quarta-feira, 15 de maio de 2024

 TEXTO: SL 113

TEMA:DEUS É DIGNO DE LOUVOR ACIMA DOS CÉUS E SOBRE A TERRA!

 Você já se perguntou, por que devemos louvar a Deus? Por que Deus é digno de louvor? Com certeza, teríamos muitas respostas! A Palavra de Deus nos ensina que devemos render louvor e adoração a Deus o tempo todo, porque o ser humano foi criado para louvor o nome de Deus, bem como tudo o que foi criado por Deus. Por isso, o louvor é uma forma eficaz de demonstrarmos nossa gratidão. Seja por agradecimento, misericórdia, alegria, o Senhor é digno de louvor em todo tempo em nossas vidas. Sendo assim, estamos reconhecendo, que seus feitos. Eles são maravilhosos e incontáveis.

Seja qual for o momento  pessoal de sua vida, não deixe de louvar ao Senhor. Precisamos adquirir o hábito saudável de louvar o Senhor em todo o tempo, independentemente do que estiver acontecendo ao nosso redor ou dentro de nós. Vamos exaltar todos os atributos do Deus que acreditamos e servimos. Naquele que se inclina, a fim de levantar os desprezados, rejeitados e humilhados pela sociedade. Naquele que se lembra dos indignos e necessitados, e oferece o seu grande de amor. Naquele que concede esperança para quem já não espera mais nada neste mundo, e  alegria a quem já perdeu todas as expectativas de se alegrar. Enfim, naquele que olha com amor para nós, seres pecadores, fracos e indignos. Naquele é digno de toda a honra, glória e louvor.

O salmo inicia com o convite para louvar ao Senhor. A convocação é endereçada aos servos do Senhor. Aqueles que serviam no templo, ou eram responsáveis pela música. São eles que deveriam louvar o nome do Senhor. O salmista também recomenda que o louvor deveria ser exclusivamente ao Senhor. Ele é digno de todo o louvor: louvai o nome do Senhor! (v.1). O nome do Senhor refere - se à pessoa de Deus. Nos tempos bíblicos, havia forte associação entre o nome e a identidade da pessoa. O nome simbolizava a pessoa. Assim, louvar o nome de Deus significa concentrar o pensamento no caráter de Deus. Significa que o louvor tem endereço certo: no nome do Senhor. O Senhor é único. Não há lugar para outras divindades.

 E, ainda, se torna perceptível esta recomendação, quando o salmista afirma que “o nome do Senhor, seja bendito, agora e sempre.” (v.2). Em outras palavras, o nome do Senhor é abençoado, e a sua presença confere bênção. E somente em seu nome que outros podem conferir estas bênçãos a alguém. Na verdade, o nome de Deus, a glorificação de seu poder, a manifestação de sua natureza redentora, é o centro de toda a bênção que o povo de Israel recebia, diante da aliança firmada com Deus. Já as palavras "agora e para sempre,” o salmista   usa o paralelismo para indicar o tempo que o nome do Senhor deveria ser louvado, ou seja, por toda eternidade. Se o louvor a Deus se estende pelos séculos, também se estende por toda a face da terra: “Do nascimento do sol até ao acaso, louvado seja o nome do Senhor.” (v.3). Do oriente ao ocidente nos apontam para a extensão do louvor. A necessidade de repetir continuamente o convite ao louvor, pressupõe a continuidade do culto, realizado com regular periodicidade a Deus, ou seja, o louvor deveria ser constante. Enfim, é uma expressão que visa apontar para o mundo inteiro.

Além do nome do Senhor que deveria ser louvado, o salmista, agora, revela a soberania do Senhor sobre todas as nações que cercavam e oprimiam o povo de Deus. Ele apresenta Deus como um ser que está acima de todas estas nações. Ele não se limita a certos tribos ou territórios, mas é exaltado acima de todas as nações: “Excelso é o Senhor, acima de todas as nações, e sua glória, acima dos céus”. (v.4). O termo hebraico רוּם, traduzido por excelso significa erguer, levantar, estar alto, ser elevado, ser exaltado. De fato, Ele está em um trono que se eleva acima de todos os reis e reinos do mundo. Na verdade, toda a criação, seja na terra, seja nos céus, estão abaixo do Senhor. A ideia não é exatamente de localização, mas de valor, dignidade e poder. Quando Deus revela o seu poder e santidade, a sua glória é manifestada como um fenômeno luminar, que enche o lugar com a sua presença, conforme o foi no Sinai, no deserto, no santo tabernáculo e no templo. Portanto, é a glória do Senhor que se manifesta “acima dos céus”, a morada de Deus, o firmamento, chamado de trono de Deus, e é a partir desse lugar que Ele estende a mão para realizar sua vontade na terra. E é certo que isso deve ser reconhecido por todos os povos.

Diante da exaltação do Senhor, o salmista faz uma pergunta retórica: “Quem há semelhante ao Senhor, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? (vv.5 e 6). Ninguém é como o Senhor, nosso Deus. Não há, portanto, ninguém semelhante ao Senhor, que habita nas alturas. Ele é plenamente incomparável. Ele cuida pessoalmente de cada um de nós, se inclina para ver o que se passa sobre o céu e sobre a terra. O termo em hebraico שָׁפֵל traduzido por “inclinar” significa prostar ou abaixar, ser ou tornar-se humilde. Significa colocar-se em uma postura de facilitar a vida do que está no nível mais abaixo. Isto significa que Deus se inclina, se abaixa para atuar em nossa vida. O olhar de Deus é um agir. Neste contexto, significa dizer quão grande é a preocupação de Deus, diante dos nossos problemas e necessidades. Quem na terra seria capaz de fazer isto? Ninguém! Só mesmo o Senhor é capaz de se identificar com o sofrimento de seu povo e tomar para si mesmo a aflição. Ele se compadece dos necessitados, revela sua compaixão para com os seus e vê as aflições de seu povo. Ele não nos ignora. Pelo contrário, sempre podemos contar com seu grande amor.

Nesse sentido, a primeira ação do Deus sobre a terra é se preocupar com os homens: “Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado.” (v.7). O termo em hebraico דַּל, traduzido por “desvalido” significa pobre, fraco, pessoa inferior. E o termo “monturo” אְַפֹּת significa monte de cinzas, de refugo. Então, podemos afirmar que o Senhor levanta o pobre do pó e que retira o desamparado do monte de cinzas. Esta é uma demonstração o quanto Deus se preocupa com as condições que os homens vivem neste mundo. Ele transforma vidas, ergue o homem do pó, enche de esperança o coração aflito e dá uma nova posição de honra que antes não tinha. Não somente Deus tira os abatidos de sua condição desfavorável, mas também os exalta e os iguala para “assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.” (v.8). O termo em hebraico נָדִיב traduzido por “príncipes” significa uma pessoa nobre. Deus mostra que ele tem poder para dar um título e honra os desvalidos e desemparados, ou seja, de estar ao lado dos nobres, e ter a honra de poder governar uma nação com aqueles que exercem soberania sobre Israel.

Concluído, o salmista apresenta a última ação de Deus no versículo 9: “que faz com que a mulher estéril habite em família e seja alegre mãe de filho.” Ele mostra mais um atributo divino, que é a onipotência, ou seja, o poder supremo, capaz de realizar, aos olhos humanos o impossível, como por exemplo, dar a capacidade de uma mulher estéril gerar filhos, cuja condição, no mundo antigo, era de humilhação e tristeza. Mas ele diz também que até mesmo a estéril ficará alegre pela intervenção direta de Deus na sua vida concedendo-lhe filhos, fazendo dela uma mãe. Nas Sagradas Escrituras temos vários exemplos: Sara, Raquel, Ana, Isabel, entre outras, como inumeráveis outras mulheres anônimas deste mundo.

Deus ainda tem preparado muitas bênçãos maravilhosas para seu povo. Enquanto, vivermos neste mundo, confiamos plenamente nas suas promessas, pois  Ele se inclina até ao pó a fim de levantar ao desprezado, rejeitado e humilhado pela sociedade. Ele se lembra dos pequeninos, indignos e necessitados de amor e atenção. Ele revive a esperança de quem já não espera mais nada e dá alegria a quem já perdeu todas as expectativas de se alegrar. Ele olha com amor para nós, seres pecadores, fracos e indignos. Se você está abatido, ferido, se sentindo rejeitado, ignorado e humilhado pela vida e não consegue louvar, saiba que Deus é bendito, eterno, onipotente, onisciente e onipresente.

Portanto, temos muitas razões para louvar ao Senhor, em todo tempo da nossa vida. Por isso, meus amados, reforço o conselho do salmista: louvemos ao Senhor, a todo tempo e por toda a eternidade. Não nunca perca a oportunidade de prestar louvor ao Senhor que é digno de toda honra e glória. Não só Deus é digno de louvor como, na verdade, somente Ele deve ser adorado. Seja por agradecimento, por misericórdia ou por alegria, o Senhor é digno de louvor em todo tempo em nossas vidas. Você tem aproveitado as oportunidades de louvar a Deus? Amém.

