segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

TEXTO: Sl 2

TEMA: O REINADO DO UNGIDO DO SENHOR

O salmista havia profetizado sobre  a vinda do Ungindo do SENHOR. Fala de um “libertador”  que viria para reinar. Embora, o texto não mostra o ser como uma pessoa física, a convicção em torno de sua intervenção salvífica, era esperada para qualquer momento. Outro detalhe é que  muitos atribuem a Davi, como sendo o Ungido. Lutero entende que Davi fui um profeta que antevê o reinado do Messias, não diz respeito a Davi, mas aplica-se diretamente a Cristo. Agostinho identifica ,claramente, Jesus Cristo, o Messias esperado. Portanto, o Rei apresentado pelo salmista é identificado com o Ungindo do SENHOR. Deus prometeu que iria enviar seu Ungido, para salvar seu povo (Dn 9.25). Ele foi ungido por Deus para cumprir a missão de salvar a humanidade e restaurar o relacionamento entre Deus e os homens.

No tempo de Jesus, o povo de Israel esperava ansiosamente pelo Ungido do SENHOR. Os judeus acreditavam que seria uma figura política e religiosa que iria restaurar a independência e a glória de Israel. Mas o Ungido não veio com esse propósito. Ele  veio ao mundo para salvar os homens de seus pecados. Esse salvador seria Jesus, verdadeiro Rei, que governaria neste mundo. Ele veio! Na noite em que Jesus nasceu, os anjos celebraram ! E mais: eles convidaram os pastores de ovelhas nos campos também a celebrar. O grande plano de Deus para salvar a humanidade estava entrando em ação e isso era motivo de alegria.

O Natal é um convite para preparar os nossos corações para receber o Ungido do SENHOR. E lembrar que o nascimento de Jesus é o cumprimento de uma promessa. Antes de Jesus nascer, o profeta Isaías já havia profetizado a respeito da vinda do Messias. Era uma promessa para todos os tempos. (Isaías 9.6), que traria esperança para a humanidade, num contexto marcado pela angústia, dor, sofrimento, opressão, desesperança, escravidão e escuridão. É justamente neste contexto que ocorre o nascimento do Salvador que viria para salvar a humanidade do pecado, pois o mundo  se encontrava nas trevas, corrompido, mergulhado no caos. Por isso, é de grande importância  que  todos os cristãos se preparem  para participarem do Natal que se aproxima. Também é de suma importância que a Igreja tenha a grande tarefa de testemunhar sobre o Ungido para o mundo sobre o verdadeiro sentido do Natal.

O autor inicia o Salmo, descrevendo uma revolta das nações. Ele afirma que as nações estavam se amotinando com o propósito de organizar uma insurreição para tramar uma ação maléfica. O próprio salmista se expressa desta forma: “enfurecem os gentios.”(v.1a). A posição do  salmista fica mais clara quando ele classifica a atitude dos adversários, isto é, nações e povos, como “coisas vãs” (v.1b). Demonstra que “os gentios”, “as nações”, ou povos “pagãos. “se aglomeram para tumultuar. Estão planejando algo com objetivo de causar uma revolta, procurando assumir o controle do mundo, procurando tirar a soberania do  Ungido do SENHOR, com a finalidade de assumirem o controle político e econômico do mundo. Fica evidente nas palavras do salmista no versículo 2:  “ Os reis da terra se levantam,   e os príncipes conspiram   contra o SENHOR e contra o seu Ungido.” A palavra traduzida como “Ungido” vem do hebraico מָשִׁיחַ  (Messias). Embora, o Ungido, consagrado e comissionado por Deus fosse uma referência imediata ao rei Davi, como muitos atribuem, não diz respeito a Davi, mas aplica-se diretamente a Cristo.

Enquanto os piedosos meditam na Palavra de Deus, os reis e príncipes, autoridades das nações gentílicas meditam em como conspirar, derrubar, aniquilar o Ungido. O homem planeja e imagina coisas vazias, sem valor neste mundo, pois vive sua natureza caída e distante de Deus. O versículo 3 descreve muito bem a atitude dos homens rebeldes: “Rompamos os seus laços.”(v.3a). Ocorre que essas autoridades com suas mentes cauterizadas pelo pecado, enxergam o cuidado de Deus como um jugo. Por isso, propõem tirar, arrancar, quebrar os seus laços, ou seja, aquilo que estava preso. Para eles, os laços de amor do SENHOR são algemas. E ainda afirma: “sacudamos de nós as suas algemas.”(v.3b). O verbo שָׁלַךְ (sacudir) no Hebraico significa lançar, jogar fora soltar, lançar ao chão. E o termo עֲבֹת (algema) significa corda, cabo, folhagem entrelaçada, cabo, corrente. Os rebeldes estão determinados a romper as suas ataduras, a suas cordas, os ferrolhos que o prendiam. E assim poderiam dizer: "Lance fora o seu jugo.” Trata-se de um grito de liberdade e independência.

A rebelião de reis e povos contra Deus é uma constante na História. Desde os primórdios, a humanidade tenta impor sua vontade sobre o Criador. Essa ainda é uma realidade atual: homens se unem para tentar destronar Deus e estabelecer seu próprio governo, buscando tornar-se senhores de suas vidas e viver de forma independente de Cristo, recorrendo a explicações que ignoram a revelação divina. Essa rebelião é um convite para refletirmos sobre nossa própria relação com Deus. É uma oportunidade para analisarmos se estamos vivendo de acordo com a Sua vontade ou tentando impor a nossa. Acima de tudo, é um chamado à submissão a Deus e à aceitação de Jesus como nosso Senhor e Salvador.

Enquanto tais povos se uniam e conspiravam contra o salmista, aquilo que era um risco real para Israel, era motivo de risos para Deus: “Ri-se aquele que habita nos céus; o SENHOR zomba deles.” (v.4). A força do homem não apresenta nenhuma ameaça para Deus. Ele ri da estupidez humana. Ri daquele que planeja de alguma forma destruir os seus eternos propósitos. Ri e zomba desses homens arrogantes e mortais que se exaltam diante do Eterno. É horrível para esses que se opõem contra Deus. Há momentos que Deus ri da nossa ignorância que insiste em rebelar-se contra aquele que é onisciente e onipotente. Diante do poder de Deus e de sua inegável vitória sobre toda oposição e conspiração contra Deus, Ele não se surpreende, nem se abala, com a revolta da criatura. Ele, sendo o Criador, sabe que a revolta da humanidade os leva à própria destruição. A forma de Deus agir, não tem significado de ridicularizar, apenas demonstra a soberana segurança do SENHOR, que conhece todas as coisas, que nada foge de seu controle. Ele sabe que o dia, daqueles que não o amam, que conspiram contra Ele, está chegando ao fim. Eles serão julgados e receberão a divina ira do Rei, SENHOR dos senhores.

No entanto, quando desprezamos a Deus, a sua ira será manifestada no tempo determinado contra todo homem rebelde: “Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá.” (v.5). A palavra חָרֹון (furor) no Hebraico significa ira, ardor, ardente. Sempre se refere a ira de Deus. Isto significa que qualquer tentativa, mesmo dos mais poderosos da terra, de frustrar o propósito de Deus, resulta na ira divina. Por isso, precisamos sempre lembrar que “Deus é abundante em amor e tardio em irar-se” (Êxodo 34.6), mas chegará o tempo em que Ele chamará os rebeldes para prestar contas. Ele age desta forma, porque não aprova aquilo que não esteja em conformidade com a sua vontade. Ele detesta de forma absoluta o pecado. Há um limite para sua paciência.

Deus tinha outros planos contra aqueles que planejavam, meditavam em como conspirar, derrubar, aniquilar o Ungido: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. (v.6). É evidente que o salmista e seus herdeiros receberam uma promessa divina de que reinariam sobre os israelitas com a bênção do SENHOR. Mas, agora, o plano é outro. Ele haveria de נָסַךְ (constituir), ou seja, derramar, consagrar solenemente o Messias, como Rei. É enfático ao afirmar: “eu vou consagrar o meu Rei.” As palavras “meu Rei” se referem, é claro, ao Ungido, o Messias. Mas não seria um rei político que viesse governar Jerusalém. Ele seria diferente dos reis que eram eleitos pelo povo, ou através de sucessão, mas seria pela designação especial e extraordinária do SENHOR. E ainda governaria “sobre o meu santo Monte em Sião”, diz o SENHOR. Sião é outro nome para Jerusalém, ou seja, o SENHOR colocaria seu Rei em seu trono na “colina sagrada de Sião” (Jerusalém). Sede da teocracia, ou a residência de Deus, o lugar onde o povo deveria adorá-lo. (Jo 4.20).

O Filho agora entra em cena interagindo com o Pai e as nações.Agora, não é o poeta quem fala. Não é o salmista, nem qualquer outro rei histórico de Israel, mas é o Ungido do SENHOR: “Proclamarei o decreto do Senhor.” (v.7a). O verbo סָפַר (proclamar) significa contar, declarar, relatar. Este verbo traz uma declaração que o Ungido proclama a razão pela qual  o SENHOR havia decidido estabelecer o seu Filho como rei em  Sião. O Ungido proclama o decreto do SENHOR. O termo חֹק (decreto) significa apropriadamente algo decretado, prescrito, nomeado, estatuto. Este termo carrega um significado importante na cultura hebraica. Trata-se de um dos sinônimos de Torah, o ensino por excelência. Assim, o decreto constitui que o Ungido virá ao mundo para que todos os povos e nações fossem salvos; reconciliados com Deus. E que  voltará para estabelecer seu reino por toda a eternidade.

Nessas palavras, dois pontos merecem destaque: primeiro, “Tu és meu Filho.” (v. 7b). O dia em que  foi ungido rei, o SENHOR o declarou ser seu Filho: “Tu és o meu Filho.”  Isto traz a declaração que implica eternidade e perfeição. Representa também sua posição de autoridade e poder manifestada por sua ressurreição, (At 13.30-33) e  ascensão. Em dois momentos cruciais do ministério de Jesus, o Pai afirmou seu amor e paternidade a Jesus para que ele fosse fortalecido e pudesse enfrentar o que vinha pela frente. A primeira, ocorre  antes da tentação no deserto e a segunda,  antes da cruz. Na hora mais escura da história da humanidade, o Pai garante ao Filho o seu amor e  governará o mundo a partir de Jerusalém. Segundo, “eu, hoje, te gerei.” (v.7c). Essas palavras traz a ideia de coroação, e não de concepção (ser gerado). Ele é gerado como esplendor da glória do SENHOR. Esse “filho gerado” e “ungido” é Aquele que possui a autoridade, a força, o poder e a verdadeira legitimidade para governar o mundo. Deus gerou Jesus no sentido que o Filho foi coroado rei e colocado acima de todos. Depois de sua ressurreição, Jesus disse: "Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra" (Mateus 28.18).

Davi teve o privilégio de ouvir um diálogo divino em que o Pai convida o Filho a interagir, pedindo as nações como sua herança: “Pede-me e eu te darei as nações por herança.” (v.8a). A herança de Jesus é ser rei sobre todas as nações. Ele é em primeiro lugar Rei de Israel, mas também Rei de toda a terra. Todas as nações do mundo pertencem a ele, e é o único digno de governar sobre todas elas. Todas as nações irão honrar e amar Jesus com sua obediência e de maneira prática o servirão para que todos os seus planos para as nações sejam realizados. Ele estabelecerá Seu domínio em todas as esferas da sociedade. A Ele pertencem todas as coisas, as pessoas, a terra e toda sua estrutura natural e material: “e as extremidades da terra por possessão.” (v.8b). Possessão que dizer terra, propriedade.

