domingo, 25 de outubro de 2026

 

TEXTO: Rm 3.19-28

TEMA: JUSTIFICADOS PELA FÉ, VIVEMOS NA GRAÇA DE DEUS! (Como?)

No dia 31 de outubro, celebramos a Reforma Luterana, um acontecimento marcante na história da Igreja Cristã. Em 1517, Martinho Lutero tornou públicas suas 95 teses, dando início a um movimento que trouxe à tona uma questão fundamental: como o ser humano pode ser justo diante de Deus e receber a salvação?

Ao estudar a Palavra de Deus, Lutero compreendeu que a salvação não é conquistada por méritos pessoais, boas obras ou esforços humanos. Ela é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo. Essa verdade trouxe consolo à sua consciência e transformou sua compreensão do Evangelho.

O texto de Romanos 3.19–28 apresenta justamente essa mensagem. O apóstolo Paulo mostra que todos somos pecadores, que ninguém pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras e que a salvação nos é concedida gratuitamente, por meio da redenção realizada por Cristo Jesus. Por isso, a Reforma não nos conduz à exaltação de um ser humano, mas nos leva de volta à Palavra de Deus e ao centro da mensagem cristã: Jesus Cristo, nosso único Salvador.

A pergunta “Como somos justificados pela fé e vivemos na graça de Deus?” pode ser respondida a partir de três verdades apresentadas pelo apóstolo Paulo.

Primeiro, reconhecendo que somos pecadores diante de Deus (vv. 19–20). Lei de Deus revela nossos pecados e mostra que não podemos conquistar a salvação por nossos próprios méritos. Todos nós falhamos diante da vontade divina e precisamos reconhecer nossa culpa. Quando a Lei nos mostra que somos pecadores, ela nos conduz ao arrependimento e nos faz reconhecer nossa necessidade de um Salvador.

Segundo, confiando na graça de Deus revelada em Jesus Cristo (vv. 21–26). Paulo ensina que somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (v. 24). Isso significa que Deus nos declara justos não por causa de nossas obras, mas por causa de Jesus, que morreu na cruz para pagar pelos nossos pecados e ressuscitou para nos dar vida. Pela fé, recebemos o perdão e a salvação que Deus nos oferece gratuitamente em Cristo.

Terceiro, vivendo pela fé, sem confiar em nossos próprios méritos (vv. 27–28). Se somos salvos pela graça, não temos motivos para nos orgulhar diante de Deus. Nossa confiança está em Jesus, e não em nossas realizações. Por isso, vivemos agradecidos pelo amor que recebemos, praticamos boas obras como frutos da fé e anunciamos o Evangelho ao nosso próximo. Não fazemos boas obras para conquistar a salvação, mas porque fomos alcançados pelo amor de Deus.

                                                                 I

 Paulo mostra que a Lei de Deus revela a verdadeira condição do ser humano diante do Senhor. A Lei apresenta a vontade divina e nos mostra o que Deus espera de nós: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus” (v.19). Entretanto, quando examinamos nossa vida à luz dessa vontade, percebemos que somos pecadores e que não conseguimos cumprir perfeitamente os mandamentos de Deus. Por isso, ninguém pode apresentar suas próprias obras como justificativa diante dele. O apóstolo Paulo afirma que, diante de Deus, “toda boca se cala” e o mundo inteiro fica sujeito ao seu juízo. A expressão significa que ninguém tem argumentos para se declarar inocente diante de Deus com base em seus próprios méritos. Não podemos comparar nossa vida com a de outras pessoas, destacar nossas boas ações ou apresentar nossa religiosidade como pagamento pelos nossos pecados. Diante da santidade de Deus, todos somos culpados e necessitamos de sua misericórdia.                  

Paulo também afirma que “todo o mundo seja culpável perante Deus”. Isso significa que ninguém está excluído dessa realidade: todos pecaram e precisam da salvação. A Lei, portanto, não é um caminho pelo qual conquistamos a vida eterna, mas revela nosso pecado e nossa necessidade de um Salvador. Ela nos conduz ao reconhecimento de nossa culpa e prepara o caminho para ouvirmos a boa notícia do Evangelho.

