domingo, 14 de junho de 2026

TEXTO: MT 10. 5a, 21-33

TEMA: NÃO TENHAM MEDO!

 O que tem dominado o mundo nos últimos tempos é o medo. Ele está presente no cotidiano das pessoas e se manifesta de diversas formas. Afinal, quem não sente medo ao atravessar uma avenida movimentada? Quem não teme uma forte tempestade? Quem não tem receio de ser assaltado? E quem não teme a morte?

Mas o que é o medo? Segundo os dicionários, o medo é um estado emocional que surge como resposta à consciência de uma situação de possível perigo. Trata-se de uma sensação ligada ao mecanismo de defesa do ser humano, que coloca o organismo em estado de alerta diante de algo percebido como uma ameaça.

Entretanto, nem todas as pessoas conseguem lidar com a sensação do medo de maneira equilibrada. Quando o medo se torna intenso, persistente e desproporcional ao perigo real, ele pode transformar-se em uma fobia. As fobias são medos irracionais e exagerados relacionados a objetos, situações, animais ou ambientes específicos. A simples possibilidade de entrar em contato com aquilo que provoca a fobia pode gerar grande sofrimento, ansiedade e até sintomas físicos, como suor excessivo, tremores, falta de ar e aceleração dos batimentos cardíacos.

Os discípulos também sentiram medo quando conviveram com Jesus. Em certa ocasião, quando estavam no mar em meio a uma grande tempestade, enquanto Jesus dormia no barco, começou a soprar um forte vento, e as ondas ameaçavam afundar a embarcação. Tomados pelo medo e sem saber o que fazer, os discípulos recorreram a Jesus, clamando: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!” Então Jesus lhes respondeu: “Por que tendes tanto medo, homens de pequena fé?”

O Evangelho de João também nos relata que, após a ressurreição de Jesus, os discípulos permaneciam reunidos a portas fechadas, dominados pelo medo. A tristeza pela morte do Mestre, associada à insegurança quanto ao futuro, levou-os ao isolamento. Os sentimentos de angústia e temor tomaram conta de suas vidas naquele fim de semana. Eles haviam testemunhado tudo o que as autoridades judaicas fizeram contra Jesus: sua prisão, os maus-tratos, o julgamento injusto e a condenação à morte.

Por isso, encontravam-se vacilantes, nervosos, confusos e sem perspectivas. O medo os paralisava porque ainda não compreendiam plenamente a presença, o poder e as promessas de Jesus. Faltava-lhes a fé que tantas vezes havia sido ensinada, incentivada e elogiada pelo próprio Senhor. Somente quando Cristo ressuscitado se colocou no meio deles e lhes disse: “Paz seja convosco”, seus corações foram fortalecidos e o medo começou a dar lugar à confiança.

Então,Jesus diz: “Não tenham medo!” Esta é uma das recomendações mais frequentes de Jesus aos seus discípulos. Diante das incertezas, das dificuldades e dos perigos da vida, o Senhor nos convida a confiar n'Ele. Não há razão para viver dominado pelo medo. É necessário enfrentá-lo e vencê-lo, para que a vida possa ser vivida com mais serenidade, alegria e esperança.

Devemos lembrar sempre que não estamos sozinhos neste mundo. Deus caminha conosco em todos os momentos, especialmente nas horas mais difíceis. Quando o medo tenta tomar conta do coração, existe uma palavra de conforto e esperança que vem do próprio Senhor. A verdadeira esperança está em Deus, que jamais abandona os seus filhos. Como é bom confiar inteiramente nas promessas divinas! Deus nos assegura que estará ao nosso lado todos os dias, sustentando-nos com seu amor e protegendo-nos com sua graça. Por isso, o salmista Davi declara com convicção: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a fortaleza da minha vida; de quem terei medo?” (Sl 27.1).

