TEXTO: SL 112
TEMA: A FELICIDADE DAQUELE QUE TEME AO SENHOR
O homem do presente século vive em busca da felicidade. Na verdade, todos a desejam e procuram; há uma busca constante por esse estado de plenitude. Mas, afinal, o que é a felicidade? Onde posso encontrá-la? Como posso ser feliz e por que nem todos o são?
As respostas para esses questionamentos encontram-se nas palavras do Salmo 112. O salmista descreve a verdadeira felicidade: aquela que não depende de riquezas, sucesso ou reconhecimento humano, mas do temor ao Senhor. Temor, aqui, não significa medo, mas sim reverência, respeito e amor a Deus — um sentimento que nos motiva a andar em Seus caminhos.
Quando vivemos uma vida centrada no Criador, nossos relacionamentos são abençoados. Nossa família prospera em harmonia e nossos esforços diários ganham propósito e sentido. Esse temor transforma nossas decisões, atitudes e a forma como lidamos com as dificuldades. Aqueles que O temem confiam que Deus é soberano e bom; por isso, conseguem encontrar paz e alegria mesmo nos momentos mais desafiadores.
Ao escolhermos os caminhos do Senhor, nosso coração encontra descanso e nossa alma ganha direção. É uma felicidade firme e autêntica — aquela que só Deus pode conceder.
Vejamos, agora, os pilares que sustentam a felicidade daquele que teme ao SENHOR, conforme o salmo: primeiro, ele é feliz porque tem uma base inabalável. O homem que teme ao Senhor é feliz porque sua confiança não pertence a este mundo. Enquanto todos se desesperam com crises e enfermidades, ele descansa em Deus. Sua vida não é regida pela ansiedade, mas pela certeza de que está nas mãos de quem governa o universo.
Segundo, ele é feliz porque obedece aos mandamentos de Deus (Lei).Nossa obediência aos mandamentos é a expressão do nosso amor pelo Pai Celestial. Ele nos ensina que, ao guardarmos Sua Palavra e praticarmos Seus ensinamentos, encontramos a verdadeira felicidade.
Terceiro, ele é feliz porque sua família é abençoada. O temor ao Senhor transforma o ambiente doméstico, pois quem o pratica planta sementes que florescerão por gerações. O salmista confirma essa promessa ao dizer: “A sua descendência será poderosa na terra; a geração dos justos será abençoada” (v. 2). Testemunhar os filhos trilhando bons caminhos e desfrutar de um lar harmonioso é a máxima expressão da felicidade terrena.
Terceiro, ele é feliz porque tem firmeza em meio às trevas. O justo não está imune aos dias ruins, mas sua reação é diferente: mesmo nos momentos difíceis, a graça e a compaixão brilham através dele. O texto afirma: “Não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando no Senhor”. Enquanto o mundo se desespera diante de notícias ruins, o justo descansa plenamente no SENHOR.Quando ele “nasce da luz nas trevas”, vive segundo os princípios do Senhor, é feliz.
Quarto, ele é feliz porque confia plenamente no SENHOR .Quaisquer que sejam as perseguições tribulações ou aflições que possa vivenciar, sabe que Deus é capaz de fazê-lo superar todas essas coisas. Ele confia plenamente no Senhor, porque “o seu coração é firme, confiante no Senhor.”
Quinto,ele é feliz porque está bem firmado no SENHOR. Enquanto o mundo tenta sustentar-se por conta própria, o justo descansa no suporte de Deus. Ele não teme o futuro nem os inimigos, pois sua esperança está na vitória final da justiça divina, mantendo o coração calmo enquanto Deus escreve o desfecho da história.
Estimados irmãos! O salmista afirma que aqueles que temem ao SENHOR são felizes: “Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor e se compraz nos seus mandamentos.” (v.1). Mas o que é ser feliz? Embora existam muitas definições, pode-se afirmar que se trata de um estado emocional constituído por sentimentos de satisfação, contentamento e realização. Pode-se afirmar, ainda, que se trata de um momento em que as pessoas manifestam contentamento, sentem-se em harmonia consigo mesmas e projetam perspectivas otimistas para o futuro. Conforme o texto, o salmista apresenta duas fontes para ser feliz: temer a Deus e a obediência aos Seus mandamentos (Lei). Temer a Deus é a maneira correta de alguém se aproximar de Deus com reverência e respeito. O verbo יָרֵא traduzido por “temer” traz a conotação de medo, terror, temor, coisa temerosa. Mas quando se refere a Deus, o relacionamento do homem com Deus, significa, respeito, reverência, piedade. Esse temor é puro e permanece eternamente (Salmos 19.9).
