segunda-feira, 27 de março de 2023

 TEXTO: JO 20.19.31

TEMA: PAZ SEJA CONVOSCO!

Estas foram as palavras que Jesus disse aos discípulos, que ainda estavam vivendo na insegurança e no medo. Sentimentos que tomaram conta da vida dos discípulos naquele domingo de Páscoa. Eles tinham visto tudo o que os judeus fizeram contra Jesus: preso, açoitado, julgado e condenado à morte. Sentiam que Seu líder, agora, estava morto. Certamente, eram também procurados e seu destino não seria diferente. Temiam represálias, uma vez que o sinédrio tinha poder e influência para perseguir os seguidores de Jesus e, por isso, eles estavam com medo dos judeus. Sendo assim, trancaram as portas da casa onde estavam. Refugiaram-se da ira, do ódio e perseguição dos fariseus, escribas e doutores da lei. Tristes e angustiados choravam a morte de seu Mestre. Discutiam entre si sobre a sua fuga no Getsêmani, o seu fracasso e sobre a incerteza de sua vida futura, sem a presença do Redentor.

No entanto, aquele momento se transforma em alegria, tranquilidade e paz. De repente, Jesus põe-se no meio deles com uma saudação inesperada e, ao mesmo tempo, redentora: “Paz seja convosco!” (v.19). A saudação de Jesus é significativa. Não se trata de uma saudação simplesmente. A paz se relaciona com a ressurreição. Ela expressa a reconciliação universal de Jesus com o mundo através da vitória sobre morte e pecado. Trata-se, portanto, da paz plena que Jesus concede aos seus discípulos. O Príncipe da paz veio trazer alegria. Ele vencera a morte e o pecado. Agora, havia de fato paz para os discípulos. Não havia mais razão para temer e duvidar, pois Jesus ressuscitou.

Estimados irmãos! Desde os primórdios até os dias contemporâneos, o homem sempre se preocupou em obter a paz, nas suas diversas formas. Mas em que consiste esta paz? O que as pessoas pensam sobre a paz? O que elas precisam para ter paz, num mundo onde existem tantas discórdias e desunião? Ter uma boa saúde? Proteção e segurança? Ter tranquilidade, respeito à liberdade entre os povos? Pensamos, muitas vezes, que estes são os requisitos para que realmente tenhamos paz. Na verdade, a paz que o mundo oferece, ela é falsa, enganosa, política. Ela é resultado de contratos, alianças e acordos de cessar-fogo, mas que nem sempre se consegue a paz. Sendo assim, conclui-se que as pessoas têm um falso conceito sobre a paz.

Precisamos compreender que a paz de Jesus é algo diferente da paz do mundo. Jesus Cristo nos concede uma paz interior que supera a paz que o mundo oferece, como ele próprio afirmou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá”, (Jo. 14.27). Aos discípulos, Ele disse: “Paz seja convosco!” Mas de que paz Jesus estava falando aos discípulos? Quando se coloca no meio deles com uma saudação inesperada e, ao mesmo tempo, redentora? Ora, aquela saudação, “Paz seja convosco!”, tem um significado profundo. A saudação de Jesus é significativa. Não se trata de um desejo ou saudação simplesmente. Em Cristo, porém, a paz adquire dimensões mais sublimes. O que Jesus conquistou na cruz para nós, vai muito além daquilo que o mundo poderia nos oferecer. Ele nos trouxe a paz de Deus, perdão dos pecados e vida eterna. Trata-se, portanto, da paz plena que Jesus concede aos seus discípulos. O Príncipe da paz veio trazer alegria. Ele vencera a morte e o pecado. É essa a paz que o mundo não pode dar!

O apóstolo Paulo também responde em que consiste esta paz: “Justificados, pois mediante a fé temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 5.1). A justificação é a forma que Deus usa por meio de Cristo para nos tornar livres da condenação que antes permanecia sobre nós. Ela ocorre por meio da fé na morte de Cristo em nosso lugar, pois não há outro caminho. O homem não é capaz de sozinho se reconciliar com Deus porque todos pecaram. E ninguém pode ser considerado justo por suas próprias obras perante Deus. Não há qualquer mérito ou justiça própria que o credencie a desfrutar da comunhão com nosso Criador. Dessa forma, a paz com Deus só pode ser restabelecida através da obra expiatória de Cristo na cruz. Foi o sacrifício de Cristo que trouxe a reconciliação com Deus. Na verdade, não conseguiríamos nunca chegar em paz diante de Deus sem esta obra tremenda do Senhor para nossa vida. Agora, justificados, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é paz que o mundo necessita. Esta paz só pode ser encontrada em Jesus, o Príncipe da paz. E Jesus tem o imenso prazer de dar a sua paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração” (Jo 14.27).

Não havia mais dúvidas sobre a ressurreição para os discípulos. Jesus mostra as provas para que não houvesse nenhuma dúvida: “E, dizendo isto, lhes mostrou as mãos e o lado.” (v.20a). Ele mostra-lhes as marcas mais profundas da sua paixão: mãos e pés perfurados pelos pregos e o lado perfurado pela lança. Mostra-lhes as marcas da injustiça, as marcas da dor, as marcas do flagelo com que passou nos seus últimos dias. Ao contemplarem os sinais da identidade do Cristo crucificado, a alegria estava de volta e o medo desaparece na vida daqueles discípulos: “Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor.” (v.20b). Resgataram a confiança de que poderiam enfrentar qualquer desafio e ser vencedores. Abraços e conversas tomam conta daquilo que até, então, era silêncio, medo e perplexidade. A partir daquele momento, passaram a confiar que, mesmo diante de provas e sofrimentos, a presença de Cristo produz paz, segurança e esperança. Agora, havia paz.

Semelhante aos discípulos nossa tendência é nos fechar, trancar nossas portas e tentar nos proteger. Mas o Senhor se aproxima e nos ajuda a enfrentar o medo, provações, problemas que nos causam preocupações. Ele diz: “Paz seja convosco!” São palavras consoladoras e cheias de esperança que todos precisamos. Hoje, encontramos tantas pessoas precisando de paz neste mundo. São pessoas com almas estressadas, sorrisos ausentes, angústia, medo e remorso. São famílias em conflito, solidão, tristeza, angústia precisando da verdadeira paz. O que fazer quando não há paz? Quando a paz aparece estar tão distante? Em Jesus, encontramos todas as respostas para os intermináveis e infinitos questionamentos da alma conturbada, do espírito irrequieto, da consciência traumatizada e da memória torturante. Somente em Jesus é que temos a esperança viva, de que o nosso sofrimento será coroado de paz. A fé em Jesus é o único remédio para um coração turbado. Ela triunfa nas crises. Por isso, o nosso consolo é olhar para a cruz de Cristo, quando nos falta a paz.

Jesus diz ainda algo mais profundo aos seus discípulos. Seriam habilitados para continuar com o ministério que Jesus começou. Ele diz, “assim como o Pai me enviou para pregar, ser perseguido, sofrer, oferecer perdão aos homens, Eu também vos envio.” (v.21). Senhor ordena que eles sejam seus embaixadores, para estabelecer seu reino neste mundo. Essa realidade tornou-se viva na vida dos discípulos pela ação do Espírito, quando Jesus, “assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. (v.22).  Se a grandeza da manifestação do Cristo ressuscitado aos discípulos, ainda não fosse suficiente para encoraja-los, então, o sopro do Espírito Santo, a ação do Espírito, completaria o que faltava. Portanto, os discípulos foram capacitados e dirigidos pelo Espírito Santo para pregar as Boas Novas a respeito de Jesus.

Os discípulos ao receberem o Espírito Santo, também foram enviados para perdoar pecados e retê-los das pessoas: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos.” (v.23). Na verdade, Jesus ensinou aos Seus discípulos, que ao receberem a autoridade de perdoar ou de não perdoar os pecados, deveriam realizar no nome de Cristo. Esse entendimento é fortemente apoiado pela observação do que os apóstolos fizeram logo após a ascensão de Jesus: “Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2.38). Essa é exatamente a mensagem ordenada por Cristo, o poder de apresentar às pessoas o perdão de Deus disponível pelo sacrifício de Cristo. Observe que Pedro não o perdoou os pecados das pessoas, mas levou as pessoas a se arrependerem diante de Deus e crerem no sacrifício feito pelo Senhor Jesus para a remissão dos pecados.

No entanto, Tomé, um dos discípulos, esteve ausente quando Jesus se manifestou. Mais tarde, os outros discípulos lhe contaram o que havia visto, ao receber o testemunho unânime dos seus colegas: “Vimos o Senhor”. (v.25a). Ele não quis acreditar, se manteve céptico: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.” (v.25b). A reação de Tomé era compreensível. Ele afinal, vira o Salvador pendurado na cruz. Estava morto e não poderia sair de sua sepultura. Por isso, queria ver para crer. Ao que tudo indica, Tomé endureceu o seu coração. Fechou-se em sua incredulidade. Enquanto todos os discípulos estavam alegres com a comunhão de Cristo, Tomé estava imerso em tristeza por causa da sua falta de fé. A reação de Tomé mostra o ceticismo natural do ser humano diante da inédita vitória sobre a morte: queria sinais concretos do ressurreto.

Ele teve esta oportunidade, de um testemunho mais claro e eloquente, conforme era o seu desejo. Para Tomé era precisava sentir as mãos de Jesus, tocar aquelas marcas, para acreditar que Jesus estava vivo, do que apenas palavras dos discípulos. Ele entendia que todos viram e creram, mas ele precisava tocar. Era uma necessidade dele. Sendo assim, oito dias mais tarde, Jesus novamente, em condições semelhantes, apareceu aos discípulos. Jesus, que Tomé tanto amava, que estivera sempre ao seu lado, estava na sua frente. Naquele momento, Jesus chamou Tomé ao arrependimento e o convida para ver mais de perto os seus ferimentos como prova da sua ressurreição: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”. (v.27).

