quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

TEXTO: SL 32

TEMA: É FELIZ AQUELE QUE CONFESSA SEUS PECADOS

O salmo 32 foi escrito após Davi ter cometido grave pecado com Bate-Seba. É um salmo de arrependimento, confissão, perdão, reconciliação. É um testemunho de Davi do perdão que recebeu mediante sua confissão de pecados e dos efeitos que o perdão divino teve sobre sua vida. Ele experimentou a alegria da reconciliação! Tornou-se um homem feliz e abençoado por Deus.

Mas quem é o homem feliz? O homem feliz é o homem que foi perdoado.  Aquele a quem Deus encobre o pecado, não querendo ver, recordar ou conhecê-lo. Ele torna-se feliz porque seus pecados foram apagados e nada mais existe para condená-lo. Ora, se não há mais transgressão, pecado, iniquidade e engano, o homem está liberto e será realmente feliz. Esta é a verdadeira felicidade de que nos fala a Bíblia.

Portanto, todos nós precisamos pedir perdão a Deus pelos nossos pecados e quando o fazemos sentimos a alegria de sermos perdoados e reconciliados! Através de Jesus, temos a certeza de que "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar..." (I João 1.9). Por isso, a verdadeira felicidade do cristão, a sua maior alegria e consolo é receber de Deus o perdão dos seus pecados.

                                                              I

Davi ressalta que as suas transgressões e os seus pecados foram perdoados e que, portanto, poderia ser feliz. Assim, ele finalmente pôde dizer com toda confiança: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade, e em cujo espírito não há dolo”. (vv.1e2). Interessante que nestes dois versículos, o salmista apresenta quatro palavras que descrevem a sua situação: a primeira palavra é transgressão, que significa rebelião contra as leis de Deus; a outra palavra pecado, que significa uma ofensa a Deus; a terceira palavra é iniquidade, que quer dizer perversidade, injustiça. E temos a quarta palavra que é dolo, ou engano que significa traição. O estudo dessas palavras reflete a profundidade do seu pecado diante de Deus.

Ao pecar contra Deus, Davi havia cometido rebelião, pois praticou aquilo que lhe era proibido. Ele rompeu com o SENHOR.  Ele pecou, errou o alvo, se desviou do centro da vontade de Deus, deixando de fazer o que lhe era agradável. Mas, agora, ele celebra e partilha com outros a sua alegria. Ele é um homem feliz, pois a sua transgressão foi perdoada. É feliz porque, embora, tenha se rebelado, desobedecido e se afastado de Deus, o SENHOR ainda ofereceu Seu gracioso perdão. Como Deus é rico em perdoar! Aceita o pecador arrependido! Movido por Sua imensa misericórdia, Deus perdoa, apaga, esquece e cancela os nossos pecados.

Mas vamos entender toda a trajetória da vida do salmista! Ela começa quando o salmista confessa a situação que vivia diante do pecado. O texto revela que ele vivia aflito: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (v.3). Esse silêncio significa ausência de confissão do pecado. Entretanto, se Davi guardou silêncio sobre o pecado, o próprio pecado, por sua vez, gritava em seu interior e o fazia sofrer diariamente. Ele chorava e se lamentava “todos os dias” a ponto de sentir seu corpo fraco e debilitado, diante dos efeitos do seu mau procedimento. Ele descreve, como se seus ossos sofressem um desgaste. É um preço muito alto para esconder a sua iniquidade! Na verdade, Davi estava com a consciência pesada, ele afirma: “Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (v.4). Sendo assim, já não suportava mais, não conseguia dormir, não conseguia se alimentar, não tinha mais alegria em seu coração.

A vida de Davi foi marcada por uma má escolha que o levou a cair em pecado. O pecado lhe trouxe tanta amargura, tristeza e agonia. Ele entrou em pânico e desespero com receio de ter sido abandonado por Deus. Era a lembrança da culpa que tanto o atormentava, mas que lhe parecia ser a mão de Deus, porque era Deus mesmo que conservava essa memória diante dele. E diante desta situação, perdeu as forças vitais, e se sentiu em sequidão. Mas diante de seu pecado, havia um caminho para Davi: o perdão. E o ponto de partida é o arrependimento. Ele sabe que só Deus pode restaurar a sua vida. Ele sabe que Deus é benigno, misericordioso e perdoador. Davi sabe que Deus não rejeita quem tem o coração quebrantado. Por isso, ele pede perdão a Deus, uma vez que a sua situação chegou ao extremo e se tornou insustentável. No salmo 51, Davi demonstra todo o seu sofrimento. Este salmo é o registro da agonia da alma de Davi, após o seu terrível crime de adultério e assassinato.

                                                                     II

Que situação horrível estava vivendo Davi. Talvez muitos estejam nesta situação neste momento. O que precisamos fazer é chorar pelos nossos pecados. Afinal, todos nós já choramos motivados por alguma coisa ou acontecimento nesta vida. Mas por que devemos chorar continuamente por nossos pecados? Porque ainda somos pecadores e, por isso, a Bíblia nos recomenda a fazê-lo. O apóstolo Tiago encoraja os crentes a chorar por seus pecados dizendo: (Tg 4.8-10).  O próprio Senhor Jesus chorou pelo pecado. Chorou diante do túmulo do seu amigo Lázaro (Jo 11.35). Não simplesmente por seu amigo ter falecido porque ele sabia que estava lá para ressuscitá-lo, mas porque estava diante da terrível consequência do pecado: a morte. Ele também chorou diante da cidade de Jerusalém por causa do sofrimento que viria sobre ela por tê-lo rejeitado como o Cristo (Lc 19.41-44). Este mesmo que chorou pelos pecados, proferiu as seguintes palavras: “Felizes os que choram". E acrescentou a promessa: “... porque eles serão consolados”! Essa é a razão da felicidade dos que choram por seus pecados.

Davi confessa a Deus seu pecado: “Confessei a ti o meu pecado” (v.5a). Diante disso, Deus poderia castigá-lo. Mas Deus demonstrou seu grande amor. Ele foi realmente perdoado. Tão logo confessou o seu pecado ao Senhor, Davi pode dizer: “… tu perdoaste a maldade do meu pecado” (v.5b). A tumultuada vida que vivia, dá lugar a bonança gerada pela certeza do perdão divino. Pelo jeito, não foi apenas a culpa que Deus levou, mas os próprios efeitos dela sobre a vida de Davi, fazendo com que, junto com o perdão, viessem também o alívio e o bem-estar.  Perdoados e justificados pela fé temos paz com Deus, (Rm 5.1). Lemos em Provérbios 28 13: “O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

Quantas vezes, nós não agimos assim? Falhamos, mas não queremos assumir os nossos erros! Muitos tentam encobrir os seus erros e pecados resistindo à voz da sua própria consciência, cauterizando a sua mente, entregando-se ao domínio do pecado. Riem e se divertem com o pecado. Lembrem-se aqueles que não se arrependem, não receberão o consolo de Deus, mas haverão de lamentar e chorar por toda a eternidade no inferno, um lugar de tormentos onde só haverá choro e ranger de dentes. Mas ainda há tempo! Ele nos convida, pois somente em Cristo há consolo e esperança para o pecador arrependido, que chora amargamente por seus pecados. Ele mesmo nos prometeu: “Felizes os que choram, porque serão consolados". Eis o momento oportuno da salvação. Cristo está chamando os pecadores ao arrependimento. Reconheçam seus pecados! Chorem por eles! Abandonem os e venham a mim, pois eu posso dar o perdão, o consolo e a vida eterna, disse Jesus.

Davi foi perdoado e purificado pelo sangue do Filho de Deus. Agora, pode enxergava o que jamais via antes na sua incredulidade. Agora, pode se refugiar em Deus como o seu esconderijo diante das tribulações. Agora, Deus continuava a oferecer ao salmista a graça e misericórdia nos momentos de grandes calamidades: “quando transbordarem muitas águas, não o atingirão”. (v.6) Sendo assim, o salmista estava preparado para enfrentar as anormalidades desta vida. Quantas bênçãos maravilhosas recebemos do SENHOR, decorrentes do perdão! Deus promete abrigo seguro, junto àquele que anda em retidão na sua presença. Davi disse: “Tu és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.” (v.7). Trata-se de uma atitude de produzir cantos alegres em louvor a Deus por uma obra de libertação. Davi passou da lamúria à exultação. Ele não se sente mais como um servo ingrato e rebelde, mas como um filho amado pelo Pai.

                                                                         III

O salmista Davi apresenta a vida feliz do homem perdoado. Então, vejamos: Primeiro, a vida feliz é uma vida de instrução. “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho” (v.8). Davi, agora, está pronto para receber instrução do Senhor, pois sabia da dor de estar contaminado pelo pecado e do alivio que veio de Deus, através do arrependimento. E o mais surpreendente nesse processo é que a ação de instruir e guiar, fator fundamental para a santificação da vida do pecador, é uma iniciativa do próprio Deus. Ele é quem, tomando o servo pela mão, o conduz no caminho correto, conforme as Escrituras. Deus também nos diz: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir!” Os filhos de Deus recebem instrução e orientação do caminho que devem seguir, ou nos adverte dos perigos do caminho errado.

