sábado, 17 de agosto de 2024

TEXTO: EF 6.10.20

TEMA: COMO NOS FORTALECER NO SENHOR?

Diariamente enfrentamos tantas batalhas neste mundo. Aliás, a nossa vida tem sido uma constante batalha. São as dificuldades, os problemas, os sofrimentos que enfrentamos. Além destas batalhas diárias, também enfrentamos a batalha espiritual. É uma batalha constante que o cristão enfrenta contra as influências do mundo, contra a sua própria natureza pecaminosa (carne), e contra o diabo. Ela é uma realidade sóbria. É uma batalha que será constante até quando Cristo nos chamar para eternidade.

No entanto, nessas batalhas não estamos sozinhos. Deus está conosco. Ele é o Senhor  que peleja pelo seu povo, nos fortalece e nos concede força para vencermos as batalhas. Ele coloca à disposição toda a “força do seu poder”. Poder que nos sustenta diante das dificuldades da vida. E para ficarmos firmes é preciso nos fortalecer no Senhor.

Mas, afinal, como nos fortalecer no Senhor? O apóstolo Paulo nos fala dessa batalha e nos diz que devemos estar preparados e bem armados para lutarmos. É uma ordem divina para ficarmos firmes e vigilantes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não e contra seres humanos, mas contra forças espirituais do mal. Por isso, devemos ser constantes e sempre vigilantes, pois não sabemos quando e como ele irá nos atacar. E quais são as armas que devemos utilizar nessa guerra? O apóstolo Paulo também responde essa pergunta: precisamos nos revestir da armadura de Deus. Portanto, fiquem sempre em prontidão, e preparem-se para a luta!

Paulo fez diversos estudos para os filhos, pais, jovens, empregados, casais e padrões. E após estes estudos, ele concluiu, afirmando : sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” (v.10). O apóstolo Paulo  está afirmando que os cristãos de Éfeso deveriam se fortalecer no Senhor na força do seu poder. É uma  expressão que nos  capacita a viver a nossa vida cristã nesta terra, resistindo aos ataques de Satanás. Ele é o principal inimigo do povo de Deus. Ele é um adversário perigoso que lidera “as hostes espirituais da maldade” (v.12). Isso quer dizer que Satanás e seus agentes formam um exército organizado que se opõe à obra de Deus e ao seu povo. Eles atacam de forma astuta e estratégica (v.11).Por isso, precisamos admitir que por nossa própria força,  não somos capazes de vencer as batalhas contra as forças malignas.

Portanto, é necessário nos fortalecer no Senhor Jesus , buscando sua orientação, seus ensinamentos na palavra e sua proteção. Necessitamos estar ,permanentemente, ligados à fonte da qual esta força procede. Afinal, somos fracos em nossa própria natureza, e lutamos com inimigos muito mais fortes do que nós, que são enganosos, sutis, disfarçados. Dependemos, portanto, do poder de Deus para sermos fortalecidos. E quando somos fortalecidos pelo Senhor, nos tornamos capazes de vencer as fraquezas. Daniel foi fortalecido pelo anjo do Senhor: Falava ele comigo quando caí sem sentidos, rosto em terra; ele, porém, me tocou e me pôs em pé no lugar onde eu me achava.”(Daniel 8.18).Isaias foi fortalecido: não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.”( Isaías 41.10). Lembre-se: só permanecerão firmes aqueles que estiverem fortalecidos no Senhor.

Mas, afinal, como nos fortalecer no Senhor? O apóstolo Paulo apresenta uma nova dimensão para fortalecer os irmãos na fé em Cristo, convidando-os a se revestir da “Armadura de Deus”: “Revesti-vos de toda armadura de Deus. (v.11a): O verbo revestir  traz a ideia de vestir-se novamente, ou seja, uma roupa sobre outra. A palavra armadura se refere à armadura de um soldado fortemente armado da cabeça aos pés. Conjunto de peças feitas de metal ou couro, com que os soldados antigos cobriam o corpo para se protegerem das armas de ataque dos inimigos. O uso desta armadura significava manter agressivamente na retaguarda, manter-se à frente e opor-se contra o inimigo.

É impressionate a linguagem militar que o apóstolo emprega neste texto para falar sobre a armadura de Deus. Mas o que é a armadura de Deus? A armadura de Deus é a proteção que Ele nos oferece para resistir ao diabo e vencer as tentações e as lutas da vida. O motivo da necessidade é  para “poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo.” (v.11b). Estas ciladas são os truques de Satanás para enganar os cristãos (2Co 11.14). Outro detalhe é o combate para o qual precisamos estar preparados não é contra inimigos humanos, não contra homens constituídos de carne e sangue: “…porque não temos que lutar contra carne e sangue”. (v.12) Portanto, Paulo deixa claro que não lutamos contra forças humanas, a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. O conflito com Satanás é espiritual e, portanto, nenhuma arma física pode ser usada efetivamente contra ele e seus demônios.

Diante disso, o apóstolo Paulo exorta os cristãos de Éfeso a serem fortalecidos na força do Senhor e se vestir contra as forças malignas,usando determinadas armas. E quais são estas armas/ferramentas que estão à nossa disposição, e que devemos utilizar nessa guerra? Paulo responde essa pergunta. Ele fala das seguintes armas: cingidos com a verdade, vestidos com a couraça da justiça, calçados com o Evangelho da paz, embraçando o escudo da fé e o capacete da salvação. E ainda, tendo em punho a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, orando em todo o tempo e sendo vigias perseverantes. Essas são as armas que Deus nos oferece para resistir Satanás. É tudo que precisamos para resistir aos ataques do diabo e manter-nos firmes com Deus.

 Quem veste a armadura de Deus não será abalado. Por isso, Paulo nos aconselha: “tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mal e, depois de terdes vencido tudo, permaneceis inabaláveis. (v.13). Ele afirma ,simplesmente, “tomai a armadura de Deus.” Temos apenas que pegar. Há urgência,para que possamos estar preparados contra o dia mau que pode ser qualquer momento, uma guerra perpétua (Salmo 41.1). Neste sentido,Paulo  alerta para que todos se mantenham firmes e estejam preparados. Se tomamos a armadura e lutarmos ,bravamente, até o fim, “resistindo no dia mal” e “ vencendo tudo,” então seremos vitoriosos.

Paulo nos apresenta as ferramentas da armadura de Deus. Para cada peça da armadura existe uma comparação especial, vejamos: a primeira ferramenta: o cinturão - Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade.” (v.14a). A expressão cingir significa pôr à cintura, apertar. Provavelmente, se refere ao cinto usado para apertar a túnica do saldado. Uma túnica solta no campo de batalha poderia atrapalhar os movimentos do soldado, poderia tropeçar. Um soldado preparado para a luta teria um cinto apertado firme às suas vestes. Além disso, era usado para sustentar a adaga e a espada. Era responsável pela estrutura e sustentação de toda a armadura. Era uma peça indispensável para o soldado romano.

Como cristãos, nosso cinto é a verdade. E toda a verdade está em Cristo Jesus.  Quando o soldado de Cristo está com a verdade, em toda luta que tiver em sua vida,  estará preparado e protegido. Sendo assim, só poderemos resistir o inimigo, se estivermos fundamentados na verdade. Se estivermos cingidos com a verdade, nosso inimigo, que nos acusa e que é mentiroso, não terá argumentos válidos para lançar contra nós, pois estamos alicerçados na verdade. Se a verdade não for a base de sustentação da vida, entraremos despreparados para a batalha espiritual. Lemos em1 Pedro 1.13: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo.”

A segunda ferramenta da armadura de Deus para enfrentarmos a luta espiritual é a couraça da justiça: “vestindo-vos da couraça da justiça”. (v.14b).   A couraça era uma parte da armadura, feita de couro ou metal, para cobrir o peito e, às vezes, as costas dos soldados. O objetivo da couraça era para proteger contra os golpes das lanças, flechas e espadas. Mas que tipo de proteção é essa que o apóstolo chama de couraça da justiça? Ela nos protege de que? Como podemos vesti-la? A justiça aqui não é a nossa justiça própria. Se a justiça for própria, a couraça é própria, a armadura é própria! E  a armadura não é de Deus. Quando o apóstolo Paulo falou da justiça como uma couraça, ele tinha em mente a justiça de Deus. A justiça que Cristo conquistou na cruz para nós: (2Co 5.12; Ef 4.24). Essa é a maneira de vestir a couraça. Quando aceitamos a justiça que procede de Deus pela fé em Jesus, a nossa couraça de pano podre é trocada pela couraça da justiça de Deus.

