quinta-feira, 25 de agosto de 2022

 

TEXTO: HB 13.1-17

TEMA: A VIVÊNCIA DO AMOR ENTRE OS CRISTÃOS

 Ao concluir a sua epístola, o autor de Hebreus faz diversas recomendações à igreja. No início ele fala sobre o sacrifício que Jesus realizou na cruz, e no final desta carta, fala sobre o aspecto prático da fé, e como ela deve influenciar o comportamento, principalmente, quanto a vivência do amor entre os cristãos. Sendo assim, ele chama atenção de determinados aspectos que envolve o amor fraternal, a hospitalidade, o matrimônio e a avareza. E por fim, o autor destaca a importância de seguir o exemplo, a conduta, a obediência e a fé daqueles líderes, guias, ou pastores que partiram. E no meio de tantas recomendações, ele faz uma verdadeira profissão de fé, apontando para a eternidade sobre Jesus Cristo: “Ele é o mesmo, ontem, hoje e eternamente” (v.8).

 Essa declaração de fé foi um momento de encorajamento para aqueles cristãos que estavam vivenciado ensinamentos diferentes e estranhos. Estavam caindo na tentação ao deixar de viver uma vida cristã baseada no amor, e viver uma vida a partir daquilo que a sociedade ensinava. E diante dessas exortações, o autor convida os irmãos a não deixar de viver uma vida cristã, conforme os ensinamentos de Cristo. Deveriam imitar e glorificar Jesus Cristo, o Salvador imutável. Deveriam identificarem-se com Jesus, e não se deixarem levar “pelos diversos ensinos estranhos” (v.9). Desta forma estariam vivendo a vida cristã. Também somos incentivados a viver constantemente a conduta cristã, no nosso agir, em nosso falar e em nossos pensamentos, é um grande desafio em nossas vidas. E você, tem seguido a vontade de Deus? Tem vivido conforme os ensinamentos de Jesus ou conforme a proposto do mundo? Tem demostrado o seu grande amor ao próximo?

                                                           I

Estimados, irmãos! O autor inicia o texto, falando sobre o amor fraternal. (v.1). É um grande o desafio para nós, o que o autor nos propõe: tornar o amor fraternal algo constante em nossa vida. Isto significa que cada cristão tem o dever de se comprometer e participar mais das necessidades do próximo através nas suas atitudes, procedimentos, gestos, palavras. Jesus falou muito sobre o amor fraternal para várias pessoas. Havia ensinado a seus primeiros seguidores uma nova maneira de viver. Mostrou que a nossa vida deve estar baseada no amor ao próximo. Ensinou um estilo de vida simples, que não busca os próprios interesses. O seu ensino fica claro, por exemplo, na Parábola do Bom Samaritano. O samaritano da parábola foi alguém que demonstrou amor fraternal a um desconhecido. O apóstolo Paulo também escreveu aos cristãos de Roma: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12.10).

No entender do autor de Hebreus, os cristãos devem amar uns aos outros genuinamente, ardentemente e de todo coração. Mas como o cristão pode ser capaz de demonstrar o amor fraternal, numa sociedade onde as pessoas são individualistas e egoístas? Como concretizar esta proposta, “seja constante o amor fraternal?”  Na verdade, o amor fraternal tem se tornado cada vez mais difícil. Precisamos olhar para os primeiros cristãos. Eles viviam uma vida em comunidade, preocupados uns com os outros e ajudando uns aos outros. A sua maneira de viver contrastava com o modo de viver da sociedade em geral. De fato, eles viviam o amor fraterno, a doação, o respeito, o altruísmo. Como podemos observar, estes primeiros cristãs, demostravam o amor fraternal, na partilha dos bens e na distribuição dos serviços.  Encontramos este relato em At 2.42-47: "Eles eram perseverantes na doutrina (ensinamento) dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir o pão e nas orações".

É justamente o que devemos fazer: olhar para o próximo com compaixão, acolher sem julgamentos, doar sem interesse e sentir a dor do outro. Este deve ser o nosso agir! Pedro nos ensina: “Sendo hospitaleiros uns para os outros, sem murmurações. Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4.9 e 10). Assim diz, Paulo: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal...compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade” (Romanos 12.10-13). A palavra “hospitalidade” no grego significa “amor pelos estranhos”. Quando Paulo fala sobre “praticai a hospitalidade”, ele está nos convocando a buscar relacionamentos com pessoas que estão em necessidade, e esta não é uma tarefa fácil. Mas o autor recomenda os cristãos a viverem esta atitude. Aconselha os seus leitores a demostrar o amor fraternal para todos os homens, ao estranho, ao viajante, ao prisioneiro e ao sofredor. Fala sobre como devemos tratar o nosso próximo: “Não negligencieis a hospitalidade”. (v.2a).

De fato, a hospitalidade foi uma ferramenta de grande valor ao cristianismo, pois por meio da hospitalidade muitos dos primeiros missionários foram acolhidos em casas de irmãos (At 16.13-15). Interessante que naqueles tempos de perseguição, o lar cristão era um abrigo, um aconchego, uma proteção, uma oportunidade de servir à causa do Evangelho, uma possibilidade de troca de experiências e informações sobre a nova fé e a Igreja. Na verdade, os viajantes dependiam de moradores dos locais por onde passavam para fornecer-lhes abrigo e hospitalidade, acolhimento. Provavelmente, muitos irmãos naquela época ficaram sem alternativas de moradias nos arredores de Jerusalém e no mundo gentio, sendo necessário se ajudarem mutuamente em suas necessidades. Assim, cada irmão não deveria negligenciar a hospitalidade, para aqueles viajantes que precisavam de abrigo, pois oferecer hospitalidade implica em compartilhar bens e sofrer com outras pessoas. Lembre-se onde há o verdadeiro amor cristão, também haverá hospitalidade. Portanto, “sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração.” (1Pe 4.9). Receba os irmãos com a mesma atitude que o próprio Cristo nos recebeu, e ainda recebe.

O autor recomenda que os cristãos deveriam também se lembrar dos encarcerados, da mesma forma, quando deram apoio aos irmãos encarcerados no passado. Eles se tornaram “coparticipantes” ou “parceiros” daqueles que foram “insultados e maltratados publicamente” (Hb 10.33). Agora, deveriam dar suporte material e emocional aos presos, mostrando-lhes que não foram abandonados: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles.” (v.3a). O verbo lembrar não envolve somente um ato mental, mas uma atitude de ir ao encontro daquele que precisa de ajuda, ou seja, sentir profunda compaixão por eles.

O verbo lembrai também tem o significado de visitar (Sl 8.4). A visitação aos necessitados e presos era uma prática comum na vida da Igreja Cristã da época (Hb 10.34). Havia muitos presos exatamente por serem servos de Cristo, perseguidos por causa da fé. Também deveriam lembrar daqueles que “sofrem maus tratos.” (v.3b). Maus tratos aqui se referem ao sofrimento físico, àqueles que são maltratados ou que são feridos por outros. Assim, o Senhor mostra que visitar os presos equivale visitar o próprio Jesus. Além disso, Ele sempre demonstrou compaixão para com aqueles que padeciam da privação da liberdade, da dignidade e esperança. Lembre-se que os presos e os que sofrem, também precisam da bondade e misericórdia de Jesus.

O autor também exortou seus leitores contra a imoralidade sexual e a avareza, visto que eram duas graves ameaças ao amor fraternal. Fala que o matrimônio deve ser vivido com respeito e fidelidade. Evitassem qualquer coisa que pudesse menosprezá-lo. “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (v.4). O termo grego τίμιος (honra)vem de uma raiz que está ligada diretamente ao dinheiro. Daí o uso do termo para fins como honrar o compromisso, no sentido de quitar uma dívida; de grande valor, precioso. E a expressão "entre todos” pode significar “entre todas as pessoas”, ou seja, ele deve ser respeitado e colocado como prioridade e “digno de honra” entre as pessoas.

