segunda-feira, 14 de outubro de 2024

TEXTO: Sl 119.9-16

TEMA: OS BENEFÍCIOS DA OBEDIÊNCIA À PALAVRA DE DEUS

O Salmo 119 é o mais longo dos 150 salmos que compõem o Saltério e foi composto quando o povo de Israel voltou do exílio na Babilônia. O Salmo é escrito em forma de acróstico, ou seja, cada estrofe de oito versos começa com uma das 22 letras do alfabeto hebraico. O estilo acróstico aparece em outros lugares no Antigo Testamento: em outros salmos e também nos primeiros quatro capítulos do livro de Lamentações, etc. E um possível motivo de usar esse tipo de composição seria para facilitar a memorização do hino para cantar na adoração a Deus.

Não se sabe com certeza quem escreveu o Salmo 119, mas muitos pensam que foi  Davi quando era jovem; outros incluem Esdras, Neemias e Jeremias. Spurgeon tinha a convicção de ter sido Davi, o seu autor. O fato é que o autor passou por grandes problemas na vida, mas através da Palavra,  aprendeu  viver em todas as circunstâncias. Aprendeu a valorizar cada palavra comunicada por Deus, pois trouxe muitos beneficios à sua vida,

É justamente o que ocorre no texto de 119.9-16. Ele focaliza um único tema do começo ao fim, utilizando uma variedade de sinônimos: lei, caminho, prescrições, mandamentos, preceitos, juízos, decretos, palavra, testemunhos, veredas, etc. Mas o que o salmo tem de tão especial para todos nós?A resposta é simples, é um salmo que fala sobre o maior tesouro de um filho de Deus em sua peregrinação na terra: a Palavra. Em cada verso, o valor da Palavra de Deus é frisado neste salmo.

Podemos, assim, definir o nosso tema: Os benefícios da obediência à Palavra de Deus. A obediência à Palavra de Deus é um conceito fundamental na vida de um cristão. É uma forma de reconhecer e submeter-se à autoridade divina.  É uma forma de demonstrar gratidão pelo sacrifício de Jesus na cruz e de retribuir o amor que Deus tem por nós. Através da obediência, os cristãos podem experimentar a paz, a alegria e as bênçãos  de viver de acordo com os princípios divinos. Além disso, a obediência à Palavra de Deus é uma forma de testemunhar ao mundo sobre a fé cristã e influenciar positivamente a sociedade. Enfim, a obediência à Palavra de Deus traz diversos benefícios para a vida do cristão.

Deus nos chama à obediência à sua Palavra. Ele nos convida a confiar nele, a segui-lo e a obedecer aos seus mandamentos. A obediência não é uma opção, mas sim um chamado para todos os cristãos. É através da obediência que podemos experimentar a plenitude da vida em Cristo e cumprir o propósito para o qual fomos criados. Com a ajuda do Espírito Santo e o compromisso de buscar a Deus, podemos superar esses desafios e viver uma vida de obediência à Palavra de Deus. 

Estimados irmãos! Não podemos negar que a juventude é um dos momentos mais bonito da vida dos jovens. Contudo, esta fase da vida  também apresenta o outro lada, constítuido de perigo e ameaça aos jovens. São dificuldades de lidar com emoções e decisões que podem refletir pelo resto da vida. São muitos desafios, tristezas, e até depressão profunda e mesmo o suicídio!  Por isso, há um certa preocupação com o caminho que o jovem  deve trilhar. O salmista questiona, e faz  uma pergunta fundamental, pois demonstra uma grande preocupação com o futuro dos jovens: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? (v.9a). Esta pergunta é um  importante para refletirmos sobre a sobrevivência moral e espiritual de muitos jovens. O verbo  זָכַך   aqui merece destaque, pois traz um signficado profundo. Ele significa ser (fazer) limpo, ser puro, ser transparente. O apóstolo Paulo  certa vez também aconselhou Timóteo a ter um vida pura: “Conserva-te  a ti mesmo puro.” (1Tm 5.22). Aqui, Paulo usou o verbo  τηρέω  que significa guardar, atender cuidasamente a pureza. Viver  um vida e conservar a pureza era a luta de Timóteo como pastor na congregação e de Eféso.

Mas como o jovem permanecerá limpo ou ser puro em seu caminho? Ao responder esta pergunta, é  preciso analisar a situação que vivem muitos jovens na atualidade. Muitos vivem angustiados e desanimados, porque lhes falta direção e propósito. A maioria busca respostas de fontes erradas. Além disso ,existe muitos atrativos que chamam a atenção dos jovens neste mundo, e que acabam levando os  para um caminho sem saida. Convites, muitas vezes, recheados de mentiras  com objetivo de destruir os princípios bíblicos que lhe foram ensinados no âmbito familiar e da igreja. E muitos acabam presos ao consumo de drogas, à sesualidade, ao desejo de prazeres  sexuais, à prostituição  e vícios. Por isso,  o jovem precisa aprender a perguntar: por onde tenho caminhado? O que tenho buscado? Contudo, não é não apenas para jovens, mas para qualquer um.

O salmista apresenta preciosas instruções para os jovem andar puro no caminho do Senhor. Ele o orienta a observar a Palavra do Senhor: “Observando-o segundo a tua palavra.” (v.9b). Para manter seu caminho puro,o jovem preciso guardar a Palavra de Deus. Quando um jovem toma conhecimento da Palavra e passa aplica-la em sua vida, sabe defender os seus valores e não perde seu tempo com assuntos sem valor e relevância, descartando assim os convites oferecidos pelo mundo! O Senhor traz para o jovem todo o direcionamento que necessita para viver com retidão e santidade. E assim poderá andar em pureza e santidade, exercendo uma vida piedosa conforme ás Escrituras,  ensinam. Além disso, deve buscar sabedoria, conhecimento e experiência em Deus pela sua Palavra, para poder ser bem sucedido em sua vida.

No entanto, o jovem não apenas deve observar a Palavra, mas também precisa viver e praticar através de seu procedimento e atitude. Diante disso, o salmista demonstra este procedimento quando afirma: “De todo o coração te busquei.”(v.10a). Mas o que significa “buscar a Deus”? Significa voltar-se para Ele. Dispor-se a investir tempo em sua presença. Buscar de todo coração é dar a Ele exclusividade sem distrações, na oração, na leitura e no aprendizado de sua Palavra. Davi está disposto a seguir este caminho: a dedicar todo o seu coração a Deus. Ele não quer que nada o afaste da Palavra de Deus. Diante dos desafios da vida, pede a juda para se manter firme na fidelidade às suas leis e ensinamentos.

Da mesma forma, como o salmista buscou o Senhor de todo o coração, precisamos incentivar os jovens a buscá-lo diariamnete. O próprio Jesus prometeu que seria encontrado por aqueles que o buscassem. Mas não quer que o busquemos de qualquer maneira, com negligência ou desleixo. Mas de que maneira Deus quer o busquemo? Buscando os mandamentos de Deus  e vivendo com sinceridade. Por isso, o salmista afirma: “não me deixes fugir aos teus mandamentos.”(v.10b).Já paramos para pensar  quantas vezes já fugimos dos mandamentos de Deus? Muitos têm fugido em função de um relativismo moral desenfreado no mundo de hoje,  Escolhem quais mandamentos devem cumpri-los, aqueles que são mais “fáceis” e acabam ignorando os demais,pois consideram muito restritivos.  Além disso, à medida que a moral e a ética se distanciam, torna-se dificil seguir fielmente os mandamentos de Deus.

Contudo,  guardar a Palavra Deus e a obedecer seus mandamentos, é tão precioso e essencial para nós: O salmista decla esta verdade: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (v.11). O verbo צָפַן significa esconder, entesourar, armazenar,guardar. Significa que o salmista tomou  uma decisão consciente, espontânea e pessoal, ao desejar  guardar a Palavra de Deus em seu coração, a fim de que ela estivesse sempre diante dele em seus pensamentos, em suas atitudes. Foi uma decisão contra o pecado. Por isso, se quisermos nos proteger das tentações e do pecado, devemos guardar os ensinamentos de Deus em nosso coração. Guardar a Palavra de Deus em nosso coração nos dá a oportunidade de nos conhecer melhor e de nos aproximar de Deus.  Quando gurdamos a Palavra estamos vivendo de acordo com seus planos para nós.

O salmista reconhece que o Senhor é uma grande bênção: “Bendito és tu, Senhor.” (v.12a). O termo  בָרַךְ   aqui significa abençoar, ajoelhar, exaltar, agradecer, felicitar, saudar; que foi alvo de bênçãos; abençoado, louvado. Portanto,bendito expressa uma forma de reconhecer a presença de Deus e de expressar gratidão por Ele. Estas palavras de adoração são oriundas de intensa admiração pelo caráter divino, o qual o salmista humildemente almeja imitar. Sendo assim, o salmista suplica ao Deus bendito que o “ensine os seus preceitos.”(v.12a). O termo “preceito” no hebraico ( חֹק) também é traduzido como estatutos. Este termo refere-se a um tipo específico de leis, uma promulgação, decreto ou portaria autorizada. Já os estatutos bíblicos revelam o pensamento de Deus e refletem suas prioridades, que são extremamente instrutivas como orientações divinas para o comportamento justo de seu povo. Era justamente este o desejo do salmista: compreender, aprender os preceitos do Senhor,pois são corretos, retos, um caminho oposto ao perverso. Precisamos também de um coração agradecido e de um espírito receptivo que nos permita aprender do Senhor os seus preceitos.

