segunda-feira, 17 de junho de 2024

TEXTO: MC 4.35-41

TEMA: COM CRISTO, NÃO PRECISAMOS TEMER AS TEMPESTADES DA VIDA.

O barco onde estavam os discípulos com Jesus, era castigado pelo vento, varrido pelas ondas enfurecidas, enchendo-se de água. Parecia ser o fim. O barco iria afundar.  Tomados pelo medo, os discípulos observam que Jesus dormia, não atentando para a situação difícil deles. Eles o acordaram com uma crítica: Mestre, não te importa que pereçamos? Jesus repreende a natureza e dirige aos discípulos. Jesus sabe de suas fraquezas e medo, e cuida deles

A nossa vida é comparada a um barco em alto mar. Enfrentamos temporais que nos causam pânico. São tantas adversidades que sacodem nosso barco, levando a crer que fomos abandonados por Deus. Quanto medo e angustia em nossos corações. Será que Deus está comigo nessa tempestade? Será que Deus está se importando de fato com minha situação?

Lembre-se:  Cristo está no barco, não há por que temer a tempestade. Não importa o tamanho da tempestade, Ele sempre estará conosco. Há muitas razões para cremos e descansarmos no Senhor. Dois pontos merecem destaque: Em primeiro lugar, eles deviam crer na palavra de Jesus. O Senhor havia dito a eles: “passemos para a outra margem”. O Senhor não disse: “passemos para o meio do mar para naufragarmos”. Os discípulos deveriam se lembrar de que, quando o Senhor fala, ele cumpre a sua palavra. Podem passar o céu e a terra, mas as palavras do Senhor não passarão. Em segundo lugar, eles deviam crer na presença de Jesus. Havia uma tempestade, mas o Senhor estava com eles no barco. Não estamos navegando sozinhos. Ele está conosco no barco. Com ele em nosso barco, podemos repetir as palavras do rei Davi: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Salmo 23.4).

Vendo Jesus muita gente ao seu redor ordenou passar para a outra margem. Marcos afirma que os discípulos despediram a multidão e levaram o Senhor, assim como estava no barco. Certamente, o Mestre estava exausto. Teve um dia tão movimentado e precisava repousar antes de continuar sua missão no outro lado do mar. Para aquele momento, Jesus usou um travesseiro para dormir, para descansar. Tudo é calmo, e a viagem parece correr normalmente. Mas de repente muda o cenário. Diz o texto: Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessaram contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água.” (v.36). Mateus diz que o barco era varrido pelas ondas. (Mt 8.24). Lucas diz que sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar. (Lc 8.23). Com a força da ventania, a segurança do barco e de seus ocupantes estava ameaçada, à medida que as ondas o assolavam

Era realmente uma situação crítica para os discípulos. O barco castigado pelo vento, varrido pelas ondas enfurecidas, enchendo-se de água, parecia ser o fim. O barco iria afundar. Em meio a toda esta situação, Jesus dormia tranquilamente: (v.38a). Não ouvia o uivar furioso dos ventos. Nem percebia as violentas sacudidas do barco, nem sentia as rajadas de água que cobriam a todos. Tomados pelo medo, os discípulos o acordaram com uma crítica: “Mestre, não te importa que pereçamos?” (v.38b). Nessa hora de desespero, podemos imaginar que gritaria. Os demais evangelistas transmitem os gritos de desesperos. Mateus afirma: “Senhor, salva-nos, perecemos” (8.25). Lucas: “Mestre, Mestre, estamos perecendo”. (8.24).

Acredito que a maioria já presenciou uma tempestade, principalmente, no mar. Ela nem sempre é previsível, pois, muitas vezes, ocorre repentinamente. Ficamos preocupados, ansiosos, assustados ou até mesmo desesperados. Os ventos sopram por todos os lados, deixando o mar cada vez mais revolto e as ondas cada vez mais altas ao ponto de balançar toda a estrutura do nosso barco. Sentimos que o nosso barco realmente vai afundar. Quando refletimos sobre as “tempestades” da vida, elas também são inesperadas. Elas não escolhem a quem atingir, pois quem estiver em sua direção será afetado, independente de sua classe social, vida financeira ou moral. Algumas são mais intensas, outras mais suaves. Algumas duram mais tempo, outras passam rápido. São as enfermidades inesperadas, desemprego, problemas conjugais, acidentes, mortes, conflitos. Enfrentamos tantas tempestades e sentimos que o nosso barco está afundando, parecendo que este será o nosso fim tão trágico, que jamais conseguiremos passar para o outro lado da margem do mar. Nesse momento temos a sensação de que Deus está dormindo. Parece não estar atento aos dramas da nossa vida. Parece que se esqueceu de nós, ou até mesmo não nos ouve mais.

Quando estas tempestades nos alcançam e desestabilizam nosso barco, fazemos tantas perguntas: Será que Deus está comigo nessa tempestade? Será que Deus está se importando de fato com minha situação?  O Senhor não vai fazer nada para me socorrer? Talvez esse seja o clamor da sua alma no momento!  São questionamentos que a maioria das pessoas têm feito, pois não se conformam com esta realidade. No entanto, não há motivos para tanta preocupação! Lembrando sempre que as tribulações e os problemas que enfrentamos, nos planos de Deus, sempre visam um objetivo: Deus quer pôr à prova a nossa fé, para torná-la mais forte e pura, nos momentos de extrema angustia, tristeza, dores, doenças, acidentes, ou problemas de ordem econômica e desemprego. Também não há motivos para temer!  Não estamos sozinhos neste barco. Jesus está sempre ao nosso lado, quando a tempestade chegar. Aquele que é maior que as circunstâncias, mais forte que o vento, aquele que criou o mar não permite que as “tempestades” da vida venham nos destruir. Ele levanta aquele que está caído e acalma a tormenta da nossa vida. Como é bom confiar inteiramente nas promessas de Deus, de que ele estará conosco todos os dias.

Os discípulos sabiam da gravidade da tempestade. Entenderam que sozinhos seria impossível controlar o barco açoitado pelas ondas, não havia outra solução. Sendo assim, acordam Jesus. Ele intervém na natureza: Acalma-te, emudece! (v.39), ou seja,” silêncio, cala-te”. A palavra dita por Jesus produziu calmaria instantânea. O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Agora, havia tranquilidade, mas Jesus se volta aos discípulos e os repreende por sua falta de fé, chamando-os de "tímidos”: “Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé”? A expressão “sois tímidos” significa "medrosos", dando uma ideia de que o medo é justamente isso: falta de fé no Senhor.

Naquele momento, os discípulos revelaram-se vacilantes, isto é, ficaram com medo, nervosos, sem saída, desesperados. O medo é um sentimento que está presente na vida das pessoas. Afinal, quem não tem medo de atravessar uma avenida movimentada? Quem não tem medo de uma tempestade? Quem não tem medo de ser assaltado? Mas é difícil entender reação dos discípulos. Há pouco viram o Mestre fazendo milagres. (Mt 8.16). Desde o começo sentiram-se seguros em sua companhia. Esqueceram-se por um instante do cuidado constante que seu Mestre tivera com eles nos dias passados. Esqueceram de que ao lado dele estavam seguros. Ficaram com medo porque não tomaram conhecimento da presença e do poder de Jesus. Faltou-lhes a fé tantas vezes apregoada e enaltecida pelo Mestre.

Na verdade, também agimos da mesma forma como os discípulos. Em momentos de extrema angústia, tristeza e dores, duvidamos do amor do Pai Celeste. Deixamos de confiar em Deus. Buscamos outros ajudadores de quem esperamos socorro mais eficiente e mais rápido. Assim, a nossa fé torna-se fraca, débil quando duvidamos do poder de Deus em nossa vida. Quando julgamos que tudo depende da nossa inteligência e capacidade. Quando olhamos as coisas com olhar da razão e não com o olhar da fé. Mas quando tivermos aprendido a confiar em Deus, podemos dizer como salmista: “em Deus ponho a minha confiança, e não terei medo; que me pode fazer o homem”? (Salmo 56.11). Esse é um testemunho maravilhoso do poder da confiança em Deus. O que o salmista está dizendo é que independentemente do que acontecer, ele vai continuar confiando em Deus. Portanto, para superar o nosso medo, é confiança total e completa em Deus.

Quando os discípulos viram o que Jesus acabara de fazer, ficaram perplexos e disseram: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem”? (v.41b). Quem é este! A resposta não pode ser outra a não ser: é o Cristo, o Filho de Deus! É o verbo que se fez carne. Aquele que foi enfaixado em panos e colocado numa sepultura. Mas ao terceiro dia ressuscitou porque é Senhor sobre a vida e a morte.  É aquele que se levanta e repreende o vento e o mar. Ele é o Senhor sobre todas as circunstâncias. Ele é o soberano sobre toda a criação. Aquele que tem autoridade sobre todas as coisas, incluindo o vento e o mar.

Estimado irmão! Não te desespere! Jesus está contigo no barco por maiores que sejam teus medos, problemas e desafios. Não olhes para as grandes ondas, ouças Jesus, a sua voz ecoa pelos ares dizendo acalma-te e tem bom ânimo. Eu estou contigo em meio ao grande mar. Queira Deus dar-nos confiança quando o mar da vida se agita e assim agarremo-nos em Cristo, confiando plenamente em suas promessas. Amém!

 

Vamos cantar!

