TEXTO: Fp 3. 4b-14
TEMA: ESQUEÇAMOS O PASSADO E AVANCEMOS PARA O ALVO QUE É CRISTO!
Todos nós temos uma história. Temos um passado formado por acontecimentos que marcaram nossa vida: alegrias, conquistas, perdas, erros, pecados, oportunidades e experiências. Algumas coisas do passado nos trazem boas lembranças; outras gostaríamos de esquecer. O problema acontece quando permitimos que o passado nos impeça de viver o presente e de avançar em direção ao futuro que Deus coloca diante de nós.
Em Filipenses 3, Paulo fala de sua própria história. Ele tinha muitos motivos para confiar em sua origem, em sua religião, em sua formação e em suas realizações. Humanamente falando, poderia considerar-se um homem exemplar. Mas, quando encontrou Cristo, passou a enxergar tudo de maneira diferente. Aquilo que antes considerava lucro passou a considerar perda por causa de Cristo.
Paulo não está dizendo que sua história não teve importância. Ele está ensinando que nenhuma realização humana pode ocupar o lugar que pertence a Cristo. Por isso, ele deixa para trás aquilo que poderia ser motivo de orgulho e prossegue em direção ao alvo. A mensagem para nós é clara: não devemos viver presos ao passado, mas avançar pela graça de Deus em direção a Cri
Diante do que foi exposto, vamos agora refletir sobre o tema “Esqueçamos o passado e avancemos para o alvo que é Cristo!”, observando o que o apóstolo Paulo nos ensina neste texto. Para isso, vamos considerar três verdades que orientam a nossa caminhada cristã:
Primeiro,não colocando nossa confiança em nossas realializações. (vv. 4b-6). Paulo tinha muitos motivos humanos para confiar em sua própria história, formação e religiosidade. Ele possuía uma origem respeitada, conhecia a Lei e procurava viver de maneira exemplar. No entanto, percebeu que nenhuma dessas coisas poderia lhe dar a salvação. Diante de Deus, nossas conquistas, méritos e boas obras não são a base da nossa justiça. A salvação não depende do nosso currículo religioso, mas da graça de Deus em Cristo. Por isso, não devemos colocar nossa confiança naquilo que somos ou fazemos, mas somente em Jesus. As nossas obras são frutos da fé, e não o fundamento da nossa salvação.
Segundo, considerando tudo como perda por causa de Cristo (vv. 7-11). Paulo passou a enxergar sua vida de maneira diferente depois de conhecer Cristo. Aquilo que antes considerava lucro, passou a considerar perda por causa de Jesus. Suas conquistas, sua religiosidade e sua própria justiça não podiam ser comparadas ao valor de conhecer Cristo. Paulo desejava ser encontrado em Cristo, não confiando em uma justiça própria, mas na justiça que vem de Deus mediante a fé. Isso nos ensina que nada neste mundo pode ocupar o lugar de Cristo em nossa vida. Quando conhecemos a grandeza da graça de Deus, aprendemos a colocar todas as coisas no seu devido lugar. Cristo é mais importante do que qualquer conquista, e nele encontramos perdão, justiça, vida e salvação.
Terceiro, deixando o passado e avancemos para o alvo (vv. 12-14).Paulo reconhece que ainda não havia alcançado a perfeição, mas continuava avançando em sua caminhada com Cristo. Ele não permitia que seus erros, fracassos ou conquistas passadas determinassem sua vida presente. Ao dizer que se esquecia das coisas que para trás ficavam e avançava para as que estavam diante dele, Paulo mostra a importância de manter os olhos no alvo. Para o cristão, esse alvo é Cristo e a vida eterna que Deus concede pela graça. Não significa apagar o passado, mas não permanecer preso a ele. Somos chamados a aprender com nossa história, receber o perdão de Deus e continuar firmes na fé. Com os olhos fixos em Cristo, deixamos para trás o que passou e prosseguimos, pela graça de Deus, em direção ao alvo.
