TEXTO: MT 14.22-33
TEMA:HOMEM DE POUCA FÉ, POR QUE DUVIDASTE?
A vida cristã não é um caminho livre de tempestades. Muitas pessoas imaginam que seguir a Cristo significa viver sem problemas, sem sofrimento e sem dificuldades. Pensam que a fé seria uma garantia de uma vida tranquila e de que Deus impediria qualquer dor. No entanto, a Palavra de Deus ensina exatamente o contrário. Jesus nunca prometeu uma caminhada sem aflições. Ele declarou: "No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (Jo 16.33).
O Evangelho de hoje confirma essa verdade. Os discípulos enfrentavam ventos fortes, ondas agitadas e uma longa noite de luta. O mesmo acontece conosco. Também enfrentamos tempestades que parecem ameaçar nossa segurança e nossa esperança. Há momentos em que somos surpreendidos por enfermidades, perdas de pessoas queridas, crises financeiras, conflitos familiares, preocupações com o futuro ou situações que fogem completamente ao nosso controle. Nessas horas, sentimos medo, ficamos desanimados e, muitas vezes, perguntamos onde Deus está e por que permite que passemos por tantas dificuldades.
Entretanto, o Evangelho nos lembra que Jesus jamais perde o controle da situação. Ainda que pareça distante, Ele conhece cada onda que atinge o barco de seus discípulos. Nada acontece sem que esteja debaixo do seu governo. No momento certo, Ele se aproxima, revela sua presença, fortalece a fé dos seus e demonstra que possui autoridade até mesmo sobre as forças da natureza.
Assim, a grande pergunta deste texto não é se haverá tempestades em nossa vida. Elas certamente virão. A verdadeira questão é: em quem colocaremos nossa confiança quando os ventos soprarem contra nós? Olharemos apenas para as circunstâncias ou manteremos nossos olhos fixos em Cristo, o Senhor que domina o mar, sustenta os que vacilam e estende sua mão para salvar aqueles que nele confiam?
Diante do que foi exposto, meditaremos sobre três grandes verdades . Então, vejamos:
Primeiro, Jesus nunca abandona os seus filhos nas tempestades (vv. 22-27),Jesus ordenou que os discípulos entrassem no barco e atravessassem o mar, enquanto Ele subia ao monte para orar. Embora estivessem obedecendo à vontade do Senhor, enfrentaram uma violenta tempestade. Isso nos ensina que a obediência a Cristo não nos isenta das dificuldades da vida. Durante horas, os discípulos lutaram contra os ventos contrários, sentindo-se sozinhos e sem forças. No entanto, Jesus nunca os perdeu de vista. No momento certo, aproximou-se andando sobre as águas, mostrando que tem autoridade sobre aquilo que causa medo e desespero. Quando os discípulos se apavoraram, pensando ver um fantasma, Jesus os confortou com estas palavras: "Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais." Assim também acontece conosco: mesmo quando as tempestades parecem nos vencer, Cristo está presente, cuida dos seus e jamais abandona aqueles que nele confiam.
Segundo,a fé permanece firme enquanto olha para Cristo (vv. 28-31).Pedro, ao reconhecer a voz de Jesus, pediu permissão para ir ao seu encontro sobre as águas. Atendendo ao chamado do Senhor, saiu do barco e, enquanto manteve os olhos fixos em Cristo, caminhou sobre o mar. Contudo, quando passou a olhar para a força do vento e para o tamanho das ondas, o medo tomou conta do seu coração e ele começou a afundar. Essa cena retrata a realidade da vida cristã. Enquanto nossa confiança está firmada em Jesus e em sua Palavra, encontramos segurança mesmo em meio às dificuldades. Porém, quando fixamos o olhar apenas nos problemas, nas incertezas e em nossas limitações, a dúvida enfraquece a fé. Ainda assim, Pedro clamou: "Senhor, salva-me!", e imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou. O Senhor não abandonou seu discípulo por causa de sua pequena fé, mas o socorreu e o fortaleceu, mostrando que sua graça é maior do que nossas fraquezas.
