quinta-feira, 1 de outubro de 2026

 

TEXTO: FP 4.4-13

TEMA: ALEGRAI-VOS SEMPRE NO SENHOR! (Como?)

A carta aos Filipenses foi escrita por Paulo em circunstâncias difíceis. Mesmo enfrentando sofrimento e estando preso, o apóstolo insiste na alegria que o cristão encontra no Senhor. Isso mostra que a verdadeira alegria não depende das circunstâncias, das riquezas, da saúde ou da ausência de problemas. Ela está fundamentada em Cristo.

Você é uma pessoa alegre? É possível ser alegre em meio a tantos sofrimentos? Você tem se alegrado no Senhor em todo tempo?  Confesso que não é fácil estar alegre diante dos tempos tão sombrios que estamos vivendo. O cenário que se apresenta não é propício para alegria. São tantos sentimentos e problemas, como solidão, ansiedade, tristeza, doença, dificuldades em família e desemprego, que nos causam frustração, medo e insegurança. Diante desta situação nos sentimos impotentes para encontrar uma solução eficaz, pois tudo parece dar errado. Somos sufocados pelos acontecimentos e das circunstâncias que vivemos.

Em Filipenses 4.4-13, Paulo apresenta um convite que parece simples, mas que possui grande profundidade: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” . O mais impressionante é que essas palavras foram escritas por alguém que enfrentava sofrimento e estava preso. Portanto, a alegria mencionada por Paulo não depende de circunstâncias favoráveis, mas da relação do cristão com o Senhor.

A pergunta que o texto nos apresenta é: Como podemos nos alegrar sempre no Senhor, mesmo quando enfrentamos dificuldades, preocupações e necessidades? Filipenses 4.4-13 apresenta respostas muito práticas para essa pergunta.

Diante do que foi exposto, vamos refletir sobre o tema baseado em três tópicos:

Primeiro, confiando nele em oração (vv. 4-7). Paulo nos ensina que podemos confiar no Senhor em todas as situações, levando a ele nossas preocupações por meio da oração. A vida cristã não está livre de dificuldades, problemas e momentos de ansiedade, mas não precisamos enfrentar essas situações sozinhos. Deus nos convida a apresentar diante dele nossas petições, súplicas e agradecimentos. Quando oramos, reconhecemos que dependemos do Senhor e colocamos nossas necessidades em suas mãos. A oração não é apenas um pedido para que Deus mude as circunstâncias, mas também uma expressão de confiança naquele que permanece conosco. Por isso, podemos nos alegrar sempre no Senhor, confiando nele em oração e descansando em seu cuidado.

Segundo, cultivando pensamentos que edificam (vv.8-9). Paulo mostra que a vida cristã também envolve cuidar daquilo que ocupa a nossa mente. No versículo 8, ele apresenta uma lista de virtudes: aquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e digno de louvor. O apóstolo não está ensinando simplesmente a pensar de maneira positiva, mas a direcionar os pensamentos para aquilo que está de acordo com a vontade de Deus. Aquilo que alimentamos em nossa mente influencia nossas palavras, atitudes e decisões. Por isso, o cristão é chamado a rejeitar aquilo que conduz ao pecado e a cultivar pensamentos que fortalecem a fé e edificam a vida. Quando a Palavra de Deus orienta nossa mente e nossa vida, temos a promessa: “e o Deus da paz será convosco”. Assim, alegramo-nos no Senhor quando permitimos que sua Palavra molde nossos pensamentos e transforme nossas atitudes.

Terceiro, aprendendo a viver contentes em todas as circunstâncias (vv.10-13). Paulo apresenta uma importante lição sobre contentamento cristão. Ele afirma que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Isso significa que sua alegria não dependia das circunstâncias que estava enfrentando. Paulo havia experimentado momentos de abundância e de necessidade, conhecendo tanto a fartura como a fome. Mesmo assim, permaneceu firme porque sua confiança estava em Cristo. O contentamento não significa acomodação ou falta de vontade de melhorar a vida, mas reconhecer que Deus continua sendo suficiente em qualquer situação. Paulo havia aprendido a confiar no cuidado de Deus. Por isso, ele declara: “Tudo posso naquele que me fortalece” (v. 13 Assim, nossa alegria não depende daquilo que temos ou deixamos de ter, mas de Cristo, que nos sustenta em todas as circunstâncias. Alegremo-nos, portanto, no Senhor, aprendendo a viver com contentamento e confiança naquele que nos fortalece.

                                                               I

Paulo inicia esta parte da carta com uma afirmação que chama nossa atenção: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (v.4). Ele tinha muitos motivos para se alegrar quando escreveu esta carta à igreja em Filipos, apesar das perseguições e da enfermidade que estava enfrentando. A pergunta que podemos fazer é: Como é possível alegrar-se sempre, mesmo quando enfrentamos dificuldades, preocupações e necessidades? Confesso que não é fácil estar alegre diante dos tempos tão sombrios que estamos vivendo. O cenário que se apresenta não é propício para alegria. São tantos sentimentos e problemas, como solidão, ansiedade, tristeza, doença, dificuldades em família e desemprego, que nos causam frustração, medo e insegurança. Diante desta situação nos sentimos impotentes para encontrar uma solução eficaz, pois tudo parece dar errado. Sentimos que somos sufocados pelos acontecimentos e das circunstâncias que vivemos.

No entanto, em meio às dificuldades, sofrimentos, situações difíceis, os cristãos devem regozijar-se, sabendo que a alegria é um sentimento que motiva a nossa vivência. Ela resplandece em cada rosto. Sempre existem coisas boas que nos leva a uma alegria real, sincera e sadia, por mais sombrios que se apresentem os dias, por mais pesado que seja a cruz, que temos que carregar. Quando olhamos na perspectiva da Palavra de Deus, percebemos que alegria é algo diferente. Ela vem de Deus e, por isso, é completamente diferente a do mundo. A alegria que o mundo nos oferece é ilusória e passageira. Mas a alegria que encontramos em Deus é aquela que nos é ensinada pelo apóstolo Paulo, quando também diz aos filipenses: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação.” (v.11). Ele afirma: “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho.” (Fp 1.12).

Como é bom ser alegre no Senhor! Esta alegria que invade a nossa vida e que resplandece em nosso rosto, é o resultado dos momentos maravilhosos que o Senhor nos proporciona no dia a dia. Estes efeitos são imensos. Deus nos guia nos protege e nos ama. Sendo assim, temos muitos motivos para nos alegrar. O Senhor está conosco todos os dias (Mt 28.20). Isso é mais do que consolo, é a razão da nossa alegria.  O Senhor fez grande coisas por nós (Sl 126.3). Ele é a nossa força (Ne 8.10) É o Deus “da minha salvação” (Hc 3.18).

Lembre-se: quando a alegria deixar de existir em sua vida, quando faltar força, coragem, fraqueza no trabalho, na família, quando precisar de apoio para vencer os problemas, saiba que o bondoso Deus está atento às suas necessidades e se põe ao lado de você. A sua palavra é clara neste sentido: “De maneira alguma te deixarei, nunca te abandonarei”. “Seja forte e muito corajoso. Eu serei contigo”.  Como poderia de deixar de estar alegre com tanta bondade e amor de nosso Deus?

Quando vivenciamos a alegria no Senhor, ela se evidencia no nosso relacionamento com nossos irmãos. Sendo assim, Paulo anseia que o amor dos irmãos filipenses seja conhecido por todas as pessoas, e deve ser uma ação pública e estendida a todos: “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens.” (v.5a). A palavra moderação significa uma boa disposição em relação às outras pessoas; mostrar bondade, generosidade ou consideração. Quem está, pessoalmente, repleto de alegria transmite também aos outros. Paulo ainda diz que o cristão se alegra sempre no Senhor, porque ele sabe que o Senhor está perto: “Perto está o Senhor.” (v.5b).