Senhor, eu te agradeço por seres minha força. Obrigada por seres maior do que todas as dificuldades que estou enfrentando neste instante. Eu sou grata por me dares o conhecimento e a força necessária para eu poder caminhar na direção certa. Hoje, eu te louvo pelo que és para mim e por tua bondade para comigo Amém

 

terça-feira, 7 de maio de 2024

           TEMA: RENASCEMOS DA MORTE PARA VIDA!

           TEXTO: EZ 37.1-14

O povo de Deus se encontrava diante de uma situação deplorável. O Senhor mostra essa triste realidade ao profeta Ezequiel através de uma visão. O profeta vê as condições de seu povo. Vê um vale onde o cheiro de morte exalava por todos os lados, uma condição degradante derivado da corrupção do povo, mais especificamente da desobediência ao Senhor. Em meio a tantos sofrimentos, dores e tristezas, o Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação. O povo ouviu a Palavra de Deus e deu ao povo vida espiritual: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra” (v. 14). O Espírito Santo, Senhor e Doador da vida fez reviver aqueles ossos secos. O povo renasceu da morte para a vida

Também renascemos da morte para a vida, pois todos nós estávamos mortos em delitos e pecados, desgarrados e perdidos. O apóstolo Paulo diz em Efésios 2.1: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”. Aos romanos, o apóstolo escreveu: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 3.23).Diante dessa situação, Deus demonstrou a sua misericórdia. Ele mudou a nossa história nos libertando da escravidão do pecado e nos transformou em novas criaturas através de seu Filho que morreu na cruz para nos salvar. Portanto, renascemos da morte para a vida. 

                                                        I

Deus através duma visão mostra ao profeta a situação do povo de Israel. Leva o para um vale cheio de ossos: “Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de uma vale que estava cheio de ossos.”(v.1).A expressão “a mão do Senhor” sobre o profeta aparece sete vezes em todo o livro (. Ez 1.3; 3.14, 22; 8.1; 33.22; 40.1). Esta expressão possui importância teológica, visto que na Sagrada Escritura, simboliza poder ou força. O poder do Senhor estava sobre o profeta e o tirou da esfera normal da vida quotidiana. Leva o para um vale cheio de ossos secos. É como um cemitério, porém, os ossos estavam na superfície, e não debaixo da terra. O Espírito do Senhor pôs Ezequiel “no meio de um vale”. O vale, nesta passagem, adquire um valor todo especial, ele é ambiente de morte para vida; é nele que Senhor agirá em favor do seu povo transformando aquela situação de aniquilamento em vida e esperança.

O Senhor faz o profeta andar ao redor dos ossos. O verbo no original significa “passar juntos”. Indica uma ação, ou seja, o Senhor está guiando o profeta. Ele tem o controlo da situação. Ele é que faz o profeta passar ao redor dos ossos.  Ele é o autor da transformação que acontecerá na vida do povo de Israel. Ele queria que o profeta tivesse uma ideia do número de vítimas e entendesse que ali não havia mais esperança de vida. E ao passar pelos ossos, faz duas constatações: “Eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos” (v.2). É bastante percetível a condição natural dos ossos, pois não estavam apenas secos, mas estava sequíssimo. Não havia nenhum sinal de vida. Só morte! Mortos há muito tempo. Homem algum poderia reavivá-los. Era uma cena estranha, horrível. Este fato indica que muito tempo se passou desde que a vida os deixou e que, humanamente falando, a situação era irreversível.

Muitas vezes em nossas vidas temos a sensação de que estamos em um verdadeiro vale de ossos secos. A nossa vida retrata as situações, as lutas, as dificuldades, as circunstâncias do dia a dia. Pensamos da mesma forma que povo de Deus: nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta; estamos perdidos. Mas lembre-se: Há um Deus que se preocupa conosco e quer nos consolar, animar e colocar de pé diante das situações que nos deixam entristecidos. Embora estejamos sujeitos a aborrecimentos, decepções ou desilusões, não podemos perder a esperança. Por isso é chegada a hora de reagir, recobrar os ânimos, ficar de pé e receber a força do Espírito Santo: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5.14).

O Senhor chama Ezequiel de filho do homem e lhe faz uma pergunta que originará todo o desenvolvimento do texto. É um pergunta crucial: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos secos?” (v.3a). Ao ser questionado do Senhor, o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes.” (v.3b). É admirável a sinceridade de Ezequiel. Talvez esperássemos uma resposta mais convicta, mas positiva, mas não foi o que aconteceu. Ezequiel sentia-se esmagado diante da visão, e sabia por vivência o que ela significava.Tanto a pergunta como a resposta têm o objetivo de pôr em evidência o fato de que a mudança de estado dos ossos é humanamente impossível.

Entretanto o verbo יָדַע que significa “conhecer,” nas Escrituras, muitas vezes, tem um significado que vai além do sentido básico de simplesmente ter conhecimento intelectual. Este verbo designa o conhecimento que Senhor tem do homem (Gn 18,19) e de seus caminhos (Is 48,8), conhecimento este que é anterior ao nascimento do homem (Jr 1,5). É nesse sentido que o profeta declara que só Senhor sabe. Dizer que somente o Senhor sabe, equivale a afirmar que tudo depende do poder e da vontade do Senhor, e não da vontade do homem. O profeta entendeu que somente o Senhor pode restituir a vida aos mortos outra vez.  Ele é o autor e conservador de toda vida. A resposta do profeta à pergunta feita por Deus demonstrou que havia confiança em Deus, e era isso que precisava para que o povo de Deus,que voltasse a se relacionar com Deus.

Deus ordena que o profeta profetizasse aqueles ossos secos. Deveria proclamar a palavra do Senhor: “Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dizes-lhes: ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”. (v.4).  “Disse-me ele”.  O Senhor revela, fala e responde o que haveria de acontecer com os ossos secos: O Senhor fala ao profeta. Este falar torna-se para ele uma ordem de profetizar: Profetiza. Ezequiel é convocado a proclamar sobre os ossos secos.  O verbo נָבָא, cujo significado é basicamente anunciar, declarar. Daí, profetizar é “anunciar a mensagem de Deus”. Serve para descrever a função do verdadeiro profeta quando ele fala a mensagem de Deus para o povo sob a influência do Espírito Santo. Deus disse a Ezequiel para profetizar sobre aqueles ossos e dizer-lhes: “Ossos secos,ouçam a palavra do Senhor”! Diante dos ossos secos, da fragilidade da vida do homem que se assemelha a uma erva que seca (Is 40.7). A palavra do Senhor tem força própria, pois para Ele, pronunciar uma palavra é produzir uma realidade ou transformá-la, não podendo a sua palavra ser vã ou ineficiente (Is 9.7; 45.23).  Diante desta palavra criadora do Senhor, não se deve ter outra atitude, senão, escutá-la com o firme propósito obedecer ao Senhor. O verbo, aqui, empregado é שׁמע que aparece como princípio de sabedoria, pois a primeira exigência para que certos ensinamentos sejam frutíferos é o escutar que se converte em obediência.

                                                          II

Quem são os ossos secos? O vale cheio de ossos secos são todos da casa de Israel. Eram vistos secos porque neles não havia vida espiritual. Faltava comunhão com Deus. Faltava fé e confiança. Era a situação desalentadora do povo de Israel no exílio babilônico. Era um povo sem esperança, sem a possibilidade de restauração. Tão amarga foi esta experiência na vida do povo de Israel que chegaram à conclusão: “Estamos de todo exterminados” (v.11). Como povo de Deus também chegamos à conclusão de não há mais esperança. Não há esperança no lar, no trabalho, na congregação e na Igreja. Em alguns momentos, as dificuldades, os problemas e as crises são tão grandes que até a nossa esperança morre. Quando isto acontece, parece que morremos junto com ela. Temos a impressão de que a nossa vida terminou. Não temos futuro. Estamos de todo exterminados.

Deus, no entanto, não os considera mortos. Diante deste povo espiritualmente morto, Deus mostra a possibilidade de restauração. A vida ainda é possível. Deus não abandonou seu povo. Ele vem ao encontro, anunciando por intermédio do profeta, sua vontade, seu amor e misericórdia. Este anúncio tem um tom solene. Não será uma conversa ou um comunicado qualquer, mas um anúncio de mudança, de transformação, de uma nova criação. A eficácia desta palavra vem caracterizada pela presença da fórmula: “Assim diz o Senhor”, e estabelece a meta da ação divina. Apresenta, especificamente, a promessa da reconstituição dos corpos. Esta reconstituição, por sua vez, envolve um processo que se desdobra em quatro estágios: “Eis que farei entrar o fôlego de vida nesses ossos, e eles viverão. Porei tendões (nervos) sobre eles e farei aparecer carne sobre eles e os cobrirei com pele; porei um espírito de vida neles e eles terão vida. E todos saberão que eu sou o Senhor”. (vv. 5 e 6).

Ezequiel prega, fala e transmite a estes ossos secos: “Então profetizei segundo me fora ordenado” (v.7a). O povo de Israel teria que ouvir a Palavra de Deus por intermédio do profeta Ezequiel, quisesse ou não. Afinal, ele foi chamado por Deus para ser o atalaia de Israel, alguém que deveria falar em nome do Senhor, conclamando o povo ao arrependimento e exortando para não se desviar dos caminhos de Deus. Enquanto estava falando, Deus começou sua surpreendente obra. Houve reação! Houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam cada osso ao seu osso! Havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes e se estendeu a pele sobre eles! Era um momento dramático, o milagre de Deus se concretizando! A frase “cada osso ao seu osso” representa uma completa restauração da nação israelita. Tudo acontece porque a palavra é do Senhor.

