sexta-feira, 3 de abril de 2026

TEXTO: 1 PE 1.3-9

TEMA:  UMA VIVA ESPERANÇA EM MEIO ÀS PROVAÇÕES

Hoje, queridos irmãos, o nosso texto da pregação se encontra em 1 Pedro 1.3-9.  Abram suas Bíblias e acompanhem comigo esta palavra que traz vida e segurança ao nosso coração, sob o tema: uma viva esperança em meio às provações. 

Como viver a esperança em meio às provações? Mas antes de responder esta pergunta e entrarmos propriamente no texto, convido vocês para refletirmos um pouco sobre a história desta maravilhosa  carta. Ela foi escrita para grupos de cristãos espalhados pela Ásia Menor, como vemos em 1 Pedro 1.1, nas regiões de Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia — territórios que hoje pertencem à Turquia. Pedro escreve de Roma, por volta do ano 64 d.C., justamente no início da grande perseguição aos cristãos sob o Império Romano. Ele escreve esta carta justamente para animar os cristãos a manterem uma conduta pura e digna da fé em Jesus Cristo, mesmo enfrentando aflições, sofrimentos e perseguições severas.

Amados irmãos,  a mensagem de Pedro não ficou restrita ao passado; ela também se dirige aos cristãos de hoje.Talvez não enfrentemos perseguições tão severas como aquelas vividas pelos cristãos da igreja primitiva, mas a verdade é que as aflições, os sofrimentos, as lutas e as provações continuam presentes na caminhada do povo de Deus.Quantas vezes somos abatidos pelas dificuldades da vida? Quantas vezes ficamos tristes diante das dores, das perdas, das incertezas e das tribulações deste mundo? Porém, em meio a tudo isso, a Palavra do Senhor nos chama a viver em esperança — não uma esperança vazia, incerta ou passageira, mas uma esperança viva, firmada na certeza de que o Senhor está conosco e nos acompanha em cada passo da nossa caminhada.

No entanto,antes de fixarmos  nas dificuldades da vida, precisamos erguer os nossos olhos para contemplar a grandeza da salvação e aquilo que Deus fez por nós em Sua infinita graça e misericórdia. A nossa força não está em nós mesmos; o nosso sustento não está nas circunstâncias; a nossa esperança não está no que vemos, mas em Cristo ressuscitado. É n’Ele que encontramos firmeza em meio à tempestade. É n’Ele que encontramos consolo em meio à dor. É n’Ele que encontramos coragem para continuar, mesmo quando as provações tentam enfraquecer a nossa fé. Por isso, o cristão não vive governado pelo desespero, nem guiado pelas circunstâncias; ele vive sustentado pela esperança que há em Cristo.

Mas como essa esperança se torna real em nossa vida, mesmo em meio às provações? Vejamos isso sob quatro aspectos:

Primeiro, olhando para a ressurreição de Cristo (v.3). Quando a provação bater à porta, não devemos focar no tamanho do problema, mas na grandeza do túmulo vazio e na certeza de que Cristo venceu a morte e continua governando todas as coisas. Se Ele teve poder para ressuscitar Jesus, também tem poder para nos sustentar em qualquer aflição. Precisamos substituir o “E agora?” pelo “Deus já fez!”. Pedro nos ensina a olhar para a ressurreição, porque a nossa esperança está em Cristo ressuscitado, e não nas circunstâncias.

Segundo, somos guardados pelo poder de Deus (v.5).Viver a esperança é descansar na segurança daquele que nos guarda. O versículo 5 afirma que somos guardados pelo poder de Deus. Isso significa que não estamos entregues à própria sorte, nem sustentados apenas por nossa própria força. Em meio às provações, precisamos olhar para cima e lembrar que há um Deus poderoso cuidando de nós. É necessário entregar o controle ao Senhor e descansar na certeza de que Ele guarda os seus em todo tempo.

Terceiro , quando a provação revela o valor da fé (v.7). Pedro deixa evidente que  a provação revela o valor da fé. Ele declara: “para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível...” Ele nos ensina que a provação tem um propósito: revelar e purificar a nossa fé. A fé é mais preciosa do que o ouro, pois, enquanto o ouro é perecível, a fé aprovada permanece para a eternidade. Muitas vezes, Deus usa a provação para remover o orgulho, a autossuficiência e a impaciência, tornando-nos mais dependente d’Ele .

Quarto amando e crendo em Cristo, mesmo sem vê-lo (v.8).Pedro declara: “A quem, não havendo visto, amais...”. A fé cristã é marcada pelo amor, pela confiança e pela alegria em Cristo. O cristão vive pela fé no Filho de Deus. Mesmo sem contemplar, ele o ama, confia em sua Palavra e permanece firme, porque sabe em quem tem crido. É assim que a esperança se mantém viva em meio às provações: olhando não para o que é visível, mas para Cristo, que é fiel e permanece para sempre.

Assim, viver esperança em meio às provações é levantar os olhos acima da dor e fixá-los em Cristo. É chorar, sem perder a fé. É sofrer, sem abandonar a confiança. É atravessar o fogo, sabendo que Deus continua presente. A esperança cristã não nega a existência da luta, mas afirma com convicção que, em Cristo, a vitória final já está garantida.

                                                                I

O apóstolo Pedro inicia sua carta não com um lamento pelas perseguições que a igreja sofria, mas com uma exclamação de louvor: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!" (v.3a). O termo bendito no grego significa “louvado”, “digno de louvor”. É uma palavra usada para expressar adoração e exaltação a Deus. Pedro antes de falar das provações, ele ergue um cântico de louvor. Ele expressa uma profunda atitude de adoração, reverência e reconhecimento da grandeza de Deus. Nesse sentido, Pedro  não coloca o problema no centro da sua vida, mas na confiança no Senhor. É como se ele estivesse dizendo: antes de considerarmos tudo o que estamos enfrentando, precisamos nos lembrar de quem Deus é. O mais interessante é que Pedro escreve essas palavras em um contexto de sofrimento. Os cristãos aos quais ele se dirige estavam passando por lutas, perseguições e provações.  Isso nos mostra que os cristãos deveriam primeiro olhar para Deus, antes de olhar para a dor,que acima de todas as circunstâncias, Deus continua sendo digno de louvor.