O que Paulo quer dizer com essas palavras? Literalmente significa: “O Senhor está prestes a vir”! O contexto indica que Paulo está falando sobre a segunda vinda de Cristo (Fp.3.20,21). Podemos compreender essa palavra em seu sentido escatológico. Foi assim que também Tiago associou a exortação para a tolerância fraterna com a referência ao juiz vindouro (Tg 5.9), como também já fizera Jesus (Mt 5.25).  Isto significa que a igreja caminha na esperança de estar com Cristo eternamente. A esperança da vinda de Cristo nos enche de alegria em nossa sofrida peregrinação para o céu (Rm.12.12). Por isso, não precisamos ter medo.

Enquanto, aguardamos a vinda do Senhor, vivemos num mundo turbulento, todos enfrentamos inúmeros desafios e dificuldades que podem nos deixar preocupados, ansiosos e desamparados, sem saber como lidar com estas questões. Por isso, que Paulo acrescenta: “Não andeis ansiosos de coisa alguma” (v.6a). O verbo grego relacionado a “ansiosos” é μεριμνάω, que significa preocupar-se, estar inquieto ou ficar excessivamente preocupado. No contexto, Paulo não está dizendo que o cristão nunca sentirá preocupação ou que problemas não devem ser levados a sério. A ideia é não permitir que a preocupação domine e controle o coração. Temos aqui uma repetição do ensino de Cristo (Mateus 6.25,31,34). Jesus conhecendo as preocupações, os conflitos, as limitações dos discípulos, ensina a meditar sobre a ansiedade. Ensina a necessidade de uma vida isenta de preocupações.  Ensina não ficar, o tempo todo, ansioso sobre as coisas desta vida, mesmo que sejam as necessidades básicas como comer e vestir. O desejo de Paulo é que os filipenses não andassem ansiosos com alguma coisa. Não vivessem na inquietação ansiosa, com pensamentos perturbadores diante das necessidades e dificuldades da vida.

Enquanto os gentios andam preocupados, buscando, desesperadamente, coisas materiais, o apóstolo Paulo nos encoraja a entregar nossas preocupações e ansiedades a Deus, em vez de tentar carregá-las sozinhos. Sendo assim, Paulo nos apresenta atitudes corretas que devemos fazer. Ele apresenta o caminho para enfrentar a ansiedade: levar tudo a Deus. Neste sentido, ele cita quatro termos, dividido em dois pares: “em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (v.b).

Primeiro, “em tudo”. Paulo usa uma expressão abrangente. Ele não diz que devemos levar a Deus apenas os grandes problemas, mas “em tudo”. Isso significa que podemos apresentar ao Senhor todas as situações que fazem parte da nossa vida: nossas necessidades, preocupações, decisões, dificuldades, relacionamentos e incertezas. Nada é pequeno demais para ser colocado diante de Deus. O cristão reconhece que depende do Senhor em todas as áreas da vida.

Segundo, “sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições”. A palavra “petições” aponta para aquilo que pedimos a Deus de maneira concreta. Paulo nos ensina a falar com Deus sobre nossas necessidades reais. Não precisamos esconder aquilo que nos preocupa, pois Deus conhece o nosso coração. A oração é justamente o momento em que colocamos diante dele aquilo que pesa sobre nós. Quando fazemos nossas petições, reconhecemos que Deus é aquele que pode nos sustentar e prover aquilo de que necessitamos.

Terceiro, “pela oração e pela súplica”. Aqui encontramos dois termos que destacam a nossa comunhão com Deus e a apresentação de necessidades específicas. A oração aponta para a nossa aproximação de Deus, reconhecendo sua grandeza, bondade e poder. A súplica enfatiza o pedido insistente e específico diante de uma necessidade. Portanto, Paulo nos ensina que não devemos guardar nossas preocupações dentro de nós, mas levá-las ao Senhor por meio da oração. Podemos abrir o coração diante dele e apresentar aquilo que realmente necessitamos.

Quarto, “com ações de graças”. Esse último elemento é fundamental. Paulo não diz apenas para pedir; ele acrescenta: “com ações de graças”. O cristão pode apresentar suas necessidades a Deus sem deixar de agradecer o que Deus já fez e continua fazendo. A gratidão muda nossa perspectiva. Continuamos enfrentando dificuldades, mas não esquecemos a fidelidade de Deus. Podemos não saber como determinada situação terminará, mas sabemos em quem colocamos nossa confiança.

Portanto, Paulo apresenta um caminho diferente daquele que muitas vezes seguimos diante da ansiedade. Em vez de carregar sozinhos nossas preocupações, levamos tudo a Deus. Em vez de apenas reclamar, apresentamos nossas petições. Em vez de apenas pedir, oramos e suplicamos. E, mesmo em meio às dificuldades, continuamos dando graças. Dessa maneira, o coração aprende a descansar no Senhor.

Ele agora mostra o resultado dessa atitude no versículo 7: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” Paulo nos garante que, ao lançarmos as nossas ansiedades a Deus, recebemos a sua paz. A paz que recebemos é uma paz divina e não humana. Não se trata de qualquer fonte de paz, mas se trata da única fonte de paz verdadeira, a paz que vem de Deus. Por isso, não havia nenhum motivo para que os filipenses ficassem ansiosos, porque a paz de Deu se caracteriza por tranquilidade, confiança, despreocupação, serenidade, mansidão e segurança na vida daquele que conhece a Deus e confia n’Ele. Afinal, foi reconciliado com Deus por meio de Cristo, agora tem paz. (Rm 5.1).

Esta é a verdadeira paz que experimentamos nas nossas aflições e em qualquer situação. De modo que podemos descansar no Senhor quando passamos pelo vale da sombra da morte.  Paulo ainda afirma que esta paz “excede todo entendimento.” Isto significa que esta paz protetora ultrapassa a compreensão humana; excede a nossa capacidade mental de compreender e apreciar as coisas; vai além da capacidade humana de raciocínio e compreensão. 

Mas mesmo que não compreendemos esta paz, ela impede que as aflições e angústias abalem nossos sentimentos, tomando nossos corações, bem como os pensamentos. Paulo afirma: “Guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” (v.7b). O termo grego utilizado por Paulo traduzido como “guardará” é φρουρέω, e trata-se de um termo militar para indicar a guarda de sentinelas que protegem uma cidade de uma invasão inimiga ou mesmo para impedir a fuga dos habitantes de uma cidade sitiada. Em ambos os casos o sentido é “manter preservado.”  Primeiro, Paulo afirma que guardará o nosso coração (καρδία). A paz de Deus não permitirá que a preocupação e o sofrimento consumam o nosso coração deixando-nos angustiados e ansiosos. Essa paz lança fora todo medo e perturbação e traz real consolo para todo o cristão (Jo.14.27; 16.33). O Espírito Santo produz essa paz em nós, de modo que nossos corações são guardados de toda angústia e ansiedade. Essa verdade nos lembra o que escreveu o profeta Isaías, ao dizer que o Senhor “conservará em perfeita paz aquele cujo coração é firme” (Is 26.3).

Essa paz também guarda nossa mente (νόημα) de pensamentos impuros, angustiosos e amargurados, para que possamos pensar em tudo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e bom, ou seja, meditar no próprio Cristo, nas suas gloriosas virtudes e nas ricas bênçãos que temos nele. Ocorre que o diabo tem interesse em vencer o homem com investidas diretas em sua mente, assim como fez no Jardim do Éden, pois sabe que vencendo no campo da mente ele desvia o homem dos propósitos de Deus e o afasta da devoção a Cristo. Por isso, essa proteção é fundamental, pois nossos pensamentos podem influenciar nossas ações e reações. Como estão o seu coração e mente? Eles estão em paz? Eles estão protegidos, guardados, revestidos pela paz de Deus?