 Mas ainda faltava algo. A promessa do Senhor ainda não tinha atingido o seu ápice, conforme o versículo 6. Ao final, o profeta fez uma constatação significativa: “mas não  havia neles o espírito” (v. 8). O que havia acontecido era algo extraordinário, mas ainda consistiam em homens mortos. Eram como bonecos. Deus, então, restitui-lhes a vida do corpo. Mandou que Ezequiel profetizasse novamente: “Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem...” (v.9a). Diz o texto que o espírito virá dos “quatro ventos”, de todo lugar, dos quatro pontos cardeais para focar a sua atenção nos corpos. O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra. Ele deve vir sem demora, para transformar esta situação. A sua ação será plena, total e trará vida e esta cobrirá toda terra; ele soprará sobre os corpos como um vento ordenado para transformá-los em criaturas viventes: “ó espírito e assopra sobre estes mortos, para que vivam.” (v.9b). O verbo נָפַח cujo sentido principal é “assoprar”, torna-se significativo neste momento. Deus é o sujeito na criação do homem e nos concede a dádiva da vida.

Esta é a ordem do Senhor e o profeta obedece: “Então profetizei como ele me ordenara e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exercício sobremodo numeroso”. (v.10). Só aconteceu devido a uma específica ação de Deus; e quando רוּחַ(ruach-espírito)veio todos eles reviveram. O que aconteceu com eles não foi uma simples transformação biológica e, muito menos, o fruto de uma simples força interna, mas eles só reviveram porque o Senhor infundiu neles רוּחַ (ruach) e fez com que os ossos ficassem em pé. Esta atitude de estar de pé diante de Deus, agora é possível porque os ossos se transformaram: “um exército muito numeroso”. A expressão pode ser atribuída também no sentido de força, poder. Desta forma permite-nos compreender o significado do renascimento da morte para à vida. Eles viveram, ficaram em pé, uma vez renascidos, os israelitas podem retornar à pátria.

                                                       III

Não resta dúvida que os ossos secos retratavam a situação de Israel. versículo 11 fornece a explicação da visão: “Filho do homem, estes ossos são toda casa de Israel”. A visão foi dirigida aos israelitas daquele tempo. Todas as doze tribos estavam incluídas na visão; muitos hebreus já viviam em Jerusalém, outros haviam fugido para o Egito durante os ataques de Nabucodonosor a Jerusalém, outros já viviam na Babilônia nos anos do exílio. Esta constatação encontra-se na expressão “casa de Israel” que inclui todo povo de Deus sem se importar se estavam em sua terra ou em outro lugar. Nos lugares distantes, povo olhava para sua história e se via separado de Deus e disperso por várias nações. Não via como voltar a ser o povo querido de Deus. A nação estava arruinada, fora da terra prometida. O povo era como um monte de ossos.

Eles haviam chegado ao fim do caminho, por isso, fizeram uma dupla confissão: “nossos ossos se secaram...” (v.11a). Os israelitas reconheciam a situação. Não só reconheciam que seus ossos estavam secos, como também, declaravam que haviam perdido a esperança. “pereceu a nossa esperança” (v.11b).  O povo exilado reconhecia que não tinham esperança, pois tudo dava sinais de estarem perdidos. Já não podiam esperar que acontecesse algo bom. Aos israelitas não restava outra coisa, a não ser, reconhecer a sua triste situação e expressar o seu lamento: “estamos de todo exterminados” (v.11c). A expressão sugere que o povo de Israel fora condenado à morte. Ela pode indicar também separação do culto e da sociedade. A sensação era de destruição total, de caos. Haviam sido separados de suas raízes; sua capital estava em ruínas e suas casas destruídas. O templo havia sido queimado e os seus tesouros saqueados. As cidades e as aldeias não tinham muralhas e os seus líderes haviam sido assassinados ou levados ao cativeiro.

Mas o Senhor procurou aquietar o lamento e o pranto de Seu povo com a gloriosa promessa de que “ressuscitaria” a nação, e tornaria a estabelecê-la na terra que lhe havia dado. O poder humano jamais poderia dar vida àquela nação morta. Mas o Senhor poderia trazer o renascimento da morte para a vida. Por isso ,convida Ezequiel para profetizar novamente: “Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei a terra de Israel.” (v.12). Afinal, o que representa uma sepultura? É o lugar ou cova onde se sepultam os cadáveres. Onde não há vida. Lugar onde exala mau cheiro e transmite a tristeza da ausência da vida. Desta forma vivia o povo de Israel. Pelo poder do Espírito, o povo seria libertado da sepultura do cativeiro. Eis o grande consolo: “vos farei sair dela, ó povo meu”. Sair de nossas sepultaras jamais poderia ser iniciativa nossa. Mas somente Aquele que venceu a morte e ressuscitou e nos deu vida. Somente o Senhor poderia realizar este milagre.

Mas além de abrir a sepultura, restituir a vida, fará que com que o povo reconhecesse o Deus da vida que vence a morte e conduz seu povo de volta à terra. O Senhor ensinaria a Israel que Ele é o Senhor: “sabereis que eu sou o Senhor”. Esta expressão parece várias vezes na Bíblia. Deus falou esta frase quando Ele tirou o seu povo do Egito. Também foi dita quando o povo de Israel estava no deserto e murmuravam contra Deus. Em nosso texto, o Senhor mostra ao povo que seu plano estava completo, e que o povo, agora, deveria reconhecer sua soberania.

Estimados irmãos! Quem sabe, você não está vivendo esse momento, andando sem rumo, achando que o seu problema não tem mais jeito, que está jogado no vale do esquecimento, sentindo-se impotente, pequeno, sem saber como dessa situação.  O Senhor Jesus é a nossa esperança, para todo aquele que Nele crer. Ele é uma fonte da vida abundante, Ele é a resposta para todo o tipo de dificuldade. Ele está sempre pronto para estender sua mão e nos levantar quando estamos caídos. Sem Cristo, somos cadáveres, corpos sem vida, um monte de ossos secos sem valor algum. Com Cristo: renascemos da morte para a vida. Amém

 

                                            ANOTAÇÕES

 O termo “quatro ventos” é uma expressão acadiana que se refere aos quatro pontos cardeais da terra

A palavra “espírito” é a tradução do hebraico ruach. É traduzida pela NVI, neste capítulo, como “respiração” (vs. 5, 6, 8, 9, 10), duas vezes por “Espírito” (vs. 1 e 14) e uma vez como “vento” (v. 9). A palavra, em hebraico, aparece 378 vezes no Antigo Testamento e 52 vezes em Ezequiel. Neste estudo, ao invés de respiração ou espírito, empregarei a expressão “fôlego de vida”.

Em hebraico e grego "espírito” significa ar em movimento, hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio de vida (Gn 6,17; 7,15; Ez 37,10-14), a força vital (Jr 10,14), a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Ex 35,21; Is 19,3; Jr 51,11; Ez 11,19). Deus é que dá o espírito e age no homem pelo seu espírito (Gn 6,3; Ez 2,2 )

Nabucodonosor levou cativos os judeus de Jerusalém para a Babilônia em três etapas: A primeira etapa ocorreu em 605 a.C., sob o reinado de Joaquim, rei de Judá, Nabucodonosor sitiou e tomou Jerusalém. Levou as pessoas proeminentes do país, além dos tesouros da casa de Deus e da casa do rei. Essas pessoas foram deportadas para Babilônia, entre elas Daniel e seus três amigos. A segunda em 597 a.C., 10.000 cativos foram levados à Babilônia, estando Ezequiel entre eles. E a terceira em 586 a.C. as forças de Nabucodonosor destruíram totalmente a cidade e o templo, e a maioria dos sobreviventes foi transportada à Babilônia.

Ezequiel foi chamado e comissionado por Deus para o exercício do ministério de profeta e sacerdote, cujo nome significa “Deus fortalece”. Era de família sacerdotal (1.3) e passou os vinte e cinco primeiros anos da sua vida em Jerusalém. Seu ministério ocorreu durante a hora mais tenebrosa da história do AT: os sete anos que precederam a destruição, em 586 a.C. (593-586 a.C.), e os quinze anos seguintes (586-571 a.C.). Estava se preparando para o trabalho sacerdotal do templo quando foi levado prisioneiro à Babilônia em 597 a.C.

Uma vez no exílio, os israelitas vivem uma situação de desolação. Sentiram-se abandonados e distantes do Deus Todo Poderoso. Sentiam-se como que rejeitados por Deus. Estavam totalmente sem esperança de mudança, e chegaram a seguinte conclusão: Estamos de todo exterminados. Em meio a situação de desalento, Deus chamou e enviou Ezequiel para ser profeta ,mestre ,arauto. Foi necessária a ajuda de Deus para que Ezequiel pudesse contemplar a realidade tal qual se apresentava. O Senhor leva o profeta a olhar aquela situação com objetivo de pregar, falar, transmitir ao povo a mensagem da Palavra de Deus, uma mensagem de esperança e salvação.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

 TEXTO: ATOS 2.1-21

TEMA: O ESPÍRITO SANTO  NOS CAPACITA  PARA A MISSÃO DE EVANGELIZAÇÃO NO MUNDO.