I
Paulo estava preocupado com a comunidade de Filipos, pois havia pessoas que estavam estabelecendo critérios para selecionar quem é aceito e quem é rejeitado. Um desses critérios era a circuncisão. Mesmos estando na prisão, Paulo alertou aos verdadeiros cristãos para se lembrarem daquilo que era essencial na vida com Cristo. Ele incentiva a regozijar-se no Senhor, e também aconselha os filipenses a não caírem nas armadilhas, preparadas por aqueles que estavam dentro da igreja e apoiavam heresias.
Aconselha ainda a ter cuidado com os falsos mestres. Três vezes ele adverte: “Acautelai-vos” (lit., "vigiai, estai atento") Sendo assim, de uma maneira severa, ele afirma: “Acautelai-vos dos cães!” (v.2).Os judeus consideravam os cães como criaturas perigosas, desprezíveis e impuras. A referência aqui é, sem dúvida, aos judaizantes. Era um grupo preso às antigas formas, cerimônias da Lei de Moisés e tradições nacionais. Eles eram comparados aos cães. Eram semelhantes, com seus “latidos moralistas”, prejudicando o crescimento espiritual da congregação, fazendo com que muitos se submetessem aos ritos da antiga aliança, na qual Jesus Cristo, já havia cumprido,
Paulo também se refere às mesmas pessoas ao dizer: “Acautelai-vos dos maus obreiros! (v.2b). Eram professores judaizantes que ensinavam doutrinas errôneas. Presume-se que seus ensinamentos se constituíam muito em insistir nas obrigações dos ritos e cerimônias judaicas, ao falar da vantagem de ter nascido judeu e ao insistir no cumprimento da Lei para justificar-se diante de Deus. Dessa maneira, seus ensinamentos tendiam a deixar de lado a grande doutrina da salvação pelos méritos de Cristo.
Enfim, Paulo exorta os filipenses tomar cuidado com a falsa circuncisão: “Acautelai-vos da falsa circuncisão!” (v.2c). No Antigo Testamento, esse ritual marcava quem pertencia ao povo de Deus. A circuncisão era o sinal da Aliança de Deus com o seu povo. E era a principal questão levantada pelos judaizantes. Os mestres judaizantes ensinavam, que a perfeição espiritual era possível para aqueles foram circuncidados e que guardavam a Lei. Na verdade, eles defendiam o valor da circuncisão, pois era o selo da aliança que representava e lembrava o sentido das promessas de salvação, ou seja, era necessário para a salvação.
O apóstolo Paulo refutou o principal ensino dos judaizantes, mostrando que o importante não era a circuncisão física. Quando Jesus veio a circuncisão tornou-se desnecessária, já não era uma exigência pactual. Neste sentido, Paulo corrige o pensamento dos judaizantes, e afirma que essas coisas não tinham mais valor para a salvação. Em Jesus, esse ritual já não é mais necessário visto que a nova aliança com o ser humano aconteceu através da morte do Filho de Deus na cruz. A antiga aliança que Deus tinha estabelecido com o Seu povo exigia obediência estrita à lei mosaica, que exigia que Israel realizasse sacrifícios diários para expiar o pecado. Mas, agora, Jesus Cristo é o mediador da nova aliança, e a Sua morte na cruz é a base da promessa (Lucas 22.20). Promessa que Deus faz com a humanidade de que perdoará o pecado e restaurará a comunhão com aqueles cujos corações estão voltados para Ele. O povo de Deus, agora, é definido em termos de sua relação com Jesus ( Gl 3.16, 29), e não de sua relação com Jacó/Israel.
