TEXTO: Mt 11.2-15
TEMA: SERÁ QUE HAVEMOS DE ESPERAR OUTRO?
Estimados irmãos, que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo esteja com cada um de vocês neste dia!Convido todos a abrirem suas Bíblias em Mateus 11.2-15, para refletirmos sobre um tema central para nossa fé: será que havemos de esperar outro?
Já estamos no Terceiro Domingo do Advento. Ele é marcado pela alegria, pois o Natal já está próximo. O evangelho de hoje nos aponta para João Batista, um personagem considerado o modelo de espera e preparação para o Natal do Senhor, juntamente com o profeta Isaías, a Virgem Maria e São José.
João, o profeta que preparou o caminho do Messias, que batizou Jesus e viu o Espírito Santo descer sobre Ele, encontra-se agora em uma situação de sofrimento e impotência, estando preso por Herodes.Naquela prisão, João Batista ouve sobre as obras de Cristo (curas, milagres), mas essas obras não parecem corresponder ao Messias que ele havia proclamado. Ele pregou um Messias que viria com juízo imediato (o machado e a pá para limpar a eira), enquanto Jesus estava agindo com graça e ensino. A realidade do ministério de Jesus não se encaixava na expectativa apocalíptica de João.
Diante de um futuro incerto na prisão, João Batista não perde tempo e se empenha em descobrir sobre o Ungido de Deus, ou se havia outro que estava chegando. Ele mandou por seus discípulos perguntar-lhe: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (v. 3). A pergunta não é apenas um pedido de informação, mas uma expressão de confusão e, talvez, desespero. João está questionando se Jesus é realmente o Messias que ele esperava ou se a profecia se cumprirá de uma maneira diferente por meio de outro que virá depois. João Batista está em crise de fé, confrontado pela disparidade entre o Messias de suas expectativas (poderoso e julgador) e o Messias da realidade (misericordioso e sofredor).
Essa crise de fé de João é profundamente humana. Em nossas vidas, também olhamos para as circunstâncias escuras e nos perguntamos: "Onde está o poder de Cristo que eu esperava?" Qual é a sua "prisão" hoje (medo, doença, frustração financeira, injustiça)? E onde você sente que Jesus está silencioso ou inativo? Você está esperando um Messias que resolva apenas seus problemas terrenos com poder imediato, ou você já reconhece o Messias que está ativamente trabalhando em sua redenção, transformação e salvação eterna? Vamos refletir!
A pergunta de João não é um ponto final, mas um ponto de interrogação crucial que permite a Jesus, primeiro, defender Sua identidade. A resposta de Jesus aos discípulos de João Batista (vv. 4-5) é uma defesa magistral de Sua identidade messiânica. Em vez de declarar "Eu sou o Messias" diretamente, Ele oferece um testemunho irrefutável de Suas obras, redefinindo, assim, o conceito de Messias de um juiz político para um Salvador misericordioso. Assim, Jesus não apenas prova Sua identidade, mas expande e eleva o significado de ser o Messias, focando o Reino de Deus na graça e na misericórdia.
Segundo, ensinar sobre o Reino: a crise de João Batista força Jesus a esclarecer a verdadeira natureza do Reino de Deus que Ele está inaugurando. Este ensinamento é crucial, pois revela que o Reino não opera apenas por uma única manifestação apocalíptica, mas em duas fases distintas: ele já chegou ("já e não ainda") na graça e na transformação interior, e virá em breve no juízo e na manifestação de poder. O aspecto do juízo, esperado por João e anunciado pelos profetas, será cumprido, mas em Sua Segunda Vinda.
Terceiro, anunciar a Nova Aliança: a dúvida de João marca a linha divisória. Sua crise é a última resistência da velha perspectiva da Lei e dos Profetas. A partir de Jesus, o "menor no Reino dos Céus" (o crente na Nova Aliança) é maior, pois agora entende a plenitude do Evangelho de graça. A plenitude da graça e o acesso a Cristo concedem ao crente um privilégio maior do que o desfrutado pelos profetas do passado. O Reino exige urgência e fé incondicional.
