domingo, 27 de março de 2022

 

TEXTO: SL 126

TEMA: RESTAURA, SENHOR, A NOSSA VIDA!

O salmo 126 faz referência ao retorno dos cativos, depois de muitos anos de escravidão no exílio na BabilôniaQuando receberam a notícia de que poderiam retornar, parecia um sonho. E diante das dificuldades que enfrentariam, esta eram uma mensagem de esperança.  Sabiam que teriam que recomeçar tudo de novo e, por isso, pediram a Deus: “Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe.” É a suplica para que Deus tirasse daquela situação de cativeiro, e que desse uma nova oportunidade para que pudessem ser restaurados e que prosperassem novamente. Era Deus restaurando o Seu povo novamente.

Este mesmo salmo se tornou um cântico de romagem, para cantar nas peregrinações a Jerusalém. Sendo que a temática e a importância desse salmo, na história do povo de Deus, refletem o sofrimento, as dores, as decepções, as provações que o povo de Deus em sua história de vida, vivenciou. Também retrata o triunfo, a conquista, o cumprimento das promessas de Deus, a fidelidade. Enfim, o agir de Deus em favor dos cativos ao libertá-los do cativeiro. 

Estimados irmãos! Há momentos em nossas vidas que tudo parece estar fora de controle. Não há solução e tudo se torna mais distante ou confuso. Assim é com nossa vida, estamos como o deserto, sem esperança, sem saber o que fazer, vendo que nossos planos e sonhos não se concretizam, mas nosso Deus vem restaurar a nossa vida! O clamor “restaura-nos” é uma postura que devemos adquirir quando não vemos mais aquele vigor e esperança que sentíamos anteriormente. Diante desta situação, Deus quer restaurar a nossa vida, os nossos sonhos, projetos, o nosso amor por Cristo, a nossa vida espiritual, os nossos talentos e dons. Só ele pode restaurar. A Sua restauração é total, abrangente, completa, perene, duradoura. Apresenta-te como o salmista e diga: “Restaura-nos como as torrentes de Neguebe”. É maravilhoso saber que Ele continua com o mesmo poder, com a mesma disposição de quando restaurou seu povo no passado. É confortante saber que o SENHOR restaura também no presente e no futuro.

O salmista inicia o salmo, afirmando que o resgate dos cativos de volta a Sião foi como um sonho! (v.1). Parecia um sonho, mas era realidade. O Senhor os tinha libertado do cativeiro. A situação foi revertida. A restauração causou júbilo. Não choravam, pelo contrário, só havia alegria e gratidão. Deus havia transformado aquele momento em realidade. O fato de voltar à sua terra, de estar livre do cativeiro, de poder cultuar ao Senhor eram motivos suficientes para "ficar como quem sonha”. E o salmista está vendo isso acontecer diante de seus olhos. Aqueles cativos anteriormente “machucado” estava cantando e rindo; que antes era tido como “derrotado e envergonhado”, passou a usufruírem das grandes coisas que Deus havia realizado. O Senhor manifestou-se salvador, e as lágrimas converteram-se em sorrisos de enorme alegria: “Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de júbilo”. (v.2a). 

Os risos de alegria e os gritos de júbilo que acompanhavam os exilados que saiam do cativeiro na Babilônia, e que ecoavam nos desertos que atravessavam, provocou também testemunho diante das nações pagãs. O povo deveria manifestar os feitos do Senhor entre as nações. As coisas que Deus fizera em prol do seu povo, de modo que o mundo inteiro saiba, que o Senhor fez coisas grandiosas na vida do povo. (v.2b).  Toda a história de Israel no AT mostra-nos os grandes atos de salvação realizados por Deus em favor do seu povo no passado. Há diversas narrativas de como Deus agiu de forma maravilhosa. Ele devastou o Egito com as dez pragas para libertar o seu povo; abriu o Mar Vermelho para o seu povo passar e fechou o para destruir o exército de Faraó.  Mandou o maná para alimentar o seu povo no deserto e fez sair água da rocha para saciá-lo. Tudo foi registrado para que o povo pudesse sempre lembrar o que Deus fez. Deus sempre foi fiel e bondoso para Israel. Esta é a razão de “estarem alegres”. (v.2c).

Deus também tem realizado coisas grandiosas em nossa vida. Aliás, a nossa vida é constituída de coisas grandiosas. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo que morreu na cruz para nos salvar. O seu amor e cuidado em todas as situações dramáticas das nossas vidas, situações que tiraram noites de sono e, muitas vezes, nos deixaram sem esperança para continuar com nossos sonhos e projetos, ou seja, no casamento em crise, nas crises financeiras sem fim, crises na saúde, e o Senhor sempre nos ajudou em todos momentos. Temos um Deus maravilhoso, que não mede esforços para nos ajudar. Precisamos aprender na vida que Deus fez, faz e fará coisas grandiosas por nós. Mas que coisas você gostaria que Deus fizesse por você? Quais são as coisas grandiosas que Deus tem realizado em sua vida?

Na volta à Jerusalém, aquele povo reencontraria as suas tragédias e desolações passadas. O templo em escombros, Jerusalém demolida. Pessoas doentes, miseráveis e com sonhos perdidos. Esta era a verdade da existência daquele povo. De uma alegria ímpar, com preocupação, o povo passa a suplicar uma mudança de sorte desoladora: “Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe”. (v.4). Restaurar significa voltar, retornar, começar mais uma vez. Este foi o pedido do povo. É uma súplica para que Deus lhe torne a dar uma nova perspectiva de vida, porque a vida do povo estava árida como o deserto do Neguebe. Neguebe ou Negev (נֶ֫גֶב) significa lugar seco ou ressecado. É uma região desértica, com vários leitos de rios secos, que fica no Sul da Palestina. Quando chovia estes leitos se enchiam de água e a vegetação novamente florescia. Tudo era restaurado!

Ao fazer referência as torrentes do Neguebe, o salmista estava suplicando que a aridez dos tempos de cativeiro, desse lugar à abundância de bênçãos de Deus derramadas sobre o povo. Também suplicamos ao Senhor: “Restaura-nos!”. O clamor “restaura-nos” é uma postura que devemos adquirir quando não vemos mais aquele vigor e esperança que sentíamos anteriormente. Há uma aridez e tudo parece estar perdido. Surgem o desânimo, a vontade de ficar parado, de não mais caminhar. São tribulações em algum momento de nossa vida. Temos problemas dos mais diversos, lutamos contra adversidades, somos provados e experimentados. Precisamos também clamar por restauração ao Senhor. A sequidão de hoje não pode ser motivo de desânimo, mas sim motivo de clamor. Lembrando que o Deus que nos salvou é poderoso para mudar qualquer situação da nossa vida, mas isto no seu devido tempo.

O salmista, agora, olha para o futuro na esperança que a restauração virá, mas no tempo de Deus. Será longo e árduo. Enquanto não ocorre a restauração é preciso continuar semeando, mesmo quando parece que não haverá retorno. É precisa ter paciência, perseverança, saber esperar. O salmista nos ensina a persistir, mesmo diante dos problemas que enfrentamos e nos garante que o Senhor estará a nossa frente, enxugando nossas lágrimas enquanto semeamos: “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão”. (v. 5). Semear é algo trabalhoso e muito cansativo. Não é um trabalho fácil. Quem já fez algum plantio, sabe bem das dificuldades. A terra deve ser preparada e o lugar de plantio deve ser escolhido corretamente. Enquanto faz isso, o semeador, soa, suspira e se esforça grandemente.

