TEXTO: LC 21.5-28
TEMA: PERMANEÇAMOS FIRMES NA FÉ DIANTE DAS TRIBULAÇÕES!
Estimados irmãos! Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo nos acompanhe neste dia. Convido-os a abrir suas Bíblias em Lucas 21.5-28 para refletirmos juntos sobre nossa caminhada cristã. O tema de hoje é: permaneçamos firmes na fé diante das tribulações!
Esse trecho faz parte do chamado “Discurso Escatológico” ou “Sermão Profético” de Jesus, no qual Ele fala sobre eventos futuros — incluindo a destruição do Templo de Jerusalém, as perseguições aos cristãos, os sinais do fim dos tempos e a Sua vinda gloriosa. Jesus não tinha a intenção de causar medo sobre essas tribulações aos discipulos, mas de preparar os Seus seguidores para permanecerem firmes.Ele sabia que enfrentariam dias de guerra, confusão, engano e dor — tempos de perda, decepção e incerteza. Ainda assim, o Senhor os chama a olhar além das circunstâncias, mantendo viva a fé e a esperança diante das tribulações, perseguições, enganos.
Assim como os discípulos, somos chamados a permanecer firmes em meio às tribulações, pois também vivemos em um mundo cheio de incertezas: guerras, pandemias, crises econômicas e o medo do futuro. Essas crises e tribulações são inevitáveis. Elas chegam de repente e, muitas vezes, nos pegam desprevenidos. Nesses momentos, é natural sentir medo, angústia ou desânimo.
Contudo, mesmo diante dessas situações, Jesus nos exorta à perseverança e à confiança em meio ao caos. Somos convidados a permanecermos firmes na fé, enfrentando as tribulações, as perseguições, os sinais do fim dos tempos e a expectativa da Sua vinda gloriosa, confiando que cada acontecimento aponta para o cumprimento do Seu propósito e para a manifestação da Sua glória. Mas porque permanecer firme na fé diante das tribulações? Apresento quatro respostas:
Primeiro, porque nada é permanente neste mundo (vv.5-6).Jesus nos ensina que nada construído pelo homem é permanente. Isso mostra que as coisas deste mundo acabam com o tempo.E,por isso, não podemos colocar nossa confiança nas coisas que passam;em coisas visíveis, materiais ou institucionais. A nossa confiança deve estar em Deus. Permanecer firmes na fé, confiando na promessa da vinda de Cristo, pois é nessa esperança que encontramos força para perseverar em meio às tribulações.Em que coisas você tem colocado sua esperança? Como podemos aprender a confiar mais em Deus do que nas coisas materiais?
Segundo, porque devemos ter cuidado com enganos (v.8). É diante da expectativa do fim dos tempos, que surgem falsos mestres e falsos cristos, explorando o medo e a curiosidade das pessoas. Neste sentido, Jesus adverte os discipulos. Sua orientação é clara: “Não os sigais.” Tenham cuidado com o sensacionalismo religioso — pessoas que anunciam datas, revelações ou mensagens baseadas no medo. A advertência de Jesus continua atual: em tempos de confusão espiritual, o cristão deve permanecer vigilante, firme na fé e atento à voz de Cristo, o único e verdadeiro guia. O que você faz para fortalecer sua fé e evitar enganos? Tem permanecido fiel na fé diante das tribulação para não ser enganado?
Terceiro, porque a salvação é alcançada por meio da perseverança na fé. (v.19). Jesus aqui descreve um mandamento (“perseverai”) e uma promessa (“ganhareis a vossa alma”). Ele está instruindo os discípulos a permanecerem firmes, mesmo em meio à perseguição e tribulação — e promete que essa fidelidade resultará em salvação. Ele nos ensina que, mesmo diante de aflições, confusões e perseguições, devemos manter-nos firmes na fé. Promete que a fidelidade até o fim é o caminho para a verdadeira vida:“Quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.” — Mateus 16.25. “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” — Apocalipse 2.10.Essas passagens confirmam que a fidelidade até o fim é o selo da fé verdadeira, e o resultado é a vida eterna com Cristo. Quem permanece fiel a Cristo, mesmo em meio à dor e à perda, alcança a eternidade com Ele.