Neste sentido, Palavra de Deus é clara e absoluta. Não há exceções. Independente da história de cada pessoa, dos conflitos e traumas de uma vida inteira, o casamento deve ser honrado. E aqueles que se comprometem “para toda vida” seguem amando e se respeitando mutuamente, nutrindo seu relacionamento no Senhor, estes serão abençoados. Porém, Deus não permite fornicação, adultério. Não permite pessoas que vivem num leito conjugal imaculado por meio de relações sexuais fora do matrimonio. Pessoas que não respeitam o seu cônjuge e vivem um casamento de mentiras e traição, quem assim procede, Deus os julgara. Julgara os impuros e adúlteros.

Quanto avareza, o escritor adverte: “Seja a vossa vida sem avareza.” (v.5). Avareza é um forte apego às coisas materiais. É um apego excessivo e sórdido ao dinheiro e outros bens. Este desejo ardente pela avareza tornam as pessoas amarguradas e nunca estão satisfeitas com que possuem. Vejam o exemplo do jovem rico. O seu dinheiro serviu de empecilho e pedra de tropeço. Ele não foi capaz de renunciar aquilo que mais amava por amor a Deus. O seu amor pelo dinheiro foi a raiz e a causa de todo o seu mal, de receber um tesouro valioso e seguir a Jesus. Sendo assim, se retira triste, perdido e confuso. Na verdade, não estava pronto, para renunciar aos valores que tinha, para seguir a Jesus. Tinha muitos bens e não estava disposto a abrir mão deles. Tinha o coração ainda apegado ao mundo e em suas concupiscências.

Esta é a triste realidade que presenciamos neste mundo: o homem vive focado apenas em ajuntar tesouros na terra. Pensemos no que Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.19,20). A única solução para os corações que “querem tudo” é o contentamento encontrado na presença do Deus. Mas o que significa contentai-vos com as coisas que tendes? A palavra para contente no grego é ἀρκέω, que significa estar feliz, contente com aquilo que já possui. Este estado de contentamento é fruto da bondade de Deus, pois há algo que precisamos afirmar confiantemente: Deus nunca nos abandonará. Ele não desistirá de nós! Quando nos sentirmos sem forças, amedrontados diante de uma adversidade ou tentação, afirmemos confiantemente: “O Senhor é o meu auxílio, não temerei...” (v.6).

                                                                       II

O autor destaca alguns cuidados especiais que a igreja deve ter com relação à sua liderança: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. (v.7). O primeiro desses cuidados é lembrar de seus guias, ou pastores. Aqui novamente encontramos o verbo μνημονεύω que significa estar atento, lembrar, trazer à mente. A recomendação, provavelmente, refere-se aos líderes cristãos, aqueles que fundaram a congregação, e que já haviam morrido. Sendo assim, deveriam olhar atentamente para estes líderes do passado, lembrando de suas pregações, ensinos e orações, bem como a atitude, respeito, honra, exemplo e fé.

No entanto, embora os líderes têm muito que nos oferecer, devemos fixar nossos olhos em Cristo. Ele foi e será o mesmo para sempre.  (v.8). Há um forte contraste entre Jesus e os falsos mestres que mudam com o tempo, e cujas doutrinas se tornam “diferentes e estranhas” (v.9). Por isso, é importante entender que os líderes vêm e vão. São imutáveis, mas Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente! Ele não muda sobre os seus planos que tem para nós, diferente do mundo e das pessoas que mudam a todo instante de opiniões.  Ele é superior aos anjos, profeta, discípulos, apóstolos e outros enviados. Ele é o autor da salvação. O verdadeiro sumo sacerdote que se compadece dos pecadores. O seu cuidado jamais deixa de existir sobre a nossa vida e família, porque prometeu que estaria conosco todos os dias.

Como é bom saber que podemos contar com Jesus Cristo que é o mesmo, ontem, hoje e eternamente. O Cristo que viveu entre os seres humanos no passado, como a revelação da presença de Deus em forma humana (João 1.18). Um homem, mas ao mesmo tempo o Filho Unigênito do Pai (João 3.16), que morreu na cruz para nos salvar, mas ressuscitou e está vivo (II Coríntios 5.15). Ele está vivo e vive em cada um de nós (Gálatas 2.20). Está atuando, ainda, hoje no mundo, e está sempre pronto para nos socorrer quando precisamos (Salmos 46.1). Ele estará com os seus até o fim dos tempos, quando os receberá nos lugares celestes, no novo céu e nova terra, na glória eterna.

Novamente, o autor afirma a superioridade de Jesus e da Nova Aliança que ele trouxe(vv.10-13). O autor afirma que não havia mais necessidade de realizar sacrifícios, pois, quando Cristo sofreu a morte sobre a cruz, uma das coisas realizadas foi descartar-se dos costumes levíticos. Mas aqueles que estivessem presos a estas cerimônias, não poderiam participar da Nova Aliança, sem primeiro romper com as tradições do cerimonialismo levítico. Neste sentido, o autor menciona três lições importantes para os cristãos: Primeiro, estamos sob a graça de Deus e livres de todas as regras cerimoniais da lei mosaica (At 10.9-16; Rm 14.17). Segundo. o altar do cristão da Nova Aliança é a pessoa de Jesus Cristo.  Ele morreu em nosso lugar e nos livrou de toda culpa e condenação. (v.12). Terceiro, o cristão, uma vez que pertence a Cristo, deve viver a sua fé num mundo hostil (v.13).

No entanto, uma vez que Cristo morreu como oferta pelos nossos pecados, devemos demonstrar uma conduta adequada a Jesus Cristo. Primeiro devemos fixar nossa esperança não nas ordenanças, mas na cidade celestial, pois a nossa vida neste mundo é transitória, breve e temporária. (v.14). Segundo, devemos oferecer a Deus sacrifícios de louvor. (v.15). A expressão de louvor se torna um fruto espontâneo de gratidão e adoração a Deus, uma ação de graça que provém de um coração sincero. O que devemos fazer é confessar através dos nossos lábios o nome de Cristo, ou seja, crer e confiar que Jesus é o nosso Salvador. Por que os lábios? A resposta é que através das palavras expressamos aquilo que se encontra no coração (Mateus 15.18-19).

Enfim, devemos mostrar benevolência, a prática da piedade, da compaixão ao próximo. (v.16). Este é outro tipo de sacrifício, pois todos os atos do amor são sacrifícios. A palavra “sacrifícios” aqui não é tomada em sentido estrito, como denotando o que é oferecido como expiação pelo pecado, ou no sentido de que estamos fazendo o bem para tentar fazer expiação por nossas transgressões, mas no sentido geral de uma oferta feita a Deus. Isto significa que devemos reconhecer a bondade de Deus por ação de graças. Além disso, devemos fazer o bem a nossos irmãos. Esses são os verdadeiros sacrifícios que os cristãos devem oferecer. E quanto a outros sacrifícios, não há tempo nem lugar para eles. Por isso, o autor chama os cristãos para servir e sofrer por Jesus, fora do cerimonialismo judaico.

Estimados irmãos! Deus quer a vivência do amor entre os cristãos. Isto significa que todos os dias somos incentivadas a conhecer mais sobre o amor e a graça de Deus. Imitar e glorificar Jesus Cristo, o Salvador imutável, que demostrou Seu grande amor por nós. Agora, Ele nos convida a expressar este grande amor ao próximo. Sendo assim, devemos fazer o bem aos necessitados, lembrar daqueles que sofrem e compartilhar parte dos nossos recursos para aqueles que precisam da nossas ajuda.

Senhor, ensina-nos a viver o verdadeiro amor e transforma-nos em pessoas que seguem a tua vontade. Amém!

 


terça-feira, 23 de agosto de 2022

 

TEXTO: LC 14.1-14

TEMA: O ORGULHO DESTRÓI O RELACIONAMENTO COM DEUS E COM O PRÓXIMO

O Evangelho de hoje traz mais um episódio de discussão, entre Jesus e os fariseus, acontecido durante a longa viagem de Jesus desde a Galiléia até Jerusalém. Ele foi convidado para uma festa, ocorrida no sábado. Era costume realizar refeições com pessoas convidadas após o serviço religioso do sábado nas sinagogas. Esta informação inicial sobre refeição na casa de um fariseu é momento para Lucas contar vários episódios que falam da refeição: cura do homem hidrópico, escolha dos lugares à mesa, escolha dos convidados que recusam o convite.