O apóstolo Paulo finaliza com a expressão “em Cristo Jesus.” (v.7c). Ele mostra que o caminho da alegria e da paz plena está em Cristo e na maneira em que ele nos ensinou a viver. Ele é a única fonte de alegria para o cristão! Essa alegria significa a certeza de estarmos unidos a Cristo e pertencermos a Ele. Mas se os nossos pensamentos se mantiverem nas perspectivas desse mundo, rapidamente nossos comportamentos também serão influenciados. Você que está em Cristo? Alegre-se no Senhor em todo tempo! Lembre-se que você pertence a Cristo e que ele nunca vai te deixar. Procure também ser uma bênção para outros irmãos e cultive a paz no meio da igreja, no meio do seu sofrimento. Lembre-se também que o Senhor está perto. Espere e confie n’Ele. Abra o seu coração a ele com súplicas e ações de graças. Assim, a paz de Deus te guardará de toda angústia e ansiedade.

                                                          II

Depois de ensinar os cristãos a levar suas preocupações a Deus em oração, Paulo mostra que também precisamos cuidar daquilo que ocupa a nossa mente. Ele diz: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (v.8). Paulo começa com a expressão, “finalmente, irmãos”, indicando uma conclusão e, ao mesmo tempo, uma nova orientação prática. Depois de falar sobre oração e sobre a paz de Deus, ele mostra que a vida cristã também envolve disciplina dos pensamentos. O que ocupa constantemente nossa mente influencia nossas palavras, atitudes e decisões.

Paulo apresenta uma série de qualidades que devem orientar os pensamentos do cristão. Ele não está apenas dizendo o que devemos evitar, mas principalmente com o que devemos ocupar a nossa mente. Primeiro: “tudo o que é verdadeiro.”  Isto aponta para aquilo que corresponde à realidade e está de acordo com a verdade de Deus. O cristão não deve alimentar pensamentos baseados em mentiras, boatos, falsas acusações ou enganos, mas buscar aquilo que é verdadeiro e digno de confiança. Segundo: “tudo o que é respeitável” refere-se ao que é digno, honroso e sério. Paulo nos chama a não ocupar a mente com aquilo que é vulgar, malicioso ou indigno, mas com aquilo que contribui para uma vida que honra a Deus e demonstra respeito pelo próximo.

Terceiro: “tudo o que é justo” diz respeito àquilo que está de acordo com a vontade e os padrões de Deus. O cristão deve pensar no que é correto diante do Senhor e procurar praticar a justiça em seus relacionamentos, palavras e atitudes. Quarto: “tudo o que é puro” aponta para aquilo que não está contaminado pelo pecado. Essa pureza envolve os pensamentos, os desejos, as palavras e as intenções do coração. Somos chamados a cuidar daquilo que permitimos permanecer em nossa mente. Quinto: “tudo o que é amável” refere-se àquilo que é agradável, bondoso e digno de amor. Em vez de alimentar ressentimentos, mágoas, ódio ou pensamentos destrutivos, o cristão é chamado a cultivar aquilo que promove o amor, a reconciliação e a edificação.

Sexto: “tudo o que é de boa fama” aponta para aquilo que merece boa consideração e contribui para um testemunho digno. Antes de alimentar determinado pensamento ou palavra, podemos perguntar: isso honra a Deus? Isso edifica o próximo? Isso contribui para um bom testemunho cristão. Por fim, Paulo amplia sua orientação: “se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Portanto, Paulo não está apenas ensinando a eliminar pensamentos negativos, mas a substituí-los por pensamentos que sejam verdadeiros, dignos, justos, puros, amáveis e virtuosos.

Depois de ensinar o que deve ocupar a mente do cristão no versículo 8, Paulo mostra, no versículo 9, que essas verdades precisam ser colocadas em prática: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” Paulo apresenta uma sequência de quatro expressões: “aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes”. Ele mostra que os filipenses não receberam apenas informações sobre a fé cristã; eles foram ensinados pela Palavra e tiveram diante deles o exemplo de uma vida cristã coerente. Primeiro: “o que também aprendestes” mostra a importância do ensino cristão. A fé precisa ser conhecida e compreendida por meio da Palavra de Deus. Não basta ter sentimentos religiosos; é necessário aprender aquilo que Deus ensina.

Segundo: “e recebestes” indica que os filipenses acolheram esse ensinamento. A Palavra não deve apenas ser ouvida, mas recebida com fé e confiança. Aquilo que aprendemos de Deus precisa encontrar lugar em nosso coração e em nossa vida. Terceiro: “e ouvistes” lembra tudo aquilo que os cristãos haviam escutado da pregação e do ensino de Paulo. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10.17). Por isso, a participação na vida da igreja e a escuta da Palavra são fundamentais para a vida cristã. Então Paulo chega ao ponto central: “isso praticai”. A palavra “praticai” mostra que o cristianismo não consiste apenas em conhecer, ouvir ou falar sobre a Palavra. É necessário colocá-la em prática. O que aprendemos deve transformar nossas atitudes, relacionamentos e decisões.

 Paulo termina com uma bela promessa: “e o Deus da paz será convosco.” No versículo 7, ele falou da paz de Deus guardando o coração e a mente; agora afirma que o Deus da paz estará com aqueles que vivem de acordo com aquilo que aprenderam e receberam. Assim, Paulo nos ensina: aprendam a Palavra, recebam a Palavra, ouçam a Palavra, observem bons exemplos e, acima de tudo, pratiquem aquilo que Deus ensina. Então, em meio às dificuldades da vida, podemos contar com a presença do “Deus da paz”.

                                                                  III

Paulo ao falar sobre alegria no Senhor, equilíbrio, oração, paz e pensamentos que devem ocupar a mente do cristão, ele agora mostra como essas verdades também aparecem na prática da vida cristã. Os filipenses demonstraram seu cuidado por Paulo por meio de uma ajuda concreta, revelando que a fé não permanece apenas nas palavras, mas se manifesta em atitudes de amor e serviço.

Paulo começa dizendo: “Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor” (v.10a). Sua alegria não estava simplesmente relacionada ao fato de ter recebido ajuda material. Ele se alegrava “no Senhor”, isto é, sua alegria tinha sua origem em Cristo. Paulo sabia que Deus estava cuidando dele por meio dos irmãos de Filipos. Assim, a ajuda recebida era uma expressão concreta da providência e da graça de Deus. A expressão “agora, uma vez mais” (v.10b) indica que os filipenses já haviam demonstrado anteriormente seu cuidado pelo apóstolo. Não se tratava de uma atitude isolada ou de uma generosidade ocasional. Havia entre Paulo e aquela comunidade uma relação de comunhão construída ao longo do tempo. Desde o início da obra missionária de Paulo, os filipenses haviam participado de seu ministério e demonstrado interesse por sua vida e seu trabalho.

Quando Paulo afirma, “renovastes a meu favor o vosso cuidado” (v.10c), ele reconhece e valoriza a preocupação dos irmãos com suas necessidades. O termo “cuidado” não deve ser entendido apenas como preocupação emocional, mas também como uma disposição prática de ajudar. A igreja de Filipos não apenas pensava em Paulo; quando teve oportunidade, transformou sua preocupação em uma ação concreta. Paulo acrescenta ainda uma observação importante: “o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade” (v.10d). Isso mostra que ele não interpretava o período em que não recebeu ajuda como falta de amor ou de interesse por parte dos filipenses. Eles já desejavam ajudá-lo, mas as circunstâncias não haviam permitido. Paulo demonstra, portanto, compreensão e maturidade ao reconhecer a diferença entre não querer ajudar e não ter oportunidade de ajudar.

