TEXTO: EX 17.1-7
TEMA: O SENHOR ESTÁ NO MEIO DE NÓS OU NÃO?
Você já observou o quanto as pessoas vivem reclamando? Reclamam da família, do emprego, da situação financeira, do calor, da chuva, do excesso de trabalho, da falta de dinheiro e da própria vida. Tudo é motivo de reclamação. Nunca estão satisfeitas com nada.
A reclamação não é um fenômeno moderno; ela é antiga na vida do ser humano. Um dos exemplos mais emblemáticos está na narrativa bíblica sobre a peregrinação dos israelitas no deserto. Mesmo após serem libertos de séculos de escravidão com prodígios e sinais, o povo rapidamente sucumbiu ao hábito de reclamar. Diante do cansaço, da fome e da sede, a memória da libertação foi substituída pela murmuração.Não se tratava apenas de reclamar da comida ou da água, mas de chegar ao ponto de perguntar: "Está o SENHOR no meio de nós ou não?" (v. 7). Mesmo depois de verem o Mar Vermelho se abrir e de comerem o maná que caía do céu, o primeiro sinal de sede foi suficiente para que os israelitas colocassem Deus à prova.
Não resta dúvida de que o SENHOR sempre esteve e continuava no meio dos israelitas. Ocorre que eles se esqueceram da manifestação do poder de Deus nas dez pragas, no Êxodo, na travessia do Mar Vermelho, na provisão do maná, bem como na manifestação da presença divina na nuvem e na coluna de fogo durante a caminhada no deserto. Quanta ingratidão e falta de confiança no SENHOR!
Não somos diferentes. Muitas vezes, uma simples tribulação, um problema de difícil solução, uma dor ou algo que tire um pouco do nosso conforto já é motivo para questionarmos a presença de Deus ao nosso lado. A fé logo enfraquece e, em seu lugar, surgem as reclamações e a incredulidade. A negatividade se apodera de tal forma que nosso único impulso é reclamar. Então, formulamos a pergunta: “Está o Senhor no meio de nós ou não?” Essa pergunta surge quando permitimos que o desconforto momentâneo apague as evidências de todo o cuidado que recebemos diariamente do SENHOR. Quando focamos apenas no que nos falta, perdemos a capacidade de enxergar a providência de Deus.
Foi justamente o que ocorreu com os israelitas. Eles se voltaram contra aquele que havia sido instrumento de sua libertação e perguntaram a Moisés: “Está o SENHOR no meio de nós ou não?” A verdade é que o povo deu espaço à falta de fé e à ingratidão. Mas Deus teve compaixão: veio ao encontro do seu povo e lhe deu a água que gera vida no momento do deserto escaldante. Ele fortaleceu a fé de Israel, lembrando-lhe que, no passado, interveio em sua história e o sustentou nos momentos mais críticos.
Estimados irmãos! O texto da nossa reflexão começa a partir da saída dos israelitas do deserto de Sim, onde Deus tinha alimentado o povo com o maná e com as codornizes (Êx 16). De acordo com as instruções do SENHOR, a congregação dos filhos de Israel deveria acampar em Refidim (v.1). Refidim foi a última parada dos filhos de Israel antes de chegarem ao Sinai. Quando os israelitas chegaram a Refidim, surgiu um grande problema: “não havia água para o povo beber.” Você já imaginou quantos transtornos na vida daquele povo! Muitas pessoas, crianças e animais, andando pelo deserto durante muito tempo, padecendo com o calor, vivenciando os perigos, a fome, a sede, o cansaço e a exaustão. Muitos com gargantas secas, crianças chorando e animais berrando, e de repente se deparam com a falta de água. Que situação horrível na vida naquele povo!
Diante desta situação, reina a indignação e a raiva no meio da grande multidão sedenta. O povo acusa Moisés: “Contendeu, pois, o povo com Moisés” (v. 2a). É desta forma que o povo age contra seu líder.O verbo רִיב (contender) em hebraico significa conduzir um caso ou processo (legal); processar apresentar queixa formal. Encontramos esse mesmo pensamento em Miquéias 6.1: “Ouvi, agora, o que diz o Senhor: Levanta-te, defende a tua causa perante os montes, e ouçam os outeiros a tua voz”. Esse versículo apresenta uma cena profundamente simbólica e solene, onde Deus convoca o povo para um "julgamento", utilizando linguagem jurídica. É como se o Senhor estivesse chamando Israel para apresentar seus argumentos, justificar sua conduta e explicar sua infidelidade.Levanta-te, defende a tua causa perante os montes, e ouçam os outeiros a tua voz.” Esse versículo apresenta uma cena profundamente simbólica e solene. Deus convoca o povo para um “julgamento”, usando a linguagem jurídica: “Levanta-te, defende a tua causa…”. É como se o SENHOR estivesse chamando Israel para apresentar seus argumentos, justificar sua conduta e explicar sua infidelidade.
