sexta-feira, 31 de outubro de 2025

TEXTO: JOÃO 5.24–29

TEMA:  PASSANDO DA MORTE PARA A VIDA 

Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias em João 5.24-29  para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O  tema de hoje é: passando da morte para vida.

O Dia de Finados é um momento dedicado à memória daqueles que já partiram. É o dia em que muitos se dirigem aos cemitérios para visitar túmulos de familiares e amigos, prestando homenagem aos entes queridos que deixaram a vida terrena. Para alguns, é um momento de profunda emoção: choram, derramam lágrimas e sentem tristeza pela perda de alguém muito querido. Para outros, a visita é mais uma tradição cultural; eles se conformam com a morte, que, para eles, não é algo extraordinário, mas sim o desenrolar natural da vida.

No entanto, há uma morte ainda mais profunda e terrível do que a morte física: a morte espiritual, aquela que separa o ser humano de Deus. Ela foi causada pelo pecado, um evento que remonta à Queda de Adão e Eva. Em Gênesis 2.17, Deus advertiu: 'No dia em que dela comeres, certamente morrerás.' Neste momento, algo mais profundo aconteceu: o homem perdeu a comunhão direta com Deus. A vida espiritual foi interrompida e, com isso, o pecado entrou no mundo (Romanos 5.12). O pecado levantou uma barreira entre a humanidade e Deus, rompendo a comunhão perfeita que existia antes. Desde então, a humanidade passou a viver distante da presença divina. O ser humano se tornou espiritualmente morto, moralmente corrompido e, por si só, incapaz de se reconciliar com o Criador.

Contudo, Deus, em Sua infinita misericórdia, não abandonou o ser humano. Pelo contrário, Ele prometeu a redenção através de Cristo (Gênesis 3.15), dando inicio ao plano da salvação.Jesus veio justamente para mudar essa realidade. Ele veio trazer vida onde só havia morte, luz onde havia trevas, esperança onde havia condenação ( João 1.4–5; Efésios 2.4–5). Essa obra maravilhosa que Deus realizou através de Seu Filho, nos permite, em primeiro lugar, passar da morte espiritual para a vida, por meio da fé. Essa morte espiritual era o estado de separação do ser humano em relação a Deus — consequência direta do pecado ( Romanos 5.12; Efésios 2.1). E a Bíblia nos ensina claramente essa verdade: a fé em Jesus Cristo é o meio pelo qual uma pessoa é tirada do estado de separação de Deus (morte espiritual) e levada a uma nova vida de comunhão com Ele (plenitude da vida - uma vida completa, abundante e totalmente realizada através da comunhão com Deus.). “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância." (João 10.10). Mas como Deus tornou possível nossa passagem da morte para a vida? Apresento quatro pontos,conforme o texto:

Primeiro, reconhecendo  a condição de morte. O primeiro passo é admitir a realidade da nossa condição espiritual, reconhecendo que estamos separados de Deus pelo pecado: "Pois o salário do pecado é a morte..." (Romanos 6.23a)."Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3.23).

Segundo, ouvindo e crendo na Palavra de Cristo. No contexto teológico e bíblico, o “ouvir e crer” é o caminho para a vida em Cristo Jesus. Ouvir a Palavra vai muito além do simples ato físico de perceber sons — implica atenção profunda, compreensão e disposição para obedecer à mensagem divina.Crer não é apenas acreditar intelectualmente; é confiar, depender e entregar-se completamente a Deus. Quando ouvimos o Evangelho e cremos de coração, nascemos de novo — tornamo-nos uma nova criação (2 Coríntios 5.17).

Terceiro, através da fé e o arrependimento que nos ligam à nova vida.A passagem da "morte para a vida" é oferecida como um dom gratuito de Deus, não por merecimento. ou boas obras.A condição para receber esse dom é a fé em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador e o arrependimento dos pecados.Como afirma a passagem bíblica: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11.25).

Quarto, quando cremos na ressurreição dos mortos. A ressurreição de Jesus é a promessa e a garantia de que aqueles que creem n'Ele também ressuscitarão para uma vida eterna, em um estado perfeito, onde não haverá mais morte, tristeza ou dor ( 1 Coríntios 15.20-22).Portanto, a Sua ressurreição é o fundamento da esperança cristã de passar da morte para a vida.

 Após curar o paralítico junto ao tanque de Betesda, Jesus provoca uma forte reação entre os líderes religiosos de Jerusalém. O milagre, realizado em pleno sábado, despertou a indignação dos judeus, que o acusam de violar a Lei. No entanto, o gesto de Jesus vai muito além de uma simples cura física: ele se torna o ponto de partida para uma revelação profunda sobre sua identidade e autoridade divina.

Em sua resposta, Jesus declara ser o Filho que age em perfeita comunhão com o Pai. Ele deixa claro que sua obra não é independente, mas expressão direta da vontade divina. Assim como o Pai concede vida e exerce juízo, o Filho também tem poder para dar vida aos que creem e para julgar o mundo. Essa afirmação revela não apenas a igualdade essencial entre o Pai e o Filho, mas também o propósito redentor da missão de Cristo: trazer vida eterna à humanidade. 

Assim, o episódio de Betesda não é apenas um relato de milagre, mas uma poderosa revelação de quem Jesus é: o Filho de Deus que possui autoridade sobre a vida e o juízo, e que oferece graça e vida eterna àqueles que n'Ele creem.Ele expressa essa verdade central ao afirmar: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna” (v.24a). Jesus afirma que  a condição para receber a vida é a fé (crer) na pessoa de Jesus e em Sua mensagem (palavra), reconhecendo-O como o Messias enviado por Deus Pai.

Na perspectiva bíblica, “ouvir a Palavra” transcende o simples ato físico de perceber sons. O verbo ouvir, nesse contexto, implica atenção profunda, compreensão espiritual e disposição para obedecer à mensagem divina. Contudo, o ato de crer não se limita a um mero reconhecimento intelectual da existência de Jesus, nem a considerá-lo apenas como um profeta ou mestre moral. Crer, segundo o Evangelho, é entregar-se inteiramente à pessoa e à missão de Cristo, depositando n’Ele plena e total confiança.Assim, a fé verdadeira consiste em aceitar que Jesus é o Messias, o Filho enviado por Deus Pai, destinado a realizar a obra definitiva da salvação em favor da humanidade.

No entanto, aquele que acolhe a mensagem do Evangelho com fé e disposição para seguir a Jesus, ouve atentamente a Palavra de Cristo, confia plenamente n’Ele e entrega-se de modo pessoal e total a Deus, Jesus ensina que este já possui a vida eterna. Mas, afinal, o que é a vida eterna? A própria Escritura nos fornece a definição. Jesus disse: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17.3). A vida eterna não é alcançada por filosofias ou esforços humanos, mas pela aceitação do Filho enviado por Deus. Ela não é apenas uma promessa futura, mas uma realidade presente, possuída no momento em que a pessoa ouve e crê.  O crente já possui a vida eterna. Jesus afirmou claramente que quem crê já tem a vida eterna, e não apenas a terá no futuro.Isso significa que, no momento em que alguém crê em Cristo, a vida eterna tem início. Embora o cristão já possua a vida eterna em essência, ele ainda aguarda a sua plenitude: a ressurreição do corpo e a completa comunhão com Deus, quando essa vida será plenamente revelada (Romanos 2.7; Apocalipse 21).

Contudo, aquele que  procede  desta forma 'não entra em juízo' (v.24b). A palavra grega traduzida como 'juízo'  significa 'separação', 'discernimento', o 'julgamento que leva à condenação'.Quando Jesus afirma que o crente 'não entra em juízo', é porque  ele já foi justificada pela fé.  A justificação é o ato divino pelo qual Deus declara o pecador justo com base na obra de Cristo, e não em seus próprios méritos.Desse modo, ao ser justificado pela fé (Romanos 5.1), o crente é liberto da condenação e já passa da morte espiritual para a vida: “passou da morte para a vida” (v. 24c). Jesus usa aqui o verbo μεταβεβήκαμεν que significa "mudar de lugar," "passar de um lugar para outro," ou "ir embora."  Este verbo se encontra no perfeito ativo indicativo (3ª pessoa do singular), e  descreve uma ação que foi concluída no passado, mas cujos resultados ou estado continuam e são plenamente visíveis no presente.

Mas o que  significa “passou da morte?” Jesus aqui não está falando  da morte física, mas à morte espiritual — o estado de separação entre o ser humano e Deus. A morte física é o fim biológico da vida terrena, algo que todos experimentam.E o que se vê, em cada sepultamento, é choro, tristeza e angústia pela perda da vida terrena. Isso porque qualquer um, em sã consciência, sabe bem que aquele corpo sepultado, não mais se moverá, não mais ouvirá, não mais falará, pois é um corpo morto e após um período será tão-somente um montão de pó. Mas a morte espiritual é mais profunda: é viver distante da presença de Deus, escravo do pecado, sem sentido, luz ou esperança. É estar vivo no corpo, mas morto na alma. Esse estado de morte espiritual ( Efésios 2.1 e Romanos 6.23) é a condição humana inerente após a Queda. Ela se caracteriza pela ausência da verdadeira vida divina e resulta na condenação. Em essência, é uma existência marcada pelo vazio e pelo medo do Juízo final.

