TEMA: Rm 12.9-21
TEMA: O AMOR CRISTÃO EM AÇÃO
Depois de apresentar a grande obra da salvação realizada por Deus em Cristo, Paulo agora mostra como essa graça transforma a vida do cristão. Ele apresenta uma verdadeira descrição da vida cristã. Fala sobre amor, serviço, esperança, paciência, oração, generosidade, hospitalidade, compaixão, humildade, perdão e relacionamento com aqueles que nos fazem mal. Assim, Paulo mostra que quem recebeu misericórdia é chamado a demonstrar misericórdia; quem foi perdoado é chamado a perdoar; e quem foi amado por Cristo é chamado a colocar esse amor em ação.
Portanto, Paulo nos apresenta um grande desafio: não basta dizer que somos cristãos; nossa vida deve refletir a graça que recebemos. O amor cristão precisa sair do coração e alcançar nossas palavras, atitudes, relacionamentos e decisões. É a fé que se torna visível por meio de uma vida transformada pelo Evangelho.
Diante de tudo o que foi exposto pelo apóstolo, o texto pode ser resumido em três verdades sobre as quais queremos refletir:
Primeiro, o amor cristão deve ser sincero. (vv. 9-13). O amor cristão não deve ser fingido nem apenas demonstrado por palavras, mas precisa ser verdadeiro e acompanhado de atitudes. Paulo ensina que devemos detestar o mal e apegar-nos ao bem, amando uns aos outros com carinho e respeito. Esse amor também se manifesta no serviço ao Senhor, na perseverança, na paciência diante das tribulações e na dedicação à oração. O cristão demonstra amor quando compartilha o que possui com os necessitados e pratica a hospitalidade. Portanto, o verdadeiro amor cristão não permanece apenas no sentimento, mas se transforma em ações concretas de cuidado, serviço e comunhão com o próximo.
Segundo, o amor cristão não retribui o mal. ( vv. 14-18). Paulo ensina que o cristão não deve responder ao mal com outro mal. Mesmo quando é perseguido, ofendido ou injustiçado, é chamado a abençoar aqueles que o perseguem, em vez de amaldiçoá-los. Também deve alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram, demonstrando empatia e amor pelo próximo. Paulo ainda destaca a importância da humildade e da busca pela paz: “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”. O cristão não precisa vencer uma discussão ou retribuir uma ofensa; sua responsabilidade é agir de maneira que honre a Cristo. Dessa forma, o amor cristão não alimenta a vingança, mas responde ao mal com uma atitude guiada pela graça e pelo perdão.
Terceiro, o amor cristão vence o mal com o bem. (vv. 19-21). Paulo ensina que o cristão não deve buscar vingança nem pagar o mal com o mal, pois a justiça pertence ao Senhor. Em vez de retribuir a ofensa, somos chamados a fazer o bem até mesmo aos nossos inimigos. Se o inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer; se tiver sede, devemos dar-lhe de beber. Essa atitude não significa aprovar o mal, mas deixar a justiça nas mãos de Deus e não permitir que o pecado do outro domine o nosso coração. O cristão vence o mal quando, pela graça de Deus, responde com bondade, misericórdia e perdão. O maior exemplo disso está em Cristo, que sofreu injustamente e entregou sua vida pelos pecadores. Por isso, Paulo conclui: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.21).
I
Paulo inicia, apresentando uma característica fundamental da vida cristã: “O amor sem hipocrisia”(v.9a). A hipocrisia acontece quando alguém demonstra amor exteriormente, mas, no coração, guarda indiferença, interesse, inveja ou má intenção. Isto significa que o cristão não deve amar apenas de palavras ou por interesse, mas demonstrar um amor genuíno, que nasce da fé em Cristo. Não se trata de aparentar bondade, mas de tratar o próximo com sinceridade, cuidado e disposição para servir. Por isso, Paulo chama o cristão a ter um amor genuíno, que vem de um coração transformado pelo amor de Deus.
