sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

TEXTO: IS 11.1-10

TEMA:  A ESPERANÇA DA SALVAÇÃO ATRAVÉS DO MESSIAS

 O profeta Isaías, ao descrever o futuro de Israel, apresenta inicialmente um cenário de pura desolação — sombrio e devastador. Naquele momento, o povo olhava para a história da casa de Davi e via apenas um tronco cortado, aparentemente sem esperança.Esse tronco não oferecia sombra, não produzia frutos e parecia já não ter vida alguma. Mas é justamente neste cenário que o profeta Isaías levanta Sua voz e diz: “Do tronco de Jessé sairá um rebento; das suas raízes um renovo frutificará.”

Esta imagem que o profeta apresenta de um ramo verde brotando de um tronco de Jessé, é  a esperança da salvação através do Messias. Ele será cheio do Espírito do SENHOR. Seu governo não será de aparências ou injustiças, mas com justiça e  fidelidade. Elas serão as marcas de seu governo, que será caracterizado pela paz e retidão.Essa realidade começou com a vinda humilde de Jesus em uma manjedoura. Como Cordeiro de Deus, Ele inaugurou a redenção e a nova criação através de sua morte e ressurreição.

Precisamos olhar para a história da salvação com profundidade e esperança nesta época de Advento. O Advento não é apenas um período litúrgico, mas um momento espiritual que abraça o passado, o presente e o futuro — e nos convida a caminhar dentro dessa promessa divina, lembrando  que Deus fez renascer a esperança da salvação através do Messias. O texto apresenta três momentos para entendermos a temática. Então, vejamos:

Primeiro, porque Deus faz nascer vida onde só havia tronco seco (v.1). Há momentos em que nos sentimos como um tronco seco: sem frutos, sem força, sem sinais de vida.  Um casamento ferido,— uma porta que nunca se abre, — uma dor que insiste em permanece. Assim estava a linhagem de Davi: sem glória, sem rei, sem esperança.Mas Deus promete levantar um Renovo, alguém que surge pequeno, humilde, quase impercetível — e ainda assim carregado de poder, esperança e restauração.

Segundo, porque o  renovo governará com o Espírito, justiça e verdade (v. 2–5). O Renovo é Cristo, e Ele governará não pela força humana, mas pelo Espírito do SENHOR. Onde Seu Espírito está, nasce justiça, verdade e vida. Ele agirá diferente dos reinos deste mundo: não com opressão, mas com sabedoria; não com violência, mas com paz; não com mentiras, mas com verdade.

Terceiro, o Reino do Messias traz paz plena e restauração total (v. 6–10).Tudo aquilo que o pecado destruiu, Cristo restaura.Tudo o que foi quebrado, Ele recompõe.Toda criação é renovada debaixo do Seu governo.Agora,Ele trará paz,plenitude e harmonia.O Messias não será apenas Rei de Israel, mas Rei de todos.

                                                                I

O povo de Israel sofria a ameaça do Império Assírio, e a dinastia davídica, antes gloriosa, encontrava-se enfraquecida, politicamente instável e espiritualmente decadente. No entanto, diante desse cenário, Isaías levanta a sua voz e diz: “Do tronco de Jessé sairá um rebento; das suas raízes um renovo frutificará” (v.1).Isaías fala, portanto, sobre o tronco de Jessé. Ele faz uma referência à casa real de Davi que seria humilhada, perderia seu poder e glória, como algo que foi cortado, reduzido e aparentemente sem vida. Mesmo sendo um tronco “morto”, brota um rebento — algo novo, vivo e inesperado.Há momentos em que a vida parece reduzida a um tronco seco — sem brilho, sem força, sem sinais de futuro. Aquilo que um dia floresceu parece ter sido cortado, e o que resta é apenas a lembrança do que já foi. Mas é justamente nesse cenário que Deus age. Ele faz nascer vida onde só vemos morte.Ele faz brotar esperança onde enxergamos escuridão. Ele traz renovo quando nossas forças já se foram.