Paulo entendia que a única condição para a salvação, tanto de judeus como de gentios, era a fé em Cristo (At 10.44-48).Da mesma forma, no Concílio de Jerusalém (Atos 15) a liderança da Igreja Primitiva chegou à conclusão de que somente a fé em Jesus Cristo é que pode trazer salvação tanto a judeus como a gentios. Diante destas colocações, mostrou que a circuncisão não era o mais importante naquele momento, mas sim os sinais no coração. O apóstolo Paulo, repete esta mesma ideia em Romanos 2.29: “ Porém judeu é aquele que o é, interiormente, e circuncisão é a do coração, pelo Espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede de seres humanos, mas de Deus.” Não bastava ser fisicamente circuncidado, precisava ser espiritualmente e internamente consagrado a Deus. De que adiantaria alguém ser circuncidado. mas seu coração ser maldoso e não agradava a Deus.
Paulo reforça que a verdadeira circuncisão ocorre no nosso coração por meio de Cristo Jesus: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.” (v.3). Paulo usa outra palavra grega traduzida igualmente por circuncisão para aludir aos crentes genuínos que estão em Cristo: περιτομή. Este termo significa cristãos separados da multidão impura e verdadeiramente consagrados a Deus. Estes são os que fazem parte do povo de Deus, porque passaram pela circuncisão espiritual (Rm 2.25-29; Ef 2.11; Cl 2.11). Agora, fazem parte da nova aliança, porque aceitaram o Cristo que morreu e ressuscitou. Eles constituem o verdadeiro povo da aliança e os que efetivamente estão numa relação especial e única com Deus. Isto ocorre quando adoramos a Deus no Espírito. Quando rendemos culto a Deus, não pela observância de práticas externas, mas por um culto verdadeiro a Deus. E finalmente quando não confiamos na carne ( Jo 4.24),porque a tendência da carne é a concupiscência do pecado, do engano.
Paulo faz agora uma explanação sobre aquilo em que poderia confiar segundo os padrões humanos. Ele apresenta seu próprio currículo e, por um momento, coloca-se no lugar daqueles que depositavam sua confiança nos privilégios externos e na observância da Lei. Se essas coisas tivessem valor para alcançar a justiça diante de Deus, Paulo teria muitos motivos para confiar na carne(v.4). Confiar na carne significa colocar a confiança em si mesmo, nos próprios méritos, na religiosidade e nas realizações pessoais.
Paulo afirma que foi “circuncidado ao oitavo dia” (v. 5), conforme a Lei, mostrando que fazia parte do povo da aliança desde o nascimento. Ele não era um prosélito convertido ao judaísmo na idade adulta, mas nasceu judeu. Pertencia à linhagem de Israel e à tribo de Benjamim, uma tribo que ocupava lugar de destaque na história de Israel. Ele também afirma ser “hebreu de hebreus”, destacando sua origem e identidade judaica.
Quanto à Lei, Paulo era fariseu, grupo conhecido pelo rigor na observância das prescrições religiosas. Quanto ao zelo, ele havia sido perseguidor da igreja, pois, antes de conhecer Cristo, acreditava estar defendendo a verdadeira religião. Seu zelo era tão intenso que perseguia os cristãos pensando estar prestando serviço a Deus. Finalmente, quanto à justiça baseada na Lei, afirma que era “irrepreensível” (v.6), isto é, segundo os padrões externos que ele seguia, procurava cumprir cuidadosamente aquilo que a Lei exigia.
Paulo, portanto, tinha um currículo religioso impressionante. Se alguém pudesse confiar na própria origem, religiosidade, tradição ou comportamento para alcançar a justiça diante de Deus, ele teria muitos motivos para fazê-lo. Mas justamente esse currículo servirá para Paulo mostrar que nenhuma dessas coisas pode substituir Cristo. A confiança do cristão não está em sua própria justiça, mas na justiça que Deus concede em Jesus.
II
Esse era o “grandioso” currículo do apóstolo Paulo. Ele era um grande intelectual do seu tempo. Portanto, quem deveria se vangloriar, era ele. Não havia dúvidas disso. Mas por amarga experiência o apóstolo testifica que essas coisas não lhe deram um conhecimento pessoal de Deus. Porém, tudo isso ficou no passado. Ao pertencer a Cristo, Paulo descobriu que, aquilo que para ele era importante, não tinha mais valor. Toda a sua religiosidade e posição não valiam nada para Deus. O seu maravilhoso currículo não tinha valor algum diante de Deus.