Paulo também apresenta uma verdade fundamental para compreendermos a salvação: ninguém pode ser declarado justo diante de Deus por cumprir as obras da Lei: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” (v.20). A Lei de Deus é santa e revela sua vontade para a nossa vida. Entretanto, por causa do pecado, não conseguimos cumprir perfeitamente aquilo que Deus exige. Por mais que nos esforcemos para praticar o bem, nossas obras não podem apagar nossos pecados nem conquistar a salvação.

Ele ainda afirma que “pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”. Isso significa que a Lei funciona como um espelho, mostrando quem realmente somos diante de Deus. Ela revela nossas atitudes erradas, nossos pensamentos pecaminosos e nossas falhas em cumprir a vontade divina. A Lei não cria o pecado, mas o revela e mostra a gravidade de nossa condição. Quando examinamos nossa vida à luz da Palavra de Deus, percebemos que precisamos de perdão e que não podemos salvar a nós mesmos.

Essa verdade foi decisiva para a Reforma Luterana. Martinho Lutero compreendeu que seus esforços religiosos não poderiam lhe dar a certeza da salvação. Ao estudar as Escrituras, redescobriu que a justiça diante de Deus não é conquistada por méritos humanos, mas recebida pela fé em Jesus Cristo. A Lei revela nossa culpa, mas o Evangelho anuncia que Cristo assumiu nossos pecados e conquistou para nós o perdão e a reconciliação com Deus.

Portanto, não devemos confiar em nossas boas obras como fundamento da salvação. Elas são importantes como frutos da fé e expressões de amor ao próximo, mas não podem nos justificar diante de Deus. Nossa esperança está em Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou por nós. Por isso, o tema da Reforma continua atual: somos justificados pela fé e vivemos na graça de Deus, reconhecendo nossos pecados e confiando diariamente no perdão que recebemos por meio de Cristo.

                                                                    II

Depois de mostrar a realidade do pecado, Paulo apresenta a maravilhosa notícia do Evangelho: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus” (v. 21). A expressão “Mas agora” indica uma mudança importante na argumentação do apóstolo. Nos versículos anteriores, ele mostrou que todos os seres humanos são pecadores e que ninguém pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras. Tanto judeus como gentios estão debaixo do pecado e necessitam da salvação divina.

Agora, Paulo afirma que a justiça de Deus se manifestou “sem lei”, isto é, independentemente das obras da Lei. Isso não significa que a Lei de Deus tenha perdido seu valor ou que possamos viver sem considerar sua vontade. Paulo ensina que a obediência à Lei não é o meio pelo qual conquistamos a justificação diante de Deus. A Lei revela o pecado e mostra que somos incapazes de alcançar a justiça perfeita que Deus exige. Por isso, não podemos confiar em nossas próprias obras para obter a salvação. Precisamos de uma justiça que venha do próprio Deus.

Essa justiça nos é concedida por meio de Jesus Cristo, que cumpriu a vontade do Pai e tomou sobre si os nossos pecados. Somos justificados pela graça, mediante a fé, e não por nossos méritos. Em Cristo, Deus nos concede a justiça que não conseguimos alcançar por nós mesmos. Pela fé, recebemos o perdão dos pecados e somos reconciliados com ele. As boas obras continuam sendo importantes na vida cristã, mas não são o preço da salvação; são frutos da fé e da gratidão a Deus por sua graça.

Paulo, depois de afirmar que a justiça se manifestou independentemente das obras da Lei, o apóstolo declara que ela é recebida mediante a fé em Jesus Cristo. Isso significa que não somos justificados diante de Deus por nossos méritos, por nossas boas obras ou pela capacidade de cumprir perfeitamente os seus mandamentos. A justiça que nos salva vem do próprio Deus e nos é concedida por meio de Cristo. Ele afirma: “Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que creem; porque não há distinção” (v.22). A expressão “mediante a fé em Jesus Cristo” mostra que a fé é o meio pelo qual recebemos a justiça que Deus nos oferece no Evangelho. Não é a fé, considerada como uma realização humana, que nos torna merecedores da salvação. É Jesus Cristo quem conquistou nossa salvação por meio de sua morte e ressurreição. Pela fé, recebemos os benefícios dessa obra salvadora: o perdão dos pecados, a reconciliação com Deus e a promessa da vida eterna. Assim, toda a glória pertence ao Senhor, que nos salva por sua graça.