Segundo, a vida feliz é uma vida de obediência: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem. (v.9). Cavalo e mula. Duas figuras interessantes. Davi nos aconselha que não devemos imitar o comportamento dos animais, que tem muita força, mas só obedecem por causa do freio e cabresto. O cabresto é uma corda com o formato da cara da mula que se coloca na cabeça para puxá-la e o freio é uma peça de metal que vai presa na boca do animal. Só obedecem por meio de força e da dor. A palavra-chave é "obedecem". Os animais obedecem apenas quando são dominados por freios e cabrestos. Davi nos mostra que devemos ser obedientes de coração sem precisar de castigos ou ameaças. Uma pessoa que foi perdoada é feliz obedece voluntariamente, sem constrangimento, sem obrigação. Os cristãos sabem que a Lei de Deus foi dada para ser obedecida e não para ser discutida e negada. Eles obedecem aos mandamentos de Deus. São conduzidos pela voz interior da mente de Cristo que nele habita (1Co 2.13).

Terceiro, a vida feliz é uma vida de confiança. “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no SENHOR, a misericórdia o assistirá “(v.10). É extremamente confortador saber que, numa época quando as instituições seculares estão fracassando e as promessas humanas falhando cada vez mais, podemos depositar toda a nossa confiança no Deus eterno, pronto a cumprir a sua palavra fielmente. Nossa confiança será depositada no Senhor que é cheio de misericórdia. Essa será o caminho da pessoa que foi perdoada e é feliz: ela viverá sempre confiando em Deus, não importam as circunstâncias. Na alegria, na provação, na dor, sempre pode confiar que Deus o ajudará e nunca será desamparado. A vida do ímpio será de sofrimento sem escape, mas a vida do justo será de confiança, misericórdia e consequentemente gratidão.

Finalmente, a vida feliz é cheia de alegria. “Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração” (v. 11).  Há três verbos, que fecham o salmo com chave de ouro: alegrai-vos, regozijai-vos e exultai. Este é o convite, é o imperativo que nos indica como será a vida feliz da pessoa que foi perdoada. Como disse o apóstolo Paulo, repetindo estas palavras: "Alegrai-vos no Senhor, outra vez vos digo: alegrai-vos”. Depois de tudo o que se passou na vida, de como ele foi perdoado e transformado, só pode ser esta a sua vida: alegria, regozijo e felicidade.

Estimados irmãos! Busquem a Deus e confessem seus pecados. Façam como Davi! E sejam feliz! Amém!

 TEXTO: MT 4.1-11

TEMA: JESUS NOS ENSINA A VENCER AS TENTAÇÕES

No próximo fim de semana, vamos celebrar o Primeiro Domingo na Quaresma. A palavra quaresma vem do latim, quadragesima dies (o dia quadragésimo, antes da Páscoa).  É um período de 40 dias. Ele começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira da Semana Santa, ou seis semanas que antecedem a páscoa. É um tempo litúrgico de arrependimento, de reflexão e reconhecimento da obra redentora do Salvador Jesus Cristo. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. Dentro deste contexto, iniciamos o período de quaresma, refletindo sobre a tentação de Jesus no deserto. O texto para nossa meditação encontra-se no evangelho de Mt 4.1-11. O nosso tema: Jesus nos ensina a vencer as tentações.

Estimados irmãos! Constantemente, passamos por muitas tentações. O diabo nos tenta de diversas maneiras e procura nos desviar da fé no Salvador Jesus. Nenhum filho de Deus está livre das artimanhas e tentações do diabo. Mas como podemos vencê-las? Mateus apresenta dois momentos em que Jesus nos ensina a vencer as tentações do diabo: Primeiro Jesus venceu o diabo com jejum. Foram 40 dias e 40 noites jejuando. Ele sabia que era uma forma de renovar as forças para enfrentar a difícil batalha que tinha pela frente. Outra arma que Jesus usou para vencer a tentação é a Palavra.  Procurou defender-se unicamente através da Palavra de Deus, pois conhecia muito bem as Escrituras. Ele usou a Palavra de Deus com eficácia, para dar um fim às tentações.

O evangelista afirma que Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, onde seria tentado, ou seja, seria colocado à prova. Iniciaria uma batalha notável, notável porque Deus havia preparado esse encontro. Mas qual foi a causa desta luta? Qual a finalidade? A causa é o pecado. A separação entre Deus e os homens. Por isso, Cristo luta com o diabo. Ele veio destruir o trabalho do diabo. Claro, não seria necessário se nós não tivéssemos caído em pecado. Neste primeiro encontro, Jesus vence. Mais tarde, Ele derrotou o diabo, definitivamente, quando na cruz, Ele disse: “Está consumado”. A grande obra da Salvação da humanidade estava terminando. Após a sua ressurreição desceu ao inferno, para anunciar a sua vitória sobre o diabo.

Mas antes de iniciar esse confronto, Jesus havia jejuado durante 40 dias e 40 noites. (v.2). O mesmo ocorreu com Moisés que jejuou por quarenta dias, antes de receber, no Monte Sinai, as sagradas Tábuas da Lei, diretamente de Deus.  Moisés preparou-se, espiritualmente, para aquele importantíssimo evento, porque iria encontrar-se com a manifestação do Altíssimo. Elias jejuou por quarenta dias, antes de subir ao monte Horeb, no qual o Senhor Deus manifestou-se. (I Reis. 19.8), E também com Daniel que foi lançado na cova de leões famintos, porém, surpreendentemente, não foi atacado, porque orava e jejuava constantemente. Quando estes personagens jejuavam ou gastavam noites em oração, voltavam desses períodos mais fortalecidos do que antes, mais dispostos. Eles foram verdadeiramente sustentados pelo poder do Senhor.

Em muitas ocasiões especiais o jejum também foi praticado por Jesus e foi um recurso fundamental para que Ele se saísse vitorioso em todos os confrontos com as hostes satânicas.  Ao jejuar Jesus demonstrava que estava ligado à oração e comunhão com o Pai, demonstrava como um meio para vencer os ataques do diabo. Ao jejuar buscava uma comunhão mais íntima, em estado de humildade e submissão ao Pai. Enfim, este encontro foi um momento de reflexão em preparação o que estava por vir. Como você tem enfrentado as suas lutas e provações? Tem usado esta ferramenta poderosa?

Quando o diabo percebeu que Jesus encontrava-se muito debilitado, extremamente faminto, afinal estava há 40 dias sem comer, ele sabia que era o momento de investir contra Jesus. Então, o diabo disse: “Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.” (v.3). O diabo prepara uma estratégia para vencer Jesus no primeiro encontro. Seu desejo era semear dúvidas, promovendo a incerteza e a fraqueza na vida de Jesus. O que o diabo queria, era fazer com que Jesus duvidasse de sua verdadeira identidade: Que tal apresentar uma prova de que você é realmente Filho de Deus? Que tal transformar estas pedras em pão?

Jesus tinha grande oportunidade de provar seu poder, sua divindade e satisfazer suas necessidades. Mas Cristo não obedece ao diabo. Antes pelo contrário, ele responde ao diabo com a Palavra de Deus: “Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (v.4). Interessante que Jesus busca como base a Palavra de Deus escrita no AT. (Deuteronômio 8.3). Estas palavras fazem parte da exortação aos israelitas no deserto. Eles tinham que sempre lembrar das bênçãos do Senhor durante a peregrinação. Lembrar que era a palavra de Deus que matinha os vivos e não o pão diário que vinha pelo maná. Esta verdade, Jesus mostra ao diabo de que o homem não vive apenas do pão, de alimento, mas da palavra que vem da boca de Deus. E esta torna-se importante na vida do cristão.

Mas o que representa o pão? O pão é o alimento básico de muitos povos. Representa a comida essencial que dá sustendo à vida. Mas quando Jesus fala “Não só de pão viverá o homem”, Ele não estava aqui menosprezando as necessidades físicas de alimento. Ele usou estas palavras para salientar que a verdadeira vida não resulta do bem-estar material ou de um pedaço de pão, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus, que é o poder sustentador de toda a vida. Lembrando sempre que é a Palavra de Deus que nos dá a força para enfrentar as realidades e dificuldades da vida, que nos dá estabilidade, que nos dá segurança e garantia, que nos traz clareza e compreensão em momentos de perplexidade e confusão, que nos traz a mensagem de paz, que nos dá conforto e tranquilidade nos momentos de dor e aflição, que dá paz e sossego dentro de nosso coração. Enfim, que nos dá esperança e garantia da assistência e presença de Deus.

Foi justamente através da Palavra de Deus que Jesus procurou defender-se contra os ataques do diabo, dizendo: “Está escrito”. Ele sempre usou o “Está escrito” para vencer os fariseus e saduceus. É na Palavra de Deus que os cristãos das catacumbas, da Idade Média, encontraram luz para os seus caminhos. É na Palavra de Deus que Lutero tornou-se o reformador da Igreja cristã. Por isso, precisamos entender que a Palavra de Deus é fundamental na vida do cristão. Lembre-se que nós vivemos de toda palavra que procede da boca de Deus. (Mt 4.3). No entanto, muitas pessoas têm desprezado a Palavra de Deus.  Têm perdido a vontade de buscar as coisas lá do alto, aquilo que permanece para sempre. Têm perdido a vontade de orar, ler a Bíblia, cantar louvores, glorificar a Jesus Cristo. Na verdade, há um grande interesse do homem pelos bens materiais e riquezas que o impede de ouvir a Palavra de Deus. O jovem rico é um exemplo. (Mc 10.17-22). Existia algo que estava prendendo a este mundo passageiro: as suas riquezas. Dominavam e o impediam de ter de fato um encontro com o Deus. Cristo lembra que não só de pão vive o homem. Mesmo que seja necessário para nosso corpo, não é o mais importante, mas, sim, a Palavra de Deus. Quando colocamos esta Palavra em primeiro lugar, Deus promete suprir todas as necessidades materiais. Ele não abandona seus filhos.

