TEXTO: Rm11.33–12.8
TEMA: A GRAÇA DE DEUS NOS CONDUZ À ADORAÇÃO E AO SERVIÇO
Depois de apresentar o pecado humano, a justiça de Deus, a salvação pela fé em Cristo e a riqueza da misericórdia divina, Paulo exclama: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!” (v.33). Ele reconhece que tudo vem de Deus e que seus caminhos estão acima da nossa compreensão. A salvação é fruto da graça e da misericórdia de Deus em Cristo.
Por isso, a graça recebida nos conduz à adoração. Paulo inicia o capítulo 12 chamando os cristãos a apresentarem seus corpos como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (v.1). A misericórdia de Deus transforma nossa maneira de viver e nos conduz a uma mente renovada, capaz de discernir a vontade do Senhor.
Essa nova vida também se manifesta no serviço. Deus concede diferentes dons aos seus filhos para que sejam usados na Igreja e em favor do próximo. Não servimos para conquistar a salvação, mas porque já fomos alcançados pela graça. Assim, a graça de Deus nos conduz à adoração e ao serviço, para que tudo em nossa vida resulte na glória do Senhor.
Assim, o texto nos apresenta três verdades: a grandeza de Deus nos leva à adoração; a misericórdia de Deus nos leva a uma nova vida; e a graça de Deus nos capacita a servir.
Primeiro, grandeza de Deus nos leva à adoração ( 11.33-36). Paulo reconhece a profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus. Deus é infinitamente maior do que nossa capacidade humana de compreendê-lo.Seus juízos são insondáveis e seus caminhos, inescrutável. Queremos, muitas vezes, entender e controlar tudo o que acontece em nossa vida.Porém, Deus não precisa se submeter à nossa compreensão limitada.Somos chamados a confiar em sua sabedoria e em sua soberania.Diante de sua grandeza, nossa resposta deve ser humildade, louvor e adoração.Tudo vem de Deus, é sustentado por Ele e existe para a sua glória.
Segundo, a misericórdia de Deus nos leva a uma nova vida. ( 12.1-2). Paulo nos chama a oferecer o nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.Isso significa entregar a Ele toda a nossa vida, reconhecendo sua graça e seu amor.Não devemos nos conformar com os valores e padrões deste mundo.Pelo contrário, somos chamados a permitir que Deus transforme nossa mente e nosso coração.Essa transformação nos ajuda a discernir a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.A nova vida cristã é uma resposta de gratidão à misericórdia que recebemos.Assim, vivemos não para nós mesmos, mas para servir e glorificar ao Senhor.
Terceiro, graça de Deus nos capacita a servir ( 12.3-8).A graça de Deus nos capacita a servir com humildade e dedicação.Paulo nos ensina a não pensar de nós mesmos além do que convém.Cada cristão recebeu de Deus dons diferentes para colocar a serviço do próximo.Assim como o corpo possui muitos membros, a Igreja é formada por pessoas com diferentes funções.Nenhum dom é superior ou inferior, pois todos são importantes na obra de Deus.Devemos usar nossos dons conforme a graça que recebemos do Senhor.O serviço cristão não busca reconhecimento pessoal, mas o bem do próximo e a edificação da Igreja.Portanto, sirvamos com alegria, fidelidade e gratidão, sabendo que tudo procede da graça de Deus.
Depois de apresentar a ação de Deus na história da salvação, especialmente sua misericórdia para com judeus e gentios, Paulo percebe que está diante de uma realidade que ultrapassa a compreensão humana. Por isso, ele afirma: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!” (v. 33). Ao mencionar estas palavras,Paulo expressa uma forte emoção. Ele não está apenas fazendo uma afirmação teológica, mas reage com admiração e reverência diante daquilo que acabou de explicar. Sua teologia transforma-se em louvor a Deus.
Essa admiração fica evidente quando Paulo exclama: “Ó profundidade!”. A palavra grega βάθος significa literalmente “profundidade” e transmite a ideia de algo tão profundo que não pode ser facilmente alcançado, sondado ou medido. Paulo utiliza essa expressão para mostrar que a riqueza, a sabedoria e o conhecimento de Deus estão muito além dos limites da compreensão humana.Esses três termos estão relacionados, mas cada um enfatiza uma dimensão diferente da perfeição divina.
