sexta-feira, 8 de maio de 2026

TEXTO: LC 24.44-53

TEMA: POR QUE JESUS SUBIU AO CÉU?

A Igreja Cristã comemora a Ascensão de Jesus. Uma data que está caindo cada vez mais no esquecimento. São poucas as congregações cristãs que celebram cultos neste dia. E, o que é grave, são poucos os cristãos que se lembram desta data, e que sabem o seu significado. A palavra ascensão significa escalada, subida, elevação. Para os cristãos essa palavra tem um significado muito mais profundo, principalmente, quando se fala da Ascensão de Cristo. Ela lembra o momento de sua morte, a sua ressurreição e o cumprimento do plano da salvação, estabelecido por Deus. Lembra a Sua volta para o trono celeste. Ele foi recebido no céu, e assentou-se à destra de Deus. Lembra a Sua subida ao céu para preparar-nos o lugar na casa paterna. Os discípulos ouviram dos anjos essa promessa da volta de Jesus Cristo: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir" (At 1.11). Estes são os motivos da subida de Jesus ao céu!

Mas o que dizem as Escrituras sobre a subida de Jesus ao céu? Os textos canônicos dos Evangelhos não trazem uma mesma narrativa. No livro de Mateus há uma despedida, que acontece na Galileia, exatamente onde começou o ministério de Jesus. Nessa ocasião, Jesus se despede e envia os discípulos, referidos como Os Onze (Mt 28.16-20). O texto de Marcos é muito semelhante ao de Mateus, mas acrescenta ao final que “O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus. (Mc 16.14-20). No Evangelho de João, nem há referência a isso. O evangelho termina bruscamente, Jesus e seus discípulos comendo peixe assado.

O nosso texto, conforme o Evangelho de Lucas, também há uma semelhança com Mateus e Marcos, momento em que Jesus fala sobre a missão dos discípulos e depois os levou até Betânia, onde viram Jesus subindo aos céus. Mas antes deste grande acontecimento, da subida de Jesus aos céus, os discípulos, após a ressurreição, ficaram confusos, temerosos e tanto desorientados. Diante deste medo e angústia, Jesus os prepara para uma missão sublime. Ele faz isto ao citar as Escrituras como base de sua pregação. E é justamente nas Escrituras onde está registrado o plano de Deus para a salvação da humanidade, um plano com centralidade nos acontecimentos da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Estimados irmãos! Jesus reuniu seus discípulos. Era os últimos ensinamentos. Ele inicia à sua preleção, afirmando: “São estas as palavras” (v.44). É a maneira de Jesus dizer que todos estes acontecimentos, especialmente sua morte e ressurreição, são relatos que Ele ensinou aos seus discípulos, e que na verdade já haviam sido previstos por Moisés, os profetas e pelos salmistas. Após os seus ensinamentos, Jesus os convoca para serem testemunhas. Deveriam ser testemunhas destes fatos, em seu nome deveriam pregar o arrependimento para remissão dos pecados, para que a certeza do cumprimento das promessas e também a redenção da humanidade, possam ser conhecidas de todos.

Na pregação de sua palavra, Deus não deixaria os seus discípulos abandonados. Ele os capacita com o poder do Espírito que acompanharia esta pregação da salvação em Cristo “Eis que envio sobre vos a promessa de meu Pai” (v.49). De fato, esta promessa se cumpriu mais tarde, no dia de Pentecostes. Eis a razão porque Jesus disse que não se ausentassem de Jerusalém. Neste dia, os discípulos foram confortados pelo Espírito Santo, anunciaram arrependimento para remissão dos pecados.

Após esses ensinamentos com os seus discípulos, Jesus os levou para fora da cidade, através do monte das Oliveiras, para Betânia e lá se despediu deles. Enquanto suas mãos estavam estendidas em bênçãos, Ele lentamente subiu aos altos céus. Era o cumprimento de mais uma etapa no plano de Deus: “enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu” (v.51). Jesus subiu aos céus. Ele não foi para um lugar ignorado, mas “foi recebido no céu, e assentou-se à destra de Deus”. A sua subida era necessária, pois foi para preparar-nos lugar na casa do Pai Celeste. Este é o grande significado da Sua subida ao céu!

Os discípulos, depois de terem visto Jesus subir ao céu, retornaram a Jerusalém. “tomados de grande jubilo” (v.52), obedeceram a instrução do Senhor de que aguardassem a vinda do Espírito Santo. Não estavam mais tristes. Não mais se lamentavam, como antes. Agora, louvam a Deus, e com regozijo contavam às pessoas a maravilhosa história da ressurreição de Cristo e de sua ascensão ao céu. Não tinham mais qualquer desconfiança do futuro. Sabiam que Jesus estava no céu. Por isso, havia motivos para jubilar. Também jubilamos ao Senhor porque Ele nos libertou da terrível escravidão do pecado, da morte e de Satanás. Jubilamos porque, mesmo andando aqui na terra ainda sob a cruz e em humilhação, expostos aos sofrimentos, às injustiças e, muitas vezes, a cruéis perseguições, não tememos. Jubilamos porque ascensão diz respeito à verdade de que, agora, Cristo está coroado como o Rei dos reis. Ele deixou para trás toda humilhação, sofrimento e dor que experimentou nesta terra, para estar junto do Pai exaltado para sempre no meio dos louvores dos anjos e da Igreja.

Estimados irmãos! A Ascensão de Jesus torna-se importante, pois lembramos o momento de sua morte, a sua ressurreição e o cumprimento do plano da salvação, estabelecido por Deus. Ela torna-se importante, pois Ele foi recebido no céu, e assentou-se à destra de Deus. Enfim, torna-se importante, pois Ele subiu ao céu para preparar-nos o lugar na casa paterna. Enquanto, aguardamos a sua vinda, devemos ser suas testemunhas neste mundo: “Sereis as minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Amém!

TEXTO: At 1.1–11

TEMA: A ASCENSÃO E A PROMESSA DO RETORNO

Hoje,  a Igreja Cristã comemora a ascensão de Jesus Cristo, uma data profundamente rica em significado espiritual, mas que, ao longo do tempo, tem perdido espaço na consciência e na prática de muitos cristãos. São poucas as congregações que ainda dedicam cultos específicos a esse momento, e mais raro ainda é encontrar pessoas que compreendam, de fato, o seu verdadeiro significado.

A palavra “ascensão” carrega a ideia de subida, elevação e exaltação; no contexto cristão, porém, vai muito além de um simples movimento físico. a ascensão de Cristo é o coroamento de toda a obra redentora iniciada na encarnação, consumada na cruz e confirmada na ressurreição. Não se trata meramente de Jesus deixar a terra,mas de sua exaltação gloriosa: o retorno ao Pai após cumprir, de forma perfeita, o plano da salvação estabelecido desde a eternidade.

Ao ascender aos céus, Cristo não apenas encerra seu ministério visível entre os homens, mas inaugura uma nova etapa: Ele é recebido na glória e se assenta à direita de Deus — posição de honra, autoridade e soberania. Isso significa que Jesus reina; Ele não é apenas um personagem histórico do passado, mas o Senhor vivo e exaltado, que governa sobre todas as coisas e intercede continuamente por seu povo.

Além disso, a ascensão aponta para uma verdade consoladora: Cristo subiu para preparar um lugar para os seus. Sua subida não representa ausência, mas propósito; Ele vai adiante como precursor, abrindo o caminho para que todos os que nele creem tenham acesso à casa do Pai. Há, portanto, uma dimensão de esperança viva nessa doutrina — não estamos destinados ao abandono, mas à comunhão eterna com Deus.

Os discípulos, ao presenciarem esse momento, também receberam uma promessa que sustenta a fé da Igreja ao longo dos séculos: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (v.11). A ascensão não é o fim da história, mas uma ponte entre a primeira e a segunda vinda de Cristo; o mesmo Senhor que subiu voltará em glória. Diante disso, a ascensão de Jesus não pode ser tratada como um detalhe secundário da fé cristã, pois reafirma que a obra de Cristo foi completa, que Ele está reinando, que intercede por nós e que um dia voltará. Esquecê-la é perder de vista uma parte essencial do evangelho.

 

Mais do que lembrar uma data no calendário, a Igreja é chamada a redescobrir o valor espiritual da ascensão, celebrando não apenas um evento do passado, mas uma realidade presente e uma esperança futura. Diante do que foi exposto sobre a ascensão de Jesus, a nossa mensagem de hoje está dividida em quatro partes: refletimos sobre a promessa do batismo com o Espírito Santo; a perspectiva dos discípulos quanto à vinda de Cristo; o início da missão da Igreja; e como a ascensão aponta para a promessa do retorno de Cristo.

Primeiro, a ascensão de Cristo e a promessa da vinda do  Espírito Santo (vv. 1–5). Ao subir aos céus, Cristo conclui seu ministério físico na terra, marcado por ensinamentos, milagres e pela revelação do Reino de Deus. Sua ascensão não representa um fim, mas o início de uma nova etapa: a atuação do Espírito Santo na vida dos discípulos. Antes de partir, Ele ordena que permaneçam em Jerusalém, aguardando a promessa do Pai. Isso mostra que não houve abandono, mas preparação para algo maior. A ascensão cria o contexto para a vinda do Espírito, que passaria a habitar na vida do cristão. Assim, ascensão e promessa do Espírito estão profundamente ligadas. Cristo é exaltado em glória, enquanto o Espírito desce com poder. Dessa forma, a Igreja é capacitada para cumprir sua missão. Hoje, vivemos essa realidade, sendo guiados e fortalecidos pelo Espírito Santo.

Segundo, a Ascensão corrige a perspectiva dos dicipulos sobre a vinda de Cristo (v. 6–7). No momento que antecede a ascensão, os discípulos revelam sua expectativa ao perguntarem sobre a restauração do reino a Israel. Mesmo após tudo o que viveram com Jesus, ainda tinham uma visão limitada, esperando um reino político e nacional. Jesus corrige essa compreensão ao afirmar que não lhes compete saber os tempos determinados por Deus. Com isso, Ele redireciona o foco dos discípulos, transformando curiosidade em propósito. Eles deixam de olhar para expectativas terrenas e passam a entender a missão espiritual. A ascensão, então, amplia a visão do Reino de Deus. Da mesma forma, muitas vezes buscamos respostas imediatas sobre o agir divino. No entanto, somos chamados a confiar na soberania de Deus. Nosso papel é viver com fé e cumprir a missão no presente.

