terça-feira, 8 de abril de 2025

TEXTO: SL 31

TEMA:  NAS TUAS MÃOS, ENTREGO O MEU ESPÍRITO!

O Salmo 31 é de lamentação. Ele foi escrito, e pode ser dividido em três partes: um pedido de libertação de Deus (versículos 1-13), uma expressão de confiança na fidelidade de Deus (versículos 14-18) e uma declaração de louvor e confiança (versículos 19- 24). Ele é dirigido ao “músico-chefe” ou “mestre de canto.” Mas não sabemos quando foi composto. Alguns intérpretes supõem que foi escrito quando Davi foi perseguido por Saul. Ele estava escondido no deserto de Maon. Naquele local, os homens de Zife, israelitas que pertenciam à tribo de Judá (Js 15.24), aproveitaram a oportunidade e traíram Davi.( 1 Samuel 23.19,20).

É justamente neste contexto  que o salmista  sente angústia  e medo por causa da perseguição de Saul e seu exercito.  Nestas circunstâncias , Davi demonstra  fé em Deus, o único capaz de oferecer refúgio e proteção. Ele não tinha outro lugar onde pudesse buscar refugio, se não somente em Deus. É justamente nas mãos de Deu que ele busca proteção. Ele explica: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”.

Jesus quando estava na cruz, nos seus últimos momentos, faz uma citação deste salmo. Ele bradou em alta voz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Tendo dito isso, expirou. O Senhor havia ficado muitas horas nas mãos de pecadores. No Getsêmani, ele disse aos discípulos: “O Filho do Homem está para ser entregue nas mãos de pecadores” (Mt 26.45). Jesus sofreu ,horrívelmente, nas mãos de pecadores. Aquelas mãos o agarraram e o prenderam,  bateram nele, o despiram, colocaram uma coroa de espinhos em sua cabeça e elas o pregaram na cruz Jesus morreu sendo insultado, com o corpo ferido de morte e totalmente ensanguentado.  Contudo, quando chegou ao término de sua missão, Jesus Cristo já não estava mais nas mãos de pecadores. Ele morreu confiante, porque estava nas mãos do Pai. E,assim, pôde dizer: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito!”

Como é maravilhoso entregar a nossa vida nas mãos do Pai. Mesmo que as mãos dos homens venham a nos ferir, o Pai, a seu tempo e a seu modo, vem nos proteger e cuidar de nós com suas próprias mãos. As mãos do Pai não nos deixam entregues às mãos do inimigo. Entregar nossas vidas aos cuidados de Deus é um ato de fé. Significa colocar nossas vidas completamente sob o seu poder, sabedoria e misericórdia, para serem guiadas e preservadas exclusivamente de acordo com a sua vontade. E, se assim o fizermos, o Deus misericordioso promete se responsabilizar totalmente por nós: nos alimentandos, nos vestindo, nos abrigando e guardando os nossos corações de todo o mal. Em circunstâncias como a do salmista, poderíamos nos aproximar de Deus e dizer-lhe com a mesma convicção de Davi: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito.”

                                                                       I

 Davi inicia o salmo elevando seus pensamentos a Deus em oração: “Em ti, Senhor , me refugio.” (v.1a). Esta é a base sobre a qual repousa a sua oração. A palavra  refúgio, significa abrigo, lugar. Possui o sentido de apoiar-se sobre algo ou alguém. Diante de sua angustia o salmista buscou refúgio, proteção no Senhor. Ele lembrou que somente em Deus encontraria verdadeiro refúgio. No Salmo 118.8-9, ele afirma: “É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens. É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar em príncipes.” Os homens não são dignos de confiança. E ainda afirma: “ não seja eu jamais envergonhado.” (v.1b). Significa nunca me deixe envergonhar. Nunca  me dê ocasião de me envergonhar; que eu  não seja “desapontado” a ponto de envergonhar-me por ter confiado em ti. Sendo assim, o salmista em sua oração apela para  à justiça do Senhor: “livra-me por tua justiça.”(v.1c). Ele pede que o Senhor aja com justiça contra seus inimigos, de acordo com a aliança que Ele fez com Israel, caso contrário, ele se envergonhará (desapontado) de sua confiança Nele.

No entanto, Davi continua implorando a Deus: “Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa”. (v.2a). O verbo נָטָה (inclinar) significa virar para o lado, curvar-se, abaixar-se. Pela súplica do salmista, a situação não era nada agradável. Por isso, implora ao Senhor por mais atenção em relação ao seu pedido contido na suplica. Ele suplica desta forma, pois o “Senhor é o seu castelo forte, cidadela fortíssima que me salve.”(v.2b). E ainda o Senhor é  “uma rocha forte”, isto é, uma casa de rocha (Sl 18.2), e “uma fortaleza” que serve de proteção.(v.3). Isso deixa claro o quanto os inimigos o pressionavam e já estavam tão perto dele.

Como é maravilhoso saber que Deus é o nosso refúgio. Nele encontramos toda força e proteção necessárias quando tudo ao nosso redor parecer ruir. Ele nunca nos abandona, quer chova ou faça sol, quer sopre ventania ou haja calmaria, na doença ou na saúde. Ele também está com seus filhos para lhes fazer justiça, diante dos malfeitores. seja confortando-os no sofrimento, seja livrando-os das suas armadilhas. Como é bom  saber e experimentar que ele é a nossa fortaleza; e que estende os seus braços sobre nós, protegendo e preservando nossa vida. Por isso, sempre que estivermos em situação de perigo, vivendo tempos difíceis, antes de perder o ânimo e desfalecer, Deus transforma os nossos desertos num lugar aprazível e o chão ressequido em fontes de água viva. Ele converterá nossa tristeza em alegria.

Davi não tinha outro lugar onde pudesse buscar refugio, se não somente em Deus. É justamente nas mãos de Deu que ele busca proteção. Ele explica: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”.(v.5). A expressão  “Nas tuas mãos.” refere-se ao poder, sabedoria de Deus. ou que dá entendimento, que tudo sabe, que tudo pode, pois com suas mãos Deus faz tudo, nem precisa de instrumentos. O verbo פָּקַד (entrego) significa cuidar de, tomar conta, entregar aos cuidados de. E רוּחַ (espirito) significa vento, hálito, mente . Davi foi rejeitado pelos seus inimigos, mas achou conforto e refúgio no Pai. Ele entregou nas mãos de Deus, inteiramente o  seu espirito, pois temia as mãos assassinas dos ímpios e perversos.

Ele ainda  entrega a Deus com uma fé confiante: “tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade.” O verbo פָּדָה (redimir) significa ser liberto, resgatar, livrar e o conteúdo do termo varia de acordo com a fonte da opressão. O termo hebraico para verdade é אֶמֶת, que significa confiabilidade e fidelidade. Podemos traduzir assim: "Tu és um Deus fiel". Com estas palavras, Davi exprime completa dependência de Deus — sua vida está nas mãos de Deus para que faça o que desejar dela ao entregar o seu espirito a Deus.  Quando entrega a Deus, ele confia ,plenamente, na sua ajuda diante de seus inimigo. Isso significa que ele não faz mais planos sozinho, mas os deixa nas mãos de Deus.

Estas palavras do salmista foram proferidas por Jesus, pouco antes de sua morte na cruz (Lc 23.46). Jesus foi rejeitado, traído e negado pelos homens, mas achou conforto e refúgio no Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”  Este foi o seu último clamor e, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. Na cruz do Calvário, Jesus  encarou a morte com tranquilidade, porque confiou naquele que tomaria conta do seu espírito. Entregar seu espírito nas mãos de seu Pai era um ato final de dedicação, de auto-entrega. Ninguém tirou sua vida, seu fôlego de vida. Ele mesmo entrega seu espírito, sua vida, porque recebeu do Pai um mandamento. (João 10.17-18).

Mas o que aconteceu quando o Senhor Jesus entregou  seu espirito ao Pai ? E qual o significado dessas palavras para Jesus e para a humanidade? Para Jesus, foi um momento de profundo significado, pois obteve a vitória contra o pecado, o diabo e a morte. Ele veio ao mundo para pagar os nossos pecados, para nos reconduzir a Deus. Somente Ele poderia pagar esse preço em nosso lugar. Agora, há perdão para os pecados, há reconciliação entre o homem e Deus, há uma realidade da vida eterna. Ainda, na sexta-feira da Paixão, Jesus venceu o inimigo que havia nos aprisionado pela sedução do pecado. Derrotou Satanás em nosso favor. Agora, Satanás já está derrotado, juntamente, com todas as suas potestades. Ele, agora, não tem mais poder para nos condenar. Não tem domínio sobre nós, pois estamos vivendo sob a proteção do Senhor.

Quando Jesus ressuscitou, derrotou o último dos inimigos, a morte . Sua ressurreição foi uma verdadeira e total derrota da morte. Ele venceu a morte de uma vez por todas, como Pedro explicou: "Porém Deus o ressuscitou, livrando-o da agonia da morte, porque não era possível que fosse retido por ela" (Atos 2.24). O fato de Cristo ter vencido a morte abriou-se as portas da eternidade, onde estaremos face a face com Deus. Porque  sem a ressurreição, não há nenhuma esperança para nós: "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a fé que vocês têm, e vocês ainda permanecem nos seus pecados" (1 Coríntios 15.17). Mas Cristo "não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho" (2 Timóteo 1.10). Sua morte foi o meio pelo qual o amor de Deus nos alcançou. Este grande amor está expresso nas palavras de João 3.16: naquele último momento de vida o Senhor entregou-se aos braços do Pai! Ele que sempre esteve amparado pelo Pai neste mundo, que viveu  sempre em profunda sintonia com o Pai agora entrega-se confiadamente nos braços do mesmo Pai.