Quarto porque devemos erguer e levantar a nossa cabeça, a nossa redenção se aproxima.(v.28). Jesus encoraja Seus seguidores a manterem-se firmes e esperançosos, mesmo diante das dificuldades, pois a libertação e salvação estão próximas.Ele ensina que, quando o mundo parecer em caos e tudo estiver abalado, o crente não deve temer, mas erguer a cabeça com confiança, pois essas coisas anunciam a vitória e o cumprimento das promessas de Deus.
Estimados irmãos! O texto afirma que algumas pessoas e também os discípulos estavam admirando com a grandiosidade e a beleza do Templo de Jerusalém. O texto afirma: “Falavam alguns a respeito do templo, como estava ornado de belas pedras e de dádivas.” (v.5). De fato, o templo era uma das construções mais impressionantes da época. A riqueza da construção era inegável e causava espanto em todos os visitantes. Ele “era ornado de belas pedras” (ou formosas pedras) e de “dádivas”. O dativo plural do termo ( ἀναθήμασιν) grego, literalmente, significa algo "colocado em cima" ou "dedicado". Eram presentes preciosos oferecidos por reis, ricos e devotos. Incluíam objetos de ouro, prata e outros materiais valiosos, pendurados e expostos para ornamentar o santuário. A verdade é que as pessoas admiravam o templo pela sua imponente beleza e grandiosidade.
Contudo, Jesus se valeu desse espanto/fascínio para transmitir uma lição essencial acerca da efemeridade das conquistas dos bens materiais. A profecia de Jesus inverte a perspectiva das pessoas e dos discipulos. Ele disse que seria destruído: “ Vedes estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada”. (v.6).O que parecia indestrutível e eterno aos olhos humanos seria, na verdade, totalmente desfeito. A expressão "não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada" é uma hipérbole (exagero para dar ênfase) que garante a total e completa destruição. A profecia de Jesus se cumpriu de forma literal e dramática com a destruição de Jerusalém e do templo pelos exércitos romanos, sob o comando do General Tito, em 70 d.C.O templo era lindo, mas isso mostra que as coisas deste mundo podem acabar. Jesus ensina que toda segurança baseada em estruturas humanas — sejam elas religiosas, políticas, econômicas ou culturais — é temporária. O templo era grandioso e magnifico,seria destruído (“não ficará pedra sobre pedra”). Isto demonstra que nesse mundo nada é permanente, e que a verdadeira segurança não está nas belezas materiais ou nas estruturas humanas, mas sim na nossa fé. Em que coisas você tem colocado sua segurança?
Os discípulos ficam surpresos e curiosos. Eles não conseguiam imaginar algo tão grandioso sendo derrubado.Por isso, perguntam: “Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir?”(v.7). A pergunta revela duas atitudes humanas muito comuns. Primeiro,desejam saber o tempo exato dos acontecimentos futuros. Queriam saber o cumprimento imediato sobre a destruição de Jerusalém: " quando sucederá isto?" Segundo, preocupação era a respeito dos sinais visíveis, em vez de focar na preparação espiritual. Eles pediram um aviso ou indicação do tempo em que isso aconteceria.
Jesus inicia Sua resposta com uma advertência, não com uma previsão exata: “Vede que não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome, dizendo: sou eu! E também: chegou a hora! Não os sigais.”(v.8).A prioridade não é saber quando ocorrerá o fim, mas sim não ser enganado. Jesus sabia que, diante da expectativa do fim dos tempos, muitos falsos mestres e falsos cristos surgiriam, explorando o medo e a curiosidade das pessoas. Eles viriam 'em nome de Cristo', afirmando ser o próprio Messias ou dizendo ter revelações especiais sobre 'a hora' ou 'o dia'.A ordem de Jesus é clara: “Não os sigais.” Ou seja, não deem ouvidos a quem distorce o Evangelho, mesmo que use palavras religiosas ou pareça convincente.Cuidado com o sensacionalismo religioso,porque muitos tentam atrair seguidores com mensagens de medo, previsões de datas e “novas revelações”. A única forma de não ser enganado é conhecer bem a Palavra de Deus. Quem tem o coração firmado na Escritura não se deixa levar por vozes estranhas (João 10.4-5).Em tempos de confusão espiritual, o crente precisa andar com olhos abertos e fé firme,porque o verdadeiro discípulo não segue qualquer voz — ele segue a voz do Bom Pastor, que é Cristo.