Em seguida, Paulo mostra que o verdadeiro amor também envolve rejeitar o mal e apegar-se ao bem: “Detestai o mal” (v.9a). A expressão significa rejeitar, odiar e afastar-se de tudo aquilo que é contrário à vontade de Deus. Paulo não está falando de odiar pessoas, mas de desenvolver uma atitude de profunda rejeição ao pecado e àquilo que prejudica o relacionamento com Deus e com o próximo. O cristão não pode tratar o pecado com indiferença. Aquilo que Deus chama de mal não deve ser considerado normal, aceitável ou sem importância. Detestar o mal significa não fazer acordo com o pecado, não alimentar aquilo que desagrada ao Senhor e não permitir que práticas pecaminosas encontrem espaço em nossa vida.
Mas Paulo não termina apenas dizendo “detestai o mal”. Ele acrescenta: “apegai-vos ao bem”(v.9b). Isto significa que não basta apenas evitar o mal; é necessário também fazer o bem.O cristão não pode dizer que ama enquanto aceita ou pratica aquilo que Deus condena. Ele deve rejeitar aquilo que é contrário à vontade de Deus e, ao mesmo tempo, permanecer firme naquilo que é bom. Assim, o amor cristão não compactua com o mal, mas busca o bem e procura praticá-lo.
No entanto, Paulo mostra como o amor cristão deve ser vivido na comunidade: “Amai-vos cordialmente uns aos outros” (v.10a). A expressão “amai-vos cordialmente” significa amar uns aos outros com afeto sincero, carinho e consideração, como membros de uma mesma família. Paulo está ensinando que o relacionamento entre os cristãos deve ser marcado pelo cuidado e pelo respeito mútuo. Esse amor não deve ficar apenas nas palavras, mas demonstrar-se em atitudes concretas: ajudar, ouvir, perdoar, encorajar e cuidar uns dos outros. O cristão não deve viver pensando apenas em si, mas procurar o bem do irmão.Assim, “amai-vos cordialmente” é um chamado para que a igreja seja uma verdadeira família, onde cada pessoa é valorizada, respeitada e tratada com o amor que recebemos de Cristo.
Paulo, na sequencia, diz como este amor deve ser manifesto: “preferindo-vos em honra uns aos outros” (v.10b). A expressão significa valorizar, respeitar e considerar o próximo como alguém digno de atenção e estima. Paulo está ensinando que o amor cristão não coloca o “eu” no centro. A tendência natural do ser humano é buscar reconhecimento para si mesmo. Queremos ser elogiados, valorizados e reconhecidos. Muitas vezes, desejamos ocupar os primeiros lugares e receber mais atenção do que os outros. Paulo, porém, apresenta um caminho diferente: o cristão não deve viver disputando posição, mas procurando honrar o próximo. Ele procura reconhecer o valor do outro e demonstrar respeito, consideração e humildade. Assim, “preferindo-vos em honra uns aos outros” é um chamado para abandonar a competição, o orgulho e a busca exagerada por reconhecimento. É aprender a dizer: “Meu irmão também é importante; suas necessidades importam; seus dons são valiosos; posso ajudá-lo e honrá-lo.”
Paulo também ensina que o cristão deve servir ao Senhor com dedicação, disposição e entusiasmo: “No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor ” (v.11). A expressão “não sejais remissos” significa não ser negligente, preguiçoso ou descuidado no serviço cristão. É importante observar que o cristão não recebeu a graça de Deus para permanecer indiferente ou acomodado, mas para colocar sua vida, seus dons, seu tempo e suas capacidades a serviço do Senhor e do próximo. Servir ao Senhor significa estar disponível para aquilo que Deus coloca diante de nós. São pequenas atitudes que ninguém percebe, como por exemplo: ajudar alguém, visitar um enfermo, encorajar um irmão, ensinar a Palavra ou simplesmente estender a mão a quem necessita. Por isso, Paulo nos chama a não sermos negligentes, mas fervorosos e dedicados no serviço cristão.
