TEXTO: Rm 3.19-28
TEMA: JUSTIFICADOS PELA FÉ, VIVEMOS NA GRAÇA
DE DEUS! (Como?)
No dia 31 de outubro, celebramos a Reforma
Luterana, um acontecimento marcante na história da Igreja Cristã. Em 1517,
Martinho Lutero tornou públicas suas 95 teses, dando início a um movimento que
trouxe à tona uma questão fundamental: como o ser humano pode ser justo diante
de Deus e receber a salvação?
Ao estudar a Palavra de Deus, Lutero
compreendeu que a salvação não é conquistada por méritos pessoais, boas obras
ou esforços humanos. Ela é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em
Jesus Cristo. Essa verdade trouxe consolo à sua consciência e transformou sua
compreensão do Evangelho.
O texto de Romanos 3.19–28 apresenta
justamente essa mensagem. O apóstolo Paulo mostra que todos somos pecadores,
que ninguém pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras e que a
salvação nos é concedida gratuitamente, por meio da redenção realizada por
Cristo Jesus. Por isso, a Reforma não nos conduz à exaltação de um ser humano,
mas nos leva de volta à Palavra de Deus e ao centro da mensagem cristã: Jesus
Cristo, nosso único Salvador.
A pergunta “Como somos justificados pela fé e
vivemos na graça de Deus?” pode ser respondida a partir de três verdades
apresentadas pelo apóstolo Paulo.
Primeiro, reconhecendo que somos
pecadores diante de Deus (vv. 19–20). Lei de Deus revela nossos pecados e
mostra que não podemos conquistar a salvação por nossos próprios méritos. Todos
nós falhamos diante da vontade divina e precisamos reconhecer nossa culpa.
Quando a Lei nos mostra que somos pecadores, ela nos conduz ao arrependimento e
nos faz reconhecer nossa necessidade de um Salvador.
Segundo, confiando na graça de Deus revelada
em Jesus Cristo (vv. 21–26). Paulo ensina que somos
“justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em
Cristo Jesus” (v. 24). Isso significa que Deus nos declara justos não por causa
de nossas obras, mas por causa de Jesus, que morreu na cruz para pagar pelos nossos
pecados e ressuscitou para nos dar vida. Pela fé, recebemos o perdão e a
salvação que Deus nos oferece gratuitamente em Cristo.
Terceiro, vivendo pela fé, sem confiar em nossos próprios méritos (vv. 27–28). Se somos salvos pela graça, não temos motivos para nos orgulhar diante de Deus. Nossa confiança está em Jesus, e não em nossas realizações. Por isso, vivemos agradecidos pelo amor que recebemos, praticamos boas obras como frutos da fé e anunciamos o Evangelho ao nosso próximo. Não fazemos boas obras para conquistar a salvação, mas porque fomos alcançados pelo amor de Deus.
I
Paulo mostra que a Lei de Deus revela a verdadeira condição do ser humano diante do Senhor. A Lei apresenta a vontade divina e nos mostra o que Deus espera de nós: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus” (v.19). Entretanto, quando examinamos nossa vida à luz dessa vontade, percebemos que somos pecadores e que não conseguimos cumprir perfeitamente os mandamentos de Deus. Por isso, ninguém pode apresentar suas próprias obras como justificativa diante dele. O apóstolo Paulo afirma que, diante de Deus, “toda boca se cala” e o mundo inteiro fica sujeito ao seu juízo. A expressão significa que ninguém tem argumentos para se declarar inocente diante de Deus com base em seus próprios méritos. Não podemos comparar nossa vida com a de outras pessoas, destacar nossas boas ações ou apresentar nossa religiosidade como pagamento pelos nossos pecados. Diante da santidade de Deus, todos somos culpados e necessitamos de sua misericórdia.
Paulo também afirma que “todo o mundo seja culpável perante Deus”. Isso significa que ninguém está excluído dessa realidade: todos pecaram e precisam da salvação. A Lei, portanto, não é um caminho pelo qual conquistamos a vida eterna, mas revela nosso pecado e nossa necessidade de um Salvador. Ela nos conduz ao reconhecimento de nossa culpa e prepara o caminho para ouvirmos a boa notícia do Evangelho.