No próximo fim de semana, a Igreja Cristã festeja o Dia de Pentecostes. É o dia da descida do Espirito Santo, sobre os primeiros discípulos em Jerusalém. Dia em que Jesus enviou o Espírito Santo, conforme prometeu a seus discípulos. (Jo 14.16).  Esta promessa se cumpriu no dia de Pentecostes. Lemos em Atos: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam reunidos. E apareceram línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. (At 2.1-3).

A sua promessa continua presente em nossas vidas, nos guiando, iluminando nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacitando para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento. Estes são os assuntos que queremos refletir sobre o Espirito Santo, nesta mensagem. Que Deus nos abençoe!

Havia muitos peregrinos na cidade, vindos de diversos lugares para comemorar Pentecostes. Os discípulos estavam reunidos. Até aquele momento, podemos imaginá-los orando, aguardando a promessa da vinda do Espírito Santo, pois confiavam nas promessas de Jesus. Ele prometeu aos seus discípulos a ajuda que precisavam para viver vidas transformadas, pois sabia que os discípulos ainda não estavam capacitados espiritualmente para a missão designada por Ele, e, por isso, o Espírito Santo viria para equipá-los e fortalecê-los para serem verdadeiras testemunhas sobre os ensinamentos de Jesus. Ele disse: “O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar-se de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26). E ainda: “E eu rogarei ao Pai, ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”. (Jo 14.16). É importante lembrar que antes de sua subida aos céus, Jesus pediu aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, até que a promessa de derramamento do Espírito Santo se cumprisse: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Somaria e até os confins da terra”.  (Atos 1.4,8).

É justamente naquele momento, quando se comemorava o Pentecostes, que o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos e diversas pessoas que acolheram a mensagem de Cristo, e se tornaram seus seguidores, as palavras de Jesus foram cumpridas. O tempo estava se cumprindo. Deus escolheu esse período para cumprir sua promessa de derramar o Espírito Santo. A promessa do AT estava cumprindo. O profeta Joel já havia afirmado que um dia Deus derramaria o seu Espírito sobre toda a carne (Joel 2.28-32). E assim, aconteceu: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas.” (vs 1-4).

Os fatos que ocorreram naquele dia marcaram definitivamente o início da História da Igreja Cristã. Eclodiu no coração daquelas pessoas o desejo de espalhar o Evangelho de Jesus Cristo por todos os lugares. Pedro que havia negado Jesus anteriormente por três vezes consecutivas, que antes se acovardou e fugiu amedrontado, agora, cheio do Espirito Santo se levantou com os onze discípulos e, em alta voz, dirigiu-se à multidão através de sua pregação. Não permitiu que o seu fracasso no passado atrapalhasse o seu futuro. Ele superou as dificuldades, ele superou a frustração, o fracasso, e venceu. Teve uma postura, totalmente diferente, ousada, convicta e firme na sua fé, mesmo diante do perigo iminente de açoite, prisão, apedrejamento e morte.

Em meio a perplexidade, alguns buscavam entender o que estava acontecendo naquele momento, Pedro se levanta juntamente com os onze, e tomando a palavra, dirige-se aos judeus e a todos os que se encontravam em Jerusalém. Proclama uma pregação envolvente, destacando a necessidade de explicar os fenômenos à luz das Escrituras Sagradas. Nela, Pedro liga os eventos desse dia com a morte e ressurreição de Jesus e termina com um convite ao arrependimento: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia”. (vs 14 e15).

Naquele momento, Pedro dirigiu a sua saudação aos “varões judeus”. Ele revela autoridade ao proferir as suas palavras. Não é um homem inculto e iletrado, mas é um embaixador de Cristo, um arauto de Deus. Por isso, querendo ou não os judeus deveriam ouvir as suas palavras. Com apenas uma frase, Pedro aniquila a zombaria dos adversários: “Estes homens não estão embriagados”.  Pedro explica: era cedo para beber, conforme o costume judeu. Por isso, não tinha sentido afirmação dos seus adversários. Explicou, ainda, o que eles estavam vendo, nada mais era do que o cumprimento de uma das promessas do profeta Joel, quando disse que “nos últimos dias” Deus ia derramar do seu Espírito. (Joel 2.28, 32). Pedro tomou as palavras do profeta e as aplica ao grandioso evento que estava ocorrendo. Ele resume em quatro partes a sua mensagem.

Em primeiro, lugar, o derramamento do Espírito de Deus tem alcance universal: “derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”. A palavra "derramar" indica abundância e "toda a carne" significa universalidade. Não se limitava somente aos judeus. Mas todo aquele que crer em Cristo será habitado pelo Espírito Santo, independente da raça, condição social, sexo e idade. Em segundo lugar, o dom da proclamação do Evangelho se estenderá a todos: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão”. (vv.17,18). Nos últimos dias, segundo a profecia, o testemunhar, o falar, o proclamar da Boa Nova de Deus seriam tarefas de todos.

Em terceiro lugar, a iluminação do Espírito Santo não se limita a qualquer idade: “vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos”. Trata-se da iluminação do Espírito Santo, através do qual ele dá aos jovens uma notável visão das necessidades e possibilidades no trabalho da igreja de Cristo no mundo. Os velhos também não devem desprezar esse desafio e tantas possibilidades de trabalho na igreja. Quando o Espírito Santo nos enche, Ele enche de sabedoria, paz, alegria, amor, projetos e sonhos a serem realizados na igreja. Tanta as visões dos jovens quanto os sonhos dos velhos são necessários na preparação da igreja, diante da mensagem profética.

Em quarto lugar, o fim da era messiânica será acompanhado por sinais extraordinários em todo o universo: “Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.” (vv.19,20). Há, contudo, uma mudança: o Dia do Senhor se refere, agora, à Segunda Vinda de Jesus, Na verdade, não é mais o SENHOR que garantirá a salvação, mas Jesus, que, agora, é o Senhor em cujo nome as pessoas devem clamar para serem salvas, pois Jesus é ambos, Salvador e Juiz. É o que se concretizará na mensagem de Pedro, extraído do profeta Joel: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. (v.21). A salvação em Cristo, recebida pela fé, agora, é estendida a todos os povos, de todos os lugares, de todos os tempos. Nos dias de Joel, como nos dias de Pedro, de Paulo e também nos nossos dias, invocar o nome do Senhor é o único caminho para a salvação.

A presença do Espírito Santo capacitou os apóstolos a entender, interpretar os ensinamentos de Jesus. Agora, ungidos pelo Espírito Santo reconheceram serem arautos autorizados e, repetidas vezes, informaram disso aos seus ouvintes. Eles entenderam que a eficiência da pregação só era possível com a capacitação do Espírito Santo. Sendo assim, inspirado pelo Espírito Santo, Pedro, conclamou a multidão a aceitar a salvação que Deus oferecia. E muitos que ali estavam ficaram comovidos com a mensagem, e perguntaram o que deviam fazer, Pedro aconselhou as pessoas a arrependerem-se dos seus pecados e serem batizadas. Como resultado desta mensagem comovente, três mil pessoas foram batizadas.

A promessa de Jesus não terminava em Jerusalem. Antes de subir aos céus Cristo deixou a grande comissão aos seus discípulos: (Mt 28.19-20). “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. A grande missão de evangelizar o mundo só poderia ser assumida com o poder do Espírito Santo. Ela nunca será possível sem a ação do Espírito Santo. Na caminhada que os discípulos tiveram que trilhar, encontram muitos desafios. Os desafios eram tão grandes que não podiam ser encarados com suas próprias forças. Era preciso do auxílio do Espírito Santo.

A promessa de Jesus continua presente em nossas vidas. O Espirito Santo nos guia, ilumina nossa mente para entendermos a pregação do Evangelho, e nos capacita para a missão de evangelização neste mundo. Ele coloca em nossos lábios as palavras que não conseguimos encontrar por nós mesmos. Ele nos mostra o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes, bem como o caminho que devemos seguir em todas as questões espirituais. Enfim, Ele faz com que a pregação traspassasse os nossos corações, e nos leva a oração, à santidade e nos dá discernimento.

Estimados irmãos! Nenhum desafio que a vida nos apresenta supera a força do Espírito Santo. Com a Sua presença, somos fortes, capazes de enfrentar a vida, vencer batalhas. Não estamos sós. Ele está ao nosso lado. Ele nos faz novas criaturas, e vida nova cresce em nós por meio de sua ação. Sentimo-nos amados e protegidos pela presença do Espirito Santo. Então, podemos experimentar o que vivenciou o apóstolo Paulo: “Quando sou fraco, aí é que sou forte!”. É a ação revigorante e restauradora do Espírito!

Portanto, sigamos com coragem nosso caminho, sendo verdadeiro discípulo, mensageiro na missão de evangelizar o mundo. Agradecemos, ó Senhor, por enviares o Espírito Santo para guiar os teus discípulos e também a nós. Vem Espírito consolador, convencer o mundo e especialmente a nós do pecado, da justiça e do juízo, e conduze-nos ao verdadeiro caminho. Amém.