No entanto,Jesus atende à segunda parte da pergunta dos discípulos. Ele lista eventos que marcarão o período de tribulações. Ele fala de guerras e revoluções. Esses eventos representam os conflitos externos (entre nações) e internos (tumultos sociais, crises políticas) que sempre afligiram a humanidade. Ao prever esses eventos, Jesus afirma:“Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis. (v. 9a ). A recomendação é: "Não vos assusteis" , "não vos apavoreis": o medo é uma arma poderosa que pode levar ao desespero, à perda de fé e à paralisia da missão. Enquanto o mundo reage ao caos com pânico e insegurança, o seguidor de Cristo é chamado a reagir com paz e perseverança, fundamentadas na confiança de que os eventos (por mais terríveis que sejam) estão sob o conhecimento, e por vezes sob a permissão, de Deus. Portanto, o convite Jesus é para manter a calma e a lucidez.
A razão pela qual não devemos nos assustar é dupla: primeiro, “pois é necessário que primeiro aconteçam estas coisas.” (v.9b). Jesus destaca que determinados eventos são pré-requisitos inevitáveis antes do fim dos tempos, como guerras, crises, perseguições e sinais diversos. Segundo, “mas o fim não será logo.” (v.9b).Esses acontecimentos fazem parte de um processo histórico e espiritual que deve se cumprir, porém, não indicam que o fim será imediato.Essa palavra é um convite à calma e à confiança. Muitas vezes, diante das crises e incertezas, podemos sentir medo ou ansiedade, querendo saber exatamente quando tudo vai acabar. Mas Jesus nos chama a viver com fé firme e perseverante, não em datas ou previsões.
Jesus ainda continua descrevendo mais sinais: “Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino.” (v.10). As palavras de Jesus, “ levantar-se-á nação contra nação”, se aplicava tanto aos acontecimentos iminentes quanto aos futuros. No Primeiro Século, a frase indicava as tensões e revoltas que surgiriam dentro e ao redor do Império Romano, primeiramente,refere-se a conflitos entre grupos étnicos ou povos (como os judeus e os gentios) dentro das grandes cidades e províncias do Império. No período entre a crucificação de Jesus e a destruição de Jerusalém (70 d.C.), houve numerosos distúrbios e massacres étnicos em cidades como Alexandria, Cesareia e na própria Judeia, onde judeus e gentios se enfrentavam violentamente. E quando Jesus fala sobre “ reino, contra reino”. Isso apontava para guerras e conflitos maiores entre unidades políticas e grandes potências. Na época, isso poderia incluir:conflitos fronteiriços entre o Império Romano e seus inimigos e guerras civis e disputas pelo trono imperial em Roma (como ocorreu após a morte de Nero).
Ele também lista três tipos principais de desastres que causariam ampla miséria: “haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu.” (v.11).Grandes terremotos, epidemias (pestes) e fome. A junção desses três elementos é um indicativo de que a terra estaria passando por um período de extrema vulnerabilidade e desordem — um sinal de que os sistemas naturais e sociais estariam sob forte pressão.A segunda parte da frase aponta para algo além das catástrofes naturais rotineiras. Jesus diz que serão “coisas espantosas e também grandes sinais do céu.” A palavra grega φόβητρα (terríveis, espantosas) sugere acontecimentos que causam terror e medo, que são verdadeiramente assustadores. Vai além do dano físico e entra na esfera do medo e da angústia psicológica.O céu também se torna parte da manifestação divina, demonstrando que o drama final não se restringirá à terra, mas envolverá toda a Criação:"Grandes sinais do céu". No contexto bíblico, "sinais no céu", muitas vezes, indicam intervenção divina ou a proximidade de um grande evento. Falar de “coisas espantosas” e “sinais do céu”, Jesus eleva o tom da profecia. Não seriam apenas desastres naturais, mas eventos que assinalam uma mudança de era, chamando a atenção para a iminência dos juízos divinos ou da sua vinda.