Paulo também apresenta uma verdade fundamental
para compreendermos a salvação: ninguém pode ser declarado justo diante de Deus
por cumprir as obras da Lei: “Visto que ninguém será justificado diante dele
por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.”
(v.20). A Lei de Deus é santa e revela sua vontade para a nossa vida.
Entretanto, por causa do pecado, não conseguimos cumprir perfeitamente aquilo
que Deus exige. Por mais que nos esforcemos para praticar o bem, nossas obras
não podem apagar nossos pecados nem conquistar a salvação.
Ele ainda afirma que “pela lei vem o pleno
conhecimento do pecado”. Isso significa que a Lei funciona como um espelho,
mostrando quem realmente somos diante de Deus. Ela revela nossas atitudes
erradas, nossos pensamentos pecaminosos e nossas falhas em cumprir a vontade
divina. A Lei não cria o pecado, mas o revela e mostra a gravidade de nossa
condição. Quando examinamos nossa vida à luz da Palavra de Deus, percebemos que
precisamos de perdão e que não podemos salvar a nós mesmos.
Essa verdade foi decisiva para a Reforma
Luterana. Martinho Lutero compreendeu que seus esforços religiosos não poderiam
lhe dar a certeza da salvação. Ao estudar as Escrituras, redescobriu que a
justiça diante de Deus não é conquistada por méritos humanos, mas recebida pela
fé em Jesus Cristo. A Lei revela nossa culpa, mas o Evangelho anuncia que
Cristo assumiu nossos pecados e conquistou para nós o perdão e a reconciliação
com Deus.
Portanto, não devemos confiar em nossas boas
obras como fundamento da salvação. Elas são importantes como frutos da fé e
expressões de amor ao próximo, mas não podem nos justificar diante de Deus.
Nossa esperança está em Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou por nós. Por
isso, o tema da Reforma continua atual: somos justificados pela fé e vivemos na
graça de Deus, reconhecendo nossos pecados e confiando diariamente no perdão
que recebemos por meio de Cristo.
II
Depois de mostrar a realidade do pecado, Paulo
apresenta a maravilhosa notícia do Evangelho: “Mas agora, sem lei, se
manifestou a justiça de Deus” (v. 21). A expressão “Mas agora” indica uma
mudança importante na argumentação do apóstolo. Nos versículos anteriores, ele
mostrou que todos os seres humanos são pecadores e que ninguém pode ser
justificado diante de Deus por suas próprias obras. Tanto judeus como gentios
estão debaixo do pecado e necessitam da salvação divina.
Agora, Paulo afirma que a justiça de Deus se
manifestou “sem lei”, isto é, independentemente das obras da Lei. Isso não
significa que a Lei de Deus tenha perdido seu valor ou que possamos viver sem
considerar sua vontade. Paulo ensina que a obediência à Lei não é o meio pelo
qual conquistamos a justificação diante de Deus. A Lei revela o pecado e mostra
que somos incapazes de alcançar a justiça perfeita que Deus exige. Por isso,
não podemos confiar em nossas próprias obras para obter a salvação. Precisamos de
uma justiça que venha do próprio Deus.
Essa justiça nos é concedida por meio de Jesus
Cristo, que cumpriu a vontade do Pai e tomou sobre si os nossos pecados. Somos
justificados pela graça, mediante a fé, e não por nossos méritos. Em Cristo,
Deus nos concede a justiça que não conseguimos alcançar por nós mesmos. Pela
fé, recebemos o perdão dos pecados e somos reconciliados com ele. As boas obras
continuam sendo importantes na vida cristã, mas não são o preço da salvação;
são frutos da fé e da gratidão a Deus por sua graça.
Paulo, depois de afirmar que a justiça se
manifestou independentemente das obras da Lei, o apóstolo declara que ela é
recebida mediante a fé em Jesus Cristo. Isso significa que não somos
justificados diante de Deus por nossos méritos, por nossas boas obras ou pela
capacidade de cumprir perfeitamente os seus mandamentos. A justiça que nos
salva vem do próprio Deus e nos é concedida por meio de Cristo. Ele afirma: “Justiça de
Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que creem;
porque não há distinção” (v.22).