Paulo acrescenta ainda que essa justiça é oferecida “para todos e sobre todos os que creem”, pois “não há distinção”. Naquele contexto, essa afirmação era especialmente importante porque judeus e gentios não tinham o mesmo passado religioso. Os judeus possuíam a Lei e as promessas de Deus, enquanto os gentios não haviam recebido a Lei da mesma maneira. Entretanto, diante de Deus, ambos necessitavam da salvação, pois todos eram pecadores. E todos recebem a justiça de Deus pelo mesmo meio: a fé em Jesus Cristo. Ninguém pode reivindicar superioridade espiritual com base em sua origem, tradição ou obras.

Esse ensinamento continua sendo fundamental para nós. Não importa nossa história, nossa posição social ou nosso conhecimento bíblico: todos precisamos do perdão de Deus. Nossa esperança não está naquilo que fazemos para Deus, mas naquilo que Deus fez por nós em Jesus Cristo. As boas obras têm seu lugar na vida cristã, mas são frutos da fé e da gratidão, não a causa da nossa justificação.

Depois de afirmar que a justiça de Deus é concedida mediante a fé em Cristo e está disponível a todos os que creem (v. 22), Paulo agora apresenta uma das verdades fundamentais da Bíblia. Ele afirma no versículo 23: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. A expressão “todos pecaram” mostra que ninguém está livre do pecado. Não existe distinção entre judeus e gentios, entre pessoas religiosas e não religiosas, nem entre aquelas que parecem justas aos olhos humanos e aquelas cujas falhas são mais evidentes. Todos estão debaixo do pecado e não conseguem, por seus próprios esforços, alcançar a justiça perfeita que Deus exige. O pecado não se limita a atos exteriores, mas também envolve nossos pensamentos, desejos, palavras e motivações. Por isso, ninguém pode apresentar suas próprias obras como fundamento para exigir a salvação de Deus.

Quando Paulo afirma que todos “carecem da glória de Deus”, ele mostra que o pecado nos coloca numa condição de afastamento da glória e da santidade divinas. Fomos criados para viver em comunhão com Deus e refletir sua vontade em nossa vida, mas o pecado corrompeu essa relação. Não conseguimos, por nós mesmos, restaurar a comunhão perdida nem alcançar a perfeição que Deus deseja. Precisamos que o próprio Deus venha ao nosso encontro e nos conceda sua justiça.

Essa verdade nos leva à humildade. Não podemos olhar para os outros como se fôssemos melhores ou mais merecedores diante de Deus. Todos necessitamos do mesmo perdão. Ao mesmo tempo, esse versículo prepara o caminho para a maravilhosa notícia do Evangelho: embora todos sejam pecadores, Deus não nos abandona à condenação. Por meio de Jesus Cristo, ele oferece gratuitamente a justificação e o perdão dos pecados. Cristo cumpriu aquilo que nós não poderíamos cumprir e entregou sua vida para nos reconciliar com o Pai.

Depois de mostrar que todos pecaram e carecem da glória de Deus, Paulo anuncia a resposta divina para essa condição: “somos justificados gratuitamente pela graça de Deus, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (v.24). O pecado é uma realidade que não podemos vencer por nossas próprias forças, mas a graça de Deus é maior e nos oferece, em Cristo, o perdão e uma nova vida. A expressão “sendo justificados gratuitamente” significa que Deus nos declara justos diante dele, não porque tenhamos realizado obras suficientes para merecer esse reconhecimento, mas porque recebemos pela fé a justiça conquistada por Cristo. A justificação é uma declaração de Deus em nosso favor. Ele perdoa nossos pecados e nos aceita por causa de Jesus. Portanto, não podemos apresentar nossas boas obras como pagamento pela salvação, pois ela nos é concedida gratuitamente.