Primeiro ele fala sobre a riqueza.A palavra grega πλοῦτος significa “riqueza”, “abundância” ou “plenitude”. Aqui, aponta especialmente para a abundância da graça e da misericórdia de Deus. Deus é rico em bondade e não age conosco segundo aquilo que merecemos. Sua graça é suficiente e não se esgota. Em Cristo, vemos a maior expressão dessa riqueza, pois Deus oferece gratuitamente a salvação aos pecadores. Portanto, quando Paulo fala da profundidade da riqueza de Deus, ele nos leva a contemplar a abundância de sua graça, que ultrapassa nossa compreensão.
Segundo, sobre a sabedoria( σοφία).A sabedoria de Deus não consiste apenas em saber muitas coisas, mas em saber perfeitamente como agir e conduzir todas as coisas de acordo com sua vontade. Deus conhece o melhor caminho e realiza seus propósitos com perfeição. Mesmo quando não entendemos o que está acontecendo, podemos confiar que Deus não perdeu o controle. Sua sabedoria é superior à nossa e seus planos são sempre perfeitos.
Terceiro,sobre o conhecimento (γνῶσις). Deus possui conhecimento perfeito, completo e ilimitado. Nada está escondido de seus olhos. Ele conhece todas as coisas, inclusive aquilo que nós não conseguimos compreender. Conhece nossa vida, nossas necessidades, nossas lutas e também o futuro. Por isso, podemos confiar nele mesmo quando não conseguimos enxergar o caminho.
Assim, riqueza, sabedoria e conhecimento revelam a grandeza de Deus: Ele é abundante em graça, perfeito em sabedoria e infinito em conhecimento. Diante dessa realidade, não resta espaço para a arrogância humana. Resta-nos reconhecer nossa dependência, confiar em sua Palavra e adorá-lo. Quanto mais percebemos a grandeza de Deus, mais reconhecemos nossa pequenez e mais somos conduzidos a dar a Ele toda a glória.
Depois de declarar a profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus, Paulo apresenta duas perguntas retóricas: “Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?”(v.34). Nesta primeira pergunta, Paulo não está procurando alguém que realmente conheça plenamente a mente de Deus; pelo contrário, está afirmando que ninguém é capaz de conhecer completamente os pensamentos, os planos e os propósitos do Senhor.
A palavra “mente” indica mais do que pensamentos. Refere-se à sabedoria, aos pensamentos, aos propósitos e à vontade de Deus.Isto significa que Paulo está destacando que Deus possui uma sabedoria infinitamente superior à humana. Mas a pergunta no leva à humildade. Não podemos colocar Deus dentro dos limites da nossa compreensão nem exigir que Ele explique tudo o que faz. Há coisas que Deus revelou claramente em sua Palavra, especialmente seu amor e sua salvação em Cristo; outras permanecem além da nossa compreensão.
Na segunda pergunta, confronta nossa tendência de querer ensinar a Deus como Ele deve agir. Ninguém pode ser conselheiro de Deus,pois o Senhor possui conhecimento perfeito e sabedoria infinita. Ele não precisa de orientação humana para decidir ou conduzir seus planos. Ele conhece todas as coisas e sabe perfeitamente o que é melhor. Por isso, não somos nós que devemos ensinar a Deus como agir. Podemos apresentar a Ele nossas necessidades, desejos e pedidos em oração, mas devemos confiar em sua vontade e sabedoria. Por isso, a pergunta de Paulo nos conduz à humildade e à confiança. Não somos nós que orientamos Deus. Mas somos nós que precisamos ser orientados por sua Palavra. Não somos nós que conhecemos o caminho perfeito; é Deus quem conhece o caminho e nos conduz.Assim, diante da pergunta de Paulo, a resposta é: ninguém foi conselheiro de Deus. Por isso, em vez de tentar ocupar o lugar de Deus, somos chamados a descansar nele, confiar em sua Palavra e adorá-lo.