Quem teme a Deus é uma pessoa feliz. Os primeiros cristãos caminhavam no temor do Senhor (Atos 9.31). A vida diária e a conduta deles eram determinadas pelo temor que tinham a Deus. Em suas vidas práticas. sempre tinham o Senhor Jesus em suas mentes e andavam com Ele em seus caminhos. Esta deve ser a atitude do cristão em relação ao seu Criador. Aquele que teme ao Senhor é uma pessoa feliz. Sendo feliz, ela sempre honrará o SENHOR, dará glória, andará em seus caminhos e viverá por princípios. Tudo prospera na sua casa, no seu trabalho, na sua família. Mesmo vivendo num mundo cheio de aflições e tribulações, os que temem ao SENHOR, têm paz e vida com abundância: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem” (Salmo 128.1.2).
A segunda fonte mencionada pelo salmista, para ser feliz, é a obediência aos mandamentos de Deus (Lei), ou seja, aquele que “se compraz nos seus mandamentos.” O termo חָפֵץ (compraz) significa deleitar, desejar, estar alegre em fazer. É alguém que tem muito prazer nos mandamentos do SENHOR. De fato, o homem que se compraz na Lei do SENHOR é bem-aventurado. E o salmista se sentia bem-aventurado, pois o seu prazer estava na Lei do SENHOR, e não em outras coisas. Ele direciona seu pensamento para a LEI DO SENHOR. E quanto mais ele temia e amava a Deus, mais se deleitava ao seu Criador. O que se conclui que temer ao SENHOR e deleitar-se grandemente em seus mandamentos são expressões paralelas que descrevem a atitude dos justos.
Deus deu mandamentos ao Seu povo e prometeu que, se fosse fiel, herdaria o descanso em uma terra abençoada e seria uma bênção para todas as nações. Lemos em Deuteronômio 30.15-16: “Vê que hoje te pus diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal. Se guardares o mandamento que eu hoje te ordeno de amar ao Senhor teu Deus, de andar nos seus caminhos, e de guardar os seus mandamentos, os seus estatutos e os seus preceitos, então viverás, e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que estás entrando para a possuíres.” E ainda: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, que guardes os mandamentos do Senhor, e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno para o teu bem?” (Deuteronômio 10.12-13).
Deus também nos deu mandamentos, instruções para a nossa felicidade e para o nosso bem-estar físico e espiritual.Nossa obediência aos mandamentos é a expressão do nosso amor pelo Pai Celestial. Ele nos ensina que, ao guardarmos Sua Palavra e praticarmos Seus ensinamentos, encontramos a verdadeira felicidade. Jesus disse: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. (João 15.10). O melhor que podemos fazer pela nossa vida é temer a Deus e obedecer aos seus mandamentos.
No entanto, o temor ao Senhor cria um ambiente doméstico diferente,pois aquele que teme ao Senhor,planta sementes que florescerão em gerações futuras: sua descendência será poderosa na terra. O salmista afirma: "A sua semente será poderosa na terra.” (v.2a). Estas palavras nos lembra a promessa do SENHOR a Abraão: “Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção” (Gn 12.2). A história relata que esta grande nação se tornou poderosa, forte, valente sobre a terra. Deus havia concedido muitas bênçãos, pois temia e guardava os mandamentos do SENHOR. Foi abençoada pelo fato de ser íntegra, temente ao SENHOR. Este é o caminho do justo: “a sua descendência será poderosa e abençoada.” (v.2b). Isto significa que a bênção divina haveria de repousar sobre os seus descendentes e seriam poderosos e prósperos. Até mesmo a cidade de Sião seria abençoada: “O Senhor te abençoe desde Sião, para que vejas a prosperidade de Jerusalém durante os dias de tua vida, vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel!” (Salmo 128.5- 6). Seus filhos vêm a ser os herdeiros de suas bênçãos espirituais e materiais.Ver os filhos crescendo em bons caminhos e desfrutar de um lar harmonioso é uma das maiores formas de felicidade terrena.
