TEXTO:
SL 25
TEMA:
COLOQUEMOS A NOSSA CONFIANÇA NO SENHOR!
O Salmo 25 é atribuído a Davi. É
um dos nove Salmos acrósticos, hinos que utilizam as letras do alfabeto (22 na
língua hebraica) na sequência para iniciar cada verso, linha ou estrofe. O
contexto deste salmo nos mostra que Davi vivia momentos de tristezas, preocupações,
angústias, aflições, bem como se sentia cercado de perigos e ameaça.
Sendo assim, ele precisa encontrar o caminho certo que o leve com segurança ao
seu destino. A quem ele pode pedir ajuda? Em quem ele pode confiar? Consciente
da própria fragilidade, ele clama ao Senhor, ao Deus de Israel, que nunca
abandonou seu povo, pelo contrário, o guiou na longa jornada através do deserto
até a terra prometida. Esta lembrança renasce no salmista a esperança do
socorro. Confia plenamente nas suas promessas e no seu grande amor.
Quando falamos de confiança,
precisamos nos questionar: Onde estamos colocando nossa confiança? Nas
ideologias? Nas riquezas? Nas nossas forças? Na verdade, o que se observa neste
mundo moderno é que a maioria das pessoas tem depositado a sua confiança em
qualquer outra coisa, menos em Deus. Davi poderia ter depositado toda a
sua confiança nestas coisas, mas, escolheu confiar somente no Senhor. E você,
tem confiado somente em Deus? Tem dado exemplo de fé e confiança em Deus?
Lembrando que a nossa confiança não está em qualquer coisa ou em qualquer
pessoa, mas sim em Deus. Deus é a nossa fortaleza. Somente Ele, com sua
infinita sabedoria e misericórdia, poderá nos garantir a paz, mesmo em meio às
provações e correria da vida moderna. Somente Ele poderá iluminar as trevas de
nossos pecados e apontar saídas para todos os desafios. Quando tivermos
aprendido a confiar em Deus, não mais teremos medo das coisas que enfrentamos
neste mundo.
Davi inicia a sua oração
invocando a presença do Senhor. Durante toda a sua vida, quando se via em meio
às dificuldades, adversidades e desafios, ele orava a Deus. Em sua oração, pede
ao Senhor que elevasse a sua alma à sua presença, porque o seu coração estava
abatido: “A ti, Senhor, elevo a minha alma.” (v.1). A expressão “elevo”
significa levantar-se, aceitar, exultar. Elevar a alma ao Senhor é a maneira de
andarmos ao seu lado, procurando descobrir e fazer a sua vontade em nossas
vidas. Elevar a alma é agir corretamente, caminhando com segurança por estarmos
na presença de Deus. E aquele que eleva a sua alma ao Senhor jamais ficará
decepcionado, nunca será envergonhado.
Davi, diante da situação que
estava vivendo, resolve colocar sua esperança em algo bem maior do que ajuda
dos homens. Ele colocou sua confiança em Deus: “Deus meu, em ti confio.” (v.2a).
Quantas vezes deixamos de confiar em Deus, pois tentamos resolver os nossos
problemas baseados nas nossas forças. Quantos vezes desejamos viver a vida, ao
enfrentar situações, caminhar pela estrada da nossa existência, como se
pudéssemos dar conta, por nós mesmos, dos nossos problemas. Então, descobrimos
que este não é o melhor caminho que conduz à presença de Deus. O melhor é
confiar em Deus, como fez Davi. Uma das necessidades de Davi era de não ser
envergonhado diante de seus inimigos: “não seja eu envergonhado, nem exultem
sobre mim os meus inimigos.” (v.2b). Essa deve ser uma experiência terrível,
ser apanhado em um ato errado, pecaminoso e ser exposto publicamente entre às
pessoas.