Paulo nos apresenta a terceira ferramenta: Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz.” (v.15). As sandálias do soldado romano eram calçados duros.Ele eram feitos de couro para proteger os pés. Tinham tachas para manter o equilíbrio em terrenos acidentados, proporcionando apoio aos pés. Assim, para os soldados romanos, os calçados não poderiam ser algo que os impedisse, mas sim que o auxiliassem em seus movimentos de defesa. Para enfrentar a luta espiritual na qual todos estamos participando, além de cingir-se com cinturão da verdade e vestir a couraça da justiça, precisamos calçar os pés com a preparação do evangelho da paz. Calçar os pés no evangelho da paz é viver apoiado pela boa notícia da paz, é viver protegido pela paz do evangelho. É estarmos preparados, a qualquer momento, para representar o reino de Deus e anunciar o seu evangelho. Esse é o ponto de partida: paz com Deus. Se estivermos calçados com essa paz, podemos enfrentar a luta e vencer as batalhas.

A quarta ferramenta: Escudo da fé. Paulo especifica o tipo de escudo que era muito peculiar no exército romano. É muito significativo a simbologia que Paulo empregou para as armas espirituais. Ele afirma: Embraçando sempre o escudo da fé.” (v.16). O escudo aqui mencionado refere-se a um escudo suficientemente grande para cobrir a maior parte do corpo. Servia para se proteger contra as flechas, espadas e dos dardos. Era conhecido como Scutum (latim para escudo). Esse escudo era grande e retangular, tinha 1,5 metros de altura e pesava entre 5-7 kg. Ele era feito de madeira dura com metais nas bordas e grossas camadas de couro na frente. Antes de marcharem para a batalha os escudos eram molhados para que os dardos inflamados fossem extintos. 

A nossa proteção é o escudo da fé. Através dele, apagamos “todos os dardos inflamados do maligno”. (v.16b). Interessante que os romanos usavam as flechas como uma grande arma de ataque contra os inimigos. As flechas tinham pedaços de panos banhados em piche que eram acesas antes de serem lançadas. Essas flechas inflamadas causavam sérios estragos nos corpos e em locais aonde havia algo inflamável. Essa é a imagem que Paulo está usando, e que reflete a nossa batalha espiritual. Satanás está constantemente lançando seus dardos inflamados contra nós, querendo fazer com que nós acreditemos que há mais prazer nas coisas que ele oferece, nas mentiras, egoísmo, ciúmes, inveja, orgulho, cobiças. e muitos outros pecados Foi assim que ele atacou Jesus – prometeu coisas grandes, mas Jesus usou o escudo da fé e se defendeu crendo nas promessas de Deus (Mt.4.1-11).

Paulo nos aconselha a usar “sempre o escudo da fé”. Fé é um escudo que cobre todo o nosso ser – assim como o escudo cobria todo o corpo! Fé é a plena certeza, a garantia da fidelidade de Deus para com suas promessas. Essa plena certeza se torna uma convicção tão séria e tão profunda que passa a ser o que guia  nossos passos. E sem fé não conseguiríamos permanecer contra os intentos do inimigo. Seria impossível viver a vida de Deus sem esse escudo de defesa, mesmo porque, constantemente, somos atacados pelo inimigo e, uma vez sem esse escudo, seríamos alvos fáceis. Portanto é preciso “embraçar sempre”, ou seja, um ato continuo, de hora após hora, sem parar, um escudo, uma proteção de fé, que deve estar fundamentada, edificada, com alicerces espirituais profundos em uma Rocha chamada Cristo.

A quinta ferramenta é o  capacete da salvação: “Tomai também o capacete da salvação” (v.17a). Após colocar as outras peças da armadura, o soldado recebia do criado o capacete, um traje militar devidamente ajustado e mais leve para proteger esta parte vital do corpo. Os capacetes romanos eram feitos de bronze e tinham uma camada de feltro ou esponja. Paulo toma como base este termo para falar sobre a salvação.  Isto significa que  no âmbito espiritual, o capacete simboliza a salvação do Senhor. Pela sua morte e ressurreição, Jesus nos salvou do castigo e da escravidão do pecado (Romanos 8.1-2). A salvação que recebemos de Deus é nossa maior proteção de todos os nossos ideais  nesta vida. Quando vivemos focados na salvação em Cristo Jesus, a nossa vida terá outro sentido,pois Deus protege dos que lhe pertencem: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8.31; 37-39). Precisamos de proteção para não cair nas armadilhas do diabo.

A sexta ferramenta é a espada do Espírito. “A espada do Espírito, que é a palavra de Deus”. (v.17b). Este tipo de espada era pequena, aquela que o soldado usava no combate corpo a corpo. Não era a espada mais longa usada em combates. Para os cristãos armados para defesa na batalha, o apóstolo recomenda somente uma única arma de ataque; mas ela é suficiente, a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Isso fica claro uma vez que essa espada é a Palavra de Deus e que o Espírito Santo é seu autor (2Pe 1.20,21). Jesus usou tão ,incisivamente, as Escrituras na hora da tentação, fica claro que também temos de fazer o mesmo. O escritor aos Hebreus ressalta que "a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes" (Hb 4.12).

O apóstolo Paulo termina sua analogia sobre a armadura de Deus, ensinando como o cristão pode vestir essa armadura. Ele diz que é somente por meio de  um vida de oração que o crente pode estar devidamente equipado com a armadura de Deus e pronto para a guerra espiritual. Vejamos três usos dessa palavra que Paulo menciona: primeiro, para guerrear contra o diabo, temos de fazer da oração uma disciplina diária. Por isso,deveriam orar  "em todas as ocasiões.(v.18a) Em I Tessalonicenses 5.17, Paulo exorta os crentes: "Orai sem cessar". Jesus declarou que as pessoas devem "orar sempre e nunca desanimar" (Lc 18.1). A constância em oração é imperativa para a vitória. Segundo,  Paulo resalta que devemos “orar em todas as ocasições no Espirito.”(v.18b) No Espírito não se refere ao espírito humano com sua capacidade de devoção e ardor, mas ao Espírito Santo, que é quem ,poderosamente, inspira e intercede. Ele nos ajuda a formular as petições de acordo com a vontade de Deus ( Rm 8.26-27). E ,finalmente, “vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.” (v.18c). O termo “vigiando”transmite a ideia militar de "manter-se alerta". Esta deve ser atitude do cristão.  É a única maneira de estar preparado.  A agilidade incansável do cristão deve ser mostrada especialmente na intercessão perseverante a favor de todos os seus companheiros de luta.

Finalizando, Paulo pede aos efésios que orassem por ele. Ele não pede uma oração especial para seu bem-estar pessoal ,mas sim pelo crescimento do evangelho. O pedido é duplo. Primeiro, ele deseja sabedoria para que "me seja dada, no abrir da minha boca"(19a). O apóstolo está ciente de ter sobre si a grande responsabilidade de pregar o evangelho. Com isso, ele quer estar seguro de que, quando as oportunidades se apresentarem, ele possa falar as palavras corretas, a certeza de que a palavra que disser sempre seja a Palavra de Deus. Segundo, “para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho.”(19b).  Ele deseja audácia para pregar esta mensagem sem vacilar diante dos homens e sem abrir mão dos princípios do evangelho. Portanto, precisa pregar o evangelho completo para o mundo inteiro,quer judeus quer gregos.

 O apóstolo Paulo não se envergonhou de pedir aos cristãos que orassem, para que  tivesse a coragem e oportunidade de anunciar o evangelho. Mesmo estando na prisão, ele queria continuar a ser uma testemunha fiel do Senhor: “pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.” (v.20). Embora, estando acorrentado, ele se apresenta como  um “embaixador em cadeias” do evangelho de Cristo em Roma. Por isso,  ele pede aos cristãos  que orem, para que possa falar ,livremente, tudo o sabe e convém como embaixador de Cristo.

