TEXTO: SL22
TEMA: POR QUE ME DESAMPARASTE?
Esse Salmo é uma profecia messiânica, conhecida como o "Salmo da Cruz", que descreve a agonia, o sentimento de abandono por Deus e o sofrimento de Jesus, culminando em vitória e louvor universal. Começa com o lamento de desamparo ("Deus meu, por que me desamparaste?") e termina com a promessa de que todas as gerações louvarão ao SENHOR.
Estimados irmãos! Hoje lembramos a morte de Jesus. Ele morreu para que fôssemos libertos do pecado, da morte e do inferno. Foi na cruz que Deus sacrificou o seu único Filho por amor à humanidade. Na cruz, Deus realizou o seu plano de salvação, que se concretizou quando Seu Filho disse: "Está consumado!". Mas, antes do "consumado", Jesus viveu momentos de desamparo, solidão, angústia e abandono por parte dos seus discípulos — e até o aparente abandono do Pai, quando clamou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus 27.46).
A expressão “Por que me desamparaste?” ecoa como um dos clamores mais profundos e dolorosos da experiência humana. Ela revela o momento em que a alma, esmagada pelo sofrimento, não consegue perceber a presença de Deus, mesmo sabendo que Ele existe. Não se trata necessariamente de falta de fé, mas de uma fé ferida, que ainda crê, porém não entende. É o grito de quem ora, mas sente o céu em silêncio; de quem confia, mas experimenta a solidão.
A pergunta “Por que me desamparaste?” ganha um significado ainda mais profundo quando a relacionamos com Davi e Jesus Cristo, pois ambos expressaram esse clamor em momentos de intensa dor. No caso de Davi, essa expressão nasce de uma experiência real de sofrimento, perseguição e angústia. Ao escrever o Salmo 22, ele se encontra cercado por adversidades, sentindo-se abandonado, desprezado e aflito. Seu clamor não é teórico, mas profundamente existencial. Ele conhece a Deus, confia n’Ele, mas naquele momento não consegue perceber Sua ação. Ainda assim, Davi não se afasta — ele transforma sua dor em oração. Sua pergunta “por quê?” revela um coração que, mesmo ferido, continua voltado para Deus, esperando por resposta e livramento.
Já em Jesus, essa mesma pergunta aparece de forma ainda mais intensa e decisiva. Na cruz, ao citar o Salmo 22, Ele assume sobre si não apenas a dor física, mas também o peso espiritual da separação causada pelo pecado. Diferente de Davi, cujo sofrimento era pessoal e circunstancial, o sofrimento de Jesus tem um caráter redentor. Ao clamar “Por que me desamparaste?”, Ele submete-se à experiência mais profunda da condição humana — a sensação de abandono —, mas o faz como parte do cumprimento de um propósito maior: a salvação.
Assim, Davi expressa o clamor do homem que sofre e busca a Deus, enquanto Jesus encarna esse clamor em sua forma mais extrema, levando sobre si a dor da humanidade. Em Davi, vemos a pergunta; em Jesus, vemos a resposta sendo construída. O que em Davi é angústia e súplica, em Jesus se torna entrega e redenção.Dessa forma, essa pergunta não é apenas um grito de dor, mas também uma ponte entre o sofrimento humano e o plano divino. Ela nos mostra que tanto Davi quanto Jesus enfrentaram momentos em que o silêncio de Deus parecia real, mas também revela que esse silêncio nunca foi o fim da história. Em ambos os casos, o abandono sentido não anulou a presença de Deus, e o sofrimento não teve a palavra final, pois foi seguido pela manifestação da fidelidade e da vitória divina.
Como podemos entender essa pergunta no contexto do Salmo 22 e o sofrimento de Jesus na cruz? Vamos refletir!