O salmista entregou seu espirito ao Senhor. Ele procede desta forma, porque confia plenamente no  Senhor. Ele afirma: “Aborreces os que adoram ídolos vãos; eu, porém, confio no Senhor.” (v.6). O verbo  aborrecer significa no hebraico “aquele que odeia”, abomina, detesta, ou seja, aquele que não se entrega a “vaidade mentirosas” (insensatez , tolice). As “vaidades mentirosas” são ,provavelmente, “ídolos”. Alusão para aqueles que participavam da adoração de ídolos. Estes ídolos eram ,frequentemente, representados como falsos – como vãos, ou vaidade, – como uma mentira – em contraste com o que é verdadeiro e real. Detestar os idolos e confiar no Senhor. Este é o pensamento do salmista. É você tem confiado no Senhor ou nos ídolos? Infelizmente, deparamos diante  de pessoas que ainda são orietadas pelo romanismo, adoram diretamente a ídolos em suas procissões, e exaltam à virgem Maria como sendo a “mãe de Deus”. A verdade é que muitas pessoas são enganadas por falsos líderes que estimulam essa idolatria de imagens de escultura, talhados em pau e pedra. Elas se esquecem do Deus que os criou, e ignoram as evidências que demonstram que há um Deus de majestade e excelência, que não pode ser adorado por imagens de escultura.

No entanto, o salmista confiava no SENHOR. Além da confiaça, Davi tem grande alegria por causa da benignidade de Deus (v.7). Afinal, Deus  conheceu as angustias da alma de Davi, ou seja, Ele não apenas percebeu, mas participou delas. Por isso, Davi agradece a Deus por não tê-lo entregado “na mão do inimigo”, mas, pelo contrário, por ter colocado “os pés em um lugar espaçoso” (v.8).  Seria como se salmista estivesse em lugar apertado e Deus lhe tirasse dali, e o colocou em um lugar onde a última coisa que sentisse fosse aperto. Neste sentido, percebemos o quanto o salmista estava sofrendo. E se não fosse a proteção divina, em livrar-lhe de seus inimigos, a consequência seria terrível

No entanto, de forma comovente, Ele  suplica ao Senhor, se volta como miserável para a misericórdia e o amor de Deus. Em vez de procurar por “culpados” ou negar seus erros, reconhece que precisa de Deus: “Compadece-te de mim, Senhor, porque me sinto atribulado; de tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo.” (v.9). Existe uma mudança brusca a partir deste versículo. O salmista passa a demonstrar a situação que estava vivemdo. Ele estava atribulado e triste Passava por um momento de profunda melancolia, no íntimo de sua alma, perdendo suas forças físicas. Sua vida se consumia em gemidos e na fraqueza de seus ossos, sofria as dores mais lancinantes. E ele dá a razão para todo esse estado de sofrmento que estava vivendo: “Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos, em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem.” (v.10). Quando afirma, “a minha força, por causa da minha iniquidade,” aqui retrata um sentimento de culpa que contribui para a angústia da mente e do corpo do salmista. E assim, ele não tem mais condições de realizar o seu trabalho, pois “ seus os ossos os consomem.” Ele estava doente. Era um momento de intensa depressão.

E para aumentar os seus sofrimentos, os seus conhecidos, amigos e vizinhos o alienaram, o abandonaram, além de ser ridicularizado e considerado como opróbrio perante os seus adversários. Na verdade, ele foi objeto de escárnio, um horror para os meus conhecidos: uma visão amedrontadora que afasta aqueles que observam a condição do salmista. (v.11). Como esquecido e morto, ou como um caco de um vaso quebrado, o salmista se sente desamparado e rejeitado. (12). Sua angústia só aumenta quando se torna alvo de difamação, cercado por situações de temor, em que conspiram contra ele. ( v.13). Ocorre, que ele  não encontrou forças na sua própria alma, e muito menos nas pessoas ao seu redor. Elas rejeitaram, fugiram e conspiraram contra Davi.

                                                                       II

Onde Davi encontraria ajuda? Novamente, ele reafirma a sua confiaça no SENHOR: “Quanto a mim, confio em ti, SENHOR. Eu disse: tu és o meu Deus.” (v.14). Interessante o pensamento do salmista: demonstra uma fé particular, íntima e pessoal ao confiar plenamente no SENHOR. Davi era um homem de integridade, um adorador, sabia esperar no Senhor e não se desanimava com as lutas do dia a dia (Sl 27.14). Confiava ,inteiramente, no Senhor (Sl 37.3-9). Como está a sua confiança no Senhor? (Sl 37.5). Você tem confiado em Deus com a mesma intensidade do salmista. Tem deixado  que Ele resolva os seus problemas? Lembre-se: a confiança gera esperança. Quando confiamos em Deus, temos paz, alegria e coragem. “Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se pode abalar, mas permanece para sempre.” ( Sl 125.1). Quando demonstramos confiança no Senhor, nada pode abalar a nossa estrutura, pois a confiança no Senhor produz uma firmeza inigualável. É maravilhoso ser protegido!

Davi entendia que seus inimigos podiam tirar tudo que possuia, menos a confiança que tinha em  Deus.  Além disso, os seus inimigos não podiam afrontá-lo, insultá-lo, ofende-lo, porque ele recebia a proteção do SENHOR: “Nas tuas mãos, estão os meus dias; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores.” (v.15). Deus através de sua mão o sustentou, levantou, protegeu, livrou, prometeu, conduziu a sua vida. Foram momentos marcados pela mão de Deus, pois sem a mão do Senhor Davi não seria ninguém.  Ele sabia de suas fraquezas, por isso, confiava nas mãos de Deus todos os dias. É justamente neste  confiança que ele ora e pede livramente das mãos dos seus inimigos e de seus persegudore.  Nestas circunstâncias ,Davi demonstra  fé em Deus, o único capaz de oferecer o livramento. Ele não tinha outro lugar onde pudesse buscar refugio, se não somente em Deus. É justamente nas mãos de Deu que ele busca proteção. Depender de Deus em tudo, confiar totalmente Nele e ser dirigidos pelas suas mãos deveriam ser os nossos maiores ideais todos os dias da nossa vida.

Da mesma forma, baseado nesta confiança o salmista estava ciente da bondade de Deus. Então, suplica: “Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua misericórdia.” (v.16). O rosto de Deus voltado em direção a alguém significa sua presença no sentido de um relacionamento próximo e íntimo. Isso só é possível por sua infinita misericórdia. Quando  resplandece sobre nós, somos guiados por sua luz. Ele nos mostra o caminho da verdade e nos capacita a viver de acordo com sua vontade. Sua luz dissipa a escuridão do pecado e nos ajuda a discernir o que é certo. A misericórdia de Deus nos sustenta. A misericórdia é o amor compassivo de Deus que nos perdoa e nos restaura mesmo quando não merecemos. Ela é um reflexo de sua graça incondicional. Reconhecer a misericórdia de Deus nos leva a ser misericordiosos com os outros e a viver em humildade diante dEle.

 Davi sendo um servo de Deus e tendo invocado o Senhor com sinceridade e verdade em todas as ocasiões, suplica ao Senhor: “Não seja eu envergonhado, Senhor, pois te invoquei; envergonhados sejam os perversos, emudecidos na morte.” (v.17). Aqui aparece novamento (v.1) o termo בּוּשׁ, que significa ser envergonhado, ficar embaraçado, ficar desapontado. O salmista pede ao Senhor para  que nunca o deixe envergonhado, que não  dê ocasião para que seja “desapontado,” a ponto de envergonhar-se por ter confiado no Senhor. Os ímpios, sim, devem ser envergonhados por Deus. Eles devem ser silenciados pela morte, para que não possam mais falar suas palavras perniciosas, pois os seus inimigos estão prontos para matá-lo. Suas bocas devem ser fechadas para sempre, pois eles têm lábios mentirosos: “Emudeçam os lábios mentirosos, que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém.” (v.18). Eles não fazem nada além de difamar, enganar, caluniar e falar mentiras. Dizem coisas más com arrogância e desprezo contra o justo também pode ser traduzido por: "Falam ,insolentemente, contra o justo com orgulho e desprezo.”

                                                                     III

 Enquanto na primeira parte Davi está desanimado e preocupado com os rumos da sua vida, agora, uma explosão de alegria: “Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual usas, perante os filhos dos homens, para com os que em ti se refugiam!” (v.19). Essa visão, exposta por Davi, é tão reconfortante que ele faz questão de demostrar sua gratidão, diante da atuação de Deus em seu favor. Davi sabia disto, por isso, se mantinha confiando. De fato, a bondade que Deus nos reserva é abundante. Dura para sempre. É abrangente. Ela é somente para aqueles que temem ao Senhor. Davi demonstou a grandisidade da bondade SENHOR, quando afirma: “No recôndito da tua presença, tu os esconderás das tramas dos homens, num esconderijo os ocultarás da contenda de línguas.” ( v.20). Davi insiste na figura do “esconderijo”. A frase “No recôndito da tua presença” significa tua “presença secreta”. O hebraico traz a ideia de:  “o segredo do teu rosto”. Potanto,  o termo recôndito é um lugar mais profundo, íntimo, reservado, baseia-se num relacionamento ligado por afeição e confiança ao Senhor. A ideia é que o SENHOR os esconderia, ou os retiraria da vista do público, ou da vista de seus inimigos. Dos inimigos que não mostram o rosto. Não se identificam. Conspiram, tramam e montam armadilhas às escondidas. E qual é a arma?  Usam a língua, denigrem, caluniam e difamam. Quando isto ocorre  Deus os levará, por assim dizer, para sua própria presença imediata, e irá protegê-los.

