terça-feira, 28 de junho de 2022

 TEXTO:SL 66

TEMA:LOUVEMOS A DEUS POR SEUS GRANDES FEITOS


O Salmo 66 é um hino de gratidão a Deus por seu livramento. Não sabemos o autor, nem a circunstância da sua composição. Mas pelos exemplos, expressões e estilo citados, é possível que seja de Davi. O Salmo oferece uma grande contribuição à nossa compreensão do valor do louvor bíblico. No decorrer do Salma, o poeta fala de um louvor descritivo, exaltando a Deus pelo que é e pelo que faz, bem como um louvor declarativo, adorando a Deus por determinadas respostas específicas às suas orações. Ele coloca diversos motivos que nos levam a reconhecer a grandeza de Deus. Ele mesmo reconhece as grandes obras de Deus do passado, tais como a abertura do Mar Vermelho nos dias de Moisés e a travessia dos israelitas no Rio Jordão nos dias de Josué. Israel se alegrou sobremaneira no Senhor, em ambas as ocasiões.

O salmista passou por uma grande crise, a qual ele chama de “minha aflição” que o levou a fazer voto, e clamar a Deus em oração. Pelo modo como se expressa no salmo, é provável que tenha sido uma crise nacional, afligindo todo o povo. Entretanto, essa crise havia cessado por uma ação poderosa do Senhor. Diante da grande libertação, toda a nação está tremendamente feliz e o salmista se vê, não apenas devedor, mas desejoso de oferecer a Deus todo louvor e agradecimento com toda sua força. Sendo assim, ele convida a todos, não apenas o povo de Israel, mas os povos que habitam todas as terras se unirem a louvar ao Senhor por suas obras: “Aclamai a Deus, toda a terra. Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor” (vs.1 e 2).

Essa atitude do salmista, em demonstrar sua gratidão, aclamando, glorificando, enaltecendo o poder de Deus, tem um motivo: “quão tremendos são os teus feitos!” (v.3a). A palavra “tremendos” significa que seus atos são tão grandes que eles causam espanto e admiração. As obras de Deus causam sensação de assombro e admiração (Salmo 19.1,2). Diante desta grandiosidade do poder de Deus, todos os povos da terra são convidados a salmodiar a glória do nome do Senhor, prostrando-se perante Deus. (v.4). O termo “prostrar”, “curvar” significa render honra prestar reverência e homenagem a alguém em admiração e reconhecimento de sua posição hierárquica superior. Esta honra até mesmo os inimigos se mostram submissos à grandeza divina: “Pela grandeza do teu poder, a ti se mostram submissos os teus inimigos”. (v.3b).

Também somos convidados a exaltar e proclamar os grandes feitos de Deus, pois são impressionantes em nossas vidas. Deus nunca está distante. Ele ouve nossas súplicas e não afasta de nós o seu amor. Olhando para o passado, lembramos quão bom o Senhor tem sido em nossas vidas. Ele manifestou a sua graça ao longo da história, e continua a manifestá-la até hoje. Isto se verifica nas bênçãos materiais e espirituais, no cuidado e proteção, no conforto diante de uma enfermidade ou aflição, na direção da vida, mas principalmente da salvação do homem através de Jesus Cristo. Por isso, este é o momento de reconhecimento do homem para com Deus, agradecendo pelas bênçãos recebidas. Como Paulo escreveu aos Tessalonicenses: “Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus” (I Ts 5.18).

No versículo 5, o salmista estende o convite a todas as nações para adoração a Deus: “Vinde e vede as obras de Deus: tremendos feitos para os filhos dos homens”. “Vinde e vede” é um convite para reconhecer as obras maravilhosas manifestadas junto ao povo de Israel. Quais são estas obras? O salmista relembra feitos grandiosos de Deus a fim de comparar a atuação do passado com a que ele presenciou com seus olhos no momento. O texto relembra dois fatos impressionantes: “Converteu o mar em terra seca atravessaram o rio a pé; ali, nos alegramos nele.” (v.6). Essa é uma clara menção do poder de Deus demonstrado nos feitos miraculosos ao abrir o mar Vermelho para que o povo pudesse passar. (Ex 14.15-31), e parar o curso de água do rio Jordão para Israel iniciar a conquista de Canaã (Js 3.12-17). Quanta alegria houve em Israel naqueles dias! O povo exultou no Senhor, cujo poder e domínio nunca terminam.

Esta grandiosidade de Deus demonstra que o universo é governado pelo Criador e todas as coisas existentes cumprem o seu desejo. Ele tem um propósito para a humanidade e cumprirá os seus desígnios. O salmista resume este pensamento ao dizer: “Ele, em seu poder, governa eternamente; os seus olhos vigiam as nações não se exaltam os rebeldes.” (v.7). Na verdade, Deus é o controlador da história e das nações: “Teus olhos vigiam as nações” É interessante que a recordação dos seus feitos do passado é um dos instrumentos que o povo de Deus sempre utilizou para enfrentar os problemas do presente. O que realizou no passado serve de parâmetro para que o povo reconhecesse a grandiosidade das obras de Deus. Jeremias em suas Lamentações relembra os acontecimentos do passado: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (3.21). O profeta estava lembrando, recordando, trazendo de volta algo que poderia dar esperança. Estava recordando a grandiosidade que Deus tinha demostrado ao seu povo no passado.

Assim, deve ser a vida do cristão. Olhar diariamente as bênçãos recebidas, reconhecendo que elas vêm do Senhor, e dando graças a ele por tão grande amor. Ao contemplar estas bênçãos maravilhosas, perguntamos: O que Deus tem feito em nossas vidas? O que ainda fará no futuro? Ele tem realizado grandes feitos em nossas vidas e continua realizando! Esta confiança deve nos ajudar nos momentos em que nos sentimos incapazes de superar um problema que nos aflige. Devemos contemplar o Senhor, suas obras, sua Palavra, seus feitos, sua memória viva em nossa história. Olhar para Deus nos lembra de que, não importa a origem ou causa de nossa aflição, o final último de nossa vida está em Deus e em suas promessas de aliança e resgate.

Ao lembrar toda a grandiosidade das obras de Deus, o salmista convida a todos a agradecer a Deus: “Bendizei, ó povos, o nosso Deus, fazei ouvir a voz do seu louvor”. (v.8). Bendizer significa reconhecer, elogiar. Já o termo louvor significa glória, cânticos de louvor, exaltar. Portanto é um convite para louvar e adorar, reconhecendo a magnitude de Deus por suas obras e feitos. Lembrar que Deus “preserva com vida a nossa alma e não permite que nos resvalem (escorregar) os pés”, (v.9), mostrando assim o seu cuidado, proteção e condução no nosso caminhar. Lembre-se: só Deus pode fazer com que nossos pés não fraquejem, não vacilem. Só Deus pode nos firmar em momentos tão difíceis pelos quais temos passado. Nenhum filho de Deus permaneceria de pé, por um momento sequer, diante de abismos, armadilhas, fraquezas físicas e inimigos sutis, se não fosse por causa do fiel amor de Deus, que não permitirá que os pés de seus filhos vacilem. Portanto, temos muitos motivos para louvar, adorar e render graças ao Senhor.

O salmista ainda, no reconhecimento dos feitos e propósitos de Deus, O bendiz também nas tribulações, nas lutas, na angústia, nas lágrimas, na dor, afirmando, “pois, Tu, Ó Deus, nos provaste” (v.10a). O salmista entendeu o propósito de Deus através das provações. Ele admite que a provação é algo essencial na vida do povo, por causa dos pecados em Israel. O povo precisava ser lapidado, transformado, regenerado, purificado pelo próprio Deus: “acrisolaste-nos como se acrisola a prata” (v.10b). Outra tradução seria: “Tu nos purificaste assim como se purifica a prata”.  O verbo acrisolar significa tirar as impurezas, aperfeiçoar, apurar, dar qualidade. Como todo o metal, a prata precisa ser lapidada para que tenha algum valor comercial. Para que isto ocorresse, colocava-se a pedra bruta de prata no crisol, submetendo-a a altíssimas temperaturas. O crisol é um vaso de fundir metais, como prata e ouro.

Deus fez isso com Israel. Colocou Israel no fogo para retirar as impurezas e deixar o povo mais puro, e esse processo se repetiu várias vezes, porque Deus não queria ver seu povo destruído, mas purificado. Por isso, Deus havia colocado seu povo em situações tão difíceis que não podia resolver sem o auxílio do Senhor: “Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas”. (v.11). “fizeste que os homens cavalgassem sobre nossas cabeças”. (v.12a). Era como se tivessem sido obrigados a passar por chamas ardentes e inundações furiosas: “...passamos pelo fogo e pela água...” (v. 12b). Apesar disso, Deus não permitiu que o povo fosse derrotado. Pelo contrário, trouxe-o para um lugar espaçoso, ou seja, uma terra onde havia amplos rios, nascentes e córregos, produzindo fertilidade e abundância.