No entanto, quando tudo parecia perdido, Deus está preparando algo novo na vida do povo. Ele faz brotar vida onde havia morte, enviando um rebento, um começo, um renovo. Isaías descreve a plenitude e a perfeição desse “Rebento” ou “Renovo” (Messias). Ele afirma que o Espírito Santo repousará sobre esse que “Rebento” que brotará do tronco de Jessé. O ato de "repousar" não implica apenas uma visita temporária ou uma manifestação ocasional de poder (como muitas vezes ocorria com os juízes ou profetas no Antigo Testamento). Sugere, sim, uma permanência, uma estabilidade, uma habitação constante e ininterrupta do Espírito.Isso diferencia o Messias de todos os seus antecessores, incluindo os reis davídicos, que tinham o Espírito de forma limitada ou condicional. Ele é o único perfeitamente ungido e qualificado para a Sua missão.

                                                                 II

Além do "Espírito do SENHOR" (o Espírito Santo em Si), Isaias lista seis atributos,  que  qualificarão o Messias para o Seu reinado de justiça e paz, como nenhum rei humano antes. Primeiro tributo: “o espírito de sabedoria.” (v.2a).É  a capacidade de julgar bem, de aplicar o conhecimento de Deus na prática da vida e do governo. É a visão correta das coisas. Segundo tributo: “espirito de entendimento.” (v.2b). É a habilidade de discernir as questões, compreender profundamente a natureza de um problema ou a vontade de Deus.Terceiro tributo: “Espírito de Conselho” (v.2c). É   aptidão para traçar planos e estratégias eficazes. Quarto atributo: “Espírito de Fortaleza” (v.2d). É o poder, a coragem e a força moral necessários para executar as decisões tomadas e defender a justiça. Quinto tributo: “Espírito de conhecimento.” (v.2e). É um profundo e íntimo conhecimento de Deus, não apenas teórico, mas experimental e pessoal. Sexto tributo: “de temor do Senhor."(v.2f).  Neste contexto “temor” (יִרְאָה)  carrega o sentido de uma reverência profunda, respeito e admiração pela majestade, poder, santidade e bondade de Deus. Isto significa que Messias será caracterizado por sua perfeita devoção e obediência à vontade de Deus, garantindo que todas as Suas decisões (sabedoria, conselho, etc.) sejam perfeitamente alinhadas com o caráter divino.

No entanto, o Messias  não apenas possuiria o “temor do Senhor” , mas Ele teria o seu deleite em viver sob a reverência e submissão total a Deus Pai: “Deleitar-se-á no temor do SENHOR.” (v.3a).A tradução literal é: "E Ele o fará cheirar (ou respirar, ou se deleitar) no temor do SENHOR. No Antigo Testamento frequentemente o verbo é usado para descrever o ato de cheirar um sacrifício agradável a Deus, como em Gênesis 8.21, onde Deus "cheirou o aroma suave".  A expressão"cheirar" pode ser uma metáfora para discernir ou perceber a essência oculta das coisas.Este uso reflete a ideia de que o "cheiro" de algo é uma fonte de prazer ou apreciação. Isto significa que o Messias encontrará a sua satisfação mais profunda (seu "cheiro agradável") na submissão e reverência total a Deus.Terá grande prazer em viver e julgar de acordo com a vontade e a natureza de Deus. O "temor do SENHOR" será o seu impulso e a sua direção em tudo o que faz.É a Sua soberania e santidade, que gera em nós uma reverência amorosa e o desejo de obedecer e agradar a Ele em todas as áreas da nossa vida, sendo este o ponto mais alto da verdadeira adoração e sabedoria.

Essa submissão e reverência total a Deus O capacita para um julgamento perfeitamente justo, que transcende as limitações e os enganos dos sentidos humanos, conforme declarado:“Não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos.” (v.3b). O julgamento humano, limitado e influenciado pelos sentidos, tende a ser distorcido por aparências externas ("a vista dos seus olhos") ou por rumores e testemunhos incompletos ("o ouvir dos seus ouvidos").Essa tendência de julgar as pessoas pela aparência é severamente criticada pelo apóstolo Tiago, que repreende a comunidade por fazer distinção de pessoas, oferecendo lugar de honra ao rico (por sua vestimenta e prestígio) e desprezando o pobre. Ele adverte: "Fazeis distinção em vós mesmos, e vos tornais juízes com maus pensamentos" (Tiago 2.1-4).O Messias, no entanto, não será enganado por disfarces, prestígio social, riqueza ou pela persuasão superficial das palavras. Ele possui um discernimento completo que não se baseia em impressões superficiais, posição social, ou qualquer preconceito visual.