Ao “contender”, na prática o povo estava questionando Moisés. Não apenas expressou necessidade — sede, cansaço ou medo —, mas direcionou sua frustração contra Moisés, o líder que Deus havia levantado.Moisés se encontrava, por assim dizer, diante de um processo jurídico instaurado pelo povo. A contenda não era meramente emocional; assumia contornos de acusação formal. O povo colocou Moisés no banco dos réus. Ele precisava apresentar argumentos, justificar sua conduta e demonstrar que não havia conduzido o povo ao deserto para perecer. A situação era extremamente grave: caso o povo concluísse que Moisés agira de forma irresponsável, a sentença poderia ser severa. O texto indica a possibilidade real de apedrejamento (v.4), pena aplicada a crimes gravíssimos, como rebelião ou traição. Portanto, não era apenas uma crise de liderança — era uma ameaça concreta à sua própria vida.
Era, sem dúvida, um momento angustiante. Moisés enfrentava um problema imenso: não havia água para as pessoas nem para os rebanhos. A necessidade era legítima, a sede era real e o deserto, implacável. O fato é que os israelitas estavam desesperados: “Dá-nos água para beber” (v. 2b). Não há aflição física comparável à sede intensa, principalmente no deserto; é algo terrível! Moisés, inicialmente, não providencia a água; ao contrário, ele questiona os israelitas que o insultam: “Por que me repreendeis? Por que tentais ao SENHOR?” (v. 2c). Deus é seu verdadeiro líder, reclame para ele. Além disso, Ele não está entre vocês para fazer o bem? Não deu provas suficientes de que sempre ajudou seu povo?
No entanto, o povo continuava a reclamar. Foram tomados pelo medo e passaram a olhar com saudade para o Egito: “Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (v. 3).A expressão מוּת צָמָא (“ nos matares de sede”) demostra que a situação era grave diante da falta de água.Mas não podemos culpá-los apenas pela preocupação com a falta de água; o que deveria preocupá-los era a falta de fé e a ingratidão naquele momento. Não tinham visto muitas manifestações do poder de Deus, suficientes para terem a certeza de que Ele não os decepcionaria? Moisés precisava permanecer firme, não apenas para defender sua causa, mas para confiar que o próprio Deus, que o chamara, também o sustentaria.
A verdade é que os filhos de Israel murmuravam, ameaçavam Moisés e acusavam o SENHOR, numa clara demonstração de incredulidade e dureza de coração. Depois de terem presenciado tantos sinais e maravilhas — desde as pragas no Egito até a abertura do mar — ainda assim permitiram que a dificuldade momentânea falasse mais alto do que a fé. A sede no deserto revelou não apenas a necessidade física do povo, mas também a fragilidade espiritual que ainda os acompanhava.O texto bíblico mostra que estavam prontos para apedrejar seu líder, aquele que, segundo eles, os havia conduzido àquela situação difícil. Aquele que fora instrumento de libertação passou a ser visto como culpado pelo sofrimento. Diante dessa revolta, Moisés não respondeu com ira, nem tentou se defender com argumentos humanos. Ele levou sua dor ao SENHOR e a colocou diante d’Ele. Em vez de confrontar o povo, escolheu clamar a Deus.
Moisés então clamou ao SENHOR, dizendo: “Que farei a este povo? Só lhe resta apedrejar-me” (v.4). Essa declaração revela o nível de tensão e perigo que ele enfrentava. Não era exagero ou dramatização; a ameaça era real. Moisés compreendia que sua vida estava em risco, pois, segundo o julgamento popular, ele deveria ser responsabilizado pela crise. Moisés não ignora o perigo — ele reconhece que sua vida está em risco. A expressão “Só lhe resta apedrejar-me” revela que a revolta popular havia ultrapassado o limite da reclamação e chegado ao ponto da agressão iminente. O mesmo povo que atravessara o mar em segurança agora se voltava contra o seu guia.
O mais marcante não é a ameaça, mas a atitude de Moisés. Ele não responde à violência com violência. Não tenta manipular a multidão nem abandona sua missão. Ele clama ao Senhor. A pergunta “Que farei?” é, na verdade, uma oração. É o reconhecimento de que, diante de certas situações, a sabedoria humana é insuficiente. Moisés compreende que somente Deus pode oferecer a solução para um problema que vai além da sede física — trata-se de uma crise de fé.Assim, a pergunta de Moisés ecoa até hoje. “Que farei?” é a pergunta de quem se sente encurralado, injustiçado ou sobrecarregado. E a resposta continua sendo a mesma: levar a situação a Deus. Porque quando faltam recursos humanos, ainda pode manifestar a graça de Deus. Onde há ameaça, Deus pode trazer livramento. E onde parece haver apenas escassez, Ele pode fazer brotar água da rocha.
