TEXTO: JOÃO 5.24–29
TEMA: PASSANDO DA MORTE PARA A VIDA
Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias em João 5.24-29 para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O tema de hoje é: passando da morte para vida.
O Dia de Finados é um momento dedicado à memória daqueles que já partiram. É o dia em que muitos se dirigem aos cemitérios para visitar túmulos de familiares e amigos, prestando homenagem aos entes queridos que deixaram a vida terrena. Para alguns, é um momento de profunda emoção: choram, derramam lágrimas e sentem tristeza pela perda de alguém muito querido. Para outros, a visita é mais uma tradição cultural; eles se conformam com a morte, que, para eles, não é algo extraordinário, mas sim o desenrolar natural da vida.
No entanto, há uma morte ainda mais profunda e terrível do que a morte física: a morte espiritual, aquela que separa o ser humano de Deus. Ela foi causada pelo pecado, um evento que remonta à Queda de Adão e Eva. Em Gênesis 2.17, Deus advertiu: 'No dia em que dela comeres, certamente morrerás.' Neste momento, algo mais profundo aconteceu: o homem perdeu a comunhão direta com Deus. A vida espiritual foi interrompida e, com isso, o pecado entrou no mundo (Romanos 5.12). O pecado levantou uma barreira entre a humanidade e Deus, rompendo a comunhão perfeita que existia antes. Desde então, a humanidade passou a viver distante da presença divina. O ser humano se tornou espiritualmente morto, moralmente corrompido e, por si só, incapaz de se reconciliar com o Criador.
Contudo, Deus, em Sua infinita misericórdia, não abandonou o ser humano. Pelo contrário, Ele prometeu a redenção através de Cristo (Gênesis 3.15), dando inicio ao plano da salvação.Jesus veio justamente para mudar essa realidade. Ele veio trazer vida onde só havia morte, luz onde havia trevas, esperança onde havia condenação ( João 1.4–5; Efésios 2.4–5). Essa obra maravilhosa que Deus realizou através de Seu Filho, nos permite, em primeiro lugar, passar da morte espiritual para a vida, por meio da fé. Essa morte espiritual era o estado de separação do ser humano em relação a Deus — consequência direta do pecado ( Romanos 5.12; Efésios 2.1). E a Bíblia nos ensina claramente essa verdade: a fé em Jesus Cristo é o meio pelo qual uma pessoa é tirada do estado de separação de Deus (morte espiritual) e levada a uma nova vida de comunhão com Ele (plenitude da vida - uma vida completa, abundante e totalmente realizada através da comunhão com Deus.). “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância." (João 10.10). Mas como Deus tornou possível nossa passagem da morte para a vida? Apresento quatro pontos,conforme o texto:
Primeiro, reconhecendo a condição de morte. O primeiro passo é admitir a realidade da nossa condição espiritual, reconhecendo que estamos separados de Deus pelo pecado: "Pois o salário do pecado é a morte..." (Romanos 6.23a)."Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3.23).
Segundo, ouvindo e crendo na Palavra de Cristo. No contexto teológico e bíblico, o “ouvir e crer” é o caminho para a vida em Cristo Jesus. Ouvir a Palavra vai muito além do simples ato físico de perceber sons — implica atenção profunda, compreensão e disposição para obedecer à mensagem divina.Crer não é apenas acreditar intelectualmente; é confiar, depender e entregar-se completamente a Deus. Quando ouvimos o Evangelho e cremos de coração, nascemos de novo — tornamo-nos uma nova criação (2 Coríntios 5.17).
Terceiro, através da fé e o arrependimento que nos ligam à nova vida.A passagem da "morte para a vida" é oferecida como um dom gratuito de Deus, não por merecimento. ou boas obras.A condição para receber esse dom é a fé em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador e o arrependimento dos pecados.Como afirma a passagem bíblica: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11.25).
Quarto, quando cremos na ressurreição dos mortos. A ressurreição de Jesus é a promessa e a garantia de que aqueles que creem n'Ele também ressuscitarão para uma vida eterna, em um estado perfeito, onde não haverá mais morte, tristeza ou dor ( 1 Coríntios 15.20-22).Portanto, a Sua ressurreição é o fundamento da esperança cristã de passar da morte para a vida.
