sua situação chegou ao extremo e se tornou insustentável. No salmo 51, Davi demonstra todo o seu sofrimento. Este salmo é o registro da agonia da alma de Davi, após o seu terrível crime de adultério e assassinato.

                                                                     II

Que situação horrível estava vivendo Davi. Talvez muitos estejam nesta situação neste momento. O que precisamos fazer é chorar pelos nossos pecados. Afinal, todos nós já choramos motivados por alguma coisa ou acontecimento nesta vida. Mas por que devemos chorar continuamente por nossos pecados? Porque ainda somos pecadores e, por isso, a Bíblia nos recomenda a fazê-lo. O apóstolo Tiago encoraja os crentes a chorar por seus pecados dizendo: (Tg 4.8-10).  O próprio Senhor Jesus chorou pelo pecado. Chorou diante do túmulo do seu amigo Lázaro (Jo 11.35). Não simplesmente por seu amigo ter falecido porque ele sabia que estava lá para ressuscitá-lo, mas porque estava diante da terrível consequência do pecado: a morte. Ele também chorou diante da cidade de Jerusalém por causa do sofrimento que viria sobre ela por tê-lo rejeitado como o Cristo (Lc 19.41-44). Este mesmo que chorou pelos pecados, proferiu as seguintes palavras: “Felizes os que choram". E acrescentou a promessa: “... porque eles serão consolados”! Essa é a razão da felicidade dos que choram por seus pecados.

Davi confessa a Deus seu pecado: “Confessei a ti o meu pecado” (v.5a). Diante disso, Deus poderia castigá-lo. Mas Deus demonstrou seu grande amor. Ele foi realmente perdoado. Tão logo confessou o seu pecado ao Senhor, Davi pode dizer: “… tu perdoaste a maldade do meu pecado” (v.5b). A tumultuada vida que vivia, dá lugar a bonança gerada pela certeza do perdão divino. Pelo jeito, não foi apenas a culpa que Deus levou, mas os próprios efeitos dela sobre a vida de Davi, fazendo com que, junto com o perdão, viessem também o alívio e o bem-estar.  Perdoados e justificados pela fé temos paz com Deus, (Rm 5.1). Lemos em Provérbios 28 13: “O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

Quantas vezes, nós não agimos assim? Falhamos, mas não queremos assumir os nossos erros! Muitos tentam encobrir os seus erros e pecados resistindo à voz da sua própria consciência, cauterizando a sua mente, entregando-se ao domínio do pecado. Riem e se divertem com o pecado. Lembrem-se aqueles que não se arrependem, não receberão o consolo de Deus, mas haverão de lamentar e chorar por toda a eternidade no inferno, um lugar de tormentos onde só haverá choro e ranger de dentes. Mas ainda há tempo! Ele nos convida, pois somente em Cristo há consolo e esperança para o pecador arrependido, que chora amargamente por seus pecados. Ele mesmo nos prometeu: “Felizes os que choram, porque serão consolados". Eis o momento oportuno da salvação. Cristo está chamando os pecadores ao arrependimento. Reconheçam seus pecados! Chorem por eles! Abandonem os e venham a mim, pois eu posso dar o perdão, o consolo e a vida eterna, disse Jesus.

Davi foi perdoado e purificado pelo sangue do Filho de Deus. Agora, pode enxergava o que jamais via antes na sua incredulidade. Agora, pode se refugiar em Deus como o seu esconderijo diante das tribulações. Agora, Deus continuava a oferecer ao salmista a graça e misericórdia nos momentos de grandes calamidades: “quando transbordarem muitas águas, não o atingirão”. (v.6) Sendo assim, o salmista estava preparado para enfrentar as anormalidades desta vida. Quantas bênçãos maravilhosas recebemos do SENHOR, decorrentes do perdão! Deus promete abrigo seguro, junto àquele que anda em retidão na sua presença. Davi disse: “Tu és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.” (v.7). Trata-se de uma atitude de produzir cantos alegres em louvor a Deus por uma obra de libertação. Davi passou da lamúria à exultação. Ele não se sente mais como um servo ingrato e rebelde, mas como um filho amado pelo Pai.

                                                                         III

O salmista Davi apresenta a vida feliz do homem perdoado. Então, vejamos: Primeiro, a vida feliz é uma vida de instrução. “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho” (v.8). Davi, agora, está pronto para receber instrução do Senhor, pois sabia da dor de estar contaminado pelo pecado e do alivio que veio de Deus, através do arrependimento. E o mais surpreendente nesse processo é que a ação de instruir e guiar, fator fundamental para a santificação da vida do pecador, é uma iniciativa do próprio Deus. Ele é quem, tomando o servo pela mão, o conduz no caminho correto, conforme as Escrituras. Deus também nos diz: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir!” Os filhos de Deus recebem instrução e orientação do caminho que devem seguir, ou nos adverte dos perigos do caminho errado.

Segundo, a vida feliz é uma vida de obediência: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem. (v.9). Cavalo e mula. Duas figuras interessantes. Davi nos aconselha que não devemos imitar o comportamento dos animais, que tem muita força, mas só obedecem por causa do freio e cabresto. O cabresto é uma corda com o formato da cara da mula que se coloca na cabeça para puxá-la e o freio é uma peça de metal que vai presa na boca do animal. Só obedecem por meio de força e da dor. A palavra-chave é "obedecem". Os animais obedecem apenas quando são dominados por freios e cabrestos. Davi nos mostra que devemos ser obedientes de coração sem precisar de castigos ou ameaças. Uma pessoa que foi perdoada é feliz obedece voluntariamente, sem constrangimento, sem obrigação. Os cristãos sabem que a Lei de Deus foi dada para ser obedecida e não para ser discutida e negada. Eles obedecem aos mandamentos de Deus. São conduzidos pela voz interior da mente de Cristo que nele habita (1Co 2.13).

Terceiro, a vida feliz é uma vida de confiança. “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no SENHOR, a misericórdia o assistirá “(v.10). É extremamente confortador saber que, numa época quando as instituições seculares estão fracassando e as promessas humanas falhando cada vez mais, podemos depositar toda a nossa confiança no Deus eterno, pronto a cumprir a sua palavra fielmente. Nossa confiança será depositada no Senhor que é cheio de misericórdia. Essa será o caminho da pessoa que foi perdoada e é feliz: ela viverá sempre confiando em Deus, não importam as circunstâncias. Na alegria, na provação, na dor, sempre pode confiar que Deus o ajudará e nunca será desamparado. A vida do ímpio será de sofrimento sem escape, mas a vida do justo será de confiança, misericórdia e consequentemente gratidão.

Finalmente, a vida feliz é cheia de alegria. “Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração” (v. 11).  Há três verbos, que fecham o salmo com chave de ouro: alegrai-vos, regozijai-vos e exultai. Este é o convite, é o imperativo que nos indica como será a vida feliz da pessoa que foi perdoada. Como disse o apóstolo Paulo, repetindo estas palavras: "Alegrai-vos no Senhor, outra vez vos digo: alegrai-vos”. Depois de tudo o que se passou na vida, de como ele foi perdoado e transformado, só pode ser esta a sua vida: alegria, regozijo e felicidade.

Estimados irmãos! Busquem a Deus e confessem seus pecados. Façam como Davi! E sejam feliz! Amém!