terça-feira, 25 de novembro de 2025

TEXTO: IS 2. 1-5

TEMA:  VINDE E ANDEMOS NA LUZ DO SENHOR!

Isaías convida o povo a abandonar a escuridão da corrupção e da idolatria para buscar o caminho de Deus. Ele enfatiza a necessidade de deixar de lado o pecado, o medo, o orgulho e a falsa sabedoria.O seu convite é um chamado profundo que ecoa através das Escrituras, um apelo amoroso: 'Vinde e andemos na luz do Senhor.'O verbo 'vinde' é um chamado à ação, um convite pessoal e direto; já o imperativo 'andemos' sugere um movimento contínuo, uma jornada, para  mover-se da escuridão para a luz do SENHOR.

O profeta Isaías também nos convida a andar na luz do SENHOR — um chamado direto , especialmente neste período do Advento. Advento é o tempo de preparação para a chegada de Cristo, a verdadeira Luz que veio para iluminar a escuridão do mundo. Essa preparação envolve abandonar as obras das trevas (o pecado) e revestir-se da justiça e santidade. É o momento de endireitar as veredas do nosso coração e de abrir a nossa vida para essa verdadeira Luz , esperando alegremente pela celebração da vinda de Cristo.

Somos desafiados  não apenas esperar a Luz, mas nos tornarmos, portadores dessa Luz para o mundo, por meio do nosso testemunho de boas obras, do amor e do serviço aos necessitados. Como é possivel? Aqui estão quatro princípios pelos quais somos convidados a andar na luz do SENHOR, conforme a exortação de Isaías:

Primeiro, para encontrar direção e evitar o erro. A luz, tanto em seu sentido literal quanto espiritual, tem a função de revelar o caminho diante de nós. Assim também é a luz do SENHOR. Ela nos guia, nos direciona e nos impede de caminhar sem direção. A escuridão espiritual representa a confusão, a incerteza e o pecado. Sem a iluminação que vem de Deus, somos facilmente levados a decisões precipitadas, atitudes impensadas e caminhos que podem ferir tanto a nós quanto aos que amamos. Sendo assim, andar na luz do SENHOR significa viver sob a orientação da Sua Palavra e do Seu Espírito, permitindo que eles iluminem cada passo que damos.Como declara o Salmo 119.105, “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho.” A Palavra de Deus é a luz que expõe o que é bom, agradável e perfeito, conduzindo-nos a uma vida íntegra e alinhada com a vontade divina.

Segundo, para ser purificado e santificado. A luz do SENHOR não apenas revela o caminho que devemos seguir, mas também possui um poder transformador que nos purifica e santifica. Ela expõe o pecado, a sujeira, as manchas e as impurezas que se escondem em nosso coração. Ao sermos expostos e confessarmos esses pecados (1 João 1.9), somos levados ao perdão e à limpeza por meio do sangue de Jesus Cristo, sendo purificados de toda injustiça.A purificação  abre caminho para a santificação, um processo contínuo  que nos separa do pecado e nos torna, mais semelhantes a Cristo ( 2 Coríntios 3.18).

Terceiro,  para ter comunhão e esperança.A luz do SENHOR é o local onde a comunhão genuína acontece, tanto com Deus quanto com o próximo.O apóstolo João afirma: "Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado." (1 João 1.7). Além disso, a luz é a promessa de esperança. Ela aponta para o Reino de Deus, onde não haverá mais escuridão nem dor, mas a glória de Deus será a luz eterna.

Quarto para ser uma testemunha ao mundo.Jesus nos chamou para sermos "a luz do mundo".E quando vivermos em retidão, propósito e amor, nossas vidas se tornam um testemunho visível da bondade e do poder de Deus. O  resultado desse andar é que nos tornamos reflexos dessa luz para as pessoas perdidas e confusas que vivem na escuridão. Elas são naturalmente atraídas pela estabilidade, alegria e clareza que a vida na luz do SENHOR oferece, cumprindo o propósito de sermos sal e luz na sociedade.

Estimados irmãos! O profeta Isaías teve uma visão a respeito de Judá e Jerusalém. A mensagem que recebeu não se limita ao contexto político e social de seu tempo,mas uma mensagem que transcende o momento histórico imediato de Israel e aponta para o futuro glorioso do Reino de Deus. A mensagem  do profeta abrangem  três dimensões. Primeiro sobre o tempo: "nos últimos dias" (v.2a). Essa expressão define o tempo da promessa. Não se refere apenas a um futuro distante, mas sim a um período escatológico ou à "era messiânica", que representa a intervenção definitiva de Deus na história da salvação. Isso estabelece a visão como um evento culminante e final. 

Segunda dimensão fala sobre o centro da autoridade: "o monte da Casa do SENHOR” (v.2b). Essa expressão carrega um duplo significado.Inicialmente, a referência remete diretamente ao Monte Sião, o local geográfico e histórico onde o templo de Jerusalém estava erguido. Neste sentido, a "Casa do Senhor" é o santuário físico, o ponto de encontro terreno entre Deus e o povo de Israel. Historicamente, Jerusalém era a capital política e religiosa, o polo de peregrinação, e, portanto, o centro da autoridade para a nação.O profeta reforça a centralidade desse lugar ao afirmar que onde reside a Casa do SENHOR, esta "será estabelecida no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros" (v. 2c).Esta é uma poderosa imagem poética de supremacia espiritual e governativa. A elevação aqui não se refere meramente a uma topografia literal. Ela simboliza  a adoração, o governo e a Lei de Deus ocuparão o lugar central e incontestável na vida do povo. Trata-se de uma declaração de que a autoridade divina se erguerá acima de todos os sistemas humanos, estruturas políticas e ideologias passageiras.

A terceira dimensão da profecia estabelece  o alcance universal: " e para ele afluirão todos os povos" (v.2d). A mensagem aponta para um tempo em que o conhecimento e a orientação de Deus se estenderão a toda a humanidade.O movimento aqui é significativo: não é Israel que parte em missão até as nações, mas são as nações que espontaneamente se dirigem ao monte do SENHOR.Essa inversão dos papéis rompe limites étnicos, culturais e religiosos. Ela ultrapassa rivalidades históricas e demarca uma nova realidade profética: um tempo em que a busca por Deus não será imposta, mas desejada; não será limitada, mas universal. As nações virão movidas por um reconhecimento sincero de que somente a Lei divina oferece direção verdadeira e vida plena.Assim, o texto anuncia que a salvação e o Reino de Deus não pertencem apenas a Israel, mas são um chamado global, revelando o propósito original de Deus de abençoar “todas as famílias da terra” por meio de Seu povo. Trata-se de uma visão de paz, unidade e transformação, na qual o mundo inteiro converge para a luz que procede do SENHOR.

O profeta desenvolve e aprofunda o quadro profético, apresentando um cenário de transformação espiritual que transcende Israel e alcança todo o mundo. Ele afirma  que  “muitas nações”(v.3a) — isto é, povos diversos, não israelitas — voluntariamente convidam uns aos outros a subir ao monte do SENHOR.Aqui, não há coerção nem imposição religiosa; o movimento é espontâneo, motivado pelo reconhecimento de que Deus é a única fonte de verdadeira sabedoria e direção. Esse detalhe revela a universalidade da profecia: a salvação e o ensino divino não são privilégio de um único povo.Isaías vê as nações subindo juntas ao monte do SENHOR. Não há discriminação; não há exclusão; não há povo privilegiado. Todos são convidados a buscar a sabedoria do Altíssimo.Elas vão porque dizem umas às outras: “Vinde, subamos ao monte do SENHOR.”(v.3b). O ato de subir indica aproximação, desejo e esforço. Representa a busca consciente pela presença de Deus, pela santidade e pela revelação de Sua vontade. 

Mas há um  propósito desta busca: “para que ele nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas”(v.3c). A razão central da peregrinação das nações é didática e prática. As nações não vêm para fazer sacrifícios ou apenas ver o templo, mas para serem ensinadas. Querem aprender os caminhos que conduz à presença do SENHOR.O verbo “ensinar” enfatiza a instrução e a revelação do caráter e da vontade de Deus. Além disso, querem “andar pelas suas veredas". Isso demonstra a resposta prática e ética das nações. Não basta ouvir; é necessário obedecer e viver de acordo com o ensino. O profeta também mostra que  Deus será a fonte suprema de instrução e verdade, e que Sua palavra, começando em Sião/Jerusalém, alcançará e transformará todas as nações:  “porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR.”(v.3d).

Quando a Bíblia diz que “de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR, ela nos lembra que Deus escolheu um lugar de onde Sua verdade seria revelada — não apenas um ponto geográfico, mas um o lugar onde Ele fala,orienta e ensina ao Seu povo. Afirmar que a lei “sai de Sião” significa reconhecer que Deus escolheu um lugar de onde Sua verdade seria manifestada e disseminada.Neste contexto, “lei” não se refere apenas às normas dadas a Moisés,  mas representa a vontade e a orientação de Deus para a humanidade Já a expressão “de Jerusalém, a palavra do SENHOR” ressalta o caráter missionário do texto. Há uma expansão da revelação para todos os povos: Deus comunica o evangelho para o  mundo,partindo de Jerusalém para todas as nações.

