segunda-feira, 7 de setembro de 2026

TEXTO:Sl 103.1-12

TEMA: NÃO TE ESQUEÇAS DOS BENEFÍCIOS DO SENHOR

Meus irmãos, uma das maiores dificuldades do ser humano é lembrar-se daquilo que Deus fez. Muitas vezes somos rápidos para recordar as dificuldades, as decepções, as perdas e aquilo que ainda desejamos receber, mas somos lentos para lembrar as bênçãos que diariamente recebemos das mãos do SENHOR. Esquecendo-nos de quantas vezes ele já nos sustentou, protegeu e cuidou de nós.

É nesse contexto que encontramos o Salmo 103. Davi não está simplesmente falando com outras pessoas; ele está falando consigo mesmo. Ele diz: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR” (v.1). Davi chama a si mesmo para lembrar-se de tudo o que Deus havia feito por ele. Ele sabia que, muitas vezes, as dificuldades podem nos fazer esquecer as bênçãos de Deus. Por isso, ele diz: “Não te esqueças de nenhum de seus benefícios” (v.2).

E quais são esses benefícios? Ao longo do texto, Davi apresenta alguns deles: Deus perdoa as nossas iniquidades, sara as nossas enfermidades, redime a nossa vida, coroa-nos de graça e misericórdia, é compassivo, misericordioso, longânimo e afasta de nós as nossas transgressões.

Portanto, este Salmo nos convida a olhar para a nossa vida não apenas a partir das dificuldades que enfrentamos, mas principalmente a partir da bondade e da misericórdia de Deus. Quando nos lembramos do que o SENHOR fez e continua fazendo por nós, encontramos motivos para agradecer e louvar.

Por isso, diante do que foi exposto, somos convidados a refletir sobre o tema: “Não te esqueças dos benefícios do SENHOR”, com base em três tópicos:

Primeiro, porque  o SENHOR é misericordioso para conosco (vv.1-5).Davi começa chamando a sua própria alma a bendizer ao SENHOR e a não se esquecer de nenhum de seus benefícios. Entre esses benefícios, destaca-se a misericórdia de Deus, que se manifesta de maneira concreta na vida do seu povo. O SENHOR perdoa as iniquidades, sara as enfermidades, redime a vida da perdição e coroa o seu povo de graça e misericórdia. Portanto, o salmista não olha apenas para aquilo que lhe falta, mas recorda tudo aquilo que Deus, em sua bondade, já fez por ele. Por isso, temos motivos para bendizer ao SENHOR: ele é misericordioso para conosco e jamais devemos nos esquecer dos seus benefícios.

Segundo,  porque o SENHOR é compassivo e paciente (vv.6-10).O salmista apresenta Deus como aquele que “faz justiça e julga a todos os oprimidos” e que revelou os seus caminhos ao seu povo. Em seguida, destaca uma das características mais preciosas do SENHOR: “ Ele é compassivo e misericordioso, longânimo e rico em benignidade” (v.8). Deus conhece a nossa fraqueza e não age conosco segundo a severidade que os nossos pecados merecem. Ele não permanece para sempre irado nem conserva perpetuamente a sua indignação. Pelo contrário, demonstra paciência e misericórdia para com aqueles que pecam e se voltam para ele. Portanto, temos motivos para bendizer ao SENHOR, pois, embora sejamos pecadores, ele nos trata com compaixão, paciência e misericórdia.

Terceiro, porque  o Seu perdão é completo (vv.11-12).Nos versículos 11 e 12, Davi usa duas imagens para mostrar a grandeza do perdão de Deus. Primeiro, afirma que “quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem” (v.11). Em seguida, ele declara: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (v.12). Deus não apenas perdoa os nossos pecados, mas os afasta de nós completamente.  Por isso, não precisamos viver presos à culpa dos pecados que Deus já perdoou. O perdão do SENHOR é completo, e sua graça nos dá a certeza de que podemos viver em paz com Deus. Por isso, bendigamos ao SENHOR, porque ele afasta de nós as nossas transgressões e nos concede o perdão por meio de Cristo.

                                                                         I

Davi inicia o Salmo falando consigo mesmo. Ele afirma: “Bendize, ó minha alma”(v.1a). É um chamado para que todo o seu ser louve ao SENHOR. Não se trata apenas de pronunciar palavras de louvor, mas de adorar a Deus com sinceridade e com todo o coração.Quando ele diz “tudo o que há em mim” (v.1b), demonstra que o louvor deve envolver toda a sua vida,pois Deus não deseja apenas palavras pronunciadas pelos seus lábios; ele quer o seu coração.Assim,  Davi reconhece a santidade do SENHOR e, por isso, chama a si mesmo para bendizer o seu santo nome.

