sábado, 17 de agosto de 2024

TEXTO: SL 116

TEMA: O QUE DAREMOS AO SENHOR?

Hoje, vamos refletir sobre o Salmo 116. Este é um dos salmos mais extraordinários da Bíblia. Alguns expositores acreditam que é tão grandioso quanto o Salmo 23. É um hino de gratidão a Deus por causa de Suas obras maravilhosas de libertação e fidelidade.  Ele é messiânico. O seu autor é anônimo. Mas é possível que seja de autoria de Davi. Há uma certa semelhança com o Salmo 18. É um dos salmos de Páscoa (Sl 113— 118). Os judeus cantavam esse salmo depois da Páscoa. É provável que seja o hino entoado por Jesus e os discípulos na noite em que Ele foi preso,quando celebrou a Páscoa com eles (Mt 26.30).

A nossa mensagem é fundamenta na pergunta que o salmista fez: “O que darei ao Senhor pelos benefícios que me tem feito?” (v.12). Davi pensou muito e buscou uma forma de retribuir a Deus por todos os seus benefícios. E o motivo que levou o salmista à essa pergunta, foram os benefícios que ele havia recebido do Senhor diante das várias situações das quais enfrentou: perigo de morte, de depressão e angústia (v.3), “enfraquecimento” (v.6), “sofrimento” (v.10), “grilhões” (v.16). Diante desta ajuda, sua primeira ação foi agradecer a Deus. Ele pensou em retribuir todos os benefícios recebidos.

O que darei ao Senhor pelos benefícios que me tem feito? Da mesma forma precisamos expressar a nossa gratidão ao Senhor pelas inúmeros os benefícios que todo ser humano recebe diariamente da parte de Deus. Ele nos dá diariamente e abundantemente tudo o que necessitamos para sustentar o nosso corpo e alma. Tudo o que somos, tudo o que temos e tudo que recebemos vêm de Deus. Temos a alegria da salvação, o consolo do Santo Espírito, a orientação da santa Palavra  e uma infinidade de outras bênçãos da parte de Deus.

O salmista inicia este salmo, demonstrando todo o seu amor pelo Senhor. Revela o seu sentimento de sua vida com Deus.Ele afirma: “Amo o Senhor , porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas.” (v.1). A expressão  אָהַב יְהוָה (Amo o Senhor) significa no hebraico:”eu amo o Senhor.” “estou cheio de amor”, “amo ardentemente e com mais afeto”. A expressão traz o pensamento daquilo que o salmista vivia no seu relacionamento com o Senhor. Ele obedecia seus mandamentos e fazia a sua vontade. No Senhor, ele depositava toda a sua confiança. E é ,justamente, nesta confiança que ele ora a Deus  e agradece. Ele agradece, porque o Senhor ouviu a sua voz e as suas suplicas. O único que poderia lhe oferecer ajuda.

As respostas à sua oração o encoraja a continuar orando. E com outro “porque” ele indica por que ama o Senhor: “Deus inclinou seus ouvidos” (v.2).  O verbo נָטָה significa, esticar, dobrar, inclinar, curvar, abaixar-se. É exatamente isso que Deus faz conosco, a pesar de sua grandeza, de seu poder e majestade, Ele se encurva em nossa direção, enquanto clamamos, esperneamos por estarmos em alguns momentos aflitos ou inseguros. Ele não fica indiferente a situação dos seus servos. Ele se compadece do necessitados. Ele revela sua compaixão para com os seus. Encontramos estas declarações também em outros salmos: “Mas, na verdade, Deus me ouviu; atendeu a minha oração” (Sl 66.19). “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Sl 40.1). “Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor” (Sl 88.2). 

Mas,afinal, o que o salmista estava sentido? Era um momento difícil para o salmista, pois  esteve completamente à beira da morte: “Laços da morte me cercaram, e angustias do inferno se apoderam de mim, caí em tribulação e tristeza.” (v.3). O escritor personifica a própria morte como um caçador que passou a persegui-lo com seus laços de armadilhas. Ele se sentiu tragado pela sepultura onde vivem os mortos. Estava  nas garras da morte, da qual era impossível  se livrar. Vivia na angustia do inferno (sheol), o reino dos mortos. 

Ocorre que o salmista se sentia como uma presa impotente, e o resultado foi um abatimento profundo, acometido por angústia e aflição. Sua perturbação era tanta, com a possibilidade real da morte, que ele não mais confiava no próprio homem que pudesse livrá-lo daquela situação. (v.11). Sendo assim, diante de tantas lutas e fraquezas, invoca o nome do Senhor. Ele leva a Deus seu pedido: “Ó Senhor, livra minha alma” (v.4).  Trata-se de um pedido por preservação da sua vida. E  a resposta divina  a este pedido foi positiva. O Senhor o preservou, guardou e salvou a vida do salmista. Imediatamente, sua confiança na misericórdia de Deus lhe trouxe verdadeira paz em meio à tempestade,pois o Senhor é “compassivo, justo e  misericordioso.” (v.5). Este momento que o salmista viveu nos lembra a angustio do Salvado na cruz (Mt 27.27-35).

Deus atendeu a súplica do salmista. Quando  estava prostrado, pensando que tudo havia acabado,  o Senhor velou por ele e o salvou daquela situação.Deus o livrou da morte, preservando sua vida : “O Senhor vela pelos simples; achava-me prostrado, e ele me salvou.”(v.6). Quem são os simples, neste contexto? Os que se deixam persuadir, os que são instruídos, os que se arrependem, os que se sujeitam, os que obedecem. Observe que “os simples” está no plural, ou seja, todos os simples. Que notícia boa é esta: o Senhor protege quem não pode se defender. Quando você estiver cercado pela angustio, medo, sofrimento, lembre-se que o Senhor cuida de você.

De fato, a sua confiança na misericórdia de Deus lhe trouxe verdadeira paz em meio à tempestade. Ele se volta a si mesmo e pergunta: “Volta, minha alma, ao teu sossego.”(v.7a). Lutero traduz este versículo desta forma: “Sê novamente alegre, ó minha alma.” O termo נֶפֶשׁ  (alma) significa todo o ser interior, com seus pensamentos e emoções. A nossa alma jamais terá paz se não voltarmos para Deus. A palavra sossego significa “descanso“, “alívio” e “refrigério” espiritual. Trata-se de um descanso que vem de fora. Não é um pensamento positivo ou uma técnica de respiração. É a presença do Senhor. Isto demonstra que o salmista anteriormente passou por um momento de grande perigo. Sua alma estava agitada e aterrorizada. Esse perigo havia acabado, e  agora ele pede à sua alma que retome sua antiga tranquilidade, calma, paz e liberdade, pois o “Senhor tem sido generoso.”(v.7a). O Senhor também nos retribui com bondade e nos trata generosamente. A generosidade divina é sua bondade para com aqueles que se encontram aflitos.