Embora salmista tenha  guardado (escondido) a Palavra no seu coração, ele não a confina  no coração, mas a pronuncia com seus lábios: “Com os lábios tenho narrado todos os juízos da tua boca.” (v.13). O termo  משׁפּט (juizo) significa  julgamento, justiça, ordenação, juízo.  São decisões proferidas por juízes para explicar, ampliar ou restringir a aplicação da legislação em vigor. Deus dá exemplos de como Ele julga nas Escrituras. Os juízos de Deus ilustram como devem ser tomadas decisões justas de acordo com os princípios revelados em suas leis e estatutos. Ele instrui a todos os juízes que são responsáveis por julgamentos que não são previstos especificamente na Torah. O salmista afirma que  tem narrado todos estes juizos do Senhor. Literalmente, teria dito: “Enumero em detalhes todos os juízos de tua boca. Faço tanto para ser mais familiarizado com eles, como também para ensiná-los aos outros. Assim como eu o ensino aos outros, assim tu os ensina-me”

A obediência às leis pelas quais Deus testemunha a sua vontade é a verdadeira riqueza que traz alegria à vida. Ele fica alegre em seguir os mandamentos do Senhor.  Ele pede que os seus leitores se alegrem na lei de Deus, pois ela é uma boa herança para eles. Este é o pensamento do salmista: “Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos.” (v.14a).Observem que o salmista não está sobrecarregado com o peso de deveres ou obrigações. Sua motivação é o regozijo em seguir a Deus através da sua Palavra. Ao falar sobre “caminho dos teus testemunhos,”  o salmista está se referindo ao conhecimento das Escrituras. Isso inclui o estudo e o entendimento das promessas e ensinamentos de Deus, como a leitura e a meditação nas Escrituras. Para o salmista, as promessas de Deus são válidas e relevantes para aqueles que as compreendem profundamente.

Precisamos nos  alegrar com Deus, com as coisas de Deus. Ele quer que aprendemos a obedecer à sua Palavra e a nos aproximarmos dele. Isso significa que devemos nos empenhar em procurar a Deus, com o propósito de conhecê-lo melhor. O resultado disso é que nossa vida começará a ser preenchida com a alegria de Deus Não importa o que estamos passando, devemos nos lembrar de que a lei de Deus sempre nos traz alegria e esperança, Isso vale muito mais do que qualquer riqueza, afirma o salmista. (v.14).  Enquanto muitos procurem a satisfação nas riquezas, na sabedoria, no poder, na satisfação dos seus desejo, jamais a encontrarão.

O salmista não se contenta apenas em conhecer a conduta de vida, mas deseja meditar  nos preceitos de Deus. Isso significa que ele passou muito tempo ponderando e pensando sobre os caminhos de Deus, obras,suas instruções e seus ensinamentos, e especialmente em seus tratos graciosos com ele. Ele afirma: “Meditarei nos teus preceitos.” (v.15a). Mas, o que é meditar? No hebraico é שִׂיחַ significa refletir, conversar e queixar-se. Mas o termo também quer dizer pensamento. E nada mais é do que o ato de trazer à mente o que sabemos sobre as obras, os caminhos, os propósitos e as promessas de Deus, pensando sobre eles e, principalmente, aplicando-os às nossas próprias vidas.

Ocorre que muitos cristãos estão tão envolvidos nos cuidados do mundo, e não têm tempo  para meditar na  Palavra de Deus.  A verdade é que a meditação tem se tornado uma arte rara, um exercício em esquecimento.  Não é sem razão que o salmista nos exorta a exercitar-se, constantemente, e nos ordena a direcionar toda a nossa  vida na meditação nos preceitos de Deus. Ele ainda declara que considerará atentamente os caminhos de Deus: “e às tuas veredas terei respeito.” (v.15b). O termo אֹרַח  ( veredas) no hebraico significa  um caminho, trajetória. Podemos afirmar que o salmista prestava atenção  aos caminhos do Senhor. Eles são perfeitos. E, por isso, devemos andar nestes caminhos. E para andar nos caminhos do Senhor é necessário andar por fé e na certeza de que Ele está conosco. Você  tem andado nos caminhos do Senhor? Comece a caminhar com Ele, permanecendo plenamente em sua vontade. Lemos em  Deuteronômio 5.33 : “Andem em todo o caminho que o Senhor, seu Deus, lhes ordenou, para que vocês vivam, para que tudo lhes vá bem, e para que se prolonguem os seus dias na terra que irão possuir. ”

O salmista demonstra ainda a sua atitude com relação à importância da Palavra de Deus. Ele  pensa na Palavra do Senhor como guia para sua vida. Ele afirma: “Terei prazer nos teus decretos.” (v.16a). O decreto de Deus é o seu propósito ou a sua determinação com respeito às coisas que irão acontecer, coisas registradas para os dias vindouros, para sempre, perpetuamente. Eles ocorrem de acordo com o propósito divino e não pelas leis fixas da natureza, ou destino ou por acaso. Negar os decretos de Deus é negar a sua soberania e providência. O salmista também afirma:  “não me esquecerei da tua palavra.” (v.16b). O termo Palavra não significa apena um unidade de linguagem. Mas é algo muito mais significativo para o salmista, pois  comunica a vontade de Deus. E assim ele demonstra  que jamais deixará que o mundo tire de sua mente esta Palavra.

Estimados irmãos! Quando estamos em meio ao caos, em meio à correria do dia a dia, acabamos nos esquecendo da Palavra de Deus. Não valorizamos tudo aquilo que Deus tem feito por nós.  Não lembramos do seu amor e seu cuidado. Sendo assim, precisamos também ter  a vontade em buscar conhecer a Palavra de Deus,  e jamais esquece-lá. Deus nos chama à obediência à sua Palavra. Ele nos convida a confiar, seguir e a obedecer aos seus mandamentos. Neste sentido,  a obediência não é uma opção, mas sim um chamado para todos os cristãos.  É um princípio fundamental na vida cristã. É através da obediência que podemos experimentar a plenitude da vida em Cristo e cumprir o propósito para o qual fomos criados.

Sejamos obedientes à Palavra de Deus! Quando obedecemos, recebemos muitas bênçãos: vivenciamos a santificação, o crescimento espiritual, fortalecimento da nossa fé, traz paz, segurança e permite experimentar a plenitude da vida em Cristo. Além disso, a obediência à Palavra de Deus é recompensada por Deus, que promete abençoar aqueles que a seguem fielmente.Amém!

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

TEXTO: SL 90

TEMA:  A  ETERNIDADE DE DEUS E A   BREVIDADE DA VIDA

O livro de Salmos está dividido em cinco seções principais, sendo que o Salmo 90 é a introdução ao Livro IV. Este livro é composto dos Salmos 90 ao 106. É o mais breve dos cinco livros identificados nos Salmos. Podemos comparar o Livro IV com o livro de Números, pois também relata  a jornada do povo de Deus pelo deserto de maneira especial. O Salmo 90 é o único mencionado no Saltério, escrito por Moisés. Consequentemente, é também o salmo mais antigo. É bem possível que Moisés tenha escrito este salmo no final da sua jornada no deserto.

Quanto ao conteúdo ,o salmo nos oferece uma reflexão profunda sobre a eternidade de Deus e a brevidade da vida. Moisés testificou este assunto em sua oração. Ele inicia o Salmo com uma declaração e o conclui com uma súplica. Primeiro, ele fala sobre a eternidade, deixando evidente que Deus é eterno: “de eternidade a eternidade, tu és Deus” (v.2). Isto significa que nenhuma outra coisa ou pessoa possui o atributo da eternidade. Ela ,propriamente, pertence só a Deus. Ele  é o mesmo no passado, no presente e no futuro.  Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, ele é Deus.  Como Deus é eterno, para ele mil anos é como o dia que se foi e como a vigília da noite.

Em contraste com à eternidade de Deus, o homem é mortal. A sua vida é breve,  frágil, vunerável, efêmera e passageira.Também está sujeita ao cansaço e  muitas aflições neste mundo.   Portanto, o homem não é eterno. O homem nasce, cresce, vive e morre. E durante este tempo, seus dias são turbulentos e breves como um sono, seus anos acabam-se como um breve pensamento. Seu vigor é passageiro como uma flor que de madrugada viceja e floresce, mas à tarde murcha e seca.  Mas o homem não é apenas vulnerável e mortal. É também pecador. Os seus pecados causam o furor e  a ira de Deus. Ele é um afronto a Deus.   As suas iniquidades são expostas diante de Deus e até mesmo seus pecados ocultos são manifestados aos seus olhos.     

Diante do que foi exposto, o homem  carece de sabedoria para contar os seus dias e alcançar um coração sábio diante da sua mortalidade e pecaminosidade. Ele está convencido do contraste existente entre a eternidade de Deus e a fragilidade humana. Sendo assim, ele suplica ao Senhor por misericordia divina. Sente necessidade de ser saciado a cada manhã com a benignidade de Deus, a fim de cantar de júbilo ao Senhor e alegrar-se durante seus breves dias sobre a terra.  Anseia pela alegria na mesma medida que suportou a adversidade. Suplica, ainda, que as obras de Deus apareçam a seus servos e a glória de Deus apareça aos seus filhos. Somente o Deus eterno é a nossa habitação. Ele atende o nosso clamor. Nele está a nossa esperança. O Salmo 90 trata deste assunto.Então,vejamos!

