TEXTO: MT 16.21-28
TEMA: QUE SIGNIFICADO TEM A CRUZ DE CRISTO PARA VOCÊ?
Depois de Pedro confessar que Jesus é “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, o Senhor começa a mostrar aos seus discípulos o que significa ser o Cristo. Eles precisavam aprender que Ele não veio apenas para ensinar, realizar milagres ou estabelecer um reino terreno. Ele veio para cumprir a vontade do Pai, sofrer, morrer na cruz e ressuscitar ao terceiro dia.Jesus mostra aos discípulos que o caminho da salvação passa inevitavelmente pelo sofrimento e pela cruz.A cruz de Cristo é, portanto, um sinal que revela quem Jesus é, o que ele veio fazer e qual é o caminho que seus discípulos são chamados a seguir.
A cruz tornou-se símbolo de muitas coisas e pode expressar os sentimentos mais variados a quem a contempla. Ela se popularizou de uma forma grandiosa. Encontramos a cruz em diversos lugares.Ela está presente sobre o altar de cada congregação,ao longo das rodovias,no alto das igrejas,nos cemitérios. Há ainda a cruz feita de ouro, de prata, com pedras preciosas que serve como um adorno. Além disso, é colocada na capa de Bíblias e livros de canções religiosas. E tem aqueles que usam a cruz como um talismã de boa sorte, de proteção contra "mal olhado". Todas estas formas de usar uma cruz são de fato formas criativas que provém da imaginação humana.
No entanto, é preciso não perder de vista o significado mais profundo da cruz. Ela não representa apenas sofrimento, rejeição ou morte, mas revela o plano de Deus para a salvação da humanidade. Na cruz, Cristo assumiu voluntariamente o nosso lugar, carregou sobre si os nossos pecados e realizou o sacrifício perfeito para a nossa redenção. A cruz é, ao mesmo tempo, sinal do sofrimento de Cristo e manifestação suprema do amor, da graça e da salvação de Deus.
Jesus declara aos discípulos que quem deseja segui-lo deve negar a si mesmo, tomar a sua cruz e caminhar após o Salvador. Negar-se a si mesmo significa colocar Cristo acima da própria vontade. Tomar a cruz significa permanecer fiel, mesmo diante das dificuldades. Isso não significa conquistar a salvação por meio do nosso sofrimento, pois nossa salvação depende exclusivamente da cruz de Cristo. Carregamos nossa cruz porque pertencemos ao Cristo crucificado. Assim, o discípulo segue o caminho do Mestre com fé, fidelidade e perseverança.
Que significado tem a cruz de Cristo para você?O texto de hoje nos oferece uma resposta diante da nossa pergunta. Então, vejamos:
Primeiro, cruz é o sinal do plano de Deus (v.21).Jesus começa a revelar aos discípulos que deveria ir a Jerusalém. Ele sabia exatamente o que o aguardava. Sabia que seria rejeitado, humilhado, ferido e morto. Mesmo assim, caminhou voluntariamente para Jerusalém, em obediência à vontade do Pai. Ali, na cruz, assumiria sobre si a culpa e o pecado da humanidade. Sua morte seria o sacrifício perfeito em favor dos pecadores. Portanto, a cruz não foi um acidente nem uma derrota, mas fazia parte do plano de Deus para realizar a nossa salvação.
Segundo, a cruz confronta a nossa maneira de pensar (vv.22-23).Pedro não consegue compreender que o Messias deveria sofrer e morrer. Ele tenta impedir Jesus de seguir o caminho da cruz. Pedro pensava conforme os padrões humanos, e não conforme Deus. Esperava um Messias vitorioso, mas não entendia o Messias sofredor. Jesus repreende Pedro porque aquela ideia contrariava o plano divino. Também nós podemos desejar um Cristo sem sofrimento e sem cruz. A Palavra de Deus nos ensina a confiar na vontade do Senhor. A cruz nos chama a abandonar nossos pensamentos e confiar em Deus.