Paulo também afirma: “Sede fervorosos de espírito”, apontando para um coração cheio de disposição, dedicação e entusiasmo para servir ao Senhor. O fervor cristão não significa simplesmente estar emocionado ou empolgado, mas estar comprometido com Deus e disposto a permanecer fiel no serviço, mesmo quando surgem dificuldades. Na verdade, o serviço cristão exige perseverança. Mas há momentos de cansaço, decepções, pouca disposição ou até falta de reconhecimento. Nessas situações, o cristão é chamado a não abandonar sua dedicação, mas continuar servindo com fidelidade. Aquilo que fazemos para o Senhor deve ser realizado com amor, responsabilidade e dedicação. Sendo assim, Paulo apresenta a motivação principal: “servindo ao Senhor”. Nosso serviço não deve buscar reconhecimento humano, mas ser realizado para Deus. Tudo aquilo que fazemos na igreja e no cuidado com o próximo deve ser feito como serviço ao próprio Senhor.
Paulo então apresenta três atitudes que devem marcar a vida cristã: esperança, paciência e perseverança na oração: “Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes” (v.12). Primeiro, “regozijai-vos na esperança” significa que a alegria do cristão não depende apenas das circunstâncias presentes. Nossa esperança está em Deus e em suas promessas. Mesmo quando enfrentamos dificuldades, podemos permanecer alegres porque sabemos que Deus continua cuidando de nós e que, em Cristo, temos uma esperança segura. Segundo, “sede pacientes na tribulação” não significa simplesmente suportar o sofrimento de maneira passiva. É permanecer firme, confiando em Deus, mesmo em meio às provações. A tribulação pode trazer cansaço e desânimo, mas o cristão é chamado a não abandonar a fé, lembrando que o Senhor permanece ao seu lado. Por fim, Paulo diz: “na oração, perseverantes”. A oração é o caminho pelo qual levamos nossas necessidades, preocupações e agradecimentos ao Senhor. Em tempos difíceis, não devemos nos afastar de Deus, mas buscar ainda mais sua presença. A esperança nos sustenta, a paciência nos fortalece e a oração nos mantém firmes no Senhor.
No entanto, Paulo mostra que o amor cristão não deve permanecer apenas nas palavras, mas precisa manifestar-se em atitudes concretas de cuidado e generosidade.Ele afirma: “Compartilhai as necessidades dos santos”(v.13a).Isto significa estar atento às necessidades dos irmãos e disposto a ajudá-los. A vida cristã envolve solidariedade, cuidado e disposição para repartir aquilo que Deus nos concedeu.
Paulo também ordena: “praticai a hospitalidade”(v.13b). Hospitalidade significa receber e acolher as pessoas com amor, atenção e disposição. Não se trata apenas de abrir a porta da nossa casa, mas de abrir o coração para acolher, servir e cuidar do próximo.É exatamente isso que somos chamados a viver: olhar para o próximo com compaixão, acolher sem julgamentos, doar sem interesses e sentir a dor do outro. Esse deve ser o nosso modo de agir.
O apóstolo Pedro também nos ensina a hospitalidade: “Sede hospitaleiros uns para com os outros, sem murmuração. Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4.9–10). Da mesma forma, o autor de Hebreus também reforça esse ensino ao dizer: “Não negligencieis a hospitalidade”. Ele orienta seus leitores a demonstrarem amor não apenas aos conhecidos, mas também ao estranho, ao viajante, ao prisioneiro e ao sofredor.
A hospitalidade, aliás, foi uma ferramenta de grande valor para o crescimento do cristianismo. Por meio dela, muitos missionários foram acolhidos em lares cristãos (Atos 16.13–15). Em tempos de perseguição, o lar do cristão tornava-se abrigo, proteção e oportunidade de servir ao Evangelho. Era também um espaço de comunhão, troca de experiências e fortalecimento da fé. Naquele contexto, os viajantes dependiam da hospitalidade dos moradores locais. Por isso, cada cristão era chamado a não negligenciar essa prática. Onde há verdadeiro amor cristão, há também hospitalidade.