                                                                       I

Moisés inicia o salmo falando da proteção divina: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio.” (v.1a). O termo Senhor aqui é  אֲדֹנָי ,  não é o nome próprio de Deus (Êx 3.14, 15). O nome próprio é  אהיה  traduzido nas bíblias em português como SENHOR (letra maiúscula) . O termo אֲדֹנָי  era o nome de Deus usado no Antigo Testamento em vez do nome divino ( אהיה), devido o respeito ao SENHOR, o povo não pronumciavam este nome. Mas o salmista reconhece a  majestade, a autoridade ,a soberania, a superioridade do nome אֲדֹנָי. Reconhce a grandeza divino de Deus, como o Senhor dos Senhores. Já o termo  מָעוֹן significa moradia, habitação. Aqui, o salmista usa esta imagem para descrever o lugar  de onde vinha a proteção e abrigo.  Para o salmista, o Criador do mundo  era a sua habitação.  Era seu único refúgio e de seu povo. Dito de outro modo: Moisés faz do Senhor, o Deus Eterno e Criador de todas as coisas, a morada de seu coração, sua habitação inabalável, seu refúgio eterno, de geração em geração.

Deus sempre foi a habitação de seu povo em diferentes épocas e lugares. Ele nunca deixou de consolar e trazer esperança para o seu povo. Nós também podemos afirmar que Deus é a nossa habitação, nosso abrigo, nosso refúgio. Para onde iremos se não estivermos sob a guarda e o olhar de nosso Deus ? Onde estaríamos após os inúmeros ataques dos dardos inflamados do maligno, se o Senhor não fosse a nossa habitação?  Onde estarão futuramente nossos filhos, se Deus não nos guardar hoje em dia? Será que o Senhor tem sido a nossa habitação?  A habitação do nossa familia?  Dos nossos filhos?

Contudo, ao que parece, a intenção do escritor é enfatizar não apenas o efeito da ação de Deus, mas sua durabilidade: “de geração em geração.” (v.1b). A duplicidade de palavras significa que Ele sempre é. Ou seja, as ações divinas não são circunstanciais. Elas são ações contínuas na vida do ser humano. Prova disso, as gerações passadas  do povo de Deus, desde das peregrinações nos desertos, à permanência no cativeiro e na terra que o Senhor concedeu ao seu povo, Ele sempre os protegeu.  Ocorre que o Senhor sempre se mostrara ser a habitação de descanso, refúgio de seu povo ( Sl 91.9; Sl 71.3).

Mas quem é este Deus? Ele é o Deus criador de todas as coisas, nos céus e na terra. Ele é eterno: “Antes que os montes nascessem, antes que formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” (v.2). A palavra hebraica para “eternidade” usada aqui é   עוֹלָם   que pode se referir tanto ao passado infinito quanto ao futuro infinito. Esta é a eternidade de Deus. O Deus das gerações é o Deus eterno. E a eternidade pertence só a Deus. Sendo assim, é muito difícil alcançar o conceito da eternidade como um todo. Neste sentido, o salmista faz questão de declarar que o Deus eterno, que existe antes dos montes, antes de tudo é o refúgio de seu povo.  O fato de haver um Deus eterno e imutável dá ao homem a única e ao mesmo tempo toda estabilidade em um mundo em mudanças.

Em contraste com à eternidade de Deus, Moisés mostra o quanto o homem é frágil. É  tão pequeno, tem uma vida humana efêmera e passageira.Também está sujeita ao cansaço e sobre muitas aflições neste mundo. E, se isso não bastasse, ainda, o homem é mortal : “Tu reduzes o homem ao pó e dizes.” (v.3a). O termo שׁוּב (reduzir) significa voltar, retornar. Já o termo דַּכָּא (pó) significa contrito, destruido,(literalmente) em pó. “Tu reduzes o homem à destruição.” Moisés tinha visto o julgamento de Deus ao transformar o homem em destruição. Ele pronunciou a sentença de morte, de destruição ao seu povo por causa do pecado. Mas também dirá: “Voltem, ó filhos dos homens”. (v.3b)  Aqui o salmista usa o mesmo verbo da frase anterior. A maioria das versões e comentários considera essa expressão uma explicação da frase anterior, de que o homem é ordenado a voltar ao pó, de onde seu corpo veio. No entanto,outros consideram uma determinação para voltar a Deus em arrependimento: "Trazes o homem a um estado de contrição, dizendo: 'Arrependa-se, descendente do homem' (Harrison).

Da mesma forma, Deus não pode ser limitado pelo tempo. Deus enxerga o tempo de uma forma bem diferente do nosso tempo. Enquanto, o homem  se preocupa com o tempo. Sabe que à medida que envelhece, o tempo passou.  E não pode recuperar os minutos que se passaram, Deus  não tem esta preocupação. O tempo não limita a Deus. Sendo assim, “Moisés nos lembra que mil anos são como um dia de ontem que se foi  e como a vigília da noite.” (v.4a). O que são mil anos? Para o ser humano são muitos anos. Parece que o tempo é imenso, longo. Mas para Deus é breve periodo, como um dia , ou até mesmo quatro horas para um homem que está dormindo. Isto nos mostra que Deus é eterno e esta acima do tempo humano. Sabe tudo o que aconteceu e o que pode acontecer. Ele sempre existiu e sempre existirá.

No entanto, Moisés descreve através de metáforas, o quanto o homem possui um vida tão breve. Passa tão rápido, em comparação com Deus, que é eterno. Vejamos as três metáforas: primeiro, “Tu os arrastas na torrente.”(v.5a). O verbo זָרַם significa  derramar, inundar, despejar. Traz a ideia de uma correnteza que arrasta os homens. Como  se a nossa vida fosse levada embora, sem levar em conta a ordem, posição, idade ou condição. Portanto, a morte não faz discriminação. Isto ocorre todos os dias. São pessoas que são arrastadas  e enviadas para a sepultura – como se fosse uma inundação violenta que varrasse estas pessoas.

Segunda: “são como um sono.”(v.5b).Quando um homem dorme, ele não tem noção do tempo. Quando acorda, várias horas se passaram sem que ele perceba, e, consequetemente, não realiza nada. Isto demonstra que a vida humana é tão  rápida e fugaz. Temos sonhos e visões, mas não  tornam-se permanente. É tudo em vão, dissolve-se no nada. Assim  é a vida do homem. Terceiro: “como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca.” (vv.5c e 6a). Nesse aspecto, o homem não é diferente da grama: sua vida é curta (Sl 103.15-16; Is 40:6-8; 1Pe 1.24). Nascemos, vivemos a nossa vida com nossas lágrimas e descemos à sepultura. Tudo passa rapidamente e nós voamos.  

A vida não é apenas curta, mas, também, a morte é certa. A morte chega  para todos. Chega, às vezes, sem aviso prévio. A morte é um processo natural, mas não como Deus planejou durante a criação. A Bíblia diz que a morte é uma sentença divina. Deus disse ao homem transgressor: “Porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19). Diz ainda mais as Escrituras: “Ao homem está ordenado morrer…” (Hb 9.27).A morte veio ao mundo através do pecado. Moisés afirma: “ Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados.”(v.7). O verbo כָּלָה (consumir) significa realizar, cessar, determinar, acabar. Já o termo  בָּהַל (conturbar) significa perturbar, alarmar, aterrorizar, apressar.

De acordo com Moisés, o povo foi consumido pela ira de Deus em algumas ocasiões. Fato este que ocorreu com o povo de Deus quando andou pelo deserto. Ele, durante a jornada de quarenta anos no deserto, viu muita gente morrer.Foi uma jornada longa e terrível, com várias mortes  que o povo enfrentou a cada dia. Era um sinal de que Deus estava indignado com seu povo. E  como resultado, os israelitas  viveram  oprimidos pela sua ira. Cada morte foi uma demonstração da ira de Deus, pois não suporta o pecado e a maldade do povo. Então, Deus julgou seu povo por causa do pecado. Ele coloca diante do povo a perversidade, depravação, iniquidade, culpa:“Diante de ti puseste as nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos.” (v.8). O Senhor estava vendo todos os pecados mesmos aqueles que estavam ocultos ou escondidos. Nenhum pecado é escondido de Deus. Ele vê todas as nossas ações e pensamentos, revelando a necessidade de arrependimento.

Portanto, por causa do pecado, Deus estava indignado com seu povo. E,por isso,resolveu agir. Moisés afirma que esse agir de Deus trouxe ao seu povo angustia e sofrimento, não foi apenas por um curto período de tempo, mas que foi estendido sem intervalo até a morte :“Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.”(v.9).A palavra hebraica פָּנָה (passar) significa virar, voltar-se para, afastar-se de. Aqui, traz a ideia de que todos os dias a ira de Deus não quer afastar-se. Ela permanecia na vida do povo.Seria bom que todos os dias de nossa vida passassem na alegria de Deus. Mas os anos passam e a maioria das pessoas passa na ira de Deus . Precisamos entender que os nossos anos são como uma história breve, que acaba numa vida agonizante e fialmente num breve suspiro.  ( הֶגֶה ). E assim termina a vida!  Ela é fugaz, breve e tudo passa, uma verdade que muitos preferem ignorar. E você,como tem lidado com esse tempo transitório? Tem aproveitado o tempo, para andar nos caminhos do nosso Deus?