Paulo, depois de falar sobre a profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento do Senhor, faz uma pergunta que nos coloca diante de uma verdade fundamental: “Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?” (v.35). Na primeira parte da pergunta, Paulo deixa evidente que ninguém pode dar alguma coisa a Deus que faça com que o Senhor se torne devedor do ser humano. Tudo aquilo que temos e somos, em última análise, procede do próprio Deus. Antes de podermos oferecer qualquer coisa ao Senhor, já recebemos dele a vida, os dons, as capacidades e todas as condições necessárias para servi-lo. Portanto, Deus não é nosso devedor; nós é que somos continuamente dependentes de sua graça e de suas dádivas.
Na segunda parte do versículo, Paulo deixa claro que ninguém pode colocar Deus na obrigação de retribuir alguma coisa. Tudo o que temos vem do próprio Senhor; portanto, ninguém pode afirmar que Deus lhe deve algo. Ele é o Criador; nós somos criaturas. Ele é a fonte de todas as coisas; nós somos aqueles que recebem.Essa verdade também é importante para nossa vida de oração. Podemos apresentar nossas necessidades ao Senhor, clamar, pedir e suplicar. Entretanto, oração não é uma negociação com Deus. Não dizemos: “Senhor, eu fiz a minha parte; agora faça a sua”. Podemos pedir com confiança e esperar em suas promessas, mas sempre reconhecendo sua soberania e bondade, dizendo: “Seja feita a tua vontade.” Assim, oramos não para colocar Deus em dívida conosco, mas porque confiamos que ele, em sua graça e sabedoria, sabe o que é melhor para nós.
Paulo confronta, assim, qualquer ideia de que o ser humano possa conquistar ou merecer a graça de Deus por suas próprias obras. A salvação não é um salário que Deus paga ao pecador por suas obras; é um presente concedido pela graça. Ninguém pode chegar diante de Deus dizendo: “Eu mereço ser salvo porque fui uma boa pessoa ou porque fiz boas obras suficientes”. Todos somos pecadores e dependemos inteiramente da misericórdia de Deus.Nossa esperança está em Cristo. Ele cumpriu por nós aquilo que não poderíamos cumprir. Na cruz, Jesus levou sobre si os nossos pecados e conquistou para nós a salvação. Portanto, não recebemos a vida eterna porque Deus tem a obrigação de nos pagar alguma coisa, mas é por causa da sua graça e misericórdia, que Ele nos oferece a salvação em Cristo.
Essa verdade também transforma nossa maneira de servir. Não servimos a Deus para colocá-lo em dívida conosco, mas porque já recebemos dele todas as coisas. Os dons que possuímos não são motivo de orgulho, mas presentes de Deus que devem ser usados para o bem do próximo e para a edificação da Igreja.Por isso, quando alguém trabalha na Igreja, ensina, canta, visita, ajuda, contribui ou anuncia o Evangelho, não deve pensar: “Deus precisa me recompensar porque eu fiz isso”. Pelo contrário, podemos dizer: “Senhor, obrigado porque me deste a oportunidade, os dons e a capacidade de servir.”
Paulo conclui de maneira grandiosa a reflexão sobre a sabedoria, o conhecimento e a soberania de Deus. Depois de mostrar que ninguém pode ser conselheiro de Deus nem colocar o Senhor em dívida, Paulo afirma que todas as coisas têm sua origem, seu sustento e seu propósito em Deus.Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (v.36). A expressão “por meio dele” significa que Deus é a fonte de todas as coisas; nossa vida, nossos dons, capacidades e bênçãos procedem do Senhor. Mostra que dependemos continuamente de sua ação e providência, pois é o Senhor quem sustenta e conduz a sua criação. “Para ele” indica que o propósito de nossa vida deve ser a glória de Deus. Por isso, não temos razão para nos orgulhar de nossas capacidades ou obras, como se tudo dependesse de nós. Até mesmo a oportunidade de servir ao Senhor é uma dádiva de sua graça.
Assim, Paulo nos conduz da dependência à adoração: recebemos tudo de Deus, vivemos por meio dele e existimos para ele. Por isso, Paulo termina dizendo: “A ele, pois, a glória eternamente.” Essa é a conclusão natural de tudo o que foi dito. Se tudo vem de Deus, é sustentado por Deus e existe para Deus, então toda a glória pertence a Ele.
