TEXTO: IS 7.10-14
TEMA: DEUS ESTÁ CONOSCO NA PESSOA DE JESUS
Estamos vivendo um período de reflexão, de festa, de reconciliação e muita correria em busca de um presente ideal para a pessoa que tanto estimamos. É a época das cidades enfeitadas e das lojas com muitas luzes coloridas, colocando seus produtos à disposição da população. Este é o Natal para muitas pessoas. É a forma como o mundo vê o Natal. O que existe hoje relacionado com o Natal é apenas uma preocupação mercantilista – vender e comprar presentes. Enfim, o Natal se resume em luzes, enfeites, presentes, comércio, banquetes.
Diante de um cenário de terror e desespero, Deus não abandona Seu povo. Ele oferece um sinal ao rei Acaz. Diz o texto: “ O Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. (v.14). Este sinal não é apenas um feito miraculoso no tempo, mas uma promessa eterna: Emanuel.O profeta anuncia o nascimento de um menino que significará a presença de Deus entre os homens. Revela um Deus que não abandona o seu povo nos momentos difíceis, mas que vai ao encontro para levar esperança, consolo e salvação.
Em meio às crises pessoais, sociais ou espirituais, Deus anuncia que não estamos sozinhos. O Emanuel nos sustenta, renova nossa fé e nos fortalece para continuar caminhando, mesmo quando o caminho parece escuro.Quando as forças humanas se esgotam, quando o medo, a dor e a incerteza parecem dominar, o Natal nos lembra que Deus não permanece distante do sofrimento humano. Ele entra na nossa história, caminha ao nosso lado e se faz presente nas fragilidades da vida. Assim, a nossa reflexão de hoje, conforme o texto bíblico de Isaías, está centralizada em três partes:
Primeiro, Deus está conosco por meio do sinal que Ele mesmo concede. Diante do medo e da crise vividos pelo rei Acaz e pelo povo, o Senhor promete um sinal claro de Sua presença e fidelidade: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel”, que significa Deus conosco.
Segundo, Deus está conosco por meio de Jesus Cristo, o Emanuel. Em Jesus, Deus entrou na história humana, assumiu nossa condição, caminhou entre nós e revelou Seu amor de forma concreta. Ele não ficou distante do sofrimento humano, mas se fez presente, próximo e acessível.
Terceiro, Deus está conosco nos momentos de crise. Deus revela que, mesmo em tempos de ameaça, insegurança e instabilidade, não abandona o seu povo. Ele age na história e garante que Sua presença não depende da força humana, mas da Sua graça. O nascimento do menino prometido é a confirmação de que Deus permanece próximo, sustentando, protegendo e conduzindo Seu povo.
A promessa do nascimento do Messias se dá em meio às guerras e disputas do rei Acaz e seus vizinhos. Toda esta história ocorre por volta do século VIII aC. (Antes de Cristo).Havia uma crise no reino de Judá, pois o rei Acaz enfrentava a ameaça de invasão dos reinos de Israel e da Síria. Dois reis, Rezim, rei de Damasco, e Peca, rei de Samaria, investiram contra Jerusalém. Eles já haviam ameaçado Judá nos dias de Jotão ( 2Reis 15.37). Mas, agora, era uma conspiração para depor o rei Acaz e no seu lugar colocar um rei que não era da linhagem de Davi, um certo “filho de Tabel” (v.6). A ideia era destruir a dinastia de Davi, que até então reinara muitos anos sobre Judá. A noticia havia chegado à casa de Davi. (v.2a). Aquela ameaça contra a dinastia de Davi, causou muito temor no palácio de Judá. Diz o texto que Acaz “ficou com o coração agitado.”(v.2b). A verdade é que Acaz estava aterrorizado com a perspectiva de ser deposto.