No entanto, Davi continua falando da ação de Deus. Ele agradece pela evidência de que Deus o ouviu os seus problemas e lhe respondeu: “Bendito seja o Senhor , que engrandeceu a sua misericórdia para comigo, numa cidade sitiada!” (v.21). O salmista afirma que a bondade do SENHOR se tornou um objeto de admiração e espanto em sua vida, pois  SENHOR   engrandeceu a sua misericórdia – literalmente, “Ele tornou sua misericórdia maravilhosa.” Tudo o que a passagem necessariamente implica é que Deus lhe deu proteção como se ele tivesse sido colocado em uma cidade fortemente fortificada, onde estaria a salvo do perigo. Isto significa que o SENHOR lhe deu proteção quando suplicou compaixão, perdão dos seus pecados, e ele foi atendido: “ Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro.” (v.22).  A palavra  “pressa” significa apropriadamente correr, fugir,  temer, estar aterrorizado. Isto fez com que  se sentisse excluído da presença do SENHOR. Mas Deus ouviu a sua súplica quando clamou por socorro. Deus nunca desampara os seus filhos que Lhe pedem a compaixão e o perdão. Se nos aproximarmos dEle com nosso humilde pedido de compaixão, Ele se aproximará de nós com o seu grande  amor.

A experiência do salmista mostrou a sabedoria de confiar em Deus em tempos de perigo e angústia, e lançou o fundamento para uma exortação adequada para que outros sigam o seu exemplo. E,assim, ele faz um apelo veemente a todos os que temem a Deus: “Amai o Senhor, vós todos os seus santos.”(v.23a). Este é o maior apelo encontrado na Bíblia: “Amar ao SENHOR.” Amar Aquele que nos amou antes da fundação do mundo. Assim, como Deus nos amou, Ele espera que nós também. Mas como devemos amar a Deus? João nos deixou claro, quando disse: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos.” (1Jo 5.3). Cristo também afirma: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.” (Mt 22.37). A razão aqui atribuída para o amor ao SENHOR é que ele preserva aqueles que são fiéis.(23b).

Entretanto, o salmista parece ter percebido que havia um juiz maior que os homens, que traria à luz à verdade e puniria o que realmente era mal, sem dar ouvidos a acusações infundadas e falsas. Ele preserva os fiéis e pune os orgulhosos, e que este fato constitui uma razão pela qual todo o seu povo deveria confiar nele. Os fiéis são aqueles que colocam sua confiança no SENHOR; aqueles que não desistem em desânimo e desespero em tempo de perigo e dificuldade; aqueles que não o abandonam. Mas aqueles orgulhosos, que usa de arrogância, o SENHOR retribui em abundância o castigo. Portanto, ainda que os ímpios nesse mundo acabem por tirar vantagem dos outros e oprimir os aflitos, o Senhor não permitirá que tal situação seja permanente.

Davi deve ter sentido ação vinda do SENHOR e a proclama aos que estão ao seu redor, dizendo: “Sede fortes, e revigore-se o vosso coração.”(v.24). O salmista encorajou o seu povo. As suas palavras de encorajamento estão além dos conselhos dos livros de auto-ajuda, pois é dito a um grupo bem definido: “vós todos que esperais no Senhor.”(v.24b). Há tantas coisas que esperamos neste mundo, diante do nosso desânimo e cansaço que vivenciamos diriamente. Nestas circunstâncias, muitas pessoas  procuram ajuda nas vãs filosofias, no dinheiro e nos vícios; outros olham para dentro de seu interior, e procuram respostas para seus problemas, ao invés de buscar ajuda no próprio Deus .Nesses momentos devemos recorrer ao nosso Senhor e Salvador que Ele nos dará o socorro esperado. Somente o nosso Senhor é capaz de nos tirar das situações difíceis e atender ao nosso pedido de socorro. Foi o que fez Davi. Depois de pensar coerentemente nas possíveis soluções para os seus problemas, Davi chega a uma conclusão magnífica.  

Como podemos aplicar este salmo a nossa vida? O salmista expressa sua confiança na proteção de Deus e pede livramento de seus inimigos. Você também pode confiar na proteção de Deus e pedir sua libertação em tempos difíceis. O salmista confessa sua confiança em Deus, dizendo: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Você também pode confessar sua confiança em Deus, sabendo que ele é fiel e o manterá seguro. O salmista pede a misericórdia de Deus e livramento de seus inimigos. Você também pode buscar a misericórdia de Deus e pedir-lhe que o ajude em tempos difíceis. O salmista louva a Deus por sua bondade e fidelidade, dizendo: “Quão grande é a tua bondade, que tens guardado para aqueles que te temem” (versículo 19). Você também pode se alegrar com a bondade de Deus e confiar em sua fidelidade. Enfim, o salmista busca refúgio em Deus, dizendo: “Tu és o meu refúgio, a minha porção na terra dos viventes” (versículo 5). Você também pode encontrar refúgio em Deus, sabendo que ele é um lugar seguro a quem recorrer em tempos difíceis.

 Que lição para nós! Em meio a tantos problemas e a tanto sofrimento, Davi conseguiu ver a mão de Deus agindo a seu favor e o livrando do mal. Seus olhos estavam atentos a isso, porque seu coração estava ligado ao Senhor. Ele orava a Deus e permanecia atento às respostas do seu Senhor. Que o nosso mais profundo anseio seja o de sempre notar a atuação e a bondade do nosso Deus, ainda que os “terremotos” da vida estejam sob nossos pés! E que, fruto dessa visão, sejamos fortalecidos e consolados por andarmos sob as asas daquele que é o Senhor do universo e o protetor dos que o buscam! Amém!

 

 TEXTO: LC 24.1-12

TEMA: CRISTO RESSUSCITOU, ELE NÃO ESTÁ MAIS AQUI!

Hoje é Páscoa! Para o comércio é uma data de grandes negócios. Afinal, vivemos numa sociedade capitalista, materialista e consumista, em que as crianças esperam neste dia com ansiedade um presente de ovos de chocolate. As vitrinas das lojas e casas comerciais das cidades são ornamentadas de tal forma a chamar a atenção das pessoas. Além da troca de ovos de chocolate, as famílias se reúnem para celebrar um almoço, com direito a pratos especiais, mesas fartas, mensagens e músicas de Páscoa. Enfim, somos bombardeados com os comerciais de ovos de chocolate e coelhinhos, na TV, no rádio, em Outdoor’s espalhados por todas as cidades e supermercados. Este é o significado que o mundo tem dado para Páscoa.

Também para o cristianismo é uma data importante, porém, com outro significado. Diferente do que pensa o comércio, o verdadeiro significado da Páscoa não está nos chocolates, coelhos, ovos e festas, mas está no significado do sepulcro vazio para Jesus que ressuscitou. Ele não permaneceu no sepulcro. Garantiu o cumprimento de todas as suas promessas, pois ressuscitou como havia prometido. Ele provou de fato ser o Filho de Deus ao exercer poder sobre a vida e a morte, conquistando a vitória sobre o pecado e o diabo. Esta mensagem se concretiza nas palavras do anjo: “Cristo ressuscitou, ele não está mais aqui!”

O “Cristo ressuscitou, ele não está mais aqui,” é uma mensagem para as mulheres e os discípulos que estavam, confusos, tristes e duvidaram de muitas coisas. Agora, não precisavam mais andar tristes e preocupados. O sepulcro estava vazio. Cristo ressuscitou. Ele venceu a morte. Não havia mais incerteza, dúvida, desespero porque foram iluminados e agraciados pelo Evangelho. Sendo assim, esta notícia da ressurreição deveria impulsionar os discípulos a divulgar a mensagem da salvação. A mensagem do anjo também vale para nós.                                                    

Estimados irmãos! Jesus em várias ocasiões havia predito sua morte sobre a cruz. Mas, o que é mais significativo, é o fato que ele, de igual modo, predisse também a sua ressurreição: no terceiro dia ressuscitarei dentre os mortos. (Mc 10.34) E de fato, Ele ressuscitou! No entanto, alguma coisa precisava ser feita. As mulheres tomam uma decisão: preparam-se para embalsamar o corpo de Jesus. Era alta madrugada, no primeiro dia da semana, as mulheres já estavam a caminho do túmulo, e levaram aromas que haviam preparado para embalsamar. Era costume preparar o corpo para sepultura, colocando perfumes, ervas cheirosas para encobrir o hálito do morto, para deter ao menos o processo de decomposição.

Durante a caminhada, em seus corações, ainda pairavam todos os temores e incertezas dos acontecimentos da última semana. O fato de Cristo estar morto não lhes era bem aceito no coração, muito embora os fatos fossem evidentes. Elas foram à sepultura mais impulsionadas pelos seus sentimentos do que pela razão. Nem mesmo se preocuparam em pedir que alguém fosse junto para rolar a enorme pedra que havia sido colocado frente à sepultura, pois esta era a grande preocupação. O evangelista Marcos traz mais detalhes. Fala que as mulheres tinham esta preocupação, quando foram ao sepulcro: “Quem nos removerá pedra da entrada do túmulo?” (16.12). Quem removerá para nós? Esta era a pergunta que preocupava aquelas mulheres. Afinal, uma grande pedra foi colocada à frente do sepulcro. Ela foi selada, e guardas foram posicionados para proteger o túmulo.

Pedras são obstáculos que encontramos na nossa caminhada neste mundo. São pedras pequenas, grandes e enormes que, muitas vezes, não podemos removê-las. São as pedras da amargura, do orgulho, da falta do perdão, do ressentimento, da falta de humildade, do medo, da angustia. Estamos cientes que temos obstáculos e problemas sérios, e ansiedades e medos na nossa vida. Mas não podemos perder o ânimo ou a coragem, não importa o tamanho do problema que enfrentamos em nossas vidas. O que precisamos é olhar para frente e ver que a pedra foi removida. É preciso deixar que a vitória da ressurreição de Jesus, alcance nossos desânimos.

Entretanto, grande foi a admiração das mulheres quando, ao vislumbrar o túmulo, viram que ele estava aberto. Não podiam entender. Nem ao menos pensaram em ressurreição. De fato, a pedra estava removida. Quem será que removeu? Quem abriu o sepulcro? O fato é que a pedra foi removida. E isto levou as mulheres a entrarem no túmulo. No entanto, ao entrarem, não acharam o corpo de Jesus.  O corpo de Cristo não estava mais lá dentro. O túmulo estava vazio. As mulheres ficaram perplexas a este respeito. Mas justamente neste momento que “lhes apareceram dois varões com vestes resplandecentes.” (v.4). Marcos relata que havia um anjo, com aparência de um jovem vestido de branco, que falou às mulheres. (16.5).