O salmista descreve o que o Senhor fez em sua vida a partir do momento em que ele começou a buscá-lo. Ele afirmou que ajuda vem do Senhor. Sendo assim, ele menciona três livramentos: primeiro, “Porque Tu, Senhor, livraste a minha alma da morte“ (v.8a). Essa é uma linguagem que o salmista usa para afirmar que estava gravemente doente e recuperou a sua saúde. O salmista se expressou desta forma: você resgatou minha vida da destruição à qual foi exposta Eu pergunto: Como está a sua alma hoje? Preocupada? Pensativa? Ansiosa? Perplexa? Segundo, “Livraste os meus olhos das lágrimas.”(v.8b). Foram lágrimas que o salmista derramou em sua doença e na preocupação de morrer. O Senhor havia transformado a tristeza do salmista em alegria. Em Deus somos consolados das nossas lágrimas.Este é o grande consolo.Terceiro,“Livraste os meus pés da queda“ (v.8c).Somente Deus poderia livrar o salmista dos tropeços. Ele passa a guiar seus passos cuidando para que seus pés não se desviem do caminho e não escorreguem em terrenos perigosos. Com Deus estamos livres da queda. “Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda” (Sl 121.3). Só Deus pode nos firmar em momentos tão difíceis pelos quais temos passado. Nenhum filho de Deus permaneceria de pé, por um momento sequer, diante de abismos, armadilhas, fraquezas físicas e inimigos sutis, se não fosse por causa do fiel amor de Deus, que não permitirá que os pés de seus filhos vacilem. 

O resultado final é que o salmista continuaria vivo e servindo a Deus. Agora,ele quer andar na presença do Senhor: “Andarei diante do Senhor na terra dos viventes.” (v.9).O andar do salmista expressa uma forma atuante de estar na presença do Senhor. Ele age com determinação:  meus olhos estão agora brilhantes, para que eu possa ver, meus pés estão fortalecidos, para que eu possa andar  e minha alma está viva, para que eu possa andar com os vivos. Sendo assim, podemos concluir que estamos diante do salmista que, com o coração radiante pelos constantes livramentos do Senhor, está inclinado, não só a render graças ao Senhor, mas estabelece uma firme resolução de vida: andar na presença do Senhor na terra dos viventes.Portanto, o desejo de Davi era andar com Deus enquanto vivesse neste mundo. Nas Escrituras, todos que andaram com Deus experimentaram sua gloriosa presença e a sua incomparável força, provaram sua fidelidade, sua santidade e o tamanho do seu amor com o Senhor.

A esperança do salmista se manifesta nas suas palavras:“Eu cri,ainda que disse: estive sobremodo aflito.”(v.10).Ele declara que, apesar de estar "caído" e sem esperança, ainda teve fé para se humilhar e suplicar pelo livramento do Senhor.Crer era fundamental para o salmista diante das suas aflições.Por isso, expressou confiança no Senhor. O apóstolo Paulo cita estas palavras, cri, por isso, falei, em 2 Coríntios 4.13,14, como expressão de gratidão por aquilo que o Senhor fez por ele e por meio dele, quando estava vivendo em ameaças de morte. Ele agora encoraja a igreja a se manter firme no Senhor quanto a sua fé em Cristo. Paulo,ao citar o salmista.lembra que também estava vivendo em circunstâncias de provação e aflição.Ocorre que os sentimentos de ambos eram a linguagem da fé. O salmista  expressa sua confiança em Deus diante de sua aflição. Paulo expressa sua confiança nas gloriosas verdades do Evangelho.Ele fala de um Salvador ressuscitado e mostra o consolo aqueles que creem. Portanto,cremos nas verdades do Evangelho; cremos em Deus, no Salvador, na expiação, na ressurreição, etc.Por isso,precisamos falar o que cremos mesmo que as circunstâncias sejam grandes.

Diante deste andar e crer no Senhor, Ele pensou em retribuir todos os benefícios recebidos. Ele pergunta: “O que darei ao Senhor pelos benefícios que me tem feito?” (v.12) O salmista nos ensina a sermos gratos e não se esquecer de nenhum dos benefícios que temos recebido. Ao contemplar quem Deus era, o que Deus lhe dava e a obra que Deus fazia em sua vida, apesar de suas lutas e dores, o salmista conclui que os benefícios que o Senhor lhe tinha concedido eram muito maiores que seus problemas,  Ele reconhece o valor da sua salvação e procura a maneira de demonstrar sua gratidão. Pensa numa forma de retribuir a Deus, por tudo aquilo que Deus lhe fez.  Não há outra forma melhor de pagar o bem recebido do que com gratidão. De que forma ele agradece?

Primeiro: "Tomarei o cálice da salvação”. (v.13) A palavra usada para cálice no original é כֹּוס que significa copo.  Era um costume entre os judeus, beber um copo de vinho como uma expressão especial de agradecimento, de ação de graças pela libertação recebida, abundância, salvação. No Antigo Testamento,יְוּעָה (“salvação” ) normalmente referia-se a um ato de livramento da parte de Deus.Este ato era mais solene no templo, ou mais privado na família. O uso era diário, após cada refeição, ou mais solenemente em uma festa. Esta foi a maneira do salmista demonstrar a gratidão a Deus, e entregar sua vida a Ele. Para nós, que estamos sob a Nova Aliança, o sentido é ainda mais amplo. Deus não apenas nos livra em situações específicas, mas providenciou, em Cristo, salvação eterna. Ele, que nos criou por amor, e, através do sacrifício de seu Filho unigênito, nos resgatou da tirania do pecado e da morte, e nos acolherá nas moradas eternas. Por isso, tomar o cálice da salvação, é aceitar Jesus como nosso Senhor e Salvador. Este é maior benefício que recebemos.

Quando fala sobre "tomarei o cálice da salvação” entendeu que um dia o Filho de Deus tomaria o cálice da nossa culpa e dos nossos pecados sobre si mesmo e se entregaria à cruz para morrer em nosso lugar. O cálice que Jesus pediu ao Pai que se possível fosse, passasse dele, representava todo o seu sofrimento e humilhação por causa dos nossos pecados. Na verdade, Jesus tomou o cálice da nossa salvação e o bebeu sozinho, para que através da fé na sua obra redentora, alcançássemos vida eterna.Desta forma a única maneira de agradar a Deus é tomar o cálice da salvação, isto é, reconhecer seu sacrifício e aceitar Jesus como nosso Salvador. A fé em Jesus é a única coisa que nós podemos ofertar ao Senhor por todo o bem que nos tem feito, e isso não procede do homem, mas do próprio Deus.

Segundo: “Invocarei o nome do Senhor” (v.13b).Ao tomar o cálice da salvação, o salmista invocou o nome do Senhor diante de tantas lutas, fraquezas, frustrações. E o Senhor o atendeu. Sendo assim, ele encontrou uma forma de louvar e agradecer. O verbo קָרָא (invocar) traz uma aspecto importante.Ele denota a proclamação audível do nome do Senhor e a sua invocação, em que louva e agradece ao Senhor. Assim quando reconhecemos a obra redentora de Jesus e cremos, passamos a invocar o nome do Senhor. Todo aquele que toma o cálice da salvação, passa depender do Senhor e a invocar o seu nome em toda a sua necessidade. O Senhor que governa a nossa vida é a fonte de todos os benefícios, e isso nos move a tomar constantemente o cálice da salvação.Deste modo, o louvor, acontece quando o cristão reconhece a Deus e o proclama, para que todos fiquem sabendo quem é esse Deus.Por isso, é importante  colocar-se sob a autoridade daquele de onde vem o socorro. Assim, quando o invoca o nome do Senhor, ou quando clama por Ele, o salmista afirma: “eu me submeto à sua autoridade, pois pertenço a Ele”. Isso amplia a ideia da salvação. Ele me salva, porque sou Dele, e Ele tem todos os recursos para tal.