 Estimados irmãos! Diante do foi apresentado,  façamos sobre nós mesmos a seguinte avaliação: estamos devidamente equipados com toda a armadura de Deus? Estamos tentando vencer o adversário com nossas próprias forças, sem recorrer à fé, à oração, à Palavra e a comunhão com Deus?  Lembre-se que a nossa luta é contra Satanás, o inimigo de Deus.  Por isso, precisamos nos revestir de toda a armadura de Deus para ficarmos firmes contra as ciladas do diabo e resistir no dia mau e, depois de termos vencido, permanecer inabaláveis. Portanto, não negligenciamos a salvação, a justiça, a verdade, a fé, o evangelho de paz e nem a Palavra de Deus, antes apeguemo-nos firmemente a estas armas de defesa e ataque a fim de alcançarmos êxito nas batalhas. Resistamos e avancemos! Amém!

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

 TEXTO: SL 14

TEMA: NÃO SEJAMOS INSENSATOS, MAS SÁBIOS!

O Salmo 14 foi escrito pelo rei Davi. Mas  não sabemos em que ocasião de sua vida isso aconteceu. Alguns acreditam que  foi escrito no período do exílio. Quanto ao título, indica que ele foi entregue a um mestre de canto, o que, provavelmente, implica em sua utilização na adoração pública de Israel. Ele é quase idêntico ao Salmo 53.

O Salmo aborda vários ensinamentos e pode ser aplicado em diversas situações da vida. Ele fala da condição universal do pecado e da necessidade de arrependimento e salvação. Descreve um mundo onde as pessoas se afastaram de Deus e se tornaram corruptas, praticando o mal e não buscando a Deus. Ele  ainda afirma que Deus está com os justos e expressa esperança para o futuro, sabendo que Deus finalmente restaurará Seu povo.

No entanto, em nossa mensagem, analisarei um assunto que está relacionado com o texto: os insensatos e os sábios. Ocorre que havia entre o próprio povo de Deus, homens insensatos que começaram a viver como se Deus não mais existisse. Mas quem são os insensatos? Os insensatos são aqueles rejeitam a existência de Deus e vivem de acordo com seus próprios desejos. Eles são descritos como tolos, pois não reconhecem a sabedoria e a autoridade de Deus. Além disso, se corrompem e praticam abominações. Enfim, eles não têm sabedoria, valores morais, nem percepção espiritual. 

Diferentes são os sábios. Aqueles que ouvem a Palavra de Deus e as praticam. Refletem sobre às suas decisões e examinam com atenção todas as possibilidades.  São aqueles que temem ao Senhor  e sempre dam honra e glória a Ele. Obedecem aos seus mandamentos, são felizes e vencedores!

Temos vivido como insensatos ou como sábios? Temos procurado fazer a vontade de Deus, ou corremos atrás dos nossos afazeres pessoais, esquecendo de fazer o que de fato interessa ao nosso Deus?  Como cristãos, tenhamos cuidado com a maneira como vivemos e que não sejamos como insensatos, mas como sábios.

O salmista inicia o Salmo,falando sobre o insensato.Mas o que é ser insensato? A palavra insensato no texto,diferentemente, do seu sentido na língua portuguesa, que significa pessoa que não tem bom senso, louco, sem noção da realidade, etc, aqui a palavra hebraica para insensato(נָבָל) traz o significado de alguém que é oposto o do sábio, isto é, alguém que não anda segundo o temor do Senhor — que é o princípio da verdadeira sabedoria (Pv. 9.10). Logo, o insensato no salmo é um termo usado para descrever uma pessoa que age de forma imprudente, sem sabedoria ou discernimento; que age sem considerar as consequências de suas ações, ignorando os princípios e ensinamentos divinos; alguém que despreza absolutamente a realidade de que Deus existe!

Contudo, em suas grandes tolices, o insensato chega ao ponto de afirmar que Deus não existe: Não há Deus.”  (v.1b).  É lamentável observar esta atitude destas pessoas, Elas vivem como se Deus não existisse.  Acreditam que Deus não vai interferir no mundo e nem na sua história. Pensam que Deus não pedirá contas daquilo estão fazendo de errado. Na verdade, diante de  todos os seus propósitos práticos, estas pessoas entendem que Deus não faz parte dos seus pensamentos. Portanto, Deus não existe! O britânico Bertrand Russell que era um filósofo agnóstico, certa feita foi arguido sobre quando morresse o que faria ao se deparar na presença de Deus. Russel respondeu: “Deus, você não nos deu provas suficientes da Sua existência!”

Como este insensato ainda podia exigir mais provas? A natureza, o universo, as mais variadas formas de organismos e elementos criados por Deus já seriam suficientes. Olhando para as estrelas, compreendendo a vastidão do universo, observando as maravilhas da natureza, vendo a beleza de um pôr-do-sol – todas estas coisas apontam para um Deus Criador. As Escrituras afirmam que a existência de Deus é percebida naturalmente: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (Salmos 19.1- 4). Em Jesus Cristo Deus revelou-se plenamente. Foi possível que conhecêssemos a Deus pessoalmente e que experimentássemos o amor, a paz e a alegria através da morte de seu Filho na cruz.

A verdade é que encontramos tantas pessoas, agindo de acordo com a própria consciência e deixando de lado as coisas de Deus em nossos dias. Muitos nem acreditam na realidade de que há Deus! Por isso, como cristãos, tenhamos cuidado com a maneira como vivemos e que não sejamos como insensatos, mas como sábios. Esta é a recomendação do apóstolo Paulo, conforme Efésios 5.15 e 16. Dentro da importância do testemunho cristão, Paulo exorta seus leitores a verem cuidadosamente a maneira como estavam vivendo perante às pessoas. Esta deve ser a nossa vivência: viver de acordo com os ensinamentos das Escrituras, como sábios, andando com sabedoria ao fazer a vontade de Deus.

Era assim que os mestres e líderes do povo de Israel   estavam vivendo quando Davi escreveu este Salmo. Eram insensatos, obreiros da iniquidade. Não buscavam Deus. Desprezavam o povo de Deus. Não agiam com sabedoria em sua vida espiritual e ética. Não sabiam fazer escolhas corretas.   E as consequências dessa insensatez são tristes e se refletem tanto no caráter quanto na conduta do povo; se manifesta no seu coração, na sua mente e na sua decisão. O que ocasiona, consequentemente,  à violação de todos os princípios, estatutos e leis estabelecidas por Deus, uma vez que eles se corrompiam e praticavam abominação.” (v.1b).O verbo corromper no hebraico é שִׁחֵת   significa agir de maneira corrupta, praticando abominações, ou seja, algo imundo desagradável a Deus; alguém  que subverte toda ordem, de modo que não faze mais distinção entre o certo e o errado, e não têm consideração alguma pela honestidade. Portanto, o homem caído é totalmente corrupto, e sua corrupção abrange todas as áreas da sua vida. É o que temos visto em nossos dias:estupro, aborto, pedofilia, homicídio, homossexualismo, bruxaria, terrorismo, zombaria ao nome de Cristo, etc).

Também éramos, outrora, néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, Deus nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna (Tito 3. 3-7).

O apóstolo deixa muito claro esta questão em Romanos 1.21-31. Ele afirma: Tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus. Se tornaram nulos em seus próprios raciocínios. Obscureceram o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos. Mudaram a glória de Deus.” O verso 28 nos mostra o resultado de tudo isto: Por haverem desprezado o conhecimento de Deus, Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes.” O que vem a seguir é uma lista enorme das iniquidades cometidas por estes homens. Portanto, a iniquidade humana é resultado do afastamento de Deus. O salmista estava certo, nas suas afirmações: eles se corromperam e praticaram abominação, já não há quem faça o bem.”  (v.1c).

No entanto, Deus olha para a terra, Deus busca entre os filhos dos homens para ver se há quem entenda e se há quem busque a Deus. (v 2). A expressão, “olha para a terra,” literalmente significa: curvou-se; indicando olhar zeloso e intenso para um exame mais detalhado. E ao olhar Deus encontra uma resposta: não há nem um sequer que faça bem ou busque a Deus. Consequentemente, todos se extraviaram e juntamente se corromperam.” (v.3). O verbo “extraviar” indica uma ação em que os homens deram as costas para Deus. Desprezaram,ignoraram o propósito para o qual foram criados, ou seja, de glorificar a Deus.Como resultado de sua depravação, o homem caído não apenas nega a existência de Deus, mas também se dedica a explorar o povo: “os obreiros da iniquidade devoraram o meu povo, como quem come pão, que não invocam o Senhor?” (v.4). Agiam com naturalidade e a facilidade com que praticavam sua maldade, explorando  os necessitados.