Diante do que foi exposto,o profeta  descreve o que acontecerá "nos últimos dias" quando o "monte da Casa do SENHOR" (Sião/Jerusalém) for exaltado acima de todos os montes. Primeiro:“Ele julgará entre as nações e resolverá contendas de muitos povos”.(v.4). A palavra hebraica para "julgar" neste contexto é שָׁפַט. Embora possa significar um julgamento punitivo (condenação), aqui o foco é mais em governar, administrar a justiça e arbitrar disputas.Significa que Deus intercede não apenas nas questões individuais, mas também nas relações entre países e povos. Ele traz justiça onde há opressão, equidade onde há abuso e discernimento onde há conflitos.Enfim, o julgamento não é primariamente para castigar, mas para trazer ordem, retidão. soluções e reconciliação.Restaurar a paz, argumentar, convencer, repreender  de acordo com a verdade e a justiça divina.

O profeta agora descreve algo poderoso que acontecerá entre as nações: “estas converterão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças, em podadeiras” (v. 4b).O verbo traduzido como “converter”, no hebraico (כָּתַת), significa “quebrar em pedaços”, “martelar”, “bater até esmagar”. Portanto, não se trata de uma simples reutilização, mas de uma destruição completa da forma original da arma para sua transformação em uma nova ferramenta.As ferramentas de guerra (espadas/lanças) serão reforjadas em instrumentos de agricultura (arados/podadeiras).A espada refere-se a qualquer arma de corte afiado, geralmente uma espada propriamente dita, sendo símbolo genérico de guerra e matança. Esse instrumento será transformado em relhas de arado, ou possivelmente em uma enxada/sacho — a parte de metal usada para cortar o solo e virá-lo para o plantio.A lança, uma arma de arremesso e de combate de longo alcance, será transformada em podadeiras ou tesouras de poda, instrumento usado especificamente para podar vinhas. A raiz do verbo זָמַר significa “podar”, indicando uma ferramenta diretamente ligada à viticultura (produção de vinho). Deus não apenas põe fim à guerra. Ele transforma o instrumento da guerra em instrumento de vida. Isso significa que nenhuma nação mais se levantará contra outra (v.4c).Essa mudança ocorrerá quando a justiça e a paz de Deus forem plenamente estabelecidas.

Há momentos em que o coração humano é tentado a viver em modo de batalha: defendendo-se, atacando, respondendo à vida com dureza. Entretanto, o SENHOR deseja transformar nossas “armas internas” — ressentimentos, medos e impulsos de autodefesa — em ferramentas que promovam crescimento e alimento espiritual.Quando Deus converte essas “armas”, Ele nos liberta da lógica da competição e da luta constante. Passamos, então, a viver sob o regime da suficiência divina: onde há o suficiente para todos, onde podemos semear e onde o foco não é derrotar alguém, mas frutificar no Senhor.Portanto, a vontade de lutar deve ser substituída pela vontade de viver em harmonia, acolhendo a Lei e o Juízo do Senhor.

Depois de anunciar um tempo futuro em que as nações subirão ao monte do SENHOR, aprenderão Seus caminhos e viverão em paz, Isaías se volta para o seu próprio povo e diz:"Vinde, ó casa de Jacó..." (v.5a). A "casa de Jacó" é a linhagem de Jacó, que posteriormente é chamada de "Casa de Israel" ou, simplesmente, o povo de Israel. Deus, através do profeta, convida à "casa de Jacó”. Chama o povo a abandonar práticas de trevas — idolatria, injustiças, autossuficiência — e voltar-se totalmente para Deus. Não é um convite passivo. É um chamado urgente ao arrependimento e à ação imediata para abandonar o caminho de corrupção e idolatria, e  andar na luz do SENHOR. Hoje, "casa de Jacó" somos nós, a Igreja, o povo que fez uma aliança com Deus e recebeu Sua Luz. Não somos estranhos à verdade; somos herdeiros da promessa. Se a Igreja não andar na Luz, não pode apontar o caminho. Somos chamados a ser o "sal da terra" e a "luz do mundo" (Mateus 5.13-16).

O Advento nos lembra que a verdadeira Luz já veio ao mundo. Cristo desfez a escuridão do pecado e do desespero e nos estendeu um convite pessoal: "Vinde!" Este chamado não é uma obrigação, mas um chamado para abandonarmos o modo de vida da escuridão e vivermos, na luz da verdade, da justiça, da misericórdia, da fé. Tome a decisão hoje: "Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor!"

Portanto, pedimos que o Espírito Santo nos dê a força para abandonar toda obra de trevas e nos revistamos da justiça e santidade que vêm de Ti. Que o nosso coração encontre alegria e propósito nesta jornada contínua, enquanto esperamos ativamente e com gratidão pela celebração do Natal. Que a nossa vida seja um testemunho do Teu eterno amor e glória. Amém.

TEXTO: Sl 122

TEMA: VAMOS À CASA DO SENHOR!

Recebemos inúmeros convites diariamente para as mais diferentes situações em nossas vidas. Convites para participar de diversas solenidades e festividades especiais. Muitos deles nos causam alegria e contentamento. Mas são momentos passageiros e momentâneos. No entanto, há um outro convite. Não se trata de qualquer convite, mas, sim, um convite para irmos à Casa do Senhor e adorarmos ao nosso Deus, através do orar, do cantar dos hinos de louvor; para ouvir o evangelho, buscar perdão e absolvição de todos os nossos pecados através dos sacramentos; enfim para agradecermos a Deus pelas ricas bênçãos recebidas.

Você não gostaria de receber este convite e usufruir das bênçãos maravilhosas oferecidas por Deus à sua Igreja? De contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo? De manter seu encontro com toda a congregação perante Deus, onde se evidência e se fortalece a comunhão entre irmãos na fé? Então, vamos refletir sobre o Salmo 122.

Este salmo nos ensina, qual deve ser o nosso procedimento quando vamos à Casa do Senhor. Ele é um Cântico dos Degraus. É atribuído a Davi e descreve a alegria dos peregrinos ao chegarem em Jerusalém. E quando chegavam, desejavam estar sempre no santuário do templo para louvar e agradecer ao Senhor. Ao retornarem, os peregrinos levavam consigo a lembrança do lugar para seus lares. Esta deve ser a nossa atitude, pois somos parte integrante da Casa do Senhor. Sem a nossa presença e participação, com os demais irmãos na fé, que se reúnem regularmente para ouvir o evangelho, não existe comunhão, trabalho. Por isso, aceite este convite! Busque a Casa do Senhor e faz uso destas bênçãos maravilhosas oferecidas pelo Senhor.

A cidade de Jerusalém no AT era o centro para qual convergia toda a vida religiosa do povo de Israel. Era o lugar onde realizavam grandes festas religiosas. E nestas ocasiões vinham fiéis de longe trazendo ofertas e incenso para Casa do Senhor. Havia alegria de poder estar junto, participar da comunidade reunida em torno de Deus, e Deus com seu povo. Nem mesmo à distância os detinham, pois, enquanto iam caminhando as suas forças aumentavam. Havia alegria por parte do povo, que mais uma vez tinha a oportunidade de se dirigir ao templo de Jerusalém, e ter momentos de comunhão com Deus, porque, ali no templo, em Jerusalém, Deus revelava-se, oferecia o perdão, renovava e reafirmava sua aliança, e sua promessa de salvação. Enfim, para os israelitas o templo representava a presença de Deus, e se alegravam quando podiam participar de cultos e das festas religiosas.

Quando chegavam à Casa do Senhor, os peregrinos demonstravam alegria. (v.1). Mas o motivo de alegria não era pelo fato de ter chegado ao termino da jornada, mas de participar, com outros israelitas, momento de louvor e jubilo na Casa do Senhor em Jerusalém. Quando iam para a Cidade Santa, logo que a avistavam, paravam admirados com sua grandeza e formosura.  Passar por seus portões, adentrar seus muros e ver o Templo do Senhor produzia um sentimento que eles almejavam durante toda a jornada, até que pudessem dizer: “Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém!” (v.2). A figura dos pés juntos às portas marca o exato momento quando a jornada se encerra e inicia o encontro com o povo de Deus. As caravanas chegavam para as festas da Páscoa. Este era um sentimento de temor a Deus. Um respeito profundo, que nos faz refletir sobre nossas vidas na presença de Deus. Não podemos entrar na Casa do SENHOR de qualquer forma. É preciso reconhecer os erros e procurar mudança. Refletir sobre as nossas atitudes e palavras se,realmente, estão baseadas no temor a Deus.

O salmista ao mencionar Jerusalém, demonstra como esse local era importante para Israel. Além de ser a sede do reinado, ela significava muito mais. Era o local da habitação simbólica de Deus, lugar em que se faziam os sacrifícios contínuos ao SENHOR. Jerusalém era não só o centro da adoração, mas também o local onde se realizavam os julgamentos e decisões civis. As questões religiosas e civis estavam fortemente entrelaçadas na lei de Deus. Além disso, a cidade retinha as esperanças de Israel no tocante ao futuro. Por isso, era uma grande alegria estar na cidade de Jerusalém, pois ali estava a Casa do SENHOR.

Esta deve ser a reação do cristão quando se dirige à Casa do SENHOR. Uma alegria que somente os filhos de Deus podem desfrutar, na certeza, de que temos um Deus bondoso e misericordioso, que demonstrou seu grande amor ao enviar o seu Filho Unigênito. Em Paulo notamos a manifestação desta alegria, quando ele diz: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” (Fp 4.11). E ainda no capítulo 4, Paulo admoesta: “Alegrai-vos sempre no Senhor”. Paulo fala de uma alegria verdadeira, autêntica que não encontramos nas ruas e nos bares. É uma alegria que vem do Senhor. E o Senhor continua a nos oferecer esta alegria que se encontra na mensagem do perdão, oferecidos na Palavra e nos sacramentos quando vamos à Casa do SENHOR. Portanto, a alegria é uma marca da presença de Deus em nossas vidas, porque é um fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22).