Jesus,agora faz uma transição crucial no seu discurso profético: “Antes, porém, de todas estas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome.”(v.12).As palavras de Jesus podem ser divididas em três pontos principais. Primeiro, a natureza da perseguição - “Antes, porém, de todas estas coisas" .A palavra "Antes" é vital. Jesus deixa claro que a perseguição à Sua Igreja (Seus discípulos) não viria apenas no "fim dos tempos", mas imediatamente, antes da grande destruição de Jerusalém (70 d.C.) e dos sinais cósmicos finais.Isso cumpriu-se perfeitamente no Livro de Atos, que narra a prisão e perseguição dos apóstolos, de Estêvão e de Paulo, estabelecendo o sofrimento como a primeira experiência da Igreja.
Segundo, os agentes perseguidores - “entregando-vos às sinagogas e aos cárceres”. Jesus prevê que a perseguição viria de múltiplas esferas da sociedade, indicando a hostilidade generalizada ao Cristianismo primitivo. Viria de dentro da própria comunidade judaica. A sinagoga era tanto um local de culto quanto um tribunal local, com autoridade para açoitar ou excomungar seus membros. Ser "entregue às sinagogas" significava ser julgado e punido por líderes religiosos que viam o Cristianismo como uma heresia. Viria também em forma de repressão, um sofrimento físico e social dos reis e governadores (autoridades romanas). Isso eleva o nível da perseguição ao sistema político e imperial. Ser levado à presença de governadores (como Pôncio Pilatos, Félix ou Festo) ou reis (como Herodes Agripa) significava que a fé seria julgada no mais alto escalão do poder, como ocorreu com o apóstolo Paulo.
Terceiro, o propósito da perseguição - “Por causa do meu nome".O ponto central não é o sofrimento em si, mas o seu propósito. Jesus afirma que a perseguição tem uma causa singular: Seu Nome (Sua autoridade e a mensagem do Evangelho). Serão testemunhas.(Lucas 21.13). Isto transforma-se em uma oportunidade missionária:“ e isto vos acontecerá para que deis testemunho”. (v.13).Em resumo, a perseguição não é um desvio, mas sim o caminho divinamente ordenado para que o Evangelho se espalhe e atinja as mais altas autoridades.
Que sensação de medo e assombro sentiram os discipulos. Mas Jesus oferece uma garantia de capacitação para enfrentarem as autoridades por causa do Evangelho: “Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem” (vv. 14 e 15). Os versículos se concentra em três temas. Primeiro: a ordem para não se preocupar - A perseguição (mencionada no versículo 12: ser levado a sinagogas, reis e governadores) colocaria os discípulos sob imensa pressão. Eles seriam forçados a se defender publicamente contra acusações de traição, heresia e desordem social. Diante desta perseguição,Jesus lhes ordena que tomem uma decisão interna:"assentai em vosso coração"). O verbo Θέσθε significa colocar, pôr, estabelecer, determinar, fixar. Está no imperativo e indica uma ação completa e decisiva a ser feita imediatamente.Significa tomar uma decisão firme, uma resolução interior, uma convicção profunda; um ato da vontade de fixar algo no coração,pois os discipulos não deveriam se preocupar com o que haveriam de responder. E o verbo "preocupar-se" ou "premeditar" (em algumas versões) implica em um esforço ansioso e antecipado de preparar um discurso ou uma defesa. Jesus ordena que esta ansiedade seja rejeitada.
Segundo, a promessa de auxílio divino. A promessa é pessoal e direta: "eu vos darei". É o próprio Cristo ressuscitado, através do Espírito Santo (Mateus 10.20 e Lucas 12.12), quem se responsabiliza pelo testemunho. Ela dará “boca” (poder da expressão). Não apenas a capacidade de falar, mas a eloquência e a autoridade no discurso. O Espírito Santo lhes daria as palavras exatas necessárias para a ocasião. Ela dará “sabedoria”.(poder do entendimento). Isto significa que o Espírito Santo dará poder para discernir a verdade em meio à acusação em um tribunal ou audiência.