A presença do anjo e a ausência do corpo de Cristo fizeram com que as mulheres se sentissem surpresas e cheias de medo. Podemos imaginar o estado de espírito em que estas mulheres se encontravam. Elas ficaram surpreendidas e atemorizadas. Além disso, o espanto e o assombro que as levou a fugir, confirmam que a ressurreição não estava nos planos delas e que a ideia a respeito excedia sua compreensão. Na verdade, não tinham esperança que Cristo estivesse vivo. Mesmo assim, o enviado de Deus (um anjo) se dirige a elas sem repreensões: “Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galileia, quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia.” (vv.5-7). Mateus afirma: “Ele não está aqui; ressuscitou como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.” (28.6).

A mensagem do anjo: “Ele não está aqui, mas ressuscitou.” é a própria mensagem da Páscoa. Jesus ressuscitou. Sua sepultura está vazia. Ele não permaneceu no túmulo!  Ele venceu a morto. Ele vive. Esta mensagem do anjo, que Cristo ressuscitou, não deveria ser escondida. As mulheres deveriam sair dali contar aos discípulos que Cristo estava vivo. Mesmo tremendo sob o impacto da notícia da ressurreição de Jesus, as mulheres no caminho de regresso, em busca dos discípulos, elas fizeram o que o anjo lhes havia dito: falaram aos discípulos que Cristo havia ressuscitado, principalmente para o discípulo Pedro. “Elas confirmaram estas coisas aos apóstolos”. (v.10).

Pedro e os demais discípulos estavam confusos e duvidavam de muitas coisas. “Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.” (v.11). No entanto, em meio a dúvida, Pedro precisava saber que Cristo havia ressuscitado. Ele ao ouvir esta notícia corre até o sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa,” (v.12a). Pedro ao deixar o tumulo, ficou “maravilhado do que havia acontecido.” (v.12b). Ele creu! Agora, feliz pela notícia de que Cristo vive, deveria ser preparado para a grande missão que Jesus tinha para ele e os demais discípulos. Jesus conferiu-lhes autoridade e poder para falarem sobre o Cristo ressuscitado. Eles obedeceram a Jesus e deram testemunho: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. (Atos 4.33). “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro”. (Atos 5.30).

A ressurreição de Jesus é fato da maior importância para nós. Ela é a garantia de nossa Salvação! É o cumprimento da Palavra de DeusEle deu provas evidentes de sua ressurreição, que atestam a Sua divindade: “É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.” (Lucas 9.22). “Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galileia.” (Mateus 26.32). Diante desta certeza, a Ressurreição de Jesus é digna de ser exaltada, anunciada e glorificada. Paulo em Efésios 1.15 a 23: “...Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais. E ainda em I Co 15.12 a 17 fala sobre a doutrina da ressurreição: “Ora, se está sendo pregado que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como alguns de vocês estão dizendo que não existe ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, nem Cristo ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil à fé que vocês têm..., mas se de fato os mortos não ressuscitam, ele também não ressuscitou a Cristo. Pois, se os mortos não ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados.”

Estimados irmãos! O fato de Cristo ter ressuscitado, confirma a esperança dos cristãos. A esperança dá garantia da nossa ressurreição, que nós também ressuscitaremos.  Esta notícia da ressurreição e a misericórdia de Deus devem impulsionar os cristãos a divulgar a mensagem da salvação. Não podemos silenciar diante de tão maravilhosa notícia. Cristo ressuscitou. Nós também viveremos. Viveremos eternamente com Deus no céu, pois Cristo, nosso Salvador, ressuscitou.

Cremos na ressurreição de Jesus! O túmulo vazio de Cristo é a garantia de nossa salvação! Adoramos ao Deus vivo, ressurreto, presente e eterno. Celebramos Sua ressurreição com louvor e adoração. Você crê na ressurreição de Jesus Cristo? Amém!

 

sexta-feira, 4 de abril de 2025

 TEXTO: LC 19.28-40

TEMA: SAUDEMOS O NOSSO REI JESUS!

Neste fim de semana, a Igreja Cristã celebra  o primeiro domingo no Advento. Período que antecede o Natal. Tempo no qual nos orientamos nas promessas bíblicas de que Jesus Cristo voltará para o julgamento e o estabelecimento definitivo do seu reino. O texto base para a nossa meditação se encontra em Lucas 19.28-40. O texto fala do momento quando Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém, sendo desprezado pelos fariseus, mas aclamado pelo povo, saudado com vestes estendidas em seu caminho e ramos que lhes eram lançados como saudação.

Em muitos lugares na antiguidade, era costume cobrir com ramos o caminho à frente de alguém que merecesse grandes honras. Essa era a maneira comum que os súditos prestavam honra a um rei quando se aproximava de uma cidade montado num cavalo. Em nosso texto, acontece algo idêntico. Jesus entra em Jerusalém onde é aclamado pelo povo ao saudar com vestes estendidas em seu caminho e ramos que lhes eram lançados como saudação. Ele entra triunfalmente em Jerusalém, não como um rei guerreiro,  mas como um rei humilde que veio para reinar sobre a sua igreja. Aquele que veio libertar a humanidade do pecado, da morte e condenação eterna. Todos estes aspectos demonstram que o seu reino não é terreno, mas espiritual.

Estimados irmãos! Toda esta história, começa quando Jesus estava a caminho, rumo à grande cidade de Jerusalém. Não era a primeira vez que Ele ia a esta cidade. A Escritura registra seis visitas que Jesus fizera antes de sua entrada em Jerusalém pela última vez. Entretanto, esta entrada em Jerusalém, era uma ocasião especial. Jesus entraria para iniciar o seu sofrimento, a finalidade principal de seu reino. Entraria para salvar a cidade e seus moradores, chamando-os ao arrependimento. Por esta razão, Jesus faz sua entrada publicamente na cidade, fazendo com que o povo aclamasse e falasse da grande missão que o levava até ali. 

E de acordo com a finalidade e a importância de sua presença em Jerusalém, ao contrário das vezes anteriores, cogita de preparativos especiais para sua entrada. Antes de chegar à Jerusalém, Jesus escolhe dois discípulos para enviá-los a Betfage. Neste lugar os discípulos encontrariam um jumentinho. E a ordem de Jesus era muito simples: “soltai-o e trazei-o” (v.30). Jesus dá uma demonstração de seu poder. Não hesita em mostrar aos discípulos quem Ele era. Mostra através de suas palavras a sua autoridade, pois é o Senhor quem fala e autoriza. Por isso, não há qualquer questionamento da parte dos discípulos. Eles simplesmente obedecem à ordem do Senhor. Mas algumas pessoas questionaram: “Por que o soltais?”. (v.33) Os discípulos responderam: conforme as instruções de Jesus. O evangelista descreve de forma enfática: O Senhor precisa dele. (v.34).   Literalmente: “O Senhor necessita deles”. E de fato, tudo ocorreu como Jesus tinha dito.

Os discípulos encontraram os animais e, sem problemas os trouxeram. Colocaram em cima dele as suas vestes e Jesus montou. Jesus se prepara para entrar em Jerusalém de forma humilde, manso, brando, pacifico. Esta foi a maneira como Jesus entrou em Jerusalém.  Não como os grandes reis e conquistadores triunfantes depois de uma batalha, ou de um cortejo real cheio de luxo mostrando seus escravos e conquistas. Não como um conquistador militar ou libertador político. Mas se apresenta como um Rei, um Rei que está acima de todos os reis, um rei humilde que veio para reinar sobre a sua igreja, porque foi anunciado pelo profeta Zacarias: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” (9.9). Jesus se apresenta ao povo como um Rei. Mas um Rei que está acima de todos os reis e de todos os senhores da terra, uma Rei soberano e absoluto. Todos estes aspectos demonstram que o seu reino não é terreno, mas espiritual.

Aquela entrada triunfal era um momento de jubilo, alegria e de louvor ao Senhor. Os discípulos e numerosa multidão rendiam homenagens espontâneas a Jesus, que se encaminhavam triunfalmente a Jerusalém, preparando-lhe uma passagem ou caminho com as próprias vestes e com ramos que cortavam de árvores e espalhavam pelo caminho. Era o delírio da multidão gritando, exaltando, clamando em alta voz em reconhecimento ao Salvador: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e nas maiores alturas!” (v.38). O salmista também proclama estas palavras: “Bendito é o que vem nome do Senhor!” (118.26a). O evangelista Marcos afirma: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! (11.9). Mateus afirma: “Bendito o vem em nome do Senhor. Hosana nas maiores alturas.” (21.9). Bendito o Messias, bendito o Rei de Israel, bendito o Filho de Davi. Significa salve-nos, por favor, te imploramos. Era um grito de exaltação, exclamação de louvor a Deu, entoado em reconhecimento ao messianismo de Jesus em sua entrada em Jerusalém. Naquele momento, o anseio do povo se transforma em esperança ao receber o Rei Salvador, que vem para sofrer, morrer e ressuscitar.

No entanto, esta atitude do povo e dos discípulos não agradou aos fariseus. Eles pediram a Jesus que os repreendessem, pois ficaram incomodados diante do louvor direcionado a Cristo. E querem uma resposta. No entanto, a resposta de Jesus os surpreende: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.” (v.40). Nada adiantaria calar a voz da multidão e dos discípulos que estavam dando testemunho do Messias, uma vez que para Jesus as suas aclamações não deveriam ser suprimidas, era apropriado que eles celebrassem a sua vinda. Conhecessem o Rei que nasceu na humilde estrabaria e morreu por nós, entregando-se humildemente naquela cruz, ao suportar toda ignomínia, toda humilhação, todas as chicotadas, blasfêmias, acusações, provocações, traições, abandono, os pregos, a coroa de espinhos, ncruz, tudo para nos salvar. Aquele que foi enfaixado em panos e colocado numa sepultura. Mas ao terceiro dia ressuscitou porque é Senhor sobre a vida e a morte.   É o Rei do poder, da glória, santidade e justiça. É o rei que governa este mundo turbulento em que vivemos.