O salmista também nos ensina algo importante: nem sempre o nosso coração está naturalmente disposto a louvar a Deus. Há momentos em que estamos preocupados, cansados, abatidos ou enfrentando situações que parecem tirar de nós a alegria. Quando os problemas aparecem, nossa tendência é olhar somente para aquilo que está dando errado. Começamos a contar as dificuldades, lembrar as perdas e pensar naquilo que ainda não temos. Aos poucos, podemos nos esquecer da bondade de Deus e de tudo o que ele já realizou em nossa vida.

É justamente nesse momento que precisamos aprender com Davi. Ele não espera que seus sentimentos estejam perfeitos para começar a louvar. Ele fala com a própria alma e diz: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR”. É como se dissesse: “Minha alma, não olhe somente para os problemas. Lembre-se do Senhor! Lembre-se de sua bondade, de sua fidelidade e de sua misericórdia”. Isso não significa ignorar as dificuldades ou fingir que elas não existem. A Bíblia não nos ensina a esconder a dor. O próprio Davi passou por momentos de sofrimento, medo e angústia. A diferença está em não permitir que a dificuldade seja maior aos nossos olhos do que o próprio Deus. Podemos reconhecer a nossa dor e, ao mesmo tempo, continuar confiando no SENHOR.

Davi repete  novamente o convite: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR ”(v.2a). A repetição mostra a importância dessa mensagem. Mas agora ele acrescenta uma advertência: “não te esqueças de nenhum de seus benefícios”(v.2b).Entre esses benefícios, destaca-se a misericórdia de Deus, que se manifesta de maneira concreta na vida do seu povo. O SENHOR perdoa as iniquidades, sara as enfermidades, redime a vida da perdição e coroa o seu povo de graça e misericórdia. Portanto, o salmista não olha apenas para aquilo que lhe falta, mas recorda tudo aquilo que Deus, em sua bondade, já fez por ele.

Ele nos ensina que precisamos lembrar constantemente daquilo que Deus já fez por nós. Lembrar dos benefícios do SENHOR deve produzir em nós gratidão e louvor. ” Quando nos lembramos da graça de Deus, encontramos motivos para louvá-lo mesmo em meio às dificuldades. Talvez hoje estejamos olhando muito para os problemas e pouco para as bênçãos; talvez estejamos lembrando das perdas e esquecendo os livramentos; talvez estejamos presos aos nossos pecados e esquecendo o perdão que recebemos em Cristo. Por isso, a Palavra nos chama novamente: “Não te esqueças de nenhum de seus benefícios.” Lembremos da bondade de Deus, confiemos em suas promessas e façamos da nossa vida uma expressão de gratidão ao SENHOR.

É importante observar que, entre todos os benefícios mencionados, Davi coloca em primeiro lugar o perdão das iniquidades. Ele poderia começar falando sobre saúde, proteção, sustento ou outras bênçãos, mas começa com aquilo que é mais importante: o pecado. Isto significa que o maior problema do ser humano não é, em primeiro lugar, a doença, a pobreza ou as dificuldades da vida. O nosso maior problema é o pecado, porque ele nos separa de Deus. E é somente Deus “quem perdoa todas as nossas iniquidades” (v.3a).

O pecado,sendo o maior problema,ele nos separa de Deus, corrompe o nosso coração e nos torna culpados diante dele. Por nós mesmos, não conseguimos resolver essa situação. Podemos tentar melhorar a nossa conduta, realizar boas obras e procurar viver corretamente, mas nenhuma dessas coisas pode apagar a nossa culpa diante de Deus. Precisamos de algo que somente o SENHOR pode oferecer: o perdão.E é justamente nesse ponto que a misericórdia de Deus se manifesta de maneira maravilhosa. Deus não esperou que  encontrássemos o caminho de volta para ele. Ele veio ao nosso encontro. Enviou o seu próprio Filho, Jesus Cristo, para assumir o nosso lugar. Jesus levou sobre si os nossos pecados, sofreu o castigo que nós merecíamos e morreu na cruz para realizar a nossa salvação.Isso nos ensina que o maior benefício que podemos receber de Deus não está nas coisas materiais desta vida, mas o perdão que o SENHOR nos concede.