Terceiro,Cristo fortalece a fé e conduz seu povo em segurança (vv. 32-33).Quando Jesus entrou no barco, o vento cessou imediatamente. Sua presença trouxe paz onde antes havia medo e insegurança. Diante desse milagre, os discípulos compreenderam quem realmente estava com eles e o adoraram, dizendo: "Verdadeiramente és Filho de Deus." Esse é o ponto central do relato: Jesus não é apenas um mestre ou profeta, mas o Filho de Deus, Senhor sobre toda a criação. Ele tem poder para dominar as forças da natureza e salvar aqueles que nele confiam. Da mesma forma, Cristo continua fortalecendo a fé de seu povo por meio da sua Palavra e dos Sacramentos, sustentando os que vacilam e conduzindo-os em segurança. Mesmo quando nossa fé é pequena, Ele permanece fiel às suas promessas, estende sua mão salvadora e nos guia até o porto seguro da vida eterna. Por isso, em todas as tempestades da vida, podemos confiar que o Senhor jamais nos abandonará e sempre nos conduzirá com segurança.
I
O milagre que Jesus havia realizado ao alimentar milhares de pessoas impressionou o povo. Eles concluem que Jesus “é realmente o Profeta que devia vir ao mundo”. (Jo 6.14) Sendo assim, o povo queria transformá-lo num rei. Mas Jesus percebe tal situação, dispensa a multidão, convida os seus discípulos a embarcar no barco, envia a Betsaida e se retira para as montanhas a fim de orar sozinho naquela noite.(Mc 6.45).Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar, e Jesus estava sozinho em terra. Enquanto os discípulos remavam em direção ao outro lado do lago, uma tempestade começou a balançar o barco deles. Ao se depararem diante uma violenta tempestade,o barco começou ser açoitado pelo vento, aqueles homens, mesmo sendo experientes pescadores e acostumados às variações do mar, chegaram a um momento que pensaram não ter mais solução para eles.
Teria Jesus abandonado os seus discípulos? Aquela tempestade estava oculta aos olhos de Jesus? Afinal, os discípulos remaram por volta da “quarta vigília da noite”., ou seja, de 6h da noite às 3h da madrugada. Em Jo 6.19, lemos que os discípulos já haviam navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, equivalente a cinco ou seis quilômetros. Já estavam distantes da praia e não teriam a quem recorrer. Além disso, o vento soprava contra os discípulos, e insistentemente dificultava o remar daqueles homens. Há um outro detalhe: Jesus passa e parece não ter a intenção de parar para ajudá-los: “e queria tomar-lhes a dianteira” (Mc 6.48). Dá nos entender que não havia mais solução.
Essa é a nossa crise em nossa vida quando enfrentamos as tempestades.E,muitas vezes, questionamos: Onde Jesus está que não intervém quando mais precisamos da sua ajuda? Onde Ele está quando as tempestades nos assustam? Até quando vamos continuar remando contra o vento? A Palavra de Deus nos assegura que nosso Pai escuta nossos gritos e responde. Assim diz o salmista: “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me vem o socorro? Meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a terra.” (Salmos 121.1-2). “Eu estava chorando ao Senhor com minha voz, e ele respondeu de Seu santo monte.” (Salmo 3.4). Jeremias: “Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei, coisas grandes e firmes que ainda não sabes.” (Jeremias 33.3). Precisamos ser como Jacó, insistir com o Senhor.Ele não saiu da presença do Senhor sem a bênção nas mãos. (Gn 32.22-32). Clamando ao Senhor com urgência, deixamos de lado o nosso orgulho ou qualquer atitude de autossuficiência, e cremos que o Senhor é fiel às suas promessas e jamais permitirá que sejamos vencidos pela tempestade.
Jesus não está distante! Ele aparece para acalmar a tempestade,e exerce todo o poder sobre a natureza. Não só controla a tempestade, mas anda sobre as águas agitadas pelo forte vento.(v.26). Ele foi ao encontro dos discípulos para ajudá-los.O seu socorro veio na hora oportuna.No entanto, não bastasse o cansaço dos braços remando contra a fúria do vento, agora vê diante si a visão de um fantasma andando pelo mar. Mas não havia motivo para isso. Se tivessem entendido “o significado dos pães”, o milagre que Jesus realizou algumas horas antes quando alimentou milhares de pessoas, eles não teriam ficado surpresos ao ver Jesus andar sobre a água e acalmar o vento.
Jesus, porém, percebendo a reação deles, os acalmou dizendo: “Tende bom ânimo, sou eu, não temais.”(v.27).Sua voz ecoou no meio do vendaval e chegou de forma nítida ao coração dos discípulos.Foram justamente estas palavras que os discípulos precisavam no momento diante do medo e angustia, provocada pelo vendaval em pleno mar. Ele precisavam ouvir: “Eu sou”. Ao dizer esta expressão,Jesus se identifica. Deste modo, os discípulos podiam conhecer que, quem lhes falava,a era o mesmo que falou com Moisés nestes termos: “Eis como responderás aos israelitas: EU SOU envia-me junto de vós.” (Ex 3.14).