Quando Paulo compreendeu, ele analisa o ganho numa perspectiva diferente: “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda.” (v.7a). Paulo está usando jargão comercial. O termo grego κέρδος (ganho) está no plural, ao passo que ζημία (perda) está no singular. Significa que antes, Paulo possui muitas vantagens, visto que cada uma tinha valor em si mesma. Ele confiava em sua perspicácia intelectual, em seus ideais humanistas, em suas virtudes pessoais, em sua vida disciplinada, em sua honestidade e até em seu exercício religioso — e os apresenta a Deus como se merecessem salvação. Enfim, ganhou muito diante dos homens. Era uma vida cheio de lucro , ou seja, de prosperidade em meio aos judeus.
No entanto, a visão que Paulo adquiriu sobre Cristo, o fez mudar os seus parâmetros de avaliação das coisas. Ele considerou tudo o que tinha de valor em sua vida, como perda. Aquilo que antes era vantagem, ganho, lucro se transformou simplesmente em perda, coisas inúteis. A palavra perda indica aquilo que foi danificado ou não serve para mais nada. Aquelas coisas que Paulo considerava importantes, perderam a importância. E tudo isso por um único motivo, que ele mesmo explica: “para que possa ganhar a Cristo”. (v7b).
Elas não tinham valor algum, em comparação com o valor eminente que havia conquistado em Cristo. Ora, as maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida nada se compara com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (v. 8a). A verdade é que o conhecimento de Cristo é tão valioso que todo o seu currículo ficou sem valor algum. Ele não somente considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. O termo grego σκύβαλον, traduzido por refugo, traz o significado de lixo, resto.(v.8b).Isto demonstra que tudo que possuía não se comparava com o conhecimento de Cristo.
No entanto, Paulo ainda tinha outra questão para refletir: “ não tendo justiça própria, que procede de lei.” (v.9a). Paulo revela o caráter inútil da justiça que estava na lei. Afirma que sua própria justiça, que se baseava naquela lei, também era vão, pois era obtida em conformidade com os preceitos da religião judaica. Nenhuma quantidade de esforços religiosos podem nos fazer perfeitos diante de Deus. Para o apóstolo Paulo a única justiça verdadeira era aquela que é mediante a fé em Cristo: “ a justiça que procede de Deus, baseada na fé.” (v.9b). Portanto, não é através das nossas obras, dos nossos próprios méritos que alcançaremos a justiça de Cristo. Esta justiça deve ser renunciada, para que sejamos justificados pela fé.
O apóstolo Paulo deixa claro que seus títulos e honras do passado de nada valem na caminhada cristã. Aqui está uma verdade desafiadora lançada pelo apóstolo: títulos, honras e poder não significam absolutamente nada para Cristo. Afinal, isso não é capaz de nos salvar e, tão pouco, livrar-nos do pecado. Será que, por vezes, a justiça dos fariseus não encontra morada em nossos corações? Será que com nossas atitudes e posicionamentos de vida, agradam a Deus? Lembre-se: não é o orgulho, posição, mérito ou ações próprias que agradam a Deus. Quantas obras aprovadas pelos homens, que Deus rejeita? Quantas posições honradas pelos homens, que Deus não reconhece? Quantos bons nomes, que para Deus são puro e simples disfarce? Devemos suplicar como o publicano: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Reconheço que não mereço nada da tua parte, a não ser castigo, sabendo disso, te peço compaixão, misericórdia pelo os meus pecados.