A expressão “mediante a fé em Jesus Cristo” mostra que a fé é o meio
pelo qual recebemos a justiça que Deus nos oferece no Evangelho. Não é a fé,
considerada como uma realização humana, que nos torna merecedores da salvação.
É Jesus Cristo quem conquistou nossa salvação por meio de sua morte e
ressurreição. Pela fé, recebemos os benefícios dessa obra salvadora: o perdão
dos pecados, a reconciliação com Deus e a promessa da vida eterna. Assim, toda
a glória pertence ao Senhor, que nos salva por sua graça.
Paulo acrescenta ainda que essa justiça é
oferecida “para todos e sobre todos os que creem”, pois “não há distinção”.
Naquele contexto, essa afirmação era especialmente importante porque judeus e
gentios não tinham o mesmo passado religioso. Os judeus possuíam a Lei e as
promessas de Deus, enquanto os gentios não haviam recebido a Lei da mesma
maneira. Entretanto, diante de Deus, ambos necessitavam da salvação, pois todos
eram pecadores. E todos recebem a justiça de Deus pelo mesmo meio: a fé em
Jesus Cristo. Ninguém pode reivindicar superioridade espiritual com base em sua
origem, tradição ou obras.
Esse ensinamento continua sendo fundamental
para nós. Não importa nossa história, nossa posição social ou nosso
conhecimento bíblico: todos precisamos do perdão de Deus. Nossa esperança não
está naquilo que fazemos para Deus, mas naquilo que Deus fez por nós em Jesus
Cristo. As boas obras têm seu lugar na vida cristã, mas são frutos da fé e da
gratidão, não a causa da nossa justificação.
Depois de afirmar que a justiça de Deus é
concedida mediante a fé em Cristo e está disponível a todos os que creem (v.
22), Paulo agora
apresenta uma das verdades fundamentais da Bíblia. Ele afirma no versículo 23:
“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. A expressão “todos pecaram”
mostra que ninguém está livre do pecado. Não existe distinção entre judeus e
gentios, entre pessoas religiosas e não religiosas, nem entre aquelas que
parecem justas aos olhos humanos e aquelas cujas falhas são mais evidentes.
Todos estão debaixo do pecado e não conseguem, por seus próprios esforços,
alcançar a justiça perfeita que Deus exige. O pecado não se limita a atos
exteriores, mas também envolve nossos pensamentos, desejos, palavras e
motivações. Por isso, ninguém pode apresentar suas próprias obras como
fundamento para exigir a salvação de Deus.
Quando Paulo afirma que todos “carecem da
glória de Deus”, ele mostra que o pecado nos coloca numa condição de
afastamento da glória e da santidade divinas. Fomos criados para viver em
comunhão com Deus e refletir sua vontade em nossa vida, mas o pecado corrompeu
essa relação. Não conseguimos, por nós mesmos, restaurar a comunhão perdida nem
alcançar a perfeição que Deus deseja. Precisamos que o próprio Deus venha ao
nosso encontro e nos conceda sua justiça.
Essa verdade nos leva à humildade. Não podemos
olhar para os outros como se fôssemos melhores ou mais merecedores diante de
Deus. Todos necessitamos do mesmo perdão. Ao mesmo tempo, esse versículo
prepara o caminho para a maravilhosa notícia do Evangelho: embora todos sejam
pecadores, Deus não nos abandona à condenação. Por meio de Jesus Cristo, ele
oferece gratuitamente a justificação e o perdão dos pecados. Cristo cumpriu
aquilo que nós não poderíamos cumprir e entregou sua vida para nos reconciliar
com o Pai.
Depois de mostrar que todos pecaram e carecem
da glória de Deus, Paulo anuncia a resposta divina para essa condição: “somos
justificados gratuitamente pela graça de Deus, mediante a redenção que há em
Cristo Jesus” (v.24). O pecado é uma realidade que não podemos vencer por
nossas próprias forças, mas a graça de Deus é maior e nos oferece, em Cristo, o
perdão e uma nova vida.
A expressão “sendo justificados gratuitamente” significa que Deus nos
declara justos diante dele, não porque tenhamos realizado obras suficientes
para merecer esse reconhecimento, mas porque recebemos pela fé a justiça
conquistada por Cristo. A justificação é uma declaração de Deus em nosso favor.