É assim que Deus normalmente se apresenta no Antigo Testamento. “Eu sou” o Deus Criador, Consolador e Sustentador (Is 43.25; 48.12; 51.12). Esse nome revela que o Senhor é o Deus que intervém na história de Israel, libertando-o das amarras da escravidão do Egito. É o Deus que se revela através de seu Filho, que morreu na cruz para nos salvar. Então, a expressão dita por Jesus,pode ser entendida,como um “não temam, sou Jesus, tenham confiança em mim, porque Eu sou Deus e estou com vocês”.
Ele também contempla nossas lutas, sofrimentos e angustias, bem como também vem ao nosso encontro em meio as tempestades e lutas da vida. Nós não estamos sozinhos durante as lutas, ele está conosco. Se estamos passando por tempestades, devemos aguardar com paciência ajuda do Senhor. Ele não se esqueceu de nós, mas ele virá ao nosso encontro, ainda que seja pela quarta vigília da noite. Ele disse: “tende bom ânimo”! Como manter o bom ânimo em meio às muitas lutas, adversidades e desafios que a vida moderna nos impõe? Onde é comum encontrarmos pessoas desanimadas?
Para mantermos o “bom ânimo" precisamos esperar no Senhor. Durante e depois da tempestade a presença de Cristo deve ser a razão do nosso ânimo e da nossa alegria. Qual tem sido a razão do seu ânimo, da sua alegria e da sua euforia? Não se deixe entregar aos problemas, mas tenha ânimo em Jesus! Lembre-se as palavras de Jesus: “No mundo tereis todo o tipo aflições: desgosto, mágoas preocupações, inquietudes, ansiedades, torturas, mas tende bom ânimo porque Eu venci o mundo”. (Jo 16.33).Lemos em Isaías 41.10: “Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa”.
II
Como os discípulos reagiram mediante a ação do “Eu sou”? Naquele momento ele se revelava aos discípulos de uma maneira como eles ainda não o conheciam.Pedro com total ousadia pede para ir ter com Jesus.Pede uma confirmação ao Senhor:“Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas.” (v.28). Era necessário que alguém tomasse a decisão, que desse o primeiro passo,que tivesse a coragem e a vontade de ir até Jesus, ou ao menos, tentasse andar sobre as águas.Pedro queria estar com Jesus, se aproximar dele. Queria ir além daquele barco, além do natural. Queria andar sobre as águas.As palavras de Pedro, traduzidas como “se és tu” no grego ( εἰ ), não têm um sentido condicional, como quem põe em dúvida se realmente trata do Senhor Jesus. Ao contrário, as palavras de Pedro expressam absoluta certeza. O sentido de suas palavras é este: “já que é o Senhor, uma vez que é o Senhor, mande-me ir para ti”. Pedro não pede um sinal que demonstre que Jesus é verdadeiramente quem diz ser, pede-lhe para ir para Ele.Então,Jesus disse: Vem!” (v.29a).
Confiante, Pedro respondeu ao convite de Jesus. De forma ousada,ele “desce do barco e começa a andar por sobre as águas indo ao encontro de Jesus” (v.29b),mas em um dado momento, o mesmo Pedro que foi ousado em dizer: “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas”, agora se deixou levar pelo medo.(v.30a).Foi vencido pelo vento forte,pelas as dificuldades,vacilou na fé e começou a afundar, e a sua reação naquele momento era apenas clamar. Não teve receio de pedir ajuda.Não lhe importava o que os demais discípulos pensariam dele. Ao contrário, foi sincero e objetivo: “Salve-me,Senhor!”(v.30b).Pedro por mais experiente, habilidoso e inteligente precisava da ajuda do Senhor para vencer os desafios e as adversidades que surgiram naquele momento. Jesus disse: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15.7).
Hoje também as dificuldades que se nos apresentam podem se tornar insuportáveis. Sempre haverá “ventos contrários”, adversidades, problemas, conflitos. Ninguém passa pela vida em total calmaria. Sempre há desafios e dificuldades a serem superadas.É justamente nestes momentos que começamos a vacilar, o desespero bate à porta e começamos a duvidar se seremos capazes de seguir em frente,Então, clamamos:“Salve-me,Senhor!”