Contudo, a incredulidade de Tomé não é tão diferente dos demais discípulos. Eles também duvidaram diante do sepulcro vazio (Jo 20.3; Lc 24.12). Não creram nos testemunhos das mulheres (Lc 24.10-11). E o que é mais grave ainda, não acreditaram nem mesmo quando O viram pessoalmente: pensaram que era o Seu espírito (Lc 24.41). Como é difícil entender a situação que viveram os discípulos. Eles andaram com Jesus. Contemplaram seus milagres e sinais, e ainda assim duvidaram. Agora, imaginem aqueles que nunca O viram! Na verdade, esta é a reação do ser humano diante das Escrituras. Como é difícil aceitar as Escrituras, assim, como ela se apresenta. Já no passado, como no presente, o homem sempre colou dúvida em torno da Palavra de Deus. As diversas teorias sobre a ressurreição nos causam tristezas. Mas por que duvidar de algo maravilhoso que Deus realizou? Por que duvidar da ressurreição?

Tomé estava perplexo. Agora, ele perde completamente sua postura arrogante. Deixa de lado o orgulho e a descrença. E não se limita a ter uma nova opinião sobre a ressurreição de Jesus. Sendo assim, ele reage. Toma uma decisão. Faz uma humilde confissão, uma das maiores declarações de fé. A sua resposta a Jesus, não foi uma exclamação, mas uma afirmaçãoSenhor meu e Deus meu!” (v.28). Jesus tinha sido o Mestre para Tomé o tempo todo, mas agora, acreditando em sua ressurreição, ele clama cheio de emoção, “Senhor meu e Deus meu!”, entendendo que Deus estava em Cristo. Portanto, aceita Jesus como quem ressuscitou, sendo ele “o Senhor” e “Deus”. Que confissão maravilhosa! Ele não vê somente o homem Jesus, que estava com os apóstolos e comia com eles, mas o seu Senhor e seu Deus. Ele se arrepende e entrega-se incondicionalmente a Jesus aceitando-o e tendo a oportunidade de sentir, ouvir e enxergar Jesus, o Salvador

Depois que Tomé fez a profissão de fé, Jesus anuncia um princípio fundamental para os todos os cristãos: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. (v.29). De fato, não vimos Cristo com nossos olhos, não contemplamos os poderosos feitos que ele realizou sobre a terra, tampouco enxergamos os sinais dos cravos ou as marcas da lança, e ainda assim nós cremos que Jesus ressurgiu dentre os mortos e nos garantiu vida eterna. Então, podemos dizer: somos felizes porque cremos que Jesus ressuscitou dentre os mortos, sem ver Jesus como os discípulos o viram.

Ao finalizar o texto, João identificou o motivo deste relato. Ele conclui: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (vv. 30,31). De fato, Cristo fez muitos “sinais” diante dos discípulos que não foram escritos neste livro. No entanto, aqueles  “sinais” que foram escritos, servem para que “Jesus, o Cristo, Filho de Deus” seja reconhecido e associado à esperança messiânica judaica. O objetivo do evangelho, portanto, não é escrever um “diário da vida de Jesus”, mas servir “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (v. 31). Todos os sinais neste evangelho apontam para Jesus como sendo o Cristo e o Filho de Deus, que veio dar vida a todos aqueles que creem. Nós, que cremos, somos encorajados a ler e reler o Evangelho de João para continuarmos na nossa fé.

Estimados irmãos! Abandonem a dúvida. Não há razão para a incerteza quanto à ressurreição de Jesus. As Escrituras mostram claramente. O próprio Jesus transmite a mensagem pascoal: Paz seja convosco! Mensagem que alegra os discípulos e a todos nós; que leva o incrédulo Tomé à fé verdadeira. Que o Senhor nos abençoe! Amém!

 

 TEXTO:  SL 148

TEMA: SOMOS CONVIDADOS A LOUVAR AO SENHOR

O autor deste salmo é desconhecido. Trata-se de um cântico, um convite a todas as partes do universo para louvar ao Senhor. Louvar ao Senhor significa admirar, falar bem, elogiar, engrandecer. Louvamos a Deus, quando admiramos os atributos do Seu caráter, isto é, fidelidade, bondade, amor, longanimidade, retidão, justiça, misericórdia. Quando agradecemos a Deus pelas suas muitas dádivas. Quando reconhecemos as maravilhosas virtudes do Senhor. Quanto a este louvor, o salmista deixou bem claro que tudo, quanto foi criado por Deus, devemos louvá-lo. E qualquer um pode fazer isto. Ninguém deveria ficar de fora. Ninguém deveria ser resistente ao convite para louvar ao verdadeiro Deus, pois este é um Salmo que celebra o louvor ao Criador de todo o universo.

No entanto, em meio a tanta angústia, fome, desemprego, insegurança, doenças, calamidades, perseguições, que essa vida nos proporciona; diante das grandezas das obras do nosso Deus, todas feitas para nós, com amor, sabedoria e perfeição; diante dos feitos que Deus tem realizados em nossas vidas de forma maravilhosa, às vezes, parece que não há motivos para louvarmos ao Senhor. Mas ainda, sim, somos convidados a louvar ao Senhor, pois temos muitos motivos. Motivos para nos dobrarmos diante de Deus, a fim de adorá-lo por sua graça salvadora em Cristo Jesus. Motivos para louvar ao Senhor com gratidão, reconhecendo que Deus é o Senhor de tudo. Motivos para louvar com muita alegria, com ações de graças ao Senhor. Ele merece o nosso louvor com hinos e cânticos espirituais, hoje, amanhã e eternamente. Sendo assim, somos convidados a louvar ao Senhor.                                                               

Estimados irmãos! Todo o universo é convidado para louvar ao Senhor. Primeiramente, o louvor começa nos céus com os anjos. Aqueles que habitam e ministram junto com o Senhor, e que estão nas regiões celestes, de todos os níveis e ordens para louvar ao Senhor. Eles foram criados para esse fim. Eles precisam dar-lhe a devida honra ao Senhor em todo o tempo: (v.2). Eles adoram a Deus com os mais altos louvores, e olham para Deus e veem nele o mais puro motivo para adorá-lo.

Dentro do conceito de louvar ao Senhor desde os céus, também, aqueles que estão acima da superfície terrestre, devem louvar ao Senhor: o sol, a lua, as estrelas. (v.3); os céus dos céus e as águas que estão acima do firmamento”. (v.4). O motivo pelo qual o Senhor deve ser louvado desde os céus se encontra nos versículos 5 e 6. Para qualificar esta grandeza da obra criação do Senhor, que todos devem louvar, o salmista mostra a magnificência da criação. Ela não está somente no ato da sua formação, mas na manutenção da sua existência. Sendo assim, o salmista apresenta quatro motivos pelos quais o Senhor mantém a Sua criação: Primeiro, “louvem ao nome do SENHOR”, isto é, deixe-os louvar ao próprio Yahweh. Segundo, “mandou ele, e foram criados”. Ele mostrou seu grande poder meramente falando, e eles surgiram imediatamente. Terceiro, “e os firmou para todo o sempre.” Ele os fez firmes, estáveis, duradouros, eterno. Quarto, “fixou-lhes uma ordem que não passará”. São regulados e mantidos dentro de seus limites por suas leis.

Se a primeira parte exigiu louvor a Deus nos céus, a segunda exige que o louvor seja promovido também na terra. Sendo assim, Deus também conclama a natureza para louvá-lo. O salmista começa com as profundezas da terra e se refere a todas as formas de vida, animadas e inanimadas. Como, por exemplo, monstro marinhos e abismos (v.7); fogo e saraiva, neve e vapor e ventos procelosos (v.8); montes e todos os outeiros, árvores frutíferas e todos os cedros (v.9); feras e gados, répteis e voláteis (v.10). É evidente que esses seres não podem exercer uma ação pessoal como de louvar ao Senhor. Não falam palavras e não tomam decisões. Embora não falem, suas palavras vão até os confins da terra e, silenciosamente, cantam louvores a Deus, ao expressarem quão glorioso é Deus, revelando quem Ele é por meio da criação (Sl 19.1-4). Glorificam a Deus ao demonstrar seu poder e seus atributos (Salmo 19.1-6; Romanos 1.20).

Ele também convida todos da esfera dos seres humanos para louvar ao Senhor: os reis, os governantes, as autoridades e todo o povo; rapazes e moças, velhos e crianças são chamados para louvar ao Senhor. (vv.11,12). Interessante que o homem sempre está acostumado a receber honra em vez de concedê-la. Está acostumado erguer troféus pelos seus feitos e pelas suas habilidades. Sempre exaltou, enalteceu e orgulhou-se das suas qualidades, de seus feitos e de suas características, mas, agora, é convidado para louvar ao Senhor. E a razão é descrito pelo salmista: Ele deve louvar o nome do Senhor, porque somente o seu nome é excelso, ou seja, é sublime, eminente, elevado, e porque a sua majestade está acima da terra e do céu. (v.13).

Finalizando o salmo, o autor afirma que o Senhor vem, sobretudo, ao encontro de seu povo e lhe oferece ajuda. Um povo que foi humilhado, perdeu sua herança e passou a morar longe de sua Pátria e do Templo. Mas assim que o povo se arrependeu, Deus lhe concedeu a oportunidade para voltar à Jerusalém e iniciar uma nova vida de louvor e adoração ao Senhor. Agora, o Senhor estava próximo das suas criaturas e vem, sobretudo, para ajudá-las. Por isso, há um motivo peculiar para louvar ao Senhor, porque Ele "exalta”, isto é, proporciona-lhes a honra e o poder. Sua força lhe permite conferir benefícios ao seu povo.

