sábado, 18 de outubro de 2025

 TEXTO: RM. 1.17

TEMA: COMO POSSO ENCONTRAR UM DEUS MISERICORDIOSO?

No dia de hoje lembramos a Reforma realizada pelo Dr. Martinho Lutero, iniciada no dia 31 de outubro de 1517 quando afixou as 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha. Tantos anos se passaram, e ainda guardamos na memória os grandes acontecimentos que marcaram a História, que movimentou o mundo religioso, cultural, político e econômico da época. Mas será que as pessoas sabem quem foi Lutero? Será que os luteranos conhecem o legado que Lutero deixou? Conhecem as suas obras? Para muitas pessoas, Lutero continua sendo um desconhecido ou, no máximo um monge rebelde que protestou contra a Igreja e que abandonou o convento, porque queria casar. Outros afirmam que Lutero foi um antissemita, perseguiu os judeusAfirmam ainda que, ao mesmo tempo em que Lutero apresentava sólida argumentação teológica, exegética e histórica, também se utilizava de frases, figuras e exemplos do cotidiano, muitos dos quais eram preconceituosos e agressivos contra os acusadores. E por fim, tem aqueles que afirmam que os seus vícios, às vezes, eram mais visíveis do que as virtudes. 

No entanto, para outros, ele deixa de ser um desconhecido, pois ocupa espaço nos estudos   de muitos acadêmicos e graduados de diversas áreas do conhecimento humano, ou seja, da teologia, da política, da economia e da cultura. Além disso, as obras de Lutero têm despertado interesse. São obras que têm fascinado estudiosos. Na qualidade de teólogo, pregador, conselheiro espiritual, poeta de hinos e orador, Lutero deu testemunho da mensagem bíblica a respeito da salvação em Cristo Jesus, levando às pessoas através das suas mensagens, o consolo e o cuidado aos necessitados. É de se admirar a coragem que ele teve de manifestar seus sentimentos, de forma tão obstinada numa época de terror em que a inquisição perseguia, e condenava pessoas à morte de forma arbitrária e impiedosa.

Indiscutivelmente, a Reforma está entre os acontecimentos incisivos na História alemã, europeia e mundial. Por isso, há bons motivos para recordar a Reforma por ocasião dos 506 anos do aniversário da “divulgação das teses”, pois ela foi importante revolução cultural e histórico-religiosa. Ela influenciou tanto a língua alemã, como teve efeitos também sobre a música e a arte. Deu impulsos importantes ao setor educacional e criou as bases para a participação social e política. Como se observa, Lutero desempenhou um papel de tremenda importância na transformação da igreja e da sociedade medieval, que teve efeitos duradouros, e que ainda se mostram na atualidade. 

Entretanto, não vamos nos deter no legado que Lutero deixou para humanidade, uma vez que as suas obras são extensas. Mas vamos refletir sobre a situação espiritual que vivia o povo naquela época. A Idade Média se caracterizou por um profundo desprezo à fiel pregação da Palavra de Deus por parte dos clérigos da igreja romana. As pessoas acreditavam em bruxarias, eram cheias de superstições e só ouviam falar de Jesus como Juiz irado e não como o amoroso Salvador. Além disso, o que mais perturbava o povo na época, era a venda das indulgências. Por outro lado, as obras desempenhavam o papel principal no ensinamento dos mestres e professores daquela época. O relacionamento entre homem e Deus, era através das boas obras. Diante deste ensinamento, Lutero vivia preocupado: “Como posso encontrar misericordioso?”

I

 Lutero foi um jovem educado nas verdades cristãs. Ele conhecia sobre Deus, pois a igreja o lembrava, constantemente, sobre a existência do Deus Criador, mantenedor e justo. Ele conhecia os mandamentos de Deus. Os dez mandamentos lhe foram incutidos no lar, na escola e na igreja. Ele conhecia Jesus, o Filho de Deus, Salvador. No entanto, todas estas verdades foram lhe ensinadas com um enfoque na lei de Deus. Na verdade, foi educado sob o rigor baseado na lei de Deus. Na medida em que crescia e meditava na lei, crescia também o pavor diante do Santo e justo Deus. A lei despertou no coração de Lutero a pergunta: “Como conseguirei um Deus misericordioso?”

Esta era a pergunta vital que atormentava Lutero. A pergunta que pairava na mente de todas as pessoas da época. É a pergunta da humanidade ainda nos dias de hoje. O homem de hoje também pergunta, uma vez que a nossa geração não está longe dos costumes, crenças e preocupações que havia no tempo de Lutero. A maioria das igrejas tem pregado sobre prosperidade no lugar de arrependimento. Têm pregado curas e milagres em lugar de novo nascimento. Têm pregado psicologia de autoajuda, em lugar de ajuda do alto. Têm pregado um antropocentrismo idolátrico, em vez de pregar a soberania de Deus, a centralidade de Cristo e o poder do Espírito Santo. Muitos pregadores inescrupulosos, em busca de resultados imediatos ou até mesmo de lucro, mudam a mensagem, e acrescentam práticas místicas como água ungida sobre o rádio, rosa ungida, cair no espírito e coisas semelhantes, levando o povo a colocar sua confiança em amuletos e coisas de nenhum valor aos olhos de Deus. Alguns segmentos da igreja contemporânea perdeu o foco quando abraçou o liberalismo teológico de um lado e o misticismo por outro

Como conseguirei um Deus misericordioso? Quando Lutero interrogava e queria resposta, a igreja tentava sufocar tal pergunta ou respondia levianamente: cumpre a lei e as ordens da igreja. Mas se você quer ter plena certeza do perdão, torne-se monge. Lutero tentou o caminho das obras ensinadas pela igreja. Certo dia, ao regressar da casa de seu pai, foi surpreendido por uma tempestade. Refugiou-se numa floresta. De repente, bem perto dele, um raio atingiu uma árvore, que se partiu ao meio. Lutero, apavorado, temendo a morte e o juízo de Deus, exclamou: “Santa Ana, valei-me! Far-me-ei monge, se me for poupada a vida.” De volta a Erfurt, tratou de cumprir sua promessa. E contra a vontade de seus pais, professores e muitos amigos, entrou no mosteiro. E naquele lugar, pensava em buscar a perfeição. Estudou e orou muito. Mendigou. Flagelou-se até desmaiar. Tornou-se sacerdote.

Entretanto, a paz da alma parecia-lhe cada vez mais distante. Lutero confessou: “Por mais que me dedicasse e buscasse a Deus, eu não podia amar a este Deus que exige, ameaça e condena. Eu odiava a Deus.” Mesmo em todo a esse desespero, Lutero continuava lendo a Bíblia. Foi na Bíblia que Lutero descobriu o evangelho obscurecido desde a época dos discípulos. Ele ficou extremamente emocionado com essa descoberta: “Finalmente, pela misericórdia de Deus, meditando de dia e de noite, dei atenção ao contexto das palavras, a saber:  'O justo viverá pela fé.' Então comecei a entender que a justiça de Deus é aquela pela qual o justo vive por um dom de Deus, em outras palavras, pela fé. Aí toda a escritura me mostrou uma face totalmente diferente. (...) Assim como antes eu havia odiado violentamente a frase “justiça de Deus”, com igual intensidade de amor eu agora a estimava como a mais querida. Assim esta passagem de Paulo de fato foi para mim a porta do paraíso.”

                                                             II

Quando Lutero viu que o homem é salvo pela graça de Deus, revoltou-se contra os abusos da Igreja e escreveu as 95 teses. Foram afixadas no dia 31 de outubro de 1517, na porta da capela da cidade de Wittenberg na Alemanha. As quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. Martinho Lutero provocou mudanças profundas ao denunciar esta situação. Sendo assim, esta verdade, que Lutero descobriu, precisava ser anunciada.  Precisava ser proclamado que “o justo viverá pela fé” e não pelas suas riquezas, ou por posição social, e nem pelas boas obras. De fato, esta notícia se espalhou rapidamente pelo mundo católico europeu. Em apenas duas semanas, as teses foram traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. De tal forma que, se espalhou por toda a região da Alemanha e, nos próximos dois meses, conquistou toda a Europa. Começava ali uma luta, o empenho firme e decidido baseado em três grandes pilares: Sola Gratia, Sola Fide e Sola Scriptura. Este assunto foi o centro da Reforma e seu mais precioso legado à cristandade.

Lutero encontrou esta verdade do evangelho autêntico em Romanos 1, versos 16 e 17: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Rm 1.16 -17). Ele encontrou ainda a certeza de que não há como alguém merecer o favor de Deus por causa de alguma coisa que faz. Mas a única forma de alguém obter o favor Deus é através da fé em Jesus Cristo; que é através da fé em Jesus que os pecados são perdoados por Deus. Este entendimento, conhecido como a doutrina da justificação pela fé, tornou-se um dos pilares do pensamento religioso de Lutero. Até ao fim da sua existência, Lutero quer como monge como professor, quer como pastor, sempre considerou a Sagrada Escritura como a fonte autêntica da verdade para todos os aspectos da vida do homem e da sociedade

Assim como Deus agiu na História, através de Lutero, ocasionando a Reforma, Deus também quer usar a cada um de nós, para transmitir a sua mensagem ao mundo e mostrar ao nosso próximo que o “justo vive pela fé”. Também é um momento para agradecermos porque temos a Palavra de Deus e as Confissões Luteranas que expõem a Escritura com clareza, cujo resumo conhecemos no Catecismo Menor. Nossa liturgia e nossos hinos nos transmitem o doce evangelho, bem como assim nossos devocionais. Nosso pedido e nossa súplica é que Deus, por sua misericórdia nos conserve firmes e fiéis às Sagradas Escrituras. Nesse mundo de tantas tentações, de tantas adequações e tantas acomodações, que Ele jamais permita que o liberalismo, costumes, praxes, tradições e ou adaptações deste mundo, se sobreponham a verdade única e absoluta da Bíblia Sagrada. Hoje louvamos a Deus, porque depois de 506 anos, ainda continuamos pregando, confessando e proclamando que o “Justo viverá por fé.” 

Portanto, pedimos a Deus que nos faça crescer no consolo da graça, nos mantenha firme na fé, no amor à sua palavra e nos capacite para nossa missão. Na missão de anunciar que o “justo viverá pela fé”. Amém!