Se as águas do mar da vida quiserem te afogar
Segura na mão de Deus e vai
Se as tristezas desta lida quiserem te sufocar
Segura na mão de Deus e vai

Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus
Pois ela, ela te sustentará
Não temas, segue adiante, e não olhes para trás
Segura na mão de Deus e vai

Se a jornada é pesada e te cansas da caminhada
Segura na mão de Deus e vai
Orando, jejuando, confiando e confessando
Segura na mão de Deus e vai

O Espírito do Senhor sempre te revestirá
Segura na mão de Deus e vai
Jesus Cristo prometeu que jamais te deixará
Segura na mão de Deus e vai

sábado, 15 de junho de 2024

TEXTO: SL 30

TEMA: O SENHOR TRANSFORMA A NOSSA TRISTEZA EM ALEGRIA

O Salmo 30 é considerado um cântico de Ação de Graças. Ele é atribuído a Davi. Há vários salmos como este. Eles eram cantados no dia a dia das famílias de Israel, tanto nas reuniões domésticas, como nas públicas. Alguns eram cantados nas viagens para Jerusalém e no retorno para casa. Neste salmo, Davi agradece a Deus por algum livramento que alcançou. Ele havia passado por situações de perigo, tribulações, noites de escuridão, de medo e desespero em sua vida. Estava tão debilitado, e tinha a sensação de que dormiria e não mais acordaria. Ele se sentiu triste e angustiado. Mas  revela que, todas às vezes, que clamou a Deus, foi atendido. Deus transformou a sua tristeza em alegria, não permitindo que a tristeza tomasse conta de sua vida, pois entendia que o “choro” dura só um tempo, depois vem  alegria  pela manhã. Pelo fato de Deus ter atendido a sua oração, Davi não quer jamais se calar a respeito da bondade de Deus.

O cristão não está imune ao choro e a tristeza. Jesus disse que enfrentaríamos o choro e o lamento: “Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis”. (João 16.20). A tristeza existe. Ele faz parte da vida de todos nós. São sentimentos e problemas, como solidão, ansiedade, doença, dificuldades em família e desemprego, que nos causam frustração, medo e insegurança. São realidades que nos fazem chorar. Diante desta situação nos sentimos impotentes para encontrar uma solução eficaz, pois tudo parece dar errado. Somos sufocados pelos acontecimentos e das circunstâncias que vivemos. Não é fácil estar alegre. O cenário que se apresenta não é propício para alegria, diante dos tempos tão sombrios que estamos vivendo

Mas o Senhor transforma nossa tristeza em alegria. Assim, como ocorreu com Davi. Então, podemos dizer: Como é bom ser alegre no Senhor! Esta alegria que invade a nossa vida e que resplandece em nosso rosto, é o resultado dos momentos maravilhosos que o Senhor nos proporciona no dia a dia. Estes efeitos são imensos. Deus nos guia nos protege e nos ama. Sendo assim, temos muitos motivos para nos alegrar. O Senhor está conosco todos os dias (Mt 28.20), por mais pesado que seja a cruz, que temos que carregar. Lembre-se: Quando a alegria deixar de existir em sua vida, quando faltar força, coragem, fraqueza no trabalho, na família, quando precisar de apoio para vencer os problemas, saiba que o bondoso Deus está atento às suas necessidades e se põe ao lado de você, pois seu "interesse” e “cuidado” por nós duram a vida toda (v.5a).  

Estimados irmãos! Inicialmente, o salmista reconhece suas fragilidades e suas limitações, bem como sua vulnerabilidade diante das dificuldades da vida. Ele descreve a situação de sua saúde e fala que era alvo das zombarias de algumas pessoas, que ele chama de inimigos (v.1c). Em outras palavras, o autor do salmo estava à beira da morte. Apesar do salmista sentir a morte tão perto, não desiste da vida. Ele é fortalecido pela esperança de que o Senhor Deus o ouvirá. Sendo assim, ele clamou, e o Senhor lhe deu vida no lugar da morte, substituiu a doença por saúde e lhe tornou próspero. Ele mesmo afirma: “tu me livraste.” (v.1b). “tu me saraste” (v.2). E ainda: “da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.” (v.3b). Sua expectativa é, então, confirmada, e sua vida é poupada. Deus havia tirado sua alma da sepultura e o mantido vivo o salmista. Agora, quer exaltar ao Senhor. (v.1a). Ele quer salmodiar e dar graça ao seu santo nome. (v.4). Ele desafiou também o povo a dar graças, lembrando da santidade do Senhor.

No entanto, durante um determinado tempo, Davi experimentou a ira de Deus. Na hora da dor, ele achava que Deus estava irado. Mas entendeu que o Senhor não é um ser que preza a raiva. Ao invés de aplicar o juízo merecido, Deus ofereceu misericórdia ao salmista. Ele afirma: “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira.” (v.5). De fato, Deus não é maldoso, severo e repleto de ira, como muitos imaginam. Ao contrário os efeitos de seu favor são substanciais e duráveis: "seu favor dura a vida inteira". As lutas que enfrentamos neste mundo podem persistir durante a noite, mas a alegria virá pela manhã, pois Ele sempre está disposto a mostrar misericórdia e bondade. São pelas misericórdias de Deus que ele nos perdoa, nos da nova chance de recomeçar e aprender com os erros do passado. A misericórdia jamais acaba não tem fim, ou seja, Deus está sempre disposto a dar uma nova chance, a começar de novo. Isto significa que a bondade divina é para toda a vida. O que Deus deseja é o arrependimento dos nossos pecados e voltarmos para ele, em adoração e submissão sincera.

Precisamos sempre lembrar que, somente aqueles que foram cobertos pelo sangue de Cristo, derramado na cruz, estão seguros de que a ira de Deus nunca cairá sobre eles. E por causa do seu sacrifício perfeito na cruz, hoje temos paz com Deus e desfrutamos do seu favor por toda a vida. Podemos estar seguros de que a ira de Deus dura apenas um pouco, e se transforma em alegria, isso porque a misericórdia de Deus é firme e duradoura. Esse princípio, inclusive, ecoa por toda a Escritura. Através do profeta Isaías, Deus disse ao seu povo: “Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor” (Isaías 5.7). O apóstolo Paulo afirma: "Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!" (Romanos 5.9).

Na segunda parte do versículo, Davi repete a mesma coisa figurativamente: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" (v.5). Davi, em sua oração, registra o choro e o lamento que tomou conta da sua vida em virtude da sua fragilidade e fraqueza humana. Ele diz que chorou a noite toda, revela que se sentiu abandonado por Deus e inseguro quanto ao futuro. Ele confiava em sua ajuda e quando adoeceu gravemente buscou a Deus, mas não recebeu resposta imediata. Parecia que Deus estava irado. Ele orou e lamentou a noite toda buscando a graça de Deus. Entendeu que o choro é realmente passageiro. Ele já faz parte da vida de cada ser humano. Choramos por diversas razões. Alguém chora quando perde um jogo de futebol, a namorada chora quando perde o namorado, as crianças choram quando estão doentes. Enfim, choramos quando perdemos um ente querido. Como é triste!  Mas, muitas vezes, o choro pode durar a noite todo em nossa vida, quando sentimos os momentos de angústia, medo, desesperança, dor tribulações, desespero, aflições. São momentos que nos entristece, e parece que todas coisas não   vão passar, não vão acabar. Neste momento, não há  ninguém que possa enxugar as   nossas lágrimas. Mas ao amanhecer, porém, vem a alegria, o regozijo, o consolo, a paz, a segurança interior.

Você está chorando! Lembre-se: você não está sozinho! Chore na presença do Senhor, sabendo que Ele está ao seu lado! O próprio Jesus afirma: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” (Mt 28.20). “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mt. 5.4). Deus falou para Jacó: “Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; pois não te deixarei até que haja cumprido aquilo de que te tenho falado”.(Gn 28.15).Deus falou Isaías “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10).Deus falou para Josué: “Não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1.9).João diz em Apocalipse 21.4: "Deus enxugará de seus olhos toda a lágrima. Não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, pois já as primeiras coisas são passadas”. O texto bíblico diz que a morte não existirá mais, e com ela também desaparecerão a tristeza, a dor e o choro. Não haverá mais nenhum motivo para chorar. Deus enxugará de nossos olhos toda lágrima para sempre! E no novo céu e na nova terra haverá paz, harmonia, alegria e pleno contentamento.

Davi, antes, pensava que vivia tranquilo e que a adversidade nunca poderia afetar à sua posição política e à riqueza. A vida era boa. Ele gozava de grande prosperidade, e sentia como se nada mudasse. Dependia de suas habilidades e bens, em vez do Senhor. Ele afirma: “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado". (v.6). Para ele nunca haveria nada que pudesse afligi-lo, como se tivesse, ele mesmo, poder para controlar tudo à sua volta e garantir, por seus próprios meios, o sucesso e a felicidade. Tamanha foi arrogância de Davi que ficou confuso e desorientado quanto à vida e os desafios que estavam presentes em sua vida. O salmista evidencia tal verdade ao dizer resignado: “SENHOR, pelo teu favor, tu firmaste minha montanha.” (v.7a). A palavra “montanha” parece ser usada para denotar aquilo em que ele confiava como sua segurança ou força, pois a montanha, ou as colinas inacessíveis, constituíam um refúgio e segurança em tempos de perigo. (Salmos 18.1-2; Salmos 18.33; Salmo 27.5).  

Neste sentido, o salmista fala de si mesmo, se coloca numa posição onde não temia nenhum inimigo e se considerava totalmente seguro. Ele estava tão confiante, que pensou sua “montanha” estava tão forte, tão segura. Mas o Senhor havia ocultado o seu rosto e salmista passou a viver em pânico. (v.7). Esconder o rosto” é sinônimo nas Escrituras Sagradas de retirada de favor. (Salmo 13.1). Sendo assim, o salmista ficou perturbado. confuso, perplexo, agitado, apavorado. Sentiu um medo repentino, pois tudo em que confiava, tudo que pensava ser tão firme, foi subitamente varrido. Mas tendo percebido o pecado de seu orgulho, admitiu a graça e a provisão de Deus. Chegou à conclusão de que seus esforços não trariam senão desespero. Este é o nosso único recurso diante de nosso orgulho: devemos nos arrepender de nossa arrogância e rebelião, buscando a graça e a misericórdia de Deus. Fora Dele, nada somos.