Após curar o paralítico junto ao tanque de Betesda, Jesus provoca uma forte reação entre os líderes religiosos de Jerusalém. O milagre, realizado em pleno sábado, despertou a indignação dos judeus, que o acusam de violar a Lei. No entanto, o gesto de Jesus vai muito além de uma simples cura física: ele se torna o ponto de partida para uma revelação profunda sobre sua identidade e autoridade divina.
Em sua resposta, Jesus declara ser o Filho que age em perfeita comunhão com o Pai. Ele deixa claro que sua obra não é independente, mas expressão direta da vontade divina. Assim como o Pai concede vida e exerce juízo, o Filho também tem poder para dar vida aos que creem e para julgar o mundo. Essa afirmação revela não apenas a igualdade essencial entre o Pai e o Filho, mas também o propósito redentor da missão de Cristo: trazer vida eterna à humanidade.
Assim, o episódio de Betesda não é apenas um relato de milagre, mas uma poderosa revelação de quem Jesus é: o Filho de Deus que possui autoridade sobre a vida e o juízo, e que oferece graça e vida eterna àqueles que n'Ele creem.Ele expressa essa verdade central ao afirmar: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna” (v.24a). Jesus afirma que a condição para receber a vida é a fé (crer) na pessoa de Jesus e em Sua mensagem (palavra), reconhecendo-O como o Messias enviado por Deus Pai.
Na perspectiva bíblica, “ouvir a Palavra” transcende o simples ato físico de perceber sons. O verbo ouvir, nesse contexto, implica atenção profunda, compreensão espiritual e disposição para obedecer à mensagem divina. Contudo, o ato de crer não se limita a um mero reconhecimento intelectual da existência de Jesus, nem a considerá-lo apenas como um profeta ou mestre moral. Crer, segundo o Evangelho, é entregar-se inteiramente à pessoa e à missão de Cristo, depositando n’Ele plena e total confiança.Assim, a fé verdadeira consiste em aceitar que Jesus é o Messias, o Filho enviado por Deus Pai, destinado a realizar a obra definitiva da salvação em favor da humanidade.
No entanto, aquele que acolhe a mensagem do Evangelho com fé e disposição para seguir a Jesus, ouve atentamente a Palavra de Cristo, confia plenamente n’Ele e entrega-se de modo pessoal e total a Deus, Jesus ensina que este já possui a vida eterna. Mas, afinal, o que é a vida eterna? A própria Escritura nos fornece a definição. Jesus disse: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17.3). A vida eterna não é alcançada por filosofias ou esforços humanos, mas pela aceitação do Filho enviado por Deus. Ela não é apenas uma promessa futura, mas uma realidade presente, possuída no momento em que a pessoa ouve e crê. O crente já possui a vida eterna. Jesus afirmou claramente que quem crê já tem a vida eterna, e não apenas a terá no futuro.Isso significa que, no momento em que alguém crê em Cristo, a vida eterna tem início. Embora o cristão já possua a vida eterna em essência, ele ainda aguarda a sua plenitude: a ressurreição do corpo e a completa comunhão com Deus, quando essa vida será plenamente revelada (Romanos 2.7; Apocalipse 21).
Contudo, aquele que procede desta forma 'não entra em juízo' (v.24b). A palavra grega traduzida como 'juízo' significa 'separação', 'discernimento', o 'julgamento que leva à condenação'.Quando Jesus afirma que o crente 'não entra em juízo', é porque ele já foi justificada pela fé. A justificação é o ato divino pelo qual Deus declara o pecador justo com base na obra de Cristo, e não em seus próprios méritos.Desse modo, ao ser justificado pela fé (Romanos 5.1), o crente é liberto da condenação e já passa da morte espiritual para a vida: “passou da morte para a vida” (v. 24c). Jesus usa aqui o verbo μεταβεβήκαμεν que significa "mudar de lugar," "passar de um lugar para outro," ou "ir embora." Este verbo se encontra no perfeito ativo indicativo (3ª pessoa do singular), e descreve uma ação que foi concluída no passado, mas cujos resultados ou estado continuam e são plenamente visíveis no presente.