Jesus veio justamente para mudar essa realidade “da morte para a vida”. Deus, em Seu amor infinito, enviou Cristo para restaurar o que estava perdido. Na cruz, Jesus assumiu a nossa fragilidade, os nossos erros e dores, e os transformou em caminho de vida. Cada gota de Seu sangue derramado é um gesto de amor que nos reconcilia com Deus e nos abre à vida eterna. Ele Se declara como a ressurreição e a vida (João 11.25) e afirma: 'Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância' (João 10.10). A vida em Cristo é sinônimo de novo nascimento (João 3.3). É uma vida que não se limita ao tempo, mas toca a eternidade, mostrando que a verdadeira existência não está no que possuímos, mas na relação com Deus e com os irmãos.Portanto, a vida que Cristo nos deu é transformadora, libertadora e eterna. Dessa  form,somos convidados a viver com amor, esperança e fé a cada dia, seguindo os passos de Jesus que nos amou até o fim. É a vida que nasce da cruz, se revela na ressurreição e se manifesta em cada gesto de amor no mundo.

Jesus revela que o tempo da manifestação do poder de Deus não é apenas futuro, mas já está presente em Sua própria pessoa e missão: “Vem a hora, e agora é” (v.25a). A frase no grego, ἔρχεται ὥρα καὶ νῦν ἐστίν, pode ser traduzida literalmente como "uma hora está chegando e agora é" (ou "um tempo está chegando e agora é").Nessas poucas palavras, João apresenta uma das visões mais profundas sobre o tempo e a ação de Deus na história: “Vem a hora, e agora é”. Essa expressão sustenta duas realidades diferentes: primeiro, o "agora" (a Realidade Presente): Cristo já venceu o pecado e a morte na cruz; o crente tem a vida eterna (1 Jo 5.11). Segundo, o "ainda não" (a Espera Futura): o mal, o sofrimento e a morte física ainda persistem no mundo;  a vitória final e total sobre todo o mal ainda será revelada (1 Co 15.26).Portanto, a consumação final de todas "as coisas" (a volta de Cristo, a ressurreição dos corpos e o estabelecimento do Novo Céu e Nova Terra) ainda aguarda Sua Parousia (segunda vinda).Desse modo, vivemos entre o “já” e o “ainda não” — entre o que Deus já realizou em Cristo e aquilo que Ele ainda consumará.

No entanto, a maior a riqueza desta declaração reside nas palavras:  os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (v.25b).Quem são os mortos? O contexto imediato (vv.24–25) sugere que se trata de mortos espirituais, enquanto o contexto posterior (vv.28–29) aponta para a ressurreição física futura. João esclarece melhor quando usa a expressão οἱ νεκροί (mortos). Ela possui um duplo sentido intencional na teologia de João,conectando a realidade presente à esperança futura. O termo  pode referir-se  aos mortos espirituais (separados de Deus pelo pecado - Efésios 2.1). É um chamado para aqueles que estão "mortos" em seus delitos e pecados, oferecendo-lhes a chance de chance de ouvir e receber uma nova e eterna existência. Mas também pode refere-se àqueles que estão nos túmulos (vv.28–29). 

Jesus declara que “os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus”. O verbo grego ἀκούω (ouvir), usado no futuro do indicativo (voz ativa), vai além do simples ato de escutar sons: ele indica ouvir com o propósito de crer e obedecer. Trata-se de uma escuta ativa e transformadora na vida das pessoas, pois aqueles que ouvirem verdadeiramente responderão à voz de Cristo. Ao responderem, reconhecerão Seu poder e autoridade divina, pois Cristo tem a capacidade de ressuscitar aqueles que estavam espiritualmente mortos pelo pecado. E ao ouvirem, “viverão”. Este termo “viverão” refere-se não apenas à ressurreição física, mas primariamente à vida espiritual e eterna. Aqueles que ouvem e creem na mensagem de Jesus recebem perdão, nova vida em Cristo e passam da morte para a vida. Assim, somente os que respondem com fé e obediência ao Evangelho experimentam a verdadeira vida — uma ressurreição espiritual que começa no presente e se completará na eternidade.

Jesus continua seu discurso sobre a autoridade que recebeu do Pai para dar vida e exercer juízo. Ele exorta seus ouvintes a não se admirarem daquilo que acabara de dizer — que os mortos espiritualmente podem ouvir sua voz e viver —, pois algo ainda mais grandioso acontecerá: chegará o momento em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus. (v.28). Aqui, Cristo amplia a revelação anterior (v.25). Se antes Ele falava da ressurreição espiritual — a transformação interior de quem crê —, agora Ele se refere à ressurreição física e universal, que ocorrerá no fim dos tempos. Nesse dia, a voz poderosa de Jesus chamará todos os mortos à existência novamente, sem exceção.A expressão “ouvirão a sua voz” destaca o poder soberano da palavra de Cristo: a mesma voz que um dia chamou Lázaro do túmulo (João 11.43) e que trouxe o mundo à existência (João 1.3) será ouvida por toda a humanidade. Nenhum sepulcro poderá resistir ao comando do Filho de Deus.Assim, Jesus aponta para a certeza da ressurreição e do juízo final. Para os que creem, essa voz será o anúncio da vida eterna; para os que rejeitaram a fé, será o chamado ao juízo e condenação (como o versículo seguinte, João 5.29, explica).

Jesus conclui ao declarar uma solene advertência e, ao mesmo tempo, uma gloriosa promessa: E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação. (v.29). A diferença está no destino dessa ressurreição, que é determinado pela escolha da pessoa. Aqueles que  responderam positivamente ao chamado de Deus, viveram conforme Sua vontade e demonstraram fé verdadeira, expressa em obras de amor e obediência.(ou seja, aos justos e crentes), esses ressuscitarão para a vida eterna — a comunhão plena com Deus.( "Ressurreição da vida"). Isto implica a entrada na vida eterna e na presença de Deus,pois “fizeram o bem”. A expressão "fazer o bem" não é apenas um conjunto de boas obras humanas, mas é frequentemente interpretado como o fruto de ter ouvido a Palavra de Jesus e crido n'Ele. Mas aqueles que rejeitaram a vontade divina, permaneceram na incredulidade e no pecado.(ou seja, aos injustos e incrédulos). Eles ressuscitarão para a condenação, ou seja, para o juízo e separação eterna de Deus.

Que consolo maravilhoso: o Senhor Jesus nos assegura que “quem ouve a Sua Palavra e crê naquele que O enviou já experimenta, no presente, a extraordinária passagem da morte espiritual para a vida eterna (v.24). Esta não é uma promessa vaga, destinada a um futuro distante, mas uma realidade imediata para todos aqueles que acolhem a fé. Em Cristo, o pecador é liberto da condenação e introduzido na vida de comunhão com Deus. Por isso, hoje não celebramos a morte, pois já passamos da morte para a vida . Estamos aqui para celebrar a vida — a vida que Cristo nos concedeu quando morreu e ressuscitou por nós (Romanos 6.4–5).

Portanto, não nos deixemos abater pela tristeza. Aproveitemos o dia para meditar em como está a nossa vida com Deus.  Confessemos os nossos pecados e busquemos a infinita misericórdia do Senhor, que é rico em perdão ( 1 João 1.9; Isaías 55.7).Que este momento nos leve a expressar gratidão pelo milagre da vida e da ressurreição, lembrando que, em Cristo, a morte não é o fim, mas o princípio de uma existência gloriosa e eterna ( 1 Coríntios 15.53–55). Enfim, consolemo-nos, pois, com as palavras de Jesus:“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá.”— João 11.25. Amém!

domingo, 26 de outubro de 2025

TEXTO:LC 19.1-9

TEMA: JESUS VEIO BUSCAR E SALVAR O PERDIDO

Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias em Lucas 19.1-9 para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O  tema de hoje é: Jesus veio buscar e salvar o perdido.

Jesus, em toda a sua vida aqui na terra, tinha um só propósito e objetivo: Ele veio buscar e salvar o perdido, pois o homem se perdeu desde o jardim do Éden! Ele se afastou de Deus, e a consequência foi desastrosa: o homem separou-se da presença de Deus e estava condenado à morte espiritual. Romanos 6.23 nos diz “que o salário do pecado é a morte…”. O apóstolo Paulo afirma em Romanos 3.23: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Sendo assim, todos os homens, sem nenhuma distinção, de raça ou cor, nacionalidade ou sexo, se encontram num estado de total perdição por causa do pecado.

No entanto, Deus vai em busca do homem para salvá-lo e resgatá-lo do pecado através de seu Filho Jesus Cristo. Ele veio resgatar aqueles que se encontram em total perdição por causa dos seus pecados. Eis a razão, porque Jesus afirma que a sua missão foi “… buscar e salvar o perdido”. De fato, Ele sempre tomou a iniciativa de ir em busca das pessoas separadas dele, porque ama e veio para salvar a todos.

Jesus também veio “buscar e salvar” Zaqueu, um homem odiado, marginalizado e desprezado por todos. Ele era um pecador, alguém que não se importava com as coisas de Deus, com os que estavam ao seu redor. Mas entendeu que somente através de Jesus, poderia alcançar o perdão e a salvação. Somente por meio de Jesus receberia pela fé o dom gratuito de Deus, a vida eterna em Cristo Jesus. Ele se arrependeu, deixou-se transformar pelo amor de Deus e tornou-se um homem generoso, capaz de partilhar os seus bens.

E nós? Estamos indo em busca dos perdidos? Como nós temos desempenhado a nossa função de resgatar vidas? Como discípulos de Cristo nossa missão é a de buscar aqueles que vivem separados de Deus. Buscar com insistência e  com amor.