Mas, afinal, o que Jesus nos ensina neste texto?  Jesus nos ensina que os fariseus estavam vivendo um estilo de vida, contrário à sua vontade. Ele critica a falta de humildade daqueles homens, uma vez que eram pessoas que se consideravam superiores às outras. Faziam de tudo para serem vistos, preferiam os melhores lugares na festa e também os lugares de honra. Enfim, realizavam as suas obras com o intuito de serem vistos e elogiados. Na verdade, o orgulho os dominava, impedindo-os de se humilharem o suficiente para permitir que o Senhor abrisse seus olhos. Eram homens vaidosos e orgulhosos.

O orgulho tem levado muitas pessoas à destruição. Ele sufoca, destrói, mata, cega o entendimento. Causa confusão, contenda, mágoa, brigas, discussões, divisões. Os orgulhosos têm a tendência e a carência de sobressair sobre os demais! São capazes de qualquer coisa para impor as suas próprias regras ou interesses individuais. Este orgulho está fadado ao fracasso e a tragédia, pois quando entra na vida das pessoas destrói o relacionamento com Deus e com o próximo.

O que Deus quer é a humildade e não o orgulho. Jesus exigiu radicalmente dos Seus seguidores uma vida de extrema humildade. Tudo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado (v. 11). O caminho da humildade é o caminho da renúncia, do último lugar, do silêncio, do menosprezo, do abandono nas mãos de Deus, da fraqueza, da pobreza espiritual – a morte do próprio eu. Como está sua vida? Você prefere continuar em seu orgulho? Sejamos humildes! Jesus é o exemplo!

                                                                     I

 Jesus foi convidado por um dos principais fariseu para comer no sábado na sua casa. No entanto, o fariseu e seus amigos não estavam interessados na companhia de Jesus ao redor da mesa com eles, mas, na verdade, eles queriam observar Jesus, e encontrar um motivo de acusação, provavelmente na observância do sábado.

O texto afirma que naquele lugar “se encontrava um homem hidrópico.” (v.2). Hidrópico é pessoa que sofre de hidropisia, doença que consiste no acúmulo de líquido e inchaço no corpo todo, ou numa de suas partes, como, por exemplo, no ventre. Aquele homem certamente não foi convidado. Mas queria ser curado de sua doença. Sendo assim, entra na casa do fariseu e coloca-se diante de Cristo. Mas antes de cura-lo, Jesus, tomou a palavra, perguntou aos doutores da lei, e aos fariseus, se era permitido curar nos dias de sábado ou não, porque, segundo a lei de Moisés, não se podia fazer nada nos dias de sábado. Ele afirma: “É ou não é licito curar no sábado? (v.3). Mas eles nada disseram. Não responderam o questionamento de Jesus. Se respondessem positivamente, eles estariam contrariando a tradição dos judeus. Se respondessem negativamente, estariam negando o amor e a misericórdia de Deus. Mas Jesus não esperava uma resposta de seus observadores, ele simplesmente realiza a cura: Então, Jesus tomou o homem e o curou de sua enfermidade (v.4).

Após a cura, Jesus novamente faz uma pergunta: Qual de vós, se o filho cair num poço, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado? (v.5). Mas os fariseus não foram capazes de responder. Eles não podiam responder, porque não tinham resposta alguma que incriminasse Jesus.  É interessante a pergunta que Jesus faz aos fariseus. Mas vamos refletir sobre esta pergunta! Imaginem que uma criança cai num poço. As pessoas se comovem, e as equipes de resgate se mobilizam rapidamente para salvá-la. Agora, imaginem se este acidente ocorresse no dia de sábado. Será que poderiam resgatá-la? No raciocínio dos fariseus a resposta seria não, pois tinham um conjunto enorme de normas que regulamentava, o que era ou não permitido fazer num sábado. Infelizmente, estes religiosos estavam enxergando apenas suas regras exageradas e discrepantes.

O fato é que não encontraram nada que pudesse responder à pergunta de Jesus. A única explicação para a inconsistência deles era que o orgulho   estimulava as suas atitudes. Na verdade, os orgulhosos têm a tendência e a carência de sobressair sobre os demais! São capazes de qualquer coisa para impor as suas próprias regras ou interesses individuais.  O orgulho desafia a Deus, despreza o seu próximo e exalta a si mesmo. Ele é arrogante, o contrário do espírito de humildade que Deus requer. Ocorre que   ele está fadado ao fracasso e a tragédia, pois quando entra na vida das pessoas destrói o relacionamento com Deus e com o próximo.

No entanto, Jesus tem a resposta à pergunta feita aos fariseus. Ele retoma o verdadeiro sentido do sábado, e nos ensina que não se deve esquecer a misericórdia de Deus e as necessidades do próximo. Mostra que Deus quer a prática da misericórdia em vez de rituais e sacrifícios (Os 6.6). O que se observa que esses fariseus causavam mais preconceitos com suas doutrinas cheias de tradições humanas do que agir com misericórdia, levando a desconsiderar as necessidades dos seres humanos na época. Portanto, Jesus deixou claro que não estava transgredindo o sábado, mas cumprindo, pois, a lei não proibia ajudar o próximo.

                                                                 I

A questão do orgulho e da humildade se concretiza na Parábola da Grande Ceia que Jesus contou. Durante a festa, Ele observava o modo como se comportavam os convidados, ou seja, atitude, as ambições tolas dos fariseus pelos primeiros lugares. Para eles, era importante estar mais perto do dono da casa ou até mesmo ocupar lugares mais honrosos, posição religiosa, admirados pelas pessoas, e não com a salvação do pecador. Estas são características do ser humano. Há uma grande preocupação pelo sucesso, aparência e status. O que se observa é uma corrida em busca de “melhorias” em todos os aspectos, em todas as direções na vida em particular. O que importa é a fama, o sucesso em alcançar o objetivo. Também não importa como e por qual meio, honesto ou não. Enfim, procura-se ser “o mais”: o mais forte, o mais inteligente, o mais astuto, o mais seguro, o mais rápido, o mais eficaz.

Este era o pensamento daqueles convidados. Procuravam impressionar os homens do que servir a Deus humildemente. Por isso, Jesus diz que àqueles fariseus que gostavam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas: “Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar.” (v.8). É interessante   que os banquetes nupciais tinham certas regras que deveriam ser observadas. Havia certo protocolo social que exigia dos convidados, que se posicionassem de acordo com a dignidade ou a importância de cada um, em torno de uma mesa. Se alguém ocupasse um lugar superior ao que fazia jus, corria o risco de ser retirado, dando lugar ao que realmente o merecia. Esta cena resultaria em um vexame social, caso o dono da festa solicitasse aquele lugar para um convidado mais importante. É melhor escolher o lugar mais modesto, e depois ser convidado pelo anfitrião para ocupar o lugar de maior honra.

No entanto, estas regras pareciam estar sendo ignoradas pelos fariseus. Eles estavam demonstrando todo egoísmo, orgulho e preconceito na escolha dos lugares. Estavam ocupando o lugar de honra. Este era o estilo de vida que viviam os fariseus.  Jesus critica esta atitude. Jesus entende que faltava humildade aqueles homens, uma vez que eram pessoas que se consideravam superiores às outras. Faziam de tudo para serem vistos, preferiam os melhores lugares na festa e também os lugares de honra. Enfim, realizavam as suas obras com o intuito de serem vistos e elogiados. O orgulho os dominava, impedindo-os de se humilharem o suficiente para permitir que o Senhor abrisse seus olhos. Eram homens vaidosos e orgulhosos. Deus se opõe a esse tipo de orgulho que sufoca, destrói, mata, cega o entendimento. Causa confusão, contenda, mágoa, brigas, discussões, divisões.