O próprio Senhor continua a nos dizer: “Não temais!” Mas por que não devemos ter medo? A resposta está nas promessas de Deus:

Primeiro, não tenham medo, porque o discípulo segue o mesmo caminho do Mestre (v. 25). Seguir a Cristo significa compartilhar não apenas suas bênçãos, mas também seus sofrimentos. O Mestre foi rejeitado, perseguido, acusado injustamente e crucificado. Portanto, seus discípulos não devem se surpreender quando enfrentarem oposição.Muitas vezes desejamos um cristianismo sem cruz, sem lutas e sem dificuldades. Contudo, Jesus nos ensina que o verdadeiro discipulado exige perseverança e fidelidade.

Segundo, não tenham medo, porque Deus cuida dos seus filhos (v. 29 e 30).Na época de Jesus, os pardais eram aves de pouco valor comercial. Ainda assim, Deus cuidava deles. Em seguida, Jesus declara:"Quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados" Que maravilhosa promessa! Nada em nossa vida passa despercebido aos olhos de Deus. Ele conhece nossas alegrias, tristezas, lágrimas, lutas e necessidades. O Pai Celestial não abandona aqueles que lhe pertencem.Quando o medo tenta dominar o coração, devemos lembrar que nossa vida está nas mãos daquele que governa todas as coisas.

Terceiro,  não tenham medo, porque Cristo reconhecerá os seus diante do Pai (v. 32).O cristão é chamado a confessar sua fé em Cristo, mesmo quando isso traz dificuldades ou oposição. Muitas pessoas negam sua fé por medo da crítica, da rejeição ou da perseguição. Mas Jesus nos encoraja a permanecer firmes.Aquele que permanece fiel ao Senhor será reconhecido pelo próprio Cristo diante do Pai Celestial.Que privilégio saber que o Salvador não se envergonha daqueles que lhe pertencem!Enquanto o mundo pode nos rejeitar, Cristo nos recebe. Enquanto as pessoas podem nos abandonar, Cristo permanece ao nosso lado.

                                                                 I

Ao chamar seus discípulos, Jesus os instruiu cuidadosamente e lhes concedeu autoridade e poder para anunciar o Evangelho. A missão que receberam consistia em pregar o arrependimento, proclamar a salvação por meio de Cristo e conduzir as pessoas à fé, para que se tornassem filhos de Deus e herdeiros do seu Reino.Essas orientações iniciais foram claras e objetivas, pois Jesus desejava que seus discípulos compreendessem as consequências de segui-lo. Em nenhum momento Ele escondeu as dificuldades que enfrentariam. Pelo contrário, advertiu-os de que, por sua causa, seriam alvo de calúnias, incompreensões, perseguições e até mesmo de divisões dentro da própria família.

Sem dúvida, essa realidade é algo preocupante e doloroso. Afinal, a família foi criada por Deus para ser um lugar de amor, acolhimento e comunhão. É no ambiente familiar que deveriam existir laços profundos de união entre pais e filhos, irmãos e irmãs. Por isso, torna-se difícil imaginar que justamente esses relacionamentos tão próximos possam ser afetados por conflitos gerados pela fé em Cristo.

No entanto, Jesus sabia que a rejeição ao Evangelho poderia provocar tensões até mesmo entre aqueles que compartilham os vínculos mais íntimos. A tristeza aumenta quando essa desordem chega ao ponto de romper relacionamentos, gerar hostilidade e transformar pessoas próximas em adversárias. Em situações extremas, o ódio e a intolerância podem ameaçar até mesmo a vida daqueles que permanecem fiéis ao Senhor.Apesar disso, os discípulos foram chamados a permanecer firmes. A fidelidade a Cristo deve estar acima de qualquer oposição humana. Quem segue o Salvador encontra forças para perseverar, mesmo quando enfrenta incompreensão ou rejeição, confiando que Deus continua cuidando de seus filhos e cumprindo suas promessas.