O mesmo acontece conosco. Encontramo-nos numa época de tantas provações. Deus nos dá diversas provas e literalmente nos coloca no fogo para nos acrisolar. E quando passamos por essas provações, ficamos sem alegria, sem paz e em desespero. São situações que nunca pensávamos em viver, e parecem que nunca terão fim. É nessas horas que os questionamentos a Deus começam a surgir:  Que Deus é esse que deixa seus filhos desemparados? Que Deus é esse que não tem piedade com aqueles que sofrem? Mas se você anda nesse vale de lagrimas, diante de situações adversas, como enfermidade, problema financeiro, crises, relacionamentos. Lembre-se que os filhos de Deus ao longo da história enfrentaram as mesmas circunstâncias e sempre foram amparados pelo Senhor.

A Bíblia, possui muitos exemplos de pessoas que passaram por provações, e enfatiza o objetivo das provações: servem para nos fortalecer, aperfeiçoar e purificar e ajudar a crescer espiritualmente. O livro de Provérbios, por exemplo, afirma: “Assim como o ouro e a prata são provados pelo fogo, o bom nome de uma pessoa também pode ser posto à prova...” (Provérbios 27.21). Pedro afirma:  “para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo”.(1 Pedro 1.7).Lemos em Zacarias: " Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a provarei como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: é meu povo, e ela dirá: O Senhor é meu Deus." (13.9).

No entanto, ainda, que a provação em si seja algo difícil, o resultado dela é motivo de alegria e gratidão a Deus. O que fazer, então, quando somos assolados pelo sofrimento?  Tiago disse: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.2-4). A ordem de Tiago é para que nos alegremos face às várias provações a que estamos sujeitos neste mundo. É preciso se manter íntegro e fiel a Deus diante das provações, pois, somente Ele pode nos tirar de um lugar de morte e nos posicionar em um lugar espaçoso, onde passamos encontrar esperança, fé, amor e salvação em seu Filho Jesus Cristo.  É certo que as tribulações continuarão fazendo parte da nossa vida até a volta de Jesus. Mas não podemos nos esquecer por mais difícil que seja a situação, confie que Deus. Ele derramará muitas bênçãos sobre sua vida no momento certo.

Mesmo diante das provações, o salmista agradece a Deus ao realizar a sua oferta. Ele não faz de uma forma mecânica, ao contrário ele o faz de todo o coração. Ele afirma: “Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos.” (v.13). Com isso, o salmista afirma sua fidelidade no relacionamento com Deus, fato evidenciado no culto público e no cumprimento dos compromissos que ele assumiu com o Senhor. Ele também diz: “Oferecer-te-ei holocaustos de vítimas cevadas, com aroma de carneiros; imolarei novilhos com cabritos.” (v.15). A princípio, essa lista de sacrifícios parece não dizer muito. Mas, ao identificar os elementos presentes no texto, é possível notar, na primeira parte, a menção de “holocaustos” – ofertas totalmente queimadas. Na segunda, a menção de um novilho oferecido com cabritos remete às “ofertas pacíficas” – ofertas que, depois de oferecidas a Deus, eram comidas pelos sacerdotes e pela família do ofertante – das tribos israelitas na consagração do tabernáculo. Assim, pela lista de sacrifícios propostos, o salmista garante que adorará o Senhor no culto público com “coração grato, alegre e dedicado”. Era algo grandioso que o salmista estava realizando ao Senhor.

Assim, após a oferta de agradecimento a Deus, atitude do salmista é um desejo de testemunho a respeito do Senhor. Ele faz um convite aberto e amplo, dizendo: “Vinde, ouvi, todas vós que temeis a Deus, e vos contarei o que tem ele feito por minha alma.” (v.16). O salmista quer anunciar as grandezas de Deus. No início do Salmo, ele lembrou:” “Vinde e vede” (v.5) Agora, lembrou dos feitos grandiosos de Deus a fim de comparar a atuação do passado com a que ele presenciou com seus olhos. Tendo recordado os milagres do passado, o salmista anuncia a resposta positiva do Senhor aos seus clamores: “Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração.” (v.19). Esse é um fato que não pode ser escondido diante da gratidão que o escritor do salmo sente: Deus ouviu a sua oração.

Deus ouve e atende as nossas orações. Esta é a grande verdade que todo o cristão precisa compreender. Deus diz para Jeremias 33.3 "clama a mim e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas..." Que bom que temos um Pai amoroso que cuida de nós e atende as nossas orações. E ele faz isso tão somente por causa de seu grande amor para conosco. Deus ouve e atende as nossas orações feitas com fé, em nome de Jesus. Mesmo que a resposta seja “não”, ele sabe sempre o que é bom para nós. E, no seu amor, nos dá tudo o que é necessário para a nossa salvação. Se você tem pedido alguma coisa a Deus, ouça a sua resposta em seu coração, acalme-se creia que Ele sabe o que faz. Deus tem o controle do tempo, do modo, da situação, de sua vida. Ele sabe o que é melhor para você.

O salmista termina o salmo, afirmando esta grande verdade. Ela fala da resposta divina aos seus clamores e louva seu nome: “Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.” (v.20).  O encerramento do salmo faz transparecer a razão pela qual Deus atende a súplica de homens pequenos e falhos: “Pois não rejeitou a minha oração, nem afastou de mim o seu amor”. Esse “amor” pode ser traduzido como “graça”, “bondade” ou “misericórdia”. Mas sua ênfase é sobre a ideia de um “amor fiel” que não abandona os seus. É o amor que, movido por graça plena, busca o benefício alheio mesmo se – ou principalmente se – esse benefício não pode ser retribuído à altura. Essa é a razão da resposta positiva de Deus libertando a nação do salmista e o motivo pelo qual este depende de Deus para ouvi-lo e para abençoá-lo. Esse é um dos maiores motivos de gratidão que podem existir diante de Deus.

Estimados irmãos! Vamos mostrar a Deus toda a nossa gratidão e louvor diante de seus grandes feitos em nossas vidas! Melhor ainda é fazê-lo de todo o coração em todo o tempo e não apenas quando Deus tem de corrigir os nossos erros. Que possamos, ó povo de Deus, viver constantemente em estado de adoração e gratidão ao nosso Deus. Amém.

 

 


quarta-feira, 22 de junho de 2022

 

TEXTO: 1 REIS 19.9-21

TEMA: QUE FAZES AQUI, ELIAS?

Estimados irmãos! Enfrentamos diariamente humilhações, perseguições, zombarias adversidades, angústias, ansiedades. O profeta Elias também se encontrava nesta situação. Ao derrotar os profetas de Baal foi ameaçado de morte por Jezabel. Fugiu para o deserto e foi parar dentro de uma caverna. Mas Deus não o abandonou. Ele queria que seu servo voltasse ao seu povo. E ao pernoitar numa caverna, o Senhor lhe pergunta: “Que fazes aqui, Elias?” (v.9). Em outras palavras o Senhor diz: Não era para você estar aqui. Você não precisava ter feito toda esta caminhada, não precisava ter sofrido tanto. Deus sabia que aquele lugar, não era onde Elias deveria estar.

Também vivemos na mesma situação de Elias. Quem já não se sentiu um fracassado? Ou com vontade de desistir, diante das crises na família e no trabalho? Ficamos, às vezes, desanimados, com medo, decepcionados, frustrados. E diante dos nossos problemas ao invés de lutarmos, avançarmos; recuamos e nos escondemos. Falhamos com o Senhor. Por falta de fé, por falta de coragem, por nossas reclamações, por medo, por decepções com as pessoas. Que fazes aqui? Levante-se e saia desta caverna! Não fique se escondendo, reclamando, questionando. É tempo de estar em outro lugar, servindo a Deus na obra para a qual foi chamado.

Nesses momentos precisamos voltar-nos para o Senhor e permitir que ele nos ajude a superar a depressão, a ansiedade, o medo.  Precisamos confiar no Senhor. Precisamos nos levantar e nos ocupar, deixando de pensar em nós mesmos e realizar a obra do Senhor.

Estimados irmãos! Após Elias confrontar e matar os profetas de Baal no monte Carmelo, o rei Acabe foi até Jezabel, sua esposa, e contou a ela como o profeta Elias confrontou e matou todos os profetas. Quando Jezabel ouviu o relato do rei Acabe, ficou completamente irada, e mandou um mensageiro ao encontro do profeta Elias, determinou e mandou avisar:  Vou matar este homem!  “Que os deuses me castiguem com todo rigor, se amanhã nesta hora eu não fizer com a sua vida o que você fez com a deles” (v.2). Ela não quis saber se Elias era homem de Deus, se ele tinha poder para fazer chover fogo do céu. A sua intenção era matar o servo de Deus.