Em todo este episódio fica muito claro que, não podemos nos calar diante de tão grande acontecimento. Caso isto ocorra, Deus dará até às pedras uma voz, para que o advento do Messias seja devidamente comemorado. Isso pode significar que Deus, levantará outros para glorificar seu nome. Suscitará louvor de formas diferentes, mas não ficará sem o louvor da sua glória. Somos,portanto, verdadeiras pedras vivas, edificadas como casa espiritual sobre Jesus, a principal pedra de esquina, para que anunciar as grandezas daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Pedro afirma:  “Chegando-vos para ele, a pedra que vive rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmas, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pedro 2.4-9).

Portanto, devemos saudar Jesus com o mesmo entusiasmo, alegria e louvor. Juntar as nossas vozes e cantar: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Ele quer entrar em nosso coração, em nossos lares e em nossa congregação, derramando copiosas bênçãos sobre nós. Ele está à porta e bate. Está de braços abertos, oferecendo-nos perdão para todos os nossos pecados, dando-nos vida e salvação. Como recebemos o nosso Rei Jesus neste periodo no Advento? Como será a nossa saudação? Com corações arrependidos e confiantes em Jesus? Colocando tudo o que somos e temos ao seu serviço?

Estimados irmãos! Este é o Rei que devemos dar a nossa honra, glória e louvor. Por isso, vamos saudar o Filho de Deus! Ele merece o nosso louvor, honra e gloria. Ele nos salvou. Vamos abrir as portas dos nossos corações para a entrada de Cristo nesta época de Advento e sempre!Amém!

 

 

 

quinta-feira, 3 de abril de 2025

 TEXTO: SL 116

TEMA: O QUE DAREMOS AO SENHOR?

Hoje, vamos refletir sobre o Salmo 116. Este é um dos salmos mais extraordinários da Bíblia. Alguns expositores acreditam que é tão grandioso quanto o Salmo 23. É um hino de gratidão a Deus por causa de Suas obras maravilhosas de libertação e fidelidade.  Ele é messiânico. O seu autor é anônimo. Mas é possível que seja de autoria de Davi. Há uma certa semelhança com o Salmo 18. É um dos salmos de Páscoa (Sl 113— 118). Os judeus cantavam esse salmo depois da Páscoa. É provável que seja o hino entoado por Jesus e os discípulos na noite em que Ele foi preso,quando celebrou a Páscoa com eles (Mt 26.30).

A nossa mensagem é fundamenta na pergunta que o salmista fez: “O que darei ao Senhor pelos benefícios que me tem feito?” (v.12). Davi pensou muito e buscou uma forma de retribuir a Deus por todos os seus benefícios. E o motivo que levou o salmista à essa pergunta, foram os benefícios que ele havia recebido do Senhor diante das várias situações das quais enfrentou: perigo de morte, de depressão e angústia (v.3), “enfraquecimento” (v.6), “sofrimento” (v.10), “grilhões” (v.16). Diante desta ajuda, sua primeira ação foi agradecer a Deus. Ele pensou em retribuir todos os benefícios recebidos.

O que darei ao Senhor pelos benefícios que me tem feito? Da mesma forma precisamos expressar a nossa gratidão ao Senhor pelas inúmeros os benefícios que todo ser humano recebe diariamente da parte de Deus. Ele nos dá diariamente e abundantemente tudo o que necessitamos para sustentar o nosso corpo e alma. Tudo o que somos, tudo o que temos e tudo que recebemos vêm de Deus. Temos a alegria da salvação, o consolo do Santo Espírito, a orientação da santa Palavra  e uma infinidade de outras bênçãos da parte de Deus.

O salmista inicia este salmo, demonstrando todo o seu amor pelo Senhor. Revela o seu sentimento de sua vida com Deus.Ele afirma: “Amo o Senhor , porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas.” (v.1). A expressão  אָהַב יְהוָה (Amo o Senhor) significa no hebraico:”eu amo o Senhor.” “estou cheio de amor”, “amo ardentemente e com mais afeto”. A expressão traz o pensamento daquilo que o salmista vivia no seu relacionamento com o Senhor. Ele obedecia seus mandamentos e fazia a sua vontade. No Senhor, ele depositava toda a sua confiança. E é ,justamente, nesta confiança que ele ora a Deus  e agradece. Ele agradece, porque o Senhor ouviu a sua voz e as suas suplicas. O único que poderia lhe oferecer ajuda.

As respostas à sua oração o encoraja a continuar orando. E com outro “porque” ele indica por que ama o Senhor: “Deus inclinou seus ouvidos” (v.2).  O verbo נָטָה significa, esticar, dobrar, inclinar, curvar, abaixar-se. É exatamente isso que Deus faz conosco, a pesar de sua grandeza, de seu poder e majestade, Ele se encurva em nossa direção, enquanto clamamos, esperneamos por estarmos em alguns momentos aflitos ou inseguros. Ele não fica indiferente a situação dos seus servos. Ele se compadece do necessitados. Ele revela sua compaixão para com os seus. Encontramos estas declarações também em outros salmos: “Mas, na verdade, Deus me ouviu; atendeu a minha oração” (Sl 66.19). “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Sl 40.1). “Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor” (Sl 88.2). 

Mas,afinal, o que o salmista estava sentido? Era um momento difícil para o salmista, pois  esteve completamente à beira da morte: “Laços da morte me cercaram, e angustias do inferno se apoderam de mim, caí em tribulação e tristeza.” (v.3). O escritor personifica a própria morte como um caçador que passou a persegui-lo com seus laços de armadilhas. Ele se sentiu tragado pela sepultura onde vivem os mortos. Estava  nas garras da morte, da qual era impossível  se livrar. Vivia na angustia do inferno (sheol), o reino dos mortos. 

Ocorre que o salmista se sentia como uma presa impotente, e o resultado foi um abatimento profundo, acometido por angústia e aflição. Sua perturbação era tanta, com a possibilidade real da morte, que ele não mais confiava no próprio homem que pudesse livrá-lo daquela situação. (v.11). Sendo assim, diante de tantas lutas e fraquezas, invoca o nome do Senhor. Ele leva a Deus seu pedido: “Ó Senhor, livra minha alma” (v.4).  Trata-se de um pedido por preservação da sua vida. E  a resposta divina  a este pedido foi positiva. O Senhor o preservou, guardou e salvou a vida do salmista. Imediatamente, sua confiança na misericórdia de Deus lhe trouxe verdadeira paz em meio à tempestade,pois o Senhor é “compassivo, justo e  misericordioso.” (v.5). Este momento que o salmista viveu nos lembra a angustio do Salvado na cruz (Mt 27.27-35).

Deus atendeu a súplica do salmista. Quando  estava prostrado, pensando que tudo havia acabado,  o Senhor velou por ele e o salvou daquela situação.Deus o livrou da morte, preservando sua vida : “O Senhor vela pelos simples; achava-me prostrado, e ele me salvou.”(v.6). Quem são os simples, neste contexto? Os que se deixam persuadir, os que são instruídos, os que se arrependem, os que se sujeitam, os que obedecem. Observe que “os simples” está no plural, ou seja, todos os simples. Que notícia boa é esta: o Senhor protege quem não pode se defender. Quando você estiver cercado pela angustio, medo, sofrimento, lembre-se que o Senhor cuida de você.

De fato, a sua confiança na misericórdia de Deus lhe trouxe verdadeira paz em meio à tempestade. Ele se volta a si mesmo e pergunta: “Volta, minha alma, ao teu sossego.”(v.7a). Lutero traduz este versículo desta forma: “Sê novamente alegre, ó minha alma.” O termo נֶפֶשׁ  (alma) significa todo o ser interior, com seus pensamentos e emoções. A nossa alma jamais terá paz se não voltarmos para Deus. A palavra sossego significa “descanso“, “alívio” e “refrigério” espiritual. Trata-se de um descanso que vem de fora. Não é um pensamento positivo ou uma técnica de respiração. É a presença do Senhor. Isto demonstra que o salmista anteriormente passou por um momento de grande perigo. Sua alma estava agitada e aterrorizada. Esse perigo havia acabado, e  agora ele pede à sua alma que retome sua antiga tranquilidade, calma, paz e liberdade, pois o “Senhor tem sido generoso.”(v.7a). O Senhor também nos retribui com bondade e nos trata generosamente. A generosidade divina é sua bondade para com aqueles que se encontram aflitos.

O salmista descreve o que o Senhor fez em sua vida a partir do momento em que ele começou a buscá-lo. Ele afirmou que ajuda vem do Senhor. Sendo assim, ele menciona três livramentos: primeiro, “Porque Tu, Senhor, livraste a minha alma da morte“ (v.8a). Essa é uma linguagem que o salmista usa para afirmar que estava gravemente doente e recuperou a sua saúde. O salmista se expressou desta forma: você resgatou minha vida da destruição à qual foi exposta Eu pergunto: Como está a sua alma hoje? Preocupada? Pensativa? Ansiosa? Perplexa? Segundo, “Livraste os meus olhos das lágrimas.”(v.8b). Foram lágrimas que o salmista derramou em sua doença e na preocupação de morrer. O Senhor havia transformado a tristeza do salmista em alegria. Em Deus somos consolados das nossas lágrimas.Este é o grande consolo.Terceiro,“Livraste os meus pés da queda“ (v.8c).Somente Deus poderia livrar o salmista dos tropeços. Ele passa a guiar seus passos cuidando para que seus pés não se desviem do caminho e não escorreguem em terrenos perigosos. Com Deus estamos livres da queda. “Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda” (Sl 121.3). Só Deus pode nos firmar em momentos tão difíceis pelos quais temos passado. Nenhum filho de Deus permaneceria de pé, por um momento sequer, diante de abismos, armadilhas, fraquezas físicas e inimigos sutis, se não fosse por causa do fiel amor de Deus, que não permitirá que os pés de seus filhos vacilem. 