Há ainda um detalhe profundamente importante na expressão usada por Pedro: “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. Ao escrever dessa maneira, ele deixa claro que esse louvor é totalmente cristocêntrico. Ele não está falando de Deus de forma vaga, genérica ou distante, como se estivesse se referindo apenas a uma ideia religiosa abstrata. Ele fala do Deus que se revelou de modo pleno e definitivo em Jesus Cristo. Isso significa que o louvor cristão tem um centro, e esse centro é Cristo.Ele destaca ainda a relação única, perfeita e eterna entre o Pai e o Filho. Mostra que Jesus não é apenas um mensageiro entre tantos outros, nem um mestre moral, nem apenas um exemplo de espiritualidade. Ele é o Filho, e o Pai é conhecido precisamente nessa relação. O Deus que Pedro bendiz é o Deus revelado em Cristo, o Pai do Senhor Jesus. Portanto, não há como falar da salvação cristã sem passar pela pessoa de Jesus. Toda a revelação salvadora de Deus converge para Ele.

Pedro quer mostrar que a nossa esperança não está fundamentada em sentimentos humanos, em tradições religiosas ou em esforços pessoais, mas em uma obra realizada por Deus por meio de Cristo. Deus é bendito, porque, em Jesus, Ele se aproximou do pecador. Em Jesus, Deus não permaneceu distante, silencioso ou inacessível. Pelo contrário, Ele entrou na história, revelou seu caráter, manifestou sua graça e realizou a redenção. O Deus que salva é o Pai revelado no Filho. Por isso, o louvor cristão sempre está inseparavelmente ligado à obra de Cristo. Não se trata de um elogio genérico a uma divindade superior, mas de uma exaltação ao Deus que enviou seu Filho ao mundo, que o entregou por nossos pecados e que o ressuscitou dentre os mortos para nossa justificação e esperança.

Pedro continua mostrando que foi Deus, “segundo a sua grande misericórdia, quem nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” (v.3b). Ele apresenta quatro aspectos nessa declaração: em primeiro lugar, ele afirma que tudo acontece “segundo a sua grande misericórdia”. Isso significa que a salvação nasce do próprio Deus, e não no mérito do homem. Não fomos alcançados, porque éramos dignos, fortes ou justos, mas porque Deus, em sua infinita compaixão, decidiu agir em nosso favor. A misericórdia divina é a fonte da nossa redenção. Pedro quer deixar claro que o novo nascimento não é fruto do esforço humano, mas da graça abundante do Senhor.

Segundo, a expressão “Ele nos regenerou” revela uma das verdades mais profundas da salvação cristã. O texto grego  ἀναγεννήσας ἡμᾶ, deixa evidente que a expressão pode ser traduzida como “tendo-nos gerado de novo” ou “havendo-nos feito nascer novamente”. Isto significa que  o verbo usado por Pedro carrega a ideia de um novo nascimento, de uma nova vida concedida por Deus. Não se trata apenas de uma mudança exterior, de comportamento ou de religião, mas de uma transformação interior e espiritual, operada pelo próprio Senhor. Pedro não diz que o homem se renovou, se refez ou se levantou por si mesmo. Ele declara que Deus nos regenerou. Isso significa que a iniciativa da salvação não parte do pecador, mas da graça de Deus. Foi o Senhor quem agiu, quem trouxe vida, quem fez nascer de novo aquele que estava morto em seus pecados.  Quando Deus regenera, Ele muda a condição espiritual do homem, concedendo-lhe uma nova natureza, uma nova disposição interior e uma nova relação com Ele. Essa é a base da esperança cristã: fomos regenerados pela misericórdia de Deus, e agora vivemos como novas criaturas, sustentados pela certeza de que a obra que começou em nós foi realizada pelo próprio Senhor.

Terceiro, Pedro acrescenta que fomos regenerados "para uma viva esperança". Ao destacar o propósito dessa nova vida, o apóstolo enfatiza que o novo nascimento não nos conduz ao desespero; ao contrário, a regeneração nos introduz em uma esperança viva, sólida e perseverante.Trata-se de uma esperança real, constante e sustentadora, comparada com  as esperanças humanas que , muitas vezes, morrem diante das frustrações. A esperança permanece inabalável mesmo em meio às lágrimas, perdas e provações. Para o cristão, essa esperança é uma certeza fundamentada na Palavra de Deus; é a convicção de que as promessas do Senhor se cumprirão plenamente.Ele  pode até chorar e sofrer dias difíceis, mas jamais vive sem perspectiva. É essa esperança que o fortalece  e dá coragem a prosseguir a caminhada, mesmo quando tudo ao redor parece contrário.

Essa viva esperança também aponta para o futuro glorioso preparado por Deus. O cristão foi regenerado para viver olhando adiante, com os olhos da fé voltados para a herança eterna, para a consumação da salvação e para a plena comunhão com Cristo. Assim, a esperança cristã não se limita a esta vida, nem se esgota nas conquistas terrenas. Ela ultrapassa o tempo presente e se firma na certeza de que o melhor de Deus ainda está por vir. É por isso que, mesmo em um mundo marcado pela dor, o cristão continua caminhando com confiança: porque sabe que sua história não termina na provação, mas na vitória final em Cristo.

Quarto, Pedro explica o fundamento dessa esperança ao dizer: “mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. Com essas palavras, o apóstolo mostra que a esperança cristã não está baseada em sentimentos, pensamentos positivos ou expectativas humanas, mas em um fato histórico e redentor: Jesus Cristo ressuscitou. A ressurreição de Jesus é o alicerce dessa esperança, porque ela confirma plenamente a vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e o diabo. Se Cristo tivesse permanecido no túmulo, não haveria esperança verdadeira, nem salvação consumada. Mas, ao ressuscitar dentre os mortos, Ele declarou que sua obra foi aceita pelo Pai, que o poder da morte foi vencido e que uma nova realidade foi inaugurada para todos os que nele creem.