No entanto, o diabo tinha outros planos. Ele se prepara para outra tentativa para derrotar Jesus. Ele, agora, levou Jesus à Cidade Santa, e o colocou sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: “Se és Filho de Deus, atira-te abaixo.” (v.6a). Uma ótima oportunidade para Jesus mostrar o seu poder e conquistar as pessoas. Era justamente desta forma que o diabo queria, que Jesus ganhasse o povo, não através da sua mensagem, da pregação da Palavra, mas através de espetáculo. E para que ocorresse este espetáculo, o diabo usa todo o seu sarcasmo: Filho, não é nada fácil você hoje convencer alguém a aceitar que você foi realmente enviado por Deus. Se eu fosse você, faria algo sensacional aqui, quem sabe, lançar-se do alto do pináculo do templo, pois está escrito que anjos vão te proteger: “Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” (v.6 b).

O Senhor Jesus olhou para baixo para as ruas de Jerusalém, sempre havia grandes multidões junto ao templo. Se Jesus pulasse e não se machucasse, seria uma prova que Deus o protegia. Era uma ideia tentadora, mas não era o caminho de Deus para o seu Filho. Por isso, Jesus recusa ao dizer que as Escrituras também dizem: Respondeu-lhe Jesus: “Não tentarás o Senhor, teu Deus.” (v.7). Novamente Jesus usa as Escrituras como meio de defesa contra o diabo. É uma clara exortação de que não devemos tentar ao Senhor. Mas o que significa tentar a Deus? Tentar a Deus é duvidar da Palavra de Deus, questionar a sua fidelidade e promessas. colocar à prova o Seu poder e sabedoria.

Ainda assim, o diabo não desiste facilmente. Não se deu por vencido. Faz um último esforço, apesar de já estar amplamente vencido pelo Salvador. Ele leva Jesus a um monte alto e mostra-lhe os reinos do mundo e a glória dele, e oferece ao Senhor o domínio sobre estes reinos: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” (v.9). O tentador oferece entregar o domínio dos reinos do mundo a Jesus. Mas havia uma condição: “se prostrado me adorares.” A proposta do diabo não tem sentido! Estava oferecendo algo que não lhe pertence. Deus é o criador de toda a terra. Tudo lhe pertencem. Ele é dono de todas as coisas e tem o controle de tudo. Na verdade, o diabo usou da mentira para fazer com que Jesus desistisse do plano de Deus para a salvação da humanidade. Ofereceu um atalho ao Messias para evitar a Sua morte e crucificação. Seria algo trágico se isto acontecesse, pois a missão de Cristo seria realizada através de sofrimento. Devia enfrentar dores, privações, lutas e morte. Devia carregar sobre Si os pecados de todo o mundo. Mas Jesus, não cedeu, por amor a todos nós. Cristo foi firme e convicto na sua resposta: “Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto,"(v.10).

O diabo continua oferecendo muitas propostas neste mundo. Continua de forma sagaz trazendo propostas que aparentam serem boas aos olhos humanos. Mas, infelizmente, muitas pessoas ouvem “a voz do diabo”, e aceitam as suas propostas. E sem perceber, são enganadas pelas suas ofertas, e se tornam adoradores das propostas que ele oferece, propostas que conduzem à morte. Foi através de uma proposta mentirosa que ele enganou Adão e Eva, que não acreditaram na verdade e cometeram pecado. A verdade é que as pessoas abrem mão com facilidade das coisas maravilhosas que Deus nos deu: fé, esperança, amor, família e trocam por dinheiro, fama, riquezas materiais, orgias e prazeres deste mundo. Mas devemos em todo o tempo dizer não para as propostas do diabo.

Jesus venceu as tentações do diabo. Agora, Ele ordena: “Retira-te, Satanás.” Então, vieram anjos bons e serviram a Jesus. Ele venceu aquela batalha, e continuou derrotando diabo durante Seu ministério, culminando com sua vitória final na cruz. Mas como podemos vencer o diabo? Só podemos vencer o diabo no momento em que seguimos os passos de Cristo. Ele venceu através da Palavra de Deus. Procurou defender-se unicamente com a Palavra de Deus, pois conhecia muito bem as Escrituras. Assim, deveríamos nós também usar a Palavra de Deus, que é a espada do Espírito, para se defender contra o diabo. Então, podemos dizer como Paulo: “Revesti-vos de toda armadura de Deus para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo.” (Ef 6.11). E foi com esta armadura de Deus e com argumentação “está escrito”, que Lutero tornou-se o reformador da Igreja Cristã. Ele examinou a palavra, revestiu-se dela e aprendeu a manejá-la com destreza.

Estimados irmãos! Ao sermos tentados, temos a certeza que com Cristo podemos resistir, pois a grande guerra já foi ganha pelo Senhor e Salvador. Ele venceu as tentações do diabo. Ele nos ensina como vencê-las. O que nós queremos é lutar contra o diabo. Renunciar o diabo e todas as suas obras e caminhos. Por isso, deixe que o Espírito Santo dirija sua vida, jejue, conheça e use a Palavra de Deus; vigie e ore. Estejamos preparados! Amém.

 

 TEXTO: Sl 51

TEMA: DAVI CLAMA POR PERDÃO E MISERICÓRDIA AO SENHOR

 O Salmo 51, faz parte dos sete salmos penitenciais (6, 32, 38, 51, 102, 130, 143). Estes salmos possuem determinadas características e, por isso, são considerados penitenciais. Eles relatam sobre a confissão de pecados, arrependimento, a busca pelo perdão, renovação da comunhão com Deus, a felicidade do homem perdoado.O escritor deste salmo é o rei Davi. Ele escreveu este salmo depois que foi confrontado pelo profeta Natã. Natã declarou que Davi havia pecado, gravemente, contra Deus ao tomar Bate-Seba, para ser sua esposa e ao assassinar o marido dela, Urias. Este salmo nos remete ao texto de 2Samuel 11 e 12, onde são narradas estas atitudes de Davi.

Davi era uma pessoa sincera, fiel, leal a Deus. E diante desta fidelidade o seu reinado era próspero e exemplar. Ele sempre teve sucesso em todos os seus empreendimentos, ou seja, em tudo o que fazia. E a razão do seu sucesso era a presença de Deus, sustentando-o e guiando-o. Mas também teve uma vida marcada pelos seus pecados, os quais tiveram terríveis consequências, não somente para ele, mas também para seu povo e até sua família. Na verdade, a sua vida foi marcada por uma má escolha que o levou a cair em pecado. O pecado lhe trouxe tanta amargura, tristeza e agonia. Ele entrou em pânico e desespero com receio de ter sido abandonado por Deus. E falando da angústia de sua alma, disse: “SENHOR, a tua mão pesava fortemente sobre mim”. (Sl 30). Era a lembrança da culpa que tanto o atormentava. E como resultado desta situação, perdeu as forças vitais, e se sentiu angustiado.

Era o pecado que o atormentava.E diante de seu pecado, havia somente um caminho para Davi: o perdão. Era preciso que se arrependesse de seus pecados. (adultério e assassinato). Ele sabe que só Deus pode restaurar a sua vida. Sabe que Deus é benigno, misericordioso e perdoador. Sabe que Deus não rejeita quem tem o coração quebrantado. Por isso, ele pede perdão a Deus, uma vez que a sua situação chegou ao extremo e se tornou insustentável, Deus o perdoou. Recuperou a alegria do salmista. A sua atitude,agora, é servir ao Senhor.

Olhe pra si mesmo e avalie a sua vida: você está satisfeito com sua maneira de viver? Você tem enxergado os seus próprios pecados? Se você também se encontra neste momento como o rei Davi, não se desespere e nem perca a esperança. Clame por perdão e misericórdia ao SENHOR. Em Cristo Jesus, Deus nos perdoou os nossos pecados e nos deu vida nova nos aceitando  como filhos dele.

O salmo que vamos refletir, trata-se da confissão que Davi fez ao SENHOR, após o seu terrível pecado de adultério e assassinato. Esta história encontra-se registra em 2 Samuel 12. Vejamos como isto aconteceu! Davi havia pecado, adulterou com Bate-Seba, a mulher de Urias. Algum tempo depois, ela o avisou que estava grávida de seu filho. Primeiro, Davi tentou encobrir e, quando falhou, planejou e mandou assassinar o marido de Bate-Seba.  Mas ao ser confrontado pelo profeta Natã, caiu em si diante de seu erro terrível, pois seu pecado o levou a morte do soldado, a destruição de uma família e a vinda ao mundo de um bebê como fruto do pecado que logo morreu ao nascer.