Terceiro, o resultado da intervenção de Deus. Esta é a grande garantia. A "boca e sabedoria" divinamente concedidas seriam tão poderosas que os inimigos, mesmo sendo as autoridades mais cultas e poderosas da época (sinagogas, reis e governadores), seriam incapazes de refutar ("contradizer") ou superar ("resistir") o testemunho dos discípulos.Esta promessa se cumpriu repetidamente no livro de Atos, onde líderes como Pedro e João (Atos 4.13) e, mais tarde, Estêvão (Atos 6.10) e Paulo, falaram com tal autoridade que seus opositores se calaram, ou recorreram à violência por não terem argumentos.
Jesus intensifica a descrição da perseguição e culmina com a promessa final de preservação e salvação para aqueles que perseverarem. As palavras de se resume em três contrastes poderosos. Primeiro, traição familiar (v.16). Jesus eleva o nível do sofrimento ao revelar que a perseguição não viria apenas de estranhos e autoridades políticas, mas das pessoas mais próximas e amadas. A referência a "pais, irmãos, parentes e amigos" sendo os agentes da entrega é chocante. No contexto judaico e romano, a lealdade familiar era a base da sociedade. A adesão a Cristo romperia esses laços de forma violenta e dolorosa, tornando a traição a mais amarga das experiências. Isso sublinha a demanda radical do discipulado, que deve superar até mesmo os laços de sangue ( Mateus 10.37). Segundo ,morte e ódio (v. 17). A perseguição culminaria na morte de alguns discípulos (martírio) e no ódio de "todos" (um termo que significa "a grande maioria" ou "o mundo ímpio"). A causa deste ódio é clara: "por causa do meu nome".
No auge da descrição do sofrimento, da traição e da morte, Jesus insere uma promessa: "Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça." (v.18). Essa expressão — “não se perderá um só fio de cabelo” — é uma forma simbólica de dizer que Deus tem um controle absoluto e amoroso sobre tudo o que acontece conosco. É maravilhoso saber que durante a nossa perseguição ou sofrimento para anunciar o Evangelho nada será perdido para aqueles que permanecem fiéis. Mesmo no meio do caos, há uma proteção divina completa, que transcende o medo e a perda.Nenhum fio de cabelo se perde, porque a fidelidade a Deus garante uma proteção que vai além do físico — é a segurança eterna da alma.É uma declaração de que Deus tem o controle final sobre a vida e a morte, e nada de essencial será tirado.
As palavras finais de Jesus sobre as tribulações são ao mesmo tempo um mandamento e uma promessa: “É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma” (v.19).A palavra grega ὑπομονή, traduzida por perseverança" implica firmeza constante sob adversidade — não apenas esperar, mas permanecer fiel diante das provações, aflições,tribulações e perseguições. O verbo κτάομαι (ganhar/possuir) indica adquirir algo com esforço, enquanto ψυχή (alma) pode significar vida física, essência ou vida eterna. Assim,"ganhar a alma" não se refere apenas à sobrevivência, mas à conquista da vida plena em Cristo, mesmo com perdas.Embora a salvação seja um dom gratuito recebido pela graça mediante a fé, (Ef 2.8-9) a perseverança é o caminho que manifesta, concretiza e evidencia a autenticidade dessa fé viva. A perseverança não conquista a salvação, mas revela quem verdadeiramente crê e permite que o crente complete sua caminhada em direção à vida plena prometida. Tiago afirma: "...porque vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que lhes falte coisa alguma." (1.3-4 (NVI).
Vamos refletir: De que forma minha perseverança diante dos desafios atuais está revelando a autenticidade da minha fé em Jesus?O que preciso entregar (perder) hoje para garantir o ganho da minha alma amanhã?