Paulo acrescenta que somos justificados “por sua graça”. A graça é o favor imerecido de Deus para com os pecadores. Não merecemos o perdão, não conseguimos conquistar o amor divino e não podemos exigir a salvação como recompensa por nossa obediência. Mesmo assim, Deus nos ama e nos oferece o perdão por meio de seu Filho. Essa verdade nos conduz à humildade, pois toda a glória pertence ao Senhor, e nos consola, porque nossa salvação não depende da perfeição de nossas obras, mas da fidelidade de Deus.

O apóstolo explica ainda que essa justificação acontece “mediante a redenção que há em Cristo Jesus”. Redenção significa libertação mediante o pagamento de um preço. Por causa do pecado, estávamos sob a condenação e não podíamos libertar a nós mesmos. Jesus Cristo, porém, entregou sua vida na cruz e derramou seu sangue para nos libertar da culpa e da condenação do pecado. Sua ressurreição confirma a vitória sobre a morte e fundamenta nossa esperança de vida eterna. A salvação, portanto, não é uma conquista humana, mas o resultado da obra completa de Cristo em nosso favor.

Esse versículo expressa uma verdade central da fé cristã luterana: somos justificados somente pela graça, mediante a fé, por causa de Cristo. As boas obras não são a causa da nossa salvação, mas são frutos da fé e da gratidão a Deus. Porque fomos perdoados e recebemos uma nova vida em Cristo, somos chamados a viver em amor, servindo ao próximo e procurando fazer a vontade do Senhor.

Paulo continua explicando como Deus tornou possível a nossa justificação. Ele mostra que a nossa salvação está fundamentada no sacrifício de Jesus na cruz. Deus não ignorou o pecado nem simplesmente declarou que ele não tinha importância. Pelo contrário, em seu amor, providenciou o meio pelo qual a culpa seria tratada e os pecadores poderiam ser reconciliados com ele. Jesus Cristo é o centro do plano de salvação de Deus. Ele afirma: “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos” (v.25).A expressão “a quem Deus propôs” mostra que a obra da salvação faz parte do plano misericordioso do próprio Deus. Foi o Senhor quem tomou a iniciativa de nos salvar, enviando seu Filho ao mundo. Não fomos nós que encontramos um caminho para chegar a Deus por nossos próprios méritos; foi Deus quem veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. Isso revela a profundidade de seu amor pela humanidade pecadora.

Ele ainda afirma que Cristo foi apresentado “no seu sangue, como propiciação”. A palavra propiciação aponta para o sacrifício pelo qual a justa condenação do pecado é tratada e a reconciliação com Deus se torna possível. No Antigo Testamento, os sacrifícios estavam relacionados à expiação dos pecados. Entretanto, esses sacrifícios apontavam para a obra definitiva que seria realizada por Jesus. Na cruz, Cristo entregou sua vida por nós e derramou seu sangue para obter o perdão dos nossos pecados. Ele tomou sobre si a condenação que nos cabia e satisfez a justiça divina. Assim, Deus permanece justo e, ao mesmo tempo, justifica aqueles que creem em Jesus.

 E tudo isto ocorreu “mediante a fé, para manifestar a sua justiça”. Esta expressão mostra como recebemos os benefícios desse sacrifício. Não somos salvos porque realizamos boas obras, cumprimos rituais ou apresentamos méritos diante de Deus. Recebemos pela fé aquilo que Cristo conquistou por nós. A fé não é um pagamento oferecido a Deus, mas o meio pelo qual confiamos em sua promessa e recebemos o perdão que ele nos concede no Evangelho.

Paulo também explica que Deus agiu com tolerância em relação aos pecados anteriormente cometidos. Isso não significa que Deus considerava o pecado insignificante ou que simplesmente o deixava sem resposta. Significa que, em sua paciência, ele suportou os pecados humanos e conduziu a história da salvação até o cumprimento de suas promessas em Cristo. Na cruz, Deus manifestou sua justiça e revelou que o perdão oferecido aos pecadores está fundamentado na obra redentora de seu Filho.

