TEXTO: MT 3.1-12
TEMA: PREPARANDO O CAMINHO PARA O SENHOR
Nesse texto encontramos um cenário marcante. Surge no deserto um homem simples, vestido de pelos de camelo, alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre. Seu nome é João Batista.Ele aparece como alguém que rompe um silêncio de 400 anos — o período entre o Antigo e o Novo Testamento, quando não havia profetas em Israel. João surge como um arauto, um mensageiro enviado por Deus para preparar o povo para a chegada do Messias. Ele não apontava para si mesmo, mas para Aquele que viria depois dele (Jesus Cristo). Ele era o precursor. A sua missão era "preparar o caminho do Senhor".
Assim como João Batista convidou o povo a preparar o caminho para a chegada de Jesus, nós também somos chamados, neste tempo de Advento, a preparar o coração para receber o Rei,Jesus Advento não é apenas lembrar que Jesus nasceu em Belém há dois mil anos. Mas lembrar que Ele continua vindo. Mas toda vinda exige preparação.E a pergunta é: como estamos nos preparando para a vinda de Jesus? A forma como João preparou o povo é crucial e define o tipo de preparação que a vinda do Senhor sempre exigiu.Então,vejamos:
Primeiro, arrependendo-se porque está próximo o reino dos céus.(v.2). João se apresenta no deserto da Judeia,pregando uma mensagem simples e direta. Ele resumiu a preparação em uma palavra: “Arrependei-vos.” Arrependimento não é só pedir perdão — é mudar o rumo, deixar o que não agrada a Deus e escolher obedecer. Ele dizia: o Reino está chegando! Preparem-se! Mudem!
Segundo ,produzindo frutos dignos de arrependimento (v.8). João Batista não queria arrependimento superficial, mas arrependimento verdadeiro — aquele que produz algo compatível (“digno”) com a mudança que a pessoa diz ter vivido.Produzir frutos dignos de arrependimento é viver uma fé autêntica, visível e coerente.É permitir que Deus transforme nossas atitudes, hábitos, escolhas e relacionamentos.
Terceiro, reconhecendo a Grandeza do Messias (vv. 11–12). João Batista era um profeta admirado, respeitado e seguido por multidões.Ainda assim, quando ele fala sobre Jesus, suas palavras são de total reverência:“Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu.”João sabia que Jesus não era apenas mais um mestre — Ele era o Messias, o Salvador prometido, o Rei que mudaria tudo.Tenho reconhecido a grandeza de Jesus sobre minhas lutas?
João Batista aparece no deserto, proclamando a mensagem de Deus (v. 1). Ele não possui títulos ou qualificações formais. Parece ser alguém que não tem nada, alguém que surge do nada. Ele é a voz que clama no deserto, um arauto enviado por Deus, vivendo de forma humilde e cuja vinda já havia sido profetizada (Isaías 40.3). E como arauto,ele anuncia a chegada de Jesus. Veio com objetivo de aplainar os corações dos homens, afim de receberem o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.Ele disse simplesmente: “ Preparai o caminho do Senhor”. (v.3a). O verbo ἑτοιμάσατε ( preparar) no imperativo significa colocar em ordem, tornar apto. Implica em uma ação urgente e necessária na preparação do caminho (ὁδὸν) do Senhor. No AT, preparar o caminho significava remover obstáculos à passagem do rei. A preparação do caminho não é apenas um ato físico, mas é uma preparação que envolve uma ação espiritual contínua. Isso significa que os cristãos são chamados a examinar suas vidas, a se arrepender de suas transgressões e buscar uma relação mais profunda com Deus. Essa preparação pode incluir práticas como oração, leitura da Bíblia e participação em cultos, que ajudam a fortalecer a fé e a disposição para ouvir a voz de Deus.
No entanto “o caminho do Senhor”,muitas vezes, se encontram em nossas vidas obstruídos, com muitos buracos devido a mágoas, ressentimentos, falta de perdão, ódio, culpas, orgulho. São sentimentos acabam dificultando e obstruindo o nosso acesso de Jesus. Por isso,precisamos “endireitar as veredas.”(v.3b).Aqui também o verbo sugere uma ação contínua ou habitual.A expressão significa literalmente “tornem retas”. Era comum nivelar e corrigir rotas antes da chegada de um rei.Mas que caminho João Batista tinha que preparar e aplainar? No contexto de João Batista, isso era um chamado para que o povo removesse os obstáculos do pecado e da desobediência (arrependimento), para que estivessem moral e espiritualmente prontos para receber Jesus, o Messias.