Mas o que significa “passou da morte?” Jesus aqui não está falando da morte física, mas à morte espiritual — o estado de separação entre o ser humano e Deus. A morte física é o fim biológico da vida terrena, algo que todos experimentam.E o que se vê, em cada sepultamento, é choro, tristeza e angústia pela perda da vida terrena. Isso porque qualquer um, em sã consciência, sabe bem que aquele corpo sepultado, não mais se moverá, não mais ouvirá, não mais falará, pois é um corpo morto e após um período será tão-somente um montão de pó. Mas a morte espiritual é mais profunda: é viver distante da presença de Deus, escravo do pecado, sem sentido, luz ou esperança. É estar vivo no corpo, mas morto na alma. Esse estado de morte espiritual ( Efésios 2.1 e Romanos 6.23) é a condição humana inerente após a Queda. Ela se caracteriza pela ausência da verdadeira vida divina e resulta na condenação. Em essência, é uma existência marcada pelo vazio e pelo medo do Juízo final.
Jesus veio justamente para mudar essa realidade “da morte para a vida”. Deus, em Seu amor infinito, enviou Cristo para restaurar o que estava perdido. Na cruz, Jesus assumiu a nossa fragilidade, os nossos erros e dores, e os transformou em caminho de vida. Cada gota de Seu sangue derramado é um gesto de amor que nos reconcilia com Deus e nos abre à vida eterna. Ele Se declara como a ressurreição e a vida (João 11.25) e afirma: 'Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância' (João 10.10). A vida em Cristo é sinônimo de novo nascimento (João 3.3). É uma vida que não se limita ao tempo, mas toca a eternidade, mostrando que a verdadeira existência não está no que possuímos, mas na relação com Deus e com os irmãos.Portanto, a vida que Cristo nos deu é transformadora, libertadora e eterna. Dessa form,somos convidados a viver com amor, esperança e fé a cada dia, seguindo os passos de Jesus que nos amou até o fim. É a vida que nasce da cruz, se revela na ressurreição e se manifesta em cada gesto de amor no mundo.
Jesus revela que o tempo da manifestação do poder de Deus não é apenas futuro, mas já está presente em Sua própria pessoa e missão: “Vem a hora, e agora é” (v.25a). A frase no grego, ἔρχεται ὥρα καὶ νῦν ἐστίν, pode ser traduzida literalmente como "uma hora está chegando e agora é" (ou "um tempo está chegando e agora é").Nessas poucas palavras, João apresenta uma das visões mais profundas sobre o tempo e a ação de Deus na história: “Vem a hora, e agora é”. Essa expressão sustenta duas realidades diferentes: primeiro, o "agora" (a Realidade Presente): Cristo já venceu o pecado e a morte na cruz; o crente tem a vida eterna (1 Jo 5.11). Segundo, o "ainda não" (a Espera Futura): o mal, o sofrimento e a morte física ainda persistem no mundo; a vitória final e total sobre todo o mal ainda será revelada (1 Co 15.26).Portanto, a consumação final de todas "as coisas" (a volta de Cristo, a ressurreição dos corpos e o estabelecimento do Novo Céu e Nova Terra) ainda aguarda Sua Parousia (segunda vinda).Desse modo, vivemos entre o “já” e o “ainda não” — entre o que Deus já realizou em Cristo e aquilo que Ele ainda consumará.
No entanto, a maior a riqueza desta declaração reside nas palavras: “ os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (v.25b).Quem são os mortos? O contexto imediato (vv.24–25) sugere que se trata de mortos espirituais, enquanto o contexto posterior (vv.28–29) aponta para a ressurreição física futura. João esclarece melhor quando usa a expressão οἱ νεκροί (mortos). Ela possui um duplo sentido intencional na teologia de João,conectando a realidade presente à esperança futura. O termo pode referir-se aos mortos espirituais (separados de Deus pelo pecado - Efésios 2.1). É um chamado para aqueles que estão "mortos" em seus delitos e pecados, oferecendo-lhes a chance de chance de ouvir e receber uma nova e eterna existência. Mas também pode refere-se àqueles que estão nos túmulos (vv.28–29).