Quantas vezes este orgulho tem dominado e enfraquecido a nossa humildade. Somos egoístas, pensamos somente nas nossas necessidades, colocamos em primeiro lugar o EU. Isto tem ocorrido diariamente dentro do nosso lar, no trabalho, na escola, principalmente dentro da igreja. Lembre-se que nenhum valor tem para Jesus os que buscam os primeiros lugares e praticam todas as obras que aparentemente são boas, para serem visto pelos homens. Nenhum valor possuímos quando nos colocamos numa posição de destaque, onde existe uma certa superioridade naquilo que fazemos, quando nos consideramos melhor do que realmente somos. Quando nos tornamos cada vez mais senhores de si, corações endurecidos, amantes de si mesmo. Quando a situação que nos leva a uma justiça meramente externa, pois interiormente é corrompido pelo pecado. Este tipo de orgulho destrói o relacionamento com Deus, consigo mesmo e o próximo. E quando chegar a esta situação, estamos deixando a humildade cristã para substituí-la pelo orgulho dos fariseus.

 Precisamos parar e refletir sobre o assunto, fazer uma análise introspectiva, e perguntar: Será que o orgulho não está destruindo a minha vida? Se deixarmos o orgulho tomar conta da nossa vida, ele nos destrói. Ele acaba conosco. Ele torna-se nefasto para o nosso desenvolvimento pessoal e para a nossa felicidade. Por isso, é preciso deixar o orgulho de lado, ter humildade e procurar agir com sabedoria com nossas atitudes e posicionamentos de vida. Portanto, tome o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: "Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas." (v.10).

                                                             II

Ao contrário, o que Deus quer é a humildade e não o orgulho. Jesus exigiu radicalmente dos Seus seguidores uma vida de extrema humildade. Tudo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado (v. 11). O caminho da humildade é o caminho da renúncia, do último lugar, do silêncio, do menosprezo, do abandono nas mãos de Deus, da fraqueza, da pobreza espiritual – a morte do próprio eu. E o Senhor quem nos guia: “Se alguém me quer seguir; renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34b). É na cruz de Cristo e na cruz da nossa vida que temos de crucificar o “eu” a cada dia. Fica evidente quando Jesus diz em Mateus 5.3: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” Por pobres de espírito, Jesus não entende os tolos, mas os humildes, e diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos. O evangelho deve ser pregado aos pobres de espirito, e não ao espiritualmente orgulhoso, o que pretende ser rico e de nada necessita.

 Jesus usou a oportunidade para dar um conselho também ao dono da festa. Ele se dirige ao anfitrião de forma surpreendente e estabelece uma nova regra: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado.(v.12) A recomendação de Jesus ao anfitrião é simples: Não convide estes homens   cultos e inteligentes, com elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. Não convida estes arrogantes, mas os pobres, os aleijados, os coxos e   os cegos. (v.13).  Aqueles que são rejeitados ou ignorados, considerados como gente de nível social inferior ao nível daquele importante fariseu.

Por outro lado, convidando estas pessoas, não haverá disputa pelos primeiros lugares e, pelo contrário, muitos precisarão de ajuda para ser colocados à mesa e eles sentirão honrados só pelo convite. Então, o anfitrião será duplamente recompensado. Primeiro, pela gratidão daqueles que foram abençoados pela generosa bondade demonstrada na ajuda e na alimentação que receberam; segundo porque aqueles necessitados, não tendo como recompensar a ajuda que receberam, a recompensa virá na ressurreição dos justos: a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos. (v.14).

Estimados irmãos! Peçamos a Deus que o orgulho não predomine em nossas vidas, e que jamais destrua o nosso relacionamento contigo e com o nosso próximo, mas que nos conceda humildade para refletir. Amém!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

 

TEXTO: LC 13.22-30

TEMA: ESFORÇAI-VOS POR ENTRAR PELA PORTA ESTREITA

 Nos tempos antigos não somente as casas tinham portas, como também as cidades fortificadas. As portas permitiam o acesso às fortificações, e junto a estas portas realizavam as trocas comerciais. Eram os lugares de maior afluência do povo, para conversas, passatempos ou negócios. Em caso de ataque inimigo, as portas eram fechadas, e das muralhas as sentinelas protegiam a cidade. Mas o que é uma porta? Acredito que qualquer pessoa sabe, o que é uma porta e qual a sua utilidade. É um instrumento de passagem que abre e fecha, impedindo, ou permitindo o acesso a determinado lugar. Ela pode ser larga, estreita, baixa, alta. E é fundamental para a segurança de uma casa, igreja, escola, hospital. Ela dá uma sensação de segurança e proteção dos perigos exteriores.

Nas Escrituras são mencionados vários exemplos sobre a porta. A arca de Noé tinha uma porta, havia uma entrada na grande embarcação em forma de uma porta. (Gn 6.16). Ló estava sentado à porta da cidade de Sodoma. (Gn 19.1).  O Tabernáculo tinha portas que dava passagem para outros compartimentos do santuário móvel dos hebreus no período da peregrinação. (Êx 29.32; 33.9).  A reconstrução dos muros de Jerusalém, no livro de Neemias, menciona as doze portas da cidade com os seus primitivos nomes. Mas a porta, muitas vezes, é usada como linguagem simbólica. Em Gênesis 4.7, Deus diz para Caim: “O pecado jaz a tua porta.” Significa que o pecado que ele cometeu, matando seu irmão Abel, estava diante dele, o acusando através da sua consciência. Nos Salmos 141.3 diz: “Põe ó Senhor, um guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios”. Jesus disse: Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem.” (Jo 10.9).

No texto de Lucas, Jesus usa no sentido figurado para entendermos que Ele é a porta pela qual todos devem entrar na vida eterna. Não há outro caminho, porque só Ele é "o caminho, a verdade e a vida" (João 14.6). A porta que Jesus aponta é a estreita. Ela exige renúncia a si mesmo, ao pecado, ao diabo, ao mundo. É preciso nascer de novo e ser nova criatura. Só aqueles que foram alcançados pela graça e transformados pelo poder do Evangelho entram por essa porta e percorrem esse caminho Portanto: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

                                                                      I

Jesus estava caminhando para Jerusalem, alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” (v.23). A pergunta trata do número sobre quantos se salvam: muitos ou poucos? Jesus, no entanto, não responde à pergunta. Não dá uma resposta direta, se são muitos ou poucos, pois poderia ser uma pergunta, para tentar enganá-lo e diminuir sua reputação. Se Jesus dissesse que muitos seriam salvos, eles iriam reprová-lo como um liberal tornando a salvação “barata”. Se dissesse que apenas alguns, então, poderiam censurá-lo ao ponto de que os israelitas acreditavam ser o povo escolhido. Mas Jesus afirma nos seguintes termos: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita". (v.24). Essa é uma ordem, não é uma resposta. A palavra grega traduzida como "se esforçar" é ἀγωνίζομαι significa” lutar com um adversário”, “trabalhar com fervor". A expressão nos dá a ideia de um atleta “forcejando”, ou se esforçando vigorosamente com todas as suas forças, para ganhar o prêmio. Paulo usou esse termo em 1 Co 9.25 para representar a vida cristã como uma competição atlética. Em Colossenses 1. 28-29, vemos que Paulo trabalhou e lutou, para admoestar e ensinar a todos com toda a sabedoria. Ainda o apóstolo Paulo nos diz em 1 Timóteo 4.10: “Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.”