Terceiro, a cruz é o sinal do discipulado (v.24)Jesus declara que quem deseja segui-lo deve negar-se a si mesmo. Também deve tomar a sua cruz e caminhar após o Salvador. Negar-se a si mesmo significa colocar Cristo acima da própria vontade. Tomar a cruz significa permanecer fiel mesmo diante das dificuldades. Isso não significa conquistar a salvação pelo nosso sofrimento. Nossa salvação depende exclusivamente da cruz de Cristo. Carregamos nossa cruz porque pertencemos ao Cristo crucificado. O discípulo segue o caminho do Mestre com fé, fidelidade e perseverança.
Quarto, a cruz ensina o verdadeiro valor da vida (vv25-26)Jesus ensina que aquele que quiser salvar a própria vida poderá perdê-la.Por outro lado, quem perde a vida por causa de Cristo a encontrará.O mundo oferece riquezas, prazeres, reconhecimento e poder.Mas nenhuma dessas coisas pode garantir a salvação da nossa alma.Jesus pergunta: “Que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro?”Nada neste mundo pode ser comparado ao valor da vida eterna.Por isso, devemos colocar Cristo acima de todas as coisas.A verdadeira vida está em Cristo, e não nas conquistas deste mundo.
Quinto, a cruz aponta para a glória futura (vv.27-28). Jesus termina falando sobre sua futura vinda em glória.O Cristo que foi humilhado na cruz voltará como Rei e Senhor.A cruz, portanto, não representa o fim, mas aponta para a vitória.A morte será vencida pela ressurreição e a humilhação dará lugar à glória.Cristo voltará acompanhado de seus anjos para julgar.Cada pessoa será chamada a prestar contas diante dele.Para os que creem, a esperança é a vida eterna com o Salvador.A cruz nos lembra que depois do sofrimento vem a glória com Cristo.
I
Diz o nosso texto que “desde então Jesus começou a falar sobre a sua morte” (v.21). Depois da confissão de Pedro, Jesus passa a revelar aos seus discípulos aquilo que estava diante dele: “Era necessário que ele fosse a Jerusalém, sofresse muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia.” Jesus sabia perfeitamente o que o aguardava. Não caminhava para a morte por acaso, nem foi surpreendido pelos acontecimentos. Ele conhecia a hora, o lugar e o modo de sua morte.
Jesus sabia que deveria ir a Jerusalém, a cidade central da vida religiosa de Israel. Ali seria rejeitado pelas autoridades, traído, entregue, preso, julgado, humilhado e condenado. Sabia que seria açoitado, receberia uma coroa de espinhos e seria levado ao Calvário, onde seria crucificado entre dois malfeitores. Tudo isso estava diante dele. Mesmo conhecendo o sofrimento que enfrentaria, Jesus não recuou, não murmurou e não abandonou sua missão. Com serenidade, firmeza e obediência, caminhou voluntariamente para Jerusalém.
Por que Jesus fez isso? Porque a cruz fazia parte do plano de Deus para a nossa salvação. Sua morte não foi uma derrota, mas o cumprimento da vontade do Pai. Na cruz, Cristo tomou sobre si o pecado da humanidade e ofereceu o sacrifício perfeito em nosso lugar. Ele sofreu aquilo que nós merecíamos, para que recebêssemos aquilo que não poderíamos conquistar por nós mesmos: o perdão, a reconciliação com Deus e a vida eterna.Jesus foi voluntariamente ao encontro da morte porque nos amou e porque desejava cumprir perfeitamente a missão que havia recebido do Pai. E sua morte não seria o fim: ao terceiro dia, ele ressuscitaria, vencendo o pecado, a morte e o poder do diabo.Assim, a cruz nos mostra que Jesus sabia o preço da nossa salvação e, mesmo assim, decidiu pagá-lo por nós. A cruz é o sinal do plano de Deus, do amor de Cristo e da nossa redenção.