Nossa salvação custou a vida de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, esse sacrifício é a maior demonstração do amor de Deus por nós. Quando nossa consciência nos acusa e nos sentimos indignos de nos aproximar do Senhor, podemos confiar no sangue de Cristo, que foi derramado para nossa redenção. Nossa esperança não está em nossos méritos, mas no Salvador que morreu e ressuscitou por nós.

Paulo conclui sua explicação sobre a justiça de Deus e a obra redentora de Jesus Cristo. Nos versículos anteriores, o apóstolo mostrou que todos pecaram e carecem da glória de Deus (v. 23), mas são justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus (v. 24).

Agora, ele explica que, por meio do sacrifício de Cristo, Deus manifesta sua justiça e, ao mesmo tempo, concede a justificação aos pecadores que creem em Jesus. Na cruz, Deus revela que é justo e que, por sua graça, justifica aqueles que confiam em Cristo. Ele afirma: “Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (v.26). A expressão “a manifestação da sua justiça no tempo presente” aponta para a obra de salvação realizada por Jesus Cristo. Durante muito tempo, Deus havia demonstrado paciência com a humanidade pecadora, mantendo suas promessas e conduzindo a história da salvação. Agora, por meio da morte e da ressurreição de Cristo, sua justiça é revelada de maneira decisiva. Deus não ignora o pecado nem abandona sua santidade. Em seu amor, ele providencia a solução para a culpa humana por meio do sacrifício de seu Filho.

Paulo afirma que Deus é “justo”. Isso significa que ele permanece fiel à sua santidade e não trata o pecado como algo sem importância. O pecado merece a condenação, pois representa a desobediência à vontade divina e rompe a comunhão com Deus. Entretanto, o Senhor não nos deixa sem esperança. Jesus Cristo tomou sobre si os nossos pecados e sofreu em nosso lugar a condenação que merecíamos. Assim, a justiça de Deus não é anulada, mas manifesta na obra redentora de Cristo.

Ao mesmo tempo, Deus é “o justificador daquele que tem fé em Jesus”. Justificar significa declarar justo diante de Deus. Essa declaração não se fundamenta em nossas boas obras ou em nossos méritos pessoais, mas na justiça conquistada por Cristo em nosso favor. Pela fé, recebemos o perdão dos pecados e somos reconciliados com Deus. A fé não compra a salvação nem constitui um mérito humano; ela recebe a promessa do Evangelho e confia naquilo que Jesus realizou por nós.

Esse ensinamento é central para a fé cristã luterana. Somos justificados somente pela graça, mediante a fé, por causa de Cristo. Não precisamos tentar conquistar a aprovação de Deus por meio de nossos esforços, pois nossa salvação está fundamentada na obra completa de Jesus. As boas obras continuam sendo importantes, mas são frutos da fé e da gratidão, não a causa da nossa justificação.

                                                         III

Paulo apresenta a conclusão de sua argumentação sobre a justificação diante de Deus. Depois de mostrar que todos pecaram e carecem da glória de Deus (v. 23), o apóstolo explicou que somos justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus (v. 24). Agora, ele declara claramente que somos justificados pela fé, independentemente das obras da Lei. Essa é uma das verdades centrais do Evangelho e um dos fundamentos da fé cristã luterana: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (27). A expressão “concluímos, pois” indica que Paulo está apresentando o resultado de tudo o que explicou anteriormente. Se todos são pecadores e ninguém consegue alcançar a justiça perfeita diante de Deus por seus próprios esforços, então a justificação não pode depender das obras humanas. A salvação é obra de Deus, realizada por meio de Jesus Cristo e oferecida gratuitamente aos pecadores.