 

 TEXTO: JO 17.11b-19

TEMA: JESUS INTERCEDE POR NOS JUNTO AO PAI !

Hoje, vamos refletir sobre uma oração muito especial realizada por Jesus: a oração sacerdotal. Na oração sacerdotal, Jesus intercede por si mesmo, por seus discípulos e por todos que futuramente viessem a crer em Jesus. Ela foi proferida após a Última Ceia, antes da agonia experimentada por Jesus no Getsêmani. Aqueles momentos foram os mais difíceis para Jesus em seu ministério. Ele estava passando por momentos de angustias, pois sabia que dentro de algumas horas seria entregue ao sofrimento terrível da crucificação e do desespero, causado pelos pecados da humanidade. 

Mesmo sofrendo,Jesus ainda encontra forças para amar e cuidar de seus discípulos. É justamente nesta ocasião que Jesus ora ao Pai celestial. Ele intercede pelos discípulos, fazendo-os compreender a sua missão, pois sabia que eles seriam rejeitados, caluniados, perseguidos, presos e mortos. A sua preocupação nesta hora não são os famintos, os pobres, os que choram, mas aqueles que lhe foram dados como discípulos, que creram nele.

Assim,como Jesus interceu pelos discipulos,ele também intercede em nosso favor junto ao Pai. Assim afirma o apostólo Paulo: Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. (Romanos 8.34). Com sua morte na cruz e sua ressurreição, Jesus se tornou a ponte entre nós e Deus.Tudo isso por amor. Agora, Ele é nosso grande intercessor, que está sempre cuidando de nós.Ele é nosso "Advogado junto ao Pai" .(1 João 2.1). E diante do Pai, intercede em nosso favor para haja proteção neste mundo; para que haja alegria; para que nos  guarde de todo o mal e nos santifique na verdade.Como é bom saber que temos alguém que está sempre à disposição para interceder em nosso favor!  

Mas, afinal o que Jesus estava desejando para a vida de seus discípulos? O que Ele pediu ao Pai?  Três coisas: em primeiro lugar, pediu que o Pai santo os guardasse e cuidasse deles, pois Jesus não estaria mais neste mundo, voltaria para junto do Pai. Ele afirma: “Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam, assim como nós.” (v.11b). O verbo aqui exprime ação de proteger, de cuidar, de amparar.O discipulos seriam guardados em nome Naquele que é sábio, poderoso, misericordioso.Jesus manifestou e deu a conhecer esse nome durante a sua vida (17.1; 17.25). É justamente no nome do Senhor que está fundamentado o seu grande amor , manifestado na cruz. É também no êxodo Deus manifestou com todo o poder e misericórdia o seu nome. Portanto, é através deste nome que Jesus pede proteção ao Pai santo, que os guarde do medo, da angustia e das maldades que  enfretariam neste mundo.

No entanto, uma vez guardados materiam-se um grupo unido com o Pai.  Isto demonstra que há uma unidade existente entre o Pai e o Filho. Fica evidente na  expressão “como nós!” Ser “como nós”, não por igualdade,mas com  propósitos e ideias  semelhanntes do que Deus almeja dos discipulos: testemunho, guardar os seus mandamentos,viver a vida de uma verdadeiro discipulo. O que Jesus pediu nesta oração lembra as palavras dele registradas em Jo 10.30. Quando Jesus disse “eu e o Pai somos um”, Ele  estava se referindo à união que havia entre ele e o Pai para cuidarem dos discípulos, as “ovelhas” que o Pai deu a ele.

Durante o tempo em que Jesus esteve no mundo, ele sempre cuidou de seus discipulos. E duas coisas, ele sempre fez: guardou e protegeu. Ele afirma: “Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome,que me deste, e protegi-os.”(v.12a). É pelo nome do Pai santo que os discipulo seriam gurdados e protegidos. E  todos os discipulos foram gurdados. Nenhum deles se perdeu, “exceto o filho da perdição.” (v.12b).As palavras gregas para para os termos perdeu e perdição são cognatas e referem-se a "perecer de forma final". Judas Iscariotes que, por sua própria vontade, traiu  Jesus, desperdiçou o que era precioso.E ao fazer isto, ele retirou de si mesmo à proteção de Cristo.E chegou a um ponto onde já não tinha mais como voltar, e desta forma cumpriu a predição das Escrituras.(v.12c). Provavelmente, é uma referência a Salmos 41.9-10.

Em segundo lugar, Jesus pede alegria aos seus discípulos: " para que eles tenham o meu gozo completo em si mesmos" (v.13). Jesus sabia da situação que os discípulos estavam vivendo naquele momento. Ficaram tristes, desanimados, desmotivados e angustiados, e caíram no desespero, porque Jesus partiria, e além do mais não sabiam como viver a sua vida sem a presença de Jesus. E ao vê-los nessa situação, Jesus pede ao Pai alegria aos seus discípulos. A alegria que vem de Deus. Vem da eternidade, dura para sempre e tem valor eterno. Por isso, o propósito prático naquela noite, naquele momento, era diminuir ansiedade dos discípulos e oferecer alegria e felicidade. “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo” (João 15.10-11).

Temos muitos motivos para nos alegrar. Podemos nos alegrar sempre, alegrar-nos no Senhor. Ele está conosco todos os dias (Mt 28.20). Isso é mais do que consolo, é a razão da nossa alegria! Mesmo nos momentos quando somos alcançados por uma enfermidade, uma perda, um problema qualquer ou provas! Ou as coisas que mais nos agradam são destruídas, ainda assim podemos ter alegria!  Por isso, procure aplicar isso em sua vida sabendo que a verdadeira alegria vem do Senhor. Só Jesus tem alegria verdadeira para dar. “Portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força." (Neemias 8.10). O apóstolo Paulo também afirma em Filipenses 4.4: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos”. Há uma promessa maravilhosa que nada “poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.39). Se entendermos esse tipo de intercessão amorosa, ela será uma fonte constante de alegria para nós.

Em terceiro lugar: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”.(v.15).Mas o que Jesus tinha em mente quando pediu que Deus guardasse os discípulos? Ele os guardou de sofrimentos momentâneos? Prometeu uma vida tranquila para eles? Não! Na verdade,  Jesus sabia que os discípulos passariam por muitas aflições neste mundo. Sofreriam todo o tipo de maldade em suas vidas terrenas por amor de Cristo: prisões, açoites, morrer como mártir e outros tipos de sofrimentos estavam previstos na caminhada dos discípulos, principalmente, diante da ação de Satanás, fazendo de tudo para destruir o plano de Deus. Dadas as circunstâncias, sabendo dos perigos, Jesus poderia tirá-los deste mundo. Mas Jesus em sua oração somente pediu que os livrasse do mal neste mundo. Neste caso, a palavra mundo significao lugar onde as pessoas morrem, ficam doentes, são assaltadas, sofrem perdas e decepções… Neste mundo,Jesus quer que aprendemos a ser filho dele na adversidade e em um ambiente desfavorável! Portanto, os discipulos precisariam permanecer no mundo, para que dessem testemunho (At 1.8). Para que pudessem firmar na fé, diante das aflições, sofrimento e morte do Senhor. Tirá-los antes que este trabalho terminasse, não responderia ao gracioso desígnio de Deus. Sendo assim, roga a Deus, como um bom Pai, que livre seus filhos do mal, ou seja, dos perigos, das tentações e investidas do diabo.  

 Neste mundo também passamos por aflições. Enfrentamos e vamos ainda enfrentar dificuldades, problemas, sofrimentos diante da nossa missão que temos de cumprir neste mundo. Na 1ª Carta de Pedro, capítulo 1, versículo 17: "Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação". Durante este tempo de peregrinação, precisamos levar a mensagem do Evangelho para aqueles que vivem nas trevas. Contudo, Jesus pede ao Pai que nos livre, do mal, perseguições, das tentações, das maldições do mundo. Ele é o único mediador entre Deus e o homem. Ele está sempre diante de Deus, cuidando de nós. Ele nos livra do mal na medida em que nos aproximemos dele! Estar no mundo sem pertencer ao mundo é o desafio que o Senhor nos impõe. Com tem sido sua atitude neste mundo? Você tem sido sal da terra e luz do mundo?

Em enfim, Jesus ora ao Pai e pede-lhe que os seus discípulos sejam santificados: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”(v.17). O verbo grego,ἁγιάζω aqui é um imperativo aoristo que significa "consagrar, dedicar, santificar, tratar como sagrado, reverenciar, purificar". É ação que não tem limite.É indeterminado. Não determina o tempo de duração.Mas  qual é o significado da santificação que Jesus pede ao Pai para os discípulos?  Primeiro é preciso entender que a maior demonstração de santidade foi justamente o que Cristo realizou na cruz. Ele se dedicou a fazer a vontade do Pai como um sacerdote que se consagra para fazer o sacrifício. O seu ato final de dedicação ocorreu quando Jesus ofereceu a si mesmo na cruz (Hebreus 10.10). E “ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”.(Romanos 14.7-9). Sendo assim, o  objetivo desta morte foi que os discípulos (e todos os crentes) pudessem ser inteiramente santificados, ou seja, para que eles se tornassem uma propriedade exclusiva de Deus, separados para Deus Pai e enviassem os discipulos para anunciar o Evangelho.(v.18).