No entanto, o SENHOR não iria permitir que a dinastia de Davi fosse extinta. Mesmo diante de ameaça de guerra, Isaías recebe a ordem do Senhor para enfrentar Acaz. Ele envia Isaías e seus filhos para tranquiliza-lo e prometendo-lhe que a invasão não teria sucesso. (v.3a). O SENHOR designa Isaías e até mesmo o local de encontro: “No final do canal do tanque superior, junto no caminho para o campo do lavandeiro.” (v.3b). Naquele local indicado, Acaz estaria presente. Apesar de sua iniquidade, Isaías lhe assegura em nome do SENHOR que ele pode ficar tranquilo (v.4a). Não há razão para o medo, porque para o SENHOR esses inimigos não são poderosos. Para o SENHOR, eles não são nada mais do que “dois tocos de tições fumegantes” dos quais o fogo desapareceu e que logo se transformará em cinzas.(v.4b). Em sua misericórdia, o SENHOR promete a ele que o plano da aliança do norte não terá sucesso e que Efraim será destruído (vv. 4-9).Mas era preciso arrependimento. Se ele não se arrependesse por causa da dureza de um coração impenitente, ele terá que lidar com a severidade de Deus. Ele é, portanto, avisado de que será excluído da bênção prometida se persistir em sua incredulidade.
Sem conseguir ganhar a confiança do rei, Isaías foi enviado uma segunda vez, e fala novamente por intermédio do SENHOR. Isto demonstra a paciência do SENHOR. Agora, o profeta falaria coisas mais abrangentes e profundas. Ele propôs a Acaz que pedisse um sinal ao SENHOR de que a profecia era verdadeira e Judá não seria invadido pelos seus inimigos: “Pede ao SENHOR, teu Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas.(v.11) O termo אוֹת (sinal) no Hebraico significa prova, marca, lembrete. Este termo desempenha um papel importante no Antigo Testamento, e não necessariamente referir-se a qualquer coisa milagrosa. É algo que serve como uma indicação de que Deus está ou estará presente. Acaz deveria pedir um sinal que fosse convincente para si mesmo, já que não creditava ,totalmente, nas palavras do profeta. É evidente que as palavras do profeta não impressionaram a mente de Acaz. Sendo assim, o SENHOR oferece a Acaz os mais amplos limites para fazer sua escolha. Ele lhe deu a escolha de um milagre – qualquer sinal do que pertence à terra ou o que pertence ao céu.
No entanto, Acaz recusou o sinal: “Não o pedirei, nem tentarei ao SENHOR.” (v.12). Ele recusou a promessa. Tinha estabelecido sua política, estava determinado a levá-la adiante e temia tudo que pudesse influenciá-lo a mudar. O auxílio que procurava era o da Assíria, não o de Deus. Ele já havia decidido apelar para a Assíria e provavelmente havia enviado mensageiros para Tiglath-Pileser ( 2 Reis 16. 7. 2 Crônicas 28.16 ). Com isso, Acaz revelou sua teimosia e rebelião contra Deus. Estava determinado a não receber ajuda de Deus, e manifestou isso com toda clareza.E até se atreve a citar algo da Palavra de Deus para encobrir sua incredulidade: “ Não tentarás ao Senhor.” (Dt 6.16). Acaz recusou-se a pedir um sinal. Ele pode ter sido leviano, ou pode ter falado com ironia. Mas, de qualquer forma, ele queria se livrar do profeta para que pudesse continuar com seu próprio planejamento. Esse pensamento é sempre assustador para alguém que conscientemente se recusa a acreditar, que se recusa a romper com a incredulidade.
Isaías dá uma resposta. Ele não se dirige pessoalmente ao incrédulo Acaz, mas fala à casa de Davi: “Ouvi, agora, ó casa de Davi.”(v.13a). O profeta reprova a hipocrisia do rei, informando-o de que o desprezo à oferta de Deus era, na verdade, um desprezo ao próprio Deus: “acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus?”(v.13b).Acaz estava cansado, impaciente, triste, ofendido.Não desejava testar nem confiar em Deus, mas estava pronto a desprezar, ignorar e afadigá-lo. A recusa de Acaz em aceitar o sinal não apenas prejudica sua própria relação com Deus, mas também impacta toda a nação e sua história. Esta rejeição de Acaz nos ensina sobre a importância da fé e da confiança em Deus, especialmente em momentos de crise. A atitude de Acaz serve como um alerta para nós, lembrando-nos da importância de buscar a orientação divina e confiar na soberania de Deus em todas as circunstâncias. A rejeição de Acaz também destaca a paciência de Deus e sua disposição de oferecer sinais e orientação mesmo àqueles que duvidam. A oferta graciosa de Deus a Acaz mostra seu desejo de restaurar a fé e a confiança do rei.