No versículo 10, Paulo demonstra sua alegria pelo cuidado dos filipenses. Ele reconhece com gratidão a preocupação e a ajuda dos irmãos, vendo nessa atitude uma expressão de amor e comunhão cristã. Porém, Paulo não queria que sua gratidão fosse entendida como dependência dos recursos dos filipenses. Por isso, no versículo 11, ele esclarece: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.”  A expressão “não por causa da pobreza” mostra que Paulo havia aprendido a olhar para suas necessidades materiais de maneira diferente. Ele conhecia situações de necessidade, mas não permitia que elas determinassem sua alegria, sua fé ou sua confiança em Deus. A circunstância externa não controlava sua vida espiritual.  Paulo mostra que o contentamento é algo que foi sendo desenvolvido em sua caminhada com Cristo. Ele não nasceu sabendo viver dessa maneira. As experiências de sua vida e ministério ensinaram-lhe a confiar cada vez mais na providência de Deus. O contentamento cristão não significa ausência de dificuldades, mas confiança em Deus mesmo quando as circunstâncias são difíceis.

Paulo afirma que “aprendeu a viver contente”. Isto aponta para uma satisfação que não depende da quantidade de bens, dinheiro ou conforto. Paulo podia estar em necessidade e, ainda assim, permanecer firme. Isso não significa que a pobreza seja boa em si mesma ou que o cristão não possa procurar melhorar suas condições de vida. O ensino é que os bens materiais não devem ocupar o lugar de Deus no coração. E finalmente, ele afirma que aprendeu a viver “em toda e qualquer situação”. Essa expressão amplia o ensino. O contentamento não deveria existir apenas quando tudo estivesse bem, mas também quando houvesse dificuldades. Nos versículos seguintes, Paulo desenvolverá essa ideia falando tanto da fartura quanto da fome, da abundância quanto da escassez.

Paulo continua explicando o que significa “viver contente em toda e qualquer situação” (v. 11). Ele não está falando de uma teoria, mas de uma experiência adquirida ao longo de sua caminhada e ministério. Ele havia passado por diferentes circunstâncias e aprendido a permanecer firme em Cristo tanto nos momentos favoráveis quanto nos momentos difíceis. Ele afirma: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez.” (v.12). Quando diz “sei estar humilhado”, Paulo se refere às situações de necessidade, privação e sofrimento. Ele conheceu momentos em que não tinha aquilo que desejava ou necessitava. Entretanto, essas circunstâncias não o afastaram de Deus. Sua fé não dependia de uma vida confortável.

Por outro lado, Paulo também afirma: “como também ser honrado”. Ele sabia lidar com momentos em que recebia reconhecimento, respeito ou melhores condições. Isso é importante porque tanto a escassez quanto a abundância podem colocar a fé à prova. A necessidade pode levar à preocupação, enquanto a abundância pode levar à autossuficiência. Paulo aprendeu a permanecer dependente de Deus em ambas as situações. Ele mostra através das palavras, “de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência”, que esse aprendizado aconteceu na prática. Ele experimentou diferentes situações durante sua vida apostólica. Por isso, seu contentamento não era uma emoção passageira, mas uma confiança amadurecida pela experiência. Sendo assim, ele resume apresentando quatro situações: fartura e fome; abundância e escassez. Ele não diz que essas situações são iguais ou que não fazem diferença. A diferença é que nenhuma delas determina sua relação com Deus. Na fartura, ele não se esquece do Senhor; na fome, não abandona sua confiança; na abundância, não coloca sua segurança nos bens; na escassez, não perde a esperança.

Chegamos, então, ao ponto alto das palavras de Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece” (v.13). Paulo havia aprendido a viver na abundância e na escassez, na fartura e na necessidade. Ele podia receber a ajuda dos irmãos com gratidão, mas não colocava sua segurança nos bens materiais nem nas circunstâncias da vida. Sua confiança estava em Cristo. A expressão “tudo posso” está relacionada ao que Paulo acabou de mencionar. Ele aprendeu a viver na fartura e na fome, na abundância e na escassez (v. 12). Portanto, quando ele afirma “tudo”, inclui as diferentes situações pelas quais passou diante das dificuldades. Paulo não atribui sua resistência à própria capacidade, experiência ou força de vontade. Ele reconhece que é Cristo quem o sustenta: “naquele que me fortalece”. Assim, sua suficiência não está nele mesmo, mas naquele que lhe concede força para permanecer fiel.

A verdade é que vivemos em um mundo que muitas vezes nos ensina a confiar em nossa própria força. Somos incentivados a acreditar que podemos vencer qualquer obstáculo, conquistar qualquer objetivo e resolver todos os nossos problemas. Porém, quando lemos as palavras de Paulo, dentro do seu contexto, encontramos uma mensagem diferente. Paulo não está dizendo que pode fazer tudo o que deseja. Ele está afirmando que pode enfrentar todas as situações da vida porque Cristo é quem lhe dá força. Ele havia aprendido a viver tanto na fartura como na necessidade, tanto na abundância como na escassez. Ele conheceu momentos de alegria e momentos de sofrimento. Mesmo assim, não permitiu que as circunstâncias determinassem sua fé. Seu contentamento não estava naquilo que possuía, mas em Cristo. Por isso, ele podia dizer: “Tudo posso naquele que me fortalece.”

Também nós enfrentamos diferentes situações. Há dias em que temos motivos para agradecer, mas existem momentos em que surgem preocupações, perdas, enfermidades, dificuldades familiares, problemas financeiros ou incertezas quanto ao futuro. Nessas horas, podemos pensar que não teremos forças para continuar. Paulo nos lembra que nossa esperança não está em nossa própria capacidade. Cristo permanece conosco e nos sustenta. Isso não significa que Deus promete retirar todas as dificuldades de nossa vida. Significa que, em meio às dificuldades, não estamos sozinhos. Cristo nos fortalece por meio de sua Palavra, sustenta nossa fé e nos lembra de sua graça. Quando nossas forças diminuem, Ele continua sendo fiel.

Portanto, não precisamos viver dominados pelo medo do amanhã. Podemos entregar nossas preocupações ao Senhor e continuar caminhando pela fé. Se houver abundância, agradeçamos. Se houver escassez, confiemos. Se houver portas abertas, sirvamos ao Senhor. Se houver dificuldades, permaneçamos firmes. Em todas essas situações, Cristo continua sendo nossa força.

Estimados irmãos! Como é bom ser alegre no Senhor! É uma alegria que invade a nossa vida e resplandece em nosso rosto. Essa alegria é resultado da presença e do cuidado de Deus, que nos acompanha e nos proporciona, dia após dia, momentos pelos quais podemos agradecer. Seus efeitos são imensos: Deus nos guia, nos protege e nos ama. Por isso, temos muitos motivos para nos alegrar.

Quando a alegria desaparecer de sua vida; quando faltar força e coragem; quando vierem as dificuldades no trabalho, na família ou em qualquer outra área da vida; quando você precisar de apoio para enfrentar e vencer os problemas, lembre-se: o bondoso Deus está atento às suas necessidades e permanece ao seu lado. Sua Palavra nos assegura: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). E ainda nos encoraja: “Sê forte e corajoso... porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1.9).

Portanto, não permita que as dificuldades roubem a certeza de que Deus está presente. Ouça as palavras do apóstolo Paulo e faça delas uma orientação para sua vida: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos!”  Amém.

 

 

 

 

 TEXTO: MT 22.1-14

TEMA: O CONVITE DE DEUS PARA AS BODAS DE SEU FILHO

Em nossas vidas recebemos convites para toda sorte de acontecimentos. Convite para aniversário, casamento, churrascos, confraternizações, ceias ou outra solenidade qualquer. E geralmente nos sentimos felizes e honrados quando alguém nos convida para estes encontros. Ficamos felizes, porque temos a certeza de que, se somos convidados, é porque somos importantes para quem nos convidou. E você já foi convidado para participar de um grande acontecimento ou uma festa? Daqueles   que se aguarda ansiosamente para chegar logo o dia?