Isso significa que esperança cristã não está ligada a um líder do passado, a uma lembrança religiosa ou a uma doutrina vazia, mas a um Salvador ressurreto, presente e glorificado. A ressurreição de Cristo não apenas garante o perdão dos pecados, mas também assegura a vida eterna, a futura ressurreição dos santos e a certeza de que nenhuma promessa de Deus falhará.Além disso, a ressurreição de Jesus fortalece o cristão no presente. Em meio às lutas, tribulações e incertezas da vida, o servo de Deus pode permanecer firme ,porque sabe que seu Redentor vive. Pedro, portanto, quer que  os cristãos entendam que a viva esperança está firmemente ancorada na ressurreição de Jesus Cristo. Esse é o fundamento inabalável da confiança cristã. O cristão pode enfrentar a dor, o sofrimento e até a própria morte sem ser vencido pelo desespero, porque sabe que Cristo ressuscitou. E, se Cristo ressuscitou, então a esperança do povo de Deus jamais será frustrada.

                                                               II

O apóstolo mostra que a esperança cristã está firmada na certeza de que os filhos de Deus são sustentados pelo próprio Senhor até o fim. Ele afirma que somos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo”. (v.5). É aqui que Pedro nos fala de uma das promessas mais reconfortantes das Escrituras. A palavra grega que Pedro utiliza para "guardados" (φρουρέω) é um termo militar. Ela descreve uma sentinela ou uma guarnição de soldados que monta guarda em volta de uma cidade para que nenhum inimigo a invada. Quando Pedro afirma que os cristãos são “guardados pelo poder de Deus”, ele ensina uma verdade profundamente consoladora. É como se Deus estivesse cercando os seus, mantendo-os seguros em meio às lutas, tentações, perseguições e tribulações desta vida. Isso não significa ausência de sofrimento, mas certeza de preservação espiritual. O cristão pode ser ferido pelas circunstâncias, mas jamais será abandonado por Deus.

No entanto,  somos guardados pelo poder de Deus "mediante a fé". Isto significa que  a segurança do cristão não está em sua própria força, capacidade ou mérito, mas no poder de Deus. É o Senhor quem sustenta, protege e preserva os Seus filhos ao longo da caminhada cristã. Entretanto, essa preservação divina não acontece de maneira desconectada, mas somos guardados mediante uma confiança contínua em Deus. A fé é o instrumento pelo qual nos apegamos ao Senhor, descansamos em Suas promessas e perseveramos, mesmo em meio às lutas. Assim, Deus é a fonte da nossa segurança, e a fé é o meio pelo qual permanecemos firmes nessa segurança. Isso nos ensina que a vida cristã não é sustentada pela autoconfiança, mas por uma dependência constante do poder de Deus. Isso nos capacita a perseverar mediante a fé até a vinda de Jesus.

Essa segurança tem um propósito: ela nos conduz para a "salvação preparada para revelar-se no último tempo". Quando Pedro fala de uma “salvação preparada”, ele destaca que ela não é algo improvisado, nem incerto. Deus já a determinou, garantiu e reservou para o seu povo. A preposição εἰς (para) indica direção, finalidade ou objetivo. Pedro mostra que a guarda de Deus conduz o cristão a uma direção certo: a salvação. A palavra σωτηρίαν (salvação) aqui não aponta apenas para a conversão inicial, mas para a salvação em seu sentido pleno e final, incluindo a consumação da redenção. O adjetivo acusativo feminino singular ἑτοίμην — “preparada”, “pronta”, concorda com σωτηρίαν. Trata-se de uma salvação completa, perfeita e definitiva, que está pronta nos céus e será manifestada no tempo estabelecido pelo próprio Deus. Nada pode impedir seu cumprimento, porque ela foi planejada pela soberania divina e assegurada pela obra consumada de Cristo. Há aqui forte sentido de segurança e certeza escatológica.

Esta salvação está pronta “para ser revelada no último tempo.”O apóstolo usa a conjugação verbal ( ἀποκαλυφθῆναι)  no infinitivo aoristo passivo de ἀποκαλύπτω que significa “para ser revelada”. Esta revelação mostra que a salvação será trazida à plena manifestação por ação divina. A ideia não é que a salvação ainda não exista, mas que ainda não foi manifestada em sua plenitude visível. Ela será revelada no ἐν καιρῷ ἐσχάτῳ — “no último tempo”. O tempo não aqui é καιρός que fala de tempo oportuno, tempo determinado, ocasião estabelecida, tempo decisivo no plano de Deus.O “último tempo” aponta para o tempo escatológico, o momento determinado por Deus para a consumação da salvação, especialmente ligado à revelação de Cristo e à glorificação final dos cristãos.

Pedro ensina que a salvação já nos pertence agora, por meio da fé. O cristão já foi regenerado, está sendo guardado e, ainda assim, aguarda a revelação completa daquilo que Deus lhe preparou. Em outras palavras, a salvação possui caráter escatológico: já é uma realidade garantida, mas ainda não consumada. Ela é como um tesouro que já nos pertence legitimamente, mas que só será aberto e manifestado publicamente no retorno de Cristo.Isso significa que vivemos entre o “já” e o “ainda não”. Enquanto caminhamos neste mundo, cercados por fraquezas e aflições, Deus nos guarda com o seu poder para que alcancemos o destino final que Ele mesmo preparou.Segundo, Lutero, o cristão permanece firme não porque possua força própria, mas porque é sustentado por um poder onipotente e soberano. Desse modo, ele vive pela fé, apoiado nas promessas de Deus, enquanto aguarda o dia glorioso em que aquilo que agora crê será plenamente contemplado.