No entanto, em meio a tanta angústia, fome, desemprego, insegurança, doenças, calamidades, perseguições, que essa vida nos proporciona; diante das grandezas das obras do nosso Deus, todas feitas para nós, com amor, sabedoria e perfeição; diante dos feitos que Deus tem realizados em nossas vidas de forma maravilhosa, às vezes, parece que não há motivos para louvarmos ao Senhor.  Hoje, neste mundo materialista, consumista são poucos aqueles que atendem consciente e voluntariamente ao convite para louvar ao Senhor. Boa parte resiste ao convite por viver em plena rebeldia contra o Senhor, ou estão ocupados com outros afazeres. A verdade é que ocupamos o nosso tempo muito mais com outras coisas, do que com o louvor e a gratidão ao nosso Deus. Normalmente, olhamos para os nossos feitos e para as dificuldades da vida que enfrentamos diariamente, e nos esquecemos de agradecer e louvar a Deus.

Mas ainda, sim, somos convidados para louvar ao Senhor, pois temos muitos motivos. Motivos para nos dobrarmos diante de Deus, a fim de adorá-lo por sua graça salvadora em Cristo Jesus. E o salmo nos mostra como o louvor pode ressoar por toda a criação. Primeiro nos reinos dos céus e em suas forças. Depois no reino da terra e em tudo que vive em sua face, e finalmente o ser humano que também tem uma tarefa especial de louvar ao Senhor. Isto demonstra o quanto temos muito que louvar ao nosso Deus, porque da escravidão do pecado, fomos restaurados. Fomos redimidos não com prata ou ouro, mas com o precioso sangue de Cristo na cruz. Agora, pela fé em Jesus, fazemos parte do povo de Deus. Somos povo "próximo" em todos os sentidos de nosso Deus e Salvador. E por causa do seu esplendor, glória, majestade, a sua criação; por todos os seus atos de livramento em nossa vida, e o cuidado para conosco, dia após dia, tanto material como espiritual, já é uma grandiosa razão para louvarmos e bendizermos o seu nome.

Estimados irmãos! Somos convidados a louvar ao Senhor! Louvar com alegria e gratidão, reconhecendo que Deus é o Senhor de tudo. Louvar com ações de graças ao Senhor. Ele merece o nosso louvor com hinos e cânticos espirituais, hoje, amanhã e eternamente. Amém.

 

 

sexta-feira, 24 de março de 2023

  

TEXTO: MT 28.1-10

TEMA: O SIGNIFICADO DO SEPULCRO VAZIO

Hoje é Páscoa! Para o comércio é uma data de grandes negócios. Afinal, vivemos numa sociedade capitalista, materialista e consumista, em que as crianças esperam neste dia com ansiedade um presente de ovos de chocolate; as vitrinas das lojas e casas comerciais das cidades são ornamentadas de tal forma a chamar a atenção das pessoas. Além da troca de ovos de chocolate, as famílias se reúnem para celebrar um almoço, com direito a pratos especiais, mesas fartas, mensagens e músicas de Páscoa. Enfim, somos bombardeados com os comerciais de ovos de chocolate e coelhinhos, na TV, no rádio, em Outdoor’s espalhados por todas as cidades e supermercados. Este é o significado que o mundo tem dado para Páscoa.

Também para o cristianismo é uma data importante, porém com outro significado. Diferente do que pensa o comércio, o verdadeiro significado da Páscoa não está nos chocolates, coelhos, ovos e festas, mas está no significado do sepulcro vazio. Significado para Jesus que ressuscitou. Ele não permaneceu no sepulcro. Garantiu o cumprimento de todas as suas promessas, pois ressuscitou como havia prometido. Ele provou de fato ser o Filho de Deus ao exercer poder sobre a vida e a morte, conquistando a vitória sobre o pecado e o diabo. O sepulcro vazio para as mulheres também teve um grande significado. Elas não precisavam mais andar tristes e preocupadas. Não havia mais incerteza, dúvida, desespero porque foram iluminadas e agraciadas pelo evangelho.

                                                               I

Após a morte de Jesus, ao tirá-lo da cruz, José de Arimateia colocou-o num túmulo novo, aberto na rocha, e “rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou” (Mt 27.60). Aquela sepultura foi lacrada e os soldados deveriam vigiar a pedra, para impedir um possível furto do corpo de Jesus,  e que jamais poderia ser violada. É uma cena que causou uma imensa tristeza na vida dos discípulos, das mulheres e muitas pessoas que presenciaram a Sua morte, bem como o Seu sepultamento. Afinal, Jesus estava morto, acabado, derrotado para aquelas pessoas. Não havia mais esperança. Esta era a triste realidade para os discípulos e as mulheres. Entretanto, frente a esta situação, as mulheres querem realizar a última cerimônia: embalsamar o corpo de Jesus.

Diz o nosso texto que “no findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” (v.1). Houve uma grande preocupação em procurar o Salvador bem cedo pela manhã. Para aquelas mulheres ainda havia esperança de ver Jesus no sepulcro. Seus corações ainda pairavam todos os temores e incertezas dos acontecimentos da última semana. Seus pensamentos estavam voltados para a morte de Jesus. O fato de Cristo estar morto não lhes era bem aceito. Mas, afinal por que as mulheres foram ao sepulcro? Conforme o evangelista Marcos, a finalidade da ida das mulheres à sepultura, e todos os preparativos a serem realizados, era para embalsamar o corpo de Jesus. Assim diz o texto de Marcos: “compraram aromas para embalsamar”. (16.1). As mulheres queriam perfumar o corpo de Jesus e, por isso, compraram perfume para realizar essa cerimônia. Eram ervas cheirosas para encobrir o hálito da morte, para deter ao menos o processo de decomposição. Era um costume preparar o corpo para o sepulcro, colocando perfumes. Elas queriam prestar uma última homenagem a Jesus. Tudo pronto estavam a caminho da sepultura.

Durante a viagem havia uma grande preocupação. Sentiram que havia um problema que impediria de fazer o que elas desejavam. O evangelista Marcos afirma: “Quem nos removerá a pedra da entrada do tumulo?” (16.3). Talvez, em meio à tristeza que estavam vivenciando, não se preocuparam com o problema, ou não se preocuparam em pedir que alguém fosse junto para deslocar a enorme pedra que havia sido colocado frente ao sepulcro. No entanto, foi grande a admiração das mulheres quando, ao poderem vislumbrar a sepultura, viram que a mesma estava aberta. Não podiam entender o que viram. O que não sabiam, era que os planos seriam frustrados: a pedra já estava removida e o sepulcro vazio. Em suas mentes surgem diversos questionamentos: Quem removeu a pedra? Quem abriu o sepulcro?

O texto tem uma resposta simples: “E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela” (v.2). Em Marcos 16.4 nós lemos que as mulheres “olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande.” Interessante que Marcos apenas a afirma que as mulheres chegam ao túmulo e encontram a pedra fora do lugar. Inclusive, nem ficam espantadas com o fato da pedra ter sido removida, e não há maiores detalhes. Em Lucas 24.2 somos informados apenas que as mulheres “encontraram a pedra removida do sepulcro”. Em João 20.1-2 somos informados que “Maria Madalena... viu que a pedra estava revolvida. Então, correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram.” Tudo isso muda quando vamos para Mateus. O escritor desse Evangelho acrescenta detalhes que tornam o relato mais empolgante. Mateus usa de artifícios literários para uma resposta ao fato da pedra estar removida. Ele relata que houve um terremoto, que um anjo desceu do céu, rolou a pedra e ficou sentado em cima dela. Diz o texto que o seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. Os guardas ao ver o anjo tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos

A manifestação do anjo serve para mostrar que tudo que ocorreu foi pela intervenção de Deus. Ele dá rumo diferente à história. Ele remove a pedra. É capaz do impossível. Ele tira Jesus da sepultura. Os soldados caem desmaiados. E quando recuperam os sentidos, o túmulo está vazio. Realmente, Cristo ressuscitou. Ele vive. Ele não permaneceu no túmulo. Ele não poderia ficar sepulcro porque ele é Deus, o Autor da vida. Esta é a mensagem da Páscoa por excelência. O anjo é mensageiro enviado de Deus para anunciar a vitória do crucificado aquelas mulheres que estavam cheias de medo: “Não temais; porque sei que buscai Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.” (vv.5 e 6). O anjo convida as mulheres ao dizer “vinde ver onde ele jazia”. Elas encontram o anjo na entrada do sepulcro, e são convidadas para entrar e ver lugar onde Jesus “jazia”. O verbo está no passado, o que indica que ele não mais estava ali. Esta foi à mensagem do anjo àquelas mulheres preocupadas. Esta mensagem veio confirmar a esperança que de fato Cristo havia ressuscitado.

Cristo ressuscitou! Ele não está mais aqui! Este é o presente mais importante que a humanidade já recebeu em toda sua história. Cristo ressuscitou! Ele não está mais aqui! É a mensagem de Páscoa. Nem caixa bonita com chocolate, nem qualquer objeto dentro, poderiam ser tão especiais do que a mensagem da ressurreição de Cristo.  No túmulo vazio está estampada a mensagem de que Jesus venceu a morte. Era o último inimigo a ser vencido. Era o último, pois não é mais. Jesus venceu definitivamente o diabo, o pecado e a morte. Ele vive! Essa é a notícia da Páscoa cristã para um mundo consumista, no qual a mensagem de Páscoa tem perdido o seu significado.

Ele não está aqui. Ele ressuscitou como tinha dito. O sepulcro estava vazio. Mas qual é o significado para Jesus? Significa que Jesus venceu a morte. Talvez, a morte seja um dos assuntos que as pessoas não gostam de falar. Ela acaba com tudo. A morte é cruel. Ela tira do nosso meio uma pessoa amada. Mas ela é inevitável. Todos os dias, nós temos contato com a morte de alguma forma. Em nossa família, em nossa vizinhança, em nossa cidade, em nosso país, no mundo. A morte está acontecendo a todo tempo, e um dia seremos nós os personagens principais para ela. No entanto, diante do medo vêm o consolo: Não temas! Jesus venceu a morte. Não permaneceu no sepulcro. Garantiu o cumprimento de todas as suas promessas, pois ressuscitou como havia prometido, provando de fato ser o Filho de Deus ao exercer poder sobre a vida e a morte, conquistando vitória sobre o pecado e o diabo.