Mas quem era este homem que "se vestia de pelos de camelo, usava um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre?" (v.4). O que demonstra essa forma de se vestir?Para os judeus, isso era um sinal claro de que João estava cumprindo a profecia de Malaquias 4.5. Isso validava a missão profética de João. Além disso,o seu vestuário simples e sua alimentação contrastavam fortemente com o luxo e o conforto da elite religiosa e social de Jerusalém. Era uma vida de total desapego dos bens materiais, o que reforçava a sinceridade e a seriedade da sua mensagem de arrependimento.Mas também quem era este homem, cuja "toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém iam ter com ele"? (v.5).O verbo grego usado — no tempo imperfeito — indica um fluxo contínuo, um movimento constante de pessoas indo ao deserto para ouvir sua pregação.A ida dos habitantes de Jerusalém, centro religioso e político, mostra que a mensagem de João alcançava até os líderes e pessoas influentes. O movimento também se espalhava por toda a Judeia, alcançando vilas e cidades menores, e incluía até moradores da terra ao redor do Jordão, possivelmente até regiões como Pereia e Galileia, que vinham de longe para ouvi-lo e serem batizados.
Essa intensa busca confirma que o chamado ao arrependimento e a expectativa pela chegada do Messias eram profundamente sentidos pelo povo judeu. Eles reconheceram em João uma verdadeira voz profética.E, assim, " eram por ele batizadas no Jordão, confessando os seus pecados."(v.6).O evangelista apresenta três elementos inseparáveis: primeiro, “eram por ele batizadas”. O batismo ministrado por João era um batismo de arrependimento (Marcos 1.4; Atos 19.4), distinto do batismo cristão sacramental, que seria posteriormente instituído por Jesus. O batismo tinha um caráter preparatório, preparando o povo para a vinda daquele que viria depois dele. O próprio João definia seu batismo: “batismo de arrependimento, para remissão de pecados”.
Segundo,o evangelista apresenta o local: o rio Jordão. É um rio que tem profundo simbolismo histórico. Ele marca a entrada na Terra Prometida (Josué 3); é lugar de purificação (2 Reis 5 — cura de Naamã); será também o local do batismo de Jesus (Mt 3.13–17). Ao batizar no Jordão, João situa seu ministério num cenário de transição, indicando que um novo êxodo espiritual está começando — a passagem da antiga para a nova era messiânica.Terceiro,quesito refere-se à confissão dos pecados.A confissão dos pecados ocorre em paralelo ao batismo. No grego, o particípio ἐξομολογούμενοι indica ação simultânea e contínua: enquanto eram batizados, estavam confessando.Isso mostra que não era apenas um ritual, mas sim a expressão de uma mudança de mentalidade ( arrependimento).
Embora muitas pessoas comuns fossem batizadas por João Batista, o Evangelho destaca a presença dos fariseus e saduceus, grupos religiosos influentes da época: “vendo,porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo.”(v.7a). Mas quem eram esses homens? Os fariseus eram conhecidos pela sua estrita observância da Lei e das tradições orais. Eram muito respeitados pelo povo, mas muitas vezes hipócritas e legalistas, confiando nas suas próprias obras para a justiça. Os saduceus eram a elite sacerdotal, politicamente ligados aos romanos. Eram mais liberais e rejeitavam a crença na ressurreição, anjos e vida após a morte.O fato de "muitos" deles virem ao batismo de João, pois eles geralmente consideravam-se justos o suficiente, não necessitando do batismo de arrependimento destinado aos "pecadores"
.No entanto, reação de João a esses líderes é carregada de indignação profética.Ele os repreende: “Raça de víboras quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (v.7 b ). A expressão “Raça de víboras” (Mt 3.7), pronunciada por João Batista e posteriormente por Jesus, não é um insulto cultural, mas uma avaliação do estado espiritual dos fariseus e saduceus. Eles buscavam o rito, mas não o arrependimento. Aproximavam-se da água, mas não da verdade. Desejavam parecer justos, mas rejeitavam a transformação interior. Por isso João pergunta: “Quem vos ensinou a fugir da ira vindoura?” — uma denúncia direta contra a hipocrisia que tentava escapar do juízo apenas pela aparência externa.Essa acusação sugere que eles estavam vindo ao batismo por motivos errados (talvez para espionar, manter as aparências ou por medo), mas não com um arrependimento genuíno.A verdadeira fé não se constrói sobre máscaras religiosas, mas sobre um coração quebrantado. Deus não se impressiona com posições, títulos ou tradições humanas; Ele sonda a essência, não o discurso.A ira de Deus é a manifestação santa e justa de Seu caráter contra o pecado.