No entanto,  embora os insensatos vivendo como se Deus não existisse, eles não poderiam escapar. O Senhor haverá de julgar a terra com retidão,e nesse dia restará aos insensatos apenas o pavor, não encontrarão lugar onde poderão se esconder. O salmista afirma: “Tomar-se-ão de grande pavor.” (v.5a). Não se livrarão da ira do Senhor, pois foram cruéis, cujas ações traziam sofrimento àqueles que, por vezes, não têm como se defender, ou seja,os “justos”  e os “humildes”: Eles se aproveitaram para falar mal dos indefesos, julgando-os e  discriminando-os: “Meteis a ridículo o conselho dos humildes.”  ( 6a). Mas apesar de os justos  serem,  muitas vezes, escarnecidos, debochados, zombados, “o Senhor é o seu refúgio.” (v.6b).Como é maravilhoso saber que Deus é o nosso refúgio. Nele encontramos toda força e proteção necessárias quando tudo ao nosso redor começa ruir. Ele nunca nos abandona, quer chova ou faça sol, quer sopre ventania ou haja calmaria, na doença ou na saúde. Ele também está com seus filhos para lhes fazer justiça diante dos malfeitores, seja confortando-os no sofrimento e livrando-os das suas armadilhas.

Para reforçar este pensamento, o salmista usa uma expressão de confiança, uma aspiração, um desejo de sua alma: “tomara de Sião viesse já a salvação de Israel!” (v.7a).O desejo de Davi é que Deus traga salvação ao seu povo. Isto significa que a   redenção de Israel não será encontrada na força ou sabedoria humana. Ela virá de Sião,do monte onde estava Jerusalém. Este era o lugar da habitação de Deus no meio do seu povo. Na verdade, o que Davi pede é que Deus traga salvação para Israel. diante das mãos dos seus inimigos, para que o seu povo se alegrasse no Senhor e no seu livramento. Davi mostra que, quem reconhece e se submete ao Senhor,tem em seu coração a esperança inabalável. Por isso, Davi afirma: “Quando o Senhor restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará. (v.7b). Será um tempo de regozijo e de alegria para Israel. Essa esperança de Israel, demonstra  o seu  retorno da Babilônia.

Deus cumpriu o desejo de Davi e lhe atendeu o clamor!  Ele  restaurou a sorte do seu povo! Mas uma salvação maior estava para chegar. Do meio de Israel, Deus estava trabalhando para trazer ao mundo o Seu Filho para salvar o seu povo dos pecados deles! E na plenitude do tempo, Cristo veio e com seu sangue nos libertou dos nossos pecados e com seu Espírito nos deu novo coração para servir a Deus! Cristo restaurou a nossa sorte! Ele nos salvou! Mas vai chegar o dia em que ele virá para completar a boa obra que iniciou em nós e nos dá plena salvação! Ele prometeu vir nos buscar e nos levar para habitar consigo no novo céu e na nova terra por toda eternidade. Então, nossa alegria será perfeita e completa, pois o mal e toda corrupção não mais existirá, mas somente perfeita paz e justiça para o povo de Deus!

Enquanto aguardamos a vida de Cristo, sejamos sábios. Aqueles que ouvem a Palavra de Deus e as praticam. Refletem sobre às suas decisões e examinam com atenção todas as possibilidades.  São aqueles que temem ao Senhor  e sempre dam honra e glória a Ele. Obedecem aos seus mandamentos, são felizes e vencedores! Sigamos o exemplo do salmista. Um exemplo é o Salmo 1. Ele  Ilustra de uma forma maravilhosa, ao comparar o caminho do justo e do ímpio (ou do sábio e do tolo) e depois nos mostra qual o resultado final desses dois caminhos. Ele começa falando sobre coisas que o justo não faz, ou seja, que devemos evitar, se queremos ser sábios e não tolos. Sigamos o exemplo também de Salomão. Ele vê que ser sábio é melhor e mais proveitoso do que ser tolo, como a luz que traz mais proveito do que as trevas.

O grande  exemplo  foram os apóstolos. Eles viveram como sábios. Aproveitaram o tempo e procuraram compreender a vontade de Deus, pela leitura e prática da sua Palavra. Mantiveram-se sóbrios em ação constante na prática do bem. Deixaram-se dominar completamente pelo Espírito Santo de Deus, sendo guiados pelos caminhos da verdade e servindo a Deus ao próximo. Dentro da importância do testemunho cristão, Paulo, conforme Efésios 5.15 e 16, exorta seus leitores a verem cuidadosamente a maneira como estavam se portando perante os de fora. Esta deve ser a nossa vivência: viver de acordo com os ensinamentos das Escrituras, como sábios e não tolos. Mas no que consiste o andar com sabedoria? Consiste em fazer a vontade de Deus. Por isso, queremos ser sal da terra, uma luz para as pessoas, refletindo a sabedoria e o amor de Deus neste mundo.

Estimados irmãos! Temos vivido como insensatos ou como sábios? Temos procurado fazer a vontade de Deus, ou corremos atrás dos nossos afazeres pessoais, esquecendo de fazer o que de fato interessa ao nosso Deus?  Como cristãos, tenhamos cuidado com a maneira como vivemos e que não sejamos como insensatos, mas como sábios. Amém!

 

 

 

 

 

sábado, 10 de agosto de 2024

 TEXTO: GN 22. 1-22

TEMA: ABRAÃO, O PAI QUE FOI PROVADO POR DEUS

Quais foram as provas mais difíceis, que você já enfrentou em sua vida? Você se lembra de alguma? Se você passou por muitas provas em sua vida, jamais se compara com a prova que Abraão teve que enfrentar, talvez a maior prova de sua vida. Foi provado por Deus, oferecendo como sacrifício seu único filho. E Deus lhe deu força e coragem, para enfrentar tal situação.

Da mesma forma, também nós pais, recebemos, da parte de Deus, força e coragem quando somos provados. Ainda que nos venham provas dolorosas e desconfortáveis da parte do Senhor, quando enfrentamos o desemprego, problemas familiares, questões de saúde, isto fará com que confiemos cada vez mais em Deus, acreditando nas suas promessas. Em todos esses casos, precisamos da sabedoria de Deus. Devemos nos perguntar: Como estou reagindo a esta situação? Qual é o caminho de Deus? Qual é o plano de Deus para mim nas circunstâncias que estou enfrentando?  Deus, certamente, está nos contemplando. Ele dirige e supervisiona tudo o que nos dá. Ele sabe o quanto podemos suportar e o que é necessário para a nossa vida.

I

Muito antes do acontecimento relatado em nosso texto, quando Abraão ainda não era pai, lamentou diante de Deus, dizendo: "A mim não me concedeste descendência e um servo nascido na minha casa será meu herdeiro." Em outras palavras, isto significa:  Deus! Eu sei que tu concedes filhos aos país, mas, até agora eu não recebi esta bênção de ti. Porém, não deixou de rogar a Deus que lhe concedesse um filho. E Deus de fato cumpriu com sua promessa e Sara apesar de sua velhice, teve um filho, ao qual chamou de Isaque, e Abraão tornou-se pai.

Creio que a maioria dos pais, aqui presente, já teve a oportunidade de acompanhar o nascimento de seu filho, num hospital. É algo fantástico! É maravilhoso ver o nascimento de uma criança e ao mesmo tempo o homem tornando-se pai. Mas ser pai não é só colocar filho no mundo. Ser pai significa que você, estimado pai, tem diante de si, uma grande responsabilidade para com seus filhos. A responsabilidade de orientá-los no verdadeiro caminho. Ser Pai é ser acima de tudo, alguém que sabe amar seus filhos. Alguém que sabe de fato levar carinho, para um filho que está precisando de amparo. Ser pai é saber sustentar seus filhos dando-lhes o conforto necessário.