O resultado final é que o salmista continuaria vivo e servindo a Deus. Agora,ele quer andar na presença do Senhor: “Andarei diante do Senhor na terra dos viventes.” (v.9).O andar do salmista expressa uma forma atuante de estar na presença do Senhor. Ele age com determinação:  meus olhos estão agora brilhantes, para que eu possa ver, meus pés estão fortalecidos, para que eu possa andar  e minha alma está viva, para que eu possa andar com os vivos. Sendo assim, podemos concluir que estamos diante do salmista que, com o coração radiante pelos constantes livramentos do Senhor, está inclinado, não só a render graças ao Senhor, mas estabelece uma firme resolução de vida: andar na presença do Senhor na terra dos viventes.Portanto, o desejo de Davi era andar com Deus enquanto vivesse neste mundo. Nas Escrituras, todos que andaram com Deus experimentaram sua gloriosa presença e a sua incomparável força, provaram sua fidelidade, sua santidade e o tamanho do seu amor com o Senhor.

A esperança do salmista se manifesta nas suas palavras:“Eu cri,ainda que disse: estive sobremodo aflito.”(v.10).Ele declara que, apesar de estar "caído" e sem esperança, ainda teve fé para se humilhar e suplicar pelo livramento do Senhor.Crer era fundamental para o salmista diante das suas aflições.Por isso, expressou confiança no Senhor. O apóstolo Paulo cita estas palavras, cri, por isso, falei, em 2 Coríntios 4.13,14, como expressão de gratidão por aquilo que o Senhor fez por ele e por meio dele, quando estava vivendo em ameaças de morte. Ele agora encoraja a igreja a se manter firme no Senhor quanto a sua fé em Cristo. Paulo,ao citar o salmista.lembra que também estava vivendo em circunstâncias de provação e aflição.Ocorre que os sentimentos de ambos eram a linguagem da fé. O salmista  expressa sua confiança em Deus diante de sua aflição. Paulo expressa sua confiança nas gloriosas verdades do Evangelho.Ele fala de um Salvador ressuscitado e mostra o consolo aqueles que creem. Portanto,cremos nas verdades do Evangelho; cremos em Deus, no Salvador, na expiação, na ressurreição, etc.Por isso,precisamos falar o que cremos mesmo que as circunstâncias sejam grandes.

Diante deste andar e crer no Senhor, Ele pensou em retribuir todos os benefícios recebidos. Ele pergunta: “O que darei ao Senhor pelos benefícios que me tem feito?” (v.12) O salmista nos ensina a sermos gratos e não se esquecer de nenhum dos benefícios que temos recebido. Ao contemplar quem Deus era, o que Deus lhe dava e a obra que Deus fazia em sua vida, apesar de suas lutas e dores, o salmista conclui que os benefícios que o Senhor lhe tinha concedido eram muito maiores que seus problemas,  Ele reconhece o valor da sua salvação e procura a maneira de demonstrar sua gratidão. Pensa numa forma de retribuir a Deus, por tudo aquilo que Deus lhe fez.  Não há outra forma melhor de pagar o bem recebido do que com gratidão. De que forma ele agradece?

Primeiro: "Tomarei o cálice da salvação”. (v.13) A palavra usada para cálice no original é כֹּוס que significa copo.  Era um costume entre os judeus, beber um copo de vinho como uma expressão especial de agradecimento, de ação de graças pela libertação recebida, abundância, salvação. No Antigo Testamento,יְוּעָה (“salvação” ) normalmente referia-se a um ato de livramento da parte de Deus.Este ato era mais solene no templo, ou mais privado na família. O uso era diário, após cada refeição, ou mais solenemente em uma festa. Esta foi a maneira do salmista demonstrar a gratidão a Deus, e entregar sua vida a Ele. Para nós, que estamos sob a Nova Aliança, o sentido é ainda mais amplo. Deus não apenas nos livra em situações específicas, mas providenciou, em Cristo, salvação eterna. Ele, que nos criou por amor, e, através do sacrifício de seu Filho unigênito, nos resgatou da tirania do pecado e da morte, e nos acolherá nas moradas eternas. Por isso, tomar o cálice da salvação, é aceitar Jesus como nosso Senhor e Salvador. Este é maior benefício que recebemos.

Quando fala sobre "tomarei o cálice da salvação” entendeu que um dia o Filho de Deus tomaria o cálice da nossa culpa e dos nossos pecados sobre si mesmo e se entregaria à cruz para morrer em nosso lugar. O cálice que Jesus pediu ao Pai que se possível fosse, passasse dele, representava todo o seu sofrimento e humilhação por causa dos nossos pecados. Na verdade, Jesus tomou o cálice da nossa salvação e o bebeu sozinho, para que através da fé na sua obra redentora, alcançássemos vida eterna.Desta forma a única maneira de agradar a Deus é tomar o cálice da salvação, isto é, reconhecer seu sacrifício e aceitar Jesus como nosso Salvador. A fé em Jesus é a única coisa que nós podemos ofertar ao Senhor por todo o bem que nos tem feito, e isso não procede do homem, mas do próprio Deus.

Segundo: “Invocarei o nome do Senhor” (v.13b).Ao tomar o cálice da salvação, o salmista invocou o nome do Senhor diante de tantas lutas, fraquezas, frustrações. E o Senhor o atendeu. Sendo assim, ele encontrou uma forma de louvar e agradecer. O verbo קָרָא (invocar) traz uma aspecto importante.Ele denota a proclamação audível do nome do Senhor e a sua invocação, em que louva e agradece ao Senhor. Assim quando reconhecemos a obra redentora de Jesus e cremos, passamos a invocar o nome do Senhor. Todo aquele que toma o cálice da salvação, passa depender do Senhor e a invocar o seu nome em toda a sua necessidade. O Senhor que governa a nossa vida é a fonte de todos os benefícios, e isso nos move a tomar constantemente o cálice da salvação.Deste modo, o louvor, acontece quando o cristão reconhece a Deus e o proclama, para que todos fiquem sabendo quem é esse Deus.Por isso, é importante  colocar-se sob a autoridade daquele de onde vem o socorro. Assim, quando o invoca o nome do Senhor, ou quando clama por Ele, o salmista afirma: “eu me submeto à sua autoridade, pois pertenço a Ele”. Isso amplia a ideia da salvação. Ele me salva, porque sou Dele, e Ele tem todos os recursos para tal.

Terceiro: “Cumprirei os meus votos ao Senhor.” (v.14,18). O salmista volta a afirmar sua fidelidade a Deus por meio do cumprimento dos seus votos, acrescentando a informação de que o faria no templo do Senhor, diante de todos: “Oferecerei sacrificios de ações de graças e invocarei o nome do Senhor.”(v.17). Onde? “nos átrios de todo o seu povo, no meio de ti, ó Jerusalém”. (v.19).  Há uma dimensão particular de gratidão, que o salmista deve realizar à vista de todos no templo. Mas como eles serão pagos? Serão pagos ao se tomar o cálice da salvação e ao se invocar o Senhor. Ou seja, eles serão pagos pela fé na graça futura.Cumprirei os meus votos.Isto significa que cada um foi chamado por Deus, prometeu fidelidade no batismo, e, por isso, tem um compromisso com o Senhor, com a Casa de Deus, com a evangelização e as ofertas. Então, o voto que fazemos ao Senhor quando tomamos o cálice da salvação é a nossa fidelidade e obediência a Ele. Isso deve produzir em nós uma vida de testemunho diante de todo o povo do Senhor, gerando um fruto que é o resultado da operação do Espírito Santo na nossa vida. Este fruto é vida de Jesus em nós, é a manifestação do Senhor Jesus na nossa vida, que fazemos parte do seu corpo.Estejamos sempre envolvido com a obra de Deus, em comunhão com a igreja de Cristo. Desta forma, o resultado final é agradável a Deus, pois Ele vê o seu Filho, o Senhor Jesus em nós.

Que darei ao Senhor, por todos os seus benefícios para comigo? Que posso dar ao Senhor, que gesto posso ter, ou que comportamento como forma de expressar minha gratidão por tudo que tenho recebido de Deus? O que eu e você podemos fazer mais para Deus, como forma de expressar gratidão? Será que nossas atitudes realmente revelam que há em nós um coração grato? Será que temos agido com compromisso na obra de Deus, como uma forma de demonstrar coração grato? Será que temos orado e meditado mais na palavra do Senhor como forma de evidenciar gratidão?Certamente estas são as perguntas que todos deveriam responder individualmente, quando recebem benefícios do Senhor. Ela nasce do entendimento de que a gratidão não pode ficar só na consciência ou no sentimento, mas precisa revelar-se em atitudes práticas. Se eu quero dar graças a Deus por alguma coisa, é melhor que eu o faça por meio de ações e não apenas de palavras.Lembrem-se que as  misericórdias que  se renovam sobre nós, e sempre haverá motivos para agradecermos ao Senhor.

Com certeza, muitas de nossas orações foram atendidas pelo Senhor! É do Senhor que recebemos muitas e incontáveis bênçãos. Na verdade, são inúmeros os benefícios que todo ser humano recebe diariamente da parte de Deus. Ele nos dá diariamente e abundantemente tudo o que necessitamos para sustentar o nosso corpo e alma. Tudo o que somos tudo o que temos e tudo que recebemos vêm de Deus. Temos a alegria da salvação, o consolo do Santo Espírito, a orientação da santa palavra de Deus e uma infinidade de outras bênçãos da parte de Deus. E ainda podemos afirmar que tantas outras orações foram dirigidas ao Pai, e que com amor nos enviou a resposta, pois esperamos com confiança no Senhor e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. (Sl 40.1).

Portanto, esta deve ser a nossa esperança, que o Senhor Deus ouça quando oramos em busca de socorro. Nunca duvidemos de que Ele está em nossas vidas sempre disposto a nos ouvir, pois somente Ele tem poder de mudar a situação em que estamos enfrentando nesse mundo. Amém!

terça-feira, 1 de abril de 2025

TEXTO: Fp 3. (4b-7) 8-14

TEMA:  ESQUEÇA O PASSADO E PROSSIGA PARA O ALVO QUE É CRISTO!