Davi não queria passar por este
tipo de situação, de ser envergonhado. É, por isso, pode dizer no versículo 3:
“Com efeito, dos que em ti esperam, ninguém será envergonhado; envergonhados
serão os que, sem causa, procedem traiçoeiramente”. Ele afirma desta forma,
porque não confiava nas suas próprias forças, no seu poder político, nas suas
riquezas, mas depositava a sua confiança no Deus misericordioso, amoroso,
bondoso, verdadeiro, criador de todas as coisas. A confiança de Davi em Deus
era plena, pois tinha absoluta convicção, fé, de que somente o Senhor podia
livrá-lo das armadilhas, perdição, emboscadas, da morte, do pecado, das trevas.
Por isso, preferiu manter seus olhos elevados na expectativa de que receberia, ajuda
do Senhor através de sua oração.
Em meio às dificuldades,
adversidades e desafios, o salmista suplica ao Senhor: “Faze-me, Senhor,
conhecer os teus caminhos.” (v4a). Na verdade, há uma imensa vontade do
salmista de andar nos caminhos humildes de Deus, de amor e fidelidade diante
das suas aflições. Mas, afinal, que caminho Davi queria conhecer. É evidente
que os termos “caminhos” e “veredas” não se referem à questão geográfica, mas
se referem aos ensinos e orientações de Deus que Davi almejava seguir e andar
em conformidade com a verdade. Ele age desta forma, porque sabia que vivendo no
pecado, era impossível seguir este caminho.
O fato é que Davi percorrendo
uma sucessão de maus caminhos equivocados, sem rumo e sem destino, não podia
estar em comunhão com o Senhor. E por falta de vigilância, caiu em adultério e
cometeu homicídio, desagradando gravemente ao Senhor. Mas ele entendeu ainda
que era precisa encontrar o caminho certo, que o levasse com segurança ao seu
destino: a presença do Senhor. Não queria apenas conhecer os caminhos, mas
pediu ao Senhor que o “ensinasse sobre as suas veredas.” (v4b), que andasse num
caminho reto, aprumado, que não permitisse andar em caminhos que o levasse à
ruína, mas ao ensina da Lei.
Precisamos também pedir ao
Senhor que nos ensine a conhecer os seus caminhos! Os caminhos que nos conduz à
sua presença, pois vivemos num mundo emaranhado de caminhos bons e ruins. E,
muitas vezes, trilhamos caminhos equivocados, que no começo parece ser o rumo
certo, conduzindo para a vitória. No entanto, ficamos desapontados quando damos
conta de que aquele caminho, atraente e promissor, tornou-se perigoso, confuso,
prejudicial. Estes não são os caminhos que conduz à presença do Senhor. Mas
para conhecer estes caminhos é preciso mudanças na nossa vida, pois o nosso
coração precisa de limpeza. Precisa ser trocado, pois ele é egoísta, mundano,
influenciado pelo pecado, e não pode ouvir a voz de Deus, seguir suas
orientações e o caminho que Ele nos propõe a seguir. Quer andar nos caminhos do
Senhor? Quer deixar de viver uma vida injusta? Quer andar nos caminhos de
integridade, de obediência? Quer fazer a vontade de Deus? Só existe um
caminho: siga ao Senhor!
O salmista ainda esclarece que
para andar nos caminhos do Senhor, requer um espírito submisso aos seus
ensinamentos (Lei), como indicam os verbos no imperativo do versículo 5:
“Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em
quem espero todo o dia." Davi tinha a necessidade de conhecer a verdade de
Deus. Essa verdade revela o Deus que ajuda, socorre, aqueles que nele esperam
(v.3), entre os quais está o salmista. A sua esperança é persistente, constante
e incansável, durante o “dia todo”, esperando o socorro do Senhor.
A linguagem é a de um coração
profundamente impressionado com a sensação da misericórdia e da bondade de Deus.:
“Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a
eternidade.” (v.6). O verbo lembrar significa recordar, trazer a mente, fazer
um memorial. Davi lembra de dois atributos divinos que fazem parte da aliança
de Deus com o seu povo, as suas misericórdias e o seu amor verdadeiro. São
palavras que expressam a atitude de forte compaixão e do amor de Deus, é que se
concretiza no perdão e na salvação de seu povo. Davi neste momento, ao orar ao
suplicar esses atributos ao Senhor, Ele está consciente de que não pode existir
nenhum andar nos caminhos do Senhor, sem a bondosa, ajuda dele e sem sua graça
e misericórdia.
