TEXTO: LC 21.29-36
TEMA: PREPAREMO-NOS PARA A VINDA DO SENHOR!
Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias Em Lc 21.29-36 para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O tema de hoje é: preparemo-nos para a vinda do Senhor!
A preparação do ser humano é algo fundamental e necessário em todos os setores da sociedade. As pessoas se preparam para uma determinada viagem. Os alunos se preparam para ter um bom desempenho no Enem. O atleta se prepara para que possa ter o melhor rendimento possível. O professor se prepara ao planejar as suas aulas para que possa atingir os seus objetivos. Na política, uma determinada cidade se prepara para receber uma autoridade. Muitas honras são atribuídas. A cidade passa por uma limpeza geral. O povo sai às ruas para saudá-lo e dar um aperto de mão.
Desde os tempos do Antigo Testamento até os escritos do Novo, o povo de Deus é convocado a viver em vigilância, santidade e perseverança, aguardando com fé o dia em que Cristo voltará.Em Seus ensinamentos,Jesus deixou claro que Sua volta será repentina e inesperada.Por isso,há necessidade de nos prepararmos. Ele quer que Seus seguidores vivam em um estado constante de prontidão, e não apenas em momentos de fervor. Mas como podemos nos preparar para a vinda de Cristo? Conforme o texto, apresento quatro enfoques sobre essa temática.
Primeiro, observando os sinais da vinda de Cristo (vv. 29-30).Jesus usa o exemplo das árvores brotando como um sinal natural da chegada do verão, para ilustrar que certos eventos (os "sinais") indicariam a proximidade do Reino de Deus e da Sua vinda. Devemos ter discernimento espiritual, atentos aos acontecimentos do mundo e aos sinais de Deus na história.
Segundo, tendo a certeza da vinda do Senhor (v.31).A promessa da vinda do Senhor é uma das verdades mais consoladoras e firmes das Escrituras. Desde os primeiros discípulos até os cristãos de hoje, essa esperança tem sustentado corações, renovado forças e moldado vidas. Não se trata de um mito, nem de um simbolismo, mas de uma certeza anunciada por Deus, confirmada por Cristo e reafirmada pelos apóstolos.
Terceiro, vigiando e perseverando na oração (v.36a).Quem vigia mantém postura firme, como um soldado guardando uma fortaleza, atento a todos os perigos ao redor. Essa vigilância é essencial para o cristão que deseja viver em santidade e estar pronto para a volta do Senhor. A perseverança na oração nos prepara para o grande encontro com Jesus. Quem ora continuamente permanece firme de pé diante do Filho do Homem. Ela torna-se exercício de vigilância, fidelidade e esperança. Por meio dela, cresce a sensibilidade para ouvir a voz de Deus, discernir o caminho certo e resistir às distrações espirituais.
Quarto, permanecendo firmes até o fim(v.36b).A vida cristã é marcada por desafios, distrações e tentações que podem abalar nossa fé. Muitos começam o caminho com entusiasmo, mas acabam se desviando quando o cansaço, as tribulações ou as preocupações tomam conta do coração.Jesus promete que, quando estivermos vigilantes e em oração, seremos capazes de permanecer de pé diante d’Ele. “Estar em pé diante do Filho do Homem” indica firmeza, estabilidade e fidelidade — uma postura de quem persevera mesmo diante das provações.Permanecer firme não significa ausência de dificuldades, mas confiança em Deus e resistência às adversidades. Não é pela nossa própria força, mas pela graça que nos sustém.
Assim, preparar-se para a vinda do Senhor, à luz da Bíblia, é viver com fé ativa, coração vigilante, vida santa e esperança firme. É caminhar diariamente na presença de Deus, para que, quando Cristo voltar, sejamos achados fiéis e prontos para entrar em Sua glória.