Tendo reconhecido o seu erro, Davi clamou ao Senhor, fazendo-lhe súplicas. Sabiamente, Davi fez seu pedido ao Senhor, ao único que poderia lhe ajudar. Ele sabia que Deus era a fonte de sua bênção, sabedoria e força. Ele já não queria andar sozinho, mas buscou o Senhor em seu momento de necessidade. Por isso, clama ao Senhor: “Por ti, Senhor, clamei e implorei. Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? (vv.8,9). Em um esforço para apelar à abundante graça de Deus, Sendo assim, Davi ofereceu uma sugestão: Que proveito há em meu sangue. Isto é, que lucro ou vantagem haveria para ti se eu morresse? O que seria “ganho” com isso? O argumento que o salmista insiste é que ele poderia servir melhor a Deus com sua vida do que com sua morte. Se morresse, o impediria de prestar o serviço ao Senhor.

Diante desta situação, o salmista pede misericórdia ao Senhor, pois admite sua grande necessidade. Admite que havia pecado e foi incapaz de fazer provisão para suas muitas necessidades sozinho. Ele confessa a Deus que precisa de sua ajuda, ao afirmar: “Ouve, Senhor, e tem compaixão de mim! O Senhor, sê o meu ajudador”. (v.10). Como se ele afirmasse: Deus, eu não posso, mas você pode. Por favor, responda ao meu apelo e ajude na minha situação. Então, podemos afirmar que, agora, Davi vive momentos maravilhosos. Ele confessou seu pecado diante do Senhor, arrependeu-se de seu orgulho e reconheceu sua grande necessidade do Senhor. É exatamente, assim, que devemos nos aproximar do Senhor, quando respondemos ao Seu chamado pela salvação. Após a nossa conversão, há momentos em que teremos de nos apresentar diante do Senhor, como Davi, confessando nosso pecado e admitindo nossa necessidade de provisão e graça do Senhor.

Como é maravilhoso! Deus vem ao nosso encontro e se preocupa em nos consolar. Ele enxuga as nossas lágrimas. Permite expressar nossas incertezas. Por isso, precisamos olhar para o Senhor e levantar os olhos para o único que pode nos ajudar. Somos convidados a reconhecer as misericórdias do Senhor. Somos conclamados a continuar no mesmo espirito de oração e louvor, reconhecimento e súplica pelas misericórdias. Quem de nós não precisa de misericórdia, e não tem clamado por ela? Se nos sentimos desprezados, rejeitados, discriminados, olhemos para o Senhor e clamemos por misericórdia. Esperamos, pacientemente, pois Deus nos oferece o socorro.  Esse é o exemplo que devemos carregar sempre conosco: manter os olhos fixos na misericórdia do Senhor, pois só a misericórdia do Senhor nos garante paz em meio a tanto desprezo. Foi nesta confiança que o salmista, em meio à angústia, ele invocou ao Senhor. Ele creu que só havia uma escapatória diante de sua angústia: confiar na misericórdia do Senhor.

O estado de espírito do salmista está, agora, completamente transformado. Seu tempo de dor se transformara em uma época de alegria. O choro se transformou em danças de alegria. As vestes de lamentação, comumente usadas em momentos de clamor e súplica, foram mudadas por veste alegres, de louvor, de gratidão. A alegria realmente veio de manhã para Davi. Por isso, depois de receber a atuação benéfica de Deus, o salmista testemunha (v.11): “tu transformaste o meu lamento em festejos; retirastes meu pano de saco e me vestistes de alegria”. Que transformação: o choro vira riso; as vestes de luto viram vestes de comemoração. Somente Deus pode causar tamanha mudança. Mas essa transformação tem um propósito. Se antes o nome do Senhor fora deixado em segundo plano, Deus quer que, agora, o salmista volte a ter primazia na vida.

Deus ouviu a oração do salmista. Ele pôs fim aos seus problemas. não morava mais na miséria e no desespero. O Senhor havia respondido à sua necessidade e seu espírito foi renovado. Ele fez com que suas tristezas fossem sucedidas pela alegria. Agora, ele se propõe a louvar continuamente ao seu Deus. Não há timidez que o impeça. Não há cansaço que lhe faça parar. Como prometeu, ele vai louvar ao Senhor para sempre: “para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor, Deus meu, graças te darei para sempre”. (v.12). Devemos estar dispostos a oferecer louvores imediatos e contínuos pelas bênçãos que recebemos.

Estimados irmãos! O Senhor vê o momento que vivemos, conhece tão bem a nossa vida, nosso coração, nossas lágrimas e angústias. Ele não permite que a tristeza tome conta da nossa vida, que a alegria do mundo se converta em sofrimento. Por isso. não se desespere! Não desanime! Não perca a fé! Deus nunca vai permitir que você seja provado mais do que pode suportar. Se você se sentindo fraco ou desanimado, lembre-se das misericórdias do Senhor que duram para sempre e se renovam a cada amanhecer. Lembrem-se que o Senhor estende a sua graça e bondade para aqueles que confiam nele. Que o Senhor transforme a nossa tristeza em alegria. Amém!

sexta-feira, 14 de junho de 2024

 TEXTO: SL 124

TEMA: A NOSSA VITÓRIA DEPENDE DO SENHOR!

 O  Salmo 124 foi escrito por Davi. Ele é uma expressão de ações de graças pela vitória, concedida pelo Senhor ao seu povo.  Esses cânticos formam uma coleção de quinze cânticos de peregrinação, entre os Salmos 120 e 134. É chamado de Cânticos dos Degraus ou Romagem. Eram salmos usados pelos peregrinos que seguiam para Jerusalém com a finalidade de participar das grandes festividades anuais. Daí explica-se melhor a expressão “Salmos de Romagem”, isto é, “Salmos de Peregrinação”. Na época das grandes festas, os judeus se reuniam em caravanas que seguiam para Jerusalém em romagem. Em família, os judeus levavam suas ofertas e animais que seriam sacrificados, e durante a caminhada cantavam cânticos ao Senhor. Esses cânticos eram justamente os Cânticos dos Degraus que serviam como um hinário de viagem.

Hoje,vamos refletir sobre o tema: “A nossa vitória depende do Senhor!” A vitória é algo desejado na vida de todas as pessoas, todos querem ser vencedores. Sonham com a vitória. Para alguns, vitória é ser bem-sucedido financeiramente, ter um bom emprego, ter um carro do ano. Para outros a vitória seria passar no vestibular, e tem aqueles que pensam que a vitória é total ausência de enfermidade. Mas quando essas coisas não acontecem, as pesoas sentem-se derrotadas. Mas tudo isso pode caracterizar pessoas bem-sucedidas, porém nunca são elementos suficientes, para afirmar que são pessoas vitoriosas.

 É impossível desejarmos obter vitória completa em nossas vidas sem antes entregarmos tudo nas mãos de nosso Deus que tudo pode fazer. Muitas pessoas enfrentam frustrações, porque não permitem que Deus dirija as suas vidas. Por isso, precisamos lembrar  que a nossa vitória depende do Senhor. Porque Deus é Senhor das  nossas vidas. E quando entregamos tudo em suas mãos, devemos estar dispostos  submeter à vontade do Senhor, quando isto ocorrer, a vitória é garantida, pois a nossa vitória depende de Deus.

Davi submeteu à vontade do Senhor. Ele sabia muito bem como o Senhor se fez presente tanto em sua vida, como na vida de todo o Israel. Ele era testemunha de todas estas coisas . Por isso, ele diz: se “não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado, Israel que o diga” (v.1). Uma coisa é certa: o Senhor, o Deus da aliança ajudou Israel e  Davi  a obter a vitória, pois ela depende do Senhor. Como é maravilhoso ter um Deus que nos auxilia na busca dos nossos ideais. Com Deus estamos a um passo da nossa vitória.

A vitória que Davi obteve, foi diante de seus inimigos, os quais não foram poucos. Temos vários Salmos escritos por ele, onde relata os momentos que viveu diante de seus inimigos.  Saul e sua família, até mesmo o próprio filho Absalão constituíram os seus inimigos. A expressão “quando os homens se levantaram contra nós” (v.2b) revela que era um inimigo poderoso que Davi teve que enfrentar. Não podiam conter sem o auxílio divino. Quem eram? Eram os filisteus! Eles se levantaram com toda força para destruir Israel, varrê-lo do mapa. Eram inimigos mortais, sanguinários, impiedosos, prontos a moer seus adversários.

Entretanto, Davi neste momento se lembrou em fatos históricos. Lembrou-se dos tempos passados, quando em situações extremamente adversas o Senhor lhes dera a vitória. O povo já tinha uma rica história de livramento pela mão de Deus. Durante o reinado de Davi, Deus libertou a nação da opressão de vários povos vizinhos. Antes de escolher um rei para governar a nação, Deus levantou uma série de juízes para tirar Israel do domínio de opressores estrangeiros. Antes dos juízes, Moisés e Josué foram instrumentos usados para conduzir Israel da escravidão no Egito para sua própria terra. Poucos séculos antes de Moisés, a família de Israel foi poupada quando desceu ao Egito.

Quantas vezes você se viu em situações adversas? Quantas vezes se sentiu impotente, frágil, inseguro diante do problema que se abateu sobre sua vida, família e trabalho? Ah, nessas horas se não fosse o Senhor, você estaria aniquilado. O que seria de nós sem a poderosa mão do Senhor nos protegendo dos terríveis ataques do diabo? Onde estaríamos se não fosse o amor de Deus atuando em nosso coração desprovido de tudo o que é bom. O que seria de nós pecadores, causadores de problemas se não fosse a paciência de Deus? Se Deus não estiver conosco, não teremos qualquer possibilidade de escapar dos perigos neste mundo.