Acima de tudo, o “lembrar” do
salmista inclui o perdão dos seus pecados: “não se lembre dos meus pecados da
mocidade, nem das minhas transgressões. (v.7a). O salmista suplica ao Senhor
que não se lembre de seus pecados do passado. Não se lembre dos pecados da sua
mocidade, nem das transgressões. Sendo assim, ele ora a Deus para que todas as
ofensas desse período de sua vida, possam ser perdoadas e esquecidas. Portanto,
ao examinar sua própria vida, o autor do salmo viu que as misericórdias de Deus
eram incessantes e constantes para com ele desde os primeiros anos. Não somente
ao salmista, mas a todo o povo, proporcionado muitas dádivas. No seu entender,
esses atos de misericórdia e bondade nunca falharam. Deus é sempre bom. amoroso,
misericordioso.
Quanta vezes também suplicamos
como o salmista: “Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas
bondades...não se lembre dos meus pecados da mocidade, nem das minhas
transgressões.” Suplicando ao Senhor que vem nos socorrer quando enfrentamos a angústia
e dor, quando as tentações nos assaltam ou quando sofrimentos nos sobrevêm por
causa de enfermidades e preocupações pela subsistência da vida em tempos
difíceis e pelo perdão dos nossos pecados, pois o pecado destroe o nosso
relacionamento com Deus. Lembra-te! É uma ação que tem como pressuposto o
passado. Não há como lembrar-se sem olhar para trás e ver a ações de Deus em
nossa vida. É isso o que devemos fazer também todos os dias. Precisamos nos
achegar a Deus, nos humilharmos para alcançarmos o perdão de nossos pecados
pois, enquanto não fizermos isso, não poderemos ter nenhuma paz, nenhum alívio
para a nossa alma.
O salmista clama pelo perdão
divino e reconhece que o Senhor é um guia fiel e gracioso Ele apresenta dois
adjetivos do caráter sublime do Senhor. “Bom
e reto é o Senhor.” (v.8a). Ambos os adjetivos aparecem unidos, indicando a
bondade e retidão que Deus revela em sua Lei e espera que os homens as
pratiquem como aquilo que é “bom” e “reto” aos olhos do Senhor. É o próprio Senhor
quem estabelece do que é reto e justo para o seu povo e a humanidade. Por isso,
sempre que pecamos, devemos nos achegar a Deus com um coração contrito,
arrependido, humilhado, e desejoso do perdão. Ele nos ouve e nos perdoa, pois é
compassivo e misericordioso para conosco. Ele nunca nos esquece.
E uma das formas de Deus nos
mostrar a sua bondade é pelo fato Dele “apontar o caminho aos pecadores”
(v.8b), e nos guia na justiça neste caminho, pois o Senhor é o próprio caminho.
(v. 9). Ele também nos orienta pelas “veredas do Senhor que são misericórdia e
verdade.” (v.10a). Nessas veredas, Deus demonstra seu caráter de “misericórdia
e verdade”, dois termos que aparecerem juntos, que indicam o amor
misericordioso e compromisso fiel de Deus para com os seus, expressos em salvação
e cuidado protetor. Isto é para os que guardam a sua aliança e os seus
testemunhos.” (v.10b). De fato, quando pertencemos ao Senhor, o nosso objetivo
é guardar a sua aliança, pois as veredas do Senhor são caracterizadas por sua
aliança de amor e sua fidelidade para com aqueles que guardam. Ao fazermos
isso, o Senhor nos guia com segurança através do mundo de perigos em direção ao
seu objetivo final.