Mas em que sentido essa divisão da família tem algo a ver com o testemunho em favor de Jesus? Tal ruptura nas relações familiares poderia encontrar sua causa na diversidade de atitudes adotadas no seio da família em relação a Jesus.Seus ensinamentos poderiam acabar sendo como uma “espada” em algumas famílias.Como assim? Aqueles que decidissem se tornar discípulos de Jesus e se batizar, deveriam saber que a família poderia ficar contra essa decisão, e fazer de tudo para impedir que seguissem os ensinamentos de Cristo.Isto ocorre quando outros da família não o apoiam ou até mesmo se tornam opositores.

Os discípulos entenderam que a oposição na família faz parte dos sofrimentos que teriam que enfrentar.E Jesus vai além e afirmar que o fato de segui-lo e ensinar a respeito de seu nome,  “seriam odiados .”(v.22a).Mas quem tem prazer em ser odiado? Acredito que ninguém. Contudo, o Senhor garante que esse sentimento acompanhará Seus seguidores por todo o mundo. Eles não deveriam se surpreender com estas palavras de Jesus, pois Ele já havia afirmado em várias ocasiões, daquilo que enfrentariam durante a perseguição.

No Evangelho  Lucas 21.17, Jesus diz assim: “De todos sereis odiados por causa do meu nome.” Em Mateus:  “Então vocês serão presos, perseguidos e mortos. Por minha causa, serão odiados em todo o mundo.”( 24.9). Sendo assim,Jesus os exorta: “E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.”(10.17). Sabendo das grandes dificuldades que eles enfrentariam no decorrer da caminhada.Jesus acrescenta: “aquele que perseverar até ao fim será salvo.”(v.22b).

E para fundamentar essa realidade, os discípulos deveriam lembrar  de três pontos fundamentais. Primeiro: “O discípulo não está acima do seu mestre,e nem o servo, acima do seu senhor.”(v.24a). Desde o início até o final de seu evangelho, o propósito de Mateus é revelar Jesus como o Rei divino, o Messias e Filho de Deus que veio para redimir e salvar a humanidade.Portanto, Ele é o único Rei, o único Messias, o Filho único de Deus, o único Salvador e Senhor. Em todos esses papéis, Ele é merecedor de submissão total.E os discípulos deveriam se concientizar-se de que há uma certa limitação entre o discípulo (aprendiz)  e seu mestre,entre o servo e seu senhor: “Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre” (Lc 6.40).

Segundo: “basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor.”(v.25b). Isto é suficiente para Jesus,que o discípulo seja como seu Mestre, e o servo como seu senhor. O máximo que o discípulo conseguirá, depois de aprender tudo, é ser igual ao seu Mestre. No fundo, é nisso que consiste o discipulado: em aprender a ser como o Mestre. Ele coloca em prática o que aprendeu e passa a desenvolver características que são próprias do seu Mestre. Passa a segui-lo e se parece com Ele, ao imitá-lo.  O apóstolo Pedro é uma exemplo.Ele foi reconhecido como  um discípulo de Cristo,pois possuía características próprias do Senhor Jesus, que a própria criada testificou: “... a tua fala te denuncia” (Mt 26.73).

Terceiro: ao ser semelhante a Cristo implicaria que os discípulos seriam odiados pelos inimigos: “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?”(v.25c). Jesus também afirma em João: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou" (15.18-21).O que Jesus esta afirmando é que, se as pessoas estão me chamando de Satanás, como fizeram os fariseus. Então, certamente, chamariam Seus discípulos do mesmo jeito. Em vários lugares, os evangelhos testemunham que o Senhor Jesus foi chamado de maneira ofensiva. Por exemplo, em Mateus 12.24,os fariseus diziam que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios. Jesus foi tratado assim, não se poderia esperar futuro diferente para seus discípulos.Mas o que se dirá daqueles que entregam suas vidas a Jesus, que se dedicam a adorá-lo e a fazer a vontade dele?