Quando Paulo afirma que o ser humano é “justificado pela fé”, ele ensina que Deus declara justo aquele que confia em Jesus Cristo. Justificação é uma declaração divina: por causa da obra redentora de Cristo, Deus perdoa os pecados e recebe o pecador como justo diante dele. Não se trata de uma recompensa por uma vida moralmente perfeita, mas de um presente concedido pela graça divina. A fé recebe esse presente, confiando na promessa do Evangelho. A expressão “independentemente das obras da lei” não significa que a Lei de Deus seja inútil ou que o cristão possa viver sem considerar seus mandamentos. A Lei continua revelando a vontade de Deus, mostrando nossos pecados e orientando nossa vida. Entretanto, ela não pode nos justificar, pois nenhum de nós consegue cumpri-la perfeitamente. As boas obras têm seu lugar na vida cristã, mas não são a causa da salvação. Elas são frutos da fé e da gratidão por aquilo que Deus fez por nós em Cristo.

Muitas vezes, podemos pensar que seremos aceitos pelo Senhor se fizermos coisas suficientes, se formos melhores do que outras pessoas ou se cumprirmos todas as nossas responsabilidades religiosas. Paulo nos lembra que nossa segurança não está em nossos méritos, mas em Jesus Cristo, que cumpriu a vontade do Pai e entregou sua vida por nós. Assim, Paulo nos ensina que a salvação é recebida pela fé, e não conquistada pelas obras.

O apóstolo Paulo continua desenvolvendo seu ensino sobre a justificação pela fé. Se a salvação é recebida pela fé, independentemente das obras da lei, então ela não está limitada a um único povo. Paulo faz uma pergunta que conduz a uma resposta evidente:  “É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios.” (v.29). Os judeus receberam privilégios especiais, pois Deus lhes confiou sua Palavra e estabeleceu com eles suas alianças. Entretanto, esses privilégios não significavam que a salvação fosse exclusiva deles. Desde o Antigo Testamento, Deus revelou seu propósito de abençoar todas as nações. Agora, por meio de Jesus Cristo, essa promessa se manifesta claramente: o Evangelho é anunciado a todos os povos, sem distinção de origem, nacionalidade ou condição social.

Esse ensino está diretamente relacionado ao versículo anterior, no qual Paulo afirma que somos justificados pela fé, independentemente das obras da lei. Se a justificação dependesse da observância da lei mosaica, os gentios estariam em desvantagem. Mas, como a salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo, tanto judeus como gentios podem ser reconciliados com Deus. Todos pecaram e todos necessitam do mesmo Salvador.

Para nós, esse texto ensina que a Igreja não deve fazer distinção entre as pessoas ao anunciar o Evangelho. A salvação não depende da origem familiar, da cultura, da nacionalidade ou dos méritos pessoais. Todos precisam da graça de Deus, e Cristo morreu e ressuscitou para oferecer perdão e vida eterna a todos os que nele creem. Essa verdade também nos motiva a levar a mensagem de Cristo àqueles que ainda não a conhecem.

Estimados irmãos em Cristo! Ao celebrarmos a Reforma Luterana, somos convidados a voltar nossos olhos para a Palavra de Deus e recordar a mensagem central do Evangelho. Romanos 3 nos mostra que todos somos pecadores e não podemos conquistar a salvação por nossos próprios méritos. Entretanto, Deus, em seu grande amor, enviou Jesus Cristo para nos redimir e nos conceder gratuitamente a justiça que não poderíamos alcançar por nós mesmos.

Foi essa verdade que trouxe consolo a Martinho Lutero e que continua sendo o fundamento da nossa esperança. A salvação não depende de nossas obras, mas da graça de Deus, recebida pela fé em Jesus Cristo. As boas obras são importantes, não para comprar o favor divino, mas como frutos da fé e sinais de gratidão ao Senhor.

Por isso, a Reforma continua nos chamando a permanecer firmes nas Escrituras, a anunciar fielmente o Evangelho e a testemunhar o amor de Cristo ao mundo. Não temos outro fundamento para a nossa salvação além de Jesus, que morreu e ressuscitou por nós.

Que Deus nos conserve firmes nessa fé, para que continuemos confessando e anunciando com alegria: somos salvos pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo! Amém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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