Jesus, após ter mencionado sobre eventos futuros — incluindo a destruição do Templo de Jerusalém, as perseguições aos cristãos, os sinais do fim dos tempos e a Sua vinda gloriosa aos seus discípulos, Ele agora ilustra o grande acontecimento com a parábola da figueira: “Vede a figueira e todas as árvores.” (v.29). “Vede”, “prestai atenção”, Jesus ordena uma observação atenta à figueira “e todas as árvores.” A figueira (Ficus carica) era uma das árvores frutíferas mais importantes da Palestina antiga.Ela aparece em várias partes da Bíblia como essencial da agricultura e da dieta do povo.Era uma das sete espécies que Deus prometeu ao povo de Israel na terra fértil de Canaã: “Terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras…” ((Dt 8.8). Produzia frutos duas vezes por ano.A folha da figueira também era conhecida por seu tamanho e frescor — servindo como sombra e abrigo natural em um clima árido.
Da mesma forma, como as pessoas sabem que o verão está chegando quando veem as árvores brotar e ganhar folhas após o inverno, os discípulos deveriam ter a mesma certeza e conhecimento ao olharem para os sinais dos tempos, tal como se observa na natureza a chegada de uma nova estação. É um sinal claro e visível que antecede um evento maior e inevitável (o verão): “Quando começam a brotar, vendo-o, sabeis, por vós mesmos, que o verão está próximo.” (v.30). Os discípulos quando vissem esses acontecimentos, deveriam saber que a vinda do Senhor estava próxima: “Assim também, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus.” (v.31).
A expressão “o Reino de Deus está próximo” é um dos temas centrais da pregação de Jesus e de João Batista. Com a chegada de Jesus, o Reino deixa de ser apenas uma promessa futura e se torna uma realidade presente, manifesta em Sua pessoa e obra. Os milagres e curas de Jesus demonstram que o poder de Deus já estava atuando na terra. A palavra grega ἐγγύς (Reino) indica algo muito perto ou já presente, um convite urgente à conversão. Quanto ao Reino, Jesus declarou: “O tempo está cumprido; o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1.15). Entrar nesse Reino exige metanoia, uma transformação profunda de mente e vida. Implica abandonar o pecado e adotar os valores divinos: justiça, amor, verdade, paz e santidade. Assim, o Reino se manifesta no coração daqueles que aceitam o domínio de Deus.
Quando Jesus e João Batista anunciam que “o Reino de Deus está próximo”, o uso de ἐγγύς indica algo que já está começando a acontecer. Ou seja, o Reino já chegou em parte — com a presença e a ação de Jesus —, mas ainda se completará plenamente na sua segunda vinda, quando Deus estabelecerá Seu domínio definitivo sobre toda a terra e eliminará o mal.É a essa consumação que a Parábola da Figueira se refere: os eventos (ou sinais) que precedem a volta de Cristo são como o brotar das árvores, indicando que a colheita final, isto é, a vinda gloriosa do Reino, está iminente.Esse duplo sentido (presente e futuro) é central na teologia do Reino:“Já, mas ainda não” — o Reino já está presente, mas ainda não consumado.
O exemplo da figueira nos mostra o quanto devemos estar vigilantes e atentos, aguardando a vinda de Jesus a qualquer dia e hora. Jesus reforça ainda a certeza e a autoridade profética de suas palavras. Ele assegura que os acontecimentos descritos — tanto os juízos históricos quanto os sinais escatológicos — inevitavelmente se cumprirão: “Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.” (v.32). Aqui temos duas expressões que requerem uma profunda reflexão, pois se trata de um assunto amplamente discutido. A primeira é sobre o termo “geração”. Seria a geração do tempo de Jesus? Seria o povo judeu como um todo? Ou seria a geração que verá o início dos sinais finais descritos (vv. 32–33)? Para Lutero, a expressão “esta geração” (dies Geschlecht), assim como para intérpretes posteriores — entre eles Johann Gerhard e C. F. W. Walther —, pode ser entendida de forma dupla:
Primeiro: cumprimento histórico — a geração de Jesus. Para a maioria dos intérpretes luteranos, a expressão “tudo isto” (referente aos sinais, guerras, perseguições e à “abominação da desolação”) diz respeito principalmente à destruição de Jerusalém e do Templo pelos romanos, em 70 d.C. Assim, “esta geração” pode ser compreendida como os contemporâneos de Jesus — que, de fato, viram “todas estas coisas” no sentido da queda de Jerusalém. Em segundo lugar,os intérpretes compreendem “esta geração” em um sentido escatológico e teológico, indo além da dimensão histórica. Nesse entendimento, o termo não se limita aos contemporâneos de Jesus, mas se refere à geração do povo de Deus, isto é, à comunidade dos fiéis ao longo da história — aqueles que, pela fé, pertencem ao Reino de Deus e aguardam o cumprimento pleno das promessas divinas.Em outras palavras, há uma dimensão dupla: a destruição de Jerusalém (já cumprida) e a promessa de que a Igreja perdurará até a consumação.As duas coisas estão entrelaçadas nas suas palavras, como se fossem uma só.”(Lutero, Sermão sobre Mateus 24, WA 17 II, 663).