                                                                    II

No entanto,Jesus, faz os refletirem sobre a grandeza desse seguimento, ao trazer conforto aos Seus discípulos. Haverá perseguições, dificuldades, incompreensões que podem gerar um medo que os paralise ou os faça desistir da sua missão, mas Jesus garante sua presença, consolando e apoiando, Ele diz: “Portanto, não os temais.”(v.26a). O Senhor os exorta a não desanimar: não tenham medo! Não tenham medo, porque Eu cuido de vocês. Não desanime por causa dessas provações, pois aquele que perseverar na fé e na prática do Evangelho, suportando, constantemente. e com paciência diante das perseguições, será  salvo.O Espírito Santo irá capacita-los, com força, graça e convicção para suportar este medo, onde quer que estejam. Por isso, é que estou preparando vocês para enfrentar estas duras experiências.

Mas porque os discípulos não deveriam ter medo? Jesus responde: “Porque nada há encoberto,que não venha a ser revelado:nem oculto;que não venha a ser conhecido.”(v.26b).Com estas palavras Jesus consola os seus discípulos. Tudo será manifesto, nada ficará escondido. Ele chama-os a não ter medo. porque tudo aquilo que hoje se realiza na escuridão será conhecido. Queria mostrar que por algumas vezes  falou por parábolas, e ,certamente, ministrou algumas instruções particulares aos discípulos, os quais nunca declarou publicamente. A razão dessa atitude não visava ocultar a mensagem de Deus ao povo para sempre, mas tinha por objetivo entregar tal mensagem no tempo certo. O que os discípulos não deveriam fazer é ocultar a mensagem de Jesus, mas proclamar dos telhados, onde todos pudessem  ouvir a mensagem: “O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirado.”(v.27).Com isso Jesus mostrou que a sua mensagem, o evangelho, deve ser publicamente proclamado a todos as nações.

Jesus apresenta outra providência pela qual os discípulos não deveriam temer. Em geral, Ele não queria que seus discípulos ficassem temerosos,com relação aos seus perseguidores,uma vez que sofreriam afrontos, desprezos,e ,muitas vezes,até morrer por amor ao nome do Senhor.Então, lhes advertiu: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.” (v.28).Portanto, não tenham medo daqueles que podem matar o corpo, mas não a alma.Deveriam,sim,temer a Deus,aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo, porque sobre a alma somente o Senhor tem poder.Ela não pode ser destruída pelos intentos humanos ou de Satanás. Policarpo,discípulo do apóstolo João,quando pediram que o negasse a Cristo.Ele declarou: “Há oitenta e seis anos eu tenho sido o seu servo, e ele nunca me faltou. Como blasfemarei contra o meu rei que me salvou?”. E ,assim, os discípulos de Jesus morreram,mas não negaram a sua fé em Cristo.Eles não temeram,permaneceram firmes até o fim,pois confiaram nas palavras de Jesus: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma.”

Jesus ainda os aconselha a não ter medo,pois tudo está em Suas mãos.Ele afirma que os discípulos valiam  mais do que muitos pardais: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.” (v.29. Pardais eram aves de pouco valor, vendidas no mercado como alimentação dos pobres.O que Jesus está tentando ensinar? Assim, como ele se preocupa com estas pequenas aves que são criaturas de pouco valor, ainda assim Deus cuidava delas,agora,imagine o cuidado que Jesus tem com os seus discípulos. Nenhum deles será esquecido diante de Deus.Por isso,não deveriam estar com medo.

Assim,podemos entender o quanto o Pai celeste sabe tudo o que seus filhos precisam receber nesta vida. Lemos em 1 Pedro 5.7: “Lançai sobre ela a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. O Pai celeste tem conhecimento das necessidades que cada um de nós necessita e de toda nossa vida. O profeta Isaías nos diz: “Não temas porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço e te ajudo” (Isaías 41.10).O salmista nos diz: “Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem”. Diante deste cuidado, podemos esperar confiantemente o fornecimento de todas as necessidades que temos da parte do Pai.