Em todas as nossas atividades procuramos um alvo, um objetivo final, algo que se procura alcançar ou atingir. A criança que vai à escola tem por alvo aprender a ler e escrever. O jovem que entra na faculdade sonha em ser médico ou engenheiro. O professor na escola faz seu planejamento em função de objetivos. Entendo que você também tem um alvo em sua vida. Você tem tem alcançado este alvo? É preciso lutar, prosseguir é perseverar para alcançá-lo.

No entanto, há um outro alvo que precisamos alcançar. O nosso alvo deve ser Cristo. Conforme o texto, Paulo conheceu este alvo. Mas no principio seu alvo era destruir a religião cristã. Era um fariseu que perseguia os seguidores de Jesus. Contudo, depois que foi convertido, deixou no esquecimento o seu passado, as suas tradições religiosas, e tudo aquilo que lhe atrapalhava de prosseguir  para o alvo, que é Cristo.  E foi por este alvo que ele se empenhou seriamente no sentido de conduzir muitas pessoas a Cristo, por meio de sua pregação e testemunho. Este foi o maior prêmio que conquistou em sua vida!

Somos  também convidados a prosseguir para o alvo. Mas precisamos esquecer, ignorar, destruir, apagar tudo aquilo que pensamos, falamos e realizamos em desconformidade com a santa vontade de Deus. Este deve ser o nosso objetivo,pois o nosso alvo é Cristo. Ele deve ser a prioridade de nossa vida, a razão da nossa existência. A nossa fé em Cristo é algo ,infinitamente, maior e mais valioso em comparação com as velhas tradições, méritos. Não é possível continuar vivendo valores antigos quando se decide viver a partir dos valores do Reino de Deus, porque nada vale termos méritos e lucros, se o nosso alvo não é Cristo.  É claro que as coisas têm um valor em si; a pessoa em si tem prestígio, mas Jesus Cristo é tanto mais sublime que tudo que somos e temos.

Você tem prosseguido  para o alvo? Lembre-se não temos neste mundo cidade permanente. A nossa pátria está nos céus onde há eterna felicidade. Vamos deixar tudo aquilo que nos impede de seguir a Cristo!

Paulo estava preocupado com  a comunidade de Filipos, pois havia pessoas que estavam estabelecendo critérios para selecionar quem é aceito ou rejeitado. Um desses critérios era a circuncisão. Sendo assim, ele alertou e aconselhou os verdadeiros cristãos, daquilo  era essencial na vida com Cristo. Três vezes, ele adverte: “Acautelai-vos” (lit., "vigiai, estai atento"). E de uma maneira severa, afirma: “Acautelai-vos dos cães!”  (v.2). Os judeus consideravam os cães como criaturas perigosas, desprezíveis e impuras. A referência aqui é, sem dúvida, aos judaizantes. Era um grupo preso às antigas formas, cerimônias da Lei de Moisés e tradições nacionais.  Confiavam em si mesmos e em sua própria justiça. Argumentavam que os novos convertidos precisavam submeter-se à lei da circuncisão, antes de se tornarem cristãos. Paulo os chama de  cães. Eram semelhantes, com seus “latidos moralistas”, prejudicando o crescimento espiritual da congregação, fazendo com que muitos se submetessem aos ritos da antiga aliança, na qual Jesus Cristo, já havia cumprido,

Paulo também se refere às mesmas pessoas ao dizer  que eram maus obreiros: “Acautelai-vos dos maus obreiros!”  (v.2b). Eram professores judaizantes que ensinavam doutrinas errôneas. Presume-se que seus ensinamentos se constituíam muito em insistir nas obrigações dos ritos e cerimônias judaicas, ao falar da vantagem de ter nascido judeu e ao insistir no cumprimento da Lei para justificar-se diante de Deus. Dessa maneira, seus ensinamentos tendiam a deixar de lado a grande doutrina da salvação pelos méritos de Cristo. Enfim, Paulo exorta os filipenses a tomar cuidado com a falsa circuncisão: “Acautelai-vos da falsa circuncisão!”  (v.2c). No Antigo Testamento, esse ritual marcava quem pertencia ao povo de Deus. A circuncisão era o sinal da Aliança de Deus com o seu povo. E era a principal questão levantada pelos judaizantes.  Os mestres judaizantes ensinavam, que a perfeição espiritual era possível para aqueles foram circuncidados e que guardavam a Lei. Na verdade, eles defendiam o valor da circuncisão, pois era o selo da aliança que representava e lembrava o sentido das promessas de salvação, ou seja, era necessário para a salvação.

O apóstolo Paulo  refutou o principal ensino dos judaizantes, mostrando que o importante não era a circuncisão física. Quando Jesus veio  a circuncisão tornou-se desnecessária, já não era uma exigência. Neste sentido, Paulo corrige o pensamento dos judaizantes, e afirma que essas coisas não tinham mais valor para a salvação.Em Jesus, esse ritual já não é mais necessário visto que a  nova aliança  com o ser humano aconteceu através da morte do Filho de Deus na cruz. A antiga aliança que Deus tinha estabelecido com o seu povo exigia obediência estrita à lei mosaica, que exigia que Israel realizasse sacrifícios diários para expiar o pecado.  Mas agora Jesus Cristo é o mediador da nova aliança, e a sua morte na cruz é a base da promessa (Lucas 22.20). Promessa que Deus faz com a humanidade de que perdoará o pecado e restaurará a comunhão com aqueles cujos corações estão voltados para Ele. O povo de Deus agora é definido em termos de sua relação com Jesus ( Gl 3.16, 29), e não de sua relação com Jacó/Israel.

Paulo entendia que a única condição para a salvação, tanto de judeus como de gentios, era a fé em Cristo (At 10.44-48). Da mesma forma, no  Concílio de Jerusalém (Atos 15) a liderança da Igreja Primitiva chegou à conclusão de que somente a fé em Jesus Cristo é que pode trazer salvação tanto a judeus como a gentios. Diante destas colocações, mostrou que a circuncisão não era o mais importante naquele momento, mas sim os sinais no coração. O apóstolo Paulo, repete esta mesma ideia em  Romsnos 2.29: “ Porém judeu é aquele que o é, interiormente, e circuncisão é a do coração, pelo Espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede de seres humanos, mas de Deus.” Não bastava ser fisicamente circuncidado, precisava ser espiritualmente e internamente consagrado a Deus. De que adiantaria alguém ser circuncidado, mas seu coração ser maldoso e não agradava a Deus.

Paulo reforça que a verdadeira circuncisão ocorre no nosso coração por meio de Cristo Jesus: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.” (v.3). Paulo usa outra palavra grega traduzida igualmente por circuncisão para aludir aos crentes genuínos que estão em Cristo: περιτομή. Este termo significa  cristãos separados da multidão impura e verdadeiramente consagrados a Deus. Estes são os que fazem parte do povo de Deus, porque passaram pela circuncisão espiritual (Rm 2.25-29; Ef 2.11; Cl 2.11). Agora,fazem parte da nova aliança, porque aceitaram o Cristo que morreu e ressuscitou. Eles constituem o verdadeiro povo da aliança e os que efetivamente estão numa relação especial e única com Deus. Isto ocorre quando adoramos a Deus no Espírito. Quando rendemos culto a Deus, não pela observância de práticas externas, mas por um culto verdadeiro a Deus.

Paulo faz uma explanação sobre este assunto. Na verdade, apresenta o seu curriculo. colocando-se por um momento no lugar dos judaizantes. Ele argumenta que se os privilégios externos da carne, tivessem méritos próprios, teria muito mais condições em colocar a confiança na carne. Confiar na carne significa confiar em si mesmo, nos próprios méritos e na própria autopiedade. Vejamos ,então, os seus argumentos: ele afirma que foi circuncidado ao oitavo dia,  que nasceu judeu e não era prosélito, pois, em se tratando de prosélitos, a circuncisão era feita somente na idade adulta. Pertencia à linhagem de Israel, da tribo de Benjamim. A tribo de Benjamim recebia lugar especial na aristocracia israelita. Era hebreu, ou seja, nascido de pais hebreus, e que, ao contrário de muitos dos seus compatriotas, ainda sabia falar o idioma hebraico. Quanto à lei, era  fariseu, alguém que guardava meticulosamente toda a lei mosaica. Quanto ao zelo, perseguidor da igreja. A expressão ser zeloso traz consigo sugestões de “perseguidor”.(v.5). Ele discorre sobre o zelo que possuía antes de sua conversão, quando perseguia a Igreja e pensava estar tributando culto a Deus. E por fim, no que diz respeito à justiça, ele afirma: “quanto a justiça que há na lei, irrepreensível”, ou seja, Paulo entendia que não havia nenhuma exigência da Lei, que ele não tinha cumprido. (v.6).

Esse era o “grandioso” currículo do apóstolo Paulo. Ele era um grande intelectual do seu tempo. Portanto, quem deveria se vangloriar, era ele. Não havia dúvidas disso. Mas por amarga experiência o apóstolo testifica que essas coisas não lhe deram um conhecimento pessoal de Deus.  Porém, tudo isso ficou no passado. Ao pertecer a Cristo, Paulo descobriu que, aquilo que para ele era importante, não tinha mais valor. Toda a sua religiosidade e posição não valiam nada para Deus. O seu maravilhoso currículo não tinha valor algum diante de Deus. Quando Paulo compreendeu, ele analisa o ganho numa perspectiva diferente: “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda.” (v.7a). Paulo aqui está usando um jargão comercial. O termo grego κέρδος (ganho) está no plural, ao passo que ζημία  (perda) está no singular. Significa que antes, Paulo possui muitas vantagens, visto que cada uma tinha valor em si mesma. Ele confiava em sua perspicácia intelectual, em seus ideais humanistas, em suas virtudes pessoais, em sua vida disciplinada, em sua honestidade e até em seu exercício religioso — e os apresenta a Deus como se merecessem salvação. Enfim, ganhou muito diante dos homens. Era uma vida cheio de lucro , ou seja, de prosperidade em meio aos judeus.

