domingo, 28 de dezembro de 2025

 TEXTO: NM 6.22-27

TEMA: DEUS QUER ABENÇOAR O SEU POVO!

 Final de mais um ano! Alegrias, tristezas, realizações e conquistas fizeram parte na vida de muitas pessoas durante 2025. O simples fato de olharmos para trás e avaliarmos o ano que termina, mexe com nossas emoções. Afinal, perdemos, ganhamos, festejamos e derramamos lágrimas. Foram tantas frustrações, pois os nossos planos não deram certo. Contudo, o mais importante é refletir o quanto Deus nos abençoou e nos protegeu, e pensar que para alcançar os nossos objetivos, para chegar ao final da nossa caminhada foi preciso superar os obstáculos com muita fé e perseverança. Aliás, a vida é cheia de obstáculos, pois nunca na vida estamos totalmente em paz, sempre alguma coisa nos incomoda quer no trabalho, quer na vida familiar, quer no aspecto financeiro. Apesar dos obstáculos, a nossa missão foi cumprida em 2025.

No entanto, um novo ano se aproxima, e com ele almejamos novos desafios, velhos sonhos e aspirações. Mas como vamos terminar este ano e iniciar o ano de 2026? Será que estamos preparados para novos desafios que virão em 2026? Muitos acreditam que sim! São pessoas que procuram opções que lhe traga segurança sobre um futuro incerto, através de horóscopos, mapas astrais, videntes, tarô, jogo de búzios, quiromancia e tantas outras opções. Outras para garantir um ano novo, realizam os mais diversos rituais. Usam roupa nova na noite da virada, comem lentilha. São supersticiosos e seguem algumas tradições e simpatias para garantir sorte, amor e prosperidade. 

No entanto, não é a melhor atitude neste momento para o início de um novo ano. O que precisamos são palavras de   fortalecimento e disposição de ir adiante. Definir onde estamos apoiando a nossa confiança e esperança. Precisamos também pensar nas responsabilidades, desafios, metas, compromissos, conflitos a serem enfrentadas no novo ano. Talvez, o mais importante seja a disposição para abraçar 2026 com firmeza e otimismo. É evidente que Deus não pode ficar fora nesta caminhada, uma vez que, o ano que inicia é terra desconhecida. Por mais que nos esforcemos, não podemos saber o que está a nossa espera e o que nos atingirá no percurso deste ano de 2026. Mas sejam quais forem os obstáculos, não podemos perder as metas de vista, é preciso ter ânimo! É preciso renovar a disposição de seguir em frente, de revigorar o otimismo de continuar a caminhada. E a melhor forma de começar o ano é com a Palavra de Deus. É através da Palavra de Deus que aprendemos a tomar atitudes, que agradam a Deus neste novo que se inicia.  É através da Palavra de Deus que aprendemos a forma como estamos conduzindo nossas vidas diante dos homens e, principalmente, do Senhor.

O texto de hoje tem muitos ensinamentos a nos transmitir. Ele fala da bênção sacerdotal, bênção que o Senhor ordenou a Moisés que instruísse Arão e seus filhos sobre o modo correto de como deveriam proceder ao abençoar o povo de Israel: Diga a Arão e aos seus filhos: Assim vocês abençoarão os israelitas: O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor levante sobre ti o Seu rosto e te dê a Sua paz...”. Esta é a bênção que recebemos dominicalmente no culto. Ela apresenta promessas que tem um profundo conteúdo e significado para o ano que hora inicia. Primeiro: “O Senhor te abençoe e te guarde”. (v.24). É a garantia da segurança e proteção de Deus para com o seu povo. Aconteça o que acontecer, seja de dia ou de noite, Ele sempre irá nos proteger, irá cuidar dos nossos passos em todos os momentos de nossa vida.  Você pode usufruir desta proteção de Deus. Veja o que disse Davi: “Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará” (Sl 37.5). 

Segundo: “O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti.” (v.25). É a forma como Deus se apresenta. Ele olha favoravelmente para o seu povo, ou seja, o rosto de Deus voltado em direção a alguém significa sua presença no sentido de um relacionamento próximo e íntimo. Isso só é possível por sua infinita misericórdia, que por sua graça derrama o perdão. Terceiro: “O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”. (v.26). Quando alguém desfruta da bênção, da proteção, da misericórdia e de um relacionamento especial com Deus, o resultado não pode ser outro se não a paz. Esta paz é a certeza de que o seu povo vencerá as batalhas e os conflitos. Mas essa paz não é apenas a simples percepção humana de paz, como sendo meramente a ausência de problemas e discórdias, mas é um estado sublime de bem-estar que repousa apenas sobre aqueles a quem a bênção de Deus é derramada. Deus nos dá atenção e está sempre tomando conta de quem O ama. Ele não abandona na hora da dificuldade (Salmos 23.4). Podemos viver em paz porque nosso Deus tem seu rosto virado para nós!

Deus também quer abençoar o seu povo do presente século, pois a mesma bênção que Deus concedeu a Abraão e sua descendência, também se estende, aqueles que creem em Deus, pois o Senhor nos escolheu para sermos seus filhos, mediante Jesus Cristo que morreu na cruz para nos salvar. Este ato de amor, Deus demonstra através de sua Palavra. Ele nos concede bênçãos materiais, como a saúde, a comida, as vestes, o lar, e nos concede salvação. Por isso, rogamos a Deus que nos abençoe, ilumine nosso caminho, afastando de todos nós o pensamento de desesperança e de descrédito em nosso semelhante. Tenhamos força e tranquilidade para enfrentarmos as tormentas que hão de vir e que os sentimentos de coragem, superação e justiça possam estar presentes em nossos novos dias.

Portanto, que o nosso caminhar seja um momento de felicidade, e que todas as nossas decisões sejam feitas com muita sabedoria. Muito sucesso e que Deus nos proteja e nos guarde, na esperança de estarmos juntos em 2026Amém!

 TEXTO: SL 8

TEMA: A MAJESTADE DE DEUS E A DIGNIDADE HUMANA

Estimados irmãos em Cristo! É uma grande alegria e um privilégio estarmos reunidos, com nossos corações abertos para ouvir a Palavra de Deus. Hoje, celebramos o Domingo da Santíssima Trindade. Este é um domingo em que a Igreja Cristã reflete sobre a ação do Espírito Santo, ou seja, sobre a relação entre a Igreja Cristã e o Espírito Santo, a santificação, a luta da Igreja contra o mal e os fins dos tempos. O Salmo 8 serve como fundamento para a nossa meditação neste Domingo da Santíssima Trindade. Trata-se de um salmo breve, mas de uma profundidade imensa, que nos convida a contemplar a grandeza do Criador e,ao mesmo tempo, um hino de louvor e admiração pela dignidade que Ele concedeu à humanidade. 

Mas o que o salmo nos ensina sobre a criação de Deus? Primeiro, nos revela que uma mera contemplação dos céus (lua, estrelas, etc.) é suficiente para atestar a glória, a sabedoria e o poder infinitos do Criador. Não necessitamos de elaborados argumentos filosóficos para reconhecer a existência e a magnificência do Senhor. A própria natureza clama por Sua majestade.