Deus resolveu dar uma resposta ao povo.Ele mostra uma estratégia para Moisés.O que Moisés ouviu foi basicamente três recomendações: primeiro,“passa adiante do povo.”(v.5a).Embora eles tenham falado em apedrejá-lo,você não precisa ter medo.Fala para o povo, não importa as circunstâncias. Passa adiante do povo ,isto irá demonstrar confiança e apreço.Segundo, “toma contigo alguns dos anciãos de Israel.”(v.5b).A instrução para levar algumas das autoridades se encaixa com a ideia de que a “queixa” dos israelitas tinha se tornado uma causa judicial.Sendo assim, a principal função dos anciãos não era agir ,independentemente, mas ser testemunhas.Isto mostra que nem todas as pessoas estavam fazendo as fortes e maliciosas acusações contra Moisés. Terceiro, “leva contigo em mão o bordão com que feriste o rio e vai.”(v5c.).Conforme Êxodo 7.15-20 está se referindo ao bordão usado para derrotar o Faraó, quando tocou as águas do rio, no Egito, e transformou-se em sangue.Não era um cajado mágico,mas trazia consigo a lembrança daquilo que Deus tinha feito no passado.
Após estas recomendações, Moisés,imediatamente, pega o seu cajado e junto com alguns líderes de Israel se dirige até o monte Horebe. Deus estaria lá para recebê-los: “Eis que estarei ali diante de ti sobre a rocha em Horebe.” (v.6a). A expressão “estarei ali, diante de ti,” literalmente significa: “olhe para Mim ali”, enfatizando a presença de Deus. Sem a Sua presença, não há milagre.Deus está presente em todo lugar, mas, mesmo assim, há momentos e lugares nos quais o homem está especialmente convidado a sentir a realidade do amor e do poder de Deus. Moisés, simplesmente, obedeceu. Ao bater na rocha, esta produziu água pura para saciar a sede da multidão. Ali, diante dos olhos dos anciãos de Israel, a profecia foi cumprida. (v.6b).Ali naquela rocha, um fluxo abundante brotou, fornecendo água para toda a multidão. Em lembrança do murmúrio, ele chamou o lugar de Massah e Meribah.Daí vale lembrar que “Massah” significa “provação” e “Meribah” significa “contestação”, “reclamação.” Foi justamente naquele lugar que eles tentaram o SENHOR, duvidando da sua presença no meio deles: “Está o Senhor no meio de nós ou não?” (v.7).
Os israelitas ignoraram todas as suas experiências passadas do cuidado de Deus. O povo murmurou ofensivamente contra Deus quando se viu sem água em Refidim. Esqueceu-se dos milagres que Deus realizou quando retirou seu povo do Egito, e da passagem pelo Mar Vermelho. Quando faltou água em Refidim faltou fé, faltou gratidão, faltou reverência ao SENHOR. Mas, sobejou incredulidade, blasfémia e rebelião do povo em Refidim. Sobre esse episódio, Davi afirma no Salmo 95 : “Onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras.” (v.9). “Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração e disse: é povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos.” (v.10).
Não somos diferentes em relação aquela geração de israelitas.Há momentos na travessia do “deserto da vida”, que experimentamos lutas, sofrimentos e desencantos, que nos fazem duvidar da bondade, do cuidado, do amor e da companhia de Deus.Muitas vezes, uma simples tribulação, um problema de difícil solução, um sério problema no casamento, ou até mesmo a perca de alguém que amamos muito, tudo isso vêm para roubar a nossa alegria e tirar de nós a certeza de que Deus está conosco.Tudo isto já é motivo para questionarmos a presença de Deus ao nosso lado. A fé logo desaparece e no lugar dela aparecem as reclamações e a incredulidade. A negatividade se apodera de tal forma que o nosso único impulso é reclamar do momento. Então, formulamos a pergunta: “Está o Senhor no meio de nós ou não?”
Deus está presente! Ele provou sua presença no Horebe. Provou sua presença em Jesus, “que se fez verbo e habitou entre nós” (Jo.14). Na encarnação, morte, ressurreição e ascensão de Jesus, temos a promessa de sua presença. Mateus afirma: Ele é Deus conosco (Mt. 1.23) até o fim dos tempos (28.20). Através do Espírito Santo, Deus está com seu povo. Paulo fala sobre estas verdades em Romanos 8: o Espírito habita em nós, nos adota como filhos e filhas de Deus, nos guia, nos transforma. O Espírito nos guia na direção de vida e paz.Ele intercede por nós.
Você já acusou Deus de te abandonar ao primeiro sinal de dificuldade?Lembre-se que Deus é fiel. Ele já demonstrou sua presença na História de Israel, na vida, morte e ressurreição de Jesus.Já parou para pensar,o quanto Ele já fez na sua historia?Não caia no erro de Israel no deserto! Não perca a chance de desfrutar da presença de Deus. Não transforme o tempo de descanso em tempo de desespero, conflito e rebelião. Não transforme Refidim em Massá e Meribá. Não duvide do cuidado amoroso de Deus, mesmo em tempos difíceis.O SENHOR está no meio de nós! Amém!
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