O que se observa é que o
salmista adquire uma nova confiança ao refletir sobre o nome do Senhor. Ele demonstra
uma expressão de confiança: “Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha
iniquidade, que é grande.” (v.11). Sem condições em si de alcançar o perdão
divino, o salmista clama para que o Senhor lhe conceda a graça com base em seu
próprio nome. O “nome” aponta para a existência, caráter e reputação do Senhor,
em como a revelação de sua glória na Criação e Redenção (Sl 8.1; 124.8; Êx
19.5-6). Foi com base em seu nome que o Senhor salvou e confirmou sua aliança
com Israel (Êx 3.14ss; 6.2-8). Trouxe de volta o seu povo quando se desviou da
sua verdade. É por causa da sua bondade que o salmista almeja do Senhor o
perdão de seus pecados. Por maior que seja seu pecado, o perdão de Deus, “por
causa de (seu) nome”, é maior. O nome do Senhor abrange mais do que apenas sua
bondade. Representa tudo o que Ele é. Por isso, Davi se dirige ao Senhor desta
forma, porque ele sabe que a sua iniquidade “é grande”. Isso significa que
ninguém além de Deus pode tirá-lo. E assim é, pois a iniquidade pode ser
grande, o perdão de Deus é maior (Sl 103.3; Sl 103.10-12).
Depois de entender a grandeza de
seus pecados e da necessidade de perdão, o salmista agora menciona com que tipo
de homem Deus tratará: “Ao homem que teme ao Senhor, ele o instruirá no caminho que deve escolher”
(v.12). Mas quem é o homem que teme ao Senhor? É aquele que atende
aos seus requisitos, isto é, reconhece que o Senhor é santo, todo-poderoso,
reto, puro, onisciente, sábio. Ao olhar a Deus à luz disto, vemo-nos como
somos: pecadores, débeis, frágeis e necessitados. Quando reconhecemos quem é
Deus e quem somos, caímos humilhados a seus pés. Ele ensinará, irá nos guiar e
instruir-nos no caminho que devemos seguir ou, em outras palavras, da maneira
certa. Como é maravilhoso saber que o Senhor sempre nos orienta pelo Espírito
de sabedoria a escolhermos o caminho certo. Mas esta instrução só pode ser
desfrutada pelo “homem que teme ao Senhor”.
Portanto, o salmista apresenta
quatro benefícios específicos que são prometidos ao homem que teme ao Senhor.
Primeiro, ele será ensinado no caminho que deve escolher. Será guiado pelo
Senhor em suas escolhas. Em segundo lugar, na prosperidade repousará a sua alma
(v.13a). O termo alma é usado simplesmente para designar um indivíduo, ser,
vida, pessoa. Para “homem que teme ao Senhor,” o resultado será uma vida
interior repleto de paz. Em terceiro lugar, sua descendência herdará a terra.
(v.13b). “Herdar a terra” basicamente significa receber a herança prometida por
Deus. Os filhos que seguirem seus passos “herdarão a terra”. Eles terão seu lar
na terra sob o governo do Messias.
Esse homem abençoado desfrutará
do benefício da instrução espiritual: “Intimidade do Senhor é para os que o temem,
aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (v.14). O termo hebraico סֹוד traduzido
por intimidade, significa literalmente “conselho confidencial.” Sugere uma
comunicação íntima e duradoura com o Senhor. E Ele também os fará conhecer o
real significado de “Sua aliança”. Eles saberão que em Cristo, o Senhor cumpriu
todas as condições da aliança e que, com base nisso, desfrutarão de todas as
bênçãos. (Jr 31:31-34). As bênçãos da aliança que serão sua porção, podem ser
resumidas em ter uma comunhão confidencial com o Senhor, na qual Ele revela
seus pensamentos.
Como consequência dessas
bênçãos, o salmista mantém seus olhos fixos no Senhor: “Os meus olhos se elevam
continuamente ao Senhor, pois ele me tirará os pés do laço.” (v.15). Quando o
salmista afirma que seus olhos estavam fixos em Deus, estava declarando que
apesar das aflições, dos problemas que estava vivendo; da perplexidade, dúvida,
dificuldade, perigo em vista da morte e do mundo futuro, ele olhou para Deus
como seu guia, e depositou a sua esperança em Deus. E movido pela certeza da
libertação que virá do Senhor, ele afirma: “Ele me tirará os pés do laço”. Para
onde estamos olhando? Há pessoas que olham constantemente para trás, para
justificar suas queixas, para murmurar dos tropeços, para lamentar as derrotas;
outras desistem facilmente, não lutam e nem se esforçam, não perseveram quando
sofrem o primeiro revés, esquecem de olhar para o alto e pedir
socorro ao Senhor. Deus nunca deixará aqueles que tem seus olhos voltados para
o céu sem receber socorro.