Terceiro, a ascensão marca o início da missão da Igreja. (v.8). Com sua subida aos céus, encerra-se sua presença física entre os discípulos, mas inicia-se uma nova etapa, na qual Ele continua sua obra por meio do Espírito Santo. A Igreja passa, então, a assumir um papel ativo no mundo, sendo enviada para testemunhar o evangelho a todas as nações. Capacitada pelo Espírito, ela não atua por suas próprias forças, mas sustentada pelo poder de Deus. Dessa forma, a ascensão não representa um afastamento, mas um envio: Cristo reina em glória, enquanto sua Igreja cumpre, na terra, a missão que lhe foi confiada, vivendo e anunciando a mensagem do Reino com fidelidade e esperança.

Quarto, a ascensão aponta para a volta de Cristo.(vv.9-11).Ao ser elevado e envolto pela nuvem da glória divina,  os discípulos ficaram olhando para o céu, tentando compreender aquele momento extraordinário. Naquele momento, surgem dois anjos que os questionam: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.” Os anjos trazem uma declaração que enche o coração de esperança: o mesmo Jesus Cristo que subiu, voltará. Note a ênfase do texto: “esse Jesus”. Não é outro, não é uma ideia, não é uma força espiritual — é o próprio Cristo, pessoal, real, aquele que andou com eles, que morreu e ressuscitou. Isso garante a continuidade da promessa e a certeza do cumprimento.Além disso, o texto afirma que Ele voltará “da mesma forma”.

                                                                I

Lucas inicia seu relato dirigindo-se a Teófilo,(v.1a) — cujo nome significa “amigo de Deus” — provavelmente era uma pessoa importante na sociedade romana, já que é chamado de “excelentíssimo” no Evangelho. Ao dirigir-se a Teófilo, Lucas revela que escreve para alguém de posição relevante, mas que também representa um público mais amplo. Seu objetivo é que Teófilo tenha plena certeza (segurança, firmeza) acerca das verdades que lhe foram ensinadas. Sendo assim, Lucas estabelece uma ponte entre o seu Evangelho e a narrativa que agora se desenvolve. Ao mencioná-lo novamente, ele demonstra que não se trata de uma obra isolada, mas de uma continuidade cuidadosamente construída: no primeiro livro, registrou tudo o que Jesus “começou a fazer e a ensinar” (v.1b); agora, apresenta como essa mesma obra prossegue, não mais de forma visível na carne, mas por meio de sua ação glorificada e do agir do Espírito Santo na Igreja.Com isso, Lucas deixa claro que a história não terminou no Evangelho; Atos é a sequência natural dessa obra, mostrando que Jesus continua agindo, agora de forma glorificada.

Outro ponto importante é que  Lucas não apenas relata fatos, mas organiza seu texto com cuidado para mostrar que a fé cristã é firme e confiável , deixando claro que não se trata de um movimento desordenado, mas de uma obra de Deus, coerente e baseada na história. Além disso, ele mostra que a mensagem que começou na Galileia não ficou limitada a um lugar. Pelo contrário, aquilo que começou com Jesus se expandiu pelo poder do Espírito Santo, ultrapassando barreiras culturais e sociais até chegar ao Império Romano. Esse crescimento, que vai de Jerusalém até os confins da terra, mostra que o Evangelho é para todos. Lucas deixa claro que o cristianismo não é uma fé restrita a um povo, mas uma mensagem de salvação para todas as nações.

Mas antes de subir ao céus,Jesus prepara seus seguidores para algo maior. Ele ordena que permaneçam em Jerusalém, aguardando “a promessa do Pai”( v.4). Isso mostra que a ascensão não é um abandono. Cristo sobe, mas não deixa seus discípulos desamparados; ao contrário, cria o ambiente necessário para que o Espírito venha e habite neles. Por isso, Jesus lhes deu uma ordem clara: que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa do Pai, a qual, segundo Ele, já haviam ouvido anteriormente. Essa promessa se referia ao batismo com o Espírito Santo, que aconteceria em breve e marcaria o início de uma nova fase na história do povo de Deus.(v.5).Aqui, Jesus faz uma clara distinção entre o batismo de João Batista e o batismo no Espírito Santo. O batismo com água, praticado por João, tinha um caráter de arrependimento e preparação. Ele apontava para algo maior que estava por vir. Já o batismo com o Espírito Santo representa uma experiência mais profunda: não apenas externa, mas interna, espiritual e transformadora.

Essa promessa encontra seu cumprimento no evento de Pentecostes, narrado em Atos dos Apóstolos 2, quando o Espírito Santo desce de maneira visível e poderosa sobre os discípulos reunidos em oração. O som como de um vento impetuoso, as línguas repartidas como que de fogo e a capacitação sobrenatural para falar em outras línguas demonstram que Deus estava inaugurando uma nova fase de sua atuação na história. Não se tratava apenas de uma manifestação extraordinária, mas da concretização da promessa feita por Jesus. Aquilo que havia sido anunciado  tornava-se realidade diante dos olhos dos discípulos.

Portanto, o prólogo de Atos não é apenas uma introdução, mas um texto  que revela um momento de transição entre a ressurreição e a ascensão, entre a presença física de Jesus e a atuação do Espírito Santo, e entre o tempo de aprendizado e o envio para a missão, mostrando que antes de agir, os discípulos precisavam aprender a depender completamente de Deus.Dessa forma, Lucas ensina a Teófilo — e também a nós — que a fé cristã é verdadeira, transformadora e universal. Ela não depende apenas do esforço humano, mas da ação de Deus na história. Seu relato liga o Jesus histórico à Igreja primitiva, mostrando que o mesmo Espírito que atuou em Cristo continua agindo em seus seguidores. Enfim, a Igreja não surge como algo novo e separado, mas como a continuação do plano de Deus, confirmada pelas Escrituras e pelo poder divino que segue atuando por meio dos discípulos.

                                                                    II

No momento que antecede a ascensão, os discípulos fazem uma pergunta que revela muito do que ainda estava em seus corações: “Senhor, será este o tempo em que restaurarás o reino a Israel?” (v. 6). Mesmo depois de tudo o que haviam presenciado — caminhar com Jesus Cristo, testemunhar seus milagres, ouvir seus ensinamentos e presenciar sua ressurreição — os discípulos ainda demonstravam uma compreensão limitada do Reino de Deus. Eles continuavam associando o Reino a uma restauração política e nacional de Israel, esperando que Jesus estabelecesse imediatamente um governo visível, libertando o povo do domínio romano e restaurando a glória dos tempos passados.Ao questionarem sobre o tempo da restauração, utilizam o verbo grego ἀποκαθιστάνεις que significa“restauras” ou “reestabeleces”.Esse verbo está no presente do indicativo, indicando a expectativa deles de uma ação imediata — ou seja, eles ainda pensavam em uma restauração política e visível naquele momento.

No entanto, a resposta de Jesus aponta para uma realidade muito mais profunda. Ele corrige essa perspectiva de forma clara e direta: “Não vos compete saber os tempos ou as épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (v. 7). Com isso, Jesus transforma uma expectativa equivocada em propósito. Ele afirma que não cabe aos homens conhecer os tempos (χρόνος) ou as épocas (καιρός). O χρόνος refere-se ao tempo cronológico, mensurável e sequencial — o tempo do relógio e do calendário. É o tempo que pode ser contado: dias, meses, anos. Quando pensamos em duração ou em “quanto tempo”, estamos falando de chronos.  O καιρός por outro lado, indica o tempo oportuno, o momento certo, qualitativo e carregado de significado. Não se mede, mas se discerne. É aquele instante decisivo em que algo especial acontece — o “tempo de Deus”, Não cabe aos discípulos saber nem o tempo cronológico, nem o momento oportuno  em que Deus realizará Seus planos.O foco, portanto, não deve estar em calcular ou prever, mas em viver a missão confiada.

No entanto, muitas vezes, também buscamos respostas imediatas sobre o agir de Deus, querendo saber “quando” certas promessas se cumprirão. Há em nós uma tendência natural de querer controlar o tempo, de tentar compreender os detalhes do que ainda está por vir, como se a segurança estivesse em conhecer os prazos e não em confiar naquele que governa todas as coisas. Essa inquietação, porém, revela mais sobre a limitação do coração humano do que sobre a fidelidade de Deus. Por isso, o Senhor nos chama a confiar  nele e  descansar na certeza de que o tempo está em suas mãos e que nada foge ao seu controle. Mesmo quando não entendemos os caminhos do Senhor, somos desafiados a permanecer firmes, sabendo que Deus trabalha de maneira perfeita, no tempo certo e com objetivos que muitas vezes vão além da nossa compreensão imediata. E, quando o tempo determinado por Ele chega, tudo se cumpre de maneira plena, revelando que confiar sempre foi o caminho mais seguro.

                                                                  III

Em vez de revelar datas ou prazos, Jesus promete algo essencial: “recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo”(v.8). Esse poder, vindo do alto, não é humano nem circunstancial, mas espiritual, capacitando os discípulos a cumprirem aquilo que por si mesmos não conseguiriam realizar. Trata-se da ação do Espírito Santo que fortalece, guia e dá autoridade para testemunhar.

Em seguida, Jesus define o propósito dessa capacitação: “sereis minhas testemunhas”. Isso significa que os discípulos não apenas falariam sobre Jesus, mas viveriam de tal forma que suas vidas se tornariam evidências da obra de Cristo. Eles testemunhariam aquilo que viram, ouviram e experimentaram, proclamando a verdade do Evangelho com palavras e atitudes.

Por fim, o texto apresenta a abrangência dessa missão, que segue uma progressão significativa: começa em Jerusalém, alcança a Judeia, avança para Samaria e se estende até os confins da terra. Essa sequência revela que o Evangelho não está restrito a um povo ou território específico, mas é destinado a todas as nações, rompendo barreiras culturais, sociais e geográficas.

Portanto, as palavra de Lucas mostra que a vida cristã não é marcada pela espera passiva, mas por uma ação guiada pelo Espírito. O foco deixa de ser a curiosidade sobre o futuro e passa a ser o compromisso com a missão presente. Capacitados pelo Espírito Santo, os discípulos são enviados ao mundo como testemunhas vivas, participando ativamente da expansão do Reino de Deus.