Quando Elias ouviu aquela mensagem teve medo e fugiu para salvar sua vida. Ele deixou o seu servo na cidade de Berseba de Judá, e em completo desespero, saiu correndo para o deserto, a fim de tentar salvar-se. Após caminhar um dia inteiro pelo deserto, Elias cansou e se sentou à sombra de uma árvore. Naquele lugar, olhando para si, reconhece a sua impotência e incapacidade. Continua sozinho. Não quer mais importar-se com ninguém. Deitou-se para morrer.  Então, em total estado de pessimismo, ele pediu a morte a Deus: “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois sou não melhor do que meus pais.” (v.4). Quem poderia imaginar esta cena? Depois de tudo que ele havia feito? Depois das grandes e poderosas manifestações de poder da parte de Deus por meio de Elias? Depois de sua fidelidade e firmeza, sua coragem e retidão? Onde estava, agora, a ousadia daquele que desafiara os 450 profetas de Baal?  Para onde estava indo o homem que zombava dos adversários de Israel?

Também vivemos na mesma situação de Elias. Quem já não se sentiu um fracassado? Ou com vontade de desistir, diante das crises na família e no trabalho? Ficamos, às vezes, desanimados, com medo, decepcionados, frustrados. E diante dos nossos problemas ao invés de lutarmos, avançarmos; recuamos e nos escondemos. Falhamos com o Senhor. Por falta de fé, por falta de coragem, por nossas reclamações, por medo, por decepções com as pessoas. Que fazes aqui? Esta pergunta também é dirigida a nós. E a recomendação é: levanta e saia desta caverna! Não fique se escondendo, reclamando, questionando. É tempo de estar em outro lugar, servindo a Deus na obra para a qual foi chamado.

Contudo, Deus não abandona seu servo. Deus queria que ele voltasse ao seu povo. Sendo assim, enviou um anjo ao profeta. Ele fornece alimento para preservar-lhe a vida. Após alimentação com pão e água, se sentido revigorado, segue em direção a Horebe, o monte de Deus. A caminhada durou quarenta dias e quarenta noites, e o profeta foi sustentado pelo Senhor. No entanto, o desânimo logo o cercou novamente, e ele entrou em uma caverna em Horebe, e ali permaneceu.

Ao pernoitar naquela caverna, o Senhor lhe pergunta: Que fazes aqui, Elias? (v.9). Em outras palavras o Senhor diz: Não era para você estar aqui. Você não precisava ter feito toda esta caminhada, não precisava ter sofrido tanto. Então, Elias, procura justificar todas as suas atitudes: “Eu tenho sido zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e eu fiquei só; e procuraram tirar-me a vida”. (v.10). Deus escuta todas as suas lamentações, decepções e as ameaças de morte, e procura consolar o profeta.

Fico imaginando, Elias, o grande profeta, que fez o fogo descer do céu, agora, estava escondido dentro de uma caverna chorando, resmungando com Deus, sentindo o cansaço físico e vivendo as expectativas não cumpridas. Deus não quer seus servos escondidos e, sim, dispostos para lutar. Mas, infelizmente, muitos servos continuam escondidos em cavernas, perguntando: de que serviu tanto esforço, ou porque foi injustiçado? Lamentam e oram: “Senhor sinto-me cansado, decepcionado, frustrado. Estou sozinho. Tenho Te servido, todos estes anos. Evangelizo, oferto, e até, hoje, não tenho visto o resultado do meu trabalho”. Qual seria a resposta de Deus? Levante-se e saia desta caverna!

Deus não apenas responde, mas também ordena: “Sai e põe-te neste monte perante o Senhor” (v.11). Deus precisa passar diante dos olhos de Elias os elementos raivosos da natureza, muitas vezes, usados por Deus para juízo, mas não para salvação. Através destes exemplos, Deus quer o profeta reconheça o Seu poder, a Sua graça e misericórdia. Assim diz o texto: “Um grande vento forte que fendia os montes e quebrava as penhas... um terremoto... um fogo, e o Senhor não estava nessas coisas. Então, veio um som brando, tranquilo e suave”.  Era o Senhor que falava com o profeta, mostrando o contraste dessa suavidade com aquele espírito revoltado e rancoroso, que tinha se instalado no coração de Elias. Foi uma lição que Deus deu a Elias. Ele precisava confiar em Deus.

Após esta manifestação de Deus, Elias envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora e pôs-se à entrada da caverna. E outra vez Deus pergunta: “Que fazes aqui Elias?   A segunda pergunta pode deixar implícito algo como: é tempo de estar em outro lugar, servindo a Deus na obra para a qual foi chamado. Ali naquela caverna, Ele teve um tempo de preparação e meditação, onde a aproximação com Deus foi fortalecida. Agora, o Senhor lhe dá uma nova tarefa: “Vai, volta ao teu caminho para o deserto...” (v.15). Deus mandou que Elias voltasse pelo caminho do deserto e ungisse dois reis, um sobre a Síria e outro sobre Israel, e a Eliseu como profeta em seu lugar. Eliseu, homem da roça, aceitou o manto de Elias. Era um gesto simbólico. E, imediatamente, compreendido este gesto, Eliseu aceitou o chamado. Deus o escolheu e o separou para a sua obra. O motivo foi para que ele continuasse a missão de Elias. Prontamente deixou o que estava fazendo, pediu para despedir de seus pais e irmãos, e seguiu Elias.

A vida de Elias não foi fácil. Lutou com todas as forças para preservar a aliança que Deus estabeleceu com o povo. Foi perseguido, ameaçado de morte. Apesar das dificuldades e dos altos e baixos, vemos que a sua vida se tornou tranquila e feliz. Mas Deus deu-lhe os meios que necessitava para cumprir a sua missão. A sua vida serve de exemplo. O seu chamado, sua vocação profética, as marcas que ele deixou no mundo é um exemplo para todos nós. Sua renúncia aos bens materiais, profissionais e seculares, nos dá uma nítida sensação que precisamos aprender mais a cada dia e a nos dispormos ao serviço da obra de Deus na terra. Com certeza é uma referência para todo aquele que deseja servir ao Senhor. Na verdade, quando nos dedicamos à vontade de Deus, Ele nos dá aquilo que precisamos, mesmo quando a situação parece impossível. Quando estamos atentos à voz de Deus e andando em obediência à Sua Palavra, podemos encontrar encorajamento, vitória e recompensa.

Estimados irmãos! Assim como Deus ajudou a Elias a recuperar-se, Ele também pode restaurar a vida daqueles que vivem na angustia. Por isso, confie em Deus, a tristeza não durará para sempre! Ele não abandona quem O ama.  Quem possamos encontrar forças no Senhor para se posicionar, sair da caverna e viver em plenitude da sua vontade. Amém!

 

terça-feira, 31 de maio de 2022

 

 

 TEXTO: ATOS 2.1-21

TEMA: O ESPÍRITO SANTO CAPACITA AS PESSOAS PARA A MISSÃO DE EVANGELIZAÇÃO NO MUNDO.

 

No próximo fim de semana, a Igreja Cristã festeja o Dia de Pentecostes. É o dia da descida do Espirito Santo, sobre os primeiros discípulos em Jerusalém. Dia em que Jesus enviou o Espírito Santo, conforme prometeu a seus discípulos. (Jo 14.16).  Esta promessa se cumpriu no dia de Pentecostes. Lemos em Atos: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam reunidos. E apareceram línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. (At 2.1-3).

A sua promessa continua presente em nossas vidas, nos guiando, iluminando nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacitando para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento. Estes são os assuntos que queremos refletir sobre o Espirito Santo, nesta mensagem. Que Deus nos abençoe!

Havia muitos peregrinos na cidade, vindos de diversos lugares para comemorar Pentecostes. Os discípulos estavam reunidos. Até aquele momento, podemos imaginá-los orando, aguardando a promessa da vinda do Espírito Santo, pois confiavam nas promessas de Jesus. Ele prometeu aos seus discípulos a ajuda que precisavam para viver vidas transformadas, pois sabia que os discípulos ainda não estavam capacitados espiritualmente para a missão designada por Ele, e, por isso, o Espírito Santo viria para equipá-los e fortalecê-los para serem verdadeiras testemunhas sobre os ensinamentos de Jesus. Ele disse: “O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar-se de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26). E ainda: “E eu rogarei ao Pai, ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”. (Jo 14.16). É importante lembrar que antes de sua subida aos céus, Jesus pediu aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, até que a promessa de derramamento do Espírito Santo se cumprisse: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Somaria e até os confins da terra”.  (Atos 1.4,8).

É justamente naquele momento, quando se comemorava o Pentecostes, que o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos e diversas pessoas que acolheram a mensagem de Cristo, e se tornaram seus seguidores, as palavras de Jesus foram cumpridas. O tempo estava se cumprindo. Deus escolheu esse período para cumprir sua promessa de derramar o Espírito Santo. A promessa do AT estava cumprindo. O profeta Joel já havia afirmado que um dia Deus derramaria o seu Espírito sobre toda a carne (Joel 2.28-32). E assim, aconteceu: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas.” (vs 1-4).