Jesus estava viajando para Jerusalém, ao passar por Jericó, encontrou um homem chamado Zaqueu. Era maioral dos publicanos, isto é, era funcionário público graduado, chefe dos coletores de impostos da cidade de Jericó. Sendo cobrador de impostos, Zaqueu, retinha uma parte da arrecadação para si e repassava ao governo romano, apenas a parte estipulada no contrato. Esse seu trabalho causava uma impopularidade e até indignação da parte dos judeus, pois era considerado explorador, corrupto, gentio, pecador. Mas Zaqueu, mesmo sendo odiado, recriminado e desprezado pelo povo, que não simpatizava com seu serviço, não perdeu a oportunidade de ver Jesus. Ele queria ter um encontro com Jesus.

No entanto, Zaqueu não conseguia ver o Mestre, porque era de “pequena estatura, e não conseguia, por causa da multidão.” (v.3). Este foi o primeiro obstáculo que teve que enfrentar para ver Jesus. Sua pequena estatura colocava-o em desvantagem diante da multidão. Mesmo saltando, talvez não conseguisse vê-lo. Se entrasse no meio do povo, corria o risco de ser pisoteado, pelo fato de ser discriminado pelos seus compatriotas, pois era “inimigo público do povo”. O segundo obstáculo estava relacionado à sua posição de publicano. Como funcionário público, não tinha boa reputação, pois era explorador. Para os judeus ele era um pecador, e não poderia se aproximar de Jesus.

O terceiro obstáculo era a sua própria posição social. Imaginem: Zaqueu, deveria se apresentar a Jesus como um chefe dos publicanos, homem rico, de alta posição social, mas escolheu uma forma vergonhosa para ver Jesus: subindo em uma árvore. Mas ele não fez caso de tudo isto. Preferiu antes empreender todos os esforços para o seu encontro com o Senhor. Apesar da dificuldade, não se deu por vencido. Não desistiu! Transpôs os obstáculos. Teve uma ótima ideia: subiu num sicômoro, uma figueira brava, que ficava no caminho que Jesus ia percorrer. Mesmo sendo um homem público, Zaqueu se dispôs a subir em uma árvore no meio de uma multidão, ignorando o que as pessoas poderiam pensar ou comentar, pois o seu objetivo era ver Jesus. Quais são os obstáculos que estão em seu caminho e que impedem você de conhecer o Filho de Deus? A sua posição social? Religião? Riqueza. É preciso que você rompa com quaisquer obstáculos que possam estar à sua frente e que você corra para Jesus!

Por que será que Zaqueu, procurou ver Jesus? Ele não estava enfermo, endemoninhado, desempregado, nem tinha problema financeiro. Não se encontrava em nenhuma das situações que normalmente levavam as pessoas a procurarem Jesus. Talvez buscasse novas experiências e aprendizados para acrescentar a sua vida. Talvez pretendesse ver Jesus para “matar” a curiosidade. Afinal, a fama de Jesus era tão grande que Zaqueu queria pelo menos ter visto o homem, de quem tanto era falado na época. Talvez no seu interior sofria com o isolamento, ao descobrir que o dinheiro não podia comprar o amor. Na verdade, Zaqueu demonstrou interesse em ver Jesus. Por isso procurou os meios através dos quais poderia alcançar seu objetivo. O fato é que Jesus o procurou. Ele olha para cima, chama Zaqueu pelo nome e diz que deseja ir para a casa dele: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa.” (v.5). Aqui Jesus manifesta seu soberano poder. Ele achou Zaqueu, e o chamou com aquele chamado poderoso e eficaz que faz os cegos ver, os coxos andar, os surdos ouvir e os mortos ressuscitar. É a voz do bom Pastor. Zaqueu não inventa nenhuma desculpa. Não ficou constrangido, ao contrário, desceu depressa e levou Jesus para sua casa.

Jesus rompeu as barreiras do preconceito ao se hospedar naquela casa. Ele não queria apenas um contato casual na rua, mas uma comunhão mais íntima no aconchego do lar. Mas o fato de Jesus ter se hospedado na casa de Zaqueu, muitos começaram a murmurar e reprovaram atitude de Jesus: “Todos os que viram isto, murmuravam, dizendo que ele se hospedara com um pecador.” (v.7). Todos que ali estavam murmuravam, porque Jesus se hospedara com homem pecador. Simplesmente não conseguem aceitar que o Filho do Homem tenha vindo para buscar e salvar os perdidos. Mas Jesus não diz nada. O que ele faz, diz tudo. Ele senta-se à mesa de Zaqueu e come com ele. Ao entrar na casa de Zaqueu, Jesus participa de sua vida, passou a conhecê-lo em sua intimidade e encontrou ali um homem sofrido, discriminado por todos, solitário, desanimado, um pecador carente e necessitado. O que Zaqueu precisava era de um encontro com Deus para mudar a sua vida e lhe trazer salvação, e isso o dinheiro não pode fazer, somente Jesus.

O encontro com Jesus gerou mudança na vida de Zaqueu, que, espontaneamente, tomou a decisão de restituir o que desfraldou e doar aos pobres parte dos seus bens: “Senhor resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais”. (v.8). Diante dessa atitude, Jesus respondeu dizendo que a salvação tinha chegado nesse dia à casa de Zaqueu (v.9). Houve mudança de mente, de valores, de propósito, na vida de Zaqueu. Ele se arrependeu, e Jesus lhe perdoou os pecados e lhe garantiu salvação. A partir daquele encontro, Zaqueu não era mais o mesmo, o dinheiro não era mais o seu senhor, ele estava abandonando os seus pecados e se dispondo a reparar os seus erros. Ao enfatizar que houve salvação na casa de Zaqueu, Jesus destaca que ele também era filho de Abraão.

A afirmação de Jesus deixa bem claro que toda sua vida aqui na terra tinha um só propósito e objetivo: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” (v.10). Ele veio buscar e salvar o perdido, pois o homem se perdeu desde o jardim do Éden! Ele se afastou de Deus, e a consequência foi desastrosa: o homem separou-se da presença de Deus e estava condenado à morte espiritual. Romanos 6.23 nos diz “que o salário do pecado é a morte…”. O apóstolo Paulo afirma em Romanos 3.23: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Sendo assim, todos os homens, sem nenhuma distinção, de raça ou cor, nacionalidade ou sexo, se encontram num estado de total perdição por causa do pecado.

 No entanto, Cristo veio resgatar aqueles que se encontram em total perdição por causa dos seus pecados. Eis a razão, porque Jesus afirma que a sua missão foi “… buscar e salvar o perdido”. De fato, Ele sempre tomou a iniciativa de ir em busca das pessoas separadas dele, porque ama e veio para salvar a todos. Hoje, Jesus continua com o mesmo propósito. Ele chama você ao arrependimento, Ele chama você à salvação. Ele deseja entrar em sua casa. E nós? Estamos indo em busca dos perdidos? Como nós temos desempenhado a nossa função de resgatar vidas? Quais são os obstáculos que estão em nosso caminho e que nos impedem de conhecer o Filho de Deus? A as nossas posições sociais? Religião? Riqueza. É preciso que rompemos com quaisquer obstáculos que possam estar à nossa frente, e corremos para Jesus, como fez Zaqueu.

Portanto, como discípulos de Cristo nossa missão é a de buscar aqueles que vivem separados de Deus. Buscar com insistência. Buscar com amor. Amém!

sábado, 25 de outubro de 2025

 TEXTO: SL 130

TEMA: NO SENHOR ENCONTRAMOS O PERDÃO

O Salmo 130 é considerado um salmo de romagem, ou cântico de subida. Era cantado enquanto o povo caminhava em direção ao templo, se preparando para adorar ao Senhor. Ele relata a situação de uma pessoa que ora, suplicando perdão ao Senhor pelos seus pecados. Assim, como o salmista aguardava uma declaração de perdão por parte do Senhor, esperando por uma palavra de absolvição, também temos a possibilidade de apresentarmos nossas súplicas e esperarmos por uma palavra de perdão da parte do Senhor, pois no Senhor encontramos este perdão. Por isso, peçamos ao Senhor que ouça a nossa súplica, pois Ele quem nos redime de todas as nossas iniquidades.

Davi inicia este salmo ao expressar todo o seu sofrimento que estava enfrentando. Havia uma profunda angústia na vida do salmista, que o levou a clamar: “Das profundezas clamo a ti, senhor”. (v.1). O fato de pedir socorro demonstra a profundidade de seu sofrimento. Mas o que significa profundezas? Refere-se a uma metáfora usada pelo salmista para explicar a sua situação. Das profundezas no texto se referem literalmente as águas profundas, abismo, os lugares mais obscuros e sombrios. Traz a ideia de aflição, miséria total, dor, solidão e sofrimento; situação de desespero, frustração, derrota. Enfim, de insegurança profunda, fracasso e desespero, de certeza onde a vida parece que está a um fio da morte ou do fim de sua existência.

Que situação horrível estava vivendo Davi! Na verdade, ele não estava falando dos seus problemas no dia a dia, mas de seu afastamento de Deus por causa de seus pecados. O pecado o causava aflição, culpa e amargura. Por isso, se sentiu angustiado porque todos seus pensamentos estavam concentrados em como Deus iria tratar seu pecado, uma vez que estava em falta com Deus, e Deus estava cobrando um perfeito arrependimento de seu servo. Ele não tinha outra opção. Precisava do socorro do Senhor. Somente o perdão divino poderia tirá-lo do mais profundo abismo. Neste momento, ele entende que não basta só clamar. Era preciso orar: “Escuta Senhor, a minha voz; estejam alertas os teus ouvidos às minhas súplicas”. (v.2).