Segundo, mesmo por meio dos mais simples e humildes (como crianças e bebês), Deus estabelece Sua força, demonstrando que Seu poder não depende da grandiosidade humana, mas é inerente a Ele, manifestando-se de maneiras inesperadas.

Terceiro, nos ensina que a humanidade possui um valor intrínseco, uma dignidade singular que emana diretamente de Deus, e não de suas próprias realizações ou capacidades. Somos criaturas dotadas de um propósito divino, distinguidas e honradas pelo próprio Criador.

Enfim, Deus não apenas nos dignificou, mas nos concedeu domínio sobre "as obras das Suas mãos", colocando "tudo debaixo dos seus pés". Isso inclui os animais (ovelhas, bois, animais do campo, aves do céu, peixes do mar). Ao exercermos essa mordomia com sabedoria e amor, estamos, de certa forma, refletindo a própria glória de Deus que nos foi confiada.

Ao refletir sobre a grandeza do universo, como me sinto em relação à minha própria existência? Como a imensidão do universo (céus, estrelas, lua) o que me leva a glorificar a Deus, hoje? De que forma, em nossa vida, a glória de Deus se manifesta até mesmo através de coisas ou pessoas "pequenas" ou "simples", como as crianças mencionadas no salmo? Em que áreas da minha vida eu preciso melhorar minha mordomia sobre aquilo que me foi confiado (tempo, talentos, recursos materiais)? São perguntas que requerem respostas diante da nossa meditação.

O salmista inicia e conclui este salmo com uma exclamação de admiração e louvor: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” (v.1a). Observem que Davi emprega duas designações distintas para o nome do “Senhor.” O primeiro nome, escrito com letras maiúsculas em Hebraico, refere-se a יְהוָה (Yahweh). Este é o nome verdadeiro de Deus, revelado a Moisés na sarça ardente. Trata-se do nome pessoal e sagrado do Deus da aliança. O segundo nome, por sua vez, denota "senhor", "mestre", "soberano", exercendo como um título. Essa dupla afirmação do salmista é uma confissão de fé coletiva (Senhor nosso). Isto significa que o Deus de Israel, não é nenhum tipo de divindade nacional, como se pode ver nos povos vizinhos do Antigo Oriente.É desta forma que Davi se dirige a Deus neste Salmo, tanto pelo nome quanto pelo título divino. Ele procede dessa maneira, porque o "nome" de Deus aqui simboliza Seu caráter, autoridade e revelação. Ele  transcende a mera palavra. É uma manifestação de Sua natureza, poder e amor. Como  Deus é magnifico! Por isso, devemos agradecer todos os dias o dom da vida e por sermos filhos do altíssimo,

Mas  a majestade de Deus não é vista apenas na terra, mas também no céu. O céu é o lugar por excelência da habitação e da atuação de Deus. É no céu que a glória de Deus se manifesta de forma visível: “Tu puseste a tua glória acima dos céus” (v.1b). Aqui,  termo הוֹד (glória) denota grandeza, esplendor e excelência. Essa afirmação ressalta a  majestade   e o poder de Deus manifestos através da criação. Ela nos revela que uma mera contemplação dos céus (lua, estrelas, etc.) é suficiente para atestar a glória, a sabedoria e o poder infinitos do Criador. Não necessitamos de elaborados argumentos filosóficos para reconhecer a existência e a magnificência do Senhor. A própria natureza clama por Sua majestade. A Bíblia nos ensina que a natureza é um poderoso testemunho da glória de Deus. O Salmo 19.1 declara: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." Isto demonstra que a glória de Deus, não apenas permeia o universo, mas se estende acima e além de todas as coisas criadas. Portanto, nada se compara  com à Sua glória. Assim, reconhecemos que Ele é digno de toda adoração, pois Sua glória é inatingível e incomparável.

Como podemos observar, Davi contemplou a magnificência de Deus através de Seu poder e glória manifestos na criação, tanto na terra quanto nos céus. Neste contexto, ele reflete que o poder e a glória de Deus também se revelam nas crianças pequenas – nos bebês e lactentes – pois a força divina é claramente evidente nelas: “Da boca de pequeninos e crianças de peito.” (v.2a). Interessante que o salmista fala do poder de Deus a partir de duas figuras contrastantes no Antigo Testamento. primeiro o termo hebraico עוֹלֵל  que evoca a ideia de crianças, meninoSegundo ele usa o termo יָנַק  que significa lactente, bebê. Estes termos simbolizam a pureza, a simplicidade e a vulnerabilidade dos pequeninos. São aquelas que, sob a perspectiva humana, não possuiriam força ou voz para enfrentar grandes adversários. No entanto, por meio de crianças inofensivas e indefesas, Deus utiliza elementos que, à primeira vista, poderiam parecer frágeis para exibir Sua glória e poder. Vejamoso que diz Paulo em Coríntios 1.27: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.”

As palavras do salmista evidenciam que o louvor puro e despretensioso das crianças é uma força poderosa capaz de silenciar críticos e adversários: “ “suscitaste força, por causa dos teus adversários.”(v.2b). A palavra יָסַד (suscitar) significa fundar, fixar, estabelecer, lançar alicerce (Esdras 3.12; Isaías 54.11). E a expressão עֹז (força) não vem dos próprios pequeninos, mas é originada por uma intervenção divina. É uma força que transcende a capacidade natural. Ela não é física ou intelectual, mas uma manifestação da soberania de Deus que opera através da simplicidade e pureza. Ela pode ser manifestada de várias formas, como o louvor sincero, a fé inabalável ou até mesmo a simples existência que testemunha a grandeza do Criador. Na Septuaginta a palavra é traduzida por “louvor”,  traz um significado profundo sobre o "perfeito louvor" das crianças a Jesus. (Mt 21.16). Era a força que emudecia os líderes religiosos e suas críticas. O louvor desta crianças, reconhecendo Jesus como Messias, era um testemunho irrefutável e um desafio direto à autoridade e incredulidade dos que se opunham a Ele. Mas  era um louvor forçado ou intelectualizado, mas uma admiração espontânea pela criação de Deus e Seu poder.

No entanto, esta  força de Deus , tem como objetivo neutralizar a oposição do adversário, afastando todo o caos gerado por eles : “para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.” (v.2c). Emudecer significa tirar a voz, deslegitimar as palavras e anular o poder de ataque verbal ou de difamação. É como os  argumentos perdessem a força e se tornassem vazios. Emudecer  também pode ir além da fala, significando paralisar a capacidade de agir, do inimigo quando fala, acusa, calunia e zomba. Portanto,  o inimigo e o vingador  buscam prejudicar, retaliar ou destruir. Mas quem eram esses inimigos vingadores? Eles não são especificados no texto. Mas é natural supor que  a referência seja a alguns dos inimigos do autor do salmo que estava tentando se vingar. Sendo  que  objetivo final era calar, confundir e desarmar os inimigos ou adversários. Desmascarar sua arrogância, frustrar seus planos ou simplesmente mostrar que seus ataques são impotentes diante do poder divino. A verdade é que Deus os impede de executar seus planos maliciosos, frustrando suas intenções, especialmente através de instrumentos que eles consideram fracos, como "pequeninos e crianças de peito" – isso os desorienta e os leva à derrota.