A história de João Batista oferece momentos dramáticos. Ele se encontra preso na fortaleza de Maqueronte, perto do Mar Morto, por causa da crítica feita a Herodes, que havia tomado por mulher a esposa do seu irmão. Agora, estando preso, reduzido ao silêncio e à solidão na prisão, ele se encaminha para uma morte violenta. No entanto, não consegue entender a situação que estava vivendo. Afinal, ele havia preparado o caminho do Senhor, dado testemunho da Sua vinda e batizado o próprio Cristo. Como poderia, então, estar naquela situação? E assim, as dúvidas começaram a ecoar no seu pensamento.
Diante de um futuro incerto na prisão, João Batista não perde tempo e se empenha em descobrir sobre o Ungido de Deus, ou se havia outro que estava chegando. Ele mandou por seus discípulos perguntar-lhe: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (v. 3). Mas será que ele tinha tantas dúvidas a respeito de Jesus, sobre Sua messianidade, vinda e obra? De qualquer forma, é muito estranha essa pergunta de João Batista, pois, quando analisamos a sua missão, constatamos que não havia motivos para tais dúvidas sobre Jesus. Contudo, quando refletimos sobre a pergunta de modo apurado, o que podemos observar é uma certa frustração de João Batista quanto ao objetivo da vinda do Messias. Ele tinha a mesma expectativa humana, semelhante aos seus compatriotas, na esperança da vinda de um Messias poderoso, como o rei Davi, que, finalmente, libertasse Israel do domínio dos romanos e implantasse sobre a terra o reino prometido. Mas o tempo estava passando e nada acontecia sobre a instauração do reino.
No entanto, Jesus não deu uma resposta direta aos discípulos. Ele mandou que retornassem para junto de João Batista, para lhe relatar o que tinham visto e ouvido: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo” (v. 4). Em vez de dizer um simples "Sim, Eu Sou", Jesus opta por apontar para as obras que Ele estava realizando. A resposta surgiu a partir dos milagres que Ele havia realizado à vista dos discípulos. Ele usa os fatos ("o que ouvis e vedes") como a prova irrefutável de Sua identidade messiânica. Sua missão prodigiosa (curas, milagres e pregação) falava mais alto do que qualquer declaração verbal. Jesus então lista as suas ações: "Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o evangelho" (v. 5). Essa lista é uma clara alusão ao cumprimento literal das profecias sobre o Messias em Suas ações. Assim, Jesus estava validando Sua identidade para João e para todos os que testemunhavam. Quando observamos tudo o que Jesus realizou, é importante nos questionar: não eram estas as obras de que João Batista já ouvira na prisão, e ainda por intermédio dos próprios discípulos? Sem dúvida. São elas que credenciam a missão divina de Cristo, conforme o profeta Isaías (35.5-6 e 61.1). Um fato que João, em sua impaciência durante a longa espera, havia esquecido.
Depois de listar as evidências de Sua messianidade, Jesus conclui com uma solene declaração. Ele declara que existe uma bênção especial para quem não tropeça n'Ele: “E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (v. 23). O termo grego σκάνδαλον, traduzido por tropeço, traz a ideia de colocar uma pedra de tropeço ou um obstáculo no caminho de alguém; de "desviar" ou "fazer errar". Mas, originalmente, descrevia o gatilho de uma armadilha, o ponto que fazia a presa cair. Por extensão, o termo adquiriu o sentido figurado de escândalo, ofensa ou motivo de queda espiritual. Esse conceito se torna particularmente significativo quando aplicado à pessoa de Jesus Cristo. A partir das profecias do Antigo Testamento (especialmente Isaías 8.14), o Messias é apresentado como uma “pedra de tropeço” para Israel: não por falha de Sua missão, mas pela resistência humana às expectativas frustradas. Os judeus do período intertestamentário aguardavam um Messias político, militar e vitorioso, alguém que restauraria o reino davídico e quebraria o jugo de Roma.
Entretanto, Jesus surge como um carpinteiro de Nazaré, ensinando com autoridade, mas sem aparato militar ou prestígio político. Sua mensagem de arrependimento, serviço e amor aos inimigos contrariava profundamente os anseios nacionalistas da época. Ainda mais, Sua morte na cruz — símbolo de vergonha e maldição — era, para muitos, incompatível com qualquer concepção de glória messiânica. Para muitos judeus foi um escândalo, porque não correspondia às expectativas de um libertador político. Paulo afirma em 1 Coríntios 1.23: “Mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo (σκάνδαλον) para os judeus e loucura para os gentios.” Assim,σκάνδαλον descreve a reação daqueles que, diante de Jesus — humilde, servo e crucificado — não conseguem reconciliar sua visão de poder com o modo como Deus escolheu salvar o mundo. Cristo é ao mesmo tempo o fundamento da fé e a rocha contra a qual tropeçam aqueles que rejeitam sua presença.