Embora a expressão (“se esforçar”) possa ser um termo técnico, para se referir a competição nos jogos gregos, ela acentua a admoestação de Jesus, que devemos agir de toda a alma, pois fica claro que não podemos participar do reino de Deus à nossa própria maneira, mas é preciso lutar como um atleta se esforçando e correndo em direção à linha de chegada, dando tudo de si ao esforço. É uma palavra apropriada para o chamado à vida cristã, no qual Jesus nos mostra que é preciso esforçar-se, que é preciso renunciar a si mesmo, ao pecado, ao diabo, ao mundo. Que é preciso avaliarmos profundamente o nosso modo de adoração. Trata-se de cumprir a vontade de Deus, submetendo-se fielmente a ele. A mensagem central de Jesus desde no início de seu ministério foi esta: “Arrependei-vos e crede no Evangelho.” (Marcos 1.15). Portanto, este deve ser o nosso objetivo principal, enquanto peregrinamos nesta terra. Somente através do “entrar pela porta estreita”, encontraremos a vida eterna. E, muitas vezes, esse “esforço” requer de nós uma posição firme diante do meio que vivemos neste mundo. Lembrando que o discipulado não é fácil e sempre exigirá de nós dedicação total.

Precisamos lembrar que não é uma contradição em relação a doutrina da salvação pela graça, quando falamos em “esforçai-vos”. Sabemos que a justificação nunca será através de um “esforço” de vida, e sim pela graça, exclusivamente, que é um favor imerecido. (Ef 2.8-9),que se mostrou para todos os homens. (Tito 2.11). Esta mensagem maravilhosa, ocorreu quando Cristo foi enviado a nós como Salvador, pois todos os seres humanos estavam perdidos em seus pecados, afastados da comunhão com Deus, sem nenhuma perspectiva de vida. Jesus morreu na cruz, derramou o seu sangue como pagamento da dívida perante Deus e reconciliou a humanidade com o Pai Celestial. Ele se entregou por todos! Ele, agora, nos convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). É um convite não somente para os judeus, mas a todos os gentios. Deus deseja que todos sejam salvos. Deus não vê distinção de raças para a salvação (Cl 3.11; Gl 3.28; Rm 10.12). Agora, a porta foi aberta a todos que creem nesta mensagem.

No entanto, não é fácil entrar pela porta estreita. Jesus disse: “muitos procurarão entrar e não poderão” (v.24b), isto porque exige renúncia, obediência, fidelidade e perseverança. Exige que carreguemos a cruz. O caminho que leva a uma vida eterna com Deus passa pela cruz de Cristo. Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23). Exige arrependimento quando pecarmos diante de Deus. (1 Jo 2). E muitas pessoas não querem seguir este caminho. Por isso, preferem passar ao largo desta porta. Desprezam-na. Acreditam que podem encontrar uma mais larga, mais espaçosa. Outras inventam desculpas, pois o amor pelo dinheiro, os prazeres, o desejo de agradar o mundo e a má vontade em abandonar os pecados, impedem a entrada na porta estreita. Portanto, só passa pela porta estreita aquele que vive plenamente em comunhão com Deus

                                                                     II

Na prática, as pessoas não querem se submeter as exigências que o Senhor requer para segui-lo. Entre abandonar o pecado e abandonar o Senhor, muitos preferem andar pelo caminho largo. Quem não quiser se submeter as práticas espirituais, ou se esvaziar das coisas do mundo, jamais passará pela porta estreita. Por isso, é necessário ter uma certa determinação em seguir Jesus diante de um mundo com seus encantos e ofertas, cada vez maiores e constantes. Satanás faz de tudo para impedir a nossa entrada pela porta estreita. Por isso, não se deixe enganar por aqueles que desprezam a porta estreita da graça de Deus em Jesus Cristo. Apesar do desprezo, a porta para o céu ainda está aberta, o tempo da graça ainda opera sobre nós, ainda podemos encontrar Jesus, ainda podemos ouvir a mensagem do evangelho e crer nele (João 10.7-9).

No entanto, chegará o tempo em que o mesmo Jesus que a abriu a porta, irá fechá-la, assim como na Arca (Gênesis 7.16). Então, veio o julgamento de Deus em forma de dilúvio e todos que não haviam entrado morreram. No dia do julgamento, que está por vir, a porta se fechará. Quando a porta for fechada, do lado de fora muitos vão dizer: “Senhor, abre-nos a porta”. (v.25).  Quem tiver entrado será salvo, quem ficar de fora, será condenado. Nesse tempo não adiantará bater, nem chorar, muito menos argumentar dizendo: Por que estamos do lado de fora? Nós sempre fizemos o que Deus queria?  Nós não profetizamos em teu nome? E em teu nome não expulsamos os demônios? E em teu nome não fizemos maravilhas? Além disso, sempre fui a igreja. Fui batizado. Participava da ceia. Dava o dízimo, e até orava e lia a Bíblia. Porém a resposta do dono da casa, que é Jesus, é muito simples: “Não sei de onde sois vós”. (v.26). E, ainda, perguntarão a Jesus: Como não nos conhece? “Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas.” (v.26). Mas Jesus responderá: “não os conheço, nem sei de onde vocês são. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal” (v. 27).

Este será o resultado, para quem rejeita a Jesus, o Messias e Salvador: serão lançados fora do reino de Deus. Já não haverá como recorrer, pois estará abandonado. Estará “excluído,” “laçados fora”, onde “haverá choro e ranger de dentes” (v.28). Choro e ranger de dentes, faz alusão as tristezas e os terrores do juízo de Deus, ou seja, a exclusão do indivíduo para fora do reino de Deus, e lançado no inferno junto com satanás e seus demônios. O choro ocorrerá porque a pessoa teve a oportunidade de seguir a Cristo e não o fez. Teve tudo para estar no reino de Deus, mas rejeitou. Agora, outras pessoas são convidas a entrar pela porta: “pessoas virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e ocuparão os seus lugares à mesa no reino de Deus” (v. 29). Os judeus rejeitaram o reino de Deus, porque acreditaram que sua própria justiça os salvaria e não confiaram em Cristo. Na verdade, se consideravam os primeiros no reino de Deus. Jesus, então, convida os gentios (não-judeus) a fazer parte deste Reino. Serão os primeiros a entrar no Reino porque não confiaram em si próprios, mas sim na grande misericórdia de Deus demonstrada na morte de Jesus na cruz. E resume desta forma: “há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos” (v. 30).

 Há muitas portas por onde passamos e construímos a história de nossas vidas. Todos almejam encontrar uma porta aberta para um bom estudo, para um emprego estável, promissor, para o sucesso na vida financeira e para um casamento que nos garanta a felicidade. No entanto, a porta mais importante que podemos atravessar é a porta da salvação. Jesus Cristo é essa Porta. Ele disse: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (João 10.9). Jesus é a única porta, uma porta aberta, uma porta ampla, uma porta segura. Quando entramos por esta Porta encontramos vida com abundância. O amor que recebemos de Deus e a fé, que norteará cada um de nossos passos, nos encherá de confiança e poderemos descansar tranquilos. Jesus Cristo, a Porta da vida abundante, nos protegerá contra as ciladas do mal e encherá nossos corações de paz, mesmo que os perigos estejam ao nosso redor. Por isso, somos chamados a entrar, agora. Isto significa que a oportunidade de salvação vai terminar.

Estimados irmãos! A porta está fechada para você? Jesus é a porta certa! Ela sempre está aberta para você! Entre! Ele está esperando você!

 

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

 

TEXTO: EF 6.4

TEMA: COMO EDUCAR OS FILHOS NO SENHOR?

Hoje é o dia dos pais! Mas o que é ser pai? Ser pai vai além de sustentar e suprir as necessidades materiais dos filhos. É incentivar, mostrar caminhos e ser exemplo. É uma bênção de Deus. É viver cada dia os ensinos contidos na Palavra de Deus. Assim, ele será o pai capacitado para ensinar aos seus filhos a vida cristã.  Que este dia seja tão agradável quanto seu carinho e atenção, que você tem reservado à sua família. Seja especial e repleto de alegria, trazendo paz, saúde e grandes realizações à sua vida. É um momento propício para meditarmos   sobre o texto de Efésios 6.4: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.”


Estimados pais! Como educar os filhos?  É uma pergunta que requer muita reflexão! Na verdade, não há uma fórmula de como educar os filhos. Os meios e métodos que os pais usam a fim de educar, podem variar. Psicólogos e educadores afirmam que o diálogo é sempre a melhor alternativa. Eles dão conselhos para evitar os erros que os pais mais costumam cometer na hora de ensinar. Mas o que diz às Escrituras sobre a educação numa perspectiva bíblica?