Outra característica do justo encontramos no versículo 3: “Na sua casa há prosperidade e riqueza, e a sua justiça permanece para sempre.” Há muitas traduções diferentes dos termos “prosperidade e riquezas”.(Almeida). Outras versões aparecem como: “bem-estar e riquezas”, “fazenda e riquezas”. No hebraico, o versículo utiliza dois termos distintos que, embora traduzidos frequentemente como sinônimos, possuem nuances diferentes: o termo הוֹן refere-se a bens materiais, substância ou riqueza suficiente para suprir as necessidades e gerar conforto. É a base da estabilidade doméstica.O termo עֹשֶׁר refere-se a uma riqueza mais abundante e acumulada, frequentemente associada a um status de grande prosperidade. Literalmente, o texto reforça a ideia de uma plenitude de recursos, indicando que na casa do justo há tanto o necessário para a manutenção quanto a abundância para a influência e generosidade. Embora muitos interpretem isso literalmente (sucesso financeiro), os comentaristas bíblicos clássicos e contemporâneos sugerem algo mais profundo. A "riqueza" aqui inclui a paz doméstica, a integridade moral e a influência positiva na comunidade. É uma prosperidade que não corrompe, porque está fundamentada no temor a Deus.
Ao analisarmos a respeito “prosperidade e riqueza”, entende-se que Deus não se opõe à posse de bens. A Escritura nos apresenta exemplos claros, como Abrão, um homem justo que "era muito rico em gado, em prata e em ouro" (Gênesis 13.2). O plano divino para Abraão não parava em seu patrimônio; ele foi abençoado para que, através de seus descendentes, todas as nações da terra fossem abençoadas (Gênesis 18.18; 22.18; 26.4). Isso demonstra que a riqueza, nas mãos do justo, é uma ferramenta de bênção e não um fim em si mesma. Mas há um contraste entre o efêmero e o eterno. Afinal, vivemos cercados por realidades transitórias: bens mudam de dono, conquistas perdem o brilho e a segurança material oscila conforme as crises. A riqueza material é passageira, uma posse que o tempo consome; mas a riqueza da alma é eterna, um tesouro que a eternidade preserva.
O salmista, com notável sabedoria, não nega a existência da riqueza material, mas aponta para algo superior para quem teme ao SENHOR: “A sua justiça permanece para sempre” (v.3b).Enquanto o dinheiro é um recurso temporal, a justiça é um ativo eterno. No contexto bíblico, essa justiça não significa perfeição moral absoluta, mas sim fidelidade diária. É fazer o certo quando ninguém está olhando, usar recursos (financeiros ou talentos) para promover o bem e manter a honra mesmo quando há prejuízo pessoal.
Mas há um outro detalhe importante: ela “permanece para sempre”. No hebraico, o termo "permanece" carrega a ideia de algo que "fica de pé". Quando as circunstâncias ao redor tornam-se instáveis, a vida construída sobre a justiça não desmorona. Ela sofre abalos, pois o seu fundamento é inabalável. Deus continua concedendo bens materiais aos justos que O temem verdadeiramente, pois a sua justiça permanece para sempre. Isto demonstra que Deus sempre será justo. E os efeitos da Sua justiça serão transmitidos de uma era para outra, na respeitabilidade, na riqueza, na felicidade a todos os descendentes dos justos. A verdadeira prosperidade bíblica é ter o suficiente para viver e o necessário para ser generoso. O que torna a nossa vida rica não é o que está guardado no cofre, mas os valores eternos que devem habitar em nossa vida.
Após afirmar que sua justiça permanece para sempre (v.3), o salmista mostra como essa justiça se manifesta em meio à adversidade. A cena agora não é prosperidade, mas trevas — dificuldade, incerteza, crise. O salmista afirma: “Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo.”(v.4). Esta é outra característica do justo. Mas quem é este justo? Na verdade, ninguém é justo pelo seu próprio mérito ou virtudes. Todos somos pecadores. Nos tornamos justos pela ação de Jesus que se entregou por amor a nós na cruz, nos resgatando do destino que era nosso, ou seja, nós merecíamos a morte e a condenação eterna por causa de nossas transgressões. Agora, somos justificados mediante a fé, como está escrito: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". (Rm 5.1.). Agora, somos justos. E o amor de Cristo nos constrange a viver única e exclusivamente para Ele (1 Coríntios 5.14,15).