Somos chamados a buscar um juízo e discernimento que vão além das aparências (aparência física, riqueza, status). Devemos nos abster de condenar ou repreender com base em fofocas, rumores ou primeiras impressões. Em vez disso, é fundamental buscar a verdade e agir com sabedoria, bom conselho e entendimento.O próprio Jesus ensinou em João 7.24: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça." O padrão para o julgamento é a justiça de Deus, e não as nossas preferências ou preconceitos.Peçamos a Ele a capacidade de ver além do que é externo, seguindo o exemplo do julgamento perfeito do Messias.

Isaías detalha como o Messias usará seu discernimento divino para estabelecer a justiça social e executar o juízo final. Seu juízo será justo e equitativo, manifestando-se em defesa dos mais vulneráveis e oprimidos ("os pobres" e "os mansos da terra"), que muitas vezes eram prejudicados pelo julgamento humano corrupto ou precipitado: “Mas julgará com justiça os pobres, e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra"(v.4a). O Messias reverte o padrão humano de julgamento, que frequentemente oprimia os pobres e favorecia os poderosos. Seu julgamento é caracterizado pela imparcialidade absoluta (justiça - צֶדֶק)  e pela retidão (equidade -מִשְׁפָּט). Justiça/retidão são termos que descreve a ordem ética e moral do universo conforme estabelecida por Deus. E a expressão "os pobres" e "os mansos da terra"  refere-se não apenas aos destituídos financeiramente, mas aos humildes, oprimidos e indefesos que eram marginalizados pelos tribunais humanos. O Messias se levanta como o Advogado e Juiz que garante seus direitos.

O Messias também agirá com poder irresistível  para executar a sentença final: "e ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso."(v.4b). A palavra hebraica traduzida como "vara" é שֵׁבֶט. A vara era um objeto longo e resistente usado por líderes e reis.Ela tornou-se sinônimo de poder e realeza, representando a autoridade de governo. Em última análise, o sentido da "vara" é sempre uma manifestação ou um símbolo do poder soberano, exercido para guiar, corrigir, proteger, ou reinar. Em vez de uma espada física ou um cetro de madeira, o Messias utiliza um instrumento muito mais poderoso. Já a boca indica que a fonte desse poder é a Palavra (o decreto, o mandamento) do Messias. O julgamento e a punição são realizados verbalmente, sem a necessidade de armas ou força física. E assim julgará de forma severa,atingindo  toda a ordem injusta e a rebeldia presente no mundo, estabelecendo uma nova ordem: "e com o sopro dos seus lábios matará o perverso."(v.4c). O sopro  ou alento dos seus lábios é uma metáfora para a facilidade e a eficácia com que o Messias destruirá a iniquidade. É uma ação imediata e definitiva.A ação do Messias é, portanto, dupla: Salvação para os mansos e condenação para os ímpios, garantindo que a justiça e a paz  sejam estabelecidas por completo, não apenas de forma ética, mas também escatológica.

                                                              III

Isaías emprega imagens vívidas e poéticas da natureza para retratar a transformação profunda que acompanhará o governo do Messias. Tudo aquilo que o pecado destruiu, Cristo vai restaurar. Ele trará paz, plenitude e harmonia, abundância e vida renovada. Dessa forma, a própria natureza — que sofreu a maldição do Éden após a Queda — se transforma no cenário da intervenção divina. Isso indica que o reinado do Messias não se limita a trazer justiça entre os seres humanos, mas também abrange a renovação completa de toda a criação. Ele afirma que o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará."(v.6).Os animais, que são predadores naturais (símbolos da agressão e da inimizade), viverão em completa harmonia com suas presas. Isto demonstra que a desconfiança e a violência serão eliminadas. O fato de serem guiados por um "pequenino" enfatiza a segurança absoluta desse novo mundo, onde a força bruta não será mais necessária para liderar ou proteger.

Ele também afirma que “ a vaca e a ursa pastarão juntas, e seus filhos se deitarão juntos; e o leão comerá palha como o boi."(v.7).Vaca e ursa / leão e boi são inimigos naturais ou predadores e presas. A convivência pacífica e a mudança na dieta do leão (comer palha como o boi, ou seja, tornar-se herbívoro) representam a eliminação da agressão, da violência e do medo no mundo. Simboliza a paz universal que será estabelecida entre as nações, onde a inimizade e a guerra (simbolizadas pelo predador) não mais existirão.O detalhe de que "seus filhos se deitarão juntos" reforça a ideia de uma segurança absoluta. E ainda:"A criança de peito brincará junto à toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco." (v.8).O ponto central desta imagem é que a natureza nociva e letal (simbolizada pela áspide e pelo basilisco/víbora) será totalmente neutralizada. O ambiente se torna tão seguro que a criatura mais vulnerável – a criança (de peito ou desmamada) – não corre risco algum ao interagir com o que antes era um perigo fatal.O veneno existe, mas não atua. A serpente está presente, mas não domina. A sombra do Éden não tem mais força quando a luz do Messias chega.