Terceiro: “Cumprirei os meus votos ao Senhor.” (v.14,18). O salmista volta a afirmar sua fidelidade a Deus por meio do cumprimento dos seus votos, acrescentando a informação de que o faria no templo do Senhor, diante de todos: “Oferecerei sacrificios de ações de graças e invocarei o nome do Senhor.”(v.17). Onde? “nos átrios de todo o seu povo, no meio de ti, ó Jerusalém”. (v.19).  Há uma dimensão particular de gratidão, que o salmista deve realizar à vista de todos no templo. Mas como eles serão pagos? Serão pagos ao se tomar o cálice da salvação e ao se invocar o Senhor. Ou seja, eles serão pagos pela fé na graça futura.Cumprirei os meus votos.Isto significa que cada um foi chamado por Deus, prometeu fidelidade no batismo, e, por isso, tem um compromisso com o Senhor, com a Casa de Deus, com a evangelização e as ofertas. Então, o voto que fazemos ao Senhor quando tomamos o cálice da salvação é a nossa fidelidade e obediência a Ele. Isso deve produzir em nós uma vida de testemunho diante de todo o povo do Senhor, gerando um fruto que é o resultado da operação do Espírito Santo na nossa vida. Este fruto é vida de Jesus em nós, é a manifestação do Senhor Jesus na nossa vida, que fazemos parte do seu corpo.Estejamos sempre envolvido com a obra de Deus, em comunhão com a igreja de Cristo. Desta forma, o resultado final é agradável a Deus, pois Ele vê o seu Filho, o Senhor Jesus em nós.

Que darei ao Senhor, por todos os seus benefícios para comigo? Que posso dar ao Senhor, que gesto posso ter, ou que comportamento como forma de expressar minha gratidão por tudo que tenho recebido de Deus? O que eu e você podemos fazer mais para Deus, como forma de expressar gratidão? Será que nossas atitudes realmente revelam que há em nós um coração grato? Será que temos agido com compromisso na obra de Deus, como uma forma de demonstrar coração grato? Será que temos orado e meditado mais na palavra do Senhor como forma de evidenciar gratidão?Certamente estas são as perguntas que todos deveriam responder individualmente, quando recebem benefícios do Senhor. Ela nasce do entendimento de que a gratidão não pode ficar só na consciência ou no sentimento, mas precisa revelar-se em atitudes práticas. Se eu quero dar graças a Deus por alguma coisa, é melhor que eu o faça por meio de ações e não apenas de palavras.Lembrem-se que as  misericórdias que  se renovam sobre nós, e sempre haverá motivos para agradecermos ao Senhor.

Com certeza, muitas de nossas orações foram atendidas pelo Senhor! É do Senhor que recebemos muitas e incontáveis bênçãos. Na verdade, são inúmeros os benefícios que todo ser humano recebe diariamente da parte de Deus. Ele nos dá diariamente e abundantemente tudo o que necessitamos para sustentar o nosso corpo e alma. Tudo o que somos tudo o que temos e tudo que recebemos vêm de Deus. Temos a alegria da salvação, o consolo do Santo Espírito, a orientação da santa palavra de Deus e uma infinidade de outras bênçãos da parte de Deus. E ainda podemos afirmar que tantas outras orações foram dirigidas ao Pai, e que com amor nos enviou a resposta, pois esperamos com confiança no Senhor e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. (Sl 40.1).

Portanto, esta deve ser a nossa esperança, que o Senhor Deus ouça quando oramos em busca de socorro. Nunca duvidemos de que Ele está em nossas vidas sempre disposto a nos ouvir, pois somente Ele tem poder de mudar a situação em que estamos enfrentando nesse mundo. Amém!

TEXTO: EF 6.10.20

TEMA: COMO NOS FORTALECER NO SENHOR?

Diariamente enfrentamos tantas batalhas neste mundo. Aliás, a nossa vida tem sido uma constante batalha. São as dificuldades, os problemas, os sofrimentos que enfrentamos. Além destas batalhas diárias, também enfrentamos a batalha espiritual. É uma batalha constante que o cristão enfrenta contra as influências do mundo, contra a sua própria natureza pecaminosa (carne), e contra o diabo. Ela é uma realidade sóbria. É uma batalha que será constante até quando Cristo nos chamar para eternidade.

No entanto, nessas batalhas não estamos sozinhos. Deus está conosco. Ele é o Senhor  que peleja pelo seu povo, nos fortalece e nos concede força para vencermos as batalhas. Ele coloca à disposição toda a “força do seu poder”. Poder que nos sustenta diante das dificuldades da vida. E para ficarmos firmes é preciso nos fortalecer no Senhor.

Mas, afinal, como nos fortalecer no Senhor? O apóstolo Paulo nos fala dessa batalha e nos diz que devemos estar preparados e bem armados para lutarmos. É uma ordem divina para ficarmos firmes e vigilantes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não e contra seres humanos, mas contra forças espirituais do mal. Por isso, devemos ser constantes e sempre vigilantes, pois não sabemos quando e como ele irá nos atacar. E quais são as armas que devemos utilizar nessa guerra? O apóstolo Paulo também responde essa pergunta: precisamos nos revestir da armadura de Deus. Portanto, fiquem sempre em prontidão, e preparem-se para a luta!

Paulo fez diversos estudos para os filhos, pais, jovens, empregados, casais e padrões. E após estes estudos, ele concluiu, afirmando : sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” (v.10). O apóstolo Paulo  está afirmando que os cristãos de Éfeso deveriam se fortalecer no Senhor na força do seu poder. É uma  expressão que nos  capacita a viver a nossa vida cristã nesta terra, resistindo aos ataques de Satanás. Ele é o principal inimigo do povo de Deus. Ele é um adversário perigoso que lidera “as hostes espirituais da maldade” (v.12). Isso quer dizer que Satanás e seus agentes formam um exército organizado que se opõe à obra de Deus e ao seu povo. Eles atacam de forma astuta e estratégica (v.11).Por isso, precisamos admitir que por nossa própria força,  não somos capazes de vencer as batalhas contra as forças malignas.

Portanto, é necessário nos fortalecer no Senhor Jesus , buscando sua orientação, seus ensinamentos na palavra e sua proteção. Necessitamos estar ,permanentemente, ligados à fonte da qual esta força procede. Afinal, somos fracos em nossa própria natureza, e lutamos com inimigos muito mais fortes do que nós, que são enganosos, sutis, disfarçados. Dependemos, portanto, do poder de Deus para sermos fortalecidos. E quando somos fortalecidos pelo Senhor, nos tornamos capazes de vencer as fraquezas. Daniel foi fortalecido pelo anjo do Senhor: Falava ele comigo quando caí sem sentidos, rosto em terra; ele, porém, me tocou e me pôs em pé no lugar onde eu me achava.”(Daniel 8.18).Isaias foi fortalecido: não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.”( Isaías 41.10). Lembre-se: só permanecerão firmes aqueles que estiverem fortalecidos no Senhor.