João Batista confronta a hipocrisia e chama a todos para uma mudança real de vida, que deve ser evidente em atitudes concretas. Ele afirma: “Produzi,pois.frutos dignos de arrependimento.” (v.8). Produzir frutos dignos de arrependimento é viver uma fé autêntica, visível e coerente.É permitir que Deus transforme nossas atitudes, hábitos, escolhas e relacionamentos,ou seja,evidências visíveis de mudança. O que antes era mais importante deixa de ser. Na verdade, João Batista não queria arrependimento superficial, mas arrependimento verdadeiro — aquele que produz algo compatível (“digno”) com a mudança que a pessoa diz ter vivido. Os líderes religiosos acreditavam que eram automaticamente aceitos por Deus por serem descendentes de Abraão: “Temos por pai a Abraão” (v. 9a).
Essa era a principal base do orgulho espiritual dos judeus. Eles criam que, por serem filhos de Abraão, já faziam parte do povo da aliança. Isso os diferenciava das nações pagãs. Pensavam: “Somos descendentes de Abraão, então estamos seguros.”
João, porém, declara que Deus não depende de linhagem biológica. Ele é soberano e pode criar um povo fiel até mesmo de pedras, se quiser: “Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão” (v. 9b).As “pedras” representam aquilo que é inanimado, incapaz, algo que parece morto e sem qualquer potencial. Mas Deus pode suscitar filhos — um povo fiel — pelo Seu poder, e não por méritos humanos. Ele pode levantar verdadeiros filhos espirituais de onde menos se espera.
João Batista agora dirige uma advertência urgente e iminente aos fariseus e saduceus, focada na proximidade do juízo divino: "já está posto o machado à raiz das árvores" (v.10a).O machado não está guardado ou em preparação. Ele já foi colocado no lugar, prestes a golpear. Isso significa que o juízo não está distante, O tempo de espera acabou ou está se esgotando rapidamente. É uma declaração de que o juízo divino é urgente e iminente.Por isso,o tempo de arrependimento concedido por Deus é limitado.Para João Batista, arrependimento verdadeiro sempre produz fruto. E “toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.” (v.10b).O que é fruto? São as evidências práticas e visíveis de uma verdadeira mudança interior (arrependimento genuíno). Mas quem não produzir “frutos dignos de arrependimento"(v.8), “ é cortada e lançada ao fogo.”O ato de cortar a árvore pela raiz significa a remoção completa e a condenação. Não há mais oportunidade de recuperação para aquela árvore.O destino da árvore improdutiva é ser "lançada ao fogo". Na Bíblia, o fogo é um símbolo frequente do juízo e da ira de Deus.É um grito de alerta sobre a severidade e a proximidade do julgamento de Deus.
O evangelista estabelece o clímax da pregação de João, contrastando poderosamente seu próprio ministério preparatório com o ministério de Jesus. Ele posiciona-se como um precursor, humildemente declarando a superioridade daquele que virá depois dele. “Eu, na verdade, vos batizo com água, para arrependimento.” O batismo de João era um sinal profético e urgente que preparava o povo para a chegada do Messias.Simbolizava o arrependimento genuíno e a purificação moral do indivíduo.Era um ato público de confissão de pecados e de aliança com o propósito iminente de Deus.Dessa forma, João cumpria sua missão de precursor, preparando um caminho espiritual no deserto.Seu batismo de água para arrependimento contrastava com o batismo de Jesus, que seria com o Espírito e Fogo.
No entanto, diz João Batista:”mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu.”(v.11a). O termo ἰσχυρός (poderoso) traz a ideia de Jesus tem poder sobre a natureza, os demônios, as enfermidades e a morte, e que ele tem autoridade nos céus e na terra. João Batista está ciente disso e por esta razão ele não se demora em declarar “cujas sandálias não sou digno de levar.” (v.11b).Aoristo infinitivo de βαστάζω (levar) significa carregar, levar, suportar.Tradução literal seria: “ cujas sandálias não sou digno de levar.” ou de quem não sou digno de carregar as sandálias” Fazer este serviço alguém alguém, era um serviço de um escravo. Ele quem carregava as sandálias de seu senhor. João Batista entende que não estava à altura nem mesmo ser escravo dele. Ele compreendia que o Filho de Deus era infinitamente superior a ele, e, portanto, manifesta o humilde respeito a Jesus. Isto significa que ele jamais exaltou a si mesmo, mas manteve-se fiel a missão de anunciar o Messias.