Na sequência o salmista coloca ênfase na obra da criação de Deus. Nesse sentido ele lança mão do antropomorfismo para falar da vastidão do universo como obra dos “dedos de Deus.”  No Antigo Testamento, falar dos dedos de Deus aponta para a intervenção e o agir direto e imediato do SENHOR. Por isso,somos convidados contemplar a grandiosidade da criação, não apenas como um espetáculo visual, mas como a obra primorosa dos "dedos de Deus." Veja o que disse o salmista: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste.” (v.3). Ao meditar sobre estas palavras, ele revela  dois contrastes impressionantes: primeiro, os céus, a lua, as estrelas – tudo isso representa a vastidão, a distância e o poder do universo. É algo que nos faz sentir pequenos e, ao mesmo tempo, maravilhados com a grandiosidade deste universo. Segundo, a expressão “teus dedos” é uma metáfora poderosa. Ela sugere não apenas o poder de Deus para criar algo tão gigantesco, mas também a delicadeza, a precisão e o cuidado com que o SENHOR o fez. Não é um ato de força bruta, mas de uma arte minuciosa. Imagine a precisão necessária para "estabelecer" cada estrela em seu lugar, para que a lua siga sua órbita perfeita, influenciando as marés e iluminando a noite. Mas o  que esta contemplação nos revela?  Somos lembrados da grandiosidade de Deus e de Sua obra de criação, que revela Seu poder, sabedoria e cuidado. Por isso, precisamos reconhecer a soberania de Deue e sentir admiração e humildade.

O ocorre que o salmista, ao observar a imensidão do universo, se sente pequeno e insignificante. Ele faz um pergunta retórica sobre a identidade do ser humano  e nos  ausa admiração: “Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o vcisites?” (v.4). A expressão אֱנוֹשׁ (homem) pode carregar a conotação de fraqueza, mortalidade e fragilidade. É o ser humano em sua condição mais vulnerável e finita. Da mesma form,   בֵּן אָדָם     (filho do homem), reforça a ideia de humanidade, a descendência de Adão, o que nos liga à nossa natureza terrena e passageira. Davi está basicamente dizendo: “Por que Deus deveria notar um pequeno homem no meio de um vasto universo? Por que Deus deveria se lembrar de que estamos aqui ou prestar atenção em nós?”  Obviamente o salmista está se referindo à fragilidade e a transitoriedade dos seres humanos diante da majestade de Deus. A pergunta, portanto, expressa um profundo  o quanto somos tão pequeno comparando com a magnificência e o poder infinitos de Deus. Não somos nada por nós mesmos em comparação com a grandiosidade divina. Mas tudo o que o ser humano é, ele deve ao cuidado amoroso e  misericordioso de Deus. Ele lembra do homem e o visita diariamente.

Entretanto, de maneira surpreendente, Davi afirma, sobre a condição do homem. Fala sobre  o lugar da humanidade na criação:  “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus.” (v.5a). A conjunção adversativa  ( וַ ), traduzida por “no entanto”, demonstra a distância entre a dignidade do homem como criatura e a dignidade conferida por Deus a ele. É a enorme distância entre o que deveríamos ser e o que somos. Literalmente, podemos afirmar: "Fizeste-o, no entanto, um pouco inferior", ou “um pouco menor do que os anjos.”  Algumas traduções sugerem, "pouco menor do que Deus" ( אֱלֹהִים ), usam o termo "Deus" (veja ARA). Independentemente, da tradução exata, a mensagem é clara: Deus conferiu à humanidade uma dignidade extraordinária, uma posição privilegiada na Sua criação. Fomos coroados com glória e honra (v.5b). Isso não é algo que conquistamos. É um presente da graça divina. Sim, o homem é pequeno no universo. Mas ele é significativo,pois foi coroado com a glória e a honra da imagem de Deus

O homem pode ser pequeno, mas Deus se importa com ele!  O SENHOR concedeu a ele a grande a responsabilidade e o privilégio de ser  mordomo sobre a criação. Não para explorar e destruir, mas para cuidar, cultivr e administrar com sabedoria, refletindo o caráter do Criador:   “Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste.” (v.6). Esse "domínio" reflete uma grande responsabilidade do homem. Mas não se trata de ser opressor, mas de mordomia e gestão responsável sobre toda a criação. É uma posição única de governança que  o SENHOR concedeu ao homem. O samista lista ainda exemplos específicos de criaturas sobre as quais os humanos receberam autoridade de dominar. Ele  começa com os animais domesticados, essenciais para a sobrevivência e o sustento humano: ”todas as ovelhas e bois, e os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo.”(v.7)."  E depois se estende aos animais selvagens: “as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares.” (v.8).

E assim, o salmo termina da forma como começou, repetindo as palavras do verso inicial: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome.”(v.9). Essa repetição enfática sublinha que a glória e a soberania de Deus são universais, inquestionáveis e transcendem toda a compreensão humana. Ele é o Criador, e toda a criação, desde os corpos celestes mais distantes até a voz de uma criança, testemunha Sua grandeza e poder. Outro destalhe importante é que Deus, em Sua infinita graça, não apenas se lembra de nós, mas nos fez "pouco menores que os anjos" e nos coroou "de glória e de honra".

Estimados irmãos! O salmo reitera que, apesar da nossa insignificância aparente no vasto universo, a majestade de Deus permanece  como ponto central,   e é a razão para toda a nossa adoração. Sendo assim, somos chamados a adorar a Deus por Sua majestade, a reconhecer o valor e dignidade inerentes de cada pessoa, exercendo a nossa responsabilidade dada por Deus de cuidar da terra e suas criaturas. 

Porrtanto,vivamos uma vida de uma maneira que reflita a honra e glória com que Deus nos coroou, apontando, em última análise, para o cumprimento desta visão em Jesus Cristo. Amém!

 TEXTO: SL 90

TEMA:  A  ETERNIDADE DE DEUS E A   BREVIDADE DA VIDA

O livro de Salmos está dividido em cinco seções principais, sendo que o Salmo 90 é a introdução ao Livro IV. Este livro é composto dos Salmos 90 ao 106. É o mais breve dos cinco livros identificados nos Salmos. Podemos comparar o Livro IV com o livro de Números, pois também relata  a jornada do povo de Deus pelo deserto de maneira especial. O Salmo 90 é o único mencionado no Saltério, escrito por Moisés. Consequentemente, é também o salmo mais antigo. É bem possível que Moisés tenha escrito este salmo no final da sua jornada no deserto.

Quanto ao conteúdo ,o salmo nos oferece uma reflexão profunda sobre a eternidade de Deus e a brevidade da vida. Moisés testificou este assunto em sua oração. Ele inicia o Salmo com uma declaração e o conclui com uma súplica. Primeiro, ele fala sobre a eternidade, deixando evidente que Deus é eterno: “de eternidade a eternidade, tu és Deus” (v.2). Isto significa que nenhuma outra coisa ou pessoa possui o atributo da eternidade. Ela ,propriamente, pertence só a Deus. Ele  é o mesmo no passado, no presente e no futuro.  Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, ele é Deus.  Como Deus é eterno, para ele mil anos é como o dia que se foi e como a vigília da noite.