 


  

 

TEXTO: LC. 18.9.14

TEMA: A CONFIANÇA DO HOMEM EM SEUS MÉRITOS

Vivemos numa sociedade em que o homem gosta de ser aclamado, reconhecido pelo que faz e de receber aplausos. Enfrenta desafios em busca da fama, do status, da honra, do poder, do sucesso. O que prevalece é a sua confiança em seus méritos! Esta é a característica do homem no meio secular e profissional. Em si não está errado! No entanto, o grande problema é quando transformamos estes méritos no maior objetivo de nossa vida, e esquecemos de Deus. Brigamos por poder, mérito, reconhecimento e não vivemos o Evangelho da graça, do mérito de Cristo. Mas Jesus nos exorta quando, assim, procedemos: "Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?" (Mateus 16.26).

No tempo de Jesus, havia certos homens que agiam desta forma, gostavam de expor os seus méritos. Julgavam a si mesmo perante Deus pela sua vida exemplar, pelos méritos e justiça própria. Eram egocêntricos, arrogantes e não reconheciam seus erros. Consideravam-se pessoas puras de coração. Confiavam nas suas proezas e boas obras que realizavam. Mostravam o quanto estava tão distante de Deus. Homens idênticos aos fariseus existem muitos. Talvez não nos surpreenderíamos ao saber que estes tipos de homens estão presentes no contexto da própria igreja. Hoje, encontramos muitos líderes ou pastores que almejam poder político, status social, dinheiro, fama, bens materiais; outros gostam de ser aplaudidos por aquilo que realizam. Enfim, querem ser reconhecidos perante Deus por aquilo que oferecem à igreja.

Diariamente precisamos sempre lembrar: quem está a serviço do Evangelho e de Cristo, não busca reconhecimento, crescimento, importância, aplausos ou merecimentos humanos. Não busca luzes, holofotes e tão pouco aplausos para si. A honra e aplausos são somente para Cristo. Também precisamos olhar para aquele publicano. Ele se apresenta humildemente diante de Deus, nada tem a oferecer de justiça própria. Apenas consciente de sua falta, e necessitado da misericórdia do Senhor. Ele confiou apenas na misericórdia de Deus, e não nos seus méritos.Com quem você se parece? Um fariseu orgulhoso ou um publicano humilde? Será que, por vezes, esta justiça do fariseu não encontra morada em seu coração?  Será que sua atitude e posicionamento de vida, agradam a Deus? Vamos refletir!

                                                                  I

 A Parábola do Fariseu e o Publicano ensina que devemos orar com atitude correta. A mensagem dessa parábola complementa o que foi transmitido nos versículos anteriores do mesmo capítulo, na Parábola do Juiz Iníquo, que ensina sobre a importância da perseverança e constância na oração. Assim, o significado central da mensagem transmitida por ambas as parábolas é que devemos orar constantemente e com humildade de espírito, pois é a verdadeira humildade que nos leva à exaltação. E para ilustrar esta questão, Jesus inicia afirmando que “uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros.” (v.9). Estes entendiam que haviam cumprido as exigências da lei de Deus, e, por isso, se consideravam justos perante o Senhor. No entanto, os outros que não eram justos e não agiam da mesma forma que eles, eram desprezados. Infelizmente o orgulho, a glória e o desprezo pelos outros estavam alojados no coração destas pessoas.

Diante desta atitude, Jesus afirma que dois homens subiram ao templo para orar: um fariseu e um publicano. (v.10). Eram dois personagens tão contrastantes, contraditórios exteriormente. Estes dois personagens eram conhecidos entre o povo. O objetivo era o mesmo: vão ao templo para orar. Dirigir-se ao templo representava colocar-se na presença de Deus. O fariseu era conhecido como observador da lei. Ele se coloca de pé, ou seja, toma certa posição para orar, bem como um lugar de destaque onde todos pudessem vê-lo, e "orava de si para si mesmo". (v.11). Literalmente, esta expressão significa: "orava estas coisas para si". Isto indica que a sua principal atenção era dirigida a si mesmo. Não havia demonstração de reverência a Deus. Não havia manifestação de humildade. Não havia reconhecimento de sua posição, em relação com Aquele a quem estava se dirigindo. Em outras palavras, o fariseu estava falando de si consigo mesmo. Seus elogios eram dirigidos ao seu próprio ego.

A primeira atitude do fariseu em sua oração é agradecer a Deus pelo que ele é. (v. 11a). Demostra que era um homem justo, pois sempre cumpriu a lei, e, por isso, tinha direito à sua gratidão. Na verdade, tentava mostrar para Deus o quanto ele era bom, e como Deus era privilegiado por ter alguém daquela qualidade orando diante dele. No entanto, as palavras mais significativas na sua oração, ocorre quando se compara a outras pessoas: “não sou como os demais homens, zombadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano”. (v. 11b). Em suas palavras, ele elogiou a sim mesmo, e se considerava melhor que outros homens, melhor ainda que o publicano. E quando viu o publicano orando, também o incluiu em sua lista de desprezados. Isto podemos observar através do pronome demonstrativo αυτός (este), que traz a conotação de alguém que demonstra desprezo por outra pessoa.

Depois que enumerou uma lista de pecados que nunca cometera, ele apresenta, agora, uma lista de suas virtudes e perfeições. Exibiu seus grandes feitos como cumpridor da Lei. Na verdade, como um bom fariseu, ele se esforçou para enfatizar que ele fazia ainda mais do que a Lei mandava: “Senhor, eu jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” (v.12). Aqui, também merece destaque o pronome pessoal εγώ: “eu não sou como os demais homens... eu jejuo... eu dou o dízimo.” Seus atos demonstram que era um indivíduo egocêntrico. Além disso, também se orgulhava de pagar o dizimo de tudo o que possuía, até mesmo daquilo que não era exigido.

Será que Deus agiu corretamente para com o fariseu? Afinal, ele fez a vontade de Deus. Cumpriu rigorosamente a lei. Eram pessoas devotas. Mas convém examinarmos a oração deste fariseu. Não havia demonstração de reverência a Deus em sua oração. Não havia petição. O que havia era uma apresentação de suas virtudes, uma demonstração de hipocrisia, uma apresentação convencida, orgulhosa, de suas virtudes em relação ao publicano. O que se conclui que a grande falha do fariseu foi atribuir sua vida honesta e seus atos corretos a si mesmo, como méritos seus, e apresentá-los como dignos de justificação.  Na verdade, a sua oração não tinha destino correto. Ele não falava para Deus, mas para si mesmo. Ele elogiava a si mesmo. Nada pedia a Deus e nada, de fato, agradecia. Era mais do que uma recitação das supostas qualidades e obras do fariseu, uma tentativa de demonstrar a Deus que ele merecia a consideração divina.

Outro detalhe importante em sua oração é que, em momento algum, confessou seus pecados e mostrou arrependimento. Pelo contrário, o fariseu parecia tentar mostrar a Deus o quanto era bom e como Deus era privilegiado por ter alguém daquela qualidade orando diante d’Ele. Era egocêntrico, arrogante e não reconhecia seus erros, pois julgava a si mesmo perante Deus pela sua vida exemplar, pelos méritos, justiça própria, confiança nas suas proezas e nas boas coisas que realizava, e, por isso, não reconhecia a sua própria necessidade da graça de Deus. Sendo assim, não achou mal algum em sua alma, pensava que não necessitava do perdão de Deus, porque se considerava uma pessoa pura de coração. Mostrou o quanto estava distante de Deus, Mostrou o quanto adorava a si mesmo e não a Deus. Mas no julgamento de Jesus, ele não foi aprovado e nem desceu justificado para a sua casa

Homens idênticos aos fariseus existem muitos. Talvez não nos surpreenderíamos ao saber que estes tipos de homens estão presentes no contexto da própria igreja. Hoje, encontramos muitos líderes ou pastores que almejam poder político, status social, dinheiro, fama, bens materiais; outros gostam de ser aplaudidos por aquilo que realizam. Enfim, querem ser reconhecidos por aquilo que oferecem à igreja. Diariamente precisamos sempre lembrar: quem está a serviço do Evangelho e de Cristo, não busca reconhecimento, crescimento, importância, aplausos ou merecimentos humanos. Não busca luzes, holofotes e tão pouco aplausos para si. A honra e aplausos são somente para Cristo. O que precisamos apenas é confiar na misericórdia de Deus, e não nos nossos méritos.

                                                           II

No entanto, a atitude do publicano é de humildade. Mas quem eram os publicanos? Os publicanos eram cobradores de impostos, que não raras vezes exploravam o povo, sendo considerado desprezíveis na época. Ele também faz a sua oração. Onde e como? Não ao pé do altar, mas de joelhos lá no fundo de templo onde ninguém poderia vê-lo.  Não desejo ser ouvido por ninguém, além de Deus. Não enumera os seus méritos, mas ciente de sua indignidade e culpabilidade, demonstrou uma atitude de humildade.  Ele não ousa levantar os olhos ao céu porque lamenta o seu pecado e reconhece a justiça de Deus. Sua percepção de Deus e de sua relação com Ele, não lhe permitiria levantar seus olhos, mas antes baixa sua cabeça. Ele bate no peito em sinal de contrição. Bate, implorando: “Ó Deus, sê propício de mim, pecador!” (v.13). O publicano nada tem a oferecer de justiça própria. Por isso, a sua oração é simples. Ele pede apenas compaixão de Deus. Ele confia apenas na misericórdia de Deus. Esta oração curta, simples, continha todos os ingredientes necessários para ser ouvida por Deus. Nesta sentença há um reconhecimento da misericórdia de Deus, um conhecimento do pecado, uma consciência de que sem o perdão do Pai Celeste, se acharia sem esperança.