I
Davi inicia o salmo proferindo muitos questionamentos:"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?” . Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.” ( vv.1 e 2).Os termos usados neste dois versículos retratam o quando o salmista estava sofrendo. Estava desamparado,sem esperança,triste por que Deus o deixou sofrer. Podemos ver a dimensão de seu lamento através da expressão שְׁאָגָה ( “meu bramido”),que significa gemidos e lamentos, como o rugir de um leão.E ainda no no versículo 6: “Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo”. Era, exatamente assim que Davi se sentia. Se considerava humilhado e impotente. Como se ele tivesse dito ao SENHOR: “Você ouve outros; mas, quanto a mim, você me faz orar, gemer e chorar, mas parece que não me ouve”.No entender de Davi, era tratado como se fosse o mais insignificante, o mais desprezível e humilhado entre as pessoas,principalmente os membros da própria família que o desprezavam.(v.7).
Para Davi era uma mistério estas questões.Segundo ele, Deus estava tão distante.Havia esquecido do seu servo,pois não havia uma resposta.Na verdade, Deus não estava distante. Ao contrario, Ele estava acompanhando cada momento à sua situação. Ocorre que Davi estava passando por uma grande prova, mas em meio de seu sofrimento, ele obteve a vitória, porque o SENHOR é amoroso,misericordioso e benigno.O próprio salmista declara esta verdade no versículo 3: “Deus é santo, e está entronizado nos louvores de Israel, e que jamais deixou desamparado o seu povo.” Ele entende que o SENHOR é confiável: “Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e os livraste. A ti clamaram e se livraram; confiaram em ti e não foram confundidos.” ( vv.4,5). E ainda descobre Sua força: “Tu, porém, Senhor , não te afastes de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me,” (v.19).
Davi reconhecia que sua vida estava nas mãos de Deus.( v.9).Ele relembra o passado e reconhece o quanto o SENHOR esteve ao seu lado, desde seu nascimento.Ele encontra apoio em sua história de vida pessoal no seu relacionamento com Deus.Sendo assim,demonstra toda a sua confiança no SENHOR ao descrever metaforicamente os poderes que o cercam e os efeitos de seu sofrimento: “Não fiques longe de mim!” (v.11). Seus algozes são como “touros” (v.12), “como o leão que despedaça e ruge” (v.13). Após o efeitos“Todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim.” ( v.14). “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro.” ( v.15).São como “cães” que avançam contra mim. (v.16).“Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim.” ( v.17).As diversas metáforas usadas pelo salmista demonstram que ele estava totalmente impotente, à beira da morte.
O texto dá a entender que o salmista estava sofrendo horrivelmente, a ponto de ser considerado morto. Isso fica mais claro no versículo 18: “Repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica deitam sortes”. Provavelmente, não se trata de credores inimigos cobrando uma dívida do enfermo, mas de membros da própria família, que já iniciam a partilha da herança. A túnica, sendo a peça de roupa mais valiosa, não pode ser rasgada; deve, portanto, ser sorteada. A própria família já considera o salmista um 'homem morto' e passa a seguir a vida sem ele. Pode haver sentimento de abandono maior do que esse?
No entanto, no último momento, quando aparentemente não havia mais solução e o salmista seria contado entre os mortos, ele introduz uma conjunção adversativa que faz oposição ao que foi dito anteriormente: 'Tu, porém, SENHOR' (v. 19a). Esse 'porém' muda tudo! O salmista enfrentou sofrimentos terríveis, mas há esperança em Deus. Ele reconhece que o SENHOR é a sua fortaleza: 'força minha, apressa-te em socorrer-me' (v. 19b). Ele afirma ainda: 'Tu, porém, SENHOR' me livra das 'presas do cão' (v. 20), das 'fauces do leão' (v. 21a) e dos 'chifres dos búfalos' (v. 21b), que furiosamente se levantavam contra ele (vv. 13, 16). Diante dos inimigos e de todo o martírio, ele estava certo de que receberia o auxílio divino: 'Sim, Tu me respondes' (v. 21). É um clamor que expressa a certeza da resposta; é o poder vindo do próprio Deus. Sim, Deus respondeu ao seu clamor! Há um nítido contraste entre essa afirmação e o lamento do versículo 2 ('Deus meu, clamo de dia, e não me respondes'). No início, a oração parecia não ter resposta; agora, ela é finalmente atendida.