Em contraste com à eternidade de Deus, o homem é mortal. A sua vida é breve,  frágil, vunerável, efêmera e passageira.Também está sujeita ao cansaço e  muitas aflições neste mundo.   Portanto, o homem não é eterno. O homem nasce, cresce, vive e morre. E durante este tempo, seus dias são turbulentos e breves como um sono, seus anos acabam-se como um breve pensamento. Seu vigor é passageiro como uma flor que de madrugada viceja e floresce, mas à tarde murcha e seca.  Mas o homem não é apenas vulnerável e mortal. É também pecador. Os seus pecados causam o furor e  a ira de Deus. Ele é um afronto a Deus.   As suas iniquidades são expostas diante de Deus e até mesmo seus pecados ocultos são manifestados aos seus olhos.     

Diante do que foi exposto, o homem  carece de sabedoria para contar os seus dias e alcançar um coração sábio diante da sua mortalidade e pecaminosidade. Ele está convencido do contraste existente entre a eternidade de Deus e a fragilidade humana. Sendo assim, ele suplica ao Senhor por misericordia divina. Sente necessidade de ser saciado a cada manhã com a benignidade de Deus, a fim de cantar de júbilo ao Senhor e alegrar-se durante seus breves dias sobre a terra.  Anseia pela alegria na mesma medida que suportou a adversidade. Suplica, ainda, que as obras de Deus apareçam a seus servos e a glória de Deus apareça aos seus filhos. Somente o Deus eterno é a nossa habitação. Ele atende o nosso clamor. Nele está a nossa esperança. O Salmo 90 trata deste assunto.Então,vejamos!

                                                                       I

Moisés inicia o salmo falando da proteção divina: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio.” (v.1a). O termo Senhor aqui é  אֲדֹנָי ,  não é o nome próprio de Deus (Êx 3.14, 15). O nome próprio é  אהיה  traduzido nas bíblias em português como SENHOR (letra maiúscula) . O termo אֲדֹנָי  era o nome de Deus usado no Antigo Testamento em vez do nome divino ( אהיה), devido o respeito ao SENHOR, o povo não pronumciavam este nome. Mas o salmista reconhece a  majestade, a autoridade ,a soberania, a superioridade do nome אֲדֹנָי. Reconhce a grandeza divino de Deus, como o Senhor dos Senhores. Já o termo  מָעוֹן significa moradia, habitação. Aqui, o salmista usa esta imagem para descrever o lugar  de onde vinha a proteção e abrigo.  Para o salmista, o Criador do mundo  era a sua habitação.  Era seu único refúgio e de seu povo. Dito de outro modo: Moisés faz do Senhor, o Deus Eterno e Criador de todas as coisas, a morada de seu coração, sua habitação inabalável, seu refúgio eterno, de geração em geração.

Deus sempre foi a habitação de seu povo em diferentes épocas e lugares. Ele nunca deixou de consolar e trazer esperança para o seu povo. Nós também podemos afirmar que Deus é a nossa habitação, nosso abrigo, nosso refúgio. Para onde iremos se não estivermos sob a guarda e o olhar de nosso Deus ? Onde estaríamos após os inúmeros ataques dos dardos inflamados do maligno, se o Senhor não fosse a nossa habitação?  Onde estarão futuramente nossos filhos, se Deus não nos guardar hoje em dia? Será que o Senhor tem sido a nossa habitação?  A habitação do nossa familia?  Dos nossos filhos?

Contudo, ao que parece, a intenção do escritor é enfatizar não apenas o efeito da ação de Deus, mas sua durabilidade: “de geração em geração.” (v.1b). A duplicidade de palavras significa que Ele sempre é. Ou seja, as ações divinas não são circunstanciais. Elas são ações contínuas na vida do ser humano. Prova disso, as gerações passadas  do povo de Deus, desde das peregrinações nos desertos, à permanência no cativeiro e na terra que o Senhor concedeu ao seu povo, Ele sempre os protegeu.  Ocorre que o Senhor sempre se mostrara ser a habitação de descanso, refúgio de seu povo ( Sl 91.9; Sl 71.3).

Mas quem é este Deus? Ele é o Deus criador de todas as coisas, nos céus e na terra. Ele é eterno: “Antes que os montes nascessem, antes que formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” (v.2). A palavra hebraica para “eternidade” usada aqui é   עוֹלָם   que pode se referir tanto ao passado infinito quanto ao futuro infinito. Esta é a eternidade de Deus. O Deus das gerações é o Deus eterno. E a eternidade pertence só a Deus. Sendo assim, é muito difícil alcançar o conceito da eternidade como um todo. Neste sentido, o salmista faz questão de declarar que o Deus eterno, que existe antes dos montes, antes de tudo é o refúgio de seu povo.  O fato de haver um Deus eterno e imutável dá ao homem a única e ao mesmo tempo toda estabilidade em um mundo em mudanças.

Em contraste com à eternidade de Deus, Moisés mostra o quanto o homem é frágil. É  tão pequeno, tem uma vida humana efêmera e passageira.Também está sujeita ao cansaço e sobre muitas aflições neste mundo. E, se isso não bastasse, ainda, o homem é mortal : “Tu reduzes o homem ao pó e dizes.” (v.3a). O termo שׁוּב (reduzir) significa voltar, retornar. Já o termo דַּכָּא (pó) significa contrito, destruido,(literalmente) em pó. “Tu reduzes o homem à destruição.” Moisés tinha visto o julgamento de Deus ao transformar o homem em destruição. Ele pronunciou a sentença de morte, de destruição ao seu povo por causa do pecado. Mas também dirá: “Voltem, ó filhos dos homens”. (v.3b)  Aqui o salmista usa o mesmo verbo da frase anterior. A maioria das versões e comentários considera essa expressão uma explicação da frase anterior, de que o homem é ordenado a voltar ao pó, de onde seu corpo veio. No entanto,outros consideram uma determinação para voltar a Deus em arrependimento: "Trazes o homem a um estado de contrição, dizendo: 'Arrependa-se, descendente do homem' (Harrison).

Da mesma forma, Deus não pode ser limitado pelo tempo. Deus enxerga o tempo de uma forma bem diferente do nosso tempo. Enquanto, o homem  se preocupa com o tempo. Sabe que à medida que envelhece, o tempo passou.  E não pode recuperar os minutos que se passaram, Deus  não tem esta preocupação. O tempo não limita a Deus. Sendo assim, “Moisés nos lembra que mil anos são como um dia de ontem que se foi  e como a vigília da noite.” (v.4a). O que são mil anos? Para o ser humano são muitos anos. Parece que o tempo é imenso, longo. Mas para Deus é breve periodo, como um dia , ou até mesmo quatro horas para um homem que está dormindo. Isto nos mostra que Deus é eterno e esta acima do tempo humano. Sabe tudo o que aconteceu e o que pode acontecer. Ele sempre existiu e sempre existirá.

No entanto, Moisés descreve através de metáforas, o quanto o homem possui um vida tão breve. Passa tão rápido, em comparação com Deus, que é eterno. Vejamos as três metáforas: primeiro, “Tu os arrastas na torrente.”(v.5a). O verbo זָרַם significa  derramar, inundar, despejar. Traz a ideia de uma correnteza que arrasta os homens. Como  se a nossa vida fosse levada embora, sem levar em conta a ordem, posição, idade ou condição. Portanto, a morte não faz discriminação. Isto ocorre todos os dias. São pessoas que são arrastadas  e enviadas para a sepultura – como se fosse uma inundação violenta que varrasse estas pessoas.