Hoje, porém, queremos refletir sobre um convite que precisamos examinar com cuidado por ser um convite da parte de Deus. Mas que convite é este tão importante? É um convite para participarmos das bodas de Seu Filho. E o evangelho fala deste casamento, para a qual algumas pessoas foram convidadas, mas que, infelizmente, deixaram de comparecer. E os que se recusaram a participar da festa deram desculpas que, em si, pareciam plausíveis. Será que também vamos recusar o convite de Deus? Ou vamos aceitá-lo com alegria, vestindo as vestes do Cordeiro? Deus nos adverte a não rejeita-lo, porque se o fizermos, Ele nos excluirá da salvação e da companhia dele, assim, como aconteceu com seu povo.

O contexto desta parábola trata da discussão entre Jesus e as autoridades religiosas judaicas. Esse embate começou no capítulo anterior, após dois eventos importantíssimos: a entrada triunfal e a purificação do templo. Foi necessário que Jesus contasse três parábolas  sobre o perigo daqueles que O rejeitam como Messias, não fazendo a vontade de Deus, pois perderão o lugar no reino dos céus. Os líderes religiosos ouvindo a explicação de Jesus acerca dessas parábolas, entenderam que falava deles, e a essa altura já buscavam prendê-Lo (Mateus 21.46), porque ficaram ofendidos com Seus ensinamentos.

É neste momento que Jesus toma a palavra e diz: “O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho.” (v.2). Nos dias de Jesus, dar banquetes era uma prática social  dos ricos, um símbolo social de prestígio. Quem dava o banquete era honrado pelos convidados que compareciam, e ser convidado era sinal de distinção e importância. Quando o rei afirma que desejava celebrar as bodas de seu filho, isto demonstrava que se tratava de uma festa importante. Afinal, a festa era dedicada ao filho do rei que estava para se casar. Após toda a preparação, o rei compartilhou sua alegria com os nobres do seu reino e mandou convidá-los: “Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas(v.3a). Ser convidado pelo rei era uma grande honra, um grande  privilégio. Possivelmente, os convidados eram líderes, pessoas nobres, religiosos, cidadãos importantes, com negócios. Mas os convidados ao receberem o primeiro convite,  não mostraram nenhum interesse em participar da festa:” estes não quiseram vir.” (v.3b).

Que surpresa desagradável para o rei! Os convidados que ele tinha grande consideração, com quem desejava compartilhar a sua alegria pelo casamento do seu filho, não mostraram nenhum amor por ele e por seu filho, a ponto de rejeitar o seu convite. Na verdade, revelaram grande desprezo ao rei a ponto de cuidarem apenas dos interesses próprios. Mas o rei ficou sabendo disso, insistiu em chamá-los novamente  para o banquete. Desta vez informando que o banquete já estava preparado: “ Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas.” (v.4). Observem,  que todos os preparativos foram feitos pelo rei: ele organizou o casamento, preparou o jantar e abateu os animais. Tudo já estava preparado. No fim, tudo o  que  os convidados tinham que fazer era aceitar o convite. Porém, aqueles convidados novamente não se importaram com a festa do filho do rei. Desprezaram e apresentaram as suas desculpas, e ainda mataram os servos do rei que estavam encarregados de convidá-los. (vv.5 e 6).

Deus também nos convida diariamente para o banquete. Na verdade, todo o homem necessita deste honroso convite de Deus. Necessita da graça divina, do perdão que ele nos oferece diariamente. Necessita, porque o homem é por natureza cego espiritualmente, morto e inimigo de Deus, do qual não pode libertar-se. Uma vez vivendo neste estado, Deus nos convida para esta festa. Nos convida para a ceia de graça, que é a salvação, preparada por seu Filho, Jesus. Isto é obra exclusivamente da graça divina sem qualquer contribuição da parte dos convidados. Infelizmente, muitos rejeitam o convite oferecido por Deus. Servos, pastores, pregadores, são enviados a chama-los. Mas os convidados apresentam desculpas. Vemos aqui o retratado procedimento da maioria dos homens frente ao convite do Evangelho. Na verdade, procuram pretexto para justificar sua atitude. É a velha mania de querer desculpar-se.  A exemplo disso, temos aquelas pessoas que dizem: não tenho tempo para ouvir a Palavra de Deus, e muito menos ir aos cultos, afinal tenho que tratar dos meus negócios. Daí decorre a necessidade de advertirmos seriamente os convidados contra o “perigo das desculpas.”

Diante da rejeição do convite, oferecido pelo rei, ele resolve tomar uma atitude: “O rei ficou irado.” (v.7a).A sua atitude  é drástica contra os convidados rebeldes que rejeitaram seu convite. O verbo  ὀργίζω, que significa “ser provocado a ira,” “estar zangado” estar enfurecido, transparece o quanto o rei estava decepcionado com aqueles convidados. De modo que a sua reação foi avassaladora: “enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade.” (v.7b). Ele executou a sua justiça sobre os que rejeitaram seu convite e mataram seus servos.  É justamente o que acontece com aqueles que  rejeitam o evangelho de Cristo, para seguirem seus próprios caminhos; que preferem cuidar dos seus próprios interesses sem levar Deus em conta. Uma vez rejeitando, só resta o castigo. Deus anuncia um julgamento severo:  Ele tira o pão daquele que não o aprecia e o oferece ao faminto que se mostra agradecido a Deus. Foi o que aconteceu com Seu povo.

Interessante a expressão  que o rei usa no versículo 8: καλέω οὐκ ἦσαν ἄξιοι - “os convidados não eram dignos.” Eles não eram dignos, porque desprezaram o banquete. Rejeitaram a graça de Cristo, por amor aos seus interesses materiais. Aqui  podemos notar a gravidade dessa rejeição. E nós? Será que somos dignos? Será que merecemos? Devemos, definitivamente, entender que não há pessoa cuja dignidade, a bondade ou santidade sejam bastantes para merecer o convite de Deus. Enfim, somos levados a acreditar que não somos dignos de merecer tal convite por méritos próprios, pois nada vale no reino dos céus. Por mais digno ou miserável que alguém seja aos olhos humanos, há um convite que Deus nos oferece. É através de Cristo que selou  o nosso convite com Sua morte na cruz. Agora, podemos recebe-lo pela graça, porque Deus nos ama, e em Cristo nos oferece graça e misericórdia. E assim podemos nos assentar à mesa do Cordeiro, pois  o convite da graça está disponível a todos os pecadores!

O convite, então, foi estendido para outras pessoas. O rei mandou seus servos, chamarem a todos que pudessem encontrar para virem à festa: “Ide, pois, para as encruzilhada dos caminhos.”(v.9a)  A ordem era “ir”, porque havia pressa em levar o convite para todas pessoas que encontrassem pelo caminho. A expressão διεξόδους τῶν ὁδῶν -“encruzilhada dos caminhos,” originalmente trás a ideia de “transcender os limites da cidade” ou “ir à campo aberto”, “caminho que sai de uma área habitada. Resumindo seria: o lugar onde uma rua atravessa os limites da cidade e se dirige ao campo aberto. Ao saírem pelas “encruzilhada dos caminhos, a recomendação do rei, era: “convidai para as bodas quantos encontrares.” (v.9b). As pessoas convidadas aceitaram o convite do rei e a sala do banquete ficou repleta de convidados  de diversas classes sociais Também havia “maus e bons.” (v.10). E, assim, houve a festa e todos puderam celebrar o casamento do filho do rei com grande alegria.