Deus, ouviu as duas orações. Ele, agora, dá o seu parecer: “Digo-vos que o publicano desceu justificado para a sua casa e não o fariseu.” (v14). A palavra justificar significa declarar ou tratar como justo. Este publicano foi tanto perdoado como aprovado por Deus. Ele foi declarado justo por Deus por causa da obra expiadora de Cristo. Por outro lado, o fariseu não reconheceu nenhum pecado nem pediu perdão. Não experimentou o perdão e a graça de Deus. Por isso, precisamos saber que ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei. Não é confiando nas coisas boas que realizamos neste mundo, que seremos justificados perante Deus. Precisamos, sim, saber que somos pecadores e merecemos a condenação eterna. Sabendo esta verdade ninguém poderá tomar outra atitude perante Deus, senão a do publicano: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador”. Este é o tipo de oração que será aceitável para Deus. Quando estivermos dispostos a confessar e abandonar nossos pecados, encontraremos misericórdia.

Olhando para estes dois personagens, surge uma pergunta: Com quem você se parece? Um fariseu orgulhoso ou um publicano humilde? Será que, por vezes, esta justiça do fariseu não encontra morada em seu coração? Será que com suas atitudes e posicionamentos de vida, agradam a Deus? Lembre-se: não é o orgulho, posição, mérito ou ações próprias que farão mover a justiça de Deus em seu favor. Quantas obras aprovadas pelos homens que Deus rejeita? Quantas posições honradas pelos homens que Deus não reconhece? Quantos bons nomes que para Deus são puros e simples disfarce?

O fariseu pensou que poderia se achegar diante de Deus com todo seu orgulho. Ele pensou que poderia ser justificado por suas boas-obras. No fim, Jesus diz:” todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” (v.14b). Essa declaração é uma clara advertência contra a soberba e o orgulho do homem. Em todas essas ocasiões, a ênfase de Jesus é  demonstrar a importância de um espírito humilde. Não faltam passagens bíblicas que reprovam o orgulho humano. Mas Jesus também diz que aquele que se humilhar será exaltado. Isso significa que aquele que se achega a Deus em humilhação, confessando seu pecado e reconhecendo que necessita da misericórdia e do perdão de Deus, receberá a graça divina. Foi exatamente isso que o publicano fez. Em sua oração ele apenas confessava ser um miserável pecador que necessitava de misericórdia. Ele humilhou-se a si mesmo, e foi exaltado, saído do Templo justificado.

Vejamos um exemplo sobre tudo que ouvimos neste texto: um jovem, recém-formado em seu curso de Teologia, chegou ao púlpito, impecavelmente vestido e mostrando-se muito confiante em si mesmo. Ele começou a pregar o seu primeiro sermão naquela que era a sua primeira igreja e as palavras simplesmente não saíam. Sentindo-se envergonhado e derramando lágrimas, ele deixou a plataforma onde estava pregando. Duas senhoras, já idosas, que estavam sentadas na primeira fila da igreja, comentaram entre si: Se ele entrasse como ele saiu, ele sairia como ele entrou. Aquele que permanece como é, termina onde começou.Meus irmãos, essa verdade simples e cortante nos lembra que a vida espiritual não é estática. Em Deus, ou se avança, ou se retrocede; não existe permanência neutra.Muitas vezes perdemos grandes bênçãos exatamente por nos julgarmos autossuficientes e por acharmos que não dependemos de Deus para nada.

Como você tem se chegado a Deus, como o fariseu ou como o publicano? Você tem procurando impressionar os homens ou servir a Deus humildemente? Tem confiando nos seus méritos ou em Deus? Diante desta reflexão, eu convido a todos a seguir os passos do publicano e dizer com toda a convicção: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Reconheço que não mereço nada da sua parte, a não ser castigo, sabendo disso, lhe peço compaixão, misericórdia pelo os meus pecados. Que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nos auxilie, por sua misericórdia e graça, a termos sempre em mente a atitude de humildade do publicano. Amém.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

 

TEXTO: LC18.1-8

TEMA: SEJAMOS PERSEVERANTES NA ORAÇÃO!

Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias em Lucas 18.1-8 para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O  tema de hoje é: sejamos perseverantes na oração!

Em diversas ocasiões, ao longo dos Evangelhos, Jesus ensinou aos discípulos sobre a oração, destacando sua importância essencial na vida espiritual e no relacionamento com Deus. Ele não apenas ensinou como orar, mas também viveu uma vida de oração contínua, sendo um exemplo prático para Seus seguidores. Quando os discípulos pediram: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lucas 11.1), Jesus respondeu ensinando o Pai Nosso. Logo após apresentar essa oração-modelo, Ele os convidou a ser perseverantes na oração. Suas instruções revelam que a oração deve ser sincera, perseverante e feita com fé — não como uma prática exterior para ser vista pelos outros, mas como uma expressão autêntica de comunhão com o Pai.

Ao usar o exemplo de um juiz injusto que atendeu a uma viúva insistente, Jesus mostrou que se até um homem mau pode agir por insistência, quanto mais Deus, que é justo e amoroso, responderá aos clamores de Seus filhos. A parábola, portanto, nos encoraja a orar sempre e não desanimar, confiando que o Senhor fará justiça no tempo certo. Assim como a viúva não desistiu, o cristão deve perseverar, sabendo que Deus é fiel e cumprirá Suas promessas (Hb 10.35-36; Sl 37.5-6).É justamente a oração persistente que fortalece a esperança e renova a fé.

Mas por que  devemos ser perseverantes na oração? Vejamos quatro pontos que o texto apresenta: primeiro, porque Deus deseja que oremos sempre e não desanimemos. Jesus ensina aos Seus discípulos que deveriam orar, mas “nunca esmorecer”, ou seja, não desanimar, fraquejar, falhar no propósito ou render-se à covardia. Ou seja, o propósito é claro: a oração deve ser constante e perseverante na vida do cristão.

Segundo, porque a oração mantém nosso relacionamento com Deus. Quando perseveramos na oração, cultivamos uma comunhão constante com o Criador. Essa prática mantém o nosso relacionamento vital e contínuo, pois é nela que compartilhamos nossos pensamentos, súplicas e agradecimentos. O próprio Jesus estabeleceu esse princípio de união indissolúvel ao dizer: 'Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós' (João 15.4). A oração perseverante é a expressão prática desse 'permanecer'."

Terceiro, porque a viúva representa o crente que confia em Deus mesmo sem ver resultado imediato. A viúva era fraca, sem influência, sem recursos, mas ela não desistiu  de suplicar sua causa a um homem ímpio e sem consideração por ninguém. Isso nos ensina que a força do cristão está na persistência, não no poder humano. Deus se agrada da fé que não se cansa de bater à porta (Mt 7.7–8), pois temos um Juiz santo e justo; então não podemos desanimar.

Quarto, a oração perseverante é uma expressão de fé verdadeira. Orar com perseverança é viver pela fé: manter-se firme, mesmo quando nada muda. É a prova prática de que confiamos no caráter de Deus, e não apenas nas circunstâncias ou resultados. Jesus pergunta: “Quando vier o Filho do Homem, achará fé na terra?” ( v.8).Essa pergunta mostra que a fé verdadeira se manifesta na perseverança.Quem crê de fato não desiste, mesmo quando o tempo parece longo ou o silêncio de Deus.

 Estimados irmãos! Jesus inicia o texto apresentando o objetivo principal da Parábola do Juiz Iníquo:  “devemos orar sempre e nunca esmorecer” (v.1). A expressão “o dever de orar sempre” não é um mero conselho ou sugestão. Jesus está estabelecendo a oração constante como uma obrigação fundamental e uma necessidade vital na vida do cristão. É algo que deve ser feito, não ocasionalmente, mas com perseverança.O advérbio grego πάντοτε (“sempre”, “em todos os momentos”) e o verbo προσεύχεσθαι (“orar”), que aparece no tempo presente contínuo, reforçam a ideia de que a oração deve ser um hábito contínuo e uma atitude constante, não um ato esporádico ou ocasional. Esta verdade, Jesus ensina aos Seus discípulos que deveriam orar, mas “nunca esmorecer”, ou seja, não desanimar, fraquejar, falhar no propósito ou render-se à covardia. Portanto, “orar sempre” é manter-se em comunhão com o Pai, confiando que Ele age no tempo certo, de maneira justa e perfeita; é “não esmorecer,” mas permanecer firme, mesmo quando as circunstâncias parecem adversas e o silêncio de Deus se prolonga.

Também devemos orar sempre ao nosso Deus. Em qualquer situação, mesmo na tristeza, no luto, dívidas, desemprego ou doenças, seja qual for a situação, é necessário orar sempre. Paulo recomenda a prática da oração: “Orai sem cessar.” ( I Ts 5.17). Encontramos um ótimo exemplo na oração de Ezequias. (2 Rs 20.1–3). Também Jesus nos mostra com o seu exemplo ao orar no Jardim do Getsêmani. Orou sem cessar ao Pai Celeste. Buscou forças e amparo em meio ao sofrimento. A profetiza Ana não deixava o templo e orava a Deus na esperança de ver o Salvador. E assim muitos servos de Deus oravam: Abrão, Davi, Elias... Todos expressavam alegria, felicidade e gratidão.  Mas há momentos em que a vontade de orar diminui ou até desaparece. Muitas pessoas desanimam na oração por diversos motivos: quando não há uma resposta imediata às orações, o que pode levar à frustração e até ao abandono da prática; falta de disciplina em persistir;  ausência de fé e a falta de confiança nas promessas Deus.

Para reforçar a necessidade de “orar sempre e nunca esmorecer”, Jesus narra a Parábola do Juiz Iníquo.A narrativa é ambientada em uma cidade onde havia um juiz cujas características eram profundamente negativas para quem buscava direito e justiça. A descrição feita por Jesus é dupla: o juiz, por um lado, não temia a Deus e, por outro, não respeitava homem algum (v.2). Esse juiz não se preocupava com princípios espirituais. Agia sem considerar a vontade ou a justiça divina. Além disso, sua falta de reverência para com Deus indica que ele não se preocupava em fazer o que era moralmente correto perante Deus. Em outras palavras, era impiedoso. Ele também não agia com base em principios éticos. Sua postura era de completa indiferença ao sofrimento humano, uma vez que não se importava com o bem do próximo. Estava focado exclusivamente em seus próprios interesses.Enfim, o cargo que deveria ser um meio de servir à sociedade e proteger os vulneráveis se transformou em um instrumento de poder pessoal e conveniência egoísta.