No entanto, quando o salmista fala sobre “semear com lágrimas”, alguém que “sai andando e chorando, enquanto semeia”, não é porque a semeadura seja triste, ou porque semear seja difícil. Semear é simplesmente levar a preciosa semente, que é a Palavra de Deus. Ao sair a semear a semente da Palavra de Deus, defrontamos com muitos fatores desconhecidos, o que poderá nos levar as lágrimas. Passamos por muitas aflições. De qualquer forma, somos convidados a semear. Somos semeadores. Temos a boa semente, que é a Palavra e o campo já está preparado para recebê-la. Lancemos essa semente nos corações e preparemo-nos para uma colheita abundante e jubilosa! Mas não os esquecemos que o nosso semear também é feito de lágrimas, frustrações e derrotas. Não sabemos se vamos colher. Mas precisamos acredita nas promessas de Deus que diz: Os que semeiam em lágrimas ceifarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, “andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos”.  (v.6).

Estimados irmãos! O Senhor restaurou a sorte dos cativos. Agora, estavam alegres pelas vitórias. Você está precisando de restauração? Você precisa clamar! Você precisa olhar para os céus e dizer: “Restaura-me, ó Deus”. Amém

terça-feira, 22 de março de 2022

 

TEXTO: EZ 33.7-20

TEMA: O VERDADEIRO ATALAIA DE DESU!

 Em toda a história do mundo, muitos povos tiveram que se proteger de tribos e nações vizinhas. Como parte de seu plano de proteção, eles construíam torres nas muralhas das cidades e colocavam atalaias (vigias, sentinelas) nas torres, ou nos portões da entrada da cidade, cuja a função era vigiar dia e noite. Assim que percebiam, aproximação do inimigo, tocavam a trombeta e anunciavam o perigo. Era uma função árdua e cansativa, pois exigia fidelidade, entrega ao serviço e vigilância incansável dia e noite.

O termo atalaia é bem peculiar nas páginas da Bíblia Sagrada e aparece com muita frequência no livro do profeta Ezequiel.  Neste livro, ele é chamado de atalaia. Deus o havia chamado para ser atalaia sobre a casa de Israel: “A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel.” (v.7a). Como atalaia, tinha a tarefa de "tocar a trombeta" para alertar o povo sobre os perigos do pecado, alertar para que o povo buscasse o arrependimento e a necessidade da fidelidade a Deus, para conseguir a restauração da comunhão com o SENHOR.A missão do profeta não foi fácil. Era uma missão crucial para o profeta, mas deveria cumprir a sua missão como atalaia. Se não cumprisse, teria de prestar contas diante de Deus e pagaria com sua própria vida pela vida do perverso. (v.8). Porém, se ele executasse suas funções corretamente e advertisse o perverso, e o perverso ainda escolheria a maldade, o profeta estaria livre de ser culpado. (v.9).

Diante desta missão, Ezequiel se manteve fiel a Deus e não deixou de anunciar a mensagem ao povo. Tornou-se um servo totalmente engajado nos planos de Deus. Hoje, a nossa missão também não é fácil. Mesmo que as dificuldades e problemas que a vida cristã nos apresenta, não podemos deixar de anunciar a Sua Palavra. Deus nos chamou para tocar a trombeta como verdadeiro atalaia e anunciar o caminho da verdade aos que estão andando na perversidade. Temos o dever de anunciar em qualquer circunstância, mesmo quando essa Palavra não é exatamente o que as pessoas querem ouvir. Temos que vigiar em favor do rebanho, para que os perigos que rodam este mundo, não venham atingir as ovelhas e a igreja. Temos o dever de denunciar às pessoas sobre o pecado e chama-las ao arrependimento. Temos o dever de falar sobre a salvação, pois Deus deseja que voltemos a Ele em arrependimento sincero, a fim de que recebemos seu gracioso perdão, que providenciou ao mundo inteiro através de Seus Filho que morreu na cruz e ressuscitar por nós.

Infelizmente, hoje, encontramos vário atalaias que fazem parte das igrejas, mas muitos não são verdadeiros, pois não agem em conformidade com seu chamado. Alguns conduzem as suas ovelhas para o abismo, e que não tem nada para agregar em relação ao verdadeiro conhecimento de Cristo, descrito nas Escrituras Sagradas. Outros trabalham para si e em função dos seus próprios interesses. E não pensam em duas vezes em querer abandonar o rebanho. Por isso, precisamos refletir sobre a grande responsabilidade que o verdadeiro atalaia deve possuir no cuidado do rebanho do SENHOR. Ser atalaia exige, senso de responsabilidade, amor e paciência, alegria, abnegação e humildade ao conduzir as ovelhas. Ao apascentar o povo de Deus, devemos garantir o suprimento de alimento, conduzindo as Suas ovelhas em direção de bons pastos e de água fresca. Quando deixamos de cumprir esta missão, de se portar como verdadeiros atalaias, então. virá o juízo do SENHOR, conforme foi descrito em Ezequiel 33.6. Ezequiel mostra o dever da atalaia espiritual, como aquele cuja responsabilidade é de avisar quando chegar “a espada”, ou seja, o juízo de Deus. Tenhamos cuidado com esses falsos atalaias!

O profeta Ezequiel era uma atalaia verdadeiro. Ele ouve as palavras do SENHOR: “Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel,” (v.10a). Ao ser chamado de “filho do homem”, foi uma forma como Deus conversava com Ezequiel. Esta forma, retrata a sua posição de criatura diante do Criador, de sua missão de porta-voz, que não fala por si próprio, mas da parte daquele que o envia. Neste momento, o profeta tinha que ouvir a Palavra do SENHOR “Assim falais vós: Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como, pois, viveremos?” (v.10b). O povo argumentava que estava desfalecendo por causa do pecado. Sentia-se profundamente culpado por viver tantos anos em rebelião contra Deus. O que chama a atenção aqui é a ocorrência de dois termos bíblicos (“transgressão” e “pecado”), que juntamente com o termo “iniquidade” do v. 8, refletem a profundidade desastrosa que o povo vivia diante de Deus. Transgrediram e se rebelaram contra as leis de Deus. Erraram o alvo e se afastaram de Deus. Assim, o povo rompeu a comunhão com o Senhor, deixando de fazer o que lhe era agradável. Diante desta situação o povo, pergunta: Como, pois, viveremos? 

Deus responde. Ele fala do perverso, e a mensagem que o profeta deveria dizer   ao perverso (ímpio), dos desvios comportamentais que trariam sobre eles e as consequências devidas de seus atos, e, por isso, deveriam se arrepender: “Assim diz o SENHOR: não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva.” (v.11a). Primeiro que Deus não tem prazer na morte do perverso, desde que o perverso se arrependa e mude a sua atitude diante do Senhor. Segundo o perverso deveria se converter: “Convertei-vos dos vossos caminhos, por que haveis de morrer, ó casa de Israel?” (v.11b). Se converter da sua “perversidade” (v12a). “não morrerás; se ele se converter do seu pecado, e fizer juízo e justiça.” (v.14). Enfim, se houver arrependimento viverá: “se pagar o furtado, e andar nos estatutos da vida, e não praticar iniquidade, certamente, viverá; não morrerá. (v.15). Portanto, Deus deixa claro, que aqueles que são perversos, e que não se convertem dos seus maus caminhos, o juízo de Deus é devastador   Eles jamais ficarão impunes.

No entanto, o que Deus queria de seu povo era o arrependimento, abandono do pecado e a necessidade da fidelidade a Deus, para conseguir a restauração da comunhão com o SENHOR. O que se conclui é que o SENHOR dá ao seu povo a oportunidade de se arrepender e receber o perdão, pois Deus não deseja a condenação de ninguém, mas tão somente a salvação de todos. “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2.4). Quanta compaixão e misericórdia do SENHOR com seu povo! Ele sempre tratou seu povo em conformidade com a Sua Justiça.

