sexta-feira, 18 de setembro de 2026

 

TEXTO: Mt 21.23-27 (28-32)

TEMA: A AUTORIDADE DE JESUS E A VERDADEIRA OBEDIÊNCIA

Vivemos em uma sociedade em que a autoridade é constantemente questionada. Muitas vezes, as pessoas perguntam: “Quem lhe deu autoridade para fazer isso?” Essa também foi a pergunta dirigida a Jesus. Os principais sacerdotes e os anciãos do povo não estavam interessados em conhecer a verdade, mas em questionar a autoridade de Jesus e colocar em dúvida a origem de sua missão.

Jesus, porém, não responde simplesmente à pergunta. Ele conduz seus ouvintes a refletirem sobre a autoridade de Deus e sobre a maneira como cada pessoa responde à sua Palavra. Em seguida, por meio da parábola dos dois filhos, mostra que não basta falar que obedecemos a Deus. A verdadeira obediência se manifesta quando ouvimos a sua Palavra, nos arrependemos e confiamos nele.

Esse texto também nos leva a olhar para nossa própria vida. Podemos conhecer a Palavra de Deus, falar sobre fé e até afirmar que queremos obedecer ao Senhor, mas a pergunta é: como estamos respondendo à autoridade de Jesus? Ele é verdadeiramente o nosso Senhor? Estamos dispostos a ouvir sua Palavra, reconhecer nossos pecados, arrepender-nos e viver pela fé?

Por isso, nesta passagem, veremos três verdades importantes:

Primeiro, Jesus possui autoridade que vem de Deus (vv. 23–27). Os principais sacerdotes e anciãos questionam a autoridade de Jesus, mas Ele mostra que sua autoridade não depende da aprovação humana. Sua autoridade vem de Deus, e rejeitá-la significa também rejeitar aquele que o enviou.

Segundo, Deus chama o pecador ao arrependimento (vv. 28–30). Na parábola dos dois filhos, Jesus mostra que Deus chama as pessoas a trabalhar em sua vinha. O filho que inicialmente recusou, mas depois se arrependeu e foi, demonstra que Deus deseja uma mudança verdadeira de coração e de atitude.

Terceiro, a verdadeira obediência nasce da fé (vv. 31–32). Jesus ensina que não basta dizer que obedecemos a Deus; é necessário confiar nele e viver de acordo com sua vontade. Os que ouviram João e creram demonstraram arrependimento e fé, enquanto aqueles que permaneceram na incredulidade rejeitaram o caminho da salvação.

                                                                 I

Os principais sacerdotes e anciãos questionam a autoridade de Jesus, O texto diz: “Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu essa autoridade?” (v.23). A pergunta feita a Jesus revela a oposição das autoridades religiosas à sua pessoa e ao seu ministério. Eles haviam visto Jesus entrar no templo, expulsar os que comercializavam naquele lugar e ensinar o povo. Diante disso, os principais sacerdotes e os anciãos queriam saber de onde vinha a autoridade com a qual Jesus realizava essas coisas

Essas autoridades religiosas ocupavam posições importantes dentro da estrutura religiosa de Israel e consideravam-se responsáveis por preservar a ordem e a tradição do povo. Por isso, a atuação de Jesus no templo representava um confronto direto com aquilo que elas consideravam ser sua esfera de autoridade.

Eles são enfáticos nos seus questionamentos: “Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu essa autoridade?” A expressão “estas coisas” provavelmente se refere ao que Jesus vinha fazendo naquele contexto: sua entrada em Jerusalém, sua atuação no templo, o ensino que oferecia ao povo e, especialmente, a expulsão dos comerciantes do templo. Eles não questionavam apenas uma ação isolada, mas a legitimidade de todo o ministério de Jesus. A pergunta, portanto, era: quem autorizou Jesus a ensinar, corrigir e agir dessa maneira? Eles queriam que ele apresentasse uma credencial que justificasse suas ações.

É importante perceber que Jesus não havia buscado essa autoridade entre os líderes religiosos. Ele não dependia da aprovação dos sacerdotes ou dos anciãos para realizar a missão que recebera. Sua autoridade vinha de Deus. O Pai o havia enviado para realizar a missão que lhe confiara. Portanto, a verdadeira questão não era simplesmente descobrir quem havia dado autoridade a Jesus, mas reconhecer se estavam dispostos a aceitar a autoridade daquele que Deus havia enviado.