 Na mesma cidade, havia também uma viúva. Naquela época, ser viúva era estar em uma posição muito precária. As mulheres tinham poucos direitos e, muitas vezes, não eram levadas a sério, especialmente em tribunais. Já de idade e sem marido para a defender, ela corria o perigo de sofrer muitas injustiças e cair na miséria. Mas quem era esta viúva? Não é apresentada qualquer informação sobre ela, não se sabe sequer qual era a causa que o afligia. Sabe-se apenas que ela está sendo prejudicada nos seus direitos por causa de alguém denominado de "adversário" e que, por isso, procura o juiz a quem se dirige de forma contínua e persistente : “ Julga a minha causa contra o meu adversário.” (v.3). O seu pedido  evidenciam três pontos cruciais: primeiro indica que ela estava sofrendo uma injustiça ativa causada por um "adversário." Dada a sua condição de viúva, ela não possuía recursos, status ou um defensor masculino para resolver o litígio, o que a tornava totalmente dependente da decisão do juiz. Segundo, o objetivo dela era claro e direto: justiça. Ela não pedia favor, caridade ou compaixão; ela exigia o direito que lhe havia sido negado, sem se desviar para súplicas emocionais. Terceiro, o fato de  se dirigir a ele "continuamente" é a chave da parábola. Ela transformou sua fraqueza legal em força de perseverança. É essa repetição obstinada que, no final, consegue quebrar a indiferença do juiz.

O juiz,porém, não estava interessado no pedido da viúva: “Ele, por algum tempo, não a quis atender.” (v.4a).Ignorou as suas súplicas por algum tempo e se recusou a agir em seu favor. Aquele juiz demonstrou certa   indiferença inicial  à necessidade da viúva. Isso mostra que a recusa do juiz não foi um ato isolado, mas uma demora intencional e egoísta. Ele simplesmente ignorava a causa da viúva, porque não sentia nenhuma obrigação moral de ajudá-la. Mas o juiz muda de ideia. Ele passa de uma posição de indiferença para uma de deliberação.  Ele disse consigo mesmo: “Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem algum.” (v.4b). O juiz descreve a sua total falta de princípios morais e éticos, como um homem que só age por interesse próprio. Ele busca uma razão puramente egoísta para agir. A negação é direta: ele deixa evidente que não tem nenhuma reverência pela lei divina ou pelas consequências espirituais de suas ações.  Não se sente responsável perante uma autoridade moral superior. Também não se importa com a honra, reputação ou julgamento público, sendo totalmente indiferente às normas sociais e à necessidade alheia. Enfim, não se importa com a reputação, a opinião pública, o sofrimento ou as leis humanas.

O juiz, na verdade, não age por senso de justiça, e muito menos por compaixão. Ele não faz isso por bondade, pelo temor a Deus, nem pela preocupação com a opinião pública, mas sim movido unicamente por seus próprios interesses.Ele mesmo reafirma seu caráter iníquo e egoísta ao admitir : "todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito." (v. 5). Para o juiz, a persistência da viúva é um incômodo extremo. Ele entende que viúva não estava apenas "molestando" ou "importunando". A sua persistência constante estava, de forma figurativa, "esgotando" o juiz e "desgastando" sua resistência, perturbando sua paz até forçá-lo a agir. A profundidade disso reside no verbo grego usado: ὑπωπιάζῃ . Ao usar este verbo, que significa literalmente "dar um soco abaixo do olho" ou "esgotar" (como um golpe de boxe), Jesus indica uma ação contínua ou habitual da viúva. A  justiça concedida pelo juiz não é fruto da sua adesão a um princípio de equidade divina  ou a um ordenamento legal do Estado de Direito. Pelo contrário, ela é o resultado de uma coerção existencial imposta pela ameaça de importunação contínua.

Vivemos em um mundo onde a justiça humana frequentemente falha. Corrupção, parcialidade e limitações impedem que muitos recebam o julgamento que merecem. Ocorre que  o juiz humano é insensível, egoísta e moralmente falho. No entanto, ao contrário do juiz iníquo, Deus é justo, santo e misericordioso. Ele é perfeito e não age segundo aparências, riquezas, status social ou poder. Seu julgamento é baseado em Sua lei perfeita, no caráter e nas intenções de cada pessoa. A Bíblia nos revela que Deus é o nosso Juiz, e Ele ouve quando oramos. Ele não é indiferente às nossas dores nem ignora os nossos pedidos. Pelo contrário, Ele se compraz em fazer justiça àqueles que O buscam de coração sincero. O Salmo 7.11 declara: “Deus é juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias.” O salmista mostra que  o Senhor vê tudo e reage com justiça. Seu juízo é santo, imutável e fundamentado na verdade absoluta — nunca é impulsivo ou influenciado por emoções humanas.  Mesmo sendo justo, Deus é também amoroso e paciente. Ele concede tempo para o arrependimento, chama o pecador ao conserto e oferece o caminho da salvação por meio de Jesus Cristo. Como afirma 2 Pedro 3.9: “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.”

Ao concluir a parábola, Jesus revela uma promessa profunda sobre o caráter de Deus e Sua fidelidade em atender àqueles que Lhe pertencem: “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?” (v.7). Jesus contrasta o caráter de Deus com o de um juiz injusto. Se até um juiz iníquo — mau, indiferente e sem temor — cede à insistência de uma viúva, quanto mais Deus, que é bom, justo e amoroso, ouvirá e responderá aos Seus escolhidos. Os escolhidos são aqueles que pertencem a Deus. O termo grego ἐκλεκτῶν, no genitivo plural, aponta para o povo de Deus — os que Lhe pertencem. Foi o justo Juiz quem escolheu os Seus, amando-os mesmo quando ainda estavam mortos em delitos e pecados, e justificando-os pelos méritos de Cristo no Calvário. Assim, os tornou “geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo adquirido” (1 Pedro 2.9). Deus tem um compromisso de amor e cuidado com os escolhidos. Historicamente, os escolhidos, tanto no tempo de Jesus quanto nos períodos subsequentes, estiveram sob opressão e perseguição. Eles “clamam a Ele dia e noite”, demonstrando uma vida de oração perseverante, marcada pela confiança e dependência de Deus. Esses clamores buscam libertação e justiça. E ainda que pareça haver demora na resposta,  mas isso não significa indiferença nem ausência de justiça. Pelo contrário, é uma oportunidade para o povo de Deus crescer em fé, depender mais d’Ele e confiar no Seu tempo perfeito.

Jesus fala de uma promessa de justiça divina rápida  em resposta à oração e à perseverança. As palavras de Jesus carrega um profundo significado teológico e pastoral. Primeiro,Jesus afirma: “Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça”. (v.8a). Deus fará justiça aos seus escolhidos — e o fará “depressa. O termo grego traduzido como “depressa” é τάχιον, derivado de ταχύς significa “rápido”, “ligeiro”, “sem demora”. Entretanto, no contexto bíblico, o advérbio não indica necessariamente imediatismo cronológico, mas certeza e prontidão na ação divina.Assim, “depressa” aqui expressa a prontidão de Deus em agir. Ele não é indiferente ao clamor dos Seus escolhidos. Sua justiça é certa e virá no tempo oportuno e será rápida, eficaz e definitiva. Pedro afirma:“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia” (2 Pedro 3.9).

Por último, Jesus deixa uma pergunta no texto que ecoa por toda a história: “Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (v.8b). Jesus aponta para a necessidade de perseverar para que o Filho do homem encontre fé quando voltar novamente. Todo cristão verdadeiro aguarda ansiosamente por esse momento final, quando toda justiça será revelada no dia do juízo. Nesse dia Cristo julgará os vivos e os mortos e porá fim em toda maldade, perversidade e injustiça (Atos 10.42). Mas é verdade que a espera por esse dia pode parecer muito longa e demorada para nós. Contudo, nos planos de Deus o tempo certo já está determinado, assim como disse o apóstolo Pedro (2 Pedro 3.9). Quando esse momento finalmente chegar, o justo Juiz agirá depressa, e todas as promessas feitas aos seus filhos que sofreram perseguições durante toda a história serão cumpridas integralmente.

Jesus contou essa parábola para ensinar aos discípulos sobre a importância da oração constante e da fé perseverante. Eles aprenderam que a verdadeira oração nasce de um relacionamento pessoal com Deus, e não de simples repetições.Esse ensinamento continua atual: a fé se mantém viva por meio da oração perseverante, especialmente enquanto aguardamos o retorno de Cristo. Em meio às injustiças, dores e decepções da vida, somos chamados a orar sem cessar, confiando que Deus ouve e age no tempo certo.Mesmo quando as respostas parecem demoradas, não devemos desanimar nem abandonar o caminho da fé.Assim como a viúva da parábola não desistiu, nós também somos chamados a perseverar com fé, certos de que o nosso Deus é justo e fiel para agir no tempo oportuno.

 Portanto, oremos todos os dias, apresentemos as nossas causas ao Senhor e permaneçamos persistentes, pois a perseverança na oração é a expressão mais genuína da fé que confia em Deus até o fim. Que o Espírito Santo nos ajude a esperar em Deus, segundo o Seu tempo, sem nos esquecermos de que a maior demonstração da Sua justiça será o dia em que Ele retornará para restaurar completamente toda a Criação. Amém!

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

TEXTO: 2  TM 3.14-4.5

TEMA: PERMANECE NAQUILO QUE APRENDESTE! 

Vivemos uma época de grande confusão religiosa e moral. Há muitos conceitos, opiniões de pessoas que rejeitam a verdade divina que encontramos na Escrituras. Do passado ao presente, muitas pessoas negaram e têm negado os ensinamentos bíblicos. As questões que são verdades absolutas na Bíblia, foram para o campo do relativismo. Para o homem, Deus não é mais o centro das atenções, não é uma questão importante para se tratar. A verdade é que as pessoas estão perdendo, cada vez mais o respeito e temor a Deus. Estão se distanciado a cada novo dia da presença de Deus, fazendo coisas que não agradam aos mandamentos de Deus. Ocorre que os tempos se tornaram cada vez mais sombrios, e há a necessidade urgente de buscarmos os ensinamentos da Palavra de Deus.