Ao mesmo tempo em que os cristãos demonstram uma alegria exuberante, quase um "saltar de prazer" sobre a salvação recebida, eles também passam por tristezas e provações neste mundo. Pedro não ignora essas lutas que os seus leitores estavam enfrentando: "Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser contristados por várias provações" (v. 6).A expressão “nisso vocês exultam” aponta para a alegria produzida pelas verdades anunciadas nos versículos anteriores: a viva esperança, a herança incorruptível e a salvação guardada por Deus. A alegria do cristão, portanto, não está nas circunstâncias passageiras, mas na certeza da obra salvadora de Deus.

Pedro também  lembra que o sofrimento dos cristãos é real, mas também limitado. Ele não dura para sempre: “ainda que agora, por um pouco de tempo”. Isto significa  que  as provações têm prazo determinado dentro da soberania divina; são intensas e, às vezes, dolorosas, mas breves quando comparadas à glória eterna que está reservada ao povo de Deus. Com isso, o apóstolo encoraja os irmãos a olharem além do presente e a interpretarem a dor à luz da eternidade. Também é importante observar a expressão “devam ser contristados”. Ela mostra que as aflições não acontecem fora do controle de Deus. Elas não surgem por acaso à sua vontade. Ela possui um propósito dentro do plano divino. Deus usa até mesmo os momentos de tristeza para aperfeiçoar a fé dos seus filhos.

Por fim, Pedro fala de “várias provações”, indicando que os sofrimentos do cristão podem assumir muitas formas: perseguições, lutas interiores, perdas, enfermidades, tentações e angústias diversas. A vida cristã não está isenta dessas experiências. Contudo, em meio a todas elas, o cristão pode exultar, não porque ignore a dor, mas porque sabe que sua alegria está alicerçada em algo maior do que o sofrimento presente. Assim, Pedro ensina que a tristeza pode coexistir com a esperança, e que as lágrimas do agora não anulam a alegria da salvação, antes a tornam ainda mais preciosa.

                                                                 III

 Pedro mostra que as provações não são inúteis nem acidentais. Elas possuem um propósito espiritual: revelar a autenticidade da fé. Ele afirma: para que uma vez confirmado o valor da vossa fé,muito mais do que o ouro perecível,mesmo apurado por fogo,redunde em louvor,glória e honra na revelação de Jesus Cristo.” (v.7).   O apóstolo faz uma comparação entre a fé e o ouro. O ouro, embora seja um metal valioso entre os homens, é perecível. Com o tempo, ele pode desaparecer, perder sua utilidade ou ser consumido. Assim como o ouro é colocado no fogo para que sua pureza seja demonstrada, também a fé do cristão é provada em meio às lutas, aflições e perseguições. Ela é muito mais preciosa, porque está ligada às realidades eternas. E por meio das provações, essa fé se manifesta como verdadeira, firme e preciosa.Se os homens se esforçam para provar e purificar o ouro pelo fogo, quanto mais Deus usa as provações para purificar a fé dos seus filhos.

Pedro também ensina que o resultado dessa fé provada será “louvor, glória e honra” na revelação de Jesus Cristo. Isso aponta para o dia final, quando Cristo se manifestará em sua majestade. Naquele dia, a fé que foi sustentada em meio às lutas será publicamente reconhecida.O que hoje é invisível, combatido e até desprezado pelo mundo será então reconhecido diante de todos. O cristão que perseverou pela graça receberá de Deus aprovação e honra.É um grande consolo,pois muitas vezes o cristão se pergunta por que passa por tantas lutas. Pedro responde mostrando que o fogo da provação não é sinal de abandono, mas instrumento de purificação. Deus não ignora  o sofrimento dos seus filhos. Ele usa as tribulações para consolidar  a fé, fortalecer a esperança e preparar o crente para o encontro final com Cristo.

                                                               IV

Chegamos  ao ápice da caminhada cristã apresentada por Pedro. Depois de abordar a herança, a segurança e as provações, ele nos leva ao centro do nosso relacionamento com o Salvador. Suas palavras vão além da lógica humana: “Mesmo sem tê-lo visto, vocês o amam; e ainda que não o vejam agora, creem nele e se alegram com uma alegria inexprimível e cheia de glória” (v.8).

Pedro, havia visto Jesus pessoalmente.Ele mesmo conviveu com Jesus — caminhou ao seu lado, partilhou refeições e contemplou Suas feridas. Agora, ele escreve  essas palavras para  cristãos que não conviveram com Jesus durante seu ministério terreno. Eles não viram o Senhor, como os apóstolos viram, mas ainda assim eles amavam o Senhor: “Mesmo sem tê-lo visto, vocês o amam”.Isso revela que a fé genuína não se baseia no que os olhos veem, mas pela revelação da Palavra e pela atuação viva do  Espírito Santo em nós. Mostra que o verdadeiro cristão, mesmo sem ver Cristo fisicamente, o ama, crê n’Ele e se alegra profundamente .Quando Pedro diz: “e ainda que não o vejam agora, creem nele”, ele destaca que a vida cristã é sustentada pela fé. O cristão continua sua caminhada não porque contempla todas as respostas, mas porque confia naquele que é fiel. Mesmo invisível aos olhos humanos, Cristo é presente real para aquele que crê.Assim, o amor deles (dos cristãos) por Cristo não era superficial, mas verdadeiro, intenso e cheio de vida.

Como resultado dessa fé, Pedro afirma:  “se alegram com uma alegria inexprimível e cheia de glória.” Pedro demonstra um imensa alegria que ele chama de "inefável" ou "inexprimível".É uma alegria que as palavras humanas não conseguem conter ou descrever plenamente. Ela não é baseada nas circunstâncias, mas na esperança viva, na herança eterna e na certeza de que pertencemos ao Senhor. É uma alegria "cheia de glória".  É a alegria de saber que, embora o mundo nos despreze, somos amados pelo Rei Jesus.