Paulo não está ensinando que precisamos oferecer boas obras para conquistar a salvação, mas que, tendo recebido a salvação pela graça, respondemos a Deus com uma vida de gratidão. E como podemos responder com gratidão? Paulo afirma: “que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo,santo e agradável a Deus”(v.12.1b)A expressão “pelas misericórdias de Deus” é fundamental: o serviço cristão não nasce da tentativa de merecer o favor de Deus, mas daquilo que Deus já fez por nós em Cristo.
Portanto,Paulo nos convida apresentar o corpo como “sacrifício vivo”. Isto significa colocar toda a nossa vida a serviço do Senhor: nossos pensamentos, palavras, atitudes, dons, tempo e recursos. É um sacrifício diferente dos sacrifícios do Antigo Testamento, pois não é um animal morto colocado sobre o altar, mas uma vida que pertence continuamente a Deus. Por isso, nosso culto não se limita ao momento em que estamos reunidos na igreja; toda a existência do cristão pode ser vivida como culto a Deus. Servimos, trabalhamos, ajudamos, ensinamos, cantamos, visitamos e cuidamos do próximo como resposta de gratidão pelas misericórdias que recebemos. Deus não precisa do nosso serviço para completar alguma coisa que lhe falte; nós servimos porque já fomos alcançados por sua graça.
Paulo chama isso de “culto racional”(12.1c), isto é, um culto consciente e coerente com a misericórdia que recebemos. Não servimos a Deus para fazê-lo nosso devedor, nem para comprar sua graça. Servimos porque fomos alcançados pela graça. Assim, Paulo nos ensina que a vida cristã é uma resposta de gratidão: Deus entregou Cristo por nós; agora, em gratidão, entregamos nossa vida ao serviço de Deus e do próximo.
Ele mostra que essa vida consagrada a Deus começa com uma transformação interior: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”(12.2).Paulo começa dizendo: “não vos conformeis com este século”. O cristão não deve simplesmente assumir os valores, pensamentos e comportamentos que predominam no mundo quando eles são contrários à vontade de Deus. Isso não significa abandonar a sociedade ou viver isolado, mas significa não permitir que os padrões do mundo determinem a nossa maneira de pensar e viver.
Em seguida, Paulo apresenta o caminho positivo: “transformai-vos pela renovação da vossa mente”. A vida cristã envolve uma mudança contínua de pensamento, valores e atitudes. Essa transformação não acontece pelo esforço humano para conquistar o favor de Deus, mas pela Sua ação em nós por meio da sua Palavra. À medida que conhecemos a vontade de Deus e somos conduzidos pelo Evangelho, nossa maneira de enxergar a vida é renovada.
O objetivo dessa transformação é “experimentar qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. A vontade de Deus não é apresentada como um peso, mas como aquilo que é bom, agradável e perfeito. O cristão, portanto, não vive simplesmente perguntando: “O que eu quero fazer?”, mas procura discernir: “O que Deus deseja que eu faça?”
Quem recebeu a misericórdia de Deus é chamado a oferecer sua vida ao Senhor e a permitir que sua mente seja continuamente renovada pela Palavra. A graça recebida transforma nossa maneira de pensar e, consequentemente, nossa maneira de viver.
Depois de falar sobre a renovação da mente, Paulo reconhece que seu chamado e ministério vêm de Deus. Ele afirma: “pela graça que me foi dada”(12.3a),Paulo não se considera superior aos demais, mas alguém alcançado e capacitado pela graça.Por isso, exorta cada cristão a não pensar de si mesmo “além do que convém(12.3b)”. Ele não ensina uma falsa humildade, como se devêssemos considerar-nos sem valor ou incapazes.O problema está em atribuir a nós mesmos uma importância, capacidade ou posição que não possuímos.O orgulho leva a pessoa a considerar-se superior aos outros.Ele também faz esquecer que tudo o que temos e somos recebemos de Deus. A verdadeira humildade reconhece os dons recebidos e os coloca a serviço de Deus e do próximo.