Que história triste! Quanta dor, tristeza, sofrimento, agonia na vida e na família de Davi, após o seu pecado. No entanto, por trás de todas essas transgressões, ele consegue enxergar a causa, e ora para que o SENHOR o ajude diante da sua iniquidade. A primeira coisa que ele faz é se voltar como miserável para a misericórdia e o amor de Deus. Em vez de procurar por “culpados” ou negar seus erros, reconhece que precisa de Deus. De modo que implora ao SENHOR, uma vez que a sua situação chegou ao extremo e se tornou insustentável. Ele afirma: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões.” (v.1). Confiar na misericórdia e na benignidade de Deus são a base para que o SENHOR “apagasse as suas transgressões.”

Talvez muitos estejam nesta situação neste momento. O que precisamos fazer é pedir perdão pelos nossos pecados. Afinal, todos nós pecamos motivados por alguma coisa ou acontecimento nesta vida. Mas por que devemos pedir perdão ,continuamente, por nossos pecados? Porque ainda somos pecadores. O homem pecou e se tornou inimigo de Deus. Vivia longe de Deus e por natureza irreconciliável. Entretanto, Deus reconciliou consigo mesmo o mundo. Deus não imputou ao homem as suas transgressões, ele perdoou todas as transgressões. Enviou Jesus e, agora, todo homem tem acesso ao trono da graça. Em Cristo todos os homens são perdoados. Ele continua perdoando, diariamente, os nossos pecados, sempre que nos arrependermos e pedimos o seu perdão. Lemos em 1 João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” Que promessa maravilhosa! Deus perdoa os seus filhos quando pecam, e se aproximam do SENHOR em uma atitude de arrependimento ao pedirem para ser perdoados.

No entanto, Davi implora ainda algo mais profundo sobre o problema que estava vivendo. Ele implora que o SENHOR o purificasse, apagasse as suas transgressões para que pudesse viver com muita alegria na presença d’Ele. Davi afirma: “Lava-me completamente da minha iniquidade.” (v.2a). Vamos primeiro analisar os termos:  o verbo כָּבַס (lavar) literalmente significa: “multiplique para me lavar”. Já o termo רָבָה traduzida como “completamente” é um verbo no modo infinitivo ou imperativo, e sugere a ideia de  “aumentar”. Quando Davi implora para apagar suas transgressões, ele está pedindo a Deus para remover a mancha de sua alma, cobrir sua injustiça e purificá-lo do pecado, que agora é uma parte permanente de sua vida. Ele implora de forma intensiva, constante ou repetida para remover esta mancha: “purifica-me do meu pecado.” (v.2b). Portanto, o seu desejo era ser limpo, ser puro do seu pecado.

Quanto ao pecado, ele não procurou encobrir ou desculpar a profundidade da sua necessidade, pois estava disposto a reconhecê-lo diante de Deus. Ele sabia que tinha pecado e assume a responsabilidade. Isso não é simplesmente um reconhecimento casual de culpa. É um homem assombrado, com medo e apavorado que afirma: “Porque eu conheço as minhas transgressões.” (v.3a). Ele descobre sua razão de implorar perdão com tanta veemência, pois vivia na inquietação. A lembrança de sua culpa o pressionava, de modo que o assombrava: “E meu pecado está sempre diante de mim.” (v.3b). Isto quer dizer que o pecado estava constantemente diante de sua mente. Não tinha sido assim até que Nathan o trouxe vivamente para sua lembrança (2 Samuel 12). Isso mostra que quem realmente está arrependido não perde tempo dando desculpas, mas toma providências buscar o perdão e mudar a sua vida.

No entanto,  muitas vezes, somos rápidos em nos desculpar, dando todos os tipos de razões para nosso comportamento pecaminoso. Vejamos o exemplo de Adão e Eva em Gênesis 3.11-13. No lugar de uma confissão do seu pecado, Adão se desculpou: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”. E foi o mesmo com Eva: “A serpente me enganou, e eu comi”. Foi, então, uma tentativa de atenuar o pecado, passando a responsabilidade para outros. Mas a própria desculpa que o homem dá é a base de sua condenação. Por isso, o SENHOR nos ensina que devemos reconhecer os nossos pecados. Assim, como fez Davi. Ele admite sua culpa e percebe que seu pecado está sempre presente. Não consegue se livrar disso, o que é algo que o assombra.

De fato, precisamos reconhecer a nossa condição de pecadores. Davi fez isto! Ele não inventou desculpas, mas reconheceu seu pecado, logo após ser admoestado por Nathan . Fez o que cabe a todo homem: reconhecer seu pecado ao invés de inventar desculpas. Ele disse: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos.” (v.4a). “Pequei contra ti somente”. Encontramos nestas palavras de Davi, uma declaração que, muitas vezes, é negligenciada, uma grande verdade que muitos desconhecem e esquecem, e que se torna essencial na nossa comunhão com Deus. Embora Davi tenha pecado contra sua própria consciência, Bate-Seba, Urias, família, a nação, contra os homens que foram mortos na batalha, nada é mais doloroso para ele, do que pecar contra Deus. Lembre-se que todo o pecado é contra Deus!  Tudo que fazemos de errado contra os outros, primeiro, é contra Deus acima de tudo! Por isso, pecar contra alguém é considerado pela Bíblia como pecar contra o SENHOR.

Quando isto ocorrer em sua vida, reconheça seu erro, arrependa-se de seu pecado!   Se você reconhecer isto, então, estará apto para a segunda parte do verso: “de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.” (4b). Davi reconhecia que o julgamento de Deus seria justo, e tem todo o direito de julgá-lo.  Não haveria falhas nesse juízo. O justo seria declarado justo e o injusto, condenado. Bem diferente da justiça humana que, por ser comandada por homens falhos, não é perfeita. Davi está essencialmente dizendo: “Ó Deus, o SENHOR tem todo o direito de me julgar e, é claro, que não mereço nada mais do que o Seu julgamento e a Sua ira.”

Davi se aprofunda mais na sua convicção ao incluir não somente o que ele fez, mas o que ele era por natureza: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”. (v.5).  Davi se lembra que sua pecaminosidade. Ela não pode ser engada. Sendo assim, ele reconhece que o pecado permeia a humanidade como condição universal desde o início de nossa existência. O texto é claro: desde a concepção, o pecado já está presente nos seres humanos. Essa realidade se perfaz desde os nascimentos dos filhos do primeiro casal e, a partir de então, aos filhos de todos os casais, visto que todos são pecadores e ninguém há sem iniquidade (Rm 3.10-12; 5.12). O apóstolo Paulo diz que o pecado entrou no mundo por Adão, e a morte veio pelo pecado, porque todos pecaram. (Romanos 5.12). Como descendentes de Adão, recebemos a natureza pecaminosa transmitida de nossos pais. Isso nos faz nascer em pecado, com uma inclinação natural para fazer o mal. Em Gênesis 8.21, Deus disse para Noé: “o coração do homem é inteiramente inclinado para o mal desde a infância.”

É perceptível o quanto Davi estava consciente de seus pecados, que por certo é o primeiro passo para uma vida renovada. Mas durante muito tempo ele “escondeu” o seu pecado, não foi sincero e só havia falsidade em sua vida, mas agora sente o peso do engano. Reconhece que falhou em fazer o que Deus ordenou, e que sua obediência foi mero momento externo, em vez de atos que fluem verdadeiramente do seu coração. Ele “sentiu” que Deus não podia aprovar ou amar um coração como o dele, tão vil, tão corrupto. Então, sentiu que era necessário ter um coração puro para receber o perdão do Senhor. Sendo assim, súplica sabedoria ao Senhor: “No recôndito me fazes conhecer a sabedoria.” (v.6b). Tu me ensinarás a agir de acordo com os ditames do caminho da sabedoria, pelo resto da minha vida. Você só pode me permitir entender o que é verdadeiramente sábio. Eu almejo essa sabedoria, essa purificação, esse conhecimento da maneira pela qual um homem culpado pode ser restaurado.

Deus deseja que a verdade (autenticidade, fidelidade, integridade) esteja no nosso íntimo. Em outras palavras, isso significa que é necessário parar de mentir para nós mesmos. Tem pessoas que enganam a si mesmas, e estão vivendo uma vida de mentiras. Procuraram inventar desculpas, encobrir a necessidade de buscar Deus e receber o perdão. Seja uma pessoa honesta, e confesse aquilo que está lhe incomodando. A sabedoria de Deus tomará conta da sua alma, e todo tipo de perturbação, dúvida, medo, e ansiedade deixará de existir à medida que aumenta a sua comunhão com o SENHOR. Prepare o terreno do seu coração com sinceridade e honestidade diante de Deus, e permita que a semente da verdade seja plantada em você, e a própria Palavra do SENHOR vai encher sua vida de fé, amor e esperança. Quando reconhecemos nossos pecados e confessamos a Deus, Ele tem prazer em nos ajudar. Lemos em 1João 1.9: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça."