Enquanto o ímpio tropeça no escuro sem saber para onde ir, o justo recebe clareza divina para tomar decisões sábias mesmo em meio ao caos. Deus nos ensina que “ao justo, nasce luz em meio as trevas.” (v.4a). Luz no Antigo Testamento simboliza orientação, esperança, vida e presença de Deus. Nascer indica algo novo, inesperado, progressivo — não um clarão instantâneo, mas um amanhecer. Isto significa que a Luz do SENHOR irá brilhar, resplandecer nas trevas. Como é maravilhoso saber que Deus é a luz: “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.” (João1.5). A luz faz parte da Sua essência, assim como o amor (1 João 4.8). E todo aquele que crê em Deus não permanece nas trevas, mas vive na luz. Deus é luz, e, por isso, o Seu Filho também é. Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida" (João 8.12).
Quando o justo “nasce da luz nas trevas”, ele vive segundo os princípios do Senhor. E consequentemente, torna-se uma pessoa generosa e socorre os necessitados, pois é “benigno, misericordioso e justo.” (v.4b). Ele não apenas recebe a luz, ele a reflete através do seu caráter. Quando buscamos a Luz do SENHOR frutificamos benignidade, misericórdia, compaixão para com os outros. Infelizmente, em nossos dias as pessoas se tornam cada vez mais individualistas e menos altruístas. Vivemos numa sociedade onde o "ter" é mais importante do que o "ser". Na verdade, não sabemos repartir com o nosso próximo as suas necessidades. Mas o salmista nos lembra no versículo 9, como deve ser o nosso procedimento: "Distribui, dá aos pobres; a sua justiça permanece para sempre, e o seu poder se exultará em glória.” Deus deseja que nos compadeçamos com os que têm necessidade, pois o Senhor também tem misericórdia de nós.
O justo sabe também administrar os seus negócios. Ele sabe lidar com a riqueza que Deus lhe deu: “Ditoso o homem que se compadece e empresta; ele defenderá a sua causa em juízo.” (v.5). A expressão טֹוב (ditoso) significa bom, agradável, amável. Ele é gracioso, misericordioso, generoso, pois se compadece e empresta. No hebraico, a palavra para "compadece" indica alguém que tem o coração inclinado para a graça e mostra favor ao emprestar o que possui. (bens). O verbo לָוָה (emprestar) significa juntar-se, formar união que se constitui entre devedor e credor, pedir emprestado, emprestar. No contexto bíblico, emprestar ao necessitado (muitas vezes sem juros, conforme a Lei) era um ato de profunda adoração e confiança na providência divina.
Isto demonstra que o justo ajudará outro – o próximo – com dinheiro ou bens a serem usados temporariamente. Além disso, ele sabe administrar os seus negócios com juízo, ou seja, com justiça, prudência, sensatez, economicamente, sabiamente. Ele rejeita a usura e a ganância, recusando-se a explorar o próximo por meio de juros abusivos, preferindo ajudar com generosidade e compaixão quando tem condições. Do mesmo modo, não aceita suborno nem se envolve em corrupção, mantendo-se fiel à justiça e à defesa do inocente. Esta é a forma como o justo age com seus bens, de modo que se torna uma luz que brilha neste mundo.