Constantemente também passamos por grandes tribulações, profundezas espirituais, sofrimentos e adversidades, dos quais ficamos muito abalados. São sofrimentos oriundos das crises financeiras e conjugais, enfermidades, frustrações, ameaças, solidão e a nossa negligência espiritual. Mas como sair das profundezas? Clamando ao Senhor! Deus quer nos tirar das profundezas e renovar o nosso coração Quando nos encontramos nessa situação devemos olhar para o Senhor, o único que pode nos salvar, e clamar por socorro, pois temos um Deus em quem nós podemos sempre confiar. Ele sempre está conosco. Por isso, clame pelo socorro do Senhor e ele te ouvirá e virá ao teu encontro ministrando conforto, paz e alegria interior em tua vida.

Davi sabia que se não fosse a misericórdia do Senhor nem ele mesmo estaria vivo. Ele mesmo afirma: “Se observardes, Senhor, as iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?” (v.3). Se tivesse que prestar contas de cada pecado que cometeu, e se Deus anotasse e o castigasse por todos os pecados, como poderia subsistir diante dele?  Quem, Senhor, subsistirá? É a pergunta que Davi faz. A resposta é: Ninguém. Porque o pecado mata. Ninguém subsiste a ele. Mas Davi tem uma notícia maravilhosa: “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”. (v.4). Por isso, para o salmista a única solução está no perdão, e o perdão só pode ser alcançado no Senhor. Deus lhes apagará do coração todas as suas transgressões. Não porque merecia, mas somente porque Deus é gracioso.

Assim como o salmista, todos nós precisamos ter a consciência de que somos pecadores. É preciso reconhecer que sem a misericórdia do Senhor nenhum de nós resistiria. “Não há quem faça o bem, não há nem se quer um”, “Não há justo, nem um sequer”, estas afirmações devem estar sempre diante de nós para que nunca o orgulho ou a presunção de que somos melhores que os outros tomem conta de nossas mentes. Quando reconheçamos os nossos pecados e pedimos perdão ao Senhor, há paz em nosso coração. Por mais graves que sejam as ofensas cometidas contra Deus, você pode ter certeza absoluta de que Deus ouvirá e atenderá a tua oração, se você se aproximar do Senhor com humildade, reconhecendo as faltas e pedir perdão. Você já experimentou esta paz em seu coração?

Depois de buscar ajuda no Senhor, o salmista se mostra paciente. Confia e espera na palavra do Senhor. (v.5). A palavra do Senhor é a esperança para quem vive nas profundezas. Ninguém que espera em Deus, permanece nas "profundezas." O apóstolo Pedro, numa ocasião, fez uma pergunta a Jesus: Para quem iremos? Ele apresenta dois motivos da sua permanência em Jesus. Primeiro: “Tu tens as palavras da vida eterna”. (v.68b). Pedro respondeu com uma confissão de fé. Só Jesus tem as palavras da vida eterna. Segundo motivo para permanecer em Jesus, Pedro conclui com uma lúdica verdade: “nós temos crido e conhecido que tu és o santo de Deus”. (v.68c).

Esta foi a decisão firmada com tanta convicção, o caminho que Pedro tomou. O que tinha ouvido e visto na companhia de Jesus, o convenceu que valia a pena ficar com ele, e ouvir as suas palavras.  Palavras que não mentem, não enganam e não falham; é a verdade infalível e imutável.  Palavras que anunciam pleno perdão de todas as nossas transgressões. Que nos asseguram a vida eterna nas mansões celestiais. Por isso, ao sabermos que Jesus tem as palavras da vida eterna, é importante dizer que não temos outro refúgio nos momentos de angústia do que a presença de Jesus, porque somente Ele é o Deus que nos pode socorrer. Os ídolos criados pelo homem não falam, não respondem. Também não é na ciência e na filosofia que o homem encontra a salvação. Mas unicamente no Cristo que tem as palavras da vida eterna. Portanto, seria um absurdo voltar a seguir outros caminhos ou buscar outras pessoas para nos tirar das “profundezas”.

O salmista, agora, demonstra uma imensa vontade e anseio de ter uma vida de relacionamento diário com Deus. Ele afirma: “A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã”. (v.6). A expressão “minha alma anseia” significa desejar ardentemente. A sua alma estava sedenta em buscar os caminhos de Deus, de nunca desistir. Esta sua atitude, ele compara com os guardas ou sentinelas que vigiavam durante a noite, que viviam momentos de preocupação com os perigos dos invasores durante a noite. Mas sentiam-se aliviados quando chegava o novo dia! Eles não desistiam! Dessa forma, o salmista desejava ansiosamente a chegada do perdão de Deus, que traria imenso alívio.

Portanto, salmista recebeu aquilo que pediu. O perigo teria passado, e a sua comunhão com o Senhor seria restaurada, porque ele sabia que em Deus encontraria misericórdia e ampla redenção. Ele não se encontra mais nas profundezas. Agora, ele pode, por sua vez, exortar e incentivar o povo de Israel a pôr sua esperança no Senhor. Ele dá testemunho de que no Senhor há misericórdia, e nele há copiosa redenção. (v. 7). Se ele próprio não tivesse sido atendido por Deus, ele jamais exortaria seu povo a ter confiança em Deus. Ele não tem dúvida alguma de que o Deus que o redimiu, redimirá também o povo de Israel. E tem certeza de que o Senhor, assim como não o abandonou, tampouco abandonará o povo.

É assim que devemos desejar a ajuda do Senhor. Esperar com paciência e ter perseverança. A palavra esperar pode parecer difícil, às vezes, até perdemos a paciência esperando por alguma coisa, mas há uma espera que vale a pena: esperar no Senhor. Quaisquer que sejam nossas necessidades, circunstâncias e problemas, nossa primeira solução deve ser esperar no Senhor e em seu auxilio. Devemos ser pacientes e esperar plenamente no Senhor. Por isso, é tempo de buscar o Senhor!

 Precisamos reconhecer nossa fragilidade, nosso pecado, nossas iniquidades, e corrermos na direção de Deus e implorar pelo perdão! Por isso, clame pelo socorro do Senhor e ele te ouvirá e virá ao seu encontro ministrando conforto, paz e alegria interior em sua vida. Amém!

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

TEXTO:  JO 8. 31-36

TEMA:  SOMOS LIVRES QUANDO O FILHO NOS LIBERTA!

 Hoje, lembramos a Reforma  realizada pelo Dr. Martinho Lutero, iniciada no dia 31 de outubro de 1517 quando afixou às 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha. E para este dia da Reforma,vamos refletir sobre o texto de João 8.31-36. A temática da mensagem está centralizada nas palavras de Jesus no versículo 36: Somos livres quando o Filho nos liberta.

Mas libertar de quê? O Filho nos liberta da escravidão do pecado. A escravidão do pecado é uma condição que afeta toda a humanidade desde a queda de Adão e Eva,pois, como está escrito, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado (v.34).O problema é que o homem foi dominado pelo pecado de tal forma que se torna incapaz de se libertar desse domínio. E um simples assentimento mental não é suficiente para tornar o ser humano verdadeiramente livre da escravidão do pecado.

No entanto, o Filho nos liberta da escravidão do pecado, pois  tem a autoridade para nos libertar do domínio de Satanás e do pecado.  Somente Ele tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Por isso, a única liberdade verdadeira é a liberdade trazida por Cristo: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (v.32). É uma liberdade verdadeira que nos permite viver em comunhão com Deus. Mas essa liberdade não significa fazer o queremos. Pelo contrário,é uma liberdade para viver de acordo com o propósito de Deus para as nossas vidas.

Martinho Lutero, ao estudar as Escrituras, descobriu a verdade libertadora do evangelho: a salvação é pela graça de Deus mediante a fé em Cristo, e não pelas obras humanas (Efésios 2.8–9; Romanos 1.17). Ele viveu em um tempo em que a Igreja havia se afastado da Palavra, substituindo a verdade bíblica por tradições humanas, superstições e práticas como a venda de indulgências. Nesse contexto, Lutero percebeu que nenhum esforço próprio poderia aproximar o ser humano de Deus — apenas a fé em Jesus Cristo justifica o pecador.

Muitos anos depois da Reforma, é triste dizer  que muitas pessoas desistiram de buscar esta verdade. Hoje, estamos enfrentando a secularização, o liberalismo e o relativismo da Palavra de Deus. A idolatria, relíquias,  prosperidade, ritos e promessas idênticos do tempo de Lutero têm se propagado em muitas igrejas. O que se observa  que  as verdades essenciais do evangelho estão ausentes em  muitos púlpitos. Há extrema confusão, perda de identidade e distanciamento do que Jesus ensinou. Lutero, ficaria perflexo de ver a verdade,  algo tão precioso sendo  relativizada e desprezada neste mundo contemporâneo.

Assim como Lutero conclamou a Igreja ao retorno às Escrituras, somos chamados hoje a reavaliar nossa fé e viver em fidelidade à verdade bíblica que liberta (v. 32), reconhecendo que somente o Filho nos torna livres do pecado (v. 36). O texto nos conduz aos seguintes questionamentos:

Você se considera uma pessoa verdadeiramente livre? O que o impede de confiar totalmente na graça de Deus? Como você pode usar sua liberdade em Cristo para servir e amar melhor as pessoas? O que precisa mudar na sua rotina para viver mais próximo da Palavra que liberta? Como você pode ajudar alguém ao seu redor a conhecer essa liberdade em Jesus?