Também somos confrontados, diariamente, com questões que nos atingem em todas as dimensões da existência, e o sofrimento é uma delas. O sofrimento tornou-se uma realidade inevitável: em qualquer lugar do universo onde existe vida, ele está presente e tem perturbado a nossa caminhada. São doenças, fome, velhice, morte, separação de entes queridos, relações interpessoais difíceis, privação do que necessitamos e o confronto com aquilo que tememos. Na verdade, estamos sujeitos ao sofrimento espiritual (o sentimento de abandono por Deus, embora, na verdade, o SENHOR jamais nos abandone!), ao sofrimento emocional (solidão, medo, angústia) e ao físico (decorrente de enfermidades e acidentes). Em meio a essas dores, precisamos nos lembrar Daquele que morreu na cruz. O fato é que podemos lançar as nossas angústias, os nossos gritos e as nossas dores ao nosso Deus. Sabemos que Ele não age por 'passes de mágica'; Seus caminhos não são os nossos, e Ele age no tempo determinado.
II
Apesar de toda a dor de Davi, ela não se equipara aos sofrimentos que Jesus enfrentou em Sua caminhada ao Calvário. Foram momentos horríveis os que Jesus vivenciou durante as horas em que esteve pendurado na cruz. É impossível esquecer o que disse Isaías: 'Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades' (Is 53.5). Suas vestes foram divididas entre Seus inimigos; Ele foi blasfemado, insultado e ridicularizado. Na cruz, o Senhor Jesus carregou sobre Si a nossa culpa e experimentou, na própria carne, a crueldade do pecado. Somado a isso, o cansaço extremo, a solidão, a tristeza profunda, o calor do dia e a perda de sangue foram as causas de Seu martírio físico e emocional. Tudo o que se presenciou naquele momento era o cumprimento das Escrituras: Jesus seria zombado (vv. 7-8; Mt 27.41-43); Suas mãos e pés seriam traspassados (v. 16; Jo 20.25-27); e lançariam sortes sobre Suas vestes (v. 18; Jo 19.23-24). Ao fim, esse sacrifício levaria muitos a louvarem a Deus (vv. 26-28), pois, como diz a Palavra, diante d’Ele todo joelho se dobrará (Fp 2.9-11)."
Diante de todo o sofrimento que Jesus estava sentindo na cruz, Ele experimenta, então, uma dor que ainda não havia provado: a dor do desamparo divino. Isso significa que Jesus conheceu a solidão profunda, o abandono dos Seus discípulos e até o aparente abandono do Pai. Naquele instante, sentindo-se sozinho, Ele solta um brado ao Pai: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46). Mas teria Deus abandonado Seu Filho naquela cruz? A verdade é que era necessário que Cristo tomasse o nosso lugar de pecadores, para que toda a nossa culpa fosse derramada sobre Ele e a paz fosse restabelecida entre Deus e a humanidade.
Não resta dúvida de que Deus ouviu as palavras de Jesus. Conclui-se que, de maneira alguma, Cristo foi abandonado pelo Pai! Deus jamais abandona os Seus filhos, quanto mais o Seu Filho amado. Sua invocação não deixa de ser uma expressão de confiança: 'Meu Deus!'. Isso demonstra que o Pai continua sendo um Deus amoroso, apesar de manter silêncio.Basta ler o versículo 24, que é enfático: “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu”. Essas palavras desconstroem toda a ideia de que Jesus foi deixado abandonado no madeiro. Ele confiou que o Pai tinha um plano maior e, assim, pôde também clamar: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.
Quantas vezes nós também gritamos, vivenciamos de diversas maneiras o sofrimento e pensamos que fomos abandonados por Deus? Então, questionamos: 'Onde está Deus? Por que nos abandonou?'. Os homens podem cometer injustiças e atrocidades conosco, assim como fizeram com o próprio Cristo, mas Deus jamais se esquecerá da nossa dor. Ele nos mostra que é um Deus de perto, e não de longe. Em Isaías 49.15, podemos ver a resposta de Deus para nós: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti”. Aqui está a prova de que Deus nunca nos abandonará. Ele tem as nossas vidas diante dos Seus olhos e, como diz o profeta mais adiante: “Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei” (Is 49.16). Por isso, aquele que confia em Deus não se deixa abater pelos sofrimentos, nem pelas angústias, nem mesmo pela morte.