Há momentos na vida em que tudo ao nosso redor parece hostil: pessoas que reagem como predadores, circunstâncias que nos amedrontam, situações que carregam o “veneno” do inesperado. Mas Isaías nos revela uma visão tão surpreendente que só pode vir de Deus: um mundo onde até o que é naturalmente perigoso se torna seguro sob o governo de Cristo.O que antes ameaçava deixa de ferir; o que antes dividia agora convive em paz; o que antes assustava já não traz medo.Talvez hoje você esteja diante de “lobos”, “ursas”, “leões” ou até “serpentes”: pessoas difíceis, conflitos inesperados, riscos reais ou feridas profundas. Mas o Senhor te diz: "No Meu reino, o mal perde o poder."Quando Cristo governa, a ansiedade é neutralizada, o medo é desarmado, a alma encontra repouso, e até aquilo que parecia mortal perde o veneno. A mesma mão que guia animais ferozes com a paz de uma criança é a mão que guia você hoje: firme, mansa e segura.

Depois de descrever uma criação transformada (vv. 6–8), Isaías apresenta a causa dessa transformação: “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar."(v.9).O local onde Deus estabelece Sua residência e governo torna-se intrinsecamente seguro e inviolável. Onde há santidade (a presença de Deus), o mal não pode habitar.Visto que a causa dessa transformação é o conhecimento do SENHOR enchendo a terra de maneira total e profunda e saturante — como as águas enchem o mar.Em outras palavras: a paz universal; a harmonia entre todas as criaturas; a ausência total de mal e dano; a restauração da criação. Tudo isso acontece porque o conhecimento do Senhor — isto é, Sua verdade, Sua presença, Sua vontade, Seu caráter — preenche toda a terra de forma plena e absoluta. Não é: a mudança política, o esforço humano, a evolução natural, ou a capacidade moral das pessoas, mas a presença revelada de Deus conhecida e acolhida por toda a criação.

O texto termina com uma profecia messiânica que fala sobre o descendente de Jessé, que será levantado como um estandarte (bandeira) para as nações: “Naquele dia recorrerão as nações à raiz de Jessé, que estará posta por estandarte dos povos; a glória lhe será para sempre.”(v.10). “ Naquele dia” indica um tempo escatológico — o tempo da manifestação plena do reino do Messias.Não é um dia literal, mas uma  época do reinado do Messias, que trará justiça e paz. É interessante que “naquele dia” as nações recorrerão à raiz de Jessé. A raiz de Jessé é não somente um descendente de Jessé (pai de Davi), mas também a fonte e origem da restauração davídica.  Ele será um ponto de reunião, um sinal visível de esperança e autoridade, não apenas para o povo de Israel, mas para todas as nações (gentios). Ele atrairá pessoas de todas as partes do mundo para Si, estabelecendo Seu reino universal.E onde Ele habita, a glória de Deus permanece, não é temporária.

Estimados irmãos! Em um mundo marcado por injustiças, corrupção e desordem, a conclusão deste texto nos lembra que o nosso futuro está solidamente no Rebento de Jessé: Jesus Cristo. Ele é o único governante cuja justiça é perfeita e cuja sabedoria é inerrante. Não precisamos temer as falhas dos líderes humanos ou a confusão dos tempos; a nossa confiança inabalável deve estar apenas n’Ele. Ele não julga pela aparência ou pelo rumor, mas com verdadeira equidade e retidão. O Seu caráter é a nossa segurança eterna.Por fim, somos lembrados que Ele é o Estandarte (bandeira) para todos os povos (v. 10). 

Portanto, sendo seguidores d’Ele, somos chamados a viver de tal maneira que também apontemos para esse Estandarte, convidando todas as pessoas a encontrarem n’Ele o seu “lugar de descanso glorioso”. A nossa vida devocional e as nossas ações devem ser o reflexo prático da justiça e da paz que Ele já estabeleceu em nós, para que o mundo veja e procure a Raiz de Jessé. Amém!

 

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