 De fato,a vida é transitória.Ela passa rapidamente como um suspiro. Davi declarou assim: “O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa.” (Salmos 14.4).Moisés também afirma que a nossa vida é tão breve e insignificante aos olhos do Criador: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta.” (v.10a). Essas palavras de Moisés nos lembram da inevitável passagem do tempo. Conforme os anos vêm e vão, começamos a ver e a sentir mudanças em nosso corpo. Nosso cabelo fica grisalho ou cai. As dores tornam-se frequentes. Embora as pessoas pudessem viver até os 70 ou 80 anos, a vida  é cheia de trabalho árduo, problemas e frustração. Como afirma o salmista: “neste caso, o melhor deles é canseira e enfado.”(v.10b).  A palavra  עָמָל traduzida por “canseira” signidfica trabalho, labuta. A ideia aqui é que o trabalho árduo torna-se  pesado, e o corpo é oprimido e logo fica cansado e exausto. Já o termo אָוֶן significa sofrimento, problema,incômodo. Estes termos mostram o quanto a vida do homem é cansativa e sofrida; e causa distanciamento do Senhor e infelicidade. Além disso, ela “passa rapidamente e nós voamos.”(v.10c). Significa  que a vida logo passa,  como se fosse levada pelo vento para longe; impelido para a frente como palha. Assim é a vida!

Diante o que foi exposto, o salmista faz o seguinte questionamento antes de continuar com a seção final da sua oração. Tira a lição e a conclusão do que viu de Deus. Isso contém uma lição importante para nós, que antes de orarmos de acordo com a vontade de Deus, devemos primeiro conhecê-lo: “Quem conhece o poder da tua ira? E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?” (v.11).No Antigo Testamento, a ira de Deus é uma resposta divina à desobediência e pecado do homem,principalmente, em relação  à idolatria. Ela revela a sua aversão ao pecado e conduz às pessoas ao arrependimento. A verdade é que os  homens  deixam Deus de lado e não levam em conta a severidade de Deus (Rm 11.22). Sobre eles permanecem a ira de Deus. Ela se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça. Mas quem conhece a força  ira de Deus?  Quem “entende o poder” da “ira e… fúria” de Deus na  vida das pessoas, sejam elas fortes ou fracas, solitárias ou numerosas, pobres ou ricas ? Quem pode compreender o que é isso? Nenhum homem entende isso. A mesma resposta se aplica à questão de saber se alguém entende “o temor que é devido” a Deus.

Só é possivel entender  quando o homem reflete sobre a sua futilidade e o vazio existente em sua vida.  Saber que a ira de Deus deve ser temida, porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3.23). Saber que a ira de Deus é justa. Ele age com justiça. Somente aqueles que foram cobertos pelo sangue de Cristo, derramado por nós na cruz, podem estar seguros de que a ira de Deus nunca cairá sobre eles: "Por causa de Cristo, Deus pode justamente declarar que pecadores estão justificados (Romanos 3.26). O amor de Deus e a sua ira frequentemente andam juntos (Num 14:18; Rom 11:22; Heb 12:5) e verdadeiramente é uma expressão do seu amor (Sal 136.14-21). Este o caminho da compreensão da ira de Deus. E aí está o princípio da sabedoria (Pv 1.7; Pv 9.10), uma sabedoria que se curva à justa ira e fúria de Deus sobre o pecado.

                                                               II

Tudo o que salmista relatou, constitui algo muito importante para que ocorra uma avaliação pessoal e a busca de uma solução sábia. Sendo assim, ele suplica em sua oração para que o Senhor possa ensina-lo. Na verdade, ele entendeu que as lições divinas extrapolam a inteligência humana. Por isso, Moisés ora: “Ensina-nos a contar os nossos dias.” (v.12a). Penso que cada um de nós já usou esta expressão alguma vez: “Estou contando os dias... para que isto ou aquilo aconteça.” A tendência do ser humanos é contar os dias, acompanhar o calendário até a chegada do dia tão esperado. Por exemplo, o casal de namorados conta os dias para poder se ver de novo. Ou ainda, a criança que conta nos dedos quantos dias faltam para seu aniversário. É isto que a vida  ensina para muitos:  investir para receber mais benefícios financeiros, que são invejáveis. Privilégios neste mundo globalizado que promove e enriquece às pessoas.

 Mas não é exatamente isto  que o salmista nos ensina.   Ele  nos ensina a contar nossos dias  de tal maneira que alcancemos um coração sábio. Por que contar os dias? No próprio texto, o salmista apresenta às razões: porque a vida do ser humano é como a erva que brota de manhã, de madrugada viceja e floresce, mas à tarde murcha e seca; porque  todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento; porque os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado; porque tudo passa rapidamente, e nós voamos. Portanto, alcançar “coração sábio,” (v.12) deve  ser  o objetivo do povo de Deus.  Paulo disse que, se recebermos sabedoria e entendimento espiritual, devemos viver (...) de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado (Cl 1,10). Da  mesma forma, precisamos buscar  um coração sábio vindo de Deus e a valorização do tempo que o Senhor nos concedeu. Sabedoria para nos prepararmos para o que está por vir. Corramos em direção ao Eterno, fonte preciosa e inesgotável da verdadeira sabedoria e felicidade.

Moisés percebeu a importância de se alcançar sabedoria. Durante quarenta anos foi instruído em tudo o que havia de melhor da sabedoria que vem do Senhor. Ele sabia que a sua vida era cheio de dificuldades, dissabores e dores, pois  vivenciou todos estes problemas ao conduzir os israelistas pelo deserto, que eram obstinados e desobedientes a Deus.  Por mais que se esforçasse para ter uma saída, não conseguia enxergar um raio de luz. Então, nesse momento o salmista irrompe em seu desespero e suplica a Deus que  mostrasse sua majestade ou esplendor a seus servos : “Volta-te, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.” (v.13). Até quando? Por quanto tempo isso vai continuar? Por quanto tempo a tua ira se enfurecerá? Por quanto tempo o povo ainda ficará sob as tuas mãos? A pergunta “até quando?” é comum no Antigo Testamento, geralmente indicativa o desespero do homem longe da proteção divina. Isto demonstra o quanto o salmista sofria. Ele realmente não aguentava mais continuar naquela situação. O seu desejo era que Deus o livrasse daquela situação que lhe causava tanta sofrimento.Há momentos em que a nossa fé vacila, a paciência chega ao limite, o nosso ânimo decai. Sentimos inseguros, com medo, vacilantes; frágeis e aparentemente, tudo vai “desabar” sobre nós. Então,  perguntamos: “Até quando?”

Moisés,então, suplica por misericordia ao Senhor. Tem compaixão – isto é, retire os teus julgamentos e seja misericordioso para com os teus servos. Roga que Deus aja com Israel assim como se lhe estivesse servindo um banquete que lhe saciasse a fome: “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade.” (v.14a). O termo שָׂבַע  (saciar)  significa estar satisfeito, estar farto, estar cheio. É a vontade de Deus que os cristãos vivam com corações profundamente satisfeitos. Ele não quer que nossos corações estejam continuamente inquietos, temerosos ou sem alegria. Portanto estar satisfeito significa desfrutar de paz, contentamento, confiança em Deus. O salmista ainda afirma que devemos  saciar-nos de manhã com a “benignidade do Senhor”.  É justamente,pela manhã quando levantamos, constatamos um dia de problemas — problemas que, muitas vezes, não podemos resolve-los. Neste momento  nos sentimos fracos e debilitados.Então, clamamos a Deus pela  sua benignidade para nos satisfazer, fazer felizes e nos alegrar, e assim cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias.” (v.14b). E interessante que o salmista afirma  que será “todos os nossos dias” — não apenas nos dias ensolarados, nos dias felizes.

O salmista suplica , porque entende que durante muitos anos o povo de Deus enfretou muitas aflições. Foram dia e anos sofrendo no deserto, um lugar seco e quente, sem muita vida, difícil de suportar.  Agora, Moisés suplica ao Senhor  que mude esta situação para momento de alegria: “Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade.” (v.15). Ele pede tantos anos de alegria renovada para os israelistas, da mesma forma que os anos de aflição e angústia que eles tinham visto. Eles já haviam visto seu poder, demonstrado em obras de julgamento. Mas agora ele pede que o Senhor mostre o outro lado de seu semblante, isto é, atos de graça. Na nossa caminhada também enfretamos muitas aflições, São dias e anos cansativos.Somente Deus dá sentido para nossa vida e nos sustenta, mesmo nas horas mais difíceis. Quando centramos toda nossa vida em Jesus, encontramos paz e contentamento em todas as circunstâncias. Por isso,peçamos a Deus que transforme a nossas tristezas que se abatem sobre nós,  em alegrias

Moisés ainda clama pela manifestação dos feitos divinos aos servos e seus filhos. Ele reconhece a fragilidade da existência humana e a sua dependência do Criador. Sabe que os feitos divinos são incompreensíveis para a mente humana e que só podem ser revelados por meio da graça de Deus. Por isso,suplica ao Senhor: “Aos teus servos apareçam as tuas obras, e a seus filhos, a tua glória.”(v.16). Moisés  pede que os servos de Deus sejam agraciados com a manifestação dos feitos divinos para que possam crescer em fé e louvar o nome do Senhor. Pede  também que os filhos dos servos de Deus também possam contemplar a glória divina, para que eles possam crescer em conhecimento e amor a Deus. Esse pedido é uma expressão de amor, de humildade   e reconhecimento da grandeza de Deus.