Diante da expectativa de um tempo de descrença, o apóstolo Paulo previne o pastor, Timóteo, a permanecer naquilo que aprendera de sua mãe, ou seja, às Escrituras Sagradas. Ele desafiou Timóteo a manter fidelidade nos seus ensinamentos. Assim também, diante de tantas doutrinas falsas, precisamos renovar nosso compromisso com a Palavra de Deus. Ela precisa fazer parte de nossas vidas, uma vez que sem ela, corremos sérios riscos de nos desviar da nossa fé cristã.  É justamente isto que o Senhor almeja: permanecer  naquilo que aprendemos!

É fundamental conhecer a história de Timóteo. Sua mãe, Eunice, era uma judia casada com um homem grego não cristão. Apesar de ter um marido incrédulo, ela procurou obedecer à Palavra de Deus, que afirma:  "Educa a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele." (Pv 22.6).  Ao conhecer as verdades das Escrituras desde a infância, Timóteo pode crescer na educação cristã desde pequeno. Tornou-se um filho exemplar, educado e admirado por todos e foi justamente neste ambiente familiar cristão que o jovem Timóteo se tornou pastor em Éfeso.

O apóstolo Paulo também contribuiu para a edificação da fé de Timóteo (1.13; 2.2). Ele deu vários conselhos ao jovem. Queria ter a certeza que ele continuaria firme nas Escrituras. Por isso, orienta a Timóteo a permanecer na sã doutrina. Previne o diante dos males que acontecerão nos últimos dias. Ele já havia escrito a Timóteo alertando-o do perigo de que "nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis" (3.1). E diante desses tempos difíceis, a exortação de Paulo a Timóteo é que este tenha um comportamento diferente dos homens cruéis, e de má índole que o apóstolo aponta no versículo 13:  Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Estes homens, que Paulo descreve como “perversos” e “impostores” são a expressão máxima da depravação do ser humano, visto que corrompem a Verdade, “enganando e sendo enganados”. São os falsos mestres, que usam de mentiras e palavras enganosas para guiar, de forma errônea, o povo de Deus. Suas pregações e ensinos são heréticos, carregados de doutrinas humanas e de demônios (1 Tm 4.1), apostatando-os da fé e levando alguns a fazerem o mesmo.

Diante desta constatação, Paulo entende que Timóteo deveria permanecer fiel às Escrituras. Ele afirma: 'Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste' (v.14).A partícula adversativa δε no grego, traduzida como 'porém', estabelece uma oposição ou restrição ao que foi dito antes. Em outras palavras, Paulo diz a Timóteo: 'você, porém, deve permanecer naquilo que aprendeu e de que foi inteirado.' Permanecer significa viver, continuar ou ficar firme. É uma ordem que perdura em nossos dias: somos convidados a permanecer firmes e perseverar na verdadeira doutrina, conforme aprendemos nas Escrituras. Timóteo não só aprendeu das Escrituras, mas também foi 'inteirado', ou seja, o que aprendeu deveria ser aplicado em sua vida."

As palavras de Paulo a Timóteo, também são dirigidas a nós. Mas como é possível permanecer fiel naquilo que aprendemos das Escrituras, quando estamos vivendo uma época de grande confusão religiosa e moral? Como é possível viver num mundo relativista, onde “tudo é válido”? Na verdade, estamos inseridos em um tempo de pragmatismo onde o que importa é o que funciona, o que dá certo aos olhos humanos. Numa época, em que cada vez mais, torna-se difícil ter posições definidas tanto na igreja, como na sociedade. Ocorre que estamos nos distanciando da sã doutrina, do que é certo e dos valores absolutos da lei de Deus. Precisamos olhar para os irmãos que viviam no período da igreja primitiva. Uma vez convertidos a Cristo, eles passaram a receber a instrução dos apóstolos continuamente e não se desviavam dela. Estavam diariamente no templo para receber a pregação e instrução dos apóstolos nos cultos. Eles não seguiram as religiões pagãs da época, mas permaneceram firmes na doutrina dos apóstolos.

Permanece naquilo que aprendestes! Mas de quem Timóteo aprendeu? Certamente de sua avó Lóide e de sua mãe Eunice, que lhe ensinaram: “E que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.” (v.15). Desde a infância sabes as sagradas letras. Observem o tempo para a instrução. O termo em grego é βρέφος significa criança recém-nascida, infante, bebê. Por isso, a expressão “desde a infância” é melhor entendida como sendo “desde criancinha”. A instrução, “desde criancinha”, nas Escrituras era considerada de grande responsabilidade em toda casa judaica ortodoxa e deveria ser com seriedade. Era dever dos pais contar aos filhos os grandes feitos de Deus na história de Israel (Dt 6.1-4). Assim, o êxodo deveria ser lembrado por todas as gerações de israelitas.

Penso que muitos pais deveriam se espelhar no exemplo de Eunice, mãe de Timóteo.  A presença dos pais é fundamental para a educação dos filhos nos ensinos da Palavra de Deus. É através das Escrituras que alcançamos sabedoria necessária para uma vida cristã autêntica. Quando ignoramos os valores da Palavra de Deus nos enveredamos por um caminho de insensatez, no qual o fim certamente é a morte. Por isso, é importante que construirmos a vida dos nossos filhos sobre a base da Palavra de Deus, pois somente as sagradas letras podem torná-los sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Somente as Escrituras têm capacidade de nos conduzir à presença de Deus. Ela é autoridade no tocante a estabelecer a verdadeira doutrina, e nos ensina como estar em um correto relacionamento com Deus. Ela nos conduz ao caminho reto e nos prepara para vivermos a vida marcada por um caráter segundo o coração de Deus. Por isso, precisamos permanecer firmes nas Escrituras. Cumprir fielmente, viver e anunciar com pureza a Palavra de Deus.

Timóteo aprendeu a permanecer firme nas Escrituras, pois ele sabia que: “Toda Escritura é inspirada por Deus”. (v.16a). Isto significa que a Bíblia é a Palavra de Deus. Em outras palavras, o próprio Deus é o autor das Escrituras. É verdade que foi escrito por homens, mas estes foram orientados por Deus. Lemos em I Co. 2. 13: “Falamos não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinada pelo Espírito Santo, conferindo coisas espirituais com espirituais”. apóstolo Pedro escreve que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Na sequência ele logo trata de explicar que isso se dá porque a profecia da Escritura nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1.20 e 21). Foi, portanto, o Espírito Santo que ensinou claramente tudo o que os escritores deveriam falar e escrever. O fato de Deus ter usado cada escritor da Bíblia com suas próprias características e estilo, não foram palavras ensinadas pela sabedoria humana. Na verdade, a pregação do Evangelho de Deus não depende da sabedoria de homens e do mundo. Se a pregação do evangelho, e se os escritos da Bíblia se fundamentassem na sabedoria dos homens, será que haveria total concordância em tudo? Será que poderíamos dar crédito ao que foi falado e escrito? Será que poderíamos pela Bíblia tornar-nos sábios para a salvação?

Vemos o quanto a Escritura é importante para a preparação de cada pessoa: Ela “é útil para o ensino, para repreensão, para a correção, para educação na justiça.” (v.16b).  Aqui, encontramos outra verdade: além de ser inspirada, a Escritura é útil. Ela nos aperfeiçoa e nos prepara para sermos servos educados e fiéis.Portanto, a Escritura possui autoridade divina (por ser inspirada) e beneficia aqueles que a leem com fé (por ser útil). A partir disso, podemos identificar quatro objetivos das Escrituras: ensino, repreensão, correção e educação na justiça. Primeiro: entre todos os grandiosos benefícios contidos na Palavra de Deus, temos o seu ensino.(διδασκαλια, do grego), cujo significado é estudo, ensino, doutrina, discipulado, ato de ensinar, aquilo que é ensinado. Somos agraciados com os ricos ensinamentos contidos nas Escrituras. Através delas, Deus nos concede as condições necessárias para termos uma vida totalmente compatível com Seus princípios, revelando-nos os caminhos que devemos seguir. Assim, ficamos capacitados a nos proteger das falsas doutrinas. Paulo preocupava-se com a falsa doutrina que se infiltrava na Igreja (1Tm 1.3).Por isso, exortou Timóteo a permanecer naquilo que havia aprendido das Escrituras, pois elas (as Escrituras) têm autoridade divina para reger nosso ensino e doutrina. A Bíblia é a nossa única regra de fé e prática.

Segundo: ela é inspirada e útil “para a repreensão”. O termo grego ἔλεγχος ( “repreensão”) significa prova, teste ou verificação, por meio dos quais algo é examinado e aprovado. Quando somos confrontados pela Palavra, somos provados e examinados de tal forma que, se houver em nós algo contrário à vontade de Deus, somos convencidos do pecado. Isso significa que a Escritura tem como propósito revelar o pecado e chamar o indivíduo ao arrependimento (1Tm 5.20). Paulo amplia esse conceito em 2Tm 4.2, ao exortar: “prega, corrige, exorta, repreende”. O foco aqui está em refutar o erro. Essa exortação é uma argumentação verbal que dissipa dúvidas sobre o que é certo e errado, incentivando o ouvinte a seguir o que é justo (Tt 1.13; 2Tm 2.24–26). Em Mt 18.15 e 1Tm 5.20, o mesmo termo é utilizado, sugerindo o sentido de arguição ou convencimento a respeito do pecado. Devemos, portanto, admoestar as pessoas que vivem no pecado, deixando claro que estão agindo de modo incorreto. Por outro lado, é importante lembrar que o convencimento do pecado é uma obra do Espírito Santo (Jo 16.8).

Terceiro: a Escritura é inspirada e útil “para a correção”. O termo grego usado aqui é ἐπανόρθωσις, que significa restauração a um estado correto ou aperfeiçoamento de vida e caráter. Isso indica que o pecador não deve apenas ser advertido a abandonar o que está errado, mas também deve ser guiado para que ocorra uma restauração ao caminho correto, resultando em mudança de conduta na vida do ser humano. A correção deve retirar o homem da prática do erro e conduzi-lo de volta à prática do que é reto. Ou seja, não basta apontar o erro; é necessário oferecer passos concretos que o levem a um comportamento acertado. Deus utiliza a disciplina como instrumento para que seus filhos andem na luz (2Tm 2.25; Pv 3.11–12).