Mas, afinal, como nos fortalecer no Senhor? O apóstolo Paulo apresenta uma nova dimensão para fortalecer os irmãos na fé em Cristo, convidando-os a se revestir da “Armadura de Deus”: “Revesti-vos de toda armadura de Deus. (v.11a): O verbo revestir  traz a ideia de vestir-se novamente, ou seja, uma roupa sobre outra. A palavra armadura se refere à armadura de um soldado fortemente armado da cabeça aos pés. Conjunto de peças feitas de metal ou couro, com que os soldados antigos cobriam o corpo para se protegerem das armas de ataque dos inimigos. O uso desta armadura significava manter agressivamente na retaguarda, manter-se à frente e opor-se contra o inimigo.

É impressionate a linguagem militar que o apóstolo emprega neste texto para falar sobre a armadura de Deus. Mas o que é a armadura de Deus? A armadura de Deus é a proteção que Ele nos oferece para resistir ao diabo e vencer as tentações e as lutas da vida. O motivo da necessidade é  para “poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo.” (v.11b). Estas ciladas são os truques de Satanás para enganar os cristãos (2Co 11.14). Outro detalhe é o combate para o qual precisamos estar preparados não é contra inimigos humanos, não contra homens constituídos de carne e sangue: “…porque não temos que lutar contra carne e sangue”. (v.12) Portanto, Paulo deixa claro que não lutamos contra forças humanas, a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. O conflito com Satanás é espiritual e, portanto, nenhuma arma física pode ser usada efetivamente contra ele e seus demônios.

Diante disso, o apóstolo Paulo exorta os cristãos de Éfeso a serem fortalecidos na força do Senhor e se vestir contra as forças malignas,usando determinadas armas. E quais são estas armas/ferramentas que estão à nossa disposição, e que devemos utilizar nessa guerra? Paulo responde essa pergunta. Ele fala das seguintes armas: cingidos com a verdade, vestidos com a couraça da justiça, calçados com o Evangelho da paz, embraçando o escudo da fé e o capacete da salvação. E ainda, tendo em punho a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, orando em todo o tempo e sendo vigias perseverantes. Essas são as armas que Deus nos oferece para resistir Satanás. É tudo que precisamos para resistir aos ataques do diabo e manter-nos firmes com Deus.

 Quem veste a armadura de Deus não será abalado. Por isso, Paulo nos aconselha: “tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mal e, depois de terdes vencido tudo, permaneceis inabaláveis. (v.13). Ele afirma ,simplesmente, “tomai a armadura de Deus.” Temos apenas que pegar. Há urgência,para que possamos estar preparados contra o dia mau que pode ser qualquer momento, uma guerra perpétua (Salmo 41.1). Neste sentido,Paulo  alerta para que todos se mantenham firmes e estejam preparados. Se tomamos a armadura e lutarmos ,bravamente, até o fim, “resistindo no dia mal” e “ vencendo tudo,” então seremos vitoriosos.

Paulo nos apresenta as ferramentas da armadura de Deus. Para cada peça da armadura existe uma comparação especial, vejamos: a primeira ferramenta: o cinturão - Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade.” (v.14a). A expressão cingir significa pôr à cintura, apertar. Provavelmente, se refere ao cinto usado para apertar a túnica do saldado. Uma túnica solta no campo de batalha poderia atrapalhar os movimentos do soldado, poderia tropeçar. Um soldado preparado para a luta teria um cinto apertado firme às suas vestes. Além disso, era usado para sustentar a adaga e a espada. Era responsável pela estrutura e sustentação de toda a armadura. Era uma peça indispensável para o soldado romano.

Como cristãos, nosso cinto é a verdade. E toda a verdade está em Cristo Jesus.  Quando o soldado de Cristo está com a verdade, em toda luta que tiver em sua vida,  estará preparado e protegido. Sendo assim, só poderemos resistir o inimigo, se estivermos fundamentados na verdade. Se estivermos cingidos com a verdade, nosso inimigo, que nos acusa e que é mentiroso, não terá argumentos válidos para lançar contra nós, pois estamos alicerçados na verdade. Se a verdade não for a base de sustentação da vida, entraremos despreparados para a batalha espiritual. Lemos em1 Pedro 1.13: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo.”

A segunda ferramenta da armadura de Deus para enfrentarmos a luta espiritual é a couraça da justiça: “vestindo-vos da couraça da justiça”. (v.14b).   A couraça era uma parte da armadura, feita de couro ou metal, para cobrir o peito e, às vezes, as costas dos soldados. O objetivo da couraça era para proteger contra os golpes das lanças, flechas e espadas. Mas que tipo de proteção é essa que o apóstolo chama de couraça da justiça? Ela nos protege de que? Como podemos vesti-la? A justiça aqui não é a nossa justiça própria. Se a justiça for própria, a couraça é própria, a armadura é própria! E  a armadura não é de Deus. Quando o apóstolo Paulo falou da justiça como uma couraça, ele tinha em mente a justiça de Deus. A justiça que Cristo conquistou na cruz para nós: (2Co 5.12; Ef 4.24). Essa é a maneira de vestir a couraça. Quando aceitamos a justiça que procede de Deus pela fé em Jesus, a nossa couraça de pano podre é trocada pela couraça da justiça de Deus.

Paulo nos apresenta a terceira ferramenta: Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz.” (v.15). As sandálias do soldado romano eram calçados duros.Ele eram feitos de couro para proteger os pés. Tinham tachas para manter o equilíbrio em terrenos acidentados, proporcionando apoio aos pés. Assim, para os soldados romanos, os calçados não poderiam ser algo que os impedisse, mas sim que o auxiliassem em seus movimentos de defesa. Para enfrentar a luta espiritual na qual todos estamos participando, além de cingir-se com cinturão da verdade e vestir a couraça da justiça, precisamos calçar os pés com a preparação do evangelho da paz. Calçar os pés no evangelho da paz é viver apoiado pela boa notícia da paz, é viver protegido pela paz do evangelho. É estarmos preparados, a qualquer momento, para representar o reino de Deus e anunciar o seu evangelho. Esse é o ponto de partida: paz com Deus. Se estivermos calçados com essa paz, podemos enfrentar a luta e vencer as batalhas.

A quarta ferramenta: Escudo da fé. Paulo especifica o tipo de escudo que era muito peculiar no exército romano. É muito significativo a simbologia que Paulo empregou para as armas espirituais. Ele afirma: Embraçando sempre o escudo da fé.” (v.16). O escudo aqui mencionado refere-se a um escudo suficientemente grande para cobrir a maior parte do corpo. Servia para se proteger contra as flechas, espadas e dos dardos. Era conhecido como Scutum (latim para escudo). Esse escudo era grande e retangular, tinha 1,5 metros de altura e pesava entre 5-7 kg. Ele era feito de madeira dura com metais nas bordas e grossas camadas de couro na frente. Antes de marcharem para a batalha os escudos eram molhados para que os dardos inflamados fossem extintos. 