Isaque foi crescendo. Abraão tinha muito cuidado em ensinar para Isaque tudo que ele sabia sobre Deus. Ensinou-lhe a maneira de adorar seu Deus e de obter seu perdão através do sacrifício. Isaque, muitas vezes, via seu pai juntar pedras e construir um altar. Ele o via colocar lenha sobre o altar, amarrar as patas de um cordeiro e coloca-lo sobre a lenha. Em seguida com um rápido golpe de facão, o cordeiro era morto e o sangue jorrava sobre o altar. E aquele sangue tinha de ser derramado para que o pecado pudesse ser perdoado.Tudo isto Isaque apredeu de seu pai.

Seria maravilhoso se cada pai tomasse como exemplo, Abraão. Um pai que foi perseverante, fiel, obediente e soube confiar nas promessas de Deus. Seria maravilhoso se cada pai cumprisse com sua tarefa de conduzir seus filhos o caminho que leva a Deus e às atividades da igreja. Estudando em casa às Escrituras através de devoções e estudos bíblicos. Penso que os pais cristãos não pouparão sacrifícios para atingir este alvo. Então, sim, podemos dizer como Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

Entretanto, Abraão tinha diante de si uma prova muito difícil. Deveria sacrificar em holocausto, o seu  único filho, o filho da promessa, o filho a quem muito amava. Assim diz o Senhor: “Abraão, eu quero que tu leves, o teu filho, o único a quem amas, à Moriá e lá oferece-o em holocausto a mim”. De fato,era uma prova muito dificil para Abraão.

Nem sempre compreendemos porque Deus permite que aconteçam coisas difíceis em nossa vida. É porque Deus não nos ama? Não! Deus nunca deixa de nos amar. Algumas vezes é por amar tanto a você que Ele permite coisas difíceis em sua vida. Mas Deus lhe dará coragem para enfrentar as provas de sua vida. As coisas difíceis farão com que você confie em Deus cada vez mais.

II

Era uma boa oportunidade para Abraão dizer não ao pedido de Deus. Ou então poderia oferecer ovelhas, bois ou até mesmo sacrificar um dos seus servos em lugar de seu filho. Abraão não discute com Deus, não pergunta e não murmura. Embora, com seu coração de pai dilacerado pela dor, está disposto a cumprir com a vontade de Deus. Reconhece e considera Isaque, mesmo depois do nascimento, como sendo propriedade de Deus. Deus tem o direito sobre Isaque. Ele pertence mais a Deus do que a Abraão.

É necessário que muitos pais saibam e reconheçam que os filhos são bênçãos e herança do Senhor Deus. Infelizmente, para muitos pais as crianças só atrapalham, são estorvos, problemas. É lastimável que seja este o valor das crianças para tais adultos. Mas não esqueçam, estimados pais, que estas pequenas criaturas de Deus, que estão em toda parte, nas ruas, praças, nos jardins, crianças pobres e ricas, famintas e nutridas, devem ser amadas, honradas e desrespeitadas. Elas precisam conhecer Jesus.

Compreendemos a dor de Abraão ao se dirigir para Moriá. Nenhum pai gostaria de sentir esta dor. Viver os momentos difíceis que passou Abraão. Somente ele e Deus sabiam o propósito dessa viagem. Quem não sabia era Isaque: "não estou entendendo o que estamos fazendo. Levamos aqui a lenha, a faca para realizar o sacrifício, o fogo para queimá-lo, mas onde está o holocausto? Nada estamos levando para sacrificar?" Abraão responde:  Deus proverá meu filho! Deus fará com que consigamos um cordeiro para o sacrifício.”

Deus proverá. Essas palavras maravilhosas mostram a fé que Abraão tinha em Deus. E é justamente através desta fé que Abraão estava pronto para sacrificar o seu único filho, a cumprir sua missão. E Deus lhe deu força e coragem para enfrentar tal situação. Por isso, podemos dizer que Abraão foi um herói, um gigante na fé! Um pai que partiu confiante em Deus em direção à Moriá. Demonstrando, assim, a sua fidelidade, a sua obediência às ordens de Deus, mesmo sabendo que através de seu filho haveria de nascer o Messias, que seria o pai de uma grande nação. Como resposta, resultado da sua obediência e confiança na promessa de Deus, ouve do anjo: Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhes faças, pois agora sei que temes a Deus, por quanto não me negaste o filho, o teu único filho.”

Não precisamos sacrificar o nosso filho, como Deus fez com Abraão, testando a sua fé. Entretanto, Deus nos prova de outra maneira, através de enfermidade, morte, calamidade, ou mesmo através de problemas, dificuldades que enfrentamos dentro do nosso lar, tais como: teremos condições de oferecer um bom colégio ou uma Universidade aos nossos filhos? Teremos condições de sustentar a nossa família? Quando isto acontecer em nossa vida, lembremo-nos da promessa: “Deus proverá”. Sim, Deus nos dará força e coragem para enfrentar cada prova. E eu tenho certeza que Ele providenciará tudo para nós. E o que nos dá esta certeza, é  a nossa fé, a nossa confiança em Deus. Como prova, Deus providencia o cordeiro para a oferta queimada. Deus nos amou tanto que nos deu o melhor que tinha, seu Filho. Será que Ele não nos dará também o que precisamos? É claro que a resposta é SIM.

 Prezados pais! Tome como exemplo Abraão. Peçam a Deus fé e coragem para enfrentar as provas da vida. Amém.

 ORAÇÃO

Pai celeste, que nos amaste tanto, e deste o teu Filho Jesus, para ser o nosso Salvador e para nos restabelecer na condição de filhos de Deus. Te agradecemos com muita alegria esta bênção que nos dás, de podermos te chamar-te pai. Abençoa neste dia a todos os pais, dando-lhes saúde, força, disposição, responsabilidade, sabedoria e fé, para educarem os seus filhos no temor do Senhor e no caminho da salvação. Pedimos isto Pai celeste, em nome de Jesus, teu Filho amado. Amém.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

TEMA: A NOSSA ATITUDE DIANTE AS TEMPESTADES DA VIDA

TEXTO:MC 6.45-52

 Acredito que a maioria das pessoas já se defrontou na vida com alguma tempestade. Sempre é possível ser surpreendido por uma tempestade. Em qualquer viagem, de carro, navio, avião, trem ou outro meio de transporte estamos sujeitos ao enfrentamento de tempestade que nos causa medo, terror, pânico. 

Os discipulos enfretaram esta realidade, e ,consequetemente, sentiram o desespero, o medo e angustia. Mas, a causa do desespero dos discípulos não era a fúria da tempestade, mas a falta de fé, a incredulidade dentro deles. Afinal, “não haviam compreendido nada a respeito dos pães” (v. 52). Isto significa que  não haviam entendido ainda quem era Jesus, o Messias profetizado nas Escrituras. Marcos os chama de “coração endurecido”. E Jesus, logo após acalmar a tempestade os questiona: “Porque sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?” (Marcos 4.40).

Essa falta de entendimento dos discípulos é também, muitas vezes, a nossa falta de compreensão, falta de fé diante do que Jesus tem realizado em nossas vidas. Aquilo que era certeza para nós começa a se tornar em dúvida,E qual deve ser a nossa atitude e a nossa postura para enfrentarmos as tempestades?

O texto apresenta duas atitudes e que servem de reflexão para a nossa meditação: Primeiro, precisamos crer que o Senhor é fiel às suas promessas e jamais permitirá que sejamos vencidos pela tempestade. Segundo, precisamos crer que o nosso socorro vem do Senhor e não permitirá que a tempestade venha a nos destruir. Não importa, se tempestade que você está enfrentando é pequena ou grande, o que importa é que o Senhor está com você e não permitirá que você seja vencido pela tempestade

O milagre que Jesus havia realizado, ao alimentar milhares de pessoas, impressionou o povo. Eles concluem que Jesus “é realmente o Profeta que devia vir ao mundo”. (Jo 6.14). Sendo assim, o povo queria transformá-lo num rei. Mas Jesus percebe tal situação, dispensa a multidão, convida os seus discípulos a embarcar num barco, envia a Betsaida e se retira para as montanhas a fim de orar sozinho.(vv.45 e 46).