Os fatos que ocorreram naquele dia marcaram definitivamente o início da História da Igreja Cristã. Eclodiu no coração daquelas pessoas o desejo de espalhar o Evangelho de Jesus Cristo por todos os lugares. Pedro que havia negado Jesus anteriormente por três vezes consecutivas, que antes se acovardou e fugiu amedrontado, agora, cheio do Espirito Santo se levantou com os onze discípulos e, em alta voz, dirigiu-se à multidão através de sua pregação. Não permitiu que o seu fracasso no passado atrapalhasse o seu futuro. Ele superou as dificuldades, ele superou a frustração, o fracasso, e venceu. Teve uma postura, totalmente diferente, ousada, convicta e firme na sua fé, mesmo diante do perigo iminente de açoite, prisão, apedrejamento e morte.

Em meio a perplexidade, alguns buscavam entender o que estava acontecendo naquele momento, Pedro se levanta juntamente com os onze, e tomando a palavra, dirige-se aos judeus e a todos os que se encontravam em Jerusalém. Proclama uma pregação envolvente, destacando a necessidade de explicar os fenômenos à luz das Escrituras Sagradas. Nela, Pedro liga os eventos desse dia com a morte e ressurreição de Jesus e termina com um convite ao arrependimento: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia”. (vs 14 e15).

Naquele momento, Pedro dirigiu a sua saudação aos “varões judeus”. Ele revela autoridade ao proferir as suas palavras. Não é um homem inculto e iletrado, mas é um embaixador de Cristo, um arauto de Deus. Por isso, querendo ou não os judeus deveriam ouvir as suas palavras. Com apenas uma frase, Pedro aniquila a zombaria dos adversários: “Estes homens não estão embriagados”.  Pedro explica: era cedo para beber, conforme o costume judeu. Por isso, não tinha sentido afirmação dos seus adversários. Explicou, ainda, o que eles estavam vendo, nada mais era do que o cumprimento de uma das promessas do profeta Joel, quando disse que “nos últimos dias” Deus ia derramar do seu Espírito. (Joel 2.28, 32). Pedro tomou as palavras do profeta e as aplica ao grandioso evento que estava ocorrendo. Ele resume em quatro partes a sua mensagem.

Em primeiro, lugar, o derramamento do Espírito de Deus tem alcance universal: “derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”. A palavra "derramar" indica abundância e "toda a carne" significa universalidade. Não se limitava somente aos judeus. Mas todo aquele que crer em Cristo será habitado pelo Espírito Santo, independente da raça, condição social, sexo e idade. Em segundo lugar, o dom da proclamação do Evangelho se estenderá a todos: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão”. (vv.17,18). Nos últimos dias, segundo a profecia, o testemunhar, o falar, o proclamar da Boa Nova de Deus seriam tarefas de todos.

Em terceiro lugar, a iluminação do Espírito Santo não se limita a qualquer idade: “vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos”. Trata-se da iluminação do Espírito Santo, através do qual ele dá aos jovens uma notável visão das necessidades e possibilidades no trabalho da igreja de Cristo no mundo. Os velhos também não devem desprezar esse desafio e tantas possibilidades de trabalho na igreja. Quando o Espírito Santo nos enche, Ele enche de sabedoria, paz, alegria, amor, projetos e sonhos a serem realizados na igreja. Tanta as visões dos jovens quanto os sonhos dos velhos são necessários na preparação da igreja, diante da mensagem profética.

Em quarto lugar, o fim da era messiânica será acompanhado por sinais extraordinários em todo o universo: “Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.” (vv.19,20). Há, contudo, uma mudança: o Dia do Senhor se refere, agora, à Segunda Vinda de Jesus, Na verdade, não é mais o SENHOR que garantirá a salvação, mas Jesus, que, agora, é o Senhor em cujo nome as pessoas devem clamar para serem salvas, pois Jesus é ambos, Salvador e Juiz. É o que se concretizará na mensagem de Pedro, extraído do profeta Joel: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. (v.21). A salvação em Cristo, recebida pela fé, agora, é estendida a todos os povos, de todos os lugares, de todos os tempos. Nos dias de Joel, como nos dias de Pedro, de Paulo e também nos nossos dias, invocar o nome do Senhor é o único caminho para a salvação.

A presença do Espírito Santo capacitou os apóstolos a entender, interpretar os ensinamentos de Jesus. Agora, ungidos pelo Espírito Santo reconheceram serem arautos autorizados e, repetidas vezes, informaram disso aos seus ouvintes. Eles entenderam que a eficiência da pregação só era possível com a capacitação do Espírito Santo. Sendo assim, inspirado pelo Espírito Santo, Pedro, conclamou a multidão a aceitar a salvação que Deus oferecia. E muitos que ali estavam ficaram comovidos com a mensagem, e perguntaram o que deviam fazer, Pedro aconselhou as pessoas a arrependerem-se dos seus pecados e serem batizadas. Como resultado desta mensagem comovente, três mil pessoas foram batizadas.

A promessa de Jesus não terminava em Jerusalem. Antes de subir aos céus Cristo deixou a grande comissão aos seus discípulos: (Mt 28.19-20). “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. A grande missão de evangelizar o mundo só poderia ser assumida com o poder do Espírito Santo. Ela nunca será possível sem a ação do Espírito Santo. Na caminhada que os discípulos tiveram que trilhar, encontram muitos desafios. Os desafios eram tão grandes que não podiam ser encarados com suas próprias forças. Era preciso do auxílio do Espírito Santo.

A promessa de Jesus continua presente em nossas vidas. O Espirito Santo nos guia, ilumina nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacita para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento.

Estimados irmãos! Nenhum desafio que a vida nos apresenta supera a força do Espírito Santo.Com a Sua presença, somos fortes, capazes de enfrentar a vida, vencer batalhas. Não estamos sós. Ele está ao nosso lado. Ele nos faz novas criaturas, e vida nova cresce em nós por meio de sua ação. Sentimo-nos amados e protegidos pela presença do Espirito Santo. Então, podemos experimentar o que vivenciou o apóstolo Paulo: “Quando sou fraco, aí é que sou forte!”. É a ação revigorante e restauradora do Espírito!

Portanto, sigamos com coragem nosso caminho, sendo verdadeiro discípulo, mensageiro na missão de evangelizar o mundo. Agradecemos, ó Senhor, por enviares o Espírito Santo para guiar os teus discípulos e também a nós. Vem Espírito consolador, convencer o mundo e especialmente a nós do pecado, da justiça e do juízo, e conduze-nos ao verdadeiro caminho. Amém.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

 

TEXTO: ATOS 2.1-21

TEMA: O ESPÍRITO SANTO CAPACITA AS PESSOAS PARA A MISSÃO DE EVANGELIZAÇÃO NO MUNDO.

No próximo fim de semana, a Igreja Cristã festeja o Dia de Pentecostes. É o dia da descida do Espirito Santo, sobre os primeiros discípulos em Jerusalém. Dia em que Jesus enviou o Espírito Santo, conforme prometeu a seus discípulos. (Jo 14.16).  Esta promessa se cumpriu no dia de Pentecostes. Lemos em Atos: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam reunidos. E apareceram línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. (At 2.1-3).

A sua promessa continua presente em nossas vidas, nos guiando, iluminando nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacitando para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento. Estes são os assuntos que queremos refletir sobre o Espirito Santo, nesta mensagem. Que Deus nos abençoe!

Havia muitos peregrinos na cidade, vindos de diversos lugares para comemorar Pentecostes. Os discípulos estavam reunidos. Até aquele momento, podemos imaginá-los orando, aguardando a promessa da vinda do Espírito Santo, pois confiavam nas promessas de Jesus. Ele prometeu aos seus discípulos a ajuda que precisavam para viver vidas transformadas, pois sabia que os discípulos ainda não estavam capacitados espiritualmente para a missão designada por Ele, e, por isso, o Espírito Santo viria para equipá-los e fortalecê-los para serem verdadeiras testemunhas sobre os ensinamentos de Jesus. Ele disse: “O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar-se de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26). E ainda: “E eu rogarei ao Pai, ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”. (Jo 14.16). É importante lembrar que antes de sua subida aos céus, Jesus pediu aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, até que a promessa de derramamento do Espírito Santo se cumprisse: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Somaria e até os confins da terra”.  (Atos 1.4,8).

É justamente naquele momento, quando se comemorava o Pentecostes, que o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos e diversas pessoas que acolheram a mensagem de Cristo, e se tornaram seus seguidores, as palavras de Jesus foram cumpridas. O tempo estava se cumprindo. Deus escolheu esse período para cumprir sua promessa de derramar o Espírito Santo. A promessa do AT estava cumprindo. O profeta Joel já havia afirmado que um dia Deus derramaria o seu Espírito sobre toda a carne (Joel 2.28-32). E assim, aconteceu: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas.” (vs 1-4).

Os fatos que ocorreram naquele dia marcaram definitivamente o início da História da Igreja Cristã. Eclodiu no coração daquelas pessoas o desejo de espalhar o Evangelho de Jesus Cristo por todos os lugares. Pedro que havia negado Jesus anteriormente por três vezes consecutivas, que antes se acovardou e fugiu amedrontado, agora, cheio do Espirito Santo se levantou com os onze discípulos e, em alta voz, dirigiu-se à multidão através de sua pregação. Não permitiu que o seu fracasso no passado atrapalhasse o seu futuro. Ele superou as dificuldades, ele superou a frustração, o fracasso, e venceu. Teve uma postura, totalmente diferente, ousada, convicta e firme na sua fé, mesmo diante do perigo iminente de açoite, prisão, apedrejamento e morte.