Jesus quer que o seu precursor recluso medite seriamente, e também os seus discípulos, sobre esse assunto: “Felizes aqueles que não acham em Jesus motivo de tropeço”, que não abandonam a sua fé n'Ele! A exortação de Jesus não demonstra que João Batista havia tropeçado. Se João tivesse “tropeçado”, Jesus o teria corrigido severamente. As palavras de Jesus são de encorajamento, não de uma repreensão. É preciso lembrar que a bem-aventurança é para aqueles que não se escandalizam com a humildade de Cristo, mas que reconhecem nessa simplicidade o poder e a sabedoria de Deus para a salvação do mundo. Precisamos, na penumbra da prisão e na tristeza da cela onde confina a nossa vida humana, tumultuada pelos anseios, pelos erros, pelas fraquezas e pela impaciência, olhar além dos muros e ver a glória d'Aquele que se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, a glória como do Unigênito do Pai. Somente Ele. Não precisamos de outro. Ele não rejeita aqueles que tropeçam e passam por momentos de pequena fé, como Pedro e Tomé. Que possamos buscar essa verdadeira felicidade — a de não deixar que nada em Jesus (Sua humildade, Seus ensinamentos ou Seus tempos) seja um obstáculo para a nossa fé e o nosso relacionamento com Ele.
Tendo os mensageiros se retirado, Jesus dirige-se expressamente ao povo e, usando de recursos da retórica, enaltece a figura de João. Ele faz três perguntas.Primeira pergunta: Ele questiona: “O que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?” (v. 7). O que é um caniço? O termo grego κάλαμος significa “vara feita de uma cana, vara de cana ou junco”. Ela não é um tronco firme, fixo, nem bem enraizado no solo; a cana sempre se agita por causa do vento. João Batista não é, portanto, um caniço agitado pelo vento. Não é um homem inconstante, cuja mente flutuava e oscilava de uma opinião para outra. Neste sentido, João Batista e sua mensagem não merecem descrédito.
Segunda pergunta: “Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas?” (v. 8). João Batista não habitou em palácio, vestido de roupas finas. Ele viveu no deserto, vestido com roupas feitas de pelos de camelo, e usava um cinto de couro na cintura. Isto demonstra que, enquanto homens com roupas delicadas viviam nos palácios, João Batista, na sua austeridade, vivia de forma humilde e simples.Terceira pergunta: “Mas para que saístes? Para ver um profeta?” (v. 9). De fato, João Batista era muito mais do que um profeta. O evangelista apresenta João Batista como alguém muito maior. Como profeta, ele proclama no deserto sobre a vinda do Senhor. Ele é o arauto que veio trazer uma mensagem de arrependimento para o perdão dos pecados e que batizava as pessoas no rio Jordão.
De fato, João Batista foi um grande profeta, aquele que já havia sido profetizado em Malaquias 3.1. Jesus usa as palavras do profeta e revela com detalhes o objetivo da vinda de João Batista: “Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti” (v.10). João Batista é o mensageiro que veio preparar o caminho do Messias. Em sua mensagem, ele não fala em seu nome. Mas que motivos teriam as multidões para dar crédito a um homem, a ponto de irem até ele, enfrentando condições tão severas e adversas? Talvez muitos pudessem imaginar que, diante do seu grande poder carismático que ele possuía, ele poderia ser um profeta que veio trazer esperanças particulares benéficas para Israel, ou favores para aumentar a sua influência entre o povo. Mas não era esta a sua missão; o seu objetivo era preparar o caminho para a chegada do Messias.