Davi encerra a série de orações
com uma súplica a Deus por livramento da sua angústia. Em várias ocasiões, Davi
se sentiu sozinho diante das suas aflições e, assim, longe de Deus. Sendo assim,
ele suplica ao Senhor. Ele apresenta suas aflições a Deus e pede que o alivie:
“Volta-te para mim e tem compaixão, porque estou sozinho e aflito.” (v.16). Dá
nos entender que a face de Deus, voltou-se para outra direção. Então, o salmista
suplica que o Senhor esteja atento a ele, que se volte e o contemple, demonstrando
a sua compaixão.
Qual era o motivo? Estava
sozinho e aflito. O termo יָחִיד significa estar sozinho, solitário. Então,
aquele está sozinho é um abandonado, miserável. Não há tristeza mais profunda
que venha à mente do que a ideia de que estamos sozinhos no mundo, e que não
temos um amigo; que ninguém se importa conosco; que ninguém está preocupado com
nada que possa nos acontecer; que ninguém se importaria se morrêssemos; que
ninguém derramaria uma lágrima por nós. E o termo עָנִי significa pobre,
aflito, humilde, miserável. Ocorre que David, vivia. muitas vezes, nesta
situação. Situação que lembra os seus pecados de sua infância, os desígnios e
propósitos de seus inimigos.
No entanto, o salmista olha para
Deus, em oração, com a esperança de não se achar desprovido de tal apoio diante
de seus sofrimentos. Ele suplica: “Alivia-me as tribulações do Coração; tira-me
das minhas angústias.” (v.17). Note como o salmista tinha consciência das
aflições que estava enfrentado. Sabendo desta situação, ele recorre a Deus. Em
outra ocasião, ele também suplicou. Ele demonstrou a sua confiança no Senhor:
“Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me ouve” (Sl 120.1). Ele confiou no
Senhor, pois já o havia restaurado antes, e, certamente, poderia fazer o mesmo
naquela situação que estava passando. Enquanto estivermos neste mundo a nossa
vida é uma eterna luta diante das tribulações e as dificuldades pelas quais
passamos. Quanto de nós não viveu aquelas horas em que olhamos ao redor e nos
sentimos tão angustiados que não conseguimos pensar em nenhuma solução para o
problema que estamos passando. Parece que a tribulação nos cerca de todos os
lados. Porém, em meio aos problemas aparentemente avassaladores, Deus
prometeu nos livrar. Ele sempre está com aquele que tem o coração atribulado.
Davi busca a presença do Senhor
e o alívio das suas tribulações, ainda admitindo que seu sofrimento estava
vinculado ao seu pecado: “Considera as minhas aflições e o meu sofrimento e
perdoa todos os meus pecados.” (v.18). O verbo רָאָה significa ver, examinar,
inspecionar, perceber, considerar. O segundo verbo נָשָׂא significa levantar-se,
erguer, carregar, tomar. Isto significa que o salmista suplica para que o
Senhor olhe com compaixão para a sua aflição e sofrimento. Mas ao dizer
“carrega meus pecados”, a ideia do salmista é ser perdoado dos seus pecados e
ser liberto de seu domínio. Seus pecados realmente o preocupavam. Davi foi
perdoado imediatamente após ter reconhecido sua culpa quando cometeu adultério:
“Então Davi disse a Natã: "Pequei contra o Senhor”! E Natã respondeu:
"O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá.” (2 Sm 12.13).
O salmista se apega à sua
íntegra retidão e confiança no Senhor, a fim de pedir a Deus que o salve de
seus inimigos, bem como resgate Israel de suas aflições. Este é o último clamor
de Davi nesse salmo. Ele pede por socorro. Entretanto, seu desejo é que
os olhos de Deus repousem, dessa vez, sobre seus inimigos e sobre o mal que lhe
têm feito. Ele afirma: “Considera os meus inimigos, pois são muitos e me
abominam com ódio cruel.” (v.19). Eis o motivo da aflição de Davi: inimigos
que, sem limites, o perseguem e querem sua destruição.