O salmista finaliza o Salmo solicitando a bondade  do Senhor, pedindo que esta bondade esteja presente na vida de seu povo: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus.” (v.17a). O termo usado aqui no original é  נֹעַם que significa bondade, favor.  A Bíblia nos fala que a bondade de Deus é uma de suas principais qualidades ou atributos. Faz parte da essência de Deus ser bom e generoso. Essa bondade pode ser vista nas obras que Ele fez e no amor que tem manifestado pela humanidade, ao criar, sustentar e oferecer reconciliação em Jesus Cristo.

 Mas não é apenas isso. Ele também pede que a obra de nossas mãos seja consolidada:  “confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos.” (v.17b). Moisés aqui representa a voz de todo o povo de Deus, o que é evidente pelo uso das palavras “nosso” e “nós”. Mas o que isso significa? Significa que o salmista sabia que a obra de suas mãos, a liderança do povo de Israel, eram importante e que precisava ser consolidada. Sendo assim, ele queria que seu trabalho tivesse um impacto duradouro e que fosse lembrado pelas gerações futuras.

Também podemos pedir que o Senhor esteja sobre nós. Consolide a obra de nossas mãos e que estas obras teanham um impacto positivo na vida das pessoas, e que sejam lembradas por gerações futuras. Então, podemos ter a certeza de que, com fé e perseverança, podemos alcançar nossos objetivos e deixar um legado duradouro para as gerações futuras.

Podemos aprender com o salmista durante o nosso tempo neste mundo. Ele  teve muitos desafios e enfrentou muitas dificuldades. Ele viu seu povo sofrer, enfrentou a ira de Deus e teve que lidar com a rebeldia de seu próprio povo. Mas, apesar de tudo isso, ele nunca perdeu a fé e continuou a orar pela bondade e proteção de Deus. A verdade é que ele inspirou muitas pessoas ao longo dos séculos e continua sendo uma fonte de conforto e esperança para aqueles que buscam a bondade e a proteção de Deus durante a vida passageira neste mundo. Por isso, precisamos reconhecer a brevidade da vida e buscar sabedoria divina para viver de forma justa e significativa. Enfim,Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias! Amém!

 

 

 

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

TEXTO: MC 10.17-22

TEMA: O QUE FAREI PARA HERDAR A VIDA ETERNA?

O que há na eternidade? Onde fica? Estarei na eternidade após a morte? Que farei para herdar a vida eterna? Estas são as perguntas que muitas pessoas fazem sobre a eternidade. Ela tem sido um dos grandes mistérios entre os homens. Muitos tentam explicar através do intelecto, da razão, da filosofia. Outros tentam através da religião, das tradições e culturas humanas. Outros ainda, usando teorias científicas até mesmo ignoram, dizendo que não existe eternidade. A verdade é que a ciência humana e o mundo não oferecem respostas para a busca da vida eterna.                                                           

Mas, afinal, onde encontrar a resposta? Muitas encontram na religião como fez o jovem rico. A sua religiosidade não garantia vida eterna! Era necessária mudança em sua vida. Apesar de todas as suas qualidades e méritos religiosos, o jovem rico era um homem perdido, que não tinha ainda alcançado a verdadeira salvação.  Precisava nascer de novo. Sendo assim, foi diretamente à fonte onde encontraria a resposta.

De fato, somente. Jesus Cristo poderia dar a resposta sobre a vida eterna. Ele é quem toma a iniciativa de ir até Jesus e lhe perguntar o que é necessário para herdar a vida eterna. Entretanto, após alguns minutos de conversa, ele se retira triste ainda perdido e um tanto confuso. Na verdade, não estava pronto para renunciar aos valores que tinha, para seguir a Jesus. Tinha muitos bens e não estava disposto a abrir mão deles. Tinha o coração ainda apegado ao mundo e em suas concupiscências.

O mundo está perecendo e muitos estão de uma forma ou de outra, perguntando: Que farei para herdar a vida eterna? Só é possível através do “nascer de novo”, isto significa um afogar do velho homem e um nascer do novo homem; uma renúncia ao pecado e um despertar para Deus; ter uma fé inabalável em Cristo como único Redentor. E isto é possível pelo batismo e pela Palavra de Deus, por ambos o Espírito Santo realiza o novo nascimento. Sendo assim, somos candidatos à vida eterna!  

Assim,Deus nos dá o privilégio de entrar nos portais eternos de sua glória e contemplar um lugar onde não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor;  um lugar totalmente puro, pois lá não haverá nada que nos contamine. Estaremos num corpo glorificado e para sempre livres do pecado e da presença dele. Por isso, cabe a nós responder esta pergunta às pessoas e darmos a elas o conhecimento da salvação em Jesus Cristo. Mostrar que só encontramos a resposta nas Escrituras.

Estimados irmãos! Em companhia de seus discípulos, Jesus deixa a região da Galileia e vai para o território da Judeia, além do rio Jordão. Enquanto curava e ensinava às multidões, um jovem aproxima-se de Jesus. Era um homem ,extremamente, religioso, admirável e, acima de tudo determinado. Sendo cumpridor de toda a lei, não media esforços para conseguir herdar a vida eterna. Por isso, procura o Mestre. Ao encontra-lo, ajoelhou-se e perguntou-lhe. Talvez a pergunta mais importante de sua vida: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? (v. 17).  

Esta era a pergunta que preocupava aquele jovem. No entanto, o jovem não percebeu as implicações do que ele estava dizendo. Ele olha para Jesus, não como o Salvador que veio ao mundo morrer pela humanidade, mas apenas como um mestre da lei, semelhante a muitos que havia em Israel, que tinha o poder de ensinar. Para o jovem, Jesus era um "Bom Mestre”. Talvez tivesse a intenção de receber algum elogio ao afirmar estas palavras. Mas Jesus repreende o jovem, dizendo: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. (v.18). O termo grego αγαθός traduzido por bom significa ainda, benéfico, perfeito, completo, íntegro, reto.Isto significa que  o jovem vê em Jesus como sendo um “mestre justo, moralmente bom”.

Mas, por que Jesus não se considerou bom? Ele não é bom? Na verdade, Jesus, simplesmente, pediu que o jovem examinasse as implicações das suas próprias palavras. Verificasse em que sentido  o considerava  bom; compreendesse que Aquele a quem falava era o Filho de Deus;  enfim,  entendesse o conceito da bondade de Deus quando enviou Filho para nos salvar. Não há maior expressão da bondade de Deus para com os homens, do que Jesus Cristo sendo entregue para morrer por nós pecadores. Quando contemplamos Jesus, o Cordeiro de Deus que foi morto por nós, pecadores indignos,  podemos entender ,verdadeiramente, o que é  a bondade de Deus. Deus é bom e a sua benignidade dura para sempre, mas o desprezo à sua bondade, levará o homem a conhecer a sua ira. Deus é bom, mas também é severo.

No entanto, diante das afirmações  do jovem, fica clara a incerteza, a dúvida que ele tinha sobre Jesus, principalmente, sobre a vida eterna: Que farei para herdar a vida eterna? Esta era a grande pergunta do jovem. Estava convencido que os valores que possuía não lhe eram suficientes para dar certeza, garantia da salvação, mesmo conhecendo os mandamentos desde a juventude. Interessante que o jovem usou o vocábulo herdar, porque certamente estava familiarizado com o mesmo. É provável que a sua riqueza houvesse herdado de seus pais e nada mais justo do que perguntar ao Senhor Jesus, como também poderia herdar a vida eterna.

O jovem rico almejava a vida eterna. Mas o que é vida eterna? Onde fica? Estarei na eternidade após a morte? Que farei para herdar a vida eterna? Estes questionamentos têm sido um dos grandes mistérios entre os homens. Muitos tentam explicar através do intelecto, da razão, da filosofia. Outros tentam através da religião, das tradições e culturas humanas. Outros ainda, usando teorias científicas até mesmo ignoram, dizendo que não existe eternidade. Isto demonstra que  a ciência humana e o mundo não oferecem respostas para a busca da vida eterna. Só encontramos as respostas nas Escrituras. Ela afirma que a vida eterna é um lugar onde não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Todo nosso sofrimento de hoje não existirá mais, e será transformado em uma glória jamais comparada. É um lugar totalmente puro e santo, pois lá não haverá nada que nos contamine. Estaremos num corpo glorificado e para sempre livres do pecado e da presença dele.

Era uma grande oportunidade para que Jesus falasse, exatamente, sobre a graça de Deus, sobre a justificação pela fé, sobre como poderia ser salvo sem nenhum merecimento, porém, não foi isto que Jesus fez. O jovem foi testado em sua religiosidade,pois Jesus enxergava a necessidade espiritual daquele jovem. Conhecia o seu coração  que estava cheio de de cobiça. Suas riquezas o dominavam e isto o impedia de ter de fato um encontro com o Deus. Ocorre que  até aquele momento o jovem não compreendia as resposta de Jesus. Então, Jesus começou com as coisas que este rico já entendia, citando alguns dos  mandamentos dados por Deus aos israelitas. Ele conhecia e guardava estes mandamentos. Jesus, então, lhe perguntouSabes os mandamentos: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; a ninguém defraudarás; honra a teu pai e a tua mãe.” (v.19). E Mateus anota mais um mandamento: e amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (19.19).