Os discípulos obedeceram a ordem de Jesus, e entraram no barco. Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar, e Jesus estava sozinho em terra.(v.47).   É justamente neste momento que os discipulo  se deparam diante de uma violenta tempestade durante a viagem. Não era a primeira vez que os discípulos enfrentavam uma tempestade no meio do mar. Em Mt 14.22-33, lemos que as violentas ondas, daquele mesmo mar já haviam dado com ímpeto contra o barco deles. Mas naquela ocasião Jesus estava com eles. Agora, eles estavam sozinhos. E neste momento, o barco era açoitado pelo vento,e aqueles homens mesmo sendo experientes pescadores e acostumados as variações do mar, chegaram a um momento que pensaram não ter mais solução para eles.

Teria Jesus abandonado os seus discípulos? Aquela tempestade estava oculta aos olhos de Jesus? Afinal, os discípulos remaram por volta da “quarta vigília da noite”, ou seja, de 6h da noite, às 3h da madrugada.   Além disso, o vento soprava contra os discípulos, e insistentemente dificultava o remar daqueles homens. Há um outro detalhe: Jesus passa e parece não ter a intenção de parar para ajudá-los: “e queria tomar-lhes a dianteira” (v.48). Dá nos entender que não havia mais solução. Mas, porque estavam perecendo? Poderiam clamar ao Senhor, recorrer a Jesus com toda a confiança dizendo: Senhor, salva-nos, estamos perecendo!

Diante desta situação, precisamos clamar ao nosso Deus, A grande questão é: até quando vamos continuar remando contra o vento, sem clamar ao Senhor? Na realidade, um clamor é uma súplica, um pedido, com fervor, com sentimento de piedade e compaixão. Quem clama por algo, pede ardentemente. Deus nos convida a usar esta forma de oração para comunicarmos que precisamos desesperadamente da Sua misericórdia. A Palavra de Deus nos assegura que nosso Pai escuta nossos gritos e responde. Assim diz o salmista: Elevo os meus olhos para os montes, de onde me vem o socorro? Meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a terra.” (Salmos 121.1-2). “Eu estava chorando ao Senhor com minha voz, e ele respondeu de Seu santo monte.” (Salmo 3.4). Jeremias: Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei, coisas grandes e firmes que ainda não sabes.” (Jeremias 33.3). Precisamos ser como Jacó, insistir com o Senhor, ele não saiu da presença do Senhor sem a bênção nas mãos. (Gn 32.22-32). Clamando ao Senhor com urgência, deixamos de lado o nosso orgulho ou qualquer atitude de autossuficiência, e cremos que o Senhor é fiel às suas promessas e jamais permitirá que sejamos vencidos pela tempestade.

Quando parecia que Jesus não viria livra-los, quando não havia mais solução, Ele aparece para acalmar a tempestade. Ele foi ao encontro e exerce todo o Seu poder sobre a natureza. Ele não só controla a tempestade, mas anda sobre as águas agitadas pelo forte vento:  ... “veio ter com ele, andando por sobre o mar; e queria toma-lhes a dianteira.” (v.48). Quando os discípulos acreditaram que foram salvos do naufrágio, aumentou o medo. Neste momento, os discípulos viram Jesus andando sobre o mar, mas se assustaram, pensavam que ele era um fantasma. (v.49). E,assim, perderam todo o equilíbrio necessário diante daquela situação. Não bastasse o cansaço dos braços remando contra a fúria do vento, agora, eles veem diante si a visão de um fantasma andando pelo mar. Mas não há motivo para isso. Se tivessem entendido “o significado dos pães”, o milagre que Jesus realizou algumas horas antes quando alimentou milhares de pessoas, eles não teriam ficado surpresos ao ver Jesus andar sobre a água e acalmar o vento.

Jesus, porém, percebendo a reação deles, os acalmou dizendo: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!(v.50).Sua voz ecoou no meio do vendaval e chegou de forma nítida ao coração dos discípulos.Foram justamente estas palavras que os discípulos precisavam no momento diante do medo e angustia, provocada pelo vendaval em pleno mar. Ele precisavam ouvir: “Eu sou”. Ao dizer esta expressão,Jesus se identifica. Deste modo, os discípulos podiam conhecer que, quem lhes falava, era o mesmo que falou com Moisés nestes termos: “Eis como responderás aos israelitas: EU SOU envia-me junto de vós.” (Ex 3.14). É assim que Deus normalmente se apresenta no Antigo Testamento. “Eu sou” o Deus Criador, Consolador e Sustentador (Is 43.25; 48.12; 51.12). Esse nome revela que o Senhor é o Deus que intervém na história de Israel, libertando-o das amarras da escravidão do Egito. É o Deus que se revela através de seu Filho, que morreu na cruz para nos salvar. Então, a expressão dita por Jesus,pode ser entendida,como um “não temam, sou Jesus, tenham confiança em mim, porque Eu sou Deus e estou com vocês”.

Ele também contempla nossas lutas, sofrimentos e angustias, bem como também vem ao nosso encontro em meio as tempestades e lutas da vida. Nós não estamos sozinhos durante as lutas, ele está conosco. Se estamos passando por tempestades, devemos aguardar com paciência ajuda do Senhor. Ele não se esqueceu de nós, mas ele virá ao nosso encontro, ainda que seja pela quarta vigília da noite. Ele disse: “tende bom ânimo”!  Como manter o bom ânimo em meio às muitas lutas, adversidades e desafios que a vida moderna nos impõe? Onde é comum encontrarmos pessoas desanimadas? Para mantermos o “bom ânimo" precisamos esperar no Senhor. Durante e depois da tempestade a presença de Cristo deve ser a razão do nosso ânimo e da nossa alegria. Qual tem sido a razão do seu ânimo, da sua alegria e da sua euforia? Não se deixe entregar aos problemas, mas tenha ânimo em Jesus! Lembre-se as palavras de Jesus: “No mundo tereis todo o tipo aflições: desgosto, mágoas preocupações, inquietudes, ansiedades, torturas, mas tende bom ânimo porque Eu venci o mundo”. (Jo 16.33).

Como os discípulos reagiram mediante a ação do “Eu sou”? A expressão identifica-o imediatamente com o Senhor. Naquele momento ele se revelava aos discípulos de uma maneira como eles ainda não o conheciam. Diz o texto que após a calmaria os discípulos se encheram de temor: “ficaram entre si  atônitos” (v.51). Ficaram encantados com a pessoa de Jesus A tempestade vem para nos revelar quão grandioso é o Deus que nós temos, o Deus que nos livra, que nos liberta, nos salva; o Deus que socorre e que guarda aquele que é Dele. A tempestade é uma ocasião para a adoração. Em vez de questionamentos, murmurações, precisamos aprender a adorar a Deus. Reconhecê-lo como objeto de nosso louvor e devoção. A tempestade é uma ocasião para o crescimento. Parece ter sido essa a ideia que Jesus tinha em mente quando os compeliu a entrar no barco e cruzar o lago. Eles precisavam crescer, amadurecer. Jesus então criou a situação ideal para isso. Colocou-os diante de uma tempestade.

Não importa, se tempestade que você está enfrentando é pequena ou grande, o que importa é que o Senhor está com você e não permitirá que você seja vencido pela tempestade. Tome uma atitude sabia: creia que o Senhor é fiel às suas promessas e jamais permitirá que seja vencido pela tempestade.Amém!

sexta-feira, 12 de julho de 2024

TEXTO: Mc 6.30-44

TEMA: SEJAMOS SEMPRE AGRADECIDOS A DEUS!

No mundo de hoje, parece-nos faltar o exercício constante do que significa agradecer. Ser grato, agradecido, parece não estar mais "na moda" entre as pessoas. Mas quando recebemos diariamente ricas bênçãos de Deus, tanto para nosso corpo como para nossa alma, é justo darmos graças a Deus por tudo quanto Ele nos tem concedido diariamente e reconhecermos a generosidade, o amor, a graça do Senhor para conosco.

O texto nos mostra que Jesus não deixou de atender as necessidades materiais da multidão. Procurou ajudar aquelas pessoas diante de suas necessidades corporais. No entanto, Jesus não está apenas interessado em satisfazer as necessidades corporais das pessoas, mas orienta a todos no sentido de buscar o Salvador para receber o “Pão da vida”, o alimento necessário para alma. (Jo 6.24-35). Por isso, convidamos os irmãos para refletirmos sobre o tema: “Sejamos sempre agradecidos a Deus”.