Não tenham medo! Jesus dispensa tanta atenção aos discípulos que chega a contar os fios de cabelo da cabeça de cada um! (v.30).O que Jesus quis dizer com este expressão "até os cabelos..."? Isto significa que são milhares de fios. Nesta grande quantidade, cada um deles está contado.Deus conta cada coisa da nossa existência, cada detalhe da nossa vida mostrando a sua preocupação para conosco. Há um valor específico, individual, especial em cada um de nós para Ele.Este é o conforto, o consolo que Jesus traz aos seus discípulos. Ele tem cuidado especial  por aqueles que sofrem pelo testemunho do reino.Isto demonstra que os inimigos não podem ir além do consentimento do Pai.    Não fiquem com medo! Vocês valem mais que um milhão de pardais.

                                                                 III

Não tenham medo porque haverá uma recompensa: “ Portanto,todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;  mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (vv.33a). Há dois termos neste versículo: confessamos a Jesus ou negamos.Aquele que não negar a sua fé em Jesus. Aquele que não se envergonhar de Jesus, mesmo quando for zombado, mesmo quando for perseguido por causa do Seu nome.Então,Jesus também o confessará diante do Pai que está nos céus. Não tenha medo de confessar a Jesus.Não tenha medo de testemunhar com sua vida. Não tenha medo de falar de Jesus, pois, se com ele você sofrer, naquele dia em que todas as coisas vierem à luz, com ele você será honrado na presença do Pai.Seremos recebidos por ele mesmo, para a posse da vida eterna.

No entanto,diz Jesus: “aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (v.33b). Ora, o que significa negar Cristo diante dos homens? Negamos quando não confiamos em Jesus  em nossas terríveis provações. Quando se fala de negar Cristo, muitos lembram o exemplo de Pedro.Primeiramente,ele confessa: “Tu és o Cristo de Deus”. E ainda mais: “Estou pronto a ir contigo, tanto para prisão como para morte; ainda que todos se escandalizem, eu jamais ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei”. Porém, já diante da primeira dificuldade e ao ser simplesmente por uma criada: “Não és tu também um dos discípulos deste homem?”. Pedro nega a Jesus. Sente medo de confessar o nome de Jesus. Onde estava a sua coragem, sua lealdade a Cristo? Perdeu uma grande oportunidade para testemunhar, mas Pedro, certamente lembrou imediatamente do que Jesus dissera: “Aquele que me negar...” e por isso se arrependeu do ato que cometeu.Se acompanharmos toda a história da Igreja, a começar pelo livro de Atos dos Apóstolos, veremos as grandes dificuldades que tiveram estes discípulos para levar a mensagem. Foram submetidos às mais cruéis torturas.Mas não negaram a Jesus.

Talvez,você tenha negado, muitas vezes, a Jesus. Analise a sua vida. Pare e pense no que você tem feito das oportunidades de testemunho. Lembre-se  de sua promessa: “Aquele que confessar diante dos homens...” Mas lembre-se de sua advertência: “Aquele que me negar diante dos homens...”  Portanto,quer confessar Cristo diante dos homens? A nossa parte é confessar, ou representá-lo na vida diária,pois confessar Jesus significa assumir compromisso com Deus.Entretanto, se a pessoa, por algum motivo não faz essa confissão de fé, está rejeitando, negando Jesus.Por isso, não negue Jesus, mas viva Cristo em seu coração: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (II Tm. 2.11-13). Não se envergonhe de Jesus: “Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos” (Lc 9.26).