 O Ungindo afirma também que receberá  do SENHOR a missão de governar com força: “Com vara de ferro as regerás e as despedaçaras com um vaso de oleiro.”(v.9). Ele governaria “com vara de ferro.” Esta expressão representa o cetro da realeza, o ferro simboliza a força. Evidentemente, não é o emblema do poder soberano, mas um instrumento de correção e punição. E os verbos רָעַע (reger),  que significa ser ruim, quebrar e נָפַץ (despedaçar) esmagar, quebrar em pedaços, caracterizam bem sua postura de governo. A esta tipologia, deve ser acrescentada ainda os termos usados nos versos 4: “O Senhor ri e zomba deles”. E ainda no verso 5: “A ira e o furor do Senhor.” Portanto,  aqueles que não fizerem a vontade de Deus serão destruídos, pois seu governo será absoluto. Mesmo sabendo que Jesus é o Messias, o Cristo escolhido por Deus, muitas pessoas ainda optam por se rebelar e negar sua autoridade. Isso nos desafia a estarmos sempre vigilantes, para que não caiamos na tentação de rejeitar Jesus como nosso Salvador.

Depois desta visão profética, o salmista retoma à palavra   e exorta os reis da terra e seus súditos a se submeterem a Deus. Ele dá três conselhos. Primeiro: “Agora, ó reis, sede prudentes deixai-vos advertir, juízes da terra.” (v.10). Deus oferece uma oportunidade de mudança  para que voltem à sabedoria, pois seus comportamentos atuais só trarão ira e condenação. Ele ordena que todos os homens sejam sábios e compreendam que Ele é o único Deus verdadeiro e que o seu Filho é o SENHOR e Salvador. Ser prudente é uma pessoa capaz de evitar perigos desnecessários agindo de modo cauteloso. Age de modo sensato, com paciência. Via de regra, é ponderado e calmo. Este deveria ser o procedimento dos reis, porque geralmente os reis não se preocupam com prudência diante dos súditos. Até mesmo aqueles que tinham cargos administrativo (juízos) deveriam ser advertidos. Davi orgulhava-se de que seu reino, ainda que despojado por uma multidão de inimigos, seu reino estava protegido pela mão e poder de Deus. Ele ainda acrescenta que seus inimigos viriam o reino do SENHOR se estendendo até os confins da terra. Neste sentido, ele exorta a todos os reis, aos governantes a despirem-se de seu orgulho e a receberem, com mentes submissas, o jugo que Deus impôs.

Segundo conselho: “servi ao SENHOR, com temor” (v.11). Parece ousadia o salmista mandar aquele tipo de gente rebelde, hostil, servir a Deus. Mas independente de seu estado, Deus chama as nações para se curvar diante do seu Filho e proclamar a sua santidade. Deus também nos chama a adorá-lo com temor, reconhecendo sua majestade e santidade, um momento que deve ser realizado num clima de alegria e obediência ao SENHOR.

Terceiro conselho: “Beijai o Filho, para que não se irrite e pereçais no caminho.”(v.12). Neste versículo há a necessidade de analisar alguns termos. Então, vejamos:  a expressão  נָשַׁק בַּר no Hebraico traduzida como “beijai o filho,” é uma palavra diferente   para “Filho” daquela empregada no verso 7. Aqui é usado o termo בַּר que significa filho, herdeiro. E o verbo נָשַׁק (beijar) literalmente significa “tocar levemente”. O verbo “beijai,” usado aqui refere-se ao costume antigo de beijar pés e mãos dos reis como forma de mostrar reverência, uma prestação de homenagem. Nos tempos bíblicos, o ato de beijar — fosse tocar os lábios de outrem (Pv 24:26), a face, ou, em casos excepcionais, até mesmo os pés (Lc 7:37-45) — servia como um profundo sinal de afeto ou respeito. O beijo era um gesto multifacetado: expressava afeição, amor, lealdade e lamento entre pessoas próximas. Essas demonstrações ocorriam no círculo familiar, na adoração, na devoção religiosa e na intimidade entre cônjuges. Contudo, a história bíblica também revela o uso desse gesto para propósitos sombrios, como o selo de uma traição."

Diante do que foi exposto, entende-se que a expressão “beijai o filho,” significa prestar tributo, prestar homenagem, saudar o rei da maneira costumeira (1 Sam. 10.1). Sendo assim, todos os reis e povos são convidados a prestar homenagem ao Ungido. Mas quando havia certa omissão, isto causava  insulto ao rei, naturalmente o irritava. (Et. 3.5).Também somo convidados a prestar  tributo ao SENHOR por tudo que o Ele tem feito e ainda irá realizar.Tributar por causa da sua grandeza, majestade e glória, porque Ele é o Deus Santo, Imutável, Criador dos céus e da terra e de tudo que nele há (Sl 24).

Neste sentido, o salmista mostra que todos os reis e povos  recebem duas opções:  primeiro uma advertência: “Por que dentro em pouco se lhe inflamará a ira." (v.12a). Literalmente significa: "Porque a sua ira pode se inflamar rapidamente.” Quando reis e governantes não demonstrarem lealdade a Jesus Cristo, o Filho de Deus, a ira do SENHOR se acenderá. A justiça de Deus não deixará a pecaminosidade humana impune. Dentro de pouco tempo a ira do SENHOR se ascenderá  para aqueles que se recusarem a prestar homenagem ao Ungido. Isto será quando o dia do juízo de Deus chegar. Então, ninguém poderá escapar (Apocalipse 6.16,17). Segundo, há uma promessa de bênção para os que optarem em obedecer e submeter ao Filho: Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.”(v.12b). Aqueles que creem no Filho são “bem-aventurados”, porque não serão consumidos  pela  ira  do  Filho,  antes,  Nele  encontrarão refúgio. Refúgio é um ‘abrigo’, um lugar de segurança e  proteção no Ungido. Ele é o  refúgio em quem o salmista confia.

Estimados irmãos! Quando falamos sobre o Ungido do SENHOR. nos lembra a maravilhosa história do nascimento de Jesus. Após muitos anos de espera, Jesus nasceu em Belém. Mas antes de Jesus nascer, o profeta Isaías já havia profetizado a respeito da sua vinda. Era uma promessa para todos os tempos. O Ungido do SENHOR prometido no Antigo Testamento, e que o salmista atesta com muita clareza, nasceu numa humilde estrebaria. Ele é o Messias tão esperado pelo seu povo. Quando nasceu foi grande a expctativa. Os anjos cantaram:“Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” (Lucas 2.14). Os pastores que viviam no campo também se alegram quando ouviram falar sobre o nascimento de Jesus através do anjo. Foram e viram Jesus. E quando voltaram  glorificaram e louvaram a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado.(Lucas 2.20). Simeão foi ao templo e tomou o menino nos braços  e louvou a Deus.(Lucas 2. 27 e 28). E a profetisa Ana, “dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.” (Lucas 2.38).

Que momento maravilhoso ao vermos muitas pessoas vivendo na expectativa para conhecer o Ungido do SENHOR. Mas se parássemos para pensar um pouco, perceberíamos que não se vive mais a mesma realidade, que viveram estes personagens.  Estamos perdendo a cada ano o aspecto encantador e o significado do nascimento de Jesus. Cada vez mais propensos a apreciar  o esquema proposto pela sociedade consumista. Admiramos ao ver estradas e praças das cidades enfeitadas com luzes resplandecentes; admiramos, ao acendermos as velas nas igrejas ou a iluminação do presépio e da árvore de natal nas casas e nas igrejas. Enfim, há muita luz e progresso no campo da ciência, da arte, da técnica e da cultura, mas falta a verdadeira luz nos corações das pessoas.

Não é possivel entender o Natal desta forma! Afinal, esta expectativa consumista não representa o verdadeiro Natal.  O Natal é o momento em que Deus vem a nós, nos visita e nos ama. Esta é a mensagem do Natal: a visita do próprio Deus, o criador dos céus e da terra. O verdadeiro Natal significa e deve significar que Deus está conosco. Por isso,  Natal é um convite para preparar os nossos corações para receber o Ungido do SENHOR. Ele traz esperança para a humanidade, num contexto marcado pela angústia, dor, sofrimento, opressão, desesperança, escravidão e escuridão.

Portanto, somos convidados a tributar, homenagear, dar toda glória e honra ao Ungido do SENHOR, reconhecendo sua autoridade e soberania sobre nossas vidas. Amém! 

domingo, 21 de dezembro de 2025

TEXTO: IS 52.7-10

TEMA: A NOTÍCIA DA VOLTA DO SENHOR À SIÃO

Estamos nos aproximando do dia 25 de dezembro. As pessoas estão eufóricas, agitadas, movimentando-se intensamente para a realização do Natal. Luzes em quantidades incontáveis iluminam casas, edifícios, ruas e lugares públicos. Os supermercados estão cheios de guloseimas natalinas, frutas as mais diversas e as pessoas compram freneticamente para fazerem uma boa ceia de natal. A mídia está dominada pelo “espírito do Natal” e por figuras que simbolizam a festa. Nas igrejas há preparações esmeradas, corais se preparam, crianças ensaiam peças e todos estão esperançosos de terem um “bom Natal”.

Mas há uma noticia maravilhosa para você neste Natal! Você já imaginou um mensageiro correndo o mais rápido possível para anunciar uma notícia boa para você? Essa é a imagem apresentada pelo profeta neste texto. Ele afirma que Deus enviou um mensageiro para anunciar o retorno de seu povo à Sião, que estava no exilio. Uma notícia permeada de consolo, paz, ânimo, salvação e esperança. Ela reflete a alegria dos judeus, pois o Senhor estará presente com eles outra vez. Já para a cidade de Jerusalém, que se encontra em ruínas, é uma grande alegria saber que o Senhor retornará, pois antes era uma cidade entristecida, mas. agora se acha consolada. Ele voltará e estará com seu povo no templo, que será reconstruído.A maneira como esta história é narrada mostra o quanto a mensagem de Isaías foi importante para o entendimento dos primeiros cristãos sobre o que Jesus veio fazer no mundo. O Evangelho de Lucas nos mostra esta finalidade ao lembrarmos a história do nascimento de Jesus quando o mensageiro do Senhor disse: “Não temais; hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Era uma notícia maravilhosa que fala sobre a vinda do Messias, que era algo que estava sendo esperado pelos homens durante muito tempo.

Estimados irmãos” O povo de Israel desobedeceu, pecou, não se arrependeu, e, consequentemente, abandonou o Senhor. Sendo assim, o Senhor permitiu que seu povo fosse levado pelos Babilônios, por causa de seus pecados, especialmente, o pecado da idolatria. Em uma terra distante, o povo chorava, vivia humilhado, explorado, desolado e sem esperança. É nessas condições que o profeta anuncia a libertação dos israelitas, garantindo que Deus os trará de volta do cativeiro para que possam começar uma vida nova na terra de Israel. Quando voltar, certamente, encontrará uma cidade em ruinas, muros derrubados e o templo em escombros. Este era um cenário que causou desanimo e frustração na vida daquele povo.

No entanto, neste momento de aflição, Deus não abandona seu povo. Ele anuncia o seu retorno à Sião. O profeta descreve esta imagem através de  um mensageiro, visto a princípio, saltando ou correndo em uma colina distante. Uma indicação de que ele carrega uma mensagem de alegria, e que a nação está prestes a ser restaurada. Ele faz uma declaração que fala sobre o glorioso ministério daqueles que proclamam a verdade de Deus: Que formosos são sobre os montes os pés. (v.7a). É uma forma poética para indicar que são bem vindos aqueles que trazem uma boa notícia. Parece que ao escrever essas palavras, Isaías tinha em mente a figura daqueles mensageiros que traziam do campo de batalha boas notícias. Para levar esta boa notícia às cidades, os mensageiros percorriam grandes distâncias. Era um trabalho árduo e difícil. Seus pés ficavam machucados, sujos, esfolados e empoeirados pela longa viagem.