Os discipulos ao ouvirem as palavras de Jesus, ficaram decepcionados. Não conseguiram compreender, porque Jesus tinha que morrer,especialmente, Pedro.Ele estava preocupado com Jesus,pois não queria que ele sofresse. Além disso, não entendeu,porque o seu melhor amigo,que socorria necessitados, que se sacrificava por outros, confortava aflitos, que amava seus próprios inimigos, de repente seria pendurado numa cruz.
II
Pedro então falou com imenso ânimo, demonstrando uma grande autoridade, poder, o que segundo ele, poderia alterar a missão do Messias: “Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá”. (v.22).Impressionante a atitude de Pedro. Chamou Jesus à parte, e começou a repreendê-lo, empregando uma linguagem muito enérgica e enfática. Ele queria que Jesus tivesse compaixão dele mesmo. O que significa compaixão? Significa ter piedade, compaixão ou benevolência. Esta compaixão pode ser vista com mais nitidez na vida de Jesus. Ele teve compaixão em muitas circunstâncias durante seu ministério. Por isso, na opinião de Pedro, Jesus poderia aproveitar a oportunidade e fazer uso da compaixão, piedade diante de seu sofrimento. Mas é importante lembrar que, se Jesus compadecesse de Si mesmo, a ponto de negar-se a cumprir a vontade do Pai, estaria deixando de compadecer-Se de toda a humanidade caída no pecado E todos nós, estaríamos definitivamente condenados à morte eterna no inferno.
Que variações bruscas na personalidade de Pedro! Acabava de declarar seu reconhecimento que Jesus era o Messias: "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" (vv.15-16). Agora, muda completamente seu pensamento. Era um homem de contrastes, de temperamento volátil, imprevisível.Em outro momento, quando Jesus queria lavar seus pés no cenáculo, ele respondeu: "Nunca me lavarás os pés." Jesus, porém, insistiu e Pedro disse: "Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça" (Jo 13.8-9). Na última noite que passaram juntos, ele disse a Jesus: "Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!" (Mc 14.29). Entretanto, dentro de poucas horas, ele não somente negou a Jesus, mas praguejou (Mc 14.71).Em nosso texto, Pedro quer convencer Jesus a não se entregar à morte,o que sem dúvida era um argumento satânico para fazer fracassar todo o plano da salvação. Satanás aproveitou-se da fraqueza de Pedro, levando-o a repetir novas tentativas do abandono da missão de Jesus, escapar da cruz e, talvez, criar um reino político como era o desejo do povo em geral. Fugir, neste momento, da morte seria entregar tudo nas garras de Satanás.
Jesus,porém, disse a Pedro: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” (v. 23). Embora a tradução traga a expressão “pedra de tropeço”, ela não consta no texto grego. O termo usado no grego é σκάνδαλον que significa “tropeço”, “armadilha”, “cilada”. Objeto colocado no caminho de um homem para fazê-lo tropeçar, ou “uma armadilha”, “uma isca”, “um engodo” para atraí-lo para fora do seu caminho e assim arruiná-lo. Fica claro que a expressão não era tanto “uma pedra de tropeço” para fazer alguém tropeçar, mas uma “atração” para levar alguém à destruição.O interessante é que Pedro num pequeno instante deixou de ser pedra de edificação, e passou a ser pedra de tropeço, simplesmente por pensar e tentar mudar o foco da verdadeira essência do Evangelho. O medo o levava a pensar nele próprio e não em fazer a vontade do Pai.