 Para dar a entender a questão, Davi expõe os prováveis resultados, caso Deus não estivesse ao seu lado e do seu povo quando foram atacados. Ele o faz por meio de algumas figuras. Fala de seus inimigos primeiro como feras famintas A primeira delas é a de um animal ou um monstro devorador: “Eles já teriam nos devorado vivos por causa da sua ira ardente contra nós” (v.3). Nos teriam engolido vivos. Essa imagem de um devorador é exposta de modo mais dramático no v.6, ao citar seus dentes prontos para serem cravados na presa. Desta forma,podemos imaginar a agonia que vivia Davi e seu povo ao ser devorado por uma fera. De fato, era um inimigo poderoso!

 Davi também compara a força dos opressores a uma forte correnteza que arrasta, afunda e afoga suas vítimas: “As águas já teriam nos afundado, a correnteza teria passado sobre a nossa alma” (v.4).Se a total impossibilidade de sobreviver a essa torrente ainda não ficou clara aos ouvintes, o salmista repete a ideia de modo mais dramático “Águas revoltas já teriam passado sobre a nossa alma” (v.5).A palavra traduzida aqui como “revolta” quer também dizer “espumejante”, descrevendo a aparência que tem a água que desce corredeiras íngremes em um leito pedregoso! Diante destes exemplos, o salmista demonstra que a destruição  era certa,  se o Senhor não tivesse impedido o inimigo.

A verdade é que sempre estamos ameaçados por perigos, que invadem nossas vidas, das mais diversas maneiras. Há uma sensação de medo e insegurança. Somos vítimas da agressividade das pessoas cruéis. Pessoas que convivem conosco e fere a nossa alma.A fúria dos homens nos traz medo. Eles desejam nossa morte e ruina. A perseguição pode vir dos homens. Alguém que nos ameaça, que tenta nos derrubar e passar por cima, conseguir nosso posto, nosso lugar. A vontade deles é que sejamos tragados, engolidos vivos. Não tenha medo da fúria dos homens. Não temas quando o ódio transbordar pelos olhares do mundo. Ou quando alguém pensar que você vai virar a presa dele. Há um Deus que zela por tua alma e não vai fugir diante das ameaças.  

Tanto Davi como Israel sabiam que seu livramento era uma prova da bondade graciosa do Senhor. Eles sabiam que estavam vivos por causa da bondade do Senhor. E é isso que nós vemos nas Sagradas Escrituras sobre a bondade do Senhor na vida do seu povo amado. Israel foi poupado pela ação libertadora de Deus. “Bendito é o Senhor que não nos entregou como presa para os seus dentes”. (v.6) O resultado é descrito de uma maneira dramática por meio do quadro de uma preservação improvável aos olhos humanos: “Salvou-se a nossa alma, como um pássaro do laço dos passarinheiros; quebrou-se o laço, e nós nos vimos livres”. (v.7). Por isso, Davi chama Israel para agradecer ao Senhor pelos livramentos recebidos. Israel tinha muitos motivos para agradecer a Deus, pois o Senhor é bom e sua misericórdia dura para sempre

 O rei Davi encerra o salmo com uma declaração de confiança que não se restringia à situação militar dos seus dias, a sua riqueza e nem na confiança nos homens e no poder deles. A sua confiança, diante dos livramento está no Senhor. Ele confessa a sua fé no Deus da aliança. Na verdade, ele pensa em Deus não somente como quem os preservou do ataque inimigo, mas como aquele que sempre o livrou das diversas situações de sofrimento. Por isso, ele afirma: “O nosso socorro está em nome do Senhor” (v.8a). O significado disso é que a proteção vem do próprio Deus. Há  momentos na vida em que imaginamos estar sozinhos em meio à multidão!  Nesses momentos devemos recorrer ao Senhor. Ele nos dará o socorro esperado. Somente o  Senhor é capaz de nos tirar das situações difíceis e atender ao nosso pedido de socorro.  Ele tem poder para mudar a situação das nossas vidas, pois a nossa proteção vem do Senhor

Foi o que fez Davi. Depois de pensar coerentemente nas possíveis soluções para os seus problemas, Davi chega a uma conclusão magnífica. Ele encontrou uma resposta: “O nosso socorro está em nome do Senhor” .E para mostrar isso, Davi descreve quem é o Senhor : “O criador dos céus e da terra”. (v.8a). Israel sabia através da revelação que  o Deus da aliança é o prórpio criador do céu e da terra.  É este mesmo Deus que criou o céu e a terra, continua sustentando até hoje  todas as coisas com seu poder. É o momento para refletirmos: Quantas coisas Deus já fez por nós? De quantos males ele nos livrou? De quantos perigos nos protegeu? E quantas lições já tivemos sobre o que significa ter Deus ao nosso lado?

 Estimados irmãos!  Façamos como Davi! Reconheçamos que a nossa vitória depende do Senhor,pois ele é o Senhor das nossas vidas! Entreguemos tudo em suas mãos!  Submetamos à vontade do Senhor! Quando isto ocorrer, a vitória é garantida, pois a nossa vitória depende de Deus. Amém!

 TEXTO: MC 4.26-34

TEMA: O REINO DE DEUS É COMO UMA SEMENTE  LANÇADA À TERRA

Estimados irmãos! Como é maravilhosa a pedagogia de Jesus. Em sua didática ensinava às pessoas carentes, esquecidas e discriminadas pelos religiosos da época. Ele   transmitia o ensino das Escrituras, e por meio de parábolas buscava realizar a sua missão. Há nas Escrituras uma rica variedade de parábolas contadas por Jesus. Os temas pastoris e agrícolas ocupavam um lugar privilegiado nos ensinamentos de Jesus, pois evocavam realidades próprias do cotidiano de seus ouvintes.

O texto de hoje nos traz essa realidade através de duas breves parábolas da semente e do grão de mostarda. Elas falam do mesmo tema, o mesmo foco, isto é, o reino de Deus. Mas com ideias diferentes do reino: a primeira é de alguém que lança a semente na terra, passam os dias, nasce a planta sem que a pessoa perceba, e logo é chegada a colheita. Nesse sentido, na primeira temos a exposição de como o Reino se expande com uma força que não depende do esforço dos homens, mas do próprio Deus. Na segunda descreve o seu crescimento de forma espetacular dando ideia de um crescimento bem-sucedido. Portanto, em ambas, revela-se o reino de Deus, e é como uma semente lançada à terra.

                                                                   I

Quem trabalha com atividade pastoril e agrícola conhece perfeitamente o procedimento, como se deve plantar uma semente. Entende com mais facilidade o nascimento e crescimento de uma planta. A partir do momento que o semeador joga a semente, as coisas começam a acontecer:  o cuidado de preparar a terra, a paciência de esperar, o surgimento do broto, a constância de regar o broto já nascido, o desejo de ver a planta crescer e toda a labuta para que a semente dê frutos. Como se observa, há uma grande expectativa do agricultor quanto ao crescimento dessa planta. O agricultor aguarda com ansiedade para que a planta nasça de uma vez.

Jesus nos diz que ao dormir e se levantar, o lavrador percebeu o crescimento da semente, apesar de não saber e nem conhecer a forma como ela cresceu. Não saberia explicar como ocorreu esse crescimento. É possível descrever, documentar, conhecer as etapas do processo de germinação, porém entender completamente esse processo, ele não consegue. Na verdade, depois de plantar, não precisamos nos preocupar com ela. Não podemos fazer a planta crescer. Fato que se percebe na expressão “porque a terra por si mesma frutifica”, (v.28), No original literalmente se traduz como “automaticamente”, isto é, ela ocorre sem nenhuma influência externa. A única coisa que podemos fazer é confiar, dormir noite após noite e levantar, um dia após o outro. Precisamos entender que existe um processo auto programado para que aquela semente germine, cresça e frutifique. Isto ocorre de forma silenciosa, misteriosa e imperceptivelmente.

Podemos notar esse mesmo princípio no reino de Deus. Não sabemos exatamente como explicar a germinação, o crescimento e a frutificação do Evangelho no coração do homem. Esse desenvolvimento pertence somente a Deus. Depende inteiramente de Deus e não dos seres humanos. Deus é soberano, e somente Ele tem o controle. É Ele quem dá o crescimento. Só Ele pode produzir vida e dar o crescimento. É uma obra exclusiva dele. Paulo diz: “Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento vem de Deus. De tal modo que nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas somente Deus que dá o crescimento” (1 Co 3.6,7).

Precisamos deixar que Deus dê o crescimento a partir da pregação do evangelho. A ação do Espírito Santo é indispensável ao crescimento. Pelo Espírito as conversões passaram a acontecer em proporções jamais vistas e a Igreja crescia, conforme  o livro de Atos dos Apóstolos. (5.14; 6.7; 9.31; 12.24; 14.1; 16.5; 17.4; 19.20). Somente o Espirito Santo pode convencer e converter o ser humano, transformando-o em um discípulo de Cristo (João 16.8). Portanto, a obra do Espírito no coração do homem é uma obra eficaz. Regenera o pecador e produz nele uma nova vida.  Paulo diz: “Aquele que começou boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. (Fp 1.6).  Ele mesmo há de completá-la, pois tudo está debaixo do Seu domínio. Nem o mundo nem mesmo as hostes do inferno poderão roubar a semente plantada em nós, destinada a produzir frutos para a glória de Deus. Por isso, precisamos dar lugar ao Espírito Santo para agir com a sabedoria e eficiência.

