TEXTO: MT 5.13-20
TEMA: VIVENDO O REINO DIANTE DO MUNDO
Jesus sobe ao monte para ensinar. Mateus relata que, quando Ele se assentou, "aproximaram-se dele os seus discípulos". Eles eram o alvo principal do ensino, pois Jesus estava treinando aqueles que levariam Sua mensagem adiante.
Embora os discípulos estivessem mais perto, as "multidões" (v. 1) também estavam presentes. Eram pessoas de todas as partes: da Galileia, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão (Mateus 4.25). Muitos estavam ali por curiosidade, outros buscavam cura física, e alguns estavam famintos por uma esperança que os líderes religiosos da época — os fariseus e escribas — não ofereciam.
A escolha do monte não foi apenas logística, para que todos pudessem ouvi-lo, mas um ato que comunicava algo profundo aos seus ouvintes: um novo tempo de revelação. Em seus ensinamentos, Jesus não apresenta apenas regras religiosas; Ele revela a natureza do Reino de Deus e o tipo de vida que nasce de um relacionamento verdadeiro com o Pai. Ele fala às pessoas simples e, ao mesmo tempo, estabelece as diretrizes fundamentais para os Seus discípulos, a fim de que vivam o Reino de Deus de forma relevante e profunda. Ele também deixa claro em seus ensinamentos que o Reino se torna visível através da vida daqueles que o seguem.
No texto de hoje, Jesus revela que viver o Reino de Deus implica uma fé visível e atuante, que exerce influência real sobre o mundo. Ao chamar seus discípulos de sal da terra e luz do mundo, Ele deixa claro que a vida no Reino não é passiva nem oculta, mas marcada por presença transformadora. Essa influência se manifesta na capacidade de iluminar ambientes tomados pela escuridão moral e espiritual, oferecendo direção, esperança e verdade àqueles que observam.
Além disso, Jesus aponta para uma justiça superior, que vai além do cumprimento externo da Lei e alcança as motivações do coração. Trata-se de uma justiça que não busca reconhecimento humano, mas que, ao ser vivida de forma íntegra, se torna evidente diante de um mundo atento. Assim, viver o Reino é testemunhar, por meio de palavras e ações, uma vida alinhada aos valores de Deus, de modo que a observação do mundo resulte não na exaltação do discípulo, mas na glorificação do Pai.
Este ensino é significativa para os discípulos, porque Jesus descreve um estilo de vida que eles deveriam viver. Seriam completamente diferentes desse mundo.Também somos chamados a viver esse estilo de vida ser testemunhas em meio a uma geração pervertida e corrupta, fazendo a diferença por meio de um modo de vida que não cultiva os valores do mundo, mas do Reino de Deus.
Jesus inicia o texto declarando aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra” (v.13). Os discípulos deveriam assumir a missão de ser sal da terra. Teremos uma melhor compreensão dessa analogia, a partir de algumas características desse elemento sal. Vejamos: o sal possui duas características muito importantes: ele tem a função de preservar e dar sabor ao alimento. Jesus acrescenta ainda outra observação: o sal deve manter sua qualidade de salgar e para nada serve se perder a sua salinidade. O fato é que o sal faz muita diferença num alimento. Um pouco de sal transforma a comida toda!
Diante da grande responsabilidade de ser sal no mundo, Jesus exemplifica a atitude que os discípulos deveriam exercer através de uma metáfora, do elemento sal que usamos no dia a dia. Interessante que o sal no passado era algo de muito valor. Foi um dos bens mais desejados da história humana, um artigo precioso que motivou guerras, ergueu impérios e estimulou o comércio entre os povos. Ele era uma substância vital. E uma das funções mais importantes do sal era justamente o poder de preservar os alimentos. Era a melhor solução para impedir a deterioração dos alimentos. Além disso, ele também servia como tempero, como ocorre ainda hoje. São exatamente estas características do sal que Jesus usa para ilustrar o papel, que os discípulos deveriam desempenhar neste mundo
Na verdade, o sal puro não perde o seu caráter distinto, mas uma vez misturado com elementos impuros e estranhos, pode perder a sua propriedade. Jesus deixa claro que se o sal se tornar insípido, ou seja, sem sabor, para nada servirá. Nas palavras de Jesus, só há duas possibilidades: ou somos sal da terra ou sal insípido. Mas o que significa ser sal da terra? Será que já paramos para pensa porque Jesus nos compara com o sal? Ser sal da terra significa ter uma vida que glorifica a Deus, bem como levar outras pessoas a seguir Jesus. Como o sal da terra, temos a função de preservar o mundo da deterioração moral e espiritual que o maligno busca implantar. Como sal, devemos temperar. Lemos em Colossenses 4.6: "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um". Eis aqui um dos nossos maiores deveres como cristãos: dar sabor, dar gosto a essa terra que anda mais que nunca mergulhada em profunda tristeza, desespero e dissabor, combatendo a corrupção moral e espiritual da sociedade. Que Deus nos capacite a sermos sal nesse mundo!