No entanto, Jesus olha para o seu discípulo com amor e reconhece nas palavras de Pedro a influência de Satanás.É a mesma artimanha que usou no deserto ao tentar Jesus. Sendo assim, Jesus reage com palavras fortíssimas: “Arreda, Satanás!” (v.23a).Em grego temos a expressão ὑπάγω ὀπίσω μου σατανα (“vai para longe de mim, Satanás”) que é praticamente a mesma expressão usada em Mt 4.10, na terceira e última tentação de Jesus pelo diabo: υπαγε σατανα (“Para longe, Satanás”).Poderia ser: “vai para trás de mim Satanás”, uma vez que o advérbio ὀπίσω significa: para trás, depois. O tempo todo Satanás tentou impedir que o Senhor fosse até a cruz. Novamente Satanás se aproveita da fraqueza de Pedro. Mas Jesus venceu Satanás no deserto, triunfou sobre todas as suas investidas, e esmagou sua cabeça na cruz.
Também somos alvos de Satanás.Ele não desistiu de Jesus,e também não desistirá de nenhum de nós, pois é na fraqueza que ele se aproveita para atacar. O diabo não respeita a ninguém, grandes ou pequenos no mundo, poderosos ou humildes, ricos ou pobres. Da mesma, forma o diabo não respeita nem lugar nem tempo para atacar. Invade o nosso lar, semeando o joio da desunião entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos. Durante a oração, no cantar, na liturgia,no ouvir da Palavra, ele distrai a concentração, fazendo com que apenas os lábios participem. Por isso, devemos vigiar e orar o tempo todo. Ele é um ser maligno e perseverante. Sempre haverá suas investidas. O apóstolo Pedro nos deixou isso bem claro: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.8,9).
Na verdade, não estamos sós nesta luta diária contra Satanás. Caso contrário, estaríamos perdidos. Não estamos sós, porque Jesus venceu o inimigo. Venceu Satanás na cruz. Que grande consolo: a morte na cruz significou o esmagamento da cabeça da serpente.Foi na cruz que ocorreu a maior prova de amor que já existiu: o próprio Deus entregou seu Filho unigênito para nos salvar. Na cruz, Cristo deu sua vida por nós, carregando os nossos pecados e conquistando o perdão e a salvação. Nós fomos libertos na cruz! Por isso, ela é o sinal de nossa redenção, salvação, vida, perdão, consolo que Cristo obteve por nós Diante dessa simples e grandiosa revelação, faz-se necessário compreendermos e não perder de vista o significado mais profundo da cruz.
III
Jesus aproveita este momento sobre o significado da cruz, e orienta seus discípulos diante da sua caminhada à Jerusalém. Na verdade, os próprios discípulos ainda precisavam entender de forma profunda o significado da cruz como sinal de nossa redenção, salvação, vida, perdão, consolo que Cristo obteve por nós, e o significado de servir o reino de Deus. Sendo assim, apresenta um grande desafio aos discípulos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (v.24).
Jesus começa com a expressão: “Se alguém quer…”. Quem é alguém? Alguém é qualquer pessoa, em qualquer lugar. O convite de Jesus para este alguém é antecedido por um “Se”: “Se alguém quer…”. Esta expressão mostra que a decisão por seguir Jesus é voluntária. Ele não obriga ninguém a segui-lo. Quando Ele chamou os discípulos e disse segue-me. Qual foi a decisão dos discípulos em relação ao convite de Jesus? Eles largaram imediatamente tudo e seguiram Jesus. Aceitaram o convite! Deixaram para trás suas redes, os familiares, o conforto, e são capacitados e instrumentalizados por Jesus para essa tão nobre tarefa. Mesmo assim, sempre tiveram dúvidas na decisão de seguir a Jesus. Eles sempre entendiam de outra forma o seguir a Jesus.