Num segundo momento, o profeta fala do justo. Quem é o justo? O salmo 1 afirma que o justo é aquele que “não anda no conselho dos ímpios”, “que não se detém no caminho dos pecadores” e “não se assenta.” junto com o ímpio. Mas ser justo também é sobre ser íntegro, correto, piedoso, ser autêntico na fé que professa; é andar com Deus diariamente. Na Bíblia, há muitos relatos de homens que foram justos e íntegros. Certamente você se lembra da história de Noé. Ele andava com Deus. Era um homem justo, integro e humilde numa sociedade completamente corrompida.  (Gênesis 6.9). Deus deseja que nós sejamos justos, que ajamos corretamente de acordo com os Seus mandamentos, "porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade" (Efésios 5.9). Se o justo proceder desta forma, certamente viverá. Mas quando deixar de andar com Deus e praticar a iniquidade, o SENHOR não o livrará no dia da sua transgressão... nem   poderá viver no dia em que peca. Certamente, ele morrerá na sua própria justiça. (vv. 12 e 13).

Ezequiel, ao finalizar a sua mensagem de exortação ao povo, o profeta tinha que mostrar que Deus sempre age com retidão. Diferente do que o povo pensava sobre os caminhos do SENHOR, ao afirmar que os caminhos não eram retos, e que o SENHOR não estava agindo com justiça (v.17a). Mas o SENHOR sempre foi reto, digno, honrado, honesto. Sempre foi um Deus de esperança, bom, misericordioso e fiel. Ele jamais será injusto, pois age com retidão, revelando seu amor a todos nós.  Ocorre que os caminhos do povo não eram retos. Assim diz o SENHOR: “o caminho deles (os filhos do teu povo) é que não é reto.” (v.17b). Não era reto, pois o povo continuava transgredindo os mandamentos do SENHOR e persistia em cometer pecado. O que Deus desejava era que seu povo se arrependesse, buscasse o perdão e o consolo de Deus. Quando tiver ocorrido a confissão plena e sincera do pecado, Deus o perdoaria e alcançaria a liberdade.

Vamos pedir ao Senhor: que nos ensine a conhecer os seus caminhos. Os caminhos que nos conduz à presença do Senhor, pois vivemos num mundo emaranhado de caminhos bons e ruins, retos e tortos. E, muitas vezes, trilhamos caminhos equivocados, que no começo parece ser o rumo certo, conduzindo para a vitória. No entanto, ficamos desapontados quando damos conta de que aquele caminho, atraente e promissor tornou-se perigoso, confuso, prejudicial. Estes não são os caminhos que conduz à presença do Senhor. Mas para conhecer os caminhos do Senhor é preciso mudanças na nossa vida, pois o nosso coração precisa de limpeza; precisa ser trocado, pois ele é egoísta, mundano, influenciado pelo pecado.

Estimados irmãos! Como verdadeiro atalaia temos a responsabilidade tocar a trombeta é proclamar a Palavra de Deus. Exortar aqueles que vivem no pecado. Avisar os justos a não pecar e os ímpios a se converterem. Que Deus nos ajude a cumprir esta tão difícil missão! Amém.

sábado, 19 de março de 2022

 

TEXTO: SL 32

TEMA: É FELIZ AQUELE QUE CONFESSA SEUS PECADOS

O salmo 32 foi escrito após Davi ter cometido grave pecado com Bate-Seba. É um salmo de arrependimento, confissão, perdão, reconciliação. É um testemunho de Davi do perdão que recebeu mediante sua confissão de pecados e dos efeitos que o perdão divino teve sobre sua vida. Ele experimentou a alegria da reconciliação! Tornou-se um homem feliz e abençoado por Deus.

Mas quem é o homem feliz? O homem feliz é o homem que foi perdoado.  Aquele a quem Deus encobre o pecado, não querendo ver, recordar ou conhecê-lo. Ele torna-se feliz porque seus pecados foram apagados e nada mais existe para condená-lo. Ora, se não há mais transgressão, pecado, iniquidade e engano, o homem está liberto e será realmente feliz. Esta é a verdadeira felicidade de que nos fala a Bíblia.

Portanto, todos nós precisamos pedir perdão a Deus pelos nossos pecados e quando o fazemos sentimos a alegria de sermos perdoados e reconciliados! Através de Jesus, temos a certeza de que "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar..." (I João 1.9). Por isso, a verdadeira felicidade do cristão, a sua maior alegria e consolo é receber de Deus o perdão dos seus pecados.

                                                              I

Davi ressalta que as suas transgressões e os seus pecados foram perdoados e que, portanto, poderia ser feliz. Assim, ele finalmente pôde dizer com toda confiança: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade, e em cujo espírito não há dolo”. (vv.1e2). Interessante que nestes dois versículos, o salmista apresenta quatro palavras que descrevem a sua situação: a primeira palavra é transgressão, que significa rebelião contra as leis de Deus; a outra palavra pecado, que significa uma ofensa a Deus; a terceira palavra é iniquidade, que quer dizer perversidade, injustiça. E temos a quarta palavra que é dolo, ou engano que significa traição. O estudo dessas palavras reflete a profundidade do seu pecado diante de Deus.

Ao pecar contra Deus, Davi havia cometido rebelião, pois praticou aquilo que lhe era proibido. Ele rompeu com o SENHOR.  Ele pecou, errou o alvo, se desviou do centro da vontade de Deus, deixando de fazer o que lhe era agradável. Mas, agora, ele celebra e partilha com outros a sua alegria. Ele é um homem feliz, pois a sua transgressão foi perdoada. É feliz porque, embora, tenha se rebelado, desobedecido e se afastado de Deus, o SENHOR ainda ofereceu Seu gracioso perdão. Como Deus é rico em perdoar! Aceita o pecador arrependido! Movido por Sua imensa misericórdia, Deus perdoa, apaga, esquece e cancela os nossos pecados.

Mas vamos entender toda a trajetória da vida do salmista! Ela começa quando o salmista confessa a situação que vivia diante do pecado. O texto revela que ele vivia aflito: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (v.3). Esse silêncio significa ausência de confissão do pecado. Entretanto, se Davi guardou silêncio sobre o pecado, o próprio pecado, por sua vez, gritava em seu interior e o fazia sofrer diariamente. Ele chorava e se lamentava “todos os dias” a ponto de sentir seu corpo fraco e debilitado, diante dos efeitos do seu mau procedimento. Ele descreve, como se seus ossos sofressem um desgaste. É um preço muito alto para esconder a sua iniquidade! Na verdade, Davi estava com a consciência pesada, ele afirma: “Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (v.4). Sendo assim, já não suportava mais, não conseguia dormir, não conseguia se alimentar, não tinha mais alegria em seu coração.

A vida de Davi foi marcada por uma má escolha que o levou a cair em pecado. O pecado lhe trouxe tanta amargura, tristeza e agonia. Ele entrou em pânico e desespero com receio de ter sido abandonado por Deus. Era a lembrança da culpa que tanto o atormentava, mas que lhe parecia ser a mão de Deus, porque era Deus mesmo que conservava essa memória diante dele. E diante desta situação, perdeu as forças vitais, e se sentiu em sequidão. Mas diante de seu pecado, havia um caminho para Davi: o perdão. E o ponto de partida é o arrependimento. Ele sabe que só Deus pode restaurar a sua vida. Ele sabe que Deus é benigno, misericordioso e perdoador. Davi sabe que Deus não rejeita quem tem o coração quebrantado. Por isso, ele pede perdão a Deus, uma vez que a sua situação chegou ao extremo e se tornou insustentável. No salmo 51, Davi demonstra todo o seu sofrimento. Este salmo é o registro da agonia da alma de Davi, após o seu terrível crime de adultério e assassinato.