Estimados irmãos, conforme o texto, Jesus fez um discurso aos judeus. Nesse discurso, Ele falou sobre pontos fundamentais da mensagem do Evangelho, especialmente, sobre sua pessoa e ministério. E ao final do seu discurso houve certa reação. Alguns dos judeus  chegaram a crer nele (v.30). Outros se monstaram entusiasmados com os ensinamentos de Jesus, mas não creram,  não entenderam e passaram a questionar Jesus, pois sentiram-se ofendidos pela forma como Ele falava. (v. 31,33,40). Diante desta reação, Jesus mostra quem é o verdadeiro discipulo. Ele, primeiro, os convida a permanecer em sua palavra. (v.32a). Permanecer é uma palavra que significa ficar, manter-se, não sair. Ora, permanecer na palavra de Jesus tem vários aspectos: primeiro, quando ouvimos a Palavra de Deus ou lemos é preciso guardar no coração. O salmista, muitos anos antes, já vivia essa experiência e a retratou no Salmo 119.11: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. Segundo, ter a Palavra de Deus no coração é fundamental para aquele que segue a Jesus, mas também há necessidade de colocar em prática aquilo que é ensinado: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (Tiago 1.22). Em suma, um cristão genuíno que permanece na Palavra de Deus, obedece e procura entender é um verdadeiro discipulo.

Para aqueles que perseveram, permanecem firmemente nos ensinos da Palavra de Deus, Jesus diz: “ conhecereis a verdade.” (v.32a).  A palavra "conhecer” vem do grego γινώσκω que significa aprender a conhecer, vir a conhecer, obter um conhecimento, tornar-se conhecido. Fica evidente que, quem permanecer, ficar, continuar, ser perseverante, é moldado pelos ensinamentos de Jesus. E ,consquetemente, nos leva conhece-lo de maneira muito mais profunda, pois estaremos conhecendo a “verdade.” Observa-se que João apresenta um conceito de verdade diferente da concepção grega.  Para os gregos, verdade significa o que é palpável, real. Mas qual é a verdade que Jesus está falando? Como podemos conhecer esta verdade?  Deus revelou a verdade ao mundo através de Jesus. Quando Jesus veio como homem, ele nos mostrou a verdade de uma forma que podemos compreender.  Jesus  em Jo 14.6  mostra que Ele é a verdade divina. Nele os homens vivem e se libertam do pecado.

Ao longo dos séculos, muitas pessoas têm confessado esta verdade que Jesus ensinou. Lutero é um exemplo.  Ele viveu num período que caracterizou por um profundo desprezo à pregação da Palavra de Deus por parte dos clérigos da Igreja Romana. O povo acreditava em bruxarias, eram cheios de superstições e só ouviam falar de Jesus como Juiz irado e não como o amoroso Salvador. Além disso, o que mais perturbava o povo na época, era a venda das indulgências. Por outro lado, as obras desempenhavam o papel principal no ensinamento dos mestres e professores daquela época. O relacionamento entre homem e Deus, era através das boas obras. Lutero ao viver neste contexto sentiu que sua vida estava alicerçada em farsas, em mentiras, inverdades. indulgências e penitências, e nada disso o faria chegar mais perto de Deus diante destes ensinamentos.

Lutero encontrou nas Escrituras, a verdade quando vivia na angustia e no desespero. Entendeu de que bastava crer em Jesus, o caminho, a verdade e a vida, que seria liberto e teria paz em sua vida. Com certeza, lembrou das palavras de Jesus,para aqueles que creram nele  “e a verdade vos libertará”.(v.32b). Mas será todos entendemos o que é liberdade? A Bíblia explica que a verdadeira liberdade está em Jesus Cristo. Ele é a verdade que liberta. Ele veio para nos libertar do domínio de Satanás e do pecado. Somente Ele tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Por isso, a única liberdade verdadeira é a liberdade trazida por Cristo. Quando Ele nos liberta, então,seremos livres. Porém, ser verdadeiramente livre não significa viver uma vida sem compromisso e sem lei (1 Coríntios 9.21; Gálatas 6.2). Portanto, livre de verdade é aquele que serve a Deus e vive uma vida de acordo com sua vontade.

Quando Jesus falou sobre liberdade, deixaram os judeus atônitos e responderam: “Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres?” (v.33).Estes judeus eram opositores  e procuraram  matar Jesus ( vv.37, 39). Jesus disse que eram filhos de Satanás. (v.40). Eles se sentiram afrontados pelas palavras de Jesus, e argumentam: “somos descendentes de Abraão.” Para eles o patriarca Abraão era um homem em aliança com Deus,  e impôs toda a liberdade civil e religiosa sobre eles, e nunca foram escravizados por qualquer poder estrangeiro e governado por leis. Este foi o maior orgulho dos judeus, de que eles eram os herdeiros da aliança com Abraão.Sendo assim, afirmam: “jamais fomos escravos de alguém.” É evidente que este argumento dos opositores não era verdadeiro.Esqueceram que viveram na escravidão no Egito e na Babilônia. Esqueceram que serviram a essas nações como escravo. Também esqueceram do fato bem presente de que naquele tempo Roma dominava a terra de Israel.

Diante desta atitude dos judeus, o que se conclui é que eles não admitiam para si mesmos, que não eram livres. Então, Jesus replica com outra  declaração, tentando ampliar e esclarecer aos judeus. Ele recordou-lhes que havia outra escravidão à qual eles não davam a mínima atenção. Jesus afirma: “Em verdade, em verdade vos digo: Todo o que comete pecado é escravo do pecado.”(v.34).  Jesus usa aqui o termo δοῦλος que significa literalmente “escravo” em grego. Muitos traduzem como  “servo”. Jesus ao usar este termo marcou  a consciência inquieta de que eles não eram tão livres quanto gostariam de ser,pois eram escravo do pecado e não queriam admitir.Pensavam que sendo descendente de Abraão, eram livres.

Mas  o que é ser escravo do pecado? O pecado procura uma maneira de nos escravizar, controlar,  dominar e ditar nossos atos. Tem poder sobre o homem e o torna seu senhor. Torna-se permanente  em nossa carne cujo efeito é a escravidão. E não existe escravidão semelhante a esta. Quantas pessoas, em todo o mundo, são escravas do pecado, embora não admitam! Tornaram-se cativos de suas fraquezas e corrupções, e se mostram incapazes de serem libertos. Às vezes, se orgulham de serem eminentemente livres. Em Rm  7.20-24.  Paulo nos revela a extensão da realidade do pecado. Precisamos acolher o Filho de Deus, que nos libertou do poder do pecado (Rm 6.1-5). Ele veio para nos libertar da escravidão do pecado. Quando nos aproximamos de Cristo em arrependimento e recebemos este perdão, e  somos capacitados pelo Espírito Santo que vem habitar em nós.

Diante dos argumentos dos seus opositores,Jesus,  faz uma diferença entre o escravo e filho.Assim, entenderia o que Jesus estava ensinando: “O escravo não fica para sempre em casa.”(v.35a).  Em qualquer casa havia uma diferença entre o escravo e o filho. O escravo não tinha vontade própria. Ele fazia somente a vontade do seu senhor.  Ele não é o herdeiro e pode a qualquer momento ser expulso da casa, ou ser vendido. Diferente é o filho: “filho,sim, para sempre.”(v.35b).Ele tem o direito. É o herdeiro e  não pode ser descartado ou vendido. É privilegiado com o direito de permanecer na família até a morte. Mas o que Jesus queria mostrar  com essa diferença aos judeus?Jesus  estabele uma advertência aos judeus: vocês podem ser escravos do pecado, que conduz à morte, ou podem escolher ser filho e obedecer a Deus, que conduz à vida de justiça.Se vocês não forem filhos, são considerados escravos, e não terão seus privilégios especiais como nação. Jesus,então, poderia perguntar aos seus opositores: Vocês crêem que são os filhos na casa de Deus? Creem que nada lhes pode separar da presença de Deus?  Mas a grande questão é: nós temos sido escrevo ou temos sido filhos?

Finalizando Jesus mostra aos seus opositores a natureza da verdadeira liberdade: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.(v.36).Estas palavras de Jesus, é uma expressão maravilhosa que resume a essência do Evangelho. Demonstra que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Isso significa que o homem foi dominado pelo pecado de tal modo que ele é incapaz de se libertar desse domínio. E um simples assentimento mental não é suficiente para tornar o homem verdadeiramente livre. É necessário que haja uma entrega completa a Cristo, reconhecendo-o como   Aquele nos libertou do domínio de Satanás e do pecado.  Somente Ele tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Por isso, a única liberdade verdadeira é a liberdade trazida por Cristo.Quando Ele nos liberta Então,seremos livres.Porém, ser verdadeiramente livre não significa viver uma vida sem compromisso com o Filho, (1 Coríntios 9.21; Gálatas 6.2) servindo e vivendo de acordo com sua vontade.