Jesus ainda elogia João Batista, como sendo o maior entre os profetas: “Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” (v. 11a). De fato, pelos privilégios e ofícios que Deus lhe atribuiu, ele é considerado o maior profeta. Isso demonstra que não houve ninguém maior do que João Batista, tanto na sua importância quanto como profeta. Foi o precursor que veio preparar o caminho do Senhor; foi o último profeta que profetizou, anunciou e, ao mesmo tempo, viu o Messias que havia de vir. Por isso Jesus disse que João Batista foi maior que qualquer outro profeta. Todos os outros profetizaram e anunciaram o Messias, mas não tiveram o privilégio de vê-Lo.
Jesus aponta para a Sua obra de forma mais clara e amplia o conceito, afirmando que, dentre todos os que anunciaram a vinda do Messias, João era o maior. Ele reconheceu sua grandeza: um profeta fiel, corajoso, dedicado ao propósito de Deus. Contudo, as mesmas palavras que o exaltam, impõem uma outra condição ao nos dizer: “Mas o menor no Reino dos Céus é maior do que ele” (v. 11b). Em outras palavras: João Batista é o maior entre os profetas e os homens da Antiga Aliança, mas o menor na nova realidade do Reino dos Céus é maior do que ele. Mas por que Jesus coloca João "abaixo" do menor no Reino? A razão é que o Reino dos Céus, inaugurado por Cristo através de Sua morte, ressurreição, ascensão e o subsequente derramamento do Espírito Santo no Pentecostes, é infinitamente superior a tudo que veio antes. João Batista não desfrutou desse privilégio em vida. Historicamente, ele encerrou a era do Antigo Testamento. Foi preso, decapitado e não pôde presenciar a consumação do ministério de Jesus nem a chegada plena desse Reino de Deus. Em suma, morreu sem ver a plenitude do plano de Deus concretizada em Cristo.
Aquele que ingressa no Reino dos Céus através de Jesus alcança uma grandeza superior, pois experimenta a realidade espiritual definitivamente inaugurada por Ele. Essa nova realidade é incomparavelmente maior do que a Antiga Aliança, à qual João Batista ainda pertencia, e que os profetas anteriores não puderam desfrutar em sua plenitude. Entre os privilégios inestimáveis dessa nova era estão o perdão completo e definitivo dos pecados e a presença permanente do Espírito Santo habitando no crente. Essa é a base de nossa maior dignidade.Portanto, a verdadeira grandeza não reside na posição, no reconhecimento ou no prestígio terreno. Ela está, essencialmente, naquilo que Deus realiza dentro de nós e através de nós, pelo poder do Espírito, quando pertencemos ao Seu Reino. Quem está verdadeiramente a serviço do Evangelho e de Cristo não busca reconhecimento pessoal, importância efêmera, aplausos ou merecimentos humanos. O servo fiel não procura as luzes, os holofotes e o louvor para si mesmo, mas direciona toda a glória e toda a exaltação somente para Cristo.
No entanto, o Reino sempre enfrentou e continua a enfrentar ataque, hostilidade e oposição, ou invasão por forças hostis. Jesus afirma: “Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam” (v. 12 - NVI).O que significa o Reino “sofrer violência”? O verbo grego βιάζεται pode ser traduzido corretamente de duas maneiras: “sofrer violência” ou “avançar à força”. Ambas são traduções possíveis. A primeira opção entende o Reino como estando sob ataque das forças das trevas (Herodes Antipas, líderes judeus, etc.). A segunda opção imagina Deus avançando o Reino à força contra essa mesma oposição.Qual é a melhor interpretação? Embora cada uma destaque um elemento verdadeiro do Reino dos Céus, a primeira opção é mais convincente. Pois, se “os violentos tomam [o Reino] à força”, então faria mais sentido ver o Reino como “sofrer violência” nas mãos dos “violentos” – aqueles que se opuseram ao Reino. Pessoas perversas que se encaixam nessa descrição incluem Herodes Antipas, que aprisionou João Batista (Mateus 11:2), e os líderes judeus que se opuseram ao ministério de Jesus (Mateus 9.34; 12.22-24).