Segunda: “são como um sono.”(v.5b).Quando um homem dorme, ele não tem noção do tempo. Quando acorda, várias horas se passaram sem que ele perceba, e, consequetemente, não realiza nada. Isto demonstra que a vida humana é tão  rápida e fugaz. Temos sonhos e visões, mas não  tornam-se permanente. É tudo em vão, dissolve-se no nada. Assim  é a vida do homem. Terceiro: “como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca.” (vv.5c e 6a). Nesse aspecto, o homem não é diferente da grama: sua vida é curta (Sl 103.15-16; Is 40:6-8; 1Pe 1.24). Nascemos, vivemos a nossa vida com nossas lágrimas e descemos à sepultura. Tudo passa rapidamente e nós voamos.  

A vida não é apenas curta, mas, também, a morte é certa. A morte chega  para todos. Chega, às vezes, sem aviso prévio. A morte é um processo natural, mas não como Deus planejou durante a criação. A Bíblia diz que a morte é uma sentença divina. Deus disse ao homem transgressor: “Porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19). Diz ainda mais as Escrituras: “Ao homem está ordenado morrer…” (Hb 9.27).A morte veio ao mundo através do pecado. Moisés afirma: “ Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados.”(v.7). O verbo כָּלָה (consumir) significa realizar, cessar, determinar, acabar. Já o termo  בָּהַל (conturbar) significa perturbar, alarmar, aterrorizar, apressar.

De acordo com Moisés, o povo foi consumido pela ira de Deus em algumas ocasiões. Fato este que ocorreu com o povo de Deus quando andou pelo deserto. Ele, durante a jornada de quarenta anos no deserto, viu muita gente morrer.Foi uma jornada longa e terrível, com várias mortes  que o povo enfrentou a cada dia. Era um sinal de que Deus estava indignado com seu povo. E  como resultado, os israelitas  viveram  oprimidos pela sua ira. Cada morte foi uma demonstração da ira de Deus, pois não suporta o pecado e a maldade do povo. Então, Deus julgou seu povo por causa do pecado. Ele coloca diante do povo a perversidade, depravação, iniquidade, culpa:“Diante de ti puseste as nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos.” (v.8). O Senhor estava vendo todos os pecados mesmos aqueles que estavam ocultos ou escondidos. Nenhum pecado é escondido de Deus. Ele vê todas as nossas ações e pensamentos, revelando a necessidade de arrependimento.

Portanto, por causa do pecado, Deus estava indignado com seu povo. E,por isso,resolveu agir. Moisés afirma que esse agir de Deus trouxe ao seu povo angustia e sofrimento, não foi apenas por um curto período de tempo, mas que foi estendido sem intervalo até a morte :“Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.”(v.9).A palavra hebraica פָּנָה (passar) significa virar, voltar-se para, afastar-se de. Aqui, traz a ideia de que todos os dias a ira de Deus não quer afastar-se. Ela permanecia na vida do povo.Seria bom que todos os dias de nossa vida passassem na alegria de Deus. Mas os anos passam e a maioria das pessoas passa na ira de Deus . Precisamos entender que os nossos anos são como uma história breve, que acaba numa vida agonizante e fialmente num breve suspiro.  ( הֶגֶה ). E assim termina a vida!  Ela é fugaz, breve e tudo passa, uma verdade que muitos preferem ignorar. E você,como tem lidado com esse tempo transitório? Tem aproveitado o tempo, para andar nos caminhos do nosso Deus?

 De fato,a vida é transitória.Ela passa rapidamente como um suspiro. Davi declarou assim: “O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa.” (Salmos 14.4).Moisés também afirma que a nossa vida é tão breve e insignificante aos olhos do Criador: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta.” (v.10a). Essas palavras de Moisés nos lembram da inevitável passagem do tempo. Conforme os anos vêm e vão, começamos a ver e a sentir mudanças em nosso corpo. Nosso cabelo fica grisalho ou cai. As dores tornam-se frequentes. Embora as pessoas pudessem viver até os 70 ou 80 anos, a vida  é cheia de trabalho árduo, problemas e frustração. Como afirma o salmista: “neste caso, o melhor deles é canseira e enfado.”(v.10b).  A palavra  עָמָל traduzida por “canseira” signidfica trabalho, labuta. A ideia aqui é que o trabalho árduo torna-se  pesado, e o corpo é oprimido e logo fica cansado e exausto. Já o termo אָוֶן significa sofrimento, problema,incômodo. Estes termos mostram o quanto a vida do homem é cansativa e sofrida; e causa distanciamento do Senhor e infelicidade. Além disso, ela “passa rapidamente e nós voamos.”(v.10c). Significa  que a vida logo passa,  como se fosse levada pelo vento para longe; impelido para a frente como palha. Assim é a vida!

Diante o que foi exposto, o salmista faz o seguinte questionamento antes de continuar com a seção final da sua oração. Tira a lição e a conclusão do que viu de Deus. Isso contém uma lição importante para nós, que antes de orarmos de acordo com a vontade de Deus, devemos primeiro conhecê-lo: “Quem conhece o poder da tua ira? E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?” (v.11).No Antigo Testamento, a ira de Deus é uma resposta divina à desobediência e pecado do homem,principalmente, em relação  à idolatria. Ela revela a sua aversão ao pecado e conduz às pessoas ao arrependimento. A verdade é que os  homens  deixam Deus de lado e não levam em conta a severidade de Deus (Rm 11.22). Sobre eles permanecem a ira de Deus. Ela se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça. Mas quem conhece a força  ira de Deus?  Quem “entende o poder” da “ira e… fúria” de Deus na  vida das pessoas, sejam elas fortes ou fracas, solitárias ou numerosas, pobres ou ricas ? Quem pode compreender o que é isso? Nenhum homem entende isso. A mesma resposta se aplica à questão de saber se alguém entende “o temor que é devido” a Deus.

Só é possivel entender  quando o homem reflete sobre a sua futilidade e o vazio existente em sua vida.  Saber que a ira de Deus deve ser temida, porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3.23). Saber que a ira de Deus é justa. Ele age com justiça. Somente aqueles que foram cobertos pelo sangue de Cristo, derramado por nós na cruz, podem estar seguros de que a ira de Deus nunca cairá sobre eles: "Por causa de Cristo, Deus pode justamente declarar que pecadores estão justificados (Romanos 3.26). O amor de Deus e a sua ira frequentemente andam juntos (Num 14:18; Rom 11:22; Heb 12:5) e verdadeiramente é uma expressão do seu amor (Sal 136.14-21). Este o caminho da compreensão da ira de Deus. E aí está o princípio da sabedoria (Pv 1.7; Pv 9.10), uma sabedoria que se curva à justa ira e fúria de Deus sobre o pecado.