Ocorre que o ser humano, por causa do pecado, facilmente transforma os dons recebidos de Deus em motivo de exaltação pessoal. Quando isso acontece, a pessoa deixa de enxergar seus dons como presentes da graça e começa a considerá-los como resultado exclusivo de seu próprio mérito. Pode pensar: “Sou mais capaz”, “sei mais”, “sou mais importante”, “meu trabalho é indispensável”. Essa atitude rompe a comunhão, gera competição e leva a pessoa a desprezar aqueles que possuem dons diferentes.
Paulo mostra que tudo começa com a graça: “pela graça que me foi dada”. Tudo o que somos e temos recebemos de Deus, por isso não há espaço para vanglória. Nossos dons, capacidades e oportunidades não são para nossa exaltação. Eles foram concedidos para servirmos a Deus e ao próximo. Por isso, Paulo recomenda: “pensar com moderação” (12.3c). Isso significa avaliar a nós mesmos à luz da graça de Deus.A verdadeira humildade não despreza nossos dons, mas reconhece sua origem. Tudo o que sou e tenho recebi pela graça de Deus e quero usar para servir.O cristão que compreende a graça não precisa provar que é superior aos outros. Ele simplesmente recebe de Deus aquilo que lhe foi confiado e o coloca humildemente a serviço do próximo.
Depois de ensinar, no versículo 3, que o cristão deve ter uma visão equilibrada de si mesmo, Paulo apresenta uma comparação muito clara: a Igreja é como um corpo formado por muitos membros: “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função” (12.4).O corpo possui olhos, mãos, pés, ouvidos e outros membros, e cada um possui uma função diferente. Eles não são iguais, mas todos são necessários para o bom funcionamento do corpo. Paulo aplica essa verdade à Igreja.Ele compara a Igreja a um corpo com muitos membros. Há diversidade de dons, funções e responsabilidades na Igreja, Essa diversidade não deve produzir orgulho, inveja ou competição entre os cristãos.Cada membro possui sua importância e contribui para o bom funcionamento do corpo.Por isso, ninguém deve considerar seu dom superior, nem pensar que sua participação é inútil.Deus distribui os dons segundo sua graça, para que sejam usados em favor dos outros.Somos diferentes nas funções, mas unidos em Cristo, servindo juntos para a edificação do seu corpo.
Paulo continua a comparação com o corpo humano. No versículo 4, ele destacou que existem muitos membros com diferentes funções; agora, no versículo 5, enfatiza aquilo que une todos eles: “um só corpo em Cristo”. A Igreja é formada por muitas pessoas, com diferentes dons, histórias e responsabilidades, mas todas estão unidas pela fé em Cristo.A expressão “em Cristo” é fundamental. Nossa unidade não depende de termos a mesma personalidade, os mesmos dons ou as mesmas funções. Somos um corpo porque Cristo nos reúne e nos faz pertencer a ele. É nele que encontramos nossa verdadeira identidade e nossa razão para servir.
Paulo também afirma que somos “membros uns dos outros”. Isso significa que a vida cristã não deve ser vivida de maneira isolada. Pertencer ao corpo de Cristo implica reconhecer que precisamos uns dos outros. O dom de um pode suprir a necessidade do outro, e o serviço de cada membro contribui para a edificação de toda a comunidade.Portanto, não fomos salvos para viver isoladamente, mas para fazer parte do corpo de Cristo e servir aos demais membros. Nossa união está em Cristo, e nosso serviço é realizado uns pelos outros.
Dando continuidade, ele lembra que “temos diferentes dons segundo a graça que nos foi dada” (12. 6a). Paulo começa mostrando que os dons são diferentes, porque Deus não concede exatamente as mesmas capacidades a todos. Essa diversidade faz parte do propósito de Deus para o corpo de Cristo. Ela não deve gerar orgulho, comparação ou competição, pois os dons não são conquistas pessoais, mas dádivas recebidas de Deus. Por isso, aquele que recebeu determinado dom não deve considerar-se superior aos demais, mas reconhecer que foi agraciado pelo Senhor para servir.
Ao mesmo tempo, ninguém deve pensar que seu dom é insignificante. Cada dom tem seu valor quando é usado de acordo com a vontade de Deus. O importante não é possuir o maior ou o mais admirado dom, mas ser fiel àquilo que Deus confiou.Por isso, Paulo nos aconselha: “pusemo-los” (12.6b). O dom recebido não deve ficar parado, escondido ou ser usado apenas para benefício pessoal. Deus concede dons com uma finalidade: servir ao próximo e edificar a Igreja. O dom encontra seu verdadeiro propósito quando é colocado em prática, com humildade, amor e dedicação, para a glória de Deus.