O jovem respondeu: Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude.” (v. 20). Esta obediência aos mandamentos e a busca pela eternidade demonstram que o jovem tinha uma atitude boa.Jesus ao olhar para o jovem reconhece a sua busca sincera, reconhece que o jovem guardava os mandamentos, possuía grandes qualidades, valores morais e espirituais, porém faltava-lhe uma coisa em sua vida. Existia algo que estava prendendo a este mundo passageiro: as suas riquezas.Diante desta atitude do jovem, o primeiro sentimento revelado por Jesus foi o “amor”: “Jesus, fitando-o, o amou.” (v.21a). O mesmo amor que o fez deixar a sua glória e descer para se tornar nosso Salvador, motivou Jesus a convidar aquele jovem.Jesus oferece um convite para deixar aquilo que ele tinha como mais valioso neste mundo, e,consequetemente, herdar a vida terna. Podemo afirma que  não há herança, riquezas, bens materiais, fortuna, ouro e prata que se comparem ao amor de Jesus! Ele não apenas possui o amor; Ele é o próprio amor! (1Jo.4.8,16).

Após, Jesus ter demostrado seu grande amor ao jovem rico, chegou o momento da decisão. Jesus afirma: Vai vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; então vem e segue-me.” (v.21b). Era o momento oportuno para herdar a vida eterna. Entretanto, o dinheiro daquele jovem, que parecia um aliado para herdar a vida eterna, serviu de empecilho e pedra de tropeço. Ele não foi capaz de renunciar aquilo que mais amava por amor a Deus. O seu amor pelo dinheiro foi a raiz e a causa de todo o seu mal (1 Timóteo 6.10), que impediu de receber um tesouro valioso e seguir a Jesus.  O que ele necessitava no momento era mudança em seu coração, uma transformação espiritual. Faltava-lhe o essencial para alcançar a salvação, faltava-lhe o arrependimento, a conversão, a fé, sepultar o velho homem pecaminoso e nascer de novo pelo sangue de Cristo que morreu e ressuscitou.Mas prefiriu dar mais valor  as suas riquezas.

De fato a mudança também deve acontecer em nosso interior.  É preciso tirar tudo o que está estragado e colocar algo novo em nossa vida. Esta mudança em nosso coração apenas o Espírito Santo é capaz de realizar. ”Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O Espírito Santo é que nos converte, regenera e arranca o nosso “coração de pedra” e coloca um coração cheio de fé, amor, bondade e compaixão. Então, sim, teremos paz com Deus. E tendo paz com Deus, seremos criaturas felizes e alegres, e já nenhum tribulação, ou angustia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separara do amor de Deus. Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecermos fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus.

O que falta para você para herdar a vida eterna? A Bíblia responde – Crer em Jesus, crer que Jesus é o Salvador enviado por Deus. Crer que Jesus morreu por nossos pecados na cruz do Calvário, que ressuscitou, vive e segue oferecendo vida eterna a todo aquele que nele crê.  Com o coração purificado, saberemos amar a Deus e nele permanecer fiéis até a morte. Saberemos andar em seus estatutos, guardar e observar a sua palavra, e poder estar em constante comunhão com o nosso Deus.

 Portanto, olhemos para Jesus! Ele nos convida a entrar nos portais eternos de sua glória e contemplar um lugar onde não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Todo nosso sofrimento de hoje não existirá mais, e será transformado em uma glória .Amém!

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

TEXTO: MC 10.13-16

TEMA: DEIXAI VIR A MIM OS PEQUENINOS!

Hoje é o dia 12 de outubro, dia especial dedicado às crianças. Acredito que todas as famílias, escolas, igrejas e a sociedade em geral estão celebrando o Dia das Crianças neste momento. Mas o que poderíamos dizer às crianças neste dia especial? Quando encontramos tantas crianças  marcadas por diversos desafios, como pobreza, trabalho infantil, abandono. Crianças sem-teto, vivendo a céu aberto na rua. Hoje, mesmo tendo seus direitos,  a criança ainda é vulnerável e precisa de ajuda dos pais e da sociedade para viver.

No entanto, na época de Jesus as crianças também viviam numa sociedade onde as criança representavam a ordem mais baixa da camada social. Não decidiam , absolutamente, nada. Não tinha poder, status ou direito. Eram dependentes, vulneráveis e ,totalmente, sujeitadas a autoridade do pai. Os rabinos classificavam as crianças com os surdos, mudos e escravos. Contudo,Jesus traz um significado profundo, revelador e desafiador. Ele restaura o lugar delas em meio às pessoas adultas ao afirmar: “Deixai vir a mim os pequeninos.” Que belíssimas as palavras de Jesus!

Mas, o que realmente essas palavras de Jesus quer nos dizer? Ele demonstra o quanto  valoriza e defende as crianças que eram marginalizados pela sociedade da época. Ele deixou bem claro o indispensável e amoroso tratamento às crianças como ponto fundamental à fé cristã. Sendo assim, o mais importante, que se pode dizer às crianças, é que o Salvador Jesus ama a todas. Durante seu ministério, ele demonstrou este cuidado especial a todas às crianças. Tinha as crianças bem perto de si. Ele não apenas dedicou tempo para passar com as crianças para abençoá-las, mas também disse que a elas pertence o reino dos céus. Ele está colocando as crianças, que são frequentemente esquecidas  no centro do reino de Deus.

Não importa o dia da semana ou quão cansados possamos estar, levar nossos filhos a Jesus vale qualquer sacrifício que tenhamos que fazer.  E como é maravilhoso levar  as crianças para receber as bênçãos de Jesus. Algo que vale apena muito mais, do que os presentes que, muitas vezes, oferecemos, quando na verdade as crianças precisam de amor, carinho, afeto e orientação espiritual. Todos os dias devemos dizer aos nossos filhos, o quanto os amamos. Ao celebrar, não ofereça apenas presentes às crianças, mas transforme este dia num momento especial, para que elas possam sentir o quanto são importantes. Acima de tudo, entender o mundo mágico que elas vivem.

Eis a grande responsabilidade dos pais. Estamos levando nossas crianças a Jesus?Será que,muitas vezes, não impedimos às crianças de terem acesso a Cristo, de serem tocadas pelo Mestre ?

Ao lermos o texto relatado pelo evangelista Marcos, encontramos  Jesus ensinando diante das multidões.(v.1). Nesta ocasião, “trouxeram algumas crianças para que as tocasse,”(v.13a). Conforme Mateus: “para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas.” (19.13-15). É muito provável que aquelas crianças foram levadas  pelos seus pais a Jesus. Eram pequenas e precisavam de ajuda dos pais. Interessante que no antigo oriente as crianças representavam a ordem mais baixa da camada social. Não decidiam ,absolutamente e não tinha poder, status ou direito. Elas eram dependentes, vulneráveis e ,totalmente, sujeitadas a autoridade do pai. Os rabinos classificavam as crianças como  surdas, mudas e escravas. Como se observa, a criança precisava dos pais para tudo. Não poderia sobreviver sem a ajuda dos pais, não poderia se alimentar nem aprender a andar sem a ajuda dos pais.

É preciso entender que  os pais têm uma tarefa muito importante no contexto familiar:  ajudar seus filhos. Não é só cuidá-los, alimentá-los, satisfazê-los. Mas os pais tem que estar sempre prontos para apoiá-los. É uma tarefa desafiadora e, muitas vezes, nem sempre fácil de cumprir, especialmente por conta do trabalho e das inúmeras funções acumuladas no dia a dia. De qualquer forma, os pais devem ser responsáveis pela educação dos seus filhos. Assim como ensinamos nossos filhos a andar e a falar, ao mesmo tempo deveríamos ,diligentemente, ensiná-las às Escrituras. Lemos em Provérbios: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”  (22.6). E o apostólo Paulo alerta os pais, dizendo: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” (Ef 6.4). E ainda as palavras de Moisés: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (Dt 6.6-7). Não há maior ato de amor do que levar nossos filhos a Jesus.  Preparar um caminho para levar  as crianças diretamente à presença de Deus. Não importa o dia da semana ou quão cansados possamos estar, levar nossos filhos a Jesus vale qualquer sacrifício que tenhamos que fazer. Eis a grande responsabilidade dos pais. Estamos levando nossas crianças a Jesus?

Aqueles pais ansiosos levaram seus filhos a Jesus  para que as tocassem. No entanto, teriam problemas pela frente: entre eles estavam os discípulos! Diz o texto: os “discipulos os  repreendiam.”(v.13b). O verbo aqui significa, admoestar, reprovar, censurar severamente. Movidos pela mentalidade da época, os discípulos de Jesus começaram a reclmar, impedir que as crianças se aproximassem de Jesus. Na verdade, eles não queriam deixar as crianças chegarem até Jesus, porque pensavam que elas iriam incomodá-lo, que seria uma perda de tempo.

