TEMA: SL 26.1-12
TEMA: SENHOR, EXAMINA-ME E GUIA-ME NO TEU CAMINHO
Precisamos ser examinados por Deus. Sua Palavra revela quem realmente somos, mostra nossos pecados, nossas fraquezas e nossas intenções. Não podemos esconder nada do SENHOR, pois ele conhece o coração. Esse exame nos leva ao arrependimento e à necessidade da misericórdia e do perdão.Também precisamos ser guiados por Deus. Ele nos chama a rejeitar o caminho do mal e permanecer firmes na fé. Em Cristo, recebemos perdão e somos conduzidos pelo caminho da vida.
Essas duas atitudes são fundamentais para a vida cristã. Quando permitimos que Deus nos examine, sua Palavra revela aquilo que ,muitas vezes, não queremos reconhecer: nossos pecados, nossas fraquezas, nossos pensamentos e nossas atitudes que precisam ser transformados. Esse exame não deve nos levar ao desespero, mas ao arrependimento e à confiança na misericórdia de Deus.
Diante do que foi exposto, e tendo como base o tema “SENHOR, EXAMINA-ME E GUIA-ME NO TEU CAMINHO”, vamos meditar sobre cinco verdades importantes que o Salmo 26 apresenta para a nossa vida cristã:
Primeiro, Deus examina o nosso coração (vv. 1-3).Davi pede que o Senhor o examine e conheça profundamente seu coração e seus pensamentos.Deus não olha apenas para nossas atitudes exteriores, mas conhece nossas intenções e motivações.Essa verdade nos leva a reconhecer nossos pecados e nossa necessidade da misericórdia divina.Por isso, somos chamados a viver com sinceridade diante de Deus, confiando nele e em sua Palavra.
Segundo, o cristão é chamado a rejeitar o caminho do mal (vv. 4-5).Davi declara que não deseja andar nem se associar com aqueles que praticam a falsidade e a injustiça.O cristão também é chamado a discernir as influências que podem afastá-lo dos caminhos de Deus.Isso não significa abandonar as pessoas, mas rejeitar práticas e comportamentos contrários à vontade do SENHOR.Assim, somos chamados a viver no mundo como testemunhas de Cristo, sem nos conformarmos com o pecado.
Terceiro, o verdadeiro cristão ama a presença de Deus (vv. 6-8).Davi demonstra seu amor pela casa de Deus e pelo lugar onde a sua glória se manifesta.Para ele, estar na presença do SENHOR é motivo de alegria, segurança e comunhão.O cristão também é chamado a valorizar a Palavra, o culto e a comunhão com os irmãos na fé.Quem ama a presença de Deus deseja permanecer perto dele e viver diariamente de acordo com a sua vontade.
Quarto, a nossa esperança está na misericórdia de Deus ( vv. 9-11).Davi reconhece que precisa da misericórdia e da redenção do SENHOR para não seguir o caminho dos pecadores.Ele não coloca sua confiança apenas em sua própria integridade, mas clama: “redime-me e tem compaixão de mim”.Também nós somos pecadores e não podemos alcançar a salvação por nossos próprios méritos ou boas obras.Nossa verdadeira esperança está em Cristo, que nos redime, perdoa nossos pecados e nos conduz pela graça de Deus.
Quinto, quem confia no SENHOR pode permanecer firme ( v. 12)Davi declara que seus pés estão firmes em terreno plano, mostrando segurança e confiança no Senhor.A verdadeira firmeza não está em nossa própria força, mas no poder e na fidelidade de Deus.Mesmo diante das dificuldades e tentações, o Senhor sustenta aqueles que nele confiam.Por isso, permanecemos firmes na fé e respondemos com gratidão, louvando o Senhor na congregação.
Davi começa sua oração colocando-se completamente diante de Deus: “Faze-me justiça,SENHOR”(v.1a). A expressão significa que Davi está colocando sua causa nas mãos de Deus e pedindo que o SENHOR julgue sua vida com justiça e reconheça a sinceridade de sua fé e de sua conduta. Ele estava sendo acusado ou enfrentando uma situação em que sua integridade estava sendo questionada. Por isso, ele não procura fazer justiça com as próprias mãos. Ele recorre ao SENHOR, que conhece perfeitamente o coração e pode julgar com absoluta verdade.