A nossa proteção é o escudo da fé. Através dele, apagamos “todos os dardos inflamados do maligno”. (v.16b). Interessante que os romanos usavam as flechas como uma grande arma de ataque contra os inimigos. As flechas tinham pedaços de panos banhados em piche que eram acesas antes de serem lançadas. Essas flechas inflamadas causavam sérios estragos nos corpos e em locais aonde havia algo inflamável. Essa é a imagem que Paulo está usando, e que reflete a nossa batalha espiritual. Satanás está constantemente lançando seus dardos inflamados contra nós, querendo fazer com que nós acreditemos que há mais prazer nas coisas que ele oferece, nas mentiras, egoísmo, ciúmes, inveja, orgulho, cobiças. e muitos outros pecados Foi assim que ele atacou Jesus – prometeu coisas grandes, mas Jesus usou o escudo da fé e se defendeu crendo nas promessas de Deus (Mt.4.1-11).

Paulo nos aconselha a usar “sempre o escudo da fé”. Fé é um escudo que cobre todo o nosso ser – assim como o escudo cobria todo o corpo! Fé é a plena certeza, a garantia da fidelidade de Deus para com suas promessas. Essa plena certeza se torna uma convicção tão séria e tão profunda que passa a ser o que guia  nossos passos. E sem fé não conseguiríamos permanecer contra os intentos do inimigo. Seria impossível viver a vida de Deus sem esse escudo de defesa, mesmo porque, constantemente, somos atacados pelo inimigo e, uma vez sem esse escudo, seríamos alvos fáceis. Portanto é preciso “embraçar sempre”, ou seja, um ato continuo, de hora após hora, sem parar, um escudo, uma proteção de fé, que deve estar fundamentada, edificada, com alicerces espirituais profundos em uma Rocha chamada Cristo.

A quinta ferramenta é o  capacete da salvação: “Tomai também o capacete da salvação” (v.17a). Após colocar as outras peças da armadura, o soldado recebia do criado o capacete, um traje militar devidamente ajustado e mais leve para proteger esta parte vital do corpo. Os capacetes romanos eram feitos de bronze e tinham uma camada de feltro ou esponja. Paulo toma como base este termo para falar sobre a salvação.  Isto significa que  no âmbito espiritual, o capacete simboliza a salvação do Senhor. Pela sua morte e ressurreição, Jesus nos salvou do castigo e da escravidão do pecado (Romanos 8.1-2). A salvação que recebemos de Deus é nossa maior proteção de todos os nossos ideais  nesta vida. Quando vivemos focados na salvação em Cristo Jesus, a nossa vida terá outro sentido,pois Deus protege dos que lhe pertencem: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8.31; 37-39). Precisamos de proteção para não cair nas armadilhas do diabo.

A sexta ferramenta é a espada do Espírito. “A espada do Espírito, que é a palavra de Deus”. (v.17b). Este tipo de espada era pequena, aquela que o soldado usava no combate corpo a corpo. Não era a espada mais longa usada em combates. Para os cristãos armados para defesa na batalha, o apóstolo recomenda somente uma única arma de ataque; mas ela é suficiente, a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Isso fica claro uma vez que essa espada é a Palavra de Deus e que o Espírito Santo é seu autor (2Pe 1.20,21). Jesus usou tão ,incisivamente, as Escrituras na hora da tentação, fica claro que também temos de fazer o mesmo. O escritor aos Hebreus ressalta que "a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes" (Hb 4.12).

O apóstolo Paulo termina sua analogia sobre a armadura de Deus, ensinando como o cristão pode vestir essa armadura. Ele diz que é somente por meio de  um vida de oração que o crente pode estar devidamente equipado com a armadura de Deus e pronto para a guerra espiritual. Vejamos três usos dessa palavra que Paulo menciona: primeiro, para guerrear contra o diabo, temos de fazer da oração uma disciplina diária. Por isso,deveriam orar  "em todas as ocasiões.(v.18a) Em I Tessalonicenses 5.17, Paulo exorta os crentes: "Orai sem cessar". Jesus declarou que as pessoas devem "orar sempre e nunca desanimar" (Lc 18.1). A constância em oração é imperativa para a vitória. Segundo,  Paulo resalta que devemos “orar em todas as ocasições no Espirito.”(v.18b) No Espírito não se refere ao espírito humano com sua capacidade de devoção e ardor, mas ao Espírito Santo, que é quem ,poderosamente, inspira e intercede. Ele nos ajuda a formular as petições de acordo com a vontade de Deus ( Rm 8.26-27). E ,finalmente, “vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.” (v.18c). O termo “vigiando”transmite a ideia militar de "manter-se alerta". Esta deve ser atitude do cristão.  É a única maneira de estar preparado.  A agilidade incansável do cristão deve ser mostrada especialmente na intercessão perseverante a favor de todos os seus companheiros de luta.

Finalizando, Paulo pede aos efésios que orassem por ele. Ele não pede uma oração especial para seu bem-estar pessoal ,mas sim pelo crescimento do evangelho. O pedido é duplo. Primeiro, ele deseja sabedoria para que "me seja dada, no abrir da minha boca"(19a). O apóstolo está ciente de ter sobre si a grande responsabilidade de pregar o evangelho. Com isso, ele quer estar seguro de que, quando as oportunidades se apresentarem, ele possa falar as palavras corretas, a certeza de que a palavra que disser sempre seja a Palavra de Deus. Segundo, “para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho.”(19b).  Ele deseja audácia para pregar esta mensagem sem vacilar diante dos homens e sem abrir mão dos princípios do evangelho. Portanto, precisa pregar o evangelho completo para o mundo inteiro,quer judeus quer gregos.

 O apóstolo Paulo não se envergonhou de pedir aos cristãos que orassem, para que  tivesse a coragem e oportunidade de anunciar o evangelho. Mesmo estando na prisão, ele queria continuar a ser uma testemunha fiel do Senhor: “pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.” (v.20). Embora, estando acorrentado, ele se apresenta como  um “embaixador em cadeias” do evangelho de Cristo em Roma. Por isso,  ele pede aos cristãos  que orem, para que possa falar ,livremente, tudo o sabe e convém como embaixador de Cristo.

 Estimados irmãos! Diante do foi apresentado,  façamos sobre nós mesmos a seguinte avaliação: estamos devidamente equipados com toda a armadura de Deus? Estamos tentando vencer o adversário com nossas próprias forças, sem recorrer à fé, à oração, à Palavra e a comunhão com Deus?  Lembre-se que a nossa luta é contra Satanás, o inimigo de Deus.  Por isso, precisamos nos revestir de toda a armadura de Deus para ficarmos firmes contra as ciladas do diabo e resistir no dia mau e, depois de termos vencido, permanecer inabaláveis. Portanto, não negligenciamos a salvação, a justiça, a verdade, a fé, o evangelho de paz e nem a Palavra de Deus, antes apeguemo-nos firmemente a estas armas de defesa e ataque a fim de alcançarmos êxito nas batalhas. Resistamos e avancemos! Amém!

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

 TEXTO: SL 14

TEMA: NÃO SEJAMOS INSENSATOS, MAS SÁBIOS!