Davi clama novamente pela purificação. Ele implora ao SENHOR para ser limpo com hissopo porque sabe que não pode limpar a si mesmo: “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve.” (v.7). O verbo   חָטָא (purificar) significa pecar, falhar, perder o rumo, errar, purificar da impureza. Mostra que o purificar não é simplesmente lavar, tirar a sujeira, mas é o ato de bater o tecido sujo na pedra para deixar mais branco e limpo, como faziam as lavandeiras. Essa lavagem implica uma purificação, assim como אֵזֹוב (hissopo). Hissopo é uma planta citada na Bíblia. Ela é usada com propósitos medicinais e religiosos e está associada à purificação. Enfim, o hissopo era um poderoso agente de limpeza. Mas o salmista sabia muito bem que o purificar de seus pecados eram grandes demais para serem expiados por qualquer purificação. Ele quer que Deus o purifique muito mais do que hissopo, não somente remover a sua culpa, mas o libertar das propensões criminais ao pecado e de todos os efeitos negativos de seus crimes agravados, para que ficasse “mais alvo que a neve.”

Davi fez escolhas erradas que resultaram em consequências trágicas em sua vida. Isto mostra que o pecado lhe causou dor e sofrimento. Ele pecou e se retirou da presença de Deus, Perdeu a alegria, e por essa razão pede duas vezes o retorno desse estado de espírito: “Faze-me ouvir jubilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste.” (v.8).  “Restitui-me a alegria da tua salvação” (v.12). Davi não teve fraturas múltiplas. Ao dizer que teve seus ossos triturados ou moídos, ele se refere ao sofrimento que sentia por ter pecado. A tristeza pelo pecado era tanta que lhe parecia que seus ossos estavam esmigalhados. Por isso o pedido pela restauração da alegria. O fato é que o pecado causa sofrimento a quem para que faz escolhas erradas. Para todas as escolhas erradas existe um preço a ser pago, como foi o caso de Davi. Portanto, sabendo que não podemos ser inconsequentes em nossas escolhas, procuremos fazer escolhas acertadas, sempre fundamentadas na Palavra de Deus.

Davi sabia que, com o coração contrito, podia recorrer a Deus a fim de ser perdoado e restaurado. Ele conhecia a misericórdia e a bondade de Deus a quem servia. Assim, demonstra confiança em sua oração quando pede que Deus lhe execute uma mudança profunda. Então, vejamos seus pedidos. Primeiro: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro.” (v.10a). Davi confessa que o seu coração não era puro, uma vez que tinha pecado e escondido este pecado, e por si próprio não poderia possuir um coração puro. Por isso, pede ao SENHOR que lhe conceda um “coração puro.” Em segundo lugar, “Renova dentro de mim um espírito inabalável.” (v.10b). Mas o que é um espírito inabalável? Esta palavra em hebraico significa ser estável, ser estabelecida, ser firmemente. De forma prática Davi suplica um espírito firme e resoluto em sua lealdade, inabalável diante de Deus.

Precisamos pedir a Deus diariamente que Ele nos conceda “um coração puro” e “um espírito inabalável.” Para que isto ocorra, é preciso tirar tudo o que não presta, que está estragado e colocar algo novo em nosso coração. Esta mudança apenas o Espírito Santo é capaz de realizar. “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O Espírito Santo é que nos converte, regenera e arranca o nosso “coração de pedra” e coloca um coração cheio de fé, amor, bondade e compaixão. Então, sim, teremos paz com Deus. E tendo paz com Deus, seremos criaturas felizes e alegres, e já nenhuma tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separara do amor de Deus. Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecer fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus. Como está o seu coração?  Deixe Deus renovar seu coração, seu espírito, e com toda a certeza você terá uma feliz e abençoada vida com a presença do Senhor Jesus em tua casa, família e na vida profissional.

Em terceiro lugar,  “Não me repulses da tua presença.” (v.11a).  É difícil entender, Davi sendo um homem poderoso, rico e influente, e não pediu a Deus para que lhe poupasse o seu trono a sua glória e poder terrenos. Mas ele pede algo importante a Deus: “não me repulses da tua presença.” A palavra repulsar quer dizer jogar, lançar, arremessar, atirar, afastar. Em quarto lugar, ele pede também que o SENHOR“não retirasse dele o Santo Espírito.” (v.11b). A Bíblia diz que a partir do momento em que Samuel ungiu sua cabeça, na casa de seu pai Jessé, diante de todos os seus irmãos, o Espírito Santo se apoderou de Davi. E assim, era capaz de convencê-lo do pecado e fazê-lo humilhar perante Deus.Com a presença do Espírito Santo tinha senso de justiça, amor, alegria, bondade era quem era exaltado em Israel, amado pelo seu povo. Mas, agora estava se afastando do Espírito Santo. Estar sem o Espírito Santo, seria voltar a ser cego, voltar a ser fraco, voltar a natureza pecaminosa, voltar a estar suscetível a armadilhas demoníacas. Aos poucos, nada mais seria admirável em Davi. Só lhe restava suplicar: “nem me retires o teu Santo Espírito.

E finalmente, depois das atrocidades que Davi cometeu e das consequências que isto acarretou, ele perdeu a alegria de ter uma comunhão continua com Deus, perdeu a paz de espírito,perdeu a alegria e o prazer de servir a Deus, pois se sentia extremamente culpado, por isso, ele faz tal súplica: “Restitui-me a alegria da tua salvação” (v.12a). O verbo שׁוּב (restituir) significa retornar, voltar. E יֶַע (salvação) significa libertação, salvação, resgate. literalmente: “Faça voltar a alegria da tua salvação.” O salmista pede ao SENHOR que retornasse novamente aquela alegria que possuía anteriormente. E ainda pede: “Sustém-me com um espírito voluntário” (v.12b). A expressão “espírito voluntário” significa propriamente “disposto, voluntário, pronto.”  Disposto a fazer tudo o que Deus exige dele e a suportar tudo o que lhes for imposto; obedecer a todos os mandamentos de Deus e servi-lo fielmente; um estado de espírito que seria constante.

Davi uma vez alegre por ser salvo e recebendo de Deus um espírito disposto para servir, ele agora estaria em plenas condições de realizar um serviço específico, no caso, ensinar os caminhos de Deus aos rebeldes:“Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhas e os pecadores se converterão a ti.” (v.13). Ensinar  aquem? Aos transgressores. O termo  פָּשַׁע significa aquele se rebela, se revolta contra a autoridade divina. Davi admite que foi rebelde, Foi governado por um desejo voluntário de rebeldia, uma violação da autoridade divina. Mas Davi se propõe a ensinar aos transgressores a retornarem ao caminho da fé.A experiência de Davi ensina que somente aqueles, que realmente conhecem o Altíssimo e o Seu caminho, estão aptos a influenciar os outros. Isso significa que para ensinar sobre os caminhos de Deus, não basta ter aptidão, é preciso ter fidelidade e um coração temente a Deus. 

Davi sabia que o sangue inocente sujava as suas mãos.Ele ,agora,  não podia reparar o mal a Urias.  Por isso, ele clama ao Senhor: “Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação.”  (v.14a).Ele entende que se puder ser libertado da culpa de sangue que causou a Urias, sua língua nunca cessaria de proclamar a fidelidade de Deus, que proporciona o verdadeiro perdão a todos os penitentes.É interessante notar que Davi reconhece que a libertação da culpa não é apenas uma questão pessoal, mas também tem um aspecto público, uma vez que sua língua louvará a justiça de Deus: “e a minha língua exaltará a Tua justiça.”(v.14b).Aqui justiça significa tua verdade, bondade, fidelidade, veracidade e firmeza às promessas que Deus havia dado. Portanto, o salmista se compromete exaltar o nome do SENHOR.Ele entende que uma nova vida no SENHOR é uma oportunidade para testemunhar a Sua misericórdia.

Davi,agora,  pede a Deus que lhe dê palavras para expressar sua gratidão e louvor a Deus por seu perdão e misericórdia. Ele sabe que só pode proclamar o louvor a Deus se tiver um coração grato e humilde. Então, afirma: “Abre, SENHOR,os meus lábios e a minha boca manifestará os teus louvores.” (v.15).Na condição pecaminosa que  o salmista vivia seria incapaz de adorar a Deus ,pois  a sua boca estava fechada com vergonha, tristeza e horror.A culpa do pecado de Davi, havia fechado os seus lábios, por isso, ele pede ao SENHOR: “Abre,SENHOR,os meus lábios.”  Que lhe conceda a oportunidade, a capacidade e a liberdade que tinha antes,para que pudesse falar a Deus em oração e louvar; exortar e ensinar. Ele sabe que só pode proclamar o louvor a  Deus se tiver um coração grato e humilde. A verdade é que devemos abrir a boca para abençoar o nosso irmão e adorarmos ao SENHOR. Mas, infelizmente, muitos têm  administrado seus lábios para tantas coisas,menos para louvar ao SENHOR e  abençoar às pessoas. Deus não se compraz desta atitude, não se contenta com rituais religiosos vazios ou ofertas materiais (v.16). Os ritos externos não podem obter o perdão divino.

O que Deus deseja de Davi? “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.”(v.17).As palavras de Davi mostram que, até na época do Velho Testamento, o povo do SENHOR compreendia que todos precisavam oferecer o coração a Deus; apenas os sacrifícios queimados não eram suficientes.Ele reconhece que o verdadeiro sacrifício que agrada a Deus é um coração quebrantado e arrependido. Sabe que a única maneira de se aproximar de Deus é através da humildade e da confissão sincera de nossos pecados. Jesus viveu com um coração quebrantado e um espírito contrito, conforme manifestou  ao ser submisso à vontade do Pai: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 6.38).  O exemplo de Cristo nos ensina que um coração quebrantado é um atributo eterno da divindade. Quando nosso coração está quebrantado, estamos completamente receptivos ao Espírito de Deus e reconhecemos nossa dependência Dele em tudo o que temos e somos. Estamos dispostos a cumprir toda e qualquer coisa que Deus lhes pedir, sem resistência ou ressentimento. O mesmo Deus que nos ensina a viver com um coração quebrantado, convida-nos a regozijar-nos e a ter bom ânimo.

O concluir o salmo,Davi faz um apelo ao SENHOR: “Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém.” (v.18). O salmista apela para que  Deus abençoe Sião e reconstrua Jerusalém, uma vez que esta cidade era o centro da vida religiosa e cultural do povo judeu. A reconstrução dos muros de Jerusalém era crucial para a segurança e proteção da cidade, e era vista como um sinal da presença e bênção de Deus.Para que isto ocorresse, era necessário existir  comunhão com Deus,purificação e renovação espiritual.Davi entende que, uma vez purificado e renovado, Deus aceitaria seus sacrifícios e a cidade Santa e o culto no templo passariam a ter valor espiritualmente: “Então te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos sobre o teu altar.” (v.19).

 Estimados irmãos! Assim como Davi, precisamos nos arrepender sinceramente diante de Deus e pedir seu perdão. Ele nos mostra o caminho para buscar a Deus em humildade, confessando nossos pecados e confiando em Sua graça,pois Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos restaurar completamente.Que possamos aprender com o exemplo de Davi e buscar a Deus com um coração quebrantado e contrito. Vamos viver em gratidão e louvor a ele, compartilhando nosso testemunho com outros, para que eles também possam experimentar o amor e a graça de Deus. Amém!

TEXTO: Êx 24.8–18

TEMA: DO SANGUE DA ALIANÇA À GLÓRIA NO MONTE

O texto descreve um dos momentos mais solenes e decisivos de toda a história de Israel. Após ser libertado do Egito pelo agir de Deus — uma libertação marcada por sinais e milagres — o povo chega ao monte Sinai. Ali, a jornada assume um significado espiritual profundo. Moisés sobe ao monte, a nuvem cobre o cume e a glória do SENHOR se manifesta. Enquanto o povo permanece à distância, Moisés entra na nuvem, na presença direta do Criador. Naquele ambiente sagrado há fogo, mistério, reverência e temor.

Neste cenário, Deus sela a Sua aliança e confirma Israel como Seu povo escolhido. A Lei é revelada, manifestando o caráter santo de Deus e estabelecendo os princípios que deveriam governar a vida daquela nação. A revelação, contudo, não é meramente normativa, mas relacional: Deus se dá a conhecer e convoca o povo a guardar a Sua Lei, honrando o Seu santo nome e caminhando em fidelidade. A obediência torna-se a resposta natural à graça recebida, e a aliança estabelece os fundamentos da identidade, da missão e da história espiritual de Israel.

Mas o que esse texto nos ensina sobre a Transfiguração? Como podemos relacionar o relato de Êxodo com a manifestação de Jesus?  O próprio texto oferece respostas profundas a esses questionamentos ao estabelecer uma ponte entre a antiga e a nova aliança, pois o Sinai prefigura aquilo que, na Transfiguração, se torna realidade plena: “do sangue da aliança à glória no monte.” A temática apresenta cinco pontos fundamentais de conexão:

Primeiro, selo da aliança: o fundamento do acesso (v. 8). O acesso de Moisés à presença de Deus no monte não foi conquistado por mérito, mas estabelecido por uma aliança de sangue. Ele asperge o sangue sobre o povo. Isso simboliza que o relacionamento com Deus não é baseado de "boas intenções", que são instáveis, mas de um pacto de vida irrevogável. Se no Antigo Testamento o sangue de animais abria caminho para Moisés, em Hebreus 10.19 vemos o cumprimento pleno: "Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus..."

Segundo, a visão da glória e a comunhão (v. 9-11). Moisés e os líderes sobem e contemplam a majestade divina (o pavimento de safira). Aquele lugar tornou-se salão de banquetes para aqueles que estão sob o sangue. Eles não encontraram a morte, mas um pavimento de safira — a pureza do céu tornada acessível. Ali, Eles comeram e beberam na presença de Deus. Isso representa a comunhão restaurada. Onde havia medo, agora há um banquete. Deus não estendeu a mão contra eles. Sob a aliança, o que seria destruição, torna-se celebração.

Terceiro, a preparação e treinamento na subida (v. 12-14). Para ouvir a voz de Deus, Moisés precisa deixar para trás até mesmo aqueles que comeram com ele no banquete. Era preciso um momento de separação, silêncio e disposição para dialogar com Deus. Para esse encontro, Josué não foi chamado diretamente, mas ele estava lá: aprendendo, observando e se preparando. Ele talvez não estivesse no centro da revelação naquele momento, mas estava servindo ao homem que estava na nuvem. Antes de subir ao monte, Moisés organiza a base. Ele não deixa o povo desamparado, nem entrega a liderança ao acaso; estabelece responsabilidades, delega autoridade e cria uma estrutura que sustente o povo durante sua ausência.

Quarto, o silêncio sob a nuvem (v.15-16). A presença de Deus traz mistério e ocultamento. A nuvem revelava Sua glória, mas escondia Sua face. Moisés subiu e, mesmo na manifestação divina, precisou esperar. Durante seis dias, permaneceu em silêncio absoluto. Nenhuma palavra foi liberada, apenas a nuvem e a glória. Esse é um dos maiores testes: permanecer quando Deus parece calado. É no silêncio que aprendemos a esperar e a confiar. Muitos desistem, mas o chamado vem para quem permanece. Moisés ficou, e no tempo certo a voz de Deus se manifestou.

Quinto, o destino final: o fogo e a nuvem (v.17-18).No sétimo dia, Moisés atravessa e entra no meio da nuvem. De observador da glória, torna-se participante dela. Permanece quarenta dias e quarenta noites diante de Deus — tempo de transformação. É uma separação completa do arraial e entrada no kairós, o tempo da revelação. Na presença divina, dias se tornam processos de formação. Ele não busca emoção, mas direção, estrutura e mandamento. Sai da nuvem com as Tábuas da Lei e a visão do Tabernáculo. Para o povo, a glória parecia fogo consumidor; para Moisés, era abrigo e luz.

                                                              I

 O texto começa com Moisés aspergindo o sangue sobre o povo: “Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo.”(v.8a).No Antigo Testamento, o sangue era frequentemente usado como sinal de purificação, consagração e compromisso solene. Quando Moisés aspergiu o sangue sobre o povo, declarou: “Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez convosco” (v.8b). Isto significa que ele estava afirmando, de forma oficial, que a aliança entre Deus e Israel havia sido formalmente selada. Essa aliança com Deus não era apenas verbal: era um compromisso de vida, sancionado pelo SENHOR e confirmado pelo povo; um ato que simbolizava a relação entre Deus e Israel e que envolvia responsabilidade, fidelidade e a própria vida do ser humano.

Uma aliança não era simplesmente um contrato firmado por palavras ou assinado por símbolos formais. A própria linguagem hebraica revela a profundidade desse compromisso: no Antigo Testamento, não se “fazia” uma aliança, mas se “cortava” uma aliança. O verbo hebraico כָּרַת significa literalmente cortar, dividir ou partir, indicando um ritual concreto, físico e solene. Esse ritual envolvia sacrificar animais e parti-los ao meio como parte do estabelecimento do pacto, simbolizando que a aliança tinha consequências de vida ou morte. Esse mesmo conceito aparece de forma ainda mais profunda em Gênesis 15, quando Deus estabelece Sua aliança com Abraão. Nesse cenário, Deus caminhou sobre o sangue para que o homem pudesse caminhar sobre a promessa. Ele atravessou o caminho da morte para garantir que Abraão encontrasse o caminho da vida. O que era para ser um pacto de obrigações mútuas tornou-se um testamento de graça pura: Deus aceitou ser 'partido' em vez de permitir que a humanidade fosse destruída por sua própria infidelidade.

O ritual realizado por Moisés expressa, de forma clara e solene, a natureza da aliança entre Deus e Israel. Ao aspergir o sangue sobre o povo e declarar que aquele pacto dizia respeito a 'todas estas palavras' (v. 8c), Moisés deixa explícito que toda a lei revelada estava integrada à aliança. Nenhum mandamento era opcional; nenhuma palavra poderia ser relativizada. Assim, a lei transcende a instrução moral para se tornar o alicerce de uma relação santa e irrevogável. Esse selo oficializa um vínculo que não é casual, mas profundo e exigente. A partir daí, Israel deixa de ser apenas um povo resgatado para tornar-se uma nação constituída espiritualmente, com a missão de refletir a santidade do SENHOR perante o mundo,bem como uma relação que exigia fidelidade plena — exigência que, ao longo da história, evidenciaria a fragilidade humana e a necessidade constante da graça divina. Israel aceita, conscientemente, viver sob os termos da aliança, comprometendo-se a guardar tudo o que o SENHOR havia falado

Cristo é o mediador da Nova Aliança (Lc 22.20; Hb 9.18-22). Diferente dos ritos levíticos, o sacrifício de Jesus sela a reconciliação entre Deus e a humanidade não por meio de ritos repetitivos, mas de forma perfeita, eterna e definitiva. Este fundamento aponta diretamente para o Calvário, onde o sangue derramado selou a promessa definitiva (Mt 26.28). Assim, Sua entrega cumpre, de uma vez por todas, todo o simbolismo do pacto: purificação, vida, compromisso e redenção.Hoje, não somos salvos pelas promessas que o povo fazia a Deus, mas pelo sangue que Ele derramou por nós. Isso nos recorda que nossa entrada na presença do Pai não se baseia em mérito próprio, mas em sacrifício vicário. Portanto, toda a lógica bíblica converge para Cristo.

                                                                   II

Após selarem a aliança com o sangue do sacrifício, Deus concede um privilégio extraordinário a Moisés, Arão, Nadabe, Abiú e aos setenta anciãos de Israel (v. 9). O relato bíblico afirma, então, que algo extraordinário aconteceu: “E viram o Deus de Israel, sob cujos pés havia como que uma pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu em sua claridade” (v.10). É fundamental notar que a expressão 'viram o Deus de Israel' não sugere a contemplação da essência absoluta de Deus, uma vez que a Escritura é consistente ao afirmar que ninguém pode contemplar a face de Deus em sua plenitude e sobreviver. Trata-se, portanto, de uma manifestação perceptível de Sua presença, onde o foco do relato não recai sobre a fisionomia divina, mas sobre o que estava 'sob Seus pés'. Esta expressão é diferente de outras passagens bíblicas onde indica a derrota ou submissão de inimigos; aqui, ela descreve a transcendência de Deus. A transcendência é o conceito teológico de que Deus está acima e além de toda a criação, não sendo limitado por ela. Isso indica que o Criador não se encontra inserido na ordem criada, mas a transcende.

A referência à “safira sob os Seus pés” reforça a ideia de ordem, estabilidade e transcendência na manifestação divina. O texto afirma que, sob os pés de Deus, havia “como que uma pavimentação de pedra de safira”. A linguagem é simbólica, mas cuidadosamente construída para transmitir solidez e majestade. O termo hebraico מַעֲשֶׂה  significa “obra”, “trabalho”, “feito artesanal” ou “construção”. Não é um chão improvisado, mas uma base elaborada, um pavimento que sustenta e revela ordem. O texto descreve esse pavimento como sendo de “safira”. Entretanto, a maioria dos estudiosos e arqueólogos concorda que a pedra mencionada provavelmente era o lápis-lazúli, uma pedra extremamente valorizada no mundo antigo. De coloração azul profundo e intenso, salpicada de pequenos pontos dourados de pirita (mineral), ela se assemelha a um céu estrelado. No Antigo Oriente Próximo, o lápis-lazúli era associado à realeza, divindade e transcendência. Sua raridade e resistência o tornavam símbolo de valor supremo e durabilidade. Ao descrever o pavimento como dessa pedra, o texto comunica não apenas beleza, mas firmeza, eternidade e autoridade celestial.

Eles (a comitiva) não viram uma forma definida que pudesse ser descrita , mas apenas a base do trono de Deus — uma manifestação da Sua santidade.Isso significa que a plenitude da essência divina não pode ser contemplada por olhos humanos limitados. A santidade absoluta de Deus ultrapassa nossa condição natural.Na teologia do Antigo Testamento, havia a convicção de que nenhum ser humano poderia ver a face de Deus e sobreviver: “Homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êx 33.20).Apesar de estarei diante da glória de Deus, o SENHOR  "não estendeu a mão"(v.11a), contra os líderes (os escolhidos).  Diante de tamanha santidade, o esperado seria juízo; porém, em vez de destruição, houve preservação. Eles permaneceram vivos na presença da glória. Eles comeram e beberam na presença (v.11b).O ato de comer e beber na presença de Deus não foi apenas uma refeição após a subida ao monte. No mundo antigo, uma aliança ou contrato era selado com uma refeição comunitária que simboliza amizade e paz entre as partes e mostrava que Deus não era apenas um fogo aterrorizante no topo do monte, mas um Deus que desejava habitar entre Seu povo.

No entanto, eles receberiam algo ainda mais importante do que a própria visão: receberiam os mandamentos. “Então, disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá” (v.12a). É fascinante perceber que o convite de Deus não foi apenas para um momento de “entrega e retorno”, mas um chamado à permanência na Sua presença. A expressão: “Sobe a mim… e fica lá” revela que o foco não era apenas a transmissão de leis, mas o relacionamento que sustenta a revelação. Deus não queria simplesmente entregar um documento; Ele desejava tempo, comunhão, intimidade e um encontro prolongado com Moisés. E o chamado para “ficar lá” resultou em quarenta dias e quarenta noites diante de Deus — tempo suficiente para que a revelação fosse não apenas recebida, mas internalizada. Mas a permanência de Moisés, havia um propósito claro: "Dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que escrevi" (v.12b). Deus não está apenas entregando normas, mas estabelecendo uma aliança.

No hebraico e na tradição teológica, essa tríade — Tábuas, Lei e Mandamentos — tem significados distintos que se complementam.Tábuas são duas placas de pedra esculpidas pelo próprio Deus, simbolizando a firmeza e a permanência da vontade divina, algo que não deve ser apagado pelo tempo nem moldado conforme os interesses humanos. Lei, frequentemente, refere-se à "Torah" ou ao conjunto de normas e preceitos fundamentais dados para reger a conduta moral, espiritual e social, com foco em justiça e santidade. Mandamentos são as dez ordens específicas, regras ou preceitos (o Decálogo) contidos nas tábuas, que orientam o relacionamento com o Criador e com o próximo.O texto reforça a ideia de que "tudo Deus escreve". Ele não escreveu para que as tábuas ficassem guardadas como relíquias mágicas no topo do monte. Ele escreveu para que o conhecimento fosse transmitido: "para os ensinares"(v.12c).Portanto, a revelação de Deus só cumpre seu propósito quando deixa de ser uma "pedra escrita" e passa a ser uma "lição ensinada".

                                                            III

Moisés era o porta-voz, o homem que falava com Deus. Mas, para estar na presença de Deus e ouvir a Sua voz, ele precisou deixar para trás até mesmo aqueles que comeram com ele no banquete. Era necessário um momento de separação, silêncio e disposição para o diálogo com Deus. No entanto, embora o chamado inicial tenha sido direcionado exclusivamente a Moisés, ele não partiu totalmente sozinho para essa etapa crucial: levou consigo Josué, seu "servidor" ou auxiliar, como registra o texto: “Levantou-se Moisés com Josué, seu servidor; e, subindo Moisés ao monte de Deus” (v.13).Josué talvez não estivesse no centro da revelação naquele momento, mas estava lá: aprendendo, observando e se preparando. Ele demonstra uma postura exemplar: não questiona, não disputa o protagonismo; ele apenas sobe. Embora não tenha chegado ao cume — onde apenas Moisés adentrou a nuvem — Josué foi quem esteve mais próximo da glória e do espaço sagrado no monte de Deus.

Deus nos convida a subir o monte. No entanto, uma pergunta essencial nos acompanha: quem estamos levando conosco nessa subida? Moisés não subiu sozinho; ele levou consigo Arão, Nadabe, Abiú e setenta anciãos de Israel. Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João. E nós, quem temos levado conosco em nossas “subidas” ao monte? Levar outros conosco significa que não buscamos apenas a nossa própria edificação, mas desejamos que aqueles que caminham ao nosso lado também contemplem a majestade de Deus, ainda que à distância.Se nossas “subidas” espirituais se tornam momentos de partilha, oração e comunhão, experimentamos a glória de Deus de forma plena — e essa glória não permanece conosco apenas individualmente, mas se espalha àqueles que levamos em nossos corações: familiares, amigos, irmãos na fé ou aqueles que precisam da nossa intercessão.

Enquanto Josué recebeu o privilégio de subir mais alto, os anciãos receberam a ordem de esperar com paciência e fidelidade: “Esperai-nos aqui até que voltemos a vós outros. Eis que Arão e Hur ficam convosco; quem tiver alguma questão se chegará a eles” (v. 14). Moisés estabelece uma estrutura de governança clara para sua ausência, instituindo Arão e Hur como pontos de apoio. Arão, o futuro sumo sacerdote, representava a esfera espiritual; Hur era o homem que, junto com Arão, sustentou os braços de Moisés na batalha contra os amalequitas. Assim, o povo teria a quem recorrer em disputas legais ou pessoais. Infelizmente, ao olharmos para o que acontece adiante (Êx 32), vemos que Arão não consegue manter a firmeza que Moisés esperava, cedendo à pressão popular para criar o bezerro de ouro. Os que ficaram embaixo enfrentavam a tentação da impaciência.

                                                                   IV

 Ao delegar responsabilidades aos anciãos, Moisés avança para o estágio final de sua jornada. O que segue é um dos relatos mais poderosos sobre a manifestação da glória divina. Moisés sai do contato com os homens  e entra na atmosfera da glória de Deus: “Tendo Moisés subido, uma nuvem cobriu o monte.” (v.15).  A nuvem não era apenas um fenômeno meteorológico, mas a presença visível de Deus.  Ela sinaliza que Deus está presente.Quando a nuvem cobre o monte, ela cria uma separação entre o profano (o acampamento lá embaixo) e o sagrado (o cume do monte). Ela avisa ao povo que aquele espaço agora pertence exclusivamente ao SENHOR. É um sinal de respeito e temor. Quando Moisés  entra na nuvem, ele fica completamente isolado do mundo exterior. Não há mais distrações, nem as reclamações do povo, nem as questões de Arão. O texto diz que a glória do SENHOR "pousou" ou "repousou" sobre o Sinai.(v.16a).Isso indica que a presença de Deus não foi algo passageiro ou um relâmpago momentâneo; foi uma habitação. Deus estabeleceu Sua morada no cume antes mesmo de falar. Ela "repousou" por seis dias antes de Deus chamar Moisés, (16b).

Moisés passou seis dias imerso na nuvem, em absoluto silêncio. Para um líder acostumado a resolver problemas e guiar multidões, esses seis dias de inatividade foram, talvez, sua maior preparação espiritual. Foi somente no “sétimo dia, do meio da nuvem, que chamou o SENHOR a Moisés” (v. 16c). Este "sétimo dia" carrega um simbolismo profundo. Assim como Deus descansou no sétimo dia após criar o mundo, Ele chama Moisés no sétimo dia para dar início a uma "nova criação": um povo formado por Sua Lei. Mas Moisés não desistiu. Ele não desceu o monte no quarto ou quinto dia achando que "Deus não falaria mais". Ele permaneceu onde Deus o colocou. A voz do meio da nuvem é a recompensa para quem sabe esperar.

 Isso nos ensina que a preparação é tão importante quanto a mensagem que vamos receber. Muitas vezes, queremos respostas imediatas, soluções rápidas e manifestações visíveis. Desistimos no terceiro ou quarto dia porque não sabemos lidar com a espera, não sabemos permanecer quando tudo parece silencioso.  Moisés nos ensina que o preparo para ouvir a Deus pode exigir dias de silêncio, de expectativa e de entrega. Ele subiu o monte, mas não desceu frustrado quando a voz não veio imediatamente. Ele permaneceu. Isso nos mostra que não basta apenas “subir o monte” — não basta buscar uma experiência espiritual intensa — é preciso ter disposição para esperar o tempo de Deus. Na espera, aprendemos a confiar não apenas no que Ele pode fazer, mas em quem Ele é.

Enquanto Moisés aguardava no cume, a manifestação da glória divina assumiu uma forma visível e aterradora. O texto nos revela que "o aspecto da glória do SENHOR era como um fogo consumidor no cimo do monte, aos olhos dos filhos de Israel".(v.17). A glória do SENHOR se manifestava como fogo. Não era algo discreto, nem indiferente — era intenso, visível, santo. O termo "fogo consumidor" evoca temor e julgamento.Esta metáfora do fogo é recorrente nas Escrituras. Em Hebreus 12.29, repete que "Nosso Deus é um fogo consumidor". Ele queima o que é impuro e refina o que é precioso (como o ouro). Ele destrói o que se opõe à Sua natureza. E  o texto afirma que  "aos olhos dos Filhos de Israel", o monte ardia. Aquela imagem transmitia poder, majestade e reverência. O fogo consumidor revelava que Deus é santo e que Sua presença não pode ser tratada com descuido.Isso sugere que a percepção humana, quando limitada pelo medo ou pela falta de consagração, pode distorcer a realidade da presença de Deus. Enquanto Israel tremia de medo no acampamento, Moisés se preparava para caminhar em direção a esse mesmo fogo.

No entanto, Moisés não apenas olha para o fogo, ele entra pelo meio da nuvem. O texto afirma: “E Moisés, entrando pelo meio da nuvem, subiu ao monte; e lá permaneceu quarenta dias e quarenta noites”(v.18).  Finalmente, Moisés entrou pelo meio da nuvem. Para o povo, a nuvem parecia um fogo devorador, mas Moisés não recuou. Ele atravessou a barreira visual e entrou na dimensão onde a glória de Deus habitava. Isso mostra que a fé, muitas vezes, exige atravessar o que nos causa medo para alcançar a voz de Deus. Ali permaneceu quarenta dias e quarenta noites em uma dimensão de dependência total. Ali, sem pão ou água, ele foi sustentado pela própria Palavra de Deus. Ele deixou de ser apenas um observador da nuvem para se tornar um participante dela. Ele subiu como um profeta e desceu como o legislador de uma nação, provando que ninguém mergulha no centro da vontade de Deus e retorna da mesma maneira. Para Moisés, esse tempo foi necessário para receber não apenas as tábuas, mas todo o projeto do Tabernáculo e as leis civis. Foi um "mergulho" profundo que transformou sua própria natureza (mais tarde, seu rosto chegaria a brilhar).O texto enfatiza que ele ficou lá "40 dias e 40 noites". Mais adiante, descobrimos que ele não comeu nem bebeu durante esse tempo (Deuteronômio 9.9). Isso prova que ele estava sendo sustentado diretamente pela presença de Deus. Ele deixou de depender do pão físico para viver da "palavra que sai da boca de Deus".

                                                            V

Mas o que esse texto nos ensina a Transfiguração? Como podemos relacionar o relato de Êxodo com a manifestação de Jesus? A subida de Moisés ao monte não deve ser lida apenas como um evento isolado na história de Israel, mas como um prelúdio do que viria a florescer séculos mais tarde no Monte da Transfiguração. Esse paralelo sagrado inicia-se na precisão do tempo: assim como Deus chamou Moisés após seis dias de espera na nuvem, o evangelista Mateus faz questão de registrar que a manifestação de Jesus ocorreu exatamente “seis dias depois”. Essa marca temporal sinaliza ao leitor atento que o tempo de espera atingiu sua plenitude; o silêncio da preparação deu lugar à voz da revelação.

A seletividade dos acompanhantes reforça essa continuidade histórica. Se outrora Moisés subiu acompanhado de Josué, seu servo fiel, Jesus agora conduz Pedro, Tiago e João ao cume. A própria nuvem, que no Sinai funcionava como um véu de separação e proteção, ocultando a inacessível majestade divina, reaparece no Novo Testamento transfigurada em uma “nuvem luminosa”. Em ambos os relatos, a voz de Deus rompe o silêncio vindo do interior da nuvem. Todavia, há uma mudança de foco crucial: no Sinai, a voz entrega a Lei; no monte de Jesus, a voz aponta para o próprio Legislador, declarando: “Este é o meu Filho amado... a ele ouvi”.

O ápice dessa conexão teológica revela-se na presença do próprio Moisés ao lado de Jesus. Aquele que subiu o Sinai para receber as tábuas da Lei aparece agora no novo monte para prestar contas àquele que é o cumprimento de toda a justiça. A diferença de natureza entre eles é nítida: enquanto o rosto de Moisés brilhava como um reflexo, por ter estado na presença de Deus, o rosto de Jesus resplandece como o sol, por ser o próprio Deus em essência.

Relacionar esses dois episódios ensina-nos que o Deus que faz esperar seis dias no silêncio é o mesmo que se revela na luz da Transfiguração. Se o Sinai nos legou o padrão da santidade por meio dos mandamentos, a Transfiguração nos concedeu o poder da santidade por meio de Cristo. No antigo monte, o povo temia a proximidade da glória e recuava; no monte com Jesus, a glória torna-se um convite para que o homem possa, enfim, habitar na presença do Pai. Ele é, em si mesmo, a manifestação plena dessa glória.

Ao encerrarmos esta meditação, convido-os a contemplar o mistério que une o Sinai e o Monte da Transfiguração: o encontro perfeito entre a justiça e a misericórdia. Por muito tempo, olhamos para o Sinai e enxergamos apenas a distância intransponível entre a nossa imperfeição e a santidade de Deus. Mas o sangue que selou aquela antiga aliança não foi em vão; Deus preparava o caminho, apontando para o sacrifício definitivo de Seu Filho.

Assim, na plenitude dos tempos, o Filho veio e manifestou Sua glória. Naquele monte, por um instante, o véu da humanidade foi erguido e os discípulos contemplaram o que sempre esteve ali: a majestade do Filho eterno. Seu rosto resplandeceu como o sol e Suas vestes tornaram-se alvas como a luz. Não era uma glória recebida, mas revelada — a mesma que Ele compartilhava com o Pai antes da fundação do mundo.

Hoje, não estamos mais ao pé de um monte que treme de medo, mas diante de um Salvador que brilha com amor. Que a luz da Transfiguração dissipe as trevas das nossas incertezas e que o sangue da Nova Aliança silencie, de uma vez por todas, as vozes da nossa culpa. Que essa glória não seja apenas um momento passageiro em sua semana, mas a força que sustenta a sua vida na missão, e o guia na esperança, mantendo seus olhos fixos na eternidade. Pois Aquele que foi transfigurado no monte é o mesmo que, por Seu sangue, nos transfigura a cada dia, até que O vejamos face a face.

Que a paz de Cristo, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações. Amém.