No entanto, a visão que Paulo adquiriu sobre Cristo, o fez mudar os seus parâmetros de avaliação das coisas. Ele considerou tudo o que tinha de valor em sua vida, como perda. Aquilo que antes era vantagem, ganho, lucro se transformou simplesmente em perda, coisas inúteis.  A palavra perda indica aquilo que foi danificado ou não serve para mais nada. Aquelas coisas que Paulo considerava importantes, perderam a importância. E tudo isso por um único motivo, que ele mesmo explica: “para que possa ganhar a Cristo”. (v7b). Elas não tinham valor algum, em comparação com o valor eminente que havia conquistado em  Cristo. Ora, as maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida nada se compara com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (v. 8a). A verdade é  que o conhecimento de Cristo é tão valioso que todo o seu currículo ficou sem valor algum. Ele não somente considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. O termo grego  σκύβαλον, traduzido por refugo, traz o significado de lixo, resto.(v.8b). Isto demonstra que tudo que possuia não se comparava com o conhecimento de Cristo.

No entanto, Paulo ainda tinha outra questão para refletir:  “ não tendo justiça própria, que procede de lei.” (v.9a). Paulo revela o caráter inútil da justiça que estava na lei.  Afirma que sua própria justiça, que se baseava naquela lei, também era vão, pois era obtida em conformidade com os preceitos da religião judaica. Nenhuma quantidade de esforços religiosos podem nos fazer perfeitos diante de Deus.  Para o apóstolo Paulo a única justiça verdadeira era aquela que é mediante a fé em Cristo: “ a justiça que procede de Deus, baseada na fé.” (v.9b). Portanto, não é através das nossas obras, dos nossos próprios méritos que alcançaremos a justiça de Cristo. Esta justiça deve ser renunciada, para que sejamos justificados pela fé.

Portanto, o apóstolo Paulo deixa claro que seus títulos e honras do passado de nada valem na caminhada cristã. Aqui está uma verdade desafiadora lançada pelo apóstolo: títulos, honras e poder não significam ,absolutamente, nada para Cristo. Afinal, isso não é capaz de nos salvar e, tão pouco, livrar-nos do pecado. Será que, por vezes, a justiça dos fariseus não encontra morada em nossos corações? Será que com nossas atitudes e posicionamentos de vida, agradam a Deus? Lembre-se: não é o orgulho, posição, mérito ou ações próprias que agradam a Deus. Quantas obras aprovadas pelos homens, que Deus rejeita? Quantas posições honradas pelos homens, que Deus não reconhece? Quantos bons nomes, que para Deus são puro e simples disfarce? Devemos suplicar como o publicano: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” Reconheço que não mereço nada da tua parte, a não ser castigo, sabendo disso, te peço compaixão, misericórdia pelo os meus pecados.

Paulo descobriu o que importa é Cristo e nada mais, pois em Cristo tinha um grande objetivo:  “para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte;  para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.” (vv.10 e 11). Conhecer a Cristo era o anseio mais ardente de Paulo ( Fp 1.20-24). Quando Paulo fala em conhecer a Cristo não é apenas uma ideia, um ideal, uma abstração,uma percepção mental. Não se trata de um subjetivismo ou de uma questão de mera experiência. Paulo não estava interessado meramente em fatos, nos milagres que Jesus realizou, nem em seus ensinamentos. Conhecer a Deus significa constatar que Deus é aquilo que Ele diz ser. Sendo asim, Paulo menciona três maneiras pelas quais  queria conhecer Jesus:

Primeiro, Paulo queria conhecer Jesus no poder da sua ressurreição. Identificar-se com o Cristo crucificado. Desta forma, ele vê a ressurreição, não apenas uma evento histórico, que ,efetivamente, marcou toda a realidade da fé cristã, mas entende a ressurreição de Cristo como um poder presente em sua vida ,ou seja,uma nova vida por causa desta ressurreição. Se houver algo que nos ameaça e nos impede de participar da ressurreição de Cisto, precisamos considerar tal coisa refugo. Segundo, Paulo também queria conhecer a Cristo na comunhão de seus sofrimentos. Ele não somente vive em Cristo, mas também sofre. Em todos os lugares ( 2Co 4.7-11), Paulo ensinou que é pela participação no sofrimento de Cristo, que o poder da ressurreição é manifestado na vida do cristão. Por isso, conhecer a Cristo na comunhão de seus sofrimentos não é algo para ser temido, mas,sim,vivenciado. A última maneira pela qual Paulo queria conhecer a Cristo era por se identificar com Ele em sua morte. Isto demonstra a sua conformidade  com a morte de Cristo, ou seja, participante das bênçãos desta morte. Portanto, Paulo  vive a partir da morte de Cristo, a garantia daquele que virá futuramente quando haverá a ressurreição entre os mortos.

Há um outro detalhe importante que Paulo resalta. Ele entendia que ainda não havia completado tudo o que Deus tinha preparado. E para explicar esta questão, ele usa o termo “perfeição”. Ele afirma que ainda não tinha recebido a perfeição.(v.12a).  No Antigo Testamento, as palavras “perfeição” e “perfeito” procedem do termo hebraico תָּמִים cujo significado é completo, correto, sem mancha. No grego, de modo geral, o termo τελειόω quer dizer completo, perfeito, plenamente. Ele tinha consciência de que não havia alcançado a perfeição. Mas  estava seguindo em frente na sua luta. Tinha alvos determinados e, por isso, afirmou: “Mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (12b).

Paulo, sabendo que ainda havia um caminho longo a ser percorrido, toma duas decisões importantes: primeiro, “esquecendo-me das coisas que para trás ficam.” (v.13a). Paulo declara que mesmo que não tenha alcançado seu alvo, ele deveria tentar novamente, mas era necessário  esquecer  das coisas que para trás ficam. Isso é, as suas experiências, o farisaísmo, sucessos, fracassos, alegrias, desapontamentos, tristezas e consolos. Agora, tudo isso era passado. Essa atitude é fundamental para quem quer seguir a Jesus. Ela implica em deixar de carregar o peso de coisas que já foram superadas e que insistimos em não nos desapegar. Ocorre que muitas pessoas não conseguem andar para frente. Ficam presas ao passado. Por isso, precisam libertar-se. A segunda decisão é prosseguir para o alvo: “Avançando para as que estão diante de mim.”(v.13b). A expressão “avançando” demonstra um tremendo esforço para frente. No grego esta expressão (ἐπεκτείνομαι) significa esticando-se, estendendo-se adiante. Ela era usada na linguagem dos desportista da época.

Este é o conselho de Paulo: “esquecendo” e “ avançando”. Quem corre em uma competição, não olha para trás, por cima do ombro, a fim de calcular que distância que já percorreu o concorrente. O corredor que olha para trás, perde a velocidade, a direção e a corrida. Enfim, quem corre, fixa os olhos na meta de chegada. A mulher de Ló, por ter olhado para trás quando a cidade de Sodoma estava sendo destruída, desobedecendo, assim, à orientação divina, foi transformada numa estátua de sal (Gn 19.26). Não faça como o povo de Israel  quando libertado do Egito, enquanto caminhava rumo a terra que Deus lhes dera, a qual possuía grandes e maravilhosas bênçãos, pensava, muitas vezes, em retornar ao Egito, pois havia muita comida.

Faça como o apóstolo  Paulo. Ele  não fixou seus olhos no passado, como quem contempla, nostalgicamente, o que já se foi. Mas , como seguidor de Cristo, o seu objetivo não era olhar mais para trás, não parar no meio do caminho para ficar revivendo e ressentindo as coisas que deviam ter ficado para trás. Ele olhou  para a frente, mirando o alvo. Não basta superar as coisas que nos atrapalham na caminhada. É preciso continuar caminhando para frente. Por isso, é preciso prosseguir rumo ao alvo, cuja orientação está centrada em Cristo. O que importa é continuar a mover-se. O desafio é manter-se firme na direção de Cristo.

Paulo nos ensina outro princípio para o sucesso nessa corrida, quando diz:  “prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”(v.14).  O verbo διώκω tem a conotação de fazer correr ou fugir, afugentar, escapar; correr prontamente a fim de capturar um pessoa ou coisa. Isto significa que o atleta para vencer a corrida precisava ter determinação. Ele entrava no jogo determinado a vencer. Tendo como objetivo o σκοπός (alvo). Este termo significa que o atleta, com determinação, dirige seu olhar para o final da pista, a meta que pretende atingir, pois a palavra alvo se refere ,especificamente, à linha de chegada em uma corrida, na qual os corredores ,atentamente, fixam os olhos no final da corrida, para receber a coroa ou troféu (1Co 9.24-2 Tm 4.8). O prêmio significa recompensa por ter vencido a corrida, ou por ter chegado ao lugar demarcado.

Somos  também convidados a prosseguir para o alvo. Mas precisamos esquecer, ignorar, destruir, apagar tudo aquilo que pensamos, falamos e realizamos em desconformidade com a santa vontade de Deus. Este deve ser o nosso objetivo,pois o nosso alvo é Cristo. Ele deve ser a prioridade de nossa vida, a razão da nossa existência. A nossa fé em Cristo é algo ,infinitamente, maior e mais valioso em comparação com as velhas tradições, méritos. Não é possível continuar vivendo valores antigos quando se decide viver a partir dos valores do Reino de Deus, porque nada vale termos méritos e lucros, se o nosso alvo não é Cristo.  É claro que as coisas têm um valor em si; a pessoa em si tem prestígio, mas Jesus Cristo é tanto mais sublime que tudo que somos e temos.

 Estimados irmãos! O passado já ficou para trás, devemos agora seguir em frente olhando somente para Jesus, como o nosso único alvo. Sejamos persistentes, a fim de receber o prêmio celestial para o qual Deus nos chama em Cristo Jesus. Amém!