O apóstolo Paulo usou esta declaração do profeta Isaías justamente em referência àqueles que pregam o Evangelho de Cristo pelo mundo. Em Romanos 10.15, ele afirma: “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” Em  Isaías esses mensageiros, cujos pés são formosos, se referem àquelas pessoas que anunciaram a restauração do povo de Israel do cativeiro. Era, sem dúvida, boa, animadora e maravilhosa a notícia da restauração de Israel.  Mostra que a mensagem era maravilhosa e amável daqueles que traziam o consolo de Deus.Dessa forma, Deus estava animando o povo a recomeçar uma nova vida, renovando a esperança, libertando e trazendo-o de volta para a terra que o próprio Deus havia dado ao seu povo.

Quanto ao conteúdo da mensagem, o mensageiro anuncia quatro boas notícias. Primeiro: o mensageiro  “anuncia as boas-novas.”(v.7b). O Antigo Testamento costuma usar o termo בָּשַׂר, que significa proclamar boas novas, trazer notícias de vitória. Neste contexto, o mensageiro revela uma boa notícia ao povo. Qual é essa "boa notícia" que o mensageiro traz? Ele anuncia a chegada do Deus libertador. É uma boa notícia! Segundo: o mensageiro anuncia a paz: “que faz ouvir a paz.” (v.7c). Mas não era qualquer paz. Era uma paz que Deus estava oferecendo ao seu povo. Ele concedeu esta paz ao seu povo, não porque este a mereceu por si mesmo, mas foi uma dádiva, um dom, um presente. Ela gerou na vida do povo um momento de bem-estar, harmonia, felicidade sem fim. Sendo assim, a paz era uma bênção para este povo e esperança para Israel. Jerusalém, agora, será um centro, a partir do qual Deus manifestará a sua presença, o seu conforto, amor e misericórdia que nunca se acabam. Se hoje temos a paz, é por causa da obra redentora de Cristo. Ele morreu em nosso lugar nos reconciliando com o Pai.

Quinto: o mensageiro anuncia salvação:  “que faz ouvir a salvação.” (v.7d). O termo יְוּעָה (salvação) no Hebraico significa libertação, vitória, livramento ou salvação. Para os povos do Antigo Testamento, a salvação estava bastante ligada à discussão sobre “livramento de alguma coisa”, seja física, pessoal ou nacional. Para a cidade de Jerusalém que estava em ruínas “, ouvir a “salvação”, era um momento de grande alegria, porque antes estava entristecida, mas agora se acha consolada. Entretanto, todos estes significados estão longe de alcançar a dimensão plena e com mais profundidade, conforme nos ensina o Senhor. A palavra ‘salvação’ descreve um acontecimento futuro, ou seja, a vinda do Messias. Viria com objetivo de salvar a humanidade, libertando-a do cativeiro da morte espiritual. Quarto: o mensageiro anuncia que “o teu Deus reina.” (v.7e). É uma confirmação de que Deus ainda estava no seu trono. Quem reina não é o Egito, nem a Assíria, nem a Babilônia, nem o pecado, nem as dificuldades diárias que enfrentamos todos os dias. Mas é Deus quem reina! É do Senhor que vem a notícia de consolo, libertação e esperança! É necessário dizer e lembrar que o nosso Deus reina e reinará para sempre.

Os primeiros a ver o mensageiro e ouvir a sua mensagem são as sentinelas ou atalaias. O termo  צָפָה  (atalaia) em Hebraico, significa “tomar cuidado”, “espiar”, “olhar ao redor”, “vigiar”, “guardar” ou “prestar atenção”. “aquele que vigia”. Atalaia era uma pessoa que ficava encarregada de vigiar determinada área. Geralmente. ficava posicionado num local elevado e estratégico, com visão ampla sobre o território, do qual deveria permanecer vigilante, em especial em suas entradas e saídas, desse local. Caso algum inimigo se aproximasse, elas gritavam. (v.8a). A Bíblia fala sobre atalaias tanto no sentido literal quanto simbólico. Isso indica que esse termo é aplicado não só para se referir aos guardas da época, mas também no sentido espiritual, ou seja, alguém que avisa às pessoas que precisam deixar o pecado e obedecer a Deus. Encontramos vários exemplos na Bíblia. É o caso do profeta Ezequiel que foi designado por Deus como uma atalaia para advertir o povo de Israel sobre sua conduta pecaminosa (Ezequiel 3.17-21; 33.2-9). O profeta Habacuque também agiu como um tipo de sentinela espiritual. Ele se colocou “em torre de vigia” na espera por ouvir a mensagem de Deus sobre o juízo vindouro (Habacuque 2.1).

Após ver e ouvirem o mensageiro, as sentinelas, agora, erguem a voz, gritam de júbilo e alegria por causa do retorno do Senhor à Sião. (v.8b). Não é, no entanto, um grito de alarme, de guerra, mas de alegria contagiante, de júbilo. O verbo  שׁוּב (retorno) no Hebraico aparece com frequência no Antigo Testamento e tem uma variedade de significados – mudar, retornar ou restaurar. Nesse caso, o profeta pode estar falando da restauração de Sião – ou do retorno do Senhor à Sião – ou de ambos. E o fato de verem com seus “próprios olhos” enfatiza que elas veem “claramente” que é, de fato, o Senhor. Por isso, se alegram, respondem com gritos e com cantos de louvores. Não havia mais choro, pelo contrário, só alegria e gratidão. Deus havia transformado aquele momento em realidade. O fato de voltar à sua terra, de estar livre do cativeiro, de poder cultuar ao Senhor eram motivos suficientes para exultar e alegrar-se.

De fato, notícia era boa que até as “ruínas” de Jerusalém são convocadas para o cântico: “Rompei em júbilo, exultai à uma, ó ruínas de Jerusalém; porque o Senhor consolou o seu povo, remiu a Jerusalém.” (v.9). O verbo  פָּצחַ em Hebraico, que está no imperativo, significa “levar a romper ou explodir, irromper, exclamar”. A expressão “ruínas de Jerusalém” é um simbolismo da condição que encontrava o povo Israel. Isto demostra que aqueles que estavam em ruinas, e que não conseguiam mais acreditar, deveriam explodir em alegria. As ruínas não seriam mais um marco para lamentos, pois o Senhor age. Ele vem, reina e sua ação dá-se através do consolo e do remir à Jerusalém. O Senhor assumiu a tarefa de consolar os israelitas deportados da Babilônia. Sua profecia é introduzida com o imperativo: “Consolai, consolai meu povo, diz vosso Deus” (Is 40.1). O verbo גָּאַל  (remir) no Hebraico significa redimir, reivindicar, resgatar. O termo tem a ver com a libertação da escravidão do seu povo. Ele foi redimido e   o Senhor não teve que pagar nenhum preço. Agora, ele pode se alegrar e cantar. Não será mais um povo arruinado, mas um povo redimido.

A boa notícia do mensageiro provoca os gritos das sentinelas, o júbilo em Jerusalém e agora também chega aos olhos de todas as nações: “O Senhor desnudou o seu santo braço à vista de todas as nações" (v. 10a). Neste versículo, o profeta usa a imagem de mais um elemento do corpo. Ele inicia o texto com imagem dos pés e termina com a do braço. O termo חָשַׂף   (desnudar) significa tirar, despir, deixar desnudo, esticar. E o termo זְרֹועַ   (braço) é um símbolo de força. É uma metáfora usada pelo profeta. Ele tira do contexto de uma batalha, que representa o momento em que o soldado tira a sua capa e seus braços ficam desnudos. Ele estica seu braço para golpear com a mais força, ou para exercer uma força maior.  

No contexto espiritual, o “braço do Senhor” é uma figura de linguagem que fala de seu poder absoluto sobre o mundo. E a expressão “desnudar o braço” implica que o Senhor se prepara para a batalha. Ele tira a capa e seu braço é exposto à batalha: “Então, com toda a força de meu braço vigoroso, com furor, indignação e cólera, combaterei contra vós.” (Jeremias 21.5). Mas também é uma figura de como Ele está amorosamente presente, cuidando, confortando e consolando seu povo. Não era um momento de conquista ou de opressão, mas de resgate, pois o Senhor libertou seu povo da escravidão. Isto significa que Deus veio em socorro de seu povo como guerreiro e que seus atos realizados seriam vistos, reconhecidos por todas as nações: “que todos os confins da terra verão a salvação de Deus”. Significa que a libertação do seu povo seria tão notável, visível em todo o mundo. As nações mais distantes o veriam e seriam constrangidas a reconhecer o seu poder. E a salvação que Deus oferece à sua cidade e ao seu povo será testemunhada por toda a terra, como se o mundo estivesse de olhos postos na ação vitoriosa de Deus em favor de Judá.

Como é maravilhoso ver um mensageiro correndo pelas montanhas, trazendo boas notícias de paz e de salvação! A maneira como esta história é narrada mostra o quanto Isaías 52.7-10 foi importante para o entendimento dos primeiros cristãos sobre o que Jesus veio fazer no mundo. O Evangelho de Lucas nos mostra esta finalidade ao lembrarmos a história do nascimento de Jesus quando o mensageiro do Senhor disse: “Não temais; hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Era uma notícia maravilhosa que fala sobre a vinda do Messias, que era algo que estava sendo esperado pelos homens durante muito tempo. Notícia que os pastores, homens humildes, receberam na quietude do campo, sobre o nascimento do Salvador. Eles estavam reunidos nos campos, e ficaram com medo. Mas o anjo os tranquilizou dizendo: "Não temais!”. A presença do anjo do Senhor envolveu os pastores de forma maravilhosa, de coragem e esperança que desapareceu todo o medo, mediante a presença segura e na certeza de que o Deus onipotente está conosco. Acreditaram na vinda de Cristo ao mundo, e na mais bela e emocionante notícia: “a boa-nova de grande alegria”.

No entanto, não era uma simples alegria! É a maior alegria, que enche nosso coração de júbilo. Que dissipa toda a tristeza. Que supera as tribulações, as tempestades, as lágrimas, a dor, a perda, o abandono, tudo. Qual era a boa-nova? Nasceu o Salvador! Nasceu Jesus!  O nascimento de Jesus são boas novas, boas notícias. Boas notícias de que Deus cumpre suas promessas. Ele disse que enviaria o Salvador ao mundo, e cumpriu. Por isso que celebramos com tanta gratidão e alegria o Natal. Mas a alegria não seria apenas para os pastores, mas para todo o povo. A mesma mensagem que encheu seus corações de alegria é anunciada a cada um de nós ainda hoje. Ela é para todas as raças, todas as línguas, todas as nações, pois Deus ama o mundo, e de tal maneira que mandou seu filho unigênito para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. No coração de Deus há lugar para todas as pessoas, de todos os lugares. Já recebeu esta boa-nova de grande alegria em sua vida? Está disposto a proclamar está boa nova a todo o povo?

Estimados, irmãos! O mensageiro anunciou uma mensagem maravilho da vinda do Senhor à Sião. Ele traz boas notícias. Hoje, não vivemos em cativeiros como Israel viveu, mas conhecemos bem a escravidão do pecado, a distância de Deus, o medo de sermos esquecidos em nossos sofrimentos. A mensagem de Isaías nos chama a acordarmos para uma nova realidade. Porque o Rei veio, e ele é a grande manifestação do poder de Deus e é maior do que qualquer problema. Sendo assim, podemos juntos celebrar a paz e a salvação recebidas, com uma nova roupa de pureza, e uma esperança segura. Amém!

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

 TEXTO: IS 7.10-14

TEMA:  DEUS ESTÁ CONOSCO NA PESSOA DE JESUS

Estamos vivendo um período de reflexão, de festa, de reconciliação e muita correria em busca de um presente ideal para a pessoa que tanto estimamos. É a época das cidades enfeitadas e das lojas com muitas luzes coloridas, colocando seus produtos à disposição da população. Este é o Natal para muitas pessoas. É a forma como o mundo vê o Natal.  O que existe hoje relacionado com o Natal é apenas uma preocupação mercantilista – vender e comprar presentes. Enfim, o Natal se resume em luzes, enfeites, presentes, comércio, banquetes.