Diante da incredulidade e recusa de Acaz em confiar, o próprio SENHOR, em Sua graça soberana e fidelidade, decide dar um sinal. Este sinal, anunciado pelo profeta Isaías, não é pedido, mas imposto por Deus. Vejamos o que nos diz a promessa do grande sinal de esperança: primeiro, “SENHOR mesmo vos dará um sinal.”(v.14b). No Antigo Testamento, o termo hebraico אוֹת (sinal) significa: o sinal dado por Deus confirma Sua fidelidade às promessas e revela Sua soberania absoluta. Ele aponta para Cristo e possui caráter permanente, expressando o cumprimento definitivo do plano divino.Não é fruto da escolha humana, mas iniciativa do próprio SENHOR, ultrapassando a incredulidade presente nos dias de Acaz, que não era mais apenas um consolo para Acaz, mas uma promessa para toda a "casa de Davi". Essa promessa dado à “casa de Davi” constitui um dos momentos proféticos mais significativos das Escrituras, pois revela a atuação soberana de Deus na história e a fidelidade de Suas alianças.
A profecia apresenta um significado que se desdobra em dois níveis distintos de cumprimento: em primeiro lugar, há um cumprimento imediato, direcionado ao contexto histórico do rei Acaz. Diante da ameaça de reinos inimigos e da instabilidade política de Judá, Deus concede um sinal por meio do profeta Isaías como garantia de Sua proteção e do fracasso dos adversários. Essa profecia provavelmente encontrou seu cumprimento inicial ainda nos dias de Isaías. Contudo, a profecia não se limita somente ao seu contexto imediato. Ela aponta para um cumprimento, que transcende o tempo de Acaz e encontra sua realização máxima no nascimento de Jesus Cristo. Em Cristo, o sinal atinge sua dimensão mais elevada: Deus intervém de forma definitiva na história humana, preservando a linhagem davídica e estabelecendo a salvação eterna. Assim, a promessa do sinal na casa de Davi revela não apenas um livramento temporário, mas o plano redentor de Deus, culminando na encarnação do Messias, o verdadeiro Emanuel, “Deus conosco”.
Segundo, o Messias que viria nasceria através de uma virgem: “ eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho.” (v.14c). Ao dar este sinal, Isaias introduz a palavra הִנֵּה. (eis que ).É uma partícula enfática usada para chamar atenção a algo extraordinário ou decisivo. Indica que segue um evento significativo, digno de atenção especial. No contexto profético, introduz uma ação divina notável. Neste caso, algo relacionado com as circunstâncias futuras. É um chamado para olhar para longe, para o futuro. O verbo הָרָה está no particípio feminino singular, podendo ser traduzido como “está grávida” ou “conceberá”. No hebraico profético, essa forma verbal pode indicar tanto uma ação já iniciada quanto uma ação futura certa, destacando a certeza do cumprimento do sinal.
No entanto, o termo “virgem” tem gerado muito questionamento entre os exegetas. Então, vejamos: a mulher da profecia de Isaías era ,de fato, uma virgem? Essa virgem do profeta Isaias era Maria? Quando Isaías profetizou,essa profecia se cumpriu no Novo Testamento ou tempo de Isaías? Porque o evangelista Mateus ( 1.22,23 ) colocou essa profecia como se cumprindo ao seu tempo? O principal ponto de divergência reside na tradução e no significado da palavra hebraica original utilizada no texto de Isaías: עַלְמָה (virgem). O termo primariamente significa "mulher jovem" ou "moça em idade de casar". Não tem conotação sexual. Se o profeta Isaías quisesse enfatizar inequivocamente a virgindade, ele teria usado a palavra בְּתוּלָה , que é o termo técnico e claro para "virgem" no hebraico. A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento escrita no período pré-cristão, verteu o termo hebraico עַלְמָה por παρθένος, uma palavra que possui o sentido inequívoco de “virgem”, e não o termo grego mais genérico para “jovem mulher”. Essa escolha lexical demonstra que, já antes do cristianismo, os tradutores judeus compreenderam o texto de Isaías como se referindo à virgindade. Esse sentido foi defendido por Mateus ao usar palavras de Isaías: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (Mt 1.23). Mateus não cita o texto hebraico, mas a tradução grega. Mas, independentemente, de outras interpretações, Mateus afirma que a promessa se cumpriu. Maria é a virgem anunciada, e por meio dela nasceu Jesus. Isso é importante porque confirma a confiabilidade da interpretação de Mateus.