Davi também fala daquele que “sara todas as tuas enfermidades” (v.3c). Com essas palavras, o salmista reconhece que Deus é o SENHOR da nossa vida e que todo cuidado verdadeiro procede dele. A enfermidade faz parte da realidade de um mundo marcado pelo pecado e nos lembra de que somos criaturas frágeis e dependentes. Quando adoecemos, percebemos que não temos controle sobre todas as coisas e que a nossa força humana é limitada. Porém, em meio à enfermidade, não estamos abandonados. O SENHOR conhece as nossas dores, acompanha o nosso sofrimento e permanece ao nosso lado.

A afirmação de Davi não deve ser entendida como uma promessa de que todo cristão será necessariamente curado de todas as enfermidades nesta vida. A própria experiência mostra que pessoas piedosas também adoecem, enfrentam tratamentos e, algumas vezes, partem desta vida sem experimentar uma cura física. O que o texto nos ensina é que Deus continua sendo aquele que cura, sustenta e cuida do seu povo, segundo a sua vontade e os seus propósitos. Algumas vezes, ele concede a cura por meio de uma intervenção extraordinária; outras vezes, utiliza médicos, medicamentos e tratamentos; e, em outras situações, sustenta o seu filho durante a enfermidade e lhe concede força para enfrentar aquele momento.

Por isso, diante da doença, não precisamos perder a esperança. Podemos buscar os recursos que Deus coloca à nossa disposição e, ao mesmo tempo, colocar nossa confiança nele. A medicina pode tratar o corpo, os medicamentos podem ajudar na recuperação e os profissionais podem exercer sua vocação, mas reconhecemos que a nossa vida continua nas mãos do SENHOR. Ele é quem sustenta cada dia que recebemos.

Davi continua descrevendo a bondade de Deus. Agora, ele afirma que o SENHOR é aquele que “da cova redime a tua vida” (v.4a). A expressão “cova” pode transmitir a ideia de perigo, destruição e até mesmo da morte. Ao longo da vida, todos nós passamos por momentos em que sentimos como se estivéssemos dentro de uma “cova”: enfermidades, perdas, crises, preocupações, medos e situações que parecem não ter saída. Nessas circunstâncias, podemos pensar que estamos sozinhos. Entretanto, Davi nos lembra que o SENHOR continua presente. Ele é aquele que redime a nossa vida, que nos resgata e nos sustenta. Muitas vezes, olhando para trás, conseguimos perceber quantas situações Deus permitiu que atravessássemos e quantos perigos ele nos ajudou a superar.

No entanto, as palavras do salmista aponta para algo ainda maior. O maior livramento que Deus realiza não é simplesmente nos preservar de um perigo físico ou de uma dificuldade desta vida. Deus nos livra da condenação eterna. Por causa do pecado, estávamos debaixo da condenação e não tínhamos condições de salvar a nós mesmos. O pecado nos conduzia à morte, mas Deus, em sua misericórdia, enviou Jesus Cristo para nos redimir. Cristo entregou sua própria vida na cruz e pagou o preço pelos nossos pecados. Ele morreu e ressuscitou para que aqueles que nele confiam tenham perdão e vida eterna.

Davi continua dizendo: “te coroa de graça e misericórdia” (v.4b). A imagem é muito bonita. Uma coroa normalmente representa honra, cuidado e favor. Davi usa essa figura para mostrar que Deus não apenas nos livra, mas também nos envolve com a sua graça e misericórdia. Em vez de recebermos aquilo que os nossos pecados merecem, recebemos o favor imerecido de Deus. Essa “coroa de graça e misericórdia” nos lembra que a nossa vida está cercada pela bondade do SENHOR. Não significa que o cristão nunca terá problemas, mas significa que, em meio aos problemas, não está abandonado. A graça de Deus nos acompanha nos dias bons e nos dias difíceis. Sua misericórdia nos sustenta quando estamos fortes e também quando estamos fracos.

Davi conclui essa lista inicial falando do Deus que sustenta e satisfaz a vida do seu povo. Ele afirma: “Quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia” (v.5). Davi reconhece que tudo aquilo que temos e recebemos procede das mãos bondosas de Deus. Ele é aquele que farta de bens a vida do seu povo, isto é, aquele que supre as suas necessidades, concede o necessário para a caminhada e demonstra continuamente a sua bondade. Isso não significa que o filho de Deus terá uma vida sem dificuldades ou que receberá tudo aquilo que deseja. Significa que podemos reconhecer a mão providente do SENHOR em nossa vida e confiar que ele continua cuidando de nós.