 

As Escrituras mostram uma clara ilustração da educação no Senhor. O apóstolo Paulo afirma: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.” (Efésios 6.4). Neste versículo, Paulo apresenta dois fatores importantes sobre a educação. O primeiro, ele fala no sentido negativo em que os pais não devem provocar seus filhos a ira ou amargura, sendo severo, injusto, parcial ou exercitando sua autoridade de forma irracional. Tais provocações resultarão em reações adversas. O segundo aspecto é positivo, e expressa uma educação compreensiva, ou seja, Paulo convida os pais para educar, criar e desenvolver uma conduta em todos os aspectos da vida pela disciplina e admoestação do Senhor. Este é o caminho para uma educação no Senhor.

                                                                 I

Paulo estabelece uma orientação especial aos filhos. Ele afirma: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos”. É uma ordem dirigida especialmente aos pais, porque eles estão à frente da família e seu governo é especialmente comprometido com seus filhos.  A palavra grega usada no texto para ‘provocar’ traz consigo o mesmo significado de irritar, atormentar, enfurecer.  Estas palavras nos lembram aquele pai autoritário que ensina por meio do autoritarismo, da opressão e do medo, fazendo com que os filhos obedeçam cumprindo regras sem justificativas ou explicações. Isto resulta de um espírito e métodos equivocados, ou seja, severidade, irracionalidade, autoritarismo, dureza, exigências cruéis, restrições desnecessárias e insistência egoísta.

Paulo em Colossenses 3.21, também chama a atenção que devemos cuidar, para não irritarmos nossos filhos sob pena de desanimá-los: “Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não fiquem desanimados. “A palavra usada para ‘desanimar’ tem o sentido de exasperar, provocar ressentimento, mágoa. Isso significa que o tratamento errado dispensado a nossos filhos tem efeitos devastadores. Eles podem se sentir desanimados a viver, a se relacionar, a obedecer e honrar aos pais e até mesmo a obedecer e honrar a Deus. Um filho desanimado é um filho que perdeu a confiança. Que que perdeu a esperança e a motivação. Podem se tornar pessoas ressentidas, magoadas, amarguradas, retraídas, inseguras.

Esta forma de educar os filhos, gera na criança conflitos (ira) porque a função dos pais é conduzir os filhos ao crescimento em todos os sentidos e não exercer um domínio ameaçador sobre seus filhos. Quando se trata de educação, precisamos diferenciar o que é autoridade e autoritarismo. Autoridade tem a ver com admiração e respeito, não somente com obediência e submissão. Ser autoritário é justamente querer impor aquilo que não é legitimado. Ocorre que muitas pais irritam seus filhos ao agir asperamente, ou com crueldade física, para mostrar superioridade e força superior, se esquecendo que a disciplina bíblica tem que ser feita com moderação e com fim proveitoso.                                               

                                                              II

Após adverti-los que não provoquem os seus filhos a ira, Paulo oferece uma solução aos pais :admoesta os pais a criarem seus próprios filhos na disciplina e admoestação do Senhor. A palavra “criar” neste contexto, traz um sentido de nutrir ou alimentar; preparar para frutificar; dedicação, amor; estimulando-os a vencer as suas dificuldades. No entanto, há muito engano, hoje, a respeito da palavra criar. Para muitos pais, criar filhos significa sustentá-los financeiramente até que eles consigam emprego e passem a pagar as próprias despesas. É basicamente dar comida, sustento, educação e emprego para os filhos. É preciso repensar o modelo sobre o qual estamos fundamentando a criação de nossos filhos. A Psicologia, a Pedagogia e tantas outras ciências possuem propostas inovadoras quanto a criação de filhos. É maravilhoso ouvir os conselhos e orientações que as ciências nos apresentam.

No entanto, Deus nos deixou um manual para a criação de filho – a Bíblia Sagrada. Ela possui todos os princípios necessários para uma boa educação. Precisamos conhecer profundamente a história do jovem, Timóteo. Ele conhecera as verdades das Escrituras desde a infância. Aprendeu em todo o seu ministério, que não há riqueza equivalente às Escrituras, e que a Bíblia é o maior tesouro da cristandade, a fonte de toda doutrina cristã, a luz para os gentios. Aprendeu ainda que ela nos ensina a concórdia, o amor, a mansidão, a fidelidade, a fé em Cristo, e que nos repreende e corrige quando estamos errando o caminho do Senhor. Por isso, no entender de Paulo, Timóteo deveria permanecer fiel às Escrituras, que o tornaria sábio para salvação pela fé em Cristo Jesus.

Somente nas Escrituras encontramos a resposta. Em nosso texto, Paulo apresenta duas ferramentas principais para que os pais possam educar os seus filhos: a “disciplina” e a “admoestação” do Senhor. Essas palavras transmitem dois procedimentos que os pais devem aplica-los a educação dos filhos: O primeiro é físico: aconselha os pais a usar a disciplina. A criança precisa saber que há regras e limites, e a falta destas regras e limites podem levar a situações desconfortáveis. Se as crianças e adolescentes estão se comportando de maneira errada, elas precisam ser disciplinadas. Ela é fundamental para a formação de filhos saudáveis. Por isso, corrige a teu filho, e ele te dará descanso; sim, deleitará o teu coração. (Provérbios 29.17).

O segundo procedimento mencionado é verbal.  Paulo menciona a expressão admoestação do Senhor, ou seja, aquilo que é dito a uma criança. Além disso, admoestar também traz a ideia de corrigir, embora não necessariamente de forma física. É corrigir os pensamentos e ideias da criança, para que possa voltar a praticar o que é correto. O instrumento pelo qual isso é feito, é a Palavra de Deus. Ela é o instrumento divinamente ordenado para orientar a criança na formulação correta das suas ideias, na aquisição de valores corretos que vão servi-la até o fim da sua vida. A ideia contida neste termo é que nós devemos, não apenas disciplinar fisicamente uma criança, mas conversar com ela e colocar as suas ideias em ordem. Mostrar-lhe pelo diálogo, instrução e encorajamento

Portanto, a “disciplina e admoestação do Senhor” a única forma efetiva de alcançar os objetivos da educação. Qualquer outra substituição, ou meio de educar pode resultar em desastroso fracasso. Martinho Lutero dizia: “Deixe a maçã ao lado da vara e dê a seu filho quando fizer o certo”. A disciplina na educação deve ser exercitada com cuidadosa vigilância e constante ensino, com muita oração. Por isso, devemos ensinar e encorajar nossos filhos a lerem a Bíblia todos os dias, a orar sempre. Devemos orar com eles e por eles cotidianamente. Devemos deixar que vejam o nosso exemplo, porque os filhos imitam primeiro os pais.

Portanto, “ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” (Pv 22.6). Amém

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

 

TEMA: TENHAMOS BOM RELACIONAMENTO COM NOSSOS FILHOS!

TEXTO: 2 SAMUEL 18.33

Dia dos pais, um dia dedicado ao pai de família. Dedicado ao nosso amigo, exemplo, herói, parceiro e tantos outros adjetivos que se encaixam no contexto dessa palavra tão pequena, mas que carrega uma grande responsabilidade. Neste dia os pais recebem as homenagens de seus filhos. Presentes, beijos e abraços fazem parte desta homenagem. Já o comercio se aproveita da oportunidade para vender as suas mercadorias, sob o pretexto de desejar um feliz dia dos pais.

No entanto, a nossa preocupação não está voltada para o comercio, ou o que o mundo pensa sobre o dia dos pais. Mas para um assunto que preocupa muitos pais: o relacionamento familiar. A falta de relacionamento familiar tem sido um grande drama na família na atualidade. Davi viveu este drama. Teve muitos problemas familiares que se tornou uma verdadeira tragédia em sua vida. Foi um líder capaz de unificar um povo, transformando-o numa grande nação, mas não se repetiu no seu desempenho como chefe de família. Pelo contrário, foi um fracasso em muitos sentidos, teve muitas falhas como pai.