No entanto, também havia uma outra preocupação: eles estavam planejando ocupar os espaços de poder, discutiam sobre “qual deles seria o maior no reino de Deus” (Mc 9.34). A proteção e o desenvolvimento das crianças como uma prioridade do reino, não era algo que ocupava as suas agendas. Pelo contrário, eles  tratavam a maioria das crianças com desprezo. Esta atitude dos discipulos revela que eles não estavam entendendo o que Jesus estava explicando sobre o reino de Deus. Jesus poderia ter seguido o conselho dos discípulos, despedir os pais com as crianças, mas não fez. Ele julgou muito importante dar atenção às crianças.O primeiro passo era claro: pensar nas crianças. Infelizmente, esse pensamento está presente ainda nos tempos atuais em muitas famílias. Quantas vezes somos obstáculos na vida das crianças para que essas encontrem o amor de Deus! Será que,muitas vezes, não impedimos às crianças de terem acesso a Cristo, de serem tocadas por Jesus ?

Jesus ficou indignado com esta atitude, então, toma uma posição. Não tolera que crianças sejam impedidas de se aproximar dele. Ocorre que os discípulos não estavam dando às crianças o espaço, atenção e valor que Jesus esperava. Mas Jesus não repreende atitude dos discípulos, pois Ele sabe o que se passa no coração desses homens. No entanto,tiveram que ouvir um ensinamento inesperado da parte de Jesus. Ele tem algo importante para ensinar. Sendo assim,   Jesus afirma: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”. (v.14v). Que belíssimas as palavras de Jesus! Traz um significado profundo, revelador e desafiador. Mas, o que realmente essas palavras de Jesus quer nos dizer? Vamos refletir!

Jesus encontrou as crianças de sua época numa situação de exclusão. No mundo Greco-romano imperavam o desprezo e a violência sem limites contra crianças recém-nascidas. Eram consideradas  “inúteis.” e vítimas de um sistema patriarcal e social em que o poder e a dominação estavam nas mãos dos pais e dos senhores. Jesus acaba com essa regra e diz: “Deixai vir a mim os pequeninos.”(v.14a). O verbo usado  aqui no imperativo mostra que a ordem provém do próprio Jesus. É ,justamente, Ele quem convida os pequeninos e demonstra o quanto  valoriza e defende estes pequeninos que eram marginalizados pela sociedade da época. Ele deixou bem claro o indispensável e amoroso tratamento às crianças como ponto fundamental à fé cristã. E ainda diz: “Não os embaraceis.”(v.14b). O verbo grego aqui é Κωλύω  que significa impedir, opor-se ; reter algo de alguém; negar ou recusar algo a alguém. Mas por que não devemos impendir? Jesus deixa evidente esta questão quando afirma: “porque dos tais é o reino de Deus.” (v.14c). E ainda  Jesus responde: Em verdade vos digo quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.” (v.15).O que Jesus queria dizer? Então,vejamos:

Através do exemplo das crianças, Jesus estabelece determinados principios. Primeiro: “Em verdade vos digo.”(v.15a). Jesus usou, muitas vezes, esta expressão quando precisava confrontar alguém que não compreendia sua mensagem ou que duvidava dele e do que Ele pregava. É uma declaração que afirma ou confirma uma verdade muito importe e solene. E o que segue após esta verdade, deve ser recebido, refletido, assimilado e obedecido. Sendo assim, Jesus  está fazendo uma afirmação “veemente”, “forte”, “ousada” sobre quem Ele é, aos discípulos!

Segundo, Jesus deixa ainda mais evidente quando afirma que: “quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.” (v.15b). Jesus acolhe os pequeninos e  lembra aos discípulos que o reino de Deus pertence a elas e  que talvez os discípulos ainda não tinham compreendido. A verdade é que os discípulos  mesmo andando com Jesus por tanto tempo, eles ainda não tinham conhecimento do reino. Não tinham entendido que os pequeninos tinham precedência no reino de Deus. Por isso, muitas vezes, deixaram de agir com amor, misericórdia, graça e bondade para com as pessoas ao seu redor. Mas Jesus nos ensina algo lindo sobre o reino de Deus e de que  forma devemos alcançar o reino de Deus. Devemos receber o reino como uma criança, diz Jesus. Mas como seria isso? Precisamos aprender a observar as crianças em suas atitudes: simplicidade, humidade, confiança e seguindo o conselho de Jesus: imita-las, pois só assim entenderemos e viveremos segundo a convicção que fazemos parte do reino.

Para mostrar, decididamente, como se sentia, Jesus “tomou as crianças nos seus braços" (v.16a).A atitude de Jesus ao tomar as crianças – de maneira carinhosa e amorosa – é uma atitude que demonstra valorização e proteção. Ora, tomar nos abraço equivale o acolhimento contra tudo o que gerava sofrimento às crianças. Jesus não só demonstrou este gesto,mas também “impoôs as mãos e as abençoavas.”(v.16b). Como é maravilhoso levar  as crianças para receber as bênçãos de Jesus.Algo que vale apena muito mais, do que os presentes que, muitas vezes, oferecemos, quando na verdade as crianças precisam de amor, carinho, afeto e orientação espiritual. Todos os dias devemos dizer aos nossos filhos, o quanto os amamos. Ao celebrar, não ofereça apenas presentes às crianças, mas transforme este dia num momento especial, para que elas possam sentir o quanto são importantes. Acima de tudo, entender o mundo mágico que elas vivem.

Estimados irmãos! Busquemos em Deus e na sua Palavra a sabedoria e a orientação para educarmos as crianças para a vida, discernindo os limites do carinho e da disciplina. Traga-os aos pés de Jesus. Jesus se importa tanto com as crianças. Que possamos olhar e agir cuidando, aparando, protegendo, ensinando e garantindo o direito à vida, saúde e dignidade. Estamos levando nossas crianças à presença de Jesus? Há espaço para elas no culto? Inculcamos a Palavra do Senhor. Ensinamos no caminho em que devem andar?

Portanto, deixemos os pequeninos estar com Jesus através das histórias bíblicas que lhe deverão ser contadas em casa, na escola dominical e nas aulas de religião. Deixemos os pequeninos entoarem belos cânticos. Amém!

terça-feira, 1 de outubro de 2024

 TEXTO: GN 2.18-25

TEMA: CASAMENTO: UM PROJETO ELABORADO POR DEUS

Este texto está repleto de significado sobre a criação da mulher. Também estabelece importantes princípios e ensinamentos que moldarão no casamento e na familia. Deus instituiu  o casamento para ser uma bênção e  para que a família viva feliz!  É um projeto perfeito que reflete o amor de Deus por nós.

O projeto de Deus começa, primeiro, a partir do momento em que Deus resolve o problema da solidão do homem. Após criar todas as coisas pelo poder de Sua palavra, fez Deus o homem, com suas próprias mãos com o pó da terra e o chamou de Adão. E o colocou no Jardim do Éden, um lugar onde havia paz, harmonia e felicidade. Mas constatou que Adão estava vivendo na solidão. Viu que ele precisava de uma companheira, pois entendia que não era bom  que o homem vivesse sozinho.

Após  a solidão de Adão, Deus oferece companhia adequada ao homem.  Deus trouxe todos os animais diante de Adão para que ele pudesse nomeá-los. Sem dúvida, os animais passaram diante dele em pares, e, talvez Adão tenha perguntado: por que eu não tenho uma companheira?  Então, Deus deu a Adão alguém com quem se relacionar, conversar, dividir alegrias, descobertas, etc.

E, finalmente, Deus proporciona a união entre o homem e a mulher. Ele ensina por meio de Sua Palavra como essa união deveria ser dali em diante. Ele disse que os dois se tornariam uma só carne.  É nesta união que aprendemos o perdão, a luta contra o egoísmo, a humildade, a orar juntos, a conviver o amor. É nesta união que aprendemos a ser paciente, ter coragem, a lutar diante das dificuldades.

                                                                I

Após criar todas as coisas pelo poder de Sua palavra, fez Deus o homem, com suas próprias mãos com o pó da terra e o chamou de Adão. Colocou no Jardim do Éden, um lugar onde havia paz, harmonia e felicidade. Neste lugar, Deus havia dado ao homem uma posição de autoridade diante da criação. Ele fez desfilar diante do homem todos os animais do campo e todas as aves do céu, a fim de que o homem os chamasse pelos seus nomes. No entanto, mesmo havendo alegria, momentos maravilhosos, comunhão com o Senhor, companhia de todos os animais, e por mais desafiador que fosse aquele lugar, o homem não encontrou o complemento necessário que faltava em sua vida, não encontrou uma companheira, uma esposa; não encontrou uma auxiliadora semelhante a ele.

 Deus com seu infinito e grandioso amor, então, constatou que Adão estava vivendo na solidão. Viu que  precisava de uma companheira. Sendo assim, Deus procura uma solução imediata para resolver a solidão de Adão. Ele entende a situação de Adão e afirma: Não é bom que o homem esteja só.”(v.18a).   Penso que viver sozinho é uma situação dolorosa na vida de muitas pessoas. Há momento  que  sentimos a sensação  de que não há ninguém por perto que possa nos compreender, amparar ou amar. A solidão é um  sentimento dominante na vida do ser humano, que está presente entre os amigos, no trabalho, dentro de casa com a própria família, nos orfanatos, asilos, hospitais e penitenciárias. Nestes lugares, cada um possui um grande sentimento de solidão, que gera tristeza, falta de animo, isolamento, ansiedade e a necessidade de sentir amado. A verdade é que, cada vez mais, nos sentimos sozinhos neste mundo.  Somos abandonados por parte dos que nos rodeiam.  Você já se sentiu solitário alguma vez?  Você gosta de estar só? De viver só? Talvez alguns sim, talvez alguns não.

