TEXTO: LC 24.13-35
TEMA:QUE ISSO QUE VOS PREOCUPA?
Ainda estamos vivendo o clima de Páscoa. Nossos pensamentos continuam voltados para os acontecimentos ocorridos em Jerusalém, nos quais, de modo especial, nos lembramos do padecimento, da morte e, finalmente, da ressurreição de Jesus Cristo.
O texto de hoje, que serve de base para a nossa meditação, apresenta dois discípulos que estiveram em Jerusalém e presenciaram o sofrimento e a morte de Jesus. Eles voltaram para seus lares tristes, preocupados, aflitos e amedrontados, pois o seu Mestre havia morrido. Então, Jesus se aproxima daqueles discípulos, caminha com eles e lhes pergunta o motivo de sua tristeza: “Que é isso que vos preocupa?”. A preocupação dos discípulos estava relacionada à ressurreição de Jesus. Eles não compreenderam que era necessário que Cristo sofresse, padecesse, ressuscitasse e entrasse em sua glória.Diante disso, estavam cheios de dúvidas, pois esperavam que fosse Ele quem haveria de redimir Israel. Agora, porém, Ele havia morrido e não restava mais esperança.
Jesus também age assim conosco. Ele nos pergunta: qual é o motivo da nossa tristeza? Por que estamos preocupados? Você se sente inquieto diante da ressurreição de Cristo? Ainda restam dúvidas em seu coração? Embora haja um contingente considerável de pessoas que não acreditam na ressurreição e vivem na incerteza, na dúvida e no desespero — criando teorias para tentar explicá-la —, nós somos chamados a olhar para Cristo. É justamente no Ressuscitado que encontramos alívio para todas as nossas aflições.Não se desespere: Cristo ressuscitou! Ele vive!
Primeiro, falta de entendimento gera preocupação (vv.17-24).A incompreensão acerca da ressurreição provocou profunda inquietação na vida dos discípulos. Mesmo tendo caminhado com Jesus e ouvido seus ensinamentos, eles ainda não compreendiam plenamente o significado de sua morte e ressurreição. Suas expectativas foram abaladas, e o medo, a tristeza e a dúvida tomaram conta de seus corações.
No entanto, à medida que Jesus se revela, explica as Escrituras e fortalece a fé dos discípulos, a preocupação dá lugar à alegria, à convicção e à esperança. Essa realidade revela que, quando não entendemos a verdade de Deus, somos facilmente dominados pela ansiedade e pela incerteza. Mas, quando compreendemos que Cristo vive, nossa perspectiva muda: o medo é substituído pela confiança, a dúvida pela fé e a tristeza pela esperança.
Segundo, Cristo responde à nossa preocupação com a sua palavra (vv.25-27).Diante da tristeza dos discípulos, Jesus não ignora sua condição, mas os conduz a uma correção amorosa: “Néscios e tardos de coração para crer”. Essa repreensão não tem o propósito de condená-los, mas de despertá-los para um entendimento verdadeiro das Escrituras. Em seguida, Ele passa a explicá-las, mostrando que tudo o que havia acontecido não foi por acaso, mas fazia parte do plano de Deus: era necessário que o Cristo sofresse, morresse, ressuscitasse e entrasse em sua glória.
Assim também acontece conosco: nossas dúvidas e preocupações surgem quando não compreendemos a Palavra de Deus. Ao nos afastarmos das Escrituras, caímos na confusão e no desânimo, ficando inquietos e sem direção. No entanto, Cristo responde à nossa preocupação por meio da sua Palavra. Diante das dúvidas, medos e incertezas, Ele vem ao nosso encontro trazendo consolo e entendimento. Foi assim com os discípulos: em meio à confusão, Jesus lhes explicou as Escrituras e revelou o verdadeiro sentido de tudo o que havia acontecido.
Terceiro,a presença de Cristo transforma preocupação em esperança.(vv.28-32).Ao se aproximar dos discípulos e permanecer com eles, Jesus demonstra que sua presença é real e transformadora. No momento em que Ele parte o pão, os olhos deles se abrem e, finalmente, O reconhecem. Aquilo que antes era confusão torna-se clareza; o que era tristeza transforma-se em alegria.O resultado dessa revelação é profundo: seus corações passam a arder. Essa expressão revela uma transformação interior — um despertar espiritual produzido pela presença viva de Cristo e pela compreensão das Escrituras. Não se trata apenas de emoção, mas de uma convicção renovada, uma fé fortalecida e uma esperança restaurada.
A tristeza dá lugar à fé, o desânimo é substituído pelo ânimo e a preocupação cede espaço à confiança. Dessa forma, aprendemos que a verdadeira esperança não nasce de circunstâncias favoráveis, mas da certeza de que Cristo está conosco. Quando Ele se faz presente, o medo dissipa-se e o coração encontra, finalmente, descanso e segurança n’Ele.
Quarto, o caminho da preocupação e o retorno da alegria (vv.33-35). Os discípulos caminhavam para longe de Jerusalém, o centro do conflito e da dor. A preocupação os levava a fugir. No entanto, o encontro com o Ressuscitado altera completamente a caminhada dos discípulos. O que era uma jornada de retirada torna-se um movimento marcado por urgência e vida. Eles demonstram que a resposta para a angústia não é o isolamento, mas o retorno à comunidade de fé. O texto afirma que eles se levantaram “na mesma hora” e voltaram a Jerusalém — não mais como fugitivos dominados pelo medo, mas como embaixadores da esperança.Ao chegarem, o ambiente já não era de luto, mas de confirmação: “Realmente o Senhor ressuscitou!”. Agora, cada detalhe daquela jornada — as dúvidas, a explicação das Escrituras e o partir do pão — ganha um novo significado. O caminho que antes era de fuga transforma-se em testemunho de um milagre.
Assim como os discípulos que retornaram a Jerusalém cheios de entusiasmo, também somos chamados a voltar — não mais como quem foge, mas como quem testemunha. A preocupação nos fez sair, nos afastar e perder o rumo; mas a alegria do encontro com Cristo nos faz retornar restaurados, fortalecidos e com uma nova perspectiva. Dessa forma, a caminhada com Cristo deixa de ser marcada pelo peso da incerteza e passa a ser guiada pela esperança viva. O que antes era fuga torna-se missão; o medo se transforma em coragem; e a dúvida dá lugar a uma fé firme e atuante.
Estimados irmãos! Depois de estarem em Jerusalém na sexta-feira, dois discípulos, voltam para casa. Para um lugar chamado Emaús, que ficava mais ou mesmo a dez quilômetros de Jerusalém. Durante esse percurso, caminhavam tristes e desvanecidos. Eles iam trocando ideias sobre o que havia acontecido em Jerusalém sobre os horrores das cenas da crucificação de Jesus. Enquanto conversavam e discutiam, Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Não puderam perceber, pois seus olhos estavam como que fechados, e ,consequentemente, não reconheceram Jesus. Então, Jesus pergunta: “Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais?” (v.17).
Jesus observou os discípulos.Eles estavam entristecidos e preocupados! No entanto, se coloca no caminho deles,dando força e renovando as alegrias. Um chamado Cleopas, pensava que Jesus fosse um estranho qualquer.Que não tinha tomado conhecimento dos fatos que ocorreram em Jerusalém.Ele afirma: “O que havia acontecido com Jesus, o Nazareno que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo.Mas os principais sacerdotes e as nossas autoridades O entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram”. (v.19 e 20).E continua afirmando: “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel” (v.21). Também as mulheres foram ao túmulo, mas não viram o corpo de Jesus. Outros discípulos foram até o túmulo para verificarem a exatidão do que disseram as mulheres, mas também não viram nada.O que se observa é que os discipulos estavam mais preocupados com a própria vida,com a salvação terrena, do que com a ressurreição de Jesus. Eles pensavam que Cristo viria para liberta-los dos romanos: “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel.”
E quais são os nossos questionamentos nos dias atuais? O que nos preocupa? São tantas as preocupações que têm entrado em nossos corações que,muitas vezes,nos sentimos tristes e angustiados.E as causas são diversas: problemas ocorridos na família; desemprego, dificuldade financeira, doenças, violência. No caso dos discipulos a preocupação era sobre o fato de Jesus ter morrido, mas tinham dúvidas sobre a ressurreição. Mas será havia motivos para tantas preocupações,quanto a ressurreição? Jesus já havia falado ,muitas vezes, sobre a sua morte e ressurreição. Vejamos dois exemplos: "Estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos mestres da lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios para que zombem dele, o açoitem e o crucifiquem. No terceiro dia ele ressuscitará!" (Mateus 20.17-19). “Então ele começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e fosse rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, fosse morto e três dias depois ressuscitasse.” (Marcos 8.31).
De qualquer maneira, sempre houve — e continua havendo — muita gente que nutre dúvidas sobre a ressurreição de Cristo. Há um contingente considerável de pessoas que não acreditam; vivem em situação idêntica à dos discípulos: na incerteza, na dúvida e no desespero. Assumem uma atitude negativa ao inventar teorias em torno da ressurreição de Jesus.Alguns sugerem que Jesus não morreu na cruz, mas apenas desmaiou e recuperou a consciência no túmulo. Outros afirmam que o corpo foi roubado. Há ainda aqueles que defendem que a ressurreição foi apenas espiritual, e não física.Em resumo, as teorias que tentam explicar a ressurreição de Jesus não têm fundamento bíblico. A ressurreição é um fato histórico e fundamental para a fé cristã. Paulo explica a importância dessa questão, e sua resposta é muito clara: “(...) se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé” (1Cor 15.14).
II
Será que também não somos néscios e tardos para crer e confiar nas promessas do Senhor? Néscios e tardos para entendermos, compreendermos a morte e ressurreição de Jesus? Não é mais facial acreditarmos e darmos crédito naquilo que foi escrito pelos profetas há anos, do que à invenção de novas, recentes e instáveis teologias e religiões criadas pelo mundo? Ou será que é preciso Jesus colocar-se em nosso meio, perguntando: “por que estais perturbados? e por que sobem dúvidas aos vossos corações? “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai.” A verdade é que a insegurança, medo, dúvida nos impedem de reconhecermos que “convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória.” (v.26).
Jesus agora expõe esta verdade aos seus discipulos.Ele realiza uma das exposições bíblicas mais profundas registradas nas Escrituras. Começando por Moisés e passando por todos os profetas, Ele interpreta tudo o que a seu respeito constava nas Escrituras.(v.27). Isso mostra que o Antigo Testamento não é apenas uma coleção de histórias ou leis, mas uma revelação progressiva que aponta para Cristo. Embora os discipulos conhecessem as Escrituras, não haviam compreendido seu verdadeiro sentido. Jesus, então, não apenas transmite informação, mas ilumina o entendimento deles. Aqui aprendemos que a correta compreensão da Palavra depende da revelação de Cristo. Sem Ele, até mesmo o conhecimento bíblico pode permanecer incompleto.
Uma vez à mesa, Ele toma o pão, abençoa, parte e o entrega aos discípulos (v. 30). Esse gesto, embora simples, é profundamente significativo para eles, pois remete a ações anteriores de Jesus, como a multiplicação dos pães e, especialmente, a última ceia. Aqui percebemos que Cristo se revela não apenas pela explicação das Escrituras, mas também na comunhão. Ao proferir a bênção e partir o pão, Jesus vai se identificando aos poucos. Seus gestos, sua maneira de orar e até sua voz parecem familiares aos discípulos. De repente, seus olhos são abertos, e eles o reconhecem: é o Senhor, ressuscitado!
Naquele momento, diversos pensamentos passam por suas mentes: recordam o testemunho das mulheres, o túmulo vazio, e também o relato de Pedro e João ao encontrarem o sepulcro vazio. Tudo agora faz sentido. No entanto, logo após ser reconhecido, Jesus desaparece da presença deles (v. 31).Esse detalhe mostra que a fé dos discípulos não dependeria mais da presença física de Jesus, mas da certeza espiritual da ressurreição. Eles já não precisavam mais ver para crer, pois haviam compreendido a verdade. Isso nos ensina que o verdadeiro entendimento não é apenas humano, mas resultado de uma ação divina: o reconhecimento de Cristo acontece quando Ele mesmo se revela.
Que imensa alegria sentiram aqueles discípulos ao perceberem que Jesus estava vivo! As dúvidas e tristezas já não existiam mais; em seu lugar, brotava uma alegria profunda em seus corações. De fato, aqueles que têm a Páscoa no coração vivem na alegria e na esperança daquele que nos concedeu uma nova vida.Os discípulos experimentaram essa alegria ao ponto de dizerem: “Porventura não nos ardia o coração, quando Ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (v. 32). As palavras de Jesus tocavam seus corações O ardor aumentava à medida que Ele lhes explicava as Escrituras. O que antes era um coração ressequido pela tribulação agora se enchia de vida. Como afirma a Escritura: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12).Assim, vemos que a Palavra de Cristo não apenas informa, mas transforma; não apenas instrui, mas inflama o coração, produzindo fé, alegria e uma esperança viva.
Ao chegarem, ouviram o relato da aparição de Jesus a Pedro. Agora era a vez dos discípulos de Emaús contarem o que lhes havia acontecido no caminho e como o reconheceram no partir do pão. Pedro já havia testemunhado, e todos também já tinham ouvido a narrativa das mulheres.A atmosfera estava carregada de intensa emoção e alegria. Não se tratava de um debate teológico ou de uma discussão, mas de testemunhos vivos e sinceros. Cada um compartilhava sua própria experiência. Eles tinham visto o Cristo ressuscitado, tiveram contato com Ele e conversaram com o Senhor.
Estimados irmãos, agora já não havia mais dúvidas, medo ou incertezas na vida daqueles discípulos. Eles creram, de fato, que Cristo havia ressuscitado. Com essa certeza e convicção no coração, o medo, a incerteza e a dúvida deram lugar à fé e à esperança.Cristo vive. Ele ressuscitou. Este é o nosso maior consolo diante das preocupações, dúvidas e incertezas da vida. Quando essa verdade se firma em nosso coração, a dúvida desaparece, e seguimos firmes em direção ao alvo, ao prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus, até alcançarmos a herança que Ele nos concede.
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