                                                               II

Tudo o que salmista relatou, constitui algo muito importante para que ocorra uma avaliação pessoal e a busca de uma solução sábia. Sendo assim, ele suplica em sua oração para que o Senhor possa ensina-lo. Na verdade, ele entendeu que as lições divinas extrapolam a inteligência humana. Por isso, Moisés ora: “Ensina-nos a contar os nossos dias.” (v.12a). Penso que cada um de nós já usou esta expressão alguma vez: “Estou contando os dias... para que isto ou aquilo aconteça.” A tendência do ser humanos é contar os dias, acompanhar o calendário até a chegada do dia tão esperado. Por exemplo, o casal de namorados conta os dias para poder se ver de novo. Ou ainda, a criança que conta nos dedos quantos dias faltam para seu aniversário. É isto que a vida  ensina para muitos:  investir para receber mais benefícios financeiros, que são invejáveis. Privilégios neste mundo globalizado que promove e enriquece às pessoas.

 Mas não é exatamente isto  que o salmista nos ensina.   Ele  nos ensina a contar nossos dias  de tal maneira que alcancemos um coração sábio. Por que contar os dias? No próprio texto, o salmista apresenta às razões: porque a vida do ser humano é como a erva que brota de manhã, de madrugada viceja e floresce, mas à tarde murcha e seca; porque  todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento; porque os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado; porque tudo passa rapidamente, e nós voamos. Portanto, alcançar “coração sábio,” (v.12) deve  ser  o objetivo do povo de Deus.  Paulo disse que, se recebermos sabedoria e entendimento espiritual, devemos viver (...) de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado (Cl 1,10). Da  mesma forma, precisamos buscar  um coração sábio vindo de Deus e a valorização do tempo que o Senhor nos concedeu. Sabedoria para nos prepararmos para o que está por vir. Corramos em direção ao Eterno, fonte preciosa e inesgotável da verdadeira sabedoria e felicidade.

Moisés percebeu a importância de se alcançar sabedoria. Durante quarenta anos foi instruído em tudo o que havia de melhor da sabedoria que vem do Senhor. Ele sabia que a sua vida era cheio de dificuldades, dissabores e dores, pois  vivenciou todos estes problemas ao conduzir os israelistas pelo deserto, que eram obstinados e desobedientes a Deus.  Por mais que se esforçasse para ter uma saída, não conseguia enxergar um raio de luz. Então, nesse momento o salmista irrompe em seu desespero e suplica a Deus que  mostrasse sua majestade ou esplendor a seus servos : “Volta-te, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.” (v.13). Até quando? Por quanto tempo isso vai continuar? Por quanto tempo a tua ira se enfurecerá? Por quanto tempo o povo ainda ficará sob as tuas mãos? A pergunta “até quando?” é comum no Antigo Testamento, geralmente indicativa o desespero do homem longe da proteção divina. Isto demonstra o quanto o salmista sofria. Ele realmente não aguentava mais continuar naquela situação. O seu desejo era que Deus o livrasse daquela situação que lhe causava tanta sofrimento.Há momentos em que a nossa fé vacila, a paciência chega ao limite, o nosso ânimo decai. Sentimos inseguros, com medo, vacilantes; frágeis e aparentemente, tudo vai “desabar” sobre nós. Então,  perguntamos: “Até quando?”

Moisés,então, suplica por misericordia ao Senhor. Tem compaixão – isto é, retire os teus julgamentos e seja misericordioso para com os teus servos. Roga que Deus aja com Israel assim como se lhe estivesse servindo um banquete que lhe saciasse a fome: “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade.” (v.14a). O termo שָׂבַע  (saciar)  significa estar satisfeito, estar farto, estar cheio. É a vontade de Deus que os cristãos vivam com corações profundamente satisfeitos. Ele não quer que nossos corações estejam continuamente inquietos, temerosos ou sem alegria. Portanto estar satisfeito significa desfrutar de paz, contentamento, confiança em Deus. O salmista ainda afirma que devemos  saciar-nos de manhã com a “benignidade do Senhor”.  É justamente,pela manhã quando levantamos, constatamos um dia de problemas — problemas que, muitas vezes, não podemos resolve-los. Neste momento  nos sentimos fracos e debilitados.Então, clamamos a Deus pela  sua benignidade para nos satisfazer, fazer felizes e nos alegrar, e assim cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias.” (v.14b). E interessante que o salmista afirma  que será “todos os nossos dias” — não apenas nos dias ensolarados, nos dias felizes.

O salmista suplica , porque entende que durante muitos anos o povo de Deus enfretou muitas aflições. Foram dia e anos sofrendo no deserto, um lugar seco e quente, sem muita vida, difícil de suportar.  Agora, Moisés suplica ao Senhor  que mude esta situação para momento de alegria: “Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade.” (v.15). Ele pede tantos anos de alegria renovada para os israelistas, da mesma forma que os anos de aflição e angústia que eles tinham visto. Eles já haviam visto seu poder, demonstrado em obras de julgamento. Mas agora ele pede que o Senhor mostre o outro lado de seu semblante, isto é, atos de graça. Na nossa caminhada também enfretamos muitas aflições, São dias e anos cansativos.Somente Deus dá sentido para nossa vida e nos sustenta, mesmo nas horas mais difíceis. Quando centramos toda nossa vida em Jesus, encontramos paz e contentamento em todas as circunstâncias. Por isso,peçamos a Deus que transforme a nossas tristezas que se abatem sobre nós,  em alegrias

Moisés ainda clama pela manifestação dos feitos divinos aos servos e seus filhos. Ele reconhece a fragilidade da existência humana e a sua dependência do Criador. Sabe que os feitos divinos são incompreensíveis para a mente humana e que só podem ser revelados por meio da graça de Deus. Por isso,suplica ao Senhor: “Aos teus servos apareçam as tuas obras, e a seus filhos, a tua glória.”(v.16). Moisés  pede que os servos de Deus sejam agraciados com a manifestação dos feitos divinos para que possam crescer em fé e louvar o nome do Senhor. Pede  também que os filhos dos servos de Deus também possam contemplar a glória divina, para que eles possam crescer em conhecimento e amor a Deus. Esse pedido é uma expressão de amor, de humildade   e reconhecimento da grandeza de Deus.

O salmista finaliza o Salmo solicitando a bondade  do Senhor, pedindo que esta bondade esteja presente na vida de seu povo: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus.” (v.17a). O termo usado aqui no original é  נֹעַם que significa bondade, favor.  A Bíblia nos fala que a bondade de Deus é uma de suas principais qualidades ou atributos. Faz parte da essência de Deus ser bom e generoso. Essa bondade pode ser vista nas obras que Ele fez e no amor que tem manifestado pela humanidade, ao criar, sustentar e oferecer reconciliação em Jesus Cristo.

 Mas não é apenas isso. Ele também pede que a obra de nossas mãos seja consolidada:  “confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos.” (v.17b). Moisés aqui representa a voz de todo o povo de Deus, o que é evidente pelo uso das palavras “nosso” e “nós”. Mas o que isso significa? Significa que o salmista sabia que a obra de suas mãos, a liderança do povo de Israel, eram importante e que precisava ser consolidada. Sendo assim, ele queria que seu trabalho tivesse um impacto duradouro e que fosse lembrado pelas gerações futuras.

Também podemos pedir que o Senhor esteja sobre nós. Consolide a obra de nossas mãos e que estas obras teanham um impacto positivo na vida das pessoas, e que sejam lembradas por gerações futuras. Então, podemos ter a certeza de que, com fé e perseverança, podemos alcançar nossos objetivos e deixar um legado duradouro para as gerações futuras.