Uma coisa é certa, Deus não fez o homem para andar só pelo mundo. Por isso, há necessidade de buscarmos alguém para partilhar a vida,pois não nascemos para viver sozinhos neste mundo. Mas onde podemos procurar ajuda? Na verdade, quando estamos vivendo a solidão, procuramos diversas formas de superar a dor. Muitos buscam apoio de um psicólogo, um orientador, um pastor; outros procuram combater a solidão através das redes sociais; e ainda tem aqueles que buscam nas drogas, bebidas alcoólicas e cigarro, para superar a solidão. Mas não resolve o problema da solidão. Precisamos, sim, ajudar as pessoas a devolver um relacionamento íntimo com Deus. Precisamos olhar para a Palavra de Deus. Temos vários exemplos de personagens bíblicos que souberam superar a solidão e servem de exemplo. Jó viveu na solidão, quando perdeu os seus bens, família e saúde. João passou seus últimos dias exilado na ilha de Patmos. Elias ficou vários dias sozinho junto ao ribeiro de Querite (I Re. 17.1-7). Daniel ficou só na cova dos leões durante uma noite inteira. Paulo viu sozinho numa prisão em Roma.

Mas talvez a maior solidão tenha sido experimentada por Jesus no Getsêmani e na cruz. Ele ficou só. Os discípulos dormiram quando deveriam orar e estavam longe quando deveriam estar perto. Na cruz, Ele também estava só. Seu clamor foi: “Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?” Sendo assim, Ele nos ensina como combater e promete nos ajudar diante da solidão. Ele está sempre conosco. Não tenha medo! Isaías disse: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (43.1-2). Ele entende a sua situação que você vive. Não importa se as pessoas deixaram você, não importa o quão sozinho você esteja, Ele está contigo: “Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar". (Josué 1.9). Busque-o, e você, pessoalmente, experimentará o amor de Deus!

                                                                       II

 A solidão de Adão tornou-se conflitante, a partir do momento, quando sentiu que faltava a necessidade de uma companheira em sua vida. Então, Deus fez uma auxiliadora para Adão:  “far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (v.18). A palavra em hebraico  עֵ֫זֶר , traduzida por “auxiliadora”, significa ficar à volta, proteger ou auxiliar, alguém que ajuda. Já a palavra “idônea”, no hebraico é  נֶגֶד , aponta para um sentido de “oposto a ele”, o que indica que seria semelhante a ele, mas, ao mesmo tempo, seu oposto, diferente dele. Resumindo, Deus providencia uma auxiliadora que lhe seja idônea, ou seja, uma ajudadora capaz; alguém completamente adequado física, emocional, intelectual e espiritualmente para o homem; alguém parecido com Adão para que ficasse diante dele, numa situação de auxílio, socorro; alguém que estaria ao seu lado como sua companheira por toda a sua vida.

No entanto, Deus precisava da matéria prima para fazer a mulher, e queria que a comunhão entre os dois fosse perfeita, por isso, resolveu tirar uma parte de Adão para fazer a sua companheira. Para tirar a costela de Adão, Deus teve de fazê-lo dormir: Então o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem... (v.21a). Diante de um sono profundo, tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne.” (v.21b). Deus poderia ter usado outro meio para criar a mulher. Ele tinha várias opções. Por que não criou a mulher da mesma forma que o homem? Ou então por que não escolheu um órgão ou outro osso que não fosse uma das costelas de Adão? De qualquer forma, este ato foi algo maravilhoso! Simplesmente, Deus tomou uma das suas costelas. Penso que há um grande significado por trás da expressão costela.” A palavra hebraica צֵלָע  significa “uma parte”, “um lado”, “uma metade”. Literalmente significa “o lado de uma pessoa”. Por isto, Eva foi tomada do “lado” de Adão, e é ao seu lado que deve ficar. Isto indica a posição que a mulher deve ocupar na vida do homem, não abaixo, nem acima. O que se observa é que Deus estabeleceu papéis distintos para o homem e a mulher, visto que ambos são peculiarmente diferentes. A diferença entre eles é complementar. Ou seja, o homem e a mulher, com suas características e funções distintas se completam

Como é maravilhoso estar, caminhar e viver ao lado da pessoa que tanto amamos. Enfrentar problemas e momentos difíceis e oferecer o ombro para chorar nesses instantes. Comemorar conquistas e vitórias e acompanhar o planejamento de metas e sonhos sejam eles pessoais ou profissionais. Deus através de seu Filho assumiu a forma humana nos apresentando de forma clara e objetiva, que o relacionamento não é feito à distância, mas  com carinho, amor e sem discriminação no relacionamento, criando barreira e afastando as pessoas que amamos. Jesus nos deu uma grande demonstração do significa estar ao lado. Ele esteve ao lado de diversas pessoas de diversas camadas sociais, sempre preocupado em estreitar os laços, para que através do relacionamento, pudéssemos conquistar as pessoas.

Deus, após ter feito a mulher, a levou até a presença de Adão e lhe apresentou: E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lhe trouxe.” (v.22).Para acentuar a singularidade deste ato, é usado um verbo hebraico diferente בָּנָה que significa "construir,” não transformar ou fazer. Deus “construiu” da costela de Adão uma companheira criada, especialmente, para o homem. De imediato, Adão  viu a conveniência desta ajudante. Ela era parte íntima dele. Ao vê-lo, demonstra imensa alegria: “Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne.” (v.23a). Então Adão descreve: “agora de fato”, “agora enfim”, como se sua memória estivesse recordando rapidamente as sucessivas decepções de não encontrar, em meio a todas as criaturas vivas que lhe eram apresentadas, qualquer pessoa capaz de ser uma companheira adequada para ele. Instintivamente, ele reconhece a relação dela consigo mesmo: “ Osso do meu osso e carne da minha carne.”   Adão aprovou a obra de Deus, e reconheceu a profunda comunhão que havería de ter com aquela magnífica criatura feminina. Demonstrou uma tremenda expressão de êxtase e alegria naquele momento. E podemos resumir da seguinte forma: “Enfim, encontrei alguém que corresponde a mim, alguém que me completa, alguém que tira minha solidão, alguém que supre todas as minhas necessidades.”

O Senhor Deus havia trazido à realidade algo que não existia, criando algo que não havia antes feito, algo que procurava e que Adão esperava. Tudo para que ele se alegrasse, tudo para que ele fosse completo, tudo para que ele vivesse feliz. Além disso, Deus muda o nome de Adão e Eva: “chamar-se-á varoa, por quanto do varão foi tomado.” (v.23b). Literalmente será chamdo mulher, pois do homem foi tomado. De vez em quando precisamos parar e reviver este momento de ternura e beleza no casamento.  É necessário frequentemente dizer ao seu cônjuge: “Querido (a), eu agradeço ao Senhor porque Ele me deu você. Você é a única pessoa que pode me completar que pode suprir totalmente as minhas necessidades”. Ninguém poderia ser tão especial, do que a pessoa que tanto amamos.  Alguém que nos oferece o verdadeiro amor e a felicidade que tanto sonhamos; alguém que sempre está ao nosso lado nos momentos difíceis; alguém com seus gestos de carinho e na sua simplicidade nos ama. 

                                                                  III

E, finalmente, Deus proporciona a união entre o homem e a mulher. Ele ensina por meio de Sua Palavra como essa união deveria ser dali em diante; “Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (v.24). Há três aspectos neste versículo: primeiro, “deixa o homem pai e mãe.” No plano de Deus, o matrimônio foi instituído para que duas pessoas pudessem viver juntas, uma completando  a outra no contexto familiar. E para que  possa ocorrer uma unidade é necessário uma separação, isto é, deixar os pais e buscar uma formação de um novo núcleo familiar. Segundo, “se une à sua mulher.” a palavra hebraica traduzida como "unir-se" refere-se a perseguir outra pessoa firmemente; colar, aderir, prender-se alguém.É um ato especial de juntar duas pessoas em uma só entidade, uma existência no qual os cônjuges estão apegados um ao outro.

Terceiro, “tornando-se os dois uma só carne.”  No casamento, tanto homem como mulher se desvinculam dos pais para criarem uma nova unidade familiar. A expressão uma só carne significa que não há mais duas entidades (dois indivíduos), mas agora há apenas uma entidade (um casal). É nesta união que aprendemos o perdão, a luta contra o egoísmo, a humildade, a orar juntos, a conviver o amor. É nesta união que aprendemos a ser paciente, ter coragem, a lutar diante das dificuldades. Assim Deus instituiu o matrimônio. Foi tão maravilhosos que  que o homem e sua mulher estavam nus e  e nisto eles não se envergonhavam (v.25).

Estimados irmãos!O casamento é uma parte essencial do plano de Deus, uma instituição  que foi instituída para expressar amor, compromisso, fidelidade e cuidado mútuo.Portanto,  viva seu casamento segundo as normas estabelecidas por Deus. Ensine essas normas aos seus filhos. Ore para que Deus conceda amor entendimento, harmonia, paz nesta união, mas acima de tudo não deixem de buscar a Deus nos momentos de dificuldade, aprendendo a ser paciente, ter coragem, a lutar diante destas dificuldades. Amém.