Paulo descobriu que o que importa é Cristo e nada mais, pois em Cristo tinha um grande objetivo: “para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.” (vv.10 e 11). Conhecer a Cristo era o anseio mais ardente de Paulo (1.20-24). Quando Paulo fala em conhecer a Cristo não é apenas uma ideia, um ideal, uma abstração, uma percepção mental. Não se trata de um subjetivismo ou de uma questão de mera experiência. Paulo não estava interessado meramente em fatos, nos milagres que Jesus realizou, nem em Seus ensinamentos. Conhecer a Deus significa constatar que Deus é aquilo que Ele diz ser. Sendo assim, Paulo menciona três maneiras pelas quais queria conhecer Jesus:
Primeiro, Paulo queria conhecer Jesus no poder da Sua ressurreição. Identificar-se com o Cristo crucificado. Desta forma, ele vê a ressurreição, não apenas uma evento histórico, que ,efetivamente, marcou toda a realidade da fé cristã, mas entende a ressurreição de Cristo como um poder presente em sua vida ,ou seja, uma nova vida por causa desta ressurreição. Se houver algo que ameaça nos impedir de participar da ressurreição, precisamos considerar tal coisa refugo.
Segundo, Paulo também queria conhecer a Cristo na comunhão de Seus sofrimentos. Ele não somente vive em Cristo, mas também sofre. Em todos os lugares ( 2Co 4.7-11), Paulo ensinou que é pela participação no sofrimento de Cristo, que o poder da ressurreição é manifestado na vida do cristão. Por isso, conhecer a Cristo na comunhão de Seus sofrimentos não é algo para ser temido, mas, sim, vivenciado.
A última maneira pela qual Paulo queria conhecer a Cristo era por se identificar com Ele em Sua morte. Isto demonstra a sua conformidade com a morte de Cristo, ou seja, participante das bênçãos desta morte. Portanto, Paulo vive a partir da morte de Cristo, a garantia daquele que virá para frente: a ressurreição entre os mortos
III
Paulo volta para a sua realidade atual. Ele entendia que ainda não havia completado tudo o que Deus tinha preparado. E para explicar esta questão, ele usa o termo “perfeição”. No Antigo Testamento, as palavras “perfeição” e “perfeito” procedem do termo hebraico תָּמִים cujo significado é “completo”, “correto”, “cheio de paz”, “sadio”, “inteiro” ou “sem mancha”. No grego, de modo geral, o termo τελειόω quer dizer “completo”, “perfeito”, “plenamente crescido”, “maduro”, “plenamente desenvolvido”. Paulo está fazendo aqui uma confissão. Ele afirma que ainda não tinha recebido a perfeição.(v.12a). Não havia chegado na perfeição, apesar de ter recebido da parte de Cristo a justiça e a nova vida pela morte e sua ressureição.
Ele tinha consciência de que não havia alcançado a perfeição: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado.”(v.13). São palavras que reiteram a ideia do versículo anterior. Todavia, devemos dar atenção ao enfático ἐγώ (eu) e o verbo no original grego λογίζομαι, que significa considerar, levar em conta, julgar, determinar, propor-se. Paulo afirma que ele mesmo não julga ter alçando a perfeição. No entanto, estava seguindo em frente na sua luta. Tinha alvos determinados e, por isso, afirmou: “Mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (12b).
Paulo, sabendo que ainda havia um caminho longo a ser percorrido, toma duas decisões importantes: Primeiro, “esquecendo-me das coisas que para trás ficam.” (v.13b). Paulo declara que mesmo que não tenha alcançado seu alvo, ele deveria tentar novamente, mas para isso, algo era necessário ser feito: esquecer das coisas que para trás ficam. Isso é, as suas experiências, o farisaísmo, sucessos, fracassos, alegrias, desapontamentos, tristezas e consolos. Agora, tudo isso era passado. Essa atitude é fundamental para quem quer seguir a Jesus e continuar na busca da perfeição. Ela implica em deixar de carregar o peso de coisas que já foram superadas e que insistimos em não nos desapegar.