Desde cedo, devemos transmitir aos nossos filhos a alegria de irmos à Casa de Deus e participar do culto com entusiasmo com a nossa família. Nossa família precisa de alegria, porque se quisermos que a nossa família seja uma parte da Casa de Deus, procuremos ser alegre com nossos familiares. Como é maravilhoso ver as famílias chegando, cheias de entusiasmo para participar do culto. Mas, será que todas ficam alegres quando estão a caminho da "Casa de Deus"?  Infelizmente, esta alegria e sede pelo ensino da Palavra de Deus, não tem ocorrido nos dias de hoje. Como prova disto, encontramos igreja vazias, pessoas “frias” espiritualmente, materialistas, dando mais valor aos negócios do que o ouvir da Palavra de Deus. Famílias inventando inúmeras desculpas para justificar a sua ausência nos cultos, departamentos e outras atividades. É triste constatarmos esta realidade que denotam desprezo, descaso, indiferença e desrespeito para com o culto na Casa do SENHOR. Por isso, alegrem-se! Que a sua participação no Culto ao SENHOR seja sempre marcada pela alegria, gratidão, reverência e plena consciência diante do SENHOR.

O povo ao chegar à Casa do SENHOR com alegria, dava uma demonstração de agradecimento a Deus. Ao entrar nos átrios com ações de graça as tribos do SENHOR traziam as suas ofertas de animais, cereais, vinho e azeite. Manifestavam seu louvor através dos cânticos: para onde sobem as tribos, as tribos do Senhor, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR.” (v.4).  Sem dúvida, quem se alegra com a Casa de Deus têm no coração a marca da gratidão, pois há motivos para agradecer a Deus, pelas às inúmeras bênçãos, tanto espirituais, como materiais. Lembrando que render graças significa reconhecer a nossa total dependência. Reconhecer que recebemos tudo sem merecermos nada,e  que não temos condições de retribuir nada. Tudo vem do Senhor, tudo é favor de Deus e, por isso, tudo que recebemos é um ato maravilhoso de Deus, que precisa ser declarado e proclamado. Deus gosta de ser louvado, agradecido por seus filhos nesta terra. Por isso, sempre temos motivos para agradecer e nos alegrar no Senhor. 

Quando o povo chegava em Jerusalém, reconhecendo os juízos de Deus, a soberania sobre todas as coisas,o Seu reinado absoluto sobre o Seu povo, deveria orar e buscar a face do Senhor para que houvesse paz: “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam.” (v.6). Esta é a recomendação de Davi aos israelitas. Ele conclama o povo a orar pela cidade, Orar para que a paz reinasse sobre a Casa do SENHOR, isto é, sobre o povo de Deus. A oração do salmista vai além e focaliza, também, a estabilidade não apenas religiosa, mas política e social, como fonte de segurança e paz para o povo, pelo que clama: “Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios.” (v.7).

Jerusalém como outras cidades da antiguidade, estava cercada de muros que a protegiam. Quando suas portas estavam abertas e podiam-se entrar livremente era sinal de que havia tranquilidade,  tudo ia bem, e havia paz. Mas houve época em que Jerusalém estava com suas portas trancadas eram tempo de guerra e perseguição. Além disso, as portas do templo estavam fechadas e da Casa do SENHOR restavam apenas ruínas. Era o castigo de Deus à maldade, à idolatria, ao desprezo e negligência com que o povo de Israel tratava as coisas do SENHOR. A partir do momento em que o povo abandonou Deus, as portas do templo se fecharam, e o povo de Israel, como castigo, passou as viver em terras distantes, estranhas, longe da Pátria, dos familiares e do templo. Diante desta atitude, o povo chora. O povo precisava de paz

O amor à Jerusalém era tão grande que o povo nem se cansava de caminhar. Não havia distância ou dificuldade que impedisse a ida à Cidade Santa, pois o objetivo era ir à Casa do SENHOR em busca de paz. O povo precisava de paz. Ela era fundamental para que houvesse comunhão: “Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti.” (v.8). No Novo Testamento, a comunhão entre os irmãos na Igreja é fruto de dedicação (Atos 2.42). Os irmãos da igreja primitiva dão prova disso. Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos. Eram submissos a autoridade deles. Isso com certeza contribuía e muito para que a unidade entre eles fosse fortalecida. No entanto, hoje, o amor e a comunhão entre irmãos tem sido algo muito difícil em nossos dias. Ocorre que as pessoas estão se distanciando umas das outras. Deus não quer que haja divisão na Sua Igreja, pelo contrário, que cada membro viva em perfeita harmonia para que haja crescimento. Ore pela unidade para que não seja dividida por cisma ou heresia; que seus membros possam valorizar uns aos outros com sentimentos de amor; para que não haja ciúmes, inveja.

O salmista finaliza este salmo ao falar sobre o amor que devemos ter pela Casa do SENHOR, amor ao local onde Deus deve ser adorado: Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem." (v.9). Só o fato de sentirmos alegria em estar na Casa do SENHOR, já nos colocamos à disposição de Deus para realizar o que SENHOR almeja da nossa parte. Esta alegria não pode ser sentida por aqueles que estão mais preocupados consigo mesmos e, consequentemente vivendo afastado de um relacionamento mais íntimo e sincero com Deus. Se não sentimos alegria em subir à Casa do SENHOR, é porque o nosso interesse está em outras coisas que não dizem respeito a Deus.

Vamos à Casa do SENHOR!Vamos entrar por estas portas abertas, mas não por obrigação, por uma tradição vazia, forçados por qualquer situação ou com a sensação de estar perdendo tempo!Entremos louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais em nossos corações! Entremos  com alegria para agradecer e louvar a Deus pelos Seus grandes feitos entre nós!Viemos para ter comunhão no Espírito Santo, o que nos enriquece, fortalece e nos dá alento para a nova semana, fazendo crescer em nós o desejo de retornar à Casa do SENHOR. Enfim, agradeçamos a Deus porque as portas da Casa do Senhor se abrem para os cultos que se realizam. Elas se abrem para a adoração e para a comunhão com Deus por meio da Sua Palavra e dos Seus sacramentos, a fim de que possamos realizar este culto maravilhoso.Seria muito triste se encontrássemos as portas desta congregação fechadas no dia de hoje. Não seria um dia de alegria, mas sim de tristeza.

 Estimados irmãos! Tenhamos em nós o mesmo sentimento que houve também em Davi: a alegria de chegar à Casa do SENHOR, adentrar nos Seus átrios, viver em comunhão com Deus e com os nossos irmãos, expressando nossa gratidão por tudo que Ele tem realizado em nossa vida e reconhecendo a Sua soberania, Seu reinado absoluto sobre nós.Oremos para que haja paz e prosperidade nesta Casa do SENHOR.E assim, podemos afirmar com o salmista:“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união! É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola das suas vestes. É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. O SENHOR concede a bênção da vida para sempre.” (Salmos 133. 1-3).Amém.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

TEXTO: MT 21.1-11

TEMA: SAUDEMOS O NOSSO REI JESUS!

Em muitos lugares na antiguidade, era costume cobrir com ramos o caminho à frente de alguém que merecesse grandes honras. Essa era a maneira comum que os súditos prestavam honra a um rei quando se aproximava de uma cidade montado num cavalo.

Em nosso texto, acontece algo idêntico. Jesus entra em Jerusalém onde é aclamado pelo povo ao saudar com vestes estendidas em seu caminho e ramos que lhes eram lançados como saudação. Ele entra triunfalmente em Jerusalém, não como um rei guerreiro.  Não como os grandes reis e conquistadores triunfantes depois de uma batalha, ou de um cortejo real cheio de luxo mostrando seus escravos e conquistas. Não como um conquistador militar ou libertador político. Mas como um rei humilde que veio para reinar sobre a sua igreja. Como um monarca que vem em paz, como príncipe da paz. Aquele que veio libertar a humanidade do pecado, da morte e condenação eterna. Todos estes aspectos demonstram que o seu reino não é terreno, mas espiritual. 

Estimados irmãos! Neste domingo, estaremos comemorando o dia denominado de “Domingo de Ramos”. É o momento em que estaremos recordando a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, saudando o nosso Rei Jesus. Temos dois motivos para saudar o nosso Rei Jesus: Primeiro, porque Ele é o nosso verdadeiro Rei e merece toda a nossa honra, glória e louvor. Segundo, porque Ele veio nos salvar como verdadeiro Rei.

Era domingo, Jesus estava a caminho rumo à grande cidade de Jerusalém. Não era a primeira vez que Ele ia a esta cidade. A Escritura registra seis visitas que Jesus fizera antes de sua entrada em Jerusalém, pela última vez. Entretanto, esta entrada em Jerusalém, era uma ocasião especial. Jesus entraria para iniciar o seu sofrimento, a finalidade principal de seu reino. Entraria para salvar a cidade e seus moradores, chamando-os ao arrependimento. Por esta razão, Jesus faz sua entrada publicamente na cidade, fazendo com que o povo aclamasse e falasse da grande missão que o levava até ali. 