Paulo apresenta um dos maiores desafios do amor cristão: “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (v. 14). A tendência humana é responder à ofensa com outra ofensa, retribuir o mal com o mal ou desejar que aquele que nos prejudicou sofra as mesmas consequências. Quando somos feridos, é natural que surja em nosso coração o desejo de revidar, de nos defender ou até mesmo de fazer o outro experimentar a mesma dor que nos causou. O mundo. muitas vezes. ensina que precisamos “dar o troco” para não parecermos fracos. Entretanto, o cristão é chamado a agir de maneira diferente.
Paulo não está dizendo que a perseguição ou a injustiça sejam coisas boas, nem que devemos aprovar aquilo que é errado. Também não significa que o cristão deva permanecer passivo diante da injustiça. O que Paulo ensina é que não devemos permitir que a maldade do outro determine a maneira como nós vamos agir. Mesmo quando somos perseguidos, caluniados, rejeitados ou injustiçados, somos chamados a responder de acordo com o caráter de Cristo.Ele nos convida: “abençoai os que vos perseguem”. Isto significa desejar o bem, orar por essas pessoas e não buscar sua destruição. Paulo reforça a ideia ao repetir: “abençoai e não amaldiçoeis.” A repetição mostra a importância desse ensinamento. O cristão não deve usar sua boca para devolver maldição a quem o feriu. Pelo contrário, deve colocar aquela pessoa nas mãos de Deus e pedir que o Senhor a conduza ao arrependimento e à verdade.
Isso é difícil porque vai contra a nossa natureza pecaminosa. Quando alguém nos machuca, nosso coração deseja justiça imediata e, muitas vezes, deseja mais do que justiça: deseja vingança. É nesse ponto que o Evangelho transforma nossa maneira de agir. Não precisamos fazer justiça com nossas próprias mãos, porque sabemos que Deus é justo. Podemos entregar ao Senhor aquilo que nos feriu e confiar que ele conhece todas as coisas.
Além disso, precisamos lembrar que nós mesmos fomos alcançados pela graça de Deus. Cristo não nos tratou segundo aquilo que merecíamos. Éramos pecadores e inimigos de Deus, mas, em Cristo, recebemos perdão, misericórdia e reconciliação. Jesus demonstrou esse amor de maneira perfeita ao entregar sua própria vida por pecadores. Portanto, quando Paulo nos chama a abençoar aqueles que nos perseguem, ele está nos chamando a viver o amor que primeiro recebemos de Cristo.
Assim, abençoar quem nos persegue é uma demonstração de que o Evangelho está transformando nosso coração. Não significa ignorar a injustiça, mas recusar-se a ser dominado pelo desejo de vingança. Significa escolher o caminho de Cristo: responder ao mal com o bem, à ofensa com graça e ao ódio com amor.
No entanto, Paulo também nos ensina que o amor cristão nos leva a compartilhar os sentimentos e as experiências do próximo. “Alegrai-vos com os que se alegram”(v.15a). Paulo no lembra não ter inveja da felicidade ou das conquistas dos outros, mas participar sinceramente de sua alegria. O amor verdadeiro consegue celebrar a bênção recebida pelo irmão sem transformar sua alegria em competição.Por outro lado devemos, “chorar com os que choram”(v.15b). Isto demonstrar compaixão diante do sofrimento. Quando alguém passa por uma perda, uma dificuldade ou uma aflição, o cristão não deve permanecer indiferente, mas aproximar-se, ouvir, consolar e oferecer sua presença.
Paulo continua mostrando que o amor cristão deve também produzir humildade e unidade entre os irmãos.Ele afirma: “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros”(v.16a). Paulo nos ensina a cultivar um relacionamento de respeito, compreensão e harmonia, sem considerar uma pessoa superior à outra. Ele nos convida a olhar para o próximo com humildade, respeito e consideração. A deixar o orgulho, pois ele nos leva a pensar que somos melhores, mais importantes ou mais sábios do que os outros. Por isso, ele nos adverte contra o orgulho: “não sejais orgulhosos” (v.16b).