Jesus não escondeu dos seus discípulos que tempos difíceis viriam. Ele falou com clareza sobre Jerusalém. Ele profetiza um evento histórico concreto: a destruição de Jerusalém, que ocorreu em 70 d.C., quando o exército romano, sob o comando de Tito, sitiou e devastou a cidade.Ele exorta desta forma: “Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação.”(v.20). Deus nunca age sem antes advertir. Jesus aqui está dando um sinal claro e visível para os seus seguidores. Ele não fala de algo simbólico aqui, mas literal: exércitos cercando Jerusalém.O verbo "virdes" mostra que essa profecia era para ser observada e reconhecida pelos discípulos — não algo distante ou místico, mas histórico e concreto. Então,Jesus alerta que, quando o cerco começar, “sabei que está próxima a sua devastação.”A palavra “devastação” (ἐρήμωσις) significa desolação, destruição completa, abandono.Esse aviso também carrega um tom de urgência e julgamento. A devastação não é apenas militar, mas também divina — um juízo sobre a rejeição do Messias e sobre a corrupção espiritual que havia se instalado no templo e na liderança religiosa. Jesus espera que o seu povo responda com fé e ação. O mesmo princípio se aplica hoje: estamos atentos aos sinais? Deus fala por Sua Palavra, pelo Espírito e pelas circunstâncias. Você está ouvindo?
Jesus agora dá instruções práticas para escapar do juízo iminente: “Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela.” (v.21).Judeia era a região ao redor de Jerusalém. Jesus está dizendo que o perigo não se restringiria à cidade, mas afetaria toda a região. A orientação de Jesus é clara: fugir imediatamente e buscar refúgio nas montanhas, lugar de difícil acesso para exércitos invasores, o que era comum em tempos de guerra no Oriente Médio.Isso mostra que Jesus não está chamando para resistência ou enfrentamento, mas para obediência e discernimento espiritual: o livramento está na fuga, não na luta. A cidade de Jerusalém era considerada, para muitos judeus, um lugar seguro, especialmente por causa do templo. Mas Jesus inverte essa expectativa: a cidade não será refúgio, mas armadilha.
Portanta, saiam da cidade enquanto ainda é possível. E aqueles que estiverem nos campos,não entrem na cidade.Não corra para Jerusalém achando que lá há segurança. O perigo está justamente lá.Muitos poderiam pensar: “ali está o templo de Deus. Ele vai nos proteger”. Mas o próprio Jesus já havia anunciado que o templo seria destruído (v.6).Isso contraria o instinto natural de buscar abrigo em centros urbanos fortificados.Em tempos de crise, precisamos discernir espiritualmente onde está o perigo e onde está o refúgio. Nem sempre o que parece seguro aos olhos humanos é o que Deus está orientando.Não podemos confiar em estruturas religiosas, sistemas ou tradições, mas apenas em Cristo e em Sua Palavra.
Jesus ainda explica o motivo do juízo: trata-se de dias de vingança divina e de cumprimento profético: “Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito.” (v.22).A palavra "vingança"(ἐκδίκησις), pode significar, "retribuição", "justiça.” Jesus está dizendo que a destruição de Jerusalém será um ato de julgamento de Deus, não apenas uma tragédia militar. Esse juízo está relacionado: à rejeição do Messias por parte da liderança judaica (Lucas 19.41–44); à corrupção espiritual do templo e da religião judaica (Mateus 23.37–38); à perseguição contra os profetas e, posteriormente, contra os cristãos. (Mateus 23.37–38).Em outras palavras, o juízo vem como resposta à dureza de coração e à rejeição da graça oferecida por Deus em Cristo. Mas Jesus também afirma que essa vingança/julgamento não é arbitrária, mas cumpre as Escrituras: “para se cumprir tudo o que está escrito”.Muitas profecias do Antigo Testamento previam tanto a rejeição do Messias quanto o castigo de Israel por sua infidelidade ( Deuteronômio 28; Daniel 9.26; Isaías 29.1–6). Portanto,aquilo que foi anunciado pelos profetas agora se cumpre. O plano de Deus segue seu curso, e Sua Palavra é sempre fiel.