III
A situação do salmista mudou completamente. O que era tristeza, desespero e abandono, se transformou no mais expressivo louvor.Agora, o salmista evoca palavras de gratidão e devoção,e promete louvar ao SENHOR,“no meio da congregação” ao apresentar um duplo voto pessoal de louvor: “A meus irmãos declararei o teu nome; cantar-te-ei louvores no meio da congregação.”(v.22). Na sequencia ele convida aqueles que temem a Deus, bem como a descendência de Jacó e a posteridade de Israel a que se juntem a ele em seu louvor: “vós que temeis o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, vós todos, descendência de Jacó; reverenciai-o, vós todos, posteridade de Israel.”(v.23).
Era fundamental que a família da fé se alegrasse com ele e aprendesse com o seu testemunho público.Mas quais eram os motivos para tamanho compromisso de louvor, adoração e gratidão junto à família da fé? O versículo 24, responde: “Pois não desprezou, nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouviu, quando lhe gritou por socorro.” Deus não desprezou, não abominou, não ocultou, mas ouviu o seu servo! Estas palavras contrastam com as palavras do salmista,que havia dito no inicio do Salmo: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.”
Ao oferecer a sua explicação, o salmista conclui que a origem do seu louvor é o próprio Deus: “De ti vem o meu louvor na grande congregação; cumprirei os meus votos na presença dos que o temem” (v. 25). No versículo 26, encontramos parte do cumprimento desse voto: “Os sofredores hão de comer e fartar-se; louvarão o Senhor os que o buscam. Viva para sempre o vosso coração”. Ele ofereceria uma oferta de gratidão ao SENHOR, conhecida em Levítico 3 como sacrifício pacífico (ou 'oferta de comunhão' na NVI). Trata-se de um voto no qual o ofertante apresenta uma refeição diante de Deus, da qual todas as pessoas da comunidade podem participar. Assim, a humanidade se voltará para Deus em adoração, fundamentada no que o SENHOR tem feito: “Lembrar-se-ão do SENHOR e a ele se converterão os confins da terra; perante ele se prostrarão todas as famílias das nações”(v. 27).
Enfim,todos se prostrarão perante o SENHOR. E por quê? “Pois do SENHOR é o reino, é ele quem governa as nações” (v. 28). Mas quem são aqueles que se prostrarão? O versículo 29 nos aponta: todos os prósperos da terra' , 'todos os que descem ao pó' e até aquele que não pode preservar a própria vida’. Estes últimos são os oprimidos, os que enfrentaram angústias e tristezas. São os que se desesperaram da vida — o que o texto chama de 'descer ao pó'. Eles sentiram o pó da morte muito próximo e reconheceram que não podem preservar a própria vida. São os pobres, os fracos, os enfermos e os desamparados que careciam do essencial para sobreviver e não tinham recursos para se manter vivos.
A bênção do Reino da Paz, da qual participam todas as gerações descritas, será transmitida à posteridade: “A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor à geração vindoura” (v. 30). Após o cenário de sofrimento descrito no salmo — que, à luz do Novo Testamento, aponta profeticamente para Jesus Cristo — o salmista revela uma verdade profunda sobre a continuidade da obra de Deus na história ao afirmar que “a posteridade o servirá”. A palavra “posteridade”, no hebraico זֶרַע, significa semente, descendência ou linhagem. No contexto do Antigo Testamento, a “posteridade” era considerada a maior bênção na vida de um homem. Mas, aqui o salmista nos ensina que esta posteridade não é definida por sangue ou raça. Não se limita a descendentes biológicos, mas refere-se a um povo espiritual que surge como fruto da ação redentora de Deus.Trata-se de uma geração que não apenas conhece o SENHOR, mas se compromete a servi-lo. Servir como um servo ou escravo por amor, ou prestar culto.