Davi também afirma que  “a tua mocidade se renova como a da águia”(v.5b). A expressão é uma imagem de renovação e fortalecimento. O ser humano é frágil e, com o passar dos anos, percebe suas limitações e a diminuição de suas forças. Entretanto, a nossa esperança não está na força física, mas no SENHOR que pode renovar o nosso coração, fortalecer a nossa fé e sustentar-nos em todas as fases da vida. Deus não promete que nunca envelheceremos, nem que estaremos sempre livres do cansaço e das enfermidades. Mas promete permanecer conosco e conceder a força necessária para cada dia. Quando nossas forças diminuem, a graça de Deus continua sendo suficiente para nos sustentar.

Portanto, quando as nossas forças diminuírem, não precisamos pensar que Deus deixou de cuidar de nós. O SENHOR continua sendo a fonte de todo verdadeiro bem e a nossa força em todos os momentos da vida. Ele nos sustenta hoje e nos conduz até o fim. E, em Cristo, temos ainda uma esperança maior: a renovação completa da nossa vida na ressurreição. Ali não haverá mais fraqueza, enfermidade, velhice, sofrimento ou morte. Deus, que hoje sustenta a nossa caminhada, finalmente renovará todas as coisas. Por isso, podemos dizer com Davi: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.”

                                                                      II

Davi começa essa nova parte afirmando que “o SENHOR faz justiça”(v.6a). Deus não é indiferente diante do sofrimento, da injustiça e da opressão. Ele vê aquilo que ,muitas vezes, passa despercebido aos olhos humanos. Enquanto os homens podem cometer injustiças e escapar do julgamento terreno, nada está escondido diante do SENHOR. Ele conhece a situação dos oprimidos e, no tempo determinado, manifesta a sua justiça: “julga a todos os oprimidos”(v.6b). Isto significa que Deus se importa com aqueles que sofrem. Ele é o Deus que ouve o clamor do seu povo e age de acordo com a sua justiça. Isso traz consolo ao cristão, especialmente quando enfrenta situações nas quais parece que a injustiça prevaleceu. Podemos não compreender por que Deus permite determinadas situações, mas podemos confiar que ele continua sendo justo e que nenhum mal ficará para sempre sem resposta.

Precisamos examinar também as nossas próprias atitudes. Não devemos usar a justiça de Deus como desculpa para alimentar vingança, ressentimento ou desejo de retribuição. Quando alguém nos prejudica, é natural que o nosso coração queira que essa pessoa sofra aquilo que nos fez sofrer. Entretanto, a Palavra de Deus nos ensina a entregar nossas causas ao SENHOR. Se Deus é justo, não precisamos assumir o lugar de juiz nem procurar fazer justiça com as nossas próprias mãos.Isso não significa que devemos ser indiferentes diante da injustiça ou simplesmente aceitar o mal como se ele não tivesse importância. Significa confiar que Deus vê, conhece e julga corretamente todas as coisas. Há situações que não conseguimos resolver, pessoas que talvez nunca reconheçam o mal que fizeram e injustiças para as quais não encontramos uma resposta imediata. Nesses momentos, a fé nos ensina a colocar tudo diante do SENHOR e esperar nele.

Davi agora recorda a maneira como Deus se revelou ao seu povo. Ele afirma que o SENHOR “manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel” (v.7). Deus não permaneceu distante e desconhecido. Ele revelou quem é, mostrou os seus caminhos e ensinou ao seu povo como deveria viver.Existe uma diferença importante entre conhecer apenas aquilo que Deus faz e conhecer os seus caminhos. Israel viu muitos “feitos” de Deus: a libertação do Egito, a abertura do mar, a provisão no deserto e tantas outras manifestações do seu poder. Moisés, porém, recebeu também a revelação dos caminhos de Deus, isto é, conheceu a vontade, os propósitos e a maneira como o SENHOR conduzia o seu povo.

Isso nos ensina que Deus deseja ser conhecido por nós por meio da sua Palavra. Não precisamos tentar descobrir quem Deus é apenas pelas circunstâncias da vida. Ele mesmo se revelou. Na Escritura, conhecemos o seu caráter, os seus mandamentos, as suas promessas e, acima de tudo, conhecemos a obra de salvação realizada em Jesus Cristo.Por isso, não basta apenas reconhecer que Deus realiza coisas em nossa vida. Precisamos também conhecer os seus caminhos e aprender a confiar nele mesmo quando não entendemos tudo o que está acontecendo. A Palavra de Deus nos ensina quem ele é e nos conduz a confiar em suas promessas.