O que Jesus nos ensina com isto? Que o convite da salvação é estendido a todos e aquele que aceitam, independente de sua raça ou classe social. Esse sempre foi o propósito de Deus: estender sua salvação em Cristo a todos os povos. Por isso, que Jesus mandou seus discípulos pregarem o evangelho a toda criatura e fazerem discípulos de todas as nações (Mc. 16.15; Mt.28.19). Ele não tem prazer na morte do pecador, mas em que ele se arrependa e viva. Ele está chamando pecadores para desfrutarem da festa da salvação do Seu Filho.  Que oportunidade preciosa você tem ao ouvir essa mensagem hoje! O Senhor está estendendo o convite da salvação a você! Na festa do rei há lugar para todos. É um banquete suficiente para todos desfrutarem!

O rei ficou ainda mais irado quando notou que um dos convidados não trazia veste nupcial. A expressão  ἔνδυμα γάμου (v.12) significa  alguém que possui uma veste para participar de um banquete de casamento ou festa de núpcias. Usar esta veste era costume no Oriente, ou seja, um convidado que participava de uma festa, deveria ir com um traje especial ou veste nupcial. Por outro lado, quem não tinha este traje recebia-o do próprio festeiro. Ao entrar na sala do banquete, o rei examinou com alegria todos os convidados que estavam com vestes brancas. Porém, ficou surpreso e indignado ao ver um dos convidados sem a veste apropriada para a festa.(v.11) Então, perguntou: “Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial?”(v.12). O homem nada respondeu. Permaneceu calado.  O rei, então, indignado com o insulto do tal homem, ordenou que o lançassem para fora, nas trevas: “Amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o para fora, nas trevas, ali haverá choro e ranger de dentes.” (v.13).

Ocorre que aquele homem recusou a veste fornecida pelo rei. Ele é um exemplo daqueles que pensam que podem entrar no céu por seu mérito e não pelo sangue de Cristo. Esse era o problema dos judeus naqueles dias. Eles não se sujeitaram a Cristo, a justiça estabelecida por Deus para salvação, mas quiseram estabelecer sua própria justiça (Rm. 10.3) Eles não se revestiram do sangue de Cristo, mas queriam estar diante de Deus do seu próprio modo. Jesus censurou ,muitas vezes, esta justiça desses líderes religiosos. Ele repreende, critica e condena essa justiça. Será que, por vezes, esta justiça  não se encontra morada em nossos corações? Será que com nossas atitudes e posicionamentos de vida, agradam a Deus? Será que Ele está satisfeito com a nossa justiça? Precisamos fazer um exame profundo e sincero, de nosso íntimo. Afirma Jesus que ninguém de nós entrará no reino de Deus se a nossa justiça não for melhor, se não for superior à dos escribas e fariseus.

No entanto, Jesus apresenta uma justiça que é em muito superior à dos escribas e fariseus. E que justiça é essa? É uma justiça que o homem não possui. É uma justiça que o Filho de Deus adquiriu para os homens. Para esse fim veio ao mundo. Deus enviou seu Filho nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei (Gl. 4. 4-5).Portanto ,agora, a nossa justiça está no Senhor. Sua justiça são as vestes brancas que Deus nos oferece para estarmos na sua presença (Ap.3.18).Ele cobre a miséria dos nossos pecados com as vestes brancas de sua justiça e nos chama a cear com ele no banquete da salvação. Que convite maravilhoso!

Jesus conclui a parábola dizendo: “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (v.14). O termo  κλητός significa chamado, convidado (para um banquete). Muitos são chamados para viver uma vida junto com Cristo. Para ser seus discípulos e seguir seus passos. E, finalmente, um convite para passar a eternidade com ele! Este chamado vem ecoando por todas as partes do mundo. Ele é amplo, abrangente,  universal. Isto significa que todos são chamados. Neste sentido, o evangelho é oferecido para o mundo inteiro. Mas nem todos se arrependem e creem. Tem aqueles que são chamados, mas recusam o convite de Jesus. Os muitos chamados que ignoraram o convite, serão lançados num lugar de prantos e ranger de dentes.(v.13). No dia das Bodas do Cordeiro, o Senhor dirá que nunca os conheceu (Mateus 7.22,23). Só estarão vestidos realmente com vestes de linho fino aqueles “poucos escolhidos” (Apocalipse 19.8).

Por outro lado, aqueles  que respondem com fé verdadeira o convite, e se vestem com as roupas brancas da justiça de Cristo, crendo em Jesus como único caminho de salvação, são os “poucos escolhido.” Estes  se assentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, e desfrutarão eternamente da presença amorosa do Deus que os chamou. Estes, realmente escutaram o chamado “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos” (Mateus 11.28), e foram recebidos com graça, porque foi o Pai quem os trouxe (João 6.44). Por isto, eles jamais serão lançados fora (João 6.37).   Portanto, os pouco escolhidos devem estar vestidos dos méritos de Cristo (Gálatas 3.27; Apocalipse 3.4-18; 7.14; 19.8). Isso significa que pelo próprio esforço humano, homem algum é capaz de responder de forma positiva ao chamado do Evangelho, pois todos pecaram (Jó 9.2; Isaías 64.6,7; Romanos 3.9-24; Efésios 2.8).

Estimados irmãos! Que oportunidade preciosa de podermos participar do banquete ! O Senhor está estendendo o convite ! Há lugar para  todos desfrutarem! Portanto, ouça o seu chamado! Aceite o seu convite! Abandone seus pecados e  vista-se com as roupas brancas da justiça Cristo! Creia nele e desfrute da festa da salvação desde agora e para sempre! Amém

 TEXTO: SL 23

TEMA: O SENHOR É O BOM PASTOR!

Composto por Davi, o Salmo 23 tem sido um dos mais famosos textos da Bíblia através dos tempos. Nele encontramos conforto e encorajamento diante das adversidades; crises materiais, medo e angustia; consolo, proteção e orientação. Ao descrever este Salmo, Davi conhecia todas as implicações e realidades do trabalho pastoril. Ele apresenta as realidades que eram vividas no cotidiano de seu trabalho e as aplica ao contexto espiritual. Davi olha para Deus e vê que, assim como lidava e tratava suas ovelhas, era também cuidado e tratado por Deus que era o seu pastor. Ao chamar o SENHOR de pastor, Davi se coloca na posição de ovelha, um animal frágil, limitado e totalmente dependente do pastor para se manter segura e viva.

O SENHOR também é o nosso pastor, diante da nossa jornada. Hoje, vamos aprender quatro características que o Salmo 23 nos ensina sobre o SENHOR é o bom pastor. Primeira, assim como o pastor está ciente das necessidades das suas ovelhas e as conduz aos pastos verdes e águas tranquilas, o SENHOR também está ciente de nossas necessidades. Ele supre  e conhece cada coisa que precisamos e está pronto para entrar em ação em nossa vida. Por isso, não precisamos nos preocupar com nossas necessidades. Segunda, o pastor renova as forças e guia suas ovelhas por caminhos certos. Da mesma forma,  SENHOR também nos guia. Só o SENHOR pode nos mostrar o verdadeiro caminho ,pois Ele é o nosso guia.

Terceira, o pastor é a fonte da segurança. Ele sempre está presente ao lado das suas ovelhas. O SENHOR também está sempre está ao nosso lado. Não precisamos ter medo de nada, porque Deus está conosco. Ele é a nossa segurança. Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo.

Quarta, o pastor cuida das suas ovelhas. O SENHOR também cuida e protege as suas ovelhas diariamente. O seu objetivo é fortalecer a nossa fé e um dia habitar na Casa do SENHOR para sempre: “Certamente a bondade e misericórdia me seguirão todos os dias de minha vida, e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.” (v.6).