 Mas como entender toda esta forma de preparação para o Natal? Afinal, não representa o Natal? Pode até representar, mas não é o verdadeiro sentido do Natal. O verdadeiro Natal  é um momento maravilhoso, fascinante, diferente, bonito, sublime e importante. O profeta Isaías deixa evidente, ao anunciar o nascimento de um menino, que ele significará a presença de Deus entre os homens. Seu nome será “Emanuel”, que significa, literalmente, “Deus Conosco”. O verdadeiro Natal significa — que  Deus vem até nós, nos visita e nos ama. Ele está presente. Esta é a mensagem do Natal: a visita do próprio Deus, o Criador dos céus e da terra.

Diante de um cenário de terror e desespero, Deus não abandona Seu povo. Ele oferece um sinal ao rei Acaz. Diz o texto: “ O Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. (v.14).  Este sinal não é apenas um feito miraculoso no tempo, mas uma promessa eterna: Emanuel.O profeta anuncia o nascimento de um menino que significará a presença de Deus entre os homens. Revela um Deus que não abandona o seu povo nos momentos difíceis, mas que vai ao encontro para levar esperança, consolo e salvação.

Em meio às crises pessoais, sociais ou espirituais, Deus anuncia que não estamos sozinhos. O Emanuel nos sustenta, renova nossa fé e nos fortalece para continuar caminhando, mesmo quando o caminho parece escuro.Quando as forças humanas se esgotam, quando o medo, a dor e a incerteza parecem dominar, o Natal nos lembra que Deus não permanece distante do sofrimento humano. Ele entra na nossa história, caminha ao nosso lado e se faz presente nas fragilidades da vida. Assim, a nossa reflexão de hoje, conforme o texto bíblico de Isaías, está centralizada em três partes:

Primeiro, Deus está conosco por meio do sinal que Ele mesmo concede. Diante do medo e da crise vividos pelo rei Acaz e pelo povo, o Senhor promete um sinal claro de Sua presença e fidelidade: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel”, que significa Deus conosco.

Segundo, Deus está conosco por meio de Jesus Cristo, o Emanuel. Em Jesus, Deus entrou na história humana, assumiu nossa condição, caminhou entre nós e revelou Seu amor de forma concreta. Ele não ficou distante do sofrimento humano, mas se fez presente, próximo e acessível.

Terceiro, Deus está conosco nos momentos de crise. Deus revela que, mesmo em tempos de ameaça, insegurança e instabilidade, não abandona o seu povo. Ele age na história e garante que Sua presença não depende da força humana, mas da Sua graça. O nascimento do menino prometido é a confirmação de que Deus permanece próximo, sustentando, protegendo e conduzindo Seu povo.

A promessa  do nascimento do Messias se dá em meio às guerras e disputas do rei Acaz e seus vizinhos.  Toda esta história ocorre por volta do século VIII aC. (Antes de Cristo).Havia uma crise no reino de Judá, pois o rei Acaz enfrentava a ameaça de invasão dos reinos de Israel e da Síria. Dois reis,  Rezim, rei de Damasco, e Peca, rei de Samaria, investiram contra Jerusalém. Eles já haviam ameaçado Judá nos dias de Jotão ( 2Reis 15.37). Mas, agora, era uma conspiração  para depor o rei Acaz e no seu lugar colocar um rei que não era da linhagem de Davi, um certo “filho de Tabel” (v.6). A ideia era destruir a dinastia de Davi, que até então reinara muitos anos sobre Judá. A noticia havia chegado à casa de Davi. (v.2a). Aquela ameaça contra a dinastia de Davi, causou muito temor no palácio de Judá. Diz o texto que Acaz “ficou com o coração agitado.”(v.2b). A verdade é que  Acaz estava aterrorizado com a perspectiva de ser deposto.

 No entanto, o SENHOR não iria permitir que a dinastia de Davi fosse extinta. Mesmo diante de ameaça de guerra, Isaías recebe a ordem do Senhor para enfrentar Acaz. Ele envia Isaías e seus filhos para tranquiliza-lo e prometendo-lhe que a invasão não teria sucesso. (v.3a). O SENHOR designa Isaías e até mesmo o local de encontro: “No final do canal do tanque superior, junto no caminho para o campo do lavandeiro.” (v.3b). Naquele local indicado, Acaz estaria presente. Apesar de sua iniquidade,  Isaías lhe assegura em nome do SENHOR que ele pode ficar tranquilo (v.4a). Não há razão para o medo, porque para o SENHOR esses inimigos não são poderosos.  Para o SENHOR, eles não são nada mais do que “dois tocos de tições fumegantes” dos quais o fogo desapareceu e que logo se transformará em cinzas.(v.4b). Em sua misericórdia, o SENHOR promete a ele que o plano da aliança do norte não terá sucesso e que Efraim será destruído (vv. 4-9).Mas era preciso arrependimento. Se ele não se arrependesse por causa da dureza de um coração impenitente, ele terá que lidar com a severidade de Deus. Ele é, portanto, avisado de que será excluído da bênção prometida se persistir em sua incredulidade.

Sem conseguir ganhar a confiança do rei, Isaías foi enviado uma segunda vez, e fala novamente por intermédio do SENHOR. Isto demonstra a paciência do SENHOR.  Agora, o profeta falaria coisas mais abrangentes e profundas. Ele propôs a Acaz que  pedisse um sinal ao SENHOR de que a profecia era verdadeira e Judá não seria invadido pelos seus inimigos: “Pede ao SENHOR, teu Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas.(v.11) O termo  אוֹת (sinal) no Hebraico significa prova, marca, lembrete. Este termo desempenha um papel importante no Antigo Testamento, e não necessariamente referir-se a qualquer coisa milagrosa. É algo que serve como uma indicação de que Deus está ou estará presente. Acaz deveria pedir um sinal que fosse  convincente para si mesmo, já que não creditava ,totalmente, nas palavras do profeta. É evidente que as palavras do profeta não impressionaram a mente de Acaz. Sendo assim, o SENHOR oferece a Acaz os mais amplos limites para fazer sua escolha. Ele lhe deu a escolha de um milagre – qualquer sinal  do  que pertence à terra ou o que pertence ao céu.

No entanto, Acaz recusou o sinal: “Não o pedirei, nem tentarei ao SENHOR.” (v.12). Ele  recusou a promessa. Tinha estabelecido sua política, estava determinado a levá-la adiante e temia tudo que pudesse influenciá-lo a mudar. O auxílio que procurava era o da Assíria, não o de Deus. Ele já havia decidido apelar para a Assíria e provavelmente havia enviado mensageiros para Tiglath-Pileser ( 2 Reis 16. 7. 2 Crônicas 28.16 ). Com isso, Acaz revelou sua teimosia e rebelião contra Deus. Estava determinado a não receber ajuda de Deus, e manifestou isso com toda clareza.E até se atreve a citar algo da Palavra de Deus para encobrir sua incredulidade: “ Não tentarás ao Senhor.” (Dt 6.16).  Acaz recusou-se a pedir um sinal. Ele pode ter sido leviano, ou pode ter falado com ironia. Mas, de qualquer forma, ele queria se livrar do profeta para que pudesse continuar com seu próprio planejamento. Esse pensamento é sempre assustador para alguém que conscientemente se recusa a acreditar, que se recusa a romper com a incredulidade.

Isaías dá uma  resposta. Ele não se dirige pessoalmente ao incrédulo Acaz, mas fala à casa de Davi: “Ouvi, agora, ó casa de Davi.”(v.13a). O profeta reprova a hipocrisia do rei, informando-o de que o desprezo à oferta de Deus era, na verdade, um desprezo ao próprio Deus: “acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus?”(v.13b).Acaz estava cansado, impaciente, triste, ofendido.Não desejava testar nem confiar em Deus, mas estava pronto a desprezar, ignorar e afadigá-lo. A recusa de Acaz em aceitar o sinal não apenas prejudica sua própria relação com Deus, mas também impacta toda a nação e sua história. Esta rejeição de Acaz nos ensina sobre a importância da fé e da confiança em Deus, especialmente em momentos de crise. A atitude de Acaz serve como um alerta para nós, lembrando-nos da importância de buscar a orientação divina e confiar na soberania de Deus em todas as circunstâncias. A rejeição de Acaz também destaca a paciência de Deus e sua disposição de oferecer sinais e orientação mesmo àqueles que duvidam. A oferta graciosa de Deus a Acaz mostra seu desejo de restaurar a fé e a confiança do rei.

Diante da incredulidade e recusa de Acaz em confiar, o próprio SENHOR, em Sua graça soberana e fidelidade, decide dar um sinal. Este sinal, anunciado pelo profeta Isaías, não é pedido, mas imposto por Deus. Vejamos o que nos diz a promessa do grande sinal de esperança: primeiro, “SENHOR mesmo vos dará um sinal.”(v.14b). No Antigo Testamento, o termo hebraico אוֹת (sinal) significa: o  sinal dado por Deus confirma Sua fidelidade às promessas e revela Sua soberania absoluta. Ele aponta para Cristo e possui caráter permanente, expressando o cumprimento definitivo do plano divino.Não é fruto da escolha humana, mas iniciativa do próprio SENHOR, ultrapassando a incredulidade presente nos dias de Acaz, que não era mais apenas um consolo para Acaz, mas uma promessa para toda a "casa de Davi". Essa promessa dado à “casa de Davi” constitui um dos momentos proféticos mais significativos das Escrituras, pois revela a atuação soberana de Deus na história e a fidelidade de Suas alianças.

A profecia apresenta um significado que se desdobra em dois níveis distintos de cumprimento: em primeiro lugar, há um cumprimento imediato, direcionado ao contexto histórico do rei Acaz. Diante da ameaça de reinos inimigos e da instabilidade política de Judá, Deus concede um sinal por meio do profeta Isaías como garantia de Sua proteção e do fracasso dos adversários. Essa profecia provavelmente encontrou seu cumprimento inicial ainda nos dias de Isaías. Contudo, a profecia não se limita somente ao seu contexto imediato. Ela aponta para um cumprimento, que transcende o tempo de Acaz e encontra sua realização máxima no nascimento de Jesus Cristo. Em Cristo, o sinal atinge sua dimensão mais elevada: Deus intervém de forma definitiva na história humana, preservando a linhagem davídica e estabelecendo a salvação eterna. Assim, a promessa do sinal na casa de Davi revela não apenas um livramento temporário, mas o plano redentor de Deus, culminando na encarnação do Messias, o verdadeiro Emanuel, “Deus conosco”.

Segundo, o Messias que viria nasceria através de uma virgem: “ eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho.” (v.14c). Ao dar este sinal, Isaias  introduz  a palavra הִנֵּה. (eis que ).É uma partícula enfática usada para chamar atenção a algo extraordinário ou decisivo. Indica que segue um evento significativo, digno de atenção especial. No contexto profético, introduz uma ação divina notável. Neste caso, algo relacionado com as circunstâncias futuras. É um chamado para olhar para longe, para o futuro. O verbo הָרָה está no particípio feminino singular, podendo ser traduzido como “está grávida” ou “conceberá”. No hebraico profético, essa forma verbal pode indicar tanto uma ação já iniciada quanto uma ação futura certa, destacando a certeza do cumprimento do sinal. 