                                                                  IV

Jesus,após dialogar com seus discipulos,chegou o momento de sua partida.: “Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos” (v.9 ). Esse versículo marca a transição definitiva entre a presença física de Cristo e o início de sua atuação por meio do Espírito Santo. A ascensão não é apenas um encerramento, mas um novo começo. Jesus não está mais limitado a um lugar, mas passa a reinar em glória, à direita do Pai.O fato de Ele ser “elevado à vista deles” mostra que esse não foi um evento simbólico ou subjetivo, mas real e testemunhado pelos discípulos. Eles viram Jesus subir, o que fortalece a certeza daquilo que experimentaram e posteriormente proclamariam. Já a “nuvem” que o encobre carrega um profundo significado bíblico: ao longo das Escrituras, a nuvem frequentemente representa a presença e a glória de Deus. Enfim, Jesus não apenas sobe, mas é recebido na esfera da glória divina.

Esse versículo também ensina que há momentos em que Deus encerra ciclos de forma clara e visível. Para os discípulos, era o fim de uma fase de convivência direta com Jesus e o início de uma caminhada marcada pela fé e pela dependência do Espírito Santo.Portanto, Lucas revela que a ascensão de Cristo não é ausência, mas exaltação. Ele sobe, mas continua presente de outra forma; deixa de ser visto, mas passa a agir de maneira ainda mais ampla. É um convite à confiança: mesmo quando não vemos, Cristo reina e conduz a sua obra com soberania.

Lucas continua falando sobre ascensão e revela a reação dos discípulos diante daquele momento extraordinário: “E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Ele subia, eis que dois homens vestidos de branco se puseram junto deles”(v.10).Após verem Jesus subir, os discípulos permanecem olhando fixamente para o céu. Essa atitude demonstra admiração, reverência, mas também certa perplexidade. Eles estavam diante de algo que ultrapassava sua compreensão, tentando assimilar o que acabara de acontecer. No entanto, esse olhar prolongado também sugere uma possível tendência de permanecer presos ao momento, sem ainda compreender plenamente o próximo passo.É nesse contexto que surgem “dois homens vestidos de branco”, que, à luz do restante das Escrituras, são entendidos como anjos. A veste branca simboliza pureza, santidade e a realidade celestial. A presença deles indica que aquele evento não era apenas histórico, mas profundamente espiritual e divino.

Esse cenário prepara para uma correção importante que virá em seguida: os discípulos não deveriam permanecer apenas contemplando o céu, mas se preparar para a missão que lhes foi confiada. Há, portanto, uma transição entre contemplação e ação. O mesmo Jesus que subiu não os abandonou, mas os chamou a viver com propósito. Dessa forma,Lucas nos ensina que experiências espirituais profundas não são um fim em si mesmas. Elas devem nos conduzir a uma vida de compromisso, direção e ação, alinhada com a vontade de Deus.

Lucas ainda traz uma mensagem clara e cheia de esperança: “Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (v.11 ).Aqui, os anjos interrompem a contemplação dos discípulos com uma pergunta que é, ao mesmo tempo, uma exortação. Eles estavam parados, olhando para o céu, talvez ainda tentando compreender a ascensão. No entanto, a pergunta revela que não era mais tempo de permanecer apenas observando, mas de seguir adiante com aquilo que lhes havia sido confiado.

Ao mesmo tempo, os anjos reafirmam uma verdade fundamental: Jesus voltará. Aquele que subiu aos céus retornará da mesma maneira, visível e gloriosa. Essa promessa estabelece a esperança cristã na segunda vinda de Cristo, mostrando que a história não terminou com a ascensão — ela caminha para um cumprimento futuro. Portanto, equilibra duas verdades importantes: esperança e responsabilidade. A esperança está na certeza da volta de Jesus; a responsabilidade está em não permanecer inerte enquanto esse dia não chega. Os discípulos são chamados a viver entre esses dois pontos: não presos ao passado, nem apenas olhando para o futuro, mas comprometidos com a missão no presente.

Estimados irmãos! Ao contemplarmos a ascensão de Jesus, entendemos que aquele acontecimento não foi um adeus final, mas o começo de uma nova fase no plano de Deus. Os discípulos ficaram olhando para o céu, mas logo foram lembrados pelos anjos de que não era tempo de permanecer apenas observando, e sim de continuar a missão. Jesus  não deixou seus seguidores sozinhos. Ele prometeu e enviar o Espírito Santo, que fortalece e capacita o seu povo para testemunhar com coragem e fidelidade.Portanto, não deveriam permanecer parados, olhando para o alto,pois o Senhor os chamou para viver servindo e anunciando o evangelho.

Assim como os discípulos, também somos chamados a sair da expectativa passiva para uma vida de compromisso e serviço. O mesmo Cristo que subiu aos céus continua reinando, conduzindo sua Igreja e fortalecendo seus servos.  Enquanto aguardamos o retorno do Senhor, devemos permanecer firmes na obra, trabalhando com dedicação e amor pelo Reino de Deus. Que Cristo nos encontre vivendo com propósito, anunciando sua Palavra e mantendo o coração cheio de esperança até o dia da sua volta.Amém.

terça-feira, 5 de maio de 2026

TEXTO: Pv 31.25-31

TEMA: O VALOR DE UMA MÃE SEGUNDO A PALAVRA DE DEUS

Hoje é um dia especial. Um dia de gratidão, honra e reconhecimento: o Dia das Mães. Esse dia nos convida a olhar com mais atenção para aquelas que, muitas vezes em silêncio, sustentam lares, formam vidas e deixam marcas eternas no coração de seus filhos.Ser mãe é uma missão nobre, mas também profundamente desafiadora. É um chamado que exige amor constante, renúncia diária, fé inabalável e perseverança incansável.  É cuidar, ensinar, corrigir, proteger e amar — mesmo quando o cansaço insiste em falar mais alto.

No entanto, em meio a tantas responsabilidades, é essencial refletirmos sobre o verdadeiro valor de uma mãe. Vivemos em um tempo em que o valor das pessoas, muitas vezes, é medido por aparência, status ou conquistas externas. A sociedade estabelece padrões baseados em aparência, desempenho, sucesso profissional ou reconhecimento público. Redes sociais, cultura popular e até expectativas familiares criam modelos. muitas vezes, difíceis de atingir.

Há uma pressão para que a mulher seja tudo ao mesmo tempo: forte, bem-sucedida, perfeita — e, ainda assim, feliz o tempo todo. Quando não consegue corresponder a esses padrões, surge a culpa, o cansaço e, muitas vezes, a sensação de não ser suficiente para atingir o seu objetivo. Esse cenário acaba gerando confusão sobre a identidade e o propósito da mulher. Em vez de firmarem sua identidade em valores permanentes, muitas acabam se comparando e avaliando a si mesmas com base em critérios temporários e superficiais.

Entretanto, a Palavra de Deus nos convida a olhar para um referencial diferente. Em Provérbios 31, encontramos o retrato de uma mulher virtuosa — e, de forma especial, vemos ali o coração de uma mãe segundo Deus.O texto bíblico não apresenta uma mulher perfeita, sem falhas ou limitações, mas uma mulher que vive com propósito, que teme ao Senhor e que se dedica com fidelidade àquilo que lhe foi confiado. É uma vida construída dia após dia, marcada pela dependência de Deus e pela disposição de servir.

Diante disso, surge uma pergunta essencial que deve nos levar à reflexão: qual é, de fato, o valor de uma mãe segundo Deus? Neste texto, vemos  características que revelam o verdadeiro valor de uma mãe virtuosa. Longe de se basear em padrões externos ou passageiros, esse valor está firmado em princípios sólidos, que refletem caráter, temor a Deus e sabedoria no viver. Então, vejamos:

                                                                 

Primeiro,  uma mãe que se reveste de força e dignidade(v.25).O texto afirma que ela se reveste de força e dignidade e sorri diante do futuro. O uso de 'reveste-se' demonstra que essa virtude não é espontânea, mas sim uma escolha consciente e um estado de espírito permanente. Assim como alguém escolhe suas roupas ao começar o dia, essa mulher escolhe cobrir-se de força e honra, independentemente das circunstâncias. Essa força não é apenas física, mas emocional e espiritual. É o que a sustenta nos dias difíceis, no cansaço e nas preocupações do dia a dia.  nos momentos em que ninguém vê, nas horas de cansaço, nas preocupações silenciosas e nas responsabilidades constantes. A mãe virtuosa enfrenta desafios reais: dias difíceis, pressões, inseguranças e, muitas vezes, renúncias profundas. Mesmo assim, ela permanece firme. Não porque nunca se abala, mas porque confia em Deus. É d’Ele que vem sua força. Por isso, ela consegue olhar para o futuro com esperança, sabendo que Deus cuida de tudo.

Ela também se reveste de dignidade. Isto significa que ele revela uma vida íntegra, coerente e firme em seus valores. Mesmo quando ninguém está observando, essa mulher mantém seus princípios. Mesmo quando não recebe reconhecimento ou palavras de gratidão, ela continua fazendo o que é certo. Sua identidade não está baseada na aprovação humana, mas no seu relacionamento com Deus.Essa combinação de força e dignidade transforma sua postura diante da vida. Ela não é definida pelas circunstâncias, nem pelas dificuldades que enfrenta, mas pela maneira como responde a elas. Há uma firmeza silenciosa, uma estabilidade interior que não se explica apenas por fatores humanos.Por isso, a verdadeira força de uma mãe não está na ausência de fraqueza, mas na sua dependência de Deus. Ela também se cansa,sente o peso da caminhada, mas aprende a se renovar na presença do Senhor.

                                                                 II

 Segundo, uma mãe que fala com sabedoria e bondade (v.26). O texto destaca uma dimensão essencial de uma mãe: o uso sábio e gracioso da palavra. Uma palavra pode construir identidade, fortalecer a autoestima, encorajar nos momentos difíceis. Mas também pode ferir, desanimar e deixar marcas profundas.Por isso, a Bíblia destaca que uma mãe não fala de maneira impulsiva ou descontrolada.Ela “abre a boca para falar com sabedoria.” Isto significa que sua fala não é precipitada, vazia ou impulsiva. Pelo contrário, suas palavras são guiadas pela sabedoria. Ela discerne o momento certo, a forma adequada e a intenção correta ao falar. Enfim , ela sabe quando corrigir, quando ensinar e até quando silenciar. Sua fala não é dominada pela emoção do instante, mas orientada por um coração que teme ao Senhor.