Quando ele é feliz nos seus negócios “não será jamais abalado” (v.6a). O termo מֹוט (abalado) significa cambalear, tremer, escorregar. Ele indica algo que não é removido do seu lugar. Enquanto o mundo vive em constante agitação — entre crises financeiras e abalos políticos — o justo permanece ancorado em algo que não oscila: o caráter de Deus. Ele possui uma reputação estável e uma influência constante; é um homem firme, estabelecido e próspero. Não escorrega sob pressão, pois o seu fundamento não é a riqueza mutável, mas a justiça eterna. Essa sua atitude fará com que o justo “seja tido em memória eterna” (v. 6b). Não se trata apenas de uma lembrança superficial, como a de um nome em um livro de história; a “memória eterna”, aqui, refere-se ao legado de suas boas obras que permanece vivo neste mundo, perpetuando o bem e iluminando o caminho para os outros. Diante dessa constatação, somos convidados a cultivar uma fé profunda e inabalável, a praticar a justiça e a bondade em todas as nossas ações, e a confiar que nossas vidas têm um objetivo maior do que podemos imaginar. Ao fazermos isso, podemos enfrentar as dificuldades com coragem e esperança, sabendo que nossa jornada está ancorada na rocha da fé e que nosso legado perdurará na “memória eterna” de Deus.
Enquanto os incrédulos tremem de medo a quaisquer notícias, os justos “não se atemorizam de más notícias. (v.7a). Essa é outra característica do justo. Ele não tem medo de relatos ruins. Sabe que Deus governa o mundo, e, portanto, não teme pela futilidade. Esta é uma afirmação do caráter, conduta, do seu exemplo que vimos no versículo 6. Mas porque ele não teme? Não teme, porque está determinado a seguir o caminho do SENHOR. E quaisquer que sejam as perseguições tribulações ou aflições que possa vivenciar, sabe que Deus é capaz de fazê-lo superar todas essas coisas. Ele confia plenamente no Senhor, porque “o seu coração é firme, confiante no Senhor.” (v.7b).
Para fechar o seu estudo o salmista traz a culminação da postura do justo diante do conflito. Ele não apenas "não teme" as más notícias (v.7), mas ele mantém o seu coração "bem firmado no SENHOR” (v.8a). No hebraico, a palavra para "firmado" ou "sustentado" é סָמוּך. O termo significa apoiar, escorar, encostar, suportar, sustentar, apoiar-se em. É a imagem de algo que está apoiado em um suporte inabalável. Diferente do ímpio, que tenta se sustentar por conta própria, o justo está "escorado" no próprio Deus. E por estar apoiado em Deus, o seu coração não oscila,pois está firmado e não temerá quando for atacado por inimigos. Essa segurança é tão profunda que o justo consegue aguardar com paciência o desfecho de suas lutas, “até ver cumprido, nos seus adversários, o seu desejo” (8b). Esse 'desejo' não é um anseio por vingança, mas a expectativa santa de ver a soberania e a justiça de Deus triunfarem sobre toda oposição. O justo não precisa se apressar ou se desesperar, pois sabe que o fim da sua história está guardado por Aquele que nunca falha.
É claro que o justo não está imune aos choques da vida, mas a sua fé o mantém forte que jamais será abalado. Não há nada tão confortante para acalmar a mente humana do que o ato de confiar em Deus. Em um tempo marcado pela ansiedade e pelo excesso de informações, a confiança no SENHOR surge como uma das maiores necessidades do ser humano. Frequentemente, encontramo-nos exaustos, procurando respostas imediatas para problemas complexos e tentando antecipar o futuro por nossas próprias forças. Em vez de nos deixarmos levar pelo desespero, devemos pedir ao SENHOR que nos conceda sabedoria ao fazermos nossas escolhas. Afinal, a sabedoria divina é caminho que nos permite andar com segurança em terrenos desconhecidos. Ao confiarmos, trocamos o peso da incerteza pelo descanso na soberania de um Deus que cuida de cada detalhe da nossa jornada.Vamos pedir para Ele nos conceda sabedoria e direção ao fazermos nossas escolhas?
Antes de concluir o salmo, o salmista faz um resumo das qualidades já expostas do homem que teme a Deus: “Distribui, dá aos pobres”(v.9a). As palavras do salmistas revela que a verdadeira prova da espiritualidade está na forma como lidamos com o próximo. Nesse sentido, o justo não retém para si a bênção que recebeu; ele “distribui, dá aos pobres” com generosidade. No hebraico, o verbo usado para "distribui" dá a ideia de espalhar sementes. Não é apenas dar, é semear. O justo não entrega apenas o que sobra; ele espalha seus recursos intencionalmente. Ele entende que a riqueza não deve ficar estagnada em suas mãos, mas deve fluir como um rio para alcançar os necessitados. Essa atitude prova que o coração do justo não está preso ao ouro, mas ao próximo. A sua segurança está em Deus, por isso, ele tem liberdade para abrir a mão.