II
Jesus usa outra metáfora para exemplificar, como deveria ser o procedimento e atitude dos discípulos. Ele afirma: “Vós sois a luz do mundo da terra.” (v.14). Que afirmação impressionante que Jesus transmite aos seus discípulos. Ele não estava se dirigindo a líderes religiosos. Não estava encorajando pregadores ou teólogos. Estava falando com pessoas comuns, pessoas totalmente sem importância do ponto de vista do mundo daquela época. Ele também não disse que os filósofos eruditos ou estrategistas políticos eram a luz do mundo. Mas foi uma declaração extraordinária aqueles que deveriam ser luz neste mundo: os discípulos. Por isso, os discípulos deveriam estar conscientes seriam o reflexo da luz divina neste mundo e diante de todos os povos da terra. Não podiam se esconder e nem se omitir da missão que teriam que realizar.
Estas palavras de Jesus não ficaram restrita apenas aos discípulos, mas se estende a todos quantos creram em Jesus e se tornaram também seus discípulos no decorrer dos tempos. Sendo discípulos de Jesus, Ele também diz a todos nós: “Vós sois a luz do mundo da terra.” Isto significa que a vida do cristão deve iluminar os que estão em sua volta; que é preciso testemunhar sobre Jesus, tirar as pessoas das trevas, espalhar essa luz e deixar que ela atinja quem está ao redor. O nosso objetivo e conduzir estas pessoas à presença de Cristo, pois Ele é a solução para o mundo em trevas espirituais. Veio brilhar esse mundo, iluminar nosso caminho, dissipar as trevas do pecado e encher o coração daquele que o aceitam como Salvador. Jesus disse: “Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (Jo 8.12).
Não podemos esconder essa luz quando decidimos seguir os passos de Jesus e sermos seus discípulos. É como uma cidade edificada sobre um monte, ninguém pode esconder. (v.14b). Não tem como ser escondida. Afinal, ela está em um local de grande visibilidade, é impossível não notar sua presença. As suas luzes são claramente visíveis a quilômetros de distância. Podem ser vistas por todos que estivessem nas partes mais baixas, causando admiração. Da mesma, forma também não faz sentido alguém acender uma candeia e deixá-la escondida: “nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no “velador”. (v.15). O termo λύχνος (candeia) no grego deve ser entendido como "lâmpada.” Era um instrumento de iluminação, vaso ou uma vasilha, abastecido com óleo que era prendido no alto nas paredes para iluminar a casa. No entanto, esta lâmpada não deveria ser colocada “debaixo do alqueire”. O termo “alqueire” trata-se de um cesto com a finalidade de medir grãos que servia para apagar a luz sem fumaça. A recomendação de Jesus é que a lâmpada deve ser colocada no λυχνία (velador), ou seja, castiçal, candelabro. No tempo de Jesus, a lâmpada deveria ser colocada em um pedestal, ou mais provavelmente em um nicho na parede de barro. Ela iluminava a todos aqueles que estivessem na casa.