De acordo com a finalidade e a importância de sua presença em Jerusalém, ao contrário das vezes anteriores, cogita de preparativos especiais para sua entrada. Ele se aproxima com seus discípulos de Jerusalém. Eles estavam no monte das Oliveiras, e dali contemplavam Betfage e Betânia, duas pequenas aldeias antes de Jerusalém. Betânia fica na encosta Sul do monte das Oliveiras, ao passo que Betfagé se localizava provavelmente na encosta Ocidental do monte das Oliveiras, logo do outro lado do ribeiro de Cedrom em Jerusalém. Era praticamente uma extensão da própria Jerusalém.

Antes de chegar a Jerusalém, Jesus escolhe dois discípulos para enviá-los a Betfage. Neste lugar os discípulos encontrariam uma jumenta e com ela, um jumentinho. O Senhor não disse que precisava de qualquer animal, mas mostrou um específico, e disse que precisava daquele animal; nenhum outro serviria. E a ordem de Jesus era muito simples: “Desprendei-a e trazei-mos” (v.2). Jesus dá uma demonstração, uma ideia de seu inesgotável poder de realizar qualquer coisa aos olhos humanos. Ele não hesita em mostrar aos discípulos quem Ele era. Ele mostra através de suas palavras grande autoridade, pois é o Senhor quem fala e autoriza. Por isso, não há qualquer questionamento da parte dos discípulos. Eles simplesmente obedecem à ordem do Senhor. Mas algumas pessoas questionaram: O evangelista Mateus descreve de forma enfática: “O Senhor precisa deles.” (v.3) Literalmente: “O senhor necessita deles”. Marcos afirma: “Que fazeis, soltando a jumentinha? Os discípulos responderam: conforme as instruções de Jesus (11.6). E de fato, tudo ocorreu como Jesus tinha dito. 

Os discípulos encontraram os animais e, sem problemas os trouxeram. Colocaram em cima dele as suas vestes e Jesus montou. Jesus se prepara para entrar em Jerusalém de forma humilde, manso, brando, pacifico. Esta foi a maneira como Jesus entrou em Jerusalém.  Não como os grandes reis e conquistadores triunfantes depois de uma batalha, ou de um cortejo real cheio de luxo mostrando seus escravos e conquistas. Não como um conquistador militar ou libertador político. Mas como um rei humilde que veio para reinar sobre a sua igreja. Como um monarca que vem em paz, como príncipe da paz. Todos estes aspectos demonstram que o seu reino não é terreno, mas espiritual. 

Aquela entrada triunfal era um momento de jubilo, alegria e de louvor ao Senhor. Os discípulos e numerosa multidão rendiam homenagens espontâneas a Jesus, que se encaminhavam triunfalmente a Jerusalém, preparando-lhe uma passagem ou caminho com as próprias vestes e com ramos que cortavam de árvores e espalhavam pelo caminho. Era o delírio do povo gritando, clamando em alta voz: Hosana! A palavra Hosana em hebraico é אהושענ (hoshana) significa salve-nos, por favor, ou salve-nos agora, te imploramos. Esta expressão encontra-se na Salmo 118.

 No período pós-exílio, este Salmo foi incorporado à liturgia de dias festivos. Por ocasião das principais festas judaicas, os peregrinos que chegavam a Jerusalém podiam ser saudados com esse Salmo. O povo clamava um pedido de socorro a Deus. A libertação orquestrada por alguém que viria da parte de Deus: “Bendito é o que vem em nome do Senhor!” (v.26a). Parece que tanto o salmista como os judeus em geral tinham a esperança da chegada de um rei eterno (Mq 5.2) que promoveria restauração plena para Israel (Mq 5.3,4) e para o mundo (Mq 4.1-4). Sendo assim, o salmista convida o povo a celebrar este momento adornando a festa: “O Senhor é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até as pontas do altar.” (v.27). Essa festa era um tipo de parada ou procissão festiva, quando as pessoas se reuniam e caminhavam pelas ruas dirigindo-se ao templo, onde finalmente começariam as celebrações religiosas relativas à Páscoa, momento em que afirmavam enfaticamente seu relacionamento pessoal com seu salvador: “Tu és meu Deus! Queremos te exaltar porque a sua misericórdia dura para sempre!”

Em nosso texto, a palavra Hosana ὡσαννά (hosanna) significa grito de exaltação ou adoração entoado em reconhecimento ao messianismo de Jesus em sua entrada em Jerusalém; exclamação de louvor a Deus. Esse é o significado dela também nos tempos atuais. Foi a forma como o povo saudou Jesus. Esta deve ser a nossa atitude: Saudar Jesus com o mesmo entusiasmo, alegria e louvor. Juntar a nossas vocês e cantar: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” O Rei dos Reis, que chora para trazer-nos a salvação. É este Rei Jesus que nos convida para acompanharmos todos os seus passos. É a Ele que devemos dar a nossa honra, glória e louvor.

A entrada de Jesus em Jerusalém foi coroada de entusiasmo e empolgação. Jesus montado num jumentinho é recebido com honra como um rei. O povo saudou Jesus com “Hosanas”. Mas à medida que a procissão ia se aproximando, vagarosamente, a cidade alvoroçou, e perguntavam: Quem é este? (v. 10). Era a pergunta que corria de boca em boca, especialmente entre os peregrinos. Sim, quem é este que hoje entra em Jerusalém em marcha triunfal, aclamado pelo povo numa exaltação como a história da cidade não registra há tempos? Quem este Rei que devemos prestar honra e louvor neste período de advento?

Este é o Reis dos reis, o Senhor dos senhores. É o Rei do poder e da glória, santidade e justiça. É o rei que governa este mundo turbulento em que vivemos. É um Rei que morreu por nós, entregou-se humildemente naquela cruz, suportou toda ignomínia, toda humilhação, todas as chicotadas, blasfêmias, acusações, provocações, traições, abandono, tudo para nos salvar. É um Rei justo. Ele nos justificou ao morrer em nosso lugar, pois não tínhamos como nos justificar de nossos pecados, nosso destino era a condenação eterna no inferno. Sendo assim, Ele tomou o nosso lugar e pagou esse preço.  Ele usou  o próprio sangue que Ele derramou para pagar o preço da nossa justificação. Ele deu a Sua própria vida! Ele padeceu por nós na cruz do Calvário para que fôssemos feitos justiça de Deus. Morreu, ressuscitou, e agora se encontra com o Pai.

Estamos aguardando a Sua vinda, para recebe-lo com o mesmo ardor e entusiasmo com que Jerusalém o recebeu, juntando as nossas vozes: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas. Mas será que estamos preparados para a vinda do Messias? Pensemos por um momento o que significa Domingo de Ramos! Tempo de iniciar uma nova caminhada, andando nos caminhos do Senhor. Tempo de aguardar a vinda do Senhor.

Estimados irmãos! Precisamos resgatar este verdadeiro sentido. Por isso, vamos nos preparar para receber o Senhor, a fim de escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem. De que forma? vigiando e vivendo uma vida santificada neste mundo. Que Deus conceda a cada um abençoado Domingo de Ramos e que busquemos cada dia viver na paz que vem daquele que em meio à humildade, nasceu por todos nós. Vamos saudar o Filho de Deus! Ele merece o nosso louvor, honra e gloria. Ele nos salvou. Vamos abrir as portas dos nossos corações para que Cristo entre! Amém!

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

 TEXTO: Sl 67

TEMA:  TODOS OS POVOS LOUVEM AO SENHOR!

O Salmo 67 é um cântico de agradecimento cantado pelo povo em uma celebração litúrgica festiva. Ele é importante para a missiologia do Antigo Testamento, porque há súplicas de bênçãos para a nação israelita, como sinal de que Deus está com seu povo, e porque deixa claro que o motivo dessas petições é a missão do povo de Israel perante as nações, permitindo que o caminho de Deus e a sua salvação sejam conhecidos e louvados por todas as nações da terra (vv. 2, 4-5, 7).

Neste sentido, a nação de Israel serviria de exemplo para todas as nações. Levaria às nações a reconhecerem que só o Criador pode abençoá-las e salva-las. Logo, para que as nações possam conhecer o caminho e experimentar a salvação (bem-estar, prosperidade, libertação), elas devem estar atentas às orientações de Deus, de maneira que possa aprender a viver, pois somente o Senhor tem caminhos de bênçãos (Sl 25.9,10). Isto demonstra que a bênção de Deus e Sua salvação devem ultrapassar as fronteiras de Israel, e ajudar a compreender como Deus quer que Seu povo se relacione com pessoas de outros povos e culturas.

Os povos do presente século também são convocados a louvar ao Senhor, independente de raça, cor, língua ou nação. Quando o salmista diz “todos os povos” ele não exclui ninguém. Não há, e nunca houve, um único povo dispensado de adorar ao SENHOR. A razão é que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, e todas as coisas, para que possa refletir a glória de Deus na terra em todos os seus atos. Além disso, o Senhor nos escolheu para sermos seus filhos, mediante Jesus Cristo que morreu na cruz para nos salvar. E através de seu amor continua nos sustentando neste mundo, concedendo muitas bênçãos, como saúde, comida, vestes,  lar. Eis a razão, porque todos os povos devem louvar ao SENHOR!