Ele perdoa nossos pecados e nos aceita por causa de Jesus. Portanto, não
podemos apresentar nossas boas obras como pagamento pela salvação, pois ela nos
é concedida gratuitamente.
Paulo acrescenta que somos justificados “por
sua graça”. A graça é o favor imerecido de Deus para com os pecadores. Não
merecemos o perdão, não conseguimos conquistar o amor divino e não podemos
exigir a salvação como recompensa por nossa obediência. Mesmo assim, Deus nos
ama e nos oferece o perdão por meio de seu Filho. Essa verdade nos conduz à
humildade, pois toda a glória pertence ao Senhor, e nos consola, porque nossa
salvação não depende da perfeição de nossas obras, mas da fidelidade de Deus.
O apóstolo explica ainda que essa justificação
acontece “mediante a redenção que há em Cristo Jesus”. Redenção significa
libertação mediante o pagamento de um preço. Por causa do pecado, estávamos sob
a condenação e não podíamos libertar a nós mesmos. Jesus Cristo, porém,
entregou sua vida na cruz e derramou seu sangue para nos libertar da culpa e da
condenação do pecado. Sua ressurreição confirma a vitória sobre a morte e
fundamenta nossa esperança de vida eterna. A salvação, portanto, não é uma
conquista humana, mas o resultado da obra completa de Cristo em nosso favor.
Esse versículo expressa uma verdade central da
fé cristã luterana: somos justificados somente pela graça, mediante a fé, por
causa de Cristo. As boas obras não são a causa da nossa salvação, mas são
frutos da fé e da gratidão a Deus. Porque fomos perdoados e recebemos uma nova
vida em Cristo, somos chamados a viver em amor, servindo ao próximo e
procurando fazer a vontade do Senhor.
Paulo continua explicando como Deus tornou
possível a nossa justificação. Ele mostra que a nossa salvação está
fundamentada no sacrifício de Jesus na cruz. Deus não ignorou o pecado nem
simplesmente declarou que ele não tinha importância. Pelo contrário, em seu
amor, providenciou o meio pelo qual a culpa seria tratada e os pecadores
poderiam ser reconciliados com ele. Jesus Cristo é o centro do plano de
salvação de Deus. Ele afirma:
“A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para
manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os
pecados anteriormente cometidos” (v.25).A expressão “a quem Deus propôs” mostra
que a obra da salvação faz parte do plano misericordioso do próprio Deus. Foi o
Senhor quem tomou a iniciativa de nos salvar, enviando seu Filho ao mundo. Não
fomos nós que encontramos um caminho para chegar a Deus por nossos próprios
méritos; foi Deus quem veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. Isso revela a
profundidade de seu amor pela humanidade pecadora.
Ele ainda afirma que Cristo foi apresentado
“no seu sangue, como propiciação”. A palavra propiciação aponta para o
sacrifício pelo qual a justa condenação do pecado é tratada e a reconciliação
com Deus se torna possível. No Antigo Testamento, os sacrifícios estavam
relacionados à expiação dos pecados. Entretanto, esses sacrifícios apontavam
para a obra definitiva que seria realizada por Jesus. Na cruz, Cristo entregou
sua vida por nós e derramou seu sangue para obter o perdão dos nossos pecados.
Ele tomou sobre si a condenação que nos cabia e satisfez a justiça divina.
Assim, Deus permanece justo e, ao mesmo tempo, justifica aqueles que creem em
Jesus.
E tudo
isto ocorreu “mediante a fé, para manifestar a sua justiça”. Esta expressão
mostra como recebemos os benefícios desse sacrifício. Não somos salvos porque
realizamos boas obras, cumprimos rituais ou apresentamos méritos diante de
Deus. Recebemos pela fé aquilo que Cristo conquistou por nós. A fé não é um
pagamento oferecido a Deus, mas o meio pelo qual confiamos em sua promessa e
recebemos o perdão que ele nos concede no Evangelho.
Paulo também explica que Deus agiu com
tolerância em relação aos pecados anteriormente cometidos. Isso não significa
que Deus considerava o pecado insignificante ou que simplesmente o deixava sem
resposta. Significa que, em sua paciência, ele suportou os pecados humanos e
conduziu a história da salvação até o cumprimento de suas promessas em Cristo.