Ocorre que muitas pessoas não conseguem andar para frente. Ficam presas ao passado. Nesse caso, não importa muito, qual é o tipo de coisa que ficou para trás. Importa superá-las, seja pelo perdão. Se for necessário perdoar alguém, perdoe. Se for necessário pedir perdão, peça. Mas liberte-se do passado. A segunda decisão é prosseguir para o alvo: “Avançando para as que estão diante de mim.”(v.13b). A expressão “avançando” demonstra um tremendo esforço para frente. No grego esta expressão (ἐπεκτείνομαι) significa esticando-se, estendendo-se adiante. Ela era usada na linguagem dos desportista da época.
Este é o conselho de Paulo: “esquecendo-me” e “ avançando”. Quem corre em uma competição, não olha para trás, por cima do ombro, a fim de calcular que distância já percorreu, nem como vão os concorrentes. O corredor que olha para trás, perde a velocidade, a direção e a corrida. Enfim, quem corre, fixa os olhos na meta de chegada. A mulher de Ló, por ter olhado para trás quando a cidade de Sodoma estava sendo destruída, desobedecendo, assim, à orientação divina, foi transformada numa estátua de sal (Gn 19.26).Não faça como o povo de Israel quando libertados saíram do Egito. Eles desejaram a comida dos egípcios, enquanto caminhavam rumo a terra que Deus lhes dera a qual possuía grandes e maravilhosas bênçãos.
Faça como o apóstolo Paulo. Ele não fixou seus olhos no passado, como quem contempla, nostalgicamente, o que já se foi. Objetivo de Paulo, como seguidor de Cristo, era não olhar mais para trás, não parar no meio do caminho para ficar revivendo e ressentindo as coisas que deviam ter ficado para trás. mas ,constantemente, olhou para a frente, mirando o alvo. Não basta superar as coisas que nos atrapalham na caminhada. É preciso continuar caminhando, e caminhando para frente. Por isso, é preciso prosseguir rumo ao alvo, cuja orientação está centrada em Cristo. O que importa é continuar a mover-se. O desafio é manter-se firme na direção de Cristo.
Paulo nos ensina outro princípio para o sucesso nessa corrida, quando diz: “prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”(v.14). O verbo διώκω tem a conotação de fazer correr ou fugir, afugentar, escapar; correr prontamente a fim de capturar um pessoa ou coisa, correr atrás, ou ir ao encalço de. Isto significa que o atleta para vencer a corrida precisava ter determinação. Ele entrava no jogo determinado a vencer. Tendo como objetivo o σκοπός (alvo). Este termo significa que o atleta, com determinação, dirige seu olhar para o final da pista, a meta que pretende atingir, pois a palavra alvo se refere especificamente à linha de chegada em uma corrida, na qual os corredores atentamente fixam os olhos no final da corrida, para receber a coroa ou troféu (1Co 9.24-2 Tm 4.8). O prêmio significa recompensa por ter vencido a corrida, ou por ter chegado ao lugar demarcado.
O que significa este alvo do qual Paulo está falando aqui? O alvo é Cristo. Ele desejava ardentemente prosseguir para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Este é o maior prêmio. Prosseguir para o alvo também deve ser o nosso objetivo. Mas não é qualquer alvo. Nosso alvo é Cristo! Ele deve ser a prioridade de nossa vida, a razão da nossa existência. A nossa fé em Cristo é algo infinitamente maior e mais valioso em comparação com as velhas tradições, méritos. pois nada vale termos méritos e lucros, se o nosso alvo não é Cristo. Além disso, prossigamos para o alvo porque não temos neste mundo cidade permanente. A nossa pátria está nos céus onde há terna felicidade. Por isso, esta pátria celestial deve ser o novo alvo.
Estimados irmãos! O passado já
ficou para trás, devemos agora seguir em frente olhando somente para Jesus,
como o nosso único alvo. Mas continuamos prosseguindo. Sejamos persistentes, a
fim de receber o prêmio celestial para o qual Deus nos chama em Cristo Jesus.
Amém!
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