Marcos nos relata um episódio extremamente interessante sobre o agradecimento. Primeiro, afirma que  os discipulos voltaram de um jornada missionária que Jesus havia designado.Eles voltaram e relataram tudo quanto haviam feito e ensinado. Neste momento, Jesus os convida: “Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham,” (v.31). Então, retiram-se dali num barco, para um lugar solitário.No entanto, “muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles.” (v.33). Afinal, o que esperava essa gente de Jesus? Por que tanto interesse em seguir-lhes os passos, abandonado suas casas, suas oficinas, enfim, suas atividades costumeiras? O evangelista João afirma com mais detalhes: “... porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos.” (6.2).

Quando Jesus desembarcou, ele vê esta realidade diante de si: “Viu  uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.” (v.34). Mas o que fazer com aquela multidão? Afinal, a noite já estava chegando, o lugar era deserto, e todas aquelas pessoas precisavam comer. Havia cerca de cinco mil homens ali. Se estas pessoas não alimentassem, desfaleceriam pelo caminho. Onde conseguir alimento para toda esta gente? Os discípulos acham uma solução:  É deserto este lugar, e já avançada a hora;  despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer.” (vv.35 e 36). Para os discipulos o povo mesmo deveria procurar um meio de sobreviver. Eles não tinham  condições de ajudar a todos. Além disso, já é tarde, o lugar é deserto. O que devemos fazer é mandar embora essa gente. A solução é dispensá-la a fim de que procurasse alimento. Na verdade, eles estavam tentando passar o problema adiante, uma vez que se a multidão ficasse com eles até a noite, seriam os responsáveis em alimentá-la. E eles não tinham condições viáveis para isso.

Qual é a nossa atitude? Será que não agimos da mesma forma como os discípulos? Estamos prontos a sacrificar a nossa própria vida, e oferecer o nosso grande amor em beneficio de nosso irmão? Quais são as nossas desculpas? Será que estamos amando nosso próximo como nós amamos? Na verdade, somos egoístas. Olhamos somente para nós mesmos.  Olhamos o lado negativo das pessoas ao nosso redor! Vivemos o nosso mundo e já nos damos por satisfeitos. Falta o verdadeiro amor para com as pessoas necessitadas. O apóstolo Pedro ressalta: “Tende amor intenso uns para com os outros”. (I Pe 4.7) Amor intenso na hospitalidade,na compreensão,no  apoio e ajuda diante da  situação que vivem as pessoas em nossa sociedade.Este deve ser o nosso proceder.Jesus procedeu assim: Ele teve compaixão daquela multidão;compaixão significa amor,misericórdia e bondade.

Jesus sabia que o lugar era deserto, que a hora era avançada e que a multidão estava faminta, mas ele tinha um plano especial para alimentá-la. Ele tinha outra solução. No entanto, tal foi à surpresa dos discípulos, quando o Senhor Jesus lhes disse que não havia necessidade daquela multidão sair à procura de alimento, mas que eles mesmos deveriam (e podiam) dar-lhes de comer. A resposta foi inesperada e direta:   Dai-lhes vós mesmos de comer.” (v.37a). Os discípulos não conseguiram entender as palavras de Jesus. Entre desapontados e assustados, retrucaram: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?” (v.37b). Jesus novamente questiona os discipulos: Quantos pães tendes? Ide ver! E os discipulos responderam: Cinco pães e dois peixes.” (v.38). Segundo os discipulos era impossível alimentar aquela multidão com cinco pães e dois peixinhos. Somente um milagre poderia saciar a fome desta gente.

Quantas dúvidas na mente dos discipulos!Contudo,  Jesus não os censura, não argumenta com eles, não discute sobre a dureza de seus corações, deixando de lado a fé e confiança no seu Senhor, apenas dá-lhes uma ordem.Mesmo não sabendo ainda o porquê da ordem, obedecem a Jesus:  “ordena que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde.” (v.39). E assim o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta.”(v.40).   Ao invés de mandar este povo embora, como era a ideia dos discípulos, Jesus se compadece deles, e algo haveria de acontecer naquele momento.

Jesus toma os pães e os peixinhos. Milhares de pessoas olham para Jesus. Ele agradece ao Pai celestial, antes da refeição. O texto nos diz:   Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou.” (v.41a). Que magnífico exemplo nos dá o próprio Filho de Deus diante de todo o povo, Ele ergue os olhos ao céu. Seu exemplo nos ensina a olharmos constantemente ao alto, em oração e agradecimento pela alimentação que recebemos diariamente. Lembrando sempre que dar graça é uma ação que caracteriza os filhos de Deus. Agradecer pelo amparo , o cuidado, proteção que Deus tem concedido cada momento. Em tudo dependemos de Deus. Ele nos deu a vida, o existir, o ar que respiramos a água que bebemos e o alimento que nos sustenta. Tudo nos é dado por sua bondade, onipotência e amor. Que nunca esqueçamos: o pão que vem de cima é dádiva do Pai celeste.

Jesus após orar, pega os pães e peixes, parte e entrega aos discípulos para que fizessem a distribuição ao povo:  e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes.” (v.41b).Os discípulos ao receberem a ordem de Cristo, mesmo sem entender completamente o que estava acontecendo, foram e serviram o povo. E o milagre aconteceu. É impressionante a maneira simples como ocorre. O pão não acaba no cesto, sempre tem mais. Cestos e mais cestos entram em ação. A distribuição segue em ordem. Grupos após grupos, mãos estendidas recebem sua porção de pão e peixe. Talvez os mais distantes reclamassem: Será que chega até nós? Não vai acabar antes? Mas isto não aconteceu. Todos ( cerca decinco mil homens-v.44) foram atendidos. Até podiam repetir, à vontade. A verdade é que “todos comeram e se fartaram;  e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.” (vv.42 e 43).Todos,agora, estavam satisfeitos. Saciaram a sua fome. Agora, podiam voltar aos seus lares. Mas, Jesus nos dá uma lição de agradecimento e mordomia quando ele vê sobras e pedaços de pão e de peixes estendidos pelo chão. Ele ordena aos seus discípulos a recolherem os pedaços para que nada se perca. Como resultado: eles encheram exatamente doze cestos. E, assim, nos ensina que nada deve ser desprezado.

Jesus teve compaixão daquela multidão. Alimentou àquela gente. Da mesma forma, Ele tem nos alimentado diariamente. Desde a criação Deus mantém até hoje a ordem natural para prover o pão necessário.  Somos rodeados de milagres. Milhões de pessoas são alimentados diariamente neste mundo. Jamais sentimos desamparados, pois confiamos no poder e na misericórdia do Pai que estás nos céus.No entanto, Jesus tem algo mais importante a nos oferecer, do que simplesmente comida. Ele nos oferece o verdadeiro alimento, aquele que nos satisfaz plenamente. Ele se apresenta a nós como o pão da vida, o alimento que nos dá força para caminhar com maior firmeza, ajudando-nos a superar dificuldades e obstáculos, diante da nossa jornada,  até chegarmos à vida plena junto de Deus. Ele afirma: “Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede.” (João 6.35). Jesus, o pão da vida é a única possibilidade do alimento que subsiste para a vida eterna. Aquele que aceitar, jamais terá fome ou sede, pois quem está com Jesus nunca mais terá fome nem sede.

Estimados irmãos! Cristo nos convida diariamente a fazermos uso diário do maná celeste para que a fome não enfraqueça a nossa fé e venha aos poucos destruir tudo o que temos e que perfaz nossa esperança, nossa alegria, nosso único consolo na vida e na morte. Por isso, a nossa preocupação, como filhos de Deus, é antes de tudo a busca do alimento para a nossa alma. Resta saber, qual será a nossa posição, que tomaremos com relação a este convite, pois sabemos perfeitamente, o quanto o ser humano tem rejeitado Jesus, o pão da vida.

Que nós saibamos agradecer pela alimentação do corpo e da alma que recebemos diariamente. Amém!

quinta-feira, 11 de julho de 2024

TEXTO:JR 23.1-6

TEMA:O CUIDADO COM AS OVELHAS DO SENHOR!