O texto termina dizendo que o resultado dessa fé é “a salvação da vossa alma”.(v.9). Quando Pedro fala essas palavras, ele está destacando a consumação da obra salvadora. Trata-se da redenção final, completa e eterna do povo de Deus. Essa salvação já foi iniciada no novo nascimento, está sendo experimentada no presente, mas será plenamente revelada no último dia.Assim, Pedro ensina que a fé verdadeira sempre caminha para a salvação final. não terminará em frustração, mas em plena salvação. Aqueles que amam, creem e perseveram em Cristo receberão, ao final, a consumação daquilo que Deus prometeu. Essa é a esperança que sustenta o crente em toda a sua jornada. Ele pode enfrentar aflições, perseguições e lutas, mas sua fé não é inútil, nem vazia. Ela está ligada a uma promessa segura.

Estimados irmãos! A mensagem de Pedro nos conduz a uma certeza firme: a vida cristã não é isenta de dor, mas é sustentada por uma esperança que jamais se apaga. Podemos passar por lágrimas, provações e incertezas, mas nada disso é capaz de anular aquilo que Deus já garantiu em Cristo. Nossa fé é provada, mas não destruída; nossa alegria pode ser momentaneamente ofuscada, mas não é perdida; e nossa esperança permanece viva, porque está fundamentada na ressurreição de Jesus.

Diante disso, somos chamados a viver de forma diferente. Primeiro, com um coração grato, reconhecendo diariamente as bênçãos de Deus — tanto as presentes quanto as futuras. Segundo, permanecendo firmes nas dificuldades, sem perder o nosso rumo, lembrando que Deus é a nossa direção segura em meio às tempestades da vida. E, por fim, vivendo com alegria, pois sabemos que nosso futuro está seguro nas mãos do Senhor.

Portanto, permaneçam firmes. Não se deixem abalar pelas circunstâncias. Lembrem-se de tudo o que Deus já fez e continuem confiando no que Ele ainda fará. O Deus que nos chamou, nos regenerou e nos salvou é fiel para nos sustentar até o fim. E, um dia, aquilo em que hoje cremos sem ver se tornará realidade diante dos nossos olhos: veremos o Senhor face a face. Que essa esperança fortaleça o nosso coração, hoje e sempre. Amém!

 TEXTO: JO 20.19.31

TEMA: PAZ SEJA CONVOSCO!

Estas foram as palavras que Jesus disse aos discípulos, que ainda estavam vivendo na insegurança e no medo. Sentimentos que tomaram conta da vida dos discípulos naquele domingo de Páscoa. Eles tinham visto tudo o que os judeus fizeram contra Jesus: preso, açoitado, julgado e condenado à morte. Sentiam que Seu líder, agora, estava morto. Certamente, eram também procurados e seu destino não seria diferente. Temiam represálias, uma vez que o sinédrio tinha poder e influência para perseguir os seguidores de Jesus e, por isso, eles estavam com medo dos judeus. Sendo assim, trancaram as portas da casa onde estavam. Refugiaram-se da ira, do ódio e perseguição dos fariseus, escribas e doutores da lei. Tristes e angustiados choravam a morte de seu Mestre. Discutiam entre si sobre a sua fuga no Getsêmani, o seu fracasso e sobre a incerteza de sua vida futura, sem a presença do Redentor.

No entanto, aquele momento se transforma em alegria, tranquilidade e paz. De repente, Jesus põe-se no meio deles com uma saudação inesperada e, ao mesmo tempo, redentora: “Paz seja convosco!” (v.19). A saudação de Jesus é significativa. Não se trata de uma saudação simplesmente. A paz se relaciona com a ressurreição. Ela expressa a reconciliação universal de Jesus com o mundo através da vitória sobre morte e pecado. Trata-se, portanto, da paz plena que Jesus concede aos seus discípulos. O Príncipe da paz veio trazer alegria. Ele vencera a morte e o pecado. Agora, havia de fato paz para os discípulos. Não havia mais razão para temer e duvidar, pois Jesus ressuscitou.

Estimados irmãos! Desde os primórdios até os dias contemporâneos, o homem sempre se preocupou em obter a paz, nas suas diversas formas. Mas em que consiste esta paz? O que as pessoas pensam sobre a paz? O que elas precisam para ter paz, num mundo onde existem tantas discórdias e desunião? Ter uma boa saúde? Proteção e segurança? Ter tranquilidade, respeito à liberdade entre os povos? Pensamos, muitas vezes, que estes são os requisitos para que realmente tenhamos paz. Na verdade, a paz que o mundo oferece, ela é falsa, enganosa, política. Ela é resultado de contratos, alianças e acordos de cessar-fogo, mas que nem sempre se consegue a paz. Sendo assim, conclui-se que as pessoas têm um falso conceito sobre a paz.

Precisamos compreender que a paz de Jesus é algo diferente da paz do mundo. Jesus Cristo nos concede uma paz interior que supera a paz que o mundo oferece, como ele próprio afirmou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá”, (Jo. 14.27). Aos discípulos, Ele disse: “Paz seja convosco!” Mas de que paz Jesus estava falando aos discípulos? Quando se coloca no meio deles com uma saudação inesperada e, ao mesmo tempo, redentora? Ora, aquela saudação, “Paz seja convosco!”, tem um significado profundo. A saudação de Jesus é significativa. Não se trata de um desejo ou saudação simplesmente. Em Cristo, porém, a paz adquire dimensões mais sublimes. O que Jesus conquistou na cruz para nós, vai muito além daquilo que o mundo poderia nos oferecer. Ele nos trouxe a paz de Deus, perdão dos pecados e vida eterna. Trata-se, portanto, da paz plena que Jesus concede aos seus discípulos. O Príncipe da paz veio trazer alegria. Ele vencera a morte e o pecado. É essa a paz que o mundo não pode dar!

O apóstolo Paulo também responde em que consiste esta paz: “Justificados, pois mediante a fé temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 5.1). A justificação é a forma que Deus usa por meio de Cristo para nos tornar livres da condenação que antes permanecia sobre nós. Ela ocorre por meio da fé na morte de Cristo em nosso lugar, pois não há outro caminho. O homem não é capaz de sozinho se reconciliar com Deus porque todos pecaram. E ninguém pode ser considerado justo por suas próprias obras perante Deus. Não há qualquer mérito ou justiça própria que o credencie a desfrutar da comunhão com nosso Criador. Dessa forma, a paz com Deus só pode ser restabelecida através da obra expiatória de Cristo na cruz. Foi o sacrifício de Cristo que trouxe a reconciliação com Deus. Na verdade, não conseguiríamos nunca chegar em paz diante de Deus sem esta obra tremenda do Senhor para nossa vida. Agora, justificados, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é paz que o mundo necessita. Esta paz só pode ser encontrada em Jesus, o Príncipe da paz. E Jesus tem o imenso prazer de dar a sua paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração” (Jo 14.27).