No entanto, muitos anos depois da Reforma, é triste dizer  que muitas pessoas desistiram de buscar esta verdade. Hoje, estamos enfrentando a secularização. Liberalismo e o relativismo da Palavra de Deus. A idolatria, relíquias,  prosperidade, ritos e promessas idênticos do tempo de Lutero têm se propagado em muitas igrejas. O que se observa  que  as verdades essenciais do evangelho estão ausentes em  muitos púlpitos. Há extrema confusão, perda de identidade e distanciamento do que Jesus ensinou. Lutero, ficaria perflexo de ver a verdade,  algo tão precioso sendo  relativizada e desprezada neste mundo contemporâneo.É de suma importância reavaliarmos nossa caminhada à luz da Palavra de Deus e sermos fiéis ao Filho  que nos libertou da escravidão do pecado.

Estimados irmãos! Assim como Deus agiu na História, através de Lutero, ocasionando a Reforma, Deus também quer usar a cada um de nós, para transmitir a sua mensagem ao mundo e mostrar que o Filho nos liberta da escravidão do pecado; que tem a autoridade para nos libertar do domínio de Satanás e do pecado; que tem o poder de tirar o pecador do estado de morte espiritual para o estado de herdeiro da vida eterna. Como é maravilhoso depois de 508 anos, ainda continuamos pregando, confessando e proclamando esta verdade! Por isso,cremos que Jesus Cristo nos liberta da escravidão do pecado. Amém!

TEXTO: SL 50.1-15

TEMA: SEJAMOS VERDADEIROS ADORADORES AO SENHOR!

Hoje, em muitas igrejas a adoração transformou-se em show, em ativismo piedoso sem ligação com o próprio Senhor. Na verdade, a pregação das Escrituras não encontra mais espaço dentro de algumas igrejas de nossos dias. Elas perderam a essência do Evangelho para vender uma imagem de relevância à sociedade. Por isso, refletir sobre estas questões torna-se relevante, pois vivemos diante de uma situação em que a adoração a Deus tem sido um mero ritualismo vazio. Um conjunto de atos mecânicos que nada contribui para a edificação e nem para a glória do nosso Deus. Esta adoração Deus não se agrada.

Será que Deus está satisfeito com adoração que realizemos? Será que, muitas vezes, a nossa adoração não é um mero formalismo?  Este salmo contém todas as respostas para esses questionamentos. O salmista chama atenção do povo de Israel sobre a situação espiritual que estava vivendo. O próprio Senhor é quem, no salmo, os distingue e se manifesta diante da falsidade dos seguidores. Sendo assim, Deus coloca na boca do salmista as palavras de repreensão ao povo, que dava valor ao ritual do culto, mas desprezava a vida diária de louvor de todo coração. Ele toma a prática da adoração vigente e contrasta com os critérios do culto que Deus se agrada. Ele mostra quais são os critérios de Deus.

Não importa o quanto o homem tente inovar, imaginar ou criar supostas “adorações”, pois todas elas serão vistas por Deus como falsas e reprováveis. Sendo assim, Deus nos convida para sermos verdadeiros adoradores de uma maneira tão profunda, envolvendo todo nosso ser. Ele almeja que a nossa adoração seja genuína sempre fundamentada nos ensinamentos de Deus, conforme revelada nas Escrituras, e que esteja em conformidade com a sua vontade, pois não podemos adorar a Deus de qualquer maneira, mas em “espirito e verdade”. (João 4.23). Este deve ser o nosso procedimento.

                                                                   I

Salmo 50 inicia com a descrição do Senhor Deus, Criador dos céus e da terra, todo-poderoso, supremo e glorioso. É Ele quem fala. Não são homens nem anjos, mas é o próprio Senhor que tem o direito de convocar todos os habitantes da terra, desde o nascer do sol até onde ele se põe, para participar do tribunal de Deus, Isto significa que a convocação é para todo mundo, ou seja, para todas as terras, raça humana e classes sociais, bem como desde Sião, que é a excelência em formosura, cidade do grande Rei, o lugar e fonte da autoridade de Deus.  (v.2). Todos são convocados! Então, o Senhor virá para o julgamento. (v.3a).  O Novo Testamento declara o fato de que isso será feito pela vinda de seu Filho Jesus Cristo, para reunir as nações diante dele e pronunciar a sentença final sobre a humanidade. (Mateus 25.31; João 5.22).

Ele vem! E, certamente, não ficará calado! À sua frente vai um fogo devorador, e, ao seu redor, uma violenta tempestade. Assim afirma o salmista: “perante ele arde fogo devorador, ao seu redor esbraveja grande tormenta”. (v.3b). É uma convocação que nos faz tremer, pois o Senhor age como um juízo e manifesta a sua ira no julgamento dos homens. O fogo e a tormenta são figuras utilizadas para fazer referência à majestade e ao poderio de Deus quando se manifestar. Esta expressão foi tirada da representação de Deus quando ele se manifestou no Monte Sinai. (Êxodo 19.16-18). Naquela ocasião, o ar ressoou com trovões e o som de trombetas, os céus foram iluminados por raios, e a montanha estava em chamas. Agora, Deus faria uma exibição igualmente de seu poder, para que o povo aprendesse a tremer diante do julgamento de Deus, uma vez que se considerava indiferente e desprezava a terrível manifestação de Deus, da mesma forma como ocorreu no Sinai.

É justamente a falta de uma vida adequada do Seu povo que leva o Senhor a lamentar profundamente. Ele lembra ao Seu povo da aliança que firmou com ele, mas vê-se obrigado a acusar Israel, falando em julgamento. É uma acusação contra os rituais exteriores e vazios, ao culto sem conteúdo. É diante desta situação, o Senhor intima, chama, grita, emite som alto, reúne os céus e a terra. Ele toma como testemunha os céus e a terra para emitir juízo acerca do seu povo: “Intima os céus lá em cima e a terra para julgar seu povo.” (v.4). Os próprios céus, os habitantes celestiais testemunharão a justiça da sentença. Atestarão a perfídia, as maldades, desonras e invenções perversas que os judeus estavam praticando. Na verdade, estavam desprezando a verdadeira santidade e corrompendo a pura adoração a Deus. Mas também, neste dia, o Senhor emitirá uma ordem do seu trono: “Congregai os meus santos, aqueles que fizeram comigo um concerto com sacrifícios. (v.5). O Senhor solicita aos mensageiros que tragam ao tribunal os santos. A palavra “santos” aqui se refere àqueles que são verdadeiramente seu povo. Os israelitas, a quem Deus os escolheu e os separou de todas as nações da terra, para serem um povo santo e peculiar para si, e também se dedicaram solenemente a Deus. Mas somente aqueles fizeram aliança com Deus e ratificaram essa aliança com sacrifício.

                                                                        II

Após o Senhor ter falado sobre o julgamento para o povo, agora, ele faz um relato do processo e da sentença do juiz, e mostra sobre a necessidade de arrependimento. Ele se pronuncia contrário àqueles que o desagradam: “Escuta, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu testemunharei contra ti. Eu sou Deus, o teu Deus.” (v.7). Deus deseja ser ouvido, porque “Eu sou Deus, o teu Deus”, disse Ele. Portanto, tenho o direito de falar. O direito de declarar os princípios que pertencem à verdadeira adoração. Não estou reclamando de nenhuma negligência em relação a sacrifícios que eram continuamente realizados no Templo diante de mim, pois eram oferecidos de acordo com a lei. (v.8). Na verdade, o conceito de oferecer sacrifícios ao Senhor foi ensinado por Deus desde o tempo da primeira família humana, pois Abel agiu por fé e foi aprovado por Deus quando fez um sacrifício agradável (Hebreus 11.4; Gênesis 4.4). Durante todo o tempo da vigência da Lei dada por meio de Moisés, Deus exigia sacrifícios e ofertas. Mas esta não é a principal questão da acusação contra povo. Não é por esse motivo que deve ser culpado ou condenado.

No entanto, se o problema não era o sacrifício em si, tanto nas disposições técnicas como na qualidade dos animais, qual, então, era o motivo da repreensão? Ocorre que o povo não estava prestando favor algum a Deus, trazendo animais para o sacrifício, pois tudo pertence ao Senhor. Ele controla a existência de todas as coisas. Ele afirma nos versículos 9-12 a sua independência absoluta das ofertas humanas. E mostra que o sacrifício com o qual ficaria satisfeito, era bem diferente dos novilhos, bodes , que eles tinham o hábito de oferecer. No momento, o povo apresentava uma forma de culto com apenas rituais exteriores, vazios e sem conteúdo. Ofereciam sacrifícios, mas se esqueciam de seu significado. Esta adoração Deus não se agradava.

Em meio a esse formalismo no culto, praticado pelo seu povo, O Senhor afirma: “Oferece a Deus sacrifícios de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo” (v.14). Dois pontos importantes merecem a nossa reflexão. Primeiro: “Oferece a Deus sacrifícios de ações de graças”. O sacrifício de ação de graças é mencionado várias vezes no Antigo Testamento, e pela primeira vez em Levítico 7.11-15. Mas o Senhor deixa claro que este tipo de sacrifício não era somente apresentação dos corpos e do sangue de animais mortos, mas era uma oferta que deveria proceder de um coração genuíno, e que expressava gratidão, fidelidade, compromisso, dependência da sua graça, louvor a Deus, e a honra que só ele merece. O que Deus quer ressaltar, por meio do salmista, é que a oferta exterior deve corresponder à devoção interior. Nesse aspecto, sacrifício de ações de graças” nos lembra que nosso viver diário deve ser tão próximo de Deus e de Sua Palavra. E, assim, faz sentido o que é uma verdadeira adoração. O segundo ponto: “cumpre os teus votos para com o Altíssimo”. O texto não explica que votos são esses, mas, quaisquer que fossem, deveriam ser cumpridos com fidelidade ao Senhor.  Deveria ser cumprido com todo o esforço, na íntegra, sem justificativas para o descumprimento. Afinal, deveriam honrar a sua palavra diante de Deus, demonstrando maturidade quanto aquilo que prometeu.