Constantemente, ouvimos relatos de missionários que passaram anos evangelizando um povo, e nenhuma viva alma se converteu. Pessoas que na caminhada cristã, se dizem desanimadas com a vida e com o ministério, pois tem semeado a Palavra de Deus e não há resultado. Não há crescimento. No entanto, precisamos sempre lembrar que ao semear a Palavra de Deus, a perseverança e a paciência é algo essencial.  Não devemos desanimar quando não vemos resultados imediatos. Jesus nos ensinou que esse processo exige paciência. Assim como a semente amadurece no tempo certo, assim também o fruto do trabalho do pregador aparecerá. Portanto, se você prega o Evangelho com integridade de coração e com fidelidade às Escrituras Sagradas, e ninguém se converteu, não desanime. Nós temos a promessa de que o nosso trabalho no Senhor não é vão. A Palavra de Deus não volta vazia.

Concluindo, esta parábola nos mostra uma tremenda realidade: "E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa"(v.29). Devemos trabalhar e esperar a colheita final. Quando, o fruto estiver maduro, então, virá a gloriosa ceifa. A colheita terá hora certa para acontecer, não ocorrerá nenhum minuto antes e nenhum depois. Devemos aguardar ansiosamente esse dia, confiando que Deus está no controle, e apenas Ele sabe quando será. Nesse dia tão glorioso, os ímpios serão separados dos santos, e o reino de Deus será revelado em todo seu esplendor. Nesse dia estaremos para sempre com Ele.

                                                                 II

Dando prosseguimento sobre o reino, Jesus inicia a parábola do grão de mostarda, fazendo uma pergunta retórica: “A que assemelharemos o reino de Deus?” (v.30). Talvez, muitos que estavam ouvindo os ensinamentos de Jesus, imaginavam que Ele estaria comparando o reino de Deus com um exército poderoso e conquistador. Até os discípulos imaginavam um reino grande e glorioso e desejavam posições de honra e influência (Marcos 10.35-37). Para Pilatos, Jesus disse que o Seu reino não cumpriria expectativas humanas e políticas (João 18.36).

Para ilustrar esta questão,  Jesus declarou que o reino de Deus era como uma pequena semente de mostarda, “quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra” (v.31). De fato, dentre todas as sementes semeadas, a semente de mostarda era, geralmente, a menor de todas. O grão de mostarda que Jesus tinha em mente na sua parábola era ,provavelmente, uma que cresce de maneira predominante na Palestina, uma variedade comumente chamada mostarda-negra. É a menor das três variedades que existem naquela região. A árvore cresce até 3 metros de altura e possui ramos fortes o suficiente para sustentar o peso de um pássaro. Jesus afirma: “cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra” (v.32).  

Esta é a grande dimensão da compreensão do reino de Deus. E Jesus demonstrou toda essa dimensão durante o Seu ministério, quando empenhou toda a sua vida pregando o evangelho do reino para as pessoas. O discipulos foram chamados para dar continuidade ao reino de Deus. Era um pequeno grupo que recebera a ordem para pregar a todas as nações.No começo era  tão pequeno, que parecia insignificante, de pouca importância para o mundo e incapaz de suscitar grandes expectativas.  O desenvolvimento do crescimento do reino era vagaroso por causa das dificuldades a serem vencidas, tanto em relação aos inimigos do reino, quanto à negligência dos mensageiros.  Mas a mensagem de Jesus foi se espalhando, alcançando cada vez mais gente, em todos os lugares. A palavra foi pregada ao mundo (Colossenses 1.23) e o reino continuou crescendo.

No entanto, o reino de Deus ainda  preciso  ser anunciado. E  esta é um responsabilidade de todos os cristãos! Por isso, Jesus nos convida a semear. Lançar as sementes sem se importar com o tipo de terreno, apenas lançar para que o reino de Deus possa crescer. Ele conta com a nossa participação para preparar a terra, lançar a semente, vigiar para que os pássaros ou outros animais não destruam a sementeira e arrancar as ervas daninhas para que o reino não seja destruído. Mas Ele nos ensina que esse processo exige paciência e perverança, que são algo essencial para que reino de Deus possa crescer.   Não devemos desanimar quando não vemos resultados imediatos. Não devemos nos preocupar com o crescimento. Devemos deixar isso nas mãos poderosas de Deus. 

Portanto, estimados irmãos! Vamos semear a Sua Palavra com integridade , com fidelidade, de forma permanente e persistente.  De pequeno, crescerá até se tornar o maior reino da terra. Seu poder será sólido e duradouro, e se tornará algo grandioso, dando ideia de um crescimento bem-sucedido.  Precisamos apenas semear e  deixar que  o crecimento ocorra através do poder de Deus,pois temos a promessa de que o nosso trabalho no Senhor não é vão. A Palavra de Deus não volta vazia.   Somente no dia da colheita iremos de fato saber todo o resultado do nosso trabalho de semeadura . Amém!

 

domingo, 19 de maio de 2024

 TEXTO: SL 43

TEMA: POR QUE ESTÁS ABATIDA, Ó MINHA ALMA?

Este salmo é uma oração em que o salmista expressa  a sua tristeza,pois a sua alma está abatida. Abatimento é um termo que significa abaixar-se,curvar-se,dobrar em posição de desistir. Ele é algo que é percebível, notável,  porque  nasce “dentro” e nos mexe por “fora”. Ele perturba, incomoda, e, às vezes, revolta. Era desta forma que o salmista estava  se sentido: extremamente deprimido e desencorajado. Situação que também ocorre em nossa vida. Há momentos  em que nos sentimos tristes, desanimados e sem esperança. A verdade é nem sempre estamos bem. Isso é fato. Chegamos,muitas veze, ao extremo, como se não houvesse saída para nossos problemas, e lutamos para encontrar alegria e paz em nossas vidas. Nesses momentos, podemos nos identificar com o salmista que pergunta: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?”  

No entanto, o salmista não ficou preso ao seu abatimento. Ele nos lembra que o socorro pode ser encontrada em Deus. Quando esperamos em Deus e colocamos nossa confiança nele, podemos experimentar sua paz e alegria mesmo em meio às lutas e dificuldades da vida.Deus é nossa salvação e nosso refúgio em tempos de angústia. Ele é fiel e nos sustenta, mesmo quando não podemos ver a solução para nossos problemas. Quando nos sentimos abatidos, podemos nos voltar para ele em oração e encontrar força em sua presença. Como diz o salmista, “Espera em Deus, pois ainda o louvarei a ele,meu auxilio e Deus meu.”.

 Estimados irmãos! Diante de toda aflição sofrida, o salmista faz um apelo para que o Senhor lhe faça justiça.Este é o seu pedido:  “Faze-me justiça, ó Deus, e pleiteia a minha causa contra uma nação ímpia.” (v.1a).“Julga-me, ó Deus” ou “faça-me justiça, ó Deus.”  O apelo é feito através de dois verbos no imperativo: o primeiro é  שָׁפַט que significa  “julgar, defender a causa” e segundo é רִיב “advogar, processar.” O uso destes dois verbos, sugere um sentido jurídico.É evidente que os verbos não estão voltados para o julgamento processual do salmista.Mas são usados pelo salmista para pedir  que Deus o defenda e advogue em favor de sua causa, que Deus aja como um juiz ao decidir sobre seu pedido.É claro que o salmista não imagina ser perfeito ou inculpável, mas sabe que, sua disposição de buscar a Deus e de manter uma vida compatível como de um servo do Senhor, o faz estar longe do caráter daquele que lhe oprime, a quem ele descreve e pede ao Senhor: “Leve a julgamento a minha causa contra o povo infiel e contra o homem fraudulento e iníquo.”(v.1b). É provável que o salmista se refira à sua nação, pois sabe que ela está longe do ideal de Deus.

 No entanto, ao mesmo tempo em que o salmista declara a sua confiança em Deus ao dizer,  “pois tu és o Deus da minha fortaleza ” (v.2a), a sua  aparente declaração muda de função quando vemos os questionamentos levantados: “Por que me rejeitas? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?” (v.3). Ao repetir os questionamentos com veemência ,demonstra que o salmista não se sente apenas esquecido, ele se sente rejeitado.A palavra traduzida como “rejeitado” זָנַח - é uma palavra que implica um abandono,ou propriamente um ser sujo, rançoso, fedorento.As figuras que o salmista usa  aqui  denotam fragilidade, perturbação, fraqueza. Mas como pode alguém que crê em Deus como rocha, salvação e grande alegria pode lamentar dizendo por que me rejeitas? Por que ando lamentando? Por que te esqueceste de mim? Observa-se que o salmista encontra dificuldades de conciliar  que Deus é sua fortaleza, diante da  tribulação enfrentada, da situação deplorável que vive.

Situação que também ocorre em nossa vida quando os nossos conflitos, aflições e sofrimentos nos abalam e perturbam a ponto quetionarmos o nosso Deus: se Deus é todo-poderoso e bom, por que Ele permite tantas aflições e sofrimentos?Nem sempre as perguntas podem ser respondidas com palavras. Há casos, cuja solução é humanamente impossível, como a morte de alguém ou uma doença incurável. Essa é a hora em que só Deus é a resposta.Quando as inúmeras perguntas surgirem, olhemos para a cruz de Cristo, antes de questionarmos sobre as nossas dores e sofrimentos.A sua morte na cruz nos lembra tantas coisas que Ele fez por nos. O que  Cristo realizou na cruz,foi a maior expressão do amor de Deus por nós. O apóstolo Paulo escrevendo aos romanos declara que Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.Somos tão especiais para Deus, que Ele nos amou de tal maneira que deu a si mesmo, deu o seu único filho. Por amor, Jesus deixou a sua glória, o seu trono, esvaziou-se, tornou-se homem, servo, foi perseguido, preso, humilhado, açoitado, cuspido, envergonhado e pregado numa cruz.Portanto, foi na cruz que Ele nos libertou,redimiu,perdoou,salvou.Será que temos motivos para questionarmos o nosso Deus?