O ensino da figueira não apenas adverte sobre a necessidade de vigilância, mas também confirma a certeza da Palavra de Cristo, cuja autoridade transcende o tempo e garante a esperança do Seu povo: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão” (v. 35).Jesus usa uma hipérbole escatológica: até mesmo o que parece mais estável e duradouro (o céu e a terra) um dia deixará de existir ou será transformado ( Apocalipse 21.1 – “novo céu e nova terra”). O que é criado torna-se passageiro, mas a palavra do Filho de Deus é eterna: “Mas as minhas palavras jamais passarão”.Suas promessas, profecias e ensinamentos — todos confiáveis e certos de cumprimento.
Vivemos em um mundo que muda o tempo todo.As modas passam, as opiniões se transformam, as tecnologias envelhecem em questão de meses. Até as coisas que parecem sólidas — nossa saúde, nossos planos, nossas certezas — podem desaparecer de um dia para o outro.Em meio à instabilidade da vida, somos chamados a confiar na fidelidade do Senhor. Ele nos lembra: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão. Há algo que nunca muda — a Palavra de Cristo.As palavras de Jesus não são apenas letras antigas num livro; elas são vida, consolo e direção para quem confia n’Ele. O que Ele prometeu, Ele cumpre. O que Ele ensinou, permanece verdadeiro.
Após falar sobre guerras, perseguições e o retorno do Filho do Homem, Jesus faz uma advertência pessoal. Ele pede cautela: “Acautelai-vos por vós mesmos”.(34a).O verbo significa "prestar atenção", "estar alerta", "guardar". A ênfase é colocada no pronome reflexivo ἑαυτοῖς ("por vós mesmos"), indicando que a responsabilidade pela vigilância é pessoal e intransferível.Jesus aponta que o perigo maior não vem apenas de fora (tribulações), mas de dentro — um coração distraído ou endurecido. Sendo assim,Jesus quer que Seus seguidores vivam alertas, sóbrios e espiritualmente atentos, não distraídos ou dominados pelas pressões e prazeres da vida. “Para que o vosso coração não fique sobrecarregado.” (v.34b).“Sobrecarregado” (βαρηθῶσιν) traz a ideia de ser pesado, estar oprimido, ser carregado. Sugere uma pressão interna que impede a mente e o coração de estarem alertos; impedindo-nos de discernir o tempo e a vontade de Deus.
Jesus menciona três coisas que “sobrecarregam o coração”: primeiro a orgia (κραιπάλη).Originalmente, o termo se refere à náusea e à dor de cabeça após o excesso na bebida (ressaca). Por extensão, passou a significar a festa desregrada e a sensualidade que a acompanha (orgia). Representa os excessos e prazeres pecaminosos da carne. Segundo a embriaguez (μέθῃ). Refere-se especificamente ao excesso de vinho ou bebida alcoólica, que leva à perda de controle, lucidez e inibição. Terceiro as preocupações deste mundo/da vida ( μερίμναις βιωτικαῖς ).A expressão traz a ideia de ansiedade, cuidado e preocupações. Representa o perigo de se estar espiritualmente cego pelo foco exclusivo nas necessidades e nos problemas da vida secular.