Essa pergunta continua sendo importante para nós. Jesus não é apenas um mestre entre tantos outros, cuja palavra podemos aceitar ou rejeitar conforme nossa vontade. Ele é o Senhor e tem autoridade sobre a nossa vida. Sua Palavra nos mostra nosso pecado, chama-nos ao arrependimento e anuncia o perdão que recebemos pela graça, por meio da fé. Assim, o texto nos convida não a questionar a autoridade de Jesus, mas a submeter-nos a ela pela fé. A verdadeira obediência começa quando reconhecemos que Cristo tem autoridade divina e confiamos nele como nosso Senhor e Salvador.

Jesus, então, afirma aos principais sacerdotes e anciãos, que haviam questionado sua autoridade. Ele não evita a pergunta, mas conduz aqueles homens a uma questão ainda mais profunda. Mostra que, antes de responder, eles precisavam se examinarem sobre aquilo que já sabiam a respeito de João Batista: “Eu também vos farei uma pergunta; se me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas” (v.24).

Jesus estabelece uma condição: se eles respondessem à sua pergunta, ele também responderia à pergunta deles. A questão colocada por Jesus exigia uma resposta clara: a autoridade de João Batista vinha de Deus ou dos homens? A expressão “se me responderdes”, mostra que Jesus lhes dá oportunidade de se posicionarem diante da verdade. Eles precisavam reconhecer de onde vinha a autoridade de João. Se admitissem que João havia sido enviado por Deus, teriam de levar a sério sua mensagem e seu testemunho a respeito de Jesus.

Portanto, Jesus coloca aqueles líderes diante de uma escolha. Eles não poderiam simplesmente permanecer neutros. Precisavam responder. A verdade de Deus exige uma tomada de posição, pois diante da Palavra do Senhor o ser humano é chamado a ouvir, reconhecer e crer.

Jesus finalmente menciona o assunto que eles haviam levantado: sua autoridade. Ele promete que, se respondessem à sua pergunta, também lhes diria de onde vinha sua autoridade: “também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas”. As “coisas” que Jesus fazia incluíam sua entrada em Jerusalém, a purificação do templo e seu ensino. Os líderes religiosos questionavam quem havia dado a Jesus o direito de agir daquela maneira. Entretanto, Jesus sabia que sua autoridade não procedia dos homens. Ele havia sido enviado pelo Pai e exercia sua missão segundo a vontade de Deus.

Assim, o evangelista nos mostra que Jesus não precisa receber autoridade dos homens para ser Senhor e Salvador. Sua autoridade vem de Deus. Ele ensina, confronta o pecado, anuncia o Reino, perdoa e salva porque foi enviado pelo Pai. O desafio colocado aos líderes religiosos continua sendo importante: não basta questionar Jesus; é necessário ouvir sua Palavra e reconhecer sua autoridade.

A resposta de Jesus também está ligada ao testemunho de João Batista por Deus. Jesus então responde com uma pergunta sobre o batismo de João: “Donde era o batismo de João? Do céu ou dos homens? E eles discorriam entre si: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então, por que não crestes nele?” (v.25). Ele não está fugindo da pergunta. Ele mostra que, antes de responder, eles precisam se posicionar diante da autoridade de João Batista.

Jesus coloca diante dos líderes religiosos uma pergunta objetiva: “Donde era o batismo de João?” Eles haviam questionado a autoridade de Jesus, e agora precisam responder sobre a autoridade de João Batista. A questão não era simplesmente sobre o batismo, mas sobre a origem da missão e da mensagem de João. João havia pregado o arrependimento e preparado o povo para a chegada do Messias. Seu ministério não era independente de Deus; ele havia sido enviado para anunciar aquele que viria depois dele. Portanto, se os líderes religiosos reconhecessem que João havia recebido sua autoridade de Deus, teriam de considerar também o testemunho de João a respeito de Jesus.

Jesus apresenta somente duas possibilidades sobre a origem do batismo de João: “do céu” ou “dos homens”. Se o batismo de João vinha do céu, sua missão tinha origem divina. Significa que a autoridade de João vinha de Deus. Reconhecer isso exigiria aceitar sua pregação e levar a sério seu testemunho acerca de Jesus. Mas se vinha dos homens, João seria apenas alguém que agia por sua própria autoridade.