No exercício de nossa vocação precisamos refletir sobre a grande responsabilidade do cuidado do rebanho do Senhor. O ministério pastoral exige, senso de responsabilidade, amor e paciência, alegria e abnegação, ordem e humildade ao conduzir as ovelhas. Ao apascentar o povo de Deus, os pastores devem garantir o suprimento de alimento, conduzindo as suas ovelhas em direção de bons pastos e de água fresca.

No entanto, que se tem visto são alguns pastores conduzindo as suas ovelhas para o abismo, e que não tem nada para agregar em relação ao verdadeiro conhecimento de Cristo descrito nas Escrituras Sagradas. São mercenários pelo qual trabalham para si e em função dos seus próprios interesses. Não pensam em duas vezes em querer abandonar o rebanho. Estão mais ligados às coisas do que às pessoas, infelizmente essa é a verdade que temos visto nas igrejas de hoje.

A mesma situação estava ocorrendo no tempo de Jeremias. Havia pastores infiéis que não apascentavam suas ovelhas. Foram acusados por Deus de destruírem e espalharem as ovelhas. Mas os negligentes não ficariam sem o devido castigo de sua iniquidade, de sua falta de responsabilidade. Por isso, o Senhor diz que Ele mesmo pastoreará suas ovelhas, haveria de enviar o supremo Pastor, o Grande Rei, o Renovo Justo, que reinaria com sabedoria e justiça. O Seu reinado seria grandioso e jamais teria fim. Ele sofreria por amor às ovelhas, para dar a elas o perdão dos pecados e a nova vida. Por meio desse Rei, as ovelhas seriam regeneradas, justificadas e capacitadas com o auxílio do Espírito Santo.

O texto começa com uma severa acusação feita pelo próprio Deus contra os pastores de Judá: Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor”. (v.1). As palavras proferidas são direcionadas a todos os maus pastores de Judá. A todos os que possuíam alguma função diretiva entre o povo de Deus: reis, sacerdotes e profetas, de modo geral à liderança de Judá. Esses pastores não conduziam sabiamente o rebanho de Deus. Havia pastores infiéis que não apascentavam suas ovelhas. Foram acusados por Deus de destruírem e espalharem as ovelhas.

Diante dessa falta de responsabilidade do cuidado do rebanho, as palavras que são dirigidas aos líderes de Israel, são de condenação absoluta: “Ai dos pastores”. A expressão ai geralmente introduz uma mensagem de julgamento. Eles serão julgados pelas suas atitudes. Serão castigados por causa da maldade, pois o Senhor não está satisfeito com a atitude dos pastores que não respeitam as ovelhas que lhe foram confiadas. Eles não alimentavam as suas ovelhas com os pastos verdejantes. Dispersavam as suas ovelhas(v.1a). Afugentavam e não cuidavam. (v.2). Não as respeitavam. Não as amavam, achavam que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam, automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica.

As palavras do Senhor, também vale para os pastores na atualidade. Encontramos muitos pastores que agem da mesma forma: dispersam, afugentam e não cuidam de suas ovelhas. Há pastores que estão mais interessados no dinheiro das ovelhas do que na salvação delas. Há pastores que mudam a mensagem para obter lucros. Pregam prosperidade e enganam o povo com mensagens tendenciosas para abastecer a si mesmos. Há pastores fraudulentos, gananciosos, avarentos e enganadores. Deus, certamente, tratará com firmeza aqueles que não vivem, não assumem a responsabilidade como pastor e servo a serviço do rebanho do Senhor.

Após advertir e prometer punir os líderes infiéis, o Senhor se comprometeu a prover várias bênçãos às suas ovelhas. Demostrou a sua misericordiosa, compaixão e cuidado por Suas ovelhas. Não as abandonou! “Eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras” (v.3a). O fracasso dos pastores requer que o Senhor, pessoalmente, assuma o controle de uma nova maneira, pois os líderes não amavam o povo. ¨Sendo assim, o Senhor garantiu que reuniria novamente o remanescente e cuidaria pessoalmente do seu povo. O Senhor afirma que haveria de recolher “o restante” das ovelhas e elas seriam “fecundas” “multiplicadas”. O recolhimento do remanescente mostra os cuidados contínuos do Senhor por seu povo e a sua determinação em cumprir seus propósitos quanto à aliança. O resgate do povo judeu aqui revelado não se refere somente à terra onde o povo possuiria e habitaria, mas o Senhor fala de uma glória perpétua, uma felicidade total do povo judeu no relacionamento com o Senhor. Outra coisa marcante, do amor de Deus ao seu povo, é a maneira como Ele descreve o rebanho: “o meu povo”“as ovelhas do meu pasto” e “as minhas ovelhas”.

Na verdade, as ovelhas do Senhor devem ser bem cuidadas, adequadamente alimentadas e diligentemente protegidas. Elas foram compradas com o próprio sangue de Cristo. Desta feita, elas são de imensurável valor, e não podem ficar expostas a nenhuns descuidos de quem quer que seja. O apóstolo Paulo adverte a todos os pastores que lideram o rebanho do Senhor: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos 20.28). Jesus nos deixou um grande exemplo. O seu cuidado pastoral é extremo, a ponto de dar a sua vida por nós. Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10b). A passagem paralela em Jeremias 3.15 nos conta: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência”. Pastores irão liderar o povo alimentando-o com conhecimento e com entendimento dos caminhos e da Palavra de Deus.

Jeremias profetiza que o próprio Deus irá estabelecer novos pastores que cuidem de seu povo. Deus levantaria uma nova geração  que defenderia o bem-estar do povo e a vontade do Senhor, acima de seus próprios desejos: “Levantarei sobre elas, pastores que as apascentem, e elas ( ovelhas) jamais temerão, nem se espantarão; nem uma delas faltará, diz o Senhor.” (v. 4). Esses pastores não temerão os tempos, as circunstâncias de um mundo cada vez mais em trevas; não temerão nem mesmo a morte, porque conhecem o Senhor. Conhecerão melhor os tempos, as épocas, os modos de um mundo em confusão e graves crises, que caminha para o seu final. Naquele dia, nenhuma delas(ovelha) faltará. Ela sentirá bem sabendo que o Senhor – o Bom Pastor – a acompanha diariamente. Que maravilha e  confortante esta segurança plena!

Além de prometer restauração ao povo, o Senhor prometeu que levantaria um “Renovo” justo. Apresenta o Renovo de Davi, conhecido posteriormente como o Bom Pastor (João 10.11). Esse grande rei governaria com juízo e justiça, pois Deus vê que os pastores não são confiáveis. Pelo contrário, vão contra os seus desígnios. Ele precisa vir pessoalmente à terra através de Jesus, seu Filho, para que este ensine o caminho da paz e da justiça:  Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; sendo rei, reinará, e prosperará, e praticará o juízo e a justiça na terra”. (v.5).  As qualidades do Messias, destacadas neste trecho, identificam um pastor totalmente diferente daqueles corruptos em Judá. Este descendente de Davi é um Rei justo e sábio, que executa a justiça. Sua sabedoria seria completa, bem como seus planos e a forma correta de agir. Ele estaria ligado ao Pai em todos os momentos, seu reinado consistiria em fazer a vontade daquele que o enviou (Jo 6.38). Ele seria o único Rei completamente justo. E essa justiça consistiria em, primeiramente, viver de forma perfeita, sem pecado, a fim de estar apto a pagar os pecados de suas ovelhas e dar a elas uma nova vida. O Rei justo se sacrificaria pelos seus para salvá-los da condenação divina.

Enquanto os nomes dos infiéis cairiam em podridão (Provérbios 10.7), o nome deste Pastor é o mais exaltado de todos: “...será este o seu nome, com que será chamado: Senhor, Justiça Nossa (v 6). Os dias do reinado do Messias iriam trazer salvação. Tanto Judá como Israel seriam restaurados. O nome que caracteriza esse rei ideal é o Senhor, Justiça Nossa.

Estimados irmãos! Cuidar das ovelhas do Senhor é um grande privilégio, mas ao mesmo tempo um dever de responsabilidade enorme, pois tratamos com vidas, com pessoas. Portanto, não sejamos negligentes com nenhum dos aspectos mencionados nesta mensagem, mas em tudo busquemos. Amém!