No entanto, o termo “virgem” tem gerado muito questionamento entre os exegetas. Então, vejamos: a mulher da profecia de Isaías era ,de fato, uma virgem? Essa virgem do profeta Isaias era Maria? Quando Isaías profetizou,essa profecia se cumpriu no Novo Testamento ou tempo de Isaías? Porque o evangelista Mateus ( 1.22,23 ) colocou essa profecia como se cumprindo ao seu tempo? O principal ponto de divergência reside na tradução e no significado da palavra hebraica original utilizada no texto de Isaías: עַלְמָה (virgem). O termo primariamente significa "mulher jovem" ou "moça em idade de casar". Não tem conotação sexual.  Se o profeta Isaías quisesse enfatizar inequivocamente a virgindade, ele teria usado a palavra בְּתוּלָה , que é o termo técnico e claro para "virgem" no hebraico. A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento escrita no período pré-cristão, verteu o termo hebraico עַלְמָה por παρθένος, uma palavra que possui o sentido inequívoco de “virgem”, e não o termo grego mais genérico para “jovem mulher”. Essa escolha lexical demonstra que, já antes do cristianismo, os tradutores judeus compreenderam o texto de Isaías como se referindo à virgindade. Esse sentido foi defendido por Mateus ao usar  palavras de Isaías: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (Mt 1.23). Mateus não cita o texto hebraico, mas a tradução grega. Mas, independentemente, de outras interpretações, Mateus afirma que a promessa se cumpriu. Maria é a virgem anunciada, e por meio dela nasceu Jesus. Isso é importante porque confirma a confiabilidade da interpretação de Mateus.

Mesmo que o termo עַלְמָה, traduzido por "virgem"  não tenha necessariamente o sentido exclusivo e que o profeta pensa, temos a grande esperança que de fato o Messias nasceu. Ele “chamará Emanuel”.(v.14d). A palavra “Emanuel” significa “Deus conosco.” Esse nome significa que Deus vem até nós, nos visita  e nos ajuda (Lc 1.68; Lc 1.78; Lc 7.16). Certamente é um nome apropriado para o SENHOR! Esperança de que se expressa com tanta frequência nos escritos proféticos da vinda do SENHOR ao seu povo. Quando cremos nesta verdade, entendemos que Ele está presente em todas as circunstâncias da nossa vida. O próprio Isaias afirma: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel”. (Isaías 41.10). É maravilhoso saber que apesar das tribulações, da tristeza, da dor, das dificuldades, Deus está conosco.

Tendo como ponto de partida a presença do Emanuel, Deus conosco em nosso meio, é de suma importância que todos os cristãos preparem o seu coração para participarem do Natal que se aproxima. É de suma importância que a Igreja tenha a grande tarefa de testemunhar sobre o Emanuel para o mundo. Mundo esse, que se encontra em trevas, corrompido, mergulhado no pecado. O Deus conosco habitou entre nós. Ele chegou a este mundo. Neste mesmo lugar em que moramos, plantamos, construímos nossas casas. Ele esteve presente entre nós, encarnado na natureza humana através de seu Filho. Nele Deus se revelou como aquele mesmo Deus fiel que acompanhou Abraão, Isaque e Jacó: um Deus solidário, que foi ao encontro das necessidades dos seus para lhes tirar as amarras do medo, da opressão, da escravidão e para conduzi-los nos caminhos da liberdade. Ele veio e cumpriu com sua missão.

Por meio de Jesus temos acesso a Deus. Cristo veio para nos salvar, para nos redimir, para nos libertar dos nossos pecados. Ele veio para nos reconciliar com Deus e nos dar a vida eterna. Jesus é o único caminho para se chegar a Deus. Somente através de Jesus Cristo alguém consegue ter um encontro com o Pai. Não nasceu nem nascerá outro redentor. Ele é a única esperança. Portanto, na presença de Jesus, as cadeias que nos prendem são despedaçadas, os grilhões quebrados, toda dominação das trevas cai por terra, toda arma forjada contra nós não prospera. Na presença de Jesus nossa iniquidade é arrancada de dentro e nossas transgressões são transformadas em novas bênçãos. Quem está em Cristo é definitivamente uma nova criação.

Deus está conosco. Em sua companhia podemos caminhar confiantes e esperançosos, ainda que as muitas circunstâncias da vida queiram nos obrigar a desanimar e desistir do caminho que nos conduz à sua presença. Ele está conosco no seu Filho que nos leva a Ele. Esta é a verdadeira mensagem que devemos proclamar. Deve ser o nosso Natal. O Natal não deve apenas representar para nós uma bela história, mas também um momento para refletirmos acerca da nossa comunhão com o Deus conosco, pois Deus é o centro de toda a nossa vida. Sendo assim, celebrar o Natal é celebrar que Deus está conosco, na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta deve ser a nossa verdadeira alegria, pois o anjo disse aos pastores em Belém: Não temais: Eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo. (Lc 2.10).

Portanto, deixemos de lado as celebrações materiais e louvemos neste Natal e em todos os momentos da nossa vida, o Emanuel, o Deus conosco, o Deus Salvador. Que possamos nos alegrar mais uma vez com o nascimento de Jesus e a salvação que ele trouxe e oferece ao mundo para todas as pessoas. Que possamos recebê-lo em nossas vidas, aceitando a proximidade do Deus conosco que virá com todo esplendor.Amém!

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

 TEXTO: MT 1.18-25

TEMA: DEUS ESTÁ CONOSCO!

Hoje, estamos comemorando o quarto Domingo no Advento. Foram quatro semanas de preparação para celebrarmos a vinda do Messias, ou seja, é o momento quando a Igreja se prepara para o nascimento de Jesus Cristo, partilhando a fé e a esperança nas promessas de Deus, e ao mesmo tempo aguardando o Seu retorno. Logo mais, vamos celebrar o Natal. E a mensagem para este quarto Domingo no Advento são as palavras do evangelho de Mateus 1.18-24, que nos assegura que a promessa fora cumprida.

O natal está se aproximando e certamente concordamos que estamos vivendo numa época de cidades enfeitadas com luzinhas de todas as cores. De lojas enfeitadas, de propagandas de produtos nos jornais, nos rádios e nas televisões, de intenso comércio, de bebedeiras e comilanças. Mas alguém pergunta: isso tudo por um acaso não representa, não recorda, não lembra o natal? Sim, lembra e pode até representar, mas não é o natal! E por quê? Porque o verdadeiro Natal é uma algo bem diferente, mais bonito, mais sublime e importante. O verdadeiro Natal significa e deve significar que Deus está conosco: no seu Filho que Ele nos deu e no seu Filho que nos leva a Ele.

Ao relatar o nascimento de Jesus, Mateus conta que José esteve preocupado com sua esposa, quando percebeu que ela estava grávida e que o filho esperado não era seu. Foi um momento dramático em sua vida. Respaldado pela lei judaica, conforme Deuteronômio 24.1, ele poderia divorciar-se formalmente de Maria, alegando a infidelidade dela, uma vez que eles já tinham feito uma aliança matrimonial. Embora ainda não tivessem consumado o casamento, ele poderia ter tomado público o divórcio, ou ter feito isso de uma forma mais discreta na presença de testemunhas.

No entanto, José não teve este procedimento. Ele era justo e piedoso. Em toda a narração bíblica, ele é visto como alguém submisso, tranquilo, diligente em silêncio, fazendo a sua parte com dedicação e eficiência.  Esta sua característica humilde e discreta está registrada, conforme lemos no versículo 19: “E como José, seu esposo, era justo, e não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente.” Ele não quis expor ou prejudicar Maria, por isso, preferiu deixá-la.  Resolveu deixá-la para que não fosse acusada de adultério. Ele entendia que aquela mulher era muito especial. Portanto, soube discernir a situação e a tomou como esposa.

Enquanto refletia sobres estas questões, José foi avisado em sonho, sobre o que estava lhe perturbando: Assim diz o anjo do Senhor: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.” (vv. 20 e 21). A ordem do anjo do Senhor é para que ele entendesse que a profecia do Messias se cumpria na sua vida e na vida de sua esposa: “Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (vv.22 e 23).

Esta profecia fora dita pelo profeta Isaías cerca de 700 anos. E Deus prometera e a promessa se cumpriu no dia de Natal. Ele nos amou tanto que nos deu Seu único Filho! Mas por que veio? Para que veio?  Antes de Deus nos visitar, entrar e ficar conosco, nós não podíamos chegar até Deus e estar com Ele. Havia uma barreira intransponível. Uma ponte quebrada. O homem pecou e se afastou de Deus. Separou-se de Deus. Andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos (Is. 53.6). Estávamos trilhando o caminho errado. O caminho da perdição. Se não fosse o próprio Deus intervir em sua graciosa obra redentora em Cristo, jamais poderíamos qualquer dia de nossa vida, chegar a Deus. Não existiria o natal. Não estaríamos hoje aqui reunidos para orar, louvar e cantar ao nosso Deus.

As Escrituras nos revelam o motivo da sua vinda. O evangelista João responde com incrível clareza: “porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para o mundo fosse salvo por Ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado...” (Jo 3.16-18). Eis a resposta: Ele veio para nos salvar, para nos redimir, para nos libertar dos nossos pecados. Ele veio para nos reconciliar com Deus e nos dar a vida eterna. Portanto, na presença de Jesus, as cadeias que nos prendem são despedaçadas, os grilhões quebrados, toda dominação das trevas cai por terra, toda arma forjada contra nós não prospera. Na presença de Jesus nossa iniquidade é arrancada de dentro e nossas transgressões são transformadas em novas bênçãos. Quem está em Cristo é definitivamente uma nova criação.

Esta é a grande mensagem do Natal. Mas uma visita que o homem não valorizou e nem valoriza hoje. Os homens procuram por todos os meios esquecer, negligenciar, deturpar a visita de Deus e o seu profundo significado.  Procuram esquecer em festejos materiais. Em afirmar que Deus “morreu”. Em construir o céu aqui na terra. Aonde chegará o homem com tudo isso? Por isso, hoje somente há Natal nos corações de quem totalmente creem que Deus está conosco, pois o “verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

 De fato, o Deus conosco habitou entre nós. Ele chegou a este mundo. Neste mesmo lugar em que moramos, plantamos, construímos nossas casas e esta Igreja. Ele esteve presente entre nós, encarnado na natureza humana através de seu Filho. Nele Deus se revelou como aquele mesmo Deus fiel que acompanhou Abraão, Isaque e Jacó: um Deus solidário, que foi ao encontro das necessidades dos seus para lhes tirar as amarras do medo, da opressão, da escravidão e para conduzi-los nos caminhos da liberdade. Ele veio e cumpriu com sua missão. Agora, por meio de Jesus temos acesso a Deus.

Bíblia nos ensina que não há outro caminho que nos leva ao Pai, a não ser através de Cristo. Jesus diz em João 14.6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” Jesus é o único caminho para se chegar a Deus. Somente através de Jesus Cristo alguém consegue ter um encontro com o Pai. Portanto, Cristo é o caminho para Deus. Não nasceu nem nascerá outro redentor. Ele é a única esperança. Ele mesmo diz: Sem mim nada podeis fazer. (João 15.5). E é o próprio Cristo que testificou esta verdade em João 12.44-46: E Jesus chamou dizendo: “Quem crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou. Eu vim como luz para todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.”

Deus está conosco. Em sua companhia podemos caminhar confiantes e esperançosos, ainda que as muitas circunstâncias da vida queiram nos obrigar a desanimar e desistir do caminho que nos conduz à sua presença. Ele está conosco no seu Filho que nos leva a Ele. Esta é a verdadeira mensagem que devemos proclamar. Deve ser o nosso Natal. O Natal não deve apenas representar para nós uma bela história, mas também um momento para refletirmos acerca da nossa comunhão com o Deus conosco, pois Deus é o centro de toda a nossa vida. Sendo assim, celebrar o Natal é celebrar que Deus está conosco, na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta deve ser a nossa verdadeira alegria, pois o anjo disse aos pastores em Belém: Não temais: “Eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo.” (Lc 2.10).