O cristão não deve buscar posições de destaque nem considerar-se superior aos demais. Em vez disso, deve aproximar-se dos humildes: “em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde.” (v.16c).A humildade, porém, nos ensina a reconhecer o valor de cada pessoa e a colocar-nos à disposição para servir.Paulo também nos adverte: “não sejais sábios aos vossos próprios olhos”(v.16d). Isso significa reconhecer que não sabemos tudo e que precisamos da orientação de Deus. Quando deixamos de confiar em nossa própria sabedoria, aprendemos a ouvir, a considerar o outro e a buscar a vontade do Senhor.
Paulo agora apresenta um princípio que vai contra a tendência natural do ser humano: não retribuir o mal com o mal. Quando somos ofendidos, injustiçados, humilhados ou feridos por alguém, nossa primeira reação, muitas vezes, é responder da mesma maneira. Se alguém nos trata com dureza, queremos devolver a dureza; se alguém nos ofende, sentimos vontade de ofender também; se alguém nos prejudica, pensamos em encontrar uma oportunidade para fazer o mesmo. O coração humano, marcado pelo pecado, facilmente transforma a dor recebida em desejo de vingança.
Por isso, Paulo afirma de maneira clara: “Não torneis a ninguém mal por mal” (v.17a). O apóstolo não está dizendo que o cristão deve considerar o mal como algo correto ou simplesmente ignorar a injustiça. O ensino é que não devemos permitir que o mal praticado contra nós determine a maneira como iremos agir. Se alguém nos fere, não recebemos autorização para feri-lo de volta. Na verdade esse princípio exige domínio próprio e confiança em Deus. Pensamos, muitas vezes, que, se não respondermos, estaremos demonstrando fraqueza ou permitindo que o outro prevaleça.
Porém, o Evangelho nos chama para um caminho diferente. Não precisamos fazer justiça com as próprias mãos. Como isto é possivel? Paulo afirma: “esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens”( v.17b). Fazer o bem exige esforço porque nem sempre é fácil tratar bem quem nos trata mal. Entretanto, essa é uma das marcas do amor cristão. O cristão procurar agir corretamente, mesmo quando tratado de maneira injusta.Ele não permite que a atitude errada de outra pessoa determine suas próprias ações. Não permite que o mal recebido transforme em vingança. Ele continua fazendo o bem, porque sua conduta não depende da maneira como os outros o tratam, mas daquilo que Deus espera dele.
Paulo reconhece que nem sempre será possível viver em paz com todas as pessoas. Por isso, ele afirma: “Se possível, quanto depender de vós” (v.18a). Paulo reconhece que há situações que não estão completamente sob nosso controle. Podemos procurar a reconciliação, pedir perdão quando erramos, perdoar quem nos ofendeu, conversar com sinceridade e demonstrar boa vontade; porém, não podemos controlar a atitude da outra pessoa.
O importante é fazer a nossa parte: evitar conflitos desnecessários, controlar nossas palavras, não alimentar ressentimentos, perdoar as ofensas e buscar a reconciliação. Não procurar brigas, provocar discussões ou alimentar conflitos. Pelo contrário, devemos procurar viver em harmonia com aqueles que estão ao seu redor. A paz deve ser uma característica daquele que foi reconciliado com Deus por meio de Cristo: “tende paz com todos os homens”(v.18b).Este é o caminho. Isso exige humildade,reconhecimento dos próprios erros e pedir perdão; deixar de lado o orgulho ou suportar determinadas atitudes sem responder com agressividade.
Entretanto, Paulo é realista: nem sempre a outra pessoa aceitará a paz. Podemos fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance e, ainda assim, encontrar resistência, rejeição ou hostilidade. Nesse caso, não somos responsáveis pelas escolhas do outro. Nossa responsabilidade é permanecer fiéis ao chamado de Deus. Podemos controlar nossas palavras, nossas atitudes e nossas respostas, mas não podemos controlar o coração ou as decisões das outras pessoas.
A nossa maior motivação para buscar a paz está no próprio Evangelho. Nós éramos pecadores e estávamos separados de Deus, mas Cristo tomou a iniciativa de nos reconciliar consigo por meio de sua morte na cruz. A paz que procuramos viver com os outros nasce da paz que Deus estabeleceu conosco em Jesus Cristo. Portanto, não buscamos a paz para merecer a salvação; buscamos a paz porque já fomos alcançados pela graça e pelo perdão de Deus.