Além disso, suas palavras são “temperadas com bondade”.  Ela não fere; ao orientar, não oprime; ao ensinar, não humilha. Isso demonstra que sua comunicação não apenas transmite conhecimento, mas também carrega graça, misericórdia e sensibilidade.Ela ainda compreende que é necessário falar a verdade com amor. Afinal, verdade e amor devem caminhar juntos. Na prática, isso significa que sua influência vai além das ações — ela também forma vidas por meio das palavras. Sua boca se torna um instrumento de vida dentro do lar, refletindo o próprio caráter de Deus. Dessa forma, o texto nos ensina que a verdadeira sabedoria não reside apenas no que se sabe, mas na maneira como esse conhecimento é comunicado. Por isso, a voz de uma mãe se torna um instrumento capaz de restaurar corações e ensinar verdades que permanecerão por toda a jornada de um filho.

                                                                 III

Terceiro, uma mãe dedicada, vigilante e responsável (v.27). Essa descrição revela uma mulher que compreende o valor daquilo que Deus lhe confiou e, por isso, vive de maneira comprometida com sua missão. Ela não age de forma descuidada ou indiferente, mas mantém os olhos abertos para tudo o que acontece ao seu redor, demonstrando atenção constante e um coração disposto a servir.

Sua vigilância não é apenas uma observação passiva, mas um envolvimento ativo. Ela acompanha, orienta, corrige e cuida. Seu zelo se manifesta nas pequenas e grandes coisas do cotidiano, mostrando que sua dedicação vai além de palavras — é traduzida em atitudes concretas. Ao dizer que ela não come o pão da preguiça, o texto destaca sua diligência: ela não se rende à acomodação, mas trabalha com disposição, sabendo que sua presença e seu esforço fazem diferença na vida de sua família.

Essa mãe entende que seu papel é significativo e, por isso, o exerce com responsabilidade. Ela não busca perfeição, mas vive com intencionalidade. Em meio às demandas da vida, escolhe estar presente, participar e contribuir para o bem-estar do seu lar. Seu exemplo ensina que ser uma mãe virtuosa não está em nunca falhar, mas em permanecer fiel, cuidando com amor, zelo e constância daquilo que Deus colocou em suas mãos.

                                                                IV

Quarto, uma mãe reconhecida por sua família (vv.28-29).Esse texto revela uma verdade profunda: o reconhecimento mais importante não vem de fora, mas de dentro do lar. A mulher descrita aqui não vive em busca de aplausos públicos, mas constrói, no silêncio do dia a dia, uma história de amor, entrega e fidelidade. E é justamente nesse ambiente, onde ninguém mais vê, que sua vida é observada, sentida e, no tempo certo, reconhecida.

Seus filhos se levantam e a chamam bem-aventurada. Isso indica honra, gratidão e respeito. Eles percebem, talvez até mais tarde na vida, o quanto foram amados, cuidados e ensinados. Seu marido também a louva, reconhecendo o valor de uma mulher que edificou o lar com sabedoria e dedicação. Esse reconhecimento não nasce de aparência, status ou conquistas externas, mas de uma vida investida consistentemente no cuidado com a família.

Trata-se de um reconhecimento que brota da convivência diária, das renúncias silenciosas, dos gestos de amor que muitas vezes passam despercebidos no momento, mas deixam marcas profundas ao longo do tempo. É a recompensa de uma vida vivida com propósito e fidelidade diante de Deus.

Ser uma mãe reconhecida não é correr atrás de elogios, mas viver de maneira fiel ao chamado recebido. Em muitos momentos, pode parecer que o esforço não é notado ou valorizado. No entanto, aquilo que é plantado com amor, zelo e constância jamais se perde. Ainda que o reconhecimento não venha imediatamente, ele floresce no tempo certo. Deus vê cada detalhe, e a colheita de uma vida fiel sempre chegará — seja no reconhecimento da família, seja na alegria de um lar edificado sobre bases sólidas.

                                                                V

Quinto, uma mãe que teme ao Senhor (v.30). “Enganosa é a graça, e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada.”Aqui está o centro de tudo. Depois de descrever tantas qualidades, o texto revela a raiz que sustenta cada uma delas: o temor do Senhor. Sem isso, todas as outras virtudes se tornam superficiais; com isso, tudo ganha sentido, direção e firmeza.A beleza passa. Os padrões mudam. Aquilo que hoje é valorizado pelo mundo, amanhã pode ser descartado. Mas o temor do Senhor permanece. Ele não envelhece, não perde valor e não depende das circunstâncias. É uma base sólida que sustenta a vida em qualquer tempo.

O valor dessa mulher não está no exterior, nem em sua aparência ou reconhecimento humano, mas no seu relacionamento com Deus. É na comunhão com o Senhor que ela encontra sabedoria para agir, força para continuar e graça para viver cada dia. Seu temor não é medo, mas reverência, dependência e um profundo desejo de agradar a Deus em tudo.Essa é a fonte de sua verdadeira beleza — uma beleza que não se limita ao que os olhos veem, mas que se manifesta em seu caráter, em suas atitudes e na maneira como conduz sua vida e sua família.

O que sustenta uma mãe não é a perfeição, mas sua comunhão com Deus. É desse relacionamento que vêm a força nos dias difíceis, a paciência nas pressões e a sabedoria nas decisões. Mais importante do que tentar corresponder a expectativas externas é cultivar um coração que teme ao Senhor. Porque é isso que, no fim, realmente será louvado.

                                                                VI

Sexto, uma vida que deixa frutos (v.31). “Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras.” O texto encerra mostrando que a vida dessa mulher não foi em vão. Tudo aquilo que ela semeou ao longo dos anos — com dedicação, amor e temor a Deus — agora se torna visível. Seus frutos aparecem. Sua história fala. Suas obras testemunham quem ela foi.

Essa mulher deixa marcas profundas. Sua influência não se limita ao tempo presente nem às tarefas do cotidiano. Aquilo que ela construiu no silêncio do lar, com fidelidade e perseverança, ganha reconhecimento e se transforma em legado. Seus frutos não são apenas materiais, mas espirituais, emocionais e eternos.São valores transmitidos, fé cultivada, caráter formado e vidas impactadas. Sua dedicação gera resultados que ultrapassam sua própria existência, alcançando filhos, netos e todos aqueles que foram tocados por sua vida. O que ela plantou com lágrimas e esforço floresce em honra e memória.O louvor público mencionado no texto não é fruto de autopromoção, mas o reconhecimento natural de uma vida bem vivida. Suas obras falam por si mesmas, revelando que cada gesto de amor, cada renúncia silenciosa e cada ato de cuidado valeram a pena.

Uma mãe virtuosa constrói algo que vai além do presente — ela impacta gerações. Talvez nem todos os frutos sejam vistos imediatamente, mas nenhum esforço feito com amor e fidelidade é perdido. Deus transforma dedicação em legado. Por isso, vale a pena viver com propósito, sabendo que uma vida entregue a Deus sempre produzirá frutos que permanecem.

Estimadas mães! A Palavra de Deus nos mostra com clareza: o valor de uma mãe não está na perfeição, mas na sua caminhada com o Senhor. É nessa relação com Deus que ela encontra força para continuar, sabedoria para decidir e graça para viver.

Filho! Valorize sua mãe enquanto há tempo. Reconheça o impacto espiritual que ela exerce, muitas vezes de forma silenciosa, mas profundamente transformadora.E, se você é mãe, lembre-se: Deus vê tudo. Cada esforço, cada lágrima, cada gesto de amor. Nada passa despercebido diante d’Ele. Por isso, busque ao Senhor. É Ele quem fortalece, sustenta e conduz cada passo.Amém!

 ORAÇÃO

 Senhor nosso Deus e Pai, nós Te agradecemos neste dia especial pela vida de cada mãe. Obrigado pelo dom da maternidade, por esse chamado tão nobre de cuidar, ensinar e amar. Reconhecemos, Senhor, que cada mãe é instrumento em Tuas mãos, formando vidas e deixando marcas eternas. Por isso, colocamos diante de Ti cada uma delas. Fortalece-as em suas lutas diárias.Nos momentos de cansaço, renova suas forças. Nas horas de dúvida, concede sabedoria. Nas dificuldades, sustenta com a Tua graça. Abençoa, Senhor, aquelas que enfrentam lutas silenciosas, as que carregam preocupações no coração, as que se sentem sobrecarregadas ou desanimadas.Que hoje elas possam sentir o Teu cuidado, o Teu consolo e o Teu amor de maneira especial.

Derrama paz sobre seus lares, sabedoria em suas palavras e esperança para cada novo dia. Abençoa também, Senhor, as avós, que continuam sendo fonte de amor e exemplo de fé. Pai, ajuda-nos a honrar nossas mães não apenas hoje, mas todos os dias, com atitudes, palavras e gratidão sincera. Entregamos cada mãe em Tuas mãos, crendo que o Senhor é quem sustenta, fortalece e recompensa. Oramos com gratidão, em nome de Jesus. Amém. 

TEXTOÊX 2.1-10

TEMA: JOQUEBEDE, A MÃE QUE CONFIOU EM DEUS

 Dia das mães! O dia em que voltamos nossos pensamentos  de modo muito especial, àquela que merece o nosso respeito, gratidão e consideração. Como é maravilhoso estar perto, dar um beijo, um abraço, uma demonstração de carinho, prestar uma homenagem e oferecer um presente à nossa mãe. Ela merece, pois é uma mulher guerreira incansável que passa noites em claro, pacientemente, consolando e cuidando de seus filhos. É alguém que tem sido  conselheira, responsável, amorosa à sua família.

Para este dia especial, escolhi o texto de Êxodo 2.1-10, que nos fala sobre Joquebede, uma mãe que confiou em Deus. Ela era a mãe de Moisés, uma das mães mais notáveis das Escrituras pela sua ousadia e inteligência, ao arriscar a sua própria vida para salvar o seu filho Moisés. Ela acreditou no livramento de Deus, mesmo quando todas as circunstâncias ao seu redor não eram favoráveis. E diante desta insegurança,  buscou sabedoria e paciência  para lidar com aquela situação. Enfim, foi um mãe corajosa. Fez tudo o que podia para defender seu filho, com a certeza de que Deus não permitiria sua morte.

Esta história inspira todas as mães a seguir o exemplo de Joquebede.Uma mãe que teve coragem,determinação,acima de tudo, confiou em Deus quando todas as circunstâncias ao seu redor diziam o contrário. Ela ensina a todas  as mães a seguirem esses passos. O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você. O Senhor  prometeu estar com você em cada situação. Ele oferece o seu amparo, consolo, amor a todas as mães que sofrem  no dia a dia, tendo de acompanhar as angústias, os desânimos e fracassos na vida e na família. Não tenha medo! Não desanime!”