                                                           II

Também havia um grande significado da ressurreição de Jesus àquelas mulheres que encontraram o sepulcro vazio. Elas receberam as primeiras notícias da ressurreição de Jesus através do anjo. A mensagem do anjo é a própria mensagem da Páscoa. A mensagem do anjo lembra também que a noticia sobre a ressurreição deveria ser anunciada aos discípulos: “Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos.” (v.7a). Depois disso, o anjo as exorta a ir proclamar a ressurreição de Jesus para os demais discípulos. A palavra traduzida aqui por “ide” é a mesma palavra que aparece na Grande Comissão, em Mateus 28.18a, onde Jesus disse, “Ide, e fazei discípulos”. O verbo não está no imperativo. Está no aoristo particípio. O particípio aoristo seria um tempo verbal que expressa uma ação passada, isto é, tomada como já concluída. Assim sendo, uma tradução mais fiel de πορευθεντες seria “havendo (já) ido” ou “havendo viajado”, ”indo”, ”enquanto estejam indo”. Enfim, o termo requer urgência.

Esta noticia do sepulcro vazio teve um grande significado para àquelas mulheres. Elas não precisavam mais andar tristes e preocupadas. Não havia mais incerteza, dúvida, desespero, porque foram iluminadas e agraciadas pelo evangelho. Diante desta noticia o medo que ainda estavam vivenciando se mistura com a alegria. Por isso, deveriam anunciar esta noticia maravilhosa aos discípulos com urgência. Sendo assim, o anjo não permite que as mulheres se percam em especulações, questionamentos, indagações sobre a ressurreição de Jesus. Simplesmente, o anjo diz: “Ide, pois, depressa”. Aquela mensagem deveria ser noticiada rapidamente. Os discípulos precisavam saber sobre a ressurreição de Jesus. Elas percebem que algo novo havia acontecido, numa grande euforia, foram e anunciaram aos discípulos e a todos que com eles estavam

Cristo venceu a morte. Ele ressuscitou. Por isso, hoje, podemos enfrentar a morte sem temor, na certeza que iremos ressuscitar para vida eterna. Ele ressuscitou. Ele não ficou no túmulo, mas ressuscitou dos mortos.  Não em benefício próprio, mas por nossa causa, para que a sua ressurreição seja a nossa esperança que um dia também ressuscitaremos. O próprio Jesus afirmou: “Porque eu vivo, vós também vivereis”. (Jo 14.19). “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra viverá” (Jo 11.25). A morte de Cristo foi a vitória que abriu as portas da vida eterna. Jesus Cristo é, certamente, nossa maior esperança; é o caminho que leva ao Deus criador e Pai celestial (João 14.6). A vitória sobre a morte é possível somente para aqueles que creem nele.

A notícia da ressurreição de Jesus, transmitida pelo anjo também vale para nós. Não podemos nos silenciar diante de uma noticia maravilhosa. Ela nos impulsiona anunciar uma mensagem do Cristo que não permaneceu no sepulcro. Mas a realidade de um túmulo aberto e vazio, que nos confirma a ressurreição. Precisamos anunciar: se o Senhor não tivesse ressuscitado, continuaríamos mortos em nossos delitos e pecados; se o Senhor não tivesse ressuscitado, ainda seríamos escravos de Satanás; se  Cristo não tivesse ressuscitado dentre os mortos, estaríamos fazendo a vontade da carne, andando segundo o curso deste mundo, conforme a vontade de Satanás; se Cristo não tivesse ressuscitado, não teríamos a esperança da vida Eterna, nem tampouco poderíamos desfrutar dos benefícios do seu Reino.

Estimados irmãos! Que o bondoso Deus possa sempre nos consolar, alegrar e fortalecer com esta mensagem maravilhosa: Jesus morreu, mas, não permaneceu morto. Ele ressuscitou, e o túmulo está vazio. Ele vive. Aleluia! Que nossa Páscoa seja vivida com toda esta alegria! Amém.

terça-feira, 21 de março de 2023

 


TEXTO: MT 21.1-11

TEMA: SAUDEMOS O NOSSO REI JESUS!

Em muitos lugares na antiguidade, era costume cobrir com ramos o caminho à frente de alguém que merecesse grandes honras. Essa era a maneira comum que os súditos prestavam honra a um rei quando se aproximava de uma cidade montado num cavalo.

Em nosso texto, acontece algo idêntico. Jesus entra em Jerusalém onde é aclamado pelo povo ao saudar com vestes estendidas em seu caminho e ramos que lhes eram lançados como saudação. Ele entra triunfalmente em Jerusalém, não como um rei guerreiro.  Não como os grandes reis e conquistadores triunfantes depois de uma batalha, ou de um cortejo real cheio de luxo mostrando seus escravos e conquistas. Não como um conquistador militar ou libertador político. Mas como um rei humilde que veio para reinar sobre a sua igreja. Como um monarca que vem em paz, como príncipe da paz. Aquele que veio libertar a humanidade do pecado, da morte e condenação eterna. Todos estes aspectos demonstram que o seu reino não é terreno, mas espiritual. 

Estimados irmãos! Neste domingo, estaremos comemorando o dia denominado de “Domingo de Ramos”. É o momento em que estaremos recordando a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, saudando o nosso Rei Jesus. Temos dois motivos para saudar o nosso Rei Jesus: Primeiro, porque Ele é o nosso verdadeiro Rei e merece toda a nossa honra, glória e louvor. Segundo, porque Ele veio nos salvar como verdadeiro Rei.

Era domingo, Jesus estava a caminho rumo à grande cidade de Jerusalém. Não era a primeira vez que Ele ia a esta cidade. A Escritura registra seis visitas que Jesus fizera antes de sua entrada em Jerusalém, pela última vez. Entretanto, esta entrada em Jerusalém, era uma ocasião especial. Jesus entraria para iniciar o seu sofrimento, a finalidade principal de seu reino. Entraria para salvar a cidade e seus moradores, chamando-os ao arrependimento. Por esta razão, Jesus faz sua entrada publicamente na cidade, fazendo com que o povo aclamasse e falasse da grande missão que o levava até ali. 

De acordo com a finalidade e a importância de sua presença em Jerusalém, ao contrário das vezes anteriores, cogita de preparativos especiais para sua entrada. Ele se aproxima com seus discípulos de Jerusalém. Eles estavam no monte das Oliveiras, e dali contemplavam Betfage e Betânia, duas pequenas aldeias antes de Jerusalém. Betânia fica na encosta Sul do monte das Oliveiras, ao passo que Betfagé se localizava provavelmente na encosta Ocidental do monte das Oliveiras, logo do outro lado do ribeiro de Cedrom em Jerusalém. Era praticamente uma extensão da própria Jerusalém.

Antes de chegar a Jerusalém, Jesus escolhe dois discípulos para enviá-los a Betfage. Neste lugar os discípulos encontrariam uma jumenta e com ela, um jumentinho. O Senhor não disse que precisava de qualquer animal, mas mostrou um específico, e disse que precisava daquele animal; nenhum outro serviria. E a ordem de Jesus era muito simples: “Desprendei-a e trazei-mos” (v.2). Jesus dá uma demonstração, uma ideia de seu inesgotável poder de realizar qualquer coisa aos olhos humanos. Ele não hesita em mostrar aos discípulos quem Ele era. Ele mostra através de suas palavras grande autoridade, pois é o Senhor quem fala e autoriza. Por isso, não há qualquer questionamento da parte dos discípulos. Eles simplesmente obedecem à ordem do Senhor. Mas algumas pessoas questionaram: O evangelista Mateus descreve de forma enfática: “O Senhor precisa deles.” (v.3) Literalmente: “O senhor necessita deles”. Marcos afirma: “Que fazeis, soltando a jumentinha? Os discípulos responderam: conforme as instruções de Jesus (11.6). E de fato, tudo ocorreu como Jesus tinha dito. 

Os discípulos encontraram os animais e, sem problemas os trouxeram. Colocaram em cima dele as suas vestes e Jesus montou. Jesus se prepara para entrar em Jerusalém de forma humilde, manso, brando, pacifico. Esta foi a maneira como Jesus entrou em Jerusalém.  Não como os grandes reis e conquistadores triunfantes depois de uma batalha, ou de um cortejo real cheio de luxo mostrando seus escravos e conquistas. Não como um conquistador militar ou libertador político. Mas como um rei humilde que veio para reinar sobre a sua igreja. Como um monarca que vem em paz, como príncipe da paz. Todos estes aspectos demonstram que o seu reino não é terreno, mas espiritual. 

Aquela entrada triunfal era um momento de jubilo, alegria e de louvor ao Senhor. Os discípulos e numerosa multidão rendiam homenagens espontâneas a Jesus, que se encaminhavam triunfalmente a Jerusalém, preparando-lhe uma passagem ou caminho com as próprias vestes e com ramos que cortavam de árvores e espalhavam pelo caminho. Era o delírio do povo gritando, clamando em alta voz: Hosana! A palavra Hosana em hebraico é אהושענ (hoshana) significa salve-nos, por favor, ou salve-nos agora, te imploramos. Esta expressão encontra-se na Salmo 118.