No entanto,precisamos entender estes questionamento do salmista. Eles não devem ser visto como uma incoerência, desconfiaça, mas como uma prática comum entre os oprimidos.Isto faz parte  de um conjunto formal de uma lamentação. A lamentação, ao contrário do murmúrio, contém queixa e expressão de fé, juntas, numa mesma sequência.Isto ocorreu na história do povo de Deus, em virtude da invasão babilônica e o desaparecimento do Templo. O sofrimento das pessoas e a urgente necessidade de ajuda, era uma forma do povo lamentar a Deus .Este sentimento de rejeição e do silêncio de Deus faz parte da história desse período. Lamentações de Jeremias é uma exemplo.

Nesse caso, o que o salmista tem em mente é que o Senhor atue fornecendo-lhe ,como  uma cidade fortificada. Condições de resistir aos ataques dos inimigos,pois ele quer ser protegido e resistir quanto tempo for necessário. Por isso,ele continua pedindo ao Senhor.É um declaração de confiança:  “Envia a tua luz e a tua verdade.”(v.3a).Aqui, o salmista pede que o Senhor  envie a sua אֵל (luz) e a sua אֶמֶת (verdade). Nas Escrituras, a palavra “luz” é frequentemente utilizada de forma figurada para se referir ao que é verdadeiro, justo e que representa o bem, como é o exemplo do dito de Jesus aos discípulos: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14).  Para o salmista, são instrumentos  de Deus para guia-lo e protege-lo  no caminho até o templo de Jerusalém.  Assim, ele olha para os justos preceitos de Deus e espera ser beneficiado. Enfim, o seu  objetivo  é ser alcançado pela luz e pela verdade, nesse caso, é:  “para que me guiem   e me levem ao teu santo monte   e aos teus tabernáculos.”(v.3a).

 Na verdade, o salmista quer ir ao altar de Deus, sua morada e realizar sacrifícios de louvor (gratidão e ações de graças): “Então, irei ao altar de Deus.” (v.4a). O altar de Deus,conforme o termo hebraico מִזְבֵּחַ , significa “um local de matança ou sacrifício.” Ir ao altar de Deus para o salmista era motivo de grande alegria (v.4b). O hebraico traduz como “a alegria de minha alegria.” ou seja, que Deus era a fonte de sua alegria, de modo que encontrou nele toda a sua felicidade.Ele irá com grande alegria  a Deus e o louvará ao som de harpa. (v.4c). Como é maravilhoso saber que Deus nos proporciona muitas alegrias na nossa vida:alegria na familia,no trabalho,entre os amigos,na igreja.Mas de todas as alegrias, Deus mesmo é a maior alegria.E somente Ele  pode nos dar a verdadeira alegria,pois alegria do mundo é passageira.

No entanto é preciso estar em comunhão com Deus para que Ele possa nos proporcionar a verdadeira alegria. Somente na sua presença conhecemos esta  alegria. Isto ocorre quanto estamos disposto a ir ao altar de Deus. Alegramos no Senhor quando caminhamos para seu altar.Nunca seremos, genuinamente, felizes. enquanto não formos ao altar de Deus, ao Deus da nossa grande alegria. O que Deus espera de nós é a nossa vida sobre o altar, porque Ele é digno da nossa confiança e do nosso amor!Nossas vidas sobre o altar representam uma dedicação total, eterna e incondicional ao nosso Deus. A ele pertencemos! Mas só conhecemos Deus como nossa alegria quando afirmaos: Ele é o meu Deus da minha vida. Para o salmista  não era apenas Deus como tal que ele desejava adorar, ou a quem ele agora apelava, mas Deus como seu Deus: “ó Deus, Deus meu.”(v.4d).  O Deus a quem ele havia se dedicado e a quem ele considerava seu Deus mesmo em aflição e problemas.Deus já é alegria em sua vida?

O autor do Salmo encontrou consolo quando pensou no seu grande privilégio de adorar ao Senhor ao som da harpa. Com esse pensamento confortante, o salmista cantou o refrão do seu hino: Por que estás abatida, ó minha alma?   Por que te perturbas dentro de mim? (v.5a).   O termo “abatida” significa inclinar, agachar, curvar-se.É alguém que está enfraquecido,caído, derrubado, diminuído, debilitado. Esta era a situação do salmista.Ele sabia que por maior que fosse a dor e as lembranças que o levaram a estar abatido, ele preferiu esperar em Deus: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei; a ele, meu auxílio e Deus meu.”(v.5b). Que descanso! Que esperança! O salmista ainda afirma no versiculo 8 do Salmo 42: “Contudo, o Senhor, durante o dia, me concede a sua misericórdia, e à noite está comigo o seu cântico, uma oração ao Deus da minha vida.” O salmista,um vez  enfraquecido e desanimado,louva ao Senhor pela sua miseircórdia , seu favor imerecido, e mais do que isso, o cântico de Deus encherá o seu coração. Aquela era uma música suplicante,isto é, era uma música que suplicava pela vida do salmista.

Esta é a mesma pergunta que fazemo diariamente,pois há momentos em que nossa   alma está aflita e abatida. Momentos complicados que não encontramos uma saída.Momentos onde as lágrimas são inevitáveis. Momentos em que tentamos ser fortes, tentamos suportar, mas  a tristeza inunda nosso coração, de uma hora para outra,  tentando roubar nosso ânimo, nossas motivações e nossa esperança. Saímos do controle de Deus e agimos seguindo nossas emoções e sentimentos, esquecendo da fé. Este agir pelos sentimentos e emoções nos causam sofrimentos e angústias. Parece que chegamos ao fim, onde o prazer de viver é substituída por uma forte vontade de morrer,

O que fazer quando a alma fica abatida? Muitas pessoas buscam inúmeras curas  e tentam escapar das realidades deprimentes de suas vidas através das drogas, bebida, suicidio, etc. É algo que melhora ou alivia momentaneamente, mas não é capaz de curar ou resolver o problema. No entanto,o salmista apresenta algo consistente para a nossa alma: “ Espera em Deus, pois ainda o louvarei; a ele, meu auxílio e Deus meu.”(v.5b). Será que sabemos esperar? Na verdade,ninguém gosta de esperar.Pertencemos a uma geração que exige informação instantânea. Estamos acostumados a termos tudo rápido: comida instantânea, entrega imediata, fila preferencial, comunicação direta etc.Enfim,queremos que os problemas sejam resolvidos em curto prazo e as respostas devem ser imediatas,e com isso, ficamos ansiosos, inquietos e impacientes. Simplesmente não sabemos esperar.

Também na vida espiritual muitos  querem que Deus responda seus pedidos imediatamente,pois não sabem esperar. Esperar em Deus  é uma grande prova de confiança. É entregar todas as nossas inquietações, depositar toda a nossa confiança, independentemente, de qualquer coisa que aconteça. A Palavra nos ensina que precisamos aprender a esperar em Deus, esperar pelas promessas, pela vontade de Deus na nossa vida.No Salmo 27, verso 14, vemos algumas razões para esperar em Deus. “Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor”.Se temos que esperar, que façamos isso como filhos amados, confiando na bondade do nosso Pai, pois sua Palavra nos assegura, a sua promessa é verdadeira, de que Ele faz com que todas as coisas cooperem para o bem dos seus Filhos.Por isso, não temos motivos para nos angustiarmos e vivermos abatidos e desanimados.Você tem esperado em Deus mesmo diante de dificuldades na vida?

Estimados irmãos! Enquanto vivermos aqui, neste mundo, estamos sujeitos a enfermidades, tribulações, sofrimentos, situações diversas que trazem à nossa alma um profundo abatimento, uma sensação de que as portas estão fechadas para nós e ninguém está nos ouvindo.Mas façamos como o salmista! Busquemos à presença de Deus em meio às nossas próprias lutas e dificuldades. Lembrando de que Deus está sempre conosco. Ele  é fiel e poderoso para nos ajudar a superar qualquer obstáculo, e que podemos confiar Nele em todos os momentos. Amém!

 

APONTAMENTOS


 Muitos manuscritos hebraicos antigos apresentam o Salmo 42 e 43 como uma única obra. Eles até compartilham frases em três locais, marcando o término de cada divisão da poesia (Sl 42.5,11; 43.5).  Compartilham temas como de luto, opressão (Sl 42.9, 43.2) e a presença de Deus (Sl 42.2; 43.4), formando,assim, um salmo de lamentação individual. Ele não possui titulo, o  que torna plausível ser uma continuação do Salmo 42.

 

sábado, 18 de maio de 2024

 TEXTO: JO 3.1-17

TEMA: IMPORTA-VOS NASCER DE NOVO

Hoje celebramos o primeiro domingo da Santíssima Trindade. São domingos em que a igreja cristã medita sobre a ação do Espírito Santo, ou seja, o relacionamento da igreja com o Espírito Santo, a santificação, a luta da igreja contra o mal e os tempos do fim.

Diante do tema exposto, “Importa-vos nascer de novo”, surge à pergunta: Havia necessidade de nascer de novo? Afinal, Nicodemos era homem justo e piedoso. Era membro do Sinédrio. Fazia parte da elite dos líderes religiosos. Era “um dos principais dos judeus” (v.1) e mestre da lei, pois estudava, interpretava e ensinava as Escrituras ao povo. Era um homem extremamente religioso, frequentava assiduamente as sinagogas, dava esmolas e era fiel nos dízimos.

No entanto, apesar de todas as suas qualidades e méritos religiosos, Nicodemos era um homem perdido, que não tinha ainda alcançado a verdadeira salvação.  Precisava “nascer de novo.” Sendo assim, foi em busca de maior entendimento do que Jesus falava sobre “nascer de novo”. Jesus conversa com Nicodemos. Jesus o corrige, mostra a necessidade de “nascer de novo”, e com amor o explicou e lhe deu o entendimento do verdadeiro sentido.