A história de Joquebede começa no Egito. Neste país,um novo rei começou a reinar. Ele  ficou temeroso quando o povo hebreu começou a crescer.Temendo que o povo se rebelasse e tomasse o seu trono, usou a estratégia da opressão, manipulação e perseguição contra o povo. Ele estabeleceu trabalhos forçados e tarefas pesadas durante a construção de cidades e celeiros no Egito. Todavia, quanto mais o povo era oprimido, mais numeroso se tornava. Ao perceber que sua estratégia não estava funcionando, resolveu chamar as parteiras hebreias. E ordenou que matassem todos os meninos dos hebreus após seu nascimento. As parteiras, temendo a Deus, se recusaram a obedecer.antes deixaram nascer os meninos. Então, faraó ficou furioso, fez um decreto: “A todos os filhos que nascerem aos hebreus lançareis no Nilo, mas a todas as filhas deixareis viver.”(1.22).

Durante este tempo, uma mulher levita, chamado Joquebede, decidiu ter um filho mesmo vivendo um tempo de escravidão: “E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que era formoso, escondeu-o por três meses”. (v.2). Podemos   imaginar aflição de Joquebede e  todas as familia hebreias. Foi um desafio enorme em manter a criança viva em seus braços. Como é maravilhoso saber que as mães possuem um espírito acolhedor admirável, unindo força e esperança em suas atitudes. Elas oferecem amor, generosidade, compaixão, cuidado e empatia aos seus filhos. Luta contra qualquer coisa que possa prejudica-los. Enfim, elas são capazes de enfrentar tudo para defender seus filhos. É   a força do amor  que se transforma em coragem no coração de uma mãe. Ser mãe é uma dádiva, pois só ela tem o dom de carregar um filho no ventre, acompanhando seu crescimento até que ele ganhe independência para viver neste mundo.

Entretanto, a cada dia que se passava se tornava mais difícil esconder aquela criança. Então, Joquebede usou  uma estratégias para mantar a criança viva. Ela buscou sabedoria, paciência e inteligência para lidar com aquela situação. Foi um mãe corajosa,pois teve que tomar uma decisão difícil, dolorosa e arriscada.Ele usou a sua criatividade. Colocou seu filho dentro de um cesto feito de junco no rio Nilo.O cesto foi vedado com piche e betume, isso ajudava a proteger a criança de infiltração de água. E,assim, providenciou um lugar seguro para ele.Apesar de que  muitas incidentes poderiam acontecer naquele rio,  Joquebede não entregou o seu filho à morte, mas o lançou sobre as mãos protetoras do Senhor. Ela confiava na proteção do Senhor.Acreditava no livramento de Deus, mesmo quando todas as circunstâncias ao seu redor diziam o contrário. Na verdade, o Senhor conduziu o menino sobre aquelas águas até o seu destino. Isto demonstra que  o plano de Deus, traçado ali, era muito maior do que Joquebede poderia imaginar.Tem momentos na vida que não podemos fazer mais nada, apenas confiar em Deus. Quando toda as possibildades acabar, lembre-se que o Senhor está na espera da sua confiança.  

 Joquebede ao colocar o cesto no rio, Mirian, irmã de Moises, acompanhou  de longe, nas margens no rio para observar o que lhe haveria de suceder. (v.4). Mas naquele momento algo inédito acontece. Diz o texto que ao “descer a filha de Faraó para se banhar no rio, e as suas donzelas passeavam pela beira do rio; vendo ela o cesto no carriçal, enviou a sua criada e o tomou.” (v.5).A filha de faraó queria saber  o que havia dentro do cesto, e percebeu que havia uma criança hebreia. Uma criança muito formosa ao ponto dela tomar em seu braços,e chamou o nome de Moises que significa “tirado das aguas.”  Miriam correu até a princesa e ofereceu uma mulher para amamentar e cuidar da criança: “Queres que eu vá chamar uma das hebreias que sirva de ama e te crie a criança?” (v.7). A filha de faraó concordou com a proposta: “Vai. Saiu, pois, a moça e chamou a mãe do menino.” (v.8). Miriam chamou sua mãe Joquebede. Agora, ela poderia cuidar da criança com paz e segurança, pois a própria filha de faraó daria proteção:  “Leva este menino e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino e o criou.” (v.9). “Sendo o menino já grande, ela o trouxe à filha de Faraó, da qual passou ele a ser filho. Esta lhe chamou Moisés e disse: Porque das águas o tirei.” (v.10).

Joquebede dá a todas as mães exemplo de virtude que uma mãe deve cultivar. Demonstrou coragem quando faraó  havia ordenado que todos os meninos hebreus fossem mortos. Ela não aceitou essa ordem. Não teve medo! Escondeu o menino por três meses e, quando não pôde mais mantê-lo escondido, colocou-o em um cesto e o deixou à deriva no rio Nilo. Ela  também foi uma mãe determinada. Do inicio ao fim determinou que não deixaria o seu filho morrer, mesmo correndo o risco de ser descoberta,pois confiava na proteção  do Senhor.Toda mãe tem essa determinação capaz de vencer tudo para abençoar seus filhos.

No entanto, acima de tudo, Ela foi uma mãe de fé. Ela confiou em Deus para proteger seu filho, mesmo em uma situação difícil.Ao colocar o menino no cesto tinha o propósito de protege-lo. E talvez com lágrimas , sem ter a certeza do que aconteceria, coração apertado, colocou o menino no cesto, mas com um plano em mente: a confiança no Senhor.Como mães corajosas, é preciso confiar na proteção e no zelo de Deus pela vida dos filhos, entregando-os diariamente aos cuidado  do Senhor .(Salmos 37.5).   Muitas situações em nossas vidas vai exigir-nos a confiar também em Deus. E Deus jamais deixa de livrar aqueles que confiam Nele.Entregue seu filho nas mãos do Senhor. Deus cuida e guia a vida dos filhos, segurando-os nas suas fortes mãos. Confie no cuidado e na bondade do Pai!

Você já parou para imaginar a situação dessa mãe?  Você teria coragem de esconder o seu filho? Deixaria seu bebê fora de sua vista, mesmo por alguns minutos?  Na verdade, muitas mães enfretam muitas lutas diárias.E diante dessas lutas é preciso ter muita coragem para criar os seus filhos na disciplina e admoestação do senhor. Ensinar os seus filhos, no caminho em que deve andar como dizia Moisés em suas palavras: É preciso inculcar, colocar, depositar... e dela falarás aos teus filhos em tua casa. Siga os passos de Joquebede com coragem,determinação e fé!

 Estimada ,mãe! Como é maravilhoso comemorar este dia tão especial em sua vida!   Que o bondoso Deus  abençoa neste dia a todos as mães, dando-lhes saúde, força, disposição, responsabilidade, sabedoria e fé, para educarem os seus filhos no temor do Senhor e no caminho da salvação. Siga os passos de Joquebede! Amém!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

TEXTO: JO 14.15-21

TEMA:  O ESPÍRITO SANTO, O NOSSO  CONSOLADOR!

O texto proposto para este final de semana é a continuidade dos versículos anteriores, os quais nos mostram Jesus fazendo um discurso de despedida aos seus discípulos. Ele afirma que, na casa de seu Pai, há muitas moradas e declara ser o caminho, a verdade e a vida.

No texto de hoje, Jesus dá sequência à sua conversa com os discípulos. São as últimas horas que Ele passa com o seu grupo antes de ser preso pelos soldados romanos, guiados por Judas Iscariotes, no jardim do Getsêmani. Nesse momento, os discípulos estão reunidos ao redor da mesa, partilhando o pão e participando da angústia de Jesus.

Então, Jesus antecipa fatos e eventos futuros aos seus discípulos. Ele deseja encorajá-los, oferecendo esperança diante da preocupação que sentem sobre como cumpririam a missão quando Ele não estivesse mais fisicamente presente, especialmente diante do medo e das perseguições que viriam.

Diante dessa situação, Jesus promete que, após a sua partida, enviaria outro Consolador. Esse Consolador, o Espírito Santo, faria companhia aos discípulos e os ajudaria na missão de serem verdadeiros seguidores de Cristo (Jo 14.16–26; 16.13). Ele os ensinaria todas as coisas e os faria lembrar de tudo quanto haviam ouvido do Salvador. Dessa forma, seriam guiados pelo Espírito Santo em toda a verdade.A diferença nos discípulos é evidente após o cumprimento da descida do Espírito Santo sobre eles. Aqueles discípulos, antes confusos, ao receberem o Espírito Santo, tornam-se convictos das verdades concernentes a Jesus. Sob o poder do Espírito Santo, cumprem sua missão de forma destemida, conforme registrado no livro de Atos.

A presença do Espírito Santo na vida dos primeiros discípulos foi fundamental para que pudessem levar adiante a mensagem do Evangelho. É claro que também precisamos do auxílio do Espírito Santo para termos certeza acerca das verdades a respeito de Jesus e, assim, podermos anunciar o Evangelho com poder.Enfim, precisamos agradecer ao Senhor por ter cumprido a sua promessa ao enviar o seu Espírito para estar sempre conosco e nos capacitar a sermos verdadeiros discípulos de Cristo Jesus.

Estimados irmãos, Jesus, sabendo que nas próximas horas seria crucificado, começou a revelar aos seus discípulos os acontecimentos finais. Essa despedida gerou neles um profundo sentimento de tristeza e desânimo. Ao observar essa cena e vê-los abatidos, Jesus os consola.Ele entende que, naquele momento, o mais importante para os discípulos era manter uma relação profunda de comprometimento e lealdade. Sendo assim, deveriam demonstrar seu amor por Ele, pois o próprio Jesus sempre lhes demonstrou amor e os ensinou a amarem uns aos outros. Então, Jesus parte do princípio de que amar implica obedecer aos seus mandamentos. Ele expressa claramente essa verdade ao afirmar: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (v.15).

Jesus os orienta a demonstrar esse amor na prática. Amar a Jesus é aderir incondicionalmente ao seu projeto de vida plena e abundante. É permanecer em sua Palavra, que conduz à verdade que liberta. Amar a Jesus é acolher, obedecer e guardar os seus mandamentos, pois é na prática do amor que se reconhece quem é, de fato, seu discípulo.Por isso, o desânimo e a falta de esperança que os discípulos estavam vivendo não deveriam prevalecer, pois, à medida que demonstrassem amor a Jesus e obedecessem aos seus mandamentos, encontrariam força, direção e esperança para seguir adiante.