Portanto, Paulo nos ensina: faça a sua parte. Procure a paz. Perdoe. Reconcilie-se. Controle suas palavras. Evite conflitos desnecessários. Não responda ao mal com o mal. E, quando a paz não for possível porque depende também da decisão do outro, permaneça fiel ao Senhor e entregue a situação em suas mãos. O cristão não é chamado a vencer todas as discussões, mas a testemunhar o amor de Cristo mesmo em meio aos conflitos.
Depois de afirmar que devemos buscar a paz com todos, Paulo apresenta uma orientação ainda mais profunda: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor” (v. 19). O apóstolo começa chamando os cristãos de “amados”. Mesmo quando corrige e exorta, Paulo lembra que aqueles que pertencem a Cristo são pessoas amadas por Deus. É a partir dessa identidade que devemos aprender a lidar com as ofensas e injustiças. Sendo assim, Paulo nos chama a abandonar o caminho da vingança: “Não vos vingueis a vós mesmos”. Quando somos feridos, surge dentro de nós o desejo de fazer justiça com as próprias mãos. Pensamos que precisamos dar ao outro aquilo que ele nos deu. No entanto, o cristão não deve assumir para si o papel de juiz e vingador. Quando procuramos retribuir o mal, podemos acabar nos tornando semelhantes àquele que nos feriu. Lembre-se: a vingança alimenta a ira, aumenta os conflitos e produz ainda mais sofrimento. Por isso, Paulo nos ensina a entregar nossa causa nas mãos de Deus, confiando que Ele é o justo Juiz e que a justiça pertence a Ele.
Paulo nos chama a abandonar o caminho da vingança, pois ela alimenta a ira, aumenta os conflitos e produz ainda mais sofrimento. Por isso, devemos “dar lugar à ira”, não no sentido de alimentar nossa própria raiva, mas de entregar a questão nas mãos de Deus. O cristão não precisa ocupar o lugar que pertence ao Senhor. Deus conhece perfeitamente os fatos e o coração de cada pessoa e julga com perfeita justiça. Por isso, Paulo afirma: “A mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor.” Essa palavra nos ensina que a justiça final pertence a Deus. Quando entregamos nossa causa ao Senhor, não estamos ignorando a injustiça, mas confiando que Ele fará justiça no tempo e na maneira certos. Ao contrário de nós, Deus não julga movido pelo ódio, pela mágoa ou pelo desejo de vingança, mas segundo sua perfeita justiça.
O maior exemplo dessa verdade está em Jesus Cristo. Ele foi injustamente acusado, humilhado, espancado e levado à cruz. Ele tinha todo o poder para responder aos seus inimigos, mas entregou-se voluntariamente. Na cruz, Cristo não buscou vingança; ele ofereceu sua vida para realizar a nossa salvação. Aquele que tinha todo o direito de julgar carregou sobre si o julgamento que nós merecíamos.
No entanto, Paulo mostra como devemos agir diante daqueles que nos fazem mal. O cristão não é chamado apenas a não revidar o mal, mas a responder ao mal com atitudes concretas de amor. Por isso, Paulo diz: “se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber” (v.20a). Mesmo diante de alguém que nos prejudicou, devemos estar dispostos a fazer o bem.Essa orientação vai contra a tendência natural do coração humano. Quando alguém nos ofende, nossa primeira reação pode ser afastar-nos, ignorar a pessoa ou desejar que ela sofra as mesmas coisas que nos causou. Paulo, porém, apresenta um caminho diferente. O amor cristão não depende da maneira como o outro nos trata. Fazer o bem ao inimigo significa não permitir que a maldade do outro determine nossas atitudes. O cristão foi alcançado pela graça de Deus e, por isso, é chamado a demonstrar essa mesma graça nas relações com as outras pessoas.