Jesus,porém, explica que toda a revelação dada por Deus através da Lei (Torá) e dos Profetas apontava para a vinda do Messias — e que João Batista marca o fim desse período de expectativa, sendo o precursor direto da chegada do Reino de Deus em Cristo. Ele afirma: “Pois todos os Profetas e a Lei profetizaram até João” (v. 13 - NVI). Jesus deixa evidente que todas as Escrituras do Antigo Testamento apontavam para a vinda do Messias e para o Reino de Deus. João Batista é o último profeta da antiga ordem, aquele que encerra a era da expectativa. A sua mensagem e ministério foram a culminação e o clímax de tudo o que a Lei e os Profetas apontavam. Mas, com ele, chega o momento em que a profecia se cumpre, pois o Messias está presente. Ao dizer que a profecia se estendeu "até João", Jesus está indicando que o tempo da espera e da promessa está se encerrando. Com a chegada de Jesus (e a pregação de João preparando o caminho), a era do cumprimento e do Reino de Deus manifestado na terra começou. João é o elo final entre a velha aliança e a nova.
Jesus continua explicando quem é João Batista. A identificação de João com Elias não era óbvia para todos. A maioria esperava um retorno literal e espetacular de Elias. Então, Jesus afirma: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (v. 14). O judaísmo do primeiro século aguardava um retorno literal de Elias, com base na profecia de Malaquias 4.5: “Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.” No entanto, Deus cumpre Sua palavra de modo mais profundo: João Batista vem no espírito e no poder de Elias. O anjo já havia anunciado isso ao pai de João: “...irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias” (Lucas 1.17). João Batista pregou com a mesma ousadia, chamando ao arrependimento, e teve um ministério de grande austeridade e impacto, assim como Elias no Antigo Testamento.
Quando Jesus disse: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias que estava para vir”, Ele revelou uma verdade profunda: nem todos estavam dispostos a enxergar o que Deus estava fazendo diante de seus olhos. Para muitos, foi difícil de aceitar, pois esperavam Elias descendo do céu em chamas, não um homem simples, vestido de pelos de camelo e pregando no deserto. Jesus sabia que muitos rejeitariam essa verdade. Por isso, os convida a “dar crédito” aquele que veio preparar o caminho para Jesus.
Após revelar que João Batista era o Elias prometido — uma verdade profunda e espiritualmente discernida — Jesus conclui com um chamado simples e direto: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (v. 15). Vivemos num mundo barulhento: redes sociais, preocupações, ansiedade, pressões e ruídos externos e internos disputam, constantemente, a nossa atenção. Nesse contexto em que todos se apressam em falar e expressar tudo ao mesmo tempo, aprender a ouvir é uma necessidade vital, crucial para a manutenção da nossa comunhão com Deus. Pessoas distraídas com as coisas do mundo simplesmente não conseguem discernir a voz de Deus e, por consequência, correm o risco iminente de perder Sua orientação, consolo e paz. Por isso, o chamado de Jesus é um convite fundamental em Seu ministério, sendo um pilar essencial para a compreensão e a prática do Reino de Deus. Ele deixou claro às pessoas que era necessário entender Suas palavras, mas que esse entendimento demandaria do ouvinte uma atenção especial, pois não eram apenas palavras retóricas, mas ensinamentos para a vida. Mas nem sempre reconhecemos Sua voz. Às vezes estamos tão ocupados, tão distraídos ou tão presos às nossas ideias que não ouvimos o que Ele está dizendo.
Você já se sentiu da mesma forma que João Batista? Já fez a mesma pergunta? A verdade é que as dúvidas de João Batista e dos discípulos também são a nossas. Quantas vezes também ficamos frustrados quando as nossas expectativas não são realizadas? Então, começamos a duvidar da palavra e do amor de Deus para conosco. Esquecemos que tudo está acontecendo no tempo oportuno que o Senhor determinou, e isso deve gerar em nossa vida uma reverente confiança de que, por Sua providência, todas as coisas da nossa vida acontecerão do jeito que Ele planejou!
Estimados irmãos! A resposta de Jesus é consoladora na vida de João Batista. Ele ajudou o Seu servo a superar as suas dúvidas. Não tirou o medo que havia nele, mas trouxe um consolo: Eu sou o Salvador! Não importa o que te aconteça. Vou estar contigo. Não importa o que venha sobre sua vida, vou estar ao seu lado. Que o bondoso Deus nos conceda sabedoria para compreender o verdadeiro significado da vinda de Jesus, e que possamos, como João Batista, ser humildes ao pedir ajuda ao Senhor diante das nossas dúvidas. Amém!
Nenhum comentário:
Postar um comentário