Afinal,que verdade (ἀλήθεια) é esta que os discipulos deveria ser santificados , conforme os versículos 17 e 18? Precisamos entender que isto só poderia se dar pelo poder de Deus, pois não é qualquer verdade. Quando Jesus falou sobre a verdade aos discipulos, ele não estava falando sobre uma vaga abstração resultante de um intenso pensamento humano, meditação, lógica ou de um debate. Ele não definiu a verdade em termos subjetivos como uma coisa qualquer que as pessoas escolheriam acreditar. Jesus definiu a verdade como um fato revelado e eterno, que é a Palavra de Deus. Primordialmente, Jesus é aquele que é a Palavra (João 1.1), por toda a eternidade. Essa Palavra é a verdade.Ela é  deve ser essência da salvação do homem, a mudança de uma vida dominada pelo pecado e o caminho para uma vida eterna ao lado do Senhor.Sendo assim, os discípulos deveriam ser santificados na Palavra de Deus. A Palavra de Deus mudaria a vida dos discípulos, e  eles viveriam a santificação. Portanto, a Palavra que fora dada aos discípulos, deve ser a fonte da verdade para esses homens quando Jesus não mais estiver pessoalmente com eles.

Portanto, essa Palavra é a verdade. Ela é totalmente infalível. Sem ela a obra de santificação é inteiramente impossível.E como crentes em Cristo Jesus, nossa grande necessidade é crescermos em santificação. Essa santificação só pode ocorrer se a pessoa nutrir o desejo de ser governada pela verdade, isto é, por meio da revelação redentora de Deus em Cristo.Enfim,, o caminho da santificação está em Jesus Cristo.Se buscarmos a Palavra de Deus, começaremos a viver nesse processo maravilhoso de santificação rumo a glória.

Estimados irmãos! É impressionante a oração feita por Jesus. Naquele momento, Ele interceu pelos seus discípulos e continua intercedendo por todos que haveriam de crer no seu nome. Quando temos um problema, podemos ir a Jesus, e ele intercede por nós junto ao Pai.  Isto é algo  maravilhoso! Por isso,peçamos que Jesus interceda, junto ao Pai, diante das nossas tribulações, sofrimentos,medos; num mundo onde pessoas se afundam na lama do vício e do pecado, em meio ao desespero e tentando levantar a mão pedindo socorro, angustiadas. Amém!

 

 

 

 

segunda-feira, 29 de abril de 2024

 TEXTO: JO 15.9-17

TEMA: PERMANECEMOS NO VERDADEIRO AMOR!

 Amor, uma palavra tão sublime, e ao mesmo tempo, tão desgastada, desvirtuada. A verdade é que vivenciamos o amor que provoca ódio, ciúmes, homicídios, adultérios e falsos testemunhos.  Mas como demonstrar o verdadeiro amor às pessoas? Jesus nos ensina! Ele chamou seus discípulos e disse: Permanecei no meu amor.” E ainda: Assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.” Mas que amor é este que Jesus apresenta? Diferente do amor que vivenciamos, o amor de Jesus era, e é, um amor Divino. Ele é perfeito, puro e fiel em relação ao amor que o mundo nos oferece. E aquele que permanece neste verdadeiro amor, seja na vida pessoal, no trabalho, na família, no relacionamento terá alegria. Ora, o amor traz consigo alegria. Alegria plena que nos torna felizes neste mundo, pois é a partir deste amor que recebemos força e coragem para permanecermos unidos uns com os outros.  Só através do amor que amemos uns aos outros, acolhendo e perdoando, poderemos produzir frutos de amor. Permaneça no amor!

Jesus estava caminhado para Jerusalém junto com seus discípulos. Estava próximo o momento de Jesus, entregar sua vida para resgate dos pecados da humanidade. Assim, como Jesus havia falado sobre a videira anteriormente, agora, fala de amor aos seus discípulos: “Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor.” (v.9). Jesus fala do amor verdadeiro, da manifestação do amor de Deus à humanidade, em que o Pai amou o Filho e o Filho nos amou, quando veio ao mundo, sofreu e morreu pelos nossos pecados que pesavam sobre nós. O que aos homens era impossível, Jesus realizou na cruz, demonstrando o grande amor à humanidade. Diante deste amor manifestado na cruz, Jesus convida seus discípulos a permanecer no seu amor.

Mas, afinal, o que significa permanecer no verdadeiro amor? Significa ficar, esperar; ter uma relação vital, uma relação profunda, uma dependência total com Jesus. Esta permanência é mútua, dos discípulos com o Senhor e do Senhor com os discípulos, define uma relação de profunda comunhão entre ambos, similar à comunhão que existe no amor do Filho e o Pai. Como demonstração deste amor verdadeiro, mútuo, Jesus chamou os seus discípulos de amigos: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (v.14). Jesus não chama os discípulos de servos, mas de amigos. (v.15). Ao chamar de amigos, ele compartilhou seus sentimentos, suas experiências, seus conhecimentos, seu amor.Somente pode ser autêntico amigo de Jesus Cristo aquele que se decide também por amar ao ser humano.

Jesus também nos convida para permanecermos no seu amor! Não no amor que o mundo apresenta. O amor que provoca ódio, ciúme, que comete homicídios, adultérios e falsos testemunhos. Este falso amor que paira nos corações de muitas pessoas. O convite de Jesus é a nossa permanência no amor Divino.  O apóstolo Paulo afirma: O amor é paciente, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria não se ensoberbece não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta. I Coríntios 13.4-7. É neste amor verdadeiro que devemos permanecer.

Devemos permanecer unidos em Jesus do mesmo modo que Ele permaneceu unido ao amor do Pai. Mas como? A resposta a essa pergunta se encontra nas palavras do próprio Jesus: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor.” (v.10a) Ele nos ensina que – se guardarmos os seus mandamentos, a sua Palavra, os seus ensinamentos e colocarmos em prática aquilo que Ele nos ensinou a viver – o seu amor permanecerá em nós. Foi, justamente, isso que Jesus fez: Ele guardou, observou e viveu os mandamentos do seu Pai, por isso, permaneceu no seu amor. Sendo assim,aquele que permanece no amor Divino, terá alegria, Jesus diz: “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.” (v.11). O termo gozo nesta passagem é sinônimo de alegria. Ora, o amor traz consigo alegria plena na salvação que Cristo providenciou. É alegria que desfrutamos quando permanecemos em Cristo. Mesmo quando somos alcançados por uma enfermidade, uma perda, um problema qualquer; ou provas! Ou  as coisas que mais nos agradam são destruídas, ainda assim podemos ter alegria! A Bíblia fala de uma alegria diferente, uma alegria duradoura, permanente. O apóstolo Paulo afirma em Filipenses 4.4 Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai- vos.

Os discipulos deveriam ser transmissores deste amor. “Assim com eu vos amei que também vos ameis uns aos outros.” (v.12.)A proposta de Jesus é que o seu mandamento sirva de orientação na vida e no relacionamento de seus discípulos com o próximo. E qual é o mandamento? O mandamento “ameis uns aos outros.”.Afinal, Jesus os escolheu e lhes ensinou sobre o verdadeiro amor. Eles conheceram e experimentaram este amor de Cristo, que se manifesta no perdão dos pecados e na paz com Deus.  Compreenderam a necessidade de amor uns aos outros. O apóstolo Pedro também recomenda: “Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados.” (I Pedro 4.8). E ainda os designou para irem ao encontro do próximo e anunciar sobre este amor. A iniciativa é  de Jesus: “eu vos escolhi” (v.16a) e esta escolha  tem objetivo definido: “para que vades e deis fruto.” (v.16b). Na verdade, produzir frutos significa o meu agir diante de Deus em toda a situação permanecendo em comunhão com ele, como o ramo que está ligado a videira. Quem permanece no amor de Deus dá frutos, assim como os ramos da videira só podem dar frutos se permanecerem unidos à videira. E aquele que permanece no amor de Cristo, obedece os mandamentos e frutifica, este terá as suas orações respondidas: “tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” (v.16c).

 Estimados irmãos! O Senhor também nos ordena: “amai-vos uns aos outros” (v.17). Diante desta ordem do Senhor compreendemos que, nossa postura diante do mundo e das pessoas, nunca poderá ser de condenação ou desprezo, mas uma postura de amor, um amor que perdoa, e que serve o próximo com alegria. Demonstre com palavras e com gestos este amor!Que possamos sempre permanecer no amor de nosso Deus, o qual enviou seu Filho, que deu sua vida em nosso favor. Então, podemos ter a certeza de que possuímos o verdadeiro gozo, a verdadeira alegria que provem somente do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

 TEXTO: JO 15.1-8

TEMA: PERMANECEMOS UNIDOS NA VIDEIRA VERDADEIRA!

Estimados irmãos!  Creio que a maioria de vocês, já viu uma videira, uma trepadeira lenhosa, cultivada no mundo inteiro. Observe uma vez o desenvolvimento desta trepadeira, a começar pelos seus deliciosos frutos, as uvas. Eles são usados para fazer sucos, geleias, vinho, sorvete e consumidos ao natural. Entretanto, os frutos não existem sem os ramos da videira.  Já, os ramos não existem sem o tronco da videira. É do tronco que nascem os ramos. A videira é a fonte e sustentação da vida para os ramos, e os ramos estão ligados à videira para sobreviver e dar frutos. Por isso, a necessidade do ramo de permanecer firme ao tronco, na videira, para poder produzir muitos frutos. Enfim, é do tronco que vem toda a seiva e força. Portanto, existe certa dependência de ambas as partes para que a videira possa ter vida.