De fato, não faz sentido colocar uma lâmpada no chão ou debaixo de um cesto, pois ela não irá iluminar a casa. Jesus nos ensina colocar a lâmpada acesa sobre o velador, numa posição de destaque afim de iluminar a todos que se encontram na casa. Assim como a função de uma lâmpada acesa numa casa é a de iluminar todo o ambiente, a função do cristão, como luz do mundo, é brilhar. Desta forma, há uma ordem dada pelo próprio Jesus: “brilhe a vossa luz diante dos homens…”. (v. 16a). Como vamos fazer brilhar nossa luz? Jesus apresentou o tipo de comportamento que o cristão deve ter para que sua luz brilhe diante dos homens no Sermão do Monte: humildade, mansidão, misericórdia, pureza de coração, ser pacificador, ter fidelidade, ser confiável e leal; buscar em primeiro lugar o Reino de Deus, não julgar de maneira hipócrita.
No entanto, há uma verdade fundamental que deve ser compreendida neste versículo: “para que vejam as vossas boas obras” (v.16b). Não resta dúvida que a nossa luz deve brilhar diante dos homens para vejam as nossas boas obras. Quando realizamos estas boas obras, outros vão perceber. Mas jamais as nossas boas obras devem significar honra e glória para nós mesmos. Não se trata de uma pessoa que se exibe ou mostra que é melhor ou superior a outro. O Senhor reforçou esta advertência ao criticar as pessoas que fazem suas boas obras para serem vistas e honradas pelos outros: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai Celeste” (Mateus 6.1). O nosso objetivo é glorificar ao nosso Deus e não receber honras, glória, méritos.
Dentro da realidade em que vivemos, somos chamados a agir como sal e como luz. Haverá quem tentará retirar o sabor do sal e apagar a luz, assim como as primeiras comunidades cristãs experimentaram. Por isso, é preciso permanecer firme. Que o Altíssimo nos capacite a sermos sal e luz neste mundo!
Jesus não apenas nos ensina sobre ser sal e luz, mas também nos chama para viver uma justiça que nasce no coração e se manifesta na vida. Ela vai muito além da mera aparência religiosa, pois Deus não busca pessoas apenas corretas diante dos homens, mas corações íntegros diante d’Ele. Para fundamentar essa nova vida, Jesus inicia Sua fala com uma afirmação categórica. Categórica significa algo absoluto, definitivo, que não deixa margem para dúvidas ou interpretações contrárias. Ele diz: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir" (v.17). Jesus inicia com uma advertência, porque seu ensino sobre o Reino de Deus parecia, para os líderes religiosos da época, uma ameaça às tradições. Por isso, age de forma direto e firme.
Ele afirma que não veio revogar a Lei ou os Profetas. Jesus aqui refere- se , mais especificamente, à Lei Mosaica, o Decálogo – 10 mandamentos - Lei essa dada por Deus a Moisés para o povo de Israel. No Antigo Testamento, “a Lei e os Profetas” é uma forma resumida de se referir às Escrituras hebraicas como um todo, mas cada parte tem um papel específico. De fato, Jesus não veio “revogar”. No original grego, o termo carrega a ideia de arruinar, desfazer ou tornar inválido. Ao usá-lo, Jesus afirma explicitamente que não veio tratar o Antigo Testamento como algo obsoleto ou sem valor. Pelo contrário, Ele confirma sua autoridade e o reconhece como base divina, sobre a qual o Reino de Deus se estabelece e ganha pleno significado. Portanto, Ele veio “cumprir”. O verbo πληρῶσαι se encontra no aoristo infinitivo ativo que significa, de forma bem rica: encher plenamente, completar, levar à plenitude, cumprir até o fim. Este é o termo central. Não significa apenas "obedecer" às regras, mas "preencher", "completar". Isto significa que Jesus mudou a forma como nós podemos chegar a Deus, não necessitando mais de circuncisão, sacrifícios de animais, entre outras coisas. Agora, temos livre acesso a Deus, tudo isso graças a morte de Jesus na cruz.
Essa importante declaração de Jesus nos dá uma visão de Sua missão. Ele revela a profundidade dessa missão: enquanto a Lei mostrava o padrão de santidade de Deus, os Profetas anunciavam a esperança da redenção. Isto significa que Jesus é a realidade final para a qual tudo apontava. Em Jesus, ambos encontram seu pleno significado. Ao olhar para Jesus como o cumprimento da Lei, somos convidados a descansar n’Ele e, ao mesmo tempo, a viver de forma coerente com o Reino de Deus. Nossa vida passa a refletir não um legalismo vazio, mas uma fé viva, marcada pelo amor, pela verdade e pela transformação diária. Você tem buscado cumprir a vontade de Deus por amor ou apenas por dever? Sua vida revela o caráter de Cristo?
Jesus reforça esse pensamento. Na prática, Ele apresenta uma afirmação de autoridade e continuidade: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.” (v. 18).Ao dizer essas palavras, Ele não cita rabinos,mas fala como o próprio Legislador. Manifesta Sua própria autoridade, é como se dissesse: "O que vou dizer agora é uma verdade absoluta e imutável". Neste sentido, o texto destaca três pontos fundamentais: primeiro, Jesus manifesta a durabilidade da Palavra: a expressão "até que o céu e a terra passem" designa o fim dos tempos ou a consumação da história. Isso significa que a Lei possui uma função fixa e indestrutível enquanto este mundo existir. Ela não é obsoleta, mas o alicerce moral do universo; enquanto o universo subsistir, a vontade de Deus permanece ativa.
Segundo, Jesus utiliza uma metáfora baseada no alfabeto hebraico para enfatizar que até os detalhes "insignificantes" são sagrados. O "i" (Yod) é a menor letra do alfabeto Hebraico (י), assemelhando-se a um pequeno traço. O "til" era um minúsculo detalhe gráfico que diferenciava letras muito parecidas. Com isso, Jesus ensina que Deus se importa com as "letras miúdas". Nada na revelação é acidental; cada ponto tem um propósito e aponta para uma verdade maior. Finalmente,o alvo final: a frase "até que tudo se cumpra" indica que a Lei não existe por si só; ela possui uma finalidade. Ela aponta para a santidade de Deus e para a nossa necessidade de um Salvador. Jesus garante que o plano divino não falhará: tudo o que foi prometido e exigido na Lei encontra seu destino final e sua plena realização em Cristo.
Após declarar que não veio revogar a Lei, mas cumpri-la, Jesus estabelece uma advertência prática, fundamental para compreendermos a ética do Reino de Deus: “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus.” (19a). Jesus afirma que, no Reino, não basta apenas conhecer a Lei de Deus; é preciso vivê-la e transmiti-la corretamente. Ele estabelece uma distinção profunda entre duas atitudes. Primeiro, aquele que desobedece os "menores mandamentos. O que seriam esses “mandamentos menores”? Para os fariseus da época, havia uma tendência de classificar as leis como "importantes" (ex.: não matar) ou "insignificantes" (ex.: leis sobre o dízimo). Apesar de existir preceitos considerados "menores" na tradição judaica, contudo, para Jesus, nenhum deles é irrelevante. Na visão de Cristo, a desobediência deliberada em "coisas pequenas" revela um coração que não está totalmente submetido à Sua autoridade. Mesmo que se trate de um ponto aparentemente simples, negligenciá-lo demonstra descuido com a vontade de Deus. A advertência de Jesus torna-se mais severa ao mencionar o ato de “violar os mandamentos e ensinar aos homens". Por essa razão, quem assim procede é chamado de “mínimo” no Reino dos céus — O título de "mínimo" é o resultado de uma vida que tentou diminuir a Palavra de Deus diante dos homens.O que não significa, necessariamente, a sua exclusão, mas sim uma perda de honra e galardão.
Segundo,Jesus eleva a importância da fidelidade para aqueles observam e ensinam os mandamentos: “aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.” (v.19b). Jesus enfatiza detalhes importantes: observar (praticar) e ensinar. Observar refere-se à obediência pessoal e íntima aos princípios éticos e espirituais. Ensinar refere-se à transmissão desses valores aos outros.Aquele que observar e ensinar será considerado grande no Reino dos céus.Ser “grande” no Reino dos Céus não é apenas saber a teoria ou ser coroado por atos heroicos ou monumentais. No Reino dos céus, a "grandeza" funciona de forma inversa à lógica do mundo. No mundo grande é quem é servido, quem tem fama ou acumula riquezas. No Reino, grande é quem serve de guia para os outros através da sua própria conduta. Com uma lealdade constante às pequenas regras de amor, justiça e misericórdia no cotidiano. A recompensa não é a salvação (que é pela graça), mas o reconhecimento e a honra diante do Pai por ter zelado por cada "jota e til" da vontade divina.