A vida de Davi foi marcada por
muitos inimigos. Saul e todos os seus homens perseguiram Davi. Golias e uma
multidão de filisteus eram seus inimigos. Os zifeus, uma tribo da mesma região
que Davi, o traíram (1 Samuel 23.19). Assim havia mais adversários do que
companheiros na vida de Davi. Até seu próprio filho querido, organizou uma
rebelião enorme contra ele. Por isso, havia motivo para dizer: Senhor,
considera os meus inimigos, pois são muitos e me abominam com ódio cruel. A
Bíblia mostra que os nossos inimigos são muitos. Eles são vigorosos e
poderosos. Eles fingem ser amigos em nossa presença, mas falam mal por trás das
nossas costas. Eles gritam e oprimem. São conspiradores e destruidores.
Assim, depois de o salmista
abrir seu coração a Deus dizendo-lhe o que o aflige, roga para que o Senhor o
guarde: “Guarda-me a alma e livra-me.” (v.20a). A expressão “alma”, nesse
texto, tem a intenção de apontar para o salmista. Ele não quer apenas proteção
espiritual, mas livramento das mãos dos que o odeiam. Para tanto, a sua reação
foi procurar refúgio no Senhor: “não seja eu envergonhado, pois em ti me
refugio.” (v.20b). O termo בּוּשׁ no hebraico significa envergonhar, ser
envergonhado, ficar embaraçado, ficar desapontado. Diante de tamanho perigo,
Davi suplica para que o Senhor o guarde, livre e salve da vergonha por causa da
sua confiança em Deus. A verdade é que aqueles que confiam em Deus nunca terão
vergonha.
Ainda que o cenário seja de
adversidade, Davi encontra em Deus seu mais alto refúgio, e essa certeza
resulta em alegria. Sua segurança será a sua sinceridade (integridade) e a
retidão (v.21), e sua certeza estará em esperar no Senhor. O termo תֹּם no hebraico
significa a condição de ser sem defeito, perfeição, sinceridade, solidez,
retidão, inteireza. E o termo יָשָׁר significa retidão, integro, honesto. Dois
termos importantes que o salmista necessitava em sua vida, e ele pede ao Senhor
que as preservasse. Na Bíblia, temos o exemplo de Jó. Ele foi elogiado por ser
um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desvia do mal. (Jó 1.1). Viver
com integridade em um mundo onde os corruptos parecem favorecidos, é um
desafio.
Finalizando, o salmista expande
a sua oração à nação que também necessita da graça de Deus: “Ó Deus, redime a
Israel de todas as suas tribulações." (v.22). Ele reivindica para Israel
aquilo que pediu para si mesmo, e transforma uma petição pessoal em hino para a
congregação inteira. Ocorre que o salmista vê o clamor do povo para que o
Senhor redima Israel de suas tribulações como um desejo semelhante ao do
profeta Jeremias diante da agonia do cerco babilônico e do Exílio (Jr 31.11).
Estimados irmãos! Davi nos deu
um grande exemplo de confiança em Deus. Ele não confiou em qualquer coisa ou em
qualquer pessoa, mas, escolheu confiar somente no Senhor. Ele venceu sua
angústia e viu mais uma vez Deus se manifestar em sua vida. E você, tem
confiado somente em Deus? Lembrem-se: quando colocamos a nossa confiança no
Senhor, nada pode abalar a nossa estrutura, pois a confiança no Senhor produz
uma firmeza inigualável. É certo que lutas veem e virão. Muitas aflições,
muitas provas, muitas dúvidas e sofrimentos. Mas, por fim, a promessa é que
sempre haverá firmeza, até a eternidade. Portanto, não hesite em suplicar ao
Senhor diante das suas aflições, pois aqueles que confiam e que esperam no
Senhor renovarão as suas forças e encontrarão soluções para vencer. Amém
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