Em nosso texto, Jesus usou a ilustração da videira. Em sua mensagem, Ele convida seus discípulos a permanecerem unidos, tendo como meta de vida não em alvos passageiros, mas em Cristo Jesus, a verdadeira videira. E também não somente naquele momento, mas durante toda a caminhada de Jesus rumo ao Calvário, e ,consequentemente, após a Sua morte. Como é importante, permanecermos no Senhor! Escutar sua voz e procurar pôr em prática seus ensinamentos! Quão importante é nos aderirmos a Ele e buscar forças para que possamos dar frutos! Entretanto, separados de Cristo, somos ramos secos, ramos que não produzem frutos. Não produzindo frutos, serão cortados e lançados no fogo.  Gostaria de ser o ramo que vem da videira verdadeira? Gostaria de ser um ramo produtivo? Nada trará mais paz e liberdade do que estar do ligado a Jesus. Por isso, permanecemos unidos na videira verdadeira!

Depois da última ceia, Jesus e os discípulos foram para o Monte das Oliveiras. Jesus tinha costume de se retirar e ir para este Monte para refazer as forças e também para ficar em íntima comunhão com o Pai. E durante o caminho, Jesus usou a ilustração da videira. Ele disse: “Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor.” (v.1). Uma declaração simples e objetiva: Ele é a videira verdadeira. A expressão “verdadeira” no grego ἀληθινός significa “real” ou “genuíno”. E Jesus afirma ainda que  “o meu Pai é o agricultor , pois foi Ele quem plantou e cultivou esta videira, mas sobretudo, porque cuida dos ramos. Ele cuidou de seu povo que representava uma videira. Na verdade, Israel era a videira que Deus havia tirado do Egito e plantado em uma terra escolhida. Havia recebido toda a atenção necessária para que produzisse frutos extraordinários, mas, em lugar disso, havia produzido apenas uvas bravas.

 No Antigo Testamento Israel era a videira ou a vinha,  agora é concentrada na pessoa do próprio Jesus. Era necessária outra videira, e eis a razão. Então, Jesus apresenta-se como a videira verdadeira. Ele faz uma analogia entre ele e uma videira.Usa a figura da videira para ensinar, consolar e animar os seus discípulos antes de cumprir a sua missão. Os discípulos deveriam deixar a fraqueza, medo e desanimo, e se preparar para enfrentar as pressões, resistir às perseguições, trabalhar, produzir, dar frutos. E só havia uma maneira de atingir o objetivo: permanecendo em Cristo: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.” (v. 4a). O que significa permanecer? Permanecer, no original grego é μένω. Este termo traz a ideia de ficar, esperar; ter uma relação vital, uma relação profunda, uma dependência total, com a Palavra e com Jesus. Significa ainda confiar em Jesus e sua palavra, repousando sobre ele, andando com ele, contando com ele e sua morte e ressurreição em nosso favor. Esta permanência é mútua, dos discípulos com o Senhor e do Senhor com os discípulos, e define uma relação de profunda comunhão entre ambos, similar à comunhão que existe no amor do Filho e o Pai.

Como é importante, permanecermos no Senhor! Escutar sua voz e procurar pôr em prática seus ensinamentos! Quão importante é nos aderirmos a Ele e buscar forças para que possamos dar frutos! Precisamos estar em Cristo. Sem Cristo nada podemos fazer. Jesus afirma: “Como o ramo de si mesmo não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim... nada podeis fazer.” (vv. 4b e 5c). É possível fazer alguma coisa sem Jesus? É possível! Há tantas coisas que podemos fazer sem Jesus. Mas será  isto que queremos? É evidente que não! Por isso, torna-se necessário mantermos uma comunhão constante com Cristo, uma vez que essa comunhão será fundamental para que possamos ter uma vida abençoada, capaz de produzir frutos espirituais.

Portanto, o nosso dever é produzir frutos. E Jesus nos motiva:  E todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.” (v.2b).  O agricultor cuida da videira para que produza mais frutos. Ele as trata com zelo, limpando as folhas, removendo as doenças que surgem, os fungos e insetos nocivos e assim produzem frutos continuamente. É comum que nas videiras alguns ramos cresçam por baixo de outros. Eles acabam sendo privados da luz solar e de nutrientes essenciais para seu desenvolvimento. Esses ramos,muitas vezes, ficam improdutivos. Então, o agricultor ergue-os para cima para que eles possam receber a luz e os nutrientes necessários. Com isso, eles possam produzir mais frutos. Assim, como o agricultor cuida da videira, Jesus cuida daqueles que permanecem em comunhão com ele. Estes recebem  os devidos cuidados do Senhor. O Senhor os abençoa (limpa) e faz prosperar e crescer espiritualmente para que deem mais frutos.

Mas como podemos produzir muitos frutos? Permanecendo em Jesus, uma vida marcada intensamente com ele. Esta é a condição fundamental para ser verdadeiro discípulo e produzir muitos frutos.A Palavra de Deus promete que quando entregamos nossa vida a Jesus Cristo e permitimos que Ele seja nosso único Senhor e suficiente Salvador, o Espírito Santo passa a fazer morada em nós. Assim,produzimos o fruto do Espirito Santo,conforme lemos em Gálatas, capítulo 5, versos 22 e 23: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Através do Espirito Santo, o Senhor nos conduz a um aperfeiçoamento para uma vida sempre frutífera.

Jesus nos chama para uma vida de comunhão com ele, mas,  para aqueles que deixam de permanecer no Senhor, as consequências serão dolorosas. Jesus afirma: “ Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.” (v.6). A função de uma vinha é produzir frutos. A responsabilidade do agricultor é cultivar videiras de qualidade, de forma que elas sejam produtivas. Mas há momentos que a necessidade fazer uma limpeza para que possa produzir bons frutos. Os ramos são cortados,arrancados e lançados no fogo. São medidas necessários para corrigir os ramos inférteis, inúteis da videira.

Jesus também toma medidas necessarias quando não produzimos frutos. Deus intervém através da disciplina. Ele usa cinco verbos para expressar as consequências para aqueles que não frutificam, que impedem a sua permanência unida a Cristo, como parte do processo necessário ao crescimento e produção de frutos. Enfim, retira aquilo que poderia impedir de frutificar em abundância e qualidade  daqueles que insistem em desobedecer ao Senhor, se recusando a frutificar os fruto para Ele; aqueles que andam pelos caminhos do egoísmo, do ódio, da injustiça e do desrespeito à dignidade do outro.Realmente, são medidas dolorosas, algo terrível que acontece quando o homem se separa de Cristo (Mt 27.5). Mas são medidas necessárias para nos corrigir. Seu propósito é nos limpar e libertar do pecado para que possamos viver uma vida em comunhão com ele para sua glória.

Mas Jesus também diz: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” (v.7).Jesus prometeu algo para os seus discipulos, mas  estabelece duas condições. Primeira, a importância dos diacipulos permanecerem em Cristo. É permanecendo em Cristo que  produzimos os frutos que agradam ao Senhor. Eis o segredo para aqueles que permanecem no Senhor.Estes irão produzir muitos frutos.E quando  frutificam,estarão glorificando a Deus. Permitindo que a Sua glória venha a brilhar através de nós, no mundo. Segunda condição: "e as minhas palavras estiverem em vós". Estando em comunhão com Cristo,os discipulos deveriam guardar os ensinamentos de Jesus. Ocorre que para sermos “ramos frutíferos”, precisamos ouvir e guardar bem Sua Palavra. Acolher e procurar colocá-la em prática. Portanto, permancendo em Cristo e as palavras dele estiverem em nós,as nossas orações serão certamente atendidas,   segundo a vontade de Deus.

A permanência  em Cristo não é somente gloriosa para os discipulos, mas também  para o Pai: “Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto e vos tornareis meus discípulos.”(v.8). As expressões “produzir frutos” e “ser discípulo” são apresentados por Jesus como caminhos que não se apartam, como duas  ações semelhantes.Quando os discipulos produzissem muitos frutos, trariam grande glória ao Pai e demonstravam que eram verdadeiros discipulos de Jesus. De fato, somente produz frutos aquele é verdadeiro discipulo, aquele que permanece em Jesus.Ninguém pode realizar obra alguma em Deus, se não estiver ligado em Jesus, porque sem Jesus, não pode gerar frutos. Por isso, nota-se que as palavras de Jesus se tornam ainda mais evidente, que produzir fruto é a forma de agradarmos e de louvarmos o Pai que está nos céus. Ele também é glorificado.