O salmista reforça que o ato de ajudar o pobre não é um gasto, mas um investimento eterno. O dinheiro acaba, mas o ato de justiça fica registrado ‘para sempre’ na memória de Deus. (v.9b). Como resultado, o SENHOR garante que o seu 'poder se exaltará em glória'. (v.9c). A palavra traduzida como "poder" ou "chifre" no hebraico simboliza força, dignidade e honra. Enquanto o mundo busca glória através do acúmulo, o Reino de Deus exalta aquele que se esvazia para servir. Deus garante que a dignidade desse homem será levantada e reconhecida publicamente. Ele termina em glória, não em miséria, porque Deus sustenta a honra de quem cuida dos humildes. É o paradoxo do Reino: aquele que abre a mão para distribuir é o que Deus levanta em honra e dignidade. A glória do justo não vem do que ele possui, mas do bem que ele faz circular.
Finalizando, o salmo apresenta um contraste entre os justos e os ímpios, descrevendo a amargura dos perversos perante a prosperidade dos justos. Enquanto o justo é exaltado em glória (v. 9), o perverso vive em um estado de frustração e ruína. Ninguém se lembrará daqueles que se voltaram contra Deus; e tudo aquilo que plantaram ao longo da vida, colherão. E assim,ele Ele perecerá: “O perverso vê isso e se enraivece; range os dentes e se consome; o desejo dos perversos perecerá” (v.10). O sucesso do justo — que não vem da exploração, mas da integridade e da bênção divina — causa uma dor profunda naqueles que vivem pela ganância. O perverso não consegue entender como alguém que "distribui e dá aos pobres" pode prosperar e ser honrado.
Diante dessa atitude do justo, o perversos “enraivece; range os dentes e se consome.” Ora “ranger os dentes” é uma expressão bíblica para ódio e frustração extrema. O termo hebraico מָסַס é uma palavra carregada de simbolismo visual e emocional no Antigo Testamento. Aqui, ela descreve o fim trágico do perverso em oposição à firmeza do justo. O termo literalmente significa derreter-se, dissolver-se ou desfazer-se. Quando aplicada ao ser humano, descreve alguém cujo coração "desfalece" ou "derrete" de medo, desespero ou frustração total. Enquanto a justiça do justo "permanece" (fica de pé), o ímpio se dissolve em sua própria amargura. Ele é destruído não necessariamente por um golpe externo, mas pela sua própria maldade interna. Essa escolha de palavras revela que a vida sem Deus não possui substância; ela se liquefaz diante da realidade do julgamento e da eternidade. O perverso se consome em sua própria raiva, provando que o ódio é um fardo que acaba por destruir aquele que o carrega.
No entanto, diferente do perverso, o justo têm a responsabilidade de anunciar a sociedade com os ensinos de Cristo: “Vós sois o sal da terra e luz do mundo.” São chamados a viver conforme o apóstolo Paulo nos ensina: “No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.22-24). O que precisamos fazer é ignorar todas as investidas dos perversos e jamais deixar que venham nos afetar.
Portanto, abandone os seus próprios caminhos e volte-se para a Palavra do Senhor; renuncie aos desejos de um coração que é enganoso e corrupto, obedeça ao SENHOR e viva a Sua vontade. Abandone tudo o que não está de acordo com a Lei de Deus e volte-se para Aquele que é rico em perdoar. Aqueles que assim procederem prevalecerão: levantar-se-ão no dia do juízo para receber as boas-vindas do Senhor e a herança prometida — o Reino Eterno. Todavia, os que persistirem no erro não subsistirão, sendo apartados para o sofrimento eterno.
Assim, aquele que segue este caminho, além de honrar a Deus em tudo e viver uma vida exemplar, é uma pessoa feliz. Este deve ser o nosso procedimento. Quando assim procedemos, seremos agradecidos com as inúmeras bênçãos do SENHOR. Que o amor ao SENHOR e a obediência aos princípios prescritos em Sua Palavra possam gerar alegria, paz, prosperidade, segurança e felicidade ao trilharmos os Seus caminhos. Amém.
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