                                                                     II

Que situação horrível estava vivendo Davi. Talvez muitos estejam nesta situação neste momento. O que precisamos fazer é chorar pelos nossos pecados. Afinal, todos nós já choramos motivados por alguma coisa ou acontecimento nesta vida. Mas por que devemos chorar continuamente por nossos pecados? Porque ainda somos pecadores e, por isso, a Bíblia nos recomenda a fazê-lo. O apóstolo Tiago encoraja os crentes a chorar por seus pecados dizendo: (Tg 4.8-10).  O próprio Senhor Jesus chorou pelo pecado. Chorou diante do túmulo do seu amigo Lázaro (Jo 11.35). Não simplesmente por seu amigo ter falecido porque ele sabia que estava lá para ressuscitá-lo, mas porque estava diante da terrível consequência do pecado: a morte. Ele também chorou diante da cidade de Jerusalém por causa do sofrimento que viria sobre ela por tê-lo rejeitado como o Cristo (Lc 19.41-44). Este mesmo que chorou pelos pecados, proferiu as seguintes palavras: “Felizes os que choram". E acrescentou a promessa: “... porque eles serão consolados”! Essa é a razão da felicidade dos que choram por seus pecados.

Davi confessa a Deus seu pecado: “Confessei a ti o meu pecado” (v.5a). Diante disso, Deus poderia castigá-lo. Mas Deus demonstrou seu grande amor. Ele foi realmente perdoado. Tão logo confessou o seu pecado ao Senhor, Davi pode dizer: “… tu perdoaste a maldade do meu pecado” (v.5b). A tumultuada vida que vivia, dá lugar a bonança gerada pela certeza do perdão divino. Pelo jeito, não foi apenas a culpa que Deus levou, mas os próprios efeitos dela sobre a vida de Davi, fazendo com que, junto com o perdão, viessem também o alívio e o bem-estar.  Perdoados e justificados pela fé temos paz com Deus, (Rm 5.1). Lemos em Provérbios 28 13: “O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

Quantas vezes, nós não agimos assim? Falhamos, mas não queremos assumir os nossos erros! Muitos tentam encobrir os seus erros e pecados resistindo à voz da sua própria consciência, cauterizando a sua mente, entregando-se ao domínio do pecado. Riem e se divertem com o pecado. Lembrem-se aqueles que não se arrependem, não receberão o consolo de Deus, mas haverão de lamentar e chorar por toda a eternidade no inferno, um lugar de tormentos onde só haverá choro e ranger de dentes. Mas ainda há tempo! Ele nos convida, pois somente em Cristo há consolo e esperança para o pecador arrependido, que chora amargamente por seus pecados. Ele mesmo nos prometeu: “Felizes os que choram, porque serão consolados". Eis o momento oportuno da salvação. Cristo está chamando os pecadores ao arrependimento. Reconheçam seus pecados! Chorem por eles! Abandonem os e venham a mim, pois eu posso dar o perdão, o consolo e a vida eterna, disse Jesus.

Davi foi perdoado e purificado pelo sangue do Filho de Deus. Agora, pode enxergava o que jamais via antes na sua incredulidade. Agora, pode se refugiar em Deus como o seu esconderijo diante das tribulações. Agora, Deus continuava a oferecer ao salmista a graça e misericórdia nos momentos de grandes calamidades: “quando transbordarem muitas águas, não o atingirão”. (v.6) Sendo assim, o salmista estava preparado para enfrentar as anormalidades desta vida. Quantas bênçãos maravilhosas recebemos do SENHOR, decorrentes do perdão! Deus promete abrigo seguro, junto àquele que anda em retidão na sua presença. Davi disse: “Tu és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.” (v.7). Trata-se de uma atitude de produzir cantos alegres em louvor a Deus por uma obra de libertação. Davi passou da lamúria à exultação. Ele não se sente mais como um servo ingrato e rebelde, mas como um filho amado pelo Pai.

                                                                         III

O salmista Davi apresenta a vida feliz do homem perdoado. Então, vejamos: Primeiro, a vida feliz é uma vida de instrução. “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho” (v.8). Davi, agora, está pronto para receber instrução do Senhor, pois sabia da dor de estar contaminado pelo pecado e do alivio que veio de Deus, através do arrependimento. E o mais surpreendente nesse processo é que a ação de instruir e guiar, fator fundamental para a santificação da vida do pecador, é uma iniciativa do próprio Deus. Ele é quem, tomando o servo pela mão, o conduz no caminho correto, conforme as Escrituras. Deus também nos diz: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir!” Os filhos de Deus recebem instrução e orientação do caminho que devem seguir, ou nos adverte dos perigos do caminho errado.

Segundo, a vida feliz é uma vida de obediência: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem. (v.9). Cavalo e mula. Duas figuras interessantes. Davi nos aconselha que não devemos imitar o comportamento dos animais, que tem muita força, mas só obedecem por causa do freio e cabresto. O cabresto é uma corda com o formato da cara da mula que se coloca na cabeça para puxá-la e o freio é uma peça de metal que vai presa na boca do animal. Só obedecem por meio de força e da dor. A palavra-chave é "obedecem". Os animais obedecem apenas quando são dominados por freios e cabrestos. Davi nos mostra que devemos ser obedientes de coração sem precisar de castigos ou ameaças. Uma pessoa que foi perdoada é feliz obedece voluntariamente, sem constrangimento, sem obrigação. Os cristãos sabem que a Lei de Deus foi dada para ser obedecida e não para ser discutida e negada. Eles obedecem aos mandamentos de Deus. São conduzidos pela voz interior da mente de Cristo que nele habita (1Co 2.13).

Terceiro, a vida feliz é uma vida de confiança. “Muito sofrimento terá de curtir o ímpio, mas o que confia no SENHOR, a misericórdia o assistirá “(v.10). É extremamente confortador saber que, numa época quando as instituições seculares estão fracassando e as promessas humanas falhando cada vez mais, podemos depositar toda a nossa confiança no Deus eterno, pronto a cumprir a sua palavra fielmente. Nossa confiança será depositada no Senhor que é cheio de misericórdia. Essa será o caminho da pessoa que foi perdoada e é feliz: ela viverá sempre confiando em Deus, não importam as circunstâncias. Na alegria, na provação, na dor, sempre pode confiar que Deus o ajudará e nunca será desamparado. A vida do ímpio será de sofrimento sem escape, mas a vida do justo será de confiança, misericórdia e consequentemente gratidão.

Finalmente, a vida feliz é cheia de alegria. “Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração” (v. 11).  Há três verbos, que fecham o salmo com chave de ouro: alegrai-vos, regozijai-vos e exultai. Este é o convite, é o imperativo que nos indica como será a vida feliz da pessoa que foi perdoada. Como disse o apóstolo Paulo, repetindo estas palavras: "Alegrai-vos no Senhor, outra vez vos digo: alegrai-vos”. Depois de tudo o que se passou na vida, de como ele foi perdoado e transformado, só pode ser esta a sua vida: alegria, regozijo e felicidade.

Estimados irmãos! Busquem a Deus e confessem seus pecados. Façam como Davi! E sejam feliz! Amém!

segunda-feira, 14 de março de 2022

 

TEXTO: SL 85

TEMA: MOSTRA-NOS SENHOR A TUA MISERICÓRDIA!

O salmo 85 é uma oração de pedido de socorro, de restauração, de livramento, súplica de retorno ao Senhor. Em sua oração, em espirito e humildade, salmista súplica às misericórdias de Deus. Ele traz à memória os grandes feitos do Senhor, realizados ao longo da história de Israel sobre as misericórdias de Deus. Foram bênçãos indizíveis que Deus concedeu ao povo arrependido. No presente, o salmista também súplica às misericórdias de Deus: “Mostra-nos Senhor, a tua misericórdia e concede-nos a tua Salvação”. Deus concede as misericórdias e salvação, mas a partir do momento em que houvesse contrição e arrependimento. Este pedido do salmista se concretiza. Deus abençoou ricamente seu povo. Ele exalta ao Senhor e descreve as bênçãos recebidas.

Precisamos também diariamente dizer: “Mostra-nos Senhor a tua misericórdia!” O que seria de nós se o Senhor não fosse benigno e misericordioso para conosco? Se não nos perdoássemos cada dia? Por isso, é necessário lembrarmos das inúmeras vezes que Deus manifestou as suas misericórdias por nós. A começar por ter enviado seu filho para morrer por nós. Além disso, Deus realizou muitas intervenções em nossas vidas, conduzindo cada um de nós a salvação, proporcionando livramento, suprimento, cura, bem-estar, entre muitas outras coisas. E como é maravilhoso saber que as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã.