 No período pós-exílio, este Salmo foi incorporado à liturgia de dias festivos. Por ocasião das principais festas judaicas, os peregrinos que chegavam a Jerusalém podiam ser saudados com esse Salmo. O povo clamava um pedido de socorro a Deus. A libertação orquestrada por alguém que viria da parte de Deus: “Bendito é o que vem em nome do Senhor!” (v.26a). Parece que tanto o salmista como os judeus em geral tinham a esperança da chegada de um rei eterno (Mq 5.2) que promoveria restauração plena para Israel (Mq 5.3,4) e para o mundo (Mq 4.1-4). Sendo assim, o salmista convida o povo a celebrar este momento adornando a festa: “O Senhor é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até as pontas do altar.” (v.27). Essa festa era um tipo de parada ou procissão festiva, quando as pessoas se reuniam e caminhavam pelas ruas dirigindo-se ao templo, onde finalmente começariam as celebrações religiosas relativas à Páscoa, momento em que afirmavam enfaticamente seu relacionamento pessoal com seu salvador: “Tu és meu Deus! Queremos te exaltar porque a sua misericórdia dura para sempre!”

Em nosso texto, a palavra Hosana ὡσαννά (hosanna) significa grito de exaltação ou adoração entoado em reconhecimento ao messianismo de Jesus em sua entrada em Jerusalém; exclamação de louvor a Deus. Esse é o significado dela também nos tempos atuais. Foi a forma como o povo saudou Jesus. Esta deve ser a nossa atitude: Saudar Jesus com o mesmo entusiasmo, alegria e louvor. Juntar a nossas vocês e cantar: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” O Rei dos Reis, que chora para trazer-nos a salvação. É este Rei Jesus que nos convida para acompanharmos todos os seus passos. É a Ele que devemos dar a nossa honra, glória e louvor.

A entrada de Jesus em Jerusalém foi coroada de entusiasmo e empolgação. Jesus montado num jumentinho é recebido com honra como um rei. O povo saudou Jesus com “Hosanas”. Mas à medida que a procissão ia se aproximando, vagarosamente, a cidade alvoroçou, e perguntavam: Quem é este? (v. 10). Era a pergunta que corria de boca em boca, especialmente entre os peregrinos. Sim, quem é este que hoje entra em Jerusalém em marcha triunfal, aclamado pelo povo numa exaltação como a história da cidade não registra há tempos? Quem este Rei que devemos prestar honra e louvor neste período de advento?

Este é o Reis dos reis, o Senhor dos senhores. É o Rei do poder e da glória, santidade e justiça. É o rei que governa este mundo turbulento em que vivemos. É um Rei que morreu por nós, entregou-se humildemente naquela cruz, suportou toda ignomínia, toda humilhação, todas as chicotadas, blasfêmias, acusações, provocações, traições, abandono, tudo para nos salvar. É um Rei justo. Ele nos justificou ao morrer em nosso lugar, pois não tínhamos como nos justificar de nossos pecados, nosso destino era a condenação eterna no inferno. Sendo assim, Ele tomou o nosso lugar e pagou esse preço.  Ele usou  o próprio sangue que Ele derramou para pagar o preço da nossa justificação. Ele deu a Sua própria vida! Ele padeceu por nós na cruz do Calvário para que fôssemos feitos justiça de Deus. Morreu, ressuscitou, e agora se encontra com o Pai.

Estamos aguardando a Sua vinda, para recebe-lo com o mesmo ardor e entusiasmo com que Jerusalém o recebeu, juntando as nossas vozes: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas. Mas será que estamos preparados para a vinda do Messias? Pensemos por um momento o que significa Domingo de Ramos! Tempo de iniciar uma nova caminhada, andando nos caminhos do Senhor. Tempo de aguardar a vinda do Senhor.

Estimados irmãos! Precisamos resgatar este verdadeiro sentido. Por isso, vamos nos preparar para receber o Senhor, a fim de escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem. De que forma? vigiando e vivendo uma vida santificada neste mundo. Que Deus conceda a cada um abençoado Domingo de Ramos e que busquemos cada dia viver na paz que vem daquele que em meio à humildade, nasceu por todos nós. Vamos saudar o Filho de Deus! Ele merece o nosso louvor, honra e gloria. Ele nos salvou. Vamos abrir as portas dos nossos corações para que Cristo entre! Amém!

TEXTO: SL 118

TEMA: DEUS É DIGNO DE CONFIANÇA E LOUVOR

O Salmo 118 é considerado um cântico de Ação de Graças. Há vários salmos como este. Eles eram cantados no dia a dia das famílias de Israel, tanto nas reuniões domésticas, como nas públicas. Neste texto, o salmista canta sua gratidão a Deus com a participação da congregação. Ele ora ao SENHOR e deposita a sua confiança em Deus, pois o SENHOR nunca deixou de atender as suas súplicas. Ele nunca deixou de cumprir as Suas promessas. Por isso, com o coração agradecido, o salmista se mostra fiel nas adversidades. Agradece a Deus pelos benefícios, demonstrado em todos os momentos de sua vida, inclusive nos mais difíceis. Agradece a Deus, cantando e oferecendo sacrifícios. Agradece diante das lutas e vitórias que enfrentou e de como Deus agiu dando seu livramento. Foi isso que o salmista fez. E, por isso, Deus o abençoou dando o que ele precisava.

O salmista nos inspira a confiarmos no SENHOR que ouve e atende a nossa oração.  Mesmo diante das piores situações, podemos nos entregar alegremente ao SENHOR, sabendo que nos livrará de todo o mal. Por isso, precisamos aprender a confiar em Deus. Confiar em Deus é uma atitude que temos de tomar todos os dias, ou melhor, ela deve estar impregnada em nossa mente, ainda que não enxerguemos propósitos nas circunstâncias que enfrentamos, nem nos desafios que somos obrigados a passar. Confiar significa ter fé, esperar, ter esperança em algo ou alguém.  Deus é digno de nossa confiança. Ao contrário dos homens, Ele nunca deixa de cumprir as Suas promessas.

Estimados irmãos! Davi, rei de Israel tinha muitos motivos para agradecer a Deus. Sua vida fora marcada por erros e acertos, mas ele nunca deixou de reconhecer a soberania de Deus sobre sua vida. Por isso, ele nos convida para louvarmos, agradecermos ao SENHOR: “Rendei graças ao SENHOR...” (v.1a). Por que ser gratos a Deus? Se, porém, nos detivermos um pouco para pensar, veremos que temos muitos motivos para agradecer a Deus e saberemos a resposta. Olhando para o passado, nos leva ao reconhecimento e gratidão pelas tantas vitórias alcançadas. No decorrer desta semana, sentimos a presença de Deus manifestando continuamente a sua bondade, realizando verdadeiros milagres em nossa família, no trabalho, em nossa vida de modo geral. Deus enviou seu Filho Jesus Cristo que sofreu e morreu na cruz para nos reconciliar com Deus, concedendo assim o perdão de nossos pecados, a vida eterna, a fé, o amor.

Quantas coisas maravilhosas recebemos de Deus! Por isso, todos os dias, devemos levantar nossas mãos aos céus em sinal de gratidão a Deus por todos seus benefícios. Por tudo que Deus tem feito em nossas vidas, reconhecendo que de fato o SENHOR tem manifestado a Sua bondade. É justamente neste Deus que manifesta a sua bondade, onde podemos buscar socorro, consolo, perdão ânimo para a nosso viver, onde podemos agarra-nos diante das nossas dúvidas e incertezas. Precisamos apreciar mais a bondade do Senhor.

O salmista oferece a razão pela qual precisamos reder graças ao Senhor: porque ele bom e sua misericórdia dura para sempre”. (v.1b). A palavra misericórdia (hesed), normalmente é traduzido por “amor”, mas também pode ser traduzido por “bondade”, “benevolência,” ou “misericórdia”. O salmista confiava na misericórdia divina. Ele entendia que as misericórdias expressam bênçãos, revelam o sentimento de compaixão para com Seu povo e que impede a ira de Deus (julgamento) de agir de imediato, ou seja, dá tempo para que se arrependesse de seus pecados e de suas maldades. A maior revelação da misericórdia de Deus está fato histórico da morte de Jesus em nosso lugar. O SENHOR teve misericórdia de nós e enviou Filho para morrer em nosso lugar. Ele sofreu a punição da culpa pelo pecado que nós cometemos, sem que Ele tivesse culpa alguma. E por Sua grande misericórdia fomos resgatados pelo sangue de Cristo que verteu na cruz.

Somos também convidados a reconhecermos as misericórdias de Deus no dia a dia. Elas são indispensáveis. O que seria de nós se o Senhor não fosse benigno e misericordioso para conosco? Seriamos consumidos! Assim afirma Jeremias: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.” (3.22). São pelas misericórdias que Deus nos perdoa, nos da nova chance de recomeçar e aprender com os erros do passado. Elas se renovam cada manhã. Renovam-se em meio à tristeza e a dor, em meio às lembranças amargas. Renovam a nossa esperança, o nosso ânimo, a nossa disposição no dia a dia da vida. Temos um Deus fiel. Um Deus que é bom o tempo todo.

Sabendo das misericórdias de Deus, o salmista invocou ao Senhor em perfeita confiança: “Em meio à tribulação invoquei o nome do Senhor, e o Senhor me ouviu e me deu folga”. (v.5). O que significa invocar o nome do Senhor? A palavra invocar tem o sentido de chamar o nome de alguém, bradar ou gritar pelo nome. Ao invocar, o Senhor ouviu a oração do salmista e deu lhe folga. Folga, outro termo importante que significa alargar, dilatar, ou ainda “largura”, “espaço aberto”, “lugar espaçoso”. Seria como se salmista estivesse em lugar apertado e Deus lhe tirasse dali, e o colocasse em um lugar onde a última coisa que sentisse fosse aperto. Neste sentido, percebemos o quanto o salmista estava sofrendo. E se não fosse a proteção divina, em livrar-lhe de seus inimigos, a consequência seria terrível: “Morrerei, certamente, não viverei”! (v.17).