Além disso, o salmista também enfatiza que "isso será contado sobre o Senhor (Adonai) à geração vindoura". Demonstra que a fé verdadeira não permanece silenciosa, mas se expressa em testemunho e proclamação. Há aqui uma dimensão missionária e pedagógica: o conhecimento de Deus deve ser transmitido, ensinado e anunciado. A fé, portanto, não é apenas uma experiência individual, mas um legado que atravessa o tempo. Ao mencionar “a geração vindoura”, o salmista amplia ainda mais essa perspectiva, mostrando que a obra de Deus não está restrita a um momento específico, mas alcança aqueles que ainda virão. Assim, o salmista aponta para a fidelidade de Deus em preservar um povo que o serve e para a responsabilidade humana de transmitir essa fé às próximas gerações. Ele nos lembra que a história da redenção não termina em nós, mas continua por meio de vidas que anunciam, ensinam e vivem a verdade do Senhor.
O desfecho desta profecia atinge seu ápice no versículo 31: “Hão de vir e anunciar a justiça dele ao povo que há de nascer, contando que ele o fez.” Este encerramento revela-se , primeiramente, porque estabelece que o conteúdo central da pregação das futuras gerações não repousa no esforço ou no mérito humano, mas sim na Justiça Divina, plenamente manifesta na libertação e na exaltação de Seu Servo.Além disso, a passagem destaca a atemporalidade dessa mensagem, que rompe as barreiras do presente para alcançar o “povo que há de nascer”, garantindo que o sacrifício de Cristo jamais se apague da memória da humanidade. Por fim, o salmo culmina na celebração da Obra Consumada, selada pela expressão hebraica עָשָׂה כִּי , que significa “Pois Ele o realizou” ou “Ele o fez”. O verbo no hebraico está no perfeito, indicando uma ação que foi completada. O salmista sai do "por que me desamparaste?" (v. 1) para o "Ele o realizou" (v. 31). Este encerramento é, em essência, o eco antecipado do grito de vitória de Jesus no Calvário: “Está consumado!” (João 19.30), confirmando que a redenção não é um projeto em aberto, mas uma realidade histórica e espiritual definitivamente concluída por Deus.
Há uma conexão direta entre o Antigo e o Novo Testamento aqui. Muitos estudiosos bíblicos apontam que, ao dizer "Está consumado" na cruz, Jesus estava fazendo referência não apenas ao fim do Seu sofrimento, mas à conclusão deste salmo específico: "Ele o fez".Em João 19.30: "Está consumado". Ambas as expressões declaram que a obra de salvação e justiça foi totalmente executada por Deus, sem que o homem precise acrescentar nada a ela. Essa afirmação carrega a ideia de algo completo, consumado, plenamente realizado. Assim, a conclusão desse Salmo nos conduz à compreensão de que o sofrimento não tem a palavra final. Deus transforma a dor em louvor, o desespero em esperança e o clamor em testemunho. O que parecia abandono se revela, ao fim, como parte de um plano maior, no qual a fidelidade de Deus se manifesta de forma poderosa e alcança não apenas um indivíduo, mas todas as nações e gerações..Agora, as gerações vindouras anunciarão a justiça de Deus, "contando que Ele o fez".
Estimados irmãos! Ao encerrar a reflexão sobre este Salmo, não saímos com uma dúvida, mas com uma certeza absoluta que a jornada que começou com sofrimento intenso,um abismo do abandono ("Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?") e termina em um hino de triunfo e esperança universal, seja uma expressão de esperança, vitória e louvor. Por isso, pergunto a você: A sua vida hoje reflete a agonia do verso primeiro,"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?, ou a vitória do verso finaL, Ele o fez? Você ainda caminha como quem está preso ao 'pó da morte' ou já se apropriou da promessa de que 'Ele o fez'?
Portanto, que o nosso testemunho não morra em nós, mas seja a semente que servirá às próximas gerações. Que, ao sairmos daqui, a nossa resposta ao mundo não seja um “por quê?”, mas um anúncio poderoso da justiça de Deus. Que possamos viver com a paz de quem sabe que, não importa quão escura seja a noite, a última palavra da história já foi escrita pelo nosso Redentor: “Está consumado!”. Ele agiu! Amém!
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