Assim, Davi chega a uma das grandes declarações deste Salmo sobre o caráter do SENHOR: “Ele é compassivo e misericordioso, longânimo e rico em benignidade”(v.8).A primeira palavra é “compassivo”. Deus não olha para a miséria humana com indiferença. Ele se inclina para aquele que sofre e demonstra cuidado. Em seguida, Davi afirma que Deus é “misericordioso”. Misericórdia significa que Deus não nos trata conforme aquilo que os nossos pecados merecem. Somos pecadores e culpados diante dele, mas o SENHOR se aproxima de nós com graça.

Davi também afirma que Deus é “longânimo”, isto é, paciente. Deus não se apressa em derramar o seu juízo sobre nós. Ele suporta a nossa fraqueza, chama-nos ao arrependimento e oferece o seu perdão. Isso não significa que Deus considere o pecado algo insignificante. Pelo contrário, o pecado é sério diante dele. Porém, em sua misericórdia, Deus oferece ao pecador a oportunidade de voltar-se para ele.

Finalmente, Davi declara que o SENHOR é “rico em benignidade”. A bondade de Deus não é limitada nem escassa. Ele é abundante em graça e misericórdia. O maior exemplo disso encontramos em Jesus Cristo. Na cruz, vemos ao mesmo tempo a seriedade do pecado e a grandeza da misericórdia de Deus. Cristo tomou sobre si a culpa que era nossa e sofreu em nosso lugar, para que recebêssemos o perdão e a reconciliação com Deus.

Davi continua descrevendo a misericórdia do Senhor dizendo: “Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira”(v.9). Isso não significa que Deus seja indiferente ao pecado ou que simplesmente ignore aquilo que fazemos de errado. Deus é santo e justo, e o pecado realmente provoca a sua ira. A Bíblia não apresenta um Deus que fecha os olhos para o pecado. Pelo contrário, Deus leva o pecado a sério porque ele é contrário à sua santidade e à sua vontade. Davi  também mostra que a ira de Deus não é a última palavra para aqueles que se arrependem e confiam nele. Deus não permanece para sempre repreendendo o seu povo. Ele disciplina, corrige e chama o pecador ao arrependimento, mas também oferece perdão e restauração. Sua correção tem como objetivo conduzir o pecador de volta para ele, e não simplesmente destruí-lo.

O versículo 10 aprofunda ainda mais essa verdade: “Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades” (v.10). Davi reconhece algo fundamental sobre a nossa condição diante de Deus: somos pecadores e merecemos o seu juízo. Se Deus nos desse exatamente aquilo que merecemos, receberíamos a condenação. Essa é uma verdade séria e nos mostra a gravidade do pecado. O pecado não é apenas um pequeno erro ou uma simples falha humana. Ele é uma rebelião contra Deus e nos separa dele. Por isso, não podemos salvar a nós mesmos por meio de nossas boas obras, nossos esforços ou nossa religiosidade.

Mas é justamente aqui que aparece a maravilhosa mensagem do Evangelho: Deus não nos trata segundo os nossos pecados. Isso não significa que Deus simplesmente ignore o pecado ou finja que ele não existe. O pecado precisava ser tratado, e a justiça de Deus precisava ser cumprida.Então, em sua infinita misericórdia, Deus fez aquilo que nós jamais poderíamos fazer. Ele enviou o seu Filho Jesus Cristo ao mundo. Na cruz, Jesus tomou sobre si a culpa que era nossa. Aquele que não tinha pecado carregou os pecados dos pecadores. Cristo recebeu o castigo que nós merecíamos para que nós pudéssemos receber o perdão que não merecíamos.

Por isso, quando Davi afirma que Deus não nos retribui conforme as nossas iniquidades, somos conduzidos a olhar para Cristo. É na cruz que compreendemos plenamente a grandeza da misericórdia de Deus. Deus é justo, mas também é misericordioso. Ele não abandonou o pecador à sua própria condenação, mas providenciou um Salvador.

Diante dessa maravilhosa verdade, podemos repetir as palavras de Davi: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.” Entre todos os benefícios que recebemos, nenhum é maior do que este: Deus, em sua misericórdia, não nos tratou conforme os nossos pecados mereciam, mas nos ofereceu perdão e vida por meio de Jesus Cristo.