É verdade que precisamos amar, pois foi para isso que fomos criados: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Para alcançar esse propósito, já temos o caminho: seguir, praticar, guardar e obedecer aos mandamentos, como o próprio Jesus fez. Podemos afirmar que os mandamentos aos quais Jesus se refere constituem todo o conjunto daquilo que Ele requer de seus discípulos durante a caminhada de carregar a cruz — ou seja, a vivência cristã. Essa vivência consiste no amor a Deus e na obediência à sua Palavra e aos seus ensinamentos. Esse foi o grande desafio na vida dos discípulos.

Jesus foi o maior exemplo, pois demonstrou seu amor a Deus por meio da obediência. Sendo assim, também devemos demonstrar nosso amor por Jesus por meio dessa mesma obediência. Esse continua sendo o grande desafio de todo aquele que afirma amar ao Senhor. Quando amamos a Deus, nosso amor pelos seus filhos também se expressa na obediência aos seus mandamentos, conforme está escrito: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1 Jo 5.2–3). Portanto, aqueles que amam o Senhor encontram prazer, alegria, contentamento e satisfação em tudo o que Ele ensinou e, certamente, desejam conhecer e cumprir a sua vontade. Este é o caminho.

Diante da expectativa da partida de Cristo, os discípulos ficaram perplexos com a notícia. Perceberam que Jesus estaria por pouco tempo em sua companhia. Conhecendo as limitações deles, Jesus lhes deu a garantia de que, em sua ausência física, não estariam entregues à própria sorte. Ele não os deixaria sozinhos.Eles deveriam amá-lo e obedecê-lo, e, por sua vez, Jesus promete a vinda de outro Consolador: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador” (v.16a). Essa é uma declaração de grande encorajamento aos discípulos, pois Jesus intercede ao Pai em favor deles.

O termo grego παράκλητος merece atenção. Ele é traduzido como “Consolador”, mas também pode ser entendido como Auxiliador, Advogado, Ajudador ou Conselheiro (como na NVI). O significado aponta para “aquele que é chamado para ajudar alguém”. Ainda pode ser compreendido como aquele que vem em favor de outro: mediador, intercessor, ajudador — alguém que auxilia, defende e acompanha, como um advogado ou representante.Portanto, Jesus assegura que seus discípulos não ficariam desamparados, mas seriam acompanhados continuamente Consolador que os ajudaria, orientaria e fortaleceria em todos os momentos.

Outra questão importante neste versículo é que Jesus descreve o παράκλητος como “outro Consolador”. Essa expressão (ἄλλον Παράκλητον) possui um significado profundo no texto original grego.  Indica que Jesus faz referência a si mesmo como Consolador e promete a vinda de outro que daria continuidade à sua obra. Trata-se de alguém da mesma natureza, essência e caráter — alguém que realizaria, pelo Espírito, a continuidade do ministério de Cristo entre os discípulos.Esse Consolador viria para permanecer com eles para sempre: “a fim de que esteja para sempre convosco” (v.16b). Aqui, é importante observar o termo grego αἰών,(sempre) que carrega a ideia de tempo perpétuo, eternidade.Isso significa que o Consolador não seria uma presença temporária, mas permanente. Ele permaneceria continuamente com os discípulos, ensinando, confortando, aconselhando, defendendo e intercedendo. Desse forma, a promessa de Jesus não aponta apenas para um auxílio momentâneo, mas para uma presença constante e eterna na vida daqueles que o seguem.

Entretanto, Jesus prossegue afirmando que o Paráclito é o Espírito da verdade. Ele é aquele que dá testemunho da verdade, ou seja, da verdade que o próprio Jesus é. Além disso, declara que o mundo não pode receber o Espírito da verdade, “porque não o vê, nem o conhece” (v.17a).O termo grego κόσμος (mundo) pode significar “ordem”, “organização”, “beleza” e “harmonia”, referindo-se ao universo em sua totalidade. Contudo, no sentido bíblico, especialmente nos escritos de João, também é utilizado para descrever a humanidade afastada de Deus, um sistema de vida que se opõe a Ele.Nesse contexto, o termo carrega a ideia de imperfeição, maldade e distanciamento do Senhor.

Quando João fala sobre o κόσμος, ele se refere às pessoas que vivem como se Deus não existisse. Organizam suas vidas segundo seus próprios valores e deixam Deus de lado, considerando-O irrelevante. Ao rejeitarem a Deus, passam a viver em função desse sistema mundano. Como está escrito: “Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve” (1 João 4.5).Essa linguagem é clara e revela por que o mundo não pode receber o Espírito da verdade: “porque não o vê, nem o conhece” (v.17b). O mundo rejeita a Cristo (João 7.7), odeia os seus escolhidos (João 15.19; 17.14) e, por isso, não pode aceitar o Espírito, pois não possui relacionamento com Ele. Em síntese, o mundo permanece incapaz de acolher o Espírito da verdade justamente por estar distante de Deus e fechado à sua revelação.

No entanto,Jesus diz aos discípulos: “vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.(v.17c).Embora o mundo não vê e nem reconhece o Espírito da verdade, Jesus diz aos discípulos: “vós o conheceis.” O verbo γινώσκω (conhecer) significa chegar a saber, vir a conhecer, obter conhecimento de, perceber, sentir.Entende-se que os discipulos já conheciam o Espirito Santo.Ele estava  presente ou ativo antes de Pentecostes sob a antiga aliança, Ele esteve presente no AT de forma geral.( Gn 6.1;Cr 12.18; Sl 51.1: Sl 143.10; Ez 36.27). Os discípulos, portanto, já o conhecem, melhor do que pensam,e o conhecerão em breve, como Cristo prometeu, de uma forma sem precedentes, pessoalmente e permanentemente, depois que Jesus for exaltado

E de fato,os discípulos tiveram oportunidade de conhecer o Espírito da verdade no dia de Pentecostes.Lemos em Atos: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam reunidos. E apareceram línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. (At 2.1-3).O Espirito Santo passou habitar na vida dos discipulos.Ensinaram e suas palavras tornaram-se poderosas,e houve mudanças reais e permanentes: cerca de três mil pessoas se converteram, fruto da ação do Espírito Santo.

No entanto, Jesus diz aos discípulos: “vós o conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (v.17c). Embora o mundo não veja nem reconheça o Espírito da verdade, Jesus afirma que os discípulos o conhecem. O verbo grego γινώσκω (conhecer) significa chegar a saber, vir a conhecer, perceber, experimentar. Isso indica um conhecimento relacional, não apenas intelectual.Entende-se, portanto, que os discípulos já conheciam o Espírito Santo. Ele já estava presente e atuante antes de Pentecostes, inclusive na antiga aliança, conforme testemunha o Antigo Testamento (Gn 6.1; 1Cr 12.18; Sl 51.11; Sl 143.10; Ez 36.27). Sendo assim,conclui-se que  os discípulos já tinham alguma experiência com a ação do Espírito, ainda que não de forma plena. Jesus, porém, promete que esse conhecimento se tornaria mais profundo, pessoal e permanente após sua exaltação.

De fato, os discípulos tiveram a oportunidade de conhecer o Espírito da verdade de maneira plena no dia de Pentecostes. Como lemos em Atos 2.1–3: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam. E apareceram línguas como de fogo, que pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo.”A partir desse momento, o Espírito Santo passou a habitar neles de forma permanente. Eles foram capacitados, suas palavras se tornaram cheias de poder e ocorreram mudanças reais e duradouras. Como resultado, cerca de três mil pessoas se converteram, fruto da poderosa ação do Espírito Santo na vida dos discípulos.

Jesus continuou com suas palavras de encorajamento e prometeu aos discípulos que não os deixaria órfãos, pois ainda se sentiam abandonados (v.18a). Quando falamos de órfãos, pensamos naqueles que perderam pai, mãe ou ambos — pessoas desprovidas de amparo e cuidado. De certo modo, essa imagem expressa também a realidade humana: em meio à transitoriedade da vida, à hostilidade e às dificuldades deste mundo, muitas vezes nos sentimos desamparados.

Entretanto, Jesus afirma claramente que não nos deixará órfãos. Temos a segurança e a certeza de sua presença, tanto na pessoa e obra de Cristo quanto na pessoa e obra do Espírito Santo, reveladas na Palavra e nos sacramentos. Não estamos abandonados.Além disso, Ele declara: “voltarei para vós outros” (v.18b). O verbo grego ἔρχομαι (vir/voltar), aqui no presente, pode ser entendido como “estou voltando”, indicando uma ação certa e imediata. Isso aponta para a continuidade da presença de Jesus junto aos seus discípulos. Ele não apenas promete voltar no futuro, mas assegura que sua presença seria real e constante, fortalecendo e consolando os seus em todos os momentos.

Essa questão fica ainda mais clara quando Jesus afirma: “Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais” (v.19a). Em poucas horas, Ele seria crucificado, e os incrédulos não o veriam mais fisicamente, nem mesmo após a sua ressurreição. Contudo, Jesus declara: “vós, porém, me vereis” (v.19b), ou seja, “Eu virei a vocês, e vocês me verão”. De fato, após a ressurreição, os discípulos tiveram a oportunidade de vê-lo. Assim, Jesus cumpre sua promessa: seus discípulos o veriam, enquanto o mundo não o veria.

Isso é possível por causa do poder e do significado da ressurreição, como Ele mesmo afirma: “porque eu vivo, e vós vivereis” (v.19c). Jesus continua vivo — Ele ressuscitou. A sua ressurreição é a garantia de que nós também viveremos. Essa é a base da nossa esperança e do nosso consolo em tempos de angústia, de sentimento de abandono e diante da realidade da morte.Se Ele não tivesse ressuscitado, essas palavras seriam motivo de profunda tristeza tanto para os discípulos quanto para nós. Mas Jesus os consola ao revelar a provisão que Ele e o Pai estabeleceram para suprir a ausência física entre sua partida e seu retorno no fim dos tempos: a vinda do “outro Consolador”, o Espírito Santo.