Diariamente vivenciamos também os mesmos problemas que o salmista sentiu em toda sua vida. Presenciamos momentos de tristeza e solidão. Afinal, vivemos numa sociedade turbulenta, cheia de aflições, angústias, medos e incertezas! Quanto medo e angustia em nossos corações, quando não encontramos o consolo! Parece que estamos sozinhos, esquecidos neste mundo. Somos fragilizados pelo desânimo e as esperanças chegam a desfalecer. Mas não há motivos para temer! Não estamos sós neste mundo. Você gostaria de tirar uma folga de suas preocupações e angústias? Está passando por momentos de dificuldades, clame ao Senhor! Invoque o Senhor e confie em Deus e em suas preciosas promessas! Invocar o nome do Senhor, dever ser algo constante em nossa vida, seja na alegria, na tristeza ou na angústia. Antes de tudo, não se torne fraco diante dos momentos de tribulações, veja o que nosso Deus diz: "Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás”. (SL 50.15).

O salmista chegou a esta conclusão, de que Deus está próximo daqueles que lhes pertencem: O Senhor está comigo”. (v.6a). Isso gerou no salmista uma confiança verdadeira cujo efeito se fazia sentir de modo prático em sua vida: “não temerei. Que me poderá fazer o homem?” (v.6b). É uma pergunta retórica. É uma resposta sincera. Ele admite que podemos ser atacados por inimigos. Eles podem nos prejudicar, podem nos oprimir e nos deixar abatidos. Mas, a mensagem que o salmista nos dá é de vitória, de otimismo, pois independentemente daquilo que os inimigos possam fazer conosco ou contra nós, a nossa vida está nas mãos e sob o controle de Deus. Por isso, olhando para o poder dos exércitos e dos seus príncipes e para sua capacidade de promover uma proteção e refúgio contra o perigo, o salmista conclui-se que é melhor se refugiar no Senhor: “Melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar no homem (v.8). Lembrando que a palavra refúgio, significa abrigo, retiro, lugar seguro. Um dos termos que exprime a segurança como abrigo, que protege de uma tempestade ou de um perigo.

O salmista recomenda depositar a nossa confiança em Deus. Ela torna-se importante, pois a nossa tendência natural é confiar no ser humano. Não podemos transferir para os homens nem mesmo a menor porção de nossa confiança, que deve ser colocada somente em Deus. Lembre-se que o homem muda, mas Deus é imutável. O homem morre, mas Deus é eterno. O homem é tolo, mas Deus é sábio. O homem é fraco, mas Deus é Todo-Poderoso. O salmo 146.3 também recomenda: “Não confiem em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação”. Foi diante deste pensamento, à busca pelo refúgio, que o salmista depositou a sua confiança em Deus. Sendo assim, ao demostrar esta confiança, Deus o amparou dando-lhe a vitória sobre os seus inimigos, quando todas as nações o cercaram. Ele proporcionou alivio e força nos momentos difíceis.

Não poderia existir um auxilio melhor que o próprio Senhor realizou na vida do salmista. Ele o livrou de todas as nações, pois “Todas as nações o cercaram” ... (v.10a). Cercaram de todos os lados...” (v.11a). Isto demonstra que os exércitos eram numerosos e perigosos. Era uma situação complicada, cujo desfecho dificilmente poderia ser favorável. Entretanto, o salmista busca ação do Deus todo poderoso, como fonte da verdadeira da vitória. Em três momentos, ele enfatiza que destruiu os seus inimigos em nome do Senhor. (vv. 10b,11b,12b). Nos versos 15-18, Ele reconhece que sofreu, mas não foi destruído, pois Deus sempre amparou e salvou seu servo, dando-lhe a vitória sobre os seus inimigos. (vs.13,14).

Da mesma forma, Deus nos ampara. Ele ouve o nosso clamor a qualquer tempo: “Os olhos do Senhor estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor”. (Sl 34.15). Mesmo diante das piores situações podemos nos entregar alegremente ao SENHOR, sabendo que nos livrará de todo o mal. Por isso, entregue a Ele toda a sua luta e tribulação, e confie em Deus! O salmista nos inspira a confiarmos no Senhor que ouve e atende a nossa oração. Na verdade, precisamos aprender a confiar em Deus. Confiar em Deus é uma atitude que temos de tomar todos os dias, ou melhor, ela deve estar impregnada em nossa mente, ainda que não enxerguemos propósitos nas circunstâncias que enfrentamos, nem nos desafios que somos obrigados a passar. Confiar significa ter fé, esperar, ter esperança em algo ou alguém.  Deus é digno de nossa confiança.

Mesmo diante da morte em que o salmista vivenciou, muitas vezes, diante de seus inimigos, o Senhor sempre reverteu o quadro desfavorável, ao mostrar de uma forma sabia e justa o rumo da vida do salmista e do povo. Apesar de não ter sido fácil, ele olha para Deus e crê de todo o coração na intervenção do Senhor. Ele afirma que a bondade que Deus lhe havia conferido era tão extensa. ao afirmar que nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação. (v.15). Jubilava porque a destra do Senhor havia feito proezas. A palavra “destra” significa lado direito. É símbolo da mão de força e poder. O Senhor através de seu poder realizou proezas na vida do salmista. Já a palavra “proeza” significa força, poder, capacidade. lustra o uso que Deus faz de sua força infinita para ajudar o salmista. Os benefícios que ele recebeu, o poder de Deus parecia notável e memorável. Mas se não fosse essa proeza que Deus realizou em sua vida, o que seria do salmista? Sofreria punição. Poderia morrer: “Não morrerei; antes viverei e contarei as obras do Senhor.” (v.17). Entretanto, uma vez castigado, disciplinado severamente, Deus não o destruiu: “O Senhor me castigou, mas não me entregou à morte.” (v.18). Deus reverteu à situação. Crê fielmente no livramento do Senhor! Ele sabe que a graça do Senhor encherá sua vida de entusiasmo, de força!

O salmista, agora, se alegra e exulta por ser novamente admitido a oferecer sacrifício a Deus. Agora, poderia se aproximar do Senhor e oferecer agradecimentos. Ele se aproxima do templo, e pede àqueles que tinham a responsabilidade da casa do Senhor, os sacerdotes, solicitando que eles abrissem as portas e permitissem que entrasse para louvar a Deus por sua misericórdia: “Abri-me as portas da justiça; entrarei por elas e renderei graças ao Senhor.” (v.19). A palavra “justiça” (tsedeq) não tem apenas caráter moral, mas um sentido nacional de libertação no qual os inimigos são descritos como injustos e o fazer justiça significa Deus livrou seus servos das mãos dos adversários. Mas entrar pelas portas da justiça significava ser aceito na comunhão com Deus. E só alguém que foi justificado, só alguém a quem foi imputada a justiça divina, pode estar na presença de Deus. Por isso, o salmista e os outros justos, daqueles dias, entraram pelas portas da justiça para render graças a Deus. Este é motivo pelo qual o salmista deveria louvar ao Senhor. E de fato, ele louva ao Senhor: “Render-te-ei graças porque me acudiste e foste a minha salvação.” (v.21).

No entanto, ainda que Israel estivesse em uma situação em que fosse considerada uma pedra inútil a ser descartada, ou seja, prestes a ser destruído, Deus fez algo maravilhoso ao seu povo. E ainda fará. Ele promete enviar a Pedra Angular — Seu precioso Filho — que fornecerá a base sólida para a vida de seu povo. Mas a Pedra Angular escolhida por Deus para edificar a Igreja, foi rejeitada: " A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular” (v.22). Para entender bem essa expressão é preciso entender como eram construídas as casas antigamente. Nas construções antigas, a pedra angular era a pedra fundamental, a primeira a ser assentada na esquina do edifício, formando um ângulo reto entre duas paredes. Servia para definir a colocação das outras pedras e alinhar toda a construção. É o elemento essencial que dá existência àquilo que se chama de fundamento da construção.

No Novo Testamento essa expressão é retomada diversas vezes. Ela é simbolicamente representada por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Aquele que foi rejeitado pelos governantes terrenos de sua época. Os construtores de Israel que julgavam Jesus uma pedra inadequada para o tipo de construção que eles queriam. Na verdade, nem todos se alinham com a Pedra Angular. Alguns aceitam a Cristo; outros O rejeitam. Marcos afirma que Jesus é "a pedra que os construtores rejeitaram" (12.10). Desde o início, Jesus era "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Pedro 2.8). Pedro fez a aplicação direta quando repreendeu os líderes em Jerusalém: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular” (Atos 4.11).

Por terem uma relação especial com a pedra angular, eleita e preciosa, os cristãos devem viver de maneira distinta do mundo: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmas, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pedro 2.4-5). Paulo fez a mesma aplicação deste tema: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Efésios 2.19-21).

Como Pedra Angular, Jesus tinha consciência dessa profecia a seu respeito. Sabia do seu papel e também do descrédito que sofreria das autoridades e de muitos de seu povo. Ele cumpriu a promessa. Veio ao mundo, venceu e está assentado a destra do Todo-Poderoso. Sabia que isto tudo “procede SENHOR..."(v.23a). A Pedra Angular está bem posta, sedimentada, sustentando a grande edificação, o Reino.  Isto “... é maravilhoso aos nossos olhos." Por isso podemos nos alegrar com aquele dia. Foi o dia da salvação, foi na plenitude dos tempos que Deus nos deu a salvação em Jesus. É um dia especial: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemos e elegermo-nos nele.” (v.24). O dia que o Senhor fez. Por meio de sua vitória, Deus fez desse dia em particular um dia de vida, e não de morte, para o salmista e seu povo. Devemos então nos alegrar e celebrar esse dia, pois é mais uma oportunidade de realizarmos algo de positivo em nossa vida e na vida dos outros. Alegremo-nos no Senhor, pois cada dia que nasce é o anúncio que Deus continua renovando suas promessas e, consequentemente, nossa esperança.