Mostra-nos Senhor a tua misericórdia! Primeiro, porque todos nós precisamos das misericórdias do Senhor. Somos dependentes em cada momento de nossa vida, sem as misericórdias, nada seriamos, nada poderíamos fazer, nada conseguiríamos realizar. Não como conseguimos vencer as batalhas que travamos diariamente contra as hostes do mal. Enfim, porque as misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã. Podemos iniciar um novo dia por causa do amor, misericórdia, compaixão e fidelidade que o Senhor renova sobre nossas vidas todas as manhãs.

O salmista percebe o quanto Deus demostrou a sua bondade ao povo. Esta bondade de Deus se manifestou na história de Israel. Foram muitas bênçãos extraordinárias concedidas ao povo, trazendo-lhe a correta direção por meio da contrição e, também, a esperança de ser perdoado e restaurado. Tal bondade se percebe nos primeiros versículos. Havia fartura na terra. (v.1). Deus havia concedido o perdão. (v.2). Deus havia concedido o livramento. (v.3). Diante desta bondade, o povo de Deus pode regozijar-se, pois a iniquidade fora perdoada e os pecados cobertos. A indignação de Deus fora removida e o ardor da sua ira afastado. Favorecimento, restauração, perdão, encobrimento dos pecados, retenção da ira divina, desvio de furor, foram ações tomadas por Deus em favor de seu povo. Sendo assim, o salmista se alegra porque Deus perdoou o Seu povo, cancelou os seus pecados, e cessou a Sua ira.

Ao mesmo tempo em que o salmista orava, agradecendo a Deus pelas ações da bondade de Deus realizadas no passado, no presente, ele pede ao Senhor que restabelecesse completamente e retirasse a Sua ira sobre o povo: “Restabelece-nos, ó Deus da nossa salvação e retira de sobre nós a tua ira”. (v.4). Estarás para sempre irado contra nós? Prolongarás a tua ira por todas as gerações? (v.5). Neste pedido, a sensação do salmista é que a dor do sofrimento decorrente da ira divina está durando muito. O povo já havia sentido esta ira antes da sua reconciliação. Agora, ela ainda era evidente e parecia não ter fim. Da entender que Deus continuava julgando o seu povo. Além disso, o povo não tinha forças para mudar a situação que estava vivendo, pois quando o povo voltou do exílio da Babilônia para Jerusalém, era um período de sofrimento e tribulação. Voltaram e encontraram uma cidade arruinada, sem estrutura, um desolamento total. Esta situação causou uma morte espiritual, incredulidade e falta de esperança na vida povo. E, para manter uma vida renovada, o salmista, reconhecendo o grande amor de Deus, confiando no Senhor, sabendo que será atendido pela misericórdia e fidelidade de Deus, o salmista faz um pedido: “Mostra-nos Senhor, a tua misericórdia e concede-nos a tua Salvação”. (v.7).

Todos nós temos recebido muitas bênçãos de Deus em nossas vidas. São as misericórdias de Deus que se renovam cada manhã. Deus tem realizado coisas grandiosas. Aliás, a nossa vida é constituída de coisas grandiosas. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo, morreu na cruz para nos salvar; as nossas lágrimas, a nossa dor, todo o sofrimento, Deus realiza coisas grandiosas.  Por isso, nosso louvor e nossa alegria são motivados por estas grandes obras que Deus realiza. Precisamos aprender na vida que Deus fez, faz e fará coisas grandiosas por nós. Que coisas você gostaria que Deus fizesse por você? Quais são as coisas grandiosas que Deus tem realizado em sua vida?

Ao mesmo tempo em que o salmista orava, agradecendo a Deus pela restauração, pelas ações da bondade de Deus realizadas no passado, ele pede a Deus que restabelecesse completamente e retirasse a Sua ira sobre o povo. (v.4). O motivo principal da ira de Deus, era que seu próprio povo, constantemente, quebrava a aliança que ele fez com eles. Eles adoravam a ídolos, misturavam falsos deuses com a adoração ao Senhor. Diante desta situação, o salmista apresenta uma pergunta retórica visto que Deus se prontificou, na aliança mosaica, a retribuir a confissão de pecados com o desvio da sua ira e com a renovação das bênçãos (Lv 26.40-45): Estarás para sempre irado contra nós? Prolongarás a tua ira por todas as gerações? (v.5). Para o salmista a dor do sofrimento é decorrente da ira divina. A ira de Deus ainda é evidente e parece não ter fim. 

No entanto, Deus sempre demostrou paciência, amor e prontidão em perdoar o seu povo. Por isso, reconhecendo o grande amor de Deus, confiando no Senhor, sabendo que será atendido pela misericórdia e fidelidade de Deus, o salmista faz um pedido.  Não orava como quem duvida, pois tinha a plena certeza de que o Senhor ouviria as orações de Seu povo e que voltaria a lhes falar de paz. Uma oração de quem confia por ter visto a libertação; uma oração de quem reconhece que precisa de Deus; uma oração de quem olha para o seu problema e vê a solução que Deus providencia como já fez no passado: Mostra-nos Senhor, a tua misericórdia e concede-nos a tua Salvação. (v. 7). O salmista clama a Deus por restauração. Que Deus se lembre novamente de sua bondade ao povo. Este pedido lembra o poder e a soberania de Deus. Esse pedido para que Deus se lembre é uma renovação da aliança de Deus com seu povo.

 Diante de seu pedido a Deus, o salmista ouve a mensagem divina em resposta a oração do povo. (v.8a). Ele entendeu que Deus não é cruel. Ele é justo e se preocupa com a situação de seu povo. Entende que Deus tem uma mensagem de paz ao povo, pois Deus é misericordioso e perdoa as transgressões. A misericórdia divina, que Deus mostrou ao longo da história, resplandece-se na vida de Jesus. Em sua infinita bondade, Deus enviou o seu Filho e habitou entre nós. Ele morreu e perdoou os nossos pecados. O salmista vislumbra esta verdade, Ele profetisa, de forma maravilhosa, a respeito do Salvador. Esta mensagem torna-se transparente quando o salmista afirma: Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram” (v.10). Parecia haver um afastamento entre justiça e misericórdia, entre justiça e perdão, mas na cruz de Cristo é cenário onde houve esse bendito encontro da justiça e da paz Elas se beijaram, isto é, a justiça e a paz deram as mãos, selando a nossa eterna redenção. A justiça foi feita, pois Deus puniu nosso pecado em seu Filho. E, assim, podemos dizer que a paz e justiça se encontraram no amor de Deus revelado na obra de Cristo,

Todos nós precisamos das misericórdias do Senhor. Somos dependentes dessas misericórdias em todo momento da nossa vida. Nada poderíamos realizar sem as misericórdias de Deus. Imaginem, sem as misericórdias, como venceríamos o pecado? Como vencíamos as batalhas que travamos diariamente contra as hostes do mal? Contra o nosso inimigo que está ao nosso derredor rugindo como um leão, e pronto para nos atacar? Por isso, precisamos também em nossas orações, suplicar ao Senhor: Mostra-nos Senhor a tua misericórdia! O profeta Jeremias orou muitas vezes e suplicou ao Senhor por misericórdia. Lembrou que as misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos, porque elas não têm fim. Elas renovam-se cada manhã. Estas palavras nos encorajam e nos alegram, pois, o Senhor renova a Sua misericórdia sobre nossas vidas todas as manhãs. Deus nos dá diariamente, mais uma oportunidade para que possamos declarar o nosso amor, gratidão e temor a Ele.

O salmista ao encerrar a sua oração, ao descrever a circunstância maravilhosa depois da reconciliação do povo arrependido com seu Deus misericordioso, ele exalta ao Senhor. Ele lança mão das qualidades advindas da comunhão, mescla-as ao efeito físico que terão na agricultura de Israel: “Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar.”  (v.11): A fidelidade brotará da terra e a justiça dirigirá o olhar desde os céus. O salmista associa o desfrute dessas bênçãos ao retorno da comunhão pelo perdão dos pecados. Feita essa conexão de ideias, o salmista deixa claro qual será o resultado agrário, mostrando, por meio da palavra “também”, a íntima ligação que há entre o perdão e o retorno da provisão divina (v.12): “Também o Senhor dará o que é bom, de modo que a nossa terra dará sua colheita”. Esse não seria o único benefício a ser desfrutado pelos arrependidos. O Senhor restabeleceria sua caminhada junto com o povo como um desbravador que abre um caminho seguro, do mesmo modo que fez no deserto ao guiar a multidão até Canaã: “A justiça irá à sua frente e suas pegadas abrirão caminho”. (v.13). 

Estimados irmãos! Todos nós temos recebido muitas bênçãos de Deus em nossas vidas. São as misericórdias de Deus que se renovam cada manhã. São coisas grandiosas! Se vocês se sentirem fracos ou desanimados, lembrem-se das misericórdias do Senhor que duram para sempre e se renovam a cada amanhecer. Lembrem-se que Ele é aquele que estende graça e bondade. Que o Senhor nos abençoe com Sua bondade, fidelidade e misericórdia a cada manhã, a fim de que sejamos dignos de receber as bênçãos maravilhosas que Ele tem preparado para mim e para você. Amém!

sexta-feira, 11 de março de 2022

 

 

TEXTO: Fp 3.17- 4.1

TEMA: PERMANECEI FIRMES NO SENHOR!

Diariamente, deparamos diante de tantas situações adversas e turbulentas neste mundo. Situações que nos levam a desistir dos nossos objetivos. Mas como filhos de Deus, somos aconselhados a não desistir dos nossos planos e permanecermos firmes no Senhor. Permanecer implica manter-se sempre fiel aos ensinamentos do Senhor. A Palavra de Deus nos tem revelado esta grande importância de permanecermos no Senhor. Ela nos dá força para enfrentar as realidades e dificuldades da vida, conforto e tranquilidade nos momentos de dor e aflição, esperança e garantia da assistência e presença de Deus.

Como é importante, permanecermos firmes no Senhor. Escutar sua voz e procurar pôr em prática seus ensinamentos! Quão importante é nos aderirmos a Ele e buscar forças para que possamos dar frutos! O apóstolo Paulo é um exemplo do que é permanecer firme no Senhor. Ele, certamente, entendeu a importância desta permanência. Por isso, ele convida os filipenses a “permanecerem firmes no Senhor.” (4.1).

Permanecemos firmes no SENHOR. Este é o tema da nossa meditação. Mas como permanecer firme no Senhor? Primeiro, precisamos seguir o exemplo de Cristo. Ele é um modelo a ser seguido e não somente apreciado.  Para seguirmos o exemplo de Jesus, para sermos imitadores de Paulo, como ele foi de Jesus, é necessário permanecermos firmes no Senhor. Enquanto atender os nossos interesses, ou seja, a nossa vontade, de forma alguma iremos viver segundo o exemplo e modelo que temos em Jesus Cristo.

Segundo, não se transformar em inimigo da cruz. Paulo exorta quanto aos perigos daqueles a quem denomina-se de “inimigos da cruz de Cristo”. Ele afirma que “muitos andam entre nós”, ou seja, estão no nosso meio, caminham conosco, parecem amigos, mas são inimigos. Isso é um alerta para que não sigamos seus caminhos, pois as consequências são dolorosas. Jesus afirma que os ramos que impedem a permanência unida a Cristo, que não produzem frutos, serão cortados e lançados no fogo. (João 15.1-8).

Enfim, vivendo na esperança da vida eterna. Somos convidados a investir nosso tempo na esperança da eternidade, pois não colocamos nossa esperança nesta vida. Não temos aqui cidade permanente. O nosso alvo é a nossa pátria que estás nos céus. Na pátria celestial há felicidade eterna. Não há pranto, nem luto, nem ranger de dentes. Por isso, avancemos e marchemos para o nosso alvo que é a glória eterna, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Quando o nosso corpo físico, calejado, fraco e corruptível será transformado, para que seja semelhante ao corpo da glória de Cristo.

Filipos era “uma das principais cidades da Macedônia”. Nesta cidade, durante a segunda viagem missionária de Paulo, que chegou por volta do ano 50, acompanhado de Silas e Timóteo, surgiu a primeira comunidade cristã. Paulo ao escrever o texto 3.17- 4.1, para a comunidade, ele convida os irmãos de Filipos para que sigam seu exemplo como servo de Cristo, imitando sua conduta de vida e seguindo como verdadeiro modelo de Cristo. Ele tinha motivos para se considerar um exemplo, pois sofreu tantas dores, perseguições, tribulações, blasfêmias, escárnio, rejeição. Foi arrastado por uma multidão para fora da cidade e apedrejado (Atos 14.19). Foi açoitado, preso e amarrado com os pés em um tronco. (Atos 16.23-24). Foi perseguido pelos próprios judeus. (Atos 17.13-14). Além disso, teve de suportar um espinho na carne (2 Coríntios 12.7). Apesar de todas à suas limitações, era um homem falha e não havia obtido a perfeição, mas nunca abandonou Jesus em nenhum momento de luta. Nunca deixou ser um exemplo, um grande instrumento nas mãos de Deus ao anunciar ao evangelho de Cristo. Continuou sempre encorajando os cristãos a imitar seu comportamento, conduta e atitude.

Seguimos o exemplo de muitas pessoas neste mundo. Uma das coisas que aprendemos rápido na vida é a importância de aprender as experiências de outras pessoas. Imitamos o comportamento e adotamos o estilo de vida destas pessoas. As crianças imitam os pais, pois são exemplos de vida. Os jovens procuram exemplos em jogadores de futebol, cantores e atores para demonstrar o carinho que sentem pelos ídolos. Mas o que é ser imitador? A palavra significa tomar como modelo, como padrão de conduta, referência, exemplo. A verdade é que hoje   carecemos de pessoas exemplares. O mundo moderno está adotando padrões equivocados de conduta e maus exemplos. Existe alguém que você conhece, que lhe tenha apresentado um bom exemplo? Imitar alguém, não está errado. O problema está em imitarmos alguém que não deve ser imitado.

Mas quem devemos imitar? Quem é a nossa referência de conduta? Que modelo somos nós? De Cristo ou de nós mesmos? Só temos uma resposta: Cristo. Paulo abre o nosso entendimento para compreender melhor o que significa imitar a Cristo: “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós.” (v.17). É muito importante observar que Paulo convida os irmãos de Filipos para que sigam seu exemplo como servo de Cristo, para imitar sua conduta de vida, para que o siga como verdadeiro modelo de Cristo. Quando os filipenses imitavam ou seguiam Paulo como modelo, estavam refletindo o próprio caráter de Cristo. Paulo não só dizia "escutem minhas palavras", mas também "sigam meu exemplo". Façam-se comigo imitadores de Jesus Cristo. Ele já havia apresentado a Cristo como exemplo principal em outras passagens bíblicas. (2.5-8) e (3.12-16).

Assim como o apóstolo Paulo falou às igrejas em Éfeso, Coríntios, Filipos, entre outras, hoje, somos exortados também a sermos imitadores de Cristo. Efésios 5. 1 e 2: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” Em 1 Coríntios 11.1, Paulo exortou os coríntios a imitá-lo, colocando o bem-estar dos outros em primeiro lugar. Ele disse: “Sede imitadores meus como eu sou de Cristo e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós.”  Temos que avaliar se somos imitadores de Cristo em todas as áreas da nossa vida. Se a nossa conduta serve de exemplo para muitos cristãos na atualidade, pois precisamos admitir que, muitas vezes, somos movidos a ser reflexo de nós mesmos. Gostamos de receber aplausos das pessoas, fama e glória. Esquecemos que a nossa vida não é nossa, ela é o reflexo de Cristo no mundo. Não estamos nesta vida para aparecer, mas para anunciar quem Cristo é o que Ele faz em nós. Lembre-se: quando não imitamos a Cristo, imitamos a nós mesmos, os nossos interesses.

No entanto, havia pessoas no meio dos irmãos em Filipos que diziam ser cristãs, mas não viviam de acordo com o exemplo de Cristo. Havia corrupção, imoralidade, falsas doutrinas. Buscavam só as coisas materiais e terrenas. Na verdade, o que imperava em Filipos era o paganismo. Falsos mestres, alguns até faziam parte da igreja. Daí o motivo de Paulo chamá-los de inimigos da cruz. Ele dizia estas palavras, chorando. Chorando por que? Porque os inimigos da cruz estavam destruindo a igreja.

Muitos anos, após Paulo ter falado estas palavras, ainda vemos que os inimigos da cruz são muitos. O mais triste disso tudo é verificar que esta realidade não mudou. Ainda convivemos com o paganismo, falsos profetas e práticas de heresias. Fica evidente que os inimigos da cruz, ainda estão presentes na atualidade. Mas quem são os inimigos da cruz? O que precisamos saber a respeito destes inimigos? Precisamos saber que muitos andam entre nós! Eles se infiltram na igreja. Tem cara de ovelha, mas são lobos roubadores e vorazes disfarçados de ovelhas (Mt 7.15; At 20.29). O Paulo em seu ministério muito combateu os falsos ensinos e lutou pela pureza do evangelho, anunciado à Igreja. Ao sentir que a igreja estava sendo ameaçada por falsos mestres, Paulo os identifica como inimigos da cruz de Cristo. Como se tornaram inimigos da cruz de Cristo?

Paulo descreve e apresenta algumas das características dos inimigos da cruz. Descreve a conduta e que muito se assemelham em nossos dias: Primeiro, Paulo fala que o “destino deles é a perdição.” (v.19a).  São pessoas perdidas, que permaneciam em sua incredulidade. Não aceitavam, não acreditavam na existência no poder de Deus, na mensagem da salvação eterna e na vinda de Cristo. Vivendo desta forma, estariam investindo na sua própria destruição. Sendo inimigos da cruz recebem a sentença de condenação: seu fim é a perdição. Segundo, Paulo fala que “o deus deles é o ventre” (v.19b). Eles só preocupavam com seu bem-estar físico. Faziam do ventre, das sensações, dos apetites, as coisas pelas quais davam satisfação em viver. Faziam dos seus desejos um deus para si mesmo.

Terceiro, Paulo fala que “glória deles está na sua infâmia.” (v.19c). Não buscavam a glória de Deus que se manifesta na sua bondade, graça e compaixão, que se manifesta em Seus Filho Jesus. Mas glória deles é a infâmia, ou seja, a própria vergonha. Eles viviam na ruína vergonhosa. O fim, o alvo para onde eles se dirigem e onde eles já presumem estar é a perdição, infâmia. E finalmente, Paulo fala que “só se preocupam com as coisas terrenas” (v.19c). Eles falavam a respeito de Deus, mas a preocupação era somente com as coisas terrenas. E por causa desta atitude de amar somente as coisas terrenas, adquiriram um deus, um destino e uma glória.

A grande verdade é ainda encontramos muitos inimigos da cruz de Cristo. Pessoas que buscam seus próprios interesses e insistem em andar conforme o agir do mundo. Pessoas que vivem nas suas paixões, idolatria, avareza ou qualquer coisa semelhante. Pessoas que que "andam entre nós", que participam da comunhão entre os cristãos. mas negam seguir os passos de Jesus até a cruz. Pessoas que têm se preocupado com as coisas terrenas, que são passageiras, que não têm, de fato, relevância, e têm se esquecido dos valores celestiais, que são os mais importantes.

Paulo ainda oferece outra sugestão aos filipenses para que possam permanecer firmes no Senhor:  pensar nas coisas lá alta, investir todo tempo na esperança da vida eterna, pois “a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (v.20a). Paulo também afirma: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl. 3.1). É de lá dos céus que “aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”, com expectativa. Ele virá com poder e grande glória. E quando Cristo aparecer, “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (v. 21b).

Este o grande consolo para aqueles que permanecem firmes no Senhor. Saber que o nosso corpo físico, calejado, fraco e corruptível será transformado, para que seja semelhante ao corpo da glória de Cristo. Como Paulo dizia que “seremos glorificados” (Romanos 8.17) ou que a “glória será revelada em nós” (Romanos 8.18). Mas, enquanto, vivemos na esperança, aguardando a vinda no SENHOR, não podemos perder de vista a nossa meta, saber que nossa esperança não se limita a esta terra, mas a nossa pátria que está nos céus, de onde aguardamos o Salvador. Vamos conduzir a nossa vida de modo que corresponda ao evangelho de Cristo. Agora é só permanecer firme no Senhor!

Estimados irmãos! Deus almeja que nossa vida seja um exemplo de conduta, um exemplo de vida cristã. Desta forma, a Bíblia nos mostra claramente que permanecer firme é ter uma vida enraizada no evangelho de Jesus Cristo. Que Deus nos encha de esperança e de perseverança mesmo em meio à adversidade, para que permaneçamos firmes na fé e com gratidão no coração. Amém.

terça-feira, 8 de março de 2022

 

TEXTO: SL 4

TEMA: COLOQUEMOS NOSSA CONFIANÇA EM DEUS

Confiança significa depositar esperança em alguém; em alguma coisa; sentimento de segurança, de certeza, tranquilidade, dar crédito plenamente. Mas será que podemos confiar plenamente no que as pessoas dizem? Existem pessoas que honram a sua palavra? A experiência diária parece indicar que a resposta a estas perguntas está sendo cada vez mais negativa. Diminui o número de pessoas em cuja palavra se pode confiar e diminui a credibilidade de uma forma geral. Escutamos tantos discursos vazios e ouvimos tantas mentiras, que desconfiamos de todos, ainda mais quando as pessoas falam e não provam o que dizem.

Num mundo conturbado e falta de confiança entre os homens, em quem nós podemos depositar a nossa esperança? Na filosofia, na ciência, nas leis humanas? Nas Sagradas Escrituras, temos vários exemplos de pessoas que confiaram nas promessas de Deus em meio às dificuldades do dia a dia. Davi é um grande exemplo. Por várias vezes demonstrou confiança em Deus. Em nosso texto, Davi declara que Deus lhe deu alívio em sua angústia, ou seja, Deus concedeu-lhe livramento de um perigo iminente em sua vida, porque ele colocou a sua confiança em Deus.

É importante afirmar que não temos outro caminho, refúgio nos momentos de angustia do que a presença de Deus, porque somente Ele é o Deus que pode nos socorrer diante dos nossos dilemas. Enfim, possamos dizer: Senhor, eu não tenho outro refúgio na angústia de minha alma! Não tenho ninguém em quem confiar na vida e na morte, senão a ti! Tu tens as palavras da vida!

Davi vivia um momento de tristeza, preocupação e angústia. Enfrentava uma situação em que necessitava de ajuda, auxilio, socorro, pois encontrava-se sob ameaças de Absalão, seu filho. Além disso, ele havia sido julgado de forma temerária por falsos amigos, que falavam mal dele, expondo a sua reputação ao ridículo. Traidores que zombavam dele, dizendo que ele não tinha mais salvação, que estava completamente perdido (Sl 2.2). Na verdade, os seus inimigos queriam destruir a sua reputação. o seu bom nome, sua honra. Seria uma ótima ocasião para demonstrar a sua ira contra os seus inimigos, mas ele não toma essa atitude. Ao contrário, ele exorta e aconselha seus inimigos. Ele se dirige ao Senhor chamando-o de “Deus da minha justiça”. A justiça vem de Deus.