Podemos aprender com o salmista durante o nosso tempo neste mundo. Ele  teve muitos desafios e enfrentou muitas dificuldades. Ele viu seu povo sofrer, enfrentou a ira de Deus e teve que lidar com a rebeldia de seu próprio povo. Mas, apesar de tudo isso, ele nunca perdeu a fé e continuou a orar pela bondade e proteção de Deus. A verdade é que ele inspirou muitas pessoas ao longo dos séculos e continua sendo uma fonte de conforto e esperança para aqueles que buscam a bondade e a proteção de Deus durante a vida passageira neste mundo. Por isso, precisamos reconhecer a brevidade da vida e buscar sabedoria divina para viver de forma justa e significativa. Enfim,Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias! Amém!

 

 

 

TEXTO: Sl 111

TEMA: LOUVEMOS AO SENHOR POR SUAS OBRAS MAGNÍFICAS!

O salmo 111 é um cântico de louvor. Ele faz parte de uma trilogia (111,112,113) que nos convida a louvar a Deus por Seu amor e bondade.  Ele foi escrito em forma de acróstico, ou seja, são organizados de modo que cada linha, ou cada série de linhas, comece com as letras sucessivas do alfabeto hebraico. Desta forma, foi projetado para caracterizar a poesia no livro, bem como para transmitir a mensagem de que o propósito dos poemas era para encorajar a meditação sobre o louvor e dar-lhe um significado.

Quanto ao conteúdo, o salmista enumera as principais obras de Deus na história de Israel e convida o povo a exaltar a Deus, reconhecendo as suas obras maravilhosasEle livrou o seu povo da mão de faraó e do domínio do Egito. Além disso, abriu diante deles o Mar Vermelho, por onde o povo passou e os sustentou por 40 anos no deserto. Portanto, havia motivos para o povo louvar a Deus pelas obras maravilhosas!

Podemos aprender muito com o salmista Davi, expressando a Deus nosso amor. Dando, glória, honra, exaltando o seu nome e adorando à sua pessoa pelo que Ele é, e em agradecimento pelas bênçãos dele recebidas. Agradecer a Deus, lembrando o que Ele fez e faz por nós, ao reconhecermos as suas obras magnificas. Eis um momento maravilhoso para louvarmos ao nosso Deus. E quando louvamos ao Senhor, estamos reconhecendo que os seus feitos em nossas vidas são maravilhosos. Por isso, somos convidados a louvar a Deus em todo tempo. No dia de paz e no dia dos conflitos. Quando há boa saúde e quando a enfermidade bate à porta. Quando o sonho se realiza e quando perdemos algo precioso. Lembrando que somente Deus é digno de louvor.

                                                               I

O salmista inicia este Salmo, demostrando um grande anseio de louvor ao Senhor diante de todos: Louvai ao Senhor! (aleluia). É uma forma de externar a sua adoração. Além disso, a determinação de louvar ao Senhor parte do coração do salmista, e se propõe ainda a participar com a congregação e  com todos os justos no momento de louvor: “De todo o coração renderei graças ao Senhor, na companhia dos justos e na assembleia.” (v.1). A expressão de todo o coração revela que a atitude do salmista não se tratava de um agradecimento formal, apenas um louvor a Deus, mas se compromete a louvar ao Senhor de todo o coração. Uma verdadeira adoração, que vem do coração, não se isenta de elevar sua voz publicamente, louvando ao Senhor no meio dos seus irmãos, ao demostrar a glória do Todo-poderoso.

Afinal, o que levou o salmista a louvar ao Senhor. Ele explica: “Grandes são as obras do Senhor, consideradas por todos os que nelas se comprazem”. (v.2). O homem tem realizado grandes obras que chamam atenção e provocam espanto e admiração. São megaprojetos em execução no mundo, com construções que possuem orçamentos exorbitantes. Mas jamais se compara com as obras que Deus tem realizado. Não há dúvida, elas são grandes e incomparáveis. Basta olharmos ao nosso redor, e somos levados a refletir sobre   a criação do universo. Desde as grandiosas galáxias dos céus até a mais delicada flor, e o menor organismo conhecido ao homem, todas estas obras refletem a magnitude de Deus, pois “em suas obras há glória e majestade”. (v.3a). Glória e majestade só podem ser atribuídas ao único Deus. A glória é exibida através de suas grandes obras, e faz o ser humano se admirar dela, maravilhar-se, assombrar-se. A Bíblia é clara sobre isso: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” (Sl 19.1). O universo está declarando a glória de Deus e a razão pela qual nós existimos é: vermos o universo, ficarmos maravilhados com ele e glorificamos a Deus, porque as suas obras também majestosas, expressa a ideia da grandeza de Deus, nosso Criador e Senhor. Deus criou o mundo “para que ele seja glorificado”

O salmista apresenta outro atributo de Deus: “a sua justiça permanece para sempre”. (v.3b). O salmista faz uso dessa expressão (צְדָקָה) várias vezes em nosso texto. Ele afirma que esta justiça dura eternamente. Mas já parou para pensar que nada nessa vida é permanente ou dura eternamente? Os nossos momentos mais felizes são apenas passageiros, mas por outro lado os mais tristes também não são eternos. Tudo é momentâneo, isso pode ser frustrante em alguns casos e um alívio em outros. Mas tem algo que permanece para sempre em nossas vidas: a justiça de Deus. Mas, afinal, o que é a justiça de Deus? Na verdade, estamos tão acostumados com este mundo injusto que, às vezes, nem conseguimos pensar o que é realmente a justiça de Deus. A justiça é um atributo de Deus, que significa que Ele é perfeitamente justo. Ser justo é uma qualidade fundamental da natureza de Deus. Não há qualquer injustiça em Deus e em seus feitos, pois Ele é plenamente correto e íntegro. Ele cumpre com sua palavra.

Ao longo de todo Antigo Testamento, Deus sempre foi visto como aquele que exerce a justiça. Essa justiça, no entanto, não deve ser vista somente em seu aspecto jurídico, mas no sentido de ação libertadora de Deus diante do povo que sofria opressão. Ele sempre foi fiel à aliança feita com Israel. Nisso consiste a sua justiça. A justiça de Deus, portanto, é justiça que liberta e dá vida. A justiça de Deus está ligada à sua bondade e misericórdia. Por isso, Deus projetou seus atos de salvação para serem lembrados pelo seu povo: “Ele fez memoráveis as suas maravilhas.” (v.4). Isto significa que o Senhor fez um memorial para que o povo lembrasse de suas obras maravilhosas. Por exemplo, a Páscoa foi instituída como memorial perpétua de Seus maravilhosos atos mediante os quais 1srael foi tirado do Egito (Êx 12.14). Esse conjunto de eventos e dádivas sempre era celebrado como a demonstração do poder de Deus e dos seus propósitos para o seu povo escolhido. Eles revelaram que Ele é o seu Rei, dotado dos atributos reais de glória e majestade. A verdade é que Senhor sempre foi benigno e misericordioso para com seu povo, perdoando, restaurando e preservando-o, quando merecia ser totalmente destruídos.