Estimados irmãos! No Antigo Testamento, em meio à tristeza e a dor, em meio às lembranças amargas, Deus sempre demostrou a sua bondade ao seu povo. Foram muitas bênçãos extraordinárias concedidas, como segurança, poder, riqueza, saúde, terras, bens, prosperidade. Deus o guardou e protegeu de todo mal. Os israelitas não precisavam temer os inimigos em sua caminhada para a terra prometida. O SENHOR estava no meio deles para guardá-los. Olhando todas estas bênçãos, o salmista suplica para que Deus seja gracioso, que continue abençoando o Seu povo, e que faça sua face resplandecer sobre si e seu povo. (v.1). Essas palavras expressam o modo com que Deus olha favoravelmente para o seu povo, ou seja, o rosto de Deus voltado em direção ao povo, significa sua presença no sentido de um relacionamento próximo e íntimo. Isto demonstra o quanto Deus foi gracioso.  E quando buscamos a Sua presença, ouvimos a Sua palavra, e nos deixamos guiar pelo Espírito Santo, é certo que algo diferente acontecerá: receberemos muitas bênçãos e teremos uma palavra de vida e de instrução para dar a todos que estiverem ao nosso redor.

No entanto, o salmista vê esse ato gracioso de Deus, como uma oportunidade de tornar o caráter do SENHOR conhecido dos homens. Ele deseja que o conhecimento de Deus não fique restrito apenas aos israelitas, mas que todos os povos, conheçam a salvação que vem de Deus. Sendo assim, ele justifica, dizendo: “Para que se conheça na terra o seu caminho, e entre as nações a tua salvação”. (v.2). Outra maneira de dizer isso seria: Deus quer que os seus caminhos sejam conhecidos em toda a terra, que a Sua salvação seja conhecida entre toda tribo, toda língua, que Sua Lei (Torá), os princípios, a maneira como Ele governa a humanidade, sejam conhecidos entre às pessoas. Logo, para que o homem possa conhecer o Seu caminho e experimentar a salvação (bem-estar, prosperidade, libertação), ele deve estar atento à orientação que Deus, de maneira que possa aprender a viver, pois somente o SENHOR tem caminhos de bênçãos (Sl 25.9,10).

Portanto, todos os povos são incentivados a louvarem a Deus, juntamente com Israel. Independente de raça, cor, língua ou nação, são convocados a louvar o nome do SENHOR. Dar a devida honra, exaltar, bendizer, glorificar ao único Ser que é digno de todo louvor e adoração, ao nosso Deus que criou os céus e a terra. Deus é merecedor deste louvor. O louvor que Deus exige deve abranger todos os aspectos de nossa vida. No culto, na casa onde moramos através do exemplo de nossa família, no trabalho através da nossa boa conduta. Na sociedade, tendo uma vida de obediência e confiança em Deus.

Todos os povos devem se alegrar e exultar: “Alegrem-se e exultem as gentes, pois julgas os povos com equidade.” (v.4a). O salmista demonstra que o SENHOR será um juízo dos povos. Isto poderia gerar uma impressão negativa de um juiz distante  e disposto apenas a condenar. No entanto, ele afirma que isso é motivo de alegria e não de tristeza para todos os povos, pois a ação de julgar do Deus de Israel, proporciona às nações ajuda salvífica em seus direitos. Ele não é Juiz num sentido jurídico/condenatório (do termo), mas um governante real que governa com justiça. Isto faz parte do caráter de Deus, como supremo Rei, julgar de maneira correta. Isto significa que os princípios de Deus são justos, corretos. Revela o controle soberano de Deus sobre a História e o modo justo de tratar aqueles que o temem e punir os que desprezam a Sua Palavra. Por isso, as nações podem se alegrar porque, seu governo é justo e conduz à salvação, de maneira que em todos os confins da terra deve reinar a alegria e o júbilo.

Outro detalhe importante é que todos os povos são guiados pelo Senhor: “guias na terra as nações.” (v.4b). Deus também demonstra que não exerce apenas o papel de Rei de toda a terra como juiz, mas como pastor que conduz graciosamente as nações. O Soberano conduz toda a terra, acompanhado por uma “preocupação pastoral” que evidencia uma liderança terna e graciosa. Esse termo era comumente aplicado à nação israelita como rebanho do SENHOR, como se vê no Salmo 23.3.O Salmo deixa explícito que seu pastoreio não está circunscrito ao território ou nação israelita, onde era adorado. Mas seu pastoreio era precisa ser reconhecido como SENHOR e salvador de todos os povos da terra. Sendo assim, todas as nações teriam motivos para se regozijar. Mas a maior alegria será no cumprimento final no céu, onde pessoas de todas as tribos e línguas louvarão a Deus. Naquele dia, nossa alegria será ainda maior, porque grandes multidões de todas as nações da terra louvarão a Deus conosco.

Quando alguém desfruta deste relacionamento especial com Deus, o resultado não pode ser outro, senão uma bênção: “A terra deu o seu fruto” (v.6a). Isto quer dizer que toda colheita é cumprimento da promessa divina,  conforme Levítico 26.3-4: “Se andardes nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua messe (colheita, safra), e a árvore do campo, o seu fruto”. No entanto, mesmo que o bom resultado da colheita fosse uma realidade, a petição não visa bênçãos para o salmista ou mesmo para Israel em si, mas para que isso sinalizasse a salvação de todos os povos, onde as bênçãos advindas do SENHOR seriam dadas à descendência de Abraão com a finalidade de que todas as famílias da terra também se tornassem participantes delas. O cuidado e a bondade de Deus sobre seu povo escolhido não demonstravam um favoritismo, mas uma exortação para que Israel lembrasse: “todas as famílias da terra” (Gn 12.3) seriam abençoadas. Lembrasse que não deveria ser egoísta diante das bênçãos divinas.

Se o salmista não foi suficientemente claro anteriormente nas suas colocações, ele, agora torna mais evidente, ao afirmar que o plano de Deus é para todos os povos: “Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão” (v.7). A palavra “terra” não é relacionada apenas ao solo da colheita, mas ao mundo onde vivem todos as nações, conforme o versículo 4: “e guias na terra as nações”. O "temor de Deus" não significa medo, mas sim reverência, temor a Deus pelas bênçãos derramadas.

Estimados irmãos! Que inspirados neste salmo, possamos olhar para o passado e nos lembrar da importância de agradecer a Deus por tudo o que temos e somos, reconhecendo o agir de Deus em nossa vida e na vida das pessoas a nossa volta. E que todos os dias, onde quer que estejamos, em tudo o que fizermos, sejamos uma bênção, porque Deus nos abençoou primeiro. Diante dessas bênçãos que recebemos, tenhamos um propósito missionário com todas as nações: orar e levar o Evangelho. Unimos nossa voz à do salmista, quando clamou: “Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão. Amém!

TEXTO: Cl 1.13-20

TEMA: A SUPREMACIA DE CRISTO EM TODAS AS COISAS

Estimados irmãos, que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo esteja com cada um de vocês neste dia!Convido todos a abrirem suas Bíblias em Colossenses 1.13-20, para refletirmos sobre um tema central para nossa fé: a supremacia de Cristo em todas as coisas.

Muitas vezes, vivemos como se tudo girasse em torno de nossos planos, sonhos e conquistas. Exaltamos o poder, o conhecimento e nossas próprias realizações. Mas a realidade é que tudo pertence ao Senhor. Por isso, devemos voltar o nosso olhar para a supremacia de Cristo, reconhecendo-O como o centro, o propósito e o sustentador de tudo o que existe.A supremacia de Cristo é a verdade de que Jesus está acima de tudo e de todos. Ele é o Senhor sobre toda a criação, sobre a igreja e sobre cada detalhe de nossas vidas. Nada existe fora do Seu domínio; nada escapa do Seu cuidado. Tudo foi criado e sutendado por Ele. A supremacia de Cristo também se revela na redenção. Ele veio restaurar o que o pecado havia destruído. Na cruz, abriu novamente o caminho para o Pai, oferecendo-nos comunhão plena com Deus.

Quando entendemos que Cristo governa visíveis e invisíveis, exercendo autoridade e poder sobre todas as coisas, percebemos que não precisamos viver ansiosos, tentando controlar tudo. Podemos descansar em Sua soberania, confiando que Ele cuida de cada detalhe de nossas vidas — nossos planos, nossas dificuldades e nossas vitórias.

Vamos exaltar Jesus,meditando sobre quatro verdades fundamentais: primeiro, Cristo é o Redentor que nos liberta (vv.13–14). Estávamos cativos sob o domínio das trevas — o pecado nos escravizava. Em Cristo, porém, fomos libertos e transportados para um novo reino: o reino do Filho do Seu amor. Essa libertação não é simbólica, mas real, espiritual e eterna. O preço dessa redenção foi o sangue de Cristo (Ef 1.7).Portanto, não existe liberdade verdadeira fora de Cristo; toda “liberdade” que o mundo oferece continua sendo escravidão enquanto não houver perdão dos pecados.

Segundo, Cristo é o Criador e Sustentador do universo (vv.15–17).Cristo é o centro de toda a Criação. Ele criou as coisas visíveis — montanhas, oceanos, estrelas, corpos celestes — e também as invisíveis — o mundo espiritual, os anjos, as forças e poderes. Nada existe fora de Seu domínio criador. Ele estava presente antes de tudo, e tudo o que existe veio à existência por Sua palavra e poder. Tudo foi criado por meio d’Ele e para. Ele  sustenta o universo, mantém em ordem. Sem Ele, a vida e o universo perderiam seu sentido inerente.  

Terceiro, Cristo é o cabeça da igreja (v. 18a).Como a cabeça de um corpo, Cristo é a nossa autoridade, a nossa direção e a nossa fonte de vida. Ele estabelece a doutrina, Ele define a missão e Ele provê o poder. Não há outro líder ou outra autoridade acima d'Ele na Igreja.A Igreja não é primariamente uma organização humana; é um organismo vivo, cujo centro vital é o Senhor ressurreto.

Quarto, Cristo é o Consumador da Redenção (vv.18b-20).A obra de Cristo não termina na criação, mas culmina na reconciliação.Quando o pecado entrou no mundo, a relação entre Deus e o homem foi rompida, e o homem se distanciou do seu Criador. No entanto, Cristo veio restaurar tudo o que foi perdido.Por meio da cruz, Ele derrubou o muro que nos separava de Deus e abriu novamente o caminho para o Pai. O mesmo Verbo que declarou “haja luz” foi quem, na cruz, afirmou: “Está consumado”.A reconciliação é o clímax do plano divino.

Paulo, nos versículos 13 e 14, discorre sobre a vinda de Jesus à terra para viver e sacrificar-se em prol da humanidade. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor. Agora, usufruímos da redenção e da remissão dos pecados. Ao prosseguir, Paulo aborda  o efeito da Sua obra no céu e na terra, e  revela  a primazia de Jesus sobre a Criação.Ele começa com uma declaração contundente: “Este é a imagem do Deus invisível”. (v.15a ). Enfatiza que Jesus é a "imagem do Deus invisível".  A expressão não se refere a uma representação física de Deus, como uma estátua, mas sim à revelação da natureza divina de Jesus e à sua capacidade de manifestar aos homens quem é o Deus invisível. Em outras palavras, a expressão "imagem do Deus invisível" pode ser explicada da seguinte forma: Jesus tornou-se visível aos homens na forma humana, sendo a representação do Deus invisível. Ele é a revelação do caráter e da natureza de Deus. Ao ver Jesus, é como se estivéssemos vendo o próprio Deus. É “na face de Jesus Cristo” que podemos conhecer a Deus (2Co 4.6). Ele é igual a Deus (Jo 5.18), Jesus é o Deus verdadeiro (Jo 1.1; I Jo 5.20). Assim, Jesus nos permite conhecer e compreender o Deus que, de outra forma, seria inacessível e incompreensível para a mente humana.

Durante o ministério terreno de Jesus, Filipe lhe perguntou: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. Jesus respondeu: “Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?” (Jo 14.8-9). Aqui,temos um dos momentos mais reveladores nos Evangelhos, destacando a unidade íntima entre Jesus e Deus Pai.A chave da resposta está na afirmação: "Quem me vê, vê o Pai." Isso significa que Jesus não é apenas um mensageiro ou um profeta que fala sobre Deus; Ele é a revelação perfeita e completa de Deus Pai. Em Jesus, a natureza, o caráter, a vontade e o amor de Deus se tornam visíveis e acessíveis à humanidade. Não há necessidade de buscar além de Jesus para encontrar e conhecer a Deus, pois Ele é a imagem exata do Pai.

Paulo afirma ainda que Jesus é “o primogênito de toda a criação”. (v.15b ). No contexto judaico e bíblico, "primogênito" muitas vezes se refere àquele que tem a posição de honra, autoridade e herança, independentemente de ser o primeiro a nascer. Aqui, o termo "primogênito" (πρωτότοκος), o significado bíblico, especialmente em relação a Jesus Cristo, vai muito além de ser meramente "o primeiro a nascer".Nesse contexto, "primogênito"  enfatiza não a Sua origem como o primeiro a ser criado.  Em vez disso, significa que Ele tem soberania e autoridade suprema sobre toda a criação.Ele é o Senhor sobre a criação, aquele que está acima de tudo e de todos. Ele é o Criador e Sustentador de tudo o que existe, e não uma parte da criação. Ele tem a posição de maior honra e autoridade sobre todo o universo.

 Paulo deixa  isso claro ao afirmar que “ pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra”.(v.16a). Jesus é o agente de toda a criação . Tudo o que existe, tanto nos reinos celestiais quanto na terra, veio à existência por meio dele. Isso aponta para o Seu poder, colocando-o na posição de Criador: “as visíveis e as invisíveis”.(v.16b). Inclui tudo o que podemos ver (o mundo físico) e tudo o que não podemos ver (o reino espiritual, incluindo anjos e forças espirituais). Paulo amplia ainda mais a compreensão da abrangência da criação de Cristo e do propósito de toda a existência. Ele afirma:."Sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.Tudo foi criado por meio dele e para ele"(v.16c). Paulo estabelece às hierarquias angélicas e espirituais, tanto as que servem a Deus quanto as que se opõem a Ele. Isto significa que  a criação de Cristo não se limita ao mundo físico que vemos. Ela se estende a todo o domínio espiritual e invisível. Isso era particularmente importante para os colossenses, que talvez estivessem sendo influenciados por ensinamentos que davam excessiva importância a essas entidades espirituais, diminuindo a centralidade de Cristo.

Ao listar essas categorias, Paulo deixa claro: não há poder ou autoridade, visível ou invisível, que não tenha sido criado por Cristo. Ele está acima de todas elas: “Tudo foi criado por meio dele e para ele"(v.16c). Esta é uma declaração em duas partes da centralidade de Cristo na Criação. Primeiro, Paulo afirma: "Por meio dele" (δι᾽ αὐτοῦ ). Esta frase indica que Cristo é o agente instrumental da Criação. Ele não é apenas quem inicia, mas através de quem toda a obra da Criação foi realizada. Isso reforça Sua divindade e poder ilimitado.Segundo, “e para ele" (εἰς αὐτόν). Esta é uma declaração profunda sobre o propósito final da criação. Tudo o que existe – desde as galáxias mais distantes até a menor partícula, incluindo todas as esferas de poder espiritual – foi criado com um destino e uma finalidade: existir para Cristo, para Sua glória e para Seus propósitos. Isso consolida a ideia de que Cristo é absolutamente supremo sobre toda a existência, sem exceção. É uma verdade libertadora, pois nos lembra que nenhuma força, espiritual ou terrena, pode estar acima de Cristo, e que nossa própria existência tem um propósito maior n’Ele.

As palavras de Paulo reforçam a preexistência e a soberania de Jesus Cristo. Ele afirma que Jesus já existia antes da Criação, conforme está escrito: “Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (v.17). A palavra grega traduzida como "subsiste" é συνέστηκεν , que é uma forma do verbo συνίστημι, que significa manter-se junto, permanecer, sustentar, segurar. Portanto, a frase quer dizer que, "Nele", todas as coisas são mantidas em existência, são sustentadas e se mantêm coesas. Jesus não apenas criou todas as coisas (v.16), mas também as mantém em ordem e funcionamento. Cristo é o centro de toda a Criação. Tudo converge n’Ele e encontra sua razão de ser n’Ele. Em resumo, "Nele, tudo subsiste" é uma declaração sobre a soberania, divindade e papel essencial de Jesus Cristo como o Criador, Sustentador e o propósito final de toda a existência.

Paulo continua a exaltar a excelência de Cristo, destacando Sua posição como Criador, Sustentador e Redentor do universo, bem como Seu papel como Cabeça da Igreja:  “Ele é a cabeça do corpo, da igreja”. (v.18a).Paulo utiliza aqui  uma metáfora comum em suas cartas para descrever a relação íntima e vital entre Cristo e a Igreja. Assim como a cabeça dirige e dá vida ao corpo físico, Cristo é a autoridade máxima e a fonte de vida para a Igreja, que é o Seu corpo. Isso implica que a Igreja depende completamente d'Ele para sua direção, propósito e funcionamento. Não pode haver outro líder ou fonte de autoridade que não seja Cristo.

 Ele também “ é o princípio, o primogênito de entre os mortos”. (v.18b). Paulo ressalta a supremacia absoluta de Jesus Cristo em todas as coisas, de duas maneiras: primeiro,ele fala sobre o “princípio” (ἀρχή): Cristo é a origem, a fonte de tudo. Não apenas, estava presente no início, mas é a própria causa e o fundamento da criação. Segundo, Ele é  “o primogênito de entre os mortos”: Esta expressão não significa que Cristo foi o primeiro a morrer, mas sim que Ele foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos para uma vida incorruptível e eterna, com um corpo glorificado. Sua ressurreição é o modelo e a garantia da ressurreição dos crentes. A finalidade de todos esses atributos de Cristo é clara: "para em todas as coisas ter a primazia".(v.18c).  Seja na Criação, na Redenção, na Igreja, sobre a morte ou em qualquer aspecto da existência, Cristo deve ocupar o lugar de honra, centralidade e supremacia. Não há área onde Ele não deva ser reconhecido como o primeiro e o mais importante. Por isso, Ele nos convida a reconhecer e submeter todas as áreas de nossas vidas ao Seu senhorio.

 Diante do que foi exposto, Paulo fundamenta a supremacia absoluta de Jesus Cristo em todas as coisas. primeiro, ele explica que "aprouve a Deus"(v.19a).O termo grego εὐδόκησενé, a forma aorista  do verbo εὐδοκέω, que significa "agradar-se", "ter prazer em", "aprovar", "resolver", "escolher". A ideia central é sempre de benevolência, satisfação ou um propósito intencional e agradável.Aqui, indica que foi a expressa  vontade de Deus Pai que toda a Sua plenitude divina residisse em Jesus Cristo. Não foi por acaso, mas por um propósito divino e deliberado. Segundo, em “Jesus reside toda a plenitude”. (v.19b). A expressão "toda a plenitude" ( πᾶν τὸ πλήρωμα) é crucial. Ela significa  a completude, a totalidade de tudo o que é divino, perfeito e substancial. Quando Paulo afirma que essa plenitude "residiu" (ou "habita", "fez morada") em Cristo, ele está proclamando a divindade plena de Jesus.Cristo não é uma parte de Deus ou uma manifestação limitada de Deus, mas sim a totalidade da natureza e dos atributos divinos. Ele é a revelação completa e perfeita de Deus para a humanidade. Paulo deixa claro que em Jesus, Deus se fez presente de forma integral e completa. A plenitude da divindade habita corporalmente nele (Cl 2.9, que reitera e expande essa ideia).

Paulo,anteriormente, havia exaltado a criação da obra de Jesus (v.16). Agora, ressalta a reconciliação de todas as coisas nos céus e na terra, estabelecendo a paz por causa do  sangue de Cristo derramado na cruz. Primeiro.ele fala da necessidade de paz:  “e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz.” (v.20a).A Bíblia nos ensina que o pecado criou uma profunda inimizade e separação entre Deus e a humanidade. E a  cruz removeu essa barreira, estabelecendo a paz. Não é uma paz superficial, mas uma restauração profunda do relacionamento.Aqui, Paulo aponta o meio pelo qual a reconciliação é alcançada: “o sangue da cruz de Cristo”. A paz não foi alcançada por mérito humano, por negociações ou por rituais vazios. Ela foi feita pelo sacrifício vicário de Jesus na cruz. O "sangue da sua cruz" aponta para a Sua morte sacrificial, que é o único meio de expiação dos pecados e de satisfação da justiça divina. É o ponto central da história da redenção. Sem o derramamento de Seu sangue, não haveria remissão de pecados nem paz com Deus (Hebreus 9.22).

 Assim como Cristo foi o agente da criação ("por meio d'Ele foram criadas todas as coisas"), Ele é também o agente da reconciliação. Ninguém mais poderia realizar esta obra. Paulo afirma: “por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.” (v.20).É Deus quem, em Sua soberania e amor, toma a iniciativa de reconciliar, usando Cristo como o agente dessa reconciliação. Paulo estabelece o alvo da reconciliação.Ele usa a expressão abrangente "todas as coisas" (τα πάντα).Isto significa que  a  reconciliação não se limita apenas aos seres humanos, mas se estende a toda a Criação.  O pecado não afetou apenas a humanidade, mas trouxe desordem e maldição sobre a Criação (Romanos 8.19-22): “quer sobre a terra, quer nos céus".Na terra se refere ao mundo físico e aos seres humanos, enquanto nos céus pode se referir aos seres celestiais. A ideia de que até mesmo as hostes angelicais  são afetadas pela reconciliação, reconhecendo a supremacia de Cristo. Portanto, a harmonia original do universo, perturbada pelo pecado, está sendo restaurada através de Cristo. O plano redentor de Deus não se restringe à salvação individual, mas visa a redenção de toda a Criação

Estimados irmãos! Não precisamos viver ansiosos nem tentar controlar aquilo que está além do nosso alcance, porque Jesus cuida de cada detalhe da nossa vida e de toda a criação. Em Cristo, encontramos redenção, segurança e paz. Ele nos libertou das trevas do pecado e, por meio d’Ele, todas as coisas foram criadas, reconciliadas e sustentadas.Quando essa verdade alcança o nosso coração, encontramos descanso. Somos libertos da busca incessante por controle próprio, pois sabemos que Cristo nos mantém,protege e sustenta. Assim, podemos confiar e repousar seguros em Seu amor.

Que possamos, todos os dias, submeter nossa vida à Sua supremacia, vivendo confiantes, adorando e servindo Aquele que é o princípio de todas as coisas.. Amém.

TEXTO: ML 3.13-18

TEMA:   A DIFERENÇA ENTRE O JUSTO E O PERVERSO

Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias Em Ml 3.13-18  para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O  tema de hoje é:  a diferença entre o justo e o perverso.

Vivemos num mundo onde, cada vez mais, encontramos dificuldade em diferenciar as coisas. Tudo parece repetir-se, como se estivéssemos presos a um ciclo de ideias recicladas. As pessoas manifestam os mesmos pensamentos, reproduzindo opiniões prontas sem questionar sua origem. Os assuntos são sempre os mesmos, girando em torno de temas que se esgotam, mas continuam sendo repetidos por falta de algo novo a dizer. As palestras, as mensagens motivacionais, os posts nas redes sociais, as opiniões compartilhadas por toda parte... tudo parece seguir um padrão. A conclusão é clara: há uma crescente dificuldade em  em diferenciar as coisas neste mundo.

Essa mesma dificuldade de diferenciar também estava presente no tempo de Malaquias. Ele descreve uma situação cujo reflexo encontramos claramente em nossos dias: havia dois grupos entre o povo. De um lado, os arrogantes e os que praticavam a perversidade; de outro, aqueles que temiam o Senhor, andavam em integridade e buscavam viver em obediência à Sua vontade. No entanto, nem todos conseguiam enxergar essa diferença entre a prosperidade dos ímpios e o sofrimento dos justos. E você sabe a diferença? Quem, afinal, merece se dar bem? O justo, que procura viver com integridade e retidão? Ou o ímpio, que prospera sendo desonesto e negligenciando princípios? Então, vejamos cinco respostas:

Primeiro, o perverso despreza  Deus. (v.13).O povo de Israel encontrava-se em um estado de profundo afastamento do Senhor, manifestando intensa corrupção moral e espiritual.O Senhor o acusa de proferir “palavras duras” (ou fortes/firmes) contra Ele. Trata-se de uma acusação de arrogância e teimosia, indicando que o povo falava com ceticismo, desafio e falta de respeito pela autoridade divina.

Segundo, o perverso alega que servir a Deus é inútil ou vão.(v.14).Não eram sinceros no culto que prestavam ao Senhor.Não existia nenhum propósito para viver uma vida para Deus, tudo era simplesmente uma enganação.  Na verdade tinham motivos egoístas para servir a Deus, pois esperavam ser recompensados pelo fato de estarem servido a Deus. Como as recompensas não vinham de imediato, o desânimo e a frustração constitui-se numa resposta lamentável: inútil é servir a Deus.

Terceiro, os justos encorajavam o próximo: “...falavam uns aos outros...” (v. 16).Esses servos fiéis não apenas andavam com Deus, mas também encorajavam outros a trilhar esse caminho. Eles compartilhavam a mensagem de Deus com as pessoas.De modo similar, nós também precisamos fortalecer, incentivar e encorajar uns aos outros, especialmente em tempos de crise. Deus determinou que cuidássemos uns dos outros.

Quarto  Deus recompensará os justos no Juízo. (v.17). O Senhor é enfático ao declarar que os justos serão recompensados. Não se trata de acúmulo de bens materiais, afinal, Ele é o Criador de todas as coisas, possuidor e controlador do universo, tendo tudo em Suas mãos sob absoluto domínio (Colossenses 1.16-17).O Senhor refere-se, portanto, àqueles que O servem fielmente. Aqueles que temem ao Senhor e mantêm uma comunhão agradável e sincera uns com os outros. Sem dúvida, essas são as duas características fundamentais dos verdadeiros “servos de Deus”: temer ao Senhor e cultivar a comunhão fraterna.

Quinto, o discernimento definitivo (v.18). No Dia do Juízo (o Dia do Senhor) se manifestará a diferença. No tempo certo, o Senhor revelará a diferença entre o justo e o perverso, entre o que O serve e o que não O serve.A justiça divina não falha nem se atrasa; apenas aguarda o tempo certo. Enquanto isso, o Senhor  nos chama  a permanecer fiel quando tudo ao nosso redor diz o oposto.

Estimados irmãos! O povo estava se afastando do Senhor e corrompendo-se moralmente e espiritualmente. Havia uma profanação e total desrespeito para com Deus dentro do Santuário. Na verdade, uma adoração hipócrita. Deus estava sendo insultado na adoração e a consequência disso era um afastamento da santidade do Senhor. Os israelistas falavam mal de Deus: “As vossas palavras foram duras para mim, diz o Senhor.” (v.13a). A forma verbal usada aqui significa “ser forte”; “ser firme”, “ser duro”; pessoas com o coração endurecido. É difícil entender esta atitude dos judeus, pois Deus os amava. Foram escolhidos dentre todas as nações.Mas ainda, assim, questionam Deus: “… mas vós dizeis: Que temos falado contra ti?” (v.13b). Com esta pergunta queriam mudar o foco do diálogo ou simplesmente fingir que não estavam entendo ou do que se tratava a repreensão de Deus.  

Também, muitas vezes, usamos palavras muito duras com o nosso Deus. Afrontamos. Usamos expressões pesadas, e ainda, afirmamos: Que temos falado contra Deus? Temos, sim, falado muitas coisas que não agradam a Deus e não reconhecemos. Agimos como se fossemos perfeitos e quando somos questionados fingimos que não sabemos sobre o que se trata a repreensão. Precisamos fazer uma reflexão sobre a nossa vida espiritual: Reconhecemos os nossos erros ou fingimos que está tudo certo na nossa vida, mesmo sabendo que está tudo errado? Somos capazes de voltar atrás quando percebemos que cometemos um erro com alguém? Errar faz parte da natureza humana. O importante é como nos posicionamos diante dos erros cometidos. Podemos enganar as pessoas, mostrando-lhes que somos perfeitos, mas nunca podemos enganar a Deus.

Os judeus tinham um coração obstinado, eram duro e incoerente. É o que podemos observar, quando o Senhor afirma: “Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?” (v.14). Não eram sinceros no culto que prestavam ao Senhor.Não existia nenhum propósito para viver uma vida para Deus, tudo era simplesmente uma enganação. Esta triste realidade transparece quando afirmam que seria inútil servir a Deus. A expressão inútil denota aquilo que não tem substância ou conteúdo, que é vão, inútil, sem valor. Na verdade tinham motivos egoístas para servir a Deus, pois esperavam ser recompensados pelo fato de estarem servido a Deus. Como as recompensas não vinham de imediato, o desânimo e a frustração constitui-se numa resposta lamentável: inútil é servir a Deus.

Revoltados porque não eram atendidos, começaram a se comparar com os ímpios: “Ora, pois, nós reputamos por felizes os soberbos; também os que cometem impiedade prosperam, sim, eles tentam ao Senhor e escapam.” (v.15). Aos olhos deles, os perversos colhiam bênçãos e os escarnecedores arrogantes não sofriam castigos, enquanto que muitos dos que temiam a Deus e lhe obedeciam, não vivenciavam coisas melhores que os demais. E então começaram também a se perguntar: Por que deveriam continuar ofertando e dizimando, se aqueles que viviam fora da lei pareciam ser mais abençoados do que eles?  É uma atitude equivocada esta forma de pensar dos judeus, pois  dizer que os ímpios prosperam, é como se acusassem Deus de injusto, ingrato e mentiroso.

Em nossas vidas, às vezes, nos perguntamos: Como podem os ímpios prosperar, enquanto os justos vivem sofrendo? Diante deste questionamento, observamos os corruptos prosperando, enriquecendo, parecendo não ter problemas, nem passar por provações ou tribulações. Em contrapartida, aqueles que servem a Deus, que procuram ser justos em palavras e ações, estes vivem enfrentando dificuldades, lidando com adversidades, suportando enfermidades, conflitos familiares, carências financeiras, perdas dolorosas, perseguições, abandono e solidão.É nesse momento que a dúvida surge, e somos tentados a concluir: Deus está sendo injusto.Nessas horas, começamos a questionar a soberania, a bondade e a justiça de Deus. Consequentemente, a primeira coisa que notamos é o enfraquecimento da nossa fé e da nossa confiança nas Suas promessas.

Entretanto, a verdade é que Deus é justo, e Ele não desampara Seus servos. Aqueles que confiam no Senhor e andam em Seus caminhos possuem muitas promessas em seu favor. Entre o povo, havia fiéis que caminhavam, perseveravam e temiam ao Senhor. Por causa do sentimento que compartilhavam para com Deus, eles se reuniam, falavam uns com os outros e desfrutavam da comunhão entre si.Esses fiéis reprovavam veementemente a atitude dos líderes e do povo, não aceitando: a negligência ao culto; o adultério e o divórcio; a forma descuidada com que os sacrifícios eram oferecidos; o roubo a Deus nos dízimos e nas ofertas; e a audácia de questionar a Deus e afirmar que era inútil servi-Lo.Mesmo em situações desesperadoras, eles não estavam sozinhos, pois o Pai estava com cada um deles. Como é maravilhoso saber que o Senhor nos escolheu para sermos Seus filhos — um ato de amor demonstrado por meio de Jesus Cristo, que morreu na cruz para nos salvar. Por meio de Sua Palavra, Ele nos concede bênçãos que vão desde as materiais (como saúde, alimento, vestes e lar) até a maior de todas: a salvação.Cabe a nós, hoje, receber do Senhor o que Ele nos oferece: acolher com humildade Sua correção e nos submeter ao Seu tratamento, reconhecendo e aproveitando as bênçãos que Ele derrama sobre a nossa vida.

O profeta Malaquias destaca quatro importantes verdades sobre aqueles que temiam ao Senhor: primeiro, eles encorajavam o próximo: “...falavam uns aos outros...” (v. 16a).Esses servos fiéis não apenas andavam com Deus, mas também encorajavam outros a trilhar esse caminho. Eles compartilhavam a mensagem de Deus com as pessoas.De modo similar, nós também precisamos fortalecer, incentivar e encorajar uns aos outros, especialmente em tempos de crise. Deus determinou que cuidássemos uns dos outros. Vemos, amplamente, por toda a Bíblia, instruções acerca do cuidado mútuo. A Palavra do Senhor nos ensina que a vida cristã não pode ser vivida isoladamente (Hb 10.25), pois somos uma família (Ef 2.19), escolhida antes da fundação do mundo (Ef 1.4) para viver em comunhão (At 2.42-47), com alegria e devoção. Essa comunhão implica, acima de tudo, cuidar uns dos outros, pastorear, aconselhar, admoestar e orar (Cl 3.16-17; Tg 5.16).

Em segundo lugar, o Senhor está atento e ouve as nossas palavras (v.16b).É maravilhoso saber que o Senhor está sempre atento às nossas orações; Ele sempre nos ouve e jamais despreza as nossas súplicas. Deus escuta as nossas palavras, valoriza-as e dá importância ao que fazemos e falamos.Ele está atento ao que acontece conosco. Ele sabe quem somos, o que está ocorrendo em nossa vida, onde estamos, o que estamos fazendo e para onde estamos indo.A oração é o meio pelo qual nos conectamos com Deus de forma contínua e direta. Por meio dela, recebemos tudo o que é necessário para realizar a obra do Senhor e alcançar os resultados que Ele deseja em nossa vida.A oração não é apenas um pedido, mas um encontro diário com o Pai, que nos orienta, fortalece e sustenta a cada passo que damos. É reconfortante saber que podemos contar sempre com a Sua sabedoria e o Seu conselho. Essa certeza nos enche de confiança ao servi-Lo, lembrando-nos de que Deus está sempre pronto para nos ouvir e nos acolher, mesmo nos momentos de dúvida ou fraqueza.

Em terceiro lugar, Deus relembra as obras dos Seus servos.O Senhor registra tudo, conforme afirma o profeta: “...havia um memorial escrito diante dele...” (v.16). O profeta deixa claro que há um registro escrito perante Deus, onde estão catalogadas as palavras e os atos daqueles que são tementes e se lembram do nome do Senhor. Por isso, não há motivos para nos preocuparmos em catalogar nossos sucessos e fracassos, pois o registro do Senhor é o que verdadeiramente importa. As anotações e estatísticas que fazemos não são importantes, visto que é o Senhor quem avalia o nosso serviço. O que tem valor é o que Ele anota (Romanos 14.12; 2 Coríntios 5.10), pois é a Ele que estamos servindo (Efésios 6.6-7).O Memorial do Senhor registrará cada detalhe com absoluta fidelidade. A Sua apreciação será sempre a mais justa! Não haverá distorções, equívocos ou depreciações, mas a fidelidade divina no Livro da Eternidade.Então, veremos claramente a diferença entre o justo e o perverso; entre aquele que serve a Deus e o que não serve. Portanto, aqueles que têm seu nome escrito no Livro da Vida têm grande alegria e, por isso, entrarão na Cidade de Deus.

Em quarto lugar, Deus recompensará os justos no Juízo. A promessa é clara: “Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve” (v. 17).O Senhor é enfático ao declarar que os justos serão um “tesouro particular”. Não se trata de acúmulo de bens materiais, afinal, Ele é o Criador de todas as coisas, possuidor e controlador do universo, tendo tudo em Suas mãos sob absoluto domínio (Colossenses 1.16-17).O Senhor refere-se, portanto, àqueles que O servem fielmente. São aqueles que temem ao Senhor e mantêm uma comunhão agradável e sincera uns com os outros. Sem dúvida, essas são as duas características fundamentais dos verdadeiros “servos de Deus”: temer ao Senhor e cultivar a comunhão fraterna.

Neste mundo, aparentemente, os ímpios prevalecem: acumulam riquezas, desfrutam de saúde e parecem prosperar. No entanto, no Dia do Juízo Final, eles não se levantarão e não prevalecerão.O Salmo 1, de forma clara e objetiva, distingue esses dois caminhos ao afirmar: “O Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá” (v. 6).O salmista é enfático quanto ao destino dos ímpios, utilizando o termo “perecer”, que denota cessar de viver ou deixar de existir; ser destruído; tornar-se nada; consumir-se; morrer.Aqueles que andaram segundo a própria vontade, vivendo para satisfazer a carne, o coração e os desejos pessoais, e não segundo a vontade de Deus, perecerão no último dia, sendo condenados ao sofrimento eterno e à separação do Senhor.Este é o caminho dos ímpios, que conduz à destruição. Eles serão consumidos justamente porque escolheram trilhar o caminho do pecado. Deus já demonstrou, ao longo da história, por meio de eventos como o Dilúvio e a destruição de Sodoma, que os ímpios, de fato, serão destruídos.

Estimados irmãos! Abandonem os seus próprios caminhos! Voltem-se para a Palavra do Senhor, rejeitem os desejos do seu coração, que é enganoso e corrupto, e obedeçam ao Senhor, vivendo a Sua Palavra.Deixem tudo o que não está de acordo com a Lei de Deus e se voltem para Ele, que é rico em perdoar.Aqueles que agirem assim prevalecerão e se levantarão no Dia do Juízo, recebendo as boas-vindas do Juiz e a herança prometida: o Reino Eterno.Contudo, aqueles que recusarem, não se levantarão, mas serão apartados para o sofrimento eterno. Amém.