Na cruz, Deus manifestou sua justiça e revelou que o perdão oferecido aos
pecadores está fundamentado na obra redentora de seu Filho.
Nossa salvação custou a vida de Jesus Cristo.
Ao mesmo tempo, esse sacrifício é a maior demonstração do amor de Deus por nós.
Quando nossa consciência nos acusa e nos sentimos indignos de nos aproximar do
Senhor, podemos confiar no sangue de Cristo, que foi derramado para nossa
redenção. Nossa esperança não está em nossos méritos, mas no Salvador que
morreu e ressuscitou por nós.
Paulo conclui sua explicação sobre a justiça
de Deus e a obra redentora de Jesus Cristo. Nos versículos anteriores, o
apóstolo mostrou que todos pecaram e carecem da glória de Deus (v. 23), mas são
justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo
Jesus (v. 24).
Agora, ele explica que, por meio do sacrifício
de Cristo, Deus manifesta sua justiça e, ao mesmo tempo, concede a justificação
aos pecadores que creem em Jesus. Na cruz, Deus revela que é justo e que, por
sua graça, justifica aqueles que confiam em Cristo. Ele afirma: “Tendo em
vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo
e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (v.26). A expressão “a
manifestação da sua justiça no tempo presente” aponta para a obra de salvação
realizada por Jesus Cristo. Durante muito tempo, Deus havia demonstrado
paciência com a humanidade pecadora, mantendo suas promessas e conduzindo a
história da salvação. Agora, por meio da morte e da ressurreição de Cristo, sua
justiça é revelada de maneira decisiva. Deus não ignora o pecado nem abandona
sua santidade. Em seu amor, ele providencia a solução para a culpa humana por
meio do sacrifício de seu Filho.
Paulo afirma que Deus é “justo”. Isso
significa que ele permanece fiel à sua santidade e não trata o pecado como algo
sem importância. O pecado merece a condenação, pois representa a desobediência
à vontade divina e rompe a comunhão com Deus. Entretanto, o Senhor não nos
deixa sem esperança. Jesus Cristo tomou sobre si os nossos pecados e sofreu em
nosso lugar a condenação que merecíamos. Assim, a justiça de Deus não é
anulada, mas manifesta na obra redentora de Cristo.
Ao mesmo tempo, Deus é “o justificador daquele
que tem fé em Jesus”. Justificar significa declarar justo diante de Deus. Essa
declaração não se fundamenta em nossas boas obras ou em nossos méritos
pessoais, mas na justiça conquistada por Cristo em nosso favor. Pela fé,
recebemos o perdão dos pecados e somos reconciliados com Deus. A fé não compra
a salvação nem constitui um mérito humano; ela recebe a promessa do Evangelho e
confia naquilo que Jesus realizou por nós.
Esse ensinamento é central para a fé cristã
luterana. Somos justificados somente pela graça, mediante a fé, por causa de
Cristo. Não precisamos tentar conquistar a aprovação de Deus por meio de nossos
esforços, pois nossa salvação está fundamentada na obra completa de Jesus. As
boas obras continuam sendo importantes, mas são frutos da fé e da gratidão, não
a causa da nossa justificação.
III
Paulo apresenta a conclusão de sua
argumentação sobre a justificação diante de Deus. Depois de mostrar que todos
pecaram e carecem da glória de Deus (v. 23), o apóstolo explicou que somos
justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo
Jesus (v. 24). Agora, ele declara claramente que somos justificados pela fé,
independentemente das obras da Lei. Essa é uma das verdades centrais do
Evangelho e um dos fundamentos da fé cristã luterana: “Concluímos, pois, que o
homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (27). A
expressão “concluímos, pois” indica que Paulo está apresentando o resultado de
tudo o que explicou anteriormente. Se todos são pecadores e ninguém consegue
alcançar a justiça perfeita diante de Deus por seus próprios esforços, então a
justificação não pode depender das obras humanas. A salvação é obra de Deus,
realizada por meio de Jesus Cristo e oferecida gratuitamente aos pecadores.
Quando Paulo afirma que o ser humano é
“justificado pela fé”, ele ensina que Deus declara justo aquele que confia em
Jesus Cristo. Justificação é uma declaração divina: por causa da obra redentora
de Cristo, Deus perdoa os pecados e recebe o pecador como justo diante dele.