Mas, afinal, em que consiste este “nascer de novo?” Seria “voltar ao ventre materno?” Como ironicamente perguntou Nicodemos! Não! “Nascer de novo”, é um afogar do velho homem e um nascer do novo homem. É uma renúncia ao pecado e um despertar para Deus. É ter uma fé inabalável em Cristo como único Redentor. E isto é possível pela água e pelo Espírito Santo. Pelo batismo e pela Palavra de Deus, por ambos o Espírito Santo realiza o novo nascimento. Jesus apresenta a Nicodemos às necessidades deste novo nascimento: Em primeiro lugar, porque o que é nascido da carne é carne. E carne não pode herdar o reino dos céus. Em segundo lugar, porque sem o renascer, não podemos ver o reino de Deus. Enfim, porque renascido para Deus temos vida em Cristo.

Os últimos acontecimentos ocorridos na cidade de Jerusalém causaram um verdadeiro alvoroço, especialmente, na vida dos fariseus. Jesus havia realizado o seu primeiro milagre em Caná da Galileia e com autoridade expulsou os que vendiam animais no templo, bem como os cambistas que estavam se aproveitando do ambiente para fazerem negócios. Além disso, a forma como Jesus ensinava, chamando às pessoas ao arrependimento e fé, abalou a religião dos fariseus e seus alicerces, pois sua religião consistia no cumprir cerimônias eclesiásticas e na disciplina pessoal. Em outras palavras, consistia em praticar as boas obras.

Os fariseus que viram Jesus expulsando os mercadores do templo, não queria realmente sua presença, e ainda questionam, dizendo: Quem é este? Por que procede desta maneira? Com que autoridade? Ferido em seu orgulho, os fariseus agrupavam-se para formarem oposição a Jesus. No entanto, um homem, de nome Nicodemos, tomou outro caminho. Não conseguia suportar a dúvida, pois sentia uma sensação de vazio e de incerteza em seu coração. Sendo assim, certo dia, procurou Jesus no silêncio da noite, às escondidas para saber a verdade. Preferiu fazer à noite, este encontro com Jesus para evitar críticas dos demais membros do Sinédrio.

Impressionado com as palavras de Jesus, ele reconhece o valor profético dos sinais realizados pelo Senhor: “Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes se Deus não estiver com ele.” (v.2b) Nicodemos reconhece que Jesus é mestre e tem autoridade divina.  A palavra Rabi significa “professor, mestre” ou literalmente "grande". O termo é utilizado dentro do judaísmo para definir rabinos de grande importância em uma determinada área de atuação, servindo como um título que significa "mestre" ou "aquele que detém grande conhecimento”. Jesus era mais que um Rabi. Era o Messias, porém isso, Nicodemos ainda não admitia.

Nicodemos quando chama Jesus de mestre, a sua expectativa era aprender de Jesus o necessário para viver melhor. Mas Jesus, surpreendentemente, não lhe ensina esse algo mais que ele procurava. Para o Jesus a questão não é melhorar nesse ou naquele ponto, mas mudar completamente o rumo de sua vida. Ao contrário do que Nicodemos pensava, Jesus fala do poder de sua cruz e de um novo nascimento no Espírito Santo. Jesus disse: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, (ανουεν) não pode ver (ιδειν) o reino de Deus.” (v.3). A duplicação inicial das palavras de Jesus, mostra que suas palavras são verdadeiras. É uma afirmação enfática. Mostra que ninguém pode ver, conhecer, identificar o reino de Deus sem o “nascer de novo”. Mostra a Nicodemos que se trata de um assunto da mais alta importância: a sua salvação.

Entretanto, Nicodemos, admirado pela imediata afirmação de Jesus, ele procura defender-se, uma vez que Nicodemos não fez uma pergunta. Jesus havia respondido imediatamente. Por isso, seu coração está inquieto e confuso. Sua voz assume um tom áspero. Ele parece não entender bem a proposta de Jesus e, pensando em termos racionais, lança novos questionamentos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (v.4). Estas colocações revelam que Nicodemos entendeu “de novo” sem a menor dúvida. Como pode? Eu nascer de novo, para quê? Será que minha conduta moral não está em ordem? Será que me falta conhecimento? Será que sou leviano em questões religiosas? Nascer de novo. Conheço profundamente a Bíblia. Tomo a religião muito a sério. Minha vida é exemplo. Tenho boa fama. O povo ao me eleger para o Sinédrio testemunhou disto. Toda a minha vida, desde a infância consistiu em prestar culto a Deus. Cumpro rigorosamente as cerimônias da igreja e vivi uma vida altamente disciplinada. Não compreendia, porque Jesus lhe dizia ser necessário nascer de novo

Muitos querem entrar no Reino de Deus como Nicodemos. Procuram justificar-se a si mesmo, enumeram: sou batizado, sou confirmado, vou à igreja, participo da Santa Ceia e contribuo. Não sou assassino, nem adúltero, nem ladrão. E como tal, estou em dia com o meu Deus. São pessoas que vivem com seu coração endurecido, que pensam somente em si, que não conseguem compreender o imenso amor de Deus por nós. Na verdade, precisamos fazer uma análise da nossa vida. O nosso coração precisa de limpeza; precisa ser trocado, pois ele é egoísta, mundano, influenciado pelo pecado, e devido a isso não pode ouvir a voz de Deus, seguir suas orientações e o caminho que ele nos propõe a seguir.

Para Nicodemos não havia necessidade de um “nascer de novo”. Segundo ele, o simples fato de ser descendência de Abraão lhes conferia o reino de Deus. Era uma concepção totalmente errada. E Jesus derruba tal conceito exigindo como condição, para entrar no reino de Deus o novo nascimento. Deixa bem claro que no reino de Deus não se concede por hereditariedade, mas procede de “nascer de novo”: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.” (v.5a). Jesus não retira o que disse. Ao contrário, confirma-o, especificando que o nascimento deve ser por meio “de água e de Espírito”. E ainda reforça a sua colocação. Ele é enfático ao afirmar: o que é nascido da carne é carne; e o é nascido do Espírito é espírito (ἐκ τοῦ πνεύματος πνεῦμά ἐστιν). (v.6).

O que se conclui que carne não pode herdar o reino dos céus. Todas as obras da carne, por mais brilhante que sejam, são corrupção. Provém do egoísmo. São inimizade contra Deus. Além disto, a imaginação do coração humano é má desde a sua meninice. Portanto, viver na carne é satisfazer a vontade dela; é estar nos caminhos pecaminosos. É satisfazer o seu próprio desejo de realização. O que é nascida da carne produz frutos da carne. O apóstolo Paulo fala, em Gálatas 5.17-23. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, distensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e cousas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o Reino de Deus os que tais cousas praticam.” 

Somos exortados a andar no Espírito. A nossa vida cristã, em última análise, consiste em sermos guiados pelo Espírito. A meta das nossas vidas é cumprir a obra do Espírito, que é pregar o evangelho da água e do Espírito. Esse é o centro da vida cristã: Deus habita em nós na pessoa do Espírito. Em várias cartas, Paulo chama atenção sobre o perigo de existirem nas igrejas pessoas vivendo conforme as obras da carne. Essas pessoas causam discórdias, atrapalham o crescimento e dão péssimos testemunhos. Sendo assim, ele aconselha: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.” (Gl 5.16-18).

O diálogo de Nicodemos com Jesus estende-se. Quase num último esforço, diante da incompreensão de Nicodemos, Jesus volta a dizer-lhe. Não te admiras. Você não o poderá compreender. Nem é necessário. Na natureza há também muitas coisas que você não compreende o vento por exemplo. O vento é uma realidade. Vemos a sua força, sua ação sopra onde quer, ouve-se o seu ruído, mas não se sabe donde vem.  Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito. (v.8), afirma Jesus. Nicodemos sente o impacto dessas palavras. No entanto, mesmo diante desta figura que Jesus usa, Nicodemos luta contra as palavras de Jesus. Ele não quer deixar afogar-se. Ele não quer morrer, não quer dar lugar ao Espírito.

Nicodemos necessitava de uma mudança em seu coração, uma transformação espiritual. De fato, a mudança também deve acontecer em nosso interior.  É preciso tirar tudo o que está estragado e colocar algo novo em nossa vida. Esta mudança em nosso coração apenas o Espírito Santo é capaz de realizar.  “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O Espírito Santo é que nos converte, regenera e arranca o nosso “coração de pedra” e coloca um coração cheio de fé, amor, bondade e compaixão. Então, sim, teremos paz com Deus. E tendo paz com Deus, seremos criaturas felizes e alegres. E já nenhuma tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada nos separara do amor de Deus. Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecer fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus.

Com muito amor Jesus revela o plano da salvação, diante da pergunta que Nicodemos fez: “Como pode suceder isso?” (v.9). Primeiro Jesus exemplifica que aconteceu no deserto no tempo de Moisés: “Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, da mesma forma importa que o Filho do homem seja levantado…” (v.14). Esse episódio aponta diretamente para Cristo. A imagem suspensa da serpente de metal faz-nos lembrar do sacrifício de Jesus Cristo realizado na cruz. A imagem da serpente de bronze apresenta-se como prefigura da ação redentora de Jesus Cristo na cruz. E não há outra salvação para os homens, senão olhar para a verdadeira serpente de bronze, Jesus Cristo crucificado. Qual o objetivo deste sacrifício? Para que todo que nele crê tenha a vida eterna (v.15). Este é o reino de Deus, a vida eterna. Daí a importância de “nascer de novo”.