                                                              I

Davi sabia o que era ser pastor, pois exercera esta atividade quando jovem.  Sua tarefa como pastor era conduzir o rebanho de um pasto para outro a fim de providenciar alimento para as ovelhas. Ele sabia dos perigos que as ovelhas haveriam de enfrentar. Baseado neste contexto, Davi inicia o salmo com uma declaração, reconhecendo que o SENHOR é o pastor que supre suas ovelhas em quaisquer circunstâncias. Para descrever estes acontecimentos, ele toma emprestada a figura de um bondoso pastor de ovelhas para falar do SENHOR como sendo O pastor, e compara o cuidado que Deus tem conosco, ao afirmar: “O SENHIOR é o meu Pastor; nada me faltará.” (v.1). O “SENHOR é”. Ele nunca foi, e nunca será. Ele é Deus Ele é nosso Salvador, nosso Redentor, nosso Mestre, nosso Guia, nossa Luz, nosso Pai. Precisamos entender que Deus nunca deixará de ser. Portanto, Ele é o nosso Pastor e, por isso, deve ser respeitado, reverenciado, e, acima de tudo, obedecido!

Ao reconhecer que o SENHOR é seu pastor, Davi deposita toda a sua confiança, pois entendia que o SENHOR supre todas as suas necessidades. Ele afirma: “nada me faltará”. A expressão traduzida como “faltar” ou “faltará”, vem do verbo hebraico  חָסַר  que significa faltar; diminuir; não ter. Junto com a partícula de negação לא, que significa “não, sem, nenhum, nada”, também poder ser traduzido como: “nada sentirei falta”. Mas, afinal, o que Davi tinha em mente ao escrever "nada me faltará"? Tendo o SENHOR como nosso Pastor, porventura não nos faltará nada? Imunes aos problemas da vida? Livres de todos os perigos? Não é isto que Davi está ensinando com as palavras “nada me faltará"? O salmista quer nos transmitir algo muito mais rico, mais profundo e mais sublime do que meros bem materiais  ou status deste mundo. Não são “coisas” efêmeras, passageiras,  transitórias, de curta duração desta vida, mas aquilo que o SENHOR dá graciosamente, por sua bondade e por seu amor. O cristão sabe contentar-se com o que Deus lhe concede por sua infinita bondade (Fp 4.11-13)

Davi sabia que nem o seu poder, nem as suas riquezas, e muito menos suas próprias forças, poderiam suprir suas necessidades. Somente o SENHOR é quem poderia lhe fazer descansar em pastos verdejantes e conduzi-lo às águas tranquilas (v.2).A palavra pasto vem do original דָּשָׁא que significa campinas, relva, grama. São pastos caracterizados como "exuberante”, ou seja, rica em vegetação, e o termo מְנֻחוֹת caracteriza a água refrescante; tranquilas, descanso. Neste contexto, observa-se que o pastor demonstra o cuidado especial, oferecendo “pastos verdejantes” e o “descanso” às ovelhas. A região da Palestina em determinadas épocas do ano carecia de pastos verdejantes e águas cristalinas. Isto obrigava os pastores seguirem em uma cansativa peregrinação em busca de pastos verdes. Uma vez encontrando o alimento para o rebanho, as ovelhas tinham descanso e tranquilidade, pois pastos “verdejantes” e “águas tranquilas” são tudo o que uma ovelha necessita.

O bom pastor conhece melhor as necessidades particulares de  todas as suas ovelhas. Sabe qual é mais forte e a mais fraca. Compreende que os cordeirinhos não podem andar tão depressa com as ovelhas mais velhas, e, por isso, muitas vezes, as toma nos braços porque sabe que algumas necessitam de mais atenção do que outras. Como é maravilhoso saber que o SENHOR, o bom pastor  cuida de cada uma de suas ovelhas e não deixa faltar nada, mesmo em meio aos desertos da vida. Ele nos tira dos campos secos e nos leva em segurança para os pastos verdejantes, onde há mesa farta no deserto. Deste modo podemos suportar as provações e inquietações da vida, com o auxílio e a graça de Deus. Hoje, a principal missão do pastor é cuidar das ovelhas de Cristo, que lhe são confiadas. Cabe a ele, apascentar as ovelhas, dando-lhes o alimento espiritual, através do ensino fundamentado (doutrina) da Palavra de Deus. O verdadeiro pastor cuida bem das ovelhas. Leva as ovelhas de Jesus a alimentar-se do “pasto verde”, que nutre a alma e o espírito, fortalecendo-as, para que cresçam na graça e conhecimento do Senhor Jesus Cristo (2 Pe 3.18).

                                                                   II

O SENHOR é o nosso pastor porque renova as nossas forças e nos guia por caminhos certos, como ele mesmo prometeu. Algumas pessoas acreditam que a sua força vem da família, outras do dinheiro e outras ainda dizem que são fortes por causa de sua personalidade ou do seu temperamento. No entanto, todas essas motivações são limitadas em comparação ao SENHOR,  que é o nosso guia que conhece e ama as suas ovelhas, e que não faltará descanso e justiça aqueles que lhe pertencem: “Refrigera-me a alma, guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.” (v.3). O verbo שׁוֹבֵב significa restaurar a força, trazer de volta, refrescar, refrigerar. O termo alma נַפְשִׁי, para este caso específico, refere-se a vida, mente, pensamentos e emoções. Este era o trabalho do pastor: restaurar o vigor ,voltar a vida e proporcionar descanso às ovelhas, pois em vários momentos de perigo, o rebanho era atacado por animais ferozes e deixava as ovelhas estressadas e cansadas, Elas precisavam de cuidados e descanso, bem como também o pastor precisava descansar. Por isso, o rebanho é conduzido  aos pastos verdejantes e ao descanso das águas tranquilas.

Outra tarefa era conduzir as ovelhas pelas “veredas da justiça”. A expressão “vereda” significa uma trilha estreita, sinuosa. Então, podemos entender que “veredas da justiça”. refere-se ao que é “aprumado”. Na verdade, o Senhor nos conduz pelo caminho reto, aprumado. Não nos permite andar em caminhos que levam à ruína. Essa certeza de ser guiado por vereda plana, por vereda de justiça, consola nosso coração. Por isso, eu pergunto: Quer andar nos caminhos aprumados? Quer deixar de viver uma vida injusta? Quer andar nos caminhos de integridade, de obediência? Quer fazer a vontade de Deus?  Só existe um caminho: siga o Pastor. Ele jamais nos conduzirá no caminho da injustiça. Jamais será injusto, pois age com retidão, revelando seu amor a todos nós.

O SENHOR é a nossa fonte da segurança neste mundo. Vivemos dias de insegurança em diferentes áreas da vida. O medo da violência, das doenças, de perder o emprego ou de perder alguém que se ama, tem mexido com o emocional de muitas pessoas. Contudo, não é isso que Deus tem para nós. Não precisamos ter medo de nada, porque Deus está conosco. Ele é a nossa segurança. Há uma declaração de absoluta confiança ao andar pelo vale da sobra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo. (v.4a). Esta é a maneira de atravessar o vale sem medo, pois andar pelo vale da sobra da morte era perigoso para o pastor que conduzia as suas ovelhas.

Você está passando pelo vale da sombra da morte? Não fique amedrontado. Confie no SENHOR. Ele é contigo por onde quer que andares. Por que temer o vale da sombra da morte? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem poderá nos separar do seu amor e da sua presença? Os perigos e males desta vida? Nossas tribulações? O diabo? A morte? Não!  Ninguém poderá separar-nos do amor e da presença do SENHOR.  Não importa quão escuro seja o vale no qual estamos peregrinando, não temeremos mal nenhum, pois o bom Pastor está sempre conosco guiando-nos em nossa caminhada e consolando-nos com Sua Palavra.