 Precisamos ter um bom relacionamento com os nossos filhos, e para exemplificar a importância disso, vamos refletir sobre a história de Davi, como Rei de Israel, como pai, e em particular sobre o relacionamento com seu filho, Absalão. Creio que à medida que formos refletindo sobre ela, vamos descobrir que o Senhor tem muito a nos falar a respeito desse exemplo. O nosso texto para esta reflexão, encontramos em II Samuel 18.33: “Então o rei se perturbou, e subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou; e andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho, Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!”

A história de Absalão é uma das mais tristes e comoventes do Antigo Testamento. Mas quem era Absalão? Era um jovem rico, famoso, tinha dinheiro, prestigio em todo o reino de Davi, seu pai. Era muito bonito, fascinante, charmoso. Tinha um cabelo invejável (II Sm 14.25-26). Seu nome significa "pai da paz". Era um homem astuto. Dava bons conselhos para as pessoas que o procuravam, e tentava de uma forma muito sutil “jogar Davi contra o povo”. Era considerado um homem ostensivo, ou seja, gostava de demonstrar que era poderoso. Mas havia algo que lhe faltava em sua vida: um bom relacionamento com a família. Tinha tudo, mas lhe faltava um pai, que pudesse se relacionar e ouvir bons conselhos.

O fato é que não havia um relacionamento que envolvesse convivência, comunicação e atitudes recíprocas na família de Davi. Ele sempre teve momentos conturbados em sua família. Em sua família, por um período, o pecado esteve presente de forma tão intensa. Ele foi cobiçoso, adúltero, homicida, mentiroso, falso. Cobiçou a mulher alheia, embora já possuísse as suas. Adúltero, por relacionar-se com uma mulher que pertencia a outro homem. Homicida, por matar o esposo de tal mulher, sendo ele o seu próprio soldado que o defendia nos campos de batalhas. A falta de relacionamento na família, começou com Amnom, o filho mais velho de Davi, ele cometeu incesto com sua meia-irmã, Tamar. Ela é estuprada, humilhada, e acaba seus dias vivendo como uma mulher desolada na casa do seu irmão. Ao saber do ocorrido, Davi ficou muito irado (2Sm 13.21). Absalão se conteve, provavelmente, esperando uma ação do pai contra Amnom.  Mas Davi não puniu Amnom. Absalão, depois de dois anos, vingou-se de Amnom, matando-o (2Sm.13.1-36).

A falta de relacionamento na família de Davi, gerou uma tragédia. Ele não foi capaz de ouvir as súplicas do filho, os problemas do filho. Ele errou, pois não teve coragem de confrontar, não teve coragem de corrigir. Não foi capaz de investir na vida de seu filho. Não foi capaz de oferecer amor e carinho ao seu filho. Era justamente o que faltava na vida de Absalão. Mas Absalão também errou. Em vez de confrontar seu irmão, corrigi-lo e perdoá-lo, encheu-se de mágoa e dominado pelo ódio mandou matar a seu irmão. Que tragédia dentro de uma família onde faltou o relacionamento. Na verdade, Davi estava sempre muito ocupado. Tinha sempre muitas reuniões, muitas decisões, muitos compromissos, muitas mulheres e muitos filhos. (2Samuel 3,2-5;5,13-16). Toda essa agenda fez com que Davi se tornasse um pai ausente demais. Esta é a grande realidade que vivemos em nossa sociedade. Os pais veem-se submetidos a um ritmo alucinante, trabalhando todo o dia, com exigências profissionais cada vez maiores, deixando pouco tempo e disponibilidade para estarem com os filhos. Não tem tempo para conversar com seus filhos, não tem tempo para oferecer amor, carinho, afeto. A maioria dos pais se preocupam com tantas coisas e deixam as mais importantes em segundo plano.

Precisamos aprender que o relacionamento familiar é um dos principais e mais importantes círculos sociais que uma pessoa tem desde sua infância até sua velhice. Sendo assim, é essencial cuidar bem do relacionamento familiar da forma como ele é: com seus problemas, acertos e erros. Se não existe o clima propício para um bom relacionamento familiar, acaba resultando em um distanciamento entre si. Da mesma forma, quando não há relacionamento familiar, a família passa por problemas e conflitos que desgastam todos os envolvidos. São irmãos que brigam, filhos que se desentendem com os pais por divergência de opiniões, casais que não se entendem, enfim, situações que precisam ser contornadas.

Absalão se transformou, aos poucos, num homem astucioso, vingativo e traidor. Despertou um sentimento de revolta em sua vida. Ele fugiu, após a morte de Amnom, para Gesur, pequeno reinado onde sua família materna exercia o poder. Três anos depois voltou para Jerusalém, e, decorrido algum tempo, iniciou uma conspiração para tomar o lugar de seu pai no trono. Chegou a um ponto em que ele não queria mais diálogo com o pai. Não queria mais o perdão do pai, mas queria mata-lo. Não queria mais reconciliação com o pai, mas decidiu tomar o trono do pai. Reuniu um exército para perseguir Davi. Dentro de quatro anos, Absalão já tinha forças suficientes para tomar o poder. Com isso, o número de seus apoiadores aumentou grandemente. Ao rei Davi nada restava, exceto a certeza e a necessidade de fugir. Vivendo na amargura, o grande rei de Israel, tomou uma decisão: enfrentar o seu filho. Mas antes da partida do seu exército, Davi ordena: “Por amor a mim, tratai o jovem Absalão com brandura!” E todo o exército recebeu a ordem que o rei deu a todos os chefes a respeito do cuidado para com Absalão.” (2 Samuel 18.5). Era o sentimento paterno falando. Nesse impasse, Absalão é assassinado por Joabe, comandante do exército Davi.

O rei ficou profundamente comovido, chorou, rasgou suas vestes, caiu por terra e lamentou: “Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!” (2 Samuel 18.33). Davi declara seu amor pelo seu filho, mas era tarde demais. Agora, só lhe restava chorar e lamentar. Davi errou. Não soube amar o seu filho. Seus sonhos desmoronaram sem mais nenhuma esperança de reconstrução. Infelizmente, Absalão também não aprendeu a amar seu pai. A ambição de ser rei, de ocupar o trono de seu pai, falou mais alto. O pai da paz, perdeu sua vida numa decisão infeliz de conspiração contra seu próprio pai. Que final triste! Que palavras dramáticas de um relacionamento mal sucedido.

Estimado pai! Você pode evitar esta tragédia em seu lar. Você pode evitar de viver este drama em sua vida. Sente-se ao lado de seu filho para conversar. Diga: Vem cá, fica aqui! Vamos fazer uma oração! Como foi o seu dia? E a escola? Você pode estar muito ocupado, mas não deixe de dar atenção aos seus filhos. Esteja pronto a ouvir o que eles têm a dizer. Demonstre um gesto de carinho para seus filhos. Não podemos adiar a solução dos problemas de relacionamento dentro da nossa casa. O perdão, o diálogo e a lealdade devem reger nossos relacionamentos! O que você está esperando?

Por isso, peçamos ao Pai Celeste que nos conceda sabedoria, orientação, para criar os nossos filhos no verdadeiro caminho. Que possamos melhorar o nosso relacionamento familiar. Amém

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

  

TEXTO: LC 12.22-34(35-40)

TEMA: NÃO ANDEIS ANSIOSOS PELA VIDA!

Você é uma pessoa ansiosa? A ansiedade tem tomado conta da sua vida nos últimos dias? Você vive preocupada, com medo de que as coisas não saiam como gostaria? Talvez você não seja uma pessoa ansiosa, mas provavelmente já tenha passado por momentos de ansiedade. A ansiedade é o mal deste século. Mas o que é a ansiedade? É um estado emocional caracterizado por sentimentos de tensão, preocupação do ser humano ao enfrentar algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia. Ela atinge a todas as pessoas. De crianças a adultos é notório a presença de preocupações, seja no âmbito escolar, familiar, sentimental, espiritual, profissional. Ela abala a nossa felicidade, nossa saúde, nossa fé.