O Salmo 14 foi escrito pelo rei Davi. Mas  não sabemos em que ocasião de sua vida isso aconteceu. Alguns acreditam que  foi escrito no período do exílio. Quanto ao título, indica que ele foi entregue a um mestre de canto, o que, provavelmente, implica em sua utilização na adoração pública de Israel. Ele é quase idêntico ao Salmo 53.

O Salmo aborda vários ensinamentos e pode ser aplicado em diversas situações da vida. Ele fala da condição universal do pecado e da necessidade de arrependimento e salvação. Descreve um mundo onde as pessoas se afastaram de Deus e se tornaram corruptas, praticando o mal e não buscando a Deus. Ele  ainda afirma que Deus está com os justos e expressa esperança para o futuro, sabendo que Deus finalmente restaurará Seu povo.

No entanto, em nossa mensagem, analisarei um assunto que está relacionado com o texto: os insensatos e os sábios. Ocorre que havia entre o próprio povo de Deus, homens insensatos que começaram a viver como se Deus não mais existisse. Mas quem são os insensatos? Os insensatos são aqueles rejeitam a existência de Deus e vivem de acordo com seus próprios desejos. Eles são descritos como tolos, pois não reconhecem a sabedoria e a autoridade de Deus. Além disso, se corrompem e praticam abominações. Enfim, eles não têm sabedoria, valores morais, nem percepção espiritual. 

Diferentes são os sábios. Aqueles que ouvem a Palavra de Deus e as praticam. Refletem sobre às suas decisões e examinam com atenção todas as possibilidades.  São aqueles que temem ao Senhor  e sempre dam honra e glória a Ele. Obedecem aos seus mandamentos, são felizes e vencedores!

Temos vivido como insensatos ou como sábios? Temos procurado fazer a vontade de Deus, ou corremos atrás dos nossos afazeres pessoais, esquecendo de fazer o que de fato interessa ao nosso Deus?  Como cristãos, tenhamos cuidado com a maneira como vivemos e que não sejamos como insensatos, mas como sábios.

O salmista inicia o Salmo,falando sobre o insensato.Mas o que é ser insensato? A palavra insensato no texto,diferentemente, do seu sentido na língua portuguesa, que significa pessoa que não tem bom senso, louco, sem noção da realidade, etc, aqui a palavra hebraica para insensato(נָבָל) traz o significado de alguém que é oposto o do sábio, isto é, alguém que não anda segundo o temor do Senhor — que é o princípio da verdadeira sabedoria (Pv. 9.10). Logo, o insensato no salmo é um termo usado para descrever uma pessoa que age de forma imprudente, sem sabedoria ou discernimento; que age sem considerar as consequências de suas ações, ignorando os princípios e ensinamentos divinos; alguém que despreza absolutamente a realidade de que Deus existe!

Contudo, em suas grandes tolices, o insensato chega ao ponto de afirmar que Deus não existe: Não há Deus.”  (v.1b).  É lamentável observar esta atitude destas pessoas, Elas vivem como se Deus não existisse.  Acreditam que Deus não vai interferir no mundo e nem na sua história. Pensam que Deus não pedirá contas daquilo estão fazendo de errado. Na verdade, diante de  todos os seus propósitos práticos, estas pessoas entendem que Deus não faz parte dos seus pensamentos. Portanto, Deus não existe! O britânico Bertrand Russell que era um filósofo agnóstico, certa feita foi arguido sobre quando morresse o que faria ao se deparar na presença de Deus. Russel respondeu: “Deus, você não nos deu provas suficientes da Sua existência!”

Como este insensato ainda podia exigir mais provas? A natureza, o universo, as mais variadas formas de organismos e elementos criados por Deus já seriam suficientes. Olhando para as estrelas, compreendendo a vastidão do universo, observando as maravilhas da natureza, vendo a beleza de um pôr-do-sol – todas estas coisas apontam para um Deus Criador. As Escrituras afirmam que a existência de Deus é percebida naturalmente: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (Salmos 19.1- 4). Em Jesus Cristo Deus revelou-se plenamente. Foi possível que conhecêssemos a Deus pessoalmente e que experimentássemos o amor, a paz e a alegria através da morte de seu Filho na cruz.

A verdade é que encontramos tantas pessoas, agindo de acordo com a própria consciência e deixando de lado as coisas de Deus em nossos dias. Muitos nem acreditam na realidade de que há Deus! Por isso, como cristãos, tenhamos cuidado com a maneira como vivemos e que não sejamos como insensatos, mas como sábios. Esta é a recomendação do apóstolo Paulo, conforme Efésios 5.15 e 16. Dentro da importância do testemunho cristão, Paulo exorta seus leitores a verem cuidadosamente a maneira como estavam vivendo perante às pessoas. Esta deve ser a nossa vivência: viver de acordo com os ensinamentos das Escrituras, como sábios, andando com sabedoria ao fazer a vontade de Deus.

Era assim que os mestres e líderes do povo de Israel   estavam vivendo quando Davi escreveu este Salmo. Eram insensatos, obreiros da iniquidade. Não buscavam Deus. Desprezavam o povo de Deus. Não agiam com sabedoria em sua vida espiritual e ética. Não sabiam fazer escolhas corretas.   E as consequências dessa insensatez são tristes e se refletem tanto no caráter quanto na conduta do povo; se manifesta no seu coração, na sua mente e na sua decisão. O que ocasiona, consequentemente,  à violação de todos os princípios, estatutos e leis estabelecidas por Deus, uma vez que eles se corrompiam e praticavam abominação.” (v.1b).O verbo corromper no hebraico é שִׁחֵת   significa agir de maneira corrupta, praticando abominações, ou seja, algo imundo desagradável a Deus; alguém  que subverte toda ordem, de modo que não faze mais distinção entre o certo e o errado, e não têm consideração alguma pela honestidade. Portanto, o homem caído é totalmente corrupto, e sua corrupção abrange todas as áreas da sua vida. É o que temos visto em nossos dias:estupro, aborto, pedofilia, homicídio, homossexualismo, bruxaria, terrorismo, zombaria ao nome de Cristo, etc).

Também éramos, outrora, néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, Deus nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna (Tito 3. 3-7).

O apóstolo deixa muito claro esta questão em Romanos 1.21-31. Ele afirma: Tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus. Se tornaram nulos em seus próprios raciocínios. Obscureceram o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos. Mudaram a glória de Deus.” O verso 28 nos mostra o resultado de tudo isto: Por haverem desprezado o conhecimento de Deus, Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes.” O que vem a seguir é uma lista enorme das iniquidades cometidas por estes homens. Portanto, a iniquidade humana é resultado do afastamento de Deus. O salmista estava certo, nas suas afirmações: eles se corromperam e praticaram abominação, já não há quem faça o bem.”  (v.1c).