Mas por que ele pede ao SENHOR que o julgue com justiça? Ele afirma: “ pois tenho andado na minha integridade” (v,1b). “Andar na integridade” significa viver de maneira sincera, correta e fiel diante de Deus, procurando que aquilo que a pessoa crê, fala e pratica esteja em harmonia com a Palavra de Deus. Davi não está afirmando que era perfeito ou sem pecado. Ele está declarando que procurava viver com coração sincero, buscando permanecer fiel à sua Palavra e confiando não na própria perfeição, mas na misericórdia e na justiça do Senhor.
Entretanto, quando examinamos nossa vida, percebemos que não conseguimos apresentar diante de Deus uma integridade perfeita. Todos somos pecadores e necessitamos da misericórdia divina. É justamente aí que encontramos o consolo do Evangelho: nossa esperança não está na perfeição da nossa vida, mas na perfeição de Cristo. Jesus morreu e ressuscitou para perdoar nossos pecados e nos reconciliar com Deus. Em Cristo, somos perdoados e chamados a viver uma nova vida.
Davi mostra que sua segurança não está em sua própria integridade.Ele afirma: “confio no SENHOR, sem vacilar”(v.1c). Sua fé está firmada em Deus. A verdadeira segurança do cristão também não está naquilo que ele consegue realizar, mas naquele em quem depositou sua confiança.As vezes precisamos nos questionar: Em quem está realmente a minha confiança? Nas minhas capacidades? Nas minhas boas obras? Na opinião das pessoas? Ou no SENHOR? Davi nos ensina que uma vida firme começa quando colocamos nossa confiança em Deus. Porque aquele que confia no SENHOR pode permanecer firme, não por causa da sua própria força, mas porque Deus é fiel e sustenta os que nele confiam.
Davi continua sua oração pedindo que Deus examine profundamente a sua vida: “Examina-me, SENHOR, e prova-me; sonda-me o coração e os pensamentos” (v.2). Davi apresenta três pedidos: “examina-me”, “prova-me” e “sonda-me”. Primeiro,ele diz: “examina-me” (בָּחַן). O termo significa investigar, inspecionar, olhar de perto ou submeter a um teste de inspeção. Davi coloca sua vida diante do SENHOR para ser cuidadosamente examinada, demonstrando que não deseja esconder nada de Deus. O pedido revela uma atitude de humildade e sinceridade, pois Davi permite que Deus examine aquilo que talvez nem ele mesmo consiga perceber em seu próprio coração. Ele não está pedindo apenas que Deus observe sua conduta, mas que revele a verdadeira condição de sua vida espiritual. Davi sabe que somente o SENHOR pode fazer um exame completo e verdadeiro de sua vida. Para nós, essa oração também é um convite a permitir que a Palavra de Deus examine nosso coração, revele nossos pecados, corrija nossos caminhos e nos conduza ao arrependimento e à confiança na graça de Cristo.
Segundo pedido: “prova-me" ( נָסָה). A expressão significa colocar à prova, testar ou verificar a autenticidade de algo.Davi pede a Deus que sua vida seja provada, para que sua fé e sua integridade sejam reveladas. Ele pede a Deus que sua vida seja examinada não apenas pelas aparências, mas pelas atitudes, escolhas e intenções do seu coração. Deseja que sua fé e sua integridade sejam colocadas à prova para que fique evidente se realmente está vivendo de acordo com aquilo que professa. Para nós, essa oração também é um convite à sinceridade diante de Deus, reconhecendo nossas fraquezas e permitindo que sua Palavra corrija, fortaleça e conduza nossa vida. Ao sermos confrontados com nossas imperfeições, não precisamos desesperar, pois nossa esperança não está em nossa própria perfeição, mas na graça de Deus e na justiça de Cristo, que nos perdoa e nos capacita a continuar caminhando em fidelidade.
Terceiro,”sonda"( צָרַף). O termo significa fundir, refinar no fogo, purificar metais (como ouro e prata) para separar as impurezas.A imagem é muito forte, pois apresenta Deus como aquele que conhece profundamente o coração e trabalha para retirar aquilo que não corresponde à sua vontade. Assim como o metal é colocado no fogo para que suas impurezas sejam reveladas e removidas, Deus permite que sua Palavra e as experiências da vida revelem o que existe em nosso interior. Davi não pede apenas que Deus veja sua vida, mas que purifique aquilo que precisa ser transformado. O fogo da prova pode ser doloroso, mas também pode produzir uma fé mais firme e verdadeira. Para nós, essa oração significa dizer: “Senhor, retira de mim aquilo que não te agrada e purifica o meu coração.” Quando Deus revela nossas impurezas, ele não o faz para nos destruir, mas para nos conduzir ao arrependimento, ao perdão e a uma vida cada vez mais dependente da graça de Cristo.