Estimados irmãos! Certamente o medo era o grande problema no tempo em viviam os discípulos, com medo dos chefes da Sinagoga e do Império, medo da prisão e dos conflitos com a própria família.Hoje continuamos com medo do desemprego, da injustiça, do fracasso, dos conflitos familiares, das perseguições, das violências. Jesus nos ensina a não ter medo diante do anuncio do Evangelho,pois pelo fato de anuncia-lo sofremos críticas, perseguições, incompreensões, calunias, injustiças.Mas Jesus  nos dá força, estando sempre do nosso lado, para vencermos o medo e anunciarmos o Evangelho.  Mãos a obra, porque sabemos que há grande número de pessoas que ainda não ouviram o evangelho de Cristo. Temos que anunciar! E,por isso, não tenhamos medo!  Amém!

  APONTAMENTOS:

Βεελζεβούλ - (v.25).A palavra Belzebu é oriundo  do termo hebraico  (בעל זבוב), que é formado por duas palavras: baal, que significa “senhor” e, muitas veze,s se referia à divindade suprema masculina dos cananeus ou fenícios no Antigo Testamento (Jz 2.13, 1Rs 16.31, Jr 2.8). Na realidade, essa divindade era adorada pelos filisteus, na cidade bíblica de Ekron (עֶקְרוֹן), a mais ou menos 30 km de Jerusalém.Já o termo  zebub significa “mosca“, como em Ec 10.1 e Is 7.18.Sendo assim, Baal-Zebub é “senhor das moscas.” ou “senhor das pestilências.” No aramaico bíblico a palavra é muito parecida com a hebraica, sendo בּעֵלזבוּב (belzbub), de onde vem a forma grega Βεελζεβούλ (Beelzeboul), e no latim Beelzebub e por fim a forma popular em português, Belzebu.

Os escribas e fariseus tentaram associar Jesus a Belzebu. Eles diziam que Jesus estava possesso de Belzebu e o acusaram de expulsar os demônios pelo poder de Belzebu . (Mateus 12.24 e Mateus 9.34).Tudo em função dos seus milagres.Mas Jesus sabe que os seus milagres não tinham nenhuma relação com Satanás ou Belzebu, ou com qualquer outra divindade ou ser mitológico da época. Suas obras são realizações de Deus,

 ἀπόλλυμι ἔν γέεννα   “perecer no inferno.” - destruir

Γέεννα - (v.28). Este termo grego é proveniente do hebraico גיאהנם  que é traduzido como “vale de Hinom.”  Se encontra 12 vezes na Bíblia: Mateus 5. 22, 29, 30; 10.28; 18.9; 23.15, 33; Marcos 9.43, 45, 47; Lucas 12.2; Tiago 3.6.Originalmente, a expressão se referia a um vale situado ao sul de Jerusalém, onde se adoravam divindades pagãs.As nações tinham por costume fazer diversas coisas obscuras neste local, como feitiçaria. Além disso, em certa ocasião, até mesmo alguns reis israelitas ímpios fizeram sacrifícios idólatras neste vale.Deus prometeu acabar com os sacrifícios idólatras neste vale, tornando dele local de sepultamentos.Por causa de sua reputação como um lugar abominável, mais tarde passou a ser um depósito, onde  o lixo, cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais e toda outra espécie de imundície eram jogados e queimados.  Acabou se tornando um local sombrio e maldito.  Usava-se enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo.

Aquele vale cheirava mal, tinha constante fumaça do lixo queimado com enxofre continuamente e muitos vermes que comiam o que o fogo não consumia. Assim, Γέεννα veio a tornar-se sinônimo de “um lugar de fogo.”Jesus usou este termo como metáfora para demonstrar que o inferno é um símbolo da destruição final dos ímpios e hipócritas. É um  lugar “onde não lhes morre o verme, nem o fogo se paga”.(Mc 9.44). Quando.Ele envia Seus discípulos,afirma que não deveriam temer o homem, mas apenas Deus, “que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.”

Ἀσσάριον -(v,29). Era um pequena moeda romana de cobre,que equivalia a 1/16 de um denário.(salário de um dia de um trabalhador braçal).

 


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