No entanto, Deus olha para a terra, Deus busca entre os filhos dos homens para ver se há quem entenda e se há quem busque a Deus. (v 2). A expressão, “olha para a terra,” literalmente significa: curvou-se; indicando olhar zeloso e intenso para um exame mais detalhado. E ao olhar Deus encontra uma resposta: não há nem um sequer que faça bem ou busque a Deus. Consequentemente, todos se extraviaram e juntamente se corromperam.” (v.3). O verbo “extraviar” indica uma ação em que os homens deram as costas para Deus. Desprezaram,ignoraram o propósito para o qual foram criados, ou seja, de glorificar a Deus.Como resultado de sua depravação, o homem caído não apenas nega a existência de Deus, mas também se dedica a explorar o povo: “os obreiros da iniquidade devoraram o meu povo, como quem come pão, que não invocam o Senhor?” (v.4). Agiam com naturalidade e a facilidade com que praticavam sua maldade, explorando  os necessitados.

No entanto,  embora os insensatos vivendo como se Deus não existisse, eles não poderiam escapar. O Senhor haverá de julgar a terra com retidão,e nesse dia restará aos insensatos apenas o pavor, não encontrarão lugar onde poderão se esconder. O salmista afirma: “Tomar-se-ão de grande pavor.” (v.5a). Não se livrarão da ira do Senhor, pois foram cruéis, cujas ações traziam sofrimento àqueles que, por vezes, não têm como se defender, ou seja,os “justos”  e os “humildes”: Eles se aproveitaram para falar mal dos indefesos, julgando-os e  discriminando-os: “Meteis a ridículo o conselho dos humildes.”  ( 6a). Mas apesar de os justos  serem,  muitas vezes, escarnecidos, debochados, zombados, “o Senhor é o seu refúgio.” (v.6b).Como é maravilhoso saber que Deus é o nosso refúgio. Nele encontramos toda força e proteção necessárias quando tudo ao nosso redor começa ruir. Ele nunca nos abandona, quer chova ou faça sol, quer sopre ventania ou haja calmaria, na doença ou na saúde. Ele também está com seus filhos para lhes fazer justiça diante dos malfeitores, seja confortando-os no sofrimento e livrando-os das suas armadilhas.

Para reforçar este pensamento, o salmista usa uma expressão de confiança, uma aspiração, um desejo de sua alma: “tomara de Sião viesse já a salvação de Israel!” (v.7a).O desejo de Davi é que Deus traga salvação ao seu povo. Isto significa que a   redenção de Israel não será encontrada na força ou sabedoria humana. Ela virá de Sião,do monte onde estava Jerusalém. Este era o lugar da habitação de Deus no meio do seu povo. Na verdade, o que Davi pede é que Deus traga salvação para Israel. diante das mãos dos seus inimigos, para que o seu povo se alegrasse no Senhor e no seu livramento. Davi mostra que, quem reconhece e se submete ao Senhor,tem em seu coração a esperança inabalável. Por isso, Davi afirma: “Quando o Senhor restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará. (v.7b). Será um tempo de regozijo e de alegria para Israel. Essa esperança de Israel, demonstra  o seu  retorno da Babilônia.

Deus cumpriu o desejo de Davi e lhe atendeu o clamor!  Ele  restaurou a sorte do seu povo! Mas uma salvação maior estava para chegar. Do meio de Israel, Deus estava trabalhando para trazer ao mundo o Seu Filho para salvar o seu povo dos pecados deles! E na plenitude do tempo, Cristo veio e com seu sangue nos libertou dos nossos pecados e com seu Espírito nos deu novo coração para servir a Deus! Cristo restaurou a nossa sorte! Ele nos salvou! Mas vai chegar o dia em que ele virá para completar a boa obra que iniciou em nós e nos dá plena salvação! Ele prometeu vir nos buscar e nos levar para habitar consigo no novo céu e na nova terra por toda eternidade. Então, nossa alegria será perfeita e completa, pois o mal e toda corrupção não mais existirá, mas somente perfeita paz e justiça para o povo de Deus!

Enquanto aguardamos a vida de Cristo, sejamos sábios. Aqueles que ouvem a Palavra de Deus e as praticam. Refletem sobre às suas decisões e examinam com atenção todas as possibilidades.  São aqueles que temem ao Senhor  e sempre dam honra e glória a Ele. Obedecem aos seus mandamentos, são felizes e vencedores! Sigamos o exemplo do salmista. Um exemplo é o Salmo 1. Ele  Ilustra de uma forma maravilhosa, ao comparar o caminho do justo e do ímpio (ou do sábio e do tolo) e depois nos mostra qual o resultado final desses dois caminhos. Ele começa falando sobre coisas que o justo não faz, ou seja, que devemos evitar, se queremos ser sábios e não tolos. Sigamos o exemplo também de Salomão. Ele vê que ser sábio é melhor e mais proveitoso do que ser tolo, como a luz que traz mais proveito do que as trevas.

O grande  exemplo  foram os apóstolos. Eles viveram como sábios. Aproveitaram o tempo e procuraram compreender a vontade de Deus, pela leitura e prática da sua Palavra. Mantiveram-se sóbrios em ação constante na prática do bem. Deixaram-se dominar completamente pelo Espírito Santo de Deus, sendo guiados pelos caminhos da verdade e servindo a Deus ao próximo. Dentro da importância do testemunho cristão, Paulo, conforme Efésios 5.15 e 16, exorta seus leitores a verem cuidadosamente a maneira como estavam se portando perante os de fora. Esta deve ser a nossa vivência: viver de acordo com os ensinamentos das Escrituras, como sábios e não tolos. Mas no que consiste o andar com sabedoria? Consiste em fazer a vontade de Deus. Por isso, queremos ser sal da terra, uma luz para as pessoas, refletindo a sabedoria e o amor de Deus neste mundo.

Estimados irmãos! Temos vivido como insensatos ou como sábios? Temos procurado fazer a vontade de Deus, ou corremos atrás dos nossos afazeres pessoais, esquecendo de fazer o que de fato interessa ao nosso Deus?  Como cristãos, tenhamos cuidado com a maneira como vivemos e que não sejamos como insensatos, mas como sábios. Amém!

 

 

 

 

 

sábado, 10 de agosto de 2024

 TEXTO: GN 22. 1-22

TEMA: ABRAÃO, O PAI QUE FOI PROVADO POR DEUS

Quais foram as provas mais difíceis, que você já enfrentou em sua vida? Você se lembra de alguma? Se você passou por muitas provas em sua vida, jamais se compara com a prova que Abraão teve que enfrentar, talvez a maior prova de sua vida. Foi provado por Deus, oferecendo como sacrifício seu único filho. E Deus lhe deu força e coragem, para enfrentar tal situação.

Da mesma forma, também nós pais, recebemos, da parte de Deus, força e coragem quando somos provados. Ainda que nos venham provas dolorosas e desconfortáveis da parte do Senhor, quando enfrentamos o desemprego, problemas familiares, questões de saúde, isto fará com que confiemos cada vez mais em Deus, acreditando nas suas promessas. Em todos esses casos, precisamos da sabedoria de Deus. Devemos nos perguntar: Como estou reagindo a esta situação? Qual é o caminho de Deus? Qual é o plano de Deus para mim nas circunstâncias que estou enfrentando?  Deus, certamente, está nos contemplando. Ele dirige e supervisiona tudo o que nos dá. Ele sabe o quanto podemos suportar e o que é necessário para a nossa vida.