A atitude de Davi nos ensina a viver diante de Deus com sinceridade, humildade e disposição para sermos examinados pelo SENHOR. Ele não tenta esconder suas falhas, mas coloca sua vida inteiramente diante do SENHOR para que seja conhecida e avaliada.Aprendemos que a verdadeira integridade não consiste em aparentar perfeição, mas em ter um coração sincero diante de Deus.Também aprendemos que devemos permitir que a Palavra do SENHOR revele aquilo que precisa ser corrigido em nossa vida.As provações podem revelar a qualidade da nossa fé e mostrar onde realmente está depositada a nossa confiança.Como o ouro é refinado pelo fogo, Deus deseja purificar nosso coração e retirar de nós aquilo que não lhe agrada.Essa atitude exige humildade para reconhecer nossos pecados, fraquezas e limitações diante do SENHOR.Ao mesmo tempo, somos consolados porque Deus não apenas revela nossas impurezas, mas também nos oferece perdão e restauração em Cristo.Por isso, podemos orar como Davi: “Senhor, examina-me, prova-me e sonda o meu coração; conduz-me sempre pelos teus caminhos.”
Depois de pedir que Deus o examine, prove e sonde, Davi apresenta a razão pela qual deseja viver em integridade: ele mantém diante dos olhos a benignidade do SENHOR e anda na verdade de Deus (v.3a). A integridade de Davi não nasce simplesmente de um esforço pessoal para ser uma pessoa correta; ela nasce daquilo que ele contempla em Deus. Ele olha para a “benignidade”, isto é, para o amor fiel, a misericórdia e a bondade do SENHOR, e isso orienta sua maneira de viver. É justamente por manter essa misericórdia constantemente diante de si que Davi consegue permanecer firme em sua caminhada com Deus. Ele não quer esquecer quem Deus é, o que Deus fez e a graça que recebeu do SENHOR. A expressão “está diante dos olhos” (v.3b), transmite a ideia de manter algo constantemente diante de si. Davi não quer perder de vista a bondade e a fidelidade de Deus, pois sabe que essa lembrança deve orientar seus pensamentos, suas escolhas e suas atitudes.
Em seguida, Davi afirma: “tenho andado na tua verdade” (v.3c). A verdade não é apenas algo que Davi conhece intelectualmente; é um caminho no qual ele procura andar. Andar na verdade significa viver de acordo com a Palavra de Deus, permitindo que ela oriente pensamentos, decisões, relacionamentos e atitudes. Davi deseja que sua vida exterior corresponda à verdade que Deus revelou.Existe aqui uma ligação importante entre “olhos” e “caminho”: aquilo para o qual olhamos influencia a direção em que caminhamos. Davi mantém os olhos na misericórdia de Deus e, por isso, procura andar na verdade do SENHOR. Para nós, essa também é uma grande lição: quando nossos olhos estão fixos em Deus e em sua graça, nossa vida encontra a direção correta.
Davi agora declara que não se assenta com homens falsos nem se associa com os dissimuladores: “Não me tenho assentado com homens falsos e com os dissimuladores não me associo” (v.4).A expressão “assentar-se” transmite a ideia de convivência, comunhão e identificação com determinado grupo. Davi reconhece que as companhias podem influenciar profundamente nossa maneira de pensar e agir. Ele deixa evidente que não se assenta com “homens falsos”. Aqueles que vivem na mentira, sem sinceridade e sem compromisso com a verdade. Já os “dissimuladores” são pessoas que escondem suas verdadeiras intenções e procuram aparentar aquilo que não são. Davi não está dizendo que devemos desprezar ou abandonar as pessoas, mas não devemos participar de práticas contrárias à vontade de Deus nem permitir que a influência de pessoas ímpias determine nossa maneira de viver.