Os líderes não respondem imediatamente a Jesus. Eles começam a discutir entre si qual seria a resposta mais conveniente. Isso revela algo importante: eles não estavam procurando sinceramente a verdade, mas tentando encontrar uma resposta que protegesse sua posição. A preocupação deles não era: “O que Deus está nos mostrando?” A preocupação era: “O que será melhor para nós?” Em vez de submeterem seu entendimento à verdade de Deus, procuram calcular as consequências de cada resposta. Isso demonstra como o pecado pode levar o ser humano a resistir à verdade mesmo quando ela está diante de seus olhos. O problema daqueles líderes não era falta de inteligência, mas um coração fechado para reconhecer a ação de Deus.

A verdade é que a pergunta de Jesus os colocou diante da Palavra de Deus e exigiu delas uma resposta sincera. Então, começaram a raciocinar entre si, mas não por amor à verdade. Estavam preocupados com as consequências de sua resposta: “Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então, por que não crestes nele?” Eles percebem que reconhecer a origem divina do ministério de João os colocaria diante de uma consequência inevitável: “por que não crestes nele?” Se João havia sido enviado por Deus, sua mensagem deveria ser recebida com fé e obediência. Ele não apontava para si mesmo, mas para Cristo. Portanto, rejeitar João significava também rejeitar o testemunho que Deus estava dando acerca de Jesus.

Vejamos a incoerência daqueles líderes: eles questionavam a autoridade de Jesus, mas se recusavam a reconhecer a autoridade de João, que havia sido enviado por Deus para preparar o caminho do Senhor. Ao rejeitarem João e sua mensagem, estavam, na realidade, rejeitando o próprio Cristo para quem João apontava. A resistência à mensagem de João revelava a dureza do coração diante da ação de Deus.

Diante de Jesus, também nós não somos chamados a calcular o que nos é mais conveniente, nem a moldar a verdade de Deus de acordo com nossos interesses. Somos chamados a ouvir sua Palavra, reconhecer sua autoridade e confiar nele como aquele que foi enviado pelo Pai para a nossa salvação. A verdadeira fé não procura desculpas para resistir à Palavra de Deus, mas, pela ação do Espírito Santo, recebe-a com humildade e confiança.

No entanto, os principais sacerdotes e anciãos consideram a possibilidade de afirmar que o batismo de João tinha origem humana. Nesse caso, estariam dizendo que João não havia sido enviado por Deus e que sua autoridade não era divina: “E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta” (v.26). Mas, eles mesmos sabiam que essa resposta seria problemática. João era amplamente reconhecido pelo povo como profeta, e sua pregação havia alcançado muitas pessoas. Sendo assim, eles “temiam o povo.” Aqui aparece claramente a motivação deles. O temor não era de Deus, mas das pessoas. Eles estavam preocupados com a reação do povo.

O reconhecimento de João como profeta era tão forte entre o povo que os líderes não se sentiam livres para negar isso publicamente. Eles estavam presos entre duas respostas: se dissessem que João vinha de Deus, seriam confrontados por Jesus por não terem crido nele; se dissessem que João vinha dos homens, temiam a reação do povo. Percebe-se, portanto, que o temor dos homens estava impedindo aqueles líderes de reconhecerem a verdade de Deus. Eles conheciam as implicações da questão, mas preferiam proteger sua posição em vez de se submeterem à verdade.

Depois de discutirem entre si, os principais sacerdotes e anciãos finalmente respondem a Jesus: “Não sabemos” (v.27a). Essa resposta não significa necessariamente que eles realmente desconhecessem a origem do batismo de João. Pelo contexto, eles haviam percebido claramente as consequências de cada resposta. Assim, “não sabemos” funciona como uma resposta evasiva. Eles não queriam reconhecer a verdade nem assumir as consequências de sua própria posição. Em vez de confessarem aquilo que sabiam, esconderam-se atrás de uma resposta conveniente.

