quinta-feira, 28 de maio de 2026

TEXTO: MT 9. 9-13

TEMA: JESUS VEIO CHAMAR  PECADORES AO ARREPENDIMENTO

Jesus, não chamou os escribas e fariseus. A sua preocupação, no momento, era buscar e salvar as pessoas que eram desprezadas pela sociedade, que viviam uma vida sem orientação, sem rumo, sem consolo, sem esperança e que viviam no pecado. Ele deixou claro que "veio buscar e salvar o perdido" (Lucas 19.10).Ele ainda diz: “Todo aquele que vem a mim, jamais o lançarei fora.” (Jo 6.37).

O Evangelho de hoje, Jesus nos mostra que veio ao mundo com uma missão muito clara: salvar pecadores. Esta preocupação de Jesus pelos pecadores fica evidente   quando Ele chama Mateus e diz “segue-me”. Mateus era um cobrador de impostos.Aos olhos da sociedade, Mateus era um homem desprezado, considerado pecador e indigno. Porém, aquilo que os homens rejeitavam, Cristo chamou pela graça.O coração de Mateus se transformou quando Cristo lhe mostrou o verdadeiro caminho. Ele, agora é um discípulo de Jesus.

Como é maravilhoso saber que Jesus vai em busca dos pecadores, oferecendo o perdão para aqueles que se arrependem. Pecador como Davi: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos” (Sl 51. 4).Pecador como o publicano que disse:  “Senhor! Sê propício a mim pecador“. (Lc 18.13).Pecador como o malfeitor na cruz, quando diz: “Senhor! Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.” (Lucas 23.42).

Quando reconhecemos nossos pecados, Deus está pronto para nos perdoar. Ele não rejeita um coração quebrantado e nem manda embora aqueles que vêm a ele. É o amor de Cristo! Este amor que Ele no oferece, acalma qualquer coração angustiado por causa do pecado. Ele está de braços abertos esperando você, e está chamando pelo seu nome para curar a ferida profunda que está dentro do seu coração.

Vejamos o que o texto nos ensina sobre o tema: “Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento.” Para melhor compreendermos essa mensagem, o estudo foi dividido em quatro partes. Portanto, vejamos cada uma delas:

Primeiro, Jesus chama pecadores pela sua graça (vv.9–10).  Cristo não olha apenas a aparência, o passado ou a opinião das pessoas. Jesus vê o coração e enxerga aquilo que Sua graça é capaz de transformar.Ao passar pela coletoria, Jesus dirigiu-se a Mateus com um chamado simples, mas poderoso: “Segue-me.” Essa palavra mudou completamente sua vida. Mateus deixou tudo para trás, levantou-se e passou a seguir Jesus.O chamado de Jesus, porém, exige uma resposta. Mateus ouviu a voz do Senhor e decidiu segui-lo imediatamente. Assim também cada pessoa é convidada a abandonar o pecado, confiar em Cristo e viver uma nova vida ao lado do Salvador. Jesus continua transformando histórias e fazendo novas todas as coisas.

Segundo, Jesus se aproxima dos pecadores (vv.10–11).Jesus não evitava os pecadores; pelo contrário, aproximava-se deles para lhes oferecer salvação. Enquanto os religiosos da época acreditavam que santidade significava afastar-se das pessoas consideradas impuras, Jesus demonstrou que a verdadeira santidade alcança o perdido com amor, compaixão e misericórdia. Porem, os fariseus e escribas  enxergavam apenas os erros e pecados daquelas pessoas, mas não percebiam que também eram necessitados da graça de Deus. Assim como Cristo acolheu os pecadores arrependidos, a Igreja deve anunciar o Evangelho aos perdidos com amor e misericórdia. O papel do cristão não é agir com arrogância espiritual ou condenação, mas apontar para Cristo, que recebe e transforma todo aquele que se arrepende e crê n’Ele.

Terceiro, Jesus é o médico dos pecadores (v.12).Jesus usa a imagem de um médico. O pecado é uma doença espiritual que separa o homem de Deus.Somente Cristo pode curar a alma humana.O problema dos fariseus era que eles se consideravam “sãos”, justos diante de Deus. Por isso, não percebiam sua necessidade de arrependimento.Quem reconhece sua condição espiritual busca o Salvador.O Evangelho não é para pessoas perfeitas, mas para pessoas arrependidas.Precisamos reconhecer nosso pecado.Sem arrependimento não há salvação.Cristo é o único capaz de restaurar o pecador.

Quarto, Jesus deseja misericórdia e arrependimento (v.13).Ao dizer: “Misericórdia quero e não holocaustos”, Jesus ensina que Deus não deseja apenas rituais religiosos exteriores. Os fariseus tinham aparência de piedade e conhecimento da Lei, mas lhes faltava misericórdia e sinceridade diante de Deus. Cristo mostra que o verdadeiro relacionamento com o Senhor nasce de um coração humilde e arrependido. O arrependimento verdadeiro produz transformação, mudança de vida, amor ao próximo e dependência da graça divina. Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento, isto é, a abandonar o pecado e voltar-se para Deus. Arrepender-se não é somente sentir tristeza pelo erro, mas mudar de direção. Porém, quando há arrependimento sincero, a graça de Deus transforma completamente a vida do pecador.

                                                                  I

Jesus começa o seu ministério aqui na terra. Uma das primeiras preocupações é escolher os seus discípulos. Homens que iriam anunciar as boas novas do Evangelho a todas as nações. Homens que seriam embaixadores de Cristo, mensageiros da paz, servos do Senhor, enfim, homens que iriam continuar com sua obra aqui na terra. Mateus é um deles. O texto afirma: “Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria.” (v.9). Mas afinal quem era  Mateus? Era um publicano, isto é, um funcionário público, mais exatamente, um cobrador de impostos. Essa classe de trabalhadores era desprezada  pelo povo, isto porque, os publicanos não eram bem vistos pelo povo, em face de sua desonestidade e da violência que empregavam para com as pessoas nas suas cobranças de impostos. Para garantirem bom lucro pessoal, tinham liberdade de aumentar as taxas.

 Era uma posição que não agradava a Jesus. E ao observar a situação de Mateus, lhe disse: “Segue-me!”. O verbo ἀκολουθέω significa “ir atrás de alguém”; e no sentido figurado significa “ser discípulo”, “ir em seguimento de alguém. ”Segue-me!” é a voz do Senhor chamando o publicano Mateus para ser seu discípulo. Nestas palavras há algo de especial. É aqui que se revela o amor de Deus para com Mateus. Podemos afirmar que estas palavras significaram para Mateus uma nova esperança, uma vez que era cego espiritualmente. E no fundo do seu coração desejava livrar-se de seus pecados, mas não sabia como consegui-lo. Jesus ofereceu-lhe o perdão, olhou com misericórdia e disse: “Segue-me!”.  Mateus decididamente se levantou e fez a escolha de segui-lo, abandonando sua vida antiga, abarrotada de opressões e explorações. Não perguntou por que, para onde, o que fazer. Deixa a sua profissão e segue a Jesus. De agora em diante será diferente. Ele estaria sempre com Jesus para ter a oportunidade de ouvir de seus lábios os seus ensinamentos. Que posição privilegiada: ser discípulo de Jesus.

Jesus também convida a cada um de nós: “Segue-me!” Esta é a ordem de Jesus. Não queres ser o seu seguidor? Não queres ser discípulo do Filho de Deus? Ele te convida diariamente a seguir o verdadeiro caminho. Ele também diz, crê em mim, segue os meus passos e os meus conselhos. Eu te darei a água da fonte da vida, a vida eterna, porque eu sou o caminho que conduz à vida eterna. Seguir a Jesus não significa ouvir a Palavra de Deus de vez em quando, mas seguir a Jesus quer dizer renunciar a si mesmo. É entregar-se a Deus com todo o nosso coração. Seguir a Jesus implica em primeiro lugar, uma ruptura com o passado. O verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que abandona tudo, a fim de pertencer totalmente a seu novo Mestre. Seguir a Jesus implica logo numa participação no trabalho do seu reino aqui na terra. Seguir a Jesus é caminhar em direção de um novo porvir que é a vida eterna.

O coração de Mateus se transformou quando Cristo lhe mostrou o verdadeiro caminho. Ele, agora é um discípulo de Jesus. Sendo assim, quer expressar sua gratidão ao Salvador. Precisa justificar a sua transformação. Precisa apresentar a seus colegas publicanos o seu Mestre. Por isso, oferece um banquete em sua casa. Este banquete deu oportunidade a que, seus amigos ouvissem a Jesus, pois ali também se encontravam, além dos discípulos, muitos publicanos e pecadores.