Davi continua descrevendo sua postura diante daqueles que vivem afastados dos caminhos de Deus. Ele declara: “Aborreço a súcia de malfeitores” (v.5a), expressando rejeição e desaprovação ao mal, e não ódio às pessoas. Súcia significa grupo, bando, associação ou conjunto de pessoas, geralmente usado em sentido pejorativo, para se referir a pessoas de má conduta. Davi não deseja participar das práticas dessas pessoas que vivem em oposição à vontade de Deus. Por isso, afirma também: “não me assento com os ímpios”. A expressão indica comunhão e convivência. Davi estabelece limites para não se identificar com o pecado nem permitir que a influência dos ímpios o afaste dos caminhos do SENHOR.
Portanto, o salmista nos ensina que a integridade cristã envolve escolhas e posicionamentos. Não podemos controlar todas as pessoas que encontramos, mas podemos decidir quais influências permitiremos ocupar espaço em nossa vida. O cristão é chamado a amar todas as pessoas e testemunhar, mas não deve participar do pecado nem adotar valores que contradizem a Palavra de Deus. Precisamos também aprender a rejeitar aquilo que nos afasta de Deus.” A verdadeira integridade aparece quando escolhemos permanecer firmes na verdade, mesmo quando isso significa não acompanhar determinadas práticas ou influências. Nossa segurança, porém, não está em nossa própria força, mas em Cristo, que nos perdoa, fortalece nossa fé e nos conduz diariamente pelo caminho da verdade.
Davi mostra sua disposição de aproximar-se de Deus: “Lavo as minhas mãos na inocência” (v.6a). A imagem de lavar as mãos representa purificação, limpeza e desejo de viver de maneira correta diante do SENHOR. Davi reconhece que, para aproximar-se de Deus, não pode tratar o pecado com indiferença; precisa buscar uma vida de arrependimento e sinceridade. O termo “na inocência” não significa que Davi estivesse afirmando ser absolutamente sem pecado. A Bíblia mostra que ele reconhecia suas transgressões e dependia da misericórdia de Deus. Aqui, a ideia está relacionada a uma vida que procura afastar-se do mal e permanecer fiel ao SENHOR. Sua confiança não está em uma perfeição pessoal, mas no desejo sincero de viver em comunhão com Deus.
Em seguida, Davi declara: “e, assim, andarei, SENHOR, ao redor do teu altar.”(v.6b). O altar era o lugar de culto, sacrifício e comunhão com Deus. Portanto, Davi deseja estar próximo do SENHOR e participar da adoração. Existe uma ligação importante entre pureza de vida e adoração: aquele que foi alcançado pela graça de Deus deseja aproximar-se dele e servi-lo com um coração sincero, pois não podemos separar nossa vida diária da nossa adoração. Não adianta estar no templo, cantar, orar e ouvir a Palavra se, durante a semana, escolhemos conscientemente viver em desobediência. Nossa adoração deve ser acompanhada por uma vida que procura honrar o SENHOR.
Depois de declarar seu desejo de permanecer junto ao altar do SENHOR, Davi apresenta agora a finalidade da sua aproximação de Deus: “entoar, com voz alta ao SENHOR.”(v.7a).A expressão demonstra que Davi não deseja guardar sua gratidão somente para si. Ele quer expressar publicamente aquilo que Deus significa para sua vida. O louvor nasce do reconhecimento de quem Deus é e do que Ele realiza. Quando experimentamos a bondade do SENHOR, somos naturalmente conduzidos a falar sobre ela e a glorificá-lo.Em seguida, Davi diz: “e proclamar todas as tuas maravilhas” (v.7b). As “maravilhas” são os atos extraordinários de Deus em favor do seu povo. Davi não quer apenas cantar sobre Deus; ele deseja contar aquilo que Deus fez. O testemunho cristão, portanto, não deve estar centrado em nossa própria capacidade, mas nas obras de Deus.
Existe uma sequência muito bonita nos versículos 6 e 7: Davi se aproxima do altar (v.6), louva ao SENHOR e proclama suas maravilhas (v.7). Isso mostra que a verdadeira adoração conduz ao testemunho. Quem reconhece a graça de Deus não consegue permanecer em silêncio diante das suas maravilhas. Também nos ensina que a adoração envolve voz, coração e testemunho. Cantamos porque Deus é digno de louvor; falamos porque temos uma mensagem para compartilhar; proclamamos porque as obras de Deus precisam ser conhecidas.Para nós, isso aponta diretamente para Cristo. A maior maravilha de Deus é a obra da salvação realizada por Jesus: sua morte na cruz e sua ressurreição para o perdão dos pecados. Por isso, nossa adoração e nosso testemunho devem sempre conduzir as pessoas para Cristo e sua obra salvadora.