I

Muito antes do acontecimento relatado em nosso texto, quando Abraão ainda não era pai, lamentou diante de Deus, dizendo: "A mim não me concedeste descendência e um servo nascido na minha casa será meu herdeiro." Em outras palavras, isto significa:  Deus! Eu sei que tu concedes filhos aos país, mas, até agora eu não recebi esta bênção de ti. Porém, não deixou de rogar a Deus que lhe concedesse um filho. E Deus de fato cumpriu com sua promessa e Sara apesar de sua velhice, teve um filho, ao qual chamou de Isaque, e Abraão tornou-se pai.

Creio que a maioria dos pais, aqui presente, já teve a oportunidade de acompanhar o nascimento de seu filho, num hospital. É algo fantástico! É maravilhoso ver o nascimento de uma criança e ao mesmo tempo o homem tornando-se pai. Mas ser pai não é só colocar filho no mundo. Ser pai significa que você, estimado pai, tem diante de si, uma grande responsabilidade para com seus filhos. A responsabilidade de orientá-los no verdadeiro caminho. Ser Pai é ser acima de tudo, alguém que sabe amar seus filhos. Alguém que sabe de fato levar carinho, para um filho que está precisando de amparo. Ser pai é saber sustentar seus filhos dando-lhes o conforto necessário.

Isaque foi crescendo. Abraão tinha muito cuidado em ensinar para Isaque tudo que ele sabia sobre Deus. Ensinou-lhe a maneira de adorar seu Deus e de obter seu perdão através do sacrifício. Isaque, muitas vezes, via seu pai juntar pedras e construir um altar. Ele o via colocar lenha sobre o altar, amarrar as patas de um cordeiro e coloca-lo sobre a lenha. Em seguida com um rápido golpe de facão, o cordeiro era morto e o sangue jorrava sobre o altar. E aquele sangue tinha de ser derramado para que o pecado pudesse ser perdoado.Tudo isto Isaque apredeu de seu pai.

Seria maravilhoso se cada pai tomasse como exemplo, Abraão. Um pai que foi perseverante, fiel, obediente e soube confiar nas promessas de Deus. Seria maravilhoso se cada pai cumprisse com sua tarefa de conduzir seus filhos o caminho que leva a Deus e às atividades da igreja. Estudando em casa às Escrituras através de devoções e estudos bíblicos. Penso que os pais cristãos não pouparão sacrifícios para atingir este alvo. Então, sim, podemos dizer como Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

Entretanto, Abraão tinha diante de si uma prova muito difícil. Deveria sacrificar em holocausto, o seu  único filho, o filho da promessa, o filho a quem muito amava. Assim diz o Senhor: “Abraão, eu quero que tu leves, o teu filho, o único a quem amas, à Moriá e lá oferece-o em holocausto a mim”. De fato,era uma prova muito dificil para Abraão.

Nem sempre compreendemos porque Deus permite que aconteçam coisas difíceis em nossa vida. É porque Deus não nos ama? Não! Deus nunca deixa de nos amar. Algumas vezes é por amar tanto a você que Ele permite coisas difíceis em sua vida. Mas Deus lhe dará coragem para enfrentar as provas de sua vida. As coisas difíceis farão com que você confie em Deus cada vez mais.

II

Era uma boa oportunidade para Abraão dizer não ao pedido de Deus. Ou então poderia oferecer ovelhas, bois ou até mesmo sacrificar um dos seus servos em lugar de seu filho. Abraão não discute com Deus, não pergunta e não murmura. Embora, com seu coração de pai dilacerado pela dor, está disposto a cumprir com a vontade de Deus. Reconhece e considera Isaque, mesmo depois do nascimento, como sendo propriedade de Deus. Deus tem o direito sobre Isaque. Ele pertence mais a Deus do que a Abraão.

É necessário que muitos pais saibam e reconheçam que os filhos são bênçãos e herança do Senhor Deus. Infelizmente, para muitos pais as crianças só atrapalham, são estorvos, problemas. É lastimável que seja este o valor das crianças para tais adultos. Mas não esqueçam, estimados pais, que estas pequenas criaturas de Deus, que estão em toda parte, nas ruas, praças, nos jardins, crianças pobres e ricas, famintas e nutridas, devem ser amadas, honradas e desrespeitadas. Elas precisam conhecer Jesus.

Compreendemos a dor de Abraão ao se dirigir para Moriá. Nenhum pai gostaria de sentir esta dor. Viver os momentos difíceis que passou Abraão. Somente ele e Deus sabiam o propósito dessa viagem. Quem não sabia era Isaque: "não estou entendendo o que estamos fazendo. Levamos aqui a lenha, a faca para realizar o sacrifício, o fogo para queimá-lo, mas onde está o holocausto? Nada estamos levando para sacrificar?" Abraão responde:  Deus proverá meu filho! Deus fará com que consigamos um cordeiro para o sacrifício.”

Deus proverá. Essas palavras maravilhosas mostram a fé que Abraão tinha em Deus. E é justamente através desta fé que Abraão estava pronto para sacrificar o seu único filho, a cumprir sua missão. E Deus lhe deu força e coragem para enfrentar tal situação. Por isso, podemos dizer que Abraão foi um herói, um gigante na fé! Um pai que partiu confiante em Deus em direção à Moriá. Demonstrando, assim, a sua fidelidade, a sua obediência às ordens de Deus, mesmo sabendo que através de seu filho haveria de nascer o Messias, que seria o pai de uma grande nação. Como resposta, resultado da sua obediência e confiança na promessa de Deus, ouve do anjo: Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhes faças, pois agora sei que temes a Deus, por quanto não me negaste o filho, o teu único filho.”

Não precisamos sacrificar o nosso filho, como Deus fez com Abraão, testando a sua fé. Entretanto, Deus nos prova de outra maneira, através de enfermidade, morte, calamidade, ou mesmo através de problemas, dificuldades que enfrentamos dentro do nosso lar, tais como: teremos condições de oferecer um bom colégio ou uma Universidade aos nossos filhos? Teremos condições de sustentar a nossa família? Quando isto acontecer em nossa vida, lembremo-nos da promessa: “Deus proverá”. Sim, Deus nos dará força e coragem para enfrentar cada prova. E eu tenho certeza que Ele providenciará tudo para nós. E o que nos dá esta certeza, é  a nossa fé, a nossa confiança em Deus. Como prova, Deus providencia o cordeiro para a oferta queimada. Deus nos amou tanto que nos deu o melhor que tinha, seu Filho. Será que Ele não nos dará também o que precisamos? É claro que a resposta é SIM.

 Prezados pais! Tome como exemplo Abraão. Peçam a Deus fé e coragem para enfrentar as provas da vida. Amém.

 ORAÇÃO

Pai celeste, que nos amaste tanto, e deste o teu Filho Jesus, para ser o nosso Salvador e para nos restabelecer na condição de filhos de Deus. Te agradecemos com muita alegria esta bênção que nos dás, de podermos te chamar-te pai. Abençoa neste dia a todos os pais, dando-lhes saúde, força, disposição, responsabilidade, sabedoria e fé, para educarem os seus filhos no temor do Senhor e no caminho da salvação. Pedimos isto Pai celeste, em nome de Jesus, teu Filho amado. Amém.