Portanto, deixemos de lado as celebrações materiais e louvemos neste Natal e em todos os momentos da nossa vida, o Emanuel, o Deus conosco, o Deus Salvador. Que possamos nos alegrar mais uma vez com o nascimento de Jesus e a salvação que ele trouxe e oferece ao mundo para todas as pessoas. Que possamos recebê-lo em nossas vidas, aceitando a proximidade do Deus Conosco que virá com todo esplendor. Amém

TEXTO: SL 24

TEMA: A VINDA DO REI DA GLÓRIA

 O salmo 24 é um dos hinos mais majestoso e imponente de todo o Saltério para este tempo de Advento. É um cântico litúrgico e profético escrito provavelmente por ocasião da chegada da Arca do Senhor até a tenda, preparada para ela no monte Sião (2Sm 6.1-15). Ele reflete o período que estamos vivendo, período maravilhoso que antecede o Natal. Por isso, é tempo de alegria, de espera, no qual nos orientamos nas promessas bíblicas da vinda do Rei da Glória. O Rei da Glória é o Criador de tudo. Ele tem poder de dominar sobre o universo e veio à terra como homem para realizar a obra de salvação (João 1.1 e 14). Ele veio através de Seu Filho. Jesus nasceu e morreu como homem por todos os nossos pecados, e triunfou sobre a morte. A morte não pôde detê-lo. Mas um dia o Rei da Glória, o Senhor forte e poderoso, voltará sobre as nuvens para o julgamento e o estabelecimento definitivo do seu reino. (Mt 25.31). Neste momento todos os anjos estarão com Ele e sua glória brilhará sobre tudo (Mateus 24.30).

É tempo de viver na expectativa da vinda iminente do Rei da Glória. Mas de que forma vamos receber o Rei da Glória? Abrindo as portas da nossa igreja, do nosso lar, dos nossos corações, da nossa existência, e deixar o Rei da Glória entrar.  Vamos buscar Deus com a intensidade de Jacó. Com as mãos limpas, com o coração marcado pela pureza, com uma alma que só se curva diante do Senhor e comprometido com a verdade. Vamos recebê-lo colocando todo o nosso trabalho à sua disposição, e servindo o Rei da Glória com alegria.

O salmista inicia seu cântico confirmando a declaração de domínio do Senhor sobre o mundo e seus habitantes. Ele é enfático ao declarar: “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam.” (vv.1 e 2). De fato, tudo pertence a Deus, pois tudo foi criado por Ele, e por Ele tudo subsiste. Nele, portanto, devem estar todas as nossas expectativas. Afinal, só ele cria, mantém, faz, conduz e preserva a vida e todas as coisas, pois Ele é o Rei da Glória, o criador de tudo. Por isso, tem o direito de exercer a autoridade absoluta sobre todas as coisas. O direito de governar suas criaturas e delas dispor como lhe apraz, autoridade diante de todos os seus habitantes. Este é o Deus todo poderoso, o Deus de Jacó, o Deus da Salvação. O Deus que nos abriu caminho para subirmos ao monte. Sendo assim, diante do poder e majestade de Deus, Davi faz uma pergunta que nos leva a uma profunda reflexão: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar?” (v.3).

Vamos entender estas duas perguntas! Partimos do princípio que Jerusalém era o lugar onde estava o tabernáculo. Onde Davi erigiu para trazer a arca da aliança de seu exílio, desde os dias do sumo sacerdote Eli (1Sm 4). Jerusalém também era chamado de monte Sião, lugar onde o povo expressava seu louvor e adoração. Sendo assim, subir ao monte do Senhor e permanecer no seu santo lugar, exigia-se algo dos que o adorariam. Mas quem seria digno de entrar, ou quem seria merecedor de habitar na presença de Deus? A pergunta do salmista é importantíssima. Ela mostra que não é qualquer pessoa, de qualquer forma, sem critério nenhum, que será admitida na casa de Deus, como hóspede, sob seu teto e desfrutando da comunhão com Ele. 

Penso que este é um momento para refletirmos sobre esta pergunta, pois há muitas pessoas querendo habitar na Casa do Senhor, mas só há interesse numa religião exterior, de aparência. Apenas ocupam espaço no templo de Deus. Muitos se denominam "povo de Deus", mas nunca foram de verdade conhecidos por Deus (Mt 7.23). Cantam, pregam, oram, se reúnem, mas não possuem relacionamento com Deus. Nunca viveram a dimensão pessoal da fé. Nunca consideraram a Deus de verdade; a opinião de Deus sobre suas vidas e atitudes, sobre seus caminhos e modos de viver, sobre a forma com que se relacionam uns com os outros e com o próprio Deus.

No entanto, Davi dá-nos uma dimensão da grandeza e santidade do nosso Deus, e apresenta quatro características daquele que subirá ao monte, que pertence ao Senhor, e que permanecerá no santo lugar. Vejamos a primeira característica: “O que é limpo de mãos” (v.4a). Você já observou as suas mãos? Certamente, você conhece a importância das mãos na rotina e nas tarefas diárias. Elas são responsáveis por várias funções em nosso dia a dia. Elas expressam os mais variados sentimentos: mãos que aplaudem, acariciam, abraçam, curam, sinalizam, escrevem, abençoam. Como se observa, as nossas mãos são instrumentos de ação. Num sentido espiritual, limpar as mãos equivalia a apresentar uma vida limpa diante de Deus. Um dos requisitos cerimoniais judaicos era ter as mãos limpas. Os sacerdotes eram obrigados a lavar as mãos antes de entrarem na presença de Deus no tabernáculo e no templo (Êxodo 30.19-21). Era preciso passar por um processo de limpeza e ter uma vida limpa se quisesse estar perto do Senhor.

David nos mostra que não podemos entrar na presença de Deus com mãos impuras. O Senhor requer mãos limpas. Ter mão limpas significa não se contaminar com as várias formas de corrupção. É manter as mãos consagradas à vontade de Deus. Lembre-se que as mãos que tocam no altar do Senhor, devem estar sempre limpas quando trazemos as nossas ofertas. O seu altar nunca deve ser profanado por mãos sujas, nem por ofertas que não representem a grandeza de Deus, ou que são trazidas de uma forma descuidada. Tiago disse: “Limpe suas mãos. . . e purificai os vossos corações.” (4.8). O apóstolo Paulo falou para Timóteo: “O desejo de Deus é que todos os varões levantem as suas mãos santas, sem ira, sem mácula, sem animosidade”. (I Tm 2.8). As suas mãos estão limpas diante de Deus? Deus nos convida a lavar, purificar as nossas mãos de todo o pecado. O sangue de Jesus Cristo nos lava e nos purifica de todo o pecado (I João 1.7-9)!

Davi apresenta a segunda característica: “ser puro de coração” (v.4b). O termo לֵבָב (coração) abrange todos os aspectos humano, tanto mental quanto emocional, como pensamentos e desejos. Este coração, que Deus havia criado à sua própria imagem, em perfeição, santidade e retidão foi dilacerado e corrompido pelo pecado. Petrificou e tornou-se frio. Quando Davi passou a olhar para o seu coração, cheio de adultério, de traição, de crime que ele havia cometido, aprendeu que não era de qualquer forma que se entra na Casa do Senhor, na presença do Deus Altíssimo. Era preciso ser puro, limpo, sincero, sem pretensões de vantagens próprias, não segundo nossa própria vontade e desígnio. Por isso, mãos limpas e coração puro são características essenciais para alguém que almeja entrar Casa do Senhor,

Mas como podemos ter um coração puro, um coração que agrade ao Senhor, mesmo tendo nossos pecados, nossos defeitos, nossas fraquezas? Na verdade, precisamos buscar aquele que pode tirar o coração de carne e substituí-lo por um coração temente a Deus. Recorrer a Cristo com a súplica: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pobre pecador. Deixar-se purificar pelo sangue do Salvador. Orar diariamente e fervorosamente, como fez Davi no salmo 51: “Ó Deus, lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado; cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro em mim um espírito inabalável”.

O salmista apresenta a terceira característica: “que não entrega a sua alma à falsidade”. (v.4c). O termo נֶפֶשׁ (alma) significa racionalidade, pensamento, personalidade, caráter. Entregar a alma significa desejar, apegar-se. Já o termo שָׁוְא (falsidade) significa mentira, vaidade, inutilidade. Em resumo é uma atitude que não é verdadeira, ou uma atitude em que há mentira. Esta triste realidade está presente na atual sociedade, que se encontra mergulhada na mentira e na falsidade em todas as áreas dos nossos relacionamentos. Falsidade na política, na justiça, na mídia em geral com tantas notícias e propagandas enganosas, na economia, em nosso local de trabalho, muitas vezes, até em nossos relacionamentos familiares e dentro das igrejas.

Não devemos nos entregar a falsidade, esta é a recomendação do salmista. Como cristãos devemos ter cuidado com as “vaidades da vida”. Não devemos gastar nosso tempo, ou ser dominado por aquilo que é vão, fútil e não edifica espiritualmente. Como cristãos devemos permanecer na verdade, pois a libertação de todas as falsidades vem pelo conhecimento da verdade (João 8.32). Lemos em Efésios 4.25 que devemos falar a verdade. Isto porque a falsidade destrói, mas a verdade edifica. Se formos verdadeiros, teremos relacionamentos agradáveis com Deus e o nosso próximo. Deus é único e verdadeiro, é por essa razão que nos receberá no seu santuário. Mas somente quem não entrega a sua alma à falsidade, que não é vaidoso, que não se dedica à adoração de um ídolo, ou não deseja as coisas vãs desta vida, como honra, riquezas, prazeres.

O salmista apresenta a quarta característica: “nem jura dolosamente” (v.4d). O termo מִרְמָה (dolosamente) significa traição, engano. Isto significa que “jurar dolosamente” é uma forma enganosa, mentirosa, dolosa contra as pessoas. É uma conduta que leva as pessoas a viverem, fazendo falsas promessas e falando leviandades, sem medir as consequências. Por isso, subirá ao monte aquele que não jura enganosamente, que não precisa de juramento para confirmar a exatidão de suas palavras, pessoas em quem podemos confiar, que fala sempre a verdade. Precisamos estar comprometidos com a verdade. O apostolo Pedro afirma: "...Refreie a sua língua... Evite que os seus lábios falem dolosamente" (1 Pe 3.10)

Aqueles que agirem em conformidade com estes pré-requisitos, ou seja, vivem uma vida consagrada a Deus, “subirá ao monte e permanecerá no seu santo lugar.” No entanto, precisamos compreender que, entrar e permanecer na presença de Deus, não nos é assegurada por causa das nossas boas obras, não porque somos bons, não pela nossa força. Mas única e exclusivamente por causa do sangue de Cristo que foi vertido na cruz, que nos liberta, nos livra do poder e domínio do pecado, e que nos assegura o direito de entrar na presença de Deus. Sendo assim, quem permanecer na presença do Senhor, receberá algo maravilhoso do nosso Deus: בְּרָכָה (bênção) e צְדָקָה (justiça). (v 5). Deus derrama graça de forma abundante sobre nós e nos abençoa de forma transbordante, para que possamos repartir aquilo que recebemos do nosso Deus. Ele também nos concede justiça, porque é justo, fiel, reto e não comete erros (Êxodo 9.27; Deuteronômio 32.4). O próprio Deus fala sobre Sua justiça: “... Eu sou o Senhor, que falo a justiça e anuncio coisas retas” (Isaías 45.19). Portanto, aquele que não recebe o Senhor com falsidade, mentira, etc., mas recebe com verdade, sinceridade, arrependimento, fé, este receberá: bênção e justiça (misericórdia) da salvação do Senhor.

Esta é a ação de um Deus fiel para com aqueles que buscam a sua face. A expressão face no hebraico é פָּנִים, se refere a presença de Deus, ou seja, buscar a presença de Deus na mesma intensidade que Jacó. (v.6). Na verdade, o que Deus requer é uma geração de pessoas comprometidas com o verdadeiro louvor a Deus, um louvor puro e sincero, uma consagração constante, uma santificação e separação do pecado. Enfim, quem vai estar, de fato, na presença de Deus é quem O está buscando na mesma intensidade de Jacó. Lembrando da luta de Jacó com o Anjo do Senhor em Peniel para receber uma bênção do Senhor (Gênesis 32.24-32).