Mesmo que o termo עַלְמָה, traduzido por "virgem" não tenha necessariamente o sentido exclusivo e que o profeta pensa, temos a grande esperança que de fato o Messias nasceu. Ele “chamará Emanuel”.(v.14d). A palavra “Emanuel” significa “Deus conosco.” Esse nome significa que Deus vem até nós, nos visita e nos ajuda (Lc 1.68; Lc 1.78; Lc 7.16). Certamente é um nome apropriado para o SENHOR! Esperança de que se expressa com tanta frequência nos escritos proféticos da vinda do SENHOR ao seu povo. Quando cremos nesta verdade, entendemos que Ele está presente em todas as circunstâncias da nossa vida. O próprio Isaias afirma: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel”. (Isaías 41.10). É maravilhoso saber que apesar das tribulações, da tristeza, da dor, das dificuldades, Deus está conosco.
Tendo como ponto de partida a presença do Emanuel, Deus conosco em nosso meio, é de suma importância que todos os cristãos preparem o seu coração para participarem do Natal que se aproxima. É de suma importância que a Igreja tenha a grande tarefa de testemunhar sobre o Emanuel para o mundo. Mundo esse, que se encontra em trevas, corrompido, mergulhado no pecado. O Deus conosco habitou entre nós. Ele chegou a este mundo. Neste mesmo lugar em que moramos, plantamos, construímos nossas casas. Ele esteve presente entre nós, encarnado na natureza humana através de seu Filho. Nele Deus se revelou como aquele mesmo Deus fiel que acompanhou Abraão, Isaque e Jacó: um Deus solidário, que foi ao encontro das necessidades dos seus para lhes tirar as amarras do medo, da opressão, da escravidão e para conduzi-los nos caminhos da liberdade. Ele veio e cumpriu com sua missão.
Por meio de Jesus temos acesso a Deus. Cristo veio para nos salvar, para nos redimir, para nos libertar dos nossos pecados. Ele veio para nos reconciliar com Deus e nos dar a vida eterna. Jesus é o único caminho para se chegar a Deus. Somente através de Jesus Cristo alguém consegue ter um encontro com o Pai. Não nasceu nem nascerá outro redentor. Ele é a única esperança. Portanto, na presença de Jesus, as cadeias que nos prendem são despedaçadas, os grilhões quebrados, toda dominação das trevas cai por terra, toda arma forjada contra nós não prospera. Na presença de Jesus nossa iniquidade é arrancada de dentro e nossas transgressões são transformadas em novas bênçãos. Quem está em Cristo é definitivamente uma nova criação.
Deus está conosco. Em sua companhia podemos caminhar confiantes e esperançosos, ainda que as muitas circunstâncias da vida queiram nos obrigar a desanimar e desistir do caminho que nos conduz à sua presença. Ele está conosco no seu Filho que nos leva a Ele. Esta é a verdadeira mensagem que devemos proclamar. Deve ser o nosso Natal. O Natal não deve apenas representar para nós uma bela história, mas também um momento para refletirmos acerca da nossa comunhão com o Deus conosco, pois Deus é o centro de toda a nossa vida. Sendo assim, celebrar o Natal é celebrar que Deus está conosco, na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta deve ser a nossa verdadeira alegria, pois o anjo disse aos pastores em Belém: Não temais: Eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo. (Lc 2.10).
Portanto, deixemos de lado as celebrações materiais e louvemos neste Natal e em todos os momentos da nossa vida, o Emanuel, o Deus conosco, o Deus Salvador. Que possamos nos alegrar mais uma vez com o nascimento de Jesus e a salvação que ele trouxe e oferece ao mundo para todas as pessoas. Que possamos recebê-lo em nossas vidas, aceitando a proximidade do Deus conosco que virá com todo esplendor.Amém!
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