Jesus declara que “os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus”. O verbo grego ἀκούω (ouvir), usado no futuro do indicativo (voz ativa), vai além do simples ato de escutar sons: ele indica ouvir com o propósito de crer e obedecer. Trata-se de uma escuta ativa e transformadora na vida das pessoas, pois aqueles que ouvirem verdadeiramente responderão à voz de Cristo. Ao responderem, reconhecerão Seu poder e autoridade divina, pois Cristo tem a capacidade de ressuscitar aqueles que estavam espiritualmente mortos pelo pecado. E ao ouvirem, “viverão”. Este termo “viverão” refere-se não apenas à ressurreição física, mas primariamente à vida espiritual e eterna. Aqueles que ouvem e creem na mensagem de Jesus recebem perdão, nova vida em Cristo e passam da morte para a vida. Assim, somente os que respondem com fé e obediência ao Evangelho experimentam a verdadeira vida — uma ressurreição espiritual que começa no presente e se completará na eternidade.
Jesus continua seu discurso sobre a autoridade que recebeu do Pai para dar vida e exercer juízo. Ele exorta seus ouvintes a não se admirarem daquilo que acabara de dizer — que os mortos espiritualmente podem ouvir sua voz e viver —, pois algo ainda mais grandioso acontecerá: chegará o momento em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus. (v.28). Aqui, Cristo amplia a revelação anterior (v.25). Se antes Ele falava da ressurreição espiritual — a transformação interior de quem crê —, agora Ele se refere à ressurreição física e universal, que ocorrerá no fim dos tempos. Nesse dia, a voz poderosa de Jesus chamará todos os mortos à existência novamente, sem exceção.A expressão “ouvirão a sua voz” destaca o poder soberano da palavra de Cristo: a mesma voz que um dia chamou Lázaro do túmulo (João 11.43) e que trouxe o mundo à existência (João 1.3) será ouvida por toda a humanidade. Nenhum sepulcro poderá resistir ao comando do Filho de Deus.Assim, Jesus aponta para a certeza da ressurreição e do juízo final. Para os que creem, essa voz será o anúncio da vida eterna; para os que rejeitaram a fé, será o chamado ao juízo e condenação (como o versículo seguinte, João 5.29, explica).
Jesus conclui ao declarar uma solene advertência e, ao mesmo tempo, uma gloriosa promessa: “E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação. (v.29). A diferença está no destino dessa ressurreição, que é determinado pela escolha da pessoa. Aqueles que responderam positivamente ao chamado de Deus, viveram conforme Sua vontade e demonstraram fé verdadeira, expressa em obras de amor e obediência.(ou seja, aos justos e crentes), esses ressuscitarão para a vida eterna — a comunhão plena com Deus.( "Ressurreição da vida"). Isto implica a entrada na vida eterna e na presença de Deus,pois “fizeram o bem”. A expressão "fazer o bem" não é apenas um conjunto de boas obras humanas, mas é frequentemente interpretado como o fruto de ter ouvido a Palavra de Jesus e crido n'Ele. Mas aqueles que rejeitaram a vontade divina, permaneceram na incredulidade e no pecado.(ou seja, aos injustos e incrédulos). Eles ressuscitarão para a condenação, ou seja, para o juízo e separação eterna de Deus.
Que consolo maravilhoso: o Senhor Jesus nos assegura que “quem ouve a Sua Palavra e crê naquele que O enviou já experimenta, no presente, a extraordinária passagem da morte espiritual para a vida eterna” (v.24). Esta não é uma promessa vaga, destinada a um futuro distante, mas uma realidade imediata para todos aqueles que acolhem a fé. Em Cristo, o pecador é liberto da condenação e introduzido na vida de comunhão com Deus. Por isso, hoje não celebramos a morte, pois já passamos da morte para a vida . Estamos aqui para celebrar a vida — a vida que Cristo nos concedeu quando morreu e ressuscitou por nós (Romanos 6.4–5).
Portanto, não nos deixemos abater pela tristeza. Aproveitemos o dia para meditar em como está a nossa vida com Deus. Confessemos os nossos pecados e busquemos a infinita misericórdia do Senhor, que é rico em perdão ( 1 João 1.9; Isaías 55.7).Que este momento nos leve a expressar gratidão pelo milagre da vida e da ressurreição, lembrando que, em Cristo, a morte não é o fim, mas o princípio de uma existência gloriosa e eterna ( 1 Coríntios 15.53–55). Enfim, consolemo-nos, pois, com as palavras de Jesus:“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá.”— João 11.25. Amém!
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