Há uma transição repentina, uma nova cena introduzida a partir do versículo 7. Podemos imaginar que o cortejo tenha agora alcançado às portas da cidade. Davi ao conduzir a Arca da Aliança, prestes a entrar, clama: “Levantai, ó portas as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória” (v.7). O verbo hebraico נָשָׂא (levantar) significa um sinal de respeito. É uma forma de reconhecimento de que àquele que adentrou é digno de reverência. É uma convocação para que todos os que estão nas portas se levantem em sinal de reverência devido à chegada do Rei da Glória. E o termo שַׁעַר (porta) lembra os tempos antigos quando as cidades fortificadas possuíam portas. Eram portais grandes, colocados em pontos estratégicos nos muros que rodeavam a cidade. Em caso de ataque inimigo, as portas eram fechadas, e das muralhas as sentinelas protegiam a cidade. Já a expressão רֹאשׁ no hebraico é usada com frequência nas Escrituras com referência a palavra cabeça, mas também significa chefe ou líderes.

Quando o texto afirma “Levantai, ó portas, as vossas cabeças”, está conclamando todos os líderes, a se colocarem de pé para adorar e reverenciar Aquele que está chegando. Deus resolveu fazer morada na cidade de Davi. Não foram as portas da cidade simplesmente que foram abertas para receber o Rei da Glória, mas os portais eternos permitiram que Deus entrasse naquela cidade. O texto propõe que as portas se abram porque o Rei está vindo e não será impedido. Ele é forte e poderoso e nenhuma porta pode resistir a sua chegada. Ele vence todas as batalhas. Ele é poderoso e tomou a decisão de que fazer morada naquela cidade. Sendo assim, o salmista anuncia um acontecimento glorioso. Enquanto, se alegrava ao conduzir a arca, ele gritava: "Quem é o Rei da glória?” A resposta do povo: “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas “(v.8). O Senhor dos exércitos, ele é o Rei da glória". (v 10). 

Estimados irmãos! Estamos na época de advento, e no próximo domingo vamos comemorar o Natal. Vamos celebrar a vinda do Messias. O Messias que vem para reinar, a quem Davi aguardava. Ele será diferente dos reis da época em que os servos honravam, respeitavam reverenciavam. Ele é o verdadeiro Rei, o verdadeiro Senhor de Israel e de Jerusalém. É Ele quem dá à vida, a percepção mais profunda do que realmente importa: viver para a glória de Deus.

Mas como vamos receber o Rei da Glória? Vamos abrir não só as portas da nossa igreja e do nosso lar, mas principalmente as portas de nossos corações. Abrir as portas da nossa existência e deixar o Rei da Glória entrar. Ele quer reinar em nossas vidas, em nosso lar. Vamos buscar Deus com a intensidade de Jacó. Com as mãos limpas de culpa, com o coração marcado pela pureza, com uma alma que só se curva diante do Senhor e comprometido com a verdade. Vamos recebê-lo colocando todo o nosso trabalho à sua disposição, e servindo Rei da Glória com alegria. Amém.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

 TEXTO: Mt 11.2-15

TEMA: SERÁ QUE HAVEMOS DE ESPERAR OUTRO?

Estimados irmãos, que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo esteja com cada um de vocês neste dia!Convido todos a abrirem suas Bíblias em Mateus 11.2-15, para refletirmos sobre um tema central para nossa fé: será que havemos de esperar outro?

Já estamos no Terceiro Domingo do Advento. Ele é marcado pela alegria, pois o Natal já está próximo. O evangelho de hoje nos aponta para João Batista, um personagem considerado o modelo de espera e preparação para o Natal do Senhor, juntamente com o profeta Isaías, a Virgem Maria e São José.

João, o profeta que preparou o caminho do Messias, que batizou Jesus e viu o Espírito Santo descer sobre Ele, encontra-se agora em uma situação de sofrimento e impotência, estando preso por Herodes.Naquela prisão, João Batista ouve sobre as obras de Cristo (curas, milagres), mas essas obras não parecem corresponder ao Messias que ele havia proclamado. Ele pregou um Messias que viria com juízo imediato (o machado e a pá para limpar a eira), enquanto Jesus estava agindo com graça e ensino. A realidade do ministério de Jesus não se encaixava na expectativa apocalíptica de João.

Diante de um futuro incerto na prisão, João Batista não perde tempo e se empenha em descobrir sobre o Ungido de Deus, ou se havia outro que estava chegando. Ele mandou por seus discípulos perguntar-lhe: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (v. 3). A pergunta não é apenas um pedido de informação, mas uma expressão de confusão e, talvez, desespero. João está questionando se Jesus é realmente o Messias que ele esperava ou se a profecia se cumprirá de uma maneira diferente por meio de outro que virá depois. João Batista está em crise de fé, confrontado pela disparidade entre o Messias de suas expectativas (poderoso e julgador) e o Messias da realidade (misericordioso e sofredor).

Essa crise de fé de João é profundamente humana. Em nossas vidas, também olhamos para as circunstâncias escuras e nos perguntamos: "Onde está o poder de Cristo que eu esperava?" Qual é a sua "prisão" hoje (medo, doença, frustração financeira, injustiça)? E onde você sente que Jesus está silencioso ou inativo? Você está esperando um Messias que resolva apenas seus problemas terrenos com poder imediato, ou você já reconhece o Messias que está ativamente trabalhando em sua redenção, transformação e salvação eterna? Vamos refletir!

A pergunta de João não é um ponto final, mas um ponto de interrogação crucial que permite a Jesus, primeiro, defender Sua identidade. A resposta de Jesus aos discípulos de João Batista (vv. 4-5) é uma defesa magistral de Sua identidade messiânica. Em vez de declarar "Eu sou o Messias" diretamente, Ele oferece um testemunho irrefutável de Suas obras, redefinindo, assim, o conceito de Messias de um juiz político para um Salvador misericordioso. Assim, Jesus não apenas prova Sua identidade, mas expande e eleva o significado de ser o Messias, focando o Reino de Deus na graça e na misericórdia.

Segundo, ensinar sobre o Reino: a crise de João Batista força Jesus a esclarecer a verdadeira natureza do Reino de Deus que Ele está inaugurando. Este ensinamento é crucial, pois revela que o Reino não opera apenas por uma única manifestação apocalíptica, mas em duas fases distintas: ele já chegou ("já e não ainda") na graça e na transformação interior, e virá em breve no juízo e na manifestação de poder. O aspecto do juízo, esperado por João e anunciado pelos profetas, será cumprido, mas em Sua Segunda Vinda.

Terceiro, anunciar a Nova Aliança: a dúvida de João marca a linha divisória. Sua crise é a última resistência da velha perspectiva da Lei e dos Profetas. A partir de Jesus, o "menor no Reino dos Céus" (o crente na Nova Aliança) é maior, pois agora entende a plenitude do Evangelho de graça. A plenitude da graça e o acesso a Cristo concedem ao crente um privilégio maior do que o desfrutado pelos profetas do passado. O Reino exige urgência e fé incondicional.

A história de João Batista oferece momentos dramáticos. Ele se encontra preso na fortaleza de Maqueronte, perto do Mar Morto, por causa da crítica feita a Herodes, que havia tomado por mulher a esposa do seu irmão. Agora, estando preso, reduzido ao silêncio e à solidão na prisão, ele se encaminha para uma morte violenta. No entanto, não consegue entender a situação que estava vivendo. Afinal, ele havia preparado o caminho do Senhor, dado testemunho da Sua vinda e batizado o próprio Cristo. Como poderia, então, estar naquela situação? E assim, as dúvidas começaram a ecoar no seu pensamento.

Diante de um futuro incerto na prisão, João Batista não perde tempo e se empenha em descobrir sobre o Ungido de Deus, ou se havia outro que estava chegando. Ele mandou por seus discípulos perguntar-lhe: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (v. 3). Mas será que ele tinha tantas dúvidas a respeito de Jesus, sobre Sua messianidade, vinda e obra? De qualquer forma, é muito estranha essa pergunta de João Batista, pois, quando analisamos a sua missão, constatamos que não havia motivos para tais dúvidas sobre Jesus. Contudo, quando refletimos sobre a pergunta de modo apurado, o que podemos observar é uma certa frustração de João Batista quanto ao objetivo da vinda do Messias. Ele tinha a mesma expectativa humana, semelhante aos seus compatriotas, na esperança da vinda de um Messias poderoso, como o rei Davi, que, finalmente, libertasse Israel do domínio dos romanos e implantasse sobre a terra o reino prometido. Mas o tempo estava passando e nada acontecia sobre a instauração do reino.

No entanto, Jesus não deu uma resposta direta aos discípulos. Ele mandou que retornassem para junto de João Batista, para lhe relatar o que tinham visto e ouvido: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo” (v. 4). Em vez de dizer um simples "Sim, Eu Sou", Jesus opta por apontar para as obras que Ele estava realizando. A resposta surgiu a partir dos milagres que Ele havia realizado à vista dos discípulos. Ele usa os fatos ("o que ouvis e vedes") como a prova irrefutável de Sua identidade messiânica. Sua missão prodigiosa (curas, milagres e pregação) falava mais alto do que qualquer declaração verbal. Jesus então lista as suas ações: "Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o evangelho" (v. 5). Essa lista é uma clara alusão ao cumprimento literal das profecias sobre o Messias em Suas ações. Assim, Jesus estava validando Sua identidade para João e para todos os que testemunhavam. Quando observamos tudo o que Jesus realizou, é importante nos questionar: não eram estas as obras de que João Batista já ouvira na prisão, e ainda por intermédio dos próprios discípulos? Sem dúvida. São elas que credenciam a missão divina de Cristo, conforme o profeta Isaías (35.5-6 e 61.1). Um fato que João, em sua impaciência durante a longa espera, havia esquecido.

Depois de listar as evidências de Sua messianidade, Jesus conclui com uma solene declaração. Ele declara que existe uma bênção especial para quem não tropeça n'Ele: “E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (v. 23). O termo grego σκάνδαλον, traduzido por tropeço, traz a ideia de colocar uma pedra de tropeço ou um obstáculo no caminho de alguém; de "desviar" ou "fazer errar". Mas, originalmente, descrevia o gatilho de uma armadilha, o ponto que fazia a presa cair. Por extensão, o termo adquiriu o sentido figurado de escândalo, ofensa ou motivo de queda espiritual. Esse conceito se torna particularmente significativo quando aplicado à pessoa de Jesus Cristo. A partir das profecias do Antigo Testamento (especialmente Isaías 8.14), o Messias é apresentado como uma “pedra de tropeço” para Israel: não por falha de Sua missão, mas pela resistência humana às expectativas frustradas. Os judeus do período intertestamentário aguardavam um Messias político, militar e vitorioso, alguém que restauraria o reino davídico e quebraria o jugo de Roma.

Entretanto, Jesus surge como um carpinteiro de Nazaré, ensinando com autoridade, mas sem aparato militar ou prestígio político. Sua mensagem de arrependimento, serviço e amor aos inimigos contrariava profundamente os anseios nacionalistas da época. Ainda mais, Sua morte na cruz — símbolo de vergonha e maldição — era, para muitos, incompatível com qualquer concepção de glória messiânica.  Para muitos judeus foi um escândalo, porque não correspondia às expectativas de um libertador político. Paulo  afirma em 1 Coríntios 1.23: “Mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo (σκάνδαλον) para os judeus e loucura para os gentios.” Assim,σκάνδαλον descreve a reação daqueles que, diante de Jesus — humilde, servo e crucificado — não conseguem reconciliar sua visão de poder com o modo como Deus escolheu salvar o mundo. Cristo é ao mesmo tempo o fundamento da fé e a rocha contra a qual tropeçam aqueles que rejeitam sua presença.