Em meio a perplexidade, alguns buscavam entender o que estava acontecendo naquele momento, Pedro se levanta juntamente com os onze, e tomando a palavra, dirige-se aos judeus e a todos os que se encontravam em Jerusalém. Proclama uma pregação envolvente, destacando a necessidade de explicar os fenômenos à luz das Escrituras Sagradas. Nela, Pedro liga os eventos desse dia com a morte e ressurreição de Jesus e termina com um convite ao arrependimento: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia”. (vs 14 e15).

Naquele momento, Pedro dirigiu a sua saudação aos “varões judeus”. Ele revela autoridade ao proferir as suas palavras. Não é um homem inculto e iletrado, mas é um embaixador de Cristo, um arauto de Deus. Por isso, querendo ou não os judeus deveriam ouvir as suas palavras. Com apenas uma frase, Pedro aniquila a zombaria dos adversários: “Estes homens não estão embriagados”.  Pedro explica: era cedo para beber, conforme o costume judeu. Por isso, não tinha sentido afirmação dos seus adversários. Explicou, ainda, o que eles estavam vendo, nada mais era do que o cumprimento de uma das promessas do profeta Joel, quando disse que “nos últimos dias” Deus ia derramar do seu Espírito. (Joel 2.28, 32). Pedro tomou as palavras do profeta e as aplica ao grandioso evento que estava ocorrendo. Ele resume em quatro partes a sua mensagem.

Em primeiro, lugar, o derramamento do Espírito de Deus tem alcance universal: “derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”. A palavra "derramar" indica abundância e "toda a carne" significa universalidade. Não se limitava somente aos judeus. Mas todo aquele que crer em Cristo será habitado pelo Espírito Santo, independente da raça, condição social, sexo e idade. Em segundo lugar, o dom da proclamação do Evangelho se estenderá a todos: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão”. (vv.17,18). Nos últimos dias, segundo a profecia, o testemunhar, o falar, o proclamar da Boa Nova de Deus seriam tarefas de todos.

Em terceiro lugar, a iluminação do Espírito Santo não se limita a qualquer idade: “vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos”. Trata-se da iluminação do Espírito Santo, através do qual ele dá aos jovens uma notável visão das necessidades e possibilidades no trabalho da igreja de Cristo no mundo. Os velhos também não devem desprezar esse desafio e tantas possibilidades de trabalho na igreja. Quando o Espírito Santo nos enche, Ele enche de sabedoria, paz, alegria, amor, projetos e sonhos a serem realizados na igreja. Tanta as visões dos jovens quanto os sonhos dos velhos são necessários na preparação da igreja, diante da mensagem profética.

Em quarto lugar, o fim da era messiânica será acompanhado por sinais extraordinários em todo o universo: “Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.” (vv.19,20). Há, contudo, uma mudança: o Dia do Senhor se refere, agora, à Segunda Vinda de Jesus, Na verdade, não é mais o SENHOR que garantirá a salvação, mas Jesus, que, agora, é o Senhor em cujo nome as pessoas devem clamar para serem salvas, pois Jesus é ambos, Salvador e Juiz. É o que se concretizará na mensagem de Pedro, extraído do profeta Joel: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. (v.21). A salvação em Cristo, recebida pela fé, agora, é estendida a todos os povos, de todos os lugares, de todos os tempos. Nos dias de Joel, como nos dias de Pedro, de Paulo e também nos nossos dias, invocar o nome do Senhor é o único caminho para a salvação.

A presença do Espírito Santo capacitou os apóstolos a entender, interpretar os ensinamentos de Jesus. Agora, ungidos pelo Espírito Santo reconheceram serem arautos autorizados e, repetidas vezes, informaram disso aos seus ouvintes. Eles entenderam que a eficiência da pregação só era possível com a capacitação do Espírito Santo. Sendo assim, inspirado pelo Espírito Santo, Pedro, conclamou a multidão a aceitar a salvação que Deus oferecia. E muitos que ali estavam ficaram comovidos com a mensagem, e perguntaram o que deviam fazer, Pedro aconselhou as pessoas a arrependerem-se dos seus pecados e serem batizadas. Como resultado desta mensagem comovente, três mil pessoas foram batizadas.

A promessa de Jesus não terminava em Jerusalem. Antes de subir aos céus Cristo deixou a grande comissão aos seus discípulos: (Mt 28.19-20). “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. A grande missão de evangelizar o mundo só poderia ser assumida com o poder do Espírito Santo. Ela nunca será possível sem a ação do Espírito Santo. Na caminhada que os discípulos tiveram que trilhar, encontram muitos desafios. Os desafios eram tão grandes que não podiam ser encarados com suas próprias forças. Era preciso do auxílio do Espírito Santo.

A promessa de Jesus continua presente em nossas vidas. O Espirito Santo nos guia, ilumina nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacita para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento.

Estimados irmãos! Nenhum desafio que a vida nos apresenta supera a força do Espírito Santo. Com a Sua presença, somos fortes, capazes de enfrentar a vida, vencer batalhas. Não estamos sós. Ele está ao nosso lado. Ele nos faz novas criaturas, e vida nova cresce em nós por meio de sua ação. Sentimo-nos amados e protegidos pela presença do Espirito Santo. Então, podemos experimentar o que vivenciou o apóstolo Paulo: “Quando sou fraco, aí é que sou forte!”. É a ação revigorante e restauradora do Espírito!

Portanto, sigamos com coragem nosso caminho, sendo verdadeiro discípulo, mensageiro na missão de evangelizar o mundo. Agradecemos, ó Senhor, por enviares o Espírito Santo para guiar os teus discípulos e também a nós. Vem Espírito consolador, convencer o mundo e especialmente a nós do pecado, da justiça e do juízo, e conduze-nos ao verdadeiro caminho. Amém.

 

quinta-feira, 28 de abril de 2022

TEXTO: Jo 21.1-14(15-19)

TEMA: PEDRO, TU ME AMAS?

Após uma madrugada de desanimo, uma pescaria frustrada, pois os discípulos nada apanharam, Jesus, o Cristo ressuscitado, aparece aos seus seguidores. Seu objetivo é acolher aqueles que ainda estavam com medo por causa de Sua morte. Isto demostra o quando Jesus amava seus discípulos, principalmente, a Pedro. É justamente à beira daquele mar, no momento da refeição, Jesus mantém um diálogo pessoal com Pedro e pergunta-lhe: “Pedro, tu me amas?”

Jesus repetiu três vezes essa mesma pergunta. E Pedro respondeu três vezes: “Tu sabes que te amo!” Neste dialogo, Jesus define bem o tipo de amor que Pedro deveria sentir por Ele, pois no momento, o que Pedro sentia por Cristo era um amor de amigo, de companheiro. O que Jesus queria era um amor incondicional, que não mede sacrifícios para servir ao reino de Deus, que deveria provar com gestos, não apenas com palavras. Portanto, somente este amor daria a Pedro a capacidade de pastorear as ovelhas do Senhor, de cuidar da igreja de Cristo, pois se não tivesse este amor, a sua missão não seria completa.

Esta é uma pergunta que Jesus faz a todos os cristãos diariamente: “Tu me amas?” Mas será que amamos verdadeiramente a Deus? Amamos mais do que as outras coisas neste mundo? Qual o amor que você sente por Jesus, um amor de amigo, ou um amor incondicional? É muito fácil dizer que amamos a Deus, quando tudo está favorável, quando as circunstâncias estão tranquilas. No entanto, difícil é amar a Deus diante dos nossos sofrimentos, em situações de vida ou morte. Mas independente das circunstâncias, somos convidados a amar a Jesus. Não seja como Pedro, ame o Senhor Jesus com amor intenso, fervoroso, incondicional, de forma sacrificial. Lembre-se que devemos estar conscientes de que para servir ao Senhor é necessário amá-lo de coração.

                                                              I

Estimados irmãos! No texto anterior, Jesus teve um encontro com os discípulos, principalmente, com Tomé. Depois disso, tornou a manifestar-se novamente aos discípulos junto do mar de Tiberíades. Estavam naquele lugar, juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Nesta ocasião, Pedro teve a ideia de ir pescar. Os outros discípulos disseram: “Também vamos contigo.” (v.3a). Apesar da tristeza, diante das cenas que presenciaram durante a morte de Jesus, foram pescar, dando continuidade ao trabalho de pescadores. Eles passaram toda a noite pescando, mas não apanharam nada. (v.3b).