Jesus afirma que “naquele dia” — isto é, após a sua ressurreição e a vinda do Espírito —, quando sua vida lhes fosse plenamente revelada, os discípulos receberiam a certeza de que Ele vive. Então, “vós conhecereis que eu estou em meu Pai” (v.20a), ou seja, estariam plenamente convencidos dessa verdade essencial.Até aquele momento, porém, os discípulos ainda não compreendiam claramente o relacionamento entre Jesus e o Pai. Mas, diante da despedida e da dura provação que se aproximava, Jesus lhes abre o coração e revela essa realidade profunda: há uma unidade perfeita entre Ele e o Pai. Ele veio em nome do Pai, fala em nome do Pai e realiza as obras do Pai. Suas palavras não são independentes, mas expressão da vontade divina, pois o Pai, que nele habita, é quem realiza a sua obra.Portanto, Jesus ensina que existe uma comunhão íntima e inseparável entre o Pai e o Filho. Essa revelação seria plenamente compreendida pelos discípulos “naquele dia”, quando, iluminados pelo Espírito Santo, passariam a entender de forma clara essa unidade divina.

O Espirito da verdade continuou habitando na vida dos discipulos. Continuou os guiando,iluminando a mente para que entendessem a pregação do Evangelho e os ensinassem a todas as nações.Da mesma forma o Espirito da verdade habita em nós e coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele é o verdadeiro guia, mostrando o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes.Ele é o Consolador também em meio aos nossos gemidos, lágrimas e sofrimentos. Através do Espírito Santo, somos lembrados que em Jesus Cristo, Deus enviou seu Filho,nasceu,sofreu,morreu, ressuscitou, e venceu o diabo e a morte.

Outro promessa importante, que os discípulos conheceria, é que havia uma unidade entre Ele e seus discípulos:   “e vós em mim, e eu, em vós.”(v.20b). Em outra ocasião Jesus diz aos discípulos: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.” (João 15. 4). O que significa permanecer? Permanecer significa, ficar, esperar; ter uma relação vital, uma relação profunda, uma dependência total  com Jesus.  Esta permanência é mútua, dos discípulos com o Senhor e do Senhor com os discípulos, e define uma relação de profunda comunhão entre ambos, similar à comunhão que existe no amor do Filho e o Pai.Todas essas promessas têm a finalidade de animar e consolar os discípulos, preparando-os para os tempos depois da ascensão de Jesus. E a maior de todas as promessas é que eles terão o Consolador.Mas era necessário que os discipulos mantivessem comunhão constante,permanente com Cristo, uma vez que essa comunhão era  fundamental para que pudessem ter uma vida abençoada, capaz de realizar a missão proposta por Cristo.

 Jesus agora retoma a verdade apresentada no versículo 15 e a reforça ao afirmar: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (v.21a). O amor por Jesus é evidenciado não apenas por palavras, mas por uma vida que acolhe e obedece aos seus mandamentos.O verbo “ter”, nesse contexto, não significa apenas “receber” ou “possuir”, mas também “compreender”, “assimilar” interiormente. Ou seja, não se trata de algo superficial, mas de uma compreensão que envolve mente e coração, resultando em prática.Diante disso, surge a pergunta: seriam esses mandamentos apenas uma lista de regras e leis a serem cumpridas? A resposta é não. Compreender os mandamentos de Jesus vai muito além de seguir normas externas; envolve abraçar todo o propósito do ensinamento da Palavra de Deus. Trata-se de uma relação viva com a verdade que Ele revela.Por isso, o próprio Jesus declara: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Assim, guardar os mandamentos é permanecer na Palavra, viver segundo a verdade e experimentar a liberdade que vem de uma vida em comunhão com Cristo.

De fato, quando permanecemos em sua  palavra, a nossa vida se encontra em inteira consonância com ele. Ele afirma: “esse é o que me ama.” (v.21a). Nas palavras de  Jesus, é o amor que ocupa o centro.Mas vamos entender o que significa amar a Jesus!Amar a Jesus é refletir o amor que Deus tem por nós, pois “nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho” (1 João 4.10). Amar Jesus é uma relação ativa, permanente e contínua de seguimento e obediência ao nosso Salvador: "Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos" (1 João 2.3). Amar a Jesus é cuidar daqueles que Ele ama (1 João 4.19; 21.16).Portanto,”aquele ama será amado pelo Pai”(v.21c).  Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou” (João 14.23-24)

Enfim,aqueles que guardam os meus mandamentos  "Eu (...) me manifestarei a [eles]"(v.21d).Manifestar é mostrar, fazer aparecer, colocar diante dos olhos para que um objeto possa ser visto. Isso significa que Jesus se mostraria ou revelaria a seus seguidores para que eles vissem depois da sua ressurreição e soubessem que ele era o Salvador deles. De fato,Jesus  continua manifestando seu poder e bondade a todos aqueles que acreditam e lhe obedecem, até o fim do mundo. Esta é a grande bênção que vem para aqueles que valorizam e praticam os seus mandamentos.Por isso, devemos permanecer no Senhor,manter comunhão constante com ele, sempre firmados no seu grande amor por nós, e manifestando este mesmo amor para com nossos irmãos,

Como é maravilhoso saber que o mesmo Espírito Santo, que esteve presente na criação da terra, que se manifestou em forma de pomba no batismo de Cristo, que acompanhou os apóstolos no surgimento da Igreja Cristã, continua presente na vida do cristão, convencendo “do pecado, da justiça e do juízo”. É o Espírito de que a nossa época tanto precisa: aquele que consola no desespero do pecado, orienta na confusão deste mundo, conduz à fé em Jesus Cristo, fortalece a esperança da vida eterna e nos concede o privilégio de sermos chamados “filhos de Deus.

Portanto, estimados irmãos, agradeçamos ao Senhor por ter enviado o Espírito Santo para guiar os discípulos, pois Ele veio trazer conforto e abrigo, livrando-os do medo, da dúvida e da angústia. Hoje, temos a certeza de que Ele também está conosco em todo o tempo, ajudando-nos e capacitando-nos a realizar aquilo que, por nós mesmos, não conseguiríamos cumprir na missão de anunciar Cristo a todos.

Que possamos andar no Espírito, viver no Espírito e obedecer ao Espírito. Amém!

quinta-feira, 30 de abril de 2026

TEXTO:SL 66

TEMA: LOUVEMOS A DEUS POR SEUS GRANDES FEITOS

O Salmo 66 é um hino de gratidão a Deus por seu livramento. Não sabemos o autor, nem a circunstância da sua composição. Mas pelos exemplos, expressões e estilo citados, é possível que seja de Davi. O Salmo oferece uma grande contribuição à nossa compreensão do valor do louvor bíblico. No decorrer do Salmo, o poeta fala de um louvor descritivo, exaltando a Deus pelo que é e pelo que faz, bem como um louvor declarativo, adorando a Deus por determinadas respostas específicas às suas orações. Ele coloca diversos motivos que nos levam a reconhecer a grandeza de Deus. Ele mesmo reconhece as grandes obras de Deus do passado, tais como a abertura do Mar Vermelho nos dias de Moisés e a travessia dos israelitas no Rio Jordão nos dias de Josué. Israel se alegrou sobremaneira no Senhor, em ambas as ocasiões.

O salmista passou por uma grande crise, a qual ele chama de “minha aflição” que o levou a fazer voto, e clamar a Deus em oração. Pelo modo como se expressa no salmo, é provável que tenha sido uma crise nacional, afligindo todo o povo. Entretanto, essa crise havia cessado por uma ação poderosa do Senhor. Diante da grande libertação, toda a nação está tremendamente feliz e o salmista se vê, não apenas devedor, mas desejoso de oferecer a Deus todo louvor e agradecimento com toda sua força. Sendo assim, ele convida a todos, não apenas o povo de Israel, mas os povos que habitam todas as terras se unirem a louvar ao Senhor por suas obras: “Aclamai a Deus, toda a terra. Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor” (vs.1 e 2).

Essa atitude do salmista, em demonstrar sua gratidão, aclamando, glorificando, enaltecendo o poder de Deus, tem um motivo: “quão tremendos são os teus feitos!” (v.3a). A palavra “tremendos” significa que seus atos são tão grandes que eles causam espanto e admiração. As obras de Deus causam sensação de assombro e admiração (Salmo 19.1,2). Diante desta grandiosidade do poder de Deus, todos os povos da terra são convidados a salmodiar a glória do nome do Senhor, prostrando-se perante Deus. (v.4). O termo “prostrar”, “curvar” significa render honra prestar reverência e homenagem a alguém em admiração e reconhecimento de sua posição hierárquica superior. Esta honra até mesmo os inimigos se mostram submissos à grandeza divina: “Pela grandeza do teu poder, a ti se mostram submissos os teus inimigos”. (v.3b).

Também somos convidados a exaltar e proclamar os grandes feitos de Deus, pois são impressionantes em nossas vidas. Deus nunca está distante. Ele ouve nossas súplicas e não afasta de nós o seu amor. Olhando para o passado, lembramos quão bom o Senhor tem sido em nossas vidas. Ele manifestou a sua graça ao longo da história, e continua a manifestá-la até hoje. Isto se verifica nas bênçãos materiais e espirituais, no cuidado e proteção, no conforto diante de uma enfermidade ou aflição, na direção da vida, mas principalmente da salvação do homem através de Jesus Cristo. Por isso, este é o momento de reconhecimento do homem para com Deus, agradecendo pelas bênçãos recebidas. Como Paulo escreveu aos Tessalonicenses: “Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus” (I Ts 5.18).

No versículo 5, o salmista estende o convite a todas as nações para adoração a Deus: “Vinde e vede as obras de Deus: tremendos feitos para os filhos dos homens”. “Vinde e vede” é um convite para reconhecer as obras maravilhosas manifestadas junto ao povo de Israel. Quais são estas obras? O salmista relembra feitos grandiosos de Deus a fim de comparar a atuação do passado com a que ele presenciou com seus olhos no momento. O texto relembra dois fatos impressionantes: “Converteu o mar em terra seca atravessaram o rio a pé; ali, nos alegramos nele.” (v.6). Essa é uma clara menção do poder de Deus demonstrado nos feitos miraculosos ao abrir o mar Vermelho para que o povo pudesse passar. (Ex 14.15-31), e parar o curso de água do rio Jordão para Israel iniciar a conquista de Canaã (Js 3.12-17). Quanta alegria houve em Israel naqueles dias! O povo exultou no Senhor, cujo poder e domínio nunca terminam.