Contudo, desta vez, Jesus coloca algumas condições para segui-lo. Apresenta princípios básicos, afirmando que ninguém será aceito se recusar estes princípios.Quais? Primeiro, o discípulo de Cristo precisa “negar-se a si mesmo” (v.24b). O que é negar a si mesmo? A expressão no grego significa “esquecer de si mesmo; perder a visão ou interesse próprio”; “recusar-se associar-se com”; “repudiar; renunciar a vontade própria.Assim, negar-se a si mesmo é colocar Cristo acima de si mesmo, confiar nele e permitir que sua Palavra oriente nossas escolhas. Isto quer dizer que o seguidor de Cristo adota uma nova identidade. Ele põe-se totalmente à disposição de Jesus. Abandona e rejeita o eu,e não continua com o modo de pensar,sendo egoísta e hipócrita.Enfim, negar-se a si mesmo, significa completa submissão a Cristo Esta é uma condição indispensável a quem almeja ser um verdadeiro discípulo de Cristo.
Segundo principio, o discípulo de Cristo precisa tomar sua cruz.(v.24c). Naqueles tempos o morrer na cruz era a forma mais tenebrosa e aflitiva que um homem poderia imaginar. Não era apenas um fardo ou um problema,mas era um instrumento de tortura. A vítima era obrigada a carregar a sua cruz até o lugar de sua execução quando era crucificada. Ficava exposto na cruz para que todos vissem e temessem aquele modo de castigo. Era uma forma das autoridades se imporem junto ao povo e dominá-los pelo medo e desespero desse tipo de morte.
Por isso, tornou-se símbolo de sofrimento horrível e vergonhoso. Jesus fala exatamente para os discípulos sobre o instrumento de tortura mais abominável da época, a cruz. Com certeza os discípulos conheciam esta prática,porque no passado as execuções públicas eram comuns. Todos os dias pessoas eram mortas crucificadas, e isso acontecia de forma pública. Pouquíssimas pessoas não tinham visto uma execução alguma vez na vida. Sendo assim, os discípulos ao ouvirem as palavras de Jesus sobre a cruz, não pensaram em outra coisa, senão na morte pelo método mais agonizante jamais conhecido pelo homem.
Portanto, as palavras de Jesus foram suficientemente claras: os discípulos deveriam tomar a sua cruz e seguir a Jesus. Mas o que ele quis dizer com isso? Muitos interpretam erroneamente essa expressão quando enfrentam sofrimentos, dificuldades e tribulações, afirmando simplesmente: “Esta é a minha cruz”. Outros entendem “tomar a cruz” como carregar uma cruz física ( feita de madeira, ferro, louça ou ouro) às costas ou pendurada no pescoço, como se isso pudesse representar o sofrimento ou até livrá-los dele.
No entanto, “tomar a sua cruz” significa identificar-se verdadeira e autenticamente com Cristo e viver uma vida consagrada a Deus como seu discípulo. Significa estar disposto a renunciar a si mesmo, permanecer fiel a Jesus e fazer tudo o que estiver ao alcance para tornar Cristo conhecido por meio do nosso viver. Nosso testemunho deve ser firme, constante e verdadeiro, mesmo diante das dificuldades. Tomar a cruz é viver para Cristo, lembrando diariamente que pertencemos a ele e que Cristo vive em nós.
Terceiro, o discípulo de Cristo precisa seguir a Jesus.( v.24d ). Jesus sente prazer quando vê que os homens o seguem. Mas o que é seguir a Jesus? O verbo ἀκολουθήσω está no imperativo e significa: seguir alguém, acompanhar; juntar-se a um como um discípulo, tornar-se ou ser seu discípulo. É uma palavra comum e usual para os soldados que seguem seu líder e comandante. É comummente usada para seguir, obedecer ao conselho ou à opinião doutra pessoa. Os discípulos quando foram chamados,deixaram tudo e seguiram imediatamente a Jesus. Era um grande desafio para os discípulos, pois tiveram que abandonar suas redes, os familiares, o conforto e seus negócios de pesca, mesmo que tivessem que sofrer.
Então,podemos afirmar que seguir a Jesus é renunciar a si mesmo. É entregar-se com todo o coração. Na verdade, o seguir a Cristo consiste em atingir o alvo que Deus determinou para o ser humano, que é a vida espiritual, a vida do mundo vindouro, a vida eterna. Assim, ao iniciar o caminho do discipulado, Jesus exige dos seus discípulos doação total da vida, de todo o coração, de toda a pessoa.