Os discípulos nada apanharam! É difícil de entender esta situação! Afinal, eram experientes. Conheciam as técnicas da pescaria. Mas mesmo possuindo profundo conhecimento sobre o assunto, regressaram cansados e frustrados, pois não pescaram nada naquela noite. Nada apanharam! Esgotaram suas forças no empenho daquele trabalho.  Que situação difícil vivenciaram os discípulos! Há momentos na vida de um pescador, que após um longo dia de trabalho, volta para casa sem pegar nenhum peixe. Voltar sem nenhum peixe, causa uma sensação de frustração, desanimo, cansaço, quando olhamos ao nosso redor e encontramos as nossas redes vazias. Não atingimos os resultados que pretendíamos, e nos sentimos impotentes, sem motivação e sem auto estima. Parece que tudo que fizemos, acabou sendo em vão. Na verdade, as nossas expectativas não foram alcançadas, e os nossos sonhos não aconteceram. E consequentemente, a ansiedade, o estresse e a impaciência aumentam, gerando um desconforto constante.

Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia. Os discípulos, porém, não reconheceram que era Jesus. Ele se aproxima daqueles homens, que ainda guardavam na memória os acontecimentos ocorridos em Jerusalém, e pede a eles algo para comer: “tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.” (v.5). No entanto, os discípulos não estavam desamparados, pois a ajuda estava ali, diante deles: “Então, lhes disse: “Lançai a rede à direita do barco e achareis.” (v.6). Talvez, cansados e sem saber o que fazer, rapidamente o obedecem. Não duvidaram da ordem de Jesus. Aceitam o desafio, demonstram confiança e obediência. São desafiados a pescar novamente, arriscar-se, enfrentar o medo, tempestades, altas ondas para pescar. O resultado foi surpreendente: “Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes,” (v.6). Foi um sinal maravilhoso, realizado por Jesus através de sua palavra.

Nem sempre as nossas redes estão repletas de peixes. Há momentos que temos de aprender a conviver com as fadigas e o cansaço. Vamos ter que pescar a noite toda e nada apanhar no mar da vida, mas o Senhor continuamente virá em nosso socorro. Virá ao nosso encontro, pois Ele se importa conosco. Ele intervém quando estamos perdidos. Sabe das nossas necessidades, e nos convida a lançarmos as nossas redes em meio ao cansaço e angustia que nos deparamos no dia a dia, diante da nossa vida que é coroada de dor e de fracassos. Ele nos convida a lançarmos as redes diante das constantes derrotas que vivenciamos. E aqueles que assim procedem são abençoados, pois confiam na Palavra do Senhor nas mais difíceis circunstâncias da vida. Como é maravilhoso saber que o Senhor tem a resposta aos nossos anseios mais profundos, ou seja, a tristeza, o desânimo, o desespero, agonia, sentimentos que enfraquecem a nossa alma. É maravilhoso saber que o Cristo Vivo e Ressuscitado, vem ao nosso encontro e nos convida a lançarmos as redes no mar.

Os discípulos foram abençoados com a presença de Jesus. Realmente, redera frutos o trabalho feito sob a palavra do Senhor. (vv.8,11). Mas imediatamente os discípulos perceberam que era Jesus: “Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor.” (v.7). Ele estava convencido, talvez, pelos milagres e a forma como Jesus estava agindo. E Pedro ao ouvir que era o Senhor, cingiu-se com a túnica e lançou-se ao mar com a vontade de reencontrar seu Senhor e demonstrar afeição por ele. Os outros discípulos apanharam o barco e foram para praia, para perto de Jesus onde ali viram umas brasas e, em cima, peixes e pão. (v.8). A passagem não diz de onde veio o peixe. Apesar de não ser especificado, é possível que fizesse parte da grande quantidade de peixes que os discípulos pescaram. Mas neste momento, Jesus pediu a eles que trouxessem também dos peixes que acabaram de pescar. (v.10). Ele motiva os discípulos a trazer uma parte, que venha somar com o que o Ressurreto havia preparado, pois Jesus queria que os discípulos desfrutassem de toda a alegria do seu trabalho.

 

Os discípulos sentiram-se felizes, alegres, respeitado na presença do Senhor, quando receberam o convite: “Vinde, comei.” (v.12a). Não fizeram qualquer pergunta. Ficaram num silêncio respeitoso diante daquele que estava convidando-os para jantar. (v.12b). Se naquele momento ainda havia certa vontade de perguntar quem és tu? agora, após o convite, esta pergunta perdeu seu sentido. Eles já sabiam quem era Jesus. Esta refeição especial com o Jesus ressuscitado teve um efeito profundo na vida nestes sete discípulos. Na verdade, o encontro foi um momento maravilhoso. Jesus procurou incentivá-los a respeito do seu trabalho futuro. Lembrá-los de que não deviam voltar à sua antiga vida de pescadores. Ele os tinha chamado para que fossem “pescadores de homens” (Lc 5.10) e para iniciar a igreja (Mt 16.19). Pedro, o líder entre eles, precisava estar preparado para as responsabilidades que em breve iria assumir. Ele iria liderar e apascentar o rebanho. não com alimento físico, mas com alimento espiritual.

                                                              II

Mas antes de serem “pescadores de homens”, Jesus aproveita o encontro com seus discípulos para encorajá-los e exortá-los sobre a missão que teriam que exercê-la, principalmente, Pedro. Ele é um dos discípulos mais citados nas Escrituras. Sempre esteve próximo ao Senhor. Foi ele quem andou nas águas com o Mestre. Foi ele quem não queria que Jesus se entregasse à morte. Foi ele quem cortou a orelha de Malco, lutando pelo seu Senhor. Enfim, foi ele quem prometeu, que se preciso for, morreria junto com Jesus! No entanto, Pedro era um homem de contrastes, passava de um extremo ao outro. Quando Jesus queria lavar seus pés no cenáculo, o imoderado discípulo exclamou: "Nunca me lavarás os pés." Jesus, porém, insistiu e Pedro disse: "Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça" (Jo 13.8-9). Na última noite que passaram juntos, ele disse a Jesus: "Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!" (Mc 14.29). Entretanto, dentro de poucas horas, ele não somente negou a Jesus, mas praguejou (Mc 14.71).

Este temperamento volátil, imprevisível, muitas vezes, deixou Pedro em dificuldades. Por isso, Jesus aproveita este momento para orientá-lo e prepará-lo diante da sua missão de “pescadores de homens”, e de certa forma, até para profetizar a maneira pela qual ele morreria.  Ele ainda precisava entender mais profundamente o significado da cruz como sinal de nossa redenção, salvação, vida, perdão, consolo que Cristo obteve por nós, e o significado de servir o reino de Deus. Na verdade, Pedro sempre teve dúvidas na decisão de seguir a Jesus. Sempre entendia de outra forma o seguir a Jesus. Por isso, precisava entender que seguir a Cristo seria árduo e traria sofrimento, tão horríveis como a morte na cruz. Mas estaria Pedro preparado para anunciar o Cristo ressuscitado neste momento? Será que amava a Jesus, como de fato afirmava?

Pedro tinha consciência de que o amor de Jesus era misericordioso e o sustentava na sua miséria. Ele amava, sim, a Cristo, mas não incondicionalmente. Por isso, Jesus resolve questioná-lo. Ele não queria deixar dúvidas no seu coração. Então, Jesus, pergunta a Pedro em três momentos: "Pedro, tu me amas?" A insistência de Jesus em perguntar: "Pedro, tu me amas?" não era para envergonhar o apóstolo, mas era para que ele compreendesse que o amor que Cristo queria era outro, não um simples amor. Por isso, toda fala do ressuscitado gira em torno do amor e da fidelidade. Isto significa que a repetição da pergunta por três vezes nos indica que o amor era o foco principal que Pedro deveria ter em seu trabalho como apóstolo. O amor que deveria provar com gestos, não apenas com palavras.

Mas sobre que amor, Jesus está falando a Pedro? É interessante notar que nas duas primeiras perguntas feitas a Pedro, Jesus utiliza o amor incondicional. É o amor sacrificial, amor sem reservas, amor que nos leva a nos entregarmos completamente a Jesus, o amor que devemos ter em nossos corações ao servirmos a Deus. Este deveria ser o procedimento de Pedro, que entendesse a importância de ter seu coração cheio desse amor, incondicional, que não mede sacrifícios para servir ao reino de Deus. Somente este amor daria a Pedro a capacidade de pastorear as ovelhas do Senhor, de cuidar da igreja de Cristo. Seria um grande desafio, pois sem o suporte do amor a Deus, não seria plenamente completado que Pedro deveria realizar.

Enquanto, Jesus falava para Pedro do amor incondicional, Pedro respondia que amava a Cristo através de um amor fraternal, um amor afetivo, o amor de pai e mãe, de filho e de filha (Mateus 10.37), um amor imperfeito, que necessita da graça de Deus para se tornar um amor incondicional. Mas ao perguntar a Pedro pela terceira vez: “Tu me amas? Pedro fica entristecido ao dizer: "Senhor tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo". Certamente, Pedro agiu desta forma, porque havia percebido que suas palavras ainda não correspondiam a realidade vivida. Ele descobre naquele instante que servia a Cristo, porém, sem muita intensidade, profundidade e compromisso. Por isso, demostrou humildade suficiente para reconhecer que Jesus sabia de tudo, que ele o amava, mas não o suficiente. E foi essa humildade, essa resposta corajosa que fez com que o Senhor Jesus mudasse a sua vida, através do amor e perdão de Jesus. Pedro foi transformado. Converteu-se, então, num seguidor obediente, perseverante e amoroso. Sua percepção de amor foi restaurada por Cristo.