Enfim, a Escritura é inspirada e útil para educação na justiça.  O termo παιδεια tem um sentido muito rico. Pode ser traduzido por instrução, disciplina, também inclui o treino e cuidado do corpo. Este termo é usado em Ef 6.4: “criai-os na disciplina… do Senhor”. Em Tt 2.11-14 o termo ganha o sentido de treinamento para uma vida santa e reta. Essa educação é o treinamento prático, moral, que produz um caráter justo e santo, uma conduta reta e piedosa. Isso ficará mais explícito no verso 17: “a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” O homem de Deus, aqui nas epístolas a Timóteo, é uma referência ao ministro do evangelho (1Tm 6.11), mas por extensão pode ser aplicado aos cristãos em geral. A palavra αρτιος, “perfeito”, alude a algo completo, da mesma forma que εξαρτιζω, “perfeitamente habilitado”. Portanto é através da Escritura inspirada por Deus, que o crente é plenamente equipado para toda boa obra. Ele permanece na verdade e aplica essa verdade da forma apropriada de modo a exercer o seu ofício real e sacerdotal como proclamador do Evangelho de Cristo (1 Pedro 2.9).

O que seria de nós sem as Escrituras? Viveríamos sem luz, sem orientação, sem consolo e sem salvação. Não saberíamos de onde viemos, por que estamos aqui, nem para onde vamos. Por isso, é de fundamental importância afirmarmos: Toda Escritura é inspirada por Deus.É na Palavra de Deus que Jesus procurou defender-se contra os ataques de Satanás, dizendo: “Está escrito”. Ele sempre usou o “Está escrito” para vencer os fariseus e saduceus. É na Palavra de Deus que os cristãos das catacumbas, da Idade Média, encontraram luz para os seus caminhos. É na Palavra de Deus que Lutero tornou-se o reformador e purificador da Igreja cristã. Devolveu à Escritura Sagrada, o lugar de destaque que ela sempre deveria ter, para ser fonte infalível das verdades que Deus transmitiu ao povo de todas as gerações. Esta é uma das grandes bênçãos da Reforma, que podemos ressaltar: a reposição da Bíblia Sagrada como base de qualquer doutrina da Igreja. Hoje, a Bíblia ainda continua sendo o livro atual de sempre. Seu conteúdo é sempre o mesmo. Suas vendas aumentam dia após dia. Seu valor é incalculável, pois nela encontramos o maior tesouro, a salvação pela fé em Cristo Jesus.                  

Ao chegar no final de sua Carta, Paulo deseja preparar e desafiar Timóteo diante da sua tarefa em seu ministério. Assumir a responsabilidade, uma vez que a morte de Paulo era iminente por causa da presente perseguição. Ele afirma: “Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino”. (4.1). O termo em grego διαμαρτύρομαι (conjuro) significa atestar, testificar a, afirmar solenemente, dar testemunho solene para alguém. “Conjuro”, ou seja, testifico ou vou testemunhar perante Deus e Cristo no dia do julgamento. Isto significa que Paulo traz à cena não apenas o personagem Jesus, mas o evento de sua vinda escatológica para julgar o mundo, incluindo os seus obreiros, de acordo com suas obras. Esse julgamento se dará por meio do aparecimento de Jesus Cristo quando se manifestar. Podemos estar certos disso por causa da função da sua aparição, a de julgar vivos e mortos, reservada para o fim, bem como a vinda do Reino. Outro detalhe interessante é o de que Paulo, ao referir-se ao julgamento, como tendo como alvo tanto vivos como mortos, lembra a Timóteo que ninguém escapará do julgamento do Senhor.

Paulo convocou Timóteo para cumprir os ensinamentos das Escrituras e assumir o seu ministério com fidelidade, não deixando de cumprir a sua tarefa que Deus havia designado, ele haveria dar testemunho a Cristo no dia do julgamento. Mas no momento, deveria exercer o seu ministério com fidelidade. Como poderia fazê-lo? Paulo explica: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (4.2). Paulo destaca três pontos importantes. primeiro: pregue, proclame a Palavra, o Evangelho. Pregar a Palavra de Deus deveria ser o principal assunto da vida de Timóteo.  Somente a Palavra de Deus é suficiente para corrigir, repreender e exortar pessoas para salvação.

Segundo: insta em todo o tempo. Este termo ἐφίστημι significa “estabelecer, estar em cima, estar presente. No entender de Paulo, Timóteo deveria manter-se de prontidão. Deveria estar em seu posto e aproveitar todas as oportunidades de tornar conhecido o Evangelho. Deveria insistir no assunto e nunca perder a oportunidade de divulgar o Evangelho, “quer o tempo pareça oportuno, quer não”, insista, mantem-se na   sua tarefa. Terceiro: deveria “corrigir, repreender e exortar”. Corrigir tem o sentido de refutar, convencer alguém que está errado, mostrar seu erro e leva-lo ao acerto. Repreender já tem um sentido mais negativo do primeiro, não tem o comprometimento de levar a pessoa ao acerto. Tem a ver com censurar, acusar o erro. Por fim, exortar tem o sentido de encorajar, chamar para o lado, alguém que está trilhando um caminho errôneo. Esses três verbos devem ser colocados em prático “com toda paciência e doutrina”, ou seja, em amor, com calma e baseando-se sempre nas Escrituras.

Paulo explica o porquê da urgência e relevância de colocar em prática tudo o que foi dito a Timóteo. Ele diz que haverá tempo em que “não suportarão a sã doutrina”. O verbo ἀνέχομαι (suportar) tem o sentido literal de carregar, aguentar. E a palavra διδασκαλία (doutrina), é qualificada como sã, saudável. Portanto vemos que Paulo explica a Timóteo que a obra da pregação da Palavra, correção, repreensão e exortação deve ser algo urgente, porque um dia as coisas vão piorar, e as pessoas não poderão mais suportar a doutrina sadia, bíblica. Pelo contrário, essas pessoas serão cercadas de mestres, segundo as suas próprias cobiças. Na verdade, estas pessoas querem ouvir apenas aquilo que lhes convêm, de acordo com seus desejos, ou, de suas cobiças pecaminosas, como quem sente coceira nos ouvidos (Literalmente: coçando os ouvidos). Isto significa que, quando ouvirem a sã doutrina e a odiarem, coçariam seus ouvidos para mostrar que não querem ouvir enquanto procuram mestres que os apoiem em seus erros. Os ouvintes deste tipo rejeitam a verdade e preferem ouvir a mentira. (v.4). Paulo orientou Timóteo que no futuro as pessoas se recusarão a ouvir, concordar, obedecer, as verdades a respeito do Criador. Serão propensos à mitos, fábulas, histórias criadas, vindas da imaginação.

Diante de tal situação, Paulo é enfático sobre o dever de Timóteo: “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faz o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.” (v. 5). Aqui, novamente Paulo usa a partícula adversativa δε - “porém”, indicando um claro contraste entre os que não amam a verdade e o que Paulo esperava de Timóteo. Paulo deseja que Timóteo seja contrário aos falsos mestres, sendo “sóbrio em todas as coisas”. O termo νήφω (sóbrio) significa literalmente, estar calmo e sereno de espírito, ser moderado, controlado. Por isso, ser sóbrio é o contrário de acreditar em mitos. Esta sobriedade deveria acompanhar Timóteo em todo o tempo e em tudo o que ele fizesse.

Outra ordem é a de que Timóteo suportasse sofrimentos. Obviamente, Paulo não deseja que Timóteo procurasse algum sofrimento para si, mas, sim, que trabalhasse, estando disposto até mesmo enfrentar os sofrimentos, diante das circunstâncias vividas no momento. Convocar Timóteo a ser um crente fiel e pregador ousado da palavra, já é, praticamente, o mesmo que o convocar a suportar sofrimentos. Paulo também convida Timóteo a “fazer o trabalho de evangelista”. Não seria qualquer trabalho em seu ministério. Mas, exclusivamente, relacionado com o Evangelho. Aliás, todos os servos de Deus devem fazer a obra de um evangelista. É importante notar também que ao dizer essas palavras Paulo está limitando o conteúdo da mensagem de Timóteo, contrastando novamente a mensagem do Evangelho (a verdade) com os mitos (mentiras).

As breves recomendações de Paulo a Timóteo terminam com um imperativo final: “cumpre cabalmente o teu ministério”. A palavra grega πληροφορέω que significa pleno, completo, levar até o fim, executar, realizar completamente. Todo o trabalho dever cumpridas até o fim, completamente. Quais? De acordo com o contexto, seria o de ser sóbrio em todas as coisas, suportar os sofrimentos e pregar o Evangelho. Paulo não quer que Timóteo faça seu trabalho pela metade, antes ele deve fazer sua obra por completo, com eficácia, sob quaisquer circunstâncias. Por isso, deveria realizar todo o seu serviço para o Senhor; cumprindo-o integralmente. E isto só é possível se o ministério for efetuado corretamente. Façamos como ao apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4.6-8). Ele almejava que Timóteo, em algum tempo, chegasse à esta postura.

Portanto, diante de tantas doutrinas falsas, precisamos renovar nosso compromisso com a Palavra de Deus. Ela precisa fazer parte de nossas vidas, uma vez que sem ela, corremos sérios riscos de nos desviar da nossa fé cristã. Por isso, peçamos que o Senhor possa nos acrescentar conhecimento e sabedoria, para que estejamos preparados e capacitados para fazer tudo aquilo que for da Sua vontade. Somente a sabedoria de Deus, por ação do Espírito Santo, nos revela as verdades bíblicas e nos dá a fé salvadora. Nos leva a entender que de fato “toda a Escritura é inspirada por Deus”, e uma vez sob a influência da palavra inspirada por Deus nos torna aptos ou em condições para toda a boa obra. Sendo assim a permaneçamos naquilo que aprendemos, desde criança com os pais, na escola dominical, no período de confirmação, na juventude sobre as Escrituras. Permita que essa Palavra frutifique em sua vida! É justamente isto que o Senhor almeja. Amém!

 

 

terça-feira, 14 de outubro de 2025

TEXTO: SL121

TEMAO MEU SOCORRO VEM DO SENHOR

O salmo 121 é um “cântico de degraus” ou um “cântico para a romagem” ou ainda “cântico de peregrinação”. Ele faz parte de um pequeno hinário cantado pelo povo de Israel, quando da sua ida às festas em Jerusalém. O salmista, neste texto, nos relata o momento da saída dos peregrinos de seus lares a fim de seguir sua jornada até Jerusalém, para participarem das três festas religiosas anuais, a saber: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculo. Durante a viagem em condições precárias em direção à Jerusalém, lugar de adoração e sacrifício a Deus, os peregrinos cantavam. Demonstravam confiança em Deus. Exaltavam ao Senhor como o protetor nos momentos de dificuldades. Em certo sentido, esse era um momento alegre.