Jesus então responde à atitude deles: “Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas” (v.27b). Ele os havia dado uma oportunidade de responder sinceramente à sua pergunta. Contudo, diante da recusa deles em reconhecer a verdade, Jesus não continua o debate nos termos que eles desejavam. Isso mostra a sabedoria de Jesus. Ele não precisava prolongar uma discussão com pessoas que não estavam buscando sinceramente a verdade. A conversa havia revelado o verdadeiro problema daqueles líderes: eles não queriam reconhecer a autoridade de Deus quando isso os colocava diante da necessidade de arrependimento e fé.

Os líderes religiosos tinham diante de si o testemunho de João e as próprias obras de Jesus, mas não queriam reconhecer aquilo que essas evidências apontavam. Também nós somos chamados a não usar desculpas para fugir da Palavra de Deus. Quando o Senhor nos confronta com sua Lei, somos chamados ao arrependimento; quando anuncia o Evangelho, somos chamados a confiar em Cristo. A Palavra de Deus não deve ser usada apenas para satisfazer nossa curiosidade, mas recebida com fé e submissão. Jesus é o Senhor, e sua autoridade não depende do reconhecimento dos homens.

                                                                      II

Nos versículos anteriores, os principais sacerdotes e os anciãos questionaram Jesus: “Com que autoridade fazes estas coisas?” Jesus, porém, mostrou que a questão não poderia ser separada da autoridade de João Batista. Quando perguntou se o batismo de João era “do céu ou dos homens”, eles perceberam que qualquer resposta os colocaria diante da verdade. Por isso, responderam evasivamente: “Não sabemos.” É justamente nesse contexto que Jesus conta a parábola dos dois filhos. “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. E, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha” (v.28).

Podemos dividir o versículo em três partes: primeiro, “que vos parece?” Jesus inicia uma parábola fazendo essa pergunta. Ele deseja levar os seus ouvintes a refletirem sobre aquilo que estão ouvindo. Não apresenta simplesmente uma conclusão pronta, mas conduz os próprios interlocutores a julgarem a situação apresentada. A pergunta é importante porque, logo antes, os principais sacerdotes e anciãos haviam se recusado a responder honestamente sobre João Batista. Agora, Jesus conta uma história que os levará a confrontar a própria atitude.

Segunda parte: “um homem tinha dois filhos.” Jesus apresenta um pai e dois filhos. Os dois pertencem à mesma família e recebem uma ordem do mesmo pai. A diferença entre eles aparecerá não naquilo que dizem, mas na maneira como respondem à vontade do pai. Os dois filhos representam pessoas que ouvem a vontade de Deus, mas reagem de maneiras diferentes. Jesus está preparando seus ouvintes para compreender que não basta pertencer exteriormente ao povo de Deus ou dizer as palavras corretas. O que importa é uma resposta verdadeira à Palavra de Deus.

Terceira parte: “E, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha.” Nesta terceira parte, Jesus apresenta o primeiro filho. O pai se dirige a ele com uma palavra de proximidade e afeto: “Filho. vai hoje trabalhar na vinha”. O termo “hoje” chama a atenção para a urgência da resposta. O pai não está falando de algo para um futuro indefinido. Há uma tarefa a ser realizada naquele momento. O convite do pai exige uma resposta concreta: ouvir sua palavra e agir de acordo com ela.

No entanto, “Ele, porém, respondeu: Sim, Senhor; porém não foi” (v.29). A resposta inicial demonstra respeito e disposição. Ele chama o pai de “Senhor” e, com suas palavras, parece aceitar prontamente o pedido. Contudo, sua atitude posterior contradiz aquilo que havia dito. Ele afirmou que iria, mas não cumpriu a ordem recebida.

Jesus mostra que não basta uma resposta correta de palavras quando ela não é acompanhada pela obediência. O primeiro filho representa aqueles que podem demonstrar exteriormente respeito por Deus, falar de maneira religiosa e até afirmar que estão dispostos a fazer a sua vontade, mas, na prática, permanecem afastados dela. Há uma diferença entre dizer “sim” a Deus com os lábios e viver esse “sim” na prática.

Entretanto, a parábola também prepara o contraste com o segundo filho. Jesus apresenta a resposta: “E, dirigindo-se ao segundo, disse-lhe o mesmo. Porém este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi” (v.30). Sua resposta, porém, é direta e negativa: “Não quero.” Ele não demonstra disposição para obedecer. Sua atitude inicial é de resistência à vontade do pai. Essa resposta mostra que, naquele momento, o filho estava com o coração voltado para a sua própria vontade. Ele ouve a ordem, compreende o que o pai deseja, mas decide não obedecer. Não há tentativa de justificar sua atitude; simplesmente afirma que não quer.