Israel, agora, não deve apenas se lembrar, mas também proclamar às grandes obras da salvação de Deus. O salmista recorda com gratidão essas obras maravilhosas de Deus, naqueles períodos em que Israel andava como um grupo de refugiados pelo deserto. Deus não desamparou o seu povo: “Ele deu sustento aos que o temem e lembrou sempre da sua aliança”. (v.5). O sustento, provavelmente, se refere ao maná no deserto. Durante a caminhada no deserto, o cuidado de Deus com o seu povo é tal que o leva a fazer ampla provisão para o suprimento de todos. Sua provisão de codornízes e maná no deserto foi uma demonstração da sua fidelidade em cumprir as promessas da aliança. E, assim, ao demostrar o seu cuidado e bondade ao povo, Deus nunca esqueceu da aliança que fez com Abraão e seus descendentes ou a aliança que fez com Israel no monte Sinai.

Lembrando ainda das obras de Deus, o salmista recorda a conquista da terra prometida. Primeiro, o salmista “manifesta ao seu povo o poder das suas obras.” (v.6a). A expressão כֹּחַ מַעֲשֶׂה- “poder se suas obras” - mencionado aqui, foi aquele que foi evidenciado na destruição dos egípcios e na subjugação das nações de Canaã. Após este ato, Deus concretiza o que havia prometido ao seu povo, ou seja, a promessa de uma terra rica e abençoada. E durante centenas de anos os hebreus sonhavam com a realização dessa promessa. Muitos morreram aguardando o cumprimento dela. Mas Deus cumpriu a promessas feita a Abraão, de dar uma terra e descanso à sua descendência, e o salmista    vê na posse dessa terra uma dádiva de Deus. O termo נַחֲלָה (herança) é frequentemente usada no sentido de posses, e o significado aqui é que Deus havia mostrado a grandeza de seu poder, dando ao seu povo uma terra abençoada.

                                                                        II

Como é magnífico as obras do Senhor! São obras que podemos confiar plenamente, visto que Suas obras estão repletas de “verdade e justiça”. Só o fato de ter conduzido seu povo à terra de Canaã, mostrou Sua verdade e justiça, isto é, o Senhor foi fiel às promessas. Nenhum de seus atos realizados pode ser interpretado para sustentar injustiça, fraude, engano, ambição, opressão, pois tudo o que Senhor fez, defendeu e protegeu é a “verdade.” E seus atos, portanto, podem ser considerados como uma expressão do que é verdadeiro e correto. Esta “verdade e justiça” encontramos nos seus preceitos (mandamentos). Eles são, inteiramente, dignos e confiança. Por isso, eles devem ser seguidos com retidão e fidelidade. Eles são a base para uma vida abençoada. São imutáveis e permanecem para sempre. (v.8).

Diante de tantas obras que Deus realizou, demostra o quanto foi misericordioso para com seu povo. E uma das grandes obras de Deus foi o resgate de seu povo da opressão e do pecado, fazendo isso no contexto de sua aliança: “Enviou ao seu povo a redenção; estabeleceu para sempre a sua aliança; santo e tremendo é o seu nome.” (v.9). Redenção significa recuperação de algo ou alguém mediante o pagamento de um resgate.  Ele enviou Moisés para resgatar seu povo do Egito. Vários enviou juízes para libertá-lo das mãos de seus opressores. Enviou também profetas para anunciar o retorno do cativeiro na Babilônia (Dt 7. 8; Jr 31.11). Por isso, o Deus que se revelou na história de seu povo, que estabeleceu a sua aliança para sempre é “santo e tremendo”. E foi por meio da aliança que as promessas de Deus se cumpriram na vida de seu povo. Sendo assim, não temos outros deuses diante de nós, porque reconhecemos que Ele é “santo e tremendo”. Isto significa que o Senhor nos mostra que é um Ser que deve ser reverenciado. Além disso, o Seu nome, pelo qual Ele Se revela a nós, também é santo. E nós que usamos o Seu nome, devemos faze-lo com reverência para adora-lo e glorifica-lo através de nossas vidas de santidade para com o Senhor.

Concluindo seu agradecimento pelas obras de Deus, o salmista se expressa, declara que a verdadeira sabedoria começa com o temor a Deus“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre.” (v.10). O termo יִרְאָה traduzido por “temor” traz a conotação de medo, terror, temor, coisa temerosa. Mas quando se refere a Deus, o relacionamento do homem com Deus, significa, respeito, reverência, piedade. É um respeito sincero e profundo pelo Senhor. É a maneira correta de alguém se aproximar de Deus com reverência e respeito. Esse temor é puro e permanece eternamente (Salmos 19.9). Além disso, esse temor é a própria fonte da sabedoria, pois o termo   חׇכְמָה (sabedoria) significa a arte de viver a vida na perspectiva da Palavra de Deus. Viver no centro da vontade de Deus, é tomar decisões corretas. E a única forma de chegar a ser verdadeiramente sábio é mediante o temor (reverência) a Deus.

Os primeiros cristãos caminhavam no temor do Senhor (Atos 9.31). A vida diária e a conduta deles eram determinadas pelo temor tinham a Deus. Em suas vidas práticas. eles sempre tinham o Senhor Jesus em suas mentes e andavam com Ele em seus caminhos. Esta deve ser a atitude adequada do cristão em relação ao seu criador. Aquele que teme ao Senhor é sábio e sempre o honrará, sempre dará glória a Ele, sempre andará em seus caminhos, sempre viverá por princípios. Obedecem aos seus mandamentos e são felizes, e vencedores! Tudo prospera na sua casa, no seu trabalho, na sua família. Mesmo vivendo num mundo cheio de aflições e tribulações, os que temem ao Senhor, têm paz e vida com abundancia: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem” (Salmo 128.1,2).

Ocorre que muitas pessoas pensam que pode alcançar sabedoria só pela experiência que dá a vida e o conhecimento acadêmico. Isto significa ter conhecimento intelectual.  No entanto, a verdadeira sabedoria é aquela que vem do alto.  Ela é pacífica, moderada, cheia de misericórdia, de bons frutos e sem hipocrisia. Quem obedece aos mandamentos do Senhor, é uma pessoa feliz, e será atendida. Se temermos o Senhor, respeitando a Sua autoridade sobre todas as coisas, somos retribuídos com o princípio da sabedoria. O salmista afirma que aumenta o nosso entendimento. A palavra original – שׂכל – é traduzida como “entendimento”, denota ainda compreensão e sabedoria. Isto significa quem segue os preceitos(mandamentos) do Senhor terá maior compreensão. Enfim, faça as coisas relacionadas com temor ao Senhor, agindo com sabedoria para que possa ter bom entendimento dos seus mandamentos. Então, viva o melhor de Deus, sabendo que o louvor do Altíssimo permanece sempre. 

Portanto, somos convidados a louvar a Deus em todo tempo. Dando, glória, honra, exaltando o seu nome e adorando à sua pessoa pelo que Ele é, e em agradecimento pelas bênçãos dele recebidas. Agradecer a Deus, lembrando o que Ele fez e faz por nós, ao reconhecermos as suas obras magnificas. Eis um momento maravilhoso para louvarmos ao nosso Deus. E quando louvamos ao Senhor, estamos reconhecendo que os seus feitos em nossas vidas são maravilhosos. Amém!