Desprovido do orgulho, Pedro, agora, estava pronto para seguir a Cristo de uma nova maneira. Para ele significava um discipulado coerente, uma procura constante de Cristo, mesmo se isto exigisse o martírio. Agora, estava disposto a dar a sua vida por amor ao Reino de Deus, tal como o Senhor Jesus profetizou que seria “Pescador de homens”. Agora, deveria continuar com a obra de Cristo da maneira como Ele quer que seja realizada, não da maneira como Pedro queria realizá-la. Agora, passa a viver na dependência do Senhor, passa a viver uma nova vida, porque antes agia por si mesmo, pela sua razão: “Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.” (v.18). Que segurança estas palavras devem ter dado a Pedro.

Ao falar da importância do amor em I coríntios 13, Paulo nos ensina: “se não tiver amor, nada disso me aproveitará.” (1 Coríntios 13.1-3) Observe bem o que diz Paulo nestes versos. Ele está nos mostrando que ainda que fossemos capazes de realizar coisas impressionantes como falar a língua dos próprios anjos, ou profetizar, ou conhecer os mais profundos mistérios da humanidade, ou ainda distribuir fortunas, tudo isso seria vão se fosse feito sem amor. Sendo assim, tudo que realizamos no reino de Deus deve ser através do amor. Um músico faz seu trabalho com amor, um pastor realiza seu trabalho amor. Muitos cristãos trabalham na igreja e não se cansam de afirmar que amam a Deus, que fazem o trabalho com amor. Mas será que temos compromisso com Deus? É muito fácil dizer que amamos a Deus, quando tudo está favorável, quando as circunstâncias estão tranquilas. No entanto, difícil é amar a Deus diante dos nossos sofrimentos, em situações de vida ou morte. Mas independente das circunstâncias, somos convidados a amar a Jesus. Não seja como Pedro, ame o Senhor Jesus com amor intenso, fervoroso, incondicional, de forma sacrificial. Lembre-se que devemos estar conscientes de que para servir ao Senhor é necessário amá-lo de coração.

O que é maravilhoso   na vida de Pedro, é que Jesus aceita o seu amor imperfeito. Ele não olhou com olhar de condenação e julgamento para Pedro. Mas foi um olhar de amor e acolhimento, restaurando a sua autoestima. Incentivando a não desistir de seu ministério por causa de seu erro. Agora, Jesus renova o convida: “segue-me”. Mas também Jesus deixa claro que seguir o seu caminho, o seu amor, a sua entrega, iria custar a sua própria vida, que seria a crucificação.

Estimados irmãos! Ao encerrar esta mensagem deixo uma pergunta para reflexão: Qual o amor que você sente por Jesus, um amor de amigo, ou um amor incondicional?


terça-feira, 26 de abril de 2022

 

TEXTO: SL 30

TEMA: O SENHOR TRANSFORMA A NOSSA TRISTEZA EM ALEGRIA

O Salmo 30 é considerado um cântico de Ação de Graças. Ele é atribuído a Davi. Há vários salmos como este. Eles eram cantados no dia a dia das famílias de Israel, tanto nas reuniões domésticas, como nas públicas. Alguns eram cantados nas viagens para Jerusalém e no retorno para casa. Neste salmo, Davi agradece a Deus por algum livramento que alcançou. Ele havia passado por situações de perigo, tribulações, noites de escuridão, de medo e desespero em sua vida. Estava tão debilitado que a sua sensação é de que dormiria e não mais acordaria. Ele se sentiu triste e angustiado. Mas ele revela que, todas, às vezes, que clamou a Deus, foi atendido. Deus transformou a sua tristeza em alegria, não permitindo que a tristeza tomasse conta de sua vida, pois entendia que o “choro” dura só um tempo, depois alegria que vem pela manhã. Pelo fato de Deus ter atendido a sua oração Davi, não quer jamais se calar a respeito da bondade de Deus.

O cristão não está imune ao choro e a tristeza. Jesus disse que enfrentaríamos o choro e o lamento: “Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis”. (João 16.20). A tristeza existe. Ela faz parte da vida de todos nós. São sentimentos e problemas, como solidão, ansiedade, doença, dificuldades em família e desemprego, que nos causam frustração, medo e insegurança. São realidades que nos fazem chorar. Diante desta situação nos sentimos impotentes para encontrar uma solução eficaz, pois tudo parece dar errado. Somos sufocados pelos acontecimentos e das circunstâncias que vivemos. Não é fácil estar alegre. O cenário que se apresenta não é propício para alegria, diante dos tempos tão sombrios que estamos vivendo

Mas o Senhor transforma nossa tristeza em alegria. Assim, como ocorreu com Davi. Então podemos dizer: Como é bom ser alegre no Senhor! Esta alegria que invade a nossa vida e que resplandece em nosso rosto, é o resultado dos momentos maravilhosos que o Senhor nos proporciona no dia a dia. Estes efeitos são imensos. Deus nos guia nos protege e nos ama. Sendo assim, temos muitos motivos para nos alegrar. O Senhor está conosco todos os dias (Mt 28.20), por mais pesado que seja a cruz, que temos que carregar. Lembre-se: Quando a alegria deixar de existir em sua vida, quando faltar força, coragem, fraqueza no trabalho, na família, quando precisar de apoio para vencer os problemas, saiba que o bondoso Deus está atento às suas necessidades e se põe ao lado de você, pois seu interesse” e “cuidado” por nós duram a vida toda (v.5a).  

Estimados irmãos! Inicialmente, o salmista reconhece suas fragilidades e suas limitações, bem como sua vulnerabilidade diante das dificuldades da vida. Ele descreve a situação de sua saúde e fala que era alvo das zombarias de algumas pessoas, que ele chama de inimigos (v.1c). Em outras palavras, o autor do salmo estava à beira da morte. Apesar do salmista sentir a morte tão perto, não desiste da vida. Ele é fortalecido pela esperança de que o Senhor Deus o ouvirá. Sendo assim, ele clamou, e o Senhor lhe deu vida no lugar da morte, substituiu a doença por saúde e lhe tornou próspero. Ele mesmo afirma: “tu me livraste.” (v.1b). “tu me saraste” (v.2). E ainda: “da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.” (v.3b). Sua expectativa é, então, confirmada, e sua vida é poupada. Deus havia tirado sua alma da sepultura e o mantido vivo o salmista. Agora, quer exaltar ao Senhor. (v.1a). Ele quer salmodiar e dar graça ao seu santo nome. (v.4). Ele desafiou também o povo a dar graças, lembrando da santidade do Senhor.

No entanto, durante um determinado tempo, Davi experimentou a ira de Deus. Na hora da dor, ele achava que Deus estava irado. Mas entendeu que o Senhor não é um ser que preza a raiva. Ao invés de aplicar o juízo merecido, Deus ofereceu misericórdia ao salmista. Ele afirma: “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira.” (v.5). De fato, Deus não é maldoso, severo e repleto de ira, como muitos imaginam. Ao contrário os efeitos de seu favor são substanciais e duráveis: "seu favor dura a vida inteira". As lutas que enfrentamos neste mundo podem persistir durante a noite, mas a alegria virá pela manhã, pois Ele sempre está disposto a mostrar misericórdia e bondade. São pelas misericórdias de Deus que Ele nos perdoa, nos da nova chance de recomeçar e aprender com os erros do passado. A misericórdia jamais acaba não tem fim, ou seja, Deus está sempre disposto a dar uma nova chance, a começar de novo. Isto significa que a bondade divina é para toda a vida. O que Deus deseja é o arrependimento dos nossos pecados e voltarmos para ele, em adoração e submissão sincera.

Precisamos sempre lembrar que, somente aqueles que foram cobertos pelo sangue de Cristo, derramado na cruz, estão seguros de que a ira de Deus nunca cairá sobre eles. E por causa do seu sacrifício perfeito na cruz, hoje temos paz com Deus e desfrutamos do seu favor por toda a vida. Podemos estar seguros de que a ira de Deus dura apenas um pouco, e se transforma em alegria, isso porque a misericórdia de Deus é firme e duradoura. Esse princípio, inclusive, ecoa por toda a Escritura. Através do profeta Isaías, Deus disse ao seu povo: “Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor” (Isaías 5.7). O apóstolo Paulo afirma: "Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!" (Romanos 5.9).