Jesus conhecendo as preocupações, os conflitos, as limitações dos discípulos, ensina a meditar sobre a ansiedade. Ensina a necessidade de uma vida isenta de preocupações. Ensina não ficar, o tempo todo, ansioso sobre as coisas desta vida, mesmo que sejam as necessidades básicas como comer e vestir. Por isso, a ordem de Jesus é não se preocupar ou andar ansiosos. Ele afirma: “eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quando ao que haveis de vestir”. (v.22).

No entanto, seria errado concluir que Jesus estaria proibindo a busca, ou a preocupação daquilo que é necessário para o ser humano: alimentação e vestiários Afinal, precisamos de alimentação e vestiários para sobreviver. Esta preocupação é normal. É a necessidade primária do ser humano. A preocupação que Jesus proíbe é aquela que tira o sono e a paz. Aquela preocupação presa exclusivamente às solicitudes e demandas da vida, ou seja, o cuidado pelo o bem-estar pessoal. O medo de perder aquilo que dá segurança e o temor de não ter acumulado suficientemente para a vida. Enfim, aquela preocupação excessiva que não produz nenhum fruto proveitoso na edificação espiritual, pelo contrário, manifesta-se como resultado de uma vida desprovida de fé na providência divina.

Jesus enumera, então, três motivos para não vivermos ansiosos. O primeiro motivo: Ele diz: “a vida é mais é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes.” (v. 23). Vivemos numa época na qual as pessoas enfrentam nos dias de hoje uma preocupação constante com tudo o que acontece na vida. O homem se preocupa com o dia de amanhã, com o que vai comer, com o que vai vestir, com os filhos, com a família, com o dinheiro para pagar as suas contas, com o trabalho, enfim, se analisarmos bem, o homem passa a maior parte do seu dia vivendo preocupado. Mas é muito difícil não estar preocupado com alguma coisa, já que vivemos um tempo difícil sob todos os aspectos e não podemos fugir de determinadas coisas.

No entanto, devemos nos questionar: Este é o foco de nossa vida? Quando o foco da vida for a própria subsistência, brotará a ansiedade. Quando faço do alimento ou da roupa, uma preocupação constante, então, não vivo a vida. Por isso, Jesus nos ensina aqui um princípio muito importante para não vivermos ansiosos: A comida e a roupa são importantes para nós, mas a vida é essencial, porque Deus nos deu a vida, e certamente também nos dará o alimento que necessitamos para nosso sustento, nos dará também roupa para que os cubramos e abriguemos. Quando cultivamos o valor da vida, eliminamos muitas preocupações.

O segundo motivo: “observem os corvos: não semeiam, nem colhem, não tem despensa nem celeiros. Contudo, Deus os alimenta”. (v.24). As aves não produzem seu alimento nem cuidam da terra. Mas elas obtêm o alimento de que necessitam, pois Deus cuida de todos os corvos (e aves) todos os dias. Ele se preocupa até mesmo com estas pequenas aves que são criaturas de pouco valor, que eram vendidas no mercado como alimentação dos pobres, mas ainda assim Deus cuidava delas. Porventura esse Deus, não cuidaria de seus próprios filhos? Por isso, não há motivos de estarmos preocupados, porque o Pai Celeste sabe tudo quanto seus filhos precisam receber nesta vida. Lemos em 1 Pedro 5.7: “Lançai sobre ela a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. O profeta Isaías nos diz: “Não temas porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço e te ajudo” (Isaías 41.10). O salmista nos diz: “Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem”. Sendo assim, podemos esperar confiantemente o fornecimento de todas as necessidades que temos da parte do Pai. Quem é filho do Pai Celeste, tem razão em esperar o fornecimento do tudo, porque Deus é o doador de tudo aquilo que se precisa na vida.

O terceiro motivo: “E por que andais ansiosos quanto ao vestuário?” (v.27). Jesus fala sobre a ansiedade em relação às roupas: “observem como crescem os lírios”. Nada fazem senão crescer conforme a natureza. Eles não trabalham e nem tecem. Jesus exemplifica ao dizer que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! Jesus mostrou que as flores apesar de sua beleza, eram de pouco valor e só serviam de combustível que, por sua vez, era utilizado no fabrico do pão para os homens. Esse mesmo Deus, por conseguinte, deve ter muito mais cuidado pelo homem. Se o Deus criador tem tal interesse por uma simples flor, que para nós pouco vale, porventura, não cuidaria de seus filhos, providenciando-lhes as roupas necessárias? Jesus não promete dar-nos trajes mais belos que as vestes das flores, e sim, o fornecimento do que é necessário, Diz Paulo: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Tm. 6.8).

Jesus ao apresentar os motivos para não vivermos ansiosos, concluímos que o foco da nossa vida não pode ser exclusivamente na busca pelos os bens materiais. Não podemos deixar com que os problemas e as inquietações da vida tirem de nós o nosso foco em Deus. Aqueles que se entregam às preocupações; aqueles que dizem que podem garantir a sua própria vida, o seu sustento, age como um gentio. Jesus afirma: “não vos entregueis a inquietações”, pois os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas”. (vv.29 e 30). Os gentios eram os povos que não adoravam o verdadeiro Deus. Para eles, o que importava eram os bens materiais. Era o interesse principal. Eles viviam ansiosos, porque preocupavam-se em guardar seus bens. Tinham medo do que poderia acontecer no futuro. Portanto, a meta principal consistia no comer, beber, e se vestir: “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. (Is 22.13). Este é o pensamento filosófico dos gentios: o amanhã não existe. Vamos aproveitar a festa, vamos, comamos e bebamos, pois amanhã morreremos. Não aceite esse pensamento!

 Hoje, as pessoas continuam agindo da mesma forma. Colocam como prioridade a comida, a roupa, o dinheiro, a família, a carreira. Começam admitir que o comer, beber e o vestir são as coisas mais importante em sua vida e questiona a si mesmo: De onde me virá a minha próxima refeição?  O que vou comer no dia de amanhã? Que roupa vou vestir? Além do mais não se contentam com aquilo que possuem. Quer cada vez mais. Quer aumentar mais o seu capital. Que tipo de vida você quer viver? Uma vida focada em você mesmo, atribulada, ansiosa, preocupada com tudo? Lembrem-se: A preocupação demasiada com as coisas da vida cotidiana é reflexo da falta de confiança plena na bondade do Pai Celeste que conhece todas as necessidades de seus filhos.

Enquanto os gentios andam preocupados, buscando desesperadamente coisas materiais, Jesus nos ensina que não faz sentido andar ansiosos e preocupados, quando se reconhece a soberania e a providência divina. Por isso, os seguidores de Cristo são convidados a buscar, antes de tudo, o Reino de Deus. Deveriam focar suas vidas no Reino de Deus, viver para que este reino se amplie cada vez mais na pregação do evangelho. Ele deu aos seus discípulos um novo objetivo na vida: buscar o Reino de Deus: Ele diz: “Buscai, antes de tudo, seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas” (v.31). A expressão “buscai primeiro o Reino de Deus” significa que a vontade de Deus deve estar em primeiro lugar em nossas vidas. Quando buscamos o Reino de Deus acima de tudo, Deus cuida de nossas necessidades. Todo nosso sustento vem dele. Ele providencia tudo que precisamos: estas coisas vos serão acrescentadas”. Deus sabe aquilo que precisamos para viver.  Por isso, Ele deve ser nossa primeira prioridade.

Estimados irmãos! Se preocupe com tesouros e riquezas que perdurem para toda a eternidade. É a maior riqueza que o homem mais necessita, primeiramente, é a salvação. Pela fé em Jesus, crendo em sua obra e sacrifício redentor, Deus nos declara justo e santo e permite nossa entrada no céu, para recebermos a herança que nos será preparada.

Portanto, busquemos ao Senhor em sua Palavra. Depositemos nele toda confiança, e podemos ter certeza: Deus vai cuidar de cada um de nós, e não há motivos para se preocupar com as coisas desta vida. Amém!