Não se trata de uma recompensa por uma vida moralmente perfeita, mas de um
presente concedido pela graça divina. A fé recebe esse presente, confiando na
promessa do Evangelho. A expressão “independentemente das obras da lei” não
significa que a Lei de Deus seja inútil ou que o cristão possa viver sem
considerar seus mandamentos. A Lei continua revelando a vontade de Deus,
mostrando nossos pecados e orientando nossa vida. Entretanto, ela não pode nos
justificar, pois nenhum de nós consegue cumpri-la perfeitamente. As boas obras
têm seu lugar na vida cristã, mas não são a causa da salvação. Elas são frutos
da fé e da gratidão por aquilo que Deus fez por nós em Cristo.
Muitas vezes, podemos pensar que seremos
aceitos pelo Senhor se fizermos coisas suficientes, se formos melhores do que
outras pessoas ou se cumprirmos todas as nossas responsabilidades religiosas.
Paulo nos lembra que nossa segurança não está em nossos méritos, mas em Jesus
Cristo, que cumpriu a vontade do Pai e entregou sua vida por nós. Assim, Paulo
nos ensina que a salvação é recebida pela fé, e não conquistada pelas obras.
O apóstolo Paulo continua desenvolvendo seu
ensino sobre a justificação pela fé. Se a salvação é recebida pela fé,
independentemente das obras da lei, então ela não está limitada a um único
povo. Paulo faz uma pergunta que conduz a uma resposta evidente: “É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o
é também dos gentios? Sim, também dos gentios.” (v.29). Os judeus receberam
privilégios especiais, pois Deus lhes confiou sua Palavra e estabeleceu com
eles suas alianças. Entretanto, esses privilégios não significavam que a
salvação fosse exclusiva deles. Desde o Antigo Testamento, Deus revelou seu
propósito de abençoar todas as nações. Agora, por meio de Jesus Cristo, essa
promessa se manifesta claramente: o Evangelho é anunciado a todos os povos, sem
distinção de origem, nacionalidade ou condição social.
Esse ensino está diretamente relacionado ao
versículo anterior, no qual Paulo afirma que somos justificados pela fé,
independentemente das obras da lei. Se a justificação dependesse da observância
da lei mosaica, os gentios estariam em desvantagem. Mas, como a salvação é um
presente da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo, tanto judeus como
gentios podem ser reconciliados com Deus. Todos pecaram e todos necessitam do
mesmo Salvador.
Para nós, esse texto ensina que a Igreja não
deve fazer distinção entre as pessoas ao anunciar o Evangelho. A salvação não
depende da origem familiar, da cultura, da nacionalidade ou dos méritos
pessoais. Todos precisam da graça de Deus, e Cristo morreu e ressuscitou para
oferecer perdão e vida eterna a todos os que nele creem. Essa verdade também
nos motiva a levar a mensagem de Cristo àqueles que ainda não a conhecem.
Estimados irmãos em Cristo! Ao celebrarmos a
Reforma Luterana, somos convidados a voltar nossos olhos para a Palavra de Deus
e recordar a mensagem central do Evangelho. Romanos 3 nos mostra que todos
somos pecadores e não podemos conquistar a salvação por nossos próprios
méritos. Entretanto, Deus, em seu grande amor, enviou Jesus Cristo para nos
redimir e nos conceder gratuitamente a justiça que não poderíamos alcançar por
nós mesmos.
Foi essa verdade que trouxe consolo a Martinho
Lutero e que continua sendo o fundamento da nossa esperança. A salvação não
depende de nossas obras, mas da graça de Deus, recebida pela fé em Jesus
Cristo. As boas obras são importantes, não para comprar o favor divino, mas
como frutos da fé e sinais de gratidão ao Senhor.
Por isso, a Reforma continua nos chamando a
permanecer firmes nas Escrituras, a anunciar fielmente o Evangelho e a
testemunhar o amor de Cristo ao mundo. Não temos outro fundamento para a nossa
salvação além de Jesus, que morreu e ressuscitou por nós.
Que Deus nos conserve firmes nessa fé, para
que continuemos confessando e anunciando com alegria: somos salvos pela graça,
mediante a fé em Jesus Cristo! Amém.
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