Não havia mais dúvidas sobre a ressurreição para os discípulos. Jesus mostra as provas para que não houvesse nenhuma dúvida: “E, dizendo isto, lhes mostrou as mãos e o lado.” (v.20a). Ele mostra-lhes as marcas mais profundas da sua paixão: mãos e pés perfurados pelos pregos e o lado perfurado pela lança. Mostra-lhes as marcas da injustiça, as marcas da dor, as marcas do flagelo com que passou nos seus últimos dias. Ao contemplarem os sinais da identidade do Cristo crucificado, a alegria estava de volta e o medo desaparece na vida daqueles discípulos: “Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor.” (v.20b). Resgataram a confiança de que poderiam enfrentar qualquer desafio e ser vencedores. Abraços e conversas tomam conta daquilo que até, então, era silêncio, medo e perplexidade. A partir daquele momento, passaram a confiar que, mesmo diante de provas e sofrimentos, a presença de Cristo produz paz, segurança e esperança. Agora, havia paz.

Semelhante aos discípulos nossa tendência é nos fechar, trancar nossas portas e tentar nos proteger. Mas o Senhor se aproxima e nos ajuda a enfrentar o medo, provações, problemas que nos causam preocupações. Ele diz: “Paz seja convosco!” São palavras consoladoras e cheias de esperança que todos precisamos. Hoje, encontramos tantas pessoas precisando de paz neste mundo. São pessoas com almas estressadas, sorrisos ausentes, angústia, medo e remorso. São famílias em conflito, solidão, tristeza, angústia precisando da verdadeira paz. O que fazer quando não há paz? Quando a paz aparece estar tão distante? Em Jesus, encontramos todas as respostas para os intermináveis e infinitos questionamentos da alma conturbada, do espírito irrequieto, da consciência traumatizada e da memória torturante. Somente em Jesus é que temos a esperança viva, de que o nosso sofrimento será coroado de paz. A fé em Jesus é o único remédio para um coração turbado. Ela triunfa nas crises. Por isso, o nosso consolo é olhar para a cruz de Cristo, quando nos falta a paz.

Jesus diz ainda algo mais profundo aos seus discípulos. Seriam habilitados para continuar com o ministério que Jesus começou. Ele diz, “assim como o Pai me enviou para pregar, ser perseguido, sofrer, oferecer perdão aos homens, Eu também vos envio.” (v.21). Senhor ordena que eles sejam seus embaixadores, para estabelecer seu reino neste mundo. Essa realidade tornou-se viva na vida dos discípulos pela ação do Espírito, quando Jesus, “assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. (v.22).  Se a grandeza da manifestação do Cristo ressuscitado aos discípulos, ainda não fosse suficiente para encoraja-los, então, o sopro do Espírito Santo, a ação do Espírito, completaria o que faltava. Portanto, os discípulos foram capacitados e dirigidos pelo Espírito Santo para pregar as Boas Novas a respeito de Jesus.

Os discípulos ao receberem o Espírito Santo, também foram enviados para perdoar pecados e retê-los das pessoas: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos.” (v.23). Na verdade, Jesus ensinou aos Seus discípulos, que ao receberem a autoridade de perdoar ou de não perdoar os pecados, deveriam realizar no nome de Cristo. Esse entendimento é fortemente apoiado pela observação do que os apóstolos fizeram logo após a ascensão de Jesus: “Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2.38). Essa é exatamente a mensagem ordenada por Cristo, o poder de apresentar às pessoas o perdão de Deus disponível pelo sacrifício de Cristo. Observe que Pedro não o perdoou os pecados das pessoas, mas levou as pessoas a se arrependerem diante de Deus e crerem no sacrifício feito pelo Senhor Jesus para a remissão dos pecados.

No entanto, Tomé, um dos discípulos, esteve ausente quando Jesus se manifestou. Mais tarde, os outros discípulos lhe contaram o que havia visto, ao receber o testemunho unânime dos seus colegas: “Vimos o Senhor”. (v.25a). Ele não quis acreditar, se manteve céptico: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.” (v.25b). A reação de Tomé era compreensível. Ele afinal, vira o Salvador pendurado na cruz. Estava morto e não poderia sair de sua sepultura. Por isso, queria ver para crer. Ao que tudo indica, Tomé endureceu o seu coração. Fechou-se em sua incredulidade. Enquanto todos os discípulos estavam alegres com a comunhão de Cristo, Tomé estava imerso em tristeza por causa da sua falta de fé. A reação de Tomé mostra o ceticismo natural do ser humano diante da inédita vitória sobre a morte: queria sinais concretos do ressurreto.

Ele teve esta oportunidade, de um testemunho mais claro e eloquente, conforme era o seu desejo. Para Tomé era precisava sentir as mãos de Jesus, tocar aquelas marcas, para acreditar que Jesus estava vivo, do que apenas palavras dos discípulos. Ele entendia que todos viram e creram, mas ele precisava tocar. Era uma necessidade dele. Sendo assim, oito dias mais tarde, Jesus novamente, em condições semelhantes, apareceu aos discípulos. Jesus, que Tomé tanto amava, que estivera sempre ao seu lado, estava na sua frente. Naquele momento, Jesus chamou Tomé ao arrependimento e o convida para ver mais de perto os seus ferimentos como prova da sua ressurreição: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”. (v.27).