IV
Jesus apresenta agora um princípio fundamental do discipulado: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á.”(v.25a ). Desde a antiguidade o homem tem questionado sobre a vida humana.Mas o que é vida? O termo vida no grego é ψυχὴν, que significa alma, sopro, sombra. A filosofia, as religiões humanas e até a ciência médica sempre procurou responder esta pergunta. E cada um procurou entender o sentido da vida de acordo com suas experiências pessoais, crenças, paradigmas e valores neste mundo.Para Aristóteles, filósofo grego, “a felicidade é o sentido e o propósito da vida. O único objetivo e a finalidade da existência humana.” Para outros,a felicidade resultava da satisfação dos desejos e de uma vida simples, ausente de dores e preocupações.Como se observa,para os nossos antepassados e filósofos gregos, a busca pela felicidade era o motor central da nossa vida.Este pensamento é bem realista quando analisamos as palavras do Apóstolo Paulo: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.” (1Coríntios 15.32).
O que se percebe na atualidade é que muitas pessoas seguem esta filosofia de vida.Está é uma linha de pensamento que muitos procuram preencher em suas vidas.Aliás,muitos a definem pelos bens materiais, realizações pessoais,satisfação ou o prazer.O lema na atualidade é:vamos “curtir” ao máximo!Também o que se percebe na vida de muitas pessoas é o desejo de ganhar. Querem ser vistas como pessoas bem-sucedidas, que ganha muito dinheiro, um cargo de destaque no emprego, status, títulos, celebridade.
Neste sentido, somos levados a crer que a vida é uma grande competição, em que ganhar, diariamente, é a grande razão de estarmos sobre a terra. Esta é a esperança das pessoas que se limita apenas a esta vida.Em nome dessa vontade de ter o mundo inteiro, o homem quer viver a sua própria vida. Não está errado!Isso não quer dizer que não devamos buscar o sucesso e até mesmo nos destacarmos em empreendimentos dignos, incluindo a educação e o trabalho honrado.O erro se configura quando os bens materiais são colocados antes de servir, honrar e glorificar a Deus. Lemos em Lucas 12.15: “E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui.”
Entretanto, a triste realidade é que pelo fato de muitas pessoas querem salvar a sua vida terrena, aproveitando de tudo, perderão a vida eterna, pois preferem trocar os valores eternos pelos prazeres transitórios dessa vida efêmera. Ganhar o mundo e perder a alma é uma péssima decisão,pois aquele que com seus próprios recursos quiser salvar a sua vida vai perdê-la.De fato,quando valorizamos ou aceitamos o modelo de vida que a sociedade nos oferece,perdemos a nossa comunhão com Deus,perdemos a salvação,a eternidade.Lemos em Isaías 59. 2: “mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça. “ Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lc 12.20).
Por outro lado, aquele que busca a salvação no Senhor Jesus, renunciando a sua vontade para se submeter a Deus, vai achá-la.Jesus disse: “e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (v.25b ). A ideia de perder a vida pode parecer assustadora à primeira vista, mas aqui Jesus não está falando sobre destruição, mas sobre renúncia , entrega total a Ele, atitude de vida de nossa vontade,de renuncia de nossos próprios interesses. Enfim, perder a vida por amor de Jesus significa estar disposto a enfrentar dificuldades, perseguições e até mesmo o martírio por causa de nossa fé (Lucas 9.23-24).Por isso, entrega-se totalmente a Cristo! Essa entrega implica em deixar o que existe de mais precioso em sua vida para seguir a Cristo, para que posso obter a salvação de sua vida.Os discípulos tomaram esta atitude quando foram chamados por Jesus. Está disposto a perder a sua vida por Cristo, ou ganhar a sua vida neste mundo?O convite de Jesus continua valendo: venham a mim e sigam-me; sejam meus discípulos e busquem as coisas de Deus em primeiro lugar.