É importante observar a expressão “amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça” Ela não significa incentivar a vingança ou desejar sofrimento ao inimigo. A ideia aponta para a possibilidade de produzir nele vergonha, arrependimento e reconhecimento do mal praticado, quando recebe bondade em vez de retaliação. O bem pode tocar a consciência daquele que pratica o mal e levá-lo ao arrependimento. Assim, o objetivo do cristão não é destruir o inimigo, mas vencer a hostilidade por meio do amor.
Há aqui também uma forte dimensão do Evangelho. Deus não respondeu à nossa rebeldia com vingança, mas enviou seu Filho Jesus Cristo para nos salvar. Éramos inimigos de Deus por causa do pecado, mas fomos alcançados por sua graça e reconciliados com Ele por meio de Cristo. Por isso, aquele que recebeu o perdão de Deus pode aprender a perdoar e a fazer o bem até mesmo aos seus inimigos.
Paulo encerra a sequência de seus ensinamentos sobre o amor cristão. “Não te deixes vencer do mal”(v.21a). O apóstolo reconhece que o mal está presente no mundo e que, muitas vezes, somos atingidos por ele. Podemos ser ofendidos, injustiçados, rejeitados, traídos ou tratados com falta de amor. Essas situações podem despertar em nosso coração sentimentos de ira, ressentimento e desejo de vingança.
No entanto, o grande perigo não está somente no mal que alguém pratica contra nós, mas em permitir que esse mal entre em nosso coração e passe a controlar nossas atitudes. Uma pessoa pode nos ferir uma vez, mas, se ficarmos alimentando a mágoa, podemos continuar sofrendo por muito tempo. O ressentimento transforma a dor em amargura e pode fazer com que passemos a agir exatamente como aqueles que nos feriram.Por isso Paulo diz: “vence o mal com o bem”(v.21b), Responda de maneira diferente daquela que o mundo espera. Em vez de vingança, oferecemos perdão; em vez de ódio, demonstramos amor; em vez de retribuir a ofensa, praticamos o bem. Essa é a vitória que Paulo apresenta: o mal não é vencido quando retribuímos na mesma moeda, mas quando, pela graça de Deus, permanecemos firmes no bem.
Para o cristão, isso é possível porque Cristo venceu o mal por nós. Na cruz, Jesus não respondeu à violência com violência, mas entregou sua vida pelos pecadores. Por isso, aqueles que foram alcançados pelo amor de Cristo são chamados a refletir esse mesmo amor no relacionamento com os outros.
Estimados irmãos! Ao chegarmos ao final dessa mensagem, percebemos que Paulo não está falando de um amor apenas de palavras, sentimentos ou boas intenções. O amor cristão precisa entrar em ação. Ele deve aparecer na maneira como tratamos nossos irmãos, como recebemos aqueles que precisam de nós, como reagimos às ofensas e até mesmo na maneira como lidamos com nossos inimigos.
A razão para vivermos assim está naquilo que Deus fez por nós. Cristo nos amou quando ainda éramos pecadores. Ele não esperou que nos tornássemos dignos do seu amor. Ele tomou sobre si o nosso pecado, morreu na cruz e nos concedeu perdão e reconciliação com Deus. Portanto, o amor que demonstramos ao próximo não é uma tentativa de conquistar a salvação; é uma resposta à graça que já recebemos em Jesus.
Por isso, irmãos, o amor cristão não deve permanecer apenas dentro da igreja ou nas palavras que pronunciamos. Ele precisa ser visto em nossa casa, em nossa família, no trabalho, na comunidade e até mesmo diante daqueles que nos fazem mal. Amar é perdoar. Amar é servir. Amar é procurar a paz. Amar é não alimentar ressentimentos. Amar é fazer o bem quando seria mais fácil revidar.
Que o Senhor nos conceda a graça de viver aquilo que professamos. Que o nosso amor seja sincero, que nossas palavras sejam amorosas, que nossas atitudes promovam a paz e que nossas respostas revelem o caráter de Cristo. Que as pessoas possam perceber, através de nossa vida, que fomos alcançados pelo amor de Deus.. Amém.
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