Respondendo à pergunta de Nicodemos, podemos afirmar que só pela obra salvadora de Jesus Cristo, levantado e glorificado na cruz, é que se pode experimentar o novo nascimento, entrar na vida eterna, ver o Reino de Deus. Portanto, o nosso olhar deve estar voltado para aquele que assumiu todos os nossos pecados e fracassos para que pudéssemos ser perdoados. Para aquele que sofreu a morte para que nós tivéssemos vida e salvação na cruz. Por isso, olhemos para Jesus, pois Dele vem o amor, a fortaleza e a salvação. Olhemos para Jesus na cruz, pois Jesus tem algo a nos dizer, há um lugar para você no coração de Deus. Você sempre pode voltar. Deus te aceitará de volta e te conduzirá pela estrada da vida. Ele afirma: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (v.16).Após esta mensagem de Jesus a Nicodemos, Ele,agora, reforça a sua missão salvadora, afirmando que Ele veio ao mundo para salvar, e não para condenar. Não era levar os homens a um julgamento, mas sim à salvação : “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (v.17). 

Prezados irmãos! Na vida de Nicodemos aconteceu o novo nascimento. Mais tarde vamos encontrá-lo defendendo Jesus diante do Sinédrio e por ocasião do sepultamento, ajudou a descer o corpo de Jesus da Cruz. Faça como Nicodemos. Deixe que o Espírito Santo faça você nascer de novo. Deixe renovar seu coração, seu espírito, e com toda a certeza você terá uma feliz e abençoada vida com a presença do Senhor Jesus em tua casa, família e na vida profissional. Amém.

 TEXTO: SL 130

TEMA: NO SENHOR ENCONTRAMOS O PERDÃO

O Salmo 130 é considerado um salmo de romagem, ou cântico de subida. Era cantado enquanto o povo caminhava em direção ao templo, se preparando para adorar ao Senhor. Ele relata a situação de uma pessoa que ora, suplicando perdão ao Senhor pelos seus pecados. Assim, como o salmista aguardava uma declaração de perdão por parte do Senhor, esperando por uma palavra de absolvição, também temos a possibilidade de apresentarmos nossas súplicas e esperarmos por uma palavra de perdão da parte do Senhor, pois no Senhor encontramos este perdão. Por isso, peçamos ao Senhor que ouça a nossa súplica, pois Ele quem nos redime de todas as nossas iniquidades.

Davi inicia este salmo ao expressar todo o seu sofrimento que estava enfrentando. Havia uma profunda angústia na vida do salmista, que o levou a clamar: “Das profundezas clamo a ti, senhor”. (v.1). O fato de pedir socorro demonstra a profundidade de seu sofrimento. Mas o que significa profundezas? Refere-se a uma metáfora usada pelo salmista para explicar a sua situação. Das profundezas no texto se referem literalmente as águas profundas, abismo, os lugares mais obscuros e sombrios. Traz a ideia de aflição, miséria total, dor, solidão e sofrimento; situação de desespero, frustração, derrota. Enfim, de insegurança profunda, fracasso e desespero, de certeza onde a vida parece que está a um fio da morte ou do fim de sua existência.

Que situação horrível estava vivendo Davi! Na verdade, ele não estava falando dos seus problemas no dia a dia, mas de seu afastamento de Deus por causa de seus pecados. O pecado o causava aflição, culpa e amargura. Por isso, se sentiu angustiado porque todos seus pensamentos estavam concentrados em como Deus iria tratar seu pecado, uma vez que estava em falta com Deus, e Deus estava cobrando um perfeito arrependimento de seu servo. Ele não tinha outra opção. Precisava do socorro do Senhor. Somente o perdão divino poderia tirá-lo do mais profundo abismo. Neste momento, ele entende que não basta só clamar. Era preciso orar: “Escuta Senhor, a minha voz; estejam alertas os teus ouvidos às minhas súplicas”. (v.2).

Constantemente também passamos por grandes tribulações, profundezas espirituais, sofrimentos e adversidades, dos quais ficamos muito abalados. São sofrimentos oriundos das crises financeiras e conjugais, enfermidades, frustrações, ameaças, solidão e a nossa negligência espiritual. Mas como sair das profundezas? Clamando ao Senhor! Deus quer nos tirar das profundezas e renovar o nosso coração Quando nos encontramos nessa situação devemos olhar para o Senhor, o único que pode nos salvar, e clamar por socorro, pois temos um Deus em quem nós podemos sempre confiar. Ele sempre está conosco. Por isso, clame pelo socorro do Senhor e ele te ouvirá e virá ao teu encontro ministrando conforto, paz e alegria interior em tua vida.

Davi sabia que se não fosse a misericórdia do Senhor nem ele mesmo estaria vivo. Ele mesmo afirma: “Se observardes, Senhor, as iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?” (v.3). Se tivesse que prestar contas de cada pecado que cometeu, e se Deus anotasse e o castigasse por todos os pecados, como poderia subsistir diante dele?  Quem, Senhor, subsistirá? É a pergunta que Davi faz. A resposta é: Ninguém. Porque o pecado mata. Ninguém subsiste a ele. Mas Davi tem uma notícia maravilhosa: “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”. (v.4). Por isso, para o salmista a única solução está no perdão, e o perdão só pode ser alcançado no Senhor. Deus lhes apagará do coração todas as suas transgressões. Não porque merecia, mas somente porque Deus é gracioso.

Assim como o salmista, todos nós precisamos ter a consciência de que somos pecadores. É preciso reconhecer que sem a misericórdia do Senhor nenhum de nós resistiria. “Não há quem faça o bem, não há nem se quer um”, “Não há justo, nem um sequer”, estas afirmações devem estar sempre diante de nós para que nunca o orgulho ou a presunção de que somos melhores que os outros tomem conta de nossas mentes. Quando reconheçamos os nossos pecados e pedimos perdão ao Senhor, há paz em nosso coração. Por mais graves que sejam as ofensas cometidas contra Deus, você pode ter certeza absoluta de que Deus ouvirá e atenderá a tua oração, se você se aproximar do Senhor com humildade, reconhecendo as faltas e pedir perdão. Você já experimentou esta paz em seu coração?

Depois de buscar ajuda no Senhor, o salmista se mostra paciente. Confia e espera na palavra do Senhor. (v.5). A palavra do Senhor é a esperança para quem vive nas profundezas. Ninguém que espera em Deus, permanece nas "profundezas." O apóstolo Pedro, numa ocasião, fez uma pergunta a Jesus: Para quem iremos? Ele apresenta dois motivos da sua permanência em Jesus. Primeiro: “Tu tens as palavras da vida eterna”. (v.68b). Pedro respondeu com uma confissão de fé. Só Jesus tem as palavras da vida eterna. Segundo motivo para permanecer em Jesus, Pedro conclui com uma lúdica verdade: “nós temos crido e conhecido que tu és o santo de Deus”. (v.68c).

Esta foi a decisão firmada com tanta convicção, o caminho que Pedro tomou. O que tinha ouvido e visto na companhia de Jesus, o convenceu que valia a pena ficar com ele, e ouvir as suas palavras.  Palavras que não mentem, não enganam e não falham; é a verdade infalível e imutável.  Palavras que anunciam pleno perdão de todas as nossas transgressões. Que nos asseguram a vida eterna nas mansões celestiais. Por isso, ao sabermos que Jesus tem as palavras da vida eterna, é importante dizer que não temos outro refúgio nos momentos de angústia do que a presença de Jesus, porque somente Ele é o Deus que nos pode socorrer. Os ídolos criados pelo homem não falam, não respondem. Também não é na ciência e na filosofia que o homem encontra a salvação. Mas unicamente no Cristo que tem as palavras da vida eterna. Portanto, seria um absurdo voltar a seguir outros caminhos ou buscar outras pessoas para nos tirar das “profundezas”.

O salmista, agora, demonstra uma imensa vontade e anseio de ter uma vida de relacionamento diário com Deus. Ele afirma: “A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã”. (v.6). A expressão “minha alma anseia” significa desejar ardentemente. A sua alma estava sedenta em buscar os caminhos de Deus, de nunca desistir. Esta sua atitude, ele compara com os guardas ou sentinelas que vigiavam durante a noite, que viviam momentos de preocupação com os perigos dos invasores durante a noite. Mas sentiam-se aliviados quando chegava o novo dia! Eles não desistiam! Dessa forma, o salmista desejava ansiosamente a chegada do perdão de Deus, que traria imenso alívio.

Portanto, salmista recebeu aquilo que pediu. O perigo teria passado, e a sua comunhão com o Senhor seria restaurada, porque ele sabia que em Deus encontraria misericórdia e ampla redenção. Ele não se encontra mais nas profundezas. Agora, ele pode, por sua vez, exortar e incentivar o povo de Israel a pôr sua esperança no Senhor. Ele dá testemunho de que no Senhor há misericórdia, e nele há copiosa redenção. (v. 7). Se ele próprio não tivesse sido atendido por Deus, ele jamais exortaria seu povo a ter confiança em Deus. Ele não tem dúvida alguma de que o Deus que o redimiu, redimirá também o povo de Israel. E tem certeza de que o Senhor, assim como não o abandonou, tampouco abandonará o povo.

É assim que devemos desejar a ajuda do Senhor. Esperar com paciência e ter perseverança. A palavra esperar pode parecer difícil, às vezes, até perdemos a paciência esperando por alguma coisa, mas há uma espera que vale a pena: esperar no Senhor. Quaisquer que sejam nossas necessidades, circunstâncias e problemas, nossa primeira solução deve ser esperar no Senhor e em seu auxilio. Devemos ser pacientes e esperar plenamente no Senhor. Por isso, é tempo de buscar o Senhor!

 Precisamos reconhecer nossa fragilidade, nosso pecado, nossas iniquidades, e corrermos na direção de Deus e implorar pelo perdão! Por isso, clame pelo socorro do Senhor e ele te ouvirá e virá ao seu encontro ministrando conforto, paz e alegria interior em sua vida. Amém!