João Batista ainda afirma que “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo." (v. 11c).Esta é uma questão que tem gerado muitos debates. Há várias interpretações sobre as palavras que João Batista se referiu. Muitos falam que o batismo com o Espirito Santo é um segundo batismo, um revestimento adicional após a conversão que faz com que a pessoa fale em línguas estranhas ou manifeste algum comportamento diferente após esse suposto segundo batismo com o Espírito Santo. Vamos primeiro refletir o que seria o batismo com o Espirito Santo? A Bíblia mostra que o batismo que recebemos pela palavra de Jesus, unida à água, é o batismo com o Espírito Santo. Somos revestidos, perdoados, regenerados, salvos pelo santo batismo que recebemos quando o pastor joga água na cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Não existe outro batismo. Em Efésios 4.5, Paulo deixa bem claro que há um só Senhor e uma só fé, há também um só batismo. Por isso, não há outro batismo com o Espírito Santo a não ser o batismo que recebemos em nome da Trindade. O mesmo apóstolo Paulo escreve em Tito 3.5 que Deus "nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo". Portanto, desde nosso batismo com água temos, o Espírito Santo em sua plenitude, não precisamos esperá-lo de outra forma
E o “batismo com fogo”, o que seria? Primeiro,vamos refletir sobre o fogo. O que ele representa? Ele é forte e emite luz e calor. Por isso, muitas vezes, representa o grande poder de Deus. Várias passagens bíblicas retratam este poder de Deus se manifestando em fogo, consumindo holocaustos, destruindo cidades, caindo fogo do céu a pedido de profeta, coluna de fogo a guiar o povo na saída do Egito, etc. O fogo também representa destruição. Ele queima e pode causar muita devastação; da mesma forma, o julgamento divino é devastador – Isaías 66.15-16. Ele também representa purificação. Ele era usado para refinar metais, queimando todas as impurezas e deixando apenas metal puro. O fogo de Deus purifica dos pecados – 1 Coríntios 3.13-15.
O fogo,além de ser purificador, ele também significa julgamento divino. O mesmo Jesus que envia o Espírito para operar a fé salvadora é aquele que traz o fogo do juízo para os descrentes; para aqueles que se recusam a arrependerem-se; para aqueles que trocam o Senhor por outros deuses: Lemos em Lc 12.49, algo referente a juízo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder.” Outros exemplo: “O Senhor cumpriu a sua ira, derramou o ardor da sua ira; e acendeu um fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos” ( Lamentações 4.11 ). “Quem pode resistir à sua indignação? Quem pode suportar o ardor da sua ira? A sua ira se derramou como fogo, e as rochas foram por ele quebradas” ( Na 1.6 ). “Assim derramei sobre eles a minha indignação; consumi-os com o fogo da minha ira; fiz recair sobre as suas cabeças o seu proceder, diz o Senhor Deus” ( Ezequiel 22.31 ).“E todo aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” ( Apocalipse 20.15).
Portanto, o batismo do Espírito é a esperança prometida de todo crente. E o batismo de fogo é o destino terrível de todo descrente.Assim, como o “batismo do Espírito” apontava para as promessas de Deus “derramando o seu Espírito”, assim também a imagem de um “batismo de fogo” apontava a imagem de Deus para o derramando do fogo da sua ira. Neste sentido, João advertiu quanto ao julgamento iminente que Jesus haveria de realizar aqueles que se recusam a viver para Deus. Ocorre que haverá uma separação entre os justos e injustos. Agora, eles estão juntos. Os crentes e os não crentes, os convertidos e os não convertidos, os santos e os imundos, todos eles estão juntos. Reúnem-se juntos, se ajoelham juntos, escutam os sermões juntos, e recebem o pão e vinho na mesa do Senhor juntos, se encontram mesclados na Igreja visível de Cristo. Mas nem sempre será assim.
Quando Cristo virá pela segunda vez, “ a sua pá,ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira.” (v.12a). O termo πτύον (pá) era uma ferramenta,uma espécie de garfo grande de madeira, usada no processo de separação do grão da palha.Após a colheita, o grão é levado à eira. A eira ( ἅλων) era um lugar no campo aplanado; uma superfície plana, lisa e dura. Nesta eira o grão era pisoteado ou batido para soltar a parte o grão da palha.A pá,então, era usada para lançar ao ar os grãos debulhados. Com esse processo, o vento levava a palha, mais leve, e os grãos, mais pesados, caíam de volta ao na eira. Este era o trabalho do lavrador naquela época: limpava e recolhia no celeiro os grãos.