Paulo, então, apresenta diferentes dons espirituais concedidos por Deus à Igreja. Esses dons são expressões da graça de Deus e não devem ser usados para exaltação pessoal, competição ou reconhecimento humano. Cada cristão recebeu do Senhor uma capacidade e uma função que devem ser colocadas a serviço do próximo. Assim, os diferentes dons contribuem para a edificação, o fortalecimento e o crescimento do corpo de Cristo. O verdadeiro propósito do dom espiritual não é destacar quem o possui, mas glorificar a Deus e servir à Igreja com humildade, amor e fidelidade.
Primeiro,ele fala sobre o dom de profecia : “se profecia, seja segundo a proporção da fé”(12.6c). Aquele que proclama a Palavra deve fazê-lo de acordo com a fé recebida, isto é, em fidelidade à verdade de Deus, sem acrescentar suas próprias ideias ou buscar exaltação pessoal. Segundo, “se ministério”(12.7a): colocar-se à disposição para servir às necessidades dos outros.Terceiro, “ensino” (12.7b): transmitir e explicar a Palavra de Deus com fidelidade.Quarto, “exortação” (12.8a): encorajar, aconselhar, consolar e fortalecer os irmãos na fé.Quinto, “contribuição” (12.8b): compartilhar os bens e recursos com generosidade e sinceridade.Sexto. “presidir ou liderar” (12.8c): conduzir e administrar com dedicação e responsabilidade. Por fim, “exercer misericórdia (12.8d): demonstrar compaixão e cuidado para com os que sofrem, fazendo-o com alegria. Todos esses dons são diferentes, mas procedem da mesma graça e devem ser usados para servir ao próximo, edificar a Igreja e glorificar a Deus.
O texto nos conduz a uma pergunta pessoal: “Como estou usando os dons que Deus me deu?” Essa pergunta nos leva a olhar para nossa própria vida e reconhecer que Deus concedeu a cada um capacidades, oportunidades e dons diferentes. Não devemos compará-los com os dons dos outros, nem utilizá-los para nossa própria exaltação. Pelo contrário, somos chamados a colocá-los a serviço de Deus e do próximo. Talvez nosso dom seja ensinar, servir, encorajar, liderar, contribuir ou exercer misericórdia. O importante é não deixar esses dons parados, mas usá-los com dedicação e humildade. Tudo o que recebemos vem da graça de Deus e deve ser usado para abençoar outras pessoas e edificar o corpo de Cristo. Portanto, a pergunta não é apenas “Que dons eu tenho?”, mas também: “Estou sendo fiel em usar aquilo que Deus me confiou?”
Ao chegarmos ao final deste texto, Paulo nos mostra que a nova vida em Cristo transforma não apenas aquilo que pensamos, mas também a maneira como vivemos e servimos. Pensar sobre as coisas de Deus significa conhecer sua Palavra, compreender sua vontade e reconhecer que tudo recebemos pela graça. Agir sobre as coisas de Deus significa colocar essa fé em prática, servindo, amando, perdoando, contribuindo, ensinando, encorajando e usando os dons que Deus nos concedeu.Pela misericórdia de Deus, somos chamados a apresentar nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor. Essa transformação começa na mente, quando deixamos de nos conformar com os padrões deste mundo e passamos a discernir a vontade de Deus.
Paulo também nos ensina a olhar para nós mesmos com humildade e equilíbrio. Não devemos pensar de nós mesmos além do que convém, porque tudo o que somos e temos recebemos pela graça de Deus. Somos muitos membros, mas formamos um só corpo em Cristo. Temos diferentes dons, diferentes funções e diferentes responsabilidades, mas todos somos chamados a servir.
Por isso, a pergunta que o texto deixa para cada um de nós é: “Como estou usando os dons que Deus me deu?” Não fomos chamados para guardar nossos dons, nem para usá-los em benefício próprio, mas para colocá-los a serviço de Deus e do próximo.
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