Mas também era uma ocasião de preocupação e aflição, pois esses viajantes teriam de deixar seus lares desprotegidos e suas famílias, além do seu patrimônio. O perigo de sair de casa não era somente para quem ficava, mas também para os viajantes. As estradas por onde os peregrinos passariam eram visadas por ladrões, com inúmeros esconderijos e locais para emboscadas. Sendo assim, o salmista busca proteção no Senhor e põe nele sua confiança desde sua saída até seu retorno. Somente Deus podia protegê-los e garantir uma jornada segura aos peregrinos.

A circunstância em que se encontrava o salmista, também tem sido a nossa situação. A vida do cristão é comparada a uma jornada. Somo peregrinos neste mundo, e estamos a caminho da nova Jerusalém. Muitos são os perigos nesta jornada. São tantas as dificuldades que temos que enfrentar, mas Deus é o nosso socorro. É justamente do próprio Deus que vem o socorro, aquele que pode nos socorrer que tem poder para mudar a situação das nossas vidas, pois a nossa proteção vem do Senhor.

                                                             I

O salmista inicia, dizendo: “Elevo os olhos para os montes” (v.1a). É uma oração em busca de ajuda, pois o salmista se vê impotente para chegar ao seu destino em segurança por seus meios próprios. Por isso, ele busca por um protetor. Aliás, o fato de Davi ter olhado para "os montes", foi para pensar num possível socorro, numa possível solução para seus problemas. Pode ser que o salmista estava procurando nos montes, quem pudesse oferecer o socorro. Assim, o Deus poderoso que vem do alto, de cima dos montes, poderia ser o que o salmista buscava com sua visão. Sendo assim, ao se deparar diante de perigos e dificuldades, olhou para dentro de si e chegou a uma questão importante: “de onde me virá o socorro?” (v.1b). Onde posso encontrar ajuda? Ele não encontra socorro nos montes. Não é dos montes que ele espera o auxílio. Não seria nos montes que os peregrinos encontrariam ajuda, diante das dificuldades que enfrentariam durante a viagem. Por mais elevado que fosse um monte, dele não poderia vir o esperado socorro.

Também precisamos de ajuda, auxílio, socorro, pois enfrentamos situações difíceis na família, na saúde, no trabalho, no casamento, no relacionamento com pessoas. Nessas horas, costumamos recorrer aos amigos, parentes, irmãos na fé, etc. Mas estes, algumas vezes, por certas razões, não conseguem nos ajudar. Ficamos desesperados e olhamos ao redor e formulamos a mesma pergunta: De onde virá o meu socorro? Para muitas pessoas o socorro vem do mundo e das pessoas; outras procuram nas vãs filosofias, no dinheiro e nos vícios; também têm aquelas que procuram olhar para dentro de seu interior, procurando respostas para seus problemas, ao invés de buscar ajuda no próprio Deus. 

Nesses momentos devemos recorrer ao nosso Senhor e Salvador que Ele nos dará o socorro esperado. Somente o nosso Senhor é capaz de nos tirar das situações difíceis e atender ao nosso pedido de socorro. Foi o que fez Davi. Depois de pensar coerentemente nas possíveis soluções para os seus problemas, Davi chega a uma conclusão magnífica. Ele encontrou uma resposta: "O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra” (v.2). O clamor provém de quem já conhece Deus. Reconhece que Deus “fez a terra”. Ele associa Deus ao ato da criação. Aquele que nos criou também nos sustenta. Ele nos conhece. Cuida e está pronto a nos ajudar. Esse era o seu protetor: o Deus onipotente e soberano.

                                                                  II

Davi confiava nas promessas do Deus onipotente e soberano, o Senhor que fez o céu e a terra. Nessa confiança e com toda a sua convicção, ele afirmaO Senhor não permitirá que os teus pés vacilem.” (v.3a). Esta promessa está firmada na confiança da soberania de Deus. Ele expressa essa confiança para si e transmite aos peregrinos ao afirmar: aquele que tem a firme convicção na confiança no Senhor, os pés não vacilam. O termo traduzido por “vacilar” significa “escorregar, derrapar, cambalear, ser abalado”.  Os peregrinos que subiam os degraus poderiam cair e sofrer uma fratura, ao andar pelos caminhos pedregosos que tinham que percorrer. Mas o Senhor não permitia o tropeçar dos seus pés. Só Deus pode fazer com que nossos pés não fraquejem, não vacilem. Só Deus pode nos firmar em momentos tão difíceis pelos quais temos passado. Nenhum filho de Deus permaneceria de pé, por um momento sequer, diante de abismos, armadilhas, fraquezas físicas e inimigos sutis, se não fosse por causa do fiel amor de Deus, que não permitirá que os pés de seus filhos vacilem. 

Mas o pedido para que seus pés não tropeçassem não era suficiente, pois a preocupação preenchia o longo e demorado percurso. Por isso, comparando o Senhor a uma sentinela, o pedido é que sua proteção fosse constante, não intermitente como acontece a guardas humanos que têm de repousar. Diferente é o Senhor: “não dormitará aquele que te guarda.” (v.3b). O verbo “guardar” – e o substantivo “guarda”, tem o sentido de proteger é usado seis vezes neste salmo. Observa-se que o cuidado é oferecido pelo Senhor: “Por certo o guarda de Israel não dorme” (v.4). O Guarda de Israel é quem cuidará para que não haja tropeço. Ele não dorme. Ele não permite que os seus filhos desviem de seu caminho. Ele não dormirá em nossa defesa, pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

                                                            III

 Deus está próximo de seu povo e demonstra o seu cuidado. Ele é o protetor: “O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.” (v.5). Deus acompanha os peregrinos, não os deixa, não os desampara. Eles sabiam que o Senhor os acompanharia como se fosse suas próprias sombras, lado a lado em toda jornada. O cuidado se daria em todos os sentidos: “De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. (v.6). Os peregrinos estavam conscientes que tinham que andar pelos caminhos pedregosos. Mas também tinham que enfrentar durante o dia o sol escaldante é ameaçador à insolação e queimaduras. Já à noite, a queda brusca de temperatura também era desconfortável e prejudicial à saúde. É mais plausível que o salmista esteja citando os termos sol e a lua como figuras do dia e da noite, demonstrando assim que Ele os livraria dos perigos do dia e da noite.

Todos nós passamos em nossa vida por momentos difíceis, por problemas, situações desagradáveis que tiram a nossa paz, pois nossa caminhada é feita em meio a curvas, buracos e pedras. Os nossos caminhos são feitos de obstáculos, como pedras, pedregulhos, ressaltos. Essas situações nos levam a buscar uma solução, um socorro que possa nos trazer alívio, paz e vitória. As pessoas costumam procurar em diversos lugares esse socorro. Buscam por pessoas ou coisas que possam socorrê-las, mas quase sempre não o encontram, pois o socorro verdadeiro não existe onde estão procurando. O socorro eficaz está em Deus. Ele está sempre atento, e nos guarda, pois o nosso socorro vem do Senhor.

Enfim, podemos entender que estamos sob os cuidados amorosos de nosso Pai. Ele diz de maneira mais clara: O Senhor te guardará de todo mal. Ele guardará a tua alma” (v.7). A expressão “todo mal” refere-se algo que poderia prejudicar a nossa vida, ou daquilo que pode nos fazer mal para nossa vida. Por isso, não precisamos temer a vida nem a morte; o dia de hoje nem o amanhã; o tempo nem a eternidade, pois o Senhor cuidará daqueles que lhe pertencem. Quer durante o dia ou à noite, no calor ou no frio, a presença do Senhor supre tudo de que precisamos. Não precisamos temer os ataques repentinos em momento algum do dia, pois estamos protegidos “à sombra do Onipotente” (Sl 91). Além disso: “O Senhor guardará a saída e a entrada.” (v.8a). O salmista está se referindo ao percurso total da jornada dos peregrinos, desde a “saída” de casa, até seu retorno. Nossa vida no dia a dia é feita de saídas e chegadas. Durante esse percurso da nossa vida Deus nos acompanha em todos os momentos, desde quando saímos de casa até quando voltamos em segurança. O cuidado de Deus que se mostra tão evidente que o socorro será "para sempre" jamais terá um ponto final.

 Estimados irmãos! Deus conhece muito bem os caminhos pelo qual teremos que trilhar para alcançar o propósito que Ele projetou para nossas vidas, o mais importante é saber que o nosso socorro vem do Senhor, e que Ele continua guardando a nossa entrada, a nossa saída desde agora e para todo sempre. Amém!

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

TEXTO: LC 17.11-19

TEMA:VOLTEMOS PARA AGRADECER A DEUS PELAS BÊNÇÃOS!

Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias em Lucas 17.11-19, para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O  tema de hoje é: voltemos para agradecer a Deus pelas bênçãos!

Agradecer a Deus é reconhecer e valorizar as dádivas recebidas, expressando apreço por Suas bênçãos e provisões.Na prática, isso envolve ser grato pela vida, pela saúde, pela família — e até mesmo pelos desafios, pois cada um deles carrega lições e oportunidades de crescimento.Quando refletimos sobre as bênçãos de Deus, nosso coração se enche de gratidão, porque percebemos o quanto Ele tem feito por nós. Dar valor ao que Deus já fez por nós é, por si só, uma forma de agradecer.A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que foram profundamente gratas a Deus — como Abraão, Ana, Davi e Paulo. Todos eles enfrentaram lutas, mas mantiveram um coração grato. E Deus os abençoou grandemente.Muitos salmos expressam essa mesma postura: os salmistas derramam suas angústias diante de Deus, mas também O exaltam, agradecem e reconhecem Sua fidelidade.