Contudo, a incredulidade de Tomé não é tão diferente dos demais discípulos. Eles também duvidaram diante do sepulcro vazio (Jo 20.3; Lc 24.12). Não creram nos testemunhos das mulheres (Lc 24.10-11). E o que é mais grave ainda, não acreditaram nem mesmo quando O viram pessoalmente: pensaram que era o Seu espírito (Lc 24.41). Como é difícil entender a situação que viveram os discípulos. Eles andaram com Jesus. Contemplaram seus milagres e sinais, e ainda assim duvidaram. Agora, imaginem aqueles que nunca O viram! Na verdade, esta é a reação do ser humano diante das Escrituras. Como é difícil aceitar as Escrituras, assim, como ela se apresenta. Já no passado, como no presente, o homem sempre colou dúvida em torno da Palavra de Deus. As diversas teorias sobre a ressurreição nos causam tristezas. Mas por que duvidar de algo maravilhoso que Deus realizou? Por que duvidar da ressurreição?

Tomé estava perplexo. Agora, ele perde completamente sua postura arrogante. Deixa de lado o orgulho e a descrença. E não se limita a ter uma nova opinião sobre a ressurreição de Jesus. Sendo assim, ele reage. Toma uma decisão. Faz uma humilde confissão, uma das maiores declarações de fé. A sua resposta a Jesus, não foi uma exclamação, mas uma afirmaçãoSenhor meu e Deus meu!” (v.28). Jesus tinha sido o Mestre para Tomé o tempo todo, mas agora, acreditando em sua ressurreição, ele clama cheio de emoção, “Senhor meu e Deus meu!”, entendendo que Deus estava em Cristo. Portanto, aceita Jesus como quem ressuscitou, sendo ele “o Senhor” e “Deus”. Que confissão maravilhosa! Ele não vê somente o homem Jesus, que estava com os apóstolos e comia com eles, mas o seu Senhor e seu Deus. Ele se arrepende e entrega-se incondicionalmente a Jesus aceitando-o e tendo a oportunidade de sentir, ouvir e enxergar Jesus, o Salvador

Depois que Tomé fez a profissão de fé, Jesus anuncia um princípio fundamental para os todos os cristãos: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. (v.29). De fato, não vimos Cristo com nossos olhos, não contemplamos os poderosos feitos que ele realizou sobre a terra, tampouco enxergamos os sinais dos cravos ou as marcas da lança, e ainda assim nós cremos que Jesus ressurgiu dentre os mortos e nos garantiu vida eterna. Então, podemos dizer: somos felizes porque cremos que Jesus ressuscitou dentre os mortos, sem ver Jesus como os discípulos o viram.

Ao finalizar o texto, João identificou o motivo deste relato. Ele conclui: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (vv. 30,31). De fato, Cristo fez muitos “sinais” diante dos discípulos que não foram escritos neste livro. No entanto, aqueles  “sinais” que foram escritos, servem para que “Jesus, o Cristo, Filho de Deus” seja reconhecido e associado à esperança messiânica judaica. O objetivo do evangelho, portanto, não é escrever um “diário da vida de Jesus”, mas servir “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (v. 31). Todos os sinais neste evangelho apontam para Jesus como sendo o Cristo e o Filho de Deus, que veio dar vida a todos aqueles que creem. Nós, que cremos, somos encorajados a ler e reler o Evangelho de João para continuarmos na nossa fé.

Estimados irmãos! Abandonem a dúvida. Não há razão para a incerteza quanto à ressurreição de Jesus. As Escrituras mostram claramente. O próprio Jesus transmite a mensagem pascoal: Paz seja convosco! Mensagem que alegra os discípulos e a todos nós; que leva o incrédulo Tomé à fé verdadeira. Que o Senhor nos abençoe! Amém

 TEXTO: SL 148

TEMA: TODO UNIVERSO É CONVIDADO PARA LOUVAR AO SENHOR

O autor deste salmo é desconhecido. Trata-se de um cântico, um convite a todas as partes do universo para louvar ao Senhor. Louvar ao Senhor significa admirar, falar bem, elogiar, engrandecer. O salmista deixou bem claro o  que foi criado por Deus, devemos louvá-lo. Louvar quando admiramos os atributos do Seu caráter, isto é, fidelidade, bondade, amor, longanimidade, retidão, justiça, misericórdia.Louvar quando agradecemos a Deus pelas suas muitas dádivas, e quando reconhecemos as maravilhosas virtudes do Senhor.  E qualquer um pode fazer isto. Ninguém deveria ficar de fora. Ninguém deveria ser resistente ao convite para louvar ao verdadeiro Deus, pois este é um Salmo que celebra o louvor ao Criador de todo o universo.

No entanto, em meio a tanta angústia, fome, desemprego, insegurança, doenças, calamidades, perseguições, que essa vida nos proporciona, ainda, sim, somos convidados a louvar ao Senhor, pois temos muitos motivos. Motivos para nos dobrarmos diante de Deus, a fim de adorá-lo por sua graça salvadora em Cristo Jesus. Motivos para louvar ao Senhor com gratidão, reconhecendo que Deus é o Senhor de tudo. Motivos para louvar com muita alegria, com ações de graças ao Senhor. Ele merece o nosso louvor com hinos e cânticos espirituais, diante das grandezas das Suas obras, todas feitas para nós, com amor, sabedoria e perfeição. Sendo assim, somos convidados a louvar ao Senhor. E você, tem louvado a Deus por tudo o quanto tem recebido?

Estimados irmãos! Todo o universo é convidado para louvar ao Senhor. Primeiramente, o louvor começa nos céus com os anjos. Aqueles que habitam e ministram junto com o Senhor, e que estão nas regiões celestes, de todos os níveis e ordens para louvar ao Senhor. Eles foram criados para esse fim. Eles precisam dar-lhe a devida honra ao Senhor em todo o tempo. (v.2). Eles adoram a Deus com os mais altos louvores,  olham  e veem Nele o mais puro motivo para adorá-lo.