Mesmo agradecendo por uma libertação já efetivada, o salmista clama por uma salvação mais ampla e definitiva: “Oh! Salva-nos, Senhor nós te pedimos; oh! Senhor, concede-nos prosperidade!” (v.25). Deus reserva esta salvação ainda maior.na figura de uma libertação realizada por alguém que virá da parte de Deus: “Bendito é o que vem nome do Senhor!” (v.26a). Parece que tanto o salmista como os judeus em geral tinham a esperança da chegada de um rei eterno (Mq 5.2) que promoveria restauração plena para Israel (Mq 5.3,4) e para o mundo (Mq 4.1-4). Por isso, o salmista convida o povo a celebrar este momento: “O Senhor é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até às pontas do altar.” (v.27). Essa festa era um tipo de parada ou procissão festiva, quando as pessoas se reuniam e caminhavam pelas ruas dirigindo-se ao templo, onde finalmente começariam as celebrações religiosas relativas à Páscoa, momento em que afirmavam enfaticamente seu relacionamento pessoal com o Salvador: Tu és meu Deus!

Estimados irmãos! Confiemos plenamente em Deus. No Seu plano de salvação, o Messias enviando ao mundo, saudando o nosso Rei Jesus. Saudando com o mesmo entusiasmo, alegria e pensamento do povo de Jerusalém que recebeu naquele domingo de Ramos, cantando: “Hosana! Bendito é o que vem em nome do Senhor!”. Confiemos plenamente em Deus, pois Ele é bom e a Sua misericórdia dura para sempre. Ele é digno de confiança e louvor! Amém!

sexta-feira, 17 de março de 2023

           TEMA: RENASCEMOS DA MORTE PARA VIDA

           TEXTO: EZ 37.1-14

O povo de Deus se encontrava diante de uma situação deplorável. O Senhor mostra essa triste realidade ao profeta Ezequiel através de uma visão. O profeta vê as condições de seu povo. Vê um vale onde o cheiro de morte exalava por todos os lados, uma condição degradante derivado da corrupção do povo, mais especificamente da desobediência ao Senhor. Em meio a tantos sofrimentos, dores e tristezas, o Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação. O povo ouviu a Palavra de Deus e deu ao povo vida espiritual: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra” (v. 14). O Espírito Santo, Senhor e Doador da vida fez reviver aqueles ossos secos. O povo renasceu da morte para a vida

Também renascemos da morte para a vida, pois todos nós estávamos mortos em delitos e pecados, desgarrados e perdidos. O apóstolo Paulo diz em Efésios 2.1: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”. Aos romanos, o apóstolo escreveu: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 3.23).Diante dessa situação, Deus demonstrou a sua misericórdia. Ele mudou a nossa história nos libertando da escravidão do pecado e nos transformou em novas criaturas através de seu Filho que morreu na cruz para nos salvar. Portanto, renascemos da morte para a vida. 

                                                        I

Deus através duma visão mostra ao profeta a situação do povo de Israel. Leva o para um vale cheio de ossos: “Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de uma vale que estava cheio de ossos.”(v.1).A expressão “a mão do Senhor” sobre o profeta aparece sete vezes em todo o livro (. Ez 1.3; 3.14, 22; 8.1; 33.22; 40.1). Esta expressão possui importância teológica, visto que na Sagrada Escritura, simboliza poder ou força. O poder do Senhor estava sobre o profeta e o tirou da esfera normal da vida quotidiana. Leva o para um vale cheio de ossos secos. É como um cemitério, porém, os ossos estavam na superfície, e não debaixo da terra. O Espírito do Senhor pôs Ezequiel “no meio de um vale”. O vale, nesta passagem, adquire um valor todo especial, ele é ambiente de morte para vida; é nele que Senhor agirá em favor do seu povo transformando aquela situação de aniquilamento em vida e esperança.

O Senhor faz o profeta andar ao redor dos ossos. O verbo no original significa “passar juntos”. Indica uma ação, ou seja, o Senhor está guiando o profeta. Ele tem o controlo da situação. Ele é que faz o profeta passar ao redor dos ossos.  Ele é o autor da transformação que acontecerá na vida do povo de Israel. Ele queria que o profeta tivesse uma ideia do número de vítimas e entendesse que ali não havia mais esperança de vida. E ao passar pelos ossos, faz duas constatações: “Eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos” (v.2). É bastante percetível a condição natural dos ossos, pois não estavam apenas secos, mas estava sequíssimo. Não havia nenhum sinal de vida. Só morte! Mortos há muito tempo. Homem algum poderia reavivá-los. Era uma cena estranha, horrível. Este fato indica que muito tempo se passou desde que a vida os deixou e que, humanamente falando, a situação era irreversível.

Muitas vezes em nossas vidas temos a sensação de que estamos em um verdadeiro vale de ossos secos. A nossa vida retrata as situações, as lutas, as dificuldades, as circunstâncias do dia a dia. Pensamos da mesma forma que povo de Deus: nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta; estamos perdidos. Mas lembre-se: Há um Deus que se preocupa conosco e quer nos consolar, animar e colocar de pé diante das situações que nos deixam entristecidos. Embora estejamos sujeitos a aborrecimentos, decepções ou desilusões, não podemos perder a esperança. Por isso é chegada a hora de reagir, recobrar os ânimos, ficar de pé e receber a força do Espírito Santo: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5.14).

O Senhor chama Ezequiel de filho do homem e lhe faz uma pergunta que originará todo o desenvolvimento do texto. É um pergunta crucial: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos secos?” (v.3a). Ao ser questionado do Senhor, o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes.” (v.3b). É admirável a sinceridade de Ezequiel. Talvez esperássemos uma resposta mais convicta, mas positiva, mas não foi o que aconteceu. Ezequiel sentia-se esmagado diante da visão, e sabia por vivência o que ela significava.Tanto a pergunta como a resposta têm o objetivo de pôr em evidência o fato de que a mudança de estado dos ossos é humanamente impossível.

Entretanto o verbo יָדַע que significa “conhecer,” nas Escrituras, muitas vezes, tem um significado que vai além do sentido básico de simplesmente ter conhecimento intelectual. Este verbo designa o conhecimento que Senhor tem do homem (Gn 18,19) e de seus caminhos (Is 48,8), conhecimento este que é anterior ao nascimento do homem (Jr 1,5). É nesse sentido que o profeta declara que só Senhor sabe. Dizer que somente o Senhor sabe, equivale a afirmar que tudo depende do poder e da vontade do Senhor, e não da vontade do homem. O profeta entendeu que somente o Senhor pode restituir a vida aos mortos outra vez.  Ele é o autor e conservador de toda vida. A resposta do profeta à pergunta feita por Deus demonstrou que havia confiança em Deus, e era isso que precisava para que o povo de Deus,que voltasse a se relacionar com Deus.

Deus ordena que o profeta profetizasse aqueles ossos secos. Deveria proclamar a palavra do Senhor: “Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dizes-lhes: ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”. (v.4).  “Disse-me ele”.  O Senhor revela, fala e responde o que haveria de acontecer com os ossos secos: O Senhor fala ao profeta. Este falar torna-se para ele uma ordem de profetizar: Profetiza. Ezequiel é convocado a proclamar sobre os ossos secos.  O verbo נָבָא, cujo significado é basicamente anunciar, declarar. Daí, profetizar é “anunciar a mensagem de Deus”. Serve para descrever a função do verdadeiro profeta quando ele fala a mensagem de Deus para o povo sob a influência do Espírito Santo. Deus disse a Ezequiel para profetizar sobre aqueles ossos e dizer-lhes: “Ossos secos,ouçam a palavra do Senhor”! Diante dos ossos secos, da fragilidade da vida do homem que se assemelha a uma erva que seca (Is 40.7). A palavra do Senhor tem força própria, pois para Ele, pronunciar uma palavra é produzir uma realidade ou transformá-la, não podendo a sua palavra ser vã ou ineficiente (Is 9.7; 45.23).  Diante desta palavra criadora do Senhor, não se deve ter outra atitude, senão, escutá-la com o firme propósito obedecer ao Senhor. O verbo, aqui, empregado é שׁמע que aparece como princípio de sabedoria, pois a primeira exigência para que certos ensinamentos sejam frutíferos é o escutar que se converte em obediência.

                                                          II

Quem são os ossos secos? O vale cheio de ossos secos são todos da casa de Israel. Eram vistos secos porque neles não havia vida espiritual. Faltava comunhão com Deus. Faltava fé e confiança. Era a situação desalentadora do povo de Israel no exílio babilônico. Era um povo sem esperança, sem a possibilidade de restauração. Tão amarga foi esta experiência na vida do povo de Israel que chegaram à conclusão: “Estamos de todo exterminados” (v.11). Como povo de Deus também chegamos à conclusão de não há mais esperança. Não há esperança no lar, no trabalho, na congregação e na Igreja. Em alguns momentos, as dificuldades, os problemas e as crises são tão grandes que até a nossa esperança morre. Quando isto acontece, parece que morremos junto com ela. Temos a impressão de que a nossa vida terminou. Não temos futuro. Estamos de todo exterminados.

Deus, no entanto, não os considera mortos. Diante deste povo espiritualmente morto, Deus mostra a possibilidade de restauração. A vida ainda é possível. Deus não abandonou seu povo. Ele vem ao encontro, anunciando por intermédio do profeta, sua vontade, seu amor e misericórdia. Este anúncio tem um tom solene. Não será uma conversa ou um comunicado qualquer, mas um anúncio de mudança, de transformação, de uma nova criação. A eficácia desta palavra vem caracterizada pela presença da fórmula: “Assim diz o Senhor”, e estabelece a meta da ação divina. Apresenta, especificamente, a promessa da reconstituição dos corpos. Esta reconstituição, por sua vez, envolve um processo que se desdobra em quatro estágios: “Eis que farei entrar o fôlego de vida nesses ossos, e eles viverão. Porei tendões (nervos) sobre eles e farei aparecer carne sobre eles e os cobrirei com pele; porei um espírito de vida neles e eles terão vida. E todos saberão que eu sou o Senhor”. (vv. 5 e 6).