                                                                II

Entretanto, havia outras pessoas neste banquete. Homens que sempre queriam colocar Jesus à prova. Não estavam ali para ouvir a mensagem de Jesus, mas, sim, para observar a atitude d’Ele. Estes eram os fariseus. Eles veem com maus olhos aquilo que Jesus está fazendo, ou seja, comendo com publicanos e pecadores, com pessoas de  má fama (v.10).Os publicanos eram cobradores de impostos vistos como corruptos e traidores, enquanto os “pecadores” eram pessoas consideradas moral e espiritualmente indignas pelos fariseus.Ao sentar-se com essas pessoas, Jesus demonstra que sua missão era alcançar os perdidos e oferecer salvação aos necessitados espiritualmente. Na cultura judaica, compartilhar uma refeição significava comunhão e aproximação. Portanto, Cristo não estava aprovando o pecado, mas aproximando-se dos pecadores para transformá-los pela graça. Cristo aproximava-se deles com amor e misericórdia. Ele veio para restaurar vidas e chamar pecadores ao arrependimento.

O fato de Jesus estar ,constantemente, cercado por pessoas humildes, de má fama, sempre escandalizou os líderes religiosos da época, como os fariseus. Ora, esta questão para os fariseus era um escândalo. Talvez, receosos de enfrentar a Jesus, eles resolvem fazer uma pergunta ,diretamente, aos discípulos quando viram  toda aquela cena: “Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (v.11).Diante desta pergunta, conclui-se que os fariseus eram preconceituosos e discriminavam as pessoas: os samaritanos como hereges, os estrangeiros como impuros, os leprosos como amaldiçoados por Deus. Eram pessoas que desprezavam os cobradores de impostos como traidores e os pobres como ignorantes da Lei.  Desclassificavam as mulheres, as crianças, os presos, os doentes mentais.

Hoje, também vivemos esse mesmo problema em nossa sociedade. Muitas pessoas enfrentam diariamente situações de preconceito, rejeição e discriminação por causa de sua condição social, aparência, passado, raça, limitações, erros cometidos ou até mesmo por suas dificuldades pessoais. Frequentemente, são julgadas, desprezadas e afastadas do convívio social, carregando dores e marcas profundas em seus corações.

Entretanto, ao olharmos para a vida e o ministério de Jesus, percebemos que Ele nunca rejeitou aqueles que eram desprezados pelos outros. Cristo aproximava-se dos excluídos, acolhia os rejeitados e demonstrava amor àqueles que a sociedade considerava indignos. Foi assim com Mateus, os publicanos, os pecadores, os enfermos e tantos outros que encontraram em Jesus misericórdia, perdão e esperança.Jesus nos ensina que ninguém está excluído do convite do Evangelho. Ele acolhe aqueles que reconhecem sua necessidade espiritual e desejam uma nova vida. Além disso, a Igreja é chamada a seguir o exemplo de Cristo, levando a mensagem da salvação aos que estão distantes de Deus.

Precisamos ter muito cuidado para não agir como os fariseus, excluindo pessoas do nosso convívio e, principalmente, impedindo-as de se aproximarem de Jesus Cristo. A Igreja não deve ser um lugar de condenação, orgulho ou barreiras, mas um ambiente de graça, acolhimento e transformação. O Evangelho é para todos os que reconhecem sua necessidade de Deus.

                                                           III

Jesus derrubou as barreiras preconceituosas e religiosas dos fariseus. Ele mesmo responde a pergunta dos fariseus, Ele afirma: “Os sãos não precisam de médicos, e, sim, os doentes”.(v.12).De fato, se pensarmos em termos da medicina, os sãos não precisam de médicos. Normalmente quem vai ao médico são os doentes. Eles que precisam de tratamento, de uma analise clínica e de remédios. No sentido espiritual, os sãos seriam as pessoas justas, neste caso os fariseus. Eles julgavam-se espiritualmente sãos e sadios. Pensavam estar com sua vida em ordem com Deus. E, por isso, não precisavam de um médico para sua alma, Cristo, o único Médico que pudesse curar a sua enfermidade. Sendo assim, Jesus não pergunta: Onde posso encontrar os ricos, os honrados ou os eruditos? Esses tinham seus confortos e desprezariam suas ofertas. Ele não visitou Herodes ou César. Ele tratou com aqueles que todos reconheciam como miseráveis e perdidos. Este é o principio fundamental de bondade sobre o qual Jesus procedeu.

Portanto, Jesus, o Médico, vai ao encontro destas pessoas doentes e os acolhem, porque precisam d’Ele. Ele, porém, não faz acepção de pessoas, como faziam os fariseus. Mas recebe publicanos e pecadores, e nunca excluiu os escravos, doentes, portadores de deficiências, adúlteros, prostitutas. Conversou com homens ilustres, como Nicodemos e compôs Seu discipulado de homens simples. Ao aceitar as pessoas excluídas, Jesus rompe o círculo de marginalidade e reintegra-as ao convívio diário com outras pessoas. Jesus, como Médico, acolhe as pessoas, oferece a proximidade fraterna e conciliadora em nome de Deus. Ele não os despreza, porque Deus ama todas as pessoas e as quer libertar e salvar. Ele veio buscar e salvar o perdido,  pois  o homem se perdeu desde o jardim do Éden! Ele se afastou de Deus, e a consequência foi desastrosa: o homem separou-se da presença de Deus e estava condenado. Eles, agora precisam do Médico para curar da doença chamado pecado.  

Somo nós sãos? Por certo que não. Necessitamos diariamente do amor e do perdão de Deus, assim como o doente precisa do médico. Na verdade, todos os homens são doentes espiritualmente. São portadores de uma doença que nenhum médico pode curar, a saber: o pecado. O pecado é a nossa separação de Deus, a nossa culpa diante de Deus, o mal dos males. Vivendo nesta miséria, espiritualmente, o homem abandona a Deus e se sente abandonado. Porém, Cristo o chama: “Segue-me.” Chama, a seguir o seu caminho. Mas será que o homem ouve a voz do Senhor? Mateus ouviu e seguiu imediatamente Jesus.

                                                               IV

Diante da atitude dos fariseus, homens cheios de preconceitos, Jesus faz uma crítica que ecoa em nossos dias. Ele cita o texto de Oséias 6.6: “Ide, porém, e aprendei o que significa.”(v.13a).A frase “Ide, aprendei…” era uma expressão usada pelos rabinos da época para dizer que a pessoa havia interpretado de forma errada uma passagem ou conceito. De fato, apesar dos fariseus terem profundo conhecimento da lei e todos o rituais, não compreenderam a essência do texto, pois desconheciam o significado da ordem divina. Sendo assim, Jesus ordenou aos fariseus e escribas que aprendessem o significado da ordem: “Misericórdia quero, e não sacrifício.” (v.13b).Os fariseus precisavam aprender, e Jesus os lembra, chama a atenção de que nada adiantava realizar um culto cerimonial que nada têm a ver com a prática misericordiosa, a graça de Deus e seu poder salvador. Deus quer que as pessoas tenham atos misericordiosos e confiem n’Ele.  Se os doutores da época desconheciam o verdadeiro significado do exigido por Deus, será que o homem do nosso tempo conseguiu aprender o que Jesus ordenou? Qual é a misericórdia que Deus exige?

Jesus faz uma aplicação do que havia falado anteriormente, e descreve de modo interessante o Seu próprio objetivo de vir ao mundo. Ele disse: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores (ao arrependimento).”( v.13c).Como médico de almas, veio curar doentes espirituais, ou seja pecadores. E o que seria essa cura? O perdão dos pecados, que é concedido exatamente através do arrependimento. Quando diz “vim chamar pecadores ao arrependimento”, significa que Jesus veio propor o perdão, que tornará as pessoas salvas, livres do domínio do pecado. E quanto aos justos - o que dizer deles? Jesus simplesmente afirmou que não veio chamar justos ao arrependimento. Ele não veio para esses, porque esses já se justificam, já se elevam, já se colocam acima dos outros. Esses são comportamentos próprios dos fariseus, dos hipócritas da época de Jesus.

Estimados irmãos! Não pense que o simples fato de ser religioso, o torna uma pessoa aceitável a Deus. Deus não está atrás de rituais, serviços religiosos, liturgias, desses homens, como os fariseus. Jesus chama aos pecadores. Assim, como fez com Mateus. Ele esteve em sua casa e participou de um banquete, o acolheu, o amou e perdoou. Jesus nos chama ao arrependimento, nos resgata rumo a uma vida eterna de comunhão com Deus. Quando reconhecemos que precisamos de Deus, o Espírito Santo nos traz o verdadeiro arrependimento em nosso coração. Amém!

 

 

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