 Dentro do conceito de louvar ao Senhor desde os céus, também, aqueles que estão acima da superfície terrestre, devem louvar ao Senhor: o sol, a lua, as estrelas. (v.3); os céus dos céus e as águas que estão acima do firmamento”. (v.4). O motivo pelo qual o Senhor deve ser louvado desde os céus se encontra nos versículos 5 e 6: qualificar a criação do Senhor,ou seja, considerar ,crer, aprovar.Sendo assim, o salmista afirma que todos devem louvar esta obra da magnificência da criação. Não  somente no ato da sua formação, mas na manutenção da sua existência.Ele apresenta quatro motivos pelos quais o Senhor mantém a Sua criação: Primeiro, “louvem ao nome do Senhor”, isto é, deixe-os louvar ao próprio Senhor. Segundo, “mandou ele, e foram criados”. Ele mostrou seu grande poder meramente falando, e eles surgiram imediatamente. Terceiro, “e os firmou para todo o sempre.” Ele os fez firmes, estáveis, duradouros, eterno. Quarto, “fixou-lhes uma ordem que não passará”. São regulados e mantidos dentro de seus limites por suas leis.

Se a primeira parte exigiu louvor a Deus nos céus, a segunda exige que o louvor seja promovido também na terra. Então, Deus também conclama a natureza para louvá-lo. O salmista começa com as profundezas da terra e se refere a todas as formas de vida, animadas e inanimadas. Como, por exemplo, monstro marinhos e abismos (v.7); fogo e saraiva, neve e vapor e ventos procelosos (v.8); montes e todos os outeiros, árvores frutíferas e todos os cedros (v.9); feras e gados, répteis e voláteis (v.10). É evidente que esses seres não podem exercer uma ação pessoal como de louvar ao Senhor. Não falam palavras e não tomam decisões. Embora não falem, suas palavras vão até os confins da terra e, silenciosamente, cantam louvores a Deus, ao expressarem quão glorioso é Deus, revelando quem Ele é por meio da criação (Sl 19.1-4). Glorificam a Deus ao demonstrar seu poder e seus atributos (Salmo 19.1-6; Romanos 1.20). A natureza demonstra o poder de Deus.

Ele também convida todos da esfera dos seres humanos para louvar ao Senhor: os reis, os governantes, as autoridades e todo o povo; rapazes e moças, velhos e crianças são chamados para louvar ao Senhor. (vv.11,12). Interessante que o homem sempre está acostumado a receber honra em vez de concedê-la. Está acostumado erguer troféus pelos seus feitos e pelas suas habilidades. Sempre exaltou, enalteceu e orgulhou-se das suas qualidades, de seus feitos e de suas características, mas, agora, é convidado para louvar ao Senhor. E a razão é descrito pelo salmista: Ele deve louvar o nome do Senhor, porque somente o seu nome é excelso, ou seja, é sublime, eminente, elevado, e porque a sua majestade está acima da terra e do céu. (v.13).

O salmista afirma que o Senhor vem, sobretudo, ao encontro de seu povo e lhe oferece ajuda. Um povo que foi humilhado, perdeu sua herança e passou a morar longe de sua Pátria e do Templo. Mas assim que o povo se arrependeu, Deus lhe concedeu a oportunidade para voltar à Jerusalém e iniciar uma nova vida de louvor e adoração ao Senhor. Agora, o Senhor estava próximo das suas criaturas e vem, sobretudo, para ajudá-las. Por isso, há um motivo peculiar para louvar ao Senhor, porque Ele "exalta”, isto é, proporciona-lhes a honra e o poder. Sua força lhe permite conferir benefícios ao seu povo.

Hoje, neste mundo materialista, consumista são poucos aqueles que atendem consciente e voluntariamente ao convite para louvar ao Senhor. Boa parte resiste ao convite por viver em plena rebeldia contra o Senhor, ou estão ocupados com outros afazeres. A verdade é que ocupamos o nosso tempo muito mais com outras coisas, do que com o louvor e a gratidão ao nosso Deus. Normalmente, olhamos para os nossos feitos e para as dificuldades da vida que enfrentamos diariamente: angústia, fome, desemprego, insegurança, doenças, calamidades, perseguições que essa vida nos proporciona. E ,assim , nos esquecemos de agradecer e louvar a Deus.

A verdade é que em meio a todas as nossas dificuldades, somos convidados a louvar ao Senhor, pois temos muitos motivos. Há muitas coisas maravilhosas que Deus criou e que podemos agradecer e louvar ao Senhor.Louvar por causa do seu esplendor, glória, majestade, a sua criação; por todos os seus atos de livramento em nossa vida, e o cuidado para conosco, dia após dia, tanto material como espiritual.Tudo isto, já é uma grandiosa razão para louvarmos e bendizermos o seu nome.Ele merece o nosso louvor com hinos e cânticos espirituais, diante das grandezas das Suas obras, todas feitas para nós, com amor, sabedoria e perfeição.

No entanto, a salvação é a maior obra e o motivo de agradecermos e louvarmos ao Senhor. Ele pagou pelos nossos pecados, para nos reconduzir a Deus. A partir daquele momento a nossa dívida estava paga, os nossos pecados foram perdoados, dando a nós a vida eterna. Agora, há perdão para os pecados, há reconciliação entre o homem e Deus, há uma realidade de vida eterna.  Agora, estamos livres das trevas e de todos os horrores que as trevas engendram,  livres de toda malignidade e de todos os dardos inflamados do diabo. Por isso, a morte de Jesus na cruz é a maior demonstração do  nosso louvor a Deus por nós e a redenção da humanidade (João 3.16). Jesus morreu na cruz, mas não permaneceu morto. Ele ressuscitou. Ele venceu e nós também a venceremos, e nos encontraremos com Cristo na vida eterna. Somos "mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Romanos 8.37). Cristo é "as primícias dos que dormem" (1 Coríntios 15.20),

Portanto,  somos convidados a louvar ao Senhor! Louvar com alegria e gratidão, reconhecendo que Deus é o Senhor de tudo. Louvar com ações de graças ao Senhor. Ele merece o nosso louvor com hinos e cânticos espirituais, hoje, amanhã e eternamente.E você tem, louvado a Deus por tudo o quanto tem recebido?  Amém