Esta grandiosidade de Deus demonstra que o universo é governado pelo Criador e todas as coisas existentes cumprem o seu desejo. Ele tem um propósito para a humanidade e cumprirá os seus desígnios. O salmista resume este pensamento ao dizer: “Ele, em seu poder, governa eternamente; os seus olhos vigiam as nações não se exaltam os rebeldes.” (v.7). Na verdade, Deus é o controlador da história e das nações: “Teus olhos vigiam as nações” É interessante que a recordação dos seus feitos do passado é um dos instrumentos que o povo de Deus sempre utilizou para enfrentar os problemas do presente. O que realizou no passado serve de parâmetro para que o povo reconhecesse a grandiosidade das obras de Deus. Jeremias em suas Lamentações relembra os acontecimentos do passado: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (3.21). O profeta estava lembrando, recordando, trazendo de volta algo que poderia dar esperança. Estava recordando a grandiosidade que Deus tinha demostrado ao seu povo no passado.

Assim, deve ser a vida do cristão. Olhar diariamente as bênçãos recebidas, reconhecendo que elas vêm do Senhor, e dando graças a ele por tão grande amor. Ao contemplar estas bênçãos maravilhosas, perguntamos: O que Deus tem feito em nossas vidas? O que ainda fará no futuro? Ele tem realizado grandes feitos em nossas vidas e continua realizando! Esta confiança deve nos ajudar nos momentos em que nos sentimos incapazes de superar um problema que nos aflige. Devemos contemplar o Senhor, suas obras, sua Palavra, seus feitos, sua memória viva em nossa história. Olhar para Deus nos lembra de que, não importa a origem ou causa de nossa aflição, o final último de nossa vida está em Deus e em suas promessas de aliança e resgate.

Ao lembrar toda a grandiosidade das obras de Deus, o salmista convida a todos a agradecer a Deus: “Bendizei, ó povos, o nosso Deus, fazei ouvir a voz do seu louvor”. (v.8). Bendizer significa reconhecer, elogiar. Já o termo louvor significa glória, cânticos de louvor, exaltar. Portanto é um convite para louvar e adorar, reconhecendo a magnitude de Deus por suas obras e feitos. Lembrar que Deus “preserva com vida a nossa alma e não permite que nos resvalem (escorregar) os pés”, (v.9), mostrando assim o seu cuidado, proteção e condução no nosso caminhar. Lembre-se: só Deus pode fazer com que nossos pés não fraquejem, não vacilem. Só Deus pode nos firmar em momentos tão difíceis pelos quais temos passado. Nenhum filho de Deus permaneceria de pé, por um momento sequer, diante de abismos, armadilhas, fraquezas físicas e inimigos sutis, se não fosse por causa do fiel amor de Deus, que não permitirá que os pés de seus filhos vacilem. Portanto, temos muitos motivos para louvar, adorar e render graças ao Senhor.

O salmista ainda, no reconhecimento dos feitos e propósitos de Deus, O bendiz também nas tribulações, nas lutas, na angústia, nas lágrimas, na dor, afirmando, “pois, Tu, Ó Deus, nos provaste” (v.10a). O salmista entendeu o propósito de Deus através das provações. Ele admite que a provação é algo essencial na vida do povo, por causa dos pecados em Israel. O povo precisava ser lapidado, transformado, regenerado, purificado pelo próprio Deus: “acrisolaste-nos como se acrisola a prata” (v.10b). Outra tradução seria: “Tu nos purificaste assim como se purifica a prata”.  O verbo acrisolar significa tirar as impurezas, aperfeiçoar, apurar, dar qualidade. Como todo o metal, a prata precisa ser lapidada para que tenha algum valor comercial. Para que isto ocorresse, colocava-se a pedra bruta de prata no crisol, submetendo-a a altíssimas temperaturas. O crisol é um vaso de fundir metais, como prata e ouro.

Deus fez isso com Israel. Colocou Israel no fogo para retirar as impurezas e deixar o povo mais puro, e esse processo se repetiu várias vezes, porque Deus não queria ver seu povo destruído, mas purificado. Por isso, Deus havia colocado seu povo em situações tão difíceis que não podia resolver sem o auxílio do Senhor: “Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas”. (v.11). “fizeste que os homens cavalgassem sobre nossas cabeças”. (v.12a). Era como se tivessem sido obrigados a passar por chamas ardentes e inundações furiosas: “...passamos pelo fogo e pela água...” (v. 12b). Apesar disso, Deus não permitiu que o povo fosse derrotado. Pelo contrário, trouxe-o para um lugar espaçoso, ou seja, uma terra onde havia amplos rios, nascentes e córregos, produzindo fertilidade e abundância.

O mesmo acontece conosco. Encontramo-nos numa época de tantas provações. Deus nos dá diversas provas e literalmente nos coloca no fogo para nos acrisolar. E quando passamos por essas provações, ficamos sem alegria, sem paz e em desespero. São situações que nunca pensávamos em viver, e parecem que nunca terão fim. É nessas horas que os questionamentos a Deus começam a surgir:  Que Deus é esse que deixa seus filhos desemparados? Que Deus é esse que não tem piedade com aqueles que sofrem? Mas se você anda nesse vale de lagrimas, diante de situações adversas, como enfermidade, problema financeiro, crises, relacionamentos. Lembre-se que os filhos de Deus ao longo da história enfrentaram as mesmas circunstâncias e sempre foram amparados pelo Senhor.

A Bíblia, possui muitos exemplos de pessoas que passaram por provações, e enfatiza o objetivo das provações: servem para nos fortalecer, aperfeiçoar e purificar e ajudar a crescer espiritualmente. O livro de Provérbios, por exemplo, afirma: “Assim como o ouro e a prata são provados pelo fogo, o bom nome de uma pessoa também pode ser posto à prova...” (Provérbios 27.21). Pedro afirma:  “para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo”.(1 Pedro 1.7).Lemos em Zacarias: " Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a provarei como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: é meu povo, e ela dirá: O Senhor é meu Deus." (13.9).

No entanto, ainda, que a provação em si seja algo difícil, o resultado dela é motivo de alegria e gratidão a Deus. O que fazer, então, quando somos assolados pelo sofrimento?  Tiago disse: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.2-4). A ordem de Tiago é para que nos alegremos face às várias provações a que estamos sujeitos neste mundo. É preciso se manter íntegro e fiel a Deus diante das provações, pois, somente Ele pode nos tirar de um lugar de morte e nos posicionar em um lugar espaçoso, onde passamos encontrar esperança, fé, amor e salvação em seu Filho Jesus Cristo.  É certo que as tribulações continuarão fazendo parte da nossa vida até a volta de Jesus. Mas não podemos nos esquecer por mais difícil que seja a situação, confie que Deus. Ele derramará muitas bênçãos sobre sua vida no momento certo.

Mesmo diante das provações, o salmista agradece a Deus ao realizar a sua oferta. Ele não faz de uma forma mecânica, ao contrário ele o faz de todo o coração. Ele afirma: “Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos.” (v.13). Com isso, o salmista afirma sua fidelidade no relacionamento com Deus, fato evidenciado no culto público e no cumprimento dos compromissos que ele assumiu com o Senhor. Ele também diz: “Oferecer-te-ei holocaustos de vítimas cevadas, com aroma de carneiros; imolarei novilhos com cabritos.” (v.15). A princípio, essa lista de sacrifícios parece não dizer muito. Mas, ao identificar os elementos presentes no texto, é possível notar, na primeira parte, a menção de “holocaustos” – ofertas totalmente queimadas. Na segunda, a menção de um novilho oferecido com cabritos remete às “ofertas pacíficas” – ofertas que, depois de oferecidas a Deus, eram comidas pelos sacerdotes e pela família do ofertante – das tribos israelitas na consagração do tabernáculo. Assim, pela lista de sacrifícios propostos, o salmista garante que adorará o Senhor no culto público com “coração grato, alegre e dedicado”. Era algo grandioso que o salmista estava realizando ao Senhor.

Assim, após a oferta de agradecimento a Deus, atitude do salmista é um desejo de testemunho a respeito do Senhor. Ele faz um convite aberto e amplo, dizendo: “Vinde, ouvi, todas vós que temeis a Deus, e vos contarei o que tem ele feito por minha alma.” (v.16). O salmista quer anunciar as grandezas de Deus. No início do Salmo, ele lembrou:” “Vinde e vede” (v.5) Agora, lembrou dos feitos grandiosos de Deus a fim de comparar a atuação do passado com a que ele presenciou com seus olhos. Tendo recordado os milagres do passado, o salmista anuncia a resposta positiva do Senhor aos seus clamores: “Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração.” (v.19). Esse é um fato que não pode ser escondido diante da gratidão que o escritor do salmo sente: Deus ouviu a sua oração.

Deus ouve e atende as nossas orações. Esta é a grande verdade que todo o cristão precisa compreender. Deus diz para Jeremias 33.3 "clama a mim e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas..." Que bom que temos um Pai amoroso que cuida de nós e atende as nossas orações. E ele faz isso tão somente por causa de seu grande amor para conosco. Deus ouve e atende as nossas orações feitas com fé, em nome de Jesus. Mesmo que a resposta seja “não”, ele sabe sempre o que é bom para nós. E, no seu amor, nos dá tudo o que é necessário para a nossa salvação. Se você tem pedido alguma coisa a Deus, ouça a sua resposta em seu coração, acalme-se creia que Ele sabe o que faz. Deus tem o controle do tempo, do modo, da situação, de sua vida. Ele sabe o que é melhor para você.

O salmista termina o salmo, afirmando esta grande verdade. Ela fala da resposta divina aos seus clamores e louva seu nome: “Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.” (v.20).  O encerramento do salmo faz transparecer a razão pela qual Deus atende a súplica de homens pequenos e falhos: “Pois não rejeitou a minha oração, nem afastou de mim o seu amor”. Esse “amor” pode ser traduzido como “graça”, “bondade” ou “misericórdia”. Mas sua ênfase é sobre a ideia de um “amor fiel” que não abandona os seus. É o amor que, movido por graça plena, busca o benefício alheio mesmo se – ou principalmente se – esse benefício não pode ser retribuído à altura. Essa é a razão da resposta positiva de Deus libertando a nação do salmista e o motivo pelo qual este depende de Deus para ouvi-lo e para abençoá-lo. Esse é um dos maiores motivos de gratidão que podem existir diante de Deus.

Estimados irmãos! Vamos mostrar a Deus toda a nossa gratidão e louvor diante de seus grandes feitos em nossas vidas! Melhor ainda é fazê-lo de todo o coração em todo o tempo e não apenas quando Deus tem de corrigir os nossos erros. Que possamos, ó povo de Deus, viver constantemente em estado de adoração e gratidão ao nosso Deus. Amém.