Cristo fará o mesmo com sua Igreja. Ele também “limpará! Mas de que forma? Cristo virá pela segunda vez, com a pá em sua mão, Ele vai separar os justos (trigo) dos injustos (palha), e a promessa de que os justos serão reunidos no céu, enquanto os injustos enfrentarão o castigo eterno. Jesus,antes de sua subida aos céus,afirmou que no dia do juízo, todas as pessoas, as nações, os justos como os ímpios, os bons e os maus, sem exceção, todos estarão diante do trono do grande Rei, a saber, Cristo. Ele vai separar as ovelhas e os bodes.As ovelhas e os bodes estarão de lados opostos.E cada um receberá uma sentença.Com isso entendemos que a separação será clara, evidente e sem confusão.Mas o maior consola será a sentença de Jesus aos justos: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” (v.34).Os justos serão bem-aventurados naquele dia! Eles serão reunidos e armazenado no celeiro de Deus, pois colocaram suas vidas nas mãos do Senhor e agora viverão com Ele em sua presença para sempre.Que momentos maravilhosos!
Enquanto,o trigo (justo) é colocado no deposito, a palha (injustos, perversos) que neste ponto é inútil, é reunida e queimada com fogo inextinguível. Estes terão o seu julgamento devido: “serão queimados como a palha em fogo inextinguível.” (v.17b). João usa o verbo κατακαίω no grego, que não significa simplesmente “queimar”, mas "queimar completamente" ou "consumir totalmente.” Geralmente, os lavradores juntavam essa palha e a queimavam. Assim, não havia perigo de o vento misturar novamente a palha com os grãos debulhados. Isto significa que todos os impenitentes, injustos e incrédulos, que se agarraram na sua própria justiça, que estejam aderidos ao pecado, que estejam sem Cristo, esses terão um castigo extremamente severo: Cristo “queimará a palha”. E será queimado em jogo “inextinguível.” O termo grego ἄσβεστος não significa um fogo que dura para sempre, mas um fogo que é incapaz de ser apagado por por ninguém e, portanto, queima ininterruptamente, devorando completamente.João Batista é claro em sua palavras: os perversos e corruptos serão completamente consumidos e reduzidos a cinzas, assim como a palha queimada por uma chama inextinguível neste lugar horrível, chamado inverno!Então, pode estar certo, o inferno será um lugar horrível é eterno.
O evangelista Marcos (9.43) compara o "fogo inextinguível" ao termo grego γεεννα (inferno) que significa literalmente “vale de Hinom”, um lugar que ficava próximo de Jerusalém. Nos tempos bíblicos, esse vale era usado como depósito de lixo. O fogo era mantido constantemente aceso para queimar todos os detritos. Era comum haver fogo consumindo os gases em decomposição. O que não era destruído pelo fogo era consumido por larvas. Jesus usa esta palavra como símbolo de destruição eterna. (Mateus 23.33). Marcos neste texto fala que é o lugar “onde não lhes morre o verme, nem o fogo se paga”. (44, 46, 48). Ele descreve o lugar para aqueles que se rebelam contra Deus. O lugar é horrível! Sobre este lugar Isaías afirma: “E realmente sairão e olharão para os cadáveres dos homens que transgrediram contra mim; pois os próprios vermes sobre eles não morrerão e o próprio fogo deles não se apagará.” (Isaías 66.24).
Estimados irmãos! Preparar o caminho para o Senhor é mais do que um ato histórico realizado por João Batista — é um chamado atual para cada um de nós. Assim como um terreno precisa ser nivelado antes de receber uma construção firme, o nosso coração precisa ser alinhado com a vontade de Deus para que Ele possa agir plenamente em nossa vida.Quando endireitamos nossos caminhos, quando removemos os obstáculos do pecado, da incredulidade e da indiferença, abrimos espaço para que a luz de Cristo brilhe mais forte em nós. E ao fazermos isso, não apenas somos transformados, mas também nos tornamos instrumentos de Deus para preparar outros corações ao nosso redor.
Portanto, saiamos daqui não apenas como um ouvinte, mas como um construtor, um aplanador e um proclamador, preparando o caminho que Cristo seja recebido com honra, reverência e fé viva não somente neste Advento,mas sempre.Amém!
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