Jesus quer que o seu precursor recluso medite seriamente, e também os seus discípulos, sobre esse assunto: “Felizes aqueles que não acham em Jesus motivo de tropeço”, que não abandonam a sua fé n'Ele! A exortação de Jesus não demonstra que João Batista havia tropeçado. Se João tivesse “tropeçado”, Jesus o teria corrigido severamente. As palavras de Jesus são de encorajamento, não de uma repreensão. É preciso lembrar que a bem-aventurança é para aqueles que não se escandalizam com a humildade de Cristo, mas que reconhecem nessa simplicidade o poder e a sabedoria de Deus para a salvação do mundo. Precisamos, na penumbra da prisão e na tristeza da cela onde confina a nossa vida humana, tumultuada pelos anseios, pelos erros, pelas fraquezas e pela impaciência, olhar além dos muros e ver a glória d'Aquele que se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, a glória como do Unigênito do Pai. Somente Ele. Não precisamos de outro. Ele não rejeita aqueles que tropeçam e passam por momentos de pequena fé, como Pedro e Tomé. Que possamos buscar essa verdadeira felicidade — a de não deixar que nada em Jesus (Sua humildade, Seus ensinamentos ou Seus tempos) seja um obstáculo para a nossa fé e o nosso relacionamento com Ele.

Tendo os mensageiros se retirado, Jesus dirige-se expressamente ao povo e, usando de recursos da retórica, enaltece a figura de João. Ele faz três perguntas.Primeira pergunta: Ele questiona: “O que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?” (v. 7). O que é um caniço? O termo grego κάλαμος  significa “vara feita de uma cana, vara de cana ou junco”. Ela não é um tronco firme, fixo, nem bem enraizado no solo; a cana sempre se agita por causa do vento. João Batista não é, portanto, um caniço agitado pelo vento. Não é um homem inconstante, cuja mente flutuava e oscilava de uma opinião para outra. Neste sentido, João Batista e sua mensagem não merecem descrédito.

Segunda pergunta: “Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas?” (v. 8). João Batista não habitou em palácio, vestido de roupas finas. Ele viveu no deserto, vestido com roupas feitas de pelos de camelo, e usava um cinto de couro na cintura. Isto demonstra que, enquanto homens com roupas delicadas viviam nos palácios, João Batista, na sua austeridade, vivia de forma humilde e simples.Terceira pergunta: “Mas para que saístes? Para ver um profeta?” (v. 9). De fato, João Batista era muito mais do que um profeta. O evangelista apresenta João Batista como alguém muito maior. Como profeta, ele proclama no deserto sobre a vinda do Senhor. Ele é o arauto que veio trazer uma mensagem de arrependimento para o perdão dos pecados e que batizava as pessoas no rio Jordão.

De fato, João Batista foi um grande profeta, aquele que já havia sido profetizado em Malaquias 3.1. Jesus usa as palavras do profeta e revela com detalhes o objetivo da vinda de João Batista: “Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti” (v.10). João Batista é o mensageiro que veio preparar o caminho do Messias. Em sua mensagem, ele não fala em seu nome. Mas que motivos teriam as multidões para dar crédito a um homem, a ponto de irem até ele, enfrentando condições tão severas e adversas? Talvez muitos pudessem imaginar que, diante do seu grande poder carismático que ele possuía, ele poderia ser um profeta que veio trazer esperanças particulares benéficas para Israel, ou favores para aumentar a sua influência entre o povo. Mas não era esta a sua missão; o seu objetivo era preparar o caminho para a chegada do Messias.

Jesus ainda elogia João Batista, como sendo o maior entre os profetas: “Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” (v. 11a). De fato, pelos privilégios e ofícios que Deus lhe atribuiu, ele é considerado o maior profeta. Isso demonstra que não houve ninguém maior do que João Batista, tanto na sua importância quanto como profeta. Foi o precursor que veio preparar o caminho do Senhor; foi o último profeta que profetizou, anunciou e, ao mesmo tempo, viu o Messias que havia de vir. Por isso Jesus disse que João Batista foi maior que qualquer outro profeta. Todos os outros profetizaram e anunciaram o Messias, mas não tiveram o privilégio de vê-Lo.

Jesus aponta para a Sua obra de forma mais clara e amplia o conceito, afirmando que, dentre todos os que anunciaram a vinda do Messias, João era o maior. Ele reconheceu sua grandeza: um profeta fiel, corajoso, dedicado ao propósito de Deus. Contudo, as mesmas palavras que o exaltam, impõem uma outra condição ao nos dizer: “Mas o menor no Reino dos Céus é maior do que ele” (v. 11b). Em outras palavras: João Batista é o maior entre os profetas e os homens da Antiga Aliança, mas o menor na nova realidade do Reino dos Céus é maior do que ele. Mas por que Jesus coloca João "abaixo" do menor no Reino? A razão é que o Reino dos Céus, inaugurado por Cristo através de Sua morte, ressurreição, ascensão e o subsequente derramamento do Espírito Santo no Pentecostes, é infinitamente superior a tudo que veio antes. João Batista não desfrutou desse privilégio em vida. Historicamente, ele encerrou a era do Antigo Testamento. Foi preso, decapitado e não pôde presenciar a consumação do ministério de Jesus nem a chegada plena desse Reino de Deus. Em suma, morreu sem ver a plenitude do plano de Deus concretizada em Cristo.

Aquele que ingressa no Reino dos Céus através de Jesus alcança uma grandeza superior, pois experimenta a realidade espiritual definitivamente inaugurada por Ele. Essa nova realidade é incomparavelmente maior do que a Antiga Aliança, à qual João Batista ainda pertencia, e que os profetas anteriores não puderam desfrutar em sua plenitude. Entre os privilégios inestimáveis dessa nova era estão o perdão completo e definitivo dos pecados e a presença permanente do Espírito Santo habitando no crente. Essa é a base de nossa maior dignidade.Portanto, a verdadeira grandeza não reside na posição, no reconhecimento ou no prestígio terreno. Ela está, essencialmente, naquilo que Deus realiza dentro de nós e através de nós, pelo poder do Espírito, quando pertencemos ao Seu Reino. Quem está verdadeiramente a serviço do Evangelho e de Cristo não busca reconhecimento pessoal, importância efêmera, aplausos ou merecimentos humanos. O servo fiel não procura as luzes, os holofotes e o louvor para si mesmo, mas direciona toda a glória e toda a exaltação somente para Cristo.

No entanto, o Reino sempre enfrentou e continua a enfrentar ataque, hostilidade e oposição, ou invasão por forças hostis. Jesus afirma: “Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam” (v. 12 - NVI).O que significa o Reino “sofrer violência”? O verbo grego βιάζεται  pode ser traduzido corretamente de duas maneiras: “sofrer violência” ou “avançar à força”. Ambas são traduções possíveis. A primeira opção entende o Reino como estando sob ataque das forças das trevas (Herodes Antipas, líderes judeus, etc.). A segunda opção imagina Deus avançando o Reino à força contra essa mesma oposição.Qual é a melhor interpretação? Embora cada uma destaque um elemento verdadeiro do Reino dos Céus, a primeira opção é mais convincente. Pois, se “os violentos tomam [o Reino] à força”, então faria mais sentido ver o Reino como “sofrer violência” nas mãos dos “violentos” – aqueles que se opuseram ao Reino. Pessoas perversas que se encaixam nessa descrição incluem Herodes Antipas, que aprisionou João Batista (Mateus 11:2), e os líderes judeus que se opuseram ao ministério de Jesus (Mateus 9.34; 12.22-24).

Jesus,porém, explica que toda a revelação dada por Deus através da Lei (Torá) e dos Profetas apontava para a vinda do Messias — e que João Batista marca o fim desse período de expectativa, sendo o precursor direto da chegada do Reino de Deus em Cristo. Ele afirma: “Pois todos os Profetas e a Lei profetizaram até João” (v. 13 - NVI). Jesus deixa evidente que todas as Escrituras do Antigo Testamento apontavam para a vinda do Messias e para o Reino de Deus. João Batista é o último profeta da antiga ordem, aquele que encerra a era da expectativa. A sua mensagem e ministério foram a culminação e o clímax de tudo o que a Lei e os Profetas apontavam. Mas, com ele, chega o momento em que a profecia se cumpre, pois o Messias está presente. Ao dizer que a profecia se estendeu "até João", Jesus está indicando que o tempo da espera e da promessa está se encerrando. Com a chegada de Jesus (e a pregação de João preparando o caminho), a era do cumprimento e do Reino de Deus manifestado na terra começou. João é o elo final entre a velha aliança e a nova.

Jesus continua explicando quem é João Batista. A identificação de João com Elias não era óbvia para todos. A maioria esperava um retorno literal e espetacular de Elias. Então, Jesus afirma: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (v. 14). O judaísmo do primeiro século aguardava um retorno literal de Elias, com base na profecia de Malaquias 4.5: “Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.” No entanto, Deus cumpre Sua palavra de modo mais profundo: João Batista vem no espírito e no poder de Elias. O anjo já havia anunciado isso ao pai de João: “...irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias” (Lucas 1.17). João Batista pregou com a mesma ousadia, chamando ao arrependimento, e teve um ministério de grande austeridade e impacto, assim como Elias no Antigo Testamento.

Quando Jesus disse: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias que estava para vir”, Ele revelou uma verdade profunda: nem todos estavam dispostos a enxergar o que Deus estava fazendo diante de seus olhos. Para muitos, foi difícil de aceitar, pois esperavam Elias descendo do céu em chamas, não um homem simples, vestido de pelos de camelo e pregando no deserto. Jesus sabia que muitos rejeitariam essa verdade. Por isso, os convida a “dar crédito” aquele que veio preparar o caminho para Jesus.

Após revelar que João Batista era o Elias prometido — uma verdade profunda e espiritualmente discernida — Jesus conclui com um chamado simples e direto: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (v. 15). Vivemos num mundo barulhento: redes sociais, preocupações, ansiedade, pressões e ruídos externos e internos disputam, constantemente, a nossa atenção. Nesse contexto em que todos se apressam em falar e expressar tudo ao mesmo tempo, aprender a ouvir é uma necessidade vital, crucial para a manutenção da nossa comunhão com Deus. Pessoas distraídas com as coisas do mundo simplesmente não conseguem discernir a voz de Deus e, por consequência, correm o risco iminente de perder Sua orientação, consolo e paz. Por isso, o chamado de Jesus é um convite fundamental em Seu ministério, sendo um pilar essencial para a compreensão e a prática do Reino de Deus. Ele deixou claro às pessoas que era necessário entender Suas palavras, mas que esse entendimento demandaria do ouvinte uma atenção especial, pois não eram apenas palavras retóricas, mas ensinamentos para a vida. Mas nem sempre reconhecemos Sua voz. Às vezes estamos tão ocupados, tão distraídos ou tão presos às nossas ideias que não ouvimos o que Ele está dizendo.

Você já se sentiu da mesma forma que João Batista? Já fez a mesma pergunta? A verdade é que as dúvidas de João Batista e dos discípulos também são a nossas. Quantas vezes também ficamos frustrados quando as nossas expectativas não são realizadas? Então, começamos a duvidar da palavra e do amor de Deus para conosco. Esquecemos que tudo está acontecendo no tempo oportuno que o Senhor determinou, e isso deve gerar em nossa vida uma reverente confiança de que, por Sua providência, todas as coisas da nossa vida acontecerão do jeito que Ele planejou!

Estimados irmãos! A resposta de Jesus é consoladora na vida de João Batista. Ele ajudou o Seu servo a superar as suas dúvidas. Não tirou o medo que havia nele, mas trouxe um consolo: Eu sou o Salvador! Não importa o que te aconteça. Vou estar contigo. Não importa o que venha sobre sua vida, vou estar ao seu lado. Que o bondoso Deus nos conceda sabedoria para compreender o verdadeiro significado da vinda de Jesus, e que possamos, como João Batista, ser humildes ao pedir ajuda ao Senhor diante das nossas dúvidas. Amém!