Jesus, ao discorrer sobre a vigilância espiritual diante dos sinais do fim e das pressões da vida presente, faz uma advertência clara: “Para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço” (v.34).“Aquele dia” refere-se inequivocamente ao Dia do Senhor, o momento do julgamento e da consumação da volta de Cristo. O verbo grego ἐπιστῇ , traduzido como "venha" ou "chegue", carrega o sentido de "estar sobre" ou "chegar de repente", refletindo a natureza inesperada e súbita daquele Dia.Para ilustrar essa surpresa, Jesus utiliza a imagem do laço (Παγίς). Este termo grego designa uma rede ou armadilha usada para capturar pássaros ou animais. No contexto bíblico, um laço é frequentemente empregado de forma metafórica para representar a armadilha que pega indivíduos espiritualmente desprevenidos.É fundamental notar que Jesus não afirma que o dia virá como um laço para todos. A armadilha é reservada para aqueles que não vigiam – para os que permitem que o coração fique: carregado,distraído, dominado pelas preocupações.Ou seja, o problema não reside na natureza do “dia” em si, mas sim no estado do coração. Quem vive distraído e despreparado será, inevitavelmente, pego de surpresa. A vigilância constante é, portanto, o único antídoto eficaz contra o risco de ser surpreendido espiritualmente.
Há momentos em que o coração parece carregar mais peso do que consegue suportar. Preocupações, incertezas, perdas, expectativas que não se cumprem… tudo isso pode nos deixar cansados por dentro, como se a alma estivesse afogada em silêncio. Jesus falou isso aos discípulos num momento de grande tensão. Eles estavam prestes a enfrentar dias difíceis, confusos, e Jesus sabia que o coração deles seria tentado a se encher de medo. Mas, antes que tudo acontecesse, Ele deixa uma instrução divina: O coração de vocês não precisa ficar sobrecarregado.
Depois de advertir sobre a necessidade de vigilância,Jesus expande a Sua advertência, tornando-a inclusiva: “Porque esse dia virá sobre todos os que vivem na face de toda a terra” ( v. 35 - Nova Almeida Atualizada, NAA).Ele enfatiza que o Dia do Senhor não será um evento local, restrito a um povo ou região, mas universal.A expressão “todos os que vivem na face de toda a terra” indica que: ninguém estará fora do alcance daquele Dia, nenhuma nação, cultura ou grupo poderá evitá-lo,a vinda de Cristo envolverá toda a humanidade; trata-se de um evento global, irresistível e inevitável.O foco não é provocar medo, mas despertar preparo.Jesus não apresenta essa verdade para paralisar o discípulo com temor, mas para fortalecer a consciência da necessidade de vigilância.
Enquanto aguardamos a vinda de Cristo, o mais importante é a nossa preparação. E a melhor maneira de se preparar para este glorioso evento é vigiando e orando. Mas como nos preparar? Jesus dá a resposta: “Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.” (v.36). Jesus então apresenta dois quesitos: primeiro, Ele fala que devemos vigiar. A palavra traduzida como “vigiar” significa “ter a vigilância de um guarda à noite”. Portanto, quem vigia precisa manter a postura firme, como um soldado designado para a guarda de uma fortaleza; precisa também levar em conta todo perigo em volta, observando atentamente tudo o que ocorre e precavendo-se de possíveis ataques. Isto demonstra a grande importância do vigiar na vida do cristão que almeja verdadeiramente viver em santidade e finalmente encontrar-se com o Senhor na Sua chegada. No segundo quesito, Jesus fala sobre a oração como meio de preparação. Só podemos estar preparados quando nos dedicamos à oração. Orar é uma forma ativa de vigiar. Quando oramos, colocamos nossas vidas diante de Deus, para sermos guiados por Ele.
Como cristãos, devemos lembrar disso diariamente, para não acontecer que durmamos por causa da sua demora, ou venham nossos corações a ficar sobrecarregados com as coisas desse mundo. Para que possamos viver esta vida cheia de esperança, devemos estar em prontidão e preparados. Isto só pode acontecer no momento em que vivermos em comunhão com Deus diariamente através de sua palavra e pelos sacramentos. Estamos nos preparando para receber o Senhor, a fim de escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem? Estamos vigiando e orando com perseverança , quando vier cheio de glória e de poder?
Estimados irmãos! Vamos nos preparar para receber o Senhor, a fim de escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem. De forma? vigiando e vivendo uma vida santificada neste mundo. Que Deus conceda a cada um abençoado tempo de espera e que busquemos cada dia viver na paz que vem daquele que há de vir.Amém!
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