Ocorre que todos os dias pessoas são injustiçadas, caluniadas e perseguidas por motivos diversos, até por confessar sua fé em Jesus Cristo. Quando tal situação ocorre, alguns buscam a justiça através de processos judiciais; outros agem pacificamente, ou seja, não fazem nada diante do problema. Davi diante de tantos problemas e injustiças em sua vida, resolveu dar um basta naquela situação. Colocou sua confiança na justiça de Deus. Numa justiça que nunca falha, pois Deus é justo. É soberano. Como é maravilhoso, quando Davi se dirigir a Deus como “Deus da minha justiça”, pois somente a justiça de Deus, que é evidenciada na história de seu povo, poderia lhe trazer o consolo diante de sua angustia. Enfim, ele reconhece a sua incapacidade e indignidade. Deixa de confiar em seus méritos, na sua autojustiça, vangloria, e busca na justiça do Senhor. Sente total segurança na justiça proveniente de Deus

Davi tinha essa certeza. Sabia que Deus faria o que é certo. Confiava plenamente no Senhor. Por isso, ele súplica. Pede, misericórdia ao Deus da justiça: “tem misericórdia de mim e ouve a minha oração”. (v.1b). A verdade é que na angústia aprendemos a depender totalmente da misericórdia de Deus, reconhecendo que sem ele nada podemos fazer. Deus nos ama e não nos abandona na angústia. Ele sempre ouve quem clama por socorro no tempo da angústia. Ele nos dá paz e vitória no meio da angústia. As muitas dificuldades podem nos angustiar, mas quando pedimos ajuda a Deus, ele muda a situação. Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará.

Davi apresenta o problema da sua angústia. Faz inclusive uma pergunta retórica aos homens, como se estivessem diante deles: “Ó homens, até quando tornareis a minha glória em vexame, e amareis a vaidade, e buscareis a mentira?” (v.2). Até quando essas pessoas vão viver no pecado? Quanto tempo? A indignação de Davi aqui era justa, tinha a ver com a glória de Deus e com o Seu povo escolhido. Absalão e os seus homens estavam trazendo vergonha à cidade santa, vergonha à glória de Deus. Estavam amando a vaidade, aquilo que é passageiro, efêmero, que não tem valor eterno. Estavam usando de mentiras para alcançar os seus objetivos. Além disso, Davi questiona esses perversos, uma vez que estava sendo humilhado, afrontado, afligido por muitos que zombavam sobre a sua reputação. Eram os seus inimigos que se baseavam na vaidade e na mentira.

Os seus inimigos queriam, na verdade, destruir a sua reputação. O seu bom nome, sua honra, mas não podiam, por ser ele um eleito de Deus: “O Senhor distingue para si o piedoso.” (v. 3a). O que eles deviam saber? Que Deus é justo e faz distinção entre aquele que serve e não serve a Deus. Ele distingue para Si o “piedoso”. Piedoso é aquele que tem piedade, respeito pelas coisas religiosas, temor e respeito para com Deus. Além disso, Davi era protegido por Deus: “O Senhor me ouve quando eu clamo por ele”. (v.3b). Apesar de todas as adversidades, ele estava sob a proteção de Deus. Deus o ama e o preserva de uma forma especial.

Davi poderia demonstrar a sua ira contra os seus inimigos, mas ele não toma essa atitude. Ele exorta seus inimigos ao arrependimento: “Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.” (v.4). Davi não estava aconselhando para que os seus inimigos ficassem irados, porque isso seria um absurdo, mas que tremessem diante da ideia de perseguir o ungido de Deus. Como tem sido a nossa atitude diante daqueles que nos ofendem? Quando, muitas vezes, somos dominados pelo ódio, pela vingança, pela ira? Quando temos momentos de raiva e de indignação? Gostaríamos de demostra a nossa ira. Mas não podemos deixar a raiva ou a ansiedade destruírem a nossa confiança no Senhor: “Não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo”. (Ef 4.26-27). Quando a ira aparecer pense antes de tomar uma decisão. Meditamos nas consequências que podem nos causar. O desafio é para que ao invés de ficar olhando amargurado para os problemas, olhe para Deus, o cultue, confie e sossegue. Siga o conselho: “Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai”.

Consultar o coração no travesseiro é a recomendação que temos de fazer, já na cama, antes de pegar no sono, examinando a nossa consciência, perscrutando os nossos caminhos, se estamos andando retamente, ou se há algum caminho mau que devemos abandonar. Temos que fazer um exame de consciência. Temos que consultar o nosso coração em sinceridade. Sendo assim, pergunto: Quais são os nossos planos? Temos ajudado o próximo?  Ou temos prejudicado a alguém com nossas palavras? Temos falado bem dos outros? Qual é a nossa influência sobre as pessoas, boa ou danosa? O que fazemos para enaltecer a reputação dos semelhantes? Se for essa a atitude, podemos dormir e repousar seguros, certos de que o Senhor nos guardará.

No entanto, “muitos” percebiam os problemas existentes e davam lugar ao desespero, pois não conseguiam ver ninguém capaz e disposto em ajuda-los. E, por isso, resolvem questionar “Quem nos dará a conhecer o bem? (v.6a). Esse questionamento era a base filosófica de muitos israelitas que colocavam dúvida quanto a providência de Deus. Eram pessimistas. Hoje, quando as pessoas se deparam com todos estes acontecimentos de forma profunda, elas expressam inquietudes e questionamentos.: “Quem nos dará a conhecer o bem?” Em quem podemos confiar? Quem poderá nos tirar da situação desfavorável que vivemos? São questionamentos de pessoas que não confiam, que o Senhor possa ajudá-las, diante dos sofrimentos, calamidades, dor, desastres

Mas Davi não estava preocupado com questionamentos dos céticos, porque para ele o que realmente importava era a confiança no Senhor. O Senhor era a única esperança, a fonte de todo bem que concederia ao seu povo favor, alegria e paz. Ele entende que a verdadeira alegria, que vem do Senhor, é superior a qualquer tipo de alegria por coisas terrenas: “Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho” (v.7). Enquanto que a alegria do ser humano está condicionada ao cuidado de suas necessidades diárias, para Davi a sua alegria não estava restrita a esses bens, (seu trigo e o seu vinho), ainda que necessários. A alegria concedida por Deus transcende a alegria da colheita. A produção agrícola, resultado de chuva perene sobre solo fértil, era uma bênção de Deus para o seu povo. Mas há algo maior que celeiros cheios e cisternas transbordando: “Senhor, levanta sobre nós a luz do teu rosto”. (v.6b). A presença iluminadora de Deus lhe é suficiente.

Davi conclui o seu salmo expressando mais uma vez sua profunda confiança no Senhor. Davi tinha, agora, algo que tanto precisava: alegria da presença de Deus. Podia dizer em meio à maior tempestade de sua vida, que havia alegria. Tinha segurança e paz: “Em paz me deito e logo pego no sono.” (v.8a). Ele sabia que podia descansar tranquilo tendo a certeza de que sua vida estava segura em Deus. Podia dormir e descansar sem sofrer de insônia.  Podia dizer em meio à maior tempestade de sua vida: “Senhor, só Tu me fazes repousar seguro!” (v.8b). Segurança é indispensável. Não podemos ter alegria sem segurança. Não podemos ter paz sem segurança. Não podemos ser felizes sem segurança. Sendo assim, os que confiam em Deus estão seguros em seus braços poderosos. Podemos dormir e repousar seguros, certos de que o Senhor nos guardará.

Estimados irmãos! Não coloquem sua confiança em homens, riquezas, fama. Depositem toda sua confiança em Deus, pois, “melhor é buscar refúgio no Senhor que confiar no homem” (Sl 118.8). Amém