Jesus apresenta aqui uma realidade que também encontramos na vida daqueles que, inicialmente, rejeitam a vontade de Deus. Há pessoas que, num primeiro momento, resistem à Palavra, afastam-se de Deus ou vivem em desobediência. Entretanto, isso não precisa ser o ponto final de sua história. Pela ação da Palavra, podem reconhecer o seu pecado, arrepender-se e voltar-se para o Senhor. O que antes era um “não” pode transformar-se em uma resposta de fé e obediência.

Entretanto, algo acontece com aquele filho: “depois, arrependido, foi”. O filho reconsidera sua atitude e muda de caminho. A palavra “depois” mostra que a atitude do filho mudou. Ele não permaneceu em sua primeira decisão. O texto diz que ficou “arrependido” e, então, foi trabalhar na vinha. Aqui está o ponto central da parábola: o arrependimento produz mudança de atitude. O filho havia dito “não”, mas depois reconheceu seu erro e fez aquilo que o pai havia pedido. O arrependimento não consiste apenas em sentir tristeza pelo erro. Ele envolve reconhecer que se tomou um caminho errado e voltar-se para a vontade de Deus.

Isso também serve de advertência contra uma fé meramente exterior. Podemos falar de Deus, confessar a fé, participar da vida da igreja e usar palavras corretas, mas tudo isso precisa estar acompanhado de uma vida que reconheça a autoridade da Palavra de Deus.

                                                                      III

 Jesus agora leva seus ouvintes a uma conclusão que eles mesmos terão de reconhecer. Depois de apresentar os dois filhos, Jesus pergunta. A pergunta é simples: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” (v.31a). Eles responderam de forma clara: “O primeiro”. Eles reconhecem que foi o primeiro filho quem fez a vontade do pai, porque, embora tenha inicialmente desobedecido, arrependeu-se e depois foi. Assim, os próprios líderes religiosos reconhecem que aquele que inicialmente recusou, mas depois se arrependeu e obedeceu, foi quem realmente fez a vontade do pai. Jesus utiliza a resposta deles para levá-los a perceber a própria incoerência.

Ele chama a atenção dos seus ouvintes para aquilo que está prestes a declarar. Não se trata de uma simples opinião, mas de uma verdade que confronta diretamente aqueles que estavam questionando sua autoridade: “Em verdade vos digo que publicanos” (31b). Essas palavras devem ter sido muito fortes para os principais sacerdotes e anciãos. Publicanos e meretrizes eram pessoas desprezadas social e religiosamente naquela sociedade. Os publicanos eram vistos como pecadores por sua associação com o sistema tributário romano, enquanto as prostitutas eram consideradas publicamente pecadoras.

Jesus agora deixa ainda mais claro e mais surpreendente: “publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus” (31c). Os publicanos e as meretrizes, considerados pessoas pecadoras e desprezadas pelos líderes religiosos, estavam sendo alcançados pela mensagem de arrependimento e pela graça de Deus. A expressão “vos precedem” é especialmente significativa. Jesus não está dizendo que o pecado dessas pessoas era aceitável. O ponto é outro: aqueles que reconheciam sua condição pecaminosa e recebiam a mensagem de João estavam respondendo a Deus com arrependimento e fé. Por outro lado, os líderes religiosos, apesar de sua aparência de piedade, estavam rejeitando a mensagem de Deus.

Jesus conclui sua palavra aos líderes religiosos mostrando que o problema deles não estava na falta de oportunidade para ouvir e reconhecer a verdade. Pelo contrário, eles haviam recebido o testemunho de João Batista e haviam visto a transformação daqueles que acolheram sua mensagem. Por isso, Jesus declara: “Porque João veio a vós outros no caminho da justiça.” (v.32a). João Batista veio como mensageiro de Deus, chamando o povo ao arrependimento e preparando o caminho para Cristo. A expressão “caminho da justiça” indica que sua mensagem estava de acordo com a vontade de Deus. João não anunciava uma mensagem própria, mas chamava as pessoas a abandonarem o pecado e a confiarem naquele que viria depois dele. Também não significa que João ensinava que as pessoas poderiam conquistar a salvação por suas próprias obras. Sua pregação apontava para o arrependimento e para a fé no Salvador. Ele preparava o povo para receber Jesus.