Ezequiel prega, fala e transmite a estes ossos secos: “Então profetizei segundo me fora ordenado” (v.7a). O povo de Israel teria que ouvir a Palavra de Deus por intermédio do profeta Ezequiel, quisesse ou não. Afinal, ele foi chamado por Deus para ser o atalaia de Israel, alguém que deveria falar em nome do Senhor, conclamando o povo ao arrependimento e exortando para não se desviar dos caminhos de Deus. Enquanto estava falando, Deus começou sua surpreendente obra. Houve reação! Houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam cada osso ao seu osso! Havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes e se estendeu a pele sobre eles! Era um momento dramático, o milagre de Deus se concretizando! A frase “cada osso ao seu osso” representa uma completa restauração da nação israelita. Tudo acontece porque a palavra é do Senhor.

 Mas ainda faltava algo. A promessa do Senhor ainda não tinha atingido o seu ápice, conforme o versículo 6. Ao final, o profeta fez uma constatação significativa: “mas não  havia neles o espírito” (v. 8). O que havia acontecido era algo extraordinário, mas ainda consistiam em homens mortos. Eram como bonecos. Deus, então, restitui-lhes a vida do corpo. Mandou que Ezequiel profetizasse novamente: “Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem...” (v.9a). Diz o texto que o espírito virá dos “quatro ventos”, de todo lugar, dos quatro pontos cardeais para focar a sua atenção nos corpos. O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra. Ele deve vir sem demora, para transformar esta situação. A sua ação será plena, total e trará vida e esta cobrirá toda terra; ele soprará sobre os corpos como um vento ordenado para transformá-los em criaturas viventes: “ó espírito e assopra sobre estes mortos, para que vivam.” (v.9b). O verbo נָפַח cujo sentido principal é “assoprar”, torna-se significativo neste momento. Deus é o sujeito na criação do homem e nos concede a dádiva da vida.

Esta é a ordem do Senhor e o profeta obedece: “Então profetizei como ele me ordenara e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exercício sobremodo numeroso”. (v.10). Só aconteceu devido a uma específica ação de Deus; e quando רוּחַ(ruach-espírito)veio todos eles reviveram. O que aconteceu com eles não foi uma simples transformação biológica e, muito menos, o fruto de uma simples força interna, mas eles só reviveram porque o Senhor infundiu neles רוּחַ (ruach) e fez com que os ossos ficassem em pé. Esta atitude de estar de pé diante de Deus, agora é possível porque os ossos se transformaram: “um exército muito numeroso”. A expressão pode ser atribuída também no sentido de força, poder. Desta forma permite-nos compreender o significado do renascimento da morte para à vida. Eles viveram, ficaram em pé, uma vez renascidos, os israelitas podem retornar à pátria.

                                                       III

Não resta dúvida que os ossos secos retratavam a situação de Israel. versículo 11 fornece a explicação da visão: “Filho do homem, estes ossos são toda casa de Israel”. A visão foi dirigida aos israelitas daquele tempo. Todas as doze tribos estavam incluídas na visão; muitos hebreus já viviam em Jerusalém, outros haviam fugido para o Egito durante os ataques de Nabucodonosor a Jerusalém, outros já viviam na Babilônia nos anos do exílio. Esta constatação encontra-se na expressão “casa de Israel” que inclui todo povo de Deus sem se importar se estavam em sua terra ou em outro lugar. Nos lugares distantes, povo olhava para sua história e se via separado de Deus e disperso por várias nações. Não via como voltar a ser o povo querido de Deus. A nação estava arruinada, fora da terra prometida. O povo era como um monte de ossos.

Eles haviam chegado ao fim do caminho, por isso, fizeram uma dupla confissão: “nossos ossos se secaram...” (v.11a). Os israelitas reconheciam a situação. Não só reconheciam que seus ossos estavam secos, como também, declaravam que haviam perdido a esperança. “pereceu a nossa esperança” (v.11b).  O povo exilado reconhecia que não tinham esperança, pois tudo dava sinais de estarem perdidos. Já não podiam esperar que acontecesse algo bom. Aos israelitas não restava outra coisa, a não ser, reconhecer a sua triste situação e expressar o seu lamento: “estamos de todo exterminados” (v.11c). A expressão sugere que o povo de Israel fora condenado à morte. Ela pode indicar também separação do culto e da sociedade. A sensação era de destruição total, de caos. Haviam sido separados de suas raízes; sua capital estava em ruínas e suas casas destruídas. O templo havia sido queimado e os seus tesouros saqueados. As cidades e as aldeias não tinham muralhas e os seus líderes haviam sido assassinados ou levados ao cativeiro.

Mas o Senhor procurou aquietar o lamento e o pranto de Seu povo com a gloriosa promessa de que “ressuscitaria” a nação, e tornaria a estabelecê-la na terra que lhe havia dado. O poder humano jamais poderia dar vida àquela nação morta. Mas o Senhor poderia trazer o renascimento da morte para a vida. Por isso ,convida Ezequiel para profetizar novamente: “Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei a terra de Israel.” (v.12). Afinal, o que representa uma sepultura? É o lugar ou cova onde se sepultam os cadáveres. Onde não há vida. Lugar onde exala mau cheiro e transmite a tristeza da ausência da vida. Desta forma vivia o povo de Israel. Pelo poder do Espírito, o povo seria libertado da sepultura do cativeiro. Eis o grande consolo: “vos farei sair dela, ó povo meu”. Sair de nossas sepultaras jamais poderia ser iniciativa nossa. Mas somente Aquele que venceu a morte e ressuscitou e nos deu vida. Somente o Senhor poderia realizar este milagre.

Mas além de abrir a sepultura, restituir a vida, fará que com que o povo reconhecesse o Deus da vida que vence a morte e conduz seu povo de volta à terra. O Senhor ensinaria a Israel que Ele é o Senhor: “sabereis que eu sou o Senhor”. Esta expressão parece várias vezes na Bíblia. Deus falou esta frase quando Ele tirou o seu povo do Egito. Também foi dita quando o povo de Israel estava no deserto e murmuravam contra Deus. Em nosso texto, o Senhor mostra ao povo que seu plano estava completo, e que o povo, agora, deveria reconhecer sua soberania.

Estimados irmãos! Quem sabe, você não está vivendo esse momento, andando sem rumo, achando que o seu problema não tem mais jeito, que está jogado no vale do esquecimento, sentindo-se impotente, pequeno, sem saber como dessa situação.  O Senhor Jesus é a nossa esperança, para todo aquele que Nele crer. Ele é uma fonte da vida abundante, Ele é a resposta para todo o tipo de dificuldade. Ele está sempre pronto para estender sua mão e nos levantar quando estamos caídos. Sem Cristo, somos cadáveres, corpos sem vida, um monte de ossos secos sem valor algum. Com Cristo: renascemos da morte para a vida. Amém

 

                                            ANOTAÇÕES

 O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra

A palavra “espírito” é a tradução do hebraico ruach. É traduzida pela NVI, neste capítulo, como “respiração” (vs. 5, 6, 8, 9, 10), duas vezes por “Espírito” (vs. 1 e 14) e uma vez como “vento” (v. 9). A palavra, em hebraico, aparece 378 vezes no Antigo Testamento e 52 vezes em Ezequiel. Neste estudo, ao invés de respiração ou espírito, empregarei a expressão “fôlego de vida”.

Em hebraico e grego "espírito” significa ar em movimento, hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio de vida (Gn 6,17; 7,15; Ez 37,10-14), a força vital (Jr 10,14), a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Ex 35,21; Is 19,3; Jr 51,11; Ez 11,19). Deus é que dá o espírito e age no homem pelo seu espírito (Gn 6,3; Ez 2,2 )

Nabucodonosor levou cativos os judeus de Jerusalém para a Babilônia em três etapas: A primeira etapa ocorreu em 605 a.C., sob o reinado de Joaquim, rei de Judá, Nabucodonosor sitiou e tomou Jerusalém. Levou as pessoas proeminentes do país, além dos tesouros da casa de Deus e da casa do rei. Essas pessoas foram deportadas para Babilônia, entre elas Daniel e seus três amigos. A segunda em 597 a.C., 10.000 cativos foram levados à Babilônia, estando Ezequiel entre eles. E a terceira em 586 a.C. as forças de Nabucodonosor destruíram totalmente a cidade e o templo, e a maioria dos sobreviventes foi transportada à Babilônia.

Ezequiel foi chamado e comissionado por Deus para o exercício do ministério de profeta e sacerdote, cujo nome significa “Deus fortalece”. Era de família sacerdotal (1.3) e passou os vinte e cinco primeiros anos da sua vida em Jerusalém. Seu ministério ocorreu durante a hora mais tenebrosa da história do AT: os sete anos que precederam a destruição, em 586 a.C. (593-586 a.C.), e os quinze anos seguintes (586-571 a.C.). Estava se preparando para o trabalho sacerdotal do templo quando foi levado prisioneiro à Babilônia em 597 a.C.

Uma vez no exílio, os israelitas vivem uma situação de desolação. Sentiram-se abandonados e distantes do Deus Todo Poderoso. Sentiam-se como que rejeitados por Deus. Estavam totalmente sem esperança de mudança, e chegaram a seguinte conclusão: Estamos de todo exterminados. Em meio a situação de desalento, Deus chamou e enviou Ezequiel para ser profeta ,mestre ,arauto. Foi necessária a ajuda de Deus para que Ezequiel pudesse contemplar a realidade tal qual se apresentava. O Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação.