TEXTO: Sl 122
TEMA: VAMOS À CASA DO SENHOR!
Recebemos inúmeros convites diariamente para as mais diferentes situações em nossas vidas. Convites para participar de diversas solenidades e festividades especiais. Muitos deles nos causam alegria e contentamento. Mas são momentos passageiros e momentâneos. No entanto, há um outro convite. Não se trata de qualquer convite, mas, sim, um convite para irmos à Casa do Senhor e adorarmos ao nosso Deus, através do orar, do cantar dos hinos de louvor; para ouvir o evangelho, buscar perdão e absolvição de todos os nossos pecados através dos sacramentos; enfim para agradecermos a Deus pelas ricas bênçãos recebidas.
Você não gostaria de receber este convite e usufruir das bênçãos maravilhosas oferecidas por Deus à sua Igreja? De contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo? De manter seu encontro com toda a congregação perante Deus, onde se evidência e se fortalece a comunhão entre irmãos na fé? Então, vamos refletir sobre o Salmo 122.
Este salmo nos ensina, qual deve ser o nosso procedimento quando vamos à Casa do Senhor. Ele é um Cântico dos Degraus. É atribuído a Davi e descreve a alegria dos peregrinos ao chegarem em Jerusalém. E quando chegavam, desejavam estar sempre no santuário do templo para louvar e agradecer ao Senhor. Ao retornarem, os peregrinos levavam consigo a lembrança do lugar para seus lares. Esta deve ser a nossa atitude, pois somos parte integrante da Casa do Senhor. Sem a nossa presença e participação, com os demais irmãos na fé, que se reúnem regularmente para ouvir o evangelho, não existe comunhão, trabalho. Por isso, aceite este convite! Busque a Casa do Senhor e faz uso destas bênçãos maravilhosas oferecidas pelo Senhor.
A cidade de Jerusalém no AT era o centro para qual convergia toda a vida religiosa do povo de Israel. Era o lugar onde realizavam grandes festas religiosas. E nestas ocasiões vinham fiéis de longe trazendo ofertas e incenso para Casa do Senhor. Havia alegria de poder estar junto, participar da comunidade reunida em torno de Deus, e Deus com seu povo. Nem mesmo à distância os detinham, pois, enquanto iam caminhando as suas forças aumentavam. Havia alegria por parte do povo, que mais uma vez tinha a oportunidade de se dirigir ao templo de Jerusalém, e ter momentos de comunhão com Deus, porque, ali no templo, em Jerusalém, Deus revelava-se, oferecia o perdão, renovava e reafirmava sua aliança, e sua promessa de salvação. Enfim, para os israelitas o templo representava a presença de Deus, e se alegravam quando podiam participar de cultos e das festas religiosas.
Quando chegavam à Casa do Senhor, os peregrinos demonstravam alegria. (v.1). Mas o motivo de alegria não era pelo fato de ter chegado ao termino da jornada, mas de participar, com outros israelitas, momento de louvor e jubilo na Casa do Senhor em Jerusalém. Quando iam para a Cidade Santa, logo que a avistavam, paravam admirados com sua grandeza e formosura. Passar por seus portões, adentrar seus muros e ver o Templo do Senhor produzia um sentimento que eles almejavam durante toda a jornada, até que pudessem dizer: “Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém!” (v.2). A figura dos pés juntos às portas marca o exato momento quando a jornada se encerra e inicia o encontro com o povo de Deus. As caravanas chegavam para as festas da Páscoa. Este era um sentimento de temor a Deus. Um respeito profundo, que nos faz refletir sobre nossas vidas na presença de Deus. Não podemos entrar na Casa do SENHOR de qualquer forma. É preciso reconhecer os erros e procurar mudança. Refletir sobre as nossas atitudes e palavras se,realmente, estão baseadas no temor a Deus.
O salmista ao mencionar Jerusalém, demonstra como esse local era importante para Israel. Além de ser a sede do reinado, ela significava muito mais. Era o local da habitação simbólica de Deus, lugar em que se faziam os sacrifícios contínuos ao SENHOR. Jerusalém era não só o centro da adoração, mas também o local onde se realizavam os julgamentos e decisões civis. As questões religiosas e civis estavam fortemente entrelaçadas na lei de Deus. Além disso, a cidade retinha as esperanças de Israel no tocante ao futuro. Por isso, era uma grande alegria estar na cidade de Jerusalém, pois ali estava a Casa do SENHOR.
Esta deve ser a reação do cristão quando se dirige à Casa do SENHOR. Uma alegria que somente os filhos de Deus podem desfrutar, na certeza, de que temos um Deus bondoso e misericordioso, que demonstrou seu grande amor ao enviar o seu Filho Unigênito. Em Paulo notamos a manifestação desta alegria, quando ele diz: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” (Fp 4.11). E ainda no capítulo 4, Paulo admoesta: “Alegrai-vos sempre no Senhor”. Paulo fala de uma alegria verdadeira, autêntica que não encontramos nas ruas e nos bares. É uma alegria que vem do Senhor. E o Senhor continua a nos oferecer esta alegria que se encontra na mensagem do perdão, oferecidos na Palavra e nos sacramentos quando vamos à Casa do SENHOR. Portanto, a alegria é uma marca da presença de Deus em nossas vidas, porque é um fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22).
Desde cedo, devemos transmitir aos nossos filhos a alegria de irmos à Casa de Deus e participar do culto com entusiasmo com a nossa família. Nossa família precisa de alegria, porque se quisermos que a nossa família seja uma parte da Casa de Deus, procuremos ser alegre com nossos familiares. Como é maravilhoso ver as famílias chegando, cheias de entusiasmo para participar do culto. Mas, será que todas ficam alegres quando estão a caminho da "Casa de Deus"? Infelizmente, esta alegria e sede pelo ensino da Palavra de Deus, não tem ocorrido nos dias de hoje. Como prova disto, encontramos igreja vazias, pessoas “frias” espiritualmente, materialistas, dando mais valor aos negócios do que o ouvir da Palavra de Deus. Famílias inventando inúmeras desculpas para justificar a sua ausência nos cultos, departamentos e outras atividades. É triste constatarmos esta realidade que denotam desprezo, descaso, indiferença e desrespeito para com o culto na Casa do SENHOR. Por isso, alegrem-se! Que a sua participação no Culto ao SENHOR seja sempre marcada pela alegria, gratidão, reverência e plena consciência diante do SENHOR.
O povo ao chegar à Casa do SENHOR com alegria, dava uma demonstração de agradecimento a Deus. Ao entrar nos átrios com ações de graça as tribos do SENHOR traziam as suas ofertas de animais, cereais, vinho e azeite. Manifestavam seu louvor através dos cânticos: “para onde sobem as tribos, as tribos do Senhor, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR.” (v.4). Sem dúvida, quem se alegra com a Casa de Deus têm no coração a marca da gratidão, pois há motivos para agradecer a Deus, pelas às inúmeras bênçãos, tanto espirituais, como materiais. Lembrando que render graças significa reconhecer a nossa total dependência. Reconhecer que recebemos tudo sem merecermos nada,e que não temos condições de retribuir nada. Tudo vem do Senhor, tudo é favor de Deus e, por isso, tudo que recebemos é um ato maravilhoso de Deus, que precisa ser declarado e proclamado. Deus gosta de ser louvado, agradecido por seus filhos nesta terra. Por isso, sempre temos motivos para agradecer e nos alegrar no Senhor.
Quando o povo chegava em Jerusalém, reconhecendo os juízos de Deus, a soberania sobre todas as coisas,o Seu reinado absoluto sobre o Seu povo, deveria orar e buscar a face do Senhor para que houvesse paz: “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam.” (v.6). Esta é a recomendação de Davi aos israelitas. Ele conclama o povo a orar pela cidade, Orar para que a paz reinasse sobre a Casa do SENHOR, isto é, sobre o povo de Deus. A oração do salmista vai além e focaliza, também, a estabilidade não apenas religiosa, mas política e social, como fonte de segurança e paz para o povo, pelo que clama: “Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios.” (v.7).
Jerusalém como outras cidades da antiguidade, estava cercada de muros que a protegiam. Quando suas portas estavam abertas e podiam-se entrar livremente era sinal de que havia tranquilidade, tudo ia bem, e havia paz. Mas houve época em que Jerusalém estava com suas portas trancadas eram tempo de guerra e perseguição. Além disso, as portas do templo estavam fechadas e da Casa do SENHOR restavam apenas ruínas. Era o castigo de Deus à maldade, à idolatria, ao desprezo e negligência com que o povo de Israel tratava as coisas do SENHOR. A partir do momento em que o povo abandonou Deus, as portas do templo se fecharam, e o povo de Israel, como castigo, passou as viver em terras distantes, estranhas, longe da Pátria, dos familiares e do templo. Diante desta atitude, o povo chora. O povo precisava de paz
O amor à Jerusalém era tão grande que o povo nem se cansava de caminhar. Não havia distância ou dificuldade que impedisse a ida à Cidade Santa, pois o objetivo era ir à Casa do SENHOR em busca de paz. O povo precisava de paz. Ela era fundamental para que houvesse comunhão: “Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti.” (v.8). No Novo Testamento, a comunhão entre os irmãos na Igreja é fruto de dedicação (Atos 2.42). Os irmãos da igreja primitiva dão prova disso. Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos. Eram submissos a autoridade deles. Isso com certeza contribuía e muito para que a unidade entre eles fosse fortalecida. No entanto, hoje, o amor e a comunhão entre irmãos tem sido algo muito difícil em nossos dias. Ocorre que as pessoas estão se distanciando umas das outras. Deus não quer que haja divisão na Sua Igreja, pelo contrário, que cada membro viva em perfeita harmonia para que haja crescimento. Ore pela unidade para que não seja dividida por cisma ou heresia; que seus membros possam valorizar uns aos outros com sentimentos de amor; para que não haja ciúmes, inveja.
O salmista finaliza este salmo ao falar sobre o amor que devemos ter pela Casa do SENHOR, amor ao local onde Deus deve ser adorado: “Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem." (v.9). Só o fato de sentirmos alegria em estar na Casa do SENHOR, já nos colocamos à disposição de Deus para realizar o que SENHOR almeja da nossa parte. Esta alegria não pode ser sentida por aqueles que estão mais preocupados consigo mesmos e, consequentemente vivendo afastado de um relacionamento mais íntimo e sincero com Deus. Se não sentimos alegria em subir à Casa do SENHOR, é porque o nosso interesse está em outras coisas que não dizem respeito a Deus.
Vamos à Casa do SENHOR!Vamos entrar por estas portas abertas, mas não por obrigação, por uma tradição vazia, forçados por qualquer situação ou com a sensação de estar perdendo tempo!Entremos louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais em nossos corações! Entremos com alegria para agradecer e louvar a Deus pelos Seus grandes feitos entre nós!Viemos para ter comunhão no Espírito Santo, o que nos enriquece, fortalece e nos dá alento para a nova semana, fazendo crescer em nós o desejo de retornar à Casa do SENHOR. Enfim, agradeçamos a Deus porque as portas da Casa do Senhor se abrem para os cultos que se realizam. Elas se abrem para a adoração e para a comunhão com Deus por meio da Sua Palavra e dos Seus sacramentos, a fim de que possamos realizar este culto maravilhoso.Seria muito triste se encontrássemos as portas desta congregação fechadas no dia de hoje. Não seria um dia de alegria, mas sim de tristeza.
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