No entanto,se você considera a família, diplomas, casa, dinheiro, bens, amigos ,se tudo isto for seu maior tesouro em sua vida,então,Jesus dirá: “ Porquanto, que aproveitará o homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? ou que dará o homem em troca de sua alma?(v.26).Novamente aqui aparece o termo ψυχὴν, que significa vida, alma, sopro.Neste versículo, Jesus faz duas perguntas.A primeira: Que aproveitará o homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma (vida)? Ganhar o mundo inteiro sempre foi o sonho do ser humano.Tem gente que em todos os segmentos, querem ganhar o mundo todos os dias.É algo que acompanha o homem desde sua criação.Ele sempre teve o desejo de ter e dominar o mundo.E nesta vontade de ter o mundo inteiro, homens fizeram guerra, escravizaram outros, dominaram, mataram, religiões foram criadas.Mas de que vale ganhar o mundo, e no final de tudo perder a vida.A verdade é que neste vida, nos apegamos em tantas coisas.Elas tornam-se importantes e real valor para nós, ainda mais nos tempos atuais onde tudo tem seu valor.Isto demonstra o quanto valorizamos o que temos.E nesta perspectiva de ganhar o mundo inteiro e perder a vida,é algo muito ruim.
Os discipulos deveria se conscientizar deste pensamento de Jesus, de que nada adiantava ganhar o mundo inteiro,negando a Jesus e perder esta vida.Sendo assim,Jesus questiona os discipulos: Que dará o homem em troca de sua vida? O que tem de tão importante,valioso em sua própria vida que está relacionado à obra que Jesus deveria realizar? O que poderíamos ter para dar em lugar desta vida? Não há herança, riquezas, bens materiais, fortuna, ouro e prata que se comparem ao valor desta vida. O homem não possui nenhum valor que possa trocar. Ela vale mais que o mundo inteiro, e ninguém tem nada para dar, pois é um preço muito alto.Ele foi pago por Jesus na cruz. Ele derramou seu sangue na cruz do calvário , para nos salvar,porque estávamos mortos por causa do nosso pecado. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Efésios 2.4,5).Pela graça de Deus encontramos Jesus, encontramos a vida, encontramos a salvação. Negar esta obra maravilhosa é perder a vida.
V
Depois de anunciar aos discípulos que deveria ir a Jerusalém, sofrer, morrer e ressuscitar, Jesus mostra que a cruz não seria o fim de sua história. Aquele que seria humilhado e crucificado voltaria em glória: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” (v.27).Quando Jesus afirma que “o Filho do Homem há de vir”, ele está falando de um acontecimento futuro, mas absolutamente certo. Cristo voltará. O mundo não caminhará indefinidamente sem prestar contas a Deus. Haverá um dia em que Jesus se manifestará em glória, acompanhado de seus anjos, e todos estarão diante dele. Aquele que foi rejeitado pelos homens, condenado e colocado numa cruz será reconhecido como Senhor e Juiz. Para os que creem, essa promessa não deve produzir medo, mas esperança, pois o Salvador que voltará é o mesmo que entregou sua vida por nós.
No entanto, para aqueles que conhecem e amam o Senhor Jesus Cristo, sua volta em glória é uma promessa reconfortante, que enche o coração de esperança e expectativa. Jesus declara: “Então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” (v.27).O verbo grego ἀποδίδωμι, traduzido por “retribuir”, possui o sentido de dar em resposta, recompensar, devolver ou conceder aquilo que corresponde. Já o termo πρᾶξις, traduzido como “obras”, refere-se ao modo de agir, à conduta ou às ações de uma pessoa.A mesma verdade aparece na mensagem à igreja em Tiatira: “Darei a cada um de vós segundo as vossas obras” (Ap 2.23). As boas obras são frutos que demonstram a realidade da fé em Cristo.O cristão não faz boas obras para ser salvo, mas porque já foi alcançado pela salvação.A verdadeira fé produz amor, serviço, fidelidade e perseverança.Nossa confiança em Cristo se manifesta na maneira como vivemos e servimos ao próximo.Assim, nossas obras são uma resposta de gratidão àquele que nos salvou pela sua graça.