Jesus no final do texto,traz um exortação mais ampla. Ele profetiza os sinais e consequências desse juízo. Primeiro,Ele afirma: “ Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo.” (v.23).A expressão "Ai de..." (em grego: οὐαί) é usada na Bíblia para expressar lamento, dor ou juízo iminente. É uma forma de pronunciar sofrimento inevitável.Mulheres grávidas ou com filhos de colo simbolizam os mais vulneráveis em tempos de guerra ou fuga.Jesus está apontando que a severidade do juízo será tamanha que até ações naturais e belas, como gerar e cuidar da vida, se tornarão um fardo doloroso em tempos de aflição.Mostra que o juízo não poupa ninguém — nem mesmo os inocentes. O fato é que haverá uma "grande aflição" ;uma agonia intensa, tanto física quanto emocional, causada pelo cerco, a fome, a guerra e a destruição contra o povo em toda à terra de Israel, especialmente Jerusalém e seus arredores.O juízo de Deus é real e inevitável quando o coração permanece endurecido. Leve a sério os avisos de Deus. Jerusalém não levou, e sofreu. Hoje, ainda temos tempo de arrependimento. Valorize o tempo da graça.
Jesus continua descrevendo as consequências históricas e espirituais do juízo divino contra Jerusalém: “ Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.” (v.24).Jesus profetiza que muitos judeus seriam mortos durante o cerco romano, o que se cumpriu tragicamente em 70 d.C., quando o general Tito invadiu Jerusalém. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas morreram. Ele “cairão a fio de espada.” A frase grega "στόματι μαχαίρης" significa literalmente "pela boca da espada", uma metáfora comum para morte violenta na guerra.Descrição literal da morte em combate.Depois da queda de Jerusalém, os sobreviventes foram vendidos como escravos, dispersos por várias partes do Império Romano: “e serão levados cativos para todas as nações” .Esse evento marcou um novo exílio e o início da diáspora judaica que durou séculos. Mas Jesus também introduz um marco escatológico importante: “até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.” “Tempos dos gentios” refere-se ao período em que os gentios (não judeus) têm proeminência na história e na missão do evangelho.O verbo πληρόω significa “cumprir” ou “completar plenamente”. Ou seja, esse tempo tem um início e um fim determinados por Deus.
IV
Dando continuidade ao seu Discurso “Escatológico" ou "Profecias". Jesus apresenta os sinais que precederão o fim dos tempos e a vinda do Filho do Homem. Aponta para uma mudança catastrófica no ambiente cósmico, além de "angústia das nações em perplexidade" e o barulho do mar. É um sinal de que o fim dos tempos está próximo:"Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. (v.25a).Jesus fala de sinais nos céus — elementos que sempre representaram luz, orientação e ordem na criação (Gênesis 1.14-18).As imagens do sol, da lua e das estrelas sendo abaladas são típicas da linguagem profética (como em Isaías e Joel) e simbolizam uma mudança drástica na ordem do mundo — tanto natural quanto espiritual.Diante desses sinais, Jesus descreve a reação da humanidade: “sobre terra, angustia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas."(v.25). Ele fala de “angústia” fala de medo, desespero, impotência. Fala “do bramido do mar” que representa o tumulto das massas, revoltas, guerras, confusão social e política.
Também mostra a expressão estrema do pavor do homem — pessoas literalmente perdendo a força e o ânimo diante dos acontecimentos: “Os homens desmaiarão de terror.”(v.26a). Descreve o impacto psicológico e físico dos eventos finais sobre a humanidade. O verbo "desmaiarão" (literalmente, "expirarão") enfatiza um medo tão profundo que chega a ser mortal ou paralisante.O terror não é apenas pelo que está acontecendo no presente (guerras, catástrofes), mas pela consciência apavorada do que está por vir: “apreensivos com o que estará sobrevindo ao mundo, pois os poderes celestes serão abalados.”(v.26b).Quando até as bases do céu são abaladas, a humanidade perde todo ponto de referência e toda sensação de segurança, resultando em medo e terror. Então, o homem perceberá que não tem controle sobre o que acontece no mundo. É o fim absoluto da auto-suficiência humana.É a percepção de que a história e a ordem conhecidas estão chegando a um ponto de ruptura total, sem esperança de retorno.