Os principais sacerdotes e os anciãos haviam ouvido a pregação de João, mas não creram nele: “e não acreditastes nele” (v.32b). O problema não era falta de informação. Eles tiveram contato com a mensagem de João e puderam perceber que sua pregação estava relacionada às promessas de Deus, mas, mesmo assim, rejeitaram aquilo que Deus lhes dizia por meio dele. A incredulidade deles revelava uma resistência à Palavra de Deus. Ouvir a Palavra não é suficiente; é necessário recebê-la com fé e arrependimento.

Jesus apresenta um contraste muito forte: “ao passo que publicanos e meretrizes creram” (v.32c). Publicanos e meretrizes, pessoas consideradas pecadoras e desprezadas pela sociedade religiosa da época, responderam à mensagem de João com arrependimento e fé. Jesus não está dizendo que os pecados dessas pessoas eram aceitáveis. Pelo contrário, o fato de terem crido demonstra que reconheceram sua necessidade de arrependimento e da misericórdia de Deus. Aqueles que eram considerados indignos pelos homens receberam a mensagem de João e foram conduzidos à fé. Isso mostra que, no Reino de Deus, a salvação não é determinada pela posição social, pela reputação ou pelos méritos humanos, mas pela graça de Deus recebida pela fé.

Jesus volta-se novamente para os líderes religiosos. Eles não apenas tinham rejeitado inicialmente a mensagem de João; também viram o resultado da sua pregação. Viram pessoas consideradas pecadoras mudarem de atitude e se voltarem para Deus. Mesmo diante desse testemunho, permaneceram resistentes: “Vós, porém, nem depois, vendo isto” (v.32d). A expressão “nem depois” mostra que tiveram novas oportunidades para reconhecer o erro e mudar de atitude.

Mesmo assim, permaneceram sem arrependimento: “vos arrependestes para crer nele” (v.32e). A expressão “não vos arrependestes” revela o problema central. Eles não estavam simplesmente desinformados. Tinham recebido a mensagem, tinham visto seus frutos, mas continuavam resistindo.   Tiveram oportunidade de se arrepender e crer, mas não o fizeram. O arrependimento aqui envolve reconhecer o erro, abandonar a resistência à Palavra e voltar-se para Deus. A fé, por sua vez, significa confiar na promessa de Deus e receber aquele para quem João apontava: Jesus Cristo. Por isso, Jesus mostra que o problema não era falta de evidências, mas falta de arrependimento e fé. O Evangelho estava diante deles, mas eles não quiseram se voltar para Cristo e nele confiar.

Estimados irmãos! O texto nos coloca diante de uma questão fundamental: quem tem autoridade sobre a nossa vida? Os principais sacerdotes e os anciãos questionaram Jesus, querendo saber com que autoridade ele fazia aquelas coisas. Entretanto, o problema deles não era falta de informação, mas a falta de disposição para reconhecer a autoridade de Jesus. Eles ouviram a Palavra, viram as obras de Cristo, mas permaneceram resistentes e incrédulos.

A parábola dos dois filhos também nos ensina que Deus não procura apenas palavras, promessas ou aparências religiosas. O primeiro filho disse que não iria, mas depois se arrependeu e foi. O segundo disse que iria, mas não foi. Jesus mostra, assim, que a verdadeira obediência não está simplesmente naquilo que dizemos, mas em ouvir a Palavra de Deus e, pela ação do Espírito Santo, arrepender-nos e viver de acordo com a sua vontade. O arrependimento transforma a direção da vida.

Portanto, irmãos, não endureçamos o nosso coração diante da Palavra de Cristo. Reconheçamos sua autoridade, arrependamo-nos dos nossos pecados e confiemos na sua graça. Que a nossa fé não seja apenas uma declaração de palavras, mas uma fé que, alcançada pelo Evangelho, produz frutos de arrependimento, amor e obediência. Que possamos dizer “sim” ao nosso Senhor não apenas com os lábios, mas com uma vida que confia nele e procura viver segundo a sua Palavra. Amém!

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