O texto de hoje traz um significado muito importante sobre a gratidão: ser grato e ter fé ao pedir algo a Deus.Dez leprosos foram curados, mas apenas um voltou para agradecer. Ele não apenas reconheceu o milagre, mas fez questão de louvar em alta voz e se prostrar aos pés de Jesus em gratidão.Jesus, então, perguntou:"Não foram dez os que foram curados? Onde estão os outros nove?"A verdade é que muitos pedem bênçãos, mas poucos se lembram de agradecer a Deus; outros pedem, mas não confiam plenamente que irão receber; e há aqueles que simplesmente se esquecem de voltar para agradecer.A pergunta de Jesus ecoa até nós hoje:Quando foi a última vez que voltamos para agradecer a Deus?Quantas bênçãos recebemos e simplesmente esquecemos de agradecer? Por que temos que voltar para agradecer a Deus? A resposta encontramos no texto, basedo em três pontos:

Primeiro, porque fomos criados para louvar e agradecer a Deus. Desde a criação do mundo, Deus formou o ser humano à Sua imagem com um propósito central: viver em comunhão com Ele. O louvor e a gratidão são uma parte essencial desse relacionamento. Quando agradecemos — especialmente em meio às dificuldades — declaramos que confiamos n'Ele e que cremos em Sua soberania e bondade.

Segundo, porque recebemos inúmeras bênçãos de Deus. O simples fato de estarmos vivos hoje já é um presente. Respirar, enxergar, andar, ter alimento e abrigo são bênçãos que, muitas vezes, passam despercebidas. Mais importante ainda, temos a salvação e a promessa da vida eterna em Jesus, mesmo que todo o resto na vida pareça ruim (Efésios 1.3-6). O salmista nos lembra: “Não te esqueças de nenhum dos seus benefícios.” Deus está constantemente agindo em nosso favor. Ele nos perdoa, nos protege, nos guia e nos ama com amor eterno. Mesmo nas lutas, Ele está presente, sustentando-nos com Sua mão poderosa.Ele age com compaixão, mesmo quando não merecemos.

Terceiro, porque a gratidão fortalece a fé. A gratidão aprofunda nossa confiança em Deus ao nos ajudar a reconhecer Suas bênçãos em nossas vidas, mesmo em meio às dificuldades. Quando escolhemos ser gratos, mantemos nosso foco no caráter imutável de Deus — Sua bondade, fidelidade e amor.É nesse reconhecimento que a fé cresce: percebemos e valorizamos cada dádiva que Ele nos concede.

No caminho, passando pela Galileia e Samaria, Jesus entrou numa aldeia. Ali, dez leprosos vieram ao seu encontro e pararam a certa distância. A lepra era uma terrível doença contagiosa que afetava muitas pessoas. Por isso, assim que a lepra era diagnosticada, a pessoa era isolada da sociedade. Geralmente, os leprosos viviam aglomerados nas montanhas e cavernas. Para evitar o contágio, estipulavam-se regras severas, como lemos em Levítico 13,45-46: “O homem atingido de lepra andará com as vestes rasgadas, os cabelos soltos e a barba coberta, gritando: ‘Impuro! impuro!’ Durante todo o tempo em que estiver contaminado de lepra, será impuro. Habitará a sós e terá sua morada fora do acampamento”. É por essa razão que eles mantinham uma certa distância de Jesus. E, dali, clamaram a Ele: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós” (v.12).

Os dez homens apelaram para a misericórdia de Jesus, pois viviam uma situação desesperadora. Sem dúvida, era uma situação muito dolorosa e humilhante, agravada pela discriminação e pelo preconceito. Eram pessoas que haviam perdido a família, os amigos, o emprego e os bens. Suas vidas estavam destruídas e acabadas. Que situação horrível viviam!Além disso, era raro que alguém passasse por aquele caminho que levava à aldeia dos leprosos, pois quem entrasse ali seria contaminado e se tornaria impuro. No entanto, Jesus vai ao encontro daqueles que estavam abandonados e deixados à sua própria sorte.O Mestre, ao vê-los nessa situação humilhante, move-se de íntima compaixão e lhes diz: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes” (v.14).Mas por que Jesus não os curou naquele exato momento? Destacamos dois pontos: primeiro, Jesus obedeceu à lei mosaica que exigia que os leprosos se apresentassem aos sacerdotes. Estes eram os únicos que tinham autoridade para declarar publicamente que uma pessoa estava curada e, assim, permitir que ela voltasse à vida social. Segundo, era uma questão de fé. Jesus, como fez em outras ocasiões, estava testando a confiança e o crer daqueles homens.

A lepra despertava medo, desprezo e repulsa. Ela era o flagelo do mundo antigo. Mas há uma outra doença que afastou o homem de Deus: o pecado. O pecado corrompe o homem espiritualmente do mesmo modo que a lepra o corrompe fisicamente. Isto significa que ninguém é justo; ninguém está sem "lepra" espiritual. As Escrituras declaram que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). São os nossos pecados — as lesões que se espalham em nosso coração — que nos separam de Deus e fazem com que Ele mantenha Seu rosto encoberto para nós (Isaías 59.2). Por causa desta "lepra", estamos distantes de Deus, uma distância que nós mesmos criamos e que é muito maior do que alguns metros.Além disso, já nascemos pecadores e espiritualmente mortos em nossos delitos e pecados. Assim como a lepra, que aos poucos se manifesta, o pecado revela nossa degradação física e moral. Isaías descreve nosso estado desta forma: “Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã; há só feridas, contusões e chagas vivas; não foram espremidas nem atadas, nem amolecidas com óleo... pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia” (Isaías 1.5-6 e 64.6).

Precisamos clamar ao nosso Deus: “Senhor tem misericórdia!” E de fato Ele teve misericórdia da humanidade. Deus Pai enviou Jesus Cristo para morrer em nosso lugar. Ele sofreu a punição e a culpa pelo pecado que nós cometemos, mesmo sendo inocente. “Pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.5).Jesus veio nos redimir, perdoar e nos livrar dessa lepra da alma que é o pecado, proclamando o Seu perdão como um sinal de um poder que só o próprio Deus pode exercer. Por Sua grande misericórdia, fomos resgatados pelo sangue que Cristo verteu na cruz: “Não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1.18-19).Lembre-se: Ssua graça, compaixão e misericórdia estão disponíveis para lhe conceder perdão e curar suas feridas.

Enquanto caminhavam, o milagre aconteceu na vida dos leprosos: "foram purificados" (v.14b). Foram curados pelo poder de Jesus. Imaginem a imensa alegria daqueles homens ao sentirem que não havia mais lepra. Estavam curados!No entanto, somente um voltou para agradecer a Deus. Os outros nove continuaram caminhando em direção a Jerusalém. Apenas um leproso julgou importante retornar e demonstrar sua gratidão a Jesus. Com lágrimas nos olhos, agora restaurado, ele voltou glorificando a Deus em alta voz, caiu aos pés de Jesus e, com o rosto em terra, agradeceu (v.16).Aqui, o que chama a atenção é o fato de este indivíduo ser samaritano. O fato de ser samaritano foi notado por Jesus, que até mesmo o chamou de "estrangeiro": "Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?" (v.18).O termo "samaritano" refere-se aos habitantes da cidade de Samaria. Eles surgiram quando o povo de Israel se misturou com pessoas de outros povos e crenças. No tempo de Jesus, os judeus evitavam todo contato com os samaritanos, que consideravam impuros (João 4.9). Além disso, os judeus os desprezavam, porque distorciam as Escrituras.Mas Jesus conversava com samaritanos e lhes proclamava o evangelho sem preconceito. Ele teve um diálogo com a mulher samaritana à beira de um poço, onde revelou Sua hospitalidade para com aquele grupo (João 4.9). Ele também cita uma parábola e coloca um samaritano como exemplo de alguém que soube amar ao próximo conforme Deus ordenou (Lucas 10.30-37). E muitos deles creram na Sua mensagem. Enfim, Jesus amava estas pessoas.

Apesar do milagre, somente um voltou! Então, Jesus perguntou: “Não eram dez os que foram purificados? Onde estão os nove?” (v.17). Esta ingratidão demonstrada pelos nove, infelizmente, também se repete na vida de muitas pessoas hoje. Quantas vezes somos abençoados e falhamos em retornar para agradecer? Clamamos, gritamos, choramos, imploramos, somos curados e recebemos incontáveis bênçãos. Contudo, não retornamos com humildade para dar graças a Deus. É lamentável quando o ser humano só busca a Deus movido pela necessidade, e não pela gratidão. É ainda mais lamentável quando o homem, envolvido com seus afazeres e bens, não encontra tempo para agradecer. Muitos dedicam tempo para a família, o trabalho, os estudos e o lazer, mas não reservam um momento na agenda para expressar gratidão a Deus.

No entanto, Jesus continua perguntando: Onde estão os nove? Onde estão e porque não voltaram para agradecer? E, talvez, nem voltem para agradecer. No entanto, o que precisamos fazer para expressar a nossa gratidão? É preciso voltar! Temos muitos motivos para agradecer ao Senhor. Agradecer pelo cuidado, amparo, proteção que Deus tem reservado a cada uma de nós; agradecer a Deus pela vida, pelo ar que respiramos, pela saúde, pelo trabalho. Ele nos dá diariamente e abundantemente tudo o que necessitamos para sustentar o nosso corpo e alma. Tudo o que somos tudo o que temos e tudo que recebemos vêm de Deus; agradecer pelas bênçãos espirituais. Deus enviou seu Filho Jesus Cristo que sofreu e morreu na cruz para nos reconciliar com Deus, concedendo assim o perdão de nossos pecados, a vida eterna, a fé, o amor. Em suma, agradeçamos a Deus por tudo que Ele tem feito e ainda fará por nós! Mesmo que você esteja sofrendo, enfermo ou passando por dificuldades; mesmo que seja desprezado, zombado ou ridicularizado em diversas ocasiões da vida, volte para agradecer a Deus!

Estimados irmãos!Sejamos gratos a Jesus por tudo o que Ele fez e continua fazendo em nossa vida, e creiamos que Ele é o Messias que veio ao mundo.Por isso, mesmo que você esteja sofrendo, enfermo ou passando por dificuldades; mesmo que seja desprezado, zombado ou ridicularizado em diversas ocasiões da vida, volte para agradecer a Deus!Agradeça ao Senhor e una seu sofrimento à cruz de Cristo. Amém!