Ao atravessar o vale da sombra da morte, e também em outras ocasiões, o pastor leva consigo dois instrumentos : “ o  bordão e o cajado.”(v.4a). A palavra “vara” traduz o hebraico שֵׁבֶט  que nesse contexto significa “bordão”, “cetro” ou “bastão”. Isso quer dizer que na frase o salmista se refere ao bastão usado pelos pastores de rebanhos para combater animais selvagens. Nesse sentido, a vara era o principal instrumento de proteção. Já o termo  מִשׁעֵנָה (cajado) significa “apoio” ou “suporte” e se refere ao cajado usado pelo pastor como auxílio para caminhar e também como instrumento para orientar as ovelhas. É um costume antigo no Oriente Médio, quando o pastor sai para o pasto carrega apenas uma vara e um cajado. Esta é sua “arma” de poder, defesa. força, segurança e autoridade, pois com ela afastava os predadores, e também servia como instrumento para disciplinar e corrigir ovelhas rebeldes que insistiam em se afastar do grupo. Já  o cajado é utilizado para dirigir as ovelhas. Várias vezes o pastor precisava conduzi-la para entrar em um portão ou ao longo de uma estrada, e ele o faz encostando levemente a ponta longa da vara no flanco do animal, e assim guia a ovelha ao caminho que deseja. É uma demonstração de amor e da dedicação do seu pastor por ela.

Este é cuidado que o SENHOR tem para com suas ovelhas. Ele nos protege  com sua vara e nos orienta com  o seu cajado, e acima de tudo nos consola.(v.4c).O verbo נָחַם (consolar) significa confortar, ter compaixão, aliviar, arrependimento. Então, as ovelhas do bom Pastor podem se juntar ao salmista e dizer: “a tua vara e o teu cajado me consolam," Ele  também quer consolar o seu povo do presente século. Apenas Ele pode nos oferecer consolo, pois Ele é um Deus de amor. A sua Palavra garante que Deus está perto de todos os que o invocam, e ouvirá seu clamor por ajuda. Ele busca os aflitos, abatidos, desanimados. Este consolo é plenamente eficaz, renova as nossas esperanças e nos fornece alivio e paz. Este verdadeiro consolo, encontramos somente na Bíblia. Ela nos revela através de inúmeros exemplos de que Deus é o verdadeiro consolador. O maior de todos os consolos, Ele nos deu através de seu Filho, Jesus, que morreu na cruz para nos salvar, oferecendo assim o verdadeiro consolo à humanidade. Sem dúvida podemos dizer que todas essas coisas apontam para Cristo. Ele é o Pastor capaz de nos proteger e nos orientar.  Ele é o Pastor que dá a vida por suas ovelhas (João 10:11-15). Com sua vara Ele afugenta todos os predadores que buscam tragar aqueles que lhe pertencem, de modo que ninguém é capaz de destruir o seu rebanho.

Depois de passar pelo vale da sombra da morte, agora, as ovelhas estão seguras, e já podem fazer uma alimentação sadia e o descanso necessário. Este momento é tão sublime, quando o pastor oferece pastos verdejantes e águas cristalinas para suas ovelhas.  É maravilhoso, quando o pastor prepara uma “mesa de pasto” que sirva de alimento para seu rebanho.  Davi diz que o SENHOR prepara uma mesa para ele na presença de seus inimigos. (v.5a).  A expressão mesa שֻׁלְחָן  é o lugar de intimidade de nossa casa. Nela nos sentamos, reunimos a família , nos alimentamos, conversamos com nossos filhos. Quando gostamos muito de alguém, nós convidamos esta pessoa para nossa casa e a levamos a este lugar de intimidade, que é a nossa mesa. Nós nos alegramos em servi-la, em proporcionar prazer e conforto, e  compartilhar com ela o que temos de melhor, fazendo com que se sinta à vontade em nossa casa.

No entender do salmista Deus fornece o sustento de sua parte, mesmo havendo muitos inimigos se levantando para lhe fazer mal, Deus nunca desiste de fazer o bem para seus servos. Isto não é apenas no sentido espiritual, mas também no sentido físico. Portanto, Ele continua a pôr diante de qualquer que O teme e O ama uma mesa preparada, um banquete. No entanto, para sentar à mesa do Senhor precisamos estar preparados.  Ele quer que os seus sejam bem servidos e sejam bem acomodados à sua mesa. Como poderei eu estar preparado para aproveitar tudo de bom que esta mesa oferece? Como estarei preparado para sentar à mesa do SENHOR e aproveitar das bênçãos maravilhosas que proveem de sua bondade e misericórdia?

O SENHOR não somente prepara, mas também unges-me a cabeça com óleo. (v.5b). A palavra ungir vem do hebraico. דָּשֹׁן  que significa ser gordo, deixar gorduroso, cinzas gordurosas. Na época de Davi os pastores acompanhavam diariamente a saúde de todas as suas ovelhas. Procuravam feridas que infeccionavam e causavam danos maiores. Diante das enfermidades, usavam gordura para tratar das feridas das ovelhas, principalmente na cabeça. Este era o cuidado que pastor demonstrava em relação às suas ovelhas quando estavam enfermas. Da mesma forma, o SENHOR, também cuida das suas ovelhas. Ele chama pelo nome, está disposto a tirar os carrapichos de nossa lã, derrama bálsamo em nossas feridas e nos defende dos lobos com a própria vida. Somos ovelhas do seu rebanho e Nele temos provisão de bom alimento, aconchego e a segurança dos seus braços. Nele temos segurança e paz, carinho e refúgio, alimento e cura. Podemos confiar no consolo da vara e cajado do Senhor. Podemos confiar nas promessas e bênçãos, pois assim diz o Senhor: “O meu cálice transborda.” (v.5c).

                                                          III

 Na cena final deste salmo, vemos que as ovelhas obedientes vão morar com o SENHOR. O  Pastor  promete nos guiar e nos proteger ao longo da nossa vida, para nos levar  e morar com Ele, para sempre. Ele disse: “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre.” (v.6). Esta é a verdadeira situação da ovelha que segue o SENHOR. É uma situação privilegiada. É uma situação onde ela pode estar sempre, perfeitamente, em paz, porque a bondade e misericórdia estarão sempre presentes.

Neste versículo, três coisas merecem nossa ponderação: Primeiro, a expressão “certamente”. A expressão confirma que Davi acreditava em um Deus seguro, que faz promessas seguras e oferece uma base segura. Também confirma a promessa de Deus que será cumprida na terra através da bondade e misericórdia. A sua bondade se manifesta no sustento, na preservação e em várias bênçãos sobre toda a humanidade. Ela é manifestada na misericórdia. A misericórdia jamais acaba não tem fim, ou seja, Deus está sempre disposto a dar uma nova chance, a começar de novo. Ele sempre se renova. A compaixão divina renova a nossa esperança, o nosso ânimo, a nossa disposição no dia a dia da vida. Sua misericórdia manifesta sua grandeza: grande é a tua fidelidade. Temos um Deus fiel. Suas promessas serão cumpridas.

A segunda é a duração do cumprimento da promessa de Deus na terra: “Todos os dias da minha vida”. A terceira é a extensão do cumprimento da promessa de Deus na eternidade: “E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.” Quem entrava nos palácios de um rei estava seguro, a segurança de um palácio era inviolável, esse é o seu lugar! Tendo estas certezas o salmista desejava com muita ansiedade, o prazer de habitar na Casa do SENHOR. Não só nos dias desta vida, mas também depois. A vida aqui não é a nossa casa. Nossa pátria está no céu diz o apóstolo Paulo (Fp. 3.20).

Portanto, depositamos a nossa confiança no SENHOR. Ele é o nosso Pastor, cuida de cada um de maneira pessoal, pois sem seus cuidados, sem sua proteção estaremos vulneráveis aos ataques dos lobos ferozes, sem seu cajado para nos guiar não encontraremos caminho seguro  neste mundo. Ele é o nosso Pastor! Amém.