Jesus age no momento certo e da maneira correta.Estendeu a sua mão, segurou-o e disse-lhe: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?”(v.31). O Senhor analisa atitude de Pedro como um momento de dúvida, de pouca fé e confiança nele. Ao experimentar o ímpeto das ondas e a força do vento, Pedro se deixou vencer pelo medo. Tudo o que era firme e sólido sob seus pés, deixou de sê-lo.A segurança que tinha, desaparece para dar lugar a uma experiência de total insegurança.Mas Pedro não pediu que os discípulos que estavam no barco lhe dessem algum apoio. Ele também não pensou em confiar em suas próprias habilidades para tentar escapar daquela situação difícil, nadando. Pedro simplesmente clamou ao Senhor por socorro. Ele havia vacilado, mas não havia se esquecido de que em sua frente estava o único que podia lhe ajudar.Nem por um instante ele duvidou que a pessoa, que estava andando sobre as águas, era Jesus.Só a fé em Jesus lhe devolveu a solidez e consistência em sua vida.
O Senhor dirige esta mesma pergunta a cada um de nós. Quantas vezes duvidamos do amor e das promessas do Senhor? Quantas vezes o temor dos ventos (preocupações, tentações, fraquezas, etc.) fazem-nos desviar nosso olhar a Jesus? Quantas vezes na noite escura, alta madrugada, nos sentimos sós, fracos. Enfrentamos diversas barreiras como, tribulações, mágoas preocupações, inquietudes, ansiedades, medo. Somos levados de um lado para outro num mar de agitações e medos.Mas Jesus sempre está por perto desejoso de que confiemos em suas palavras: “Tende bom ânimo, sou eu, não temais” Precisamos crer que o nosso socorro vem do Senhor,pois ele não permitirá que a tempestade venha a nos destruir. Não importa, se tempestade que você está enfrentando é pequena ou grande, o que importa é que o Senhor está com você e não permitirá que você seja vencido pela tempestade.
III
Todos os discípulos estavam vivendo momento de fraqueza, dúvida, medo, e “pouca fé”. Mas quando Jesus salva Pedro e ambos entram no barco, o vento imediatamente se acalma(v.32). Mateus destaca que a tempestade só termina quando Cristo está presente com os discípulos. Esse milagre revela o poder de Jesus sobre a natureza.Não é Pedro quem acalma o mar. Não são os discípulos que vencem a tempestade. É a presença de Cristo que muda toda a situação. Ele veio justamente para entrar no "barco" da nossa existência. Ele enfrentou a maior tempestade de todas ao carregar os nossos pecados na cruz. Ali suportou o juízo divino em nosso lugar. Pela sua morte e ressurreição, reconciliou-nos com Deus. Por isso,a presença de Cristo continua sendo a única fonte de verdadeira paz para a Igreja em meio às tribulações deste mundo.
Mateus também registra a reação dos discípulos em harmonia ao propósito principal desse milagre. Eles adoraram a Jesus dizendo: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus” (v.33).A reação dos discípulos é de adoração. Em Mateus, essa é a primeira vez que eles confessam claramente Jesus como o Filho de Deus. Eles já haviam testemunhado muitos milagres, mas agora compreendem de forma mais profunda quem ele realmente é. A expressão "Filho de Deus" não significa apenas um homem especialmente enviado por Deus, mas reconhece a identidade divina de Cristo, o Messias prometido. A resposta apropriada diante dessa revelação é a adoração. Assim, o episódio termina mostrando que as dificuldades enfrentadas pelos discípulos serviram para fortalecer sua fé e levá-los a reconhecer ainda mais plenamente a glória de Jesus.
Portanto, as tempestades da vida também têm esse propósito na vida do cristão. Elas nos ensinam que nossa segurança não está em nossas forças, mas na presença de Cristo. Quando ele entra em nosso "barco", concede paz, fortalece a fé e nos conduz à verdadeira confissão: "Verdadeiramente tu és o Filho de Deus." A Igreja continua adorando esse mesmo Senhor, que venceu o pecado, a morte e o poder do mal, permanecendo com seu povo até o fim dos tempos.
Estimados irmãos! Que no meio das ondas e dos ventos possamos ouvir voz do Senhor nos convidando para caminhar sobre as águas.E quando começarmos a afundar, que o Senhor estenda a sua mão em nossa direção, e nos dê livramento,pois confiamos no Senhor.Por isso, não deixe que as dúvidas destruam,esfriem a sua fé.Persista com fé, e com um coração humilde diante do Senhor. Amém!
Nenhum comentário:
Postar um comentário