Davi revela agora o amor que possui pela presença de Deus. Ele diz: “Eu amo, SENHOR, a habitação de tua casa”(v.8a). Para Davi, a casa de Deus não era apenas um edifício ou um lugar físico; era o lugar associado à presença, à adoração e à comunhão com o SENHOR.Existe nele um desejo sincero de estar na presença do SENHOR. Ele afirma: “eu amo”. Isto revela que Davi não se aproxima de Deus simplesmente por obrigação religiosa. Ele ama de fato ao SENHOR, Ele encontra alegria em estar onde Deus é adorado e onde sua Palavra é anunciada.
Ele também afirma que ama “o lugar onde a glória do SENHOR assiste”(v.8b), Reconhece que a verdadeira importância daquele lugar não estava na construção, nos objetos ou nas pessoas, mas na glória do próprio Deus. O centro da adoração não é o ser humano; é o SENHOR.Portanto, Davi deseja estar próximo do lugar onde a presença e a majestade de Deus são reconhecidas.
O salmista nos ensina algo importante sobre a vida cristã: quem ama o Senhor deseja estar onde Deus se revela por meio da sua Palavra e dos seus sacramentos. O culto cristão não deve ser tratado como uma obrigação sem importância, mas como uma oportunidade preciosa de ouvir a Palavra, receber o perdão e fortalecer a fé.Para nós, a presença de Deus encontra sua expressão máxima em Jesus Cristo, Deus que veio habitar entre nós. É por meio de Cristo que temos acesso ao Pai e podemos nos aproximar de Deus com confiança. Por isso, amar a casa de Deus significa também amar sua Palavra, sua Igreja e a comunhão dos irmãos.Onde está o nosso coração em relação à casa de Deus?
Davi passa da declaração de seu amor pela presença de Deus para um pedido de proteção e misericórdia: “Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida com a dos homens sanguinários.” (v.9).Davi deseja permanecer identificado com o povo de Deus e não ser conduzido pelo caminho daqueles que vivem em rebeldia contra o SENHOR. A sua afirmação “colhas a minha alma” transmite a ideia de não ser reunido ou levado juntamente com aqueles que vivem no pecado. Ele está pedindo que sua vida não termine associada ao destino dos ímpios. Isso revela que ele compreende que as escolhas e o caminho que seguimos têm consequências. Ele não deseja compartilhar do destino daqueles que conscientemente rejeitam a Deus.
Na segunda parte do versiculo, ele menciona “os homens sanguinários”, expressão que caracteriza pessoas violentas, cruéis e que desprezam a vida do próximo. Davi rejeita a companhia e o destino daqueles que praticam o mal. Quem ama a presença de Deus não deseja caminhar no mesmo caminho daqueles que vivem em oposição a Ele.Há também uma importante dimensão espiritual nesse pedido. Davi não está simplesmente dizendo: “Eu sou diferente deles”. Ele está pedindo: “SENHOR, não me deixes ser contado entre eles.” Isso demonstra dependência de Deus. A perseverança na fé não é motivo para orgulho, mas motivo para oração e vigilância.
Isto nos lembra que não devemos brincar com o pecado nem tratar a vida cristã com indiferença. Somos chamados a permanecer firmes na Palavra, rejeitar o mal e buscar diariamente a comunhão com Deus. Ao mesmo tempo, precisamos reconhecer que, por nós mesmos, não conseguimos permanecer fiéis. Somos pecadores e dependemos da graça.
Davi explica por que não deseja ser identificado com os pecadores mencionados no versículo anterior. Ele descreve pessoas cujas mãos estão envolvidas com práticas injustas e corrupção: “Os quais nas suas mãos têm crimes e a sua destra está cheia de subornos.” (v.10). Davi aponta para ações concretas de maldade. As mãos representam aquilo que a pessoa faz; portanto, Davi está mostrando que a corrupção do coração acaba se manifestando nas atitudes. Davi também afirma: “a sua destra está cheia de subornos”. A destra era considerada símbolo de força, autoridade e ação. O suborno representa o uso da influência e dos recursos para perverter a justiça e obter vantagens indevidas. Essas pessoas não apenas pensavam ou desejavam o mal; elas colocavam suas intenções em prática, usando seu poder para benefício próprio.