Na segunda parte do versículo, Davi repete a mesma coisa figurativamente: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" (v.5). Davi, em sua oração, registra o choro e o lamento que tomou conta da sua vida em virtude da sua fragilidade e fraqueza humana. Ele diz que chorou a noite toda, revela que se sentiu abandonado por Deus e inseguro quanto ao futuro. Ele confiava em sua ajuda e quando adoeceu gravemente buscou a Deus, mas não recebeu resposta imediata. Parecia que Deus estava irado. Ele orou e lamentou a noite toda buscando a graça de Deus. Entendeu que o choro é realmente passageiro. Ele já faz parte da vida de cada ser humano. Choramos por diversas razões. Alguém chora quando perde um jogo de futebol, a namorada chora quando perde o namorado, as crianças choram quando estão doentes. Enfim, choramos quando perdemos um ente querido. Como é triste!  Mas, muitas vezes, o choro pode durar a noite todo em nossa vida, quando sentimos os momentos de angústia, medo, desesperança, dor tribulações, desespero, aflições. São momentos que nos entristece, e parece que todas coisas não   vão passar, não vão acabar. Neste momento, não há   ninguém que possa enxugar as   nossas lágrimas. Mas ao amanhecer, porém, vem a alegria, o regozijo, o consolo, a paz, a segurança interior.

Você está chorando! Lembre-se: você não está sozinho! Chore na presença do Senhor, sabendo que Ele está ao seu lado! O próprio Jesus afirma: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” (Mt 28.20). “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mt. 5.4). Deus falou para Jacó: “Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; pois não te deixarei até que haja cumprido aquilo de que te tenho falado”.(Gn 28.15).Deus falou Isaías “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10).Deus falou para Josué: “Não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1.9).João diz em Apocalipse 21.4: "Deus enxugará de seus olhos toda a lágrima. Não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, pois já as primeiras coisas são passadas”. O texto bíblico diz que a morte não existirá mais, e com ela também desaparecerão a tristeza, a dor e o choro. Não haverá mais nenhum motivo para chorar. Deus enxugará de nossos olhos toda lágrima para sempre! E no novo céu e na nova terra haverá paz, harmonia, alegria e pleno contentamento.

Davi, antes, pensava que vivia tranquilo e que a adversidade nunca poderia afetar à sua posição política e à riqueza. A vida era boa. Ele gozava de grande prosperidade, e sentia como se nada mudasse. Dependia de suas habilidades e bens, em vez do Senhor. Ele afirma: “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado". (v.6). Para ele nunca haveria nada que pudesse afligi-lo, como se tivesse, ele mesmo, poder para controlar tudo à sua volta e garantir, por seus próprios meios, o sucesso e a felicidade. Tamanha foi arrogância de Davi que ficou confuso e desorientado quanto os desafios que estavam presentes em sua vida. Ele evidencia tal verdade ao dizer resignado: “SENHOR, pelo teu favor, tu firmaste minha montanha.” (v.7a). A palavra “montanha” parece ser usada para denotar aquilo em que ele confiava como sua segurança ou força, pois a montanha, ou as rochas inacessíveis, constituíam um refúgio e segurança em tempo de perigo. (Salmos 18.1-2; Salmos 18.33; Salmo 27.5). 

Neste sentido, o salmista fala de si mesmo, se coloca numa posição onde não temia nenhum inimigo e se considerava totalmente seguro. Ele estava tão confiante, e pensou que sua “montanha” estava tão forte, tão segura. Mas o Senhor havia ocultado o seu rosto e o salmista passou a viver em pânico. (v.7). Esconder o rosto” é sinônimo nas Escrituras Sagradas de retirada de favor. (Salmo 13.1). Sendo assim, o salmista ficou perturbado. confuso, perplexo, agitado, apavorado. Sentiu um medo repentino, pois tudo em que confiava, tudo que pensava ser tão firme, foi subitamente destruído. Mas tendo percebido o pecado de seu orgulho, admitiu a graça e a provisão de Deus. Chegou à conclusão de que seus esforços não trariam senão desespero. Este é o nosso único recurso diante de nosso orgulho: devemos nos arrepender de nossa arrogância e rebelião, buscando a graça e a misericórdia de Deus. Fora Dele, nada somos.

Tendo percebido o seu erro, Davi clamou ao Senhor, fazendo-lhe súplicas. Sabiamente, Davi fez seu pedido ao Senhor, ao único que poderia lhe ajudar. Ele sabia que Deus era a fonte de sua bênção, sabedoria e força. Ele já não queria andar sozinho, mas buscou o Senhor em seu momento de necessidade. Por isso, clama ao Senhor: “Por ti, Senhor, clamei e implorei. Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? (vv.8,9). Em um esforço para apelar à abundante graça de Deus, Sendo assim, Davi ofereceu uma sugestão: Que proveito há em meu sangue. Isto é, que lucro ou vantagem haveria para ti se eu morresse? O que seria “ganho” com isso? O argumento que o salmista insiste é que ele poderia servir melhor a Deus com sua vida do que com sua morte. Se morresse, o impediria de prestar o serviço ao Senhor.

Diante desta situação, o salmista pede misericórdia ao Senhor, pois admite sua grande necessidade. Admite que havia pecado e foi incapaz de fazer provisão para suas muitas necessidades sozinho. Ele confessa a Deus que precisa de sua ajuda, ao afirmar: “Ouve, Senhor, e tem compaixão de mim! O Senhor, sê o meu ajudador”. (v.10). Como se ele afirmasse: Deus, eu não posso, mas você pode. Por favor, responda ao meu apelo e ajude na minha situação. Então, podemos afirmar que, agora, Davi vive momentos maravilhosos. Ele confessou seu pecado diante do Senhor, arrependeu-se de seu orgulho e reconheceu sua grande necessidade do Senhor. É exatamente, assim, que devemos nos aproximar do Senhor, quando respondemos ao Seu chamado pela salvação. Após a nossa conversão, há momentos em que teremos de nos apresentar diante do Senhor, como Davi, confessando nosso pecado e admitindo nossa necessidade de provisão e graça do Senhor.

Como é maravilhoso! Deus vem ao nosso encontro e se preocupa em nos consolar. Ele enxuga as nossas lágrimas. Permite expressar nossas incertezas. Por isso, precisamos olhar para o Senhor e levantar os olhos para o único que pode nos ajudar. Somos convidados a reconhecer as misericórdias do Senhor. Somos conclamados a continuar no mesmo espirito de oração e louvor, reconhecimento e súplica pelas misericórdias. Quem de nós não precisa de misericórdia, e não tem clamado por ela? Se nos sentimos desprezados, rejeitados, discriminados, olhemos para o Senhor e clamemos por misericórdia. Esperamos, pacientemente, pois Deus nos oferece o socorro.  Esse é o exemplo que devemos carregar sempre conosco: manter os olhos fixos na misericórdia do Senhor, pois só a misericórdia do Senhor nos garante paz em meio a tanto desprezo. Foi nesta confiança que o salmista, em meio à angústia, ele invocou ao Senhor. Ele creu que só havia uma escapatória diante de sua angústia: confiar na misericórdia do Senhor.

O estado de espírito do salmista está, agora, completamente transformado. Seu tempo de dor se transformara em uma época de alegria. O choro se transformou em danças de alegria (Salmo 30.11). As vestes de lamentação, comumente usadas em momentos de clamor e súplica, foram mudadas por veste alegres, de louvor, de gratidão. A alegria realmente veio de manhã para Davi. Por isso, depois de receber a atuação benéfica de Deus, o salmista testemunha (v.11): “tu transformaste o meu lamento em festejos; retirastes meu pano de saco e me vestistes de alegria”. Que transformação: o choro vira riso; as vestes de luto viram vestes de comemoração. Somente Deus pode causar tamanha mudança. Mas essa transformação tem um propósito. Se antes o nome do Senhor fora deixado em segundo plano, Deus quer que, agora, o salmista volte a ter primazia na vida.

Deus ouviu a oração do salmista. Ele pôs fim aos seus problemas. não morava mais na miséria e no desespero. O Senhor havia respondido à sua necessidade e seu espírito foi renovado. Ele fez com que suas tristezas fossem sucedidas pela alegria. Agora, ele se propõe a louvar continuamente ao seu Deus. Não há timidez que o impeça. Não há cansaço que lhe faça parar. Como prometeu, ele vai louvar ao Senhor para sempre: “para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor, Deus meu, graças te darei para sempre”. (v.12). Devemos estar dispostos a oferecer louvores imediatos e contínuos pelas bênçãos que recebemos.

Estimados irmãos! O Senhor vê o momento que vivemos, conhece tão bem a nossa vida, nosso coração, nossas lágrimas e angústias. Ele não permite que a tristeza tome conta da nossa vida, que a alegria do mundo se converta em sofrimento. Por isso. não se desespere! Não desanime! Não perca a fé! Deus nunca vai permitir que você seja provado mais do que pode suportar. Se você está se sentindo fraco ou desanimado, lembre-se das misericórdias do Senhor que duram para sempre e se renovam a cada amanhecer. Lembrem-se que o Senhor estende a sua graça e bondade para aqueles que confiam nele. Que o Senhor transforme a nossa tristeza em alegria. Amém!