Estimados irmãos! Não há lugar para ritualismos vazio que não reflete a verdadeira adoração a Deus. Deus rejeita abertamente a adoração falsa, feita somente nos dias de culto, e que não condiz com a postura de vida que levamos. Por isso, temos de trabalhar os nossos corações para nos arrepender de nossos pecados, para dedicarmos nosso tempo a Deus, para sermos autênticos quando declararmos nossa adoração ao nosso Criador e Salvador. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, e nos perdoa, nos lava e nos purifica com o sangue do seu Filho Jesus. Refletimos nossas atitudes e busquemos em Deus um coração adorador, “em espírito e em verdade. Enfim, busquemos ajuda na maravilhosa promessa de Deus: “E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (v.15). Ela repousará sobre os que adoram a Deus. Sejamos verdadeiros adoradores! Amém

sábado, 18 de outubro de 2025

 TEXTO: SL 46

TEMA: DEPOSITAMOS TODA A NOSSA CONFIANÇA EM DEUS !


Historicamente este salmo pode estar ligado a um cântico de vitória sobre os inimigos do povo de Deus. É provável que tenha sido escrito na época em que o rei da Assíria, Senaqueribe cercou Jerusalém, e Deus providenciou livramento a Judá, no tempo do rei Ezequias em 701 a.C. (2 Cr 32; Is 36, 37). Ele se intitula como Cântico sobre Alamote, palavra esta que talvez se refira à voz de soprano. Foi composto pelos filhos do levita Corá. Eles eram músicos no templo. Quanto à estrutra, ele é divido em três estrofes, caracterizadas no final pelo termo “selá”. (notação que provavelmente assinalava um interlúdio musical entre os versiculos 3,7,11).

Este salmo é uma oração de confiança em Deus. Nesta oração ,o escritor relata a sua situação de angústia e busca ajuda no Senhor. Ele declarou que Deus era o seu refúgio e fortaleza, e encontrou segurança, coragem que o levou a confiar no Senhor. Da mesma forma, os habitantes de Jerusalém são chamados a confiar em Deus, a contemplar a sua obra, não importa a dificuldade das circunstâncias em estavam vivendo. Este salmo serviu de consolo para Martinho Lutero em suas muitas lutas. Ele foi usado como fonte de inspiração, em 1529, para a composição do hino "Castelo Forte". Ele serve também de consolo em nossa vida, pois vivemos em muitas situações que afligem nossa alma. São as guerras, lutas que provocam aflição e insegurança, e, muitas vezes, nos sentimos ameaçados e com medo.

O salmo nos relata inúmeros argumentos e motivos pelos quais devemos depositar toda a nossa confiança em Deus. Apresento três que servem de reflexão: primeiro, porque somente o Senhor pode nos socorrer em tempo de perigo. Na vida, cada um de nós, inevitavelmente, passará por dificuldades, seja conflitos familiares, doenças, e problemas no trabalho. Diante desta dificuldades, nos tornamos fracos e, muitas vezes, perdemos a nossa fé. Neste momento, somente o Senhor pode nos ajudar. Ele é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Segundo, porque a presença de Deus nos livra dos perigos que enfrentamos neste mundo. O salmista nos mostra como podemos confiar em Deus, até mesmo nos momentos mais difíceis, porque Ele é o Todo-Poderos, uma fortaleza impenetrável. É o Altíssimo. Terceiro, porque é Deus que põe termo à guerra e confere paz. É o poder de Deus em estabelecer a paz e pôr fim às guerras. Somente o Príncipe da paz que está sentado no trono, nos concede a verdadeira paz.

                                                                        I

Os habitantes de Jerusalém eram dependentes da força de seu exército e dos muros que cercavam a cidade. Mas, quando chegaram os assírios, as defesas foram destruídas. Não tinham para onde ir, nem onde se esconder. Tudo estava desmoronando, dando errado e não havia esperança. Foi esse tipo de cenário que moveu o poeta a escrever este salmo. Ele traz a primeira declaração da sua fé: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (v.1). O termo מַחֲסֶה, traduzido por refúgio, significa ,literalmente, no hebraico, “um abrigo”, um lugar apropriado para se proteger de um perigo. Já o termo עֹז ,traduzido por fortaleza, significa “poder” ou “força”, transmite a ideia de “ser forte”, “prevalecer” ou “tornar firme”. No antigo Oriente Médio, as cidades eram construídas em lugares altos, com altas muralhas, para sua defesa. Ainda assim, não havia cidade ou estrutura defensiva impenetrável. O salmista usa esta imagem para descrever a proteção de Deus, que lhe servisse de refúgio por meio de um muro forte, diante dos ataques que recebia dos inimigos. Ele demonstra esta proteção quando afirma: “O Senhor é o meu refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.”

Assim podemos entender que em tempos de adversidades, quando tudo parece ruir, Deus é aquele que nos oferece abrigo para enfrentar as tempestades da vida, sejam elas pequenas ou grandes. Ele é o lugar seguro para onde podemos recorrer em tempos de dificuldades. É o nosso socorro imediato e está sempre presente para nos auxiliar em meio às tribulações. Por isso, não precisamos ter medo, pois Deus é o nosso refúgio é a nossa fortaleza. Não precisamos ficar atemorizados com as tribulações, pois Ele é o nosso socorro bem presente nas tribulações. A palavra tribulações indica situações problemáticas de intensas aflições e dificuldades. Em outras palavras, o salmista está dizendo que quando estamos em situações difíceis das quais somos incapazes de escapar, Ele é o nosso refúgio e fortaleza, e nos socorre em tempo de perigos. Faça de Deus seu refúgio, como nos ensina o salmista, nele encontramos segurança, coragem, abrigo. proteção, paz , força para vencer.

Para o salmista não importam as circunstâncias, o Senhor sempre será o nosso socorro nos momentos de adversidades e tribulações. Esse é o motivo pelo qual o salmista diz: “ Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam.” (vv.2 e 3). Nestes versiculos o salmista apresenta situações nas quais não teria medo, porque entendia que somente o Senhor podia oferecer o socorro diante de suas adversidades. Interessante a expressão: “Ainda que.” O escritor ao usar esta expressão, estava depositando tanta confiança no Senhor. Ele afirma que “ainda que” houvesse mudanças na terra, mudanças nos montes no seio dos mares e as águas tumultuassem, espumejassem e na sua fúria os montes se estremeçessem, ainda assim não havia motivos para temer. O salmista Davi aplica essa mesma expressão quando diz: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Salmos 23.4).

                                                                       II

Depois de descrever o cenário caótico, o clamor e o tumulto cessam. Agora, o salmista fala da onipresença de Deus, da presença graciosa de Deus. Ele afirma: “Há um rio.”(v.4a). Muitas cidades grandes têm rios que fluem através delas, sustentando assim a vida de muitas pessoas na agricultura e facilitando o comércio com outras cidades. Mas qual o rio que o salmista se refere? Porque na cidade de Jerusalém não há existência de um rio dentro de seus muros, apenas algumas fontes e aqueduto. Ocorre que para explicar a presença e proteção de Deus, o salmista recorre algo que lhe seja similar. Ele usa um tipo de linguagem poética ao comparar a presença e a proteção de Deus, com uma cidade atravessada por um rio. A presença de Deus é como um rio em nossas vida. Tal como um rio flui e proporciona vida por onde passa, assim é a presença de Deus que concede vida a todos que creem. Em Apocalipse, o rio corre diretamente do trono de Deus, da sua presença (Apocalipse 22.1,2). O rio da vida em Apocalipse representa a presença de Deus, que concede vida. Deus nunca nos abandona. Ele está sempre conosco.

O salmista ainda afirma que as correntes deste rio alegram a cidade de Deus. (v.4b). A cidade de Deus é uma referência a Jerusalém, onde Deus faz o seu lugar de habitação; onde deveria ser adorado pelo seu povo. Agora, a cidade de Deus vive num estado de tranquilidade e segurança em contraste marcante com o oceano revolto do v. 3. Agora, Jerusalém seria calma e serena em meio a todas as agitações externas do mundo – calma como uma corrente que flui suavemente. Neste sentido, o salmista aponta para a nova Jerusalém espiritual, um símbolo do céu, que foi preparada por Deus como a morada final dos crentes. Nesse quadro de referência, o "rio" do versículo 4 é o rio que flui do trono de Deus ( Ezequiel 47.1-12; Zacarias 14.8; Apocalipse 22:1-2) e o "lugar santo" é a morada de Deus no céu.

Ao falar de Jerusalém, o salmista fala de uma santuário da morada do Altíssimo” (v.4c). Os tabernáculos do Altíssimo estavam espalhados por toda a Judéia, mas ainda era necessário que o povo fosse reunido e unido em um santuário, para que estivesse sob o domínio de Deus. Quando os israelitas olhavam na direção do santuário das moradas do Altissimo, sentiam segurança e proteção divina, porque simbolicamente Jerusalém tinha o Deus Altíssimo que habitava na cidade. O lugar onde havia paz, a graça de Deus, o perdão dos pecados, que dá vida e salvação, que brota da cruz e da sepultura aberta de Cristo.