Precisamos examinar nossas próprias mãos. O que temos feito com aquilo que Deus colocou em nossas mãos? Nossos recursos, nossa influência, nosso trabalho, nossas palavras e nossas decisões podem ser utilizados para servir ou para buscar vantagens egoístas. Deus não olha apenas para aquilo que fazemos publicamente, mas também para as motivações que estão por trás de nossas ações. Usamos aquilo que temos de maneira egoísta e falhamos em amar o próximo.
Depois de descrever a corrupção daqueles que praticam a injustiça, Davi faz um contraste: “Quanto a mim, porém, ando na minha integridade” (v.11a). Ele reafirma sua decisão de permanecer fiel ao SENHOR, mesmo vivendo em meio a pessoas que escolheram outro caminho. A expressão “quanto a mim, porém” demonstra uma decisão pessoal: Davi não permite que a conduta dos outros determine sua própria caminhada.A palavra “ando” é significativa. Davi não está falando de um ato isolado, mas de um modo contínuo de viver.
Entretanto, há algo muito importante que o salmista ressalta: “livra-me e tem compaixão de mim”(v.11b). Davi afirma que anda em integridade, mas, ao mesmo tempo, reconhece que ainda precisa da misericórdia de Deus. Isso mostra que sua confiança não está em uma suposta perfeição pessoal. Ele sabe que, mesmo procurando viver corretamente, continua dependente do SENHOR.Essa combinação é fundamental para compreendermos a integridade bíblica. Davi não diz: “Sou íntegro, portanto não preciso da graça.” Pelo contrário, ele diz: “Ando na minha integridade; livra-me e tem compaixão de mim.” A verdadeira integridade anda de mãos dadas com a humildade e a dependência de Deus.
O Salmo termina com uma declaração de segurança, estabilidade e adoração. Davi afirma: “O meu pé está firme em terreno plano (v.12a)” A imagem do pé firme transmite a ideia de segurança, estabilidade e confiança. Davi reconhece que, apesar das dificuldades e dos perigos enfrentados, Deus não permitiu que ele fosse destruído ou desviado do caminho. Ter o pé firme significa encontrar um lugar seguro para caminhar, sem viver constantemente dominado pelo medo de cair. Essa segurança não está na força de Davi, mas no SENHOR, que sustenta seus passos.
Na vida cristã, também enfrentamos caminhos difíceis, momentos de provação, tentações e incertezas. Muitas vezes sentimos que estamos andando em terreno escorregadio, mas Deus permanece ao nosso lado e nos sustenta por sua Palavra e sua graça. Nossa firmeza não depende da ausência de problemas, mas da presença daquele que nos segura. Por isso, podemos continuar caminhando com confiança, sabendo que, em Cristo, temos perdão, direção e segurança. Quando nossos pés vacilarem, podemos olhar para o Senhor e confiar que ele nos levantará e nos colocará novamente em terreno firme.
Na segunda parte do versículo, Davi afirma: “nas congregações, bendirei o SENHOR”(v.12b). Depois de experimentar o cuidado de Deus, ele não guarda essa experiência somente para si. Ele deseja louvar o SENHOR publicamente, junto com a comunidade. A fé verdadeira conduz à adoração e ao testemunho.Isso também nos ensina que a vida cristã não deve ser vivida isoladamente. Davi fala das “congregações”, mostrando a importância de reunir-se com o povo de Deus para adorá-lo. Na comunhão dos irmãos, ouvimos a Palavra, recebemos consolo, fortalecemos nossa fé e juntos proclamamos a bondade do SENHOR.
Estimados irmãos! Ao chegarmos ao final do Salmo 26, percebemos que Davi nos apresenta o retrato de uma vida que deseja andar na integridade diante de Deus. Ele começa pedindo: “Faze-me justiça, SENHOR”, depois clama: “Examina-me, SENHOR, e prova-me”. Davi não tem medo de colocar sua vida diante dos olhos de Deus, porque deseja viver com sinceridade, afastando-se da falsidade e do pecado.
Também nós somos chamados a viver com sinceridade diante de Deus, afastando-nos do pecado e permanecendo firmes na fé. Nossa segurança não está em nossa própria força, mas na graça e na misericórdia de Deus. Por isso, como Davi, podemos dizer: “O meu pé está firme em terreno plano; nas congregações, bendirei o SENHOR” (Sl 26.12). Amém!
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