Esta é a promessa de Jesus para aqueles que permanecem fiéis até o fim.A fidelidade se manifesta quando andamos com Deus e vivemos segundo a sua Palavra.O cristão é chamado a honrar os princípios do Senhor e permanecer na sua graça.Devemos crescer constantemente no conhecimento de Jesus Cristo e confiar nele.Nossa esperança não está nas coisas passageiras deste mundo, mas na vida eterna.Aqueles que rejeitam os caminhos de Deus enfrentarão o juízo eterno.Jesus advertiu que nem todos os que o chamam de “Senhor” entrarão no Reino dos céus (Mt 7.21).Não basta uma profissão exterior de fé; é necessário viver na confiança em Cristo e em sua Palavra.Por isso, permaneçamos fiéis ao Senhor, confiando em sua graça até o fim.
Jesus encerra o texto ao repetir a promessa, acrescentando que "alguns dos que estão aqui ... não provarão a morte até que vejam o Filho do Homem no seu reino".(v.28). Jesus assegurou aos discípulos que, antes da morte, alguns deles veriam no seu reino.Diante destas palavras de Jesus,precisamos refletir sobre o termo βασιλείᾳ (reino).
Este termo foi, muitas vezes, usado como uma metonímia para significar “majestade real " ou " nobre esplendor ". Significa que o termo remete para uma manifestação da realeza de Jesus, em vez de Seu reino terrestre literal. Então,poderíamos traduzir: " até que eles verão o Filho do Homem no seu esplendor real.” Sendo assim,muitos veem à cena da transfiguração como cumprimento da promessa de que “alguns” dos discípulos de Cristo veriam “vir o Filho do homem no Seu reino.” Mateus, Marcos e Lucas registram com detalhes, logo depois dessas palavras de Jesus. Pedro, uma das testemunhas oculares da transfiguração, fortalece essa interpretação através das seguintes palavras: “ nós mesmos fomos testemunhas oculares da Sua majestade, pois Ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória.” (II Pe. 1.16-18).
No dia em que Jesus foi transfigurado, os discipulos tiveram uma revelação, um conhecimento do Senhor Jesus que nunca podiam imaginar. Viram o Senhor de uma maneira maravilhosa, preciosa. Tiveram o privilegio de vislumbrar algo da majestade de Deus. Como participante desta cena maravilhosa, os discípulos foram fortalecidos e desafiados a olhar além da morte do Mestre. Olhar para a cruz como fonte de vida, de perdão, de misericórdia, de reconciliação e de paz. De vitória, vida que vence a morte.De ânimo e convite à oração, pois, quando tudo parecer perdido, podemos com o Cristo orar: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito…” (Lc 23, 46).O próprio Cristo, sem dúvida alguma, foi fortalecido através deste evento, a trilhar o caminho previsto pelo Pai e ser fiel até a morte.
Estimados irmãos! Jesus nos chama a segui-lo, negando a nós mesmos e tomando a nossa cruz. Enquanto aguardamos sua volta em glória, somos chamados a permanecer firmes na fé e viver como seus discípulos. Que a cruz de Cristo seja para nós o sinal do amor de Deus, do perdão, da salvação e da esperança da vida eterna.Que cada um de nós, ao ver uma cruz, seja ela pequena, grande, bonita, feia, tosca, lisa, lembre-se: ela representa algo para cada um de nós: a nossa salvação. Que este sinal sirva de consolo vida e esperança durante a nossa vida diária.Amém!
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