                                                              III

Depois de afirmar que o SENHOR é compassivo, misericordioso e paciente, Davi apresenta, nos versículos 11 e 12, duas imagens que nos ajudam a compreender a grandeza do perdão de Deus. Ele diz: “Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.” Com essas palavras, o salmista procura mostrar que a misericórdia de Deus é muito maior do que aquilo que podemos imaginar e que o seu perdão é completo. Primeiramente, Davi compara a misericórdia de Deus à distância entre o céu e a terra. Quando olhamos para o céu, percebemos algo que está muito além do nosso alcance. Não conseguimos medir toda essa distância. Da mesma forma, não conseguimos medir a grandeza da misericórdia do SENHOR. Ela é maior do que a nossa compreensão e muito maior do que a nossa culpa. Podemos reconhecer a gravidade dos nossos pecados, mas jamais devemos pensar que o nosso pecado é maior do que a graça de Deus.

No entanto, o perdão de Deus  é baseado em sua graça. Deus não nos perdoa porque somos suficientemente bons, porque nunca mais pecaremos ou porque conseguimos compensar os nossos erros com boas obras. Deus nos perdoa porque é misericordioso e porque, em Cristo, providenciou a nossa salvação. É na cruz de Jesus que compreendemos a dimensão desse perdão. Ali, Cristo tomou sobre si os nossos pecados. Ele sofreu o castigo que nós merecíamos e entregou a sua vida em nosso lugar. O nosso pecado foi colocado sobre Cristo, e ele pagou completamente o preço da nossa culpa. Por isso, o cristão pode olhar para a cruz e dizer: “O meu pecado foi pago pelo meu Salvador.”

Davi apresenta uma segunda imagem: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.” Observe que ele não diz que Deus simplesmente esconde os nossos pecados ou que os coloca em algum lugar próximo. Ele afirma que Deus os afasta de nós. A distância entre Oriente e Ocidente é usada para comunicar a ideia de uma separação imensa. Assim é o perdão de Deus.

Quando o SENHOR perdoa, ele não fica ,constantemente, trazendo o pecado perdoado de volta para nos condenar. Ele nos concede uma nova condição diante dele. O pecador que confia em Cristo não precisa viver ,permanentemente, preso ao seu passado. Pode arrepender-se, receber o perdão e seguir adiante confiando na graça de Deus.Isso não significa que devemos esquecer ,completamente, as consequências de nossos atos ou tratar o pecado com pouca seriedade. Significa que, quando Deus nos concede o perdão, não precisamos continuar vivendo sob a condenação da culpa. Cristo nos liberta para viver uma nova vida.

Por isso, precisamos aprender a descansar no perdão do SENHOR. Quando a consciência nos acusa, voltamos à Palavra. Quando o passado nos atormenta, voltamos à cruz. Quando pensamos que não somos dignos da graça, lembramos que a graça nunca foi concedida porque éramos dignos. Ela nos foi dada justamente porque somos pecadores necessitados da misericórdia de Deus.

Estimados irmãos! Ao chegarmos ao final deste texto, somos novamente conduzidos às palavras de Davi: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR e não te esqueças de nenhum de seus benefícios” (v.2). Davi conhecia as dificuldades, os sofrimentos e as lutas da vida, mas não permitiu que elas apagassem da sua memória a bondade de Deus. Também nós temos muitos motivos para bendizer ao Senhor, pois ele perdoa as nossas iniquidades, sustenta a nossa vida, nos redime, nos cerca de graça e misericórdia e permanece compassivo e paciente para conosco.

A maior demonstração de todos esses benefícios, porém, encontramos na cruz de Jesus Cristo. Ali vemos tanto a gravidade do nosso pecado quanto a grandeza da misericórdia de Deus. Cristo tomou sobre si a nossa culpa e sofreu o castigo que nós merecíamos para conquistar para nós o perdão e a vida eterna. Por isso, nossa esperança não está em nossos méritos, obras ou justiça, mas unicamente na graça de Deus revelada em Jesus Cristo.

 Portanto, quando estivermos cansados, enfermos ou enfrentando dificuldades, não nos esqueçamos dos benefícios do SENHOR. Quando o pecado pesar sobre a nossa consciência, lembremo-nos do seu perdão; quando as forças diminuírem, lembremo-nos de que ele é o nosso sustento e esperança. Que não sejamos pessoas que se lembram facilmente dos problemas e se esquecem das bênçãos de Deus. Pelo contrário, que possamos dizer todos os dias: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.” Amém.

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