Na verdade,esse deve ser  o nosso propósito de vida, deve ser o nosso maior alvo, a nossa maior motivação neste mundo como verdadeiro discipulo de Cristo.Abrindo  a nossa boca para falar das grandezas do nosso Deus. Glorificando a Deus através  das nossas palavras, louvando, orando, cantando,  testemunhando. No entanto, nem sempre às pessoas tem manifestado essa glorificação a Deus. No AT sempre que o povo de Deus deixou de glorificar ao Senhor, enfrentou sérios problemas. A história bíblica e a história da igreja evidenciam essa verdade. Da mesma forma, muitos filósofos, sociólogos e cientistas, sempre se negaram a glorificar a Deus e renderem graças a Ele. Muitos líderes religiosos na atualidade, dizem glorificar  a Deus, mas acabam glorificando a si mesmo. Corremos o risco, diariamente, de vivermos para nossa própria glória. Será que estamos glorificando a Deus? Ou estamos buscando a nossa glória pessoal? Como podemos viver de forma que Deus venha a ser glorificado?

Gostaria de ser o ramo que vem da videira verdadeira? Gostaria de ser um ramo produtivo? Nada trará mais paz e liberdade do que estar do ligado a Jesus. Por isso, permanecemos unidos na videira verdadeira. Peçamos forças a Deus para permanecermos para manter-nos apegados à videira verdadeira e assim possamos ser bons ramos. Concede-nos a seiva da vida pelo Espirito Santo para que produzamos muitos frutos. Amém.

domingo, 21 de abril de 2024

 TEXTO: SL 1

TEMA: É FELIZ AQUELE QUE NÃO SEGUE O CONSELHO DOS IMPIOS

 O que é felicidade? Onde posso encontrá-la? Como posso ser feliz?  Por que nem todos são felizes?  Embora existam muitas definições para o que é felicidade, pode-se afirmar que se trata de um estado emocional constituído por sentimentos de satisfação, contentamento e realização. Um momento quando as pessoas expressam alegria, se sentem bem consigo mesmo e imaginam possibilidades positivas para o futuro. Mas nem sempre é assim. Às vezes, as pessoas não conseguem sustentar a felicidade por muito tempo. Estão insatisfeitas com o que está acontecendo em sua vida, pois entendem que seus objetivos não foram realizados. Sendo assim, vivem na amargura, no vazio, na ansiedade e depressão.

Diante desta inquietude, o Salmo 1 nos apresenta dois caminhos para uma felicidade duradouraApresenta uma nítida distinção entre o homem feliz, ou “bem-aventurado”, e o homem ímpio que vive distante de Deus. Para o homem que vive distante de Deus, Ele nos alerta: se queremos ser felizes, não podemos ouvir conselhos de ímpios, não podemos trilhar caminhos pecaminosos, nem fazermos aliança com escarnecedores, pois eles não buscam os caminhos de Deus e consequentemente não experimentam esta felicidade. No entanto, Deus deseja a nossa felicidade e nos aponta o caminho: a verdadeira felicidade consiste na obediência à palavra de Deus, no seguir os conselhos de Deus; no servir ao Senhor, no andar nos Seus retos caminhos; buscar a sabedoria de Deus e viver uma vida de santidade. Este é o caminho da felicidade.

                                                                I

 É interessante notarmos que este salmo começa falando da felicidade numa perspectiva negativa: “Feliz é o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (v. 1).  “Não anda”; “não se detém ou não para”; “não se assenta”. Estes três verbos, de modo progressivo, nos mostram exatamente o processo degenerativo daqueles que andam segundo o curso deste mundo, segundo os valores do mundo. Daqueles que dão ouvidos aos conselhos dos ímpios. Daqueles que não amam a Deus.

Esta não deve ser nossa prática, pois o salmista afirma que a felicidade está ligada ao não fazer estas coisas, e apresenta o segredo para sermos felizes: a Lei do Senhor, ou seja, a Palavra de Deus, como a fonte para encontrarmos a felicidade.  E o versículo que vai se contrapor a esta verdade, podemos encontrar no versículo 2: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor e na sua lei medita de dia e de noite”. O prazer do cristão não é andar no conselho dos ímpios. No caminho dos pecadores e nem se assentar na roda dos escarnecedores, mas ouvir que o diz a Palavra de Deus, pois o seu prazer está em obedecer às Escrituras Sagradas e nunca dar ouvidos às práticas de homens ímpios que vivem praticando, o que é contrário a vontade de Deus. Ele busca resposta na Palavra de Deus e não nos conselhos de pessoas sem o temor a Deus. Por isso, andar segunda a Lei de Deus é ser feliz; bem-aventurado.

 É isso que Deus quer de nós, que sintamos mais prazer em estar na sua presença, buscando a sua Lei, e nela meditando de dia e de noite. Para ilustrar esta atitude, o salmista compara

 a uma árvore plantada e cujas raízes se estendem para dentro de um ribeiro de águas: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha”. (v.3). A árvore é constantemente alimentada pelas águas. Está sempre viçosa, verdejante, e dá seu fruto na época própria. Suas raízes são alimentadas pelo subsolo fértil e úmido, pois as águas lhe dão vida. Assim é o homem bem-aventurado, tal qual a árvore plantada junto a correntes de águas. Cada dia, ele precisa saciar a sua sede junto fonte de águas vivas, que é Jesus. Nesta fonte, torna-se firme, estável, tem as suas raízes firmemente apegadas na profundidade do solo, e é inabalável diante de fortes tempestades. E no devido tempo, ele dá o seu fruto. Paulo menciona na carta aos Gálatas estes frutos: frutos de amor, alegria, paciência, bondade, retidão, fidelidade, mansidão, domínio próprio e paz.

 Que tipo de árvore tem sido você? Frondosa, bem enraizada e carregada de frutos maduros ou árvore murcha e infrutífera? Do que você tem se nutrido? Da palavra de Deus ou de palavras do mundo? É preciso refletimos sobre estes questionamentos, pois há pessoas tão distantes da palavra de Deus que se tornam árvores má. Suas raízes não resistem às provações, dificuldades e outras secas que surgem neste mundo, pois a fonte que a alimenta está fundamentada na desonra, no mundo e nas coisas do maligno. Lembre-se: Só poderemos nos tornar árvores boas, se fizermos uso da palavra de Deus, praticarmos em nossa vida. Só será realmente feliz aquele que for como “árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha”.

Portanto, feliz é aquele que anda em conformidade com a vontade de Deus, Anda na lei do Senhor, na Sua Palavra, e medita continuamente. Não se deixa levar pelos conselhos e opiniões dos ímpios.

                                                                         II

 Agora, o salmista se volta para os ímpios, dizendo: “Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa” (v. 4). Aqui novamente, o salmista usa outra ilustração para demonstrar a atitude dos ímpios. Na Palestina se debulhava o grão na eira, uma porção de solo liso e duro no campo, situada muitas vezes sobre uma colina varrida pelo vento. Os preciosos grãos ficavam na eira, mas o vento levava a palha. Em comparação com os justos, os ímpios são como a palha inútil que o vento afugenta. Algo morto, seco, inútil, e quando vem o vento, dispersa. Não têm raiz nenhuma; falta-lhes estabilidade e não podem durar por muito tempo.

Estes são os ímpios. Eles vivem em rebelião contra Deus e não tem o mínimo de temor; são perversas e praticam o mal contra outras pessoas – Salmo 10.7-8; prejudicam outras pessoas para conseguir o que quer – Sl 10.2-4; são irreverentes -Isaías, 26.10.Por isso, “Eles não prevalecerão no juízo” (v.5a).O salmista usa o verbo “prevalecer”: literalmente significa que não se “levantarão” no juízo, ou seja, no dia do juízo não serão vitoriosos, mesmo que aqui neste mundo aparentemente prevaleçam. Mesmo que obtenham vitorias e sucesso em muitas áreas da vida. No entanto, no dia do juízo final, eles não prevalecerão.  “nem os pecadores na congregação dos justos”. (v.5b). Muito triste, mas os profetas, Jesus, os discípulos alertaram, e a igreja cristã continuou alertando.

De forma clara e objetiva, o salmista vai conclui o texto, fazendo a separação entre o justo e o ímpio, quando diz: “O Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá” (v.6). O Senhor não somente conhece, mas participa também dos nossos caminhos, nos acompanha, nos adverte e nos corrige. Quando se refere o caminho dos ímpios. O salmista usa o termo “perecer” que significa cessar de viver ou deixar de existir, ser destruído, tornar-se nada, consumir-se, morrer. Eles andam segundo o caminho da sua própria vontade e não segundo a vontade de Deus. Vivem para satisfazer a sua carne, seu coração e seus desejos. Portanto, estes perecerão no último dia – serão condenados ao sofrimento eterno, separados do Senhor. Este é o caminho dos ímpios que os leva a perecer. Eles serão destruídos, consumidos porque escolheram o caminho do pecado. Deus já demonstrou na história do dilúvio e de Sodoma que os ímpios de fato serão destruídos.

As Escrituras deixam bem claro para onde nos conduzem os nossos próprios caminhos: "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte." (Pv 14.12). Por isso, abandone os seus próprios caminhos, volte-se para a Palavra do Senhor, abandone os desejos do seu coração que é enganoso e corrupto e obedeça ao Senhor e viva a Sua Palavra. Abandone tudo que não está de acordo com a Lei de Deus e se volte para Ele que é rico em perdoar. Aqueles que fazem assim prevalecerão e se levantarão no dia do juízo e receberão as boas vindas do Juiz e a herança prometida, o reino eterno; mas os que não fizerem isso, não se levantarão, serão apartados para o sofrimento eterno. Amém.