No entanto, Jesus estabelece necessidade de uma justiça superior à dos fariseus: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (v.20). Ele censurou a justiça dos escribas e fariseus; repreendeu e criticou o orgulho que dominava a vida desses homens. Eles julgavam-se suficientes para reconciliar-se com Deus; julgavam-se capazes de satisfazer a vontade de Deus; acreditavam salvar-se pela sua autojustiça; enfim, achavam que já estavam nos céus. Realmente, Jesus não está satisfeito com a justiça dos escribas e fariseus. Ele condena essa justiça.
O que nos surpreende é que Cristo ataca a justiça dos fariseus e escribas. Ora, atacar a justiça dos fariseus e escribas era uma situação de ousadia, porque eram conhecidos como rigorosos observadores da lei. Se havia uma classe de homens que tinha levado o cumprimento da lei a uma perfeição, eram os escribas e fariseus. Eles alegavam que cumpriam até mais do que a lei estipulava. Se havia ordem de jejuar uma vez por semana, eles jejuavam duas. Se a lei determinava que se contribuísse com o dízimo sobre o salário, alegavam que a cumpriam. Exemplo disso, temos a história do fariseu no templo: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano, jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.( Lc 19.14).
Será que, por vezes, esta justiça dos fariseus não se encontra morada em nossos corações? Será que com nossas atitudes e posicionamentos de vida, agradam a Deus? Será que Jesus está satisfeito com a nossa justiça? Jesus nos convida para fazer um exame profundo e sincero, de nosso íntimo. Afirma Jesus que ninguém de nós entrará no Reino de Deus se a nossa justiça não for melhor, se não for superior à dos escribas e fariseus. A nossa justiça excede quando reconhecemos a nossa incapacidade de cumprir a Lei de Deus. Ela só pode ser superior quando confiamos na justiça de Jesus e vivendo uma vida de acordo com os mandamentos de Deus.
A verdade é que, não se entra no Reino dos céus cumprindo a lei, com boas obras, cerimônias eclesiásticas como faziam os escribas e fariseus. Lembre-se: não é o orgulho, posição, mérito ou ações próprias que farão mover a justiça de Deus em seu favor. Quantas obras aprovadas pelos homens, que Deus rejeita? Quantas posições honradas pelos homens, que Deus não reconhece? Devemos suplicar como o publicano: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Reconheço que não mereço nada da tua parte, a não ser castigo, sabendo disso, te peço compaixão, misericórdia pelo os meus pecados.
Jesus apresenta uma justiça infinitamente superior à dos escribas e fariseus. E que justiça é essa? É uma justiça que o homem não possui. É uma justiça que o Filho de Deus adquiriu para os homens. Para esse fim veio ao mundo. “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas, não vim revogar, vim para cumprir”.(v. 17).Deus enviou seu Filho nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei (Gl. 4. 4-5). Jesus veio cumprir a Lei.
Foi esta realmente a missão que o trouxe ao mundo. Alguém tinha de fazê-lo, já que o homem não era capaz para tanto. O que se torna impossível para o homem, Jesus o fez em nosso lugar: ele cumpriu a Lei integralmente. Sujeitou-se também às penas da lei em que os homens haviam incorrido sofrendo até a morte infame na cruz. Adquirimos esta justiça, sem obras da lei, por graça, unicamente pela fé. Paulo nos diz: “O homem não é justificado por obras da lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl. 2.16). Desta forma seremos salvos, não pela nossa própria justiça, e sim, por uma justiça alheia que nos salva, que é de graça - a justiça de Cristo.
Senhor, ajuda-nos a ser o sal que preserva a verdade e a luz que revela o Teu amor.E que a Tua Lei não seja apenas um código de letras, mas um guia de vida. Enfim, saibamos buscar uma justiça superior à dos escribas e fariseus — e superior à nossa própria.
Como minhas palavras e atitudes têm preservado os valores da Lei de Deus nos ambientes onde circulo?Tenho dado um 'sabor' de esperança ou tenho me tornado insípido pela conformidade com o mundo?Minhas boas obras são visíveis o suficiente para que outros glorifiquem ao Pai?
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