No entanto, Jesus não fala apenas de destruição, mas de esperança: “Então se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.”(v.27).A palavra "então" conecta diretamente este evento aos sinais cósmicos e ao pavor das nações. A vinda do Filho do Homem é a consequência imediata e culminante da desordem mundial. O caos não é o fim em si, mas o prelúdio do grande evento.Filho do Homem" é o título que Jesus mais usava para Si mesmo. Ele evoca a profecia de Daniel 7.13-14, onde "um como o Filho do Homem" recebe domínio, glória e um reino eterno. É um título que enfatiza tanto a Sua humanidade quanto a Sua autoridade divina e messiânica.A expressão “Filho do Homem” vem de Daniel 7.13–14, onde esse personagem recebe autoridade eterna de Deus.A “nuvem” é símbolo da presença divina.
Diferente da primeira vinda (em humildade), Jesus voltará com poder e glória visíveis a todos.Isso aponta para Sua segunda vinda — não mais como servo sofredor, mas como Rei vitorioso.Ele vem para pôr fim à dor, à injustiça e ao pecado.A volta de Cristo não é motivo de medo para o crente, mas de alegria e expectativa.Se verá" indica que este evento não será secreto ou interno, mas uma manifestação pública, inegável e universal. A vinda de Cristo será um evento que todos na terra testemunharão. Ele virá vindo numa “nuvem, com poder e grande glória.” Na Bíblia, a nuvem está consistentemente associada à presença de Deus, à glória e ao mistério divino.A nuvem simboliza a maneira como Deus Se move e Se revela em poder, acima da esfera terrestre. (Êxodo 19; (Êxodo 40; Atos 1.9). O “poder e gloria,” estes atributos contrastam fortemente com a primeira vinda de Jesus, que ocorreu em humildade e fraqueza (nascimento em uma manjedoura, morte na cruz). Na Sua segunda vinda, Ele virá como o Soberano e Juiz do universo.
Enquanto o mundo se desespera, Jesus chama os seus para uma atitude oposta: “ Ora,ao começarem estas coisas a suceder,exultai e erguei a vossa cabeça;porque a vossa redenção se aproxima.” (v.28).Mas qual é o principal objetivo desses sinais? Não é causar terror, mas servir como um alerta para os fiéis. Eis a razão porque Jesus encoraja seus seguidores a não temerem, mas a levantarem a vossa cabeça, mantendo a esperança viva e os olhos fixos em Jesus em tempos difíceis. O cristão deve viver olhando para o alto, sabendo que a sua esperança não está nas circunstâncias, mas no Salvador.Devemos viver com esperança e estar prontos para o dia da salvação. Jesus porém não quer que fiquemos olhando para o céu o tempo todo, só em busca de sinais. Ele não quer que paremos a nossa vida, mas que a gente viva e pregue o Evangelho.
Amados, o mundo de hoje não é muito diferente daquele sobre o qual Jesus falava. Vemos guerras, catástrofes, falsas promessas e o colapso de tudo aquilo que parecia seguro. É fácil cair no desespero ou se apegar de tudo que é terreno — por mais belo, grandioso ou seguro que pareça — é passageiro. O templo de Jerusalém, orgulho do povo, seria destruído, e com ele ruiriam também as falsas seguranças humanas. Jesus nos convida a olhar além das pedras e construções, para firmar o coração no que é eterno: a Sua presença e a Sua promessa.Ele não esconde que tempos difíceis virão. Fala de guerras, perseguições, abalos e sinais no céu. Mas, em meio a tudo isso, o Senhor nos chama à perseverança e à confiança. “Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (v. 28). Essa é a esperança do cristão: mesmo quando o mundo parece desabar, o Reino de Deus continua firme, e Cristo permanece no controle.
Portanto,somos convidados a viver com os olhos fixos em Jesus, não dominados pelo medo, mas sustentados pela fé. Que cada provação seja oportunidade de testemunhar a fidelidade do Senhor. E que, ao ver os sinais dos tempos, nosso coração não se perturbe, mas se encha de expectativa pela vinda do nosso Salvador. Que possamos confiar em Deus, permanecer firmes na Palavra e manter nossos olhos fixos em Jesus. Amém!
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