Não há, portanto, ninguém semelhante ao Senhor, que habita nas alturas. Ele é o Altissimo. O termo עֶלְיֹון traduzido por “Altíssimo,” é um título muito usado no AT para falar de Deus, aquele que está no alto. Então, podemos descrever sobre o altissímo: “Eis que o Deus Altíssimo, desce dos altos céus e faz morada na cidade.Ninguém é como o Senhor, nosso Deus. Não há, portanto, ninguém semelhante ao Senhor, que habita nas alturas. Ele é plenamente incomparável. Ele cuida pessoalmente de cada um de nós, se inclina para ver o que se passa sobre o céu e sobre a terra.” Enquanto Deus viveu entre seu povo, a cidade foi invencível. Mas quando o povo o abandonou, Deus o deixou e Jerusalém caiu ante o exército babilônico.A presença de Deus em Jerusalém traz um encorajamento especial para o escritor: “Deus está no meio da cidade e jamais será abalada.” (v.5a). Isto demonstra que Deus não está ausente. Ele habita com seu povo, pois é verdadeiramente o lugar que o Senhor escolheu para habitar. Ele estabelecer ali o seu nome para a sua habitação.

O que se conclui é que a cidade de Deus jamais será abalada, permanecerá "pelos séculos dos séculos" (Ap 22.5). Ela não será abalada, por que Deus é o seu ajudador e os inimigos não podem prevalecer contra ela. Mesmo que os inimigos sejam muitos e poderosos, mesmo que as nações se enfureçam e os reinos deste mundo se levantem contra Cristo e sua igreja, a cidade de Deus, jamais fica abalada, porque o Senhor dos Exércitos está com ela. O Deus de Jacó, o Deus da aliança, é o seu refúgio. No livro de Apocalipse, Deus nos mostra que o Senhor é Deus, dirige e protege a sua Igreja. Ele haveria de ajudar “ desde antemanhã.” ou seja até o dia amanhecer, simbolizando um novo começo e uma renovação de forças (v.5b).

A confiança do salmista se manifesta também na atuação do poder de Deus sobre as nações, fazendo-as tremer diante do seu poder: “ Bramam nações, reinos se abalam; ele faz ouvir a sua voz, e a terra se dissolve.” (v.6). Há um situação de conflito e agitação entre as nações. Os reinos se movem e os gentios se enfurecem.Talvez,o escritor esteja mencionando a destruição do exército do rei assírio Senaqueribe durante o reinado de Ezequias (2 Reis 18-19).De qualquer forma, a voz de Deus é poderosa a ponto de dissolver a terra. O termo מוּג que é traduzido por dissolver ou derreter, é uma figura de linguagem que demonstra o poder absoluto de Deus, seu domínio e autoridade sobre todas as coisas.

Após, o salmista faz uma declação que é repetida no final do salmo. Ele ainda reforça a presença e o poder de Deus, ao afirmar que “o Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.” (v.7). Ele é o Deus que protege e defende o seu povo. O escritor usa novamente o termo מַחֲסֶה que signfica literalmente “um abrigo”. Mas também pode ser usado no sentido de “defesa” e “amparo”. E ainda a expressão “abrigo alto”, ou seja, uma cidadela. Esta nada mais é que uma fortaleza dentro da fortaleza. Assim, caso a cidade fosse invadida, havia outra muralha em uma posição mais alta para proteger os moradores que perderam a primeira muralha. Para o escritor Deus é como uma dessas cidadelas que, mesmo diante da queda dos muros da cidade, Ele continua protegendo o seu povo. Ele é o refúgio e fortaleza daqueles que confiam nele, assim como foi para Jacó diante de suas adversidades.

                                                                              III

Os ataques violentos, sede, medo, tristeza e caos não conseguem tirar a confiança do salmista. Sendo assim, ele passa a encorajar os habitantes de Jerusalém. Eles são desafiados a lembrara das coisas que Deus fez no passado. A contemplar as obras do Senhor: “Vinde e contemplai as obras do Senhor.”(v.8). O convite é para que saiam e vejam por si mesmos, quão completa foi a libertação e a ruína de seus inimigos. Os verbos vir e contemplar tratam-se de um olhar para o campo de batalha. Lá estão os inimigos derrotados como resultado da ação de Deus. (Is 37.36). As Escrituras relatam, quão abundante é a prova de que Deus foi capaz de proteger seu povo em tempos de perigo.

Em outras ocosições, Deus também convidou o seu povo a contemplar as suas obras: “Vinde e vede as obras de Deus: tremendos feitos para com os filhos dos homens!” (Sl 66.5; Jo 1.39; 4.29). E de fato,toda a história de Israel no AT mostra-nos os grandes atos de salvação realizados por Deus em favor do seu povo no passado. Há diversas narrativas de como Deus agiu de forma maravilhosa. Ele devastou o Egito com as dez pragas para libertar o seu povo; abriu o Mar Vermelho para o seu povo passar e fechou o para destruir o exército de Faraó. Mandou o maná para alimentar o seu povo no deserto e fez sair água da rocha para saciá-lo. Tudo foi registrado para que o povo pudesse sempre lembrar o que Deus fez. Deus sempre foi fiel e bondoso para Israel. Esta é a razão de “estarem alegres”cnforme o salmo 126.3: “Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres.”

Somos desafiados a contemplar as obras do Senhor,porque Ele também tem realizado coisas grandiosas em nossa vida. Aliás, a nossa vida é constituída de coisas grandiosas. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo que morreu na cruz para nos salvar. O seu amor e cuidado em todas as situações dramáticas das nossas vidas, situações que tiraram noites de sono e, muitas vezes, nos deixaram sem esperança para continuar com nossos sonhos e projetos, ou seja, no casamento em crise, nas crises financeiras sem fim, crises na saúde, e o Senhor sempre nos ajudou em todos momentos. Temos um Deus maravilhoso, que não mede esforços para nos ajudar. Precisamos aprender na vida que Deus fez, faz e fará coisas grandiosas por nós. Mas que coisas você gostaria que Deus fizesse por você? Quais são as coisas grandiosas que Deus tem realizado em sua vida?

No entanto, algo deve ser observado pelos homens,conforme o salmista: “A obra do Senhor, pela qual trouxe desolações à terra.” (v.8b). O termo שַׁמָּה pode se referir a qualquer “ruína” ou “derrota” que ele trouxera sobre a terra de Israel ou sobre as nações no exterior, isto é, entre seus vizinhoss que eram hostis. Enfim, era a destruição de cidades, vilas ou exércitos, como prova de seu poder, e de sua capacidade de salvar aqueles que confiam nele. Tendo isso em mente, o salmista usa seu melhor argumento para trazer paz aos israelitas em tempos de uma guerra atroz. Ele diz que nenhuma guerra há quando Deus ordena que ela cesse: “Ele poe termo à guerra até os confins do mundo.” (v.9a).Essa imagem ilustra o poder divino em trazer paz e segurança ao seu povo ao estabelecer a paz firme e bem fundamentada. até os confins da terra,ou desde um extremo ao outro.E ainda é capaz de destruir os instrumentos de guerra, como arcos, lanças e carros de batalha.(v.9b)

Enquanto,o homem faz tantas reuniões e conferências para acabar com as guerras e trazer a paz, nunca foram capazes de realizá-la. Ele nunca teve sucesso, porque sempre o fez com base na confiança do pensamento equivocado do próprio homem. Em outras palavras, essa paz não deve ser comparada aos tratados de paz que vemos nos jornais, pactos de desarmamento negociados entre nações.Esta é uma paz negociada,muitas vezes,frustrada e sem resultado.Mas somente o Príncipe da paz que nos concede a verdadeira paz. Ele com seu poder estabelece a paz e pôe fim às guerras. Todos os meios militares são quebrados ou despedaçados e transformados em instrumentos úteis (Is 2.4; Mq 4.3).

A paz era tudo que o povo, sob ataque do inimigo, desejava e que somente Deus podia conceder. Em resposta a tudo isso o salmista afirma: "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra. Não é um conselho para levarmos uma vida contemplativa, por mais importante que isso seja. O termo רָפָה ,que literalmente significa “entreguar-se”, “desistir”, traz a conotação de abandonar a nossa agitação e reconhecer que o Senhor é Deus. Sendo assim, o povo deveria reconhecer a sua soberania. O Deus supremo deveria ser exaltado tanto entre as nações como sobre a terra. Essa afirmação é um chamado à confiança e à adoração diante da grandeza e majestade de Deus.Ele é o único que será louvado entre as nações e na terra. Essa deveria ser nossa meta nos tempos de turbulência emocional. E um conforto profundo saber que, embora todas as coisas pareçam estar abaladas, uma coisa não está: Deus não é abalado. Por isso, renda-se e reconheça que Deus é o Senhor. Assim, como fez Jacó, Lutero, Melanchthon, John Huss, e tantos outros martires.

O escritor termina o salmo da mesma forma como começou, reforçando a presença de Deus e sua proteção para os seus contra o perigo. O Senhor dos Exércitos, o Deus de Jacó, é novamente proclamado como nosso refúgio. Essa repetição serve para enfatizar a confiança inabalável no poder e cuidado divinos.O Deus de Jacó é o mesmo Deus que age em nosso favor e traz tranquilidade em meio ao caos. Que possamos aprender a confiar nele e buscar refúgio em sua presença, sabendo que Ele é o nosso Deus, o Senhor dos Exércitos, Deus Todo-